Latest / O Aviário Podcast · by PPGVET / Dra. Dilmara Reischak: Vigilância Sanitária na Avicultura Brasileira | Ep. 77
Transcript
- 0:00Bom, a gente já vinha se preparando para a entrada
- 0:02da influência no país, sei lá. Eu
- 0:05tô aqui no LFDA há 22 anos. Desde
- 0:08que eu entrei, isso já era uma constante, né? A
- 0:11influência vai chegar, a influência vai chegar, a
- 0:14gente só não sabia como. Olá
- 0:25pessoal, obrigada por estarem acompanhando mais
- 0:28uma vez o Aviário Podcast. Bem
- 0:30-vindos, bem -vindas. Eu sou Catarina Estefanel. É
- 0:33um prazer estar aqui conversando hoje com a
- 0:36doutora Dilmara Aishak. A doutora Dilmara é médica
- 0:40veterinária, mestre em ciências veterinárias pela
- 0:43URCS. Ela é doutora em epidemiologia,
- 0:45experimental, aplicada às onoses pela USP. E
- 0:49atualmente é auditora fiscal federal à Grupe Quária do
- 0:52Malpa e também responsável técnica substituta pelo
- 0:56laboratório de diagnóstico e identificação genética animal
- 0:59do Laboratório Federal de Defesa à Grupe Quária, no
- 1:03LFDA em São Paulo. Muito prazer, doutora Dilmara.
- 1:08Obrigada por aceitar o nosso convite
- 1:09pela disponibilidade de participar nessa conversa
- 1:12comigo hoje. Obrigada Catarina. Eu
- 1:15que agradeço o convite de vocês. É
- 1:17um prazer estar aqui no Aviário hoje. E
- 1:20estamos aí para responder suas perguntas, sanar
- 1:23curiosidades, o que a gente puder ajudar. Tá
- 1:26bom? Bom, você trabalha numa área tão
- 1:29importante para nossa avicultura. E
- 1:33nós já gravamos alguns podcasts, assim, alguns
- 1:35episódios em que nós recebemos pessoas,
- 1:37especificamente para falar sobre influência aviária,
- 1:40dada a grande importância desse tópico. E
- 1:44você também é uma das pessoas que trabalha
- 1:46especificamente com isso mais ligada à parte
- 1:50laboratorial. Podemos começar, talvez, com
- 1:54atualizações, como é que está o cenário em relação
- 1:56às amostras, para mostrar justamente a importância
- 1:59dessas análises que são feitas, dessas monitorias. O
- 2:04público que nos acompanha aqui é bem diverso. E
- 2:06ele gosta sempre de se manter atualizado. Então,
- 2:08nada melhor que a gente se atualizar agora. Bom,
- 2:13Catarina Influenza entrou efetivamente no país em
- 2:17maio do ano passado. Primeiro
- 2:20foco foi detectado ali pelo dia entre 12 e 15 de
- 2:25maio. E desde então o número de
- 2:28ocorrências, ou seja, de investigações feitas pelo
- 2:31mapa, aumentou muito. E só para o pessoal que
- 2:37assiste o podcast entender, todas essas investigações,
- 2:41ou seja, suspeitas de influência aviária, que são
- 2:44atendidas pelo serviço oficial, veterinário oficial,
- 2:49elas vêm para o LFDA São Paulo, que é o Laboratório
- 2:51de Referência Nacional para o Diagnóstico da Influenza
- 2:54no Brasil. Só para vocês terem uma ideia,
- 2:57antes da influência efetivamente ser detectada
- 3:01no território nacional, nós recebíamos amostras de, no
- 3:07máximo, sem investigações por ano, estourando sem
- 3:13investigações por ano. Em 2023, vou trazer um outro
- 3:19dado para vocês, foram quase 700 ocorrências
- 3:22atendidas. Então, assim, a gente está
- 3:24trabalhando no laboratório com uma quantidade de
- 3:27amostras sete vezes superior a que a gente costumava
- 3:31receber na rotina até a chegada da influência. Isso
- 3:35daí por ano, é quase 10 mil amostras analisadas,
- 3:40porque cada ocorrência dessas gera um determinado
- 3:44número de amostras. E a partir daí de todos os
- 3:48ensaios que a gente faz, vocês conseguem acompanhar
- 3:51no painel do mapa que está disponível online, quantos
- 3:55focos já foram detectados. A
- 3:57gente está hoje com 160 focos de influência viária
- 4:01de alta patogemicidade causada pelo subtipo H5N1
- 4:05do vírus e temos quase que diariamente novas
- 4:09investigações em andamento. Mas
- 4:13não é só isso que o mapa e o LFDA estão fazendo
- 4:19para a influência viária. Isso
- 4:20que eu falei para vocês é muito específico, é o que
- 4:22a gente chama da vigilância passiva, ou seja, o
- 4:25atendimento a um caso suspeito, mas a gente
- 4:28também faz uma vigilância ativa. O
- 4:31serviço veterinar oficial vai atrás. Isso
- 4:34é feito de forma coordenada com um delineamento
- 4:38experimental. Essa vigilância ativa tem ciclos
- 4:42anuais, a gente está agora no ciclo 2023, 2024. E
- 4:48só a de vigilância ativa, que é feito tanto na
- 4:51agricultura comercial, como na agricultura de
- 4:53subsistência, a gente já está na casa de quase 7
- 4:58mil amostras analisadas, sendo que em 2023, somando
- 5:03tudo que foi processado no LFDA São Paulo e no LFDA
- 5:07Rio Grande do Sul, que nos ajuda com parte dessas
- 5:09análises, a gente teve mais de 40 mil amostras
- 5:13analisadas. Então vejam que é um volume
- 5:16grande de amostras processada por ano. E
- 5:21que impacta na rotina do laboratório e até no
- 5:26comércio. Na hora que a gente libera
- 5:29esses resultados, os nossos parceiros comerciais estão
- 5:33lá de olho no painel do mapa para saber onde estão
- 5:36as ocorrências, em que estado que tem em caso
- 5:38suspeito, se já saiu o resultado, porque os
- 5:41encortadores de carne de frango se importam com
- 5:45isso. Eles querem saber. Então
- 5:47aquele painel é muito importante para a
- 5:49transparência dos nossos dados. Imagine
- 5:54ter à disposição uma solução que combine rapidez
- 5:57e interpretação personalizada para gerenciar os riscos
- 6:00das micotoxinas em sua empresa? Pega
- 6:03as o science e a resposta. Realizamos
- 6:05a quantificação em tempo real das principais
- 6:08micotoxinas, promovendo decisões mais assertivas,
- 6:11resultando em um gerenciamento macroeconômico
- 6:14e sustentável. Eu quero aproveitar para
- 6:19parabenizar o trabalho de vocês. Esse
- 6:22trabalho intenso que vocês sempre fizeram, mas que
- 6:25especialmente agora vocês têm se dedicado ainda mais.
- 6:31Eu vi que você está com a
- 6:32camiseta do LFDA. Eu acho que para conceituar
- 6:38também eu queria pedir para você contar um pouco qual
- 6:41que é o papel, o trabalho do LFDA São Paulo, como
- 6:44referência também na Organização Mundial da
- 6:46Saúde, o que vocês têm trabalhado. O
- 6:51LFDA São Paulo é um dos LFDAs. No
- 6:55total a rede LFDA consiste de seis laboratórios e o
- 7:00nosso aqui em Campinas, a área de diagnóstico animal
- 7:03é dedicada ao diagnóstico de doenças das aves. Mas
- 7:08qualquer doença de aves? Não,
- 7:12apenas aquelas que estão contempladas no Programa
- 7:15Nacional de Sinidade Avícola do mapa. Então
- 7:18o nosso laboratório faz diagnóstico oficial da
- 7:21influenza viária, da doença de Newcastle, das
- 7:24salmonellosis aviárias e das micoplasmosis aviárias. O
- 7:31nosso laboratório surgiu na década de 80, não com esse
- 7:35nome, não era sequer LFDA, o nome do próprio
- 7:38laboratório foi mudando ao longo do tempo, mas a área
- 7:42específica voltada para a sanidade avícola surgiu na
- 7:46década de 80 e por uma necessidade muito básica de
- 7:50fazer o controle do material genético avícola
- 7:53que era importado pelo Brasil. Nós
- 7:56sempre fomos dependentes dessa importação de material
- 8:00genético avícola e por causa dos casos de
- 8:02influenza em Newcastle, na América do Norte, que já
- 8:05tinha naquela ocasião, surgiu essa necessidade do
- 8:08mapa controlar o que a gente estava importando para
- 8:11assegurar que não estava entrando essas doenças no
- 8:13país. Então esse foi o propósito e por
- 8:16que foi em Campinas? Porque perto de viracopos e as
- 8:19importações sempre chegaram e chegam até hoje de
- 8:23material genético avícola por viracopos? Então
- 8:25essa proximidade com a aeroporto facilitava a
- 8:30logística e a unidade surgiu. Pois
- 8:33bem, a unidade começou então na década de 80
- 8:38fazendo ali o beabá, o arroz com feijão e conforme
- 8:43a vicultura nacional foi crescendo, novas demandas
- 8:46foram surgindo para atender esse aumento da produção
- 8:51avícola nacional também e foram sendo implementadas
- 8:54novas tecnologias, novas metodologias para fazer o
- 8:59diagnóstico cada vez mais rápido e mais preciso
- 9:02dessas doenças que são de interesse para o Ministério
- 9:06da Agricultura. Lá pela década de 90 surgiu a
- 9:11necessidade, por exemplo, de nós termos um laboratório
- 9:14com nível de biosegurança para poder manipular mostras
- 9:17suspeitas de Newcastle. Então
- 9:19em 95 a gente inaugurou o primeiro laboratório aqui,
- 9:24Mil Seguros, para manipular essas amostras suspeitas e
- 9:28a avicultura continuou crescendo e a necessidade
- 9:32de continuar crescendo com o laboratório também. E
- 9:35aí a gente chega naquela fase em que as metodologias
- 9:39de biologia molecular passam a ser as grandes estrelas
- 9:43nos laboratórios, principalmente nos
- 9:46laboratórios fora do país. E
- 9:49claro que veio uma cobrança, principalmente da
- 9:52iniciativa privada, para que o LFDA se adequasse a
- 9:55isso, porque as metodologias que nós usávamos na época,
- 9:58tanto para a detecção de vírus quanto de bactéria,
- 10:01eram as metodologias convencionais de laboratório,
- 10:04o isolamento em ovo para vírus, o isolamento em meio
- 10:08de cultura para bactéria. E aí nós começamos então, o
- 10:13mapa começou um investimento para que essas metodologias
- 10:18de biologia molecular fossem implementadas aqui no
- 10:21laboratório. Isso é claro que levou um
- 10:24tempo, no serviço público tudo é mais devagar do que
- 10:27na iniciativa privada. A gente precisa de recurso
- 10:31público para fazer isso, precisa capacitar o pessoal.
- 10:34Então em 2008 nós efetivamente
- 10:37entramos na era da biologia molecular, para o
- 10:40diagnóstico das enfermidades de controle oficial aqui no
- 10:43LFDA São Paulo. A partir daí, só para vocês
- 10:46terem uma ideia, um diagnóstico de doença de
- 10:49Newcastle, que podia demorar até três semanas, passou a
- 10:55ser dado em sete dias. Então
- 10:59isso trouxe um ganho para os colegas da defesa
- 11:03sanitária animal. Antes eles precisavam ficar
- 11:06esperando, imagina três semanas para ter um
- 11:08diagnóstico confirmatório de Newcastle, enquanto a granja
- 11:11estava lá interditada, não podendo ser liberada. E
- 11:15a partir desse momento começou a tudo ir muito
- 11:18mais rápido. Hoje em dia, por exemplo, com a
- 11:22influenza a gente dá esse resultado em 24 horas.
- 11:24Então de 2008 para cá também a
- 11:27gente deu um salto, evoluiu bastante. E
- 11:30isso é importantíssimo para defesa agropecuária, ter
- 11:35essa resposta rápida do laboratório para que as
- 11:37ações de campo possam ser tomadas rapidamente também.
- 11:42E aí no meio disso tudo,
- 11:44Catarina, da gente implementando mais e mais
- 11:47metodologias e o laboratório crescendo para atender essa
- 11:50demanda da própria agricultura nacional, surgiu
- 11:54uma necessidade regional de ter um laboratório de
- 11:57referência que não fosse na América do Norte e nem na
- 12:02Europa, que é onde estavam localizados os laboratórios
- 12:06de referência da ONSA, ou a Organização Mundial de
- 12:09Saúde Animal. Em 2006, pela primeira vez, o
- 12:14mapa submeteu a Organização Mundial de Saúde Animal, a
- 12:18Antiga OIE, a candidatura do nosso laboratório aqui
- 12:22em Campinas como laboratório de referência. Essa
- 12:25candidatura ocorreu num encontro de laboratórios de
- 12:31referência que aconteceu em Santa Catarina, em
- 12:34Florianópolis, que foi o primeiro organizado pela
- 12:37ONSA específico para laboratórios de referência.
- 12:40E lá o mapa então nos
- 12:44apresentou para a ONSA, para a OIE na época, e
- 12:49disse assim, queremos ser referência. Foi
- 12:52um evento, todo mundo aguardando ansiosamente. E
- 12:56a OIE na época retornou para a gente o seguinte,
- 13:00olha, a gente reconhece a capacidade técnica de vocês,
- 13:03a expertise dos profissionais, mas vocês têm
- 13:07umas coisinhas para melhorar, antes de serem
- 13:09referência. Vocês precisam ter o diagnóstico
- 13:12molecular completamente implementado, precisam ter
- 13:16uma melhor estrutura de biosegurança, precisam ter
- 13:19maior interação internacional, precisam ser
- 13:22conhecidos internacionalmente. E
- 13:24depois que vocês fizerem essa lição de casa, aí a
- 13:27gente rever essa candidatura de vocês. E
- 13:31foi lá também que a própria ONSA sugeriu que
- 13:37nós fizéssemos uma parceria com um laboratório de
- 13:40referência, um laboratório já instituído, né? E
- 13:45nós fizemos tudo isso, né? Começamos
- 13:47um programa de twinning, ou agemilamento, com um
- 13:51laboratório americano que já é referência para ONSA há
- 13:54muitos anos, e começamos a implantar a biologia
- 13:58molecular, começamos a conceber o projeto do nosso
- 14:01novo laboratório, que está aqui hoje de pé,
- 14:03funcionando com um NB3 supermoderno, que não deixa
- 14:08nada a desejar para nenhum laboratório do mundo. E
- 14:12aumentamos a nossa interação internacional. E
- 14:15como que foi isso? Como eu falei lá no início, os
- 14:20países da região sempre sentiram necessidade de ter
- 14:22um laboratório de referência, né? Quando
- 14:25nos reuníamos em alguns eventos e tal, esse assunto
- 14:29sempre vinha à tona. Por que a gente não tem um
- 14:32laboratório de referência na região? Quem
- 14:36gostaria de ser laboratório de referência na região,
- 14:39né? E é um assunto delicado,
- 14:43porque ser laboratório de referência traz consigo
- 14:46muitas atribuições. E todo mundo que é técnico
- 14:49de laboratório sabe da dificuldade que seria manter
- 14:53um laboratório de referência, aqui na região,
- 14:57em qualquer dos nossos países. Pois
- 15:00bem, em 2014 a gente fez uma reunião aqui no LFDA
- 15:05de São Paulo, reunimos todos os países, junto com
- 15:09uma representante do NBSL, Laboratório de Referência
- 15:12Americano. Foi uma iniciativa apoiada
- 15:16também pela BPA, na época, o BABEF. E
- 15:20nós fundamos, então, a rede sul -americana de diagnóstico
- 15:25de influência em Newcastle. Essa
- 15:27rede é constituída pelos laboratórios oficiais de
- 15:30diagnóstico de influência em Newcastle de nove países da
- 15:33região. E o LFDA, a partir do
- 15:37momento que ele se foi reconhecido como laboratório
- 15:41de referência da Organização de Audeção de Animal, ele
- 15:43passou também a ser o coordenador dessa rede.
- 15:47Então, veja que hoje nós temos
- 15:49muitas atribuições, né? Se nós formos ver aquele
- 15:51laboratório lá da década de 80, que começou para
- 15:54atender uma demanda muito pontual de importação de
- 15:58material genético à vícola, né? Ao
- 16:01longo de todos esses anos, nós tivemos que implementar
- 16:05várias metodologias. Nós somos laboratório coordenador
- 16:10de uma rede sul -americana de laboratórios. Fomos
- 16:13reconhecidos como laboratório de referência da OIE em
- 16:162016, então temos aí quase oito anos já desse
- 16:20reconhecimento, né? E seguimos atendendo todas as
- 16:26demandas do mapa, né? E mais do que isso, não só
- 16:31atendendo, como implantando procedimentos e metodologias
- 16:35para que esse atendimento seja cada vez mais rápido,
- 16:38que a detecção das doenças seja precoce, com
- 16:41metodologias sensíveis específicas, né? Então,
- 16:45assim, ao longo desses mais de 30 anos, o laboratório
- 16:52cresceu muito, né? E são coisas que realmente as
- 16:57pessoas às vezes não, de fora, não conseguem
- 17:00acompanhar ou desconhecem completamente, né, Catarina?
- 17:04Do tanto que o diagnóstico
- 17:06evoluiu dentro do mapa. Que história bonita, né? Depois
- 17:10eu vou querer entrar nessa parte de diagnóstico, de
- 17:13técnicas, mas antes eu queria perguntar assim, na
- 17:18verdade, pedir para você contar para nós como é que
- 17:20foi a chegada dos primeiros casos, a detecção e também
- 17:25as demandas que o laboratório tem tido, né,
- 17:27atualmente. Bom, a gente já vem se
- 17:30preparando para a entrada da influência no país, sei
- 17:34lá, eu estou aqui no LFDA há 22 anos. Desde
- 17:37que eu entrei, isso já era uma constante, né? A
- 17:41influência vai chegar, a influência vai chegar, a
- 17:44gente só não sabia como. Foi
- 17:47no dia 19 de outubro de 2022, que ela efetivamente
- 17:52entrou na região, na Colômbia, né? E
- 17:56foi uma situação curiosa, porque nós, da resúdio, né,
- 18:00da rede, estávamos reunidos nesse dia, numa reunião lá
- 18:03em Buenos Aires, numa reunião anual. E
- 18:07foi o dia que a influência chegou, nenhum de nós vai
- 18:10esquecer, é óbvio, né? Porque
- 18:12começaram rumores nessa reunião, né? Ah,
- 18:16viram, tem influência na Colômbia e tal. E
- 18:20ninguém acreditava, porque naquele momento era um
- 18:23rumor, será que é verdade ou não, né? Foi
- 18:25todo mundo para as redes sociais, para o Google
- 18:27procurar se era verdade. Mas
- 18:29aí o próprio colega da Colômbia, que estava lá
- 18:32conosco, uma hora, ele reuniu todo mundo e falou.
- 18:36E aí, a partir desse momento,
- 18:38Catarina, nossa vida mudou consideravelmente, assim. A
- 18:42gente passou do momento de calmaria para a tormenta,
- 18:46né? Rápidamente, assim. E
- 18:49por quê? Como eu falei para vocês, nós
- 18:51somos laboratórios de referência da Organização
- 18:54Mundial de Saúde Animal. É de praxe que laboratórios
- 18:58que não são de referência mundial, né? Encamim
- 19:03suas amostras positivas por um laboratório de referência
- 19:07da OIE para serem confirmados. E
- 19:10foi justamente isso que aconteceu com o primeiro
- 19:12caso da Colômbia. Os colegas do Laboratório de
- 19:15Referência Nacional, lá em Bogotá, diagnosticaram o
- 19:19caso, fizeram os ensaios preliminares e enviaram
- 19:23essas amostras aqui para a gente, para que a gente
- 19:26confirmasse o resultado deles. A
- 19:29partir daí, nós já começamos a nos deparar com
- 19:32uma situação ao qual não estávamos acostumados, porque
- 19:35como a gente não tinha influência na região, foi a
- 19:38primeira vez que a gente foi demandado para
- 19:40confirmar, né? Fazer uma confirmação
- 19:42internacional. Mas isso nos trouxe muito
- 19:45aprendizado também. Porque a gente tinha que dar uma
- 19:48resposta rápida para eles, né? Porque,
- 19:51afinal, mandaram para o Laboratório de Referência e
- 19:53vem cá, a gente quer saber, é mesmo um H5, qual
- 19:56é o N, é de autobaixa patogênicidade, e a gente
- 20:00quer que vocês nos digam. Então,
- 20:02a gente precisou correr atrás num curto espaço de
- 20:04tempo de melhoria, das nossas metodologias, para
- 20:08conseguir dar esse retorno aos demais países. E
- 20:11a partir daí também começaram a incrementar as
- 20:14amostras de ocorrências aqui no Brasil. Porque,
- 20:18claro, nas fronteiras se intensificou a vigilância,
- 20:22qualquer ave que aparecesse doente já era uma suspeita
- 20:25de influência aviária. A partir daí, então, já
- 20:29começou um crescente no nosso recebimento de
- 20:32amostras suspeitas, e a gente teve que se organizar
- 20:35internamente para atender a isso. Conturnos
- 20:37de trabalho, trabalho ao final de semana, né? Como
- 20:42encaixar as amostras dos outros países que são
- 20:45importantes. Dentro da nossa rotina de
- 20:50trabalho, sendo que ocorrências do Brasil
- 20:52estavam chegando ao mesmo tempo, né? Como
- 20:55fazer isso da melhor maneira possível para que
- 20:58todos tenham a sua resposta num curto prazo. Então,
- 21:01assim, mas foi excelente. Porque
- 21:07a gente começou a se preparar já para o pior
- 21:10que viria, que foi quando o primeiro caso foi
- 21:12detectado em maio de 2023, no 30 Reis de Bando, lá
- 21:17do Espírito Santo, né? Como os casos, vou explicar para
- 21:21vocês, como os casos estavam acontecendo no
- 21:24Pacífico, para o lado do Pacífico, Bogota, Colômbia,
- 21:29depois Equador teve também, Bolívia, Chile, estava
- 21:35descendo lá. A gente esperava que a gente
- 21:37fosse detectar o primeiro caso lá pelo Rio Grande do
- 21:40Sul, que descessem as aves e depois entrasse pelo
- 21:45Atlântico por lá, ou que viesse por dentro do
- 21:48continente, né? E a gente pegasse na
- 21:51fronteira ali com o Brasil. E
- 21:53não foi o que aconteceu. Quando
- 21:55a gente se deparou com aquele resultado positivo do
- 21:5730 Reis do Espírito Santo, em maio, no final de
- 22:01semana, ali de 12 a 15, foi um pega para capar,
- 22:05porque a gente estava se preparando para detectar o
- 22:09primeiro caso. Mas a gente sempre fica
- 22:11esperando também que ele não aconteça, né, Catarina?
- 22:13Essa é a verdade. Ah,
- 22:14enquanto estiver nos outros países, está bom. Mas
- 22:17aqui não. E aí sim que a vida virou
- 22:21de cabeça para baixo, né? Como
- 22:23eu falei para vocês, a gente passou de 100
- 22:25notificações por ano para quase 700. E
- 22:29isso para um laboratório é um aumento surreal, assim,
- 22:33né? Claro que sempre nos falaram ao
- 22:35dia que vocês tiverem influência, os outros
- 22:37laboratórios, que estavam acostumados. O
- 22:40dia que vocês tiverem influência, vocês vão ver,
- 22:41né? Que nada é suficiente. E
- 22:43realmente é verdade. Os equipamentos que a gente
- 22:45tinha já eram poucos. O pessoal que a gente tinha
- 22:48já era pouco, né? Os insumos que a gente tinha
- 22:51já eram poucos. Então, assim, a gente teve que
- 22:54lançar a mão de várias estratégias para utilizar,
- 22:56com sabedoria, todos os recursos, né? Financeiros,
- 23:00humanos, os nossos equipamentos para atender
- 23:04essa demanda, né? Mas tudo é aprendizado, né? E
- 23:09até anterior a isso, ao caos da influência, eu
- 23:13diria que uma escola muito boa que nós tivemos e que
- 23:16eu lembrei agora, foi a pandemia do Covid. Porque
- 23:19durante a pandemia, o nosso laboratório auxiliou o
- 23:22governo de São Paulo, né? Fez
- 23:24parte daquela rede. Então, ali já foi um grande
- 23:26aprendizado por que estaria por vir, sabe? Um
- 23:29quantitativo enorme de amostras e tendo que dar
- 23:31uma resposta rápida. Então, Catarina, hoje a gente está
- 23:36nessa fase. Agora, claro, o número de casos
- 23:38diminuiu, né? Mas a gente já está se
- 23:41preparando para uma próxima temporada, quem sabe, né? A
- 23:46gente ainda não... A gente ainda está detectando,
- 23:48né? A gente teve uns 45 dias sem
- 23:50detecção de influência, agora no final de 2003,
- 23:542023 e início de 2024, mas já começaram a pipocar
- 23:57casos em silvestres de novo. Felizmente,
- 24:01né? Mantivemos em silvestres apenas, só
- 24:05três casos em a vivicultura de subsistência e nem um
- 24:08registro em a vivicultura comercial, o que é um
- 24:11grande ganho, né? Para todos nós. Exato.
- 24:15Aí que eu também queria chegar, né? Mais
- 24:17uma vez ressaltar um importante trabalho, né? Em
- 24:20bioseguridade, na monitoria, prevenção, né? Feito
- 24:24por todas as nossas agroindústrias, cooperativas,
- 24:27empresas técnicas, os pessoas envolvidas, o
- 24:30Ministério da Agricultura, né? Para
- 24:32quem a influência não chegue nos nossos plantéis
- 24:34comerciais e para quem nós, se damos livres. É,
- 24:39mas é um trabalho árduo e que tem que continuar, né?
- 24:41Não acabou a influência estar
- 24:43aqui agora, né? Historicamente,
- 24:45a gente consegue perceber que uma vez que ela entra
- 24:48no país, ela permanece, então, assim, vamos
- 24:52incrementar as medidas, né, de prevenção, porque são
- 24:57necessárias, a gente segurou até agora com esforço,
- 25:00conjunto, né? Todos estamos de parabéns, eu
- 25:03acho, por isso. É reconhecido, né, por os
- 25:06nossos parceiros comerciais, mas também estão todos de
- 25:08olho na gente. Então, assim, é importantíssimo,
- 25:13né? Mantenha esse alerta, né? Mantenha
- 25:16todos o alerta. O desafio é grande, né? Sim.
- 25:23Falando um pouquinho, assim, sobre a colheita de
- 25:26amostras, né? Eu queria aproveitar a sua
- 25:28presença para perguntar qual que é a importância da
- 25:31colheita de amostras, armazenamento, o que deve
- 25:34ser feito, as situações que você se depara, né, como
- 25:38laboratório também. Sim. Olha, Catarina, esse é um
- 25:42assunto que é para fazer... Para
- 25:45quem trabalha com diagnóstico laboratorial, a
- 25:48amostra é tudo, né? A gente não faz diagnóstico
- 25:52sem uma amostra. Então, a coleta da amostra, o
- 25:56armazenamento, o envio para o laboratório são etapas
- 25:58importantíssimas do processo e muitas vezes
- 26:01negligenciada, né? Porque algumas pessoas eu acho que
- 26:05talvez encarem assim, ah, eu vou coletar aqui o que
- 26:09eu consegui coletar, o que der para fazer tá bom o
- 26:12laboratório e vai conseguir fazer alguma coisa. E
- 26:14isso não é verdade, né? Para
- 26:17o laboratório dar um resultado confiável para o
- 26:25serviço veterinário oficial, ele precisa de uma amostra
- 26:28de boa qualidade. Não existe diagnóstico confiável
- 26:32e seguro sem uma amostra de boa qualidade. Então,
- 26:36assim, a gente vem trabalhando há muitos anos
- 26:39com esta questão da coleta de amostras, né, pelo
- 26:42serviço veterinário oficial, porque é importante falar
- 26:45isso agora, né? Os laboratórios federais de
- 26:48defesa agropecuária, eles só recebem amostras encaminhadas
- 26:51pelo serviço veterinário oficial. O
- 26:54dono da grande proprietário lá, de uma subsistência,
- 26:59ele não pode encaminhar amostras diretamente para
- 27:01nós, né? Ele tem que notificar o serviço
- 27:03veterinário oficial e aí sim, essa amostra vai ser
- 27:06lá coletada e encaminhada. Então,
- 27:08o trabalho que a gente faz é focado no serviço
- 27:11veterinário oficial. E tem várias medidas que a
- 27:18gente sempre preconiza, né? Utilizar
- 27:21o material adequado para a coleta de amostras, né? Por
- 27:24exemplo, para a influência em Newcastle, os suaves de
- 27:27cloaca e traqueia são um excelente material de
- 27:30eleição. Ah, então eu vou ali e coleto
- 27:32com qualquer suave. Posso comprar o suave mais
- 27:35baratinho de algodão com ácido de madeira. Eu
- 27:39mando isso para o laboratório sem meio e o
- 27:41laboratório vai chegar lá, vai fazer mágica ou milagre
- 27:45e vai me dar um retorno. Não,
- 27:46não vai, né? A gente precisa que seja
- 27:49colhido com um suave adequado, um suave
- 27:52sintético, com ácido de plástico. Por
- 27:56quê? Porque o suave de algodão com
- 27:57ácido de madeira possui substâncias ali que são
- 28:00inerentes ao processo de fabricação do suave, que
- 28:03acabam inativando os agentes que a gente está
- 28:05pesquisando, né? Então prejudicam as técnicas que
- 28:08a gente vai realizar no laboratório. Então
- 28:11sempre focar nisso, né? Usar
- 28:12o melhor material para colheita, colocar os suaves
- 28:16em meio de transporte, não colocar a meia dúzia de
- 28:19suave em um litro de meio, porque isso não serve, né?
- 28:24Ter a proporção adequada no
- 28:26momento que estiver fazendo uma necrópsia, fazer a
- 28:28necrópsia a campo da forma mais asséptica possível, né?
- 28:33Coletar o material, pequenos
- 28:36fragmentos, colocar, acondicionar isso,
- 28:40identificar, às vezes as pessoas acham que não
- 28:43precisa identificar. E aí chega no laboratório uma
- 28:45mostra que a gente não consegue identificar do que
- 28:48é, mas o que é isso? Um pulmão é um fígado, né? A
- 28:52gente precisa saber exatamente do que se trata.
- 28:56E aí, Catarina, ao longo dos
- 28:58anos a gente vem investindo muito nisso, inclusive com
- 29:00o manual de coleta. Existe um manual de coleta para o
- 29:04PNSA no site do mapa, lá dentro da parte específica
- 29:08do Programa Nacional de Sanidade à Vícola. E
- 29:11ali tem todas as recomendações que o material
- 29:13usar, como coletar, né? Existem
- 29:16vídeos, né? Até como se para mentar para
- 29:19atender, para atender um caso suspeito de influenza,
- 29:24por exemplo, né? Tudo isso faz parte do processo,
- 29:28tudo é importante, né? A gente está trabalhando com
- 29:30uma doença zoonótica, então não se pode minimizar, não
- 29:35é nem minimizar, não se pode negligenciar os riscos,
- 29:39né? Os riscos estão aí e de novo,
- 29:42tomar os cuidados, coletar melhor a mostra possível e
- 29:45encaminhar para o laboratório adequadamente.
- 29:47Cadeia de frio, importantíssimo,
- 29:49né? Não adianta a mostra chegar
- 29:50quente no laboratório que ela é descartada, né? A
- 29:53gente descarta, a gente sabe do trabalho que dá
- 29:56para coletar o quanto que os colegas às vezes
- 29:58enfrentam de dificuldade para ir até uma propriedade
- 30:01fazer uma coleta, abaixo de sol, ou de chuva, expostos
- 30:06a todo tipo de interpere, mas o laboratório não pode
- 30:09garantir que está dando um bom resultado se não tiver
- 30:14uma mostra adequada, né? E aí nisso tu perguntaste
- 30:18sobre, ah, com que tipo de coisa que a gente se
- 30:21depara, né? Infinitas, assim, é até engraçado.
- 30:24Dava para escrever um livro das
- 30:27coisas engraçadas que a gente já recebeu no
- 30:29laboratório, né? Desde amostras armazenadas dentro
- 30:33de um pote de açaí congelado para manter a
- 30:36temperatura, não é? O propósito foi comprido, né?
- 30:40Porque se botou a amostra com um
- 30:41pote de açaí, perfeito, ela chegou geladinha, mas gente,
- 30:45não dá para mandar amostra com um pote de açaí para
- 30:47o laboratório, né? E na adequações, as
- 30:51inadequações mais comuns que a gente recebe são
- 30:54temperatura inadequada, né? O
- 30:57Brasil tem realmente um tamanho enorme, então uma
- 31:02amostra que vem do norte, do nordeste, ela tem que
- 31:05vir com uma carga adicional de gelo para que isso se
- 31:07mantenha, né? E às vezes isso não acontece.
- 31:10Soro, né? Com
- 31:11lipemia, com hemoles, tudo isso a gente descarta no
- 31:16laboratório. Bom, Doutora Gilmar, nos
- 31:20encaminhando mais para o final, para aquele pessoal
- 31:23que gosta de laboratório, você já falou um pouco das
- 31:27técnicas, né? Então, eu queria aproveitar para
- 31:29perguntar um pouco essas técnicas de diagnóstico
- 31:32laboratorial, especialmente para a Influencer. Sim.
- 31:36Assim, eu vou tentar explicar para vocês
- 31:39rapidamente como que é o algoritmo que a gente usa
- 31:42no laboratório, porque aí a gente vai abordando todas
- 31:45as técnicas. Uma vez que o LFDA recebe uma
- 31:48amostra, vou falar de uma amostra suspeita para
- 31:50Influenza ou para Newcastle, tá bem? Já
- 31:52que o tema do podcast é Influenza Viária. O
- 31:56laboratório recebeu amostras suspeitas de Influenza
- 32:00Viária. O que a gente vai fazer?
- 32:03Normalmente, essas amostras consistem de
- 32:06fragmentos de tecidos, né? E
- 32:08que tecidos são esses? Tecidos
- 32:10do sistema nervoso, do sistema digestório e do
- 32:13sistema respiratório das aves. Suaves
- 32:17de cloaca e suaves de traqueia. Isso
- 32:20é o que a gente recebe. Chegando
- 32:22no laboratório, a gente vai precisar fazer um preparo
- 32:26dessas amostras para que, então, elas sejam submetidas
- 32:29aos ensaios, as provas de laboratório propriamente
- 32:32ditas, né? Os tecidos, por exemplo, eles
- 32:34precisam ser macerados, tratados com antibiótimo,
- 32:38né? E a partir daí desse
- 32:40tratamento que a gente faz, a gente consegue tanto
- 32:43inocular essas amostras em ovo embrionado de galinhas
- 32:46SPF, né? Se a gente quiser isolar o
- 32:49vírus que está ali, se a gente precisar isolar o
- 32:51vírus que está naquela amostra, quanto a gente
- 32:54consegue encaminhar essa amostra para a biologia
- 32:58molecular? Ah, a biologia molecular. E
- 33:00o que faz na biologia molecular? A
- 33:02gente amplifica o RNA, né? Específico
- 33:07do vírus da Influenza Viária ou da doença de
- 33:09Newcastle. Então, a gente pega aquela amostra
- 33:11lá de campo que já foi pré -processada, a gente
- 33:15extrai o RNA, que está lá presente na amostra, ou
- 33:18não, né? Aplica primers e sondas
- 33:26específicos, não vou entrar em mérito aqui dos óligo
- 33:29nucleotíduos, mas, enfim, a gente faz múltiplas cópias
- 33:32daquele ácido nucleico viral e consegue ver isso na
- 33:36tela do computador, a quantidade de cópias
- 33:40aumentando. E com isso a gente vê que,
- 33:42ok, temos o vírus da Influenza ali, ou temos o
- 33:46vírus de Newcastle, né? E ele está em pequena
- 33:49quantidade, ou em grande quantidade, por assim dizer.
- 33:52Ok, temos Influenza. E
- 33:54agora, que Influenza é? Porque
- 33:56a gente tem, pode ter até 16 sub -tipos de Influenza
- 34:00numa amostra coletada de uma ave, principalmente se
- 34:03formar ave silvestre. A partir daí, então, a gente
- 34:06vai fazer os PCRs, que são específicos para os sub
- 34:09-tipos, para H5 e para H7, que são os mais comuns,
- 34:15por serem de alta patogênica e cidade, e a
- 34:18gente também procura o sub -tipo H9, que pode causar
- 34:22problemas em aves e também as onótico. Então,
- 34:26a gente, de um PCR ali, positivo para Influenza, a
- 34:29gente faz outros três, no mínimo. Deu
- 34:33positivo para H5, que é o que tem acontecido, né? É,
- 34:37nos casos que a gente encontra, a gente vai fazer
- 34:39mais provas, mais PCRs. Uma específica para o N1, para
- 34:44saber se é H5, N1 ou vírus. E
- 34:47uma específica para o clado, 2, 3, 4, 4, que é
- 34:51o clado que está circulando na região. Então,
- 34:53ao final, aí, desses testes, o screening, que é
- 34:58o Influenza, e esses testes complementares, o laboratório
- 35:01já consegue dizer para o serviço veterinário oficial.
- 35:05Temos Influenza, é uma Influenza
- 35:07H5, N1, clado 2, 3, 4, 4. Como
- 35:12esse clado tem vírus de alta patogênicidade, a gente
- 35:15já tem aí um indicativo, né? De
- 35:17que se trata de um vírus de alta patogênicidade. Mas
- 35:20a gente só vai confirmar a alta patogênicidade dele
- 35:24sequenciando. Então, a gente pega lá aquele
- 35:27fragmento de RNA, né? Transforma
- 35:31em DNA e sequencia. Faz um sequenciamento parcial da
- 35:36hemaglutinina para olhar lá no site de clivagem e
- 35:40dizer, ok, tem uma sequência de aminoácidos
- 35:42compatível com vírus de Influenza Viária de alta
- 35:45patogênicidade. Então, vejam quantas etapas tem
- 35:50até a gente chegar nesse finalzinho, né? Que
- 35:54é o que interessa para o serviço veterinário oficial.
- 35:58Só que paralelamente a isso, a
- 36:00gente também falou da vigilância ativa, né? Na
- 36:03vigilância ativa, muitas vezes a gente não precisa
- 36:05chegar em todo esse detalhamento dos ensaios,
- 36:09né? A tanto os ensaios assim, a
- 36:11gente faz o quê? Um ensai de pesquisa de
- 36:13anticorpo para dizer, essa ave entrou em contato com
- 36:16Influenza, assim ou não? É isso. Se
- 36:19ela entrou, a gente faz um teste adicional para tentar
- 36:23descobrir para que hemaglutinina que aquela ave
- 36:26tenha anticorpo. Também pode ser de H1 até H16.
- 36:31Então são 16 testes realizados a
- 36:34partir de uma amostra. E a partir dos PCRs, e a
- 36:38partir dos SWABs, desculpa, de Troquêia e Cloaca, que
- 36:42são coletados na vigilância ativa, a gente faz os
- 36:45PCRs. Normalmente, como é uma amostra que não
- 36:50é de suspeita, né? Que é só uma investigação, um
- 36:54monitoramento, essas amostras são negativas nos PCR de
- 36:58triagem, tanto para Influenza quanto para
- 37:00Newcastle. Então é mais simples o
- 37:02diagnóstico do que de um caso provável, né? Que
- 37:06pode chegar até o isolamento. No
- 37:08isolamento, às vezes, a gente tem que fazer mais
- 37:11de uma passagem em ovos embrionados para conseguir
- 37:14isolar o vírus. E a partir desses isolamentos,
- 37:17a gente tem outros testes para identificar e
- 37:21caracterizar o vírus que está isolado. Então,
- 37:23assim, um diagnóstico de Influenza completo. Se
- 37:27nós precisarmos lançar mão de todas as metodologias
- 37:30necessárias, se alguma delas falhar, a gente precisa
- 37:33fazer o rol inteiro, pode demorar até duas semanas,
- 37:37às vezes, até mais, se nós tivermos que inocular o
- 37:41vírus em aves, por exemplo, para saber se ele é
- 37:43patogênico ou não. Porque se o sequenciamento falha,
- 37:47a orientação do manual da ONCE, né, que seja feito e
- 37:51VPI, que é um teste de inoculação em vivo, né? A
- 37:54gente precisa inocular o vírus isolado em aves para
- 37:57ver o efeito que ele causa, né? Felizmente,
- 38:00nunca precisamos disso, né? Nesse
- 38:04tempo que eu estou aqui no laboratório, nunca fizemos
- 38:06um VPI, nunca foi preciso, e que assim seja e
- 38:09continuemos, né? A gente consiga solucionar
- 38:11todos os casos, apenas com as metodologias de biologia
- 38:15molecular. Que bom ouvir tudo isso de
- 38:18vocês. Acho que é um bom conhecimento
- 38:20para ser também divulgado desse trabalho interno de
- 38:25vocês. Bom, doutora Jumara, obrigada por
- 38:28aceitar o convite, por participar conosco, por
- 38:31todas essas explicações, eu gostaria de te agradecer
- 38:35mais uma vez pela tua participação. Eu
- 38:38aqui agradeço, Catarina, espero que não tenha sido
- 38:40uma açante, né? Já que é um tema bastante
- 38:43específico, e as pessoas podem ficar entediadas, né?
- 38:47Mas espero que tenha servido
- 38:49para dar uma ideia do que a gente faz dentro do
- 38:52laboratório oficial, né? E mais especificamente, um
- 38:55laboratório oficial que faz diagnóstico da influência
- 38:58aqui no país. Com certeza serviu bastante. Eu
- 39:02quero agradecer também as pessoas que nos acompanharam
- 39:04hoje e até uma próxima conversa.