Latest / O Aviário Podcast · by PPGVET / Dra. Nilva Sakomura: Modelagem Nutricional para Aves | Ep. 92
Transcript
- 0:00porque por meio da modelagem eu consegui agregar os resultados
- 0:07das minhas pesquisas em modelos que eu pude fornecer para os
- 0:15nutricionistas uma aplicação dos modelos mais prática para que
- 0:19eles possam utilizar a modelagem.
- 0:26Bem-vindos ao podcast O Aviário, as mentes mais brilhantes da
- 0:29avicultura no seu bolso. O podcast O Aviário só é
- 0:35possível através do apoio de empresas inovadoras e que apoiam
- 0:38a educação continuada na avicultura brasileira.
- 0:42Easy Institute, transformação digital e inteligência
- 0:46artificial na produção avícola. Pegasus Science, a solução
- 0:51inteligente e em tempo real para a interpretação de micotoxinas.
- 0:56Alga Prime DHA da Corbion, o Ômega-III DHA à base de algas
- 1:01para o enriquecimento de ovos com DHA de maneira sustentável.
- 1:04Adicioná-lo às rações está mais fácil do que nunca.
- 1:08Aquece, ambiência ideal para sua produção.
- 1:13Olá a todos, vocês que estão nos acompanhando aqui no podcast
- 1:17Aviário. O objetivo hoje é a gente
- 1:21conversar com a professora Nilva.
- 1:25A professora Nilva é da Unesp Jabuticabau, é nutricionista.
- 1:30E, recentemente, ela foi premiada lá pelo Poetry Science
- 1:35como mentora para a vida. Quer dizer que, para o resto da
- 1:42vida, ela vai ser uma mentora para todo mundo.
- 1:46E... Ela é conhecida
- 1:48internacionalmente, auxiliou aí na construção das tabelas
- 1:53brasileiras, das tabelas do NRC. Então, boa tarde, professora
- 1:59Nilva, um prazer conversar contigo, obrigada por seu tempo.
- 2:04Boa tarde, Beth, e primeiro eu agradeço a oportunidade, né, de
- 2:09falar um pouco sobre a minha carreira profissional e é um
- 2:15prazer, né, estar conversando com você.
- 2:20Obrigada professora, primeiro a gente gostaria de conhecer um
- 2:24pouquinho da sua carreira, como é que ela construiu, como é que
- 2:27foi a sua graduação, sua pós-graduação, se puder
- 2:32conversar um pouquinho para nós sobre a sua vida acadêmica, para
- 2:36a gente conhecer um pouquinho mais aí.
- 2:39Eu fiz a graduação aqui na Unesp de Jabuticabau e o mestrado
- 2:46também aqui na Unesp de Jabuticabau e o doutorado eu fiz
- 2:52na Universidade Federal de Viçosa. depois eu fiz um
- 2:56pós-doutorado lá na Universidade do Arkansas e um estágio, um
- 3:02outro pós-doutorado mais curto na Universidade de Kauazulu
- 3:07Natal e na África do Sul. Então essa foi, vamos dizer
- 3:13assim, a minha formação. Em busca do ambiente ideal para
- 3:18sua produção, a Aquece oferece aquecimento especializado,
- 3:23totalmente automático para a produção animal, garantindo
- 3:26distribuição uniforme de calor. Mais de doze anos entregando
- 3:30soluções eficientes em todo o Brasil.
- 3:35Muito estudo, muito trabalho. Professora, como é que foi
- 3:39conciliar... essa carreira acadêmica tão ativa o tempo todo
- 3:47com a sua vida pessoal, quais são os desafios e as vantagens e
- 3:53desvantagens que aconteceram aí na sua vida, como é que foi?
- 3:59Então, eu diria que a maior parte do tempo, a minha maior
- 4:05dedicação foi para a minha carreira profissional.
- 4:10E como também não tive filhos, a gente acaba dedicando mais ao
- 4:16trabalho. E é lógico que, de certa forma,
- 4:21isso prejudicou também, de certa forma, o meu convívio com a
- 4:27minha família, com meus amigos, por ter sempre colocado a minha
- 4:34profissão em primeiro lugar. Mas eu me considero plenamente
- 4:39realizada, tanto profissionalmente quanto na
- 4:44minha vida pessoal. Esse é sim, eu também gosto de
- 4:51chamar atenção aqui, professora, porque tem muito mais mulher
- 4:54hoje do que quando a senhora começou, ou quando eu comecei, e
- 4:59elas hoje talvez consigam equilibrar mais do que a gente
- 5:03conseguiu, na nossa época a gente tinha que mostrar que era
- 5:08melhor que os homens, né? A gente não podia só fazer o que
- 5:10eles faziam, a gente tinha que fazer duas vezes mais, e isso
- 5:14realmente ocupava muito espaço da nossa vida pessoal, e eu
- 5:19espero realmente que elas tenham mais capacidade de equilibrar
- 5:24esse tempo de vida pessoal e carreira, porque no nosso tempo
- 5:30era bem mais complicado, né? Mas eu acho que, assim, a minha
- 5:41vida eu consegui levar, mas é isso que eu já disse, eu acabei
- 5:48me dedicando mais ao profissional.
- 5:52Então, vamos falar um pouquinho do profissional, professora.
- 5:54Como é que é falar um pouquinho da sua linha de pesquisa?
- 5:58Eu acho que a modelagem, como que isso aconteceu, quando que
- 6:04deu a... Ah, vou trabalhar com isso,
- 6:07quero trabalhar com isso. E também tem muita gente aqui,
- 6:12professora, de várias áreas. Não é só profissional na área,
- 6:16tem muitas pessoas que são curiosas, tem muito aluno de
- 6:19início de carreira que não sabe muito bem o que é modelagem.
- 6:23Então, se puder também explicar um pouquinho para o nosso
- 6:27público, fica bom. Então, nessa linha de pesquisa
- 6:32em modelagem, eu tenho trabalhado com dois enfoques em
- 6:38modelagem. O primeiro, os modelos, eles são
- 6:44desenvolvidos com base no método fatorial. que estima as
- 6:50exigências com base na exigência de mantença, de crescimento, de
- 6:56produção. E essa linha eu iniciei no meu
- 7:00doutorado na Universidade Federal de Viçosa com o
- 7:05professor Rostanho. E onde eu trabalhei na minha
- 7:10tese de doutorado com modelos para estimar a exigência de
- 7:13energia para matrizes. E depois que eu retornei a
- 7:18Jaguti Cabal, eu continuei nessa linha e desenvolvo essa linha
- 7:24até hoje. Quarenta anos de carreira, eu
- 7:29trabalho na mesma linha de pesquisa, uma das linhas de
- 7:33pesquisa. E...
- 7:37E aí o outro enfoque de modelagem que eu tenho dado nas
- 7:43nossas pesquisas é o desenvolvimento de modelos
- 7:47mecanicistas, que são os modelos de simulação, são modelos mais
- 7:53complexos, mas que... simulam a resposta das aves em diferentes
- 8:00condições, seja de nutrição, de ambiente, genética.
- 8:07Então, esse meu interesse por modelagem e por essa linha
- 8:17desses modelos, ela começou... Pela literatura, eu, além dos
- 8:25trabalhos do Jerry Emmons, da Universidade de Edimburgo, na
- 8:30Escócia, E em noventa e dois, eu fui num congresso, um World Post
- 8:38Congress na Índia, e na volta eu passei, fui até a Escócia para
- 8:46conhecer o doutor Emas. E aí quando eu, na visita, eu
- 8:52falei para ele do meu interesse por modelagem e fazer um
- 8:56pós-doutorado com ele. Mas quando eu voltei a falar com
- 9:04ele novamente para fazer o pós-doutorado, ele já estava
- 9:08aposentado, estava aposentando. Então, infelizmente, eu não
- 9:13consegui fazer o pós-doutorado com ele.
- 9:16E aí, quando eu fui fazer o pós-doutorado lá na Universidade
- 9:20do Arkansas, que a gente se encontrou lá, em Fayetteville,
- 9:25e... Mas depois de algum tempo, eu
- 9:32conheci o Rob Gauss. E o Rob Gauss, ele trabalhou com
- 9:38o Emans e desenvolveu até o modelo, o EFG, que é Emans,
- 9:46Fischer e Gauss, né? E ele, por ter trabalhado, ele
- 9:52também seguiu a mesma linha de pesquisa do EMAS, e a gente tem
- 10:01trabalhado, ele tem colaborado com o nosso laboratório aqui,
- 10:07desde então, desde que nós nos conhecemos, que foi assim por
- 10:11volta de... Não, eu diria que foi em torno
- 10:18de dois mil, por aí. E depois eu fiz um pós-doutorado
- 10:28com ele, um curto espaço de tempo, mas estive com ele na
- 10:34Universidade Cosmo no Natal, na África do Sul.
- 10:38Mas, independente disso, ele tem vindo praticamente todos os anos
- 10:45ao meu laboratório e nós temos trabalhado em conjunto e o que
- 10:50tem, que nos ajudou, nos impulsionou muito em modelagem.
- 10:57E... Então, a gente segue uma teoria
- 11:02que foi desenvolvida pelo EMAS, que eu acredito que essa teoria
- 11:10é o que mais faz sentido, que é baseada no... no potencial de
- 11:14crescimento das aves, e aí nós também, quando eu estive com o
- 11:22doutor Eman, ele me forneceu um material, e que eu pude também
- 11:30seguir, desenvolver as minhas pesquisas, baseado no que ele
- 11:37publicou, e E eu diria que essa é a minha principal linha de
- 11:44pesquisa, porque por meio da modelagem eu consegui agregar os
- 11:51resultados das minhas pesquisas em modelos que eu pude fornecer
- 12:00para os nutricionistas uma aplicação dos modelos mais
- 12:04prática para que eles possam utilizar a modelagem.
- 12:11E esses estudos de modelagem que a gente tem desenvolvido no
- 12:15nosso laboratório, obviamente não desenvolvi sozinha, eu faço
- 12:22mais o papel de coordenadora e eu tive muitos pós-doutorandos,
- 12:28pós-docs, E o primeiro que começou em modelagem foi o
- 12:35Luciano Hochschild, que nós desenvolvemos juntos o Avinesp,
- 12:43que foi a primeira versão do modelo.
- 12:46E hoje o Luciano é professor no nosso departamento.
- 12:50Ele atua mais na área de suínos, mas trabalha conosco aqui no
- 12:55nosso departamento. E depois veio a Nayara Tavares,
- 13:00que também foi nossa estudante de doutorado, e no pós-doutorado
- 13:08ela desenvolveu o modelo para a poedeiras, que nós denominamos
- 13:16depois de egg production model. E depois da Nayara veio o
- 13:23Matheus, Matheus Reis, que você conhece, e ele atuou no
- 13:28desenvolvimento tanto do modelo de crescimento, que nós chamamos
- 13:32de BGN, Broly Growth Model, e no desenvolvimento do Ag Production
- 13:38Model, que a Nayara iniciou. Atualmente a gente tem um outro
- 13:43pós-doc, que é o Rony Riveros, que ele vai desenvolver modelos
- 13:50de calcifósforo, a gente tem a colaboração com a doutora
- 13:55Marie-Pierre e juntamente com a doutora...
- 14:02A Agnes, da Universidade, desculpe, do INRA, na França,
- 14:09ele está indo para desenvolver esses modelos, que a ideia é
- 14:14agregar os modelos de calcifósforo no egg production
- 14:18model. Então, assim, a gente está
- 14:21continuamente melhorando, agregando novos conceitos e
- 14:29procurando melhorar os modelos, porque modelagem é isso, não se
- 14:34funciona. A gente está vendo os gaps e
- 14:40procurar resolver e agregar e melhorar. esses modelos, porque
- 14:46modelos de simulação visam simular o que é a realidade, a
- 14:54produção, o desempenho da asma, então você tem que cercar todos
- 15:00os fatores, os problemas e ir agregando para chegar no modelo
- 15:06que realmente represente a realidade.
- 15:10Então, assim, na verdade, vocês fazem, só para explicar talvez
- 15:14para o pessoal mais leigo, vocês fazem vários experimentos
- 15:19submetendo os animais a várias condições, frio, calor,
- 15:23densidade, e aí fica medindo qual é a melhor relação de
- 15:29ingredientes ou de nutrientes para esses animais, e a partir
- 15:34daí esses são os modelos que os nutricionistas podem usar para
- 15:39ter menos perda e, ao mesmo tempo, utilizar o máximo
- 15:44potencial genético do animal. Seria isso, professora?
- 15:47Tem alguma coisa para... Os modelos que nós
- 15:56desenvolvemos, por exemplo, o modelo de crescimento, ele segue
- 16:00a teoria do EMAS, como eu disse no início, que a gente baseou os
- 16:06estudos, a modelagem, nessa teoria.
- 16:09E essa teoria... ela preconiza que o animal tem as suas
- 16:19exigências baseado no potencial genético dele de crescer.
- 16:25E baseado nessas exigências e também no teor de nutriente das
- 16:35dietas, o modelo calcula o consumo. que esse é o
- 16:39diferencial deste modelo, é estimar o consumo.
- 16:44E para estimar o consumo, leva em consideração diferentes
- 16:48fatores, não só a dieta que afeta o consumo, mas a
- 16:52capacidade do trato gastrointestinal, os fatores
- 16:56climáticos que você mencionou, Então, à medida que a gente foi
- 17:02diagnosticando os gaps, por exemplo, a gente não tinha como
- 17:07incluir no modelo a capacidade, a máxima capacidade de consumo
- 17:13da ave. Então, nós desenvolvemos uma
- 17:16tese, até foi... A Mariana que desenvolveu a tese
- 17:20para estimar esses fatores. Então assim, a gente direciona
- 17:26os nossos estudos para resolver também os problemas do modelo,
- 17:31mas o modelo ele segue uma teoria.
- 17:35E por isso que, lógico, segue a teoria e a gente vai, vamos
- 17:41dizer assim, modelando baseado na teoria, mas o ponto de
- 17:44partida é o potencial genético de crescimento do frango.
- 17:51E aí, como a cada cinco anos, por exemplo, muda, o pessoal da
- 17:56genética diz que a cada cinco anos você tem um ajuste
- 18:00genético. Como que os modelos, vocês
- 18:04colocam um parâmetro ou alguma coisa ali para poder ajustar
- 18:09essas diferenças? Vocês trabalham com as linhagens
- 18:13também, alguma informação? Então, nós determinamos aqui nos
- 18:19nossos estudos o potencial genético de crescimento e a
- 18:25gente se baseia naqueles parâmetros da Gompertz.
- 18:30E existe um procedimento estatístico no modelo que
- 18:36permite atualizar esses parâmetros de crescimento com
- 18:42base nos pesos. atuais. Então, dessa forma que a gente
- 18:47consegue atualizar o potencial genético das linhagens nos
- 18:51modelos. E os nutricionistas, eles
- 18:56utilizam os modelos continuamente?
- 18:59Professora, como é que é a relação das suas pesquisas com o
- 19:06mercado? É, assim, infelizmente a gente
- 19:11até esperava que os nutricionistas fossem interessar
- 19:16mais. por esses modelos que nós produzimos, que são esses
- 19:22modelos de simulação. Mas nós não temos, pelo menos,
- 19:29não temos tido muita demanda, porque esses modelos estão num
- 19:37portal que nós criamos, um portal de modelagem, e o site é
- 19:44o outremodo.com. E lá a gente... hospeda, tem os
- 19:52modelos disponíveis, e aí para utilizar esses modelos, as
- 19:58pessoas precisam entrar em contato conosco para fazer o
- 20:01cadastro, o registro, e a gente assim tem tido pouca demanda,
- 20:06principalmente aqui no Brasil, mas a gente tem tido algumas
- 20:10demandas do México, do Peru, desses países daqui ao nosso
- 20:17redor. E assim, para a gente falar para
- 20:20os nutricionistas que estão nos assistindo aqui, quais são os
- 20:24benefícios, de uma forma bem clara, que a gente pode esperar
- 20:30quando aplica esses modelos na produção avícola?
- 20:34Quais serão os benefícios que o nutricionista vai ter ou que a
- 20:37produção avícola com a sustentabilidade vai ter?
- 20:42Então, os modelos de simulação, eles ajudam os nutricionistas a
- 20:50tomar decisões. Então, como que funciona?
- 20:57É possível colocar fórmulas, programas nutricionais que o
- 21:03nutricionista usa na integração e aí... colocar as linhagens que
- 21:14eles usam, escolher, na realidade o potencial genético
- 21:18das linhagens estão nos modelos, mas ele escolhe, cobre, rosa,
- 21:24sexo, E também é possível nos modelos indicar a temperatura,
- 21:32se é inverno, se é verão. E aí os modelos simulam a
- 21:40resposta. Então isso seria os inputs.
- 21:44E os outputs do modelo... o ganho de peso, todo o
- 21:50desempenho, conversão alimentar, consumo, rendimento de carcaça,
- 21:57composição corporal, e isso... Como ele já tem uma resposta
- 22:03imediata, mediante uma simulação que é rápida, questões de
- 22:09segundos, minutos, ele pode tomar a decisão.
- 22:13Olha, eu vou fazer essa mudança no programa nutricional ou na
- 22:18ração, que eu já sei a resposta. Então, ele não precisa colocar
- 22:23no campo, né? para ter uma resposta do frango
- 22:28e ele também não precisa, porque hoje a grande maioria das
- 22:33integrações, das granjas, possuem uma granja experimental
- 22:38que eles testam o que eles querem mudar.
- 22:41Então, mas isso demanda tempo, demanda trabalho, gastos, que o
- 22:49nutricionista com o modelo de simulação, ele pode fazer a
- 22:54simulação do que ele acha que, olha, eu quero mudar níveis de
- 22:59lisina. Coloca lá as dietas, os níveis
- 23:03de lisina que ele acha que pode... que ele gostaria de
- 23:07mudar e simula, vê todas as respostas que eu mencionei.
- 23:12Então, aí ele tem como tomar uma decisão, eu mudo ou não mudo.
- 23:18Ele pode também diagnosticar deficiências na dieta que ele
- 23:22está formulando, mediante a resposta no desempenho.
- 23:26E uma outra ferramenta que tem no modelo é o processo de
- 23:31otimização. Então é possível ele considerar
- 23:36o preço dos ingredientes, o preço da ração, com o preço dos
- 23:42produtos, do frango, das partes do frango e... simular para
- 23:52verificar quais os níveis de aminoácidos e de energia que vai
- 23:58resultar em máximo retorno econômico.
- 24:01Então, ele pode fazer um processo de otimização.
- 24:05O modelo também considera a questão econômica, porque hoje
- 24:11para a indústria o que mais interessa não é desempenho, mas
- 24:13é um retorno econômico. E é possível considerar no
- 24:19modelo. Então, assim, o objetivo é isso,
- 24:25é ajudá-lo a tomar decisões e de uma forma mais rápida, por meio
- 24:31de simulação. Muito a vida do nutricionista,
- 24:35né? Eu fico pensando, vocês que
- 24:36estão escutando a gente aí, vão lá nessa página, vão entrar em
- 24:41contato com a professora Nilva e seus alunos aí e fazer.
- 24:45Porque imagina quanto tempo se poupa, imagina assim quanto
- 24:50também se poupa em termos mesmo de você esperar o resultado
- 24:56sair... E ver que foi cometido um erro
- 25:00ali que te impactou em algumas coisas, né?
- 25:04E aí você já pode fazer essa simulação e já tomar bastante
- 25:09decisão. Acho que se fala tanto em
- 25:13nutrição de precisão, né? Mas a nutrição de precisão passa
- 25:17pelos seus modelos, né, professora?
- 25:19Não tem como pensar em ser preciso se não fizer essas
- 25:23simulações que já estão aí prontas, né?
- 25:26Sim, porque nesse modelo são considerados os modelos que nós
- 25:33determinamos, esses parâmetros que estimam as exigências,
- 25:37porque também é um outro output desse modelo de simulação, são
- 25:42as exigências nutricionais. Então, de acordo com as
- 25:46condições da granja, da linhagem, o modelo também indica
- 25:52quais os níveis nutricionais de aminoácidos, de... energia e
- 25:57também de cálcio e fósforo, porque foi introduzido no modelo
- 26:01de crescimento o cálcio e fósforo também.
- 26:06Também. Então, assim, é bem interessante
- 26:09que eles... Eu vi uma vez que eu fui
- 26:12visitá-la, eu vi com o Matheus, ele mostrando que você modifica
- 26:19uma inclusão de aminoácidos e você tem um outro tamanho de
- 26:23peito, quer dizer assim... se você quer vender peito, se você
- 26:27quer vender asa, qual que é o teu produto final, você
- 26:31realmente consegue até ajustando já no modelo, você já consegue
- 26:38prever aquele produto que te dá mais valor, que você realmente é
- 26:43o que demanda mais na sua empresa.
- 26:45Então, eu vejo que utilidade boa para o nutricionista e o quanto
- 26:51ele tem a ganhar quando emprega os seus modelos.
- 26:55É exatamente essa a aplicação. E agora, falando dos modelos,
- 27:03mas falando também de requerimento nutricional,
- 27:06professora, a gente sabe que todo nutricionista tem as suas
- 27:12bases para tomar as decisões, mas tudo começa lá com as
- 27:17tabelas que já existem há muitos anos, as tabelas do INRC, as
- 27:22tabelas brasileiras que eu tenho...
- 27:24Aí me sinto tão feliz de ser brasileira, porque aonde eu vou
- 27:27eu falo tabelas brasileiras, elas são reconhecidas.
- 27:31E aí eu lembro também de uma conversa que eu tive com o
- 27:34professor Kirk Clayson, que ele falou assim, nossa, nós estamos
- 27:38muito felizes com a participação da professora Nilva nos ajudando
- 27:42nessa parte do NRC, porque ela é a pessoa que mais tem
- 27:47informações no mundo sobre modelagens.
- 27:50Então, assim, eu disse, nossa, olha os brasileiros fazendo
- 27:53bastante sucesso aí fora. Então, eu gostaria que a senhora
- 27:56pudesse conversar com a gente aqui e falar como é que foi a
- 27:59sua participação nessas tabelas, né?
- 28:04E a importância delas também para o nutricionista e para a
- 28:08produção avícola de maneira geral.
- 28:12Como você mencionou, eu acho que as tabelas brasileiras e o NRC
- 28:19são referências. As tabelas brasileiras, o
- 28:24professor Rostanho e a equipe conseguiu publicar recentemente.
- 28:29O NRC, eu estive agora lá no Poultry Science e teve uma
- 28:36conferência, aquela Informal Nutrition Conference, para falar
- 28:41sobre o NRC e foi dito que em breve futuro, brevemente, eles
- 28:50estão publicando o NRC. Então, a...
- 28:56Os modelos fatoriais que a gente pesquisou e que a gente
- 29:03conseguiu publicar, eles têm essa função de considerar as
- 29:10diferenças entre idade, as diferenças de sexo, de linhagem,
- 29:18Porque nós usamos para calcular as exigências tanto de
- 29:22aminoácidos como de proteína, nós usamos peso, ganho de peso,
- 29:28deposição de proteína, deposição de gordura corporal ou produção
- 29:34de massa de ovos, no caso de coedeiros.
- 29:38Então, isso torna possível você determinar de uma forma dinâmica
- 29:45as exigências conforme muda a idade da ave, muda o peso, muda
- 29:50o ganho de peso, você estima melhor, estima as exigências
- 29:55diárias e aí com base nessas exigências você estabelece um
- 29:59programa nutricional, né? Pela exigência média da fase,
- 30:04você estabelece o nível nutricional para cada fase.
- 30:10Então, dessa forma que nós ajudamos com os nossos modelos
- 30:16na elaboração das tabelas brasileiras e também no NRC,
- 30:21aplicando os modelos que nós desenvolvemos, tanto para
- 30:25energia quanto para aminoácidos. Nas tabelas brasileiras, nós
- 30:34participamos com o capítulo de poedeiras e matrizes, e nós
- 30:42tivemos também a colaboração do Matheus, que era o nosso
- 30:46pós-doc, e da doutora Marie-Pierre, porque como a
- 30:51gente não tinha ainda os modelos de cálcio e fósforo, e ela... é
- 30:55muito expressiva nessa área, então ela nos ajudou a elaborar
- 31:00os modelos de calcifósforo para a gente usar na tabela e estimar
- 31:06também dessa forma com modelos do calcifósforo.
- 31:13E o NRC da mesma forma, né? Que a gente atua para as tabelas
- 31:17brasileiras, nós atuamos no NRC. E é lógico, né?
- 31:24Acho que assim, tanto o mundo... Hoje, né?
- 31:30Eu sei que cada integração, cada nutricionista tem as suas
- 31:35próprias exigências estabelecidas, os seus programas
- 31:40nutricionais, mas o ponto de partida são as tabelas, os
- 31:45manuais. Então, atualizar essas tabelas
- 31:52eu considero extremamente importante.
- 31:57Super útil. E assim, hoje se fala muito,
- 32:00professora, em inteligência artificial, não tem?
- 32:03Todo mundo fala sobre a inteligência artificial, o
- 32:05quanto ela vai trazer benefícios, alguns morrem de
- 32:08medo que ela vai tirar emprego. Um pouco da sua visão dessa
- 32:14inteligência artificial para o mercado de trabalho e como isso
- 32:19trabalharia também com os seus modelos, como é que pode ser
- 32:24visto isso? Eu nunca trabalhei com
- 32:29inteligência artificial, mas eu acredito que é uma ferramenta
- 32:35que tem um potencial enorme, ela já está sendo implantada em
- 32:39várias áreas, mas que com certeza vai ser também
- 32:43implementada na produção de aves. e eu vejo que tem que ela
- 32:50está alinhada para isso vai precisar alinhar a modelagem
- 32:57porque a modelagem ela representa os fenômenos
- 33:01biológicos então E eu acho que nas duas áreas são necessárias
- 33:08mais pesquisas, mais formação de recursos humanos nessas áreas,
- 33:14porque é o futuro. Com certeza as duas áreas vão
- 33:20resultar numa implementação de modelos, de... com a
- 33:29inteligência artificial de programas que visam atender a
- 33:38empresa num tempo real, estimar as exigências no tempo real,
- 33:44considerando todos os fatores. E eu acredito muito que isso...
- 33:53vai ser o futuro realmente e é importante nós como
- 34:01pesquisadores investir nessa área investir na formação de
- 34:07recursos humanos e assim a gente já chegando no nosso finalmente
- 34:12aqui professora desse bate-papo a pergunta que vem assim é como
- 34:20que Como que você vê o futuro da nutrição animal, juntando tudo
- 34:31que pode vir aí, inteligência artificial, as modelagens, os
- 34:36novos ingredientes, hoje a gente não teve tempo, mas tem aí o
- 34:41pessoal que fala de inseto e fala de ingredientes que não
- 34:46sejam tão usados por humanos, né?
- 34:50Ou seja, usar outro tipo de grãos que não sejam os que a
- 34:54gente usa hoje. Como é que a senhora vê esse
- 34:58futuro da nutrição aí? Então, em termos de nutrição de
- 35:08aves, né? Eu vejo que, por um futuro, o
- 35:15que aconteceu com os suínos? A energia líquida, o sistema de
- 35:24energia líquida, os nutricionistas que trabalham com
- 35:29suínos, é uma realidade. Todos eles utilizam.
- 35:35E... eu acredito também que isso vai ser aplicado, a energia
- 35:42líquida também vai ser aplicada para aves.
- 35:46E a gente tem, nós temos no nosso laboratório, conduzindo
- 35:52agora um projeto temático para estudar o sistema de energia
- 35:58líquida para aves. E a gente, nós estamos estudando
- 36:04tanto como a ave utiliza energia, para determinar modelos
- 36:11para estimar a exigência de energia líquida, como a
- 36:16determinação da energia líquida dos alimentos, que nós
- 36:19determinamos equações para estimar energia líquida.
- 36:26E fazendo simulações, utilizando o sistema de energia líquida,
- 36:36nós verificamos que quando você inclui a energia líquida na
- 36:44formulação, há uma inclusão maior de ingredientes
- 36:49alternativos. Então a gente vê claramente a
- 36:54substituição do milho e do farelo de soja por sorbo,
- 36:58milheto, ingredientes alternativos ao farelo de soja.
- 37:04E isso, nessas simulações, é claramente, lógico que depende
- 37:10do custo desses ingredientes, há uma redução no custo da ração.
- 37:16E também a gente vê isso como a energia líquida como uma
- 37:22promissora na produção, na formulação de dietas para aves,
- 37:30quando você considera energia líquida na formulação, há uma
- 37:36redução do teor de proteína da dieta, porque alimentos,
- 37:42ingredientes proteicos, eles tendem a ser reduzidos em função
- 37:47do alto incremento calórico, que penaliza a energia líquida.
- 37:54Então, há uma redução no teor de proteína da dieta, obviamente
- 38:00para atender os aminoácidos, aumenta a suplementação dos
- 38:04aminoácidos sintéticos e claramente a gente viu pelas
- 38:09nossas pesquisas uma redução no teor na excreção de nitrogênio,
- 38:15em função da redução da proteína.
- 38:19Vai colaborar, nós não temos tanto problema com a
- 38:28contaminação por nitrogênio. aqui no Brasil, mas existe na
- 38:35Europa, nós temos... Já uma preocupação crescente
- 38:41disso, então é bem legal essas coisas.
- 38:45Então, assim, a gente vê quanta coisa boa aí para acontecer e,
- 38:50assim... para os nutricionistas que querem ser, que não são
- 38:55ainda, os nutricionistas que estão com aquele sonho, ou
- 38:59aquela pessoa, aquele aluno, aquele estudante que está aí nos
- 39:04ouvindo e que não sabe muito bem para que área seguir,
- 39:07professora, qual seria a mensagem para esses jovens que
- 39:12já querem ser nutricionistas ou que não sabem o que querem e de
- 39:16repente pode ser uma área interessante, qual é a mensagem
- 39:20que você gostaria de deixar para eles?
- 39:24Bom, assim, do meu ponto de vista, do que a gente já
- 39:28estudou, eu acho que... como tem essa tendência no futuro do uso
- 39:39da modelagem junto com a inteligência artificial, que
- 39:43esses futuros profissionais, os estudantes hoje, eles busquem
- 39:50especializar, conhecer, né? Porque eu acredito que muitos
- 39:57não utilizam modelagem porque eles não conhecem, né?
- 40:02porque não é importante só saber utilizar os modelos, mas
- 40:09conhecer a teoria que os modelos foram desenvolvidos, porque aí
- 40:14você vai passar a acreditar. Nossa, o modelo é importante
- 40:20porque ele estima o consumo, que é o ponto de partida, é o cerne,
- 40:26você conhecer o consumo para você estabelecer os nutrientes
- 40:30da sua dieta, os níveis nutricionais.
- 40:34Então, eu aconselharia conhecer mais modelagem, óbvio, entender
- 40:45mais, conhecer mais sobre inteligência artificial, porque
- 40:50nós estamos caminhando para isso, né?
- 40:55E aí a gente vai precisar de profissionais, né?
- 41:00que sejam competentes nessa área, nessas áreas, para poder
- 41:04implementar tudo isso que é o futuro.
- 41:07E a gente vê que hoje nós temos uma deficiência, hoje,
- 41:11atualmente, de profissionais com esses conhecimentos.
- 41:17Então, eu aconselharia ter um interesse, buscar conhecer
- 41:24melhor e aprender. É, modelagem. é uma área muito
- 41:33legal você que está em casa e a professora falando de modelagem
- 41:37né que é pegar toda a informação, todo o conhecimento
- 41:43da professora Aníbal, de vários pesquisadores, coloca dentro de
- 41:47um modelo, traz uma informação que prediz muita coisa, então
- 41:54diminui a possibilidade de errar, diminui a possibilidade
- 41:58de você não explorar ao máximo o potencial genético desses
- 42:03animais. Agora, a professora falando
- 42:06assim, reduzindo o nitrogênio, reduzindo o impacto ambiental,
- 42:10então veja quanta aplicabilidade tem os modelos e o quanto ele
- 42:15pode trazer de benefício, para isso que a gente fala de
- 42:18sustentabilidade como uma coisa... muito bonita, mas que
- 42:22não se aplica. E, de repente, com o modelo,
- 42:25você consegue ser muito mais sustentável em todos os níveis.
- 42:30Uma, porque você vai diminuir o custo para você ter um melhor
- 42:34rendimento desse animal. diminui o impacto ambiental nessa
- 42:40questão de nitrogênio e melhora também muito a questão de
- 42:45bem-estar animal, professora, porque se os animais estão
- 42:48recebendo a nutrição adequada, nem mais nem menos, Há uma
- 42:53tendência deles terem um desenvolvimento mais modulado, a
- 42:59ponto de você reduzir também bastante o impacto sobre
- 43:03problemas metabólicos que tem hoje e que afetam o bem-estar.
- 43:09A nutrição é super importante e se caminhar para uma nutrição de
- 43:15precisão, eu acho que... teria que, assim, uma das formas é
- 43:22utilizar a modelagem, utilizar os modelos, e o resultado vai
- 43:28ser uma produção realmente mais sustentável, como você já
- 43:32mencionou. Professora, muito obrigada pelo
- 43:37seu tempo, muito obrigada por ter deixado aí um monte de
- 43:42mensagem, nos ajudado a entender um pouquinho mais o que é a
- 43:46modelagem, obrigada, e ao mesmo tempo lhe parabenizar por essa
- 43:51carreira linda e por tudo que tem trazido aí de... de
- 43:55benefício para a produção animal, não só do Brasil, mas do
- 43:59mundo, porque participou e participa ativamente de todas
- 44:05essas tabelas e essas modelagens que fazem a diferença.
- 44:11E agradeço muito mesmo o seu tempo.
- 44:15Eu que agradeço, Beth, essa oportunidade que você me deu de
- 44:21poder falar sobre modelagem. Eu que agradeço.
- 44:25Muito obrigada, viu? Muito obrigada a todos vocês que
- 44:29estão em casa também. Muito obrigada por estarem nos
- 44:32escutando. Eu espero que, a partir de hoje,
- 44:35vocês entrem mais lá na página da professora.
- 44:37Qual que é a página, professora, da web que eles podem ir lá?
- 44:42Outremodel.com poultrimodel.com. Então, procurem lá na página,
- 44:48entrem em contato com a professora e utilizem mais
- 44:51modelagem para a gente ser mais sustentável.
- 44:53Até a próxima!