Latest / O Aviário Podcast · by PPGVET / Diogo Ito: Produção de Ovos: Para Onde Vamos? | Ep. 95
Transcript
- 0:00Um réu a mais, que seja que o brasileiro tenha que pagar por
- 0:05um ovo diferenciado, ele tem um peso mais alto no bolso dele do
- 0:10que um euro ou um dólar a mais. Isso acaba sendo um restritivo.
- 0:19Bem-vindos ao podcast O Aviário, as mentes mais brilhantes da
- 0:22avicultura no seu bolso. O podcast O Aviário só é
- 0:28possível através do apoio de empresas inovadoras e que apoiam
- 0:31a educação continuada na avicultura brasileira.
- 0:34Pegasus Science, a solução inteligente e em tempo real para
- 0:37a interpretação de micotoxinas. Olá a todos vocês que estão aí,
- 1:03que estão nos acompanhando em mais um episódio do podcast
- 1:07Aviário. É sempre um prazer estar aqui
- 1:10com vocês e falar sobre tudo o que está acontecendo no mundo
- 1:15avícola, não só do Brasil, mas em todo o planeta.
- 1:19E hoje a gente está aqui com essa pessoa maravilhosa que
- 1:25trabalha muito na parte de postura.
- 1:28E eu estou feliz porque quase a gente não fala dessa área.
- 1:32Ito, um prazer recebê-lo aqui. Muito obrigada pelo seu tempo,
- 1:36pela sua disponibilidade de conversar com a gente.
- 1:40Obrigado, Elisabeth. Boa tarde a todos.
- 1:43É sempre um prazer ter esse tipo de oportunidade de conversar.
- 1:48porque ele ajuda a gente a pensar em que momento que a
- 1:51gente está, para que lado que a gente está indo, o que a gente
- 1:53ainda precisa desenvolver, o que a gente já desenvolveu e fez de
- 1:56bom. Então é sempre um prazer poder
- 2:00ter a oportunidade de conversar sobre o assunto e com gente tão
- 2:05gabaritada como o Ti. Estou muito feliz também, Diogo,
- 2:11de estar aqui conversando com você hoje e aprender um pouco
- 2:14dessa parte de postura comercial, que o pessoal fala
- 2:19muito pouco, às vezes muitos dos nossos ouvintes aqui, dos nossos
- 2:23seguidores, são estudantes, sabe?
- 2:26Que ainda não conhecem muito da área, então seria legal
- 2:29conversar sobre isso, mas vamos começar conhecendo você.
- 2:35Quem é o Diogo, de onde você veio e de onde veio essa vontade
- 2:40de trabalhar com a avicultura? Bom, meu nome é Diogo Ito, sou
- 2:47zootecnista de formação, com mestrado também, ambos pela
- 2:52Universidade de São Paulo, no campus de Pirassununga, na
- 2:55Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos.
- 2:58Bom, a minha entrada no mercado de postura, ela, digamos assim,
- 3:04depende do ponto de vista, ela pode ser vista como algo que já
- 3:07estava escrito, mas também pode ser considerada como algo
- 3:10acidental, digamos assim. Por que eu digo isso?
- 3:14Algo estava escrito porque eu sou sobrinho de uma família que
- 3:18tinha granja desde a década de setenta.
- 3:23Então, a princípio isso estava escrito.
- 3:26Porém, meus pais não me forçaram a trabalhar em granja.
- 3:32Nas férias escolares, as minhas atividades não eram ir para a
- 3:36granja, catar ovo, cuidar de galinha.
- 3:40Até a época do colégio, eu pensava em ir para a área de
- 3:46eletrônica, exatas. Tanto é que eu cheguei a fazer
- 3:48um ano de colégio técnico. Mas, ao final desse primeiro
- 3:53ano, eu vi que eu não tinha tanta vocação para ser, digamos
- 3:57assim, desenvolvedor. Eu pensei, acho que é melhor me
- 4:00manter como usuário mesmo da tecnologia.
- 4:03E aí eu migrei para a área de biológicas.
- 4:05Mesmo indo para a área de biológicas, algo me dizia que eu
- 4:09queria não para a área de biológicas, digamos, como ir
- 4:13para a área de medicina ou veterinária, ou seja, a área de
- 4:17clínica era uma área que não me interessava.
- 4:20Então eu ficava em dúvida entre uma área de biológicas, mas que
- 4:25mantinha ainda um certo contato com a área de exatas.
- 4:30Aí foi nessa que, na época do vestibular, eu inclusive fiquei
- 4:34em dúvida entre engenharia de alimentos e área de zootecnia.
- 4:38E foi na zootecnia que eu acabei me encontrando.
- 4:44Bom, quando eu entrei na zootecnia, eu tenho um irmão
- 4:48mais velho, que é veterinário, e que já atuava no mercado de
- 4:52postura comercial. Eu imaginava, naquela época,
- 4:55trilhar um caminho diferente. Inclusive, os meus estágios
- 5:01curriculares, a maior parte foi voltado para o mercado de frango
- 5:05de corte matriz. Mas aí foi que o destino me
- 5:11puxou de volta, foi mais forte, me puxou para o mercado de
- 5:14poedeira. E eu entrei, comecei o meu
- 5:17primeiro emprego, foi como nutricionista, como técnico de
- 5:21grana, justamente... na granja dos meus tios e aí depois que eu
- 5:29entrei no mercado de postura isso foi em noventa e nove eu
- 5:32não saí mais Comecei como técnico de granja, a gente tinha
- 5:37diferentes unidades nos estados de São Paulo e Goiás.
- 5:42Eu e mais dois veterinários nos revezávamos, prestando
- 5:47assistência técnica para essas granjas, localizadas no interior
- 5:52do estado de São Paulo e nas proximidades de Goiânia.
- 5:55E também tinha uma outra granja no Distrito Federal.
- 5:59Fiquei nessa rotina até dois mil e cinco, Em dois mil e cinco eu
- 6:04saio da granja e mudo de lado de mesa.
- 6:08Surgiu uma oportunidade numa premixeira, numa empresa de
- 6:11nutrição animal, e eu aceitei essa função de assistente
- 6:16técnico comercial, só que para cuidar da região norte do
- 6:21Brasil. Eu fui morar em Belém do Pará,
- 6:25Naquela época eu ficava responsável, aí mudou bastante,
- 6:29eu não cuidava somente de poedeira, mas também um pouco de
- 6:33frango de corte reprodutora que tinha ali e um pinguinho de
- 6:36suinocultura que também tinha na região.
- 6:38Então morando em Belém eu fiquei responsável no começo pelos
- 6:42estados de Piauí, Maranhão, Pará, Amazonas e Roraima. e
- 6:46depois fiquei mais centralizado em Pará, Amazonas e Roraima.
- 6:52Pará é um estado onde o frango de corte era muito mais forte
- 6:56que Poedeira, enquanto que Amazonas e Roraima era o
- 7:00inverso, praticamente zero de frango de corte, mas o mercado
- 7:03de postura era mais significativo.
- 7:07Fiquei nessa rotina até entre dois mil e cinco e dois mil e
- 7:10sete, Em dois mil e oito eu aceitei ser gerente de granja em
- 7:15Manaus de um dos clientes que eu atendia.
- 7:17Eu fiquei lá durante um ano. E depois, em dois mil e nove, eu
- 7:24retorno a São Paulo, agora para fazer parte de uma empresa de
- 7:28saúde animal. Ela estava reestruturando a
- 7:32equipe técnica dela. Já tinha duas pessoas para
- 7:35cuidar de frango de corte e matrizes, uma de Goiás para cima
- 7:39e a outra de Goiás para baixo. E eu entrei no grupo para cuidar
- 7:43de poedeira, fazer a parte de assistência técnica de poedeira
- 7:47no Brasil inteiro. Fiquei nessa rotina de dois mil
- 7:52e nove até meados de dois mil e quatorze.
- 7:58Nessa mesma empresa, a partir de dois mil e quatorze, dois mil e
- 8:02quatorze para dois mil e quinze, eu fico responsável, saio da
- 8:06parte técnico de campo e assumo a gerência de produtos
- 8:10biológicos. Então era uma gerência que tinha
- 8:12responsabilidade sobre a linha inteira de vacinas avícolas.
- 8:17Fiquei nisso até metade de dois mil e dezesseis.
- 8:22Em dois mil e dezesseis aconteceu um fato diferente no
- 8:26Brasil. A Hendrick Genetics,
- 8:30mundialmente, ela vende matrizes.
- 8:34Ela não vende pintinhas comerciais de poedeira.
- 8:39Só que em dois mil e dezesseis, ela se viu obrigada a assumir a
- 8:45produção e a distribuição de duas linhagens que ela tinha
- 8:48presentes aqui no Brasil, a Decalb e a Raissex.
- 8:52E naquele momento, ela já havia criado a equipe técnica DECALB.
- 8:57E estava montando a equipe técnica e comercial Hi-Sex.
- 9:00E foi nessa que eu migro para a Hendrick Genetics.
- 9:04Então, em dois mil e dezesseis, eu entro para o grupo de
- 9:07técnicos que ficou responsável por atender os clientes que eram
- 9:11clientes da linhagem Hi-Sex no Brasil.
- 9:15Fiquei nessa rotina até dois mil e vinte e um.
- 9:20Em dois mil e vinte e um, a Hendrix da Holanda, onde fica a
- 9:25sede da empresa, ela decidiu ampliar uma equipe técnica
- 9:29interna dela. Até então só haviam quatro
- 9:32pessoas. Uma para cuidar de nutrição, uma
- 9:35para cuidar de manejo, uma para cuidar de sanidade e outra para
- 9:38cuidar de assuntos de incubatório.
- 9:41Ela viu que quatro pessoas para atender o mundo inteiro era
- 9:45muita pouca gente. Então ela decide ampliar essa
- 9:48equipe técnica e me convidou para ser um desses membros, em
- 9:54específico dos assuntos relacionados à nutrição.
- 9:59Então, desde dois mil e vinte e um, eu faço parte desse grupo
- 10:03global, digamos assim, e as perguntas, dúvidas que surgem
- 10:09direcionadas ao assunto de nutrição, eu sou um dos
- 10:13responsáveis a responder. Então, hoje, fazendo parte desse
- 10:17grupo técnico, eu tenho quatro responsabilidades.
- 10:22Uma, junto com esse grupo técnico, produzir todo o
- 10:26material técnico que é difundido pela Hendrix.
- 10:32A segunda frente de trabalho é de estar disponível para ajudar
- 10:35as nossas equipes internas de produção, então nós temos a voz,
- 10:39nós temos linhas puras, em alguns países nós temos matrizes
- 10:43ainda, então eu fico disponível para essa equipe de produção
- 10:48ajudar em assuntos relacionados à nutrição, A terceira frente de
- 10:53trabalho é de estar disponível para os nossos clientes diretos,
- 10:57ou seja, as empresas que compram as nossas matrizes para depois
- 11:02produzir as pintinhas comerciais e depois comercializar.
- 11:06E a quarta frente de trabalho é de prestar assistência para o
- 11:09cliente do cliente. Então se um produtor de ovos
- 11:12hoje demanda a minha ajuda, eu fico disponível também para
- 11:16ajudar. Então, basicamente, é isso que
- 11:19eu tenho feito desde dois mil e vinte e um até agora.
- 11:24Nossa, que experiência, super legal, porque você caminhou por
- 11:27vários lugares, né? Você chegou, trabalhou com
- 11:31vacinas, trabalhou com nutrição, trabalhou nas granjas, tem a
- 11:35questão também de administração que vem da família, né?
- 11:39Que você acabou convivendo, pelo menos escutando na mesa, né?
- 11:43Deve ter acontecido. Então, é uma experiência bem
- 11:46legal e hoje está com essa posição global.
- 11:48Eu sempre fico muito feliz com profissionais como você, porque
- 11:52a gente mostra a força do Brasil para o mundo.
- 11:55Nós temos tantos colegas profissionais com destaque, onde
- 11:59você é um deles e a gente fica muito contente.
- 12:02Eu sinto orgulhosa pelos brasileiros todos que fazem
- 12:06sucesso lá fora. E com todo esse teu conhecimento
- 12:10e essa tua experiência, Diogo, como é que você pode identificar
- 12:15para os nossos seguidores, para quem está ouvindo a gente, esse
- 12:20mercado de postura? Como ele se modificou ao longo
- 12:24desses anos? Nós tínhamos uma ideia, pelo
- 12:26menos aqui no Brasil, de que a parte de postura era bem
- 12:31diferente do frango de corte, necessitando... se ajustar mais,
- 12:37como que está hoje no Brasil, no mundo, a questão de postura
- 12:41comercial? Então, o mercado de postura
- 12:45comercial sempre foi muito caracterizado por ser uma
- 12:48atividade familiar. Tanto é que não raro, muito das
- 12:53granjas, muito dos ovos que a gente adquire no mercado ainda
- 12:57hoje tem o nome da família que produz o ovo.
- 13:00Algo que inclusive para alguns países é algo curioso, o fato da
- 13:05família querer colocar o nome na própria produção de ovos.
- 13:10Bom, esse mercado de poedeira, eu falo que eu tive a sorte de
- 13:17pegar um período de transição que foi muito curioso.
- 13:21Se a gente olhar na história, década de setenta, década de
- 13:24oitenta, a gente estava realmente muito nesse sistema
- 13:29familiar, com a vinda das empresas fornecedoras de
- 13:35nutrição, de vacina chegando no Brasil, então as tecnologias
- 13:39chegando mais próximas de nós. e também uma mudança do ponto de
- 13:46vista do consumidor. Se a gente pensar uma época que
- 13:49até o final da década de noventa o consumo per capita de ovo no
- 13:52Brasil não passava de cem ovos habitante ano.
- 13:55E hoje a gente está falando de duzentos e quarenta, duzentos e
- 13:58sessenta ovos em vinte e cinco anos.
- 14:02Fora isso, o que mudou? A vinda dos grandes
- 14:06supermercados, isso abriu possibilidade, por exemplo, para
- 14:10marcas próprias, realização de auditorias, as redes de fast
- 14:15food também tentando se aproximar ou se aproximando mais
- 14:20dos fornecedores de ovos, para que eles fornecessem ovos com
- 14:24qualidade e que ajudassem a fomentar a imagem de que é um
- 14:30alimento seguro. Então essas foram diversas
- 14:34mudanças que foram acontecendo. Do ponto de vista de organização
- 14:38das empresas, eu também tenho visto que a gente está agora
- 14:42justamente de novo passando por um momento de transição.
- 14:46De que maneira? Mudança de geração.
- 14:51Então você tem os fundadores das grandes, as pessoas que estão
- 14:56com mais de hoje de sessenta, setenta anos de idade, dando
- 15:01muito mais autonomia para os seus filhos e filhas, que hoje
- 15:04estão na faixa dos trinta e pouco, quarenta anos de idade.
- 15:09Você tem granjas ampliando, criando unidades em outros
- 15:12estados. A gente tem granjas hoje que tem
- 15:17uma equipe técnica própria, coisa que na minha época era uma
- 15:21raridade, hoje é um pouquinho menos raro de encontrar.
- 15:25Então você tem empresas hoje que tem nutricionista, que tem
- 15:31sanitarista, tem mais de um veterinário contratado que não é
- 15:36o próprio dono da empresa. Começa a adquirir uma cara mais
- 15:42realmente de indústria, e sai da questão mais de casa, de
- 15:48família. Justo, e mais também, digamos
- 15:54assim, uma influência ou uma presença da marca.
- 16:00Hoje, antigamente a gente via que o produtor de ovo tinha uma
- 16:04ação muito mais regional. Hoje a gente vê que é importante
- 16:10ele se manter forte regionalmente, porque isso
- 16:14reforça a marca dele, a questão de qualidade do ovo, da marca em
- 16:19si na região, mas também, já que a gente está pensando em ampliar
- 16:23horizontes, que esse produto produzido na região A, ele tenha
- 16:28qualidade e qualidades para atingir outras regiões, né?
- 16:35E isso tem acontecido, precisa ser feito de uma maneira,
- 16:39digamos assim, equilibrada, porque também não faz muito
- 16:45sentido, às vezes, você ter um produto que fica cruzando
- 16:49fronteira e aí, ao final, se o consumidor tiver um produto, em
- 16:54vez de chegar a consumir um produto, por exemplo, com cinco
- 16:58dias, com menos de uma semana depois de classificado, é
- 17:02diferente, é muito pior quando esse consumidor tem acesso a um
- 17:07ovo, sei lá, que demora duas, três semanas para chegar na mão
- 17:10dele. Uhum. então a gente tem visto
- 17:13que esse cuidado com qualidade também aumentou bastante de
- 17:18décadas para cá, e que no final o beneficiado tem sido o
- 17:22consumidor, porque ele também fica mais criterioso, a gente
- 17:25mesmo que trabalha com avicultura, e que tem o
- 17:28privilégio, por exemplo, de levar para casa um ovo fresco,
- 17:33sabe a diferença do que é ter um produto recém posto, recém
- 17:37classificado, dentro de casa, tanto para consumir no momento,
- 17:41como também depois que guardando na geladeira, ver se o produto
- 17:44durar o mês inteiro sem ter problema nenhum.
- 17:49É, eu tô vendo assim, quando eu vou no supermercado, eu vejo
- 17:51assim o quanto o ovo ficou fashion, né?
- 17:54Ele ficou assim, moda. Você vai lá assim, você vê
- 17:57diferentes marcas, vê as caixinhas muito bonitas, né?
- 18:00Uma apresentação diferente. E uma coisa também que me chamou
- 18:04a atenção, eu não sei em que ponto, que a dúzia de ovos virou
- 18:07dez. porque hoje a gente não encontra quase nunca aquela
- 18:12dúzia de ovos, a gente tinha doze ovos ali, são dez ovos.
- 18:16Você tem uma explicação para a gente de mercado, por que chegou
- 18:22a esse ponto que hoje você vai lá e tem a caixinha de seis, tem
- 18:25a caixinha de dez, obviamente tem a caixinha de trinta, mas
- 18:30ficou muito popular essa caixa de dez ovos, que antes era uma
- 18:34dúzia. Então, Elisabeth, se a gente
- 18:36pensar hoje, vamos fazer uma conta simples, se a gente pensar
- 18:39em duzentos e quarenta ovos habitante ano, significa que
- 18:44seriam em torno de vinte ovos por mês.
- 18:50Se o consumidor tem o hábito de ir para o mercado duas vezes por
- 18:54mês, e ele mora sozinho, por exemplo, teoricamente, a
- 18:58princípio, essa seria uma boa explicação do porquê da dúzia de
- 19:01dez, digamos assim. Ele indo duas vezes ao mercado,
- 19:05compra dez ovos por vez, é o suficiente para ele.
- 19:11Mas tem um dado histórico por trás disso, que foi um motivo um
- 19:15pouquinho diferente. Se a gente volta no tempo,
- 19:18trinta anos atrás, foi quando começaram a surgir no mercado os
- 19:23primeiros ovos, digamos, especiais.
- 19:26E os primeiros ovos especiais que surgiram no mercado eram
- 19:32ovos enriquecidos. Naquela época, então, imagina, a
- 19:41tecnologia para enriquecimento de ovo, ele era, digamos assim,
- 19:45hoje também mais fácil enriquecer ovo do que era trinta
- 19:48anos atrás. Então, imagina-se que o custo de
- 19:52produzir um ovo enriquecido trinta anos atrás, em comparação
- 19:55ao ovo normal de hoje, era maior.
- 19:59E isso gerava um impacto de custo que depois também refletia
- 20:05no produto final. Então, pensando que um
- 20:08consumidor também... E naquela época a gente ainda
- 20:11tinha muito paradigma sobre colesterol, sobre salmonella,
- 20:16enfim. E esse consumidor, digamos
- 20:19assim, de ovo especial, ele não era algo muito bem
- 20:23caracterizado. mas percebeu-se naquela época já, que o
- 20:29consumidor desse ovo diferenciado, ele preferia uma
- 20:32embalagem menor. Então, inclusive, fora isso, a
- 20:41gente sempre falava, bom, o consumidor comum, digamos assim,
- 20:46ele gosta de comparar preços. Então, em alguns momentos, você
- 20:54ter uma embalagem muito grande não era algo também muito
- 20:58vantajoso. Então, isso também estimulava se
- 21:03produzir uma embalagem menor. porque às vezes acontece, se a
- 21:10gente acompanha no supermercado, o produtor se esforça para
- 21:18oferecer para o consumidor um produto diferenciado, só que se
- 21:23esse produto diferenciado não tiver giro no ponto de venda,
- 21:29ele, ao final, pode perder boa parte dessas, digamos, dessas
- 21:33qualidades a mais que o produto tem.
- 21:37Isso, para o consumidor, acaba não sendo benéfico.
- 21:40E aí, somado a isso, a gente começa a entender, por exemplo,
- 21:44por que em alguns mercados, inclusive, você ainda tem a
- 21:48participação de embalagem de meia dúzia.
- 21:52Sim. Sim, sim.
- 21:56Porque também... tem um outro ponto uma coisa é a gente
- 21:59comprar ovo no supermercado e colocar dentro do carro e voltar
- 22:04pra casa agora imagina a pessoa que precisa ir no mercado e
- 22:11voltar com uma bandeja de ovo tendo que encarar ônibus e metrô
- 22:14durante duas horas pra ir ou duas horas pra voltar e aí fica
- 22:19muito mais prático ter seis ovos ele traz ali e fica tudo muito
- 22:25bem E só para complementar, imagina também as longas
- 22:29campanhas que nós temos feito para dizer ao consumidor, evite
- 22:33colocar ovo na porta da geladeira.
- 22:36O estojinho encaixa melhor na prateleira da geladeira do que a
- 22:40bandeja. É, isso é verdade.
- 22:44Então, vai atendendo uma demanda do consumidor, também auxiliando
- 22:50na questão do custo, né? E eu acho lindo, assim, quando
- 22:55eu vou nessa sessão de ovos, alguns supermercados têm
- 22:58colocado muita coisa legal ali, e não dá para deixar de falar
- 23:04sobre as galinhas felizes. Como é que é essa história das
- 23:07galinhas felizes para os nossos seguidores saberem ali, quando
- 23:10eles vão lá e vem uma... uma bandejinha de ovos que diz
- 23:15assim, ovos livres de gaiola, ovos caipira, ovos orgânicos,
- 23:22como é que ele consegue fazer a diferença dessas coisas todas
- 23:26que ele tem à disposição no supermercado, Diogo?
- 23:29Então, vamos lá. Então, para facilitar a
- 23:33conversa, a gente pode diferenciar os ovos que a gente
- 23:35tem hoje em dois tipos, né? os, digamos, tradicionais da ave
- 23:41mantida em gaiola, e os, digamos, sistemas alternativos,
- 23:46onde a ave é criada basicamente no piso.
- 23:49E aí a gente está falando do orgânico, do caipira, do livre
- 23:52de gaiola. Bom, o ovo feliz, digamos assim,
- 23:59o ovo da galinha feliz, ele surge de uma demanda onde os
- 24:04consumidores começam a se preocupar com a questão de
- 24:08bem-estar animal. E foi aquele movimento que
- 24:11surgiu e que não englobou somente poedeiras, englobou
- 24:15também os outros animais. Bom, por conta disso, isso
- 24:22exigiu do setor produtivo uma adaptação.
- 24:26Mas essa adaptação, ela... ela hoje passa por um momento
- 24:32diferente. Se a gente volta de novo, volta
- 24:34no tempo de cinquenta anos. Antigamente a ave era criada no
- 24:37piso. Ela passou a ser criada em
- 24:40gaiola com dois objetivos. Uma, aumentar a escala,
- 24:46possibilitar o aumento de escala de produção, para que a
- 24:49produção, o ovo ao final, continuasse sendo um produto, um
- 24:53alimento acessível para a maior parte da população.
- 24:57Mas do ponto de vista técnico, o principal motivo da ave ter
- 25:02migrado do piso para a gaiola é motivo sanitário, porque naquela
- 25:05época já se via que tinha muito problema sanitário, que matava a
- 25:10galinha, Não era só perda de produção, a galinha morria.
- 25:14A gente não tinha ferramenta para reverter a situação.
- 25:18E aí aquela história, não tem bem-estar de galinha morta.
- 25:23Bom, passado todas essas décadas, novas tecnologias
- 25:27surgindo, e mais essa nova demanda do consumidor, ok.
- 25:33Então, se eu sou um consumidor que fico preocupado com
- 25:37bem-estar animal, Então ganhou força esse movimento de vamos
- 25:43agora dar um passo atrás, vamos adaptar novamente o sistema de
- 25:48produção para que as aves hoje tenham acesso a piso, possam
- 25:53caminhar um pouco mais, possam abrir as asas, apresentar
- 25:57comportamentos considerados mais naturais para a ave.
- 26:01Bom, em cima de tudo isso, de novo o setor produtivo teve que
- 26:08se adaptar, e com isso utilizar as tecnologias que a gente tinha
- 26:16de nutrição, sanidade, ambiência, manejo, para a
- 26:20criação de piso. Qual foi o cuidado, quais são as
- 26:25considerações que estão atreladas a isso?
- 26:28Qual é o limitante hoje da produção de ovos em piso?
- 26:33É custo de produção. ele é invariavelmente mais alto
- 26:38produzir ovo de ave criada no piso do que em ave de gaiola.
- 26:45O principal motivo disso seria o quê?
- 26:47Esse aumento no custo? Então, vamos lá.
- 26:50Por exemplo, se você criar ave no piso, a gente precisa tomar
- 26:55cuidado para a ave não botar ovo no chão. se a ave começa a
- 27:00produzir no chão e ela encontra algum acúmulo de ovos no chão
- 27:05ela desenvolve o hábito do choco que é natural dela então toda
- 27:12vez que um galponeiro entra no galpão ele tem que sair
- 27:15coletando o ovo que está no piso não só por essa questão de choco
- 27:20da ave mas também a questão de segurança alimentar
- 27:24microbiológica esse ovo não pode ficar em contato com o piso
- 27:29inclusive esse é um dos motivos, digamos assim, mais favoráveis
- 27:33para a produção, para manter as aves em gaiola, você tem um ovo
- 27:37mais limpo. Na produção de uma granja,
- 27:44digamos, industrial, se hoje a gente for ver nas granjas, por
- 27:48exemplo, a granja se ela não quiser trabalhar aos domingos,
- 27:54ou metade do período do sábado, ela consegue, porque o ovo acaba
- 27:59se mantendo dentro da gaiola, inclusive, ou na esteira.
- 28:03Coisa que na produção em piso fica muito mais complicado.
- 28:08Aí você tem que ter uma mão de obra maior, muito mais gente, e
- 28:13com isso vai aumentando também o custo, né?
- 28:15Isso, né? Uma pessoa, um galponeiro, ele
- 28:19consegue ver as rotinas de um galpão de cem mil aves.
- 28:25Um galpão de ave criada no piso tem, no máximo, perto de quinze
- 28:29mil, né? Que mais?
- 28:34Alimentação. A ave, ela caminha mais, ela tem
- 28:38um aumento de exigência nutricional.
- 28:41Isso se repercute em aumento de consumo.
- 28:44Então, inclusive, se existe uma linha de trabalho que poderia
- 28:49ser útil para os produtores, é para quem criar ave em piso, de
- 28:54que maneira neutralizar esse aumento de custo que acontece
- 28:58via nutrição. Até que ponto eu consigo fazer
- 29:01uma ração mais barata? Ou até que ponto eu consigo
- 29:05ajustar alguns nutrientes para que a ave não aumente o consumo?
- 29:10Entendo, porque na verdade quando ela estava em gaiola, a
- 29:12gente tinha uma densidade de ração que talvez agora tenha que
- 29:16ser modificada, né? Sim, isso.
- 29:20E aí, para isso, a gente ter centros de pesquisa que tenham
- 29:26as mesmas condições, por exemplo, numa mesma
- 29:28universidade, galpão de gaiola e galpão de piso, ajudaria a fazer
- 29:34esses estudos. do ponto de vista sanitário.
- 29:38Então, a ave tendo acesso à cama do galpão.
- 29:44Se nutricionalmente a ração estiver balanceada, teoricamente
- 29:48ela não tem necessidade de criar o hábito de querer buscar no
- 29:54ambiente onde ela está algum nutriente que esteja faltando.
- 30:01Por outro lado, Se isso não estiver acontecendo, ou seja, se
- 30:06por algum motivo ela estiver sendo estimulada a consumir algo
- 30:09que não é, digamos, saudável para ela, a gente precisa ficar
- 30:13atento das consequências. O que mais?
- 30:19Verminoses. Esse é uma dor de cabeça
- 30:23constante, porque como a ave tem contato direto com o piso, com o
- 30:27material do piso, o controle de verminose se torna mais
- 30:31necessário, intenso e em alguns casos mais dificultoso.
- 30:37Porque a gente pode ter ao longo do tempo perda de produtividade
- 30:42que pode repercutir em perda de qualidade do ovo.
- 30:46Esse é um assunto interessante que eu quero voltar daqui a
- 30:49pouco, mas só para a gente fechar essa questão do
- 30:53consumidor que estava esperando, a ave tem esse aumento de custo,
- 30:57essa ave que está no chão, e dessas aves a gente teria ainda
- 31:02a opção dela ser livre de gaiola, ser orgânico e de ser
- 31:08caipira. Como é que o consumidor sabe
- 31:11qual é a diferença... que faz com que tenha isso no rótulo do
- 31:17produto lá no supermercado? Existem normativas pela Anvisa,
- 31:24junto com o Ministério da Agricultura, que determinam que
- 31:27tipo de informação precisa conter nas embalagens.
- 31:32Então... Boa parte dos países, quando a
- 31:37gente pensa no sistema orgânico, por exemplo, hoje o maior
- 31:41limitante do sistema orgânico é a disponibilidade de
- 31:44matéria-prima. Porque para atender aos
- 31:48critérios de produção orgânica, o insumo precisa ser orgânico.
- 31:53Esse é um grande limitante. Tanto é que tem granja que
- 31:57partiu para a produção própria dos próprios grãos, porque viu
- 32:00que no mercado não tem disponibilidade de grão orgânico
- 32:06capaz de atender a própria demanda.
- 32:10Tem uma outra coisa que eu queria falar, você que é
- 32:12nutricionista, semana passada eu estava na Europa, aquele evento
- 32:15europeu de nutrição animal, sabe, Diogo?
- 32:20E aí estava se falando muito dessa criação orgânica, e eles
- 32:24fizeram um experimento que eles colocavam as aves, umas no piso
- 32:30e outras que não estavam no piso, as orgânicas, E eles viram
- 32:35que nas aves que eram alimentadas de forma orgânica,
- 32:38ela tinha muito mais problema de calo de pata, de lesão de pata,
- 32:44que é um critério para bem-estar animal, aqui não falando no
- 32:47produto pata que acontece no frango, para diferenciar para
- 32:51quem está escutando a gente. então usando isso, e aí eles
- 32:54verificaram que a ave livre, na orgânica, comparando a orgânica
- 32:59com a conversacional, ela tinha muito mais problema de pato, aí
- 33:02uma coisa até que eu levantei assim, é que na orgânica eles
- 33:05não podem ter nem aminoácido sintético, né Diogo, será que eu
- 33:10estou errada nisso? Porque é bom o pessoal saber,
- 33:12que o pessoal às vezes pensa em casa, ah não, porque é orgânico,
- 33:16a gente está dando, mas assim, do ponto de vista nutricional, é
- 33:19uma ave que por essa limitação do conceito orgânico não permite
- 33:29que a gente ajuste os teores de aminoácidos com aminoácidos
- 33:33sintéticos. Isso também...
- 33:35Naquele momento, a minha pergunta lá é será que era por
- 33:38isso que causava alguma coisa? Então, assim, até para
- 33:41desmistificar que toda ave orgânica está feliz, está bem
- 33:46nutrida. Não sei a sua opinião sobre
- 33:48isso. Então, o ponto é... digamos
- 33:53assim, o software, a ave, ela tem potencial para externar,
- 33:59digamos, o potencial genético dela independente do sistema
- 34:05onde ela é criada. Se a gente pensa que num sistema
- 34:10orgânico, se a gente começa, digamos assim, incluir algumas
- 34:14restrições, pode ser que essas restrições cheguem a um nível
- 34:21onde a ave não consiga, ou ela demonstre para a gente sintomas
- 34:26de deficiência. Então esse também acaba sendo um
- 34:30limitante, porque do ponto de vista filosófico, a produção de
- 34:37orgânico, a gente precisa entender um pouco melhor esse
- 34:40conceito, porque não é só simplesmente pensar só no
- 34:45animal, não é simplesmente pensar na pessoa que está
- 34:50consumindo esse ovo, mas também pensar no ambiente onde ela está
- 34:55sendo inserida. Porque, ok, se eu disponibilizo,
- 35:00vamos pensar, pegar a seguinte linha de raciocínio, para
- 35:07produzir o grão orgânico, talvez a produtividade no campo seja
- 35:12mais baixa do que a produção tradicional de grãos.
- 35:18Então para uma mesma área, ou eu produzo menos grão, ou para uma
- 35:22mesma quantidade de grão eu vou precisar de mais área.
- 35:26Vamos trazer esse grão agora para dentro da granja.
- 35:30Se a ave precisar consumir mais alimento para se manter, eu vou
- 35:36ter que ter toda uma cadeia de suprimento dimensionada para
- 35:40esse aumento de alimentação. Se eu tiver uma perda de
- 35:47produtividade por conta de restrições que eu tenho, das
- 35:52regras, digamos assim, de produção, eu também vou ter uma
- 35:56perda de produtividade, que é aquela também a mesma história.
- 35:59Para produzir cem caixas com um lote produzindo noventa por
- 36:05cento, eu vou precisar de uma quantidade X de galinhas.
- 36:09Se por algum motivo a minha produtividade da granja não for
- 36:13noventa por cento, for oitenta por cento, eu vou precisar de
- 36:15mais galinhas para produzir a mesma quantidade de ovos.
- 36:21Então isso também pode gerar um aumento de impacto da cadeia
- 36:25como um todo. Eu só vou cortar aqui um
- 36:29pouquinho para fazer esse comentário, que a gente não está
- 36:31também só falando de dinheiro, porque às vezes o pessoal do
- 36:34orgânico fala assim, mas você só pensa em dinheiro, não é só o
- 36:36dinheiro, é a terra que você tem que ter mais, é esse animal que
- 36:41também vai estar submetido a uma situação, digamos, até de
- 36:45semideficiência, porque talvez ele precisasse de um aminoácido
- 36:49sintético para cobrir uma... uma demanda dele que não está sendo
- 36:53atendida. Então, às vezes, a gente
- 36:55confunde orgânico com sustentabilidade e não é, né?
- 37:00Não é. Então, eu sempre peço para...
- 37:03A gente é a favor de todos os sistemas de produção, porque tem
- 37:08consumidor para todos os tipos de ovos e todos os tipos de
- 37:12bolsos, né? Essa questão de ave livre de
- 37:15gaiola, eu também penso da seguinte maneira.
- 37:20Se existiu em algum momento algum consumidor que decidiu,
- 37:24pensou assim, bom, hoje eu não concordo com o sistema atual de
- 37:29produção de ave em gaiola e por isso eu vou parar de consumir
- 37:33ovos. Bom, agora que o setor produtivo
- 37:36tem aves criadas livres de gaiola, por favor, consumidor,
- 37:41volte a consumir ovos. Sim, porque a gente se adaptou a
- 37:46uma condição. Isso.
- 37:48Uma exigência que vocês fizeram. Isso.
- 37:52E tem um outro ponto que eu sempre lembro.
- 37:54As cidades, elas não geram riqueza.
- 37:58A gente transforma dinheiro. Sai de uma mão e vai para outra,
- 38:02mas a riqueza como base é produzida no setor primário.
- 38:08Então é importante a gente também pensar na situação do
- 38:12produtor de ovos ou de qualquer pessoa que esteja no meio
- 38:16agropecuário. Porque a pessoa que é dona da
- 38:21propriedade, se um dia ela cansar de produzir qualquer que
- 38:26seja o alimento, ela simplesmente pode encerrar a
- 38:30atividade, vender a fazenda e procurar outra atividade para
- 38:33fazer. Só que e a pessoa, aquela que
- 38:38não teve oportunidade nem de estudar até a quarta série, Ele
- 38:45e a esposa nasceram, cresceram no interior, e o que eles sabem
- 38:51fazer bem é trabalhar no meio rural.
- 38:56Essa pessoa, se o dono da granja encerrar a atividade, não raro
- 39:03essa pessoa que trabalhava na granja vai se ver obrigada a
- 39:08procurar outra atividade. E invariavelmente, ou na maior
- 39:13parte dos casos, a alternativa que vai surgir para ela é
- 39:16procurar algum emprego na cidade.
- 39:20Então a gente precisa pensar um pouco nisso também, da
- 39:24importância do setor agropecuário, quando a gente se
- 39:28defronta com novas exigências de mercado.
- 39:32O setor agropecuário visa o lucro, mas não como algo
- 39:38ganancioso, digamos assim. É o que ele sabe fazer.
- 39:43Também as pessoas não entendem que sustentabilidade são três
- 39:46pilares e um deles é o lucro. É ele ser economicamente viável.
- 39:51Então, desde que a gente vive num mundo que tem essa versão
- 39:56capitalista, a gente tem que imaginar que a questão do lucro
- 40:00tem que fazer parte do processo. Ninguém vai ficar trabalhando
- 40:04sem ter um retorno, porque isso faz com que o giro aconteça.
- 40:09Sim, e se a gente faz o paralelo com qualquer outra atividade do
- 40:14que a gente vivencia no dia a dia, o cabeleireiro nunca baixa
- 40:20o preço de um ano para o outro. O dentista nunca baixa o preço
- 40:23da consulta de um ano para o outro.
- 40:25Agora, o setor agropecuário sempre é forçado a buscar
- 40:31alternativas de forma técnica e economicamente viável para
- 40:36neutralizar os efeitos de inflação.
- 40:40Sim, essa flutuação de preço que às vezes os outros setores não
- 40:46sentem. Então, a gente falou que tem o
- 40:50convencional, que as aves ficam nas gaiolas, que a gente tem
- 40:53algumas vantagens entre elas, ter um ovo mais limpo, você
- 40:57ter... como controlar mais essas aves, tanto nutricionalmente
- 41:01como questão de doenças, mas que tem as desvantagens que a gente
- 41:07sabe também de, eventualmente, mortalidades que acontecem ou
- 41:12uma condição. Aí, quando ela vai para ser
- 41:15livre de gaiola, a gente falou do orgânico e o caipira.
- 41:18Como é que a gente diferencia o caipira do orgânico?
- 41:21Porque ele não é a mesma coisa, não é?
- 41:22Então, basicamente, o que vai diferenciar o caipira do
- 41:26orgânico é justamente essa restrição em relação ao uso dos
- 41:30ingredientes orgânicos, que no caipira não tem.
- 41:33Então aí eu já posso usar aminoácidos, eu já posso fazer
- 41:38uma dieta mais balanceada, eu posso usar um milho que não é
- 41:42orgânico, que é híbrido, até GMO eu acho que se pode usar, acho
- 41:47que também não tem essa restrição.
- 41:50Então, isso é de novo aquela história de nem oito ou oitenta.
- 41:54Se eu não concordo com um sistema, digamos, mais
- 41:57intensivo, e por outro lado, um sistema mais extensivo, ele gera
- 42:02muitas limitações, então o caipira, ele entra no meio
- 42:07termo. Que, por exemplo, na condição
- 42:11europeia, é o que está se difundindo mais, que é o
- 42:15sistema, ele é livre de gaiola, Só que o que o europeu precisou
- 42:21se adaptar? No Brasil, a gente ainda se dá
- 42:23liberdade muito de ter os galpões, digamos, de um nível
- 42:26só. O que é a estrutura muito
- 42:28parecida de matriz. Na Europa, novamente, por conta
- 42:33de disponibilidade de espaço, eles precisaram readensar as
- 42:38aves. E com isso criaram os galpões
- 42:41multinível, ou conhecido como barn.
- 42:45Então, no nosso caso do Brasil, a limitação que eu fico
- 42:51imaginando hoje é, de novo, como é que eu posso tropicalizar essa
- 42:55tecnologia. Porque, enquanto a Europa tem a
- 43:01preocupação de proteger as aves contra calor, mas muito mais
- 43:05contra frio, a nossa preocupação é o calor.
- 43:10Quem diga o que a gente tem vivenciado.
- 43:13Esse inverno que foi muito sem vergonha.
- 43:15Sim. Então, o calor é muito intenso e
- 43:19é fazer essa adaptação para a ave que vai livre de gaiola.
- 43:23E aí, assim, tem a livre de gaiola e tem aquela que ainda
- 43:26vai para fora, né? Elas não são a mesma coisa.
- 43:30Tem algumas que saem, que têm acesso a pasto, e as outras que
- 43:33não têm. Existe uma classificação disso
- 43:37ou não? Então, a ave que tem acesso a
- 43:40pasto... ela entra no sistema caipira sim, aí ela diferencia
- 43:49entre caipira e sistema livre de gaiola.
- 43:51O sistema livre de gaiola você pode criar ela num galpão,
- 43:56solta, só que não é necessário ou não é obrigatório ela ter
- 44:01acesso a pasto. O caipira pede acesso a pasto.
- 44:04A pepira precisa do acesso a pasto.
- 44:06Então, aí as três diferenças seriam essas.
- 44:10Um convencional, a ave está ali na gaiola, recebendo os
- 44:14nutrientes, tendo os cuidados dela, com, claro, a limitação do
- 44:17espaço. Aí a gente tem livres de gaiola,
- 44:21sem a questão de necessariamente ser orgânico ou nada, elas só
- 44:27ficam livres dentro de um galpão.
- 44:30E aí nós temos a caipira, que ela já tem que ter um acesso a
- 44:34pastoreio, né? Além dela ser livre, ela tem que
- 44:36ter acesso a pastoreio, mas ela pode receber uma alimentação
- 44:40também balanceada com todos os nutrientes, porque não tem
- 44:43restrição do ingrediente ser orgânico.
- 44:46E aí tem a orgânica, que ela tem que ser livre, né?
- 44:49De gaiolas, que ela tem que ser pastoreio e que ela tem que...
- 44:54E aí ela tem restrição, né? A dieta que a gente faz para ela
- 44:57não pode ter... produtos que não sejam orgânicos ou pelo menos
- 45:01tem uma quantidade máxima de produtos orgânicos que tem que
- 45:05fazer parte. E também existe restrição em
- 45:08relação ao uso de ingrediente de origem animal.
- 45:11Ah, então. Tanto o caipira como o orgânico,
- 45:15eles não permitem A gente já consegue ver uma diferenciação
- 45:21grande e como é que está o mercado?
- 45:24Ele tem uma tendência para alguma dessas criações ou existe
- 45:30isso como os nichos e que não tem de muito aumentar um nicho
- 45:34em relação ao outro? Eu digo com a questão do
- 45:39consumidor mesmo, o que ele prefere, o que ele prefere pode
- 45:44pagar, que é diferente, às vezes eu prefiro uma coisa, mas na
- 45:48verdade na hora de comprar eu compro outra, porque é a que eu
- 45:51posso pagar. Bom, teve um estudo realizado
- 45:59pelo pessoal da Federal do Rio de Janeiro que foi bem
- 46:02interessante, já faz alguns anos que eles fizeram.
- 46:04Então a condição base é se o preço dos ovos, digamos,
- 46:09especiais for igual ao do ovo, digamos, convencional, o
- 46:15consumidor ele vai migrar para os ovos especiais, tá?
- 46:21o limitante continua sendo o preço.
- 46:23E certa vez eu cheguei a fazer um estudo, digamos assim,
- 46:27econômico sobre isso. Para um europeu, para um
- 46:31norte-americano, ele migrar do ovo tradicional para o ovo
- 46:36alternativo, tem um custo adicional no bolso dele.
- 46:42Só que quando a gente faz isso em relação à renda per capita
- 46:45dessa pessoa, o peso desse incremento é muito mais baixo.
- 46:52quando eu considero a condição brasileira.
- 46:55Era algo como três vezes mais. Então, um réu a mais, que seja
- 47:02que o brasileiro tenha que pagar por um ovo diferenciado, ele tem
- 47:07um peso mais alto no bolso dele do que um euro ou um dólar a
- 47:12mais. Isso acaba sendo um restritivo.
- 47:16Tanto é que, quando a gente anda pelas cidades... principalmente
- 47:21pelas grandes cidades, você não vê esses ovos especiais sendo
- 47:26vendidos em qualquer tipo de supermercado.
- 47:28Ou, no mínimo, a gente vê uma diferença da presença desses
- 47:33ovos na gôndola do supermercado. Então, é considerado um mercado
- 47:40de nicho? Continua sendo um mercado de
- 47:42nicho. E aí como é que isso fica mais,
- 47:46digamos assim, mais exacerbado para a gente?
- 47:49Vamos imaginar que eu tenha dois ovos, um ovo normal custando
- 47:56cinquenta centavos, então uma bandeja com trinta unidades vai
- 48:02me custar quinze reais. Esse ovo especial, se ele
- 48:07estiver sendo vendido a um real e cinquenta, eu já vi sendo
- 48:10vendido a mais de dois reais por unidade.
- 48:14Imagina você ir no supermercado e comprar uma bandeja de trinta
- 48:18ovos custando sessenta reais. É muito diferente, né?
- 48:22É muito diferente. E aí você vê a diferença do que
- 48:27isso pode causar, que tipo de consumidor que vai aceitar pagar
- 48:34quinze reais numa bandeja ou sessenta reais numa bandeja.
- 48:39É, aí assim, realmente é o grande ponto, né?
- 48:42Que às vezes o consumidor exige demais, mas na hora de pagar,
- 48:46ele não paga essa diferença, né? Por outro lado, eu fico
- 48:51imaginando o seguinte, né? Tem gente que, eu não sou
- 48:54especialista na parte de consumo, mas vamos imaginar, se
- 48:58eu tenho um ovo, digamos, diferenciado, que é voltado para
- 49:02um consumidor diferenciado, Ok, o setor de ovos tradicionalmente
- 49:09fica perto da área de verduras. Isso é regra automática para a
- 49:13gente. E eu lembro que quando uma das
- 49:16redes de supermercado norte-americana chegou no
- 49:19Brasil, ela chegou a fazer no começo o sistema americano, que
- 49:24era ir no fundo do supermercado, você encontrar ovo, suco de
- 49:27laranja e leite. Não vingou.
- 49:31Ela tirou o ovo de dentro da geladeira até porque tinha um
- 49:36outro motivo, a questão do ovo, o ponto de condensação.
- 49:39Você tira o ovo da refrigeração, num calor de trinta e cinco
- 49:42graus que a gente tem aqui no Brasil, esse ovo vai suar.
- 49:46Então, pegando esse mesmo raciocínio, vamos imaginar o
- 49:49seguinte, se eu sei que esse ovo diferenciado é para um
- 49:52consumidor também diferenciado, e que talvez, vamos supor que eu
- 49:57estude ele e veja que esse consumidor de ovo diferenciado é
- 50:01o mesmo que procura um leite sem lactose, algum farináceo que não
- 50:09tenha glúten, Então, por que não também disponibilizar esse tipo
- 50:15de produto nos mercados onde esse consumidor também vai estar
- 50:19disponível? Sim, onde ele está mais
- 50:22presente. Se a gente vai no setor de massa
- 50:27e encontra molho de tomate, Se a gente vai no setor de sabão e
- 50:32logo em seguida encontra o de amaciante, então se existem
- 50:35algumas duplas, alguns conjuntos de alimento que próximos fazem
- 50:39sentido, por que não fazer o mesmo para esse ovo
- 50:42diferenciado, pensando no consumidor diferenciado?
- 50:47Então, na verdade, a gente pode esperar que o mercado cresça,
- 50:51continua ainda bastante com o convencional, mas mesmo aqueles
- 50:56convencionais, a questão de livre de gaiola tem ficado muito
- 50:59comum, mesmo nas grandes empresas tradicionais de
- 51:03produção de ovos convencionais, ela puxa para isso.
- 51:07Em termos técnicos... Diogo, em termos de conversão
- 51:11alimentar, índices ou técnicos, muda muito?
- 51:16Vamos esquecer o orgânico, vamos esquecer o...
- 51:19Vamos falar simplesmente dele estar em gaiola e livre de
- 51:23gaiola. Muda muito?
- 51:26Então, produtividade a gente espera que não.
- 51:32O principal índice que mais altera é realmente o consumo de
- 51:35alimento. Porque se a gente pensar
- 51:38mortalidade, vamos pensar nos dois extremos.
- 51:46Hoje a gente recomenda próximo de quatrocentos centímetros
- 51:50quadrados por ave, de quatrocentos até quinhentos
- 51:52centímetros quadrados por ave, pensando nas aves marrons.
- 51:55Quatrocentos e cinquenta, quinhentos por ave marrom, em
- 51:57torno de trezentos e cinquenta, quatrocentos por ave branca.
- 52:00Então, quando a gente migra, por exemplo, essa ave para o piso e
- 52:04fala assim, a gente recomenda em torno de seis a sete aves por
- 52:07metro quadrado. Essa pequena mudança aumenta em
- 52:11três vezes a área disponível por ave.
- 52:15Então, um acaba compensando o outro.
- 52:19Uhum. Bom, e aí ao final, o que a
- 52:24gente tem, uma conta grosseira, é que no final o custo de
- 52:30produção de uma ave livre de gaiola, ela por baixo é em torno
- 52:35de uns de dez a quinze por cento a mais.
- 52:39Isso dentro da granja. Sem considerar o custo de
- 52:44embalagem, por exemplo. O custo de embalagem de um ovo
- 52:47especial também é uma embalagem especial.
- 52:49Ela é mais elaborada, ela é mais colorida.
- 52:53Ela é mais cara também. Então somando tudo isso, vamos
- 52:58pensar. Por baixo, vinte por cento.
- 53:00Mais alto. E aí você tem um volume menor,
- 53:05que tem um impacto maior de frete.
- 53:09São vários custos que vão se somando.
- 53:12Então, e aí, eu tô aproveitando pra comentar isso contigo,
- 53:16porque isso dá assunto pra uma outra linha de raciocínio, que é
- 53:22a seguinte. É quebrar um paradigma, que é o
- 53:25seguinte. O consumidor, ele ainda acredita
- 53:29que só galinha vermelha é galinha livre de gaiola.
- 53:32Uhum. Ele não acredita quando ele vê
- 53:35uma propaganda mostrando ave branca ou ele vê no supermercado
- 53:40um ovo branco sendo vendido como caipira ou orgânico que seja.
- 53:45Ele custa acreditar nisso, porque ele ainda tem muito forte
- 53:49na cabeça que somente o ovo vermelho é o ovo caipirão.
- 53:55Então esse também é um paradigma que vale a pena ser quebrado,
- 53:58precisa ser quebrado aos poucos, de que, ok, consumidor, você
- 54:02está buscando um sistema de produção diferente, então por
- 54:05favor me permita, produtor, te oferecer um ovo branco, porque
- 54:12ao final isso também vai ajudar o consumidor a ter um produto de
- 54:16valor mais baixo, porque produzir ovo vermelho é mais
- 54:20caro, Inclusive, em alguns países da Europa, tem sido o
- 54:26principal argumento para convencer o consumidor a migrar
- 54:30a preferência de ovo dele. A migrar do ovo vermelho para o
- 54:34ovo branco, pensando em impacto ambiental.
- 54:39Olha que legal, isso é um ponto interessante, porque a gente
- 54:42ainda pensa que O legal é aquele ovo vermelho mesmo, aquele
- 54:46marrom, aquele que tem nas propagandas das avós de
- 54:51antigamente. Então, assim, é um mercado que
- 54:55está realmente se adaptando, tem bastante coisa para mudar.
- 54:58Nossa, Diogo, eu gostaria de ficar mais tempo aqui com você,
- 55:01mas já estamos em uma hora, né? E foi muito legal, a gente já
- 55:05falou de várias coisas. Então, quando chega mais para o
- 55:09final, uma coisa que eu sempre gosto é de deixar esse espaço
- 55:12para vocês, os nossos convidados, dizer qual é a tua
- 55:17mensagem para os nossos ouvintes, para os nossos
- 55:19seguidores, sempre lembrando que é um público bastante
- 55:25heterogêneo, tem pessoas de todas as áreas, não é só o... os
- 55:33técnicos da área que acompanham, tem bastante consumidor também,
- 55:37tem bastante estudante que fica escutando para saber também para
- 55:42onde direcionar os seus estudos. Então, qual seria a tua mensagem
- 55:46para esse público em relação ao teu trabalho, a tua experiência
- 55:51na parte de produção de ovos? Então vamos lá, começar do final
- 55:54para o começo. Então pensando na interação
- 55:57entre campo e pesquisa. Então quem estiver desenvolvendo
- 56:01TCC, trabalho de mestrado, doutorado, sempre vale a pena
- 56:06perguntar para nós técnicos de campo e para os produtores o que
- 56:13gostaria que fosse resolvido. Porque várias vezes existem
- 56:17diversos estudos, por exemplo, eu quero testar níveis
- 56:20diferentes de energia e proteína para poedeiros.
- 56:25Poxa, se você vai testar isso, que níveis que fazem sentido?
- 56:31E outro, quantas vezes eu já não cheguei para algum pesquisador e
- 56:35falei, bom, se você vai testar níveis, poxa, abre oportunidade
- 56:39para que a gente faça algumas mensurações.
- 56:42Então, ok, você está olhando para a produtividade da ave, mas
- 56:45o aspecto da ave vai ter alguma alteração?
- 56:48Porque se a gente estiver no campo diante de uma deficiência
- 56:52ou excesso de nutrientes, essa informação vai ser útil.
- 56:55Então esse é um exemplo. Quando eu penso no setor de
- 56:59ovos, o que me tranquiliza é que a gente está produzindo alimento
- 57:03e comida a gente sempre vai precisar.
- 57:06Em especial no setor de ovo, o que me deixa mais tranquilo
- 57:11ainda? A gente está falando de um
- 57:12alimento que você pode comer no café da manhã, almoço, janta.
- 57:17Você pode fazer lanche, você pode fazer prato doce e salgado,
- 57:22frio e quente, tá? Você pode fazer snacks, você
- 57:26pode fazer várias coisas. Então, e se a gente pensa,
- 57:32trezentos e sessenta e cinco dias no ano, são trezentos e
- 57:34sessenta e cinco oportunidades que a gente pode ter ovo na mesa
- 57:38do consumidor. Isso se for uma vez por dia.
- 57:43Se a gente multiplicar pela quantidade de possibilidades,
- 57:48duzentos e sessenta ovos habitante ano é fichinha.
- 57:52Sim, dá para aumentar muito ainda esse consumo.
- 57:55Dá. Inclusive, tem uma das empresas,
- 58:02um dos produtores de ovos, ele fez a seguinte jogada, ele criou
- 58:05uma embalagem de cinco ovos. E qual que é a justificativa
- 58:10para ele? Ele fala assim, de segunda a
- 58:12sexta-feira você pode consumir ovo, de final de semana você
- 58:15está livre para consumir outras proteínas.
- 58:20Então, cada um vai de um jeito. O importante é, independente
- 58:25disso, o concorrente do ovo não é o meu grangeiro vizinho.
- 58:32Uma nutricionista sempre me diz, Diogo, a gente não precisa se
- 58:36preocupar com o que a gente está comendo, a gente precisa se
- 58:38preocupar com o que a gente não está comendo.
- 58:43Então quando a gente para para pensar, se a cadeia toda como um
- 58:48todo trabalhar de forma a produzir um ovo econômico,
- 58:52seguro e padronizado, a gente vai continuar tendo emprego por
- 58:58bastante tempo, penso eu. porque o consumidor vai conseguir pegar
- 59:04esse ovo, trabalhar com ele, adaptar uma receita, achar o
- 59:08jeito. E agora ter muito relacionado
- 59:11com saúde, com atletas e toda essa parte, ovos enriquecidos
- 59:19que a gente já comentou aqui, legal.
- 59:23E toda vez que a gente tem algum...
- 59:26A gente pegou carona nesses booms.
- 59:29Lembra quando teve aquele boom de corrida de rua?
- 59:33Quando ampliou isso, isso de uma maneira ou de outra aumentou o
- 59:38consumo de ovo. A gente tem também uma outra
- 59:41vantagem em relação ao ovo como alimento.
- 59:44É a única proteína animal, uma das poucas, que não demanda
- 59:48cadeia de refrigeração. Enquanto as outras carnes
- 59:53precisam. Provavelmente o que?
- 59:56Ovo e queijo, que não precisa de refrigeração.
- 1:00:00A maior parte dos queijos. Então, a gente vai considerando
- 1:00:04isso, a gente vê que tem bastante espaço, não precisa
- 1:00:08empurrar ninguém para fora. E aí, com isso, a gente cria um
- 1:00:15ciclo virtuoso de você ter produtor se mantendo na
- 1:00:20atividade, demandando serviço técnico e produto por parte das
- 1:00:27empresas que fornecem os produtos, mantendo emprego no
- 1:00:32campo e ajudando o consumidor. Talvez o nosso desafio daqui
- 1:00:40para frente é uma coisa é você oferecer alimento, porque o
- 1:00:45consumidor precisa. O que talvez a gente precise
- 1:00:49agora trabalhar um pouquinho melhor é fazer com que o
- 1:00:51consumidor sinta falta quando ele não tem.
- 1:00:55Sim, ele ficar viciado no ovo, como ele fica viciado na
- 1:00:59corrida, aquele vício saudável dentro da rotina do consumidor.
- 1:01:06Isso é legal. Então tá, eu acho que essas
- 1:01:10mensagens aí, chamando atenção para quem está pesquisando,
- 1:01:15olhar com carinho os problemas que existem no campo para fazer
- 1:01:20essas pesquisas mais aplicadas, mais ajustadas, trazer uma
- 1:01:25solução para todo mundo, que isso também é ser sustentável,
- 1:01:28fala muito de sustentabilidade na parte de produção, mas as
- 1:01:32próprias universidades e a pesquisa tem que ser sustentável
- 1:01:36também, ela tem que produzir alguma coisa, que também traga
- 1:01:40soluções para o mundo, e a questão toda de não ter
- 1:01:44competência entre os produtores jovens, mas que se ajudem para
- 1:01:49produzir um produto cada vez melhor, porque a demanda está
- 1:01:52aí, tem um mercado crescente. Muito legal falar com você,
- 1:01:56Diogo, foi muito bom te conhecer também, mais o profissional e a
- 1:02:01gente se conhece, mas não sabe o que passou, todas as empresas,
- 1:02:05toda essa experiência que você Descrever, muito obrigada.
- 1:02:09Muito obrigada pelo seu tempo. É sempre que precisar, estou à
- 1:02:14disposição de poder ajudar. Obrigada, Ailton.
- 1:02:18Então, aqui a gente fica com mais esse episódio do Aviário.
- 1:02:23E eu espero que vocês tenham gostado de aprender bastante aí
- 1:02:26com o Diogo Hildes sobre a parte de produção de ovos, que é um
- 1:02:30assunto que às vezes a gente não debate muito por aqui.
- 1:02:33Um abraço e até a próxima.