Latest / Surra de Lúpulo / Mitos históricos das cervejas. Papo com Sergio Barra do Profano Graal | Surra #125
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- 0:08IPA, condre anca apresenta. Surra de lúpulo, oi pessoal, bom
- 0:17dia, boa tarde, boa noite, eu sou Ludmilla mais conhecida no
- 0:21exterior. Como vai, Rodrigo?
- 0:24Ele, no programa de hoje, meus amigos, a gente volta no
- 0:28assunto, mito e cervejeiros, mas agora nada de consumo e nada de
- 0:32produção. Agora são mitos históricos
- 0:34históricos, porque vocês imaginam, né?
- 0:37Se tem mito em produção em consumo, imagina histórico
- 0:40aquilo que já foi, porra. Já o rei morreu.
- 0:44A caceta passou, não tem documento?
- 0:46Enfim, vamos lá para nos ajudar, nesta peleja chamamos Sérgio
- 0:51barra, mais conhecido no Instagram, como profano Graal.
- 0:54Ele, que adotou em história cultural sommelier de cerveja
- 0:57com especialização em marketing de cervejas e produz conteúdo na
- 1:01internet para a gente parar de falar besteira por aí.
- 1:05Antes de pedir que o nosso convidado é um alô, a gente tem
- 1:08um prazer de informar que esse programa é oferecido pelos
- 1:11nossos mecenas empresariais, cerveja da casa e cervejaria
- 1:15narcose. Agora sim, certo, dá um alô para
- 1:21a galera salve, salve, nobre. Estamos aí de novo muito tempo,
- 1:25já que eu não apareço aqui No No surra, mas com maior satisfação,
- 1:28voltando aí pra gente falar desses mitos da história da
- 1:32cerveja, que Alegria tê-lo de volta, Sérgio, muito bom e ainda
- 1:37mais para derrubar mitos históricos.
- 1:39Eu sou muito feliz se essa série de derrubar mitos me satisfaz e
- 1:42eu sou o Leandro, mas hoje vocês podem chamar do rei Arthur das
- 1:46bitters. É um mito que já começou com o
- 1:49mito. Aí ohh, tu carta bem poupado é
- 1:56mito. Pum, Isa.
- 1:58Pra começar a derrubar o primeiro mito.
- 1:59Agora, Leandro sai da sala, né? A gente bate esse papo tomando
- 2:06uma cerveja. Eu quero saber, Sérgio, que que
- 2:08você está bebendo por aí? Porque a luz está vindo com o
- 2:11nariz em pé. É, rapaz, eu vou ficar na
- 2:13humildade. Eu tô aqui com uma HD básica,
- 2:15uma Monique reles da HB, base kinha que eu peguei ali no
- 2:19mercado da esquina porque está muito quente, então, pede uma
- 2:22cerveja levinha é que fazia lá guerra do dia a dia.
- 2:24Daí cara, quando a lager do dia a dia é uma gabizinha reles, tá
- 2:29bom demais. E você, lud, bom, eu estou aqui
- 2:33com uma cerveja que é especial. E tem motivação para a galera
- 2:37que quiser comprar, acho que ajuda a galera da cervejaria
- 2:40mito. Eles estão sendo processados,
- 2:43meus amigos. Alguém ficou ofendido com o
- 2:46conteúdo que eles criam na página deles.
- 2:48Não sei por qual motivo eles estão sendo processados e aí os
- 2:52lançar uma Russ imperial stout que estava lá, envelhecendo,
- 2:56esperando o melhor momento chamada well, come to The
- 2:59Machine, que é justamente para poder pagar o advogado.
- 3:02Então eu estou com ela aqui, comprei com eles para poder
- 3:04ajudar a pagar o advogado. Como abrir aqui agora no papo,
- 3:07espera aí. E tal, porra, eu falei, já que é
- 3:11uma rocha Império stout. Eu gostei do nome, não é uma
- 3:14referência. Pink Floyd, muito bom, que tem
- 3:1790 ib, u já que Leandro gosta do ib, UE 13% de abevê outras
- 3:22pessoas gostam dia BB também. Caramba, apesar da raça, vamos
- 3:26servir aqui, ó, no copinho da déb, o Rio de Janeiro hoje no
- 3:30dia da gravação, está fazendo 22°.
- 3:33Ou seja, é possível beber essa cerveja aqui, vou ligar o
- 3:35ar-condicionado também, mas fica a dica para vocês comprarem a
- 3:39cerveja dá um help mito. E você mito, olha mito, mito.
- 3:43A gente nem eu tinha percebido que eu tinha feito isso.
- 3:45Eu não sou mito, sou o resto. Você é um mito porque ele já
- 3:48falou que é porra do herto é um mito, caralho, mas ele é um
- 3:51mito, é não está bom rei mito Arthur, da cbi, ter que que você
- 3:54tá bebendo aí. Eu vou te deixar feliz, amiga,
- 3:59eu estou bebendo ela, a sua preferida, a sua paix.
- 4:03Ham, que você ainda não recebeu essa coroa, mas vai receber, eu
- 4:07tô bebendo a lagunitas Lago bonita.
- 4:11Paga nós, Lavínia, como diria Henrique, é tá merecendo.
- 4:14Já um Patrocínio, Zinho, porra, tem tempo é assim, né?
- 4:17Eita. Nós aí, ó, que fica.
- 4:20A ideia fica no ar, eu vou beber uma lagunitas hoje sair.
- 4:32Bom, esse programa nem começa a se a gente não passar aqui para
- 4:36enaltecer os nossos mecenas, eles que nos ajudam a manter a
- 4:39Independência criativa do surra de lúpulo.
- 4:41Sim, senhores, vamos alguns deles.
- 4:44Luiz Virgílio, Pablo Navarro, Aline Jansen, Rodrigo Moraes,
- 4:48Léo bes, Mateus faca, Bruno Silva, Caíque bossi.
- 4:52Torne-se você também um mecenas do surra de lúpulo.
- 4:55Acesse o site apoia, apontasse a barra surra de lúpulo.
- 4:58E escolha o apoio que cabe no seu bolso.
- 5:09Leandro, conduza essa entrevista mitológica.
- 5:14Vamos começar a derrubar esses mitos.
- 5:17E aí, Sérgio, vamos lá para abrir.
- 5:20A gente quer saber se para produzir as cervejas à
- 5:23humanidade, se sedentarizou. É assim que fala, sim.
- 5:29Processo de sedentarização da humanidade, quando os homens
- 5:32deixam de ser caçadores coletores e passam a ser.
- 5:34Agricultores revolução agrícola a primeira grande revolução da
- 5:39humanidade. Estão certo?
- 5:40Eu estou falando merda, não exatamente.
- 5:42Quer dizer, a controvérsias, como tudo na história, mas sim,
- 5:45pode ser considerada a primeira grande revolução da história.
- 5:49Aliás, durante muito tempo o processo de sedentarização do
- 5:52ser humano foi considerado o ponto de partida da história,
- 5:55né? Antes disso, se considerava
- 5:56pré-história, mas isso é uma outra história.
- 5:59Já caiu esse tipo de interpretação, então é, é, é
- 6:03muito bom começar com essa pergunta.
- 6:05Porque me dá a oportunidade de falar uma coisa que muita gente
- 6:10esquece, que é o fato de que a história é uma ciência humana,
- 6:14OK? Falando assim, pode parecer até
- 6:16óbvio, falar dessa forma, mas o que eu quero dizer com isso?
- 6:20Eu quero dizer que não existe uma resposta só certa.
- 6:24A partir do momento que a noção de verdade em história é
- 6:27diferente da noção de verdade nas ciências exatas, porque a
- 6:30história não é uma ciência experimental, quer dizer, eu não
- 6:33posso voltar no tempo para ver o que realmente aconteceu e dizer,
- 6:36isso é verdade. E logo aquilo é mentira.
- 6:39Você tem certeza que não dá pra voltar no tempo?
- 6:41Vamos falar de De Volta Para o Futuro?
- 6:45Por enquanto, não dá pra voltar no tempo e tenho certeza que
- 6:47isso é o sonho de muito historiador, principalmente a
- 6:49galera que trabalha com tempos bem remotos, mais antigos, com
- 6:53antiguidade, et cetera. Mas por enquanto, não é
- 6:55possível. Ou se é possível que está além
- 6:57das nossas capacidades econômicas, porque eu nunca ouvi
- 7:01falar em nenhuma tecnologia acessível para isso.
- 7:03Então o que que acontece? Algumas, se Thu ações admitem
- 7:07mais de uma interpretação, inclusive, admitem
- 7:10interpretações contraditórias sem que uma esteja
- 7:13necessariamente certa e a outra necessariamente errada.
- 7:16Isso é da natureza das ciências humanas e a natureza da ciência
- 7:20histórica está muito pesado, tá muito teórico, papo está dando
- 7:23para compreender até não. Ele já chegou dando aquele
- 7:27disclaimer que eu não vou falar aqui.
- 7:28Nada é mito, que nada é verdade, porque existem interpretações.
- 7:32É isso que eu tô entendendo, então ele vai falar só pra mim,
- 7:34isso é balela. Mas de acordo com o livro exato,
- 7:38esse profano grau chegou. Vasile, não é?
- 7:41É. E aí ele vai mandar só.
- 7:43De acordo com o livro, de autoria de Maurício de Sousa.
- 7:46Não é mito, é real, ar e, sabe, ele vai mandar uma dessas daqui
- 7:50a pouco. Esse é o segundo ponto da
- 7:52história que o pessoal esquece também.
- 7:54A partir do momento que a história não é uma ciência exata
- 7:57e não é uma ciência experimental, ela é uma ciência
- 8:00mediada por documentos, o que quer dizer que eu só posso
- 8:02afirmar aquilo que está escrito em algum documento e aí não
- 8:05precisa ser um documento de época, pode ser uma
- 8:06interpretação, pode ser um estudo, enfim, pode ser cultura,
- 8:09material, descoberta arqueológica, tudo é documento
- 8:13para o historiador, mas deixando o papo teórico de teoria da
- 8:16história de lado. E falando especificamente dessa
- 8:21questão, existem 2 interpret ações que são diametralmente
- 8:25opostas, uma é de que a humanidade teria se
- 8:27sedentarizados para produzir cerveja e por isso, a cerveja
- 8:31seria responsável pelos maiores avanços da civilização desde a
- 8:33antiguidade. Gosto dessa, confio é e a outra
- 8:38é justamente a interpretação contrária.
- 8:41A ideia de que a produção de cerveja se popularizou só depois
- 8:45que a humanidade se sedentarizou e passou a ter un a sua
- 8:48disposição. Uma maior quantidade de graus
- 8:51que eram usados durante todo o ano, né?
- 8:54Eles eram armazenados, era possível fazer uma é gestam,
- 8:59mais lógica dos graus para que eles durassem o ano todo.
- 9:03Então, a segunda interpretação vai nessa direção, a de que
- 9:06antes da sedentarização, a cerveja e os outros fermentados,
- 9:10o pão também eram um produtos de luxo que só eram produzidos em
- 9:15ocasiões muito especiais. Quando o cara queria, sei lá
- 9:19demonstrar. Poder ou a RAM?
- 9:21Em ocasiões fúnebres religiosas, usada como contato com outras
- 9:27realidades, com realidades transcendentes, porque durante a
- 9:30antiguidade e até mais recentemente, até bem mais
- 9:34recentemente do que a gente imagina o álcool e ele altera o
- 9:38nosso estado de consciência e isso era interpretado como uma
- 9:41forma de entrar em contato com as realidades transcendentes,
- 9:44com as realidades metafísicas. Então, a galera na antiguidade
- 9:48não bebia cerveja porque só queria beber cerveja.
- 9:51Exato. Era um estando bando de bêbado,
- 9:52mas ela cumpria o álcool. Cumprir essa função religiosa,
- 9:55gente, é melhor justificativa. Eu não estou bebendo para ficar
- 9:59bêbada. Eu estou tentando me conectar
- 10:02com outras entidades, num plano diferente do nosso gente, isso é
- 10:05sensacional. Eu já ouvi essa justificativa
- 10:08para alguém que estava fumando a prima da uma prima da maconha.
- 10:11Olha a prima do lúpulo que você queria dizer, prima do lúpulo.
- 10:16Isso é, pois é, e a pessoa que se conecta com a cerveja de 13%,
- 10:20ela está querendo chega rapidamente.
- 10:23Transcendência, mas enfim, vamos lá para você ver como isso não é
- 10:27tão antigo assim, né? Até hoje ainda é uma ideia que
- 10:30está circulando aí exatamente, e é usado.
- 10:33Mas você ainda tem o uso do daime?
- 10:35Você tem o uso de várias substâncias que alteram os
- 10:38estados de consciência como forma de propiciar uma
- 10:42experiência religiosa, de abrir as portas das percepções.
- 10:46Como já diria huxley, né, exatamente exatamente de abrir
- 10:50as portas das percepções agora você ainda não derrubou o mito e
- 10:54nem confirmou o mito. É isso aí que você disse que
- 10:56pode ser um ou pode ser outro assim, por enquanto eu tô indo
- 10:59pro meu caminho mais confortável.
- 11:01Vamos, então, como AA mola motriz.
- 11:04Vamos então como AA provocadora é a questão.
- 11:08Aí é justamente essa, todas as 2 posições tem argumentos muito
- 11:12válidos, histórica em termos de interpretação histórica, o que
- 11:15quer dizer que nenhuma das 2 interpretações, apesar delas
- 11:19serem opostas pelo vértice, digamos assim, elas serem
- 11:22frontalmente contrárias. Nenhuma das 2 interpretações
- 11:24está completamente errada. Pode ser uma coisa, ou pode ser
- 11:27outra, e você não precisa escolher uma das 2.
- 11:30Inclusive você pode ficar com as 2 ao mesmo tempo e dizer que aí,
- 11:34rapaz, pode ser uma coisa ou outra, né?
- 11:37Ele veio aqui para resolver. Leandro não veio aqui, não
- 11:40resolveu não. Ele vê que complicar e aí ele
- 11:42ferra com a gente, concorda? Mas aí eu vou tentar pegar, eu
- 11:45vou tentar pensar o seguinte, vamos então assumir que as 2 são
- 11:48reais para alguns mamíferos ali, aquele germânicos tal ou então,
- 11:52melhor do que o germânicos, né? O pessoal lá do norte da África,
- 11:56sim, a cerveja. Foi a mola motriz para de falar,
- 11:59está na hora de plantar, porque esse negócio de ficar procurando
- 12:02o lúpulo, procurando um mal te dar trabalho ao mesmo tempo?
- 12:05Eles perderam qualidade porque eles deviam beber uma parada
- 12:08fresca num nível surreal, porque assim colheu do pé, tem que
- 12:12fazer, não dá pra armazenar, não dá pra fazer nada, então já vai
- 12:16por esse caminho. E aí os romanos, como sempre
- 12:19eles que começaram lá a fazer as histórias tal que.
- 12:22Não, mas aí os romanos são muito depois, né?
- 12:24Os romanos é muito. Depois ferrou, me deu um nó,
- 12:27sim, já uma antes dos romanos. Nós temos os sumérios, os
- 12:31mesopotâmicos, os egípcios. É exatamente, é muito.
- 12:35Depois a Leandro, se é, foi tentar fazer 11 gancho, isso não
- 12:40é pra gente não, filho, esse programa é vai ser menos gancho.
- 12:46Não, mas olha só o que a galera bebia.
- 12:48A parada mais fresca possível, porque não foi antes da
- 12:51revolução agrícola quem consumiu a revolução agrícola.
- 12:54Bebi o mais fresco possível e se eu estou errado?
- 12:56Não, provavelmente não tinha que colher do pé, mas aí mais um
- 12:59provável ou 71 provavelmente, não é.
- 13:02Eu não 7 não tem como afirmar nada nesse sentido.
- 13:06Está muito longe da gente, pelo amor de Deus, é por isso que a
- 13:08gente precisa de uma máquina do tempo exato, tá certo?
- 13:11Então assim vamos lá, sedentarizou ou não,
- 13:14sedentarizou. Não é a vertente que você é
- 13:16professor, doutor em história. Vai seguir sedentarizou.
- 13:19Não se comprometa, não. Claro como professor de
- 13:23história, eu tenho que dizer que existem as 2 ver tentes e que
- 13:26nenhuma das 2 é completamente errada.
- 13:28Como pesquisador, digamos assim, eu sou mais inclinado.
- 13:32A segunda explicação dada pelos textos de etnobotânica de
- 13:37arqueologia, que eu já li, eu estou mais inclinado a acreditar
- 13:40que a popularização do consumo de cerveja ela só se dá a partir
- 13:45do momento que você tem. Uma quantidade de grão
- 13:48disponível suficiente para manter esse consumo, ou seja,
- 13:52precisa ter agricultura exatamente.
- 13:55Não dá para fazer isso viajando exatamente, é.
- 13:58Agora. É engraçado falar em
- 14:00sedentarizar, porque para mim na minha vida sedentarizar foi
- 14:03quando teve o controle remoto, né?
- 14:07Para de levantar, até pra virar o canal da televisão.
- 14:11Mas enfim, cara, sedentarizar num trabalho que era abração pra
- 14:14caceta que era agricultura, né? Sedentárias, você tá falando que
- 14:18é tipo, parou de caçar, parou de sair por aí viajando nos Campos
- 14:21verdejantes, matando uma multi, cortando tudo pela barriga dele
- 14:26e tal, não sei o quê. Vamos parar no lugar e vamos
- 14:27criar uma cidade. Não, não parou de caçar, parou
- 14:30de se deslocar de tempos em tempos, porque o que existe até
- 14:34a sedentarização são abrigos temporários, todas essas
- 14:37cavernas onde a gente encontra. Pinturas rupestres e vestígios
- 14:41de produção de fogueira e de produção de comida de alimento
- 14:45são abrigos temporários. Então, para se fixar em abrigos
- 14:50temporários e você, isso começa a criar povoado e cidades que
- 14:55futuramente darão origem à civiliza ções.
- 14:58Entendi maravilhoso o conceito de sedentarizar obviamente é
- 15:01diferente do nome controle. Vai mudando, né?
- 15:05Mas, de toda forma, tem a ver com a pessoa ficar mais parada
- 15:08no lugar, no caso agora eu fico mais parada no meu sofá,
- 15:10apertando o controle. Sair de levantar e ir até a TV
- 15:14mudar a. Você ainda vê TV como os
- 15:17fenícios? Como?
- 15:20E aí, ferrou, ferrou, ferrou. E rapaz, está falando Sério.
- 15:26Putz, cara. Errou, bateu a cerveja dele lá
- 15:32em HB dele, bateu em Karachi, vai.
- 15:34Ele conectou agora com a cleópatra.
- 15:36Calma, bom, mas diria que vocês não viram esse meme que passou
- 15:39aí essa semana na internet. Leandro, ó você que é o rei do
- 15:42meme aí, cara, fodeu, não estava sintonizado, perderam meme.
- 15:47O marcelão publicou isso, meme há não sei, eu não sigo ele, se
- 15:51não eu não vi o Marcelo é meu curador.
- 15:56Os jovens da geração z tá falando à quando você faz alguma
- 15:59coisa que é muito antiga, muito antiga, quer dizer, de 20 anos
- 16:02atrás para eles, né, tá OK? Eles fala, você ainda faz isso,
- 16:05como faziam os fenícios? E é pois é, gente, um filho meu
- 16:09falar uma coisa dessas é capaz de ter problema em casa.
- 16:12Vamos ter 30. Bom, você está preparado então
- 16:15para ter treta em casa então, né, então tá.
- 16:19Bom, vamos dar um prêmio para esse papo aqui.
- 16:21Eu estou vendo televisão, igual os fenícios e já a sedentarizar
- 16:25também, porque eu troco de canal no controle, por isso é bebi
- 16:28tanta cerveja também para conectar com os ancestrais, os
- 16:31transcendentais. Enfim, os extraterrestres, por
- 16:34causa da sedentarização a meu Deus.
- 16:38Vamos então para pegar a mão no código de hamurabi, o código de
- 16:42hamurabi manda afogar o mal cervejeiro na sua própria servi,
- 16:46cara que foi te falar, se for assim, tem 11.
- 16:49Situação que aconteceu de estuporar, uma parada em Londres
- 16:53que não dou. A cervejaria que derrubou as
- 16:55barricas. Será que foi por isso?
- 16:57Jesus, será que essa merda deu na cervejaria?
- 17:00Porque a cerveja era ruim, e aí, porra, afogou 8 pessoas.
- 17:04Vamos fazer esse paralelo, vai, Sérgio.
- 17:06Quero ver agora, segura essa peba, vai, você acha que
- 17:08dependendo da resposta vou restituir o código de hamurabi?
- 17:12Tá, vocês não dizem que eu sou vaselina?
- 17:14E isso é um mito. Oi, que merda que já começa
- 17:18afirmando peremptoriamente que isso é um mito?
- 17:22Isso é uma afirmação muito repetida e em aulas de história
- 17:25da cerveja que a gente encontra pela internet nos cursinhos,
- 17:30tenho certeza que qualquer pessoa que já fez um curso, seja
- 17:32de sommelier, seja de introdução à degustação de cerveja, ouviu a
- 17:36na aula sobre história da cerveja, ouviu essa conversa,
- 17:38ouviu essa afirmação de que o código de hamurabi, um código de
- 17:41hamurabi, foi escrito pelos babilônios, pelo rei hamurabi,
- 17:44hurum, no século 18 antes de Cristo.
- 17:47Que é considerado um dos mais antigos conjuntos de lei da
- 17:50humanidade, o código de hamurabi é aquele código que estabelece o
- 17:53que depois viria a ser conhecido como a lei de talião, olho por
- 17:56olho, dente por dente e tipo, ace, você feriu um homem livre e
- 18:02o cegou. Você também vai ser cego?
- 18:04O código fala expressamente isso, a penalidade expressamente
- 18:08essa, e no caso da cerveja, não existe no código de hamurabi
- 18:13nenhum. O código de hamurabi é composto
- 18:15por 181 parágrafos. Tá, ele está aberto aqui na
- 18:18minha frente, inclusive por 181 parágrafo.
- 18:21Não existe um parágrafo sequer que fale de cerveja no código de
- 18:25hamurabi, o que é um absurdo, é porque todo mundo sabe que se
- 18:28você trouxe Itaipava pro churrasco, você tem que se
- 18:31afogar na sua Itaipava Itaipava por Itaipava, Heineken pro
- 18:36Heineken. É simples assim.
- 18:39É um novo olho por olho, dente por dente.
- 18:41É muito bom aí, mas antes que as pessoas comecem a pular na
- 18:44cadeira, existem 4 parágrafos falando sobre tavernas, onde
- 18:50obviamente se produz cerveja e no primeiro desses parágrafos,
- 18:55que é o do parágrafo 108 ao 111, no primeiro desses parágrafos,
- 18:59existe a pena de afogamento para a taverneira.
- 19:03A Taverna geralmente era um estabelecimento comandado por
- 19:06mulheres, que era a mulher também, que fazia a cerveja
- 19:10hurum. Existe uma penalidade para a
- 19:13taberneira que vem. Desse a cerveja por um preço
- 19:16maior do que ela, avalia isso, objetivo isso em em vamos deixar
- 19:22o cara continuar calma aí. Vamos lá, Ham.
- 19:24Os preços eram sempre mais ou menos tabelados e eles eram
- 19:28tabelados em graus, inclusive o preço.
- 19:30Ele está estabelecido em grãos de cevada, né?
- 19:33Depois a gente pode até falar porque a gente pode até explorar
- 19:35porque, mas se a taberneira cobrasse pela cerveja um preço
- 19:40maior do que ela valia, ela era condenada à morte por
- 19:43afogamento. Mas não por afogamento na
- 19:46cerveja. A morte por afogamento aparece
- 19:49também em outros parágrafos do código.
- 19:52Em outros pontos do código. Então era uma penalidade comum,
- 19:56uma penalidade comumente aplicada para vários crimes
- 19:59diferentes, inclusive para pressões extorsivos de cerveja.
- 20:04Cara, hamurabi era um sádico. Bizarro, né?
- 20:07Mas vamos lá, vou fazer uma observação, gente aqui, olha,
- 20:09vejam como o patriarcado vem ferrar com a vida da mulher
- 20:14desde sempre. Porque se fosse o taverneiro,
- 20:19talvez ele não fosse julgado dessa maneira, mas como quem
- 20:22fazia a Praga da cerveja era a mulher na Taverna, vamos afogar
- 20:26essa filha da mãe que está tentando crescer mais, que está
- 20:29tentando vender um pouquinho melhor, porque ela deve ser mãe
- 20:32solo que aí o filho da puta meteu o pé, largou ela com uma
- 20:37curiosa Bacuri a sobrou para ela.
- 20:39Ainda foi afogada. Enfim, fica aqui é o meu
- 20:42disclaimer, é feminista. Isso porque na época do hamurabi
- 20:45não tinha o tal do storytelling, então sabe que o storytelling
- 20:48aumenta o preço em 20%. Verdade, então tem cachorro
- 20:51storyteller ali, tu cobra mais caro por a gente.
- 20:56Devia ter uma pena por storytelling.
- 20:58Também não é possível, né? Ver ter uma pena por history
- 21:01tela. Tem a comentar sobre uma coisa
- 21:12que eu acho que é muito legal a gente falando do Brasil 20 e 22.
- 21:15Inflação deflação se a falar do grão do malte, né?
- 21:20Para efeito de mensuração do preço sim, acho que era legal a
- 21:23gente falar sobre isso, é muito interessante.
- 21:25Oo malte ele servia a cevada, na verdade não malte, porque nem
- 21:29sempre era a malte, Ada a não era 100% malte.
- 21:35Parei, parei, morri afogada, porque não vendia puro malte.
- 21:43A cevada servia como parâmetro do preço da cerveja porque é
- 21:49justamente o insumo utilizado para a fabricação da cerveja,
- 21:53porque os outros insumos? Bom, não existia lúpulo.
- 21:56Os outros insumos são a água, a levedura.
- 21:58Ninguém sabia o que a levedura e vai continuar sem saber o que é
- 22:01a levedura. Até o século 19, né?
- 22:03Até ontem, historicamente, falando então observada, era o
- 22:06insumo, né? O cereal era o insumo principal
- 22:08na produção da cerveja, então a quantidade de cereal.
- 22:13Utilizado era que servia como parâmetro para o preço da
- 22:17cerveja e muitas vezes a pessoa pagava a cerveja em serial
- 22:22porque, porque o cereal é a possibilidade, o pagamento em
- 22:26serial é a possibilidade da reprodução da cerveja, ou seja,
- 22:30da continuidade da produção da cerveja.
- 22:33E aí, fazendo um gancho para o Egito que muita gente fala, não
- 22:37é um mito, né? Muita gente fala aos
- 22:38trabalhadores das pirâmides no Egito, eles eram pagos.
- 22:41Uma parte do seu salário era pago em cerveja.
- 22:44Aí a galera é, faz aquele anacronismo de achar que os
- 22:47trabalhadores trabalhavam bêbado, egipcio era tudo
- 22:50alcoólatra, os caras só podia estar bêbado, meio para
- 22:52construir a pirâmide, essa empilhando o tempo, né?
- 22:55Aí a galera gosta de fazer essas piadinhas anacrônica, mas por
- 22:59que os caras eram pagos em cerveja?
- 23:01Porque cerveja é alimento, a cerveja é a condição da
- 23:05reprodução da força de trabalho do trabalhador, da pirâmide.
- 23:08Quer dizer, ele só pode continuar construindo pirâmide
- 23:11se ele tiver de barriga cheia, se ele tiver vivo, rua E.
- 23:15Se ele tiver forças para isso. Por isso a cerveja e o cereal,
- 23:19eles servem como parâmetro, seja de pagamento, seja de pagamento
- 23:23da cerveja, seja de pagamento de salário, de trabalho.
- 23:25Eu acho que a globalização nos ferrou, que a gente trocou o
- 23:28índice malte pelo índice Big Mac como parâmetro econômico global,
- 23:33a gente podia seguir. Voltar para o índice malte ia
- 23:36ser muito mais legal, muito mais interessante.
- 23:38Bom, mas vamos pegar por aí que você falou do alimento e vamos
- 23:41trabalhar o terceiro mito, que envolve a idade média, a idade
- 23:47das trevas, a idade média, não. Não são coisas diferentes, não
- 23:52segue, segue, é aí, manda falar com o especialista que todos os
- 23:56teus conhecimentos básicos são jogados no lixo.
- 24:00Olha só, primeiro vou pegar um mito depois que me ajuda nessa
- 24:02idade média de idade das trevas, mas é só na idade média.
- 24:05As pessoas que consumiam muita cerveja porque não tinham água
- 24:09potável, era escasso à água potável.
- 24:11Isso é mito ou é verdade? Todo mundo já ouviu essa
- 24:14conversa, já com certeza já li, inclusive ficando de alheira em
- 24:18algum lugar. Eu já fiz uma live sobre esse
- 24:20tema, eu já escrevi um texto sobre esse tema, inclusive
- 24:24publicado no guia da cerveja, isso é o que Oo Martim Cornell
- 24:30chama de o mito medieval da água.
- 24:33É a ideia de que, nos núcleos urbanos medievais, a água não
- 24:38era potável. Água era podre, porque, enfim,
- 24:40era uma água de poço que se cavava.
- 24:43O poço perto de onde os se criavam, os porcos.
- 24:46Não sei o que e tudo isso ajuda a criar a ideia da idade média
- 24:51como um período de pouca higiene, né?
- 24:54De pouca preocupação com a higiene e tal, o que toda vez
- 24:57que você fala já falando da questão da idade, das trevas,
- 25:00né? Toda vez você fala que a idade
- 25:01média é uma época de pouca preocupação com a higiene.
- 25:04Ou é uma idade das trevas, por falta de ciência, ela, um
- 25:08medievalista, se revira no túmulo, né?
- 25:11Os os mortos. Desculpa, eu nunca mais faço
- 25:15isso porque as pesquisas mostram justamente o contrário.
- 25:19Inclusive tem 11. Autor, um medievalista francês,
- 25:21que inclusive foi estudar os banhos na idade média, Claro,
- 25:24vamos pensar que até hoje o europeu não toma banho como
- 25:27brasileiro. A primeira coisa que a gente tem
- 25:28que fazer é se descolar dos nossos padrões.
- 25:31Claro, uma coisa é a gente que é índio e que toma banho todo dia,
- 25:3523 vezes por dia. Outra coisa, o europeu, que é o
- 25:38europeu que toma banho uma vez a cada 3 dias, inclusive no verão,
- 25:42o que torna o cheiro no transporte público.
- 25:45O negócio às vezes não tanto quanto em suportar.
- 25:46Mas, enfim, isso é uma outra conversa.
- 25:49O que acontece é que não existe nenhuma documentação histórica
- 25:53que diga que não se consumia água na idade média e se
- 25:57consumir a cerveja no lugar porque não existia água potável
- 26:01nas cidades, nos núcleos urbanos e existe uma infinidade de
- 26:07documentos que afirmam justamente o contrário, que uma
- 26:09das principais preocupações das administrações municipais é
- 26:13justamente com o abastecimento de água potável, por um motivo
- 26:16muito simples, a água é um bem essencial, a vida você não fica
- 26:20assim sem beber água. O próprio Martin porno escreveu
- 26:22um texto. Ele falou, gente, é assim?
- 26:25A água foi desde a antiguidade a bebida mais consumida do mundo.
- 26:29Não só porque ele é essencial a vida, mas porque ela é grátis.
- 26:32Ela é de graça todo sentido e você vê que qualquer cidade,
- 26:36qualquer grande cidade europeia, tem um Rio que passa no meio,
- 26:41porque os rios foram fundamentais para o próprio
- 26:45desenvolvimento da cidade, com o comércio e, et cetera, comércio
- 26:49marítimo, né? Ou o comércio fluvial, et
- 26:51cetera. Então, a primeira equação desse
- 26:54mito já está desmontada, a ideia de que não existe água potável.
- 26:58O que acontece é que o consumo de água potável não aparece nos
- 27:01documentos simplesmente porque não tem o que documentar.
- 27:03A água era grátis. Não tenho que documentar sobre o
- 27:05consumo de água potável. Tenho que documentar, por
- 27:08exemplo, as obras de construção de tanques de construção de
- 27:12Fontes de construção, de aquedutos.
- 27:15Isso tudo está muito bem documentado, pelo menos a partir
- 27:17do século 12. Mais ou menos.
- 27:19Isso está muito bem documentado, mas também não é errado dizer.
- 27:23Será que consumiam mais cerveja do que água ou tanta cerveja
- 27:27quanto água? Não sei se essa pergunta é ficar
- 27:29melhor. Aí nós temos a segunda equação
- 27:31desse mito que a ideia se consumia realmente muito mais
- 27:34cerveja, na idade média do que se consome hoje, e o próprio
- 27:38Martin corneou recentemente publicou um texto sobre isso,
- 27:41mostrando que a gente tem pouquíssimos documentos que
- 27:44atestam com segurança quanto um camponês consumia de cerveja
- 27:49diariamente, notadamente, a gente tem um documento da
- 27:53catedral de São Paulo em Londres que diz que um homem, nenhum
- 27:56camponês, um homem podia chegar a conta.
- 27:58Mir 4 l e meio de cerveja por dia, coisa linda de mãe pai.
- 28:04Esse é o documento mais popular, é o documento mais conhecido,
- 28:07mas não existem outros documentos que reforcem essa
- 28:10ideia. Por outro lado, o que que o
- 28:12Martim cornel fez? Ele se apoiou em pesquisadores
- 28:14da economia, da história econômica da Europa que dizem
- 28:17que a Europa não produziria grão suficiente para sustentar um
- 28:22consumo como esse, que provavelmente esse consumo é que
- 28:25está nesse documento. É algo muito extraordinário
- 28:28porque não tem grão suficiente para assegurar um consumo de 4 l
- 28:32e meio por pessoa durante. Anos sem a matemática inversa,
- 28:36prova uma outra coisa, né? Ou melhor, contesta esses
- 28:40documentos exatamente. Então, o segundo ELO dessa
- 28:43corrente é a ideia de que se consumia muito mais cerveja na
- 28:46idade média do que se consumiu hoje.
- 28:47E isso não está comprovado, não se consumia muito mais cerveja
- 28:51do que se consome hoje, muito provavelmente, se consumir até
- 28:54menos cerveja do que se consome hoje, né?
- 28:56Porque a cerveja também era um produto mais difícil de achar,
- 29:00porque a produção ela está localizada em 2 lugares dos
- 29:03monastérios e os monastérios. Nesse momento eles não vendem
- 29:06cerveja. Os monges, eles produzem cerveja
- 29:08para eles e para aqueles que se hospedam nos monastérios e na
- 29:12produção particular das famílias que produzem cerveja, seja para
- 29:15o seu consumo próprio e vender o seu excedente, seja a partir do
- 29:19século 14, principalmente depois da peste negra, seja para vender
- 29:22em feiras, né? Uma coisa mais profissional.
- 29:26Mas aí, a partir do século 14, nós já estamos falando do final
- 29:28da idade média, já quase chegando na idade Moderna,
- 29:31quando o se torna mais profissional e menos caseira, a
- 29:35produção de cerveja. Entendi então, se o cara não
- 29:37está bebendo cerveja na idade média, ele está bebendo o quê?
- 29:40Ele está bebendo cerveja, obviamente, OK, mas não tanto
- 29:44quanto aquilo que a gente está pensando.
- 29:46Ele bebe vinho misturado com água, inclusive para que o vinho
- 29:48renda a mais e para que ele seja mais fraco, porque o vinho ele é
- 29:53alcoolicamente muito mais significativo, muito mais
- 29:56importante do que a cerveja que ele bebia.
- 29:58Água fundamentalmente, é isso que o Martin khor não fala.
- 30:01A água é a forma primeira de ingês, tão de líquido durante
- 30:06toda a história, então não tinha capacidade de produzir tanta
- 30:08cerveja, por isso não se consumia tanto a cerveja quanto
- 30:11se pensa. O terceiro ponto é se os homens
- 30:14na idade média tinham uma preferência por cerveja, é
- 30:17exatamente pelo mesmo motivo que nós temos uma preferência por
- 30:20cerveja hoje, não é sempre que a gente quer beber água.
- 30:23Às vezes a gente quer beber alguma coisa mais gostosa,
- 30:25alguma coisa alcoólica, alguma coisa, enfim, diferente.
- 30:29Por isso se bebe cerveja. Como se bebe vinho?
- 30:31Entendi, mas aí tem 2 pontos que me fazem pensar que um que você
- 30:35já provocou e eu acho que trouxe uma resposta que já se resolve
- 30:39esse mito 100% que é como é que vai se formar uma cidade, vai se
- 30:43agrupar se não tem fonte básica, né?
- 30:45A água. E sem ela, geral morre sem
- 30:49comida, até dá para viver um pouco agora, sem água não dá.
- 30:52Então não dá para formar uma comunidade sem que você possa
- 30:56usar água para beber. E, assim como para cultivar,
- 30:59exato para plantar agricultura que a gente já falou e tudo
- 31:02mais, e a outra é, eu errei isso e nunca mais.
- 31:05Eu nunca mais vou confundir idade média com a idade das
- 31:09trevas do Fla que eu entendi pelo que você me falou e toda a
- 31:12idade das trevas estava na idade média, mas nem toda idade média
- 31:15está na idade das trevas, né? Não vou melhorar para você.
- 31:18Por favor, não existe idade das trevas.
- 31:21Há não existe essa história de idade das nenhuma idade.
- 31:25Foi idade das trevas. É, mas é tão legal.
- 31:30Olha ele querendo criar um mito. O problema é esse, por que que
- 31:34os mitos se criam justamente porque a galera aposta primeiro
- 31:36na piada e depois na história. Pô, mas não é piada, é muito
- 31:39mais interessante. Vamos estudar a idade das
- 31:41trevas. Muita chuva está em idade média,
- 31:44amor é só um pelos diferentes. Que idade média aquela idade
- 31:47mediana media o que eu entendi, a galera fica porra, vamos falar
- 31:51que é treva, vamos falar que teve a da net, eles com dragoes
- 31:55para exatamente muito mais legal porra você acabou de descobrir
- 32:00por que que se chama a idade média?
- 32:02É a mesma galera que falou que era idade média, porque médio
- 32:05não é nada médio, é aquilo. Está entre um ponto e outro, a
- 32:08mesma galera que denominou aquele período histórico.
- 32:11Idade média foi a mesma galera que espalhou a ideia de que era
- 32:15uma idade das trevas porque era uma idade de domínio da religião
- 32:18sem Progresso da ciência. Então tá tudo errado.
- 32:22Basicamente, sim, ela vai falando até baixa, então tá tudo
- 32:26errado. Mas aí o que me faz pensar é no
- 32:31Império Romano, meio que se diminuiu muito o consumo de
- 32:34cerveja, porque o Império Romano aderiu ali pela nobreza romana
- 32:39ou vinho, tal Pará era muito mais popular.
- 32:42O vinho. Erros básicos e por isso que
- 32:44tiveram as invasões bárbaras. Eu acho que esse é um motivo
- 32:47muito mais justificável do que qualquer outra historinha que
- 32:50veio te contar é, esses caras tá acabando com a cerveja, vamos
- 32:53matar geral e aí mata geral, posso fazer uma outra
- 32:56observação, não existem invasões bárbaras.
- 33:00Meu Deus. Jesus, como assim meu mundo
- 33:09caiu? Acabou.
- 33:12Leandro saiu da sala. Mas assim era velho.
- 33:17Depois de toda essa onda do vinho do Império Romano, veio
- 33:19idade média ainda. Tá confundindo noite depois do
- 33:24Império Romano, vem a idade média?
- 33:25Com certeza não foi brigado, então aí não era mais natural.
- 33:31Eles continuarem o hábito do vinho ou aí, mas continuaram a
- 33:34bebida da nobreza durante toda a idade média.
- 33:36O vinho que que aparece nas séries, nos filmes de idade
- 33:40média, a galera que só está assim é de vinho, é a bebida da
- 33:43nobreza, sempre foi o vinho durante toda a idade média, até
- 33:46porque o vinho a nesse momento na idade média, ele tem uma
- 33:49conotação religiosa, é o sangue de Cristo.
- 33:52A RAM é a bebida consagrada, a bebida sagrada.
- 33:55E se a cerveja tivesse sido chope de vinho?
- 33:57A gente não estava nessa situação.
- 34:02Acontece que a cerveja nunca foi popular no sul da Europa porque
- 34:05o sul da Europa não produzia grão.
- 34:07Se o sul da Europa produzia uvas, produz ainda hoje não
- 34:09entendi as grandes. Nas ações, vinícolas são a
- 34:12Itália, Portugal ou quali da França e a cerveja é produzida
- 34:16mais para cima, né? Alemanha, Holanda, Inglaterra,
- 34:19Bélgica. Então não tem essa de visão.
- 34:21Entre países mais interessantes, inclusive, inclusive, eu acho
- 34:24também tem essa diferença tirando Portugal, que eu adoro.
- 34:28Tem essa diferença entre norte e sul da Europa até hoje.
- 34:31Din, ações produtoras de cerveja, nações, produtoras de
- 34:34vinho. Então Império Romano nunca foi
- 34:35um grande consumidor de cerveja, a cerveja.
- 34:38Ela se populariza com as migrações germânicas, que não
- 34:43são invasões bárbaras. Maravilhoso, destruiu um
- 34:47capítulo maravilhoso que eu tinha na cabeça, que era um
- 34:49bando de germânicos invadindo Roma e fala, acabou essa
- 34:53palhaçada, saco. Só que falando isso em alemão,
- 34:56que é mais ou menos raiz. Game boy, acabou essa palhaçada
- 35:00as atas. Harden 2.
- 35:04Só deixa eu terminar esse tópico com uma provocação, porque a
- 35:08galera que fica repetindo essa conversa de que se bebia cerveja
- 35:11porque não tinha água potável, parece que nunca fez cerveja na
- 35:14vida ou parece que não entende nada de cerveja, o que não é
- 35:16verdade, porque tem muita galera boa que reproduz isso, porque
- 35:20até hoje se sabe que se a água não é boa para beber, ela também
- 35:23não é boa para produzir cerveja, não se produz cerveja com água
- 35:27que não é potável até hoje. Imagina na idade média quando
- 35:30não havia toda a tecnologia de tratamento da água que existe
- 35:34hoje. Parar é simples assim, então
- 35:37você não pega água e dar uma fer vidinha, eu OPA, boa para
- 35:41produzir cerveja? Não, gente, eu vou pra beber
- 35:43simples assim. Perfeito agora ser lacrou.
- 35:46E olha que quem lacra não lucra assim.
- 35:49Tem que por aí, atuando, provado que o lucro assim professor de
- 35:52história, não lucra nem sei lacrar de jeito nenhum.
- 35:55É isso aí a não tá certo? Bom, vamos lá pra gente agora
- 35:59que já falou de invasão Bárbara, que não é mais invasão Bárbara,
- 36:02invasão germânica que chegou lá gritando ribot.
- 36:05Vamos ver ai resga but é uma lei que trata de segurança
- 36:10alimentar, poderíamos dizer assim, mito ou verdade?
- 36:13Isso também é outra afirmação muito reproduzida é reproduzida.
- 36:17Eu fiquei sabendo recentemente também nos cursos de culinária,
- 36:19nos cursos universitários de culinária.
- 36:21Essa afirmação também é reproduzida?
- 36:23Eles falam um pouco de de bebidas de cerveja, mas quando
- 36:26eles falam eles falam da AIG que eles falam merda, eu, eu, eu não
- 36:31afirmei isso. Não fui eu que falei isso.
- 36:35Que fique Claro os Arrais reboot, ela pode ser
- 36:38interpretada como uma lei de segurança alimentar.
- 36:42Pode ser interpretada, mas por que que eu o particularmente
- 36:47acredito que essa interpretação está incorreta.
- 36:50Primeiro, porque se você pegar o texto da lei, quer dizer o texto
- 36:53da lei que a gente conhece hoje, que eu também já li por aí que o
- 36:55texto da lei que se você dá um Heidegger boi, dá uma golada aí
- 36:59e procurar high boots, vai, vim um textinho pra você.
- 37:02Esse é o texto que a gente conhece hoje.
- 37:04Eu já ouvi lhe pessoas falando de que esse texto é um pedaço de
- 37:09uma lei maior, mas ninguém nunca conseguiu me indicar que lei
- 37:12maior é essa, onde é que ela tá? Nunca encontrei.
- 37:14Então, esse é o texto que a gente tem da right desse texto.
- 37:18Eu diria que 30%, olhando graficamente pelo tamanho do
- 37:23texto, eu diria que uns 30% desse texto, ao menos, talvez
- 37:27uns 25% desse texto falam sobre os ingredientes da cerveja, né?
- 37:32Que a cerveja deve ser feita com cevada, lúpulo e água somente.
- 37:36E é justamente nesses 3025 por cento desse texto que as pessoas
- 37:40que falam sobre lei de segurança alimentar se apegam quando, na
- 37:44verdade, todo o resto da lei fala sobre preços e multas para
- 37:48a produção de cerveja. Então ela não é uma lei sobre
- 37:52segurança alimentar, ela é uma lei sobre preços e multas.
- 37:56Ela é uma lei econômica, é uma modernização da namorada.
- 38:00É mais ou menos, é uma lei que estabelece quanto deve ser
- 38:06cobrado por certa quantidade de cerveja em determinado período
- 38:10do ano. Qual a multa estabelecida para
- 38:12quem não cobra isso? E lá num pequeno parágrafo, eles
- 38:15falam, há e tem o seguinte, também tem que ser produzida só
- 38:18com lúpulo, cevada e água, falou.
- 38:19É isso segundo ponto. Esse tópico específico da lei
- 38:23não é uma novidade esse tópico, então ela também não é a
- 38:26primeira lei de segurança alimentar da história.
- 38:29Como já ouvi gente falando, tá nesse tópico específico.
- 38:33Arraes cabotia seja a lei de 1516 que só vai vim a ganhar
- 38:37esse nome inclusive no século 20, tá?
- 38:39Mas isso é uma outra história. Nesse tópico específico, ela só
- 38:42reproduz o que já estava em voga no ducado da Baviera.
- 38:45Era antes. Você tem uma lei de 1447 do
- 38:49conselho municipal de Munique, 1447 tá?
- 38:53A gente tá falando de 60 anos antes, tá uns 80 anos antes e
- 38:57tem uma lei do conselho municipal de Munique que já
- 39:00estabelecia os ingredientes obrigatórios para a produção de
- 39:03cerveja, que é a água, cevada e lúpulo.
- 39:06E você tem uma lei de 1487 que torna obrigatória em e Munique
- 39:12por todas as cervejarias de Munique.
- 39:14Essa lei quer dizer, a lei de 1447.
- 39:17Ela faz uma sug, estão, digamos assim.
- 39:19E a lei de 1487 torna obrigatória o uso desses 3
- 39:23ingredientes e a lei de 1516, finalmente ela só estende essa
- 39:28lei de Munique para o ducado da Baviera.
- 39:31E veja bem, é só para o ducado da Baviera, tá?
- 39:34Não é para Alemanha toda, porque a Alemanha não existe em 1516.
- 39:38Tá quente quanto o prazer eu ouço na voz do Sérgio, falando
- 39:42certas coisas. Porque não existia Alemanha em
- 39:471500 e blá blá blá, porque quanto prazer?
- 39:50Olha só os meus amigos, porque eu já ouvi também o povo falando
- 39:54umas bobagens, assim, dizendo que há não continuou se
- 39:57produzir, vai subir durante a vigência da lei, não vai ir como
- 40:01vocês sabem, né? Usa 50% de malte de trigo e não
- 40:06de cevada. Porém, a lei é até o uso do
- 40:09malte, trigo, então como é que você conjuga essas 2
- 40:11informações? Então, a pessoa conjuga essas
- 40:13informações dizendo que a lei valia para toda a Alemanha,
- 40:15menos para Baviera. Porque é uma grande burrice,
- 40:19porque a lei do duque da Baviera só pode valer na Baviera, então
- 40:23com com esse programa, o Sérgio acabou com o history telling de
- 40:26uma porrada de curso de sommelier, vai, já era.
- 40:29Já era uma porrada de pulso de introdução a cerveja.
- 40:33E ele está aqui. Ele não anunciou ainda nem pra
- 40:36gente, mas ele está aqui para lançar o curso dele.
- 40:40Sobre o que você precisa saber a dura verdade da cerveja.
- 40:44Proto servir bem para servir sempre.
- 40:47Amém. Você falou uma parada que até
- 40:50queria puxar. Aqui é a Europa toda era
- 40:52fragmentada nesse século 16, século 15.
- 40:55Na Itália existia. Acho que ainda não, né não?
- 40:57A Itália existe no século XIX, a unificação da Itália 1871.
- 41:01Aí tá vendo? Passei nessa prova mesmo foi de
- 41:03verdade esse passado de prova que eu te vi.
- 41:05Sabia que no século XVI não estava lá, Itália era toda
- 41:08fragmentada. Maquiavel escreveu aquele
- 41:10negocinho dele lá do chamado é o princípio lá pra falar de vários
- 41:14principados mesmo. Tal Alemanha vivia um cenário
- 41:17similar, que era todo fragmentado, né?
- 41:19Antes de ser unificado, então, as leis eram localizadas, tá
- 41:23bom? A gente já entendeu que você
- 41:24sabia você fale, não, mas eu tô aproveitando o professor para
- 41:27tirar dúvidas que ele já me provou que eu aprendi muita
- 41:29coisa errada na vida, então você não perder essa oportunidade eu
- 41:32vou repetir merda, entendeu? Então, assim, ainda falando de
- 41:46leis para a gente poder encerrar essa parte do programa que é
- 41:51para quem não é nosso mecenas, quem for nosso mecenas ainda tem
- 41:54mais um mito histórico derrubado que a gente achou lá no começo
- 41:58que seria na base da vaselina. Mas o Sérgio mostrou aqui não
- 42:02tem nada de vaselina, não. Ele veio para cá com raiva,
- 42:05rancor e mágoa. O que eu gostei muito sangue no
- 42:09olho. Vamos tratar da lei seca nos
- 42:11Estados Unidos e eu tô com medo de fazer essa pergunta porque
- 42:15sempre eu tinha uma coisa que era muito verdade na minha
- 42:18cabeça. Vamos ver se ela é mito ou não.
- 42:19A lei seca dos Estados Unidos, que aconteceu ali entre 1920 e
- 42:231933, foi responsável ou não pelo domínio mundial do mercado
- 42:30de cerveja pelas American le gars lazer, para para não fala
- 42:35nada, ainda que isso aqui é meio João Kléber.
- 42:43Calma, calma. Vamos deixar o set de molhar o
- 42:48bico. Pronto.
- 42:49Sérgio molhou o bico. Agora você pode responder com
- 42:52calma, e aí, mito. A verdade é essa.
- 42:55Eu vou fazer didaticamente como eu faço em sala de aula.
- 42:59Gente, eu tô com medo, essa eu vou deixar vocês responderem.
- 43:03Não, aham. Nossa.
- 43:07Eu vou dar só os elementos, vou dar só os elementos e vocês
- 43:11respondem, tá bom? Eu já falo, a lei seca, ela é,
- 43:14tem uma vigência de 13 anos, entre 1920 e 1933.
- 43:18Primeiro ponto, a lei seca é exclusiva dos Estados Unidos.
- 43:21Tá perfeito? A lei seca não se expandiu para
- 43:24o México nem para o Canadá, quem dirá para Bélgica, OPA, alemães.
- 43:28Discute-se se chegou no Alasca, hã?
- 43:30É. Aí eu acho que é tipo Rio de
- 43:33Janeiro aqui, não pegou essa lei aqui não pegou.
- 43:36É então a primeira pergunta que eu faço é, como que uma lei que
- 43:41é vigente nos Estados Unidos somente durante um período de 13
- 43:45anos, que, historicamente equivale a nada, né?
- 43:4813 anos historicamente que valia nada urun pode ser responsável
- 43:52pelo domínio mundial da American lager no mercado de cerveja.
- 43:56Essa é a pergunta que eu deixo, mas eu vou trazer mais elementos
- 44:01para esse debate, para que a gente possa responder.
- 44:03Veja bem, essa pergunta pode parecer sem fundamento, mas mais
- 44:06uma vez é uma coisa muito repetida aí que eu vejo em aulas
- 44:10de história da cerveja em cursos et cetera, que é uma explicação.
- 44:14Assim, uma explicação veloz para o domínio das Américas, lags no
- 44:18mercado de cerveja ao longo do século 20, o domínio das
- 44:21American lager no mercado de cerveja ao longo do século 20 é
- 44:23um fato. Não estou contestando esse fato.
- 44:25Antes que alguém venha dizer que eu estou inventando história,
- 44:28não estou contestando esse fato. Isso é um fato, inclusive até na
- 44:31Bélgica, que é uma nação cervejeira que produz as
- 44:33cervejas, as mais loucas. Os mais diferentes, o estilo de
- 44:37cerveja mais vendida hoje na Bélgica.
- 44:38American lager, não é lambe, que não é strom, Golden ale ou
- 44:43Golden you with Beer é American laghi.
- 44:46Então o domínio do mercado de cerveja pelas América largas é
- 44:49um fato, tá? O que está sendo questionado
- 44:51aqui é qual é o papel da lei seca neste domínio mundial de
- 44:55cerveja? Então, o primeiro ponto é esse,
- 44:56a lei seca perdão, a lei seca, ela está em vigência apenas nos
- 45:01Estados Unidos, então o primeiro ponto que a gente pode dizer é
- 45:04bom, a lei seca lá influenciou no consumo de cerveja nos
- 45:07Estados Unidos. Mas imaginemos nós que o seu
- 45:10Fritz, morador de Munique, 43 anos, operário, ele todo dia de
- 45:17manhã, bebe o seu copam de vais, bebe o seu copam de 50 CL de
- 45:22vais, com o seu salsichão branco, faz lá o seu seu seu
- 45:25bratwurst. Tá trabalhando estereótipos, né?
- 45:28Assim, digamos que ele abriu o jornal um dia, né?
- 45:31Em 1920 eu não me lembro exatamente em que data entrou em
- 45:34vigor a lei seca e ficou sabendo que existe a lei seca nos
- 45:37Estados Unidos que proíbe. Comercialização, transporte e
- 45:41consumo de qualquer bebida alcoólica, não só de cerveja.
- 45:43O que isso afetou a vida do seu Fritz?
- 45:45Responda para mim lufas nada. Eu falei com muita segurança
- 45:49porque isso é o óbvio, é exatamente né?
- 45:52Em português, Claro, porra nenhuma.
- 45:55Ele vai continuar bebendo a sua voz com o seu sauce chão branco
- 45:59todo dia de manhã, no seu café da manhã de 1920 até 1933.
- 46:04Então a lei seca os Estados Unidos não impactou em
- 46:06absolutamente nada no consumo de cerveja na Europa?
- 46:09Até porque a Europa não importa, cerveja dos Estados Unidos não
- 46:12importava. Hoje importa, mas não importava,
- 46:15a cerveja dos Estados Unidos e não importava nenhum insumo dos
- 46:19Estados Unidos também. E você está dizendo que nem se
- 46:21importavam? Piada pronta, desculpa.
- 46:28Provavelmente não se importam hoje quem mora na Europa sabe
- 46:32que até hoje a Europa não se importa com os Estados Unidos,
- 46:35mas isso é uma outra questão geopolítica.
- 46:36Esse é o primeiro ponto. Então a gente pode dizer no
- 46:39máximo, que a lei seca ela impactou no consumo de
- 46:43alcoólicos, não só de cerveja nos Estados Unidos, mudando o
- 46:47paladar de uma nova geração que aí, depois de 1933, como não
- 46:52estava acostumado com cerveja, teve que se acostumar com o
- 46:55produto mais leve, mais insípido, porque estava
- 46:58acostumado só com refrigerante. Porque as fábricas de cerveja se
- 47:01transformaram em fábricas de refrigerante para poder
- 47:04sobreviver a lei ser que vocês ouviram já essa explicação toda.
- 47:06Não ouviram? Não estou falando nada de novo
- 47:08aqui exatamente não. Sim, sim, não.
- 47:10A explicação completa é essa, vamos pensar em outro personagem
- 47:14histórico, vamos pensar agora no Johnny Johnny, lá em 1920.
- 47:18Ele tinha 14 anos, ele não bebia ainda, porque com 14 anos ele
- 47:21ainda não pode beber nos Estados Unidos, em 1920, bebi é, pode
- 47:26ser que sim. Já está até furando.
- 47:29Meu exemplo, eu posso até pegar um sujeito mais novo, com 10
- 47:31anos. Vão dizer que Johnny tinha 10
- 47:33anos em 1920. Em 1933, ele vai ter 23 anos.
- 47:36Perfeito, Johnny, até 1920, não tinha colocado uma gota de
- 47:40cerveja na boca, tá? Quando acaba a lei seca em 1933.
- 47:45Qual é a primeira coisa que Johnny vai fazer que vocês
- 47:48acham, bebê? Para não ter ascendência
- 47:51Brasileira. Se ele tiver, ele vai para o
- 47:53bar, como ele vem fazendo nos últimos meses, porque que Dione
- 47:57passou toda a sua adolescência ouvindo os seus pais falar, seus
- 48:00pais que bebem, obviamente os pais não eram adventistas,
- 48:03porque se os seus pais fossem Adventista, provavelmente ele
- 48:05não bebeu a vida toda, assim como seus pais, mas digamos que
- 48:07seus pais sejam pessoas que bebiam em 1920 e ouviram a vida
- 48:11toda. Os seus pais, que provavelmente
- 48:13arrumavam um jeito de conseguir um álcool ilegal, porque todo
- 48:16mundo aqui já viu o filme de gangster.
- 48:18Um sim, sim, sim. E sabe que a lei seca deu origem
- 48:21ao comércio ilegal de bebidas. Absurdo, mas Estados Unidos foi
- 48:25um dos efeitos da lei seca. Então, digamos que os pais de
- 48:27Johnny bebiam e davam um jeito de conseguir o ser o alcoolzinho
- 48:31ilegal durante a vigência da lei.
- 48:32Seca ponto um muito dificilmente.
- 48:35Johnny chegou aos 23 anos sem botar um pingo de uísque na
- 48:38boca, sem beber um pingo de uísque.
- 48:40Concordo. Então, quando ele chega aos 23
- 48:42anos e libera tudo, a primeira coisa que ele vai fazer é que
- 48:44comprar a sua cerveja, porque agora ele é maior de idade.
- 48:47Agora a cerveja está liberado o seu uisque ou bebidas até mais
- 48:50Fortes que a cerveja, inclusive, então não faz nenhum sentido
- 48:52você dizer que. As fábricas de cerveja tinham
- 48:54que produzir uma cerveja insípida e uma cerveja leve,
- 48:57porque o paladar de Johnny não estava acostumado a ser á vá, vá
- 49:00dormir essa explicação não se sustenta, entendeu?
- 49:04Pela lógica, você nem de documentação pra refutar uma
- 49:08ideia dessa, refutar é ruim, é um termo que vem sendo mal
- 49:11utilizado pela internet, mas para discutir uma ideia dessa,
- 49:14né, Johnny com certeza já tinha colocado uísque, já tinha bebido
- 49:18uísque. 11 golinho que seja, conhecia ao gosto de álcool, e
- 49:22lembrem um outro fenômeno típico dos Estados Unidos durante a lei
- 49:25seca, que são os spi que ese. Você já ouviram falar do cespe
- 49:28que ese aquele lugar que vendia cerveja, que geralmente ficava
- 49:31escondido nos fundos de uma loja nos fundos de algum outro
- 49:34negócio e que as galera tinha que beber na maciota, no
- 49:37silêncio, para não chamar a atenção da fiscalização?
- 49:40Então, para você afirmar que a lei seca impactou em alguma
- 49:43coisa no consumo de cerveja, no consumo de álcool, a ponto de
- 49:47mudar o paladar de uma geração em primeiro lugar, você tem que
- 49:50provar que a galera não botava uma gota de álcool na boca
- 49:53durante esse período, porque obviamente, não é verdade, tá?
- 49:56Mas aí você está derrubando esse mito baseado em hipóteses,
- 49:59correto? Correto?
- 50:00Qual seria uma hipótese oposta a essa?
- 50:03Mas dentro de uma lógica, não tem a industrialização, não tem
- 50:08assim. Nós temos outros motivos para a
- 50:11popularização da American lager. O principal motivo, quer dizer,
- 50:15tem 2 principais motivos, primeiro, a crise de 29 que
- 50:18ninguém lembra, tem 2 motivos que ninguém lembra na hora de
- 50:21dar essa aula, né? E um 929, nós temos a quebra da
- 50:24bolsa de Nova Iorque sem uma das maiores crises, exatamente a
- 50:27quebra da bolsa de Nova Iorque, lançou o mundo numa crise que
- 50:29durou uma década. A quebra da bolsa de 29 vai
- 50:32desembocar na Segunda Guerra Mundial e esse é o segundo fato.
- 50:35A década de 30 é uma década de crise econômica absurda, então
- 50:38as cervejarias voltam a produzir cerveja no momento em que elas
- 50:42têm que produzir um produto mais barato para se manter um produto
- 50:45que atinja um público, um maior possível para se manter.
- 50:49Por isso, um produto mais leve, um produto com menos álcool, com
- 50:53menos características problemáticas, digamos assim,
- 50:56né? Características Fortes, et
- 50:57cetera. Então, a crise de 29 tem um
- 50:59impacto muito maior do que a lei seca.
- 51:01Na produção da American lager nos Estados Unidos e na Europa,
- 51:05nós temos a Segunda Guerra Mundial.
- 51:07Se eu disser para vocês que os efeitos da Segunda Guerra
- 51:09Mundial são sentidos até hoje na Europa, vocês vão falar que eu
- 51:12tô de sacanagem? Mas não estou, não.
- 51:13Os efeitos da Segunda Guerra Mundial são sentidos até hoje na
- 51:16Europa, a Segunda Guerra Mundial, ela desestruturou
- 51:19unidades fabric fábricas, porque fábricas eram alvos de
- 51:24bombardeio, eram os alvos principais de bombardeio em
- 51:26todas as grandes fábricas alemães de cerveja, melhor
- 51:28dizendo, foram alvo de bombardeio no aliado.
- 51:31Tem uma foto maravilhosa da rop Brown, justamente arroz branco,
- 51:34que eu tô bebendo aqui tem uma foto maravilhosa da rop.
- 51:36Sobral, de Munique, destruída durante a guerra.
- 51:39Então a segunda guerra, ela não só destruiu unidades produtivas,
- 51:44mas ela acabou com a plantação com uma cultura.
- 51:47Ela prejudicou absurdamente a cultura, seja de lúpulo, seja de
- 51:50cevada, seja de trigo. Primeiro porque desvia a mão de
- 51:53obra, né? Desvia abraços da agricultura
- 51:55para a guerra, para o esforço militar e segundo, porque não dá
- 51:58pra você ficar plantando enquanto caem bombas.
- 52:01Galera está enfiada dentro de casa.
- 52:03Você veio, por que que as situações que o Serra de trás
- 52:05para a gente aqui? Não vendem, por isso que não
- 52:09vira mito, não vende bem. O marketing não vai pegar esse
- 52:12lugar exato. Enfim, por isso que a tua
- 52:16verdade vira mito. A galera não espera aí, vamos
- 52:20contar isso de outro jeito, aí conta de um jeito mais palatável
- 52:23para a galera. Mas é.
- 52:24É bizarro quando você a gente ouve você trazendo esse Tim Tim
- 52:27por Tim Tim, contextualizando a crise de 29 e depois da segunda
- 52:31guerra e porque a segunda guerra impacta nessa merda toda, e aí a
- 52:34reconstrução dessa cena entre aspas cervejeira.
- 52:38Tem que acontecer de um jeito mais barato, mais simples, mais
- 52:41leve para alcançar essa galera que tá cansada pra cacete
- 52:44também, sim. A segunda metade da década de 40
- 52:47na Europa é uma década de crise. É uma década de reconstrução da
- 52:50Europa, só volta a engrenar economicamente na segunda metade
- 52:53da década de 50. Na verdade, então até lá, como é
- 52:56que essas fábricas, que além de tudo, estão se reconstruindo?
- 52:59Como é que elas se mantém? Mas é aquilo que você falou, da
- 53:01questão do marketing. Eu nem estou muito preocupado
- 53:03com o marketing, porque, enfim, marketing animais, discutir
- 53:06marketing não você, tá zero preocupada com o marketing.
- 53:09Que eu tô querendo dizer é que na hora de vender essa história
- 53:11para as pessoas estudarem e replicarem, ela não é tão bonita
- 53:15assim, é isso que eu quero dizer, mas é o que eu quero.
- 53:17Eu estou mais preocupado com a galera que está em sala de aula,
- 53:20com a galera que está passando as informações erradas para os
- 53:23futuros. Some Lies para os futuros.
- 53:25Enfim, para galera que vai trabalhar na área e que vai
- 53:28reproduzir a história errada para os seus alunos, fazendo
- 53:32assim uma corrente que em algum momento tem que ser quebrada.
- 53:35Eu estou tentando, enfim, eu acho que você está mais do que
- 53:39tentando, amigo. Por meio deste programa, você
- 53:41está tentando e conseguindo, porque pelo menos a mim para me
- 53:44fazer estudar várias coisas, como por exemplo, idade das
- 53:47trevas, idade, eu tenho certeza que agora eu vou conseguir,
- 53:52porque a audiência do surra de lúpulo é uma coisa fantástica.
- 53:56É o maior podcast. Cerveja contém ironia?
- 54:00Não, não conheci, ó que não contei é o maior podcast
- 54:03cervejeiro do Brasil da atualidade.
- 54:05Então, e se 11 horas gente faz isso?
- 54:08Não, isso não é porque eu sou mecenas.
- 54:10E vindo no surra de lupo para falar dessas coisas de repente,
- 54:13agora a água tem lá, né? Muda uma.
- 54:16Muda. Uma estação é vai bombar, vai
- 54:18bombar. E sabe por que?
- 54:20Que nós somos o maior podcast dito pelo Sérgio, que já
- 54:22comprovou vários mitos e contra mitos aqui, porque você aumenta
- 54:27após 2 feras do surra de lúpulo, basta enviar o link desse
- 54:31episódio para um amigo que gosta de cerveja artesanal ou
- 54:34compartilhar nas suas redes sociais, marcando a gente.
- 54:37Onde é que você escuta a gente e Spotify, Google podcast?
- 54:41É podcast, Deezer e outras plataformas de streaming.
- 54:45Gosta de conteúdo que a gente produz, faz um reviu nosso na
- 54:49sua plataforma preferida? Isso ajuda muito na distribuição
- 54:53do nosso conteúdo pelas plataformas.
- 54:59Sérgio, eu quero te agradecer demais.
- 55:02Para mim foi divertidíssimo perceber que eu entendi muito
- 55:06errado as aulas que eu recebi. Não vou nem culpar os
- 55:08professores, a culpa é minha, né?
- 55:10Pô, 45 anos eu achar que eu aprendi errado por culpa dos
- 55:13professores, não. Então assim não entende muito
- 55:16errado algumas coisas, como por exemplo, idade média, idade das
- 55:20trevas. Não, mas não foi só você, não.
- 55:23Muita gente aprendeu assim, obrigado para acontecer dessa.
- 55:28E eu acho que ainda tem 11 fator piora, dor aí, fator piora, dor
- 55:32que, por exemplo, eu estou com 42.
- 55:34Leandro, 45, você está aí nessa faixa etária também?
- 55:37Um pouquinho mais. Antigamente a gente não tinha a
- 55:39facilidade de entrar no Google e escrever um negócio e tomar
- 55:42aquilo como verdadeiro, né? Antigamente você tinha que podia
- 55:45estar errado no livro, podia, mas, enfim, teoricamente você
- 55:48estava indo numa raiz mais concreta, mais exata.
- 55:51Hoje, não, você digita no Google alguém começou a contar uma
- 55:54história e vira um telefone sem fio bizarro e aí a gente chega
- 55:58nesse lugar de mito. Então, Sérgio, muito obrigada
- 56:00por cortar a linha desses telefones sem fio aqui pra gente
- 56:04aprender mais sobre cerveja e sobre a verdade e muito
- 56:07obrigado. Não eu que agradeço, né?
- 56:09Eu que agradeço pela oportunidade e pelo espaço para
- 56:12poder falar um pouco sobre o mitos da história da cerveja.
- 56:16Porque, enfim, a história da cerveja, às vezes ela parece que
- 56:18está muito em segundo plano. Você fala ali 16 dúzia de
- 56:21história engraçada e deu. E foi.
- 56:23É isso que a galera precisa reproduzir na mesa de bar e
- 56:26pronto, quando na verdade a história da cerveja é muito mais
- 56:29rica. Ela, inclusive, te ajuda a
- 56:31compreender outras coisas, como o surgimento de estilos
- 56:34cervejeiros. Como a gente estava falando
- 56:35agora mesmo, da popularização da American lager, o
- 56:37desaparecimento de outros e faz parte da própria história da
- 56:41humanidade. Como a gente está falando?
- 56:43Então vamos tratar a história da cerveja com um pouquinho mais
- 56:46de, digamos assim, carinho. Assim como se trata os outros
- 56:51tópicos da cerveja, produção, harmonização, a galera sempre
- 56:54fala disso, com a maior seriedade.
- 56:56Não, isso está certo, está e na história da cerveja, parece que
- 56:59é um Vale Tudo. Às vezes isso aí trouxe a mágoa
- 57:02aí, mas eu gostei que esse programa aqui a gente saiu lá da
- 57:06revolução agrícola e chegou na modernidade ali do século 20 ou
- 57:11antes tá bom demais, gente? Por a ser vendido para todos os
- 57:15momentos, exatamente, mas a gente para por aqui só para quem
- 57:18não é mecenas, quem é mecenas vai receber mais uma perguntinha
- 57:22extra agora, então o Sérgio, obrigada, valeu Leandro e até
- 57:26semana que vem meus amigos até tchau, tchau.
- 57:43Este podcast foi editado por play áudios.