Latest / O Aviário Podcast · by PPGVET / Dr. Fernando Rutz: Vitaminas no Metabolismo das Aves | Ep. 96
Transcript
- 0:00Então é fundamental todas as vitaminas estarem presentes para
- 0:04que realmente o metabolismo funcione, consequentemente venha
- 0:08o desempenho. Bem-vindos ao podcast O Aviário,
- 0:15as mentes mais brilhantes da avicultura no seu bolso.
- 0:20O podcast O Aviário só é possível através do apoio de
- 0:23empresas inovadoras e que apoiam a educação continuada na
- 0:26avicultura brasileira. Easy Institute, transformação
- 0:30digital e inteligência artificial na produção avícola.
- 0:35Pegasus Science, a solução inteligente e em tempo real para
- 0:39a interpretação de micotoxinas. Alga Prime DHA da Corbium,
- 0:45enriquecer ovos com ômega-tres sustentável.
- 0:49Aquece, ambiência ideal para a sua produção.
- 0:54Olá a todos que nos seguem, o pessoal que está em casa, o
- 0:58pessoal que está nos seguindo aí no podcast Aviário.
- 1:03Hoje a gente está aqui numa manhã chuvosa de Curitiba e
- 1:07recebendo o professor Fernando Rutz, que está lá em Pelotas, né
- 1:11Rutz? Bom dia, como é que você está?
- 1:14É um prazer ter você aqui com a gente.
- 1:16Da mesma forma, Beth, é um prazer participar com vocês, com
- 1:20todo o grupo. Fernando, você que foi meu
- 1:26professor, um dos meus ídolos dentro da avicultura, é muito
- 1:31bom estar com você aqui, uma pessoa que conhece muito
- 1:34fisiologia, que sabe muito. Então, muito obrigada pelo teu
- 1:39tempo. E eu gostaria que você contasse
- 1:42para os nossos seguidores aqui... como que foi a tua vida,
- 1:48como é que o professor, o Fernando Rutz se transformou em
- 1:52professor Fernando Rutz, um pouquinho da tua carreira aqui
- 1:55para a gente conhecer. Tá bom, tá, obrigado, Bete, pela
- 1:59oportunidade. Aquele dom que a gente conhece
- 2:05praticamente desde criança, de que quer ser aquilo, foi uma
- 2:09coisa que me despertou bem no início, eu sabia que um dia eu
- 2:13deveria ser professor pela boa vontade que eu tenho sempre de
- 2:17ajudar os outros, de ensinar outras pessoas.
- 2:20Ou seja, tem prazer nisso aí. Então, foi uma coisa que foi
- 2:23marcada, talvez, desde o tempo daquilo que se chamava de
- 2:25segundo grau. Aí, posteriormente, fiz
- 2:30veterinária, mestrado na área de zootecnia.
- 2:34E, nesse meio tempo, trabalhei um tempo lá na Embrapa, na
- 2:38Embrapa de Concórdia. E, ao mesmo tempo, eu fui
- 2:42contratado para dar aula como professor àqueles auxiliares,
- 2:50não era contratado diretamente, temporários, na URGS.
- 2:56Então, eu fazia as duas coisas, fazia a URGS e fazia a Embrapa
- 2:58de Concórdia. Posteriormente, efetivei na
- 3:02URGS, em Porto Alegre, onde eu tive a oportunidade de fazer meu
- 3:06doutorado lá nos Estados Unidos. Depois disso, voltei para a UGS,
- 3:10fiquei ainda um tempo, mais ou menos de um ano e meio, onde
- 3:13então me transferi para Pelotas, onde eu estou até hoje.
- 3:18Nesse meio tempo de estar em Pelotas, há vinte anos atrás, eu
- 3:23tive uma oportunidade também de aderir à iniciativa privada, foi
- 3:28quando eu comecei a trabalhar junto com a Altec, e hoje eu
- 3:31estou nessa de quarenta anos de universidade, mais vinte anos de
- 3:38Em busca do ambiente ideal para sua produção, a Aquece oferece
- 3:42aquecimento especializado, totalmente automático para a
- 3:46produção animal, garantindo distribuição uniforme de calor.
- 3:50Mais de doze anos entregando soluções eficientes em todo o
- 3:53Brasil. É bastante estrada, literalmente
- 3:59estrada, porque sempre está viajando, né, Ruth?
- 4:02Você é um daqueles pesquisadores, cientistas, que
- 4:06desde o começo aí trabalhava em Concórdia, trabalhava em Porto
- 4:10Alegre e estava sempre na estrada.
- 4:12E é legal, né? Tu passou por um tempo assim
- 4:15também de fazer esse meio de campo, né?
- 4:18Trazer o campo para dentro da universidade e levar a
- 4:21universidade para o campo. Então é assim, é muito legal.
- 4:25É muito bom, acho que dá uma diferença grande.
- 4:29E assim, um dos temas que eu queria conversar contigo, que na
- 4:33verdade eu acho que tem muito pouca gente que conhece tão
- 4:36profundamente como você, é a questão de vitaminas.
- 4:44O pessoal fala, se você tiver deficiência de vitamina, você
- 4:49vai ter problema, o pessoal fala que você tem que ter os
- 4:52requerimentos adequados, mas assim, pouca gente realmente
- 4:56fala a importância e o que a vitamina faz nos animais.
- 5:00Então, eu queria perguntar para você como é a ação das
- 5:06vitaminas, eu sei que é muito complexo, mas de maneira geral,
- 5:10para o nosso público, que é bastante diverso, qual que é a
- 5:14função mesmo das vitaminas dentro da nutrição, tanto animal
- 5:19como do ser humano, e por que a gente não pode deixar de ter
- 5:24elas presentes aí na dieta? Ao responder essa pergunta, é
- 5:29sempre bom a gente voltar um pouquinho da bioquímica e
- 5:32lembrar de um elemento lá que todos nós aprendemos, que chama
- 5:35o ciclo de Krebs. e tudo que está ao redor do ciclo de Krebs.
- 5:40Ou seja, para aquele maquinário funcionar, toda aquela
- 5:45engrenagem funcionar, ele precisa de vitaminas.
- 5:48Assim como poderia se dizer dos minerais, principalmente os
- 5:51minerais traços nesse momento. Então, se por um acaso faltarem
- 5:55as vitaminas, nesse caso falando especificamente das
- 5:58hidrossolúveis, aquele maquinário vai parar.
- 6:03E um dos bons exemplos que normalmente a gente dá é dentro
- 6:07da nossa vida mesmo. Quando pequenos, a nossa mãe
- 6:11fazia a gente tomar vitamina para quê?
- 6:14Porque aí abre o apetite. O que é, na verdade, abrir o
- 6:17apetite? É fazer a roda funcionar, é
- 6:19fazer o metabolismo funcionar. Então, é fundamental todas as
- 6:23vitaminas estarem presentes. para que realmente o metabolismo
- 6:28funcione, consequentemente venha o desempenho.
- 6:31E quando a gente fala de desempenho, quer seja de
- 6:34produção de carne, produção de ovos ou parte de reprodução,
- 6:39precisa que as vitaminas estejam presentes.
- 6:44Falando de um grande grupo, se a gente quiser separar elas, nós
- 6:49temos as lipossolúveis e nós temos as hidrossolúveis, com
- 6:53funções distintas. As lipossolúveis seriam mais a
- 6:57utilização em sistemas, como por exemplo a vitamina A, com parte
- 7:01de visão, proteção de membrana, mucosa.
- 7:07A vitamina D, que a gente sempre caracterizou ela como na
- 7:12absorção de cálcio e fósforo, hoje se sabe que a vitamina D
- 7:16vai muito mais além do que isso. Muito mais.
- 7:19O aspecto de imunologia, então, nem se fala.
- 7:23Um dos temas que se tratou bastante durante a pandemia, e
- 7:27isso para ser humano, foi que os médicos, entre outras coisas,
- 7:31recomendavam também doses altas de vitamina D.
- 7:34Então, ou seja, a vitamina D tem muito mais função do que a gente
- 7:38imaginava. Quando a gente trata da vitamina
- 7:42E, nós estamos tratando basicamente de um fator
- 7:46antioxidante e se ela é bem aplicada, ela pode ir muito além
- 7:50da vitamina E. Por exemplo, se você quiser
- 7:54aumentar o tempo de prateleira dos alimentos, é usar doses mais
- 7:59elevadas de vitamina E. Você quer proteger a parte
- 8:03imunológica, não com níveis baixos, como esses que a gente
- 8:08usa só para performance, mas para realmente adquirir esse
- 8:13nível de imunologia, níveis altos de vitamina E também
- 8:17funcionam muito bem. E a vitamina K...
- 8:21Por incrível que pareça, a forma ativa da vitamina K é uma forma
- 8:26de vitamina lipossolúvel. Mas aquela que a gente coloca na
- 8:29ração, em premix, aquela é hidrossolúvel.
- 8:34A gente trata ela sempre de vitamina K como uma do grupo de
- 8:37lipos, mas, na verdade, a forma sintética dela é hidro,
- 8:41convertendo-se depois dentro do organismo do animal em
- 8:44lipossolúvel, a forma que ela vai ser realmente ativa.
- 8:49Aí quando a gente vai para o lado das vitaminas
- 8:53hidrossolúveis, que é o caso, por exemplo, da tiamina,
- 8:57começando com a B-I, não que seja a mais importante, porque
- 9:01não existe uma mais importante, no sentido de que uma não vai
- 9:05substituir a outra, cada uma tem o seu papel.
- 9:08Aí nós estamos falando de reação de descarboxilação, de
- 9:11carboxilação da tiamina. Ela é uma vitamina, digamos
- 9:15assim, que é extremamente importante, mas ela normalmente
- 9:20está presente em quantidade suficiente nos ingredientes aos
- 9:24quais se utiliza em uma ação. Mas isso não significa que não
- 9:31possa haver casos, e eu, por exemplo, já vi no campo casos de
- 9:35deficiência de tiamina na matriz.
- 9:39E o pintinho, quando nasce, ele nasce com o pescoço para trás,
- 9:43um fenômeno que se chama de opistótono, né?
- 9:45E se é pintinho de um, dois dias que apresenta isso, naturalmente
- 9:49não é por deficiência da ração do pintinho, isso foi por
- 9:52deficiência da ração da matriz, né?
- 9:56E claro que em outras espécies, por exemplo, quando se trata de
- 9:59bovinos e ovinos, tem a samambaia, aquela planta que
- 10:04fica na volta dos rios, os animais vão lá e consomem a
- 10:09samambaia. E a samambaia tem uma enzima,
- 10:14uma tiaminase, que é capaz de... Quebrar a tiamina e com isso
- 10:18acaba dando problema também de retração do pescoço, tanto em
- 10:22ovinos quanto bovinos. E um fenômeno que incrível que
- 10:25pareça, uma vez administrada a tiamina nesses animais,
- 10:28detectada e administrada, volta o animal em uma questão de oito
- 10:32horas e ele volta tudo ao normal.
- 10:34Vai ter que agir mais ou menos rápido.
- 10:36No caso de animais de campo, como a raposa, a volta-meia pode
- 10:43apresentar também problema, chama-se paralisia de chastec,
- 10:47quando comer peixe que já está em processo de decomposição,
- 10:52como carpas, E aí também raposas acabam desenvolvendo isso aí.
- 10:58Na casa de farinha de peixe, também é capaz de desenvolver a
- 11:02tiaminase. Então, se por um acaso usar a
- 11:04farinha de peixe que tenha sido mal processada, por exemplo, tem
- 11:09a tiaminase, isso pode vir a desenvolver também problemas aí.
- 11:12Aí seria mais para aves, os suínos, como queiram.
- 11:17Saindo da vitamina B-I, que é a tiamina, passando para a
- 11:21vitamina B-II, que é a riboflavina, essa é a mais
- 11:27essencial dieteticamente de todas.
- 11:30Mais uma vez, eu procuro não usar a palavra essencial
- 11:33metabólica, porque em termos de metabolismo, todas elas são
- 11:38essenciais. Mas dieteticamente, ou seja, que
- 11:41tem que estar presente na dieta, sem sombra de dúvida, a vitamina
- 11:44B-II ou riboflavina tem que estar.
- 11:47Em aves, então, nem se fala, porque leva aquela paralisia dos
- 11:51dedos curvos. Ou seja, uma dieta de pintinhos,
- 11:56onde vem a faltar a riboflavina na dieta, em oito dias,
- 12:01inicialmente começa com uma diarreia, Os animais veem aquela
- 12:05cloaca empastada, mas em oito dias o lote inteiro deita.
- 12:10O lote inteiro perde perna. Então, não é uma questão de que
- 12:15o animal não tenha fome, é que ele não consegue caminhar.
- 12:19E aí começam os problemas. Em termos dessa mesma
- 12:22riboflavina para matrizes, ela é fundamental.
- 12:28Se por acaso esquecer de colocar, a gente nunca, quando
- 12:31trata de vitaminas, nunca pode esquecer do tal do erro humano,
- 12:34né? O erro humano acontece, ou seja,
- 12:38a pessoa acaba esquecendo de colocar.
- 12:41E aí, em matriz, assim, chega a catorze dias, quinze dias,
- 12:45praticamente a mortalidade é quase que cem por cento dos
- 12:49embriões. Conto para ti também um caso
- 12:52bastante interessante que eu vi acontecer uma vez na China.
- 12:57Eu fui lá visitar o cliente chinês e ele me mostrou
- 13:03pintinhos que haviam morrido, embriões que haviam morrido,
- 13:05mostrou as fotos todas, e todos com os dedos curvos.
- 13:08E eu batata. Não, isso aí é deficiência de
- 13:11riboflavina. Mas eles já tinham mandado
- 13:15analisar a riboflavina no premix e tinha riboflavina.
- 13:20Aí, conversando com ele mais um pouco, o interessante é que de
- 13:25quem ele estava comprando óleo, tinham comprado óleo onde havia
- 13:32uma mistura desse óleo com óleo de algodão.
- 13:37E, com certeza, embora cientificamente acarque,
- 13:39acredito que ninguém provou, houve uma interferência de esse
- 13:43óleo de algodão, de produtos do óleo de algodão, se é gossipol
- 13:46ou não, eu não sei, porque tem outros produtos também, no
- 13:49metabolismo da vitamina. E eram sintomas típicos, ou
- 13:53seja, além do fato dos dedos curvos que os embriões estavam
- 13:59aparentando, também se observava ali na coloração da clara, uma
- 14:06coloração salmão. E essa coloração salmão mais ou
- 14:10menos coincide com um excesso de gossipol dentro de uma dieta,
- 14:15né? Então, ou seja, muitas vezes a
- 14:16gente vai direto a essa vitamina, mas se esquece de
- 14:19todos os fatores que estão ao redor da vitamina e que podem
- 14:23interferir na sua utilização. Então, ou seja, a riboflavina,
- 14:27mais uma vez dizendo, é dieteticamente a mais essencial
- 14:31no meu ponto de vista para a aves.
- 14:33Essa se faltar, e milho e soja tem níveis muito baixos, Ou
- 14:37seja, não é, por exemplo, como a tiamina que eu falei, que talvez
- 14:40o milho de soja já tenha o suficiente.
- 14:43A gente coloca por uma questão de margem de segurança, mas não
- 14:47é necessário. Agora, riboflavina não se pode
- 14:49brincar. Depois, outra vitamina, por
- 14:52exemplo, o ácido fólico. A princípio, o ácido fólico
- 14:57adicional não na dieta quase para o desempenho do animal. eu
- 15:01acredito que talvez nem precisasse, porque já tem
- 15:04suficiente dentro do milho de soja.
- 15:06Mas, mais uma vez, quem é que vai correr o risco?
- 15:08E sempre lembrando que o ácido fólico, em alguns países, por
- 15:11exemplo, como Canadá e Estados Unidos, é reforçado, é
- 15:15adicionado dentro do leite para que a pessoa tenha acesso.
- 15:20Dá lá a importância que ele tem, principalmente para gestantes,
- 15:23para o desenvolvimento do feto ali.
- 15:28E há casos também, trabalhos na literatura, que nos indicam que
- 15:32o ácido fólico, se colocar níveis maiores dentro, por
- 15:36exemplo, de uma poedeira, uma dieta de poedeira, vai
- 15:39enriquecer o ovo com ácido fólico.
- 15:41É outra maneira de chegar também no ser humano.
- 15:47O ácido pantotênico é uma outra vitamina que também...
- 15:52Quase que configuraria assim como a gente coloca por margem
- 15:55de segurança, talvez já tenha o suficiente dos ingredientes que
- 15:59se utilizam, mas não dá para correr o risco e aí se busca
- 16:02dermatite. Basicamente, em caso de aves,
- 16:05dermatite. Em caso de suínos, seria
- 16:07diferente que aquele passo de ganso, que é o patognomônico,
- 16:10porque é o afeto oceático do suíno.
- 16:15Interessante o ácido pantotênico e a biotina, que é uma outra
- 16:19vitamina, que as duas causam dermatite.
- 16:24Quando começa no bico, a dermatite, depois vai para a
- 16:29pata, a gente caracteriza como ácido pantotênico.
- 16:32Quando começa na pata e depois vai para o bico, aí é a biotina.
- 16:37E a biotina é uma das vitaminas que, algum tempo atrás, talvez
- 16:41uns quinze anos atrás, haviam duas empresas no mundo que
- 16:45produziam biotina. Sendo que dessas duas, uma teve
- 16:49problemas de produção e só ficou uma.
- 16:53Naturalmente que com isso o preço cresceu.
- 16:56E as pessoas passaram a não utilizar muita biotina
- 17:00justamente por uma questão de preço.
- 17:02Utilizávamos ali pela primeira semana.
- 17:04E países como, por exemplo, o México, que procura evitar o
- 17:10consumo de milho para deixar para o ser humano e menos para
- 17:14as galinhas, eles usam muito sorgo.
- 17:17Um diferencial é que a biotina no milho é praticamente cem por
- 17:21cento disponível. No sorgo ela é muito baixa
- 17:24disponibilidade, como vinte por cento.
- 17:26E aí mesmo em camas secas começaram a aparecer dermatites.
- 17:30As pododermatites. Então, ou seja, o pessoal pensou
- 17:34que com a utilização do sorgo e da soja poderia satisfazer a
- 17:39biotina e isso não aconteceu. E característicamente da
- 17:42pododermatite seria uma cama úmida, não é?
- 17:46E nesse caso não aparecia cama úmida, a cama estava seca.
- 17:49As aves consumiam praticamente as penas, outro dado que foi
- 17:52observado isso aí, talvez em busca da biotina que por ali
- 17:56tivesse. E aí apareciam os casos de...
- 18:02É uma das vitaminas importantes, tanto para aves como para
- 18:06suínos, até pensando no negócio de casco, suína, biotina, e tem
- 18:14esse diferencial com o maço pantotênico, pantotênico no bico
- 18:16e pato, biotina na pata e depois no bico.
- 18:20E nunca descartar, que é importante.
- 18:23Mesmo que muitas vezes a gente ache que tem, dependendo de
- 18:25todos os fatores que estão ao redor, até casos de estresse, de
- 18:30micotoxinas ou de estresse calórico, qualquer tipo de
- 18:33estresse. Não existe um estresse único.
- 18:37Existe um mecanismo único para estresse, mas não existe um
- 18:40estresse único. A história de que a hipotalma,
- 18:44produção de CRH, vai para o córtex adrenal, produz
- 18:48corticosterona no caso da ave, ou cortisol no caso de suína,
- 18:52esse é o único. Ou produção da epinefrina e
- 18:55norepinefrina na... na medula da adernal, esse é o único.
- 18:59Agora, os fatores que estão ao redor podem afetar.
- 19:02E toda vez que se tiver estresse, tem a produção de
- 19:05radicais livres e a exigência de vitaminas começa a aumentar
- 19:08ainda mais. Outras vitaminas a gente pode
- 19:11conversar um pouco, por exemplo, a colina.
- 19:14A colina disse mais ou menos que a partir de treze semanas de
- 19:18idade já existe a possibilidade da ave sintetizar toda a colina
- 19:24do que ela precisa. Mas claro que a gente não corre
- 19:26esse risco e acaba se acrescentando nas dietas.
- 19:30Até chama a atenção que em uma certa ocasião veio um professor
- 19:33do estado da Inglaterra, o professor Whitehead, que era um
- 19:36dos especialistas em vitaminas no mundo, e ele não mandava
- 19:39colocar colina na dieta. Agora ele recomendava colocar
- 19:43vitamina C. Ao contrário do que a gente faz
- 19:47aqui, não é? De colocar a vitamina C.
- 19:49Ele mandava colocar e até se surpreendeu que não se usava a
- 19:52vitamina C de forma corriqueira dentro dos nossos premix.
- 19:56Então, a princípio, a ave é um...
- 20:00Voltando a falar um pouquinho da colina, depois eu falo da
- 20:02vitamina C. pode se encontrar, e não é difícil, uma deficiência
- 20:08de colina, e aí vocês vão encontrar a paperose, que é o
- 20:11momento que aquele osso se distorce sobre si mesmo e ele
- 20:15perde os côndulos, o tendão escapa dos côndulos e a ave fica
- 20:19com a pata... Agora, tem que ter muito cuidado
- 20:23com isso no campo, porque existe muita confusão.
- 20:25O problema de pata não é um só. O problema de pata tem várias
- 20:29causas e muitas delas são muito similares.
- 20:32Então, tem que realmente fazer uma necrópsia bem feita,
- 20:35examinar a cabeça de fêmur, examinar a cabeça de tíbia ali
- 20:39para ver o que está acontecendo. Nem sempre é isso que eu estou
- 20:43falando de hiperose. Aliás, normalmente não é, né?
- 20:45Nós estamos falando mais de condonecrose com osteomielite e
- 20:48que não tem nada a ver com isso aqui.
- 20:50Sim, sim. E, na verdade, assim, tudo isso
- 20:53que você está comentando aí de deficiência, a gente está tendo
- 20:58uma aula aqui, pessoal, eu estou super feliz da revisão aqui que
- 21:02a gente está tendo com o professor.
- 21:04Mas, na verdade, assim, está só explicando a deficiência, mas
- 21:08não necessariamente que isso a gente tenha, né?
- 21:12Essa seria uma outra... Eu vou deixar você terminar de
- 21:14falar das vitaminas, porque está bem legal.
- 21:16E aí depois comentar da questão de que, desde que coloca na
- 21:21dieta, você praticamente não vê nada disso.
- 21:26Eu acredito que muitos dos... dos nossos alunos, nunca viram
- 21:31esses quadros, pela questão de que realmente a maior parte dos
- 21:37requerimentos são atendidos sem que a gente nunca perceba esse
- 21:41tipo de quadro. Mas eu acho que é interessante a
- 21:44gente relembrar essas situações de deficiência que você menciona
- 21:51aqui, Ruth. Isso que você estava falando,
- 21:56colocando um adendo aí, A gente não vê até ali, não é?
- 22:01Por exemplo, eu já tive casos, assim, que me chamaram no campo,
- 22:04estava tendo o caso de diátese de sudativo, que é o caso de
- 22:08deficiência de vitamina Eucelene, e, na verdade, a
- 22:11empresa estava buscando em mim uma maneira de poder processar a
- 22:15premixeira, quando, na verdade, ele estava com óleo extremamente
- 22:19oxidado. Então, ou seja, foi por um outro
- 22:23lado, ou seja, o Premix estava legal, o Premix tinha vitamina E
- 22:26e o selênio conforme tinha sido solicitado, mas o nível de óleo
- 22:30oxidado era tão elevado que causava problemas.
- 22:34Então, quer dizer, tem uma série de fatores que estão ao redor
- 22:38que acabam influenciando e que não necessariamente é a
- 22:40deficiência, né? Isso que eu queria falar é
- 22:46justamente isso, em princípio tem os requerimentos, a gente
- 22:50até pensa assim, vitamina nem passa pela cabeça às vezes do
- 22:54médico veterinário, eu não falo nem do nutricionista, porque o
- 22:56nutricionista como faz parte da fórmula, ele está olhando isso.
- 23:02Mas o veterinário, quando ele está lá no campo e ele vai vendo
- 23:05alguns sinais clínicos ou algumas alterações de necrópsia,
- 23:10como você citou algumas, a última coisa que vem na cabeça
- 23:13do veterinário é a deficiência de vitamina E, porque a gente
- 23:16tem essa ideia de que está tudo bem.
- 23:19E essa questão que você está chamando aqui da interação
- 23:25dessas vitaminas com outros ingredientes da dieta.
- 23:28Então, óleo de má qualidade. Nossa, a gente que anda aí no
- 23:32campo, a gente vê tantas condições ruins de armazenamento
- 23:39de azeite, de gordura. E aí você pega aquele frango no
- 23:44vinte, vinte e oito dias ali, que o nível de gordura em
- 23:47algumas dietas fica muito alto. E aí começa a ter problema, não
- 23:52porque faltou vitamina E no premix, mas, como você está
- 23:55dizendo, a qualidade dessa matéria-prima era tão ruim que
- 24:00ela usou essa vitamina, os radicais livres que estavam
- 24:04presentes, ela usou essa vitamina e inativou ela, porque
- 24:08ela foi... E não chega nada na boca do
- 24:11animal. Então, assim, esse também era um
- 24:13ponto que eu queria que a gente conversasse sobre isso, sabe?
- 24:17Porque a deficiência extrema é uma coisa que às vezes a gente
- 24:21não está acostumado, não vê e não quer ver, né?
- 24:24Porque não é isso que a gente espera na produção animal.
- 24:27Mas principalmente chamar a atenção das pessoas, né?
- 24:31dos nutricionistas, dos veterinários, do pessoal que
- 24:34está nos ouvindo, para essa margem, né?
- 24:38Eu lembro até de uma curva que o Kirk mostra, assim, de
- 24:41deficiência de... Não, de deficiência de
- 24:44nutrientes, de maneira geral, né?
- 24:45Você lembra aquela curva que ele começa, assim, a deficiência,
- 24:50daí a margem que você tem ali de benefício, e depois ela também
- 24:55começa a ser... ser tóxica, né? Então, acho que a gente podia
- 24:59falar um pouquinho disso também, Ruth, para o pessoal, essa
- 25:03questão até quando a gente pode pôr, que não adianta também
- 25:07encher a dieta de vitamina, que também não é a solução.
- 25:11Então, falar um pouquinho dessa questão, além da importância das
- 25:16vitaminas que você está falando, falar um pouco da questão dos
- 25:20níveis, né? O que pode ser bom, o que pode
- 25:23ser tóxico, enfim. Certo.
- 25:25Em termos de vitaminas, uma diferença, digamos assim, de
- 25:29minerais, é que os minerais acabam interagindo entre eles,
- 25:34às vezes sinergicamente, na maior parte das vezes
- 25:37antagonicamente, e um acaba interferindo no outro e com isso
- 25:42a gente tem ou as toxicidades, que na verdade uma toxicidade
- 25:46mineral normalmente significa a falta de outro, porque um
- 25:49interferiu no outro, né? Agora, vitaminas, a preocupação,
- 25:53na verdade, seria bem mais a vitamina A e a vitamina D.
- 25:59As outras, elas realmente teriam que ser níveis bastante
- 26:01elevados, níveis que talvez nem se chegue no campo.
- 26:07A não ser, claro, o erro humano existe, né?
- 26:09O erro humano existe, mas não dando o nome de uma vitamina aí
- 26:13que... que seria mais nada comercial, não é que a gente
- 26:16está conversando aqui, não seria esse o objetivo, mas um amigo
- 26:20nosso de uma empresa estava testando uma vitamina, e essa
- 26:25vitamina era da vitamina D, dos metabólicos, e aí ele se enganou
- 26:30na hora de colocar, e colocou dez vezes mais do que era o
- 26:34requerido, Claro que deu uma calcificação nos tecidos moles
- 26:38de tudo que era jeito. Aí ele disse assim, não, eu
- 26:41errei, mas eu me convenci que a vitamina é boa.
- 26:45Chegou nesse ponto, valeu a pena.
- 26:48Mas assim, outra coisa que também eu acho legal a gente
- 26:51falar é a questão de requerimento de vitamina e...
- 26:58E o melhoramento genético, sabe? Porque outro dia eu peguei um
- 27:02trabalho de dois mil e vinte e três que mostra a diferença em
- 27:08termos de mecanismo redox ou mecanismo de antioxidação do
- 27:14frango quando ele vai mudando a idade dele.
- 27:18Assim, quanto mais velho, ele vai tendo mais oxidação.
- 27:21Essa oxidação vai gerando mais marcadores de inflamação.
- 27:25Isso sem testar nada, Ruth, estou falando só uma análise que
- 27:29eles fizeram ao longo da vida, depois te passo esse trabalho
- 27:32que vai ser legal a gente discutir sobre ele.
- 27:36Mas a ideia de falar sobre isso é assim, requerimento de
- 27:40vitamina não é uma coisa fácil de fazer, eu acho que você foi
- 27:44uma pessoa que trabalhou com essa parte de requerimento, E é
- 27:48caro, é difícil analisar, é difícil fazer, não é muita gente
- 27:53hoje que faz isso, até conversando com... com o Korver,
- 27:59que fez o capítulo de vitaminas do NRC, que coordenou a
- 28:06organização desse capítulo, ele fala que o mais difícil era
- 28:09achar trabalhos recentes que falassem requerimento.
- 28:13Então, eu queria que você comentasse para o pessoal essa
- 28:15relação de um frango que cresce rápido, que a gente modificou
- 28:20com toda essa rapidez metabólica, e os requerimentos
- 28:26de vitamina que a gente usa ainda lá de trás.
- 28:30Não sei se você pode falar um pouco da sua opinião Por isso é
- 28:34que é interessante utilizar a metodologia que o pessoal de
- 28:38Viçosa usa. O doutor Rostanho, com as
- 28:41tabelas dele, não tem um requerimento único.
- 28:45Ele tem um requerimento em cima do ganho de peso.
- 28:47Então, não faz assim como a gente está dizendo no passado,
- 28:51botar um número ali. Então, conforme o animal vai
- 28:54ganhando mais peso, ele vai necessitando mais de vitaminas.
- 28:58Ele fez isso tanto para vitaminas como para minerais.
- 29:00Dá para fazer esse ajuste. Agora, na verdade, realmente
- 29:04tudo está mudando. A vitamina C, por exemplo, que a
- 29:07gente dava como certo que a ave é uma das espécies que consegue
- 29:12sintetizar a vitamina C. Quem não consegue é o ser
- 29:15humano, o macaco, o morcego das frutas e o peixe.
- 29:18Todas as outras espécies conseguem, teoricamente.
- 29:21Mas com tanta alteração genética, aparentemente hoje não
- 29:26consegue mais o suficiente. E digo mais, estou falando do
- 29:31frango, e eu vou um pouco mais além, eu vou da matriz.
- 29:35Se a gente analisar a vida de uma matriz, e aí quando eu falo
- 29:39tanto matriz, também me refiro à poideira ou matriz de corte, ao
- 29:45longo da vida, ela vai perdendo a capacidade antioxidante do
- 29:50trato dela. Isso está provado com trabalhos
- 29:53que fizeram lá no México. Então, como é que a gente pode
- 29:56compensar isso? Tentando colocar através de
- 30:00vitamina E e selênio, que são os dois nutrientes mais
- 30:03importantes, digamos assim, não que os outros não sejam, no
- 30:06aspecto antioxidante, para poder satisfazer a necessidade ali da
- 30:12ave. Então, ou seja, esses níveis que
- 30:15normalmente se colocam dentro de uma dieta, não são aqueles
- 30:18níveis mínimos de NRC, que, aliás, se olhar no NRC mesmo,
- 30:22você tem aquela curva, né? E aí tu tem um ponto que tu diz
- 30:26assim, olha, aqui é a inflexão. Esse é o NRC.
- 30:28Por isso a gente coloca muito mais do que isso.
- 30:31A gente coloca níveis muito acima.
- 30:33Vai pra vitamina A mesmo, a exigência é mil e quinhentos.
- 30:36E a gente coloca oito, dez mil unidades.
- 30:39Então, tem essas margens de segurança.
- 30:41Mas margens de segurança foram feitas em cima de quê?
- 30:44Da experiência de cada um. Não tem uma margem de segurança
- 30:47assim, pode dizer, ó, é isso aí. É tudo dentro da experiência de
- 30:50cada um. E os outros foram copiando uns
- 30:51dos outros, né? Veja só a distância entre
- 30:55vitamina A, mil e quinhentos, para oito mil, dez mil unidades
- 30:59internacionais. É bastante mais elevado.
- 31:04Outra coisa, quando vai fazer o processamento dentro das
- 31:07fábricas de ração, vai peletizar ou vai extrusar, no caso de
- 31:11pets, de peixe, aquela que está na periferia ali, aquela aí vai
- 31:16ser destruída. Enquanto que aquela que fica no
- 31:18interior é a que vai segurar o requerimento depois dos animais.
- 31:25Mas esse sistema que o pessoal usa lá em Viçosa me agrada
- 31:29bastante. que é ajustar conforme vai ganhando peso, porque é
- 31:33realmente isso que interessa. Considera o metabolismo que você
- 31:37exige desse animal quando você quer um animal mais pesado,
- 31:42maior rendimento, menor rendimento.
- 31:45Vai acrescentando isso em cima disso, né?
- 31:47E assim, outro dia eu fiz uma conversa aqui com a professora
- 31:51Nilva e ela falou muito em modelagem, e citou a questão de
- 31:55alguns aminoácidos que você altera, tamanho de peito, para
- 32:01vitamina, existe alguma coisa nesse sentido?
- 32:05Existe alguma informação que a gente possa considerar em termos
- 32:10de modelagem? Porque você citou esse do
- 32:12rostanho, que está baseado nesse rendimento, mas Existe modelo,
- 32:19existe informação? Esse do Rostam é um tipo de
- 32:23modelagem, porque ele vai ajustando conforme a necessidade
- 32:27do animal. E que eu saiba é que ele que fez
- 32:31isso aí, e eu não conheço mais alguém que tenha feito dentro
- 32:35desse sentido. E por que assim, Rutz?
- 32:38Vamos conversar um pouco. Qual é a dificuldade de fazer,
- 32:41se eu quero fazer experimento de níveis de... de energia, por
- 32:46exemplo, ou níveis de proteína, aminoácido, qual que é a
- 32:53dificuldade desse tipo de avaliação de requerimento para o
- 32:58caso das vitaminas? Eu diria que é margem de
- 33:02segurança mesmo, Beto. Tu pode fazer, uma coisa a gente
- 33:05fazia dentro da universidade, dentro de uma Embrapa, onde tu
- 33:09tem todas as condições ideais, Tu vai botando níveis crescentes
- 33:14do que tu quiser. Aí pode ser de aminoácido, de
- 33:17vitamina. E aí é outra coisa tu chegar no
- 33:20campo e tu tem o estresse. Que aí muda toda a história.
- 33:24Ou seja, aquele nível que lá na instituição de investigação te
- 33:28deu que é como ideal, quem sabe lá no campo tu vai ter que botar
- 33:32aqui duas ou três vezes. Então a gente volta ao lado
- 33:35empírico mais uma vez, dentro da experiência de cada um.
- 33:39Teve alguém que no passado fez uma tabela de todos os
- 33:44nutricionistas que tinham aqui no Brasil, quais eram os níveis
- 33:48que eles utilizavam de vitaminas.
- 33:50E o coeficiente de variação é enorme, porque cada um faz
- 33:54dentro da sua experiência. Mas é enorme, não tem uma vaza.
- 33:59Outro dia eu vi uma apresentação do professor Gonzalo, Matheus,
- 34:03onde ele fez isso na Espanha, sabe?
- 34:05Ele mostra assim, de vitamina E, por exemplo, pessoas utilizando
- 34:10sem ppm até dez ppm. Então, assim, uma avaliação
- 34:16absurda do que o pessoal usa no mercado.
- 34:19Mas aí, uma outra coisa que eu queria conversar contigo é...
- 34:24Não sei se o pessoal todo está sabendo, mas... na China teve
- 34:29uma fábrica de vitamina que queimou, queimou recentemente e
- 34:35essa fábrica inclusive já disse até janeiro ou fevereiro de dois
- 34:41mil e vinte e cinco não tenho como repor não tem como repor a
- 34:48quantidade de vitamina que ela produzia.
- 34:51Até dois mil e vinte e cinco vai ficar esse déficit aí.
- 34:57Como é que acontece nessas situações?
- 35:01Você que anda com o nutricionista, o que eles fazem
- 35:04quando chegam numa situação que nem essa?
- 35:07Até para chamar a atenção... que seria um risco que a gente tem
- 35:12em produção animal nessa condição específica, nesse
- 35:16período que a gente teve, desse acidente nessa fábrica da China
- 35:23que produzia vitaminas. Acredito que a gente vai ter que
- 35:26voltar ao nosso passado, quando é assim.
- 35:29Porque as vitaminas realmente começaram a partir de mil e
- 35:32novecentos e alguma coisa. Até então, qual era a fonte de
- 35:36vitaminas que tinha? alguns ingredientes, identificar
- 35:41quais os ingredientes que tem a tal da vitamina.
- 35:44Não tem cão caçar com gato, né? Então vai ter que buscar alguma
- 35:48alternativa. E eu digo isso aí, Ivete, em
- 35:51função até que quando a Venezuela começou a ter os
- 35:54problemas, não entrando no lado político da história, mas do
- 35:58lado mais da indústria, eles não podiam importar vitaminas e
- 36:03minerais. Chegaram nesse ponto e a
- 36:05indústria deles não é ruim, né? A indústria avícola lá da
- 36:08Venezuela não é ruim. Aí o que fazer?
- 36:12Aí temos que de repente voltar a ingredientes que contêm essa
- 36:16vitamina e começar a utilizar dentro das dietas.
- 36:20Qual é a principal fonte vitamínica que tinha no início
- 36:23do século XIX? Era a levedura.
- 36:28A principal fonte era a levedura.
- 36:30Claro que hoje entendem que levedura tem muito mais coisas
- 36:33que eram vitaminas que o pessoal talvez achasse que eram
- 36:35vitaminas, mas era o que eventualmente vai ter que fazer.
- 36:40Se não tiver, vai ter que identificar, de alguma forma,
- 36:43ingredientes que contenham e passar a utilizar.
- 36:45Porque as exigências não são tão grandes de vitaminas.
- 36:48Não é um absurdo. Não é.
- 36:51Os níveis são baixos, mas importantíssimos.
- 36:54Se você não colocar... Esse é o ponto.
- 36:57Então, às vezes, o cara... Vamos reduzir um pouquinho de
- 37:00quarenta ppm para vinte ppm. Em princípio, talvez você não
- 37:06sinta esse efeito tão rápido, mas eu... que adora imunologia,
- 37:11né? Eu já passo para esse lado, né?
- 37:16Talvez, assim, num rendimento, até fazendo um experimento na
- 37:19universidade, você poderia reduzir a vinte, a dez, né?
- 37:22Estou falando ao acaso aqui. Mas quando você vai para o
- 37:28campo, você tem um estresse calórico, né?
- 37:30Imagina agora no Brasil, assim. O pessoal do Premix coloca no
- 37:34limite, né? Você falou muito da margem de
- 37:36segurança. Então, assim...
- 37:38Quando tem a disposição, eu colocar dez e colocar vinte, vai
- 37:43ali e eu deixo essa margem e estou me protegendo.
- 37:48Agora, quando está faltando, eu vou colocar o limite, porque é o
- 37:53que eu tenho para evitar que faça falta no mercado.
- 37:57Ou seja, todo mundo vai ter, mas vai ter naquele limite mínimo.
- 38:01E aí a minha grande preocupação, eu imaginando aqui Brasil,
- 38:04América... o hemisfério sul com calor, calor começando agora e
- 38:14mais associado a esse limite de vitamina.
- 38:19Então realmente abre uma possibilidade de que a gente
- 38:25tenha que pensar um pouco melhor na questão imunológica, não sei
- 38:30qual é o teu ponto de vista. Sem dúvida que é para esse lado
- 38:33aí. É lógico, a imunologia
- 38:35provavelmente vai ser afetada. Uma das coisas que tu falou
- 38:38anteriormente, sempre lembrar que antes que tu venha a
- 38:42demonstrar qualquer problema no campo, tu já demonstrou
- 38:45metabolicamente o problema que está acontecendo.
- 38:47Se as reações bioquímicas já não estão acontecendo.
- 38:50Para aparecer o problema, bom, aí vai levar um tempo.
- 38:54Olha esse tempo. Não são iguais as vitaminas.
- 38:58A tiamina pode te levar quatro ou cinco semanas para aparecer o
- 39:01problema. A riboflavina é imediato.
- 39:04Então, o armazenamento que ela tem, a reserva que tem, ela é
- 39:09muito pequena, enquanto que a tiamina é maior.
- 39:12Vitamina A, caso de matriz, vai te levar talvez algumas semanas.
- 39:15A vitamina D, talvez uma semana ou pouco, tu já vai ter o
- 39:18problema. Então, elas não são iguais.
- 39:22Tem isso aí. E aquele mínimo, a gente sabe
- 39:24que é o mínimo dentro das condições ideais.
- 39:27Não é o mínimo dentro do momento que tu tem alguma... algum
- 39:32desafio. Não, e aí sim, aí realmente a
- 39:34parte imunológica vai pagar. Vai pagar por isso aí.
- 39:38Eu acho que esse é o ponto que a gente tem que trabalhar com mais
- 39:45seriedade, lembrar um pouquinho dessas questões bioquímicas.
- 39:49E assim, nesse tempo aqui está muito bom conversar contigo,
- 39:54Ruth, mas já foi aqui quase cinquenta minutos de conversa e
- 39:59a gente está nessa conversa aqui e o pessoal do aviário diz que a
- 40:07gente tem que limitar. Eu acho uma tristeza isso,
- 40:10porque eu podia passar horas aqui conversando contigo.
- 40:13Mas assim, nesse sentido é... Eu adorei aprender, reaprender
- 40:19vitamina. Eu lembro que a primeira vez que
- 40:21eu tive uma imersão em vitamina foi num curso que você deu para
- 40:25a gente lá na Universidade de Abuticabau, né?
- 40:28E é onde a gente se conheceu com mais... com mais amizade e você
- 40:36continua sendo esse mestre de vitamina que faz tudo uma coisa
- 40:41tão complexa como ciclo de crédito, parecia uma coisa tão
- 40:45simples, você vai falando tranquilo e é sempre um prazer
- 40:49aprender contigo Ruth, muito obrigada pelo teu tempo E como
- 40:53faz parte desse programa, a gente sempre deixa aqui no
- 40:58final, gosto que os meus convidados deixem uma mensagem
- 41:02que pode ou não ser referente ao que a gente estava conversando
- 41:05aqui. Então, esse é o teu tempo. para
- 41:09falar aqui, lembrando que a gente tem, né, os nossos
- 41:12seguidores aqui que estão em casa, que estão escutando a
- 41:15gente, tem muita gente que é da área, tem muito nutricionista,
- 41:20muito veterinário, mas tem bastante estudante que está
- 41:23começando, ou de vários níveis aí, mestrado, doutorado, e tem o
- 41:28pessoal que é curioso e só quer saber o que a gente faz dentro
- 41:32da avicultura. Então, para esse público
- 41:35bastante diverso, qual é a tua mensagem, Luiz?
- 41:39Obrigado. Bom, assim como muita gente em
- 41:42personal trainer, a Beth sempre foi minha personal idol, e ela
- 41:45sabe disso também, de igual forma.
- 41:48Eu queria dizer, já que a gente tratou bastante de nutrição,
- 41:52nutrição é a base de tudo. Então, a partir de nutrição, a
- 41:56gente vai desenvolver um... o desempenho dos animais, vai
- 41:59desenvolver a parte imunológica. Na verdade, quando tu busca, por
- 42:03exemplo, a mortalidade, o que é mortalidade?
- 42:04Isso é uma consequência de uma imunidade.
- 42:07E a imunidade pode estar lá atrás, voltada na parte de
- 42:10nutrição. Então, é um conjunto, né?
- 42:13Nutrição, na verdade, é um conjunto, ou seja, faz parte de
- 42:16um conjunto de várias coisas que estão ao redor.
- 42:21E, principalmente aos estudantes, cada vez se torna
- 42:24mais difícil, talvez, o mercado de trabalho.
- 42:27E eu posso dizer a eles que estudem, não tem outra maneira
- 42:31de fazer. Estudem, dediquem-se enquanto
- 42:33vocês tiverem tempo, agora o máximo que possam, para que
- 42:37amanhã e depois vocês se tornem excelentes profissionais, como
- 42:40tem muitos por aí. Acho que seria isso, Beto.
- 42:45Obrigada, Rutz. Obrigada.
- 42:47Eu considero que você é como o Marco Polo da ciência avícola,
- 42:53porque você anda em muitos lugares, viaja por vários
- 42:56países, levando conhecimento. Enquanto naquela época os
- 43:01mercadores levavam outras coisas, você leva muito
- 43:03conhecimento. E eu agradeço o que você fez
- 43:07pela avicultura, não só do Brasil, mas mundial, trazendo...
- 43:10trazendo muito conhecimento e preparando muitos de nós, né?
- 43:14Estamos hoje aí atuando, muitos nutricionistas foram seus alunos
- 43:19e continuam aí nessa situação. Então, muito obrigada pela tua
- 43:25atuação na agricultura. Obrigado, Beto.
- 43:27Obrigado a todos. Obrigada!
- 43:31E para vocês que ficam, até o próximo episódio do Podcast
- 43:36Aviário. Hoje a gente teve aqui o
- 43:39professor Fernando Mutz falando de vitaminas e suas implicações
- 43:44na produção avícola.