Latest / Surra de Lúpulo / Filtração e Clarificação de cervejas. Papo com Marcus Dapper | Surra #217
Transcript
- 0:08Epa, a Côndria que apresenta... Surra
- 0:14de Lúpulo! Oi, pessoal! Bom
- 0:16dia, boa tarde, boa noite! Eu
- 0:19sou o Ludmilla, mais conhecida no Instagram.
- 0:21Comem, Paca Côndria! E
- 0:22no programa de hoje, meus amigos, nós vamos falar de
- 0:26filtração e clarificação da cerveja. Eu
- 0:29não sei como é que isso é feito, mas o nosso
- 0:33convidado vai nos ajudar a aprender. E
- 0:36eu posso dizer pra vocês que eu adoro uma cervejinha
- 0:39lindinha, translúcida na minha frente. Isso
- 0:41é um negócio que me chama, assim, pro próximo gole,
- 0:43né? Pra nos ensinar isso e muito
- 0:45mais, a gente conta aqui com o professor Marcos
- 0:48Dapper, que é mestre cervejeiro e malteiro, sou
- 0:50melhor de cerveja, mestre em estilos. Professor
- 0:52do ECB e acumula de experiência mais de 30 anos
- 0:56no mercado de cervejeiro e de bebidas. Será
- 0:58que o cara tem cacife pra falar dessas coisas aqui?
- 1:01Com certeza, com certeza! Antes
- 1:04de pedir que o nosso convidado dê uma alô, a
- 1:05gente tem o prazer de informar que esse programa
- 1:07oferecido pelo nosso MECENAS IMPRESARIAL CERVEJARIA O SÁ
- 1:12DE RECIFE. Marcos, por favor, dá um alô pra
- 1:17galera conhecer sua voz. Perfeito,
- 1:20boa noite, pessoal. Boa noite, Lud, tudo bem? Tudo
- 1:22ótimo. Bom, primeiro, agradecer pelo
- 1:25convite aí. É um grande prazer tá aqui
- 1:27com vocês pra compartilhar conhecimento. Falar
- 1:30sobre cerveja, compartilhar conhecimento, tomando
- 1:33cerveja. Se não é a melhor, uma das
- 1:35melhores coisas que a gente pode trazer na vida, certo?
- 1:37Certo, certíssimo. Concordo.
- 1:39Então, muito obrigado pelo convite. Vamos
- 1:41lá, vamos com a lá de cerveja, filtração,
- 1:43clarificação, enfim, todos esses tópicos aí pra trazer
- 1:47aí a luz ao conhecimento aí dos nossos ouvintes. Bem
- 1:52-vindo, Marcos. Eu sou o Leandro, mas hoje
- 1:54vocês podem me chamar. Agora
- 1:56tem formação, esse programa tem formação, hein? James
- 1:58Simpson. Fabe o que é James Simpson,
- 2:00Lud? Claro que não. Você
- 2:02é o rei da referência que eu não faço a ideia do
- 2:04que seja. Isso não é nem referência, isso
- 2:06aí foi pesquisa. É o Criador do Filtro. Ah,
- 2:09que maravilha. Ah, agora eu entendi. Agora
- 2:12eu saquei. Cara, que criou o filtro, rapaz.
- 2:17James Simpson. Pra
- 2:18mim, quem criou o filtro foi minha avó, que tinha
- 2:20um filtro lá da... De barro, maravilhoso. De
- 2:23barro, porra. Enfim, mas tá bom, tá bom seu
- 2:26filtreiro. Tá bom, tá bom. E
- 2:28a gente costuma bater esse papo aqui bebendo alguma
- 2:30coisa. Que que você vai beber por aí,
- 2:32Marcos? Pô, cara, eu separei aqui uma
- 2:34IPA, uma Lagunitas IPA que é IPA. Hum,
- 2:37grandes clássicos do programa. Não
- 2:39tem como errar, não tem como errar, não tem como
- 2:41errar, meus amigos. É, não tem como errar. E
- 2:43você, Lud? Ai, eu vou primeiro e eu vou
- 2:45abrir. Vamo ver se o microfone vai me
- 2:47sacanear. Pera aí. Quem
- 2:50tá no Zoom não ouve, mas quem vai ouvir o programa
- 2:54ouve. Porque esse casseta desse Zoom
- 2:57atrapalha meu microfone, mas é verdade esse barulho. Eu
- 3:00estou aqui com a Pilsner Urquil, porque falamos de
- 3:03cerveja clara. Opa. Translúcida. Maravilhosa.
- 3:08Então eu tô aqui com essa maravilhosidade. Que
- 3:11o nosso amigo Gil Lebre distribui agora no Rio de
- 3:15Janeiro e aí a gente consegue achar mais fácil.
- 3:17E você, Bart James Simpson.
- 3:23Goup, tá bebendo o quê,
- 3:25miserável? Cara, a gente tem umas cervejas,
- 3:28uns estilos que a gente guarda pro frio, né? Como
- 3:31o frio do Rio de Janeiro, ele acontece durante duas
- 3:33semanas e olha lá com interrupções, é oportunidade
- 3:37que não pode se perder. Então
- 3:38eu vou beber uma triple. Eu
- 3:40vou beber a toma de extraído da Prussebia. Vou
- 3:44tentar abrir aqui. Funcionou.
- 3:47Então, é configuração, né? Ah,
- 3:50porra de configuração é pra merda. Aquela
- 3:52que fica resfungando o microfone, é uma porra de
- 3:54configuração. Se você gosta do nosso
- 4:06conteúdo e ainda se identifica com a gente,
- 4:09apoia o surra de looplo por meio do site apoia .se
- 4:14-surra -luplo ou comprando uma camiseta na nossa loja
- 4:18.surra -luplo .com .br. Messenas
- 4:22ganha conteúdo exclusivo toda semana, participa do
- 4:25nosso grupo de WhatsApp e sorteios de brindes
- 4:28insanosos. Ah, mas a grana tá curta ou
- 4:32você ainda não ama tanto a gente assim? O
- 4:35outro jeito de ajudar é seguindo a gente na sua
- 4:38plataforma de streaming preferida e dando cinco
- 4:40estrelinhas no Spotify e no Apple Podcast. Lembre
- 4:43-se de compartilhar esse programa com seus amigos,
- 4:45isso ajuda muito na distribuição dos episódios.
- 5:02Bom, vamos que vamos, hein?
- 5:04Vamos que vamos. Marcos,
- 5:06pra gente começar então esse papo, eu acho que é
- 5:09legal a gente entender um pouco melhor essa definição
- 5:12desses dois termos, né, o que é filtração e
- 5:15clarificação. E após entender o que são
- 5:18essas definições, o que é definir cada uma, o que é
- 5:21que vem primeiro no processo sergero? E
- 5:24porque um não é o outro? É
- 5:26porque o outro não é o um, né? Exato.
- 5:29É, perfeito, vamos lá. A diferença dos dois é lá,
- 5:33tem um diálogo assim, tem um, ah, o cunho científico,
- 5:37né? Quando a gente tá falando de
- 5:38clarificação a gente tá falando de um processo que
- 5:43conta basicamente com a ação da gravidade. A
- 5:46grande força que está toando é a força da
- 5:49gravidade. Imagina que você pegou uma xícara
- 5:51de água, uma xícara de água quente, colocou um chá
- 5:53dentro. Não o sachezinho, o chá mesmo,
- 5:56a erva. O que acontece? Naturalmente
- 5:58o que for mais pesado vai decantando. Então
- 6:02no início, se aquele chá fica com turvo, ele vai
- 6:04decantando, decantando, decantando e vai ficando
- 6:07clarificado. É isso, por exemplo, o que
- 6:10acontece com as cervejas na etapa de maturação. Ela
- 6:13fica lá no frio, temperaturas baixas e ao
- 6:16longo da maturação, ao longo do tempo, as
- 6:18leveduras e os complexos proteicos vão decantando,
- 6:21decantando, decantando, vão se depositando no fundo do
- 6:25tanque e a cerveja fica clarificada. Agora,
- 6:28a filtração, nós utilizamos outros recursos que não
- 6:33são, basicamente, a ação da gravidade. Eu
- 6:36tenho elementos filtrados, ou seja, eu estou
- 6:39transpassando o líquido por uma camada, por um leito
- 6:42filtrante e ali nessa camada, essa membrana,
- 6:46enfim, nessa superfície, tudo aquilo que causa
- 6:48turvação da cerveja fica retido e do outro lado eu
- 6:52tenho a cerveja filtrada. Ou
- 6:55seja, para filtrar, eu preciso transferir o líquido
- 6:58junto ao lado do outro, digamos assim, e para
- 7:01clarificar, não, ele está paradinho em uma recipiente,
- 7:05no tanque, enfim, onde ele tiver lá um reatório, seja,
- 7:09e ele vai gradativamente os compostos que causa turvação
- 7:13vão decantando. Essa é a diferença entre,
- 7:16digamos assim, a diferença científica, digamos assim,
- 7:19técnica, entre esses dois processos. Agora,
- 7:23com relação a quem vem primeiro, aquela história, o
- 7:25ovo, a galinha, tal, como é que isso funciona, bom,
- 7:28aí depende, aí a gente precisaria, a gente vai
- 7:30acabar, né, falando um pouquinho mais sobre o
- 7:32processo e se normalmente toda a cerveja que foi
- 7:35filtrada, ela foi previamente clarificada. Mas
- 7:38por uma questão de performance do sistema de
- 7:42filtração, porque essa cerveja tiver uma
- 7:44clarificação razoável, é mais fácil de ela ser
- 7:47filtrada e com isso a eficiência, performance do
- 7:51sistema de filtração fica melhor, ele consegue filtrar
- 7:53mais cerveja em um mesmo intervalo de tempo, tá, ele
- 7:56não satura o fio. Agora, por outro lado, a gente
- 7:59também tem aquelas cervejas que são clarificadas e não
- 8:03precisam ser filtradas. E nós temos ainda cervejas
- 8:06que não precisam ser nem clarificadas nem filtradas,
- 8:09isso vai depender basicamente aí dos
- 8:11espíritos, certo? Perfeito. Eu aqui, se eu fosse uma
- 8:15pessoa desse tipo, eu faria piada, eu vou fazer só pra
- 8:19vocês saberem qual tipo de pessoa eu seria, mas eu
- 8:22não sou essa pessoa. Na lua e assim possível
- 8:26clarificar, não tem gravidade. Isso.
- 8:30Que isso meus amigos. Caraca,
- 8:34mas aí não é piada, aí meu irmão, é o calcegan.
- 8:38Você tá de calcegan falando aí?
- 8:41Ó, que isso hein. Tá
- 8:43demais. O Marcos ele levantou uma
- 8:47bola pra eu cortar, que se eu não cortar aqui, cara.
- 8:49Marcia Ful, Leila Duvole, porra.
- 8:52Ana Moser, estariam contando
- 8:54comigo à toa. Aí você falou sobre estilos,
- 8:57estilos que vão clarificar, que precisam de filtrar ou
- 9:00que não precisam nem de um e de outro, então vamos
- 9:01falar sobre isso agora, né. Existem
- 9:03estilos de cervejas que são necessariamente turbos. Se
- 9:07a gente fosse tário exemplos aqui imediatamente,
- 9:09uma Vazbir, uma New England, né, é uma New
- 9:12England, então assim, quais são as maiores causes de
- 9:15turbidez na cerveja e em quais estilos é inadmissível
- 9:19a turbidez? Que aí você vai poder meio que
- 9:21fazer essa oposição com tipo, talvez estilos que
- 9:26sejam tipo absolutamente necessários a claraficação,
- 9:29filtração e etc. Aí você responde, você
- 9:32entendeu, né? Você não porra. Entendi,
- 9:35não, vamos responder a tua pergunta falando justamente
- 9:38dos extremos, tá? Então, papo, vamos pegar o extremo
- 9:42da casa de cervejas que obrigatoriamente são turbas,
- 9:46porque historicamente elas nasceram assim, né? E
- 9:49a característica delas é não ser brilhante, né? É
- 9:52ser predominantemente turbos. Eu
- 9:54tô acabando, né? As duas, talvez os dois
- 9:57estilos mais conhecidos, né, que são necessariamente
- 10:00turbos é a tradicional cerveja de igua -leman, a
- 10:03German, a soft German Weidzebier, que é assim, a
- 10:08500, 600 mil anos, desde que se produz cerveja
- 10:12basicamente na Europa e mais recentemente, aí já é
- 10:16uma criação bem mais recente, né? Aí
- 10:18do já que tá nos anos 92 mil, a gente tá falando
- 10:21das New England IPAs. São cervejas que são turbas e
- 10:25são até, no caso da minha igua, chegou a ser
- 10:27carregadas. E aí deu o seguinte, porque
- 10:29ela tá turva, porque tem alguma coisa que existe
- 10:31suspensão, tá? Nela. Isso é um negócio
- 10:34interessante, é um detalhezinho técnico, né?
- 10:37Mas por que? Porque
- 10:38que eu pego um copo e vejo a cerveja brilhante e
- 10:40pego um outro copo e vejo ela não brilhante? A
- 10:43turbidez, que é o contrário do brilho, ele é o
- 10:47seguinte, a luz tá batendo no copo, por exemplo, o
- 10:50Lude, pegar o teu copo aí de Boheme Pius, né? Pius
- 10:54Neurkian. A luz tá batendo nele, tem
- 10:57pouquíssimas partículas. Ó, dá até pra ver aí, tô
- 11:00vendo, dá pra ver o lobo do copo atrás. Sim,
- 11:03dá pra eu botar meu dedinho aqui, você vai ver
- 11:05ali, o contrário. Exatamente.
- 11:08O que que tá acontecendo? Tá
- 11:09incidindo luz nele e tem tão pouca partícula que o
- 11:14desvio da luz é pequeno. Tá.
- 11:16Então a luz desvia só um pouquinho. Quanto
- 11:18mais essa luz desvia, mais turva eu tô vendo,
- 11:22entendeu? É isso que reage o nosso
- 11:25olho, o olho humano. Então assim, numa cerveja muito
- 11:28turva, a luz bate e ela desvia às vezes tanto que
- 11:31ela não consegue nem transpassar para o outro
- 11:33lado do copo. Então isso que diferencia o turvo
- 11:36e o brilhante. Então basicamente, as linhas
- 11:39gerais do que deixa a cerveja turva são leveduras,
- 11:43isso é, são complexos peninoproteicos. São
- 11:48interações de desicoquímicas entre proteínas e polifenóis
- 11:51que formam aglomerados, de grande peso molecular e vão
- 11:56desviando a luz, desviando a luz. Tanto
- 11:58que é muito, muito legal isso aí. Por
- 12:00exemplo, se tu pegar uma vai descendir na prateleira,
- 12:03tá? Que tá ali há muito tempo e
- 12:05tu for servir da olocópica, ela não tá tão turva, né?
- 12:08Tanto que a técnica de serviço
- 12:09justamente serve, com as quartas do copo, agita,
- 12:13serve o restinho para ficar homogênea aquela turbidez,
- 12:17tá? Agora tem algumas coisas, vamos
- 12:20falar um pouquinho de New England, tá? Que
- 12:22também tem levedura e tal. Mas
- 12:24a New England é como se tava por si toda turva,
- 12:26normalmente a gente não precisa agitar a garrafa,
- 12:28né? Para ter ela totalmente turva.
- 12:30Porque tem outras coisas que
- 12:31favorecem essas leveduras e essas proteínas e polifenóis
- 12:35a ficarem em supensão. Por isso que normalmente numa
- 12:37New England você vai ter na receita um pouco de
- 12:40aveia, um pouco de, às vezes, também do próprio
- 12:43tribo, tá? Porque isso altera a viscosidade
- 12:46do líquido e dificulta a decantação dessas leveduras.
- 12:51Entender. Então acaba deixando ela
- 12:53turva. Esse é o porquê que causa essa
- 12:56turbidez. Aí o outro extremo agora,
- 12:59outro extremo são aquelas cervejas que religiosamente
- 13:01é a cerveja tem que ser brilhante, tem que ser
- 13:04filtrada. Basicamente a gente vai estar dentro
- 13:06de escola alemã, cervejas de baixa fermentação, tá?
- 13:09Então uma boa MPI, uma German
- 13:11Pils, uma Munich Helles, uma Vienna Lager, que é
- 13:17mais uma América Lager e vamos lá, 90 bolinha por
- 13:20cento do volume de cerveja comercializado e consumido
- 13:23no mundo é uma derivação de uma Lager alemã. Se
- 13:27tornou muito popularizada na América, né? Depois
- 13:30aí nos séculos, entre os séculos 18 e os séculos
- 13:3219. Mas é aquilo, cervejas de
- 13:34baixa, o brilho, que se chegar na mesa do
- 13:37consumidor e não tiver brilhante, o cara vai achar
- 13:40assim que estranho, não? Parece
- 13:41que a cerveja tá barro, hein? É,
- 13:44então ele pode começar a choca, isso, ele pode
- 13:47começar a associar, né? Digando
- 13:49assim, é um gancho, né? Ele
- 13:51fala assim, engraçado, normalmente esse cerveja não
- 13:53é assim. Esse é o ponto. Perfeito.
- 13:57Eu queria aproveitar que a gente bateu um papo, é
- 14:00raro, mas acontece às vezes, não muito, mas
- 14:03acontece de bater um pré -papo com o convidado e
- 14:05outro que é uma figurinha com o Marcos, ele trouxe
- 14:07uma situação que eu achei demais e eu acho que a
- 14:09gente tinha que trazer aqui, Mar, que foi você
- 14:11justamente falando da Weiss & Beer e da Crystal Weiss.
- 14:15O que que você acha da gente
- 14:16falar sobre isso, assim, pra gente dar essa noção
- 14:18até de, de, de, de, que que é, sensorialmente
- 14:21falando? Perfeito. Porque assim, num primeiro
- 14:25momento a gente olha a filtração, ela só vai
- 14:27deixar a cerveja cumprir. Ok,
- 14:29esse é o grande objetivo de filtrar o cervejo.
- 14:32Certo? Trazer esse impacto, essa
- 14:34característica visual. Só que tem o seguinte, e pra
- 14:37mim, o melhor exemplo, o exemplo da clássica, refer
- 14:40Weiss & Beer, com a Crystal Weiss & Beer. O
- 14:43que que é a Crystal Weiss & Beer? É
- 14:44exatamente a mesma Weiss & Beer, só que na fábrica,
- 14:48na cervejaria, ela foi filtrada, tá? O
- 14:50que acontece? Quando a gente remove a levedura,
- 14:53nesse caso aí da Weiss & Beer, eu tô removendo
- 14:56também notas de aroma e sabor que a levedura tá
- 15:01agregando no produto, certo? Então,
- 15:04o teste mais simples de fazer pra entender assim,
- 15:06como, mas não é só brilho, tem mais alguma coisa, né?
- 15:09Que a filtração, digamos assim,
- 15:13modifica ou dá um podimento na, na cerveja, o teste é
- 15:16simples, é pegar uma, de uma mesma cervejaria, né?
- 15:19Pegar uma cerveja de tribo
- 15:20tradicional, a Refer Weiss & Beer, e pegar a Crystal
- 15:23Weiss & Crystal Weiss. E coloca ali no copo, um
- 15:26lado do outro, cara, é diferente. O
- 15:29aroma fica, o aroma, o aroma, o aroma eu arristo
- 15:31dizer que é o que menos muda, mas o sabor, porque
- 15:34o fato de estar não filtrada com levedura acaba
- 15:38dando um pouco mais de percepção de textura, de
- 15:41corpo. Então, quando você coloca as duas
- 15:43cervejas, você fala, mas essa aqui parece que tá
- 15:45mais leve, e é a mesma cerveja, o mesmo extrato, o
- 15:50mesmo teorocônico, né? Ela só está sem a levedura,
- 15:53aqui eu tá deixando ela assim, com uma textura, né?
- 15:56Com uma sensação de corpo
- 15:57diferente, talvez um pouco mais leve. Nossa!
- 16:00Mas isso é, é bem legal, né? Pra
- 16:02fazer esse comparativo entre o filtrado e o não
- 16:04-filtrado. Perfeito! Não muda muita coisa, mas
- 16:07no final, muda bastante coisa, porque a gente,
- 16:10quando faz análise sensorial, você olha a
- 16:12cerveja, já é diferente no olhar, porque uma vai ser
- 16:14turma, outra vai ser transluça. Aí
- 16:16você fala de textura de boca, muda um monte de
- 16:19coisa, ah, o aroma muda um pouco menos, mas certamente
- 16:21quando você tira a levedura, alguma coisa do
- 16:23aroma também vai embora, então assim, muda muito. Já
- 16:26quero fazer esse teste já de comparar as duas e
- 16:29entender isso de verdade. E olha só, tanto que nesse
- 16:34caso, o cristal Weidsel é um subestilo derivado da
- 16:38Weidsel, ou seja, a gente chegou a ser classificado,
- 16:40as diferenças são suficientes pra justificar
- 16:43que ela seja um estilo de cerveja diferente. Lófico,
- 16:45dentro da linha, a gente dá cerveja de grigo, mas é
- 16:48um estilo diferente. Perfeito!
- 16:49E aí, assim, eu fiquei curioso, o que que motivou
- 16:53as fábricas a produzir em cristal Weidsel? Da
- 16:56onde nasceu o cristal Weidsel, assim? Porque
- 16:58essa diferença é basicamente a claraficação e a
- 17:02filtragem, né? Da onde que veio isso? Boa
- 17:04pergunta, né? Provavelmente em algum momento ali houve
- 17:08uma necessidade talvez de posicionamento de mercado,
- 17:10né? De ter um produto com algum
- 17:13apelo de mercado diferente e uma solução, vamos dizer
- 17:18assim, simples muitas vezes, é você trazer uma
- 17:20diferenciação com seu produto com uma nova
- 17:23roupagem. Então assim, você tem uma filtra,
- 17:25muitas vezes pra ter um produto diferente, se você
- 17:27tem uma cerveja, ah, eu tenho que criar uma cerveja
- 17:29totalmente diferente do que eu já tenho pra ter uma
- 17:31inovação. Eu posso ter um produto já
- 17:33consagrado, já consolidado, ter alguma interação
- 17:36tecnológica ali, por exemplo, nesse caso com a
- 17:39filtração e trazer numa nova roupagem, ó, a sua,
- 17:42sei lá, alguma coisa. Imagina
- 17:44assim, a propaganda em 1950, a sua mesma cerveja
- 17:49de tribo agora é brilhante. Alguma
- 17:53coisa nesse sentido. Muito bom. Nossa,
- 17:56vende igual a água, em 1950 então, nova, mais
- 17:59brilhante. Boa. Nova aí, na década de 50
- 18:02mesmo. Porra, onde filho? Na
- 18:05década de 50, nova era a palavra que vendia. Uts.
- 18:08Mas olha só, a gente, você na primeira parte ali do
- 18:11programa, você falou do processo, né? Que
- 18:14a clarificação é deixar acontecer naturalmente.
- 18:22Desculpa que o trocadilho compagode,
- 18:25a luta fica indignada com essa vinha pagodeira mesmo.
- 18:31E a filtração é um processo
- 18:33mesmo que tem que acontecer de levar de um lado para
- 18:36o outro e tal. E eu imagino que
- 18:38principalmente assim, entre os tamanhos das indústrias,
- 18:42tem muita diferença no processo de filtração, né?
- 18:46Então explica para a gente assim,
- 18:47algumas técnicas e tecnologias de filtração que
- 18:50pode existir num brilhpub, que pode existir numa micro
- 18:54cervejaria, depois numa média e o que acontece
- 18:57naquele macro universo lindo e maravilhoso das grandes
- 19:01cervejarias. Olha, a técnica e tecnologia, se
- 19:05é o que muda em grande escala, normalmente é o
- 19:09controle do processo. Mas o princípio, né? Físico
- 19:13ali de como tudo acontece, acaba sendo muito similar.
- 19:17Mas vamos lá, tem algumas
- 19:18etapas que não tem para onde correr, independente se
- 19:21a cerveja é feita em casa, se é o brilhpub que está
- 19:23fazendo em casa, se é o brilhpub, tá? Tem
- 19:26alguns momentos aí que não tem jeito. Bom,
- 19:30primeiro, vamos começar do começo. Se
- 19:32a gente for pensar em todo lugar que se faz cerveja,
- 19:35independente de onde seja, por segurança primeiro eu
- 19:38preciso filtrar água. Recomendado,
- 19:41tô fazendo em casa, a água tá vindo lá, devemos dar
- 19:44concessionário a pulga, aí eu tenho a opção de
- 19:45comprar água, por que que não? Pelo
- 19:47menos um filtrim de partícula, que é o que
- 19:50mais ou menos todo mundo tem em casa, aquele filtrim
- 19:52ali e tal. Muitas vezes, como um filtrim
- 19:54combinado com um cara com ativo, para tirar plórum,
- 19:58etc. Tem que ter a água para a
- 20:00produção de cerveja, a água que vai na composição da
- 20:03cerveja não pode ser curada. Então
- 20:06a gente já começa a primeira brincadeira com
- 20:07fruturação, certo? E isso vai acontecer,
- 20:10sinceramente, a daquele filtrim que o Home Brewer
- 20:14tem em casa, para uma fábrica das gigantes, só
- 20:17vai mudar o tamanho do filtro. Só,
- 20:18é a mesma função, só muda aí o tamanho da
- 20:23brincadeira. Depois, na etapa de produção do
- 20:27mosto, também não tem jeito, eu preciso limpar
- 20:31esse mosto. Depois que misturou a água com o
- 20:34mount, fez as reações, a enzimática, tem jeito, eu
- 20:37preciso separar o mosto do bagaço do mount. Isso
- 20:40também de novo, independente de de onde que eu estou
- 20:43produzindo cerveja. Aí tem algumas técnicas, alguns
- 20:46equipamentos diferentes. A gente costuma dividir em
- 20:50dois mundos isso. Primeiro é o mundo aí, onde eu
- 20:53faço um processo por clarificação, onde eu
- 20:57preciso da casca do mount. Aí
- 20:59são as chinas de clarificação. Por
- 21:01server dinheiro os caseiros, tem as sistemas de
- 21:04recirculação, que é o sistema da single verse,
- 21:06que é um sexto, que simplesmente suporta a casca
- 21:11do mount e arrei a casca do mount, que serve como
- 21:13elemento filtrante para o mosto. Tem
- 21:16o tal do, o que é o nome do biabe, né? O
- 21:18biabe é uma telinha com uma recirculação forçada,
- 21:21também funciona como um sistema de filtração aí
- 21:25para o mosto. E o outro mundo disso, aí já
- 21:27para médias e grandes cervejarias, são os filtros
- 21:31prensa, tá? Então são placas com telas de um
- 21:36polipropilênio especial, aquela mistura de água com
- 21:39o mount vai dar dentro e ele prensa, prensa aí,
- 21:43extrai todo o mosto que está ali. Beleza?
- 21:45Beleza. Aí esse mosto vai ser fervido,
- 21:47dá tina lúpulo, vai para fermentação, para lá na
- 21:49maturação. Chegamos lá na maturação. Então,
- 21:53clarificação. O clássico da clarificação é
- 21:56a clarificação pelo efeito da temperatura, por isso
- 21:59que a gente coloca a cerveja na maturação ali a
- 22:01zero grau, mais baixo possível, tá? E
- 22:05aí, nesse momento, na sequência vai ter então os
- 22:09filtros, provavelmente ditos, os filtros de cerveja, por
- 22:12um caseiro, tá? E para a maioria dos
- 22:16Billpubs, o que se trabalha quando se trabalha com
- 22:19filtros é, primeiro, ter uma clarificação muito boa
- 22:24para depois ter sistemas de infiltração por cartucho.
- 22:27Por quê? Porque
- 22:29esses cartuchos eles saturam muito facilmente, então essa
- 22:31clarificação não for boa, o cartucho vai embora e o
- 22:34cartucho, infelizmente, não é um negócio barato, tá?
- 22:38Quando a gente fala já de micro
- 22:39-servejaria, aí nós vamos partir para duas tecnologias
- 22:42diferentes, uma que são os filtros de terra de
- 22:44automácia, que é um elemento filtrante mineral
- 22:48fóssil, de origem fóssil, tá? Eu
- 22:51costumo brincar que ele é o primo do petróleo, só
- 22:54que o petróleo é um resíduo fóssil orgânico e a
- 22:56terra de automácia é inordante, é uma terra, é
- 22:59um pó, que ele insoloveu em água, insoloveu em
- 23:02cerveja, então ele que faz a camada filtrante. O
- 23:05cerveja passa por ali, tem tudo que tem que reter e
- 23:08sai a cerveja do outro lado de filtrado. Olha
- 23:10que legal. Isso funciona assim em micros,
- 23:13em médias, em grandes cervejaristas. O
- 23:15estado da arte hoje é as chamadas beer membrane
- 23:19filtration, são sistemas de filtração por membranas
- 23:22especiais, tem um nomezinho PES, é polieter sulfona,
- 23:27tá? É um polímero, totalmente
- 23:29biodegradável, certo? E é um sistema de filtração
- 23:34por membranas, recirculação e a qualidade da filtração
- 23:38e outros benefícios, né? Como
- 23:40incorporação de oxigênio, volume filtrado, seco de
- 23:43filtração, é assim, altíssimo, tá? E
- 23:48mais importante, ele não gera resíduo, diferente
- 23:50dessa terra de automácia, né? Que
- 23:53gera, o depósito precisa descartar aquilo e não tem,
- 23:56ela não é biodegradável, tá? Ela
- 23:58acaba indo até o sanitário. Esses
- 24:00temas de filtração por membranas são totalmente
- 24:02regeneráveis e quando precisa descartar a membrana
- 24:06depois de dois, três anos, ela é auto decomponível,
- 24:11né? Ela vai se decompondo
- 24:12naturalmente. O investimento dessa dura
- 24:14dois, três anos que você falou é isso, uma membrana
- 24:17dessa. Tura. Que é muito litro de
- 24:20cerveja passando ali. É, isso é uma tecnologia que
- 24:23tem já uns 20 anos aproximadamente, mas é
- 24:26recente, pensando que a tecnologia de filtração de
- 24:28cerveja tem mais, cem anos, mais ou menos. E
- 24:31assim, é um investimento inicial mais pesado, só que
- 24:35ao longo dos anos em que você está usando esse
- 24:37sistema, você não está fazendo a compra desses
- 24:39elementos filtrantes. Então, vai passando ali, nas
- 24:42grandes cervejarias, passam milhões e milhões de litros
- 24:44até que seja necessário fazer a troca dessas
- 24:47membranas. Então, há longo prazo, é isso, é
- 24:50só semelhante. Eu vou trazer uma pergunta, a
- 25:01gente está com Maurício, que é o nosso Messenas e
- 25:04ele é o rei da pergunta. Aí
- 25:06ele traz aqui uma dúvida que eu acho que pode ser
- 25:09importante. Quanto falta pra gente ter esses
- 25:12filtros tangenciais por membranas acessíveis pra
- 25:15microservejarias e brilpubs? Porque
- 25:18você já disse que essas pequenas utilizam outras
- 25:20formas e que as grandes estão utilizando o filtro
- 25:24de membrana. Então, você acha que tem um
- 25:28horizonte onde isso seja mais acessível pros brilpubs
- 25:32e microservejarias? Tem, tem sim, tem sim. A
- 25:35boa notícia é que tem a luz no fim do túnel e
- 25:37cada vez ela está ficando maior. A
- 25:39gente está enxergando no fim do túnel, ela está
- 25:40enxergando. Então, hoje já tem enfornecedor de
- 25:43equipamentos pra microservejarias no Brasil,
- 25:46que já está trabalhando no desenvolvimento disso. Então,
- 25:49assim, daqui duas semanas a gente tem a Brasil Brau,
- 25:53em São Paulo, já vai ter a exposição dos primeiros
- 25:56equipamentos, já ainda para volumes na faixa dos 2
- 26:00mil, 3 mil litros por hora, que se encaixem
- 26:03várias microservejarias no Brasil. E
- 26:06a tendência é que depois disso esses equipamentos
- 26:09sejam um pouquinho mais reduzidos para ficar na
- 26:12faixa dos 800 a 1000 litros por hora, para
- 26:15começar a entender brilpubs e cervejaristas. Por
- 26:19um brilhore ainda está muito longe, ainda a luz
- 26:22do fim do túnel está um pouquinho mais distante, mas
- 26:26a tecnologia está evoluindo e vai chegar. Vai
- 26:30chegar. Perfeito. Então, a gente partindo
- 26:34para nossa próxima pergunta, eu acho que a gente podia
- 26:37começar a falar aqui sobre benefício da filtração, né?
- 26:40A gente deu uma leve estudada
- 26:42aqui e você nos corrige pelo amor de Deus se a
- 26:45gente vê errado, mas a filtração pode acontecer em
- 26:47mais de uma etapa, você já falou isso aqui também.
- 26:50Então, guia a gente através dessas
- 26:52fases e os efeitos na cerveja, então, de passa
- 26:54lá, na primeira fase, a filtração vai acontecer,
- 26:58blá, na segunda fase, se houver, vai acontecer x, y,
- 27:02z, enfim, para a galera poder se apropriar desse
- 27:06conhecimento. Certo, vamos lá, vamos seguindo a
- 27:09lógica do processo. Então, falando da parte da
- 27:13filtração, da claraficação, do mostro, né? Na
- 27:15parte quente ainda. Um ponto importante é que,
- 27:18assim, lógico que lá, você vai ter um mostro de alto
- 27:21brilho, o objetivo não é esse, o objetivo é levar
- 27:25para a fervura um mostro que tenha a menor
- 27:28quantidade de sólidos possível. E
- 27:30por uma questão muito simples, pô, se a próxima
- 27:32etapa do processo é uma fervura, para que eu vou
- 27:34ficar fervendo casca de malte? Se
- 27:36eu fervir casca de malte, só vai me dar uma sabora
- 27:38distingente, não vai me agregar em nada, muito pelo
- 27:41contrário, né? Vai me prejudicar sensorialmente
- 27:43a cerveja. Então, filtração de mostro,
- 27:47basicamente, é isso, é não levar para o processo de
- 27:49fervura uma quantidade de sólidos, que são cascas de
- 27:52malte, que vão ficar lá fervendo a toa. Imagina
- 27:55você pegar uma coisa, porque que a gente, quando
- 27:57vai fazer chá ou café, não coloca o café, ela fica
- 28:00fervendo? Não faz isso, né? Eu
- 28:01faço uma infusão, com água quente, né? Eu
- 28:04não fico fervendo chá, fervendo café. Não
- 28:07teria por que fazer isso também, no processo de
- 28:10produção do mostro. Quando eu vou para a cerveja,
- 28:13lógico, para os estilos que pedem cervejas siltradas, o
- 28:17grande benefício é a impressão visual, como a
- 28:20gente já falou, mas um outro comparativo muito
- 28:23interessante a cerveja, a gente falou do comparativo
- 28:27da Videscendia e da Cristal Videscendia. Tem
- 28:30outro substilo na escola alemã, que é chamada de
- 28:33Kellerbier. O que que é o Kellerbier?
- 28:37Kellerbier são normalmente, são
- 28:39cervejas laggers, e na grande barata às vezes são
- 28:42pilsen, que são envasadas antes da filtração. Também
- 28:48dá para fazer o comparativo certo, você pega uma
- 28:50Hacakcho, que talvez seja na Alemanha aquela pils
- 28:53mais famosa que tem, você pegar ela e ela filtrada,
- 28:58você percebe nitidamente o quanto que a levedura
- 29:03contribuiu ali, né? Para aquela composição de aromas
- 29:06e de sabores. Então tem a questão visual e tem
- 29:12a questão de tirar, digamos assim, essa carga do sabor
- 29:16de levedura. Pô, Max, por que se tem outras
- 29:19que eu deixo, não tem problema da levedura até
- 29:21lá? Normalmente isso faz uma diferença
- 29:24muito grande quanto mais leve for a cerveja, que é
- 29:27justamente o caso de todos esses estilos de baixa
- 29:31fermentação laggers provenientes da escola
- 29:33alemã. Agora aí tem uma jogada, tem um
- 29:37pulo do gapo, que muitas vezes é o grande problema
- 29:40principalmente das miquos cervejaristas, que é uma
- 29:43questão de tecnologia. Quando
- 29:44eu estou filtrando a cerveja, eu estou mexendo
- 29:47na cerveja no instante de que ela está mais sensível
- 29:50e ali pode correr o risco de incorporar oxigênio. E
- 29:54lá na frente, às vezes em poucas semanas depois da
- 29:58cerveja está envasada em barril, garrafa, lata etc.,
- 30:01eu começo a perceber, pô, essa lagra aqui parece que
- 30:04está meio oxidada, também aquele gostinho de papelão
- 30:07e as vezes essa incorporação do oxigênio
- 30:11muitas vezes aconteceu durante o processo de
- 30:13filtração, então é ali que tem que ter cuidado, ou
- 30:16seja, eu estou colocando o filtro para trazer o
- 30:19benefício de ter uma cerveja mais, entre aspas,
- 30:21limpa, porque o estilo dela pede isso, mas se eu não
- 30:25fizer isso corretamente com todos os controles e por
- 30:28acaso entrar em uma incorporação pesada de
- 30:31oxigênio, em pouco tempo depois toda a que diga, o
- 30:34que eu tire pode virar contra, então, e me trazer
- 30:37um flavor que não deveria estar ali. Olha
- 30:41como é que tudo aqui no Surroce Connect, não
- 30:43Leandro? Pero no meu Instagram, às 5
- 30:47horas essa comparação que ela era aí, que ele falou,
- 30:49Lud, tu não vai estar lá na Alemanha? Não,
- 30:52mas não é isso que eu estou falando. Não,
- 30:53também vou puxar a segunda, mas primeiro eu passei a
- 30:55missão, quero no meu Instagram, às 5 horas...
- 30:59Então eu vou estar bebendo lá,
- 31:00eu não vou estar trabalhando não. Ah,
- 31:02vai estar não, vai estar não, tá bom. Vou
- 31:05estar bebendo. Olha só, e o outro, a gente
- 31:08acabou de publicar um programa de offlaim do,
- 31:11minha querida. E então... Exatamente.
- 31:14Com ninguém mais, ninguém menos, que Fernanda Lázaro
- 31:17e André Junqueira. Porra, papo e papiza, papo e
- 31:21papiza, sei lá, que catso e papiza, então é
- 31:25importante, a gente tem mente que às vezes a gente
- 31:27vai fazer um negócio pra melhorar cerveja se fizer
- 31:29errado, caga tudo lá na frente. Ah,
- 31:32Brasil, coisa linda gente. Seguindo
- 31:36aqui o nosso programa, vamos falar daquele tema
- 31:38que a gente adora puxar toda vez que a gente
- 31:40começa a explorar essa parte técnica da produção
- 31:43de cerveja, a gente sempre tem isso na nossa pauta,
- 31:46que é cerveja sem álcool. Vamos
- 31:48falar sobre isso? Opa. Já conversamos em alguns
- 31:51episódios sobre as técnicas de extração de álcool. E
- 31:55a filtração por osmosa era uma delas se eu não
- 31:59estiver errado, né? Explica pra gente esse processo e
- 32:02quais são os benefícios para extração do álcool e
- 32:06a manutenção das características sensoriais
- 32:09dessas cervejas. Opa, primeiro você está certo.
- 32:13Sim, é uma osmosa reversa, é
- 32:16uma técnica pra deu colização, né? É
- 32:19verdade pra deu colização de vários produtos, pra ser
- 32:21usada pra vir ou pra ser usada pra qualquer outra
- 32:24bebida. Vamo lá, em grande escala,
- 32:27porque assim, em menor escala existe que a maioria
- 32:30das mixtures cervejarias está fazendo ao redor do
- 32:33mundo. Como os equipamentos de deu
- 32:35colização são muito grandes ainda e consideravelmente
- 32:39caros, então o que sobra para as mixtures cervejarias
- 32:42é usar outras técnicas pra produzir cerveja sem álcool.
- 32:46Que é por fermentação
- 32:47interrompida ou por levadura motose negativa, existem
- 32:50outras maneiras de produzir cerveja aí abaixo de meio
- 32:54por cento de teorocone. Agora,
- 32:56invariavelmente, pra conseguir fazer uma lager,
- 33:00que não tenha aquele gosto de mostro, aquela coisa
- 33:02pesada, meio adocicada, tal. Tem
- 33:05gente, o melhor é pegar uma cerveja pronta que foi
- 33:08totalmente fermentada aí, de alguma maneira, remover o
- 33:11álcool, está lá. Extrair. Extrair exatamente, extrair
- 33:14o álcool, está lá. Basicamente
- 33:16duas técnicas, uma é a evaporação ao álcool. Ou
- 33:20seja, a gente sabe que o álcool aí ele evapora na
- 33:23casa de 70 e 4, 75 graus. Só
- 33:27que se eu fizer isso, a pressão negativa, a vácua,
- 33:30essa temperatura cai pra 30 e alguma coisa. Então
- 33:33existe uma coluna de destilação, um avaco, tal,
- 33:36o equipamento todo recuscado. Só
- 33:38que tem um probleminha, nessa temperatura eu estou
- 33:41sim evaporando e separando o álcool, só que eu estou
- 33:45também evaporando vários compostos e compõe o perfil
- 33:49sensorial da cerveja. Principalmente,
- 33:52esteres, fenóise, etc. Às vezes aquele aroma que eu
- 33:55nem percebo na cerveja, porque eu não consigo
- 33:57descrever, mas a hora que eu tiro, ele acaba saindo
- 34:01junto com o álcool, quando eu vou dar, putz, mas a
- 34:04cerveja está diferente, está faltando alguma coisa. Aí
- 34:07entra o que a gente chama de osmoso reversa, que são
- 34:10processos de filtrações por membranas específicas e
- 34:14nesse caso seletivas. Por quê? Porque
- 34:17como essas membranas são seletivas ao álcool, o
- 34:21número de compostos que ela retém junto com o álcool é
- 34:25muito menor do que no processo de destilação.
- 34:28Então, digamos assim, o processo
- 34:30de reconstituição da cerveja sem álcool depois da
- 34:35retirada do álcool é muito mais simples do que quando
- 34:39se faz a deoculização por calor, por evaporação. Isso
- 34:43é uma outra curiosidade, vocês já abordaram em algum
- 34:46outro programa, mas uma cerveja sem álcool depois
- 34:49que ela é deoculizada com destilação, você precisa
- 34:52recompor esses aromas que você perdeu. E
- 34:56quando se faz isso por osmoso reversa, ou seja,
- 34:58por uma espécie de filtração de alta
- 35:01tecnologia, a sua recomposição é quase muito
- 35:05mais simples. E a cerveja fica sensualmente
- 35:07bem mais próxima da cerveja, como chamassem, a
- 35:11cerveja original, né? Qual era a ideia original ali,
- 35:14aproveitando todos os aromas, os extras, tudo.
- 35:18Exato. Mas tem uma coisa que eu
- 35:19não sei se eu entendi, eu acho que foi muito além
- 35:21para minha capacidade. Essa filtração seletiva que para
- 35:27mim Osmoso reversa, como eu já brinquei com a Lúcia
- 35:30aqui, na verdade não me dessupervilou, piada nerd,
- 35:33piada nerd, não me desupervilou. É
- 35:35Osmoso reversa. Essa Osmoso reversa, ela
- 35:40seleciona filtrar o álcool. É
- 35:42isso que eu estou entendendo? Isso.
- 35:45Mas aí vão passar outros produtos, então vai ter que
- 35:47passar por uma segunda filtragem. É,
- 35:50vamos lá, funciona mais ou menos assim. Primeira
- 35:53coisa, o conceito que a gente conhece normalmente,
- 35:55imagina de novo, eu gosto desses exemplos de casa, eu
- 35:59estou filtrando o café, peguei aquele filtro de
- 36:01papel, potei o pó do café ali, estou colocando água,
- 36:05estou fazendo café. Por que o pó do café não
- 36:09passa lá embaixo para a garrafa térmica, para o
- 36:11búlio? É para uma diferença de
- 36:13tamanho. O pó do café é maior do que
- 36:17o pó do papel. Beleza. Quando a gente está indo
- 36:20para as filtrações para o membrana, também está
- 36:22acontecendo isso. O que está passando ali, o
- 36:25pó é muito pequenininho, o pó é pequeno, pequeno, é
- 36:27um capilar muito pequeno, ele vai indo, vai indo,
- 36:30vai indo, e aí existem as técnicas de crossflow, para
- 36:34não deixar que as coisas se sedimentem nesse capilar,
- 36:37aquele muito pequeno, para não tupir esse capilar. Só
- 36:41que o seguinte, essa membrana lá pode ter uma
- 36:43propriedade e dá -la uma seletividade. Essa
- 36:47propriedade pode, por exemplo, não permitir a
- 36:50passagem de determinados tipos de compostos por
- 36:55polaridade, por exemplo, tem substâncias que são mais
- 36:58negativas do que positivas, tem outras que são inverso,
- 37:02são mais nil, e aí a membrana tem uma
- 37:05característica dessa aonde ela fala assim, vai passar,
- 37:08imagina aqui, imagina que o cara lá no Maracanã
- 37:12controlando a entrada da galera no jogo. O
- 37:14capitão do acimento. Porta de buate, só foi isso que
- 37:17eu pensei. Eu também, eu também juro que
- 37:19eu pensei nos rocess dos anos 90, mas achei, sapiada
- 37:22de velho. Aí o cara tá assim, aqui vai
- 37:26passar, você não passa, não porque não tem afinidade. É
- 37:28isso. Então a membrana lá tem uma
- 37:31seletividade baseada nisso, em diferenças de
- 37:34propriedades físico -químicas. E
- 37:37ela consegue fazer assim, esse e esse e esse
- 37:39composto, primeiro, não passa por tamanho. Segundo,
- 37:43se o tamanho dele for menor que o poro, além de
- 37:45ter o tamanho menor, ele tem que ser, normalmente
- 37:49nesse caso, ele tem que ser o quê? O
- 37:50oposto da cerveja, ele tem que ter a característica,
- 37:52que daí ele tira o álcool, ele deixa a cerveja na
- 37:55parte interna, digamos assim, ele, ah, você é
- 37:58álcool, então passa. Vai passar um outro que é
- 38:00parecido, tipo assim, que tipo de álcool? Normalmente
- 38:03vai passar o álcool etílio, etílio etílio, vão passar
- 38:05também alguns álculos superiores, né? Alguns,
- 38:08normalmente ele é por peso molecular ou por polaridade,
- 38:11tá? Então acaba passando alguma coisa.
- 38:13Porém, isso é muito mais seletivo
- 38:16do que por aquecimento. Sim,
- 38:18perfeito, faz todo sentido. Mais
- 38:20eficaz, mais seletivo. A gente vai dar um passinho
- 38:24atrás, porque o Lucas Pirola, que mora na
- 38:26Alemanha, está nos prestigiano nesse momento
- 38:28assistindo a nossa gravação aqui, ele falou, eu não
- 38:31sei se é possível perguntar, é possível, sim,
- 38:33meus amigos. Ele pergunta, no caso de uma
- 38:36cerveja, como uma reis e hipa, New England, porque
- 38:39enfim, essas variações da New England, reis e etc.
- 38:42Como combater o efeito da
- 38:44clarificação da maturação no fermentador. E
- 38:47agora, José? E agora, aquela que... E
- 38:50agora, quero ver! Pergunta do milhão. Pô,
- 38:55hoje é quarta, amanhã e quinta, se tivesse 80
- 38:57megacenas, era mais fácil, às vezes falar o número da
- 39:00megacena, hein? Resposta, Gutenacht! Ele
- 39:05escreveu exatamente isso. Mais
- 39:07uma pergunta de milhões, é isso. Olha
- 39:10aí, tá vendo? Então, vamos lá, a nota aí é 23,
- 39:1448. Muito bom, muito bom. Olha
- 39:21só, primeiro, a sepa de levedura, tá? O
- 39:24grande segredo é o seguinte, as leveduras, as
- 39:27ação classificadas dentro da literatura, da microbiologia,
- 39:31e dos critérios de classificação, é para a sua
- 39:33capacidade de floculação, ou de decantação. Então,
- 39:37primeira coisa, a levedura que eu estou usando pra
- 39:39fazer uma cerveja desse tipo, uma New England, uma
- 39:42reis e hipa, tá? Mas de hoje, saiba aí, né? Ela
- 39:45tem que ser uma levedura de baixa ou baixíssima
- 39:48floculação, porque aquela levedura que ela,
- 39:51geneticamente, você só tende a ficar mais tempo em
- 39:53suspensão. Primeiro ponto. Segundo
- 39:55ponto, trazer matérias primas no processo de
- 39:59fabricação, que tragam um pouco mais de viscosidade.
- 40:02Aí entra, geralmente, a veia,
- 40:05entra a trigo. É possível também fazer isso
- 40:07com o centeio, tá? Mas o centeio eu,
- 40:09particularmente, acho que tem um pouco de cuidado,
- 40:11porque ele traz um sensorial que é
- 40:14interessante, super legal. Bom,
- 40:17o tempo que eu estava na dama, ele desenvolveu lá
- 40:20uma West Coast IPA com um malchite de centeiro, cara.
- 40:23Aquela nota meio de condimento que
- 40:25o centeiro de braço parece uma pimentinha, que é
- 40:27sensacional. Mas, às vezes, não é exatamente
- 40:30aquilo que o cervejeiro está buscando. Então,
- 40:33eu acho que nessa linha da veia e do trigo é mais
- 40:36interessante, tá? Então fica mais linda esse
- 40:40aumento de viscosidade. Mas não dá esse efeito
- 40:44sensorial. Tem também alguns truques com
- 40:46correção de água. Então, vamos lá. A
- 40:50gente sabe que calço é um dos minerais, um dos sais
- 40:54minerais que ajuda, favorece a decantação das leveduras.
- 40:59Então, eu preciso corrigir água,
- 41:01mas eu tenho que ter cuidado para não deixar o
- 41:03calço muito alto. Senão, eu vou ter lá uma levedura
- 41:06que eu escolhi que tende a demorar mais para
- 41:08clarificar. Mas, às vezes, se tiver muito
- 41:10calço, pode ser que ela entre mais rapidamente num
- 41:13processo de claraficação. Bem
- 41:16por cima, eu diria isso, a sepa certa, os cereais que
- 41:21trazem uma viscosidade mais alta, principalmente a veia
- 41:24e trigo. E na hora de fazer a
- 41:27correção da água, tem que ter um certo teor de
- 41:30cloreto, mas não jogar o calço tão alto como é o
- 41:34normal de se fazer, por exemplo, numa América IPA,
- 41:37numa SESHA IPA, enfim, em todas as outras cervejas,
- 41:40em todos os outros estilos da linhagem daí. Perfeito.
- 41:43Mais do que respondido, pergunta de milhões trazida
- 41:46aqui... Mas o PIX! No...
- 41:4923, 42, 54, 0, 5. É isso, meus amigos, é isso.
- 41:55Aqui é... Quem
- 41:56sabe faz ao vivo, já diria Faustão.
- 42:09Bom, aí a gente vai partir para
- 42:11a última pergunta, para quem não é Messenas. Porque
- 42:15quem é Messenas, além de ter assistido essa gravação
- 42:17em estilo do marco de pergunta, ainda vai ouvir
- 42:20uma pergunta extra no final. Então,
- 42:22para quem não é Messenas, vamos ouvir essa última
- 42:25aqui, depois o Leandro vai dizer qual é a pergunta
- 42:27que a gente vai responder lá no extra para você
- 42:29ficar com vontade, e aí sim a gente acaba pro
- 42:32programa. Isso que tornaram Messenas. É
- 42:34exatamente. Eu também acho. E
- 42:36ainda digo mais, Mar. Se a pessoa se tornar
- 42:39Messenas, ela tem acesso a todo conteúdo extra já
- 42:42produzido até hoje. Ela não é só desse programa,
- 42:45não? Exato. É tudo. Exato.
- 42:47Ah, não é só daqui para frente, não? É
- 42:49tudo? Não, é o... É
- 42:51tudo. Passado, presente e futuro. Tá
- 42:54dando mole, quem não é? É. Chica, hein? Talvez
- 42:56quem esteja dando mole, sejamos nós. Mas
- 43:01enfim, vamos lá. Qual é o momento da
- 43:03clareficação, né? E aí a gente, além de deixar
- 43:07esse visual brilhante, translúcido, quais são os
- 43:11benefícios que ela traz para esse processo, para a
- 43:13gente agora dar um elasse final, amarrar esse
- 43:16presente, entregar esse bando de fanático cervejeiro
- 43:20e cervejeira que a gente tem aqui. Beleza.
- 43:23Cara, clareficação da cerveja logo após a
- 43:26alimentação, né? Quando começa o processo de
- 43:28maturação, frio, e começa, então, como a gente já
- 43:31falou, aquele processo de clareficação, de decantação
- 43:35das partículas, né? Que causam o desvio da luz.
- 43:39Parece até que é negócio de Star
- 43:40Wars, né? O sábio de 2, o desvio da
- 43:42luz. Márgio da tácata. E
- 43:44Hada de Inverno também, né? Estamos
- 43:46juntando. Bom, tem uma coisa interessante
- 43:51também. Tem como melhorar essa
- 43:53clareficação. Quando eu falei de clareficação,
- 43:55algumas perguntas atrás, eu falei que o clássico é a
- 43:58frio. Cerveja no tanque, frio, tá? E
- 44:02vai embora. Decanta naturalmente. Aí,
- 44:05lógico, eu preciso de mais tempo. Mas
- 44:07tem alguns, digamos assim, alguns coadjuvantes que
- 44:10podem ser utilizados para não só acelerar, como para
- 44:14melhorar o resultado dessa clareficação. O
- 44:17que que esses caras vão fazer? Tem
- 44:18um grupo que ele simplesmente atua por, como
- 44:22se fosse uma peneira, o dozo lá, que são aqueles
- 44:25compostos que são as gelatinas, digamos assim.
- 44:29Então eu posso, na uma coração,
- 44:31fazer um preparo do colágeno, que é mais
- 44:34gelatinho. Adicionar isso no tanque, aquilo vem,
- 44:37vem que vem arrastando e vem empurrando, digamos
- 44:40assim, aquelas células de fermento, né? Para
- 44:43a cruçura do tanque, a cerveja rapidamente fica
- 44:46límpida e muitas vezes ela fica mais límpida do que
- 44:49só deixar assim o meio da cerveja afrio do tanque,
- 44:52fazendo esse processo naturalmente. Isso
- 44:55é um... Tem uma outra categoria de
- 44:57clarificantes e eles aí se baseiam em interações
- 45:00físicoquímicas. Então assim, tem, por exemplo, de
- 45:02um lado os clarificantes que atuam na parte proteica
- 45:08e outros que atuam na parte tânica, na parte dos
- 45:11polifenóides. Então os que atuam na parte
- 45:13proteica, geralmente são os silicatos, são produtos a
- 45:16base de silica, eles têm uma interação com as
- 45:19proteínas. Aí tipo assim, um mais um é
- 45:21dois, dois é maior que um, então ele é mais pesado,
- 45:24ele é mais pesado e ele decanta mais rápido. Tem
- 45:27um outro exemplo que pode ser usado, o ácido tânico,
- 45:31mesma coisa, o ácido tânico tem interação com o
- 45:33proteínas, é o doso ácido tânico afrio lá durante a
- 45:36maturação, esse ácido tânico vai achar uma proteína, vai
- 45:40formar um complexo, um mais um é dois, dois é mais
- 45:42pesado que um, dois é mais pesado que um. Uma
- 45:44coisa que pesa dois quilos, é mais pesado que uma que
- 45:46pesa um quilo, então ele vai mais pesado, ele vai
- 45:49formando mais rápido. Basicamente
- 45:52esses são assim os benefícios de clarificação,
- 45:55alguns deles, além de clarificar, que é o caso
- 45:58aí do PSVP, o próprio ácido tânico também, ele
- 46:02acaba dando um efeito assim, a cerveja fica
- 46:05depois de pronta na garrafa, ela pode ficar
- 46:09mais tempo sem turvar, que é um efeito adicional que
- 46:13a gente chama de estabilização, isso é uma
- 46:15coisa que as grandes cervejarias fazem depois de
- 46:18filtrar a cerveja, aí eu utilizei uma silica, um
- 46:21PVPP, para trazer essa estabilização para que essa
- 46:24cerveja que o divino está tomando, aí bem filtrada,
- 46:27ela fique todo o seu shelf life brilhante, mas aí é
- 46:32um momento, uma técnica de processo um pouco diferente.
- 46:36Quando a gente fala de pequenas
- 46:38produções, eu arrisco dizer, principalmente, se for
- 46:42romprio, principalmente se for cervejeiro casê, é mais
- 46:46efetivo e muito mais simples de controlar, fazer
- 46:49uma boa clarificação do que se aventurar com uma
- 46:52tecnologia de filtração, porque para fazer em casa,
- 46:56cara, é recurso, é tecnologia, é mais complexo
- 47:01de fazer isso, porque você não vai achar um filtro de
- 47:03cerveja pressurizado deste tamanho para filtrar o seu
- 47:07BAT de ventilantes, não vai encontrar fora o risco de
- 47:10corpo oxigênio, do partido que a gente falou antes.
- 47:12Então, esse é o ponto, a
- 47:13clarificação, quanto menor forem os lotes, uma
- 47:16clarificação bem feita, ela tem um resultado final
- 47:20muito mais interessante, do que o cara se aventurar
- 47:22por uma tecnologia que muitas vezes não vai estar
- 47:25acessível para ele. Perfeito,
- 47:27mas você falou uma palavra aí agora, Marcos, que eu
- 47:30estava o tempo todo pensando em produção, e eu
- 47:33não pensei em armazenamento, e a vida continua
- 47:36acontecendo no shelf life, né? Opa,
- 47:39exatamente, a vida continua, cara. Então,
- 47:41assim, o que é para decantar, segue decantando,
- 47:44ou não, se for guardado numa discoteca, balançando,
- 47:47ele não vai decantar, mas as coisas continuam
- 47:50acontecendo ali no shelf life. Existe
- 47:54a clarificação ou a filtração, ela ajuda a
- 47:58prolongar isso, existe alguma pegadinha, alguma
- 48:02técnica para falar, cara, isso aqui vai fazer... O
- 48:04que você falou agora, né, de aumentar o shelf life?
- 48:07Então, assim, uma clarificação bem
- 48:09feita, uma filtração, com certeza são pré -requisitos,
- 48:13para garantir um shelf life maior. Vamos
- 48:16lá, pensando em cervejas filtradas com alto brilho.
- 48:19Pô, o que eu quero é que, ah,
- 48:21eu coloquei seis meses, nove meses de validade do
- 48:24rótulo da minha cerveja, eu quero que ela chegue até o
- 48:27final do shelf life com o cara no bar, servindo ela
- 48:30no copo, e ela está brilhante, ela não pode
- 48:32estar tuzada. Lógico, ela também não pode estar
- 48:34oxidada, ela não pode estar choca, ela não pode...
- 48:36Enfim, mas visualmente ela não
- 48:38pode estar tudo, certo? Então,
- 48:40pré -requisito para isso é ter um bom processo de
- 48:43clarificação, um bom processo de filtração. Pô,
- 48:45é perfeito. Beleza, beleza. Durante
- 48:47a clarificação, eu posso usar esses códigos juvantes
- 48:51que, digamos assim, de brinde, eles me dão uma
- 48:54parte dessa estabilização. Vou
- 48:56pegar um exemplo de novo do astutane. A
- 48:58gente aumenta o que eu entro com o astutane, e
- 49:00ele achou lá uma proteína na cerveja, e ele se
- 49:03abraçou com essa proteína e os dois decantaram, e eu
- 49:06separei ele, porque... Ou eu deixei ele no fundo do
- 49:08tanque, ou depois ele ficou preso no filtro, e eu
- 49:12tenho uma proteína a menos para gerar turbidez durante
- 49:16o shelf life. Entendeu? Essa é a lógica. Lógico,
- 49:19eu posso tirar tudo? Não, porque se eu tirar todas
- 49:21as proteínas, eu perco o corpo, perco a espuma. Sim,
- 49:25perfeito. Entendeu? Eu vou alterar a minha
- 49:27cerveja. Então, isso aí é meio que uma
- 49:29balança, e o cobertura às vezes é curto. Eu
- 49:32tenho que estabilizar, mas não posso exagerar, senão
- 49:35eu perco sensorial. Mas se eu não estabilizar
- 49:38direito, há pouco tempo, a minha cerveja fica puro,
- 49:41mesmo eu tenho filtrado direitinho. Mas
- 49:43são duas coisas diferentes. Se
- 49:44eu quisesse cagar geral aqui agora, eu não quero.
- 49:48Mas eu vou deixar só aqui um
- 49:50negócio, o bom aqui, Marcos, que eu sou someleu,
- 49:53Leandro, não, mas a gente gosta de pensar e ir
- 49:56conectando os programas que a gente já... Se
- 49:58a gente fosse falar de pasteurização no meio dessa
- 50:01bagunça toda, ainda ia dar um... Mas,
- 50:04assim, o impacto em termos de formação de turbidez...
- 50:07Não, sim, se eu tava falando do
- 50:09tempo de prateleira, mais especificamente. Não,
- 50:12beleza, do tempo de prateleira. Sim.
- 50:14Mas aí é o seguinte, esse é quanto à pasteurização é
- 50:16super interessante. Porque é o seguinte, normalmente o
- 50:19vilão te pega assim, essa cerveja aqui, peguei do
- 50:21tanque agora, essa aqui é a mesma cerveja que 15
- 50:24dias atrás eu invasei e pasteurizei. Aí
- 50:26vai lá e fala, ou pasteurização acabou com a
- 50:28minha cerveja? Anota aí, é tipo o número da
- 50:31mega -cêndo. O problema não é o
- 50:33pasteurizador. O problema não é o
- 50:35pasteurizador. O problema é, em algum
- 50:37momento do processo, eu tive uma incorporação de
- 50:40oxigênio, aí quando essa cerveja com o oxigênio mais
- 50:43alto foi para pasteurização, o que aconteceu? A
- 50:47temperatura de pasteurização fez com que a reação do
- 50:51oxigênio com a cerveja fosse instantâneo. E
- 50:53aí ela foi lá e modificou todo o perfil sensorial da
- 50:56cerveja, podendo inclusive gerar tudo isso. Mas
- 51:00o que a gente mais percebe é, vou pegar um exemplo
- 51:02bem extremo assim, aquela session para que está no
- 51:05tanque bonitinho, a FIPAF, né, era peguei no tanque,
- 51:08ela está aquele aroma de, ah, usou mosaic, citra,
- 51:11lúpulos, ah, lindo. A invaseia a cerveja,
- 51:14pasteurizei 15 dias depois, eu pego ela e não tem
- 51:16aroma de nada. Por que ela não tem aroma de
- 51:18nada? Porque esses aromas foram oxidados.
- 51:20E quem oxidou ele, não foi o
- 51:22pasteurizador, e oxidou com o oxigênio. E
- 51:25é por isso que chama o oxidação, porque ele é
- 51:26feito pelo oxigênio, e não pelo pasteurizador. O
- 51:29pasteurizador isso acelerou. Aquele
- 51:30negócio que ia acontecer ao longo do tempo, o
- 51:33pasteurizador foi lá a 60 graus e acelerou tudo.
- 51:36Entendi. Esse é o ponto, o
- 51:38pasteurizador não é o vilão da história. Lógico,
- 51:41se você não controlar bem o seu pasteurizador ele
- 51:43perdeu o controle, lógico, a gente vai cozinhar sua
- 51:45cerveja de novo, por aí, tá, e é outra história.
- 51:49Mas sob condições normais de
- 51:50pressão e temperatura, o grande vilão não é o
- 51:54pasteurizador, não é a temperatura, o grande vilão
- 51:56é o oxigênio. Cara, polêmicas! Não,
- 51:59e aí ferrou, porque o Marcos abriu aqui, soltou o
- 52:02capitão Arrabe no Mar dos Ganchos. Olha,
- 52:05assim, tá demais, tá demais, assim. Um
- 52:08gancho atrás do outro. Eu tava aqui pensando, nisso
- 52:11que você falou desse vilão do oxigênio, de num
- 52:13processo o oxigênio invadir e tal, parará, a gente já
- 52:17ouviu aqui no programa, se eu não me engano, quando a
- 52:20gente conversou com o pessoal da Zapata e eles
- 52:22descreveram como é a produção deles, que é
- 52:24totalmente, busca ser totalmente sustentável, tal,
- 52:28eles usam até, inclusive, estruturas verticalizadas,
- 52:30tem uma parte na andar de cima, outra parte na andar
- 52:33de baixo. Isso faz com que a filtragem,
- 52:36por exemplo, vá 100 % na vertical, diminui a
- 52:39possibilidade de entrada de oxigênio, e aí, sabe,
- 52:43porque o líquido tá ocupando todo o espaço o
- 52:45tempo todo. Então, como é que entra oxigênio
- 52:47aí? Não vai entrar, né? Eu
- 52:48diria que assim, provavelmente ajuda, tá?
- 52:50Teve um processo que eu tô
- 52:52vindo, por exemplo, de cima pra baixo, se eu fiz uma
- 52:54correta desaeração das linhas e do sistema, um,
- 52:58um, um, se o CO2, porque normalmente micro, né, enano
- 53:02e micro cervejaria, tem que comprar CO2, porque não
- 53:05consegue recuperar o CO2, né, da fermentação. Tem
- 53:08outro ponto, hein? Quantos por cento de oxigênio tem
- 53:11no meu CO2 que eu tô comprando? Às
- 53:12vezes, eu tô carbonatando a cerveja e de brinde, eu tô
- 53:15oxidando ela também, porque o oxigênio, se não for
- 53:19bem, se não for comprado de uma fonte confiável, se
- 53:22não for controlado, esses opostos tá do meu tiro no
- 53:24pé, com carbonatação forçada, por exemplo. Então
- 53:27assim, pode ser que ajude sim. Hum,
- 53:30hum. Esse fato de ter uma produção
- 53:31verticalizada, aí eu tenho o processo de ser na parte
- 53:33de cima, depois eu venho descendo pra cerveja pra
- 53:35até chegar no momento final, ali, de filtração em
- 53:38vase. Pode ajudar assim. Mas
- 53:39assim, se não for bem controlado, processo,
- 53:43diversos processos, ali de deseração e tal, tudo
- 53:46certinho, não tem milagre. Se
- 53:48é de cima pra baixo, de baixo pra cima, pra
- 53:50esquerda, pra direita, se não for bem controlado, o
- 53:54grande calo de uma nanomicocervejaria,
- 53:57normalmente é a incorporação de oxigênio, normalmente.
- 54:00Não pode falar assim, são só
- 54:02de consultoria, consultoria, seis anos, tá? Mas
- 54:0630 e poucos anos trabalhando com cerveja em
- 54:09microcevejaria, grande cervejaria, etc. Cara,
- 54:13normalmente o vilão do shelf -life é o oxigênio.
- 54:15Perfeito. Nossa senhora, Brasil. Logo
- 54:18aquilo que a gente precisa para respirar. Exatamente.
- 54:24Faz também pra gente tomar pra cerveja. Então,
- 54:27para respirar, beleza. Aqueles
- 54:3021%, né, que contém na atmosfera, pô, aquilo para
- 54:33respirar é sensacional. E assim, é porque a cerveja
- 54:36realmente é muito sensível. A
- 54:37gente falou pra essa coisa, por exemplo, o vinho. O
- 54:39vinho também, ele é. Mas o nível de oxigênio que o
- 54:42vinho tolera é muito maior do que da cerveja. A
- 54:46gente está falando assim, por exemplo, vou contar uma
- 54:47historinha breve para vocês. Eu
- 54:48tive na Itália há uns anos atrás, justamente procurando
- 54:52uma invasadora de garrafa para um amigo de cervejaria
- 54:55que tivesse níveis de oxigênio, assim, de uma
- 54:58inchadora de garrafas, de uma grande cervejaria. A
- 55:02gente, à invés de uma inchadora de garrafas de 80
- 55:05mil garrafas, por hora, a gente queria achar uma de
- 55:082000 garrafas, pequenininha, mas que tivesse os mesmos
- 55:12recursos, como os parar na Itália. E
- 55:15nisso, a gente visitou algumas cervejarias, para
- 55:18ver os equipamentos rodando e conversar com os
- 55:21cervejeiros, e o cara que estava com a gente, que,
- 55:24lógico, estava interessado em vender o equipamento
- 55:26dele, falou que eu estava levando vocês no avílico.
- 55:28Aí, em cervejaria, não sei se
- 55:30vocês sabem, a gente mede o oxigênio em partes por
- 55:33bilhão, parte por bilhão, são microgramas de oxigênio
- 55:38por dentro. Beleza. Aí, quando eu cheguei na
- 55:41vinícola, estava rodando lá o vinho, o cara falou,
- 55:43não, a inchadora era muito boa, o oxigênio é baixa,
- 55:46esse, tá, não tem problema nenhum. Aí,
- 55:47eu olhei o medidor dele de oxigênio online, estava
- 55:50dando, eu não lembro o número agora, mas ele mediu
- 55:52em parte por milhão, ou seja, é mil vezes maior.
- 55:56Quando eu olhei, eu falei, cara,
- 55:57o oxigênio está alto, ele não, para vinho, isso é
- 56:00normal. Aí, ele, eu falei, cara, não
- 56:02te preocupa, o vinho é muito mais robusto à
- 56:05oxidação, e muitas vezes a oxidação é até bem vinda
- 56:08no vinho do que na cerveja. Depois,
- 56:10fica tranquilo, porque o pessoal traz muito
- 56:12cervejeiro aqui, eu já entendi que vocês são muito
- 56:15paranoicos, quase esquizofrênicos com a
- 56:18questão do oxigênio. Total, total. Perfeito.
- 56:21Total, total. Então, depois dessas aulas e cheio
- 56:28de ganchos, Marcos, eu quero te agradecer muito
- 56:31antes da gente falar da nossa última pergunta, que
- 56:34é a pergunta entregue apenas para os nossos
- 56:36mercenas. Mas antes de trazer isso, eu
- 56:38gostaria de te agradecer por ter vindo aqui, ter
- 56:41tido esse carisma, essa vontade de falar do tema,
- 56:44que foi muito legal, muito obrigado, viu. E
- 56:47eu que agradeço o convite, estamos à disposição. Sempre
- 56:51que quiserem compartilhar conhecimento, é um prazer.
- 56:54Vamos aí. Perfeito.
- 56:55Marcos foi meu primeiro professor no curso Amelie,
- 56:57o estácio, a Cátia e o Alfredo soltam ele naquela
- 57:01turma que não sabe coisa nenhuma, botam ele para
- 57:04maciar, galera. É isso aí. E
- 57:08aí, quando tá todo mundo marromena maciado, aí vem...
- 57:12Aí vem a galera, é isso. Aí
- 57:14vem o passarele, aí vem uma galera, tipo, a
- 57:16redondar o negócio. Mas quem pega o diamante bruto,
- 57:20ou mais brita, é o Marcos. Muito
- 57:23bom. Pega as britas. Então,
- 57:28muito obrigada, Marcos. Foi um prazer sensacional ter
- 57:30você aqui. E a gente espera recebê -lo
- 57:33de volta. Só você fala assim, eu quero
- 57:34falar de... Blah! Pronto, resolvido. Acho
- 57:37que tal coisa legal de a gente falar, fica à
- 57:39vontade, os passareles abertos. Opa,
- 57:41legal. É isso, exato. E
- 57:43para que a enfomecenas, a gente vai perguntar sobre
- 57:47confecção caseira de cerveja, home brewer,
- 57:50produtores de cerveja e o que usar, quais são as
- 57:54técnicas de filtração e clarificação. Se
- 57:57você não for mecenas, mas for ouvinte, você já ouviu
- 58:01algumas delas por aqui, principalmente pelo Leandro
- 58:04Oliveira, já falou de uma delas. E
- 58:06aí, fica aí, vire nossas mecenas para você ouvir
- 58:09isso, tá? Fica aí. Mas
- 58:11aí, Leandro, você não falou para o cara. Como
- 58:13é que ele faz para virar mecenas? Cara,
- 58:15mas ele não sabe até agora, já passou uma hora
- 58:17de programa, ele não pegou lá no começo, que é pelo
- 58:19apoia .sebarra .sulradilupo. Mas
- 58:22é bom, né? A gente pega a mão. Oh,
- 58:24tá dormindo. Exato. Pô, tu não tem filho de
- 58:2716, 18, você não faz isso, não escova o dente. Bom,
- 58:3118 não mais. Tá bom, mas tu não tem o
- 58:33casseta, tu não tem um filho de 12 que tu manda
- 58:35tomar banho, inferno. Tá igual o filho de 12 agora,
- 58:38meu Deus. Tem também de 14, também de
- 58:4118. De 18 também tem que mandar
- 58:43tomar banho. Tá bom, parazil. Desculpa
- 58:47aí, Marcos, de vez em quando, o Leandro, ele faz
- 58:49o filho de 12. Faz parte, faz parte. Então
- 58:54antes que eu me queime aqui por completo, vou
- 58:56encerrar o programa, agradecendo aos nossos
- 58:58janecenas, que nos ajudam a manter a casa arrumada e
- 59:01muito conteúdo incrível toda semana. Hoje
- 59:04eu quero agradecer ao Pablo Navarro, ao Cigo Donizete,
- 59:07ao Taís Frausto, ao Claudio Bousani, a Débora Lennin e
- 59:11a Evny Caroline. É isso, meus amigos. Leandro,
- 59:15o que a gente fala quando a gente termina esse
- 59:17programa? Meu filho de 12 anos. Posso
- 59:20comprar? Até semana que vem, a gente
- 59:23compra na volta. A gente compra na volta.