Latest / Surra de Lúpulo / Cada cerveja uma história - Cervejaria Brahma | Surra#245
Transcript
- 0:08Hipacondriaca apresenta... Surra de lúpulo.
- 0:15Oi, pessoal. Bom dia, boa tarde, boa noite.
- 0:19Eu sou Ludmilla, mais conhecida no Instagram como Ipacondrica.
- 0:22E hoje é o terceiro programa da nossa série histórica sobre cada
- 0:27cerveja, uma história. O papo é cervejaria brasileira,
- 0:32com certeza. Alô, Loi.
- 0:34Tem Henrique Boaventura aqui e cervejinha do departamento de
- 0:37marketing, hein? Alerta de treta.
- 0:41Nesse programa temos um alerta, já temos um grito.
- 0:44Fudeu de vez! Vai dar treta, vai ter treta,
- 0:50vai ter Henrique praguejando. Eu tô com fé na boca só de ter
- 0:55feito essa pauta, gente. Além do nosso querido Henrique,
- 0:58fel na boca, a gente tá o nosso jogador caro, cara.
- 1:01Porra, né? Transferência da Europa agora,
- 1:03jogador caro. Nossa coisa deleitosa.
- 1:05O amigo que o podcast me deu, Gabriel Guriano, do Bebeira
- 1:08História e também do podcast especial Bebeira História.
- 1:11Alô, alô. Salve, salve.
- 1:13Nesse passo de transferência, deve ter ficado caríssimo,
- 1:16porque o preço da cotação das moedas estava bagunça.
- 1:18Êêê! E queria também deixar aqui um
- 1:21feliz ano novo para vocês e para os nossos ouvintes, abrindo mais
- 1:25um ano, mais uma temporada de podcasts aqui, fazendo parte
- 1:29agora desta bancada maravilhosa. Galera, mais do que nunca, o
- 1:42Surra de Lupro precisa de vocês para continuar produzindo
- 1:46conteúdo independente e de qualidade.
- 1:48Então, que tal se tornar o nosso mecenas?
- 1:51Seja nosso apoiador, você vai poder entrar no nosso grupo de
- 1:53WhatsApp exclusivo, acessar nosso clube de vantagens com
- 1:57descontos especiais em cursos, cervejas, eventos e muito mais.
- 2:00E claro, ainda tem sorteio de brindes e vários mimos para quem
- 2:03está junto com a gente nessa jornada maluca.
- 2:06Para apoiar é só acessar o site apoia.se e fazer parte dessa
- 2:11comunidade cervejeira. Agora, jovenzinha e jovenzinha,
- 2:15se o bolso tá vazio, tá dando eco, você grita e ele não
- 2:18responde, o dinheiro tá curto, você ainda pode nos ajudar de
- 2:22outra maneira. Vamos compartilhar o link desse
- 2:24episódio com alguém que também goste de cerveja, que goste
- 2:27desse universo maravilhoso. E não se esquece de nos avaliar
- 2:30na sua plataforma de áudio preferida.
- 2:32Cinco estrelinhas no Spotify, Apple Podcasts, Deezer e outras
- 2:35plataformas fazem uma baita diferença pra gente.
- 2:38E o melhor, é grátis. Tu só precisa gastar três,
- 2:41quatro segundos pra fazer isso. Contamos com você pra fazer o
- 2:44Surra de Lupo chegar mais longe. Vai!
- 3:04A primeira cervejaria brasileira a aparecer aqui na nossa série e
- 3:09no meio de tantas outras, uma pergunta que pode ser feita é,
- 3:13por que justamente a Brahma? O que ela tem de diferencial
- 3:17histórico para a gente estar aqui falando dela?
- 3:20Essa eu passo para quem? Meu guri!
- 3:23Olha aí! Eita, pô!
- 3:25Já chegamos com uma bomba, né? Eu penso que a Brahma, ela
- 3:29merece esse pioneirismo aqui nessa nossa série por duas
- 3:33razões, né? É óbvio que ela ainda tá nos
- 3:36nossos dias, né? Nesses quase dois séculos de
- 3:39produção cervejeira à moda europeia no Brasil, a gente teve
- 3:43várias fábricas, várias empresas, várias iniciativas que
- 3:47surgiram e que findaram, né? Mas o lance da Brahma que eu
- 3:50acho notável é que ela de fato é bastante antiga, desde a sua
- 3:55incepção. E apesar do que diz a lata, de
- 3:57mil oitocentos e oitenta e oito, ela na verdade é de mil
- 3:59oitocentos e oitenta e seis. Porque assim, e aí eu vou usar
- 4:03um argumento da própria Bev, pra ninguém ficar falando que eu tô
- 4:06querendo inventar moda. Se a Ambev considera a boêmia
- 4:10desde mil oitocentos e cinquenta e três, quando ela não se
- 4:13chamava boêmia, porque ela só passou a se chamar boêmia em mil
- 4:16oitocentos e noventa e quatro, se eu não estou enganado, a
- 4:18gente também pode considerar o início da Brahma um pouquinho
- 4:21antes dela ser chamada de Brahma, certo?
- 4:24Vocês concordam comigo, mais ou menos?
- 4:25Sim, faz sentido. E eu não tenho por que
- 4:27discordar. De você, jamais.
- 4:29Discorda, discordância é saudável, mas é que aqui eu acho
- 4:32que eu tô na razão mesmo. Porque o que aconteceu?
- 4:36O criador dessa primeira cervejaria, antes dela conseguir
- 4:41esse nome de Brahma, foi o Josef Williger, que era um engenheiro
- 4:44suíço que veio ao Brasil, se não me engano, em mil oitocentos e
- 4:46setenta e nove. E ele fundou, de fato, a
- 4:48Villiger e Companhia em mil oitocentos e oitenta e seis.
- 4:51Ele já tinha uma fábrica nessa época.
- 4:53Ele patenteia um equipamento próprio para fazer cerveja.
- 4:57Isso tudo em mil oitocentos e oitenta e seis.
- 4:59O que acontece? Ele consegue o registro do nome
- 5:02Cervejaria Brahma em mil oitocentos e oitenta e oito.
- 5:04Mas aí ele já está em operação no final de mil oitocentos e
- 5:07oitenta e oito. O pessoal já até fala que a
- 5:08cervejaria dele já é conhecida. Então, seria muito difícil que
- 5:12você conseguisse esse tipo de reconhecimento no Rio de Janeiro
- 5:15do século XIX em questão de meses.
- 5:17Mas enfim, o primeiro ponto eu acho que é a longevidade, ela
- 5:20está aí há bastante tempo e acompanhou muita coisa, muitas
- 5:23morfologias, muitas transformações da cena
- 5:25cervejeira no Brasil. E o outro ponto é porque no
- 5:28momento em que ela surgiu, ela foi responsável por uma
- 5:31metamorfose também da indústria cervejeira, que dialoga muito
- 5:35com o tipo de cerveja que a maioria dos brasileiros está
- 5:38acostumada a beber hoje, que são as lagers. antes a gente
- 5:41produzia cerveja no geral de alta fermentação, porque o
- 5:46controle climatológico da produção cervejeira é uma
- 5:48questão difícil, que precisa de equipamento e equipamento caro.
- 5:51E foi no momento em que a Brahma foi fundada e que essa galera
- 5:54começou... a colocar muito investimento nesse ofício, nessa
- 5:59indústria, algumas iniciativas específicas que vão impulsionar
- 6:03essa mudança na indústria, que consequentemente vai ter um
- 6:07grande impacto no mercado e que convenciona-se a chamar de
- 6:10Revolução Lágrima. Então foi aí que você tem essa
- 6:13primeira virada técnica, que depois vai ter repercussões de
- 6:16mercado e repercussões legislativas ao longo do século
- 6:19XX, mas que diz muito sobre o tipo de cerveja que a gente, no
- 6:22geral, costuma consumir hoje no Brasil.
- 6:24E isso fala bastante com o episódio que a gente estava
- 6:27falando, o episódio que eu não me lembro o número agora, sobre
- 6:29Heineken, né? Porque a gente estava falando
- 6:30também sobre a questão de levedura, de seleção de cepa,
- 6:34cepa pura, tudo isso. Isso aqui também está
- 6:36relacionado um pouco, de certa forma, com isso, né?
- 6:39E também relacionado com os jovens lá de Viena, região sul
- 6:42da Alemanha, que estavam inventando, estavam, na verdade,
- 6:45popularizando o uso de equipamentos para resfriar.
- 6:49Antigamente, para quem não sabe, usava-se gelo, basicamente,
- 6:53cavernas de gelo ou lugares que a gente conseguisse colocar e
- 6:56armazenar gelo para manter a temperatura abaixo de um certo
- 7:00patamar. E com a invenção de um
- 7:02equipamento para gerar a temperatura baixa, criou-se a
- 7:06possibilidade de sair de dentro das cavernas e criar empresas,
- 7:09criar fábricas que realmente tinham áreas frias,
- 7:12refrigeradas, para produzir a cerveja aos moldes do que era
- 7:16feito lá dentro das cavernas, nas fermentações, lá dentro dos
- 7:20lagrens, onde era feito o lagren da cerveja.
- 7:23Mas, meu jovem Gabriel, o nome Brahma, tipo, o nome como ele é,
- 7:27com H, né, Brahma, ele surgiu de onde?
- 7:30Não é um nome de família exatamente, né?
- 7:32E provavelmente não deve estar relacionado à divindade hindu,
- 7:36né? Então, cara, é uma coisa que não
- 7:39se sabe. Tem um livro muito interessante,
- 7:41que é o A Cerveja e a Cidade do Rio de Janeiro, da Teresa
- 7:44Cristina de Novaes Marques, que eu considero, do ponto de vista
- 7:47historiográfico, o melhor livro sobre cerveja no Brasil.
- 7:50Ele cobra um recorte mais específico, mas um lance legal
- 7:53que essa pesquisadora teve foi acesso aos documentos da Brahma
- 7:56antes da Ambev trancá-los. Isso no doutorado dela.
- 8:00E mesmo ela, tendo investigado esses documentos da própria
- 8:03empresa e tendo investigado os jornais do século XIX, diz que o
- 8:06negócio é inconclusivo. E aí, é claro que depois isso,
- 8:10com uma falta de resposta objetiva, vira um terreno fértil
- 8:13para vários mitos, várias coisas e tal.
- 8:16Mas algumas ideias... ideias possíveis das mais plausíveis às
- 8:20menos plausíveis, tem a questão da divindade hindu, não
- 8:23necessariamente como uma inspiração de fé, mas pelo fato
- 8:27daquilo ser um referencial. Que no Rio de Janeiro, por
- 8:30exemplo, na década de mil oitocentos e oitenta, você tinha
- 8:33peças de música que eram apresentadas com orquestra e com
- 8:37grupos de dança em teatros. Você tem anúncios de peças com
- 8:41esse nome muito recorrente. Você tem um tipo de bailado,
- 8:44então eu imagino que seja um ritmo específico que também era
- 8:47praticado talvez nos salões de fábricas de cerveja, que
- 8:51ofereciam um entretenimento que ia além do só sentar no lugar e
- 8:54beber cerveja. É também, na verdade não era,
- 8:58ainda é, uma raça de galinha, uma raça de galinha que supôs
- 9:01que poderia ser utilizada em briga de galo, mas também era
- 9:04galinha vendida como frango de abate e também galinha que
- 9:07produzia ovo, e o ovo é diferenciado como ovo brama e
- 9:11tal. Mas eu acho que pode ter a ver,
- 9:13e aqui sou eu tirando do bolso uma impressão, com esse
- 9:18interesse bastante marcado entre os europeus, e talvez isso possa
- 9:22ter sido uma coisa de imitação aqui, ou pelo fato do Villiger
- 9:26ser alguém que veio da Europa, ele era suíço, e os sócios dele
- 9:30não são descritos em nenhuma relação assim, então eu não sei
- 9:33de onde os sócios dele eram. Mas pode ser uma coisa de um
- 9:36orientalismo, de um interesse quase pelo exótico, é uma coisa
- 9:40quase caricata que os europeus tinham com essa ideia de
- 9:43oriente, especialmente um oriente próximo que encompassa a
- 9:48Península Arábica, mas que chega também um pouco até a Índia.
- 9:51E lembrando que várias culturas europeias tiveram contatos
- 9:54distintos com a Índia em diversos momentos, os
- 9:56portugueses foram uma dessas culturas.
- 9:59Enfim, mas eu acho que é especulação, é muito difícil de
- 10:02dar uma resposta objetiva para isso.
- 10:04Mas a gente gosta de especulação aqui.
- 10:06Eu só fiquei chocado com a Bimbev.
- 10:09Ficou chocado com a galinha, hein?
- 10:10Ficou chocado com a galinha. Eu tô chocado quando deve ter
- 10:15trancado essas documentações. Tipo, como assim, gente?
- 10:18Que tipo de sujeira que tem lá atrás?
- 10:21Que tipo de sujeira tem nesse puleiro?
- 10:23É que também, se você abrir os documentos, você perde o
- 10:26controle da narrativa, né? Perde o controle do marketing.
- 10:29Aí o marketing não pode guinar esse navio pra onde ele quer.
- 10:33Cerveja de marketing. percebamos a diferença entre as três
- 10:37cabeças que habitam essa bancada.
- 10:39O Henrique está preocupado com os documentos que estão presos.
- 10:42Tá bom, também fico. Agora, quando o Gabriel me falou
- 10:46do ovo-brama, eu só consegui pensar naqueles memes que, de
- 10:50repente, abre uma mão assim e sai o Belo dançando.
- 10:53Uma bela segunda-feira para vocês.
- 10:56Então, tipo, tinha que ter uma...
- 10:57Quebrando um ovo, saiu uma latinha de Brahma, assim.
- 11:00Vai um chope? Fica a dica aí, quem tiver.
- 11:03Sérgio Godardo, peça que dá pra fazer meme.
- 11:07Eu quero um ovo quebrando, saiu na lata de Brahma na minha mesa
- 11:10às cinco horas, hein? Bom, dito isso, eu acho que era
- 11:16importante a gente começar a entender como é que foi o
- 11:19desenvolvimento da Brahma e, de um modo geral, das cervejarias
- 11:23brasileiras nessa época, entre o século XIX e XX, né?
- 11:27Tipo, no começo de tudo. É como eu comentei, é nessa
- 11:30época que a gente vê a tal da Revolução Lager, mas por mais
- 11:33que ela seja colocada como uma revolução, ela não é um processo
- 11:36indefinitivo que muda a cena do nada.
- 11:38A gente vai ter por muito tempo ainda cervejarias de alta
- 11:41fermentação, até a metade do século XX, de uma forma assim...
- 11:45absolutamente trivializada. Era bastante comum que você
- 11:49tivesse uma diversidade maior no mercado cervejeiro brasileiro,
- 11:53ainda que você viesse vendo a ascensão não só da Brahma, mas
- 11:57também da Antártica, da Bavária Paulista, dessas cervejas que
- 11:59estão numa pegada mais lagerzeira com esse grande
- 12:04investimento, esse investimento robusto de capital para
- 12:07implementar esse tipo de produção e ofertar esse tipo de
- 12:09produto. Mas uma coisa interessante
- 12:11também é que o Brasil mudou de regime do Império para a
- 12:15República e isso também implicou em posturas, regulações
- 12:20tributárias diferentes. Você tinha uma arquitetura
- 12:23tributária muito ruim no Império, que vinha de acordos
- 12:26ruins com outras nações, acordos longos que depois era muito
- 12:30difícil de você reverter, pensamento tributário que
- 12:33tentava proteger... O produto em si, mas não
- 12:36protegia a matéria-prima que era importada e acabava aquilo
- 12:38pingando para um preço altíssimo do produto no final das contas.
- 12:41O que na cerveja acontecia com cevada, acontecia com lúpulo.
- 12:44Mas nesse período, na Primeira República, você tem uma
- 12:49tentativa de proteger a indústria nacional de uma forma
- 12:52um pouco mais sagaz, ao mesmo tempo que você também muda um
- 12:55pouco essa lógica do que vem de importação.
- 12:57Então você tem um cenário econômico com altos e baixos,
- 13:00mas que acaba favorecendo, por um lado, a criação de novas
- 13:03cervejarias, até porque esse mercado cervejeiro está se
- 13:06mostrando cada vez mais viável, mais interessante como uma via
- 13:09de negócio, e também importação de novos rótulos, o negócio da
- 13:14importação também do lado de cá. Mas o que a gente vai ver é uma
- 13:17proliferação de mais cervejas, o brasileiro vai ficar mais
- 13:20cervejeiro, o país vai ficar mais cervejeiro nesse momento.
- 13:23E ainda assim a gente vai ver que aos poucos a produção
- 13:27nacional vai acabar substituindo essas importações e aí a gente
- 13:32vai ter uma autossuficiência cervejeira, digamos assim.
- 13:36Uma coisa interessante nesse momento, ainda que a gente
- 13:39tivesse essa paisagem diversificada de cervejarias
- 13:42produzindo cervejas diferentes, você vai ter uma projeção dessas
- 13:46grandes. E aí, as pessoas acho que sabem
- 13:48da Ambev hoje, que começou da união da Brahma e da Antártica,
- 13:51mas no comecinho do século XX já houve um ensaio de fusão dessas
- 13:57cervejarias, no caso a Brahma, a Teutônia, a Antártica e duas
- 14:01Bavárias. Tinha uma paulista e tinha uma
- 14:03carioca também. quase no esquema de cartel, porque você tinha uma
- 14:08configuração interestadual, como se os estados também tivessem
- 14:11fronteira. Então, o comércio extraestadual,
- 14:14ele passava por uma tributação específica, aquilo demandava
- 14:18também transporte, outros custos, e essas cervejarias
- 14:21quase que fizeram um grande acordo para que o nível de
- 14:24negócio que eles operassem caso favorável para todo mundo,
- 14:27estabelece sede num lugar só, aí você tem essa capilaridade de
- 14:30produção e uma rede de transporte que vai favorecer
- 14:33para todo mundo, mas isso não deu certo.
- 14:36Aconteceu só uma fusão entre a Brahma e a Teutônia, que era uma
- 14:40cerveja, se não me engano, de Petrópolis.
- 14:41Eu sei que ela era do estado do Rio, mas fora do que na época
- 14:44era o Distrito Federal. E ainda assim isso deu uma
- 14:47robustez para a Brahma também. E uma Brahma que estava passando
- 14:50por mudanças de gestão e administração.
- 14:54Ela começou com o Josef Williger, o suíço, mas em mil
- 14:57oitocentos e noventa e quatro ele já vendeu ela para o George
- 15:00Maschke, que foi responsável por outras aglutinações, parcerias
- 15:04inclusive com marcas estrangeiras.
- 15:06Depois ela virou uma sociedade anônima, seguindo justamente
- 15:08essa fusão com a Teutônia. E aí depois ela vai num esquema
- 15:12de board of directors. Como que eu falo esse board of
- 15:15directors? É um comitê, um...
- 15:18Agora todo corporativo virou inglês, agora nem eu sei falar
- 15:21em português. Pois é, mesa de diretores...
- 15:25A diretoria, né? É uma diretoria.
- 15:27Diretoria? Isso.
- 15:28Aí a diretoria colocou outro presidente no lugar, porque o
- 15:31primeiro, o Jorginho, ele ficou...
- 15:33As versões variam também, se ele teve problemas pessoais, se ele
- 15:36quis dar no pé. E aí entrou, de fato, o Johan
- 15:38Kooning, que vai ficar na empresa até mil novecentos e
- 15:40trinta e sete. Vai ter sucessores da própria
- 15:42família na empresa também. E entre altos e baixos, a Brahma
- 15:48estava com os dois pés firmes nesse começo do século XX.
- 15:51Ó, Brasil, tem intriga. Tem intriga, tem briga de
- 15:55família. Succession.
- 15:59Não, e tem tentativa de fusão que não deu certo.
- 16:02Olha só, tipo, cem anos antes. Os caras quisiam...
- 16:05Mais ou menos cem anos, né? Mais ou menos cem anos.
- 16:07Os caras queriam fazer cartel, basicamente.
- 16:09Imagina tu ir no supermercado, que não é supermercado, devia
- 16:11ser bulicho naquela época, sei lá, tipo, mercearia, e já ter lá
- 16:16uma propaganda do conglomerado dessas cervejarias, imagina?
- 16:20Que terror! Pois é.
- 16:21Mas a descrição dessa reunião é engraçada.
- 16:23Imagina, assim, um filme do Poderoso Chefão ou aquele filme
- 16:26de Scorsese, o Irlandês, que vem todos os chefes de máfia do país
- 16:29inteiro pra um resortinho, pra um lugar só, e sentam numa
- 16:33grande mesa. Os caras reuniram todo mundo...
- 16:35Na mesma cidade, os chefões das cervejarias, assim.
- 16:39E foi quase um grande complô. É engraçado.
- 16:42Todo mundo saiu vivo? Todos vivos.
- 16:44Ninguém saiu com faca no pescoço.
- 16:46Ah, ufa. Mas deve ter tido apontação de
- 16:49dedo e gritaria, né? No mínimo.
- 16:50Ah, você queria falar dedo em outro lugar e gritaria.
- 16:54Mas eu vou deixar quieto. É só pros entendidos essa.
- 17:01É só pra isso. É muito difícil falar em Brahma
- 17:10e não falar Shopee, né? Essa palavra, esse termo que
- 17:15hoje tem um título mais amplo, mais conhecido pelas pessoas,
- 17:19ainda é bastante atrelado à marca, porque, porra, é difícil,
- 17:23mas eles pacificaram isso na nossa cabeça.
- 17:25Eu acho que eu vejo propaganda de Shopee Brahma desde que eu
- 17:28tinha uns cinco anos de idade. Então vamos contextualizar aí
- 17:31como é que isso começou. Uma coisa importante, né?
- 17:33A gente tem duas grafias da palavra Schope.
- 17:36Uma é C-H-O-P-P e C-H-O-P-E. Mas elas são intercambiáveis,
- 17:42isso é importante. Mas por que faz sentido a gente
- 17:44entender que existem duas grafias?
- 17:46Porque ao que tudo indica, a origem da palavra Schope vem de
- 17:50Schopen, que é uma palavra alemã que, se a gente for traduzir ao
- 17:56pé da letra... principalmente em dicionários mais antigos, a
- 17:58gente vai traduzir isso como quartilho ou como caneca de
- 18:02cerveja. Tem um adendo também que, em
- 18:04francês, também existe a palavra chope, que significa daí caneca
- 18:09de cerveja e também tem a mesma escrita que é adotado aqui na
- 18:13língua portuguesa. A gente escreve exatamente da
- 18:15mesma maneira que a gente escreve em português, com um
- 18:17final P. E, segundo a Larousse, da língua
- 18:21francesa, viria, o chope viria de chopin, Eu não sei.
- 18:28O francês do Gabriel é muito melhor.
- 18:31Chopina. Não foi bom também não, mas é...
- 18:34Melhor, foi melhor, o que é o suficiente nesse momento.
- 18:37Que corresponde precisamente ao nosso, o quê?
- 18:40Quartilho na língua portuguesa. E o mais interessante é que a
- 18:44gente tem um fenômeno ali no início, na verdade, do século
- 18:49XIX aqui no Brasil, que é a imigração alemã.
- 18:51Que ela ocorreu em massa aqui no Brasil.
- 18:53E disse que quando... os alemães chegavam aqui, eles estavam
- 18:58acostumados a pedir Schoppe, ein Schoppen, que seria basicamente
- 19:02uma medida de cerveja, uma medida de uma caneca de
- 19:05quinhentos ml, que era o padrão na Alemanha.
- 19:08Então, de Schoppen para Schoppe foi um pulinho ali, né?
- 19:12Porque, no final das contas, era um significado de caneca de
- 19:15cerveja. E daí, isso meio que virou
- 19:18sinônimo de cerveja. Chopin ser sinônimo de cerveja
- 19:21numa caneca servida. E é importante pontuar também
- 19:24que cerveja em garrafa é uma das maneiras que a gente tem de
- 19:28consumir. Em muitos lugares, ainda, o
- 19:30consumo era feito a partir de cervejas em barris, barris de
- 19:33madeira, com bombas de oxigênio, injetando para dentro do barril
- 19:36para extrair cerveja de dentro desse barril.
- 19:38E aí que vem essa associação de Chopin para chopp.
- 19:43Então tem essa, provavelmente é esse o indício maior que a gente
- 19:47tem da origem dessa palavra que tanto hoje significa cerveja,
- 19:51né? Que no final das contas, se a
- 19:52gente for trocar por mildos, é o nosso pint, é como se fosse o
- 19:55pint inglês. Deixa eu fazer só uma
- 19:58perguntinha aqui. Você falou o chopp sendo uma
- 20:02palavra alemã, né? Que tem a ver com a caneca de
- 20:04cerveja, uma unidade de medida. Isso, uma unidade de quinhentos
- 20:08ml, exatamente. Pois é, mas o quartilho não
- 20:12significa quinhentos ML. O quartilho significaria
- 20:14duzentos e cinquenta ML. Ou eu estou equivocada?
- 20:16Está equivocada. Ah, é?
- 20:18Uhum. Bem.
- 20:23Porra, não? Não faz sentido?
- 20:25Agora explica, Gabriel. Não, mas é um quarto de quê?
- 20:28Pra mim, de litro. Não necessariamente.
- 20:30Pode ser um quarto de dois litros.
- 20:32É, mas a gente tá aqui numa época...
- 20:34Essas unidades de medida antiga não respeitam necessariamente o
- 20:37sistema métrico, né? Você pensa que as esquisitices
- 20:40que a gente vê nos Estados Unidos daquelas medidas todas
- 20:42quebradas... as lógicas antigas também funcionavam naquele
- 20:45ponto. Inclusive, para os turma do
- 20:47fundão da quinta série, o quartilho também era chamado de
- 20:51pinta ou pinto, que é próximo de pint.
- 20:54Então, é uma equivalência de medidas que não necessariamente
- 20:58tem um volume que é dividido em quatro, mas talvez seja um
- 21:02recipiente cujo volume é quebrado.
- 21:05Eu tenho uma tabelinha disso, eu posso conferir isso agora.
- 21:07E é bem miserável isso, porque se a gente começa...
- 21:10E cada cultura tem essas unidades de medida.
- 21:13Por isso que é tão difícil a gente conseguir replicar
- 21:17cervejas antigas hoje em dia. Porque as unidades de medidas
- 21:20muitas vezes se perderam no processo.
- 21:23Inclusive, principalmente no cenário inglês, muitas
- 21:25cervejarias usavam medidas próprias.
- 21:27Tipo, ah, um bale pra cervejaria era uma unidade de, sei lá, cem
- 21:33quilos. Pra outra cervejaria era
- 21:34duzentos quilos. É uma zica.
- 21:36Interessante. Mas eu achei que o toquinho é um
- 21:38foguinho. Ah, foi bom.
- 21:39Mas esse é o... O objetivo desse programa é
- 21:43gerar o E. É isso.
- 21:45A gente quer gerar o E. Achei as medidas aqui.
- 21:48Parâmetros portugueses. Um quartilho equivale a uma
- 21:52canada que equivale a um pote. Então...
- 22:01Quatro quartilhos equivalem a uma canada, e seis canadas
- 22:06equivalem a um pote. Então, uma canada teria um
- 22:08vírgula quatro litros, por aí. Ah, seria quatrocentos ml, tipo
- 22:12isso. Por aí, entendi.
- 22:13Nada pra facilitar a nossa vida, mas tudo bem, vai lá.
- 22:16Não, pra que facilitar? O que veio pra facilitar foi a
- 22:21unidade métrica, isso que veio pra facilitar.
- 22:24Mas, enfim, o nome Chop está atrelado às cervejas da Brahma
- 22:28há muito tempo. Pelo menos desde a década lá de
- 22:31mil oitocentos e noventa, né? E, às vezes, ele é colocado
- 22:34também como sinônimo de cerveja em barril.
- 22:36Ele é colocado como esse sinônimo.
- 22:38O Chop, na verdade, a gente vai falar isso um pouquinho mais pra
- 22:41frente, né? Mas, é, Chop é cerveja não
- 22:45pasteurizada. Mas, enfim, deu só um cheirinho.
- 22:48Mas a gente vai falar sobre mais isso.
- 22:49E shopping em garrafa? Cara, essa deturpação da noção,
- 22:53seja do volume da cerveja, seja do critério de não pasteurização
- 22:57pela própria empresa, acabou, de certa forma, tornando a palavra
- 23:00um sinônimo de um estilo da Brahma, como se fosse um estilo
- 23:03de cerveja da Brahma. E, cara, isso, de novo, gera uma
- 23:08zica em tamanhos enormes que eu vou deixar pra me gastar depois,
- 23:12porque eu acho que a gente tem mais coisa pra falar.
- 23:14E a marca Brahma Shopee surge de fato no verão entre mil
- 23:19novecentos e trinta e três e mil novecentos e trinta e quatro.
- 23:22Mas aqui, né? Das outras cervejarias que a
- 23:25gente já conheceu aqui e que rolou lá no século vinte foi
- 23:29muito importante. Além de ter sido um século
- 23:32muito, muito agitado no mundo inteiro, né?
- 23:34O que rolou com a Brahma entre a nossa Primeira República e as
- 23:38guerras mundiais e aquela loucura toda?
- 23:40O que aconteceu lá? O que teve de legal?
- 23:43Bom, a gente já viu que essa cervejaria chegou com dois pés
- 23:46relativamente firmes, plantados no século XX, mas essas marés
- 23:51que pegaram para lá e para cá também deram uma arrebatada na
- 23:55Brahma. A onda das lagas vinha crescendo
- 23:58aos poucos, mas as cervejas de alta fermentação ainda estavam
- 24:02firmes e fortes aqui e acho que dois grandes obstáculos barraram
- 24:06um desenvolvimento mais orgânico, digamos assim, mais
- 24:10linear dessas cervejarias de baixa fermentação na primeira
- 24:14metade do século XX, né? O primeiro eu diria que foi a
- 24:17Primeira Guerra Mundial. A gente ainda era muito
- 24:19dependente de importação de insumos, ainda que a gente já
- 24:23visse o estabelecimento de lavouras de cevada no país.
- 24:26O lúpulo teve alguns ensaios no XIX que não deram certo.
- 24:29Então você ainda tinha dependência de matéria-prima
- 24:32estrangeira e muitas linhas de suprimento desses insumos foram
- 24:36completamente prejudicadas pelo conflito.
- 24:38Também você tem uma alta de preços por conta desse conflito
- 24:42e, de um modo geral, isso acaba afetando...
- 24:45O consumo como um todo, você não consegue fornecer cerveja com a
- 24:48mesma qualidade, não consegue repassar essa cerveja no mesmo
- 24:51preço, o consumo cai, o faturamento da empresa também
- 24:53cai. Então, eu acho que esse é um dos
- 24:55marcos importantes que tem aparecido aqui em todas essas
- 24:58cervejarias, algumas passam mais ilesas desses conflitos, outras
- 25:02menos. Um outro ponto também, e que
- 25:05dialoga, eu acho, também com a proposição do Brahma Chopin na
- 25:09década de trinta, são os problemas relativos à crise de
- 25:13vinte e nove. Então, depois que houve uma
- 25:16retração no final da década de mil novecentos e dez com a
- 25:19primeira guerra, O consumo de cerveja voltou a crescer, mas
- 25:22ele teve de novo uma lapada na testa, que foi a crise de vinte
- 25:26e nove, que vai de novo influenciar toda a cadeia de
- 25:29produção, influenciar o valor dessas mercadorias, vai dar uma
- 25:32retração muito grande no mercado.
- 25:34E aí você tem mais players, mais cervejarias que vão passar a
- 25:37disputar, um espaço menor de mercado.
- 25:40Então você tem gente repensando estratégia, essas empresas que
- 25:43estavam vendendo para outros estados, vendendo até por
- 25:46cabotagem, vendendo por ferrovia, não vão conseguir mais
- 25:49arcar com esses custos de produção, vão ter que repensar
- 25:53quinhões locais de venda, e esses quinhões locais muitas
- 25:56vezes são ocupados por cervejas de alta fermentação, aquela
- 25:59cerveja não do bairro, mas é uma cervejaria mais local, e isso
- 26:03vira de novo um tropeço na trajetória da Brama e de outras
- 26:07cervejarias. mas isso vai mudando aos poucos ao longo da
- 26:10década de mil novecentos e trinta mil novecentos e trinta e
- 26:12cinco é quando você tem um momento de recuperação mais
- 26:15visível e com uma diferença você tem a venda porque a Brama ela
- 26:21tinha já vou mencionar isso já já mas ela tinha um portfólio
- 26:24bastante diverso também de cervejas que ela oferecia para o
- 26:26mercado e além dessas cervejas serem de estilos diversos uma
- 26:30coisa que a gente não necessariamente pensa hoje numa
- 26:33cervejaria craft são cervejas de qualidades diferentes
- 26:37propositalmente feitas em tiers em escalões diferentes e com
- 26:42preços diferentes também e você tinha uma venda mais ou menos
- 26:46equitativa você tinha a venda do rótulo da Fidalga que é outra
- 26:50que vai aparecer já já também e essa era uma cerveja de segunda
- 26:53digamos assim E durante a crise você teve uma venda que ainda
- 26:57valia a pena de rótulos de primeira, mas para um público
- 26:59mais restrito, e uma venda de rótulos de terceira, enquanto
- 27:02esses rótulos de segunda não saíam.
- 27:04Então você começa a enxugar o seu portfólio de produtos nesse
- 27:08momento também. Ao mesmo tempo que você vai
- 27:10oferecer um novo produto com uma marca, um termo que já vem aí
- 27:16puxando o interesse da sua clientela, que é o Shopping.
- 27:20E aí vem a proposição do Brahma Shopping, numa leitura dessa
- 27:24saída desses produtos, para também tentar dialogar ali com
- 27:27esse produto de primeira, que no caso era a cerveja em barril e
- 27:30agora vai passar a ser de garrafa com seu rótulo
- 27:33específico. Uma pergunta rápida, quando a
- 27:35gente fala de qualidades diferentes, a gente olha para a
- 27:39cena inglesa, por exemplo, a gente sabe que tem a cerveja
- 27:42premium, que é a cerveja que é a primeira tiragem, o primeiro
- 27:45mosto é feito, é uma cerveja mais forte, essa é considerada
- 27:48uma cerveja premium, uma cerveja mais cara.
- 27:50Ao passo de que as últimas cervejas tiradas dessa lavagem,
- 27:53elas são cervejas menos alcoólicas e consideradas
- 27:55cervejas menos premium de menor qualidade.
- 27:58É o mesmo cenário aqui ou a gente está falando realmente de
- 28:02qualidade realmente de ser melhor ou ser pior?
- 28:04Eu acho que o pessoal levava nessa de ser melhor e ser pior.
- 28:07Entendi. Investimento na cadeia de
- 28:09produto, né? O tal do...
- 28:11E eu não vou saber esse vocabulário dos restantes.
- 28:13Mas o valor do produto vendido, né?
- 28:15E... Um documento interessante que é
- 28:18de mil novecentos e oito. Ele é escrito por um médico e
- 28:20ele meio que faz uma descrição da participação da Brahma numa
- 28:24exposição nacional que foi organizada em comemoração da
- 28:28abertura dos portos. Do centenário da abertura dos
- 28:30portos. Só que quando ele vai fazer uma
- 28:33decodificação de todas as cervejas no portfólio da
- 28:35Brahma... ele meio que planifica tudo.
- 28:38Mas é sabido que essas cervejas não eram planificadas, né?
- 28:42Que havia sim um entendimento de que custo de investimento, custo
- 28:46de revenda tinham as suas categorias específicas e iam
- 28:50para públicos distintos também. Acontece que na década de trinta
- 28:53isso muda pelo interesse, pela capacidade de consumo das
- 28:56pessoas e aí há uma reorganização disso.
- 28:59Mas eu acho que são cervejas de qualidades diferentes mesmo.
- 29:01Interessante, né? Total, no mínimo.
- 29:04Tem um ponto legal dessa época, que vai dialogar também com o
- 29:07lance do marketing, que a Lud vai falar um pouquinho pra gente
- 29:10já já, que é o carnaval, né? Cerveja, carnaval, esse desbunde
- 29:14maravilhoso que o brasileiro vive anualmente.
- 29:17Estamos aqui em janeiro, esperando só o carnaval chegar
- 29:20pro ano começar de fato, né? E tem uma relação antiga da
- 29:28Brahma com o carnaval, né? Ela, ao lado da Ranceática, que
- 29:31era uma concorrente, uma concorrente que às vezes até
- 29:33publicava charges bastante críticas uma da outra na
- 29:38imprensa, elas estão registradas como patrocinadoras de um dos
- 29:42mais antigos ranchos carnavalescos, que é o Ameno
- 29:45Reseda, isso em mil novecentos e sete.
- 29:47Então o envolvimento da Brahma nessas festividades é bastante
- 29:50longevo também. E o tino de marketing através
- 29:54dessas festividades, no começo do século XX, também se
- 29:58manifestou de outras formas. Lembrando que na época o
- 30:00calendário de bailes, né, é como se fosse o verão todo, o fim da
- 30:05primavera e o verão até, de fato, o carnaval, era uma grande
- 30:09temporada de desboom. E em mil novecentos e dezesseis
- 30:13é gravado um dos primeiros sambas, uma das primeiras
- 30:16músicas, com a definição desse gênero em registro, que é o Pelo
- 30:20Telefone. O
- 30:32chefe da folia pelo telefone manda me avisar.
- 30:39Ela é lançada em janeiro de mil novecentos e dezessete e naquele
- 30:42mesmo ano a Brahma encomenda uma paródia da letra pra impulsionar
- 30:47as vendas da Fidalga. E também naquele ano ela
- 30:49organiza um concurso de fantasia pras pessoas se vestirem de
- 30:52Fidalga. É engraçado.
- 30:53Mas há uma percepção de que carnaval é uma época boa pra se
- 30:58tomar cerveja e por que não a nossa cerveja?
- 31:00E isso é feito de modos distintos.
- 31:03Se você pegar a letrinha, eu não vou cantar, mas se você pegar a
- 31:05letrinha da paródia, você vê que encaixa bonitinho no ritmo do
- 31:09Pelo Telefone. Vai estar no post lá do blog,
- 31:12tenho certeza, porque eu já relacionei ele aqui na nossa
- 31:14pauta. E isso se repete de uma forma
- 31:17mais pioneira, eu acho, como um jingle de propaganda, justamente
- 31:22na ocasião do Brahma Shop, na década... seguinte da seguinte,
- 31:26nós estamos aqui em mil novecentos e dezessete, em mil
- 31:27novecentos e trinta e cinco, a Brahma encomenda uma marchinha
- 31:31que pode ser considerada o primeiro jingle do Brasil, que é
- 31:35o Chopping em Garrafa, escrito por ninguém mais, ninguém menos
- 31:37que Ari Barroso, em parceria com Bastos Tigre.
- 31:40Música Música Música O Brama chove em garrafa,
- 31:57querido em todo o Brasil. Corre longe a banca bafa, corre
- 32:06longe a banca bafa, é igual o vinho ao de Brasília.
- 32:10Eu acho isso muito legal. Não, é pouca merda, né?
- 32:12É demais, né, cara? É muita merda, né?
- 32:16É vislumbrar um negócio que você fala, caramba.
- 32:19E hoje a gente vê blocos inteiros patrocinados por
- 32:22cervejas, cordões, carnavalescos, esses eventos
- 32:25enormes em Pernambuco, na Bahia, no Rio de Janeiro, em São Paulo.
- 32:29A associação da cerveja Lager com o carnaval brasileiro, ela é
- 32:33quase óbvia hoje, mas ela tem essas raízes bastante antigas
- 32:36também. Jovem da Branca Tinha falado que
- 32:44a Brahma tinha um catálogo diversificado, as datas não são
- 32:48sempre claras de quando um rótulo saiu ou deixou de
- 32:52circular, mas dá para listar alguns e para a gente perceber
- 32:56que, de fato, havia um ecossistema cervejeiro mais
- 32:59diverso no passado, mesmo durante a existência dessas
- 33:03grandes empresas que hoje a gente associa como
- 33:06representantes desse afunilamento de possibilidades.
- 33:09Então, isso vale, eu acho, para a primeira metade do século XX
- 33:11como um todo, mas tinha, além do Brahma Chop, uma Bock Ale, agora
- 33:17o Henrique me ajude com o meu alemão, que é uma inexistente,
- 33:20mas uma Munchen Bock. Munchen.
- 33:23Munchen Bock. Obrigado, obrigado.
- 33:25Tá vendo? Quem sabe, sabe.
- 33:26Munchen Bock. Tinha uma Bock Crystal. vai
- 33:29saber que diabo é isso, uma Brahma Porter, já falamos de
- 33:33Porter aqui em outras ocasiões, uma Teutônia Pilsen, então a
- 33:36Pilsen não embarrilhada ou não chopp, por muito tempo da Brahma
- 33:41vinha com o rótulo da Teutônia, que tinha sido uma cerveja que
- 33:43foi englobada na Sociedade Anônima, tinha a Mouse Beer, não
- 33:47sei se ainda tem, se a Brahma ainda faz Mouse Beer.
- 33:49Faz. Faz, então ainda está no
- 33:51catálogo dela. Tinha a Fidalga, não tem uma
- 33:54descrição de que cerveja de fato consistia a Fidalga, e ela
- 33:57também é acompanhada de outros rótulos com nomes, nomes que
- 34:00inclusive dialogam com uma ideia de brasilidade, mas que não tem
- 34:04o seu estilo, a sua fórmula exposta, além da Fidalga, a
- 34:08Ipiranga e a Guarani, entre outras, isso não se esgota aqui.
- 34:12Mas enfim, havia esse lance. O que eu achei interessante é,
- 34:16primeiro, a relação ainda forte com cervejas alemãs, estilo
- 34:20Bock, estilo Munchen Bock, Bock Crystal.
- 34:23Digamos, no mínimo, contraditório, né?
- 34:25Porque as cervejas do Bock são escuras e Crystal é meio
- 34:27contraditório, porque geralmente está relacionada a cervejas mais
- 34:29claras. Mas também tem um pé na
- 34:33Inglaterra com as porters. Acompanhando, de certa forma,
- 34:36acompanhando as novidades que estavam acontecendo no Velho
- 34:40Mundo. Achei bem interessante isso.
- 34:42E o rótulo da Porter é engraçado, porque parece que ela
- 34:46já caça um nicho muito específico de mercado, que
- 34:49depois a gente vai associar com as mouse beers e com as cervejas
- 34:52escuras mais doces, que é o lance medicinal.
- 34:55Ela não se vende necessariamente como uma cerveja medicinal, mas
- 34:58tem um pequeno texto que diz, segundo análise da junta de
- 35:02higiene ou do médico tal, Essa cerveja, ela pode ser comparada
- 35:07de impede igualdade com as porters e as stouts inglesas.
- 35:10E ela faz bem pro estômago, faz bem pro reumatismo, faz bem pra
- 35:13isso, faz bem pra aquilo. E tem um gato super feio no
- 35:15rolto. E tem um gato super feio no
- 35:17rolto. É um gato muito feio.
- 35:20Meu Deus. Parece que foi feio no escuro,
- 35:22gato. Mas eu acho que essa associação
- 35:25da cerveja com a... Com a saúde, é bem intensa.
- 35:31Até hoje, muitas pesquisas científicas sobre saúde são
- 35:35patrocinadas por grandes companhias cervejeiras.
- 35:38Não estou dizendo que elas usam de influência para que o
- 35:43resultado saia assim ou assado. Não foi isso que eu disse.
- 35:46Só estou dizendo que elas são investidoras de campanhas porque
- 35:48querem, em algum momento, tentar provar, de fato, esse
- 35:51pseudo-benefício que a cerveja deveria fazer à saúde.
- 35:54E por muito tempo a propaganda foi muito forte também,
- 35:57principalmente cervejas escuras, porters e stouts, elas eram
- 36:00vendidas como fortificantes, tonificantes.
- 36:02Elas eram vendidas como isso. Inclusive, não faz muito tempo
- 36:07que foi proibido o nome milk stout.
- 36:10As cervejas que eram fortalecidas com lactose eram
- 36:14chamadas de milk stout, só que começava a dar a impressão de
- 36:17que era um alimento, e não é um alimento, é uma bebida
- 36:19alcoólica. Hoje em dia elas se chamam sweet
- 36:21stout, por legislação. No XIX você tem uma associação
- 36:25bastante evidente entre essas cervejas escuras inglesas.
- 36:28Elas são classificadas como cervejas fortes.
- 36:30Tem uns outros estilos belgas que entram nessa classificação
- 36:33também, mas pelo fato de elas terem compostos azotados e tal,
- 36:38de elas herdarem muitas propriedades dos seus
- 36:40ingredientes de base e terem um teor alcoólico maior, aí elas
- 36:44tinham esse entendimento de cervejas tônicas de fato.
- 36:47Mas o que eu achei curioso é que isso, inclusive pela classe
- 36:49médica do Brasil, ele vai sendo um pouco modificado, né?
- 36:53Você tem uma pira higienista muito grande, uma pira de
- 36:58desconfiança de cervejas que tem um pé no artesanal, mas que
- 37:01beiram o que eles consideram de falsificado, né?
- 37:04Um produto contrafeito. E aí numa época em que você tem
- 37:07um catálogo que é basicamente cervejas de diferentes
- 37:10qualidades e diferentes tipos, você tem uma em específico que é
- 37:13endereçada pra isso. É essa a finalidade. sendo que
- 37:16antes toda cerveja poderia ter algum tipo de potencial
- 37:18nutricional, algum potencial tônico, bebida em moderação
- 37:22fazia bem, potencial alimentício, enfim.
- 37:25E aqui eu acho que tem mais um momento fundamental, e aí eu
- 37:28acho que faz um sanduíche entre a Revolução Lager e o panorama
- 37:33que a gente vê na segunda metade do século XX, e aqui depois já
- 37:37desse lançamento do Brahma Shop, dessa recuperação pós crise de
- 37:42XXIX e seus anos subsequentes, que é um desenho tributário
- 37:47específico para cervejas. Isso vai ser muito importante.
- 37:50E aqui são reflexões tiradas diretamente da tese do Eduardo
- 37:53Marcuz, uma pessoa fundamental para quem lê e estuda sobre
- 37:57cerveja. Eu ainda não tive acesso ao
- 37:59livro novo dele com o Sérgio Barra e a Silvia Lindberger, dar
- 38:04os créditos pra todos aqui. Se quiserem mandar, inclusive,
- 38:07eu faço até review no Comercio História.
- 38:08Mas aqui, a consulta é toda da tese dele.
- 38:12E as conclusões são basicamente as dele também, que eu acho que
- 38:14fazem muito sentido. O que houve?
- 38:16Você tinha ainda... um desenho tributário no país que fazia
- 38:20diferença entre artesanais e industriais.
- 38:24O que isso significava também entre cervejas de alta e
- 38:27cervejas de baixa fermentação. Você tinha uma tributação que
- 38:30cobrava mais de uns, menos de outros e fazia com que ali
- 38:34tivesse uma concorrência mais plausível independentemente do
- 38:38seu nível de capital. E você poderia se inserir na
- 38:40realidade produção de clientela que fosse possível para o seu
- 38:44negócio. Mas da década de trinta,
- 38:48especificamente, você tem movimentos legislativos dos anos
- 38:50vinte, mas da década de trinta até mil novecentos e quarenta e
- 38:53oito, aí você tem uma mudança bastante significativa que é
- 38:57planificar a tributação de tudo isso.
- 38:59Então, sem fazer diferença entre os pequenos e os grandes, quem
- 39:03dá conta de prosseguir são os grandes.
- 39:06Você elimina as alíquotas tributárias entre cervejas de
- 39:09alta e baixa fermentação e vai consolidar uma vantagem
- 39:12competitiva dessas grandes, como a Brahma, como a Antártica.
- 39:16E assim você mina a concorrência e vai também minando a
- 39:20possibilidade de surgirem novas cervejarias.
- 39:22Tanto que nessa época você tinha mais de duzentas cervejarias
- 39:26registradas no país e dali cinco anos isso cai para menos de
- 39:30cinquenta. E isso não vai voltar a subir
- 39:32até os anos oitenta e num ritmo muito devagar.
- 39:35Até que a gente tem, de fato, o movimento artesanal no século
- 39:39XXI, que vem na esteira do movimento craft nos Estados
- 39:42Unidos, com não um certo atraso, mas a gente não tinha condições,
- 39:46às vezes nem sempre as condições são ideais hoje, mas as
- 39:49condições para que isso voltasse a fazer com que o ecossistema
- 39:52cervejeiro fosse diverso. Então, a Lei nº.
- 40:28Com essa visão triste, né, de tipo, porque pra nós que estamos
- 40:32aqui e queremos provar cervejas diferentes e queremos incentivar
- 40:36cervejarias diferentes de estar no mercado, é triste ver que lá
- 40:39atrás, decisões tomadas há muitos anos, quase um século,
- 40:44impactam ainda hoje em dia, de certa forma, no cenário que a
- 40:47gente tem, né. Mas a gente já chegando, se
- 40:50aproximando dos nossos tempos atuais, um panorama de
- 40:53configurações familiares, com fusões entre companhias, com
- 40:57empreitadas internacionais, a gente tem um cenário diferente,
- 41:00né? Aqui a gente já tem outra coisa
- 41:02se formando, né, Lud? É, a gente vai tentar aqui
- 41:04construir uma timeline, digamos assim, né, de como é que isso se
- 41:08desenvolveu a partir dessa época mais recente, toda essa evolução
- 41:14da nossa querida Brahma. Entre noventa e nove e dois mil,
- 41:18a criação da Ambev, né, a Companhia de Bebidas das
- 41:21Américas. Em dois mil e quatro, então, ela
- 41:25se reúne com a belga Interbril para formar a Embev, a união que
- 41:30levou à criação da maior cervejaria do mundo e permitiu
- 41:33ao grupo expandir os seus negócios por toda a Europa.
- 41:36Aí, em dois mil e oito, a Embev foi renomeada como Eu Não Sei
- 41:41Falar Isto Aqui. Quem quiser pronunciar, fique à
- 41:45vontade. Quem será?
- 41:46Anheuser-Busch. Eu podia ter falado a Bembev
- 41:50apenas, mas eu dei essa oportunidade pra você brilhar.
- 41:53É isso que a amizade faz, dá palco pra alguém brilhar.
- 41:56Hoje, Ambev, sobre esse guarda-chuva, ou melhor, sobre
- 41:59essa lona de circo, que cobrir virou circo, né?
- 42:02Se trancar o manicômio... tem vinte e cinco anos ou seriam
- 42:07cento e setenta desde a pioneira boêmia como a marca quer né
- 42:12então enfim esse protagonismo no mercado cervejeiro então a gente
- 42:17faz esse pequeno resumo desse faz esse overview pra descobrir
- 42:21como é que a gente chegou até aqui Mas também tem uma outra
- 42:24parada, se a gente for parar para pensar.
- 42:26Eu disse lá no início, marqueteiros, povo marqueteiro.
- 42:29Então, a Brahma tem campanha publicitária icônicas no mundo
- 42:34do marketing, né? Tem, tem sim.
- 42:36E mérito dos caras, assim, né? Tipo, eles sempre foram
- 42:40referência em campanhas publicitárias.
- 42:42E utilizando jingles, comerciais inovadores, estratégias ligadas
- 42:46à cultura brasileira, o carnaval, até como já o Gabriel
- 42:49falou, a marca foi consolidando a sua identidade, criou um
- 42:53legado, uma herança de publicidade que até hoje é
- 42:57lembrada. Então a gente já falou aqui do
- 42:59primeiro jingle publicitário em mil novecentos e trinta e cinco.
- 43:03A gente vai deixar tudo aquilo que a gente achou de link no
- 43:05YouTube para que vocês possam acessar e relembrar quem é da
- 43:10galera das mais antigas e conhecer quem é mais novo esse
- 43:13legado que a gente está mencionando aqui.
- 43:14Tem o número um. Gente, eu sou frequentadora
- 43:18oficial de botecos. Até hoje eu vou no bar e levanto
- 43:20a minha mãozinha com o número um pedindo chopp.
- 43:22Em mil novecentos e noventa e um eu era uma criança, onze anos.
- 43:25Eu já estava pensando nisso. É um dos slogans mais icônicos
- 43:30da Brahma, né? Associado ao gesto de levantar o
- 43:32dedo e de cador. A preferência dos consumidores,
- 43:35né? Reforçava a posição da marca.
- 43:37É genial. Aí depois, na Copa de mil
- 43:39novecentos e noventa e quatro, se eu for fazer uma associação
- 43:42com a minha vida, cara, era pra eu estar casada com a Brahma ou
- 43:46ser CEO dessa parada. Porque mil novecentos e noventa
- 43:49e quatro, Copa do Mundo, vai ser a primeira Copa que eu vou ver o
- 43:52Brasil campeão do mundo. O Leonardo dá uma cotovelada, o
- 43:56cara tem um AVC dentro do campo o branco que tava no banco,
- 44:00chuta uma bola de fora da área, faz um gol icônico, enfim gente,
- 44:04então assim lançada no período da Copa do Mundo com comerciais
- 44:08que misturavam emoção e patriotismo, ela nem era a
- 44:11patrocinadora da parada, não era a patrocinadora da seleção, mas
- 44:14ela comprou tanto espaço publicitário que ela fez muito
- 44:17mais sucesso que muito você é um gênio, você é um gênio, você é
- 44:20um miserável ou é um gênio, ou essa miserável é uma gênia pelo
- 44:23amor de Deus Aí também ficaram marcadas as campanhas de verão,
- 44:26né? Que eram muito sucesso, assim.
- 44:28No ano de dois mil, os famosos Siris da Brahma, né?
- 44:31Conquistavam o público com o nananana, baixavam a calcinha
- 44:34assim e tal. Nananana.
- 44:36Nananana. Nananana.
- 44:42Nananana. Exatamente.
- 44:47A gente tá deixando o link do YouTube que dá pra você
- 44:49relembrar esse comercial. Teve a tartaruga da Brahma
- 44:51sensacional, né? Em junho de dois mil e um, a
- 44:54Brahma apostou na veia cômica, na disputa entre um motorista de
- 45:01caminhão que, pô, mó mentira, falando que o caminhão é
- 45:04refrigerado. É mentira isso, hein?
- 45:05Isso é mentira. É mentira.
- 45:07É uma das mentiras contadas pela Brahma.
- 45:10Lembra, Gil? E a tartaruguinha tá lá naquele
- 45:13deserto, tal, tal, tal, cai a latinha, pô.
- 45:16A tartaruga entra numa cruzada de pegar a lata antes do cara e
- 45:19fazer embaixadinho, escambau. Sensacional esse.
- 45:22Tem um outro icônico que é o Sobrameiro, né?
- 45:25Esse Digum foi composto pelo Nizam Guanais, que era da
- 45:28Agência África, também um grande publicitário. o Zeca Pagodinho
- 45:31pra campanha, né? O comercial da Brama de dois mil
- 45:34e um contou com a participação do Zeca, que promoveu a canção e
- 45:38o bordão Sobrameiro, cara, caiu no gosto do público de um jeito
- 45:41bizarro, né? Ele aparece cantando sobre o
- 45:44cotidiano, acordar cedo, que é uma poesia essa música, Brasil.
- 45:47É uma poesia. Eu poderia dizer que Sobrameiro
- 45:49é porque eu sou essa pessoa que vivei de maneira humilde,
- 45:52simples. E foi assim que o Zeca conseguiu
- 45:54o seu estoque vitalício de cervejas também.
- 45:57Pois é. Eu sou brasileiro, amor, eu sou
- 46:01brasileiro. Sou do Parque, sou da luta, sou
- 46:04guerreiro, eu sou brasileiro. O Zeca também é malandrão, né?
- 46:12Que teve uma campanha publicitária que ele fez pra
- 46:14outra cervejaria, que a gente não vai nem antecipar aqui.
- 46:17Maquiadas antigas, sabe? Não é você que defende a
- 46:19infidelidade? Então ele foi infiel pensando na
- 46:22dele. Defendo cem por cento a
- 46:23infidelidade de cervejeira, mas podia ser de cervejas boas, né?
- 46:29Mas enfim, vamos voltar pra cá. Bom, cara, se até o Jacquin foi
- 46:33fazer propaganda de miojo a troco do Tutu, né?
- 46:36Então, nesse jogo, vale tudo. Daqui a pouco, então, assim,
- 46:39Betis, venham anunciar no Surra de Lupo.
- 46:42Há um limite, Brasil. Não?
- 46:45Ou não tem limite? Henrique é da empresa também?
- 46:48Dinheiro! Não, não.
- 46:50Gente, KTO, por favor, venha. Eu gosto de dinheiro!
- 46:54Exatamente. O capitalismo venceu, gente.
- 46:58O que eu posso fazer? Aceitar.
- 47:02Para a gente terminar esse passeio em propagandas icônicas,
- 47:06Ronaldo Fenômeno... Gente, que saudade desses
- 47:09jogadores, não, Brasil? Ronaldo Fenômeno tinha uma
- 47:12propaganda falando sobre a Meiro.
- 47:14Ele tinha um apelo infantil tremendo.
- 47:16Aí o Cornar, a pedido da Skin Carioca, proíbe a veiculação da
- 47:19campanha que vincularia o sucesso do jogador.
- 47:21A trajetória dele é o consumo de cerveja.
- 47:24Será que é? Talvez seja.
- 47:25Aquela pança que ele ostenta... Então, e além disso tudo, o
- 47:29Konar falou, pô, ainda tem um apelo infantil, o público
- 47:32infantil gosta muito dele, etc. Mas, apesar do veto lá atrás, a
- 47:36Brahma trocou a frase sobre a Merus para sou guerreiro, porque
- 47:40também a galera do marketing falou, vamos dar um jeito nessa
- 47:42merda aqui, vamos resolver. Mas o que vale dizer é que o
- 47:45desenlace judicial dessa brincadeira toda foi positivo
- 47:49para a Bev. Em dois mil e doze foi julgada
- 47:51improcedente e ela saiu vencedora, né?
- 47:53Então, O que a gente pode dizer, Lourdes?
- 47:55A gente pode dizer que o departamento de marketing é
- 47:57grande e o departamento jurídico também.
- 48:01Henrique, não tem como não ser, né?
- 48:04É muita encrenca. É muita encrenca, gente.
- 48:07É muito sonhaço. Então, assim, a gente faz esse
- 48:09overview aqui agora do que foi campanhas icônicas da marca.
- 48:13Vamos deixar, como eu disse, o link do YouTube desses
- 48:15comerciais para você poder se deleitar.
- 48:18Mas a gente está chegando naquela parte que o Henrique
- 48:22está babando. Eu não sei se é espuma, se é fé,
- 48:25o que é essa mistura toda. Então o que a gente pode falar,
- 48:28Henrique, sobre tecnologia e modernidades, entre muitas
- 48:33aspas, da Brahma? O que eu acho muito interessante
- 48:37da Brahma e do seu departamento de marketing é que anda de mãos
- 48:41dadas tentando mostrar que está revolucionando o universo
- 48:45cervejeiro quando às vezes é simplesmente o marketing...
- 48:48E assim, gente, vamos dar o mérito, né?
- 48:51Eles fazem bem feito, senão não vendiam tanto.
- 48:53Essa que é a grande verdade. Mas a primeira coisa que me veio
- 48:56à cabeça foi a tal da Brameira, né?
- 48:58Eu não me lembro o ano que foi lançado, mas não faz muito
- 49:00tempo. Acho que faz menos de cinco
- 49:02anos. que basicamente era vendido como uma inovação pra
- 49:06ter a cerveja mais cremosa pra servir a duplo malte, aquela
- 49:09cerveja que foi uma da... o primeiro, talvez, depois das
- 49:14cervejas clássicas que o Gabriel trouxe, talvez seja a primeira
- 49:18grande esticada de perna da Brahma no universo de cervejas
- 49:22diferentes, né? Do que a gente tem daquela lager
- 49:25clássica, aí a gente tem uma Brahma duplo malte, uma cerveja
- 49:28um pouco mais maltada, com maltes diferentes do que a gente
- 49:31tá acostumado. Mas basicamente, essa brameira
- 49:34não tinha nenhuma coisa muito misteriosa, ou pelo menos não
- 49:38tão milagrosa no seu processo. Tu poderia botar uma latinha,
- 49:42uma lata, uma long neck, uma seiscentos ml dentro desse
- 49:45dispenser. Tu puxava uma alavanca, tendo
- 49:48aquela sensação de servir, ter um serviço de uma cerveja tirada
- 49:52do barril, né? E saia uma cerveja com colarinho
- 49:54cremoso, perfeito e denso. Palavras da Brahma, gente, não
- 49:58minhas. Vocês não vão ver eu ressaltando
- 50:00isso. Mas, basicamente, o que tinha
- 50:02ali naquela máquina era um ultrassom, era uma tecnologia
- 50:08que, basicamente, fazia uma microagitação da cerveja, que
- 50:11fazia com que o CO₂ fosse desprendido de forma que fosse
- 50:15desprendido em bolhas pequenas para formar uma espuma mais
- 50:18cremosa. Está dentro da premissa do que
- 50:21estava sendo vendido? Talvez, mas não tem nada de tão,
- 50:24sei lá, de tão milagroso no processo.
- 50:27Basicamente é, tu pega a tua cerveja, agita ela, vai gerar
- 50:30mais espuma, beleza, e sai por dentro de um aparelhinho que
- 50:33puxa ela e faz o dispenser. Não tem grandes evoluções
- 50:37tecnológicas aqui. Mas o que me deu dor de
- 50:40estômago, o que deu um gosto de fel na minha boca, foi o tal do
- 50:44chopp de verdade. Tem um anúncio, uma publicidade,
- 50:48tem um site dedicado da Brahma falando sobre, segundo palavras
- 50:55da Brahma, o chopp com dois P's. Deles é não pasteurizado, é
- 51:01produzido sempre gelado do começo ao fim do processo, é
- 51:04mais cremoso, é chopp de verdade.
- 51:07Ao passo de que os outros chopp é pasteurizado, é aquecido a
- 51:12altas temperaturas, não é cremoso, não é fresco, precisa
- 51:16ter aspas no seu nome, e não é chopp de verdade.
- 51:21Porra, Brahma. Não fode.
- 51:23Tipo, cara, tem tantos problemas essas afirmações, tem tantos
- 51:27problemas que eu preciso desmistificar cada um das coisas
- 51:31erradas aqui. Primeiro, isso aqui gera uma
- 51:33desinformação enorme. Enorme, enorme, enorme.
- 51:37Cara... Primeiro, chope Brahma, em
- 51:39muitos, eu ouso dizer, a maioria dos lugares, ele é vendido a
- 51:44temperatura ambiente. Ele é resfriado somente na hora
- 51:47de servir na chopeira. Se você for ver o barril, o
- 51:50barril está exposto. Ele não está dentro de uma
- 51:52câmara refrigerada. Ah, mas é que a saída é muito
- 51:56rápida e não dá tempo de o chope esfriar.
- 51:59Não. Tipo, um bar pode ter um fluxo
- 52:02muito grande de venda de cerveja, mas não são todos os
- 52:05bares. E a cerveja fica quente.
- 52:08Fato. Shame on you, Brahma.
- 52:10Segundo ponto. Cara, é muito raro chope, ou
- 52:14seja, cerveja servida em barril, ser pasteurizado.
- 52:17Inclusive, segundo a normativa do Ministério da Agricultura
- 52:22sobre o assunto, que é a IN número sessenta e cinco de dez
- 52:26de doze de dois mil e dezenove, a expressão CHOP com dois P's ou
- 52:30CHOP com E no fim, é permitida apenas para cervejas que não
- 52:34seja submetida ao processo de pasteurização. tampouco a outros
- 52:37tratamentos térmicos similares ou equivalentes.
- 52:40Então, se está sendo vendido como chopp, não pode ser
- 52:43pasteurizada. E, inclusive, não é uma prática
- 52:45comum. Na verdade, é raríssimas as
- 52:48cervejarias que pasteurizam o seu chopp para botar no barril.
- 52:51Raríssimas, raríssimas, raríssimas.
- 52:53Por quê? Porque encarece, gente.
- 52:55Ninguém vai encarecer mais o seu produto.
- 52:57Basicamente isso. Mais cremoso por ser chopp?
- 53:01Não. mais cremoso, tá muito mais relacionado a outras coisas.
- 53:06Ah, porque o serviço é melhor. Cara, tudo bem, mas eu posso
- 53:09tirar um chopp merda também numa torneira.
- 53:11É isso, pode ser um chopp não cremoso numa torneira também.
- 53:14É mil outras coisas e não necessariamente por ser chopp.
- 53:18É serviço, é diferente. Eu posso servir uma cerveja tão
- 53:21cremosa da Brahma como eu posso servir uma cerveja tão cremosa
- 53:25da Suricato. É verdade.
- 53:27E aqui, de novo, desinformação. Desinformação, desinformação,
- 53:31desinformação. E não é chopp de verdade pra
- 53:34quem, meus jovens? Tipo, como assim, meus jovens?
- 53:37Sério, amargou minha boca. Eu não consigo continuar aqui.
- 53:40Gabriel, por favor, fala um pouquinho de chopp em lata pra
- 53:42eu recuperar minha dignidade aqui.
- 53:44Rapidinho, deixa eu só fazer um adendo, eu tinha, a primeira
- 53:47percepção quando eu vi essa propaganda do Shopping não
- 53:51pasteurizado e tal, não sei o que, a primeira vez que eu vi,
- 53:54antes de ver aquele site todo produzido e até o post que eles
- 53:57fizeram na rede social, no comecinho de dezembro, se não me
- 54:00engano, eu falei, cara, é positivo, porque ele introduz
- 54:03uma palavra no vocabulário da pessoa leiga...
- 54:06Assim como foi com as cold hops, sabe?
- 54:08Porque você aproxima a pessoa de um ingrediente que de fato tem
- 54:11na cerveja, de um processo que de fato acontece em muita
- 54:14cerveja. Aí depois do desenrolar você
- 54:16fala assim, ah, puta que pariu, né?
- 54:18Não caga na entrada, mas caga na saída.
- 54:20Exatamente. E aí você fica com essa sensação
- 54:22merda. Eu comecei a receber umas
- 54:24perguntas lá na hipacondríaca do tipo, O barrilzinho de chopp da
- 54:28Heineken que vende no supermercado, é chopp ou
- 54:30cerveja? É isso.
- 54:32Aí você começa a receber reflexivamente coisas que se
- 54:36você perguntar no perfil da Ambev, eles não vão responder.
- 54:39Não vão, e eles... Assim, e de novo, é o
- 54:42departamento de marketing falando na frente de outras
- 54:45coisas. E tipo, pra mim gera
- 54:47desinformação, gente. É meio ultrajante, assim.
- 54:50De grande educadora das redes, a Lud virou saque da Ambev, hein,
- 54:53cara? Que ouro, hein?
- 54:55Ó! Não, mas teve também da
- 54:56Heineken, quando rolou a história da matéria.
- 54:59Jesus, eu devo ter respondido umas trezentas mensagens.
- 55:02Mudou, não mudou a receita? Essa agora?
- 55:04Mudou! Antes da gente falar de lata, um
- 55:09papo que eu já tive com a Lud, outras vezes, e ela me deu uma
- 55:11resposta bastante categórica, e não é passar pano para as
- 55:14cervejarias de forma alguma, é, na verdade, para também me aliar
- 55:18ao Henrique na minha revolta. A Lud me disse assim, as
- 55:22cervejarias não têm obrigação de educar o consumidor.
- 55:26Pensando, por exemplo, naquela Vaz da Patagônia, que na verdade
- 55:29é uma Vite Beer, de todas essas IPAs, que na verdade são
- 55:32American IPAs e você pensa que aquilo é o estilo inglês
- 55:36tradicional e na verdade não é. Ela me deu essa resposta, eu
- 55:38achei essa resposta muito boa, mas aí minha indignação partiu
- 55:42para tudo e ela levantou esse ponto da colocação de um
- 55:45vocabulário novo no repertório do consumidor.
- 55:49Mas errado, né? Mas errado.
- 55:50Que dureza. Ao mesmo tempo, foi a Lud que
- 55:53fez a boa pergunta sobre a lata. Como é que a cerveja foi parar
- 55:57em lata? E isso dialoga também com esse
- 55:59lance do Chopin. Devolverei a palavra para o
- 56:02Caríssimo Henrique em breve. Mas só para dizer que o hábito
- 56:06de enlatar alimentos foi uma tecnologia desenvolvida ao longo
- 56:09do século XX. Ele começou...
- 56:11Falamos de pasteurização... com um processo que depois foi
- 56:14nomeado de pasteurização, mas que era a fervura de alimentos
- 56:18condicionados em recipientes de vidro, que eles recebiam uma
- 56:23vedação, eles eram fervidos, submersos em água e depois eles
- 56:26eram colocados para ter uma vida de prateleira bastante longa,
- 56:30isso pelo Nicolas Aper, na França Napoleônica, no comecinho
- 56:33do século XIX. Aquilo depois, na Inglaterra,
- 56:36foi modificado para que esse recipiente fosse uma lata, uma
- 56:39lata de folha de flandres. E o desenvolvimento desses
- 56:43processos foi abarcando cada vez mais alimentos, a ponto de você
- 56:47não... Isso começou como uma
- 56:49preservação de alimentos doméstica, que foi depois
- 56:52passada... para provisionamento de corpos militares, e depois
- 56:56isso vai virar, de fato, alimento que você vende no
- 56:58mercado. Mas no caso da cerveja, isso só
- 57:01vai acontecer no século XX. Aliás, os coquetéis que hoje
- 57:04voltaram à moda, esses coquetéis prontos para beber, eles
- 57:07antecedem as cervejas, eles são do final do XIX, enquanto as
- 57:10lastinhas de cerveja só vão surgir nos Estados Unidos na
- 57:13década de trinta, no finalzinho da lei seca que esse tipo de
- 57:17projeto começa a despontar entre os círculos.
- 57:20E a primeira que de fato é lançada no mercado é de mil
- 57:22novecentos e trinta e cinco, quando você consegue conceber
- 57:25uma cobertura interna da lata para que o líquido não reaja com
- 57:28aquele tipo de material e ele fique com o melhor tipo de
- 57:32preservação possível. E não dê câncer.
- 57:34Para não dar câncer, basicamente.
- 57:36Para ficar um produto potável. Potável?
- 57:39Apto a não matar. apto a não matar.
- 57:44E aí em trinta e cinco nos Estados Unidos, mas aqui no
- 57:46Brasil só na década de mil novecentos e setenta.
- 57:50E isso não foi um pioneirismo da Brahma per se, mas sim da Skol,
- 57:54que era uma marca da Carlsberg, Carlsberg que nós já mencionamos
- 57:57aqui, que provavelmente será um episódio no futuro, uma
- 58:00cervejeira super importante, que teve licenciamento pra operar no
- 58:03Brasil em mil novecentos e sessenta e sete e conseguiu
- 58:06também desenvolver meio que sua própria versão e mil novecentos
- 58:09e setenta e um apresentou essa opção pro mercado.
- 58:13Com uma identidade visual que inclusive se manteve por pelo
- 58:15menos uns vinte anos, vinte e cinco anos, né?
- 58:18Quem lembra daquela lata mais cor de creme, mais clara da
- 58:22Skol, numa mesinha de cerveja na praia?
- 58:26Aquela identidade surgiu desde o começo da introdução desse
- 58:30formato de produto. E, mais curiosamente, voltamos
- 58:33aqui o caminho pra Brahma, porque a Brahma comprou a Skol
- 58:36em mil novecentos e oitenta. Inclusive, a Skoll foi um
- 58:39elemento de disputa dos órgãos de controle quando da fusão
- 58:42entre a Brama e a Antártica para a formação da Ambev em mil
- 58:45novecentos e noventa e nove em dois mil.
- 58:47Ela já tinha entrado sob esse guarda-chuva e ia virar o quê?
- 58:49Ia virar um grande monopólio. Mas, afinal, cá estamos hoje.
- 58:53Ia virar? Virou.
- 58:56Vira, vira e virou. Exato.
- 58:57Cá estamos hoje. Enfim, tudo isso para dizer que
- 59:01nós temos lata no país desde a década de setenta.
- 59:03E se tem chope em garrafa, pode ter chope em lata também,
- 59:06Henrique? Então, essa é uma discussão bem
- 59:08interessante, né? Porque, no final das contas, a
- 59:10gente sempre associa o chope a barril, né?
- 59:13Por isso que eu reforço a questão de que não se pasteuriza
- 59:17cerveja em barril. Não é processo comum, por isso
- 59:19que a gente associa. Entretanto, pela legislação que
- 59:22eu li antes... a gente pode ter chope em lata, desde que não
- 59:27seja submetido a nenhum processo de aquecimento térmico ou
- 59:31similares como a pasteurização. Então, apesar de ser, de novo e
- 59:35novamente, ser um processo muitas vezes motivado pelo
- 59:39marketing, se a Brahma, ao anunciar o chope em lata, chope
- 59:44Brahma em lata... Se essa cerveja não passa por um
- 59:47processo de pasteurização, sim, ela pode ser considerada.
- 59:50Assim como todas as outras cervejas artesanais que a gente
- 59:53tem no mercado, cervejas craft, que não passam por pasteurização
- 59:56também podem ser consideradas como chopp.
- 59:59Entretanto, eu não sei o alcance de marketing que teria colocar o
- 1:00:05nome chopp numa lata de uma, sei lá, qualquer cerveja craft.
- 1:00:09colocar, ah, isso aqui é chopp. Eu não sei o quão isso tem
- 1:00:12potencial para colaborar pra venda.
- 1:00:15Apesar de que pra Brahma, ela tá associando a uma coisa que já
- 1:00:18era da marca dela. Mas ela pode vender chopp
- 1:00:21enlatado, sim. Sabe, eu ia fazer uma provocação
- 1:00:24aqui que tem a ver com a Brahma, de fato, mas enfim, tem a ver
- 1:00:27com geral. Eu fico começando a pensar, tudo
- 1:00:29começou a dar errado no mercado cervejeiro craft, artesanal,
- 1:00:32independente, que esse é um assunto que eu adoro tocar.
- 1:00:35Quando a gente fica na dúvida se aquilo que está na lata está
- 1:00:40pasteurizado ou não. Porque houve um momento em que
- 1:00:42se a cervejaria enlatasse, envasasse em lata...
- 1:00:46pasteurizada. Geralmente as pessoas enlatavam
- 1:00:49em garrafas as que eram pasteurizadas pra ter mais tempo
- 1:00:52de prateleira. E aí você sabia que as latas
- 1:00:55estariam na geladeira porque elas não eram pasteurizadas.
- 1:00:58Quando a galera começou a envasar em lata e pasteurizar,
- 1:01:02bugou a cabeça do consumidor. Acabou com tudo.
- 1:01:05Aí foi que o barraco desabou. Essa aqui meu barco se perdeu.
- 1:01:10Gente... Meu Deus!
- 1:01:12Mas sim, faz sentido, faz sentido.
- 1:01:14Fica uma provocação, fica aí uma provocação pra vocês pararem de
- 1:01:17fazer isso com a cabeça do consumidor, não?
- 1:01:19Mas que não tem um departamento de marketing tão grande também,
- 1:01:21né? Essa que é a diferença.
- 1:01:27Meus amigos, temos? Conseguimos entregar esse
- 1:01:31conteúdo de uma cerveja contraditória, porém de alguma
- 1:01:35forma icônica do nosso país? Temos?
- 1:01:37Vocês identificam que temos? Certamente.
- 1:01:40Pô, eu gostei, gostei. Então é isso, Brasil.
- 1:01:43A gente aqui é tão icônica no nosso paraíso, viveu aqui no
- 1:01:46imaginário de todos nós desde a infância, pelo menos desses
- 1:01:50apresentadores que vos falam, né?
- 1:01:52Foi plenamente entregue hoje com muito orgulho.
- 1:01:54E se você ouviu a gente até aqui, lembre-se de participar
- 1:01:58conosco das nossas redes sociais.
- 1:02:01Arroba Surra de Lúpulo no Instagram e TikTok.
- 1:02:03Tem alguma sugestão de pauta e convidados?
- 1:02:05Manda e-mail pra contato arroba surradelúpulo.com.br E se você
- 1:02:09curtiu a raiva do Henrique, vai lá e conta nas redes também.
- 1:02:12Exato. Destile raiva junto comigo,
- 1:02:15gente. Perfeito.
- 1:02:16Você concorda? Você discorda?
- 1:02:17Você acha que é bobagem? Fala lá, fala lá.
- 1:02:19Tem que dar uma antirrábica pro Henrique.
- 1:02:23Perfeito. Então, gente, o Surra volta
- 1:02:24quando? Semana que vem.
- 1:02:25Até semana que vem. Até.
- 1:02:26Falou. Este podcast foi editado por
- 1:02:27Play Audios.