Latest / O Aviário Podcast · by PPGVET / Dr. Clóvis Eliseu Gewehr: Um Futuro sem Gaiolas | Ep. 72
Transcript
- 0:00E a única certeza que a gente tem aqui aqui no
- 0:02Brasil é a haverá uma tendência no futuro que o
- 0:08sistema de criação também migre para que hoje a
- 0:12gente estamos vendo na Europa.
- 0:24Olá pessoal, bem -vindos e bem
- 0:26-vindas. Mais uma vez é o Aviário
- 0:28Podcast. Eu sou Catarina Estefanelo e
- 0:31hoje eu converso com o professor, doutor Kloves
- 0:33Elizeu Giver. O professor Kloves é
- 0:36zotecnista, ele é mestre, doutor, postdoutor.
- 0:39Atualmente é professor na Udesk, em
- 0:41Lágeas, Santa Catarina. O professor Kloves é um
- 0:45prazer agora eu estar conversando com você.
- 0:48Obrigada novamente por aceitar o
- 0:50nosso convite e nos dá essa oportunidade de abordar
- 0:53mais um assunto no Aviário Podcast. Obrigado,
- 0:58boa tarde a todos. São prazer novamente estar aqui
- 1:01com vocês. Passando informações e dialogando,
- 1:05sempre visando o crescimento da atividade avírica. Para
- 1:11o pessoal que nos acompanha, o professor
- 1:15Kloves ele participou de uma conversa já com o
- 1:17professor Café há alguns meses, ele contou as suas
- 1:21experiências, falou sobre os desafios na nutrição de
- 1:24poedeiras. Eles conversaram sobre exigências
- 1:28nutricionais, sobre ingredientes, sobretudo em
- 1:31uma contextualização bem atual que eu acho que é
- 1:34interessante para a gente no podcast também. Então
- 1:40quero deixar a recomendação, se alguém não acompanhou
- 1:42acessa o Aviário Podcast ou vocês vão poder aproveitar
- 1:46esse episódio para o professor Kloves já gravou
- 1:50conosco. Bom professor Kloves, eu queria
- 1:53aproveitar a sua experiência na área de produção de
- 1:56poedeiras e trazer um assunto atual também,
- 2:00pedisse hoje nós poderíamos falar sobre os sistemas de
- 2:04criação de poedeiras comerciais nesse contexto no
- 2:07que nos espera para o futuro. Então
- 2:13Catalina, o que eu diria que para nós pesquisadores
- 2:19que ficamos nos atualizando sobre como estão os
- 2:24sistemas de criação no mundo eu diria que aqui no
- 2:27Brasil nós estamos muito próximos de uma quebra de
- 2:32paradigma na produção de poedeiras. Desde
- 2:372012 na Europa o Comitê Europeu já determinou a
- 2:45proibição do uso de gaiolas e muitos países estão se
- 2:49adaptando a essa situação, a criação do sistema K
- 2:54-Free, ou seja livre de gaiolas e também do sistema
- 2:59Free Range, que seria aves criadas a pasta ou soltas
- 3:05com liberdade de expressão. Então
- 3:09isso é uma situação que foi digamos que uma
- 3:14exigência do consumidor europeu, que é uma
- 3:18população capitalizada em comparação com a Brasília,
- 3:25que por ter um maior poder aquisitivo eles têm uma
- 3:31situação de poder fazer uma escolha em cima do produto
- 3:35que ele consome, eles são mais seletivos com relação
- 3:38a isso. E por parte de uma
- 3:41conscientização dos consumidores, veio essa
- 3:44forte corrente de não consumir produtos de animais
- 3:48que sejam submetidos a amostratos e entendem eles
- 3:54que criar aves em gaiola é uma situação que fere as
- 3:59liberdades dos animais, especificamente aquelas 5
- 4:04liberdades que nós temos aí em consonância com bem
- 4:09estar animal. Então essa é uma situação que
- 4:12nós já vemos, estamos vivendo, a França hoje
- 4:19ainda tem 54%, mais um pouco mais da metade das
- 4:24suas aves criadas em gaiolas riquecidas, são
- 4:27gaiolas caras, que aqui no Brasil a gente não chegou
- 4:30a vivenciar esse momento. E a Espanha por ser o maior
- 4:34produtor da Europa de ovos, eles já estão lá com cerca
- 4:39de 30 % das aves sendo criadas no sistema livre de
- 4:43gaiolas, o que é algo bastante relevante, se
- 4:48tratando de ser o maior criador da Europa. Então
- 4:52outros países também, como Alemanha, Austria, Xigurgo,
- 4:58nos Estados Unidos, estão em exemplo 11 estados já
- 5:02proibiram os também de gaiolas. E
- 5:06aí vem a situação aqui no Brasil, de trazer essa
- 5:09situação para nós, então praticamente todo nosso
- 5:12sistema intensivo é produzido ovos sim, sistema
- 5:17de gaiolas. Já há algum investimento de
- 5:23algumas empresas aí modificando essa situação do
- 5:29processo de criação, partindo para aves criadas
- 5:35em cama, com a inserção de ninhos. E
- 5:40nós entendemos que essa situação aí vai chegar ao
- 5:44Brasil de uma forma mais intensiva. E
- 5:49essa é uma perspectiva que nós entendemos, como eu
- 5:52falei no início, a questão da quebra de paradigma.
- 5:56Porque ficamos numa situação como
- 6:00vai ocorrer isso no sistema de produção, qual é o
- 6:04impacto que teria isso no sistema de produção? Então,
- 6:08que com nutricionista observa, o que com
- 6:13investidor, no caso, como é, para onde vai migrar?
- 6:20Então, uma série de incertezas. E
- 6:24a única certeza que a gente tem aqui no Brasil é
- 6:28essa haverá uma tendência no futuro, aqui o sistema
- 6:33de criação também migra para que hoje a gente
- 6:37estamos vendo na Europa. Imagine
- 6:41ter a disposição, uma solução que combine
- 6:43rapididez e interpretação personalizada para gerenciar
- 6:46os riscos das micotoxinas em sua empresa? A
- 6:49pega do science é a resposta. Realizamos
- 6:52a quantificação em tempo real das principais
- 6:55micotoxinas, promovendo decisões mais assertivas,
- 6:58resultando em um gerenciamento macroeconômico
- 7:01e sustentável. Eu vi que vocês já fizeram
- 7:07estudos comparativos entre aves criadas em pendeiras
- 7:13em gaiola e livros de gaiola. Na
- 7:15verdade, eu queria aproveitar esse momento para
- 7:18te perguntar um pouco desses resultados que vocês
- 7:21obtiveram, mas também para falar essa questão de como
- 7:27isso exige mais de nós um novo conhecimento de
- 7:32exigências nutricionais dessas aves, agora fora da
- 7:36gaiola, esses desafios que estão existindo apetindo o
- 7:42momento em que nós temos sistemas de produção
- 7:45distintos. Então, Catarina, eu publiquei um
- 7:50artigo no ano passado na revista brasileira de
- 7:54produção Saúde Animal, a Universidade Federal da
- 7:58Bahia, comparando um sistema de aves criado sobre cama
- 8:04e em gaiola. Basicamente comparando a questão
- 8:09nutricional de consumo de nação e a questão da
- 8:14qualidade de ovos. E o que nós vimos de
- 8:19resultado é um aumento no consumo alimentário e um
- 8:24aumento da conversão alimentar e nenhuma
- 8:27alteração na questão da qualidade do ovo. O
- 8:31fato é que essas aves sendo criadas soltas, elas
- 8:34teoricamente vão ter algum gasto a mais de energia
- 8:38pela locomoção, por exprimir determinados comportamentos,
- 8:43também vão ter mais espaço para se locomover e isso
- 8:46em tese influenciando uma maior quantidade de alimento
- 8:51sendo consumido para a mantensa, que a gente fala
- 8:55mantensa e produção. Então, a energia de mantência ela
- 9:01vai ter que ser reposta porque vai haver um gasto
- 9:04energético por parte da aves. E
- 9:06quanto mais espaço teoricamente ela tem para
- 9:10se locomover, isso aí é específico no sistema free
- 9:13range, que é criado solta, em ambiente solta, pasta,
- 9:20como a gente poderia dizer, a tendência que haja um
- 9:24maior consumo também de alimento em função desse
- 9:31gasto energético disponibilizado para
- 9:35atividade física, de locomoção que ela vai
- 9:39fazer. E uma situação que eu
- 9:45verifiquei recentemente, que há um projeto de lei na
- 9:50Câmara Federal de no meu PL 5092 e 2023, onde há o
- 9:59requerimento que se proíba ao uso de gaiolas aqui no
- 10:04Brasil. Eu, te verificacentemente, dão
- 10:11uma observada nesse projeto de lei, ele fala
- 10:15exclusivamente da proibição e do porquê da proibição,
- 10:18mas não é uma regulamentação mais intensa
- 10:23com relação à área disponível para criar, com
- 10:28a quantidade de aves bem diferente do que a gente
- 10:31vê no que ocorreu na Europa. Então,
- 10:39a princípio com relação a isso, nós também estamos
- 10:43aqui confeccionando um galpão para já começar a
- 10:50trabalhar com a questão de aves sendo criadas soltas.
- 10:56E para quem trabalha com
- 10:59pesquisa isso é um pouco complicado. Eu
- 11:01acredito que para os produtores em si não vai
- 11:06haver essa adaptação, não vai ser tão intensa, porque
- 11:12vai tirar gaiola e vai trabalhar com essas aves
- 11:16sob cama, podendo colocar um linha automático, como
- 11:20se faz para matrizes pesadas, por exemplo. Então,
- 11:24as matrizes são criadas soltas e fazem a postura e
- 11:29esse ovo sai automaticamente. Então,
- 11:31vai haver uma adaptação, isso aí sem dúvida nenhuma.
- 11:36Agora, para nós que trabalhamos
- 11:37com pesquisa no sistema, foi o rente que vai ser
- 11:41complicado, porque as aves colocam os ovos nas 8, 1ª
- 11:45da manhã. Então, nesse período elas vão ter
- 11:48que estar confinadas. E aí, no período da tarde,
- 11:51nós vamos poder fazer a soltura. Então,
- 11:55é uma situação que nós vamos ter que se adaptar,
- 11:59porque qual é a quantidade de aves por metro quadrado?
- 12:04Então, hoje no Brasil, é só as
- 12:07certificadoras que têm um regramento com relação a
- 12:12essa quantidade de aves, metros quadrados para
- 12:15procurar. E isso é uma matéria que nós
- 12:18vamos ter que começar a trabalhar, gerando
- 12:21conhecimento para ser aplicado pelos nossos
- 12:23produtores. E como você vê a evolução
- 12:29dessas nossas grandes de postura nos sistemas, em
- 12:33relação à bioseguridade, à audiência, pontos que,
- 12:38indiretamente, você mencionou também a própria questão da
- 12:42mão de obra, a sanidade, tudo isso, nesses sistemas.
- 12:48A questão das gaiolas
- 12:50verticais foi uma inovação que vem sendo introduzida
- 12:54muito rapidamente aqui no Brasil. Uma
- 12:57das coisas que eu tenho observado é a evolução
- 13:01genética dessas poideiras. Então,
- 13:05quando a gente... Até a adaptação que nós temos
- 13:09que fazer para ministrar as aulas para os nossos
- 13:12alunos, quando a gente fala em muda forçada, no passado
- 13:17era muito fácil a gente falar sobre muda forçada.
- 13:20Hoje, quando eu entro em sala de
- 13:23aula para falar sobre muda forçada, o que eu vejo de
- 13:26aluno torcendo nariz não gostando da situação de o
- 13:30que. E uma das coisas que eu mais
- 13:34verifiquei em se tratando nessa situação de muda
- 13:37forçada, da proibição também que ocorreu em determinados
- 13:42países com relação a isso, é a longevidade de uma
- 13:46poideira. Hoje, eu estou aqui com um lote
- 13:50com 75 semanas de idade, com 94 % de postura. Essa
- 13:57ave, há 10 anos atrás, 15 anos atrás, ela já estaria
- 14:02com 65%, a 70 % de postura, já muito próximo
- 14:07de fazer um processo de muda forçada. Então,
- 14:10a evolução genética dessas poideiras, hoje um lote vai
- 14:16até 110, 115 semanas com uma produção de ovos acima
- 14:22de 75%. Fazendo com que não haja
- 14:26necessidade de então se fazer uma segunda muda.
- 14:30Isso foi uma coisa que me
- 14:33chamou a atenção, a longevidade dessas aves, em
- 14:39se tratando a percentual de postura. Então,
- 14:43independente da questão dos sistemas de criação,
- 14:47genéticamente as poideiras, principalmente a poideira
- 14:50vermelha, ela sofreu uma modificação muito intensa,
- 14:55diminuindo o peso, diminuindo o consumo de
- 15:00ração, melhorando a conversão alimentária e os
- 15:02índios produtivos. Obviamente,
- 15:05ela produzindo uma maior lucratividade para o
- 15:09produtor. Pensando nos sistemas de criação
- 15:16dessas nossas poideiras, falando de futuro, falando
- 15:20de atualidade, como você vê a relação dos sistemas de
- 15:25produção com os consumidores, as demandas
- 15:28dos consumidores aqui no Brasil? Bom,
- 15:32uma das situações que a gente vê na agricultura de
- 15:36corte, por exemplo, o que solidificou a agricultura de
- 15:39corte aqui no Brasil foi o consumo interno. E
- 15:42o consumo interno, ele está muito relacionado a uma
- 15:47questão de poder aquisitivo da população. Então,
- 15:52o consumo de frango de corte ultrapassou, o consumo
- 15:56de carne de aves já ultrapassou de carne bovina.
- 16:00Então, essa relação é muito
- 16:01dependente do poder aquisitivo. O
- 16:05consumo de ovos vem crescendo no Brasil pelo
- 16:11custo que tem o ovo, que é uma fonte de proteína
- 16:16barata, a gente poderia dizer assim, mas
- 16:20principalmente pela conscientização do consumidor
- 16:23com relação ao ovo ser um alimento de ótima qualidade.
- 16:29Então, a questão do mítodo
- 16:31colesterol no ovo. São coisas que vem sendo
- 16:33quebradas, enquanto que nós tínhamos há 10 anos atrás
- 16:38157 oss por habitante, aqui no Brasil, hoje, nós
- 16:43estamos chegando a próxima 260 ovos por habitante, o
- 16:48consumo percáptico por habitante ano. Isso
- 16:52é uma média no Brasil, mas na região sul do Brasil
- 16:56nós temos um consumo percáptico bem maior, porque
- 16:59no Nordeste, no Norte, o consumo é menor. Então,
- 17:03nós temos aqui na região sul um consumo já de ovos
- 17:06de primeiro mundo, que passa de 300 oss por
- 17:10habitante. Então, o ovo é uma fonte de
- 17:13proteína de excelente qualidade. A
- 17:16gente só perde para o leite materno, a gente se
- 17:19tratando de qualidade, o valor biológico do ovo é o
- 17:2410, a qualidade proteica dos outros alimentos são
- 17:30comparados com a proteína do ovo. Então,
- 17:33à medida que vai a população se conscientizando
- 17:36da qualidade nutricional do ovo, a metodo colesterol, e
- 17:43aliado à questão do preço, a tendência é que nós
- 17:48vamos ter um crescimento de consumo de ovos do Brasil.
- 17:53E ainda há espaço para
- 17:54crescer e exportamos muito pouco ainda. Sim,
- 18:00eu estava pensando aqui uma outra pergunta que eu
- 18:03gostaria de aproveitar para fazer. Pensando
- 18:06aqui no Brasil, como que você vê essas alterações no
- 18:10mercado em relação ao sistema de produção de
- 18:14poedeiras? No sentido dos desafios que
- 18:18cada sistema tem, eu também pensava que a minha
- 18:21empresa, por exemplo, já que ela está investindo em
- 18:23novos aviários para produzir ovos e comercializar o
- 18:28sistema catered free, o que a gente está vendo agora
- 18:33aqui? Provavelmente vai se desenhar agora dos
- 18:37próximos anos com essas alterações no mercado.
- 18:42Então, quanto de vista do material
- 18:45genético, talvez tenha que se convalhar melhor do
- 18:48sistema imune da área. Em Gaola, em Tese, as aves
- 18:55não estão em contato com as fezes e tal. Então,
- 18:58isso é uma situação que, do ponto de vista
- 19:02sanitário, há uma prevenção. Então,
- 19:09já acredito que no material genético vai ter que se
- 19:14melhorar essa questão de se pensar na imunidade. Com
- 19:19relação a investimentos. Eu acredito, mas não sou o
- 19:26dano da razão, que haver uma tendência no Brasil
- 19:32também a consumir aves, ovos, de aves livres de
- 19:38Gaola. O que nós já vimos na
- 19:41Europa, e também há no Brasil um acrescente do
- 19:48poder aquisitivo. Então, sempre quando há uma
- 19:51melhora disso, as pessoas tornam -se mais seletivas
- 19:54para consumir um produto mais caro. O
- 19:56produto vai encarecer, o ovo vai ficar mais caro na
- 20:00prateleira. E obviamente, essa investimento
- 20:05que o produtor terá que fazer para a adaptação
- 20:08desse sistema, em Tese, ele vai ser repassado pelo
- 20:13produto. Vai ser repassado para o
- 20:17produto ovo. Então, essa adaptação vai ocasionar
- 20:26o preço final, vai afetar o preço final. Então,
- 20:30como eu falei anteriormente desse artigo que nós
- 20:33produzimos, teoricamente, vai haver um maior consumo para
- 20:37o parte da ave, ser criado solta, e isso vai encarecer
- 20:41o produto do ovo. Com relação a investimentos,
- 20:45esses sistemas verticais, eles possibilitam que você
- 20:51consiga criar uma quantidade maior de aves dentro de um
- 20:55meso galpão. Eu tive falando com um amigo
- 21:00que hoje ele tem uma granja, ele foi um colega
- 21:03de trabalho numa empresa de frambo de corte, quando eu
- 21:06trabalhei no estado de Pernambuco, e ele hoje é
- 21:09proprietário de uma granja produtora de ovos na cidade
- 21:16de Garayun. Ele tem metade das aves criadas
- 21:24em gaolas convencionais e metade em gaolas
- 21:29automáticas. Ele me confidenciou recentemente
- 21:34que ele consegue diluir o custo de produção das
- 21:38gaolas automáticas, desse sistema vertical em função
- 21:41da mão de obra. E nas gaolas convencionais
- 21:45teria que ter a questão da panha, do ovo, manual,
- 21:49arraçamento. E aí a questão do custo de
- 21:57produção, não do custo de produção, mas o sistema de
- 22:01colocar uma granja convencional ou uma granja
- 22:05automática é o mesmo. Então os dois se equivale. No
- 22:12momento em que você parte com o sistema de aves
- 22:14criados soltas, obviamente o espaço aí fica 5 aves por
- 22:19metro quadrado, é o que a Europa tem praticado e as
- 22:26empresas certificadoras aí tem aceito. Então
- 22:30obviamente isso vai ter um maior investimento em se
- 22:34tratando de galbão, na questão do que tem que se
- 22:41mobilizar capital para a construção de uma granja. E
- 22:44também a questão de um linho automático. Muito
- 22:46provavelmente, eu acredito que esses linhos automáticos
- 22:51que são utilizados para poederas vão ser adaptados
- 22:55para aves de postura, onde vai também haver o
- 22:58recolhimento do ovo automático. E
- 23:03enfim, e aí eu ainda não tenho contabilizado essa
- 23:07relação. Mas obviamente se o sistema
- 23:15solicitar um maior investimento, isso vai ser
- 23:24repassado para o consumidor final, que seria encarecer
- 23:28um pouco o preço do ovo. O
- 23:32interessante do nosso país é que nós temos áreas, nós
- 23:35temos ingredientes, acho que nós temos muito conhecimento
- 23:39por parte das nossas empresas, então elas
- 23:43conseguem trabalhar nos diferentes sistemas super
- 23:47bem, com tudo o que já foi desenvolvido até então,
- 23:52até os próprios pequenos produtores podem encontrar
- 23:57possibilidades, e assim a gente vê aqui na região,
- 24:01até para puxar um pouco o assunto do Caipira, do Free
- 24:06Range, vocês ali construindo um novo aviário pensando em
- 24:13fazer avaliações também nesse sistema que demandas
- 24:16têm surgido ali, que tem chegado para vocês no
- 24:19sistema Caipira. Então, Catarina, antes de entrar,
- 24:30após graduação, eu trabalhei alguns anos na empresa de
- 24:35favor de corte, no Nordeste, e quando eu fui
- 24:41fazer doutorado, eu não conhecia nada sobre aves de
- 24:44postura, então eu fiz até isso com codornas. Então,
- 24:49achei um animar extremamente interessante produtivo, e eu
- 24:53queria conhecer, meu desejo era entrar para a academia
- 24:56sem professor, então eu precisava ter um
- 24:58conhecimento de aves de postura, era muito
- 25:02superficial o meu conhecimento. Quando
- 25:05eu passei no concurso aqui em Santa Catarina, na
- 25:08Udesque, aqui em Larges, eu fiz um trabalho de
- 25:11extensão, dei dois postistas de trabalho para conhecer o
- 25:15perfil do produtor de aves de Santa Catarina. E
- 25:20na época, 2007, eu fiz um trabalho também que eu
- 25:26publiquei esse trabalho até na revista do nosso centro,
- 25:31tinha sempre dois produtores cadastrados na cidade, que
- 25:36que é o órgão fiscalizador. Hoje
- 25:38nós temos mais, isso atingimos duas cranjas, com
- 25:42um volume maior de aves, passava de 200 mil aves,
- 25:46então não era grandes produtores, como nós temos
- 25:53em São Paulo, Minas Gerais, e aí no Rio Grande do
- 25:57Sul, também já existia grandes produtores. E
- 26:04uma das situações que a gente verificou nesse
- 26:06trabalho, é a falta de poder aquisitivo desses
- 26:11produtores para tocar um lote desde o primeiro dia
- 26:15até o final. Eles ficavam muito dependentes do
- 26:19preço de mercado, então eles tinham que acompanhar
- 26:25o preço do novo que era estabelecido no mercado.
- 26:28Então, houve uma fragilidade, de
- 26:32ponto de vista, financeira para isso. E
- 26:35muitos deles, a época, tinham galpões, muitos,
- 26:41alguns deles, tinham galpões adaptados de frango de
- 26:44corte, com ninhos de madeira, ninhos
- 26:49convencionais, em sistema de biséu dentro desses galpões.
- 26:53Ou que, para a época, estava
- 26:56sendo até condenado, porque era um sistema arcaico, e
- 27:03aí eles tiveram que migrar, foi um trabalho incisivo
- 27:10com a MEGA, com o sistema de Gaioala. Muitos
- 27:13deles deixaram de criar aves, porque não tinham
- 27:18capital de giro para fazer um investimento maior, ou
- 27:22eles tinham que diminuir a quantidade de aves criadas.
- 27:26Então, hoje, nós ainda no Brasil,
- 27:31por incrível que pareça, principalmente na região
- 27:33sul, onde tem uma quantidade significativa de
- 27:36produtores de fundo de quintal, o preço do ovo
- 27:40ainda é afetado pelas aves criadas de fundo de
- 27:44quintal. Então, hoje, o jargão do pessoal
- 27:49diz que, na época da Páscoa, as aves entram em
- 27:52greve. Isso está relacionado à questão
- 27:56do foto -periodo, como a gente sabe, mas no segundo
- 28:00semestre, quando o foto -periodo acrescente, essas
- 28:04aves criadas soltas, elas têm um aparelho reprodutor
- 28:08estimulado, elas entram na fase de postura, na fase
- 28:12reprodutiva, e aí nós temos uns produtores criando aves
- 28:18a fundo de quintal. Então, mas do ponto de vista
- 28:24comercial, embora tenha essa concorrência, digamos que
- 28:30não seria significativo hoje para ficar incomodando um
- 28:34sistema intensivo. E especificamente aqui, Santa
- 28:40Catarina, essa produção fica muito a questão de
- 28:44subsistência. Não indo para nicho de mercado,
- 28:50em feiras, não. Isso não é coisa que a gente
- 28:55observa. E é uma coisa que varia
- 29:01muito conforme a região, dependendo da região onde a
- 29:06população habita, nos grandes centros, a gente vê
- 29:09comportamentos de consumidores diferentes do
- 29:11que a Santa Maria, também, a interior, larges, cidades
- 29:16consideradas pequenas para essas exigências de
- 29:22consumidores, se nós compararmos com os grandes
- 29:25centros. E o interessante talvez seja
- 29:28o fato de consumidores terem mais opções, mais
- 29:32opções de produtos. E uma coisa que a gente
- 29:36observou também, foram mais opções de embalagens, de
- 29:40quantidades de ovos, de ovos industrializados. Acho
- 29:44que tudo isso acabou influenciando muito os
- 29:47nossos consumidores, porque de fato, mesmo no interior,
- 29:52a gente vê mais opções para o consumidor.
- 29:56Obviamente, o excedente é vendido,
- 29:59essas aves de fundo de quintal, quando tem esse
- 30:02período de novembro, segundo semestre, obviamente, eles
- 30:10vendem esse excedente. Mas uma coisa que esses
- 30:13pequenos produtores também tentam chegar nessa situação
- 30:20de fugir do sistema intensivo e ter um sistema
- 30:25alternativo, que é essa a questão do free range. E
- 30:30essas grandes redes hoje de supermercados, elas também
- 30:34já estão buscando essa situação de ter esses
- 30:37produtos alternativos. Bom, Bruce, obrigado mais uma
- 30:42vez por essa conversa, por sua disponibilidade, por
- 30:45trazer um tema, esse tema dos sistemas de produção
- 30:49para o nosso podcast, que é um tema preciso a ser
- 30:52sempre comentado também. Eu queria te deixar bem à
- 30:57vontade agora para mandar uma mensagem final para
- 31:00quem nos acompanhou até agora. Então,
- 31:03mais uma vez, um prazer participar com vocês,
- 31:06trocando ideias. A gente está aí para
- 31:11colaborar com o sistema, então hoje a gente gosta
- 31:17de problemas, um pesquisador gosta de problemas para
- 31:20resolver problemas. A gente não vê esse sistema
- 31:24alternativo como um problema. Então,
- 31:27se a população deseja um produto alternativo, e aí a
- 31:36nossa função é fazer com que esses produtos, se eles
- 31:40chegam de qualidade, com baixo custo a população.
- 31:45Então, o que eu queria deixar de
- 31:51mensagem é que, muito em breve, aqui no Brasil, nós
- 31:56vamos estar vivendo um novo momento com relação ao
- 32:01processo de criação das diaves, coerdeiras e sistema
- 32:05intensivo, porque há uma tendência mundial a migrar
- 32:11para um sistema livre de gaiolos. E
- 32:15aí, agradeço a oportunidade. Nós
- 32:19que agradecemos para os seus lavos, e quero
- 32:22agradecer também a todos que nos acompanharam hoje.
- 32:25Obrigada e até uma próxima.