Latest / Surra de Lúpulo / Bebidas fermentadas brasileiras de Povos Ancestrais. Com Luiz Pagano (Cauim tiakau) e Diego Rzatki (Cervejaria Cozalinda). Mediadora Aline Tiene.| Encontro Selvagem T2 Ep.009
Transcript
- 0:08Encontros selvagem, experimentando a brasilidade
- 0:12através dos líquidos. Sejam bem-vindas e bem-vindos.
- 0:37Então agora nós vamos falar sobre cauim e com Luiz pagano, a
- 0:41Aline e o Diego também, então com vocês.
- 0:45Bom, bom dia a todos. Eu sou Aline, sou sommelier de
- 0:50cervejas e sou antropóloga. Bom, iniciar este segundo dia
- 0:54com esse tema foi para mim assim, muito emocionante.
- 0:59Até. Eu diria, porque quando a gente
- 1:02vai estudar cerveja? Quando a gente ouve falar sobre
- 1:05a história da cerveja, da cerveja.
- 1:07A primeira aula do sommelier, a gente vai ouvir o quê?
- 1:09Histórias sobre culturas antigas, né?
- 1:13Mas não falamos sobre a nossa história, né?
- 1:17E acho que essa oportunidade. De de trazer para a mesa, de
- 1:20trazer a discussão as bebidas e os saberes dos povos indígenas
- 1:25numa equidade com a mesma profundidade que estão falando
- 1:28das nossas bebidas hoje, né? Eu acho que essa importância é
- 1:32muito grande, porque quando a gente vai falar das bebidas
- 1:34indígenas, a gente está muitas vezes vai falar de de coisas que
- 1:38a gente talvez nunca, nunca provou mal, conhece os termos e
- 1:43muitas vezes a gente vai falar de álcool e povos indígenas como
- 1:48ligado. Ao alcoolismo ligado a temas ou
- 1:51que eles não faziam bebidas alcoólicas antes da chegada dos
- 1:54portugueses. Então, poder trazer é um pouco
- 1:58desse tema, porque é um tema enorme, é um tema que a gente
- 2:02ainda tem pouquíssima pesquisa, então que é uma conversa que a
- 2:07gente estava muito, né? Falando sobre isso.
- 2:10O que a gente tem hoje de relatos, são os relatos que a
- 2:12gente, os portugueses trouxeram, né?
- 2:15Muito mal, mas eles eram bons, pelo menos contadores, né, bons
- 2:20escritores de cartas. E aí a gente consegue ali, dos
- 2:23relatos, dos viajantes, dos Jesuítas.
- 2:25Consegui encontrar algumas coisas e nos relatos
- 2:28arqueológicos, claro, a gente consegue resgatar um pouco do
- 2:31que estava antes desse período da chegada, né?
- 2:35Luz do portuguesa um pouquinho antes de entrar No No tema
- 2:38mesmo. Acho que é legal hoje Oo dia a
- 2:41gente vai tentar discutir sobre identidade, né?
- 2:44É, acho que ontem a gente passou muito, falamos sobre a parte é
- 2:49genética, falamos sobre a parte das leveduras, falamos sobre
- 2:52madeiras brasileiras. Na quarta-feira, experimentamos
- 2:55as manipueiras e tudo para tentar hoje chegar um pouco mais
- 3:00da conversa sobre onde essa revista brasileira quer chegar,
- 3:03né? Sobre o que a cerveja brasileira
- 3:05que é tão nossa, o que são os sabores nossos, né?
- 3:07O quais são esse nexo de relações?
- 3:10Porque se a gente falar de identidade, a identidade não é
- 3:14uma coisa fixa, né? Não é uma coisa imutável.
- 3:18Então não estamos aqui falando dessas bebidas tradicionais
- 3:21indígenas para falar de uma bebida que a gente vai fazer uma
- 3:24cópia daquilo. Não é isso, porque nem eles.
- 3:27Fazem para sempre a mesma coisa, né?
- 3:30Bom, só 11 parênteses, nós estamos ainda uma semana
- 3:33discutindo um Marco temporal, por exemplo, né?
- 3:36E aí a grande discussão, qual que é acharem que os indígenas
- 3:39têm que estar desde sempre num no mesmo território, com as
- 3:43mesmas? Então, a cultura é algo lutável,
- 3:46a identidade é mutável, né? Eu acho que uma grande
- 3:50contribuição do antropólogo, que é a minha grande inspiração, que
- 3:53é o Lévi-Strauss, é essa, né? A cultura, a única certeza que a
- 3:56gente tem é que ela muda o tempo todo.
- 3:58A cultura não são pontos marcados, mas ela é uma
- 4:02estrutura de pensamento e essa estrutura ela está sempre se
- 4:05recriando, ela está sempre encontrando outros nexus.
- 4:08A gente tem também 11 antropólogo que traz uma ideia,
- 4:11o timing, de que ele fala sobre ter de relações que toda vez que
- 4:15a gente tem um outras culturas. Culturas entrando em contato, a
- 4:18gente vai sempre trazendo algo a mais, né?
- 4:21A é a ideia da troca, a ideia de que a gente vai sempre mudando,
- 4:26né? E eu acho que essa essa
- 4:28inconstância, né, esse status revogável sempre das culturas
- 4:33que elas vão, elas são vivas, né?
- 4:35Assim como as levedoras, elas também, que eu trago para elas
- 4:39um caráter de selvagem, não como algo atrasado, não
- 4:44devolucionista, mas no lado você estava de ser livre, né?
- 4:47E isso é muito bonito, olhar para a identidade, nesse caráter
- 4:52sempre de mudança, e aí a partir disso, a gente poder render
- 4:57homenagens a esses povos, né, a esses conhecimentos.
- 5:02Para poder trazer essa inspiração, né?
- 5:04Tentar de alguma forma começar a construir relações mais
- 5:07equitativas com esses saberes. Não colocar só o que a gente
- 5:11traz como ciência, mas também trazer esse caráter mítico,
- 5:15mágico e todas essas cosmogonias, todas essas
- 5:20histórias de deuses e mitos. A minha ciência também.
- 5:24A filosofia também é saber do jeito que a gente conta nossas
- 5:27histórias, eles contam as deles e também são nossas de alguma
- 5:31forma. Porque nós somos estamos falando
- 5:33de brasis, estamos falando, a gente começa aqui tentar falando
- 5:37um pouquinho de povos indígenas. É quase impossível esgotar o
- 5:40tema, estamos falando de 21 grandes troncos linguísticos,
- 5:45então só aí sempre fala do Tupi, fala do Guarani.
- 5:48Algumas pessoas já ouviram falar dos povos g, mas aí a gente
- 5:53começa a nomear, né? Usar o eté começa a subir o alto
- 5:57rio Negro, ali são troncos linguísticos infinddáveis, mas
- 6:00talvez tem os menores. Luís depois vai contar para
- 6:03vocês, mas ele é doido do Tupi antigo e aí só.
- 6:06Você escolheu um caminho, você já tem mais outros tantos que a
- 6:10gente não consegue alcançar. E a gente sabe também que os
- 6:13portugueses fizeram uns trabalho de disseminação muito grande,
- 6:17né? Eles não só dizimaram muito os
- 6:20povos têm povos que a gente não tem mais, foram aniquilados
- 6:23totalmente e também trouxeram uma forma de agir e consumir, de
- 6:29comer, de beber. E a gente tem essa tradição que
- 6:33a gente seguiu muito mais do que esse papo tradicionais, né?
- 6:35E a gente poder resgatar, poder trazer essa conversa de volta,
- 6:39né, poder entender essa natureza.
- 6:42Tão nossa que a gente vai andar pelo Brasil.
- 6:45Hoje a gente tem povos fazendo ainda cais sul, mas tem calim
- 6:48outra. Nós ouvimos falar da Ticha e
- 6:50aqui a gente vai falar um pouco de tudo, porque quando a gente
- 6:52está falando desse Brasil. Antes de os portugueses chegarem
- 6:57aqui, Amazônia principalmente, a gente está ali falando de de
- 7:00povos que não estavam sempre nos mesmos lugares, que andavam
- 7:03muito, mas eles chamam de cauinha, que depois o Luiz vai
- 7:06falar também um pouco mais, mas cauim.
- 7:08São diversas bebidas. Nesse momento, os viajantes
- 7:10estão falando de cerveja indígena, de vinho indígena.
- 7:13Eles não sabem muito se é vinho de mandioca, se é cerveja de
- 7:16mandioca. A gente está falando de frutas e
- 7:19eu acho que é muito bonito. Tem um conceito do pessoal do
- 7:22comer história, que é um perfil que eu recomendo todo mundo
- 7:25seguir. E eles falam assim, né?
- 7:27Que na Terra que a gente fala que o Brasil é uma Terra de
- 7:30beleza, onde tudo dá, então tudo se fermenta, tudo que dá se
- 7:33fermenta. E aí vai ser essa beleza dessas
- 7:37bebidas tradicionais. A gente vai ter Palma, a gente
- 7:40vai ter cacto, a gente vai ter seiva, a gente vai ter frutas, a
- 7:44gente vai ter a mandioca, batata doce roxa, o milho.
- 7:48E aí essas bebidas, elas acabam que, como cada um desses povos
- 7:52têm nomes diferentes, também para elas técnicas diferentes,
- 7:55né? Assim como a gente tem sempre
- 7:58aquela receita de família, essas bebidas também é isso, né?
- 8:02Não são só não, não entraram no sistema que a gente pensa de
- 8:06indústria de bebida. Acho que a gente tem que por uma
- 8:08nomeação e nomear que isso é tal bebida, isso é aquela bebida não
- 8:13é muito mais fluida, muito mais da rotina deles.
- 8:16E além disso, entra num sistema de pensamento, numa forma de
- 8:20estar no mundo, né? Então, assim, a forma que a
- 8:24gente come, a forma que a gente consome, a forma que a gente
- 8:27bebe, são modos da gente atuar no mundo.
- 8:30Da gente pensar o mundo. Então, nesse sentido, a gente
- 8:32que acaba tentando entender todas as relações que estão ali,
- 8:36quando a gente fala de cal Win, que aí é uma bebida, então que
- 8:39tem 11 lugar, que são as calinagens, né?
- 8:43Que é um lugar onde existem uma ritualística por trás, a gente
- 8:47tem que ter todo 11. Respeito ao falar disso.
- 8:50A gente não pode achar que a gente está ali entrando nesses
- 8:53lugares, mas também é um lugar de memória, é um lugar onde eles
- 8:56resgatam toda a cultura deles, são lugares.
- 9:00Aí que essas, esses trânsito também, né?
- 9:02Conta um pouco das histórias deles e é um pouco de como a
- 9:05gente faz com a cerveja, né? Quando a gente vai contar uma
- 9:08cerveja, quando a cerveja está lá pensando.
- 9:10Tem também tantas histórias para ser contadas.
- 9:13E aí é muito interessante, porque a gente ouve muito falar,
- 9:16Ah, os comédias nos j egípcios, como o pão que estava lá bom,
- 9:21colheu o grão, e aí o grão põe no sol e talvez ali tenha
- 9:25surgido a cerveja com as frutas e talvez as bebidas alcoólicas
- 9:29aqui tenham tanto disso. O mingau, a fruta colhida
- 9:34madura, porque a única certeza que a gente tem é que as coisas
- 9:38fermentam, EE que o álcool é algo natural, então?
- 9:41Essa história de ficar reproduzindo por aí que eles não
- 9:44tinham bebida alcoólica antes dos indígenas, antes dos
- 9:46portugueses. Portugueses trouxeram gripe,
- 9:49trouxeram barata, trouxeram várias coisas nas naus, mas com
- 9:54certeza a bebida alcoólica não foi eles que apresentaram nos
- 9:58povos indígenas, né? Até trouxeram vinho, mas os
- 10:01relatos, quando que eles provavam e não gostavam nada
- 10:04daquele fermentado, talvez até mais doce do que eles conheciam
- 10:08vários relatos que começa a ler. Jane de lérie, apesar de
- 10:12Anchieta, que são vários pesquisadores da época, né?
- 10:16Jesuítas que e viajantes, eles falam muito que eles, até depois
- 10:21de um tempo iam testando, eles estavam um pouco mais ácido,
- 10:23aquela bebida azeda, a bebida do abacaxi, eles gostavam muito
- 10:27também porque trazia mais acidez, então o paladar da
- 10:31acidez e do azedume já estava ali, ó.
- 10:33Então acho que isso é muito legal, né?
- 10:35A gente poder trazer essas bebidas, poder falar sobre elas
- 10:38hoje e poder trazer um pouco o meu convite é esse, né?
- 10:41A gente não pensar a identidade, não pensar a cultura como algo
- 10:46travado. E aproveitar essa oportunidade e
- 10:48pensar, uma inspiração, né? Para ser uma teia de relações
- 10:51que a gente pode construir de saberes, né?
- 10:53Pensar do saber como, como esses encontros que podem sempre nos
- 10:57inspirar mais e trazer mais, né? Então acho que agora eu vou
- 11:00passar para o Luís falar um pouquinho do Cauê, da gente, e a
- 11:02gente vai trocando mais. Olá gente, é um prazer enorme
- 11:06estar aqui, obrigado pelo convite, obrigado Aline e
- 11:09formalizou o convite para a gente falar um pouquinho mais
- 11:11sobre cauim e sobre as experiências que eu venho
- 11:14fazendo, né? E não só eu, na verdade tem um
- 11:16grupo enorme de pessoas trabalhando com bebidas
- 11:18ancestrais, tem o Fernando que eu tô vendo ali, grande amigo, é
- 11:22entusiasta também das bebidas ancestrais, da companhia de
- 11:24experimentados e é é um Mundo Novo que a gente descobre, na
- 11:28verdade é um Brasil Novo que a gente descobre, né?
- 11:30A minha história com o cauim acho que começou em um ponto que
- 11:33eu não sei determinar, né, tá tá conversando com a Bia agora, não
- 11:36não conseguia achar muito bem de onde veio.
- 11:38Mas eu percebo que, de uma forma geral, essa história vem da
- 11:42busca da identidade mesmo, né? O brasileiro tem uma busca da
- 11:45identidade, eu trabalho com bebidas há muito tempo, do ponto
- 11:48de vista profissional, eu trabalho com bebidas, mas eu sou
- 11:50artista plástico, né? É alguns momentos da minha vida
- 11:53eu trabalhei com artes plásticas, com ilustração, e
- 11:56esse casamento entre artes plásticas e mercado de bebidas
- 12:00naturalmente me colocou na no mundo do cauín, né?
- 12:03Tenho até aproveitando um pouco do que a Aline falou, tem o
- 12:06Patrick magover, muitos de vocês que gostam de cerveja conhecem
- 12:10bem ele, ele tem a teoria das bebidas que vieram antes dos
- 12:13homens, né? Então quando você vê, por
- 12:15exemplo, macacos e elefantes consumindo ali.
- 12:18A frutinha da marola para fins de diversão, né?
- 12:21Não é não é exatamente alimentação.
- 12:22Você entende que provavelmente, sei lá, tristeira topis,
- 12:25provavelmente ficavam bêbados no passado, então.
- 12:28É, o homem simplesmente aproveitou e adquiriu, né, esse
- 12:31conhecimento para uso próprio e também a bebida, de uma certa
- 12:35forma ela funciona como um aglutinador, né?
- 12:39Quando você tem, por exemplo, uma padaria que produz ali a
- 12:42também a sua própria cerveja, no antigo Egito ou na soméria é o
- 12:45qualquer outro lugar você tem o homem deixa de ser nômade e
- 12:49passa a residir em algum ponto, né?
- 12:52Então a cerveja, os pubs, né, quem vai num pub se diverte.
- 12:55Hoje provavelmente teve essa mesma situação lá atrás, na
- 12:58saída da préhistória. E o que?
- 12:59O cauinha é super antigo aqui do Brasil.
- 13:01Hã, como ela bem colocou, e Brasil, né?
- 13:04É assim, perfeito em tudo. A cultura muda.
- 13:08O Brasil nada mais é do que uma Fronteira que foi desenhada
- 13:11recentemente, que engloba. A última vez que eu percebi,
- 13:14acho que eram 305 etnias que falam mais de 270 idiomas,
- 13:19dividido em 21 grupos étnicos. Então o Brasil tem diversas
- 13:23nações, né? Se engana aquele que diz que a
- 13:26língua do Brasil é o português, né?
- 13:27Quando você tem em São Gabriel da Cachoeira a 4 idiomas sendo
- 13:30falado, então você cada vez mais.
- 13:33Tá conhecendo um Panorama nativo brasileiro que não conhecia
- 13:37antes, e eu fui confrontado com isso lá atrás, quando eu, por
- 13:40exemplo, eu atendia restaurantes como o dom, o hotel Emiliano,
- 13:43que tinham cozinhas brasileiras e assim os chefs faziam pratos
- 13:47maravilhosos, mas não tinha nada brasileiro.
- 13:48Parceria com aqueles pratos era humanizar.
- 13:50Com o quê? Como é que você pode harmonizar
- 13:52um prato indígena? E acho que a primeira resposta
- 13:55que teve a essa pergunta foi em 2019, quando eu, Ildo Sena e a
- 14:00chefe kali maracaya e o chefe Fábio Eustáquio nos fizemos um
- 14:03evento no hotel turiba, no qual. Chefs fizeram pratos
- 14:07brasileiros, indígenas e nós então levamos o Cauê e tia Cau
- 14:11pra que fosse o primeiro jantar harmonizado.
- 14:14Olha que coisa. Quando foi o último jantar
- 14:16harmonizado que teve com cauim e pratos indígenas antes desse foi
- 14:21em julho de 2019. Sei lá, 1550, com Tibiriçá e
- 14:24João Ramalho, não é? Teve 11, representante da
- 14:27cultura europeia, com o representante da cultura
- 14:30brasileira fazendo uma cauinagem, se elevando algum
- 14:31momento. Então teve 11 lacuna aí de 400
- 14:35anos, sei lá quanto, quase 400 anos, vais até sem as pessoas
- 14:39tomarem Cauã. E aí eu me pergunto, porque isso
- 14:42não é cara? Porque é que precisou vir o Luís
- 14:45pagando, o Hildo Senna, o Fernando lá atrás, para querer
- 14:48entender por que que as pessoas não bebem bebidas brasileiras?
- 14:51Por que que as bebidas brasileiras ficaram?
- 14:54Retidas a seus cunhos ritualísticos, né?
- 14:56Aí alguém levanta a mão e fala, não.
- 14:58Mas isso é por questão de respeito, porque essas bebidas
- 15:00são indígenas, elas têm um cunho religioso na nas aldeias não é a
- 15:03mela bebida, né? Tem todo um conceito, tem todo
- 15:06um contexto cultural por trás dela e é fato.
- 15:10Vai fato a calcinagem, o Calvin é um mero elemento dentro de uma
- 15:14calinagem dentro das aldeias, e isso deve ser respeitado sempre,
- 15:18né? Não?
- 15:18Ninguém está desrespeitando isso, muito pelo contrário.
- 15:20A ideia é fazer uma culturação inversa, porque durante muito
- 15:25tempo os próprios Jesuítas que tiveram aqui, eles fizeram a
- 15:29catequese dos indígenas, né? Eles, de uma certa forma
- 15:32impuseram conceitos europeus, uma comunidade que bem engoliu
- 15:37aquele conceito, porque, afinal de contas, foi colocado à força
- 15:40e. Estou fazendo agora é uma
- 15:43culturação às avessas. Eu estou trazendo a cultura dos
- 15:46indígenas, que graças aos cientistas Jesuítas, né?
- 15:49Os padres Jesuítas, eles tinham diversos pecados, mas tinham
- 15:53diversos acertos também, e um deles é que bom, enfim, eram o
- 15:57próprio fundador da escola dos Jesuítas, era um cara que
- 16:00estudou na San Barbie e ele colocou um contexto científico.
- 16:03Então padre José de Anchieta, pero Correia, eles escreveram,
- 16:07eles trouxeram um pouco da linguagem para os dias de hoje,
- 16:10então a gente consegue falar Tupi hoje.
- 16:12Mas não só pela gramática, né? A gente consegue falar Tupi hoje
- 16:15pela toponímia também. Então quando você vai no Vale do
- 16:19Anhangabaú, né, atravessa o Rio tamanduateí e chega na antiga
- 16:24aldeia do inhapambuçu e hoje é o triângulo histórico ali de São
- 16:28Paulo, a topanina já tá te contando uma história, porque
- 16:31quando você tá no Rio tamanduateí, você entende
- 16:35através do conhecimento do idioma Tupi, que é aquela
- 16:37região. Devia ter muitos tamanduás e de
- 16:39fato tinha, porque os rios de planícies, geralmente quando tem
- 16:43muita chuva, né? E São Paulo é conhecido por ter
- 16:45enchentes e era conhecido por ter enchente, enchentes lá atrás
- 16:47também o Rio tamanduateí enchia e na Vazante, os peixes ficavam
- 16:51nas bordas mortos, né? Atraiam formigas e as formigas
- 16:55atraiam tamanduás. Então, o Tupi te contou uma
- 16:58história. Quando você vai hoje no
- 16:59tamanduá, aí você não vai ver ele da mesma forma, né?
- 17:01Hoje é um Rio feio que fica ali perto, né?
- 17:04O trecho que a gente conhece fica perto do Mercadão.
- 17:07Poluído, chato e tal. Mas aquele Rio tinha formigas e
- 17:10tamanduás no passado, né? O próprio termo Piratininga,
- 17:13peixe seco, né? São Paulo de Piratininga indica
- 17:16essa presença dos peixes. O anhanga, por exemplo, a gente
- 17:19ouve do anhanga, pelo menos na escola eu aprendi que o anhanga
- 17:22era uma entidade terrível, era o demônio.
- 17:24Na verdade, ele não é o demônio, ele é um grande veado branco que
- 17:28ficava ali no Vale do Anhangabaú, e os indígenas então
- 17:31prestavam homenagens a ele, porque ele era um protetor das
- 17:34caças, ele não deixava que os caçadores, por exemplo, caem.
- 17:37Sem fêmeas prenhas. Então os indígenas tinham
- 17:40conhecimento que eu não vou nem dizer que é um conhecimento
- 17:43sustentável nos formatos do dia de hoje, mas era sustentável
- 17:47porque se você caça 11, fêmea, prensa, não vai ter caça amanhã,
- 17:50né? Na inteligência.
- 17:51E tudo isso vem através da toponímia pra gente, vem através
- 17:54dos nomes Tupis e os nomes Tupi sobreviveram.
- 17:56Foi uma forma meio que rougue, eu acho, dos antigos indígenas
- 18:00passarem, deixarem vivos até hoje.
- 18:02Aliás, se eu tivesse fazendo uma apresentação dessas hoje, até
- 18:061750, eu provavelmente estaria falando pra vocês em Tupi, não
- 18:09em português, porque o idioma geral Paulista, o idioma geral
- 18:11da Amazônia era o idioma falado, existiu.
- 18:16Entre 1200 e 1500, depois de Cristo, a grande expansão Tupi.
- 18:21E aí isso responde a uma das perguntas, Luís, por que que
- 18:24você usa o nome cauim? Por que quando você faz a
- 18:27bebida, você descreve o processo de produção entupir antigo por
- 18:32mero respeito. Na verdade, eu tenho 2 pontos de
- 18:34respeito que devem ser falados aqui.
- 18:35O primeiro é esse, eu sugiro e incentivo que todos vocês façam
- 18:39seus cauins a partir de hoje. Dá para ser feito em casa.
- 18:42Eu coloquei lá um vídeo no YouTube onde ensino a fazer um
- 18:45doburoco, né, que é uma forma de você fazer seu Cauê Na Na tua
- 18:48casa, usando métodos japoneses. Eu sugiro que vocês usem os
- 18:52nomes em Tupi antigo para reproduzir isso, que é o que o
- 18:56francês faz quando, por exemplo, vai fazer um tour de champanhe,
- 18:59você vai lá pra champanhe conhecer o pouco champanhe, aí
- 19:02você ouve termos como remoage, né?
- 19:05O Diego, Roger, montemon, aí você então você tem uma imersão
- 19:08completa no mundo francês através dos nomes franceses para
- 19:13os processos de produção, porque não usar isso na hora de fazer
- 19:16Calvin, você vai contar uma história, foi a forma que os
- 19:19indígenas escolheram de deixar talvez nomes e palavras Tupis
- 19:22vivas até os dias de hoje através da topanímia.
- 19:25Então é um incentivo fortemente que os.
- 19:27Processos sejam em Tupi antigo e porque é que eu escolhi o Tupi
- 19:31antigo dentre essas 274 línguas diferentes?
- 19:33É simples, por conta dessa expansão Tupi, o que teve entre
- 19:371200-1500, não dá para saber exatamente quando foi, mas em
- 19:40determinado momento os Tupi saíram de alguma região, que
- 19:42provavelmente, né, você vê ali cerâmicas na região onde hoje é
- 19:46o Xingu, e eles ocuparam todo o litoral e os guaranis, que
- 19:50também vieram de tronco linguístico Tupi, né?
- 19:53Tanto que é o tronco Tupi e Guarani, que, diga-se, aliás, é
- 19:57bom deixar bem claro, são 2 idiomas completamente distintos,
- 19:59tanto quanto o francês é do português, né?
- 20:01As pessoas costumam falar assim, Ah, aquele rapaz, ele fala
- 20:05tupigo, arani, não, ele pode falar Tupi ou Guarani, pode
- 20:07falar Tupi e Guarani, como alguém que fala português e
- 20:10francês, mas são 2 idiomas diferentes.
- 20:14É importante deixar isso bem claro.
- 20:16Então, utopia antigo vem sendo redescoberto hoje em diversas
- 20:19aldeias. Tem um trabalho que eu faço, por
- 20:21exemplo, na aldeia, fica lá em baiano, traição chamada aldeia
- 20:25tracoeira de potiguaras, no qual eles estão redescobrindo o Tupi.
- 20:29É muito legal, né? Eles estão tendo ajuda do
- 20:32professor Eduardo Navarro na USP, que aproveitou justamente o
- 20:36material que foi trazido até os dias de hoje por pessoas como o
- 20:39padre Anchieta até Antônio Gonçalves dias, né?
- 20:43O cara que escreveu o Juca pirama tem um dicionário de Tupi
- 20:45e essa turma ajudou manter vivo o Tupi as até os dias de hoje,
- 20:49então. O convite que eu faço a vocês e
- 20:52quem tá assistindo agora é esse, façam o seu cauyn, estudem o seu
- 20:57Tupi, sabe? É vivenciem um pouco a cultura
- 21:00brasileira, da forma que a gente deve vivenciar com muito
- 21:03orgulho, com essa satisfação de ser brasileiro.
- 21:05Então, o primeiro ponto é esse, o idioma.
- 21:07É o idioma que eu escolhi por Calvin, é o idioma que eu sugiro
- 21:10a vocês a usarem quando fazem seus cauins.
- 21:12E o segundo ponto é o respeito, né?
- 21:14É, eu tenho um projeto, por exemplo, no qual eu posso muito
- 21:18bem colocar uma unidade de produção de Cauê dentro de uma
- 21:20aldeia indígena, né? AO histórico recente,
- 21:24independente de não sei a opinião política de vocês,
- 21:27também não me interessa a questão onde aqui não é
- 21:29política, mas é uma, é uma questão antropológica, né?
- 21:32O que acontece é que as diversas aldeias de hoje em dia sofreram
- 21:36devastações de suas matas e eles não têm mais como pescar, como
- 21:40caçar e. Diversas aldeias vêm de
- 21:43artesanato para sobreviver, então, se você não compra lá
- 21:46aquela cestinha ou aquela aquele tapinha feito de madeira, eles
- 21:49vão ficar com 30 BRL a menos No No dia para comprar comida.
- 21:53Pô, porque não levar uma economia escalável?
- 21:56Eles podem produzir cauim para comercializar.
- 21:59É uma forma de não só vender a bebida e ter um dinheiro, mas
- 22:02também de comunicar a cultura, como acontece na França, como
- 22:05acontece no Japão, né? Você vai no Japão, por exemplo,
- 22:07você vai em diversos lugares onde a produção de saquê é
- 22:11tradicional, é muito antiga, provavelmente.
- 22:14Produziam-se aqui naquele lugar, e esse conhecimento cultural é
- 22:18passado até os dias de hoje. Então você tem uma imersão na
- 22:21bebida, né? O alimento e a bebida é uma
- 22:22forma de você ingerir cultura. Você tem uma imersão quando você
- 22:26ouve os termos, né? Eles formando, falando sobre os
- 22:28demais da índio, falando sobre os diferentes termos, e você tem
- 22:32uma imersão completa de cultura. Você saiu de lá, você deu
- 22:36dinheiro para uma comunidade e saiu satisfeito com um universo
- 22:40completamente novo, satisfeito literalmente, porque você comeu
- 22:42também e bebeu também, a gente pode.
- 22:45Isso aqui no Brasil, obviamente pelas aldeias optantes, aldeias
- 22:49que não vem com bons olhos o fato de ter o seu Cauê
- 22:52prostituído e vendido, esses de fato devem se afastar do
- 22:56projeto, porque não é pra eles, foi desenhado o projeto, então é
- 23:00uma alternativa, provavelmente, se eu não tivesse feito isso,
- 23:03alguém teria, e que bom que Deus colocou isso nas minhas mãos, eu
- 23:07acho pelo menos. E alguns indígenas, né?
- 23:09Estava até falando com a Bia também, agora há pouco que eu
- 23:12tenho vitiligo e conversando com alguns indígenas da
- 23:15etnia-grajajara, eles me disseram que esse vitiligo nada
- 23:18mais é do que uma influência da deusa manique.
- 23:20Era albina, né? Então?
- 23:22Principalmente nos braços, né? É que é a parte do corpo onde eu
- 23:25uso para fazer Oo Calvin, eu me senti lisonjeado, né?
- 23:29Poxa, eu tenho então entidades indígenas me ajudando tocar esse
- 23:33projeto, tá bom? E ao mesmo tempo, frase típica
- 23:36do Homem-Aranha, tem um compromisso muito grande ali,
- 23:38né? Tem eu, eu realmente preciso.
- 23:40Onde tem um grande poder, existe um grande compromisso e eu tenho
- 23:43esse compromisso mesmo de passar pelo menos o máximo de
- 23:48civilidade nesse projeto de respeito às etnias, de respeito
- 23:52à nossa história, tem diversas. Não, infelizmente fui convidado
- 23:56para poucas cauinagens, mas assim eles me pediram para que
- 23:59eu não contasse o que aconteceu lá e vocês não vão saber o que
- 24:02aconteceu lá, quem piso assim, né?
- 24:04Então acho que eu consegui pintar um pouco do Panorama do
- 24:07cauinha aqui. Agora o que eu faço é isso.
- 24:10Eu, quando me interessei pelo cauim, quis produzir.
- 24:12Cauê trabalhava no mercado de bebidas, né?
- 24:14Eu fazia esse trabalho de eu era de Brandy Education durante
- 24:17muito tempo para pernoricar, então viajava para diversos
- 24:20países conhecendo produções, na França, na Suécia, na Escócia.
- 24:26Diversas partes do mundo na Argentina e passava esses
- 24:29argumentos comerciais para os vendedores.
- 24:30Esse era o meu trabalho e naturalmente quando eu chegava
- 24:33em alguma região aqui do Brasil que todo mundo sabe do meu amor
- 24:36pelo indígena, me levava pra algum alguma carruinagem, algum
- 24:39ponto assim e tal. Então minha profissão era essa e
- 24:41eu dei um jeito de trazer essa minha profissão até os dias de
- 24:45hoje com o cauãn, só que do lado inverso, né?
- 24:48Agora através da bebida eu quero passar cultura e pra chegar a
- 24:52esse.eu tive que fazer minhas primeiras experiências.
- 24:54Eu sou um artista plástico, então eu tinha lá um estúdio e a
- 24:57primeira coisa que eu fiz quando falei vou fazer Calvin depois de
- 24:59uma viagem de 2010 com a minha esposa pra aldeia.
- 25:03Guarani em belá, que perto de boi-sucâmbio.
- 25:05Foi comprar um pouco de mandioca, peguei alguns cascos
- 25:08de mandioca que tinha lá na aldeia, aí trouxe para casa.
- 25:11É importante que se diga, eles não me convidaram para uma
- 25:13calminagem lá na aldeia, porque eu não era digno, não era
- 25:16merecedor na época. E aí eu tentei fazer meu calha
- 25:19aqui em casa, peguei as devedoras.
- 25:21Eu sei como que funciona o processo de fermentação, aliás,
- 25:23todo mundo aqui sabe, mas eu vou lembrar, para quem provavelmente
- 25:26não lembra, para você ter fermentação, você precisa ter
- 25:28açúcares. Então quando você deixa, por
- 25:30exemplo, um copo, né, de suco de uva, aqui você tem leveduras,
- 25:34fungos no ar ou talvez no próprio copo, e vai comer esses
- 25:38açucares e transformar esses açúcarres em álcool.
- 25:40É simples assim. Isso é o processo de
- 25:41fermentação. Até o Patrick magovan diz que a
- 25:43fermentação acontece onde tem açúcar, existe antes do homem,
- 25:46né? As próprias frutinhas de marula
- 25:48que caíram no chão lá fermentaram e o elefante comeu.
- 25:51Bom, a mandioca tem um problema, ela não tem açucares prontos,
- 25:55né? Você precisa quebrar medos em
- 25:56açúcares. E existem diversas formas de
- 25:59quebrar medos em açúcares, né? Mais conhecida é aquela que a
- 26:01gente aprende no préprimário, no qual você coloca um feijãozinho
- 26:04no algodão e espera ele crescer, né?
- 26:06Vocês nunca se perguntaram da onde que o feijão tirou energia
- 26:09para crescer daquela forma. O algodão não tem nutrientes,
- 26:12né? Você come algodão, vai sair
- 26:13algodão, não aproveita-se nada dele, é a celulose cura.
- 26:16A resposta é simples, o feijão tem 2 cotiledonias, que são 2
- 26:20partes laterais da semente, e dentro daquelas cotiledonias
- 26:23você tem uma quantidade enorme de amido, o amido nada mais é do
- 26:26que uma. Distância contida na natureza,
- 26:30que quando da sua quebra, produz energia.
- 26:34E aí então o feijãozinho vai crescer, vai virar uma planta, e
- 26:36se você reparasse com a atividade, eles vão murchando,
- 26:39porque na natureza entende-se que em algum momento o feijão
- 26:41vai parar de se alimentar da própria semente para se
- 26:43alimentar do solo, e grande parte desses açúcares é a
- 26:47maltose. Daí o termo malteação voltando
- 26:50para mandioca. Mandioca não tem açúcares, mas é
- 26:53riquinho e amido e descobriu-se há muito tempo, provavelmente de
- 26:57forma empírica, naturalmente põe.
- 26:58Ninguém ensinou que quando você mastiga a mandioca você consegue
- 27:02promover a quebra do amido, porque na nossa saliva existe
- 27:05uma enzima chamada amilase saliva salivar que faz esse
- 27:08papel. Infelizmente o Calvin que eu
- 27:09trouxe para vocês hoje não tem saliva.
- 27:11Eu sei que muitos de vocês estavam aqui por causa disso,
- 27:13mas o nosso Calvin não tem saliva, eu procurei, obviamente,
- 27:16se você vai colocar alguma coisa na indústria, você não pode usar
- 27:20saliva, né? Pra produzir sua bebida, existem
- 27:22diversas formas de de quebrar mandioca, uma delas é através da
- 27:26própria amillazi, né? De laboratório você compra milás
- 27:28em vez de usar da tça livre e faz a quebra, mas também eu fiz
- 27:32essa experiência, tá? Eu eu fiz todas na verdade a
- 27:35primeira coisa que eu fiz foi levar mandiocas pra casa, fiz a
- 27:38minha esposa mastiga-la, não quis, aí eu tive que mastigar
- 27:40todas elas e aí a gente conseguiu uma quebra e foi uma
- 27:42quebra incrível, tá? E esse efeito se repetiu de novo
- 27:45com o Fernando numa num grupo de amigos.
- 27:47A gente fez também a mastigação e cusparada, a gente conseguiu
- 27:49enorme de açúcar, e aí eu fiz a minha bebida e levei lá na perna
- 27:52o Ricardo e o James, que é o mixólogo que tem lá.
- 27:55Ele foi o primeiro a tomar minha bebida, ele tomou a minha
- 27:57mastigada, né? Ele curtiu e falou, nossa, aqui
- 27:59é legal, tal. Eu falei, Ah, então a partir daí
- 28:02a gente vai evoluindo. Eu fiz com a milási de
- 28:04laboratório, foi uma porcaria. Porque depois eu fui entender,
- 28:08ali só tinha quebra de amigos em açúcares, né?
- 28:10Eu não tinha quebra de lipídios, não tinha outras quebras
- 28:12importantes. E aí tudo isso me levou ao
- 28:14Japão. Eu sou entusiasta do do povo
- 28:17japonês, estudo japonês desde os 16 anos, minha formação é
- 28:21comércio Internacional e eu adoro culturas diferentes e o
- 28:23japonesa, a cultura é exatamente oposta.
- 28:26E eu entendi que eles tinham resolvido a minha questão de
- 28:28quebra de amido em mandioca há, sei lá, 1200-1300 anos atrás.
- 28:32Porque mesma coisa, tá quando os indígenas japoneses faziam
- 28:35aquele. O saquê lá atrás elas também
- 28:40mastigavam da mesma forma que os nossos indígenas aqui
- 28:43provavelmente existe, né? Uma referência trazida através
- 28:45do Street bearing, eu não sei, mas enfim, isso não vem ao casal
- 28:48agora, ou pode vir se vocês quiserem, mas a ideia é que essa
- 28:52coisa da mastigação em cusparada ela meio que surgiu ali na
- 28:56África, provavelmente até onde eu pesquisei em Gana, né?
- 28:59Até hoje tem mukulawan e sendo vendido lá nas ruas de acra, é e
- 29:03foi pra Ásia, da China, Japão e acabou chegando aqui no Brasil.
- 29:08Né? Mastigação em cusparada, aliás,
- 29:09é um termo horrível, né? Diz respeito a você mastigar e
- 29:12cuspir, mas é O Que Ela É usado para quebrar amendoinzinha e
- 29:16açúcares. E o que eu fiz foi isso, tá?
- 29:17Eu economizei 1200 anos indo pro Japão e fazendo levando, né?
- 29:22O meu Calvin ir pra lá, minha proposta de fazer Calvin para lá
- 29:25e visitei. Eu tive ajuda aqui no Brasil
- 29:28mesmo de uma sommelier de saquê japonesa chamada iCarly
- 29:31sakunaga. Foi super desafiador porque ela
- 29:34não sabia falar uma palavra de português e eu achei que sabia
- 29:36falar japonês até conhecer ela e não sabia falar, graças a Deus
- 29:40ela estava trabalhando para uma empresa que tinha uma intérprete
- 29:41e também surgiu o Google na época a gente conseguiu
- 29:43conversar através do do Google nas ferramentas de celular e a
- 29:47gente fez um trabalho e nessa época a gente concentrou nossos
- 29:50esforços principalmente em. Fazer beijos de tapioca e tentar
- 29:56fazer o koji crescer no beijo de tapioca não rolou porque a
- 29:59tapioca resseca muito rápido, né?
- 30:01O koja precisaria de 48 horas de crescimento dos fungos e a
- 30:05tapioca em questão de 45 horas, ficava muito seca e impediu o
- 30:08crescimento. Aí eu resolvi o problema
- 30:10colocando as pérolas de mandioca que elas se comportam como o
- 30:13arroz, né? Elas têm a forma do arroz e o
- 30:17japonês é muito conhecido por isso, né?
- 30:19Até a cultura zenha é muito dedicada à forma, não é só a
- 30:23substância, né? E os fungos branquinhos,
- 30:25bonitinhos, pelinhos, que crescem no arroz, deveriam
- 30:28crescer bonitinhos e branquinhos também, não diorca.
- 30:30E a única forma que eu consigo fazer isso foi colocando no sagu
- 30:33que a gente compra no supermercado.
- 30:35Então eu até coloquei na internet uma receita no qual eu
- 30:38ensino fazer um doboroco, um doboroco, nada mais é do que um
- 30:41enorme mesmo. Do buraco é é o saquê feito em
- 30:43casa e não filtrado. Só que eu apropriei para o Cauê.
- 30:46Então vocês conseguem fazer comprando pérolas de mandioca?
- 30:49Consegue fazer o cauãn em casa usando o coje?
- 30:51E, aliás, você pode comprar pela internet.
- 30:53Na época que eu fiz, não podia se comprar pela internet.
- 30:55E aí eu descobri um outro entusiasta, que é meu parceiro
- 30:58Hildo Sena, lá da Fatec de Araçatuba.
- 31:00Que ele também conseguiu a quebra do amido em açúcar de uma
- 31:04forma muito mais eficiente, usando enzimas de laboratório,
- 31:07né? E ele é um professor e a cada
- 31:09aula que ele dá ele faz uma nova produção de cauy e a gente tem
- 31:13essa parceria, né? Ele produz lá, eu também não
- 31:15tenho mais o meu estúdio, não consigo fazer meu caloi num
- 31:17processo japonês em casa, então obviamente a gente fez uma
- 31:20parceria no qual ele produz e eu saio apresentando o Calvin num
- 31:23processo de aculturação, ao qual vocês estão aqui hoje,
- 31:26presenciando, então acho que esse é o resumo da história
- 31:29toda, esperam não ter me estendido muito, acho que já é o
- 31:31suficiente para gerar algumas perguntas.
- 31:33E acho que é legal que essa técnica que está falando do do
- 31:36beijou é uma das aru acho que é, né?
- 31:39Do Caxias, né? De deixar o beijo com as folhas
- 31:42até ele que forma uma camada mais ou menos de um mofo, e aí
- 31:46que esse mofo vai fermentar a mandioca, o milho, né?
- 31:50Aí é até legal, boa. Puxa um assunto importante,
- 31:53quando eu quis fazer cowim em casa, precisava de bases e não
- 31:57tinha bases. Como é que eu vou fazer caloi em
- 31:59casa de uma forma que não seja mastigando e cuspindo?
- 32:02E uma das aldeias interessantes que fazem o cauãn?
- 32:06Na verdade, eles não chamam de cauínes, chamam de paju.
- 32:09São os macuxis. Os macuchis vivem no norte do
- 32:12Brasil, em região próxima a Fronteiras com a Venezuela.
- 32:15E eles fazem Peugeot, né? Beijou, ou seja, devem ter visto
- 32:19o indígena domina mandioca desde sempre, né?
- 32:21Aliás, eles foram ensinados pelo próprio sumière, que é uma
- 32:24entidade antiga e mitológica, que era uma entidade também
- 32:27albina, provavelmente um loiro que veio de países distantes
- 32:30para ensinar a civilização para os Tupis, né?
- 32:33Olha só, isso é uma mitologia que parece até casar um
- 32:36pouquinho com a mitologia da mania, que também era uma
- 32:38indígena albina, que ensinou algumas etnias a produzir
- 32:42mandioca. Bom, a gente tem Fontes.
- 32:46Históricas tradicionais de diversas aldeias, cada um
- 32:48contando a sua história de como a mandioca chegou até aqui.
- 32:51Voltando para o pajaru, eles não usam a astigação em comparada,
- 32:54eles intercalam beijos com folhas de periquiteiras, mas de
- 32:59novo, né? A gente não pode entrar numa
- 33:01aldea macuxi, fazer uma pesquisa sem autorização deles e isso vai
- 33:05continuar o segredo até que eles se sintam à vontade para dizer
- 33:08como que é feito. Mas isso também suscita um novo
- 33:12assunto, que é. Quantos cauins existem no Brasil
- 33:15e quais são eles? Não é?
- 33:16Como é o nome de cada um deles. Eu não tenho a pretensão de
- 33:19falar sobre isso agora, porque provavelmente levaria semanas e
- 33:21eu também não conheço tudo, então não é essa ideia.
- 33:24Mas a gente já sabe, por exemplo, que os makuxis fazem o
- 33:27pajuaru. A gente sabe, por exemplo, que
- 33:31existe 111 das teorias da expansão Tupi, que é a teoria do
- 33:35grande crocodilo, né? No qual se você colocar um
- 33:37grande crocodilo, a parte de cima da boca dele entre o
- 33:41nordeste descendo para o litoral e a parte de baixo maxilar dele.
- 33:46Migrando ali entre o Paraguai, chegando até o sul do Brasil,
- 33:49você tem essa expansão Tupi. A parte da da boca de cima do do
- 33:54jacaré seriam os falantes do Tupi, a parte de baixo seriam os
- 33:57falantes do Guarani. Os guaranis, grande parte deles
- 34:01chamam o cauín de Caxias, né? É a mesma pessoa, só que a gente
- 34:05está dando um outro nome. Só que é alguma parte do
- 34:08Paraguai migrando ali pros Andes.
- 34:11Aliás, vocês vão ter uma palestra incrível sobre isso.
- 34:13Chamam também de. Tite, e também não é de
- 34:16mandioca, entra um pouco do milho, o próprio caxirim, em
- 34:19algumas etnias, entra o milho e aí vira uma festa, não vou nem
- 34:23falar porque tem diversas etnias fazendo diversas coisas.
- 34:26Uma que eu acho muito interessante é a do choque Lang,
- 34:29eles fazem uma bebida chamada mong no sul do país, é perto de
- 34:33Santa Catarina, o mong é feito com Xaxim, Pinhão e mel, olha
- 34:38que bebida incrível, então é o universo, é um universo etnias
- 34:42fazendo bebidas aqui e ali, então tem caissuma, por exemplo,
- 34:45dos agora em Foods, o nome da etnia, mas eles usam.
- 34:48A cacer irena pra fazer a fermentação a cacer irena nada
- 34:51mais é do que uma barca. Parece uma barca, ela tem pouca
- 34:56profundidade, mas tem grande área superficial exposta, né?
- 35:00Tem pegadores de um lado e do outro, onde você promove a
- 35:04fermentação do cauim de forma com que leveduras endógenas ali,
- 35:07né? Exógenas, aliás, então acontece
- 35:10naturalmente e volta e meia. As mulheres vão lá e remexem um
- 35:16pouquinho pra ter a fermentação múltipla, paralela, que é o que
- 35:19acontece na natureza, é o que eu tento replicar aqui.
- 35:21Aliás, eu diria que a única diferença voltando no assunto
- 35:24que eu estava falando contigo agora há pouco, talvez da
- 35:26cerveja. Muitos entendem que o Cauê seria
- 35:28uma cerveja, outros entendem que o Cauê seria um saquê, que é o
- 35:31meu entendimento. E o problema da fermentação
- 35:34múltipla paralelo. Eu sei que ela acontece na
- 35:35cerveja, mas ela acontece perfeitamente no saquê, né?
- 35:38Ao mesmo tempo que você vai tendo a quebra de amigos em
- 35:41açúcares, você vai tendo a fermentação e isso entra no
- 35:43ciclo de toma lá da cá, que pode levar alguns dias.
- 35:46Colocado. Não, então meu nome é Diego.
- 35:53Vim aqui participar um pouquinho também para traçar um pouco
- 35:56paralelos, né, com o projeto manipueira que a gente lançou,
- 36:01começou o ano passado, ao fim desse primeiro ano que tá agora
- 36:05lançando essas primeiras cervejas, né?
- 36:07Pra gente é muito interessante poder te ter aqui e muito
- 36:10obrigado ter vindo. É.
- 36:11Eu acho que como Aline falou no início aqui dessa mesa, né?
- 36:15O dia hoje é dedicado aqui nesse palco a falar da identidade
- 36:19etílica das culturas. Que a gente tá em contato não só
- 36:23brasileira, sul-americanas e quando a gente começou lá em
- 36:272018 a fazer a pesquisa pra fazer essa cerveja e que nem de
- 36:32perto a gente tem interesse de chamar ela de Calvin ou nada
- 36:35disso, porque a gente simplesmente pegou uma parte do
- 36:38processo que a gente tinha conhecimento dos povos
- 36:41originários. Para trazer como uma parte
- 36:44tecnológica para que a gente tivesse um terro a mais local,
- 36:48né, que a gente trouxe. Ah, não, a gente sabe que para
- 36:51fazer calim ou outras bebidas que tem aqui, né, é na base da
- 36:55mandioca, o suco da mandioca, basicamente fermento,
- 36:58espontaneamente a gente cria simplesmente vivenciar esses
- 37:02microrganismos que são da mandioca, né?
- 37:05E até a própria mandioca, por conta desses açucares
- 37:09extremamente complexos. Parte das cervejas ficam com AO
- 37:13açúcar complexo, exatamente pra que haja uma fermentação
- 37:17paralela durante o tempo de garrafa, porque a gente acaba
- 37:20produzindo uma cerveja aqui com os açúcares complexos da tapioca
- 37:24e a gente sabe que tem ela vai se manter em refermentação de
- 37:29forma meio que. Quase que contínua.
- 37:31Tanto que são cervejas que a gente sabe que no mínimo 10 anos
- 37:34elas aguentam na garrafa. Mas uma coisa assim que dentro
- 37:37da tua conversa, EE me lembrou muito alguns estudos que a gente
- 37:41vem fazendo não só pro projeto manipeira, mas agora também com
- 37:45a projeto da né? Do milho.
- 37:47É muito da questão da própria expansão linguística.
- 37:50Se a gente correlacionar com a análise genética da distribuição
- 37:54das variedades de milho, por exemplo, né?
- 37:57Teve um estudo muito legal que a gente teve acesso.
- 38:00E eu até escrevi um artigo sobre isso que no sentido de que se a
- 38:04gente começar a observar né, não apenas a questão né, de que
- 38:08fazer cerveja é é fazer uma expressão cultural e se a gente
- 38:12começar a analisar a evolução, principalmente já começando no
- 38:16araua que a expansão Araújo do tronco linguístico e chegando no
- 38:20Tupi, depois indo para os Carijó, indo até para uma
- 38:23expansão ainda para as antilhas, para todas as ilhas, né, da
- 38:27América caribenha né? E a consequente é levar
- 38:31consequentemente também a mandioca para lá, né?
- 38:33E icã e tudo tanto que o nosso passo agora é
- 38:36internacionalização desse projeto buscando e pelos
- 38:40caminhos dos povos originários, porque eles que levaram para lá,
- 38:43né? Após AA domesticação da mandioca
- 38:46e do milho. E é engraçado que inclusive as
- 38:48partes do rio Negro, onde tem as passagens mais fáceis do Rio é
- 38:52onde se encontrou vestígios arqueológicos da domesticação,
- 38:56tanto do milho como da mandioca, né?
- 38:58Apesar da mandioca se ter AA desconfiança através dos métodos
- 39:03arqueológicos que a área de que ela é originária na área de
- 39:06transição da Amazônia com o cerrado, foi levado pelo povo g
- 39:10pra parte do rio Negro, do rio Negro, domesticado pela arauac.
- 39:14Daí já fez toda a expansão indígena.
- 39:17Mas o que é mais interessante que se a gente observar a
- 39:19distribuição dos troncos linguísticos, ele vai dar
- 39:22certinho com a distribuição dos piabirus.
- 39:26Então, a cerveja e a os caminhos que a língua desenvolveram são
- 39:32ruas, né? São estradas e conectam
- 39:35culturalmente. Não apenas né, a as língua, a
- 39:38cultura, mas também todas as tecnologias que desembocam aqui,
- 39:42né? Aqui a gente tem 2 garrafas que
- 39:43de certa motos é chegaram aqui porque muita gente percorreu os
- 39:47pé à beiruse, né? Trocando informações, levando
- 39:49essas coisas pra tudo pra frente.
- 39:51É e só pra falar um pouco, né? Como é que a conexão do projeto
- 39:56manipoeira com a questão antropológica, né, que é a
- 39:59formação da cultura brasileira, que também assim, hoje falando
- 40:03contemporaneamente, né, que é essa mistura de todos os tipos
- 40:07de culturas. Aqui a gente está tendo assim o
- 40:09privilégio, poder estar tomando cale e a e a mani poeira.
- 40:12Ela é um desenvolvimento que já é uma mistura de vários
- 40:15conhecimentos, né? E a partir disso, que não apenas
- 40:18a gente honra, mas como a gente desenvolve uma cultura e
- 40:21identitária única. Para chegar em produtos que são
- 40:24realmente brasileiros, né? E não apenas a gente está
- 40:27reproduzindo. Essa discussão que a gente tem
- 40:29há tantos anos, né? Bom, a gente está aí quando
- 40:32escola cervejeiras, né? Então, como construir essa
- 40:35escola brasileira, né? Como trazer essa tradição do do
- 40:39que é nosso e o que seria se derroar nosso, né?
- 40:41O que que seria algo da cerveja brasileira?
- 40:44Porque essa é a grande, porque nós estamos há tantos anos aí
- 40:48pesquisando receitas históricas, norueguesas, dinamarquesas de.
- 40:54De tantos. E a gente tem hoje pesquisas
- 40:56incríveis. A manipeira é uma delas.
- 40:58A gente estava comentando hoje da pesquisa na África do Sul,
- 41:01né? Das cervejas selvagens, de
- 41:03sorgo. Então a gente tem hoje pesquisas
- 41:05incríveis resgatando esses sabores e esses saberes, podendo
- 41:11para construir, né? Um pouco hoje do que seria esses
- 41:14brasis, do nosso copo, né? Trazer esse tanto de saberes
- 41:19para os nossos copos. Uma coisa que eu acho legal que
- 41:21vocês vêm. Aliás, o projeto manipoeira tá
- 41:23de parabéns. Toda uma ansiedade absurda para
- 41:26experimentar é, devo dizer, e assim, o que vocês vêm fazendo é
- 41:31uma evolução de novo, né? A gente tem essa, essas falhas
- 41:34históricas, né? Teve lá o manifesto
- 41:36antropofágico de 22 e agora vocês retomam, contudo, a
- 41:39cerveja, né? Isso eu acho muito legal, é que
- 41:42nada mais é, acho que é bem isso, né?
- 41:43A gente está fazendo uma antropofagia do que é europeu.
- 41:46Para ter o nosso no como resultado, só tenho elogios e
- 41:49estou ansioso. Bom, está franqueado para
- 42:04perguntas aí, por favor. Tudo bem, então algumas coisas,
- 42:08então vou dar uma olhadinha aqui.
- 42:10Mas assim como o tempo está meio curto, eu até perguntei em ordem
- 42:13de uma certa prioridade assim, porque entendo que não dá para
- 42:18falar de todos os tipos especificamente de Calvin, mas
- 42:21se puder falar mais ou menos os macrotipos, por exemplo, fui de
- 42:25seguir lá no Instagram. Eu vi que tem o 100% de mandioca
- 42:29e o com cachaça, né? Só para dar uma visão mais macro
- 42:32dos tipos mesmo que existem, né? E de maneira geral, o processo.
- 42:38Assim, você comentou que, claro, tem que ter os açúcares
- 42:40fermentíveis, OK, mas é uma fermentação aberta, como é que
- 42:44funciona, como é que vai? Como é que é funcionar a
- 42:48atenuação? Tem algum parâmetro assim?
- 42:51Até pro pessoal fica mais curioso de ir atrás também.
- 42:54É essas 2 coisas, obrigado por abrir esse tópico, eu estava
- 42:59esperando as perguntas para realmente saber o que estava de
- 43:00interesse, tá, porque eu trouxe bastante coisa aqui, eu anotei
- 43:03algumas que são interessantes, né, algumas cervejas
- 43:06interessantes, se a gente vai, por exemplo, está falando eu.
- 43:09Eu citei bastante o tronco linguístico tupi-guarani, né?
- 43:13E como ela bem falou, existem hoje perto de 21 os troncos
- 43:16linguísticos diferentes, tem os 4 principais, que são aqueles
- 43:19que a gente aprende na escola, que é a Tupi e Gero, arco e
- 43:22Caribe, dentro dos caribes tem o engaricó, que é muito legal,
- 43:27eles fazem um cauãn com batata-se.
- 43:30Doce, rosa e a bebida fica cor-de-rosa.
- 43:32Maravilhosa o pajuarú dos macuxis e a piscina massato dos
- 43:37oxalincas, né? Os axhankos ficaram super
- 43:39famosos pela coleção do Oscar met da Oscar e que ele colocou
- 43:43lá tecidos os baixanicas fazem tecidos incríveis.
- 43:46Eles são reconhecidos porque eles usam aquele como se fosse
- 43:49um chapéu, mas na verdade uma cangatára chamada de amaterense,
- 43:53né? E os tecidos são maravilhosos,
- 43:55estão ali no Acre tarô, saterês, mauez, que é basicamente feito
- 44:00de mandioca em 100%. Uma ONG que eu falei, ó, tem a
- 44:03composição exata aqui. Ele é feito de 40% Xaxim, 37%
- 44:07mel, 20% Pinhão, 3% outros. E a fermentação é muito
- 44:12interessante porque eles pegam bom.
- 44:13Se a gente fizesse isso, todo mundo iria preso aqui, mas eles
- 44:16pegam Araucária. Fazem uma cacedirena de
- 44:19Araucária cacilrena nada mais é do que um ambiente para
- 44:23fermentação, né? Se assemelha muito a uma canoa,
- 44:27ela tem grande área de superfície exposta, mas tem a
- 44:31profundidade baixa e esse material é colocado lá.
- 44:35O mel já tem açúcares presentes, né?
- 44:38O mel, ele bom até falar um pouquinho de hidromel aqui, o
- 44:41mel, na teoria ele deveria fermentar super fácil porque a
- 44:44quantidade de açúcares que ele tem é astronômica, no entanto,
- 44:47existe um empecilho para fermentação do mel, que é um
- 44:49empecilho osmórtico, que é justamente a densidade dele, né?
- 44:53Ele é tão denso que não permite que microrganismos se
- 44:55multipliquem, por isso o nome hidromel, porque você só vai ter
- 44:59uma bebida alcoólica do mel quando você adiciona água, você
- 45:01precisa fazer uma solução, né? Quando você tem a solução, aí
- 45:04sim, você vai ter a multiplicação de microrganismos
- 45:06e a fermentação, então. No caso do do choclangz, não tem
- 45:10a mastigação em cusparada e a fermentação é feita em cima dos
- 45:14açúcar dos açúcares do mel, mas junto ali com o Pinhão e Xaxim.
- 45:19Vocês não viram errado, é o mesmo Xaxim que a Vovó usava
- 45:21para colocar samambaias e hoje em dia não pode se usar mais,
- 45:24né? Então você vê, é, eles não,
- 45:26obviamente estão no Brasil há muito mais tempo, tem todo o
- 45:28direito de fazer isso, eles usam, era o cara e Xaxim vai a
- 45:31gente fazer isso, né? Então é uma.
- 45:34Bebida proibida hoje para consumo, mas enfim.
- 45:38Essa seria uma boa pergunta, né? Que eu acho que seria uma
- 45:41curiosidade. Bem, que, como tu tomou o Cauê
- 45:44em diferentes locais, escrevesse também um pouco como é que é, as
- 45:49características sensoriais dos cauins que tomou e se há alguma
- 45:53relação. Agora, tomando algo que foi
- 45:56fermentado com microrganismos brasileiros, selvagens e ligados
- 46:01à mandioca, se tu consegue fazer alguma correlação entre o que
- 46:05estás tomando aqui, obviamente que isso aqui é apenas uma das
- 46:08amostras. A gente tem uma variação bem
- 46:10grande, né? De resultados dentro do projeto
- 46:13manipeira. Vai poder ver amanhã, mas.
- 46:15Queria saber opinião assim, um pouco de como é que é, os cauins
- 46:19que tu já tomou e o que que tu vê em relação?
- 46:23Muito bem. Bom, vamos lá.
- 46:25O primeiro ponto, infelizmente eu tomei menos cauindo que
- 46:27aqueles que eu gostava, tá, gostaria de tomar.
- 46:29É uma situação muito rara você entrar numa aldeia, ser
- 46:33convidado, ganhar o respeito, ganhar consideração de uma
- 46:36comunidade para participar de um ritual de calonagem.
- 46:39Como que eu já falei antes, o cauãn é uma peça dentro de algo
- 46:43muito maior do que o cauãn, com valores espirituais religiosos
- 46:47enormes, né? Isso é.
- 46:48É importante ficar muito claro, mas sim, eu já tive a chance de
- 46:52experimentar alguns caroins de algumas aldeias.
- 46:54É evidente que tem um elemento vocês estão experimentando aqui
- 46:58agora, vão perceber que está na cerveja, bem, bem, bem, e aliás,
- 47:01eu adorei a forma que ele aparece na cerveja, que é o
- 47:04seguinte, quando vocês comem biscoitos de porco, não tem o
- 47:06nome para isso. Convido vocês a dar o nome para
- 47:08isso, né? Se a gente tem o sabor humame
- 47:11que existe o nome japonês, você tem algumas pegadas e tem nome,
- 47:14eu preciso de nome para isso, que é a sensação que você tem
- 47:17quando come um pão de queijo, um biscoito de polvilho, que ele
- 47:20tem um certo mame no final da boca, né, que é super.
- 47:23Esse Cali infelizmente não está tão presente, tá?
- 47:26Eu fiz alguns no passado que assim o biscoito de polvilho era
- 47:29muito presente e. Cara, ele aparece muito forte
- 47:32aqui na cerveja, essa sensação de biscoito, de polvilho da
- 47:35boca, que é o forte da mandioca, né?
- 47:36Na minha opinião, é o é o mais legal da mandioca, sabe?
- 47:39E tanto que eu até. Falo pro Ildo, né?
- 47:42O Hildo deve ficar muito chato comigo.
- 47:44O Hildo, um abraço, volta meio quando eu vou para os
- 47:47restaurantes, eu falo, cara, precisa ser mais seco, tem que
- 47:49voltar aquele negócio do biscoito polvilho.
- 47:50E aí ele tenta recriar com os alunos dele em sala de aula, né?
- 47:55Então tá aí a dica aí, odão. Ou vamos vamos compartilhar os
- 47:58microrganismos da manicure com vocês exatamente para essa
- 48:01fermentação ficar de repente mais próxima?
- 48:04Até porque agora a gente tem essa coleta de microrganismos e
- 48:08tal, identificando de forma genética como é que é o processo
- 48:12e tal, para entender como é que a gente chega nisso, né?
- 48:15Hum, mas o interesse todo é esse, né?
- 48:18Saber se a gente está chegando próximo.
- 48:20Dos sabores, não da bebida, mas os sabores que são locais.
- 48:25Então, quanto aos sabores do Cauê, indígena é grande parte
- 48:30deles. Eu, eu, assim, a primeira
- 48:32sensação que você tem, com todo respeito, é de repulsa, né?
- 48:35Porque, afinal de contas, você não sabe que você vai beber ali,
- 48:37tem mastigação, tem contaminação por bactéria, azul aroma, deixa
- 48:41claro que tem uma certa contaminação por bactérias.
- 48:43Não é o tipo de bebida que você encontra, né?
- 48:45Quando você vai, por exemplo, no imigrantes de bebidas, não é?
- 48:48Mas a gente não tem problema nenhum com bactéria, a gente
- 48:50gosta delas. Obrigado, muito obrigado.
- 48:52Mas, enfim, o consenso geral assim do do Cauê indígena é,
- 48:56basicamente é o mingau alcoólico, não é tão.
- 49:00Impetuoso. Sim, aqui ficou legal, você
- 49:03sente uma presença muito, tem uma personalidade incrível, né?
- 49:05Você não sente essa presença toda no Cauê indígena, você até
- 49:09se eu me surpreendi porque eu achei que era limpo o Cauê
- 49:12indígena, a sensação que eu tinha é que eu, né, IA beber
- 49:15alguma coisa grossa, grosseira, que tivesse uma textura de
- 49:18mandioca e não é fluído, é um mingau super bem feito,
- 49:22gostosinho e de álcool. Eu chuto ali, não, não consegui
- 49:25medir, mas eu chuto ali de 6 a 10% de álcool.
- 49:28Também alcoólica, então imagina que você pegou o mingau e
- 49:30despejou ali uma vodka bem na arte, uma vodka rosta, daquelas
- 49:33que não tem sabor nenhum, é isso é, e obviamente vai ter o
- 49:36gostinho de mingau de pão, de queijo, tudo que a gente
- 49:38percebe, acho que esse é o ponto comum, sabe, porque é muito
- 49:43legal explorar os microorganismos, é
- 49:45importantíssimo, é o que torna diferente, é o que dá
- 49:47personalidade, é o que vai causar a grande variedade de
- 49:51manipeiras que vai existir e que maravilha ser convidado para
- 49:55participar desse nascimento aqui agora, estou muito lisonjeado
- 49:57mesmo, né, mas por outro lado, a essência tem que ficar, né?
- 50:00Quando você toma um vinho, você experimenta o mundo inteiro, mas
- 50:03a essência da uva tá lá, né? E eu acho que o.
- 50:07Que eu encontrei de essência no nos cauise, na maripuera, no
- 50:10Cauê, no processo aliás, é importante que se diga, tem 3
- 50:13processos para se fazer Cauê, né?
- 50:14O ancestral que é a mastigação em curso parada, o japonês, que
- 50:17foi que eu desenvolvi com o coje, e o enzimático, que é o do
- 50:19Ildo, todos eles. Você vai encontrar esse elemento
- 50:22comum que é o gostinho do biscoito de polvilho.
- 50:24A gente pediram o nome Tupi Pra Ele, né?
- 50:26IA ficar legal. Posso fazer uma do pessoal de
- 50:29casa antes? Pois não, só você está.
- 50:31Perguntando dos povos que você teve contato, se é verdade que
- 50:36só as mulheres participam do ritual da disparada, boa
- 50:39pergunta, seria essa parte toda ritualística?
- 50:43Boa. Antes de responder, ó, siga uma
- 50:45página, que away, Tiago tá? Deixa eu fazer um mechazinho,
- 50:47né? Porque essa pergunta é
- 50:48importante, vai dar audiência. Então acho que tem um ponto que
- 50:52é importante frisar, tá? Quando a gente fala de indígena
- 50:53brasileiro, a gente está falando de uma pessoa, um indivíduo, e
- 50:56não é se tem um universo, né, enorme.
- 50:59E eu gosto de deixar isso bem claro.
- 51:01Então você tem diversas culturas indígenas.
- 51:03Em muitas culturas quem mastiga é a virgem jovem, não é?
- 51:09Então tem, por exemplo, pena que eu não anotei esse daqui.
- 51:12Eu tenho um vídeo que eu coloquei muito legal que
- 51:14aparece. Elas mastigando são as o ajuiz.
- 51:17Não vou lembrar o nome da cultura aqui agora, mas elas têm
- 51:20uma pintura incrível e elas fazem mastigação enquanto os
- 51:25homens e as mulheres descem o Rio para buscarem seus panacos
- 51:29panacos são cestos de palha muito grande que eles levam nas
- 51:33costas a mandioca e elas estão se preparando ritualisticamente
- 51:36ali com aquelas pinturas. Quando eles sobem o Rio de
- 51:39volta, elas. Mastigam a mandioca e fazem todo
- 51:42o ritual que a gente já conhece, né?
- 51:44Essa etnia permitiu que divulgasse Oo conhecimento.
- 51:47Até coloquei no meu, no meu blog, depois dei uma olhada lá,
- 51:49as fotos. Até o final do dia eu devo
- 51:51lembrar o nome da etnia e são tantas que a gente entra em
- 51:54confusão. Então nesse caso são jovens
- 51:56Virgens, né? Que é Oo arquétipo básico que
- 51:59todo mundo acha que acontece, mas tem diversas outras
- 52:01culturas, que a mastigação é feita pelas mulheres anciãs mais
- 52:04velhas e o fato de não ter dentes contribuir para ter 11.
- 52:09Cauê, melhor e aí eu já, né? Como sou do mercado de bebida,
- 52:13eu entendo que no caso do mercado de bebidas a gente não
- 52:16curte muito bactéria assim, na o mercado da indústria de bebidas
- 52:19a bactéria é mal, não é bem-vinda, algumas são.
- 52:22Obviamente você tem fermentação malolática, Ponto Final, mas é
- 52:24controlada, né? Eu acho que essa é a grande
- 52:26diferença, até foi uma diferença que eu vivenciei bastante que os
- 52:28meninos da companhia, dos experimentados, mas eu acho
- 52:31incrível esse trabalho e percebo que a bactéria faz um papel
- 52:33maravilhoso, não tem, não pode ser questionado.
- 52:36Não tive a chance de experimentar o Cauê mastigado
- 52:38pela senhoras que não tem dentes, mas eu entendo que a
- 52:41contaminação bacteriana talvez seja menor, né?
- 52:44Especulação minha não é fato isso e muito está no campo da
- 52:47especulação, né? Como eu falei agora há pouco,
- 52:49pô, imagina, os macuxis fazem um processo incrível no qual eles
- 52:53intercalam AA as folhas de periquiteira.
- 52:55É óbvio que eu gostaria de entender científicamente o que
- 52:58acontece ali, como que é feito a quebra da do amido, a gente IA
- 53:00ficar na dúvida até que eles tenham.
- 53:02A vontade de se manifestar a esse respeito, então.
- 53:04Assim, a resposta para essa pergunta é essa.
- 53:06Varia de aldeia para aldeia, tem aldeias até que homens fazem
- 53:09mastigação, tem aldeias que estão redescobrindo.
- 53:12O Cauê, então, os homens estão mastigando para entender o que é
- 53:14melhor, não é? Tem um Panorama muito complexo.
- 53:19Bom. Dia Luiz, bom, tudo bem?
- 53:20Eu sou o Christian. Luiz.
- 53:22A pergunta é a seguinte, ou melhor, tu pode explanar um
- 53:24pouco mais a respeito de legalização.
- 53:27Como que a legislação trabalha? Bom.
- 53:31O que acontece, ironicamente, a bebida antiga brasileira, que
- 53:36existe desde antes da época da chegada dos colonizadores
- 53:40europeus no Brasil. Não tem uma lei, algo que
- 53:44justifique sua venda, né? Você não pode vender.
- 53:45Cauê, a única forma de você tomar calwen hoje em dia é vindo
- 53:49nas minhas palestras e indo numa aldeia, e também é através da
- 53:52companhia dos experimentados, quando você toma cachê e pajaru,
- 53:55fora isso, você tem que ir numa aldeia.
- 53:58Existe uma lei que eu não vou lembrar agora, por isso que eu
- 54:00notei que é a lei de bebidas alcoólicas, ela é uma das mais
- 54:03antigas que existe, é dos é de 1994.
- 54:05Como vocês devem saber, toda a lei precisa de uma
- 54:08regulamentação para funcionar, a lei sozinha não serve de nada.
- 54:13Essa lei é de 1994, é existe o decreto 6871 de 2009.
- 54:16Esse que eu conheço bem porque eu trabalhei muito em cima dele,
- 54:20que o material obtido através da fermentação da mandioca pode ser
- 54:22utilizado como ingrediente para se preparar a tiquira a tira,
- 54:28para quem não sabe, é uma bebida destilada de mandioca, não é uma
- 54:33fermentada, né? Até para deixar Oo público de
- 54:36casa, leigo, um pouquinho mais familiarizado com os termos
- 54:38destilação, acontece bem dizer para aumentar a graduação
- 54:41alcoólica, né? Você tem, por exemplo, os vinhos
- 54:44que atingem uma graduação máxima lá na faixa dos 12 até 15, até
- 54:4816%, mas se você quiser maior graduação alcoólica, você vai
- 54:51ter que separar. Álcool de água através da
- 54:58destilação em alambique, né? Quando você destila, por
- 55:01exemplo, um vinho, os primeiros álcoois que vão sair vão ser o
- 55:05metanol, por exemplo. A temperatura de evolução é 165,
- 55:08né? 65° não nos interessa, o metal
- 55:11não é um álcool que não pode ser bebido, por outro lado, quando
- 55:13começa a sair Oo etanol que é 78°, e assim você aproveita, né?
- 55:17Daí o nome de corte de cabeças e Caldas.
- 55:19Não vou entrar em detalhes aqui, então a destilação de uma certa
- 55:23forma serve para aumentar a graduação alcoólica para
- 55:25diversos fins para que a bebida dure mais ou mesmo para o prazer
- 55:27do do camarada que está tomando. Então existem as bebidas que são
- 55:31fermentadas, que é o caso do vinho, o destilado do vinho é o
- 55:34brent, é o conhaque, por aí vai o destilado da cerveja, é o
- 55:37uísque, por aí vai, o destilado do cauãn é a tikira, né?
- 55:42Então basicamente é esse cenário que você tem, eu viajei tanto
- 55:45que até perdi a pergunta, né? Então o que acontece é que a lei
- 55:49prevê a mandioca, o vinho da mandioca como ingrediente pra
- 55:53tequirar até uma consulta pública que saiu agora no dia
- 55:5612/04/2022, no qual essa lei 6871 de 2009 estava sendo
- 56:02questionada, e aí eu fiquei super atento.
- 56:04Eu tenho amigos incríveis que me avisaram dessa consulta pública
- 56:07mais do que nunca, mandei um material com mais de 200
- 56:10páginas. Tem o Cássio Cunha, que espero
- 56:12que esteja assistindo, que foi o diretor de qualidade da
- 56:15pernoricário. O cara é incrível, é um
- 56:16parceiraço meu. Sem ele a gente não estaria
- 56:18aqui. Nessa conversa me ajudou a fazer
- 56:20material muito legal para apresentar para o mapa, e aí a
- 56:23gente conseguiu. Saiu agora em dezembro uma lei
- 56:27preliminar que já permite o cauim cauim com a nome cauim a
- 56:32ser comercializado, então a gente já tem isso, no entanto,
- 56:35dezembro não dá tempo de tirar mapa, né?
- 56:36Eu não posso vender meu calin ainda, porque foi uma não tem.
- 56:39Aliás, tu fica aqui o convite, né?
- 56:40Quem que quiser produzir, Cauê, me dá um toque, me chama, porque
- 56:44se vocês conseguirem mapa, vai ser a primeira indústria que vai
- 56:46vender Cauê, 100% mandioca no mercado, tá aí.
- 56:51A este gay a galera agora, Hein? E como é que tu pensa na
- 56:54produção do Cauê? Formato industrial, usando, por
- 56:57exemplo, a estrutura da cervejaria, já chegou a pensar
- 57:00como seria essa produção ou não? Então eu partiria para o mais
- 57:03simples, né? O mais simples aconteceu na
- 57:05primeiro e mais legal, wildo Como Ele É um professor.
- 57:08Ele procura fazer as coisas de uma forma acadêmica, ele, ele
- 57:11desenhou o Calvin que vocês estão tomando para ser o
- 57:14material de sala de aula. Então ele é feito com amido de
- 57:19mandioca, né? Com a fécula da mandioca nada
- 57:21mais é do que o polvilho azedo, né?
- 57:23Simples, direto e reto, o polvilho azedo, 25 kg de
- 57:26polvilho azedo em 100 l de água super simples de produzir.
- 57:29Você vai precisar de uma panela de cocção, uma dorna de 100 l e
- 57:33um Schiller, porque a temperatura é importante.
- 57:36Aí basicamente você vai ter o processo da quebra de ameitos em
- 57:39açúcar e a fermentação, que depois vai acontecer em
- 57:41paralelo. E qualificação, né?
- 57:43Se você não quiser tomar o mingau, no final das contas, até
- 57:46por questões comerciais, é legal clarificar e também por questões
- 57:49a bebida, Como Ela É nova e eu sou original, super pé no chão e
- 57:52Ildo também é, a gente não quer se arriscar muito agora deixa
- 57:55essa turma mais atrevida, mais nova, se arriscar, a gente fica
- 57:58ela mais na calma, entendeu? Os velhinhos ficam fazendo Cauê
- 58:01básico, enquanto a turma mais os artistas mesmo manifestam suas
- 58:05artes através de coisas mais sofisticadas, né?
- 58:09Aline, Diego Luís, muito obrigada pela apresentação, é?
- 58:13Um prazer, eu que agradeço. É muito, muito interessante
- 58:17finalmente, a gente ter essa sorte de discussões em ambientes
- 58:22de. Troca de conhecimentos
- 58:24cervejeiros num primeiro momento, mas com muita conexão
- 58:27com outras bebidas amigas sim e muito próximas.
- 58:31Luiz me intrigou muito quando você lá para as tantas, comentou
- 58:35sobre o cuidado diplomático com os povos originários.
- 58:39Na produção de Cauê, o pedido de de participar da cauinagem, o
- 58:45pedido de reproduzir o que se aprende ali, uhum e
- 58:49possibilidade da reprodução dessa forma mais comercial, bem.
- 58:54Típica dos cara pálida, também com o cuidado diplomático junto
- 58:58a esses povos. Sim, como é que você imagina
- 59:01isso sendo feito? Vamos imaginar que isso seja
- 59:03comprado, essa ideia, Hum, genial, num primeiro momento, de
- 59:07reproduzir essa identidade de território tão brasileira, uhum
- 59:12a partir dos povos Tupi. Como é que você imagina esse
- 59:16diálogo pra autorização? Porque na medida em que as
- 59:20pessoas compram a ideia, isso pode ser replicado de forma
- 59:25pouco. Reverente, inclusive, não.
- 59:28Excelente pergunta e eu tenho alguns cuidados nesse sentido,
- 59:31naturalmente. Tem diversos amigos que falam,
- 59:34porra, coloca logo isso para vender, cara, eu estou ouvindo,
- 59:37coloca logo esse para vender desde 2010, 2000 e não +2016 vai
- 59:41por isso, tá? Existe um cuidado muito grande,
- 59:43esse trabalho aqui é fundamental, antes de beber, a
- 59:47gente vai receber todas as informações, primeiro pelo
- 59:49córtex, depois é que vai chegar lá no cérebro reptiliano para
- 59:52ter o prazer de bebida, porque precisa ser muito bem entendido
- 59:55isso, né? Precisa ser muito bem
- 59:57transmitido isso existe uma coisa que é horrível e jamais
- 1:00:01pode acontecer, e eu fujo disso que a apropriação cultural.
- 1:00:04Mas eu incorro no risco de uma vez que eu estou usando o nome
- 1:00:07cauim, uma vez que eu estou usando tecnologia indígena para
- 1:00:09fazer uma bebida. Isso é muito delicado, como que
- 1:00:12eu sei que não é apropriação cultural, como que eu sei que
- 1:00:15isso é legal e vai gerar uma nova economia, não só a
- 1:00:18economia, mas também vai gerar uma forma das culturas se
- 1:00:21manterem vivas até o debate, por isso que eu estou fazendo agora,
- 1:00:24isso que eu estou fazendo com vocês hoje eu já venho fazendo
- 1:00:26muito tempo atrás. Eu sempre debaixo, eu sempre
- 1:00:29coloco em pauta. Eu convido as pessoas a fazerem
- 1:00:31seus cauins, não só o homem branco, como também o indígena e
- 1:00:35a colocálos para venda. Você já teve a oportunidade de
- 1:00:38falar com os povos originário e como foi a receptividade, em
- 1:00:42média, dessa pessoas? Né, dia 50% de 50%.
- 1:00:45É engraçado como o país está dividido em tudo, inclusive
- 1:00:47nessa questão tem comunidades indígenas que querem o cauãn
- 1:00:51para ontem, como é o caso. Acabei de citar agora, né?
- 1:00:54Tem um amigo meu que é o coraci poema, ele está fazendo o cauãn
- 1:00:57na aldeia capoeira, aliás, ele faz um trabalho incrível,
- 1:01:00coraci, um forte abraço, está fazendo experimentados não só de
- 1:01:04mandioca, mas também de caju e tal, e é a última aldeia Tupi no
- 1:01:08litoral, fica lá na Baía da Traição, na Paraíba.
- 1:01:11Eles estão tendo, como eu já falei aqui, mas vou repito, eles
- 1:01:14estão tendo. Ou aulas já tiveram, né?
- 1:01:17Muitos deles já são formados em Tupi antigo pela USP, pelo
- 1:01:20professor Eduardo Navarro, então acordando o idioma Tupi antigo,
- 1:01:24que foi falado por Felipe camarão lá atrás.
- 1:01:27Isso é incrível e eu estou fazendo parte disso com a
- 1:01:29bebida. Estou ajudando ele, mandei algum
- 1:01:30material tal ajudando um pouco, gostaria de ajudar mais isso é
- 1:01:33incrível ele não ser um, não só um apitante, como ele está
- 1:01:36querendo realmente revival o Cauê e colocar o Cauã à venda e
- 1:01:40fazer o Calvin não só comercial pra vender e ganhar um dinheiro,
- 1:01:44um troco pra aldeia, como também vender a tradução, contar uma
- 1:01:47história. Todos eles são ótimos
- 1:01:48historiadores, conhecem Oo quaraci prema, por exemplo.
- 1:01:52Ele também cria abelhas, ele conhece o nome científico em
- 1:01:54todas as abelhas, conhece mais do que ninguém o comportamento
- 1:01:57dessas abelhas, né? É um é um cara que tem uma
- 1:02:00admiração fora do do comum, né? E é um indígena que adora meu
- 1:02:03projeto, recebe de braços abertos o projeto, como também
- 1:02:06tem indígenas que falam Luís, deixa a gente em paz, não fica
- 1:02:10colocando calminho na mão das pessoas, entendeu?
- 1:02:13Mas eu entendo, cilene, que assim eu visitei algumas
- 1:02:16aldeias. Grande parte, a maioria delas eu
- 1:02:20presenciei, por exemplo, indígenas e perceptivamente
- 1:02:23estavam contaminados por Mercúrio porque estava com
- 1:02:26falhas no cabelo, com a pele completamente detonada, sem um
- 1:02:30púlpito para gastar pra comprar comida pra aldeia passando fome,
- 1:02:33aquele barrigão enorme de verme não foi uma aldeia nem 2 nem 3,
- 1:02:36e esses caras vivem porque vendem uma tapira ou porque
- 1:02:39vendem um cesto, porra, eu construiria de graça, com prazer
- 1:02:43e sei lá, uma unidade produtora de Cauê, pra que eles possam ter
- 1:02:46uma economia e vender a cultura deles.
- 1:02:48Quem sabe dá um jeito de contratar um bom advogado e
- 1:02:51mandar o filho da mãe que tá jogando Mercúrio na água deles
- 1:02:53embora, entendeu? Então assim, de novo, só pra
- 1:02:56terminar, eu vejo que o debate. Tem que vir antes do cauãn, e eu
- 1:03:00já venho fazendo isso há 6 anos. Espero que quando o cauãn chegar
- 1:03:03no mercado a gente esteja, sabe? Todo mundo tenha amadurecido
- 1:03:06muito bem a ideia, né? E assim, com todo o respeito, eu
- 1:03:09não faço exatamente o papel do megaempresário, que tá ficando
- 1:03:12rico com calinha, até porque eu não vendi uma garrafa até hoje e
- 1:03:15gastei dinheiro à beça pra trazer essa cultura, né?
- 1:03:18Apropriação cultural maior é dos japoneses no meu método, porque
- 1:03:21eu trouxe a grande. Aliás, tem uma história incrível
- 1:03:24que eu quero contar pra vocês. Eu tive até emblemática porque
- 1:03:27que nunca teve Cauã antes, por que que nunca alguém se meteu?
- 1:03:30Nem um né português se meteu a fazer Cauê lá atrás, porque que
- 1:03:33o Luís aqui aparece, o Fernando aparece agora fazendo já tá
- 1:03:36embora, por que que essa turma tá aparecendo fazendo Cauê aqui
- 1:03:39agora, né? Bom, tem relatos históricos de
- 1:03:41que num primeiro momento, os portugueses.
- 1:03:44Queriam beber porque, pô, trazer aguardente de Portugal é caro,
- 1:03:48tem que esperar o próximo navio e tal, enquanto que cara, a
- 1:03:50gente tem bebida alcoólica aqui, os índios ficam doidões ali, dá
- 1:03:53pra gente beber o que eles tão bebendo e aí eles tentaram fazer
- 1:03:55o Cauê limpo. Tem relatos de portugueses que
- 1:03:58tentam fazer o Cauê limpo. Não rolou, né?
- 1:03:59Obviamente se até quebra de amido em açúcares e não vai dar
- 1:04:03pra fazer um Cauã sem mastigação, eles não conheciam,
- 1:04:05obviamente, o processo de quebra de amido em açúcar e o negócio
- 1:04:08ficou parado, né? Depois disso eu tive no Japão em
- 1:04:112016 pra buscar hoje, hoje em dia vocês podem comprar pela
- 1:04:16internet, né? A companhia dos experimentados
- 1:04:18tá aqui. Aliás, o mesha vende tal, mas na
- 1:04:19época não tinha e aí tive que eu fui buscar lá e eu fui em kyoto,
- 1:04:22num lugar que foi recomendado pela guccam, que tem um centro
- 1:04:26cultural incrível, que vende saquê de uma forma muito legal,
- 1:04:28conta a parte do que eu contei aqui, agora que.
- 1:04:31Fica muito bem essa história das tradições ancestrais religiosas,
- 1:04:35o forte envolvimento que o saquê tem, kuchintoísmo, você tem uma
- 1:04:39imersão completa antes de tomar seu saquê e é isso que eu quero,
- 1:04:43adoraria que fosse feito aqui no Brasil, né?
- 1:04:44Por isso que eu quero que seja usado Tupi, enfim, e aí eles me
- 1:04:47indicaram um cara lá no pouquinho, pra distante ali da
- 1:04:51onde tem a gekekan, e eu fui comprar hoje ali, e aí eu falei
- 1:04:54do meu projeto, mostrei o meu projeto pro cara e tal, ele viu,
- 1:04:57tinha um inglês, graças a Deus, o inglês britânico, assim, acho
- 1:05:00que ele estudou fora, mas ele já era de uma sétima geração, de
- 1:05:03produtores de coje. Aí ele me falou assim, mandioca,
- 1:05:06você quer fazer saquê de mandioca?
- 1:05:07Falei, é, espera aí. Ele foi lá atrás, ele trouxe uma
- 1:05:10cepa que ele já vinha evoluindo, que aliás o David Fernando isso
- 1:05:14espero que você guarde isso tudo com 7 chaves que o cara já ele,
- 1:05:19alguém nos anos 70, provavelmente um descendente
- 1:05:21japonês, foi pro Japão. Foi na restart que essa empresa
- 1:05:25pediu para que ele desenvolvesse cepas de coje pra mandioca.
- 1:05:28Mandioca usou o termo nela, nem Yuka não era mandioca e aí ele
- 1:05:31estava desenvolvendo, só que o cara morreu em algum ponto,
- 1:05:33provavelmente a gente teria o cauinho lá atrás dos anos 70 e
- 1:05:36não teve, né? Esse descendente japonês
- 1:05:38provavelmente morreu e a coisa se parou por aí.
- 1:05:40Então, resumindo, muito diálogo, muita conversa, córórtex
- 1:05:44primeiro, depois reptiliano e, naturalmente, a ideia no é se
- 1:05:48beneficiar do conhecimento e da cultura indígena.
- 1:05:52Não é essa a ideia é fazer o contrário.
- 1:05:54A ideia é fazer a culturação às avessas.
- 1:05:55Da mesma forma que os indígenas foram catequizados, eles
- 1:05:58sofreram a culturação de portugueses.
- 1:06:00Agora a gente vai pega essa cultura que era dos indígenas,
- 1:06:03que ele, duras custas, continua viva hoje aqui e ali, entendeu?
- 1:06:07São pequenas centelhas e a gente vai colocar a soprar e vai
- 1:06:10voltar essa cultura indígena, essa proposta.
- 1:06:12Perfeito. E eu gostaria só de fazer um
- 1:06:14arremate da minha pergunta e a minha provocação, não tem
- 1:06:18direto, sim, não tem direta relação à sua iniciativa, mas
- 1:06:23muito a sua particular iniciativa, com a sua
- 1:06:26proposição, que, aliás, é belíssima o líquido e a
- 1:06:29apresentação com grande apelo gastronômico, eu vejo como uma
- 1:06:33possibilidade enorme a parte de todas as premissas que.
- 1:06:37Você comentou da sua introdução à cultura originária nos com
- 1:06:43chefes de cozinha uhum. E o Emiliano, por exemplo, há 20
- 1:06:48anos, ter 1020 anos atrás. E a falta de bebida não é?
- 1:06:52Se você tivesse a oportunidade, como imagino que tenha de alguma
- 1:06:55forma informal a apresentação dessa bebida nesses mesmos
- 1:06:59restaurantes hoje tem uma entrada enorme, sim.
- 1:07:03Então é muito provável que algumas pessoas que estejam nos
- 1:07:06ouvindo esteja já pensando a possibilidade de replicar, ainda
- 1:07:10mais com o seu convite aberto. Não eu.
- 1:07:13Eu tive recentemente o Breno berdula lá do hotel miriano.
- 1:07:15Eu fui lá. Ele recebeu super bem, adorou o
- 1:07:17Cauê. Exato.
- 1:07:18É um trabalho que eu venho fazendo.
- 1:07:19É importante você levar pra esses restaurantes.
- 1:07:21Né, a questão está em. Quanto de responsabilidade ética
- 1:07:25a gente passa a fazer, porque o que existirão certamente serão
- 1:07:30pessoas enxergando os cifrões sim, por trás dessas
- 1:07:33oportunidades estão em apenas vale a pena que a gente dê
- 1:07:36viabilidade econômica, mas que também traga esse propósito de
- 1:07:41reconstrução histórica e cultural.
- 1:07:44Reparação. Reparação, e não, sim,
- 1:07:47apropriação cultural exato com o reavivar cultural, ao contrário.
- 1:07:52Você me fez lembrar de uma coisa muito legal.
- 1:07:54Que de novo, né? Desde 2016 a gente nem fala
- 1:07:57dizendo palestras, falando do cauim, fala de cauim, o pessoal
- 1:08:00fala, pô, esse pagando tá enchendo os sacos, esse negócio
- 1:08:02do cauãn. Mas é importante falar bastante
- 1:08:03disso. Eu lembro que o Paulo açucal
- 1:08:06falou pra mim uma coisa muito legal.
- 1:08:07Eu tive uma sessão com ele, uma sessão mesmo.
- 1:08:10Para entendimento, né, espiritual e tal.
- 1:08:13E ele me falou, cara, assim, uma coisa que é muito, muito Clara,
- 1:08:17tudo vai acontecer a seu tempo, né?
- 1:08:18Não adianta ter ansiedade, sabe? Porque até esse.eu estava super
- 1:08:22ansioso, eu queria achar um parceiro onde eu queria
- 1:08:24produzir, já queria vender e tal.
- 1:08:25Ele falou, tudo vem a seu tempo e é importante porque o tempo de
- 1:08:29compreensão é mais importante do que o se viesse no momento, sem
- 1:08:32o grau correto de compreensão, de entendimento, essa bebida
- 1:08:36seria muito ruim, né? De novo, a minha
- 1:08:38responsabilidade para trazer o calim é enorme, porque da mesma
- 1:08:41forma que imagina qual foi a responsabilidade do cara lá
- 1:08:44atrás no Japão que fez. Com que a bebida ritualística
- 1:08:47dos anos virasse o saquê comercial.
- 1:08:50É, obviamente esse cara não tinha essa consciência, mas hoje
- 1:08:52a gente tem consciência e eu estou à frente de um projeto que
- 1:08:55o peso é muito grande nesse sentido, mas é isso.
- 1:08:58Mas é uma questão muito séria que eu volto a frisar.
- 1:09:00Tem 2 pontos importantes que devem ser observados, que eu
- 1:09:03gostaria que fosse observados, já que o Cauê invento
- 1:09:05tupi-guarani, já que o idioma Tupi foi popularizado no Brasil
- 1:09:09através da expansão Tupi, e já que a palavra cauim é Tupi, por
- 1:09:13favor, vamos tentar manter o processo de produção em Tupi.
- 1:09:16E o segundo, respeito às etnias sempre, né?
- 1:09:19Só aldeias optantes vão produzir e autorizar a produção sem que
- 1:09:23isso aconteça, nada aconteça. E tem um ponto que é legal
- 1:09:25também, que eu descobri esses dias, tava falando aqui pra
- 1:09:27Aline descobrir há um tempo atrás nesses sites tipo gêmea,
- 1:09:31sei lá o quê, que há 16 gerações atrás meu vô era Tibiriçá, a
- 1:09:36minha família Correia de Morais, minha vó, nasceu no centro e eu
- 1:09:39sei que eles eram negociantes de café, né?
- 1:09:41Eu sei que a gente tem o túmulo do cemitério da Consolação, quer
- 1:09:43dizer, eu venho de alguém antigo aqui de São Paulo, só não sabia
- 1:09:46quem que era, aí pesquisando eu vi que pô, tava lá, Antônia,
- 1:09:50como é que é, Antônia Quaresma, tal, tal, tal, tal, tal, eu?
- 1:09:54Então, assim eu descobri que ela agora já não é mais a preparação
- 1:09:57cultural, porque eu sou um dos descendentes de ibiriçá.
- 1:10:00Luís, o pessoal está me perguntando aqui qual é a
- 1:10:03graduação alcoólica desse cauín? Os primeiros que eu fiz a
- 1:10:06graduação alcoólica chegava a 6 no processo japonês, a medição
- 1:10:10era caseira, tá, então não está correto isso, não está preciso.
- 1:10:14O Hildo começou a fazer também na faixa dos 6 e 8%, eu venho
- 1:10:19pedindo para ele até uma vez eu fui no restaurante dom, não
- 1:10:21falei com o Alex, mas falei com o sommelier dele na época que eu
- 1:10:23não lembro quem era. Ele falou, cara, se você quiser
- 1:10:25uma organização legal, aí você tem que ter mais alcoolicidade,
- 1:10:28mais corpo, né? E aí eu soltei esse desafio pro
- 1:10:30Hildo, esse daqui ele conseguiu fazer com 10% de graduação
- 1:10:33alcoólica. Tem uma pergunta do pessoal que
- 1:10:39está nos assistindo em casa, o Bruno pergunta assim, já
- 1:10:42pensaram em alinhar, talvez com a Funai, com o mapa ou outros
- 1:10:46órgãos, uma espécie de compensação pecuniária destinada
- 1:10:49à preservação dos povos originários a partir da
- 1:10:52comercialização do? Cauê, isso aí é inerente, tá?
- 1:10:55Vai acontecer, tem que acontecer, né?
- 1:10:58Eu mesmo, como te falei, né? Eu sou um artista plástico e há
- 1:11:02um tempo atrás eu criei um estilo artístico que é o
- 1:11:05top-pop. Eu queria esse estilo porque eu
- 1:11:07criei indígenas em Toy arte, né? Criei um blog no a coisa é bem
- 1:11:11louca, eu vou vou contar essa história porque é boa, meu filho
- 1:11:14sabia falar o nome de 100 pokémons, aí eu falei Pra Ele,
- 1:11:16beleza, fala o nome de 10 etnias indígenas, não sabia?
- 1:11:19E aí eu entendi que a cultura otaku japonesa tem um potencial
- 1:11:23de passar informação pra Juventude muito grande, né?
- 1:11:26É o que a gente vê quando, por exemplo, uma criança decora o
- 1:11:28nome de 100 pokémons cultura, tá com essa cultura japonesa do dos
- 1:11:31geeks e tal, e aí eu falei assim, pô, legal, e eu tiro em
- 1:11:34blog, né? Eu fiz um blog no qual eu
- 1:11:36coloquei diversas culturas indígenas, os.
- 1:11:39Como base as informações do PIB sociocultural, que aliás eu tive
- 1:11:43lá falando do produto do cauim também, só que infelizmente não
- 1:11:46causou nada ainda, e a minha ideia era fazer esse story artes
- 1:11:49e destinar parte da verba, o PIB socioambiental, né?
- 1:11:52Porque é uma instituição que eu adoro, mas não rolou e também a
- 1:11:55minha populak store não rolou. Eu fiz lá em Pinheiros, mas os o
- 1:11:59blog hoje é supervisitado e ele é uma referência, porque você
- 1:12:03entra ali, você tem informação de qualidade sobre os indígenas,
- 1:12:06você não tem a Índia pelada estigmatizada que o adolescente
- 1:12:09vai entrar e vai ficar vendo por outros motivos, entendeu?
- 1:12:11Você tem um toyarte e eu tomei o cuidado de representar as
- 1:12:14pinturas da forma que elas são, tomei o cuidado de fazer uma
- 1:12:16pesquisa muito legal e conforme o blog, foi evoluindo o que é
- 1:12:19mais legal. Alguns indígenas mandaram e-mail
- 1:12:21para mim, pô, no teu blog faz favor?
- 1:12:23Conta a história de um ter passado meu que foi um grande
- 1:12:25guerreiro, aí eu vou lá e conto, aí eu coloco EE, tenho, então eu
- 1:12:28tenho 11 veículo de 2 mãos desde a época do blog.
- 1:12:31Você vê tudo ao seu tempo, né? É muito legal isso e esse blog
- 1:12:34me ajuda a ter um. Conversa com comunidade indígena
- 1:12:37enorme, eu ilustrei e coloquei ali no blog mais de 240 etnias,
- 1:12:42olha que legal. Então assim, e outra, pra mim é
- 1:12:44ótimo, porque eu acabo fazendo uma pesquisa sobre todas essas
- 1:12:46etnias, né? É óbvio que o Alzheimer aqui 1
- 1:12:49hora vai, vai, eu esqueci de todas eles, mas no mínimo já a
- 1:12:52partir de uma base boa, né? Pra fazer o Cauê.
- 1:12:54E de novo, eu de fato me sinto escolhido para fazer esse
- 1:12:56trabalho de colocar o cauy para o público.
- 1:12:58Eu eu imagino que se fosse pra mão de uma pessoa não muito
- 1:13:01legal, IA ser pior esse trabalho.
- 1:13:04Pois não? Quero só um comentário rápido do
- 1:13:07quão importante esse trabalho em diferentes níveis.
- 1:13:10E um dos principais é essa questão da manutenção das
- 1:13:15culturas dos povos originários. A gente sempre fica bom, eu mais
- 1:13:20acho que do que você, né? Eu acho que eu não tenho
- 1:13:24ancestrais indígenas, sou homem branco, fiz europeu de certa
- 1:13:28forma e tô fazendo bebidas indígenas, assim como a gente
- 1:13:31também tá fazendo cerveja, é uma bebida europeia e vinho e outras
- 1:13:36coisas há muitos anos no. Caso específico das bebidas dos
- 1:13:40indígenas brasileiros. Primeiro que a legislação
- 1:13:42brasileira não prevê. Olha que distorção você entra
- 1:13:46ali. Não depov, né?
- 1:13:48Na legislação brasileira e procura dar um control f em
- 1:13:50mandioca ou aipim ou macaxeira, você vai encontrar ou como vinho
- 1:13:55para o destilado, que é a tiquira ou como adjunto da
- 1:13:59indústria cervejeira. Estamos aqui no evento de
- 1:14:01cerveja. Legal que é um adjunto, é um
- 1:14:03ótimo adjunto, é o carboidrato dessa região do mundo.
- 1:14:06Mas veja ele, esse vinho, esse saquê, não é nenhuma coisa nem
- 1:14:10outra, é um cauãn, não está previsto ali na sua forma
- 1:14:14líquida, não destilada e pior, na nossa ignorância e que de
- 1:14:18certa forma, um etnocídio mais um desses povos que já passaram
- 1:14:22por tantos genocídios, né? Há tantos séculos, ou termo
- 1:14:27cawim sinomi próprio foi registado por uma marca de
- 1:14:31cerveja, pela maior cervejaria, uma das maiores do mundo, Ambev.
- 1:14:35Então, por exemplo, Luis. Eventualmente vai ter problema
- 1:14:39em registrar o nome cauim chacal, porque OINPI, na sua
- 1:14:45enorme ignorância, permitiu que este nome próprio fosse
- 1:14:50registrado como uma marca. É tão surreal isso, gente, que é
- 1:14:53como você entrar num supermercado para comprar um
- 1:14:56vinho. E esse vinho se chama cerveja.
- 1:14:59Imagina uma marca de vinho chamada cerveja?
- 1:15:02Óbvio que não existe, porque cerveja é uma categoria de
- 1:15:06bebida sim, com. Assim como cauim, mas tem
- 1:15:09cerveja com marca registrada, com o nome de categoria de
- 1:15:12bebida indígena, porque nós somos ignorantes e a gente vai
- 1:15:15passando Rolo compressor e então a gente pode registrar cacheri,
- 1:15:20paju e entre outras coisas. Então é uma obrigação que a
- 1:15:23gente tem, é uma Alegria, é um orgulho e isso me tranquiliza
- 1:15:27também. Eu vou lançar, já está aqui ele
- 1:15:29com o rótulo pronto, uma bebida chamada cacheri, posso fazer?
- 1:15:33Não posso. Eu sendo esse homem branco que
- 1:15:35vos fala aqui, eu acho que eu tenho certa obrigação,
- 1:15:37obviamente não vou registrar essa marca.
- 1:15:40Porque não é registrável, é uma categoria de bebida, assim como
- 1:15:44cai, suma, como caicheri. Isso tem que ser falado para as
- 1:15:48pessoas esfregado na cara. Cauim não é cerveja, pode estar
- 1:15:53dentro, pode ser um adjunto, mas ele é a categoria.
- 1:15:56Então como a gente vai mudar isto com esse tipo de discussão
- 1:15:59e botando essas bebidas no mercado, falando para e se tiver
- 1:16:04como ter a participação dos povos originários, Tamires ainda
- 1:16:09eles a sua última coisa. E aí talvez que você vai falar
- 1:16:13que o Luiz vai falar. Se e quando o mapa olhar isso,
- 1:16:16né? O Ministério da agricultura,
- 1:16:18pecuária, abastecimento, olhar isso com um olhar amoroso.
- 1:16:21E reparatório de uma categoria de bebida que foi feita muito
- 1:16:24antes de pensar em lei da pureza da cerveja, pois é a bebida que
- 1:16:28a mulher que é muito mais antiga.
- 1:16:30Aí o registro no NPI cai na hora, porque não tem como ter um
- 1:16:34registro de uma marca, de um negócio categoria de bebida.
- 1:16:37Então, mapa que está aqui hoje. Olha isso daqui, gente, vamos
- 1:16:40lá, existe, não pode ser marca de cerveja para.
- 1:16:44Não imagina. É eu que peço, é não.
- 1:16:46Esse ponto do Fernando é importantíssimo.
- 1:16:48De fato deve ser observado. E quando você fala disso,
- 1:16:51Fernando, uma coisa que até. Eu lembrei na época que a gente
- 1:16:54estava conversando, eu não falei, mas as operações de
- 1:16:56origem controlada, por exemplo, de Champagne, são entidades de
- 1:17:00classe que lutam por questões como essa, né?
- 1:17:03Então, por exemplo, quando o nome champanhe só pode ser
- 1:17:06utilizado dentro da champanhe pra né bebidas feitas com
- 1:17:09chardonet pilon, nois pelominé tal, tal, tal e tem toda uma
- 1:17:13regra, né? Quem sabe hoje aqui o papo meu e
- 1:17:17teu já não nasce o ma OAC de Cau Win e aí sim a gente ganha peso
- 1:17:22e consegue as coisas na sociedade, porque o que a lei,
- 1:17:26por exemplo, o decreto 6871 e sua alteração nada mais foi do
- 1:17:29que uma grande Conquista, porém, em.
- 1:17:32Suficiente para que o Cauê chegue à mesa do consumidor,
- 1:17:35entendeu? E esse ponto é importantíssimo,
- 1:17:37né? A gente está falando de bom,
- 1:17:39enfim, que bom. A cerveja Colorado promoveu o
- 1:17:42nome cauim. Acho que teve até o seu papel,
- 1:17:45mas a partir de um certo ponto, vai ficar insustentável para ele
- 1:17:47ter esse nome de fato. Porque, né, quando você lê,
- 1:17:50acabei de falar que Gonçalves Dias, quando você lê.
- 1:17:53TV lérie e tal. Você está vendo o nome cauim,
- 1:17:56né? Lá atrás tem todos os
- 1:17:57dicionários. Uma categoria, né?
- 1:17:59Muito bem observado. E eu convido a gente aqui agora
- 1:18:03já criar uma apelação de origem controlada.
- 1:18:04Cauê, do inhapambu sul. Luís está falando do blog
- 1:18:09pessoal de casa, está querendo saber como chega no teu blog?
- 1:18:13Ah, eu. Eu na verdade sou blog maníaco,
- 1:18:15né? Eu tenho um blog central que é
- 1:18:17oblema BLEMYA. E aí a partir dele, acho que tem
- 1:18:22outros 21. São uma coisa interessante.
- 1:18:26Eu provei a bebida e olhando Pra Ela, ela aparece um destilado e
- 1:18:30ela não é isso mesmo, né? E eu sinto um residual.
- 1:18:33Esse residual é Oo que sobrou da matéria-prima, que é a mandioca.
- 1:18:38Não é adicionado nada, né? Não, não, não foi adicionado.
- 1:18:41Senti que é um rival açúcar, mas um açúcar diferente.
- 1:18:45Então é intrigante, porque você olhando?
- 1:18:47Fiquei pensando, eu sou cervejeiro caseiro.
- 1:18:49E eu fiquei pensando, como conseguiu chegar uma vida tão
- 1:18:52límpida, né? Tão Cristalina, com essa
- 1:18:54aparência tão destilado? Então é muito interessante.
- 1:18:57Isso aqui a gente deixa os nossos parabéns para o senhor
- 1:18:59Ildo Senna Senna, da Fatec de Araçatuba, e seus alunos, né?
- 1:19:02Porque foi o trabalho deles. É basicamente o que você
- 1:19:04encontra aqui, mandioca, água. Levedura e enzimas para quebra
- 1:19:09do milho só que assim, as leveduras e as enzimas e
- 1:19:12minúscula quantidade, né? Elas cumprem um papel
- 1:19:14enzimático, né? Vão quebrando substratos e a
- 1:19:17quantidade é mínima. Então basicamente que você tem
- 1:19:19aqui a fécula de mandioca, água e eleveduras, se todos eles têm
- 1:19:23a mesma aparência, não, não tem aqui passou por um processo de
- 1:19:26clarificação com betonita, né? Provavelmente Oo Hildo costuma
- 1:19:29fazer 40 dias, não sei se ele chegou a 40 nesse, né?
- 1:19:32Eu fiquei surpreso com o tom, para falar a verdade, tá, porque
- 1:19:35saiu um tom meio amarelo esverdeado.
- 1:19:37Tem algumas fotos que a gente faz, eu fiz uma apresentação do
- 1:19:39bar combo e te levei um cauãn lá de 2019 não desse, e o cauim
- 1:19:43estava muito esverdeado, falei e ficou bonito, ficou legal pra
- 1:19:46caramba de novo, é uma bebida nova, uma cultura que nasce, né?
- 1:19:48Tem uma coisa que eu achei muito legal, eu tive em Belém e
- 1:19:51comprei uns potezinhos de cerâmica de uma comunidade
- 1:19:53indígena e aí sei lá como sou artista plástico, fico colocando
- 1:19:57o Cauê diferente, Fortes, porque eu tô estudando a garrafa, é uma
- 1:20:00cultura que tá nascendo, concorda?
- 1:20:02E aí eu coloquei num pote de cerâmica que eu comprei lá, né,
- 1:20:05de Belém, e deixei num canto lá, coloquei um papelzinho por cima,
- 1:20:07um copinho, ficou bonito, deixei num canto, e aí eu reparei que
- 1:20:10no ano seguinte, na parte de. Fora da garrafa, estava
- 1:20:14parecendo uma cristalização branca.
- 1:20:16Falei, cara, que louco isso, que que é?
- 1:20:18Da onde que veio isso aí, né? E eu reparei que a cerâmica, ela
- 1:20:21era semipermeável e estava indo um pouquinho do Cauã in pra fora
- 1:20:24e estava formando uma cristalização de mandioca ali e
- 1:20:27bonita, legal pra caramba, não era fungo, você passava a mão,
- 1:20:29tinha gosto de mandioca, sabe? Aí me lembrou, por exemplo, que
- 1:20:33na região de conhaque, né, você identificava a casa de quem tá
- 1:20:36ou né, os fiscais e o pessoal do que estava cobrando impostos na
- 1:20:39época, eles identificavam quem estava produzindo conhaque,
- 1:20:42porque via uma formação de um fungo específico nas paredes das
- 1:20:46casas, né? Então é uma cultura que nasce,
- 1:20:48quem não garante que daqui a um tempo alguém vai vender?
- 1:20:51Tawin que tem essa cristalização branca como uma iguaria.
- 1:20:55A gente está aprendendo com essa vida.
- 1:20:57Ela vai ensinar o caminho pra gente.
- 1:20:58Isso que é a parte mais legal dessa história toda.
- 1:21:00Vocês fizeram uma escolha também de um calo em específico.
- 1:21:03Tupi, né? Mas tem Cauê, por exemplo, que
- 1:21:05leva a própria farinha do milho, né?
- 1:21:08Tem outras adições que podem ter quem não só mandioca.
- 1:21:11Então é que a escolha deles foi a mandioca e a água, né?
- 1:21:14Eu estou falando do cauindo em apambuçu, que é isso aqui é o
- 1:21:17meu cauim Tupi do triângulo histórico de São Paulo.
- 1:21:20Né? Hoje em dia você olha o prêmio
- 1:21:21histórico de São Paulo. Como que alguém pode produzir
- 1:21:23uma bebida aqui? Não fala?
- 1:21:26De fato é. É essa roxa, né?
- 1:21:28Tem também. Então tem um calinho de outras.
- 1:21:30Exato, né. Outras.
- 1:21:32E eu espero, né? Vai ser o meu sonho é você vai
- 1:21:34no mercado, você encontra lá cauin ou a ura cauindo, os
- 1:21:37guaranis emboás da comunidade de sei lá, entendeu?
- 1:21:41E você tem diversos cauins, cada um com a sua particularidade,
- 1:21:43como se fosse o mundo de saqueza ou do vinho.
- 1:21:45É rico, é rico, é uma forma de não só vender uma bebida, mas de
- 1:21:49vender cultura, de passar a cultura para o mundo.
- 1:21:52O último comentário? Último comentário?
- 1:21:54Fernando fez um ótimo comentário que você complementou,
- 1:21:58comentando da possibilidade de, em algum momento, OINPI
- 1:22:02inclusive cair com argumentações muito culturais, muito Fortes.
- 1:22:06Vai acontecer, mais ou menos dia vai acontecer.
- 1:22:08Sim, em algum momento me ocorreu fazer essa pergunta que você, no
- 1:22:12final das contas, levantou lembrando de uma marca de
- 1:22:15cervejas que leva o nome Cauê e que de alguma forma se apropria.
- 1:22:19Fazer um comentário muito rápido em relação ao histórico pra
- 1:22:23chegar a essa marca. Essa marca hoje é parte do
- 1:22:26arcabouço de marcas da Abi, de fato, mas ela originalmente foi
- 1:22:31desenhada pela Colorado, que você bem lembrou, e por um homem
- 1:22:35em particular que aqui não está. E falo porque tive a
- 1:22:38oportunidade de conviver com ele durante essa fase de redesenho
- 1:22:42do portfólio da Colorado à época.
- 1:22:44E a cauim veio com uma vontade muito genuína de fazer valer os
- 1:22:49povos originários. E essa memória de uma bebida?
- 1:22:53À base de mandioca, ainda que tivesse.
- 1:22:56Eu quero até colocar o dedo, eu tenho um amigo da Cauê Colorado.
- 1:22:59Que eu respeito muito, eu entendo que a proposta foi
- 1:23:01exatamente essa, tá? Sim.
- 1:23:02E Marcelo Carneiro, ele ele tinha de fato, essa genuína
- 1:23:07vontade. Não era não.
- 1:23:10Era 11. Vontade muito, digamos,
- 1:23:12capitalista de. Passar o Rolo compressor?
- 1:23:16De qualquer forma, vale comentar que aquele momento, digamos,
- 1:23:212006 2007, onde pouco se discutia isso, deve ter passado
- 1:23:26desapercebida esse tema de se apropriar culturalmente de um
- 1:23:30nome que se vale por uma categoria, uma bebida, e não
- 1:23:33para uma marca, quiçá com hoje Ambev.
- 1:23:37A gente possa ter não só uma articulação política à parte do
- 1:23:41que já foi comentado com o Funai, com o mapa de fazer
- 1:23:45valer, caiu OINPI, mas que não seja um embate comercial.
- 1:23:50E que a própria Abi caia por si, entendendo e reapropriando de
- 1:23:56maneira pacífica esse tema. E talvez esse imperativo moral
- 1:24:00seja muito mais valioso do que o imperativo capital por trás
- 1:24:04dessa marca. Quiçá a gente chegueaesse.eu.
- 1:24:07Imagino que isso possa vir a ser uma realidade daqui alguns anos.
- 1:24:11Excelente.eu também não curto muito a beligerância, até porque
- 1:24:15o mercado de bebidas todos se conhecem, um faz uma besteira
- 1:24:18aqui, outro faz uma besteira ali, aos olhos de alguns amigos
- 1:24:20meus, e eu tô fazendo uma besteira aqui, mas o fato é que
- 1:24:23a gente tem que se respeitar, né?
- 1:24:24Acho que é bem isso. E o mercado de bebidas é um
- 1:24:26mercado super legal, que passa a cultura, passa a união.
- 1:24:30Eu espero também que seja uma operação de origem controlada,
- 1:24:33senta-se e negocia-se, executa-se, simples, direto, dá
- 1:24:37vontade de todos, vinculado a órgãos e vinculado a entidades,
- 1:24:40que é mais importante. Os órgãos são importantes, mas
- 1:24:42as próprias aldeias são mais, muito mais importantes.
- 1:24:45A conversa direta sempre a. Melhor opção.
- 1:24:48Muito bem observado, é um excelente ponto.
- 1:24:54Muito obrigada, acho que foi uma mesa ultraproveitosa, com muitas
- 1:25:00informações, muitas instigações. Basicamente, é isso que eu quero
- 1:25:04fazer um convite. As pessoas falam, poxa, Luís,
- 1:25:07por que que você não registra o carrinho e sai na não, não é
- 1:25:10essa ideia. A ideia é convidá-los, é
- 1:25:12convidá-los a fazer os seus cauins.
- 1:25:14Eu sei que tem muitos produtores de bebida não só aqui presentes
- 1:25:16hoje, como também assistindo, passam suas experiências.
- 1:25:20Eu eu estou completamente aberto para que?
- 1:25:23Ajudar nessas experiências porque, afinal de contas, eu já
- 1:25:25andei alguns passos nesses nesse caminho.
- 1:25:27É, espero que tenha aldeia, gente de aldeia assistindo.
- 1:25:31Me coloco a inteira disposição para a gente criar essas
- 1:25:35unidades de produção e melhorar um pouquinho a situação de
- 1:25:38algumas aldeias que eu, das poucas que eu visitei, eram
- 1:25:42infelizmente não muito boas, e eu acho que é isso, a gente não
- 1:25:45deve esperar, vim de governo, de instituições, não vamos fazer o
- 1:25:47nosso entendeu? Faz aquilo que você tem que
- 1:25:50fazer hoje, se você tem uma ideia boa, executa e se for com
- 1:25:54respeito ao Cauê, eu ajudo. Acho que é esse o recado que
- 1:25:57iria passar. Muito obrigado, muito obrigado,
- 1:25:59Aline, pelo convite. Sem palavras para agradecer
- 1:26:01vocês, toda a organização do evento.
- 1:26:04A quem me serviu essa manipueira que é incrível.
- 1:26:06Muito obrigado. Eu tenho um agradecimento gerais
- 1:26:08aqui. Obrigada, também queria
- 1:26:10agradecer. Acho que essa mesa é importante
- 1:26:13para a gente trazer outras ciências para a pauta da
- 1:26:16cerveja, né? Então é cada vez mais poder
- 1:26:19trazer outros temas que não só a produção diretamente, porque
- 1:26:23como a gente falou cada vez que a gente.
- 1:26:25Faz uma cerveja, está contando uma história, seja uma história
- 1:26:28da Alemanha, da Itália, da França, estamos contando de
- 1:26:31Brasil. Então acho que é importante a
- 1:26:33gente também trazer esses outros conhecimentos para cada vez mais
- 1:26:37construir uma escola brasileira mais consistente, uma cerveja
- 1:26:41brasileira mais consistente, e postamos com isso também, trazer
- 1:26:45mais inspirações criativas. Eu acho que é isso, é é
- 1:26:48inspirador conhecer o que o Brasil tem para mostrar e acho
- 1:26:52que amanhã a feira vai coroar isso de forma muito bonita
- 1:26:55também, né? Trazer as leveduras selvagens,
- 1:26:58trazer frutas, trazer. Todas essas esteridades que está
- 1:27:01em tudo isso que está aí, antes de nós, seres humanos, AA
- 1:27:06natureza, já estava ali. Então eu acho que é muito legal
- 1:27:08a gente poder trazer tudo isso para a conversa.
- 1:27:11Muito obrigada. Encontre o selvagem é um
- 1:27:27programa realizado pelo canal surra de lúpulo abraserva e com
- 1:27:31apoio nesta temporada do conselho federal de química CFQ
- 1:27:36sigam arroba encontro selvagem no Instagram e não percam nenhum
- 1:27:40conteúdo. Este podcast foi editado por
- 1:27:52play áudios.