Latest / Surra de Lúpulo / Cada Cerveja uma história: Derrubando Mitos | Surra #308
Transcript
- 0:03Alô, tem alguém aí? Será que vocês são como eu, que
- 0:09perdem o sono? Pensando no mercado cervejeiro,
- 0:12por que as cervejarias seguem fazendo reis e IPA?
- 0:15Tudo igual? Qual é o tamanho do mercado
- 0:17cervejeiro artesanal no Brasil? Quantas cervejarias ciganas tem
- 0:21no país? Dos estúdios da Paint network,
- 0:24eu sou Ludmila Almeida, mais conhecida como ipacondrica.
- 0:28E o surra de lúpulo de hoje é cada cerveja e uma história
- 0:32derrubando mitos cervejeiros comemorativos dos 6 anos desse
- 0:37maroto podcastinho do seu coração.
- 0:42Uma das coisas que a galera adora falar é sobre o pessoal.
- 0:46Na idade média, não bebia água porque ela quase sempre era
- 0:50imprópria para o consumo, aí preferia beber cerveja.
- 0:53Reside alguma verdade nessa sentença?
- 0:57O engraçado é que essa afirmação ela faz parecer que os medievais
- 1:00eram inteligentes, ao mesmo tempo que a gente tende a achar
- 1:02que os medievais eram obscuros, né?
- 1:04Aquela gente ignorante. Mas não, não tem verdade nenhuma
- 1:07nisso. E é um mito que ultrapassa.
- 1:10A história ligada especificamente à cerveja.
- 1:13Talvez essa visão de que a água é ruim é muito ligada, talvez a
- 1:17essa visão daquele Rio ruim que tá ali, né?
- 1:18Porque os rios eram polidíssimos, eram ainda alguns
- 1:21são poluídos, o tamisa hoje muito menos o que já foi.
- 1:23Mas eu acho que estava muito ligado a isso.
- 1:25Para mim, parece aquele mito que tu quer que seja verdade para
- 1:28dizer que tu pode beber cerveja mais, sabe?
- 1:30Eu, eu torço para ser verdade, ao invés de ser um mito cravado
- 1:34em fatos reais. A questão não é.
- 1:37Se houve ou não 11 apagamento do envolvimento feminino Na Na
- 1:40história da cerveja. Mas é se de fato, a econografia
- 1:44associada às bruxas vem desse apagamento.
- 1:47E aí a questão é, não vem não vem essa história de chapéu de
- 1:50bruxa, nariz grandão, a vassoura na porta do negócio vendendo
- 1:54cerveja, o gato que Vigia o depósito dos cereais para não,
- 1:59não, não vem daí a construção da coreografia das bruxas.
- 2:02Ela é muito mais complexa e vem de vários lugares diferentes.
- 2:05E cronologicamente isso não funciona, mas isso foi 11
- 2:08associação meio falaciosa de causa e efeito que parece legal.
- 2:12Parece fazer sentido, mas não faz.
- 2:16Meus convidados nesse papo histórico São Gabriel Gurian e
- 2:19Henrique Boaventura, quinta-feira, 30/04/2026.
- 2:30Sabe um jeito bom de contribuir com surra de lúpulo?
- 2:33Bebendo cervejas? Ah, vocês vão falar, mas a gente
- 2:36já faz isso, não, meus amigos e minhas amigas.
- 2:38Aqui eu me refiro a comprar e consumir cervejas de quem ajuda
- 2:42o surra de lúpulo a se manter no ar.
- 2:44E com a casa arrumada, sabe quem a estanes, que não só produz
- 2:48rótulos incríveis de altíssima qualidade, mas vão além
- 2:52proporcionam experiências completas com seus bares
- 2:54próprios, EOE Commerce, que entrega a cerveja em todo o
- 2:57Brasil. E o melhor, quem está nos
- 2:59ouvindo pode aproveitar o cupom SDL 12 para garantir 12% de
- 3:04desconto em qualquer produto no site da estanes.
- 3:07Então acessa estanes com 2 ns.com.
- 3:20Alô, alô. E tem Henrique é Boaventura e
- 3:22ales good zung é bullstag. Alô, alô, salve, salve.
- 3:26E mesmo que o Henrique tenha feito uma gracinha, eu não vou
- 3:29me abalar porque é dia de festa no sou hard look.
- 3:32Eu desejei feliz aniversário em alemão.
- 3:34Não foi uma gracinha, foi um desejo.
- 3:36Mas a gente não entende, cara, a gente não entende.
- 3:38Pois é, Ah, mas daí tem tem culpa que é minha e tem culpa
- 3:41que é de vocês? Então ele está se vingando até
- 3:45agora do labubu, tá? Pois é, e.
- 3:48Tipo assim, eu não vi para vender isso ainda, tá, mas tipo
- 3:50assim, se for aquele. Eu não sei nem o nome daqui do
- 3:52sticker que fizeram de mim. É feio, é feio.
- 3:55É feio, cara. É feio, é feio, custa caro.
- 3:57É feio e assim não sei se vende tão facilmente assim, você
- 4:00encontra na ri happy, mas eu sei de vários atletas e várias
- 4:04pessoas famosas com muito dinheiro que separam
- 4:06literalmente o cômodo das respectivas casas para guardar
- 4:09coleções milionárias desses trem feios.
- 4:11É isso, né, cara? Vamos lá que labubu é assunto do
- 4:15mês passado e agora é dia de comemorar o aniversário do
- 4:18surra. Então, se você gosta do conteúdo
- 4:20que a gente faz aqui. Considere ajudar esse projeto e
- 4:23mantê lo independente pra gente continuar assistindo que a gente
- 4:26é insistente. Veja só, 6 anos no ar, então
- 4:29você pode virar um mecenas através do apoia.se barra, surra
- 4:33de lúpulo, ou ainda de forma absolutamente gratuita e
- 4:39muquirana apenas compartilhando o link desse episódio, avaliando
- 4:42o podcast com 5 estrelas na sua plataforma de streaming
- 4:45preferida. E veja bem, gente, 5 estrelas
- 4:47não são 4. Se for lá, dá 4, não vai lá.
- 4:50Não dá. Pequenos gestos fazem o surra
- 4:52chegar mais longe. É, meus amigos, chegamos aqui
- 5:00nessa data. Começamos lá em abril de 2020.
- 5:02Eu e o Leandro bucol um sonho e pouco juízo a criar conteúdo
- 5:06para o surra de lúpulo. E agora, 308 programas.
- 5:11Depois chegamos ao episódio de 6 aninhos aqui.
- 5:15É um prazer dividir a mesa aqui com Gabriel Gurian, que sempre
- 5:18lusionomina, e com Henrique Boaventura, meu amigo, meu
- 5:21sócio, que também, porra, sabe tudo das técnicas, dos sabores,
- 5:26das cervejas. Enfim, então 6 anos de surra, a
- 5:29gente está aqui para derrubar 6 mitos sobre a cerveja e aí tem
- 5:33uns que a gente é recorrente, a gente ouve aí, mas esse é bom a
- 5:36gente repetir que é para as pessoas parar de falar, que se a
- 5:39gente fica só quieto, a pessoa toma como verdade.
- 5:42Acabou, né? Uma das coisas que a galera
- 5:44adora falar é sobre o pessoal. Na idade média, não bebia água
- 5:49porque ela quase sempre era imprópria para o consumo.
- 5:52Aí preferia beber cerveja. Gabriel Gurian.
- 5:55É, reside alguma verdade nessa sentença, reside ou não reside?
- 6:02O engraçado é que essa afirmação ela faz parecer que os medievais
- 6:05eram inteligentes, ao mesmo tempo que a gente tende a achar
- 6:07que os medievais eram obscuros, né?
- 6:08Aquela gente ignorante, tal, tal, tal.
- 6:10Mas não, não tem verdade nenhuma nisso.
- 6:13E é um mito que ultrapassa a história ligada especificamente
- 6:17a cerveja, né? Tem um pesquisador chamado Jim
- 6:19chevalier, que foi alguém que popularizou essa noção de como o
- 6:24grande mito da água medievais. Que depois também foi um termo
- 6:27usado pelo Martin cornel, que é um pesquisador, um historiador
- 6:30de primeira da da cerveja. É para que ele discorresse sobre
- 6:34nas suas próprias palavras e tal.
- 6:36Primeiro que a gente tem muita evidência sobre um consumo,
- 6:39sobre a disponibilidade cotidiana de água em vários
- 6:42lugares. Ao longo de séculos, né?
- 6:44Se a gente pensar que o que se considera idade média, um
- 6:46período longuíssimo, né, de quase 1000 anos, a gente também
- 6:50tem muita variabilidade no tempo e no espaço disso daí.
- 6:53Então, água, ela era disponível, ela era disponível e obtida pela
- 6:57chuva, por rios, por córregos, tinha gente cavando poço, as
- 7:01pessoas não eram tontas de ficar lambendo poça de água na
- 7:04estrada, porque estava com sede. Havia aí uma triagem, uma
- 7:07análise assim de cheiro, de aparência, né, você sabia?
- 7:11Óbvio, né, que a gente sabe que ainda que uma.
- 7:13A água esteja translúcida e sem odor não quer dizer que ela está
- 7:16100% apta para o nosso consumo hoje em dia, mas, dado o
- 7:19repertório da época, isso era um fator levado em consideração,
- 7:23né? E também havia grande
- 7:24desconfiança em relação à água parada, águas que levantam
- 7:26aqueles vapores ruins, tal, tal, tal.
- 7:28Então não é gente ignorante e não é gente que não sabe obter
- 7:32água potável para o seu próprio consumo.
- 7:34Como eu falei no nosso último episódio dessa série aqui, pô,
- 7:37as pessoas se estabelecem à beira de Rio.
- 7:40Desde que o mundo é mundo. Isso ainda é verdade em cidades
- 7:43que são muito mais recentes do que as milenares cidades
- 7:45medievais. Então a água é uma coisa
- 7:48essencial para a vida. Só que aí as desconfianças.
- 7:50Elas vão ter outras raízes, né? Mas antes de chegar para essas
- 7:53desconfianças. Também é.
- 7:55É preciso que a gente sublinhe que havia ideais e práticas de
- 7:59limpeza, a seio e higiene. Então a gente não pode achar que
- 8:02a idade média também é um grande filme do Monty Python, né?
- 8:05O Monty Python, cálice sagrado com as pessoas fazendo bolo de
- 8:08lama na rua. Tragam os seus mortos.
- 8:11Tragam os seus mortos. Bring out to Dead bring out to
- 8:15Dead com a sua moscona fedida de estimação que fica pairando
- 8:19sobre a cabeça. Esse aceio e também a
- 8:21disponibilidade, né? De Água Limpa, de materiais de
- 8:24sabão, de cheiro, de essências, também era coisa vista até como
- 8:28distinção social, o que não quer dizer que as pessoas mais
- 8:31empobrecidas fossem um bando de imundos, né?
- 8:32Mas isso também é um fator porque valorizava se a limpeza e
- 8:36a higiene, consequentemente a Água Limpa, então também é uma
- 8:40coisa que a gente não pode deixar de considerar e é água.
- 8:42Ela ainda era favorecida pelos abstéios, que são pessoas que
- 8:45existiam, claro, né? Pessoas que se abstiam.
- 8:48Pela sua devoção monástica, o mesmo gente que estava em
- 8:52penitência. Assim, do ponto de vista
- 8:53religioso, mas que não era religioso de fato.
- 8:56Aí não é necessariamente descabida essa questão da
- 8:59desconfiança em relação à água, mas ela não vem da limpeza.
- 9:02E eu imagino que isso possa ter a ver com um grande arcabouço de
- 9:07saberes que transitava entre a medicina, a religião e o
- 9:10cotidiano, que era chamado de teoria dos humores.
- 9:13Que era uma forma de enxergar o universo e a saúde do ser humano
- 9:17que vem desde a antiguidade. Ela vai sobreviver até o século
- 9:1918, comecinho do 19, dependendo do lugar que ela basicamente vai
- 9:23ver o corpo não composto por órgãos e substâncias que operam
- 9:28como numa máquina. Essa visão.
- 9:30Que depois vai surgir só no século 18.
- 9:32Mas o corpo era formado por 4 fluidos, substâncias
- 9:35complementares, e essas substâncias tinham que estar em
- 9:37equilíbrio. Só que essas substâncias também
- 9:39tinham, cada uma, a sua temperatura, o seu temperamento,
- 9:42o seu tipo de coisa. Aí se você é um sujeito que
- 9:44nasce com um determinado signo numa determinada época do ano,
- 9:47num determinado país, a sua Constituição, ela tem uma
- 9:51tendência a. Ser mais melancólico a ser mais
- 9:55fleumático, a ser mais sanguíneo.
- 9:57E isso vai dizer muito sobre a sua saúde, sobre a sua, sua
- 10:01própria personalidade, digamos assim.
- 10:03E aí a equilíbrio é a palavra. Se você bebe uma substância ou
- 10:08você consome, você come. Enfim, você se exercita muito,
- 10:12esquenta o corpo demais, toma uma Água Fria em grande
- 10:14quantidade. Esses choques vão colocar o seu
- 10:17corpo num estado de desequilíbrio.
- 10:19E esse desequilíbrio era o que caracterizava a doença.
- 10:22Isso arcabouço de saberes da medicina.
- 10:24E então havia sim, vários médicos que vão alertar para que
- 10:28você não tome muita água, não beba água gelada em jejum.
- 10:32Só que você também vê pessoas que vão falando, eu faço isso
- 10:34desde cedo. Estou muito feliz e saudável.
- 10:37Isso, inclusive, é observado em vários primeiros contatos com o
- 10:39indígenas nas Américas. Você tem esse tipo de restrição
- 10:43para não ficar tomando água indiscriminadamente?
- 10:45Os caras chegam aqui, veem que os indígenas, tirando nos seus
- 10:48rituais específicos, bebem água, roda e tranquilamente, e ficam
- 10:51notando gente com mais de 100 anos de idade pulando para lá e
- 10:54para cá. Então, eu imagino que essa
- 10:55desconfiança da água possa partir daí e claro.
- 10:59Por conta dessas prescrições, você vai ter gente que que
- 11:02recomenda, por exemplo, um copo de vinho ou de cerveja numa
- 11:05refeição e não de água, para que as coisas fiquem equilibradas.
- 11:08Às vezes até é essas substâncias diluídas em água, mas não quer
- 11:12dizer que essa diluição é para que a água se torne impotável,
- 11:15mas sim para que a bebida que tenha uma natureza quente não
- 11:18fique tão quente para quando você a bebe e ela dê aquela
- 11:21desequilibrada no seu organismo, né?
- 11:22Enfim, a água tá aí. Existem restrições em relação a
- 11:26ela, assim como entre várias coisas, né?
- 11:28As especiarias. Em em exagero, mas não quer
- 11:31dizer que isso se ligue. A limpeza da água sua é seu
- 11:35caráter salutar para o consumo humano, né?
- 11:38Deixa eu fazer primeiro que uma cerveja antes do almoço é muito
- 11:41bom para ficar pensando melhor. Então, já dizia, Oo poeta.
- 11:45Mas sabe, eu recentemente é. Eu tenho 11 paixão pela história
- 11:50da Inglaterra. Eu tenho 11 paixãozite assim,
- 11:52sabe? De querer saber mais.
- 11:54O nosso germanófeno também é anglófilo, olha só.
- 11:57Também. Até porque é mais fácil achar
- 11:58coisa e ler coisa em inglês, né? Porque ler em alemão é foda, né?
- 12:02Mas uma das coisas que eu estava vendo é sobre a grande seca de
- 12:06algum ano 1800 e algumas Pedrinhas aqui, onde Londres foi
- 12:10inundada por um Fedor abissal vindo do tamisa e como esse.
- 12:15Fedora de sal fez, evoluiu o sistema de saneamento básico em
- 12:20Londres. E eu fiquei muito me
- 12:21perguntando, né? Londres e outras cidades, né?
- 12:24Paris, por exemplo, tem um cena, Portugal com Tejo, então são
- 12:28cidades que se estão delimitadas, são amplamente, é
- 12:32ligadas a rios, né? E talvez essa visão de que a
- 12:36cerveja, a água é ruim é muito ligado, talvez a essa visão
- 12:39daquele Rio ruim que está ali, né, porque os rios eram
- 12:41polidíssimos, eram ainda, alguns são poluídos, o tamisa hoje
- 12:44muito menos o que já foi, mas eu acho que estava muito ligado a
- 12:47isso. Para mim, parece aquele mito que
- 12:49tu quer que seja verdade para dizer que tu pode beber cerveja
- 12:51mais, sabe? Eu, eu torço para ser verdade,
- 12:53ao invés de ser um mito cravado em fatos reais.
- 12:57Assim, né, a gente vai ver. A grande crise de cólera era de
- 13:00postos de água. Não era de a gente ir bebendo
- 13:02cerveja. Se tivesse bebendo cerveja, não
- 13:03tinha cola, era. Sabe essa que é a grande
- 13:05questão? Então a gente tem muitos fatos
- 13:08pra dizer que isso é o é o mito, mas as pessoas querem que seja
- 13:11verdade. E essa correlação com a poluição
- 13:13dos rios é bastante interessante também se a gente olhar em
- 13:15perspectiva. Os medievais como não uma época
- 13:19que não valorizava tanto o asseio.
- 13:21Mas hoje somos nós que poluímos os rios pra cacete.
- 13:25Somos nós que não temos o devido cuidado com o ambiente coletivo.
- 13:28Isso tudo tem a ver com urbanização, né?
- 13:30Com outros. Fatores que que estão aí ligados
- 13:34com essa marcha social ao longo dos séculos e tal, mas é também
- 13:37pra gente não achar que o passado é é um posto de
- 13:40ignorância e O Presente é um posto de iluminação.
- 13:43Bem longe disso. Aliás, muito pelo contrário.
- 13:47Exatamente, muito pelo contrário.
- 13:50Bom, ainda na Seara da água a gente pode falar.
- 13:56De um outro assunto que também já foi tema recorrente de vários
- 14:01assuntos e apostilas de curso de sommelier e pequenos conteúdos
- 14:08rasos como um pires. Falando que determinadas águas
- 14:12elas eram mais propícias do que outras para confecção de
- 14:15cervejas. Calma, antes que me ataquem,
- 14:17sim, em algum momento, quando não havia tecnologia para certas
- 14:21situações, determinadas águas eram mais propícias, inclusive
- 14:25porque estavam mais próximos. Mas tudo mudou com o advento de
- 14:30várias tecnologias. E aí é neste ponto que estamos
- 14:34agora. Henrique Boaventura, por favor.
- 14:37Luzilumine. Eu pensei que tu IA trazer isso
- 14:39pra gente, você tá dando o ar da graça aí.
- 14:41Mas AAAO que a lud trouxe é a grande verdade, né?
- 14:44Que historicamente certos estilos foram é criados.
- 14:49É muito, porque não? Ninguém disse assim, eu vou
- 14:51criar uma cerveja. Não, não, as pessoas fazem
- 14:53cerveja. Hoje eu acordei e vou fazer uma
- 14:55cervejinha diferente, Brasil. Poxa.
- 14:58Eu IA fazer uma polêmica desgraçada com o estilo
- 15:00brasileiro, mas é pedrada no que eu não preciso hoje, cara.
- 15:03Eu não preciso do sentimento mal que as pessoas vão mandar em
- 15:05mim. É quando a gente ousa ser Vira
- 15:07Lata, a gente apoia. É exatamente.
- 15:09Mas tudo bem, eu sou eu tenho às vezes essa síndrome de Vira
- 15:11Lata, mas eu, eu já eu sou uma pessoa melhor hoje, um
- 15:14pouquinho, pelo menos que mais que ontem, eu diria.
- 15:16Quer dizer, menos, mais, menos, menos.
- 15:19Vira Lata pirou? Mas historicamente, as certas
- 15:24águas, certas regiões. Ao longo da história, a gente
- 15:27teve cidades que certos estilos foram criados ou foram
- 15:32desenvolvidos por causa de certas facilidades ou de de
- 15:36certas características da água da cidade.
- 15:40Isso significa que toda água que tá é mais propícia para alguma
- 15:44coisa ou para outra. Em algum momento.
- 15:47A gente tem que pensar que a gente não tinha toda a
- 15:49tecnologia. Que a gente tem hoje em dia a
- 15:51gente não tinha é velocidade de extração d'água.
- 15:54Não conseguia perfurar tanto o lençol freático para conseguir
- 15:58certas águas. A água de Rio era muito
- 16:00utilizada, a água de gelo era muito utilizada.
- 16:02E cada uma dessas águas ela tinha um perfil diferente.
- 16:05Algumas águas, elas tinham um perfil mineral.
- 16:08Um pouco sais minerais dissolvidos, como é a água de
- 16:10pilsen. Outras tinham uma quantidade
- 16:12muito grande de sais minerais dissolvidos, que seria a
- 16:15famosíssima água de Burton and treent, por exemplo, que seriam
- 16:19os 2. Eu acho que os 2 grandes
- 16:21extremos dessa tabela de águas históricas, né?
- 16:24E o fato de que elas estavam amplamente disponíveis ali
- 16:28certamente facilitou muito durante a história, a produção
- 16:30dessas cervejas que se criaram lá, cervejas como MIPA, que era
- 16:34criado em berton on trenent, ou as beeters criadas em berton on
- 16:37trenent que se faziam, que faziam o uso, né?
- 16:40Das características daquela água, para ressaltar o amargor
- 16:43da cerveja, o amargor mais limpa, o amargor menos áspero,
- 16:46por assim dizer, enquanto que em pilsen a gente tinha uma cerveja
- 16:49bem pouco mineralizada que fazia permitia que a cerveja tivesse.
- 16:53Um caráter mais maltado permitia que o amargor fosse mais leve,
- 16:57não ficasse tão forte. E tu poderia usar uma carga
- 17:00maior de lúpulo sem que ele aparecesse tanto e com mais
- 17:02aroma de lúpulo e com mais sabor de lúpulo na cerveja.
- 17:05Então, a gente, historicamente, a gente tem águas melhores para
- 17:08fabricar certos estilos. Geralmente águas mais minerais,
- 17:12né? Com uma quantidade de minerais
- 17:13maior, principalmente o bicarbonato.
- 17:15A gente vai ter cervejas mais escuras e cervejas mais leves,
- 17:18mais claras, em lugares onde a gente tem bem pouca
- 17:20mineralização. Mas hoje em dia o tempo passa, a
- 17:23gente se moderniza. A gente chega no lugar onde hoje
- 17:26em dia tu pode fazer adaptações. Tu pode tu usar uma água,
- 17:29inclusive ter uma água super dura na tua casa, uma com muitos
- 17:33minerais, usar um filtro de osmose reversa e transformar ela
- 17:37numa água praticamente sem nenhum mineral.
- 17:39E disso tu criar uma água com um perfil específico para agradar o
- 17:42estilo que tu tá querendo desenvolver.
- 17:44Isso falando em casa. Então as grandes cervejarias já
- 17:47tem acesso a isso há muito mais tempo para poder fazer essa
- 17:50questão. Então é um mito?
- 17:52Não, por um tempo não foi um mito, mas hoje em dia a gente
- 17:56tem essa grande questão que tu tem, a facilidade e a tecnologia
- 18:00necessária para transformar isso em 11.
- 18:03Mito que é não preciso mais estar perto de uma rede de água
- 18:07x para fazer cerveja y. Ou seja, quem é obstinado com
- 18:11essa história de cerveja a ou b que vem de Agudos ou que vem de
- 18:15outro canto? Pare com essa palhaçada.
- 18:18É uma obsessão teimosa. Não é mito, mas é uma obsessão
- 18:20teimosa. Podemos chegar nessa conclusão?
- 18:23Eu acho que esse já começou a virar um mito geracional.
- 18:28Talvez. Se você pegar pessoas 60 anos
- 18:31mais e soltar essa pemba da água de Agudos, é melhor.
- 18:35Você fala assim? Tem passabilidade, entendeu?
- 18:39É um senhorzinho, uma senhorinha que de repente tá, né?
- 18:43Acreditou em coisas que não é mais assim.
- 18:46Agora você pegar um garotão de. 25 entre 25 e 40, que solta uma
- 18:52pemba dessa. Aí você fala, bichão, volta,
- 18:54volta. Você está seguindo o conteúdo
- 18:56errado. Está tudo errado.
- 18:57Segue para condrica isso aí a seguir dá os conteúdo bom.
- 19:01Não, eu vou te falar, é melhor você seguir outra coisa, mas
- 19:04enfim, Ah, inclusive, não me segue não, porque eu estou
- 19:07perdida aquela sim, cara. Ó, esse mito é tão mito, é tão
- 19:13engraçado que. As pessoas acham que há 60 anos
- 19:16atrás, quando a água era de Agudos, a cerveja é muito
- 19:18melhor. Talvez a receita tenha mudado e
- 19:20não somente a água. E as pessoas ainda acham que
- 19:23está relacionado somente a água, não agora que é fabricado, eles
- 19:26acham que é exatamente a mesma receita.
- 19:27A única coisa que mudou foi a água e agora tudo está
- 19:29diferente. Nunca pararam para pensar que
- 19:31teve mudança de perfil de cerveja para o público
- 19:34específico, que agora estão buscando 111 outro público que
- 19:38consome cerveja de um jeito diferente.
- 19:40E aí, tipo, ficam atribuindo somente essa água?
- 19:43Tem muito mais variáveis nesse rolê do que somente uma coisa.
- 19:46Não, sem dúvida, eu concordo com você, mas eu acho também que
- 19:49essas pessoas estão meio que assim, elas estão repetindo uma
- 19:52anedota barística. Né?
- 19:55De bar assim, ó anedota. Corre a boca pequena por aí nos
- 20:00boteco da cidade, ao redor da fábrica de Agudos, que a melhor
- 20:05cerveja é envasada aqui por conta da água.
- 20:07E aí isso vai ganhando uma ressonância, ressonância, vai
- 20:12ganhando. Proporção.
- 20:13É vai ganhando um mimimi bó bó, porque a fofoca se espalha assim
- 20:16igual um rastilho de pólvora e. E aí isso foi virando uma
- 20:19verdade e as pessoas continuaram repetindo, então isso é papo de
- 20:22botequim, porque o cara do botequim não quer saber de
- 20:24receita, melhorou, ele quer saber se a cerveja está
- 20:26trincando isso. Eu acho que isso começou a virar
- 20:29um problema, a gente atrapalhou. Quem chegou agora da cerveja de
- 20:31artesanal falou, gente, não é assim.
- 20:33Eles estavam vivendo bem, todo mundo concordando que a água de
- 20:36agudo estava boa, então. Entendeu?
- 20:38Mas eu já vi algumas pessoas que chegam no nível de xiita com
- 20:41essa verdade, assim de ir no Armazém do bairro.
- 20:45Ficar perguntando para o cara se chegou ao lote de Agudos?
- 20:47Se não for de Agudos, não compra e tem que ser Skol.
- 20:50Ah, não é nesse nível. Assim, a pessoa ela deixa de ser
- 20:53feliz porque ela está agarrada numa verdade falaciosa.
- 20:56Eu vou dizer para vocês, eu, eu queria ter o tempo dessa pessoa.
- 20:59Eu queria, eu queria ter o tempo para ficar me me me preocupando
- 21:03com a porra da água da cerveja, de de de Agudos.
- 21:06É tipo assim. E o cara está se preocupando com
- 21:07a Skol, sabe? É isso que me incomoda.
- 21:10Tipo, não, não, não, não, não é. Não é nada que preste.
- 21:13Tipo assim, ó, não é Skol tipo assim, ó, é, é.
- 21:16Ainda que tivesse diferença, é uma Skol versus tipo uma outra
- 21:19Skol. As 2 são ruins.
- 21:21A cara de desprezo de Henrique Boaventura está impagável.
- 21:24Porra, nossa, eu fico um Monte de cara com isso, tipo assim, ó,
- 21:27não é tipo, saiu de um nosso muito gostoso.
- 21:29Nossa senhora, você que para um troço, que tipo não é?
- 21:32É tipo assim, é cair da panela de fogo.
- 21:35Cair da panela pro fogo. Brasil do meu Brasil.
- 21:38Vamos dar prosseguimento porque tem mitos que geram ódio, ranço
- 21:41profundo, mas apresentadores não geram esse ranço que assim a
- 21:46gente acaba não conseguindo sair deles.
- 21:48A gente fica aqui, ó, nessa água, nessa água meio grossa,
- 21:52meio gelequenta. É meio aguda.
- 21:58O Henrique foi cirúrgico no mito do puro malte.
- 22:01Qualidade não está no rótulo, está no processo e no processo.
- 22:05A levedura é o ingrediente mais crítico, onde tudo pode dar
- 22:09certo ou errado. Faceto aldeído, levedura que não
- 22:12atenuou como deveria, sulfurioso demais levedura estressada.
- 22:16A paina com realitaj de piustner foi desenvolvida para tirar essa
- 22:20variação da equação alta atenuação, perfil limpo,
- 22:23resultado consistente lote a lote.
- 22:26Se o surra já é Maduro com 6 anos, imagina a paina co, que
- 22:29tem 90 anos produzindo as melhores soluções e fermentação.
- 22:33É muita experiência acumulada na seleção das melhores cepas num
- 22:37apuradíssimo controle de qualidade para você ser.
- 22:41Cervejeiro, não deixar seus clientes na mão com uma cerveja
- 22:43mais ou menos cervejeiros que ouvem ou surra, merecem
- 22:46qualidade e cerveja bem fermentada.
- 22:49Acesse o Instagram payra com ponto ingredientes para conhecer
- 22:52todos os produtos que a payra co tem para sua cervejaria.
- 23:04Enfim, aí agora a gente vai partir para o terceiro mito
- 23:08deste programa comemorativo. Que é falar sobre as bruxas
- 23:13cervejeiras, né? E, consequentemente, no
- 23:16apagamento das mulheres do universo cervejeiras.
- 23:18É um assunto que eu tenho uma estima bizarra, porque eu quero
- 23:22que a gente repita e ensine não apenas para quem nos apagou, mas
- 23:27para quem hoje as mulheres que não sabem da nossa história
- 23:31descubram e assim possam novamente iluminar as grandes
- 23:35cervejeiras. Então, por favor, Gabriel jump
- 23:38jump no assunto. É pra não perder costume.
- 23:41Esse foi 11 tópico que eu, com o qual eu também me deparei em
- 23:44rede social esses tempos e foi num perfil grande, grande mesmo
- 23:48assim que fala de história no Instagram, reproduzindo os
- 23:51grandes chavões, né? E a questão não é se houve ou
- 23:55não 11 apagamento do envolvimento feminino na
- 23:57história da cerveja, mas é se, de fato, a econografia associada
- 24:01às bruxas vem desse apagamento. E aí a questão é, não vem?
- 24:06Não vem essa história de chapéu de bruxa, nariz grandão, a
- 24:10vassoura na porta do negócio vendendo cerveja, o gato que
- 24:13Vigia é o depósito dos cereais para não, não, não vem daí a
- 24:17construção da econografia das bruxas.
- 24:19Ela é muito mais complexa e vem de vários lugares diferentes e
- 24:22cronologicamente isso não funciona, mas isso foi 11
- 24:26associação meio falaciosa de causa e efeito que parece legal,
- 24:29parece fazer sentido, mas não faz.
- 24:31Mas vamos aos pontos, um de cada vez, né?
- 24:34A tese ela é de fato, atraente. Ela se refere corretamente a
- 24:38esse protagonismo feminino na produção caseira de cervejas que
- 24:41se deu majoritariamente até o final do século 14?
- 24:43É, ela faz referência a essa crescente marginalização das
- 24:47mulheres, do comércio da cerveja.
- 24:48É na medida em que esse comércio ele sai do ambiente doméstico,
- 24:52ele começa a se expandir no ambiente urbano e também a se
- 24:54profissionalizar. E nessa profissionalização, que
- 24:57também é pública, ele vai ser dominado por homens.
- 25:00E ela também indica essa construção longeva e pejorativa
- 25:04da mulher cervejeira. Isso são pontos pacíficos que
- 25:07dos quais não há discussão. Mas aí a questão do chapéu, por
- 25:10exemplo, ela é curiosa, porque você colocar esse chapéu na
- 25:14cabeça da da cervejeira, ele é uma confusão do tipo de chapéu,
- 25:18de uma imagem que que foi bom. Antes de ir para os para os
- 25:22detalhes, todo esse imaginário cronográfico da bruxa ele só vai
- 25:24se consolidar no século 19 do 19 para o 20.
- 25:27Então ele não é feito enquanto esses processos estão
- 25:30acontecendo, então vamos lá. Cronologicamente, o protagonismo
- 25:34feminino na produção de cervejas, especialmente no Reino
- 25:37Unido, ele vai perder tração. Em meados do século 14, então
- 25:401350, os chamados Witch trios, né?
- 25:42Os julgamentos de bruxa que supostamente poderiam ter
- 25:45motivado as acusações de bruxaria contra as cervejeiras
- 25:49vão acontecer mais de 100 anos depois.
- 25:51Então aí a gente já tem um deslocamento cronológico que faz
- 25:53essas coisas não fazerem sentido.
- 25:55Mas é dizer, houve estratégia, mas a estratégia não foi essa,
- 25:59estratégias de invisibilização. Mas não chamar de bruxa, porque
- 26:03isso está em outro momento. O lance do chapéu, que também
- 26:06vai se cristalizar depois. Ele vem de uma imagem que
- 26:08começou a circular em 1672, que é bem conhecida.
- 26:11Eu vou colocar lá no blog post, então as pessoas vão poder ver e
- 26:14acho que fazer essa associação que retrata uma mulher que está
- 26:17como moderlaus, que é uma taberneira e cervejeira de
- 26:20Oxford. E aí nessa época a gente pensar
- 26:24que houve essa profissionalização do fazer
- 26:26cervejeiro, uma profissionalização urbana tomada
- 26:29por homens, e de uma cerveja que passou a adotar o lúpulo
- 26:32continental e não mais ervas aromáticas típicas da Grã
- 26:35Bretanha. O tipo de cerveja que essa
- 26:37motherlaus produzia era visto como algo antiquado.
- 26:40Às vezes até é uma coisa que poderia ser prejudicial
- 26:43justamente por não levar esse lúpulo.
- 26:45Então, a essa imagem está querendo falar de uma personagem
- 26:48antiquada, que já não existia mais ou não deveria existir
- 26:51naquela época, de uma cervejaria mais urbana e mais comercial?
- 26:55Só que, é claro, é uma retratação misógina.
- 26:57Só que não está falando de bruxaria.
- 26:59O lance também é que o chapéu que ela está usando é um chamado
- 27:02capotan. Que era muito comum na época,
- 27:05era muito comum Na Na Inglaterra elisabetana.
- 27:07Ele vai aparecer muito nas retratações dos primeiros
- 27:11puritanos colonos da América do norte.
- 27:13Então não é algo que é exclusivo de mulheres, inclusive não.
- 27:17Ele é usado por homens e mulheres também.
- 27:18É uma coisa da época que foi misturada no balaio dessa coisa
- 27:22do chapéu pontudo de bruxa. Temos também a questão do nariz
- 27:25grande pontiagudo. Alguns historiadores dizem que
- 27:28isso na verdade remonta a um virulento antissemitismo que
- 27:32também estava impresso nessa retratação econográfica de
- 27:36várias pessoas que são associadas AA devoção e a
- 27:39herança judaica. De diversas formas, né?
- 27:41Oo antissemitismo. Ele não é um fenômeno exclusivo
- 27:44do século 20, do século 21. Ele se arrasta pela história do
- 27:47ocidente há milênios, né? E nesse sentido, a usura, esses
- 27:51estereótipos do judeu e o nariz grande pontudo também.
- 27:55Eles estão entrando aí por essa via.
- 27:57Calderão é uma coisa que não é necessariamente específica do
- 28:00fazer cervejeiro. Era um instrumento da vida
- 28:03doméstica muito comuns e que também podem ser associados a
- 28:06curandeiras, a boticários, mas que não necessariamente do fazer
- 28:10cervejeiro em si. De novo, é só para não associar
- 28:12essas 2 coisas. Não quer dizer que isso não tem
- 28:14uma carga de misoginia extremamente lesiva e envolvida.
- 28:18O lance das Vassouras, né? Porque, de fato, havia o que ele
- 28:21chamava de ale stakes, que eram uns galhos, uns bastões que eram
- 28:25colocados na porta das casas, dessas cervejeiras caseiras para
- 28:28anunciar que havia estoque para ser vendido.
- 28:30Um estoque que perecia muito rápido, que precisava ser
- 28:34vendido para a vizinhança. Mas.
- 28:35Não tem muito Lastro documental para suportar essa hipótese.
- 28:39E a vassoura em si. Ela tem uma história mítica
- 28:42muito mais antiga e muito mais diversa, então ela ser associada
- 28:45a uma nova figura mítica maléfica associada ao demônio é
- 28:49muito mais fácil do que você fazer.
- 28:51Essa relação com o instrumento usado por mulheres cervejeiras
- 28:54no século 14. E os gatos?
- 28:56Parece uma coisa legal. Faz sentido, né?
- 28:59O gato vigiar o estoque de cereal, mas era um animal
- 29:02doméstico já muito comum e por ser um animal domesticado, mas
- 29:05ao mesmo tempo. Feral, né?
- 29:06Meio selvagem e com um Lastro simbólico em várias culturas
- 29:10pagãs também eles se associado ao diabo.
- 29:13É uma coisa bastante antiga. E aí vocês associar um animal
- 29:16acompanhando uma mulher ao diabo e, consequentemente, à bruxaria
- 29:19é muito fácil. Mas não quer dizer que esse gás
- 29:21tá ali porque ela é uma cervejeira.
- 29:23Então, na verdade, essa costura, ela é uma associação meio de
- 29:28causa e efeito, que mistura um pouco as bolas, enfim.
- 29:31É uma construção muito mais complexa do que isso.
- 29:34É uma narrativa que simplifica muitos processos, mas ela não
- 29:37deixa de evidenciar esse apagamento feminino da história
- 29:40da cerveja, o que de fato é importante.
- 29:42Pois é, rapaz. Ou seja, aprendemos tudo errado.
- 29:44Estamos passando para frente. Tudo errado.
- 29:47Porém, as artimanhas seguem Na Na cortina da misoginia que o
- 29:53Gabriel citou em diversos momentos.
- 29:55Então. Podemos não ser bruxas do jeito
- 29:58que ele falou, da explicação que ele trouxe, et cetera, mas que
- 30:03de alguma forma houve o apagamento do do fazer
- 30:06cervejeiro. E o que que são 100 anos para
- 30:08história? Gabriel não sai.
- 30:09Não é nada, né? Quando você falou que o fazer
- 30:12cervejeiro feminino foi foi minguando lá em 1300 e pouco.
- 30:15E aí, só 100 anos depois que apareceu a figura da bruxa, se
- 30:19eu não me engano, falando sobre isso.
- 30:22É os which trials? Os julgamentos efetivos de
- 30:24bruxaria que poderiam ter, né? Motivado esse tipo de acusação
- 30:28de que a mulher cervejeira é bruxa.
- 30:29Logo, eu quero tirar a mulher cervejeira do mercado, porque eu
- 30:32quero fazer cerveja naquele lugar.
- 30:34Mas esse tipo de de decadência já tinha acontecido, né?
- 30:37Sim, sim. Porque passou se do público para
- 30:40o privado e um público absolutamente dominado por
- 30:42homens. E aí esses with trials já vão
- 30:44estar num contexto de reforma e contra reforma, de uma
- 30:47exacerbação de cristianismos antipagãos muito Fortes assim,
- 30:52de polos diferentes que ainda não reafirmar o seu domínio
- 30:54sobre a palavra, et cetera, et cetera.
- 30:56E o domínio sobre o corpo feminino também.
- 30:58E sempre com um motivo também de de agressão, né?
- 31:01Tipo, ainda né, tipo, a religião tem um papel muito grande também
- 31:04em procurar pelo em ovo, né? E fazer esses mitos acontecerem,
- 31:08ou ampliar eles ou conectar os pontos que não existem, como o
- 31:12Gabriel falou, né, esses pontos que são soltos, e conectar isso
- 31:15e tentar fazer um sentido para falar mal, né?
- 31:17Para dizer que é ruim, eu queria recomendar um livro muito bom
- 31:21para quem é versado no nobre idioma bretão.
- 31:25É a womans place is in the bluehouse a.
- 31:28Forgotten story of awives brusters witches in seos é da
- 31:33Tara nurim é um livro muito bom que fala muito sobre esses
- 31:36pontos que o Gabriel trouxe, desmistificando um pouco essa
- 31:38visão, mas também dando um foco para a questão do problema que
- 31:44historicamente existiu e ainda existe, sobre o afastamento da
- 31:48mulher de um lugar que ela existia e ela frequentava, né?
- 31:51Que era dela, por assim dizer. Muito bom esse livro, bem
- 31:53curtinho, mas muito bom. Caminhando agora para o nosso
- 31:56quarto mito. E aliás, a gente tá falando
- 31:59muito mito aqui. Em ano de eleição não era bom a
- 32:01gente ficar propagando essas palavras, mas enfim, a gente tá
- 32:04aqui. Vamos desconstruir a ideia de
- 32:06mito, é isso aí. É, vamos quebrar com essa porra
- 32:08toda? A gente vai falar de outra coisa
- 32:10aqui também apareceu em todas as apostilas do curso de sommelier,
- 32:14desde muito sempre, que é a criação da IPA, né?
- 32:18E a criação da IPA do jeito que ela era, para poder aproveitar
- 32:21longas viagens marítimas, principalmente para Índia, que
- 32:26era muito longe. Então o Gabriel falou que eu vou
- 32:29botar a mão nesse vespeiro, vou botar bota a mão nesse vespeiro
- 32:33aí. Ah, eu acho que esse vespeiro
- 32:36não vai ofender ninguém, então tudo bem, é vespeiro de é
- 32:39marimbondo sem Ferrão? Então, tá, beleza, é.
- 32:42Eu acho que isso também é uma associação falsa entre causa e
- 32:46efeito, porque se você narrar as coisas do jeito que elas são,
- 32:49fica parecendo que tem sentido, né?
- 32:50Eu elaborei algo para durar mais em viagens marítimas de longa
- 32:55distância, né? No caso, elaborei uma cerveja
- 32:57mais. Forte e lopulada descobrir que
- 33:00assim ela dura mais pra viagem, né?
- 33:03É, mas na verdade foi um desdobramento normal de algo que
- 33:06já se sabia. Então foi uma adaptação.
- 33:08É, é é uma evolução de um processo começado antes que
- 33:13levou AAA essa esse advento. Mas esse advento só vai tomar a
- 33:17reputação que ele tomou num mercado mais interno do que
- 33:21externo, o que é bastante curioso, né?
- 33:23Então. Primeiro que já se sabia, né?
- 33:25Pelo menos desde o século 18 que um maior teor alcoólico e uma
- 33:28maior concentração de lúpulo e uma cerveja garantiam um produto
- 33:32mais durável, né? Você não necessariamente está
- 33:34pensando sempre nessas viagens, mas está pensando numa série de.
- 33:38Num rol grande de cervejas a serem ofertadas, inclusive
- 33:41cervejas que maturam, né? E nesse repertório aí Pra Ela
- 33:45não foi desenvolvida como algo específico para mandar para a
- 33:48Índia, mas Ela Foi uma adaptação dentro da lógica do comércio
- 33:51marítimo para a carreira da Índia.
- 33:53Isso entre o fim do século 18, começo do 19.
- 33:55Você tem aí é diferentes atores fazendo isso e com
- 33:59contribuições, umas que vão ser mais lembradas, outras menos.
- 34:02Mas essa adaptação de cervejas que já existiam, especificamente
- 34:06umas cervejas que eram conhecidas, como october Tale.
- 34:08Assim como temos a mertzen do lado do lado alemão, né?
- 34:12Uma cerveja que é associada ao seu tempo de produção é aqui as
- 34:16october Yale são cervejas outonais, são cervejas Fortes e
- 34:19feitas para serem maturadas, né? Elas passavam, então de repente
- 34:22deu um tiro bacana no rapaz, em vez da gente ver uma cerveja
- 34:26muito ruim, que não se mantém, ou essa cerveja já maturada, eu
- 34:29vou mandar ela verde no Lastro do navio.
- 34:32Ela vai, em vez de se é deteriorar muito, ela vai se
- 34:35beneficiar desse tempo quase de guarda, né?
- 34:38Não que fosse uma guarda previsível, não que ela que ela
- 34:41fosse livro de intempéries. Mas esse tempo embarcado vai
- 34:44fazer com que a cerveja meio que melhore e vai chegar lá na
- 34:48Índia, na metade do outro lado do mundo, minimamente apta por
- 34:52um consumo tal qual se esperava de uma cerveja feita na certa
- 34:56distância no Reino Unido. Mas a questão é que.
- 34:58Elas, essa cerveja não começou a ser despachada como Índia
- 35:01paywale ou feita para a Índia, et cetera, et cetera, et cetera.
- 35:04Depois que isso deu certo, os produtores especificamente de
- 35:09Burt na ponto trend, como o Henrique, bem mencionou que tem
- 35:11uma água histórica bastante associada com o desenvolvimento
- 35:14desse estilo. Depois, essas cervejas, elas
- 35:17passaram a ser veiculadas internamente como a cerveja tal
- 35:21qual é mandada para a Índia, mas ela teve o seu grande.
- 35:25Crescimento em popularidade no mercado interno, não
- 35:29necessariamente no mercado externo.
- 35:30Enfim, em resumo, não foi algo planejado para isso.
- 35:34Foi 111 conjuntura que levou ao desenvolvimento de algo.
- 35:39Que respondia a uma solução, mas que teve bastante adesão no
- 35:43mercado doméstico dentro do Reino Unido e que, claro,
- 35:45durante a sua história vai ter 11 relação com o comércio
- 35:49marítimo que levou a esse mito de origem, como se fosse a causa
- 35:52primária do seu desenvolvimento. Mas eu também levantaria uma
- 35:55outra hipótese que é? Como esse estilo, assim como
- 35:59outros, foram reavaliados depois da craft Beer Revolution, né?
- 36:03Desse movimento craft, dessa revolução craft, que aconteceu
- 36:07em parte no Câmara, no Reino Unido, em parte depois de 1977
- 36:09nos Estados Unidos. Que meio que elegeu alguns
- 36:14cânones históricos, mais do que outros, passou a apreciar
- 36:17algumas coisas muito mais do que outras.
- 36:19A IPA é uma dessas coisas, né? Eu acho que a IPA, na segunda
- 36:22metade do século 20 até hoje, é muito mais popular do que ela
- 36:25jamais foi até o começo do século 20 por conta dessa nova
- 36:29apreciação. E aí, nessa empolgação, eu diria
- 36:32que algumas histórias acabaram sendo contadas de uma forma
- 36:34muito enviesada e até na base da falsidade é isso também no
- 36:39envolvimento de pessoas não profissionais contando isso, o
- 36:41que não há. Demérito nenhum, mas acaba se
- 36:43cometendo alguns deslizes. Algumas pessoas às vezes são
- 36:46muito apegadas a um indício documental só e acham que aquilo
- 36:49é. Acaba dizendo respeito a uma
- 36:51verdade grande sobre determinada trajetória de um estilo, enfim.
- 36:55Mas acho que também essa reapreciação tem muito a ver com
- 36:58a criação desse mito que parece fácil de explicar, parece fazer
- 37:01sentido, mas ele perde algumas nuances também.
- 37:04Eu não me lembro agora se foi Ron petenson, se foi o Martin
- 37:08Cornell. Osforo os 2 juntos que eu li 11
- 37:12artigo eu acho que foi no da da IPA mesmo que eles aquele artigo
- 37:15longo que ele escreveu sobre AIPAS que majoritariamente
- 37:18falando o que IA para as Índias não era essa POAL eram porters
- 37:23no geral, sem porters que eram ligados.
- 37:25Não é por isso que você tem primeiro Oo conhecimento de que
- 37:28maior teor alcoólico e maior concentração de lúpulo faz uma
- 37:31cerveja dura? Bem, e você tem AA própria
- 37:34relação entre a Porter e a stout.
- 37:36Pelo fato da stout ser uma cerveja mais forte, dali você
- 37:38começa. Começa a criar graduações mais
- 37:40Fortes dessas cervejas escuras. E aí você tem o export, você tem
- 37:43a imperial. Depois, sempre nessa lógica de
- 37:46mandar para fora. Mas são testes que vão
- 37:47acontecendo gradativamente para responder à certa demanda de
- 37:50consumo de um público alhures. E esse caso não foi
- 37:54necessariamente mandar a cerveja mais consumida.
- 37:57Tanto que a porta é uma das cervejas mais populares entre Oo
- 38:00Reino Unido, a Grã Bretanha e a Irlanda por muito tempo.
- 38:03Sim, sim, você tem toda razão. E não somente isso, como também
- 38:06o fato de que as linhas, né, que definem AIPAPASE bitters é uma
- 38:12linha que até hoje no Reino Unido, é uma linha bem tênue.
- 38:16Uma linha opaca. Opaca sim, é uma.
- 38:18É uma linha muito tênue. Então também bater o martelo
- 38:21sobre isso, ficar dando nomes. Não sei o que é uma coisa muito
- 38:25é difícil a gente pegar e assumir isso como uma grande
- 38:27verdade aqui, né? Porque realmente é.
- 38:29Até hoje em dia existe essa dúvida.
- 38:31Eu estava conversando com o Palmer esses dias, ele dizendo,
- 38:33Ah, vamos falar sobre English strongales.
- 38:36Daí eles assim, qualquer coisa que não se encaixem nos outros
- 38:38estilos é uma Bridge strongaial, sabe?
- 38:40Tipo assim, é basicamente isso, é como a gente enxerga hoje os
- 38:43estilos. Porque naquela época não era
- 38:45muito. Diferente é aquela época.
- 38:46Era um grande jogo de comerciantes tentando formar um
- 38:50vocabulário mais ou menos compartilhado, mas ao mesmo
- 38:52tempo querendo se diferenciar. E essa objetividade maior com
- 38:56estilo cervejeiro é uma coisa do século 20, né?
- 38:58Sim, sim. Inclusive pós Michael Jackson,
- 39:01pós Michael. Jackson, eu acho que, na
- 39:03verdade, existia uma ampla necessidade de criar histórias,
- 39:08criar uma storytelling para você vender as coisas, né?
- 39:12Então, tipo, você vai pegando um Monte.
- 39:14De arremedos de coisas que poderiam fazer pequeno sentido
- 39:17aqui e ali. Como você mesmo disse, você pega
- 39:20uma pequena verdade e cria, a partir daí, 11 história inteira
- 39:24e isso é replicado sem pensar, né?
- 39:26As pessoas não estão pensando sobre isso.
- 39:28Imagino que não está sendo criado de verdade agora com a
- 39:31inteligência artificial, mas isso é assunto para que uns 100
- 39:33anos? Não vamos ser nós a debater.
- 39:35Não 2 anos no máximo. A pós verdade, gente, a gente
- 39:38vive a era da pós verdade. Ó, eu já estou passando raiva
- 39:40com inteligência artificial na internet, de de páginas falando
- 39:44de história da alimentação que são enormes, mas elas só servem
- 39:48para ser vitrine de curso. De como viralizar com OIA, só
- 39:51isso. Só a gente que não ganha
- 39:53dinheiro com. Isso vamos ficar muito calmo.
- 39:55Vamos ficar tranquilinho, porque aqui a gente está derrubando o
- 39:58mito de outra área. Gabriel fica, respira, aí
- 40:01respira. Calma, meu amigo, calma.
- 40:03É isso, esse é um sonhado subir. Bizarro, bizarro esse esse é
- 40:09meter um homem. Besteira.
- 40:10Aí vai ter uma galera aí que vai poder reclamar desse assunto,
- 40:13que é tipo aquele mito de que a primeira cervejaria do Brasil
- 40:17foi a boêmia. E aí, Gabriel?
- 40:19Mas para isso, nós temos que ir para o grande polo conceitual de
- 40:23o que é uma cervejaria? Não mentira, mas esse também é
- 40:26um mito mentiroso, né? Ele vem de um marketing muito
- 40:28conveniente. Para Canoinhas?
- 40:33Olha o flashback do problema. Vamos com calma.
- 40:39Qual é a questão? A boheme não é a primeira
- 40:41cervejária do Brasil. Ela é a mais antiga ainda em
- 40:44operação, relativamente contínua.
- 40:47Mas uma coisa, uma coisa, outra coisa é outra coisa.
- 40:49Certo? Por exemplo, a gente tem muitos
- 40:52registros diferentes. Aliás, até OOO que caracteriza
- 40:55uma cerveja pode ser colocado em pauta aqui.
- 40:57Mas enfim, coisas tratadas numa lógica ocidental do que seria
- 41:00uma fábrica de cerveja num pré Brasil.
- 41:03É independente. Tem lá a fábrica dos holandeses
- 41:06do século 17, tal tal, tal Dick Dick, que também é um caboclo
- 41:09que é mais. Inflado na sua importância do
- 41:12que eu acho que ele deveria ser. Mas existe essa iniciativa de
- 41:15produção em território sul americano, que depois veio a ser
- 41:18conhecido como o Brasil lá no século 17.
- 41:20Mas isso aí é facilmente é descartado se você fizer essa
- 41:24discussão stricto sensu num Brasil independente, não colônia
- 41:27de Portugal, mas se a gente avançar no próprio começo do
- 41:30século 19. Existem indícios de cervejeiros
- 41:33semi Caseiros que sim, é direcionavam de sua produção por
- 41:37para um viés comercial. No Rio Grande do Sul e em Minas
- 41:40Gerais, por exemplo, em alguns documentos de viajantes estão
- 41:43descrevendo isso, alguns registros de colônias, de
- 41:45imigrantes alemães, enfim, mas aí, se você quer uma coisa mais
- 41:49robusta, pois bem, na década de 1830 em diante, a gente tem uma
- 41:52série de notícias de na rua tal, tal, tal, a fábrica de cerveja
- 41:55oferece tal coisa, tal coisa, tal coisa.
- 41:58Isso no Rio de Janeiro, na Bahia, em Minas, em Pernambuco.
- 42:01Então, não faltam exemplos que antecedem a boêmia.
- 42:04A boêmia só vai aparecer em 1853.
- 42:09E ainda, a própria história dela contradiz esse pioneirismo,
- 42:13porque a bohemia foi fundada como filial de outra cervejaria,
- 42:16Ela Foi fundada em Petrópolis como filial de uma cervejaria
- 42:19que já funcionava na cidade do Rio de Janeiro havia pelo menos
- 42:225 anos e que era de Posse de um sujeito argelino pruciano
- 42:26chamado Henri ligyden. E esse cara, ele vai ter 111
- 42:30grande trabalho de autoimagem assim.
- 42:33Depois ele muda para o Recife, vai abrir uma fábrica de cerveja
- 42:36por lá. Também tem boas relações dentro
- 42:38da corte do Império, vai receber título de Comendador.
- 42:40O escambau nem ser este Comendador, alguma ordem, ele
- 42:43vai ser laureado para isso. E nesse no recebimento dessa
- 42:47distinção, ele insiste que ele foi o cara que trouxe a
- 42:51fabricação de cerveja para o Brasil, mas tem gente fazendo
- 42:53cerveja há muito mais tempo do que ele.
- 42:56Que não teve a mesma continuidade, não teve o mesmo
- 42:58renome, mas teve uma iniciativa mais pioneira.
- 43:00Então a própria história da boêmia se contradiz, porque ela
- 43:04começou como filial e ela só vai ganhar o nome de boêmia dali 45
- 43:07anos depois, em na década de 1890.
- 43:09Não me lembro exatamente em que ano.
- 43:10Então essa aí vocês podem riscar do repertório de vocês, dessa
- 43:13aí. Não tem briga, não tem briga,
- 43:15tem documento para provar o contrário, entendeu?
- 43:18Mas eu diria aqui. Puxando aí AA brasa para para a
- 43:23sardinha desta série que se a história da boêmia aparecer
- 43:26interessante para o ouvinte, faça se né?
- 43:28Faça se sabido aí no seu agregador de podcast favorito ou
- 43:32nas redes do surra, né? Quem sabe seja né um é uma pauta
- 43:35de um episódio futuro. Só eu fiquei pensando quando ele
- 43:37falou Henri. Eu fiquei pensando em Jaspion.
- 43:39Ninguém se lembrou de Jaspion quando ele falou Henri.
- 43:41E pior ainda, ele falou em Henri.
- 43:44Eu lembrei do Jordi. Lembra do Jordi que cantava
- 43:46música em francês? Uhum só por quem pensar nisso?
- 43:49Agora o Jaspion, o nome do Jaspion era esse Oo Jaspion.
- 43:52Senser é o Jaspion. Não, eu acho que era.
- 43:54Henri era companheira do Jaspion, talvez Jaspion.
- 43:57Henri é era a eu não sei o que que ela é namorada do Jaspion,
- 44:01talvez não sei. Henri interpretou Henri,
- 44:04parceira do Jaspion, nascida em 64.
- 44:06Mas aí ela é parceira porque ela lutava com ele ou ela tinha
- 44:08alguma coisa com ele? Aquela assim, a fofoca.
- 44:10Levamos fofoca do e. Aí tinha, tinha.
- 44:13Tinha um negocinho acontecendo ali.
- 44:15Tinha algo pegando entre os 2, não me lembro.
- 44:17Qual era a natureza jurídica entre eles, entendeu?
- 44:21Enquete. Então é aqui, diz.
- 44:23Namorada do Jaspion mas eu, honestamente, eu não tenho a
- 44:25memória deles. Namorando na tele, na TV.
- 44:27Até porque o Jaspion estava muito ocupado andando com a
- 44:30motinha dele pra lá e pra cá. Exatamente, mas eu, Henri?
- 44:33A gente tem que ter uma enquete assim de quais os temas mais
- 44:36aleatórios a gente traz para os programas, né?
- 44:38Tem que entrar o labobu, tem que entrar o giaspion e
- 44:41eventualmente alguma outra coisa.
- 44:43Exatamente, eu estou aqui para isso, gente.
- 44:45Vamos lá, falta de atenção impera nesse Trio Parada Dura.
- 45:01Para a gente ir caminhando para o final?
- 45:03Não. O último mito que a gente vai
- 45:04tratar aqui hoje pelo menos, né? O último, o último a um mito, o
- 45:08sexto mito é aquele que a galera adora repetir.
- 45:12Mas isso é bom. Uro malte?
- 45:15É. Enganar.
- 45:16Uro malte é sinônimo de qualidade.
- 45:19É mor garantia de não ter ressaca.
- 45:23Henrique derruba para todo mundo, agora pega a marreta.
- 45:26Entendeu? Precisa, Ludmilla?
- 45:28Precisa, mas vamos lá, Ludmilla podia dar uma aula aqui, né?
- 45:32Já falou, faz a fala isso com uma certa frequência na
- 45:35hipocondríaca, mas puro malte é sinônimo de qualidade, não, mas
- 45:39por aí, sabe, tem tanta cervejaria fazendo cerveja com
- 45:42gosto de morte que tem 100% de malte pilsen, sabe malte pilsen,
- 45:47às vezes inclusive o malte pilsen, que não merecia aquela
- 45:50cerveja de tão bom que é o malte pilsen, que gera um resultado
- 45:53desastroso, ou se então a gente já tira aqui.
- 45:56Ser puro malte não é sinônimo de qualidade nem aqui nem no
- 45:58inferno. Sinônimo de qualidade é tu
- 46:00seguir boas práticas, é tu ser responsável no produto que tu
- 46:05gera, é tu aplicar padrões no produto que tu gera, é tu se
- 46:09importar com o produto que tu gera e não ficar gerando um
- 46:12Monte de cerveja que simplesmente daria para ir para
- 46:15o ralo e muitas vezes vai entupir o ralo.
- 46:17Ainda por cima. Vou criando mais um programa.
- 46:18Agora, a questão de que garantir não ressaca também não.
- 46:23Porque tem cerveja puro malte que dá ressaca.
- 46:26Tem cerveja que não é puro malte que não dá ressaca, que AA
- 46:29grande questão da ressaca. Ela está muito relacionada à
- 46:33intoxicação que acontece pelo álcool, né?
- 46:36E também pela sobrecarga que tu dá no teu fígado.
- 46:40A gente já falou nisso no programa.
- 46:41Se eu não tô enganado, o Ludi, há um tempo atrás.
- 46:44Mas basicamente tem uma via metabólica do nosso organismo
- 46:47que quando certos compostos presentes em cervejas que não
- 46:50passaram por todos os processos corretos de maturação e de é não
- 46:56aceleração de processos de fermentação que acaba tendo no
- 47:00copo. E quando a gente toma, ao invés
- 47:02da levedura fazer esse processo, quem faz esse processo é o nosso
- 47:05fígado e a gente sobrecarrega nosso fígado porque ele tem que
- 47:08fazer 2 trabalhos, um. De processar esse subproduto,
- 47:11esse acetaldeído. E o segundo trabalho é de
- 47:14processar o álcool, que depois o acetar odeído vira.
- 47:16Então é tipo AA dor de cabeça, é a ressaca.
- 47:19Ela está relacionada ao excesso de intoxicação que o nosso
- 47:23fígado tem. Por isso que tem gente que tem
- 47:24mais e tem gente que tem menos, tem gente que tem enzimas ou
- 47:27tem, sei lá, um fígado muito mais resistente a essa, a esse
- 47:32processo do que outras pessoas. Mas no final das contas, está
- 47:35fazendo mal, igual porque. Basicamente, tem um subproduto
- 47:39de fermentação que não deveria ter ali, que quem está sofrendo
- 47:42é teu fígado com aquele subproduto.
- 47:43Então eu acho que era importante a gente trazer um negócio,
- 47:46porque essa história do puro malte, de uma maneira geral, ela
- 47:49nasceu de uma lacuna legislativa, né?
- 47:52Que foi permitindo que a grande indústria, no processo de
- 47:56baratear e et cetera, fosse adicionando uma quantidade de
- 47:59cereais não maltados à cerveja, que foram ficando aviltante.
- 48:05Até que em algum momento isso foi pensado, falou, olha, se a
- 48:07cerveja não pode ser dessa maneira, veja bem, olha lá, tal,
- 48:13tal, tal. Rolou 11 instrução normativa que
- 48:15deu uma limitada. Falou, ó, até aqui você pode
- 48:18usar o serial lamalteado. Tudo bem?
- 48:21E você vai ter um benefício tributário, né?
- 48:24Você vai ter uma carga tributária diferenciada se você
- 48:27utilizar apenas o malte de cevada.
- 48:30Então aí a indústria, a grande indústria, precisou propagandear
- 48:34isso de alguma maneira. Como é que eu faço?
- 48:36Eu boto uma palavra, qualidade, excepcionalidade, premium e et
- 48:40cetera. E aí isso foi virando esse mito
- 48:44que novamente começa com alguma verdade e aí vai criando se uma
- 48:48história gigantesca ao redor disso que é quase impossível de
- 48:51debelar. E aí as pessoas chutam e
- 48:55criticam as cervejas que tem adjuntos como milho, como arroz,
- 48:59que, coitados. São absolutamente neutros, né,
- 49:02que não estão ali para fazer nada especificamente.
- 49:05Eles colocados e nas porções corretas, eles vão balancear
- 49:09aquela receita, trazer 1° de leveza e et cetera.
- 49:13Então essa seria a minha humilde contribuição sobre este assunto.
- 49:16Eu IA fazer essa pergunta justamente, né, se.
- 49:19Puro malte não é sinal de qualidade, os adjuntos também
- 49:21são sinônimos de baixa qualidade de negligência produtiva de um
- 49:26produto. Pior e efetivamente que não, né
- 49:29não? Não, nem um pouquinho.
- 49:31A preferida escola alemã do Henrique, inclusive, tem várias
- 49:33receitas que não são de origem por malte, né?
- 49:37Então eu IA comentar justamente isso, não o ser por malte.
- 49:40Ou seja, usar adjuntos é uma necessidade de processo para
- 49:43usar certos maltes que tem uma quantidade de proteína muito
- 49:46grande. Tu usa a?
- 49:47Adjuntos não malteados para quebrar esse com teor proteico,
- 49:50fazer cervejas mais límpidas e com menos teor de proteína que
- 49:54não vai ter tio reis e tudo isso a questão também e tipo, tu
- 49:57trouxe OAA? Escola alemã, a escola alemã.
- 50:00Como é, já é sabido, né? Ela não era uma unidade até
- 50:03pouco tempo atrás. Ela teve por por muito tempo.
- 50:06Ela teve uso de arroz e uso de milho para fazer as cervejas.
- 50:09Era comum de usar xarope para fazer cerveja, porque era um
- 50:12substituto plausível, principalmente entre guerras e
- 50:14tudo isso. Era um substituto plausível para
- 50:16o malte, que era caro ou muitas vezes não tinha, não tinha onde
- 50:19comprar e além disso, era usado como um ingrediente, não como
- 50:2311, substituto de baixa qualidade.
- 50:26É importante pontuar isso, o adjunto, ele não é um substituto
- 50:29de baixa qualidade, ele é uma necessidade de processo, porque
- 50:31muitas vezes, dependendo da escala do do da tua cervejaria,
- 50:35os adjunto é mais caro, porque tu vai ter que fazer um
- 50:38seriomash, porque tu vai ter que mudar o teu processo.
- 50:40Fazer a cerveja somente com malte é mais simples.
- 50:43É mais simples do que fazer cerveja com cereais não
- 50:46maltados. Que loucura.
- 50:47Eu só fico pensando nisso assim, aqui no Brasil, especificamente,
- 50:50a gente teve esse excesso do uso do adjunto.
- 50:54Que começou talvez é de caracterizar e et cetera.
- 50:56E aí precisou falar pipa para para, pô, para, para, vamos
- 51:01reequilibrar as coisas aqui você pode usar no máximo esse tanto
- 51:05que eu não vou me lembrar agora, não sei se é 45% dos reais não
- 51:08malteados e se você fizer uma cerveja 100% puro malte, você
- 51:12vai ter um benefício fiscal. Então, aí novamente precisaram
- 51:16criar uma historinha para contar por que que elas estavam
- 51:19redirecionando, por que que? A cerveja agora vai ser assim?
- 51:22Não, não mais assado ou vamos criar uma marca nova?
- 51:25E aí começou a zebra. Eu tenho até.
- 51:28Talvez isso seja um tema bem interessante para um próximo
- 51:30programa. Eu tenho um adendo a isso.
- 51:33Hoje, se a gente for pegar, por exemplo, pré proibição, nos
- 51:36Estados Unidos a gente já tinha as cervejas sendo feitas com uma
- 51:39carga bem grande de cereais não maltados, por exemplo, Kentucky
- 51:43comam com 50% de milho. Então eu fico me e nos Estados
- 51:47Unidos é muito comum o uso por causa do tipo de malte que.
- 51:51É disponível lá com de 6 fileiras que ele é 11.
- 51:53Ótimo teor proteico muito maior. E eu fico me perguntando se isso
- 51:56não foi algo importado de processo importado de outras
- 52:00cervejarias para dentro do Brasil.
- 52:02E além dessas desses pontos que tu trouxe, sabe porque nos
- 52:05Estados Unidos Oo consumo em massa é dessas cervejas que usam
- 52:08adjunto, arroz, principalmente. É, eu acho que cada país vai ter
- 52:11uma particularidade aqui. Eu sei que rolou isso aqui.
- 52:14É a questão legislativa para fazer dessa maneira.
- 52:17E isso pode ter sido uma onda mundial, gente.
- 52:19E aí cada país foi. Resolvendo do seu jeitinho.
- 52:22Mas fato é que por conta dessa história de puro malte, sinônimo
- 52:26de qualidade, que não é uma coisa muito antiga, por conta
- 52:29disso, as pessoas ficam chamando cerveja que tem adjunto de suco
- 52:32de milho, entendeu? Ficam pejorando a cerveja e aí
- 52:37começa a história do beba menos, beba melhor, como se aquilo que
- 52:40eu tô bebendo necessariamente é melhor do que você aí.
- 52:42Superioridade aí? Outros bababás da da cerveja é
- 52:45que são sempre complicados, né? Mas enfim.
- 52:48Eu acho que é isso. E muita cervejaria artesanal
- 52:50também, Kraft fino, enfim, que seja, que acaba estampando
- 52:54cerveja por o malte por adesão, né?
- 52:57Nos seus rótulos, sendo que não é isso que vai garantir a certa
- 53:00distinção. Mas se o consumidor às vezes não
- 53:02vê essa informação, ele tende a desconfiar, né?
- 53:05Porque ele está sendo lobotomizado pela propaganda da
- 53:08grande indústria. Cervejas, feita pelo
- 53:10departamento de marketing. Aí, ó, pois é.
- 53:17Meus amigos, temos. A gente não falou do principal
- 53:20mito hoje, que é o mito do repolho na cervejaria Brahma, de
- 53:25Porto Alegre, que era usada para fazer cerveja.
- 53:27A gente não falou desse mito, é verdade.
- 53:29Principal mito da cerveja é, vamos, vamos, vamos lá.
- 53:33Principal é uma coisa grandona, sim, aí você chega, EE pega.
- 53:37Uma marca já vai, já diminuiu um bocado.
- 53:40E aí você fala em Porto Alegre, numa cidade, o Brasil tem mais
- 53:43de 5000 municípios. Você quer dizer que o mito de
- 53:46Porto Alegre é o mito? Eu vou deixar ele pior porque
- 53:50somente uma pessoa no planeta? Ecoou esse mito que foi meu pai.
- 53:55Ou seja, vocês só estão ouvindo isso porque é o Henrique que
- 53:58está falando. Não.
- 53:59E o mais engraçado? Dia desses eu estava me
- 54:03entupindo de enorfinas, de microdoses, de enorfina No No
- 54:07Instagram e alguém comentou de alguém fazendo uma panela de
- 54:10repolho e botou embaixo. Eu só consigo lembrar do pai do
- 54:13Henrique. Muito bom, gente, muito bom.
- 54:21Ouvinte, se você chegou até aqui, deixe repolho nos
- 54:25comentários do episódio, por favor.
- 54:27Gabriel Gabriel está fascinado com a possibilidade de
- 54:30engajamento dessa maneira. Então, por favor, não deixe ele
- 54:33sozinho. Inclusive, gente.
- 54:35Quem quiser mandar áudio para ele, pode.
- 54:37Se o áudio for longo, ele gosta. Olha só.
- 54:40Ele gosta mais ainda, tá? Ele está no grupo do surra de
- 54:43lúpulo para tirar dúvida com você ou não?
- 54:46Enfim, vamos lá. Tem muitas formas de contatar
- 54:49esse historiador maravilhoso. Então a gente aqui assim encerra
- 54:53os 6 anos de surra de lúpulo. Muitos convidados, muitos papos,
- 54:57polêmicas, travessuras e que venham muitos outros anos pela
- 55:00frente. Obrigado a todos e a todas que
- 55:02nos ouvem. Às vezes, sempre a gente
- 55:05prefere. Né?
- 55:06É tchururururu? Pois é.
- 55:08Ficou triste no fim, ficou triste.
- 55:10É naquela dá uma baixada. Ih, pesou o clima?
- 55:12Pesou o clima. Pois é, pesou pra caramba.
- 55:15É isso. Queria agradecer tanto o
- 55:16Henrique quanto ao Gabriel. Muito obrigada mais uma vez por
- 55:19essa jornada de conhecimento. Estamos juntas?
- 55:22E se você ouviu a gente até aqui, lembre se de participar
- 55:25conosco nas nossas redes sociais, arroba suradiolupulo no
- 55:27Instagram, no TikTok, tem sugestão de pauta e convidado
- 55:30manda por e-mail contato@suradiolupulo.com.br.
- 55:35É isso, meus amigos, tem algo mais a declarar?
- 55:37Até a próxima mesa. Ah, é?
- 55:39Antes de falar, até eu queria agradecer a Ludmila, ao Henrique
- 55:41e ao surra. Cara maior, muito gostoso fazer
- 55:44parte desses da de uma pequena parte desses 6 anos.
- 55:46Porra, pequena. Parte velho, fica tranquilo, vou
- 55:49encher o cabo. Esse de coisa para fazer.
- 55:53Valeu pessoal. Até semana que vem.
- 55:55Tchau, tchau. Este podcast é uma produção da
- 56:07Paint network e está disponível no Spotify, no YouTube ou na sua
- 56:11plataforma de áudio preferida. Na nossa equipe, contamos com a
- 56:15colaboração de Henrique Boaventura, Ludmila Almeida e
- 56:18Maurício TK, sócios e apresentadores do podcast.
- 56:22Também fazem parte do time Gabriel Gurian, na apresentação
- 56:25e redação do blog, Rubens reis, na edição hop your media, nas
- 56:29redes sociais e Laís Andrade no design.