Latest / O Aviário Podcast · by PPGVET / Dra. Claudia Komiyama e Dra. Vivian Castilho: Qualidade Da Carne de Frango | Ep. 70
Transcript
- 0:00Porque nós somos aí o segundo maior produtor e
- 0:03maior exportador de carne de frango. Nós
- 0:05precisamos atender a padrões de qualidade. Então,
- 0:09no que diz respeito, a nutrição tem total
- 0:13influência na qualidade da carne. Bem
- 0:18-vindos ao podcast O Aviário, as meninas mais
- 0:20brilhantes da vi -cultura no seu bolso. O
- 0:25podcast O Aviário só é possível através do apoio
- 0:28de empresas inovadoras e que apoia a educação
- 0:31continuada na ave cultura brasileira. A
- 0:33CES, ambiência ideal para sua produção. American
- 0:37Nutrients, solução é o nosso compromisso. Pegas
- 0:41o science, a solução inteligente e em tempo real
- 0:43para a interpretação de micotoxinas. Bom
- 0:48dia, boa tarde, boa noite. Aonde
- 0:50quer que você esteja hoje nos escutando nesse podcast?
- 0:54Aviário, mais um deles. Hoje
- 0:56nós temos duas mulheres extraordinárias aqui com a
- 0:59gente. Nós temos a professora Cláudia,
- 1:02nós temos a Vivian. Bom dia para as duas. Muito
- 1:06obrigado por estar aqui comigo hoje. Bom
- 1:09dia, professora Cláudia, doutora Vivian. Como
- 1:13é que vocês estão? Bom dia, Elizabeth, tudo bem?
- 1:18Nosso prazer é nosso de estar
- 1:21aqui nesse dia para bater um papo respeito da nossa
- 1:26trajetória, do nosso trabalho na vi -cultura. É
- 1:30um imenso prazer que eu recebo o convite e a
- 1:35Vivian também para estar aqui conversando um
- 1:38pouquinho. Bom dia, professora Elizabeth,
- 1:41professora Cláudia. É uma honra poder dividir
- 1:45esse momento aqui com vocês. Agradeço
- 1:48imensamente o convite e vamos bater um papo sobre
- 1:52as mulheres no agro. As mulheres estão chegando com
- 1:56tudo, né? Então vamos conversar um pouco
- 1:58hoje. Muito obrigada. Agora,
- 2:01para começar, vamos falar um pouquinho da trajetória
- 2:04de vocês, começando sempre para manter o tom aqui.
- 2:08Vamos começar pela professora
- 2:09Cláudia, depois a Vivian. Fica
- 2:11mais fácil a gente saber como seguir. Contar
- 2:14um pouco da trajetória, como é que vocês chegaram
- 2:16até o agro? Como foi essa opção dentro da
- 2:20vida de vocês? Professora Cláudia, como é que foi?
- 2:24Vixe, para começar a falar como
- 2:26eu cheguei no agro, a gente tem que ir lá atrás,
- 2:30né? Muitos e muitos anos. Eu
- 2:33sempre tive uma total queda pelos animais. Sempre
- 2:38amei muitos animais. E a escolha para mim do meu
- 2:42curso de formação foi algo orgânico. Então
- 2:47eu escolhi pela medicina veterinária, eu nem sei com
- 2:50quantos anos de idade. Mas ainda quando criança, pelo
- 2:55amor que eu tinha pelos animais. Então
- 2:58na minha trajetória, enfim, a gente já sabia o que eu
- 3:02queria percorrer. Não sabia o que dentro da
- 3:05veterinária eu gostaria de percorrer. Então
- 3:08quando eu fui aprovada no curso de medicina
- 3:11veterinária, na Universidade Federal de Lávoras, na
- 3:17UFLA, saudosa UFLA, eu tive contato com professores
- 3:23maravilhosos. Então eu tive contato lá com
- 3:27vários professores, tanto da veterinária, como da área
- 3:31da Zotequinha, que me deram muita bagagem. Me
- 3:36deram uma dimensão do que era o curso e do que era
- 3:41essa área de produção e nutrição animal. Quando
- 3:44eu estava mais ou menos na metade do curso, eu conheci
- 3:48alguns professores da área da agricultura. E
- 3:51foi aí que realmente eu falei não é aqui que eu
- 3:55quero ficar. Então comecei a trilhar a área
- 3:59da agricultura lá na metade da minha graduação. E
- 4:03terminando o curso de medicina veterinária, eu fui
- 4:08para o Nesp de Boutou -Catou, conheci o professor
- 4:11Ariel Mendes, que foi meu orientador de mestrado da
- 4:16medicinação. Então pude conviver com ele tanto
- 4:21no mestrado, como doutorado, seguindo na agricultura como
- 4:27eu gostaria, que eu queria, que eu amava. Então
- 4:31tive o meu título de mestre, malnesto de Boutou
- 4:35-Catou. O meu doutorado foi logo em
- 4:39seguida também sobre a orientação do professor
- 4:42Ariel. E esse doutorado me
- 4:44proporcionou um doutorado sandwich. Então
- 4:49eu pude ir para a Universidade de Arcanças,
- 4:53fiquei lá por um período de sete meses sobre a
- 4:56supervisão da professora Casey Owens. Tamo
- 5:00andando ainda com algo que eu pesquisava na época,
- 5:05então foi algo surreal, surpreendente. Foi
- 5:10uma vivência muito boa. Retornando
- 5:13para o Brasil, isso foi em 2009, eu retornei para o
- 5:17Brasil, já engratei no pós -doutorado. Então
- 5:22é isso sobre a supervisão do professor Ariel lá na
- 5:25Unespe de Boutou -Catou. E nesse período de pós
- 5:28-doutorado, eu fui aprovada no concurso público pela
- 5:33Universidade Federal do Mato Grosso, Campos de Sinope.
- 5:38Lá eu fiquei lotada no curso
- 5:42de exotequenia e permaneci por lá durante cinco anos,
- 5:46administrando aula para o curso de exotequenia, para
- 5:50o curso de medicina veterinária, para o curso
- 5:53de agronomia nas relacionadas à agricultura.
- 5:57Também ingressei logo na minha
- 5:59chegada na pós -graduação exotequenia, então já
- 6:04comecei nas primeiras orientações, agora como
- 6:07orientador. E em 2016, após cinco anos
- 6:11na UFMT, eu vim para o FGD. Então
- 6:17hoje eu sou lotada no curso de exotequenia da
- 6:20UFGD, da Faculdade de Ciências Agrárias, aqui da
- 6:24Universidade Federal da Grande Dourados. E
- 6:27desde a minha chegada também estou no programa de
- 6:31pós -graduação exotequenia, na qual eu oriento aí,
- 6:35mistrando -os e doutorando -os. Então
- 6:38essa minha trajetória nunca saí da agricultura desde a
- 6:42graduação, é uma hora que eu amo, é uma hora que
- 6:46faz meus olhos brilharem, lesionar sobre a nutrição,
- 6:51sobre a produção e a pesquisa fazem os meus
- 6:56olhos brilharem. Então é o que me move e o que
- 7:00me faz muito feliz. Muito legal e a Vivian, ela vem,
- 7:06ela é sua orientada de doutorado, já defendeu. Eu,
- 7:10Vivian, me conta agora de você, como é que você
- 7:12chegou, a conclusão que você ia trabalhar no agro
- 7:16e também aí até chegar junto com a professora
- 7:19Cláudia, e depois a gente já vai entrar na parte
- 7:22legal de saber o que que vocês estão fazendo aí
- 7:25nessa universidade, que coisa boa de resultados
- 7:28bons que vocês estão tirando aí das pesquisas de
- 7:31vocês. Vivian? Bom, eu sempre tive a
- 7:35certeza de que eu queria ir para a área da
- 7:39biologia, sempre gostei muito da área da biologia,
- 7:45e as o tecnias, ela surgiu na minha vida através de
- 7:48uma amiga, uma amiga que cursava ali no ensino
- 7:51médio, ela vinha de uma cidade em que tinha o
- 7:55curso de zotecnia, que era aqui da Huan, aqui no Mato
- 7:57Grosso do Sul, e ela me apresentou. Ela
- 8:00me apresentou o curso, foi quando eu prestei o
- 8:04vestibular aos 17 anos, eu prestei o vestibular e vim
- 8:09para o FGD. Na época, os vestibulares eram
- 8:13independentes, fiz tanto para a Quidawana quanto
- 8:16para Dourados, aqui no FGD, e a Quidawana é o Campos
- 8:20da Uemis. Fui aprovada nos dois
- 8:23vestibulares, mas escolhi vir para Dourados. Na
- 8:28avicultura, sempre foi muito fácil para mim, conheci
- 8:32logo ali no início do curso o professor Rodrigo,
- 8:36Rodrigo Garófalo, o professor Rodrigo sempre
- 8:39muito acolhedor, trabalhei com ele como voluntária no
- 8:44grupo de pesquisa em avicultura aqui na UFGD, é
- 8:48a partir de segundo ano da graduação. E
- 8:51foi muito semelhante ao que a professora Claudia
- 8:53relatou, foi amor, foi paixão, seguir sempre que
- 8:58eu estivesse certeza, eu gosto da avicultura, da
- 9:01produção, da postura, da avicultura de postura
- 9:05também. E quando eu me formei logo
- 9:09ali no final do curso, em 2014 mais ou menos, eu
- 9:13tive a oportunidade de fazer um estágio, uma das
- 9:16grandes da produção, que foi a BRF. Então
- 9:20aqui mesmo em Dourados, eu fiquei um ano como
- 9:23estagiária, sempre no setor, ali conheci todos os
- 9:26setores, mas tive uma ênfase muito grande com a
- 9:30produção de matrizes, principalmente matrizes na
- 9:34fase de recria, mas focada na fase de postura, na
- 9:39fase de produção de pintinhos. Foi
- 9:41quando eu tive a oportunidade de ser
- 9:43contratada, quando eu finalizei a graduação,
- 9:47fiquei cerca de um ano, um ano e alguma coisinha ali
- 9:51na BRF como extensionista na área de SPO, produção
- 9:55de óculos férteis, e foi quando eu recebi uma
- 9:58proposta de trabalhar como gerecho de produção em uma
- 10:00grande integrada. Tive essa experiência de comandar
- 10:05cerca de 70, 80 funcionários, foi uma
- 10:09experiência que enriqueceu muito o meu conhecimento,
- 10:13mas eu sempre, quando eu estava finalizando a
- 10:17graduação, eu sempre tive vontade de continuar
- 10:19estudando, eu sempre gostei de estudar. Foi
- 10:22em 2018, eu resolvi prestar o mestrado, que estavam com
- 10:27as inscrições abertas aqui no FGD. Foi
- 10:31o ano que eu tive a sorte, a felicidade de
- 10:34encontrar a professora Cláudia, que quando eu saía
- 10:36a professora Cláudia ainda não tinha chegado, então
- 10:40conhecia a professora Cláudia em 2018, fiz o
- 10:43mestrado com ela, em 2020 continuamos no doutorado,
- 10:48esse ano há mais ou menos uns 15 dias, eu defendi o
- 10:53doutorado sobre orientação da professora Cláudia e
- 10:56sempre trabalhando com frangos de corte, e ela me
- 11:00ensinou, essa paixão que ela tem pela nutrição foi
- 11:03ela quem me passou, sempre teve esse amor por ensinar,
- 11:08por estudar a nutrição e foi com ela que eu conheci
- 11:11a nutrição em si, porque sempre foi muito foco de
- 11:13produção, vamos trabalhar com produção de frangos de
- 11:16corte, de ovos, e a nutrição realmente quem me
- 11:19apresentou foi ela, então conduzimos essas pesquisas
- 11:23ao longo desses 6 anos, na professora Cláudia juntas, e
- 11:27agora estamos aí nos trâmites e nos preparativos
- 11:31para iniciar o pós -outorado. Em
- 11:35busca do ambiente ideal para sua produção, A -CAS
- 11:38se oferece aquecimento especializado, totalmente
- 11:41automático para a produção animal, garantindo
- 11:44distribuição uniforme de calor, mais de 12 anos
- 11:48entregando soluções eficientes em todo o
- 11:50Brasil. E me diz uma coisa, a área
- 11:55de pesquisa de vocês é a área de qualidade de carne,
- 12:00não é a nutrição em cima, a nutrição voltada para a
- 12:05qualidade de carne, vocês olham, que eu dou para os
- 12:08animais para que eu tenha uma qualidade de carne
- 12:11melhor, ou o que que interfere com a qualidade
- 12:13de carne, como é que está essa área de qualidade de
- 12:17carne, como que o mercado está vendo essa área, agora
- 12:21vocês podem intercalar e quem quer responder antes
- 12:25ou depois, porque até pouco tempo assim a gente
- 12:28pensava, gente, eu quero saber, a conversão
- 12:32alimentar, eu entrego o meu frango com aquela conversão
- 12:35alimentar e está tudo bem, e de repente a gente está
- 12:38falando em qualidade de carne, como que o mercado
- 12:42está considerando isso um fator importante mesmo? Na
- 12:46minha opinião, com certeza, porque nós somos aí o
- 12:50segundo maior produtor e maior exportador de carne
- 12:53de frango, nós precisamos atender a padrões de
- 12:56qualidade, então, no que diz respeito, a nutrição,
- 13:00ela tem total influência na qualidade da carne, óbvio
- 13:05que nós temos muitos outros fatores como vanejo,
- 13:10ambiência, que também estão relacionados e podem
- 13:14interferir na vida do animal, no desenvolvimento
- 13:17desse animal e consequentemente ter reflexos
- 13:20na qualidade de carne, então assim, eu vejo sim
- 13:23uma crescente preocupação com os quesitos de produzir
- 13:30uma carne de qualidade visando aí o público
- 13:34consumidor, nós temos públicos consumidores que
- 13:38são extremamente exigentes em qualidade, então eu vejo
- 13:44essa crescente aí, preocupação sim. Viva,
- 13:49você trabalhava lá na empresa com ovos férteis e
- 13:52você volta para a universidade e vem trabalhar
- 13:55muito com qualidade de carne, que relação que você
- 13:59vê entre isso também, porque a parte reprodutiva,
- 14:04genética, o quanto isso influencia? Bom,
- 14:08é uma ligação direta, obviamente, com o que eu
- 14:13trabalhava, precisava entregar ovos de qualidade
- 14:17para gerar pintinhos de qualidade e a gente sabe
- 14:22que tem um impacto muito grande no que o produtor
- 14:27vai conseguir entregar para a indústria, então tem uma
- 14:32relação muito forte nas nossas pesquisas, a gente
- 14:35vê que o desenvolvimento embrionário do pintinho está
- 14:39totalmente ligado à capacidade de deposição de
- 14:44carne, de qualidade de carne, que esse animal vai
- 14:48conseguir desempenhar ali durante os seus 42 dias a
- 14:53campo, então é uma relação muito forte que a gente
- 14:56consegue enxergar nesse quesito sim e até mesmo
- 15:00com problemas aí hoje, que principalmente nossa área de
- 15:04pesquisa em relação às milpatias, a gente vê que
- 15:08tem um impacto muito grande, essa herança
- 15:11genética, vamos dizer assim, para esses animais. Vamos
- 15:14falar um pouquinho dessas milpatias, como é que são
- 15:19essas milpatias, que você sabe que aqui no aviário a
- 15:21gente tem muita gente dar, mas tem muita gente que é
- 15:23curiosa assim, que é só saber como é que é a
- 15:26produção, o que são as milpatias, o que ela traz
- 15:31de prejuízo para a produção, ela é um risco
- 15:34para a saúde pública, não sei como é que, como é
- 15:38que vocês explicam isso para o pessoal que está
- 15:40nos ouvindo. Bom, as milpatias são
- 15:44degenerações que acontecem no músculo do peito do
- 15:48frango, as principais milpatias hoje que nós
- 15:53estudamos são a peito amadeirado, chamado de
- 15:57wooden breast, e o white striping, que é a estriação
- 16:00branca, então o que caracteriza essas duas
- 16:04milpatias? Então o peito amadeirado, o
- 16:06próprio nome já diz que é uma degeneração que acontece
- 16:11no músculo, e que ocorre a deposição ali de ter sido
- 16:16conjuntivo, ter sido de cicatrização, que confere
- 16:22esse aspecto de dureza do fleio. Então
- 16:26ao toque mesmo no peito, no superfície do peito, nós
- 16:30conseguimos diferenciar diferentes graus dessa
- 16:35milpatia, então pode ser um grau mais leve, com
- 16:39endurecimento focal, por exemplo, na parte mais
- 16:41cranial do filé, ou de acordo com o grau, que
- 16:45essa lesão vai se difundindo por todo o
- 16:48peito, todo filé torna -se endurecido. Em
- 16:52relação ao white striping, nada mais é do que a
- 16:56estriação branca que acomete ali o peito dos franos.
- 17:01Então ao visualizar o filé, nós
- 17:03conseguimos encontrar e visualizar umas estrias
- 17:06brancas, muitas vezes bem arfininhas, entre as fibras
- 17:10musculares, ela acompanha bem a fibra muscular, e
- 17:14dependendo também do seu grau de acometimento essas
- 17:17estrias, elas começam a ficar mais grossinhas, que
- 17:21a gente chama de um grau mais severo. Então
- 17:23basicamente são essas as milpatias que nós estudamos
- 17:26hoje, e não apresentam nenhum risco de saúde
- 17:32pública, porque não tem nenhum patógeno ligado ao
- 17:36desenvolvimento dessas milpatias, muito pelo
- 17:39contrário, o próprio desenvolvimento, o
- 17:41aparecimento delas está ligado principalmente ao
- 17:47desenvolvimento acelerado do músculo do peito do frão.
- 17:51Hoje nós sabemos que o abate
- 17:53acontece cerca de 40, 42 dias, e esse crescimento
- 17:57acelerado traz alguns problemas no desenvolvimento
- 18:02da carne, do músculo em si. Professora
- 18:06Cláudia lá no seu doutorado, parte que foi lá
- 18:10em Arcanças, que a professora Casseia, ela
- 18:12trabalha muito com essa área, acho que ela é uma
- 18:14das grandes, os grandes nomes nessa área, como é
- 18:19que foi assim, quando exatamente lá antes, você
- 18:23já trabalhou com essas milpatias lá, já era uma
- 18:25preocupação lá, e então ela começa a ter um impacto
- 18:29maior na sua carreira quando chega no Brasil.
- 18:33Olha, eu tive a oportunidade de
- 18:37estar na universidade, junto com a professora Casseia,
- 18:40em 2008. Em 2008, ela estava começando
- 18:46os estudos a respeito da estreiação branca, do White
- 18:50Striping, e nessa ocasião eu achava aquela estreiação
- 18:56muito sutil e nunca tinha reparado essa estreiação
- 19:01aqui no Brasil, mesmo trabalhando em conjunto com
- 19:06vários frigoríficos, durante o meu mestrado, durante o
- 19:10doutorado, eu não tinha visualizado essa miopatia
- 19:15ainda, e nesse período foi o início de todas as
- 19:20pesquisas que eles iriam conduzir com a estreiação
- 19:25branca e depois, posteriormente, com o peito
- 19:28amadeirado. Quando cheguei no Brasil, comecei
- 19:31a reparar que realmente, mas eram graus bem sutis.
- 19:36Depois de alguns anos, nós
- 19:39começamos a observar um aumento absurdo dos graus
- 19:44de White Striping, que foram mais ou menos por
- 19:48volta de 2010, 2011. Quando cheguei em Dorados em 2016,
- 19:54a gente fez alguns trabalhos tentando investigar
- 19:58tanto a White Striping quanto o peito amadeirado,
- 20:03e aí sim, a gente conseguiu ver uma evolução
- 20:07dessas miopatias. Hoje, o que a gente repara? Os
- 20:15primeiros relatos da White Striping datam lá de 2009,
- 20:20segundo os artigos, o primeiro relato foi em
- 20:222009, na descrição, feito pela equipe da professora
- 20:28Owens, e nós vimos que aumentou muito os graus de
- 20:35White Striping, mas que nos últimos anos, esses graus
- 20:39começaram a ficar mais sutis. Então,
- 20:43se a gente pegar de 2009 para cá, nós temos aí
- 20:46praticamente 15 anos. Então, muita coisa aconteceu nesse
- 20:51meio tempo, como a Vivian disse, ela apontuou que
- 20:56existe uma herança genética e foi comprovado que a
- 21:00White Striping tem mais habilidade alta. Então,
- 21:03durante esses 15 anos, muita coisa foi feita em
- 21:07termos, nós acreditamos, da seleção genética, das novas
- 21:11linhagens, que possibilitaram a redução da White
- 21:15Striping. Mas o que a gente conseguiu
- 21:18ver a partir disso foi que a gente teve um aumento da
- 21:24incidência do peito amadeirado, dos últimos
- 21:27anos. Quer dizer, são duas miopatias
- 21:30diferentes, uma é uma estreia branca, outra, esse
- 21:35peito amadeirado seria uma cor mais do que escura,
- 21:39mas que acontece ali no peito e assim Vivian, quais
- 21:45são os fatores que fazem isso aparecer? Elas
- 21:48são fatores diferentes, ou cada uma delas tem um
- 21:52fator específico? É possível definir esse fator?
- 21:56Quais seriam as causas dessas
- 21:58miopatias? Hoje, na literatura, nós
- 22:02encontramos aí várias hipóteses, mas ainda não
- 22:06tem o martelo batido, e esse é o efeito causal. Os
- 22:12estudos indicam que o principal efeito é o
- 22:17crescimento acelerado do músculo do peito, que leva
- 22:20aí, como ele em grande volume, a vascularização, os
- 22:26vasos sanguíneos, eles não comportam, não acompanham
- 22:30esse crescimento muscular. E isso leva ao estado de
- 22:34hipóxia do tecido, falta oxigênio para a remoção de
- 22:38alguns metabólicos ali que devem ser removidos, levar
- 22:41nutrientes para o desenvolvimento desse tecido,
- 22:44e isso acontece principalmente o estresse
- 22:48oxidativo, então tem o acúmulo de radicais livres,
- 22:53nós sabemos que a produção de radicais livres é
- 22:56totalmente natural do tecido, do músculo,
- 23:01leorinundo da respiração celular. Então,
- 23:06o acúmulo, esse falta de vascularização leva a esse
- 23:09acúmulo de radicais livres levando ao estresse
- 23:12oxidativo. Então, essa é uma das hipóteses
- 23:16mais aceitas hoje pela comunidade científica,
- 23:20lógico, que existem fatores genéticos. Então,
- 23:24não existe um gene, por exemplo, que é responsável
- 23:28pela expressão de alguma dessas miopatias, e sim,
- 23:31são multigênis, uma herança poligênica que ocasiona o
- 23:37aparecimento dessas miopatias. Então,
- 23:41não existe um mono perfeito. Então,
- 23:44nós levantamos aí a hipótese nas nossas
- 23:46pesquisas, rodas de conversa, de pesquisa, de
- 23:50que talvez uma miopatia seja a consequência da
- 23:54outra. Então, o primeiro aparecimento de
- 23:57white striping, depois a gente vem com o
- 23:59apometimento de udaembrest, existe ainda uma terceira
- 24:02miopatia peitoral chamada peito espagueti, que nada
- 24:06mais é de quando o peito perde a coesão, o músculo
- 24:10perde a sua coesão, e ele aparenta como se o músculo
- 24:17se desfiasse como se tivesse cozido, mas o peito
- 24:21em um fleco cru a gente consegue observar ainda esse
- 24:24tipo de lesão. E a gente consegue observar
- 24:28que isso aparece principalmente quando tem um
- 24:30grau mais severo de udaembrest, de white
- 24:32striping, por exemplo. Mas vale a pena pontuar, como
- 24:36o professor Cláudia já disse, nós observamos muito
- 24:40a diminuição da severidade das miopatias, principalmente
- 24:44white striping. Nós observamos aí, vamos falar
- 24:48que eu estou nessa área da pesquisa desde 2018, e até
- 24:52hoje tem muita diferença em relação à severidade,
- 24:56principalmente da estriação. É
- 24:58difícil encontrarmos aí uma estria tão, um grau tão
- 25:02severo da estria, porém já algo de udaembrest a gente
- 25:06consegue observar os graus severos, sim, até com
- 25:08petecas hemorragicas, que causam ali um aspecto bem
- 25:12repugnante dessa parte tão nobre do frango de corte.
- 25:18Então, professor Cláudia, como que
- 25:21se ela não tem, se ela está doente, se ela não
- 25:24tem um efeito sobre o perigo para quem consome,
- 25:31não está transmitindo uma infecção, uma contaminação,
- 25:36por que a gente está tão preocupado com essas
- 25:38miopatias? Qual é o prejuízo que ela traz?
- 25:42Bom, recapitulando um pouquinho o
- 25:44que a Vivian disse, existem algumas miopatias, que são
- 25:50aquelas que realmente podem causar um prejuízo na
- 25:54qualidade, e nós precisamos presar pela qualidade do
- 25:59produto que vai ser entregue para o consumidor.
- 26:03Em virtude disso, a miopatia
- 26:06que nos causa maior preocupação é o peito
- 26:12amadeirado, o denbrest, que tem graus mais variados e
- 26:17a gente tem acompanhado a evolução da severidade dessa
- 26:22miopatia. E nós temos as diretrizes
- 26:25pelo mapa de o que tem que ser condenado, o que
- 26:30pode ser aproveitado. Então, dentro dessas diretrizes do
- 26:34Ministério da Agricultura, nós temos aí que o peito
- 26:38amadeirado, em graus severos, que é mais
- 26:42extensivamente acometido, tem uma dureza maior e difusa
- 26:49no músculo peitoral maior, ele deve ser descartado,
- 26:54ele não deve ser aproveitado. Por
- 26:57conta do aspecto que essa miopatia causa no peito.
- 27:02Então, como principal prejuízo que
- 27:08se tem é o econômico, pelo descarte desses graus mais
- 27:12severos da miopatia do peito amadeirado. Então,
- 27:17essas miopatias, elas trazem esse problema de condenação
- 27:24no abatedoro, mas, assim, na prática, o que isso
- 27:29causa? No processamento, esse peito
- 27:33vai ficar duro durante a coxão, qual é a prática,
- 27:37como é que o consumidor vai ver isso? Bom,
- 27:40na prática, o consumidor primeiro, que existe o
- 27:46descarte por esse aspecto repugnante, ao ver esse
- 27:51filé com esse aspecto, com material viscoso, com
- 27:55peteques emorragicas, que o consumidor vai primeiramente
- 28:00rejeitar essa peça. Em fatores de qualidade, em
- 28:06si, nós vemos que existe uma maior perda de água no
- 28:10processo de cozimento por esses filés acometidos por
- 28:14peito amadeirado. Existe uma maior força de
- 28:20sisalhamento, então, precisa de uma força maior, que na
- 28:23mandíbula seria uma carne mais dura. Existe
- 28:26uma força para romper essas fibras musculares. Uma
- 28:30coloração mais pálida, o Udenbrecht, tem uma
- 28:34coloração pálida, não fica com um aspecto agradável.
- 28:39Mas, curiosamente, nós já
- 28:42realizamos algum trabalho aqui na UFGD, onde
- 28:47avaliamos a aceitação do consumidor. Então,
- 28:50pasmem ou não, o painel não treinado, então as
- 28:55pessoas foram fazer a avaliação sensorial dos
- 28:59filés acometidos ou não por peito amadeirado. E
- 29:02eles preferiram o peito amadeirado ao filé normal.
- 29:06Então, é uma contradição que nós
- 29:09verificamos aí na nossa pesquisa, certo? Em
- 29:13relação ao White Striping, não existe uma condena,
- 29:18então os graus independentes do grau da estreação, ele
- 29:21pode ser comercializado na nature, né? Existe
- 29:25ali as estrias, existem alguns trabalhos conversando
- 29:29com uma profissora da USP. Ela
- 29:34disse que lá tiveram alguns trabalhos realizados em
- 29:37relação à aceitação do White Striping, da estreação
- 29:41branca. Então, os consumidores, eles
- 29:43preferiram o músculo com estreação branca por
- 29:47associar ao marmoreio. Então,
- 29:51o pessoal da bovino cultura fala que é uma heresia
- 29:54compararmos um White Striping com o marmoreio,
- 29:58mas os consumidores preferiram esse tipo de
- 30:00carne. E um estudo também para a
- 30:04Universidade de Paraíba, eles mostram também que os
- 30:08consumidores, ao ofertar esse filé, por exemplo, eu
- 30:11mostrei o filé normal e com o White Striping. Após
- 30:16eles saberem que é uma degeneração do tecido
- 30:19muscular, eles rejeitam, sabendo a causa do que
- 30:23aquilo foi rejeitado. Mas as pessoas que ainda
- 30:26aceitaram consumir esse filé, preferiram o White
- 30:29Striping ao peito normal. Então,
- 30:32existe essa percepção pelo consumidor que acaba sendo
- 30:37um pouco particular. Voltando
- 30:41novamente ao Udenbrecht, nós observamos essas perdas no
- 30:46frigorífico, na indústria, justamente por esse descarte
- 30:49da parte mais nobre do frango. E
- 30:51além disso, os graus mais leves precisam ser... Essa
- 30:55região que tem essa lesão mais característica de peito
- 31:00amadeirado, ela precisa ser refilada. Então,
- 31:02passa -se pelo refilhe, precisa cortar o peito e
- 31:06ele pode ser direcionado para o processo de
- 31:09embutido, de industrializado de forma geral. E
- 31:12já o filé, quando ele é inteiramente condenado, ele
- 31:18vai para a farineira, para a garacharia. Então,
- 31:20por isso que nós temos essa perda. Primeiro,
- 31:23graus mais leves, porque precisa refilar o peito,
- 31:29para vender numa bandeja, por exemplo, já é
- 31:32complicado, precisa ir para o embutido. E
- 31:35o descarte completo, então, a gente tem uma perda
- 31:38muito grande na indústria. Você
- 31:40tem ideia de preço? Quanto custa? Não,
- 31:44eu não sei dizer em reais qual é o impacto.
- 31:49Principalmente porque hoje na indústria
- 31:52existe -se o descarte das meopatias. Só
- 31:55que isso não é classificado dentro da indústria. Ah,
- 31:59isso é meopatia peito amadeirado, isso é dorsal
- 32:03crânial, isso é meopatia peitoral profunda. Então,
- 32:06entra tudo como um aspecto recugnante de descarte.
- 32:09Então, a gente não tem hoje essa
- 32:11contabilização na indústria, né, de quais tipos de
- 32:14meopatia que teria ocasionado esse descarte
- 32:17parcial ou total, né? Mas na prática, o que significa
- 32:22é que você está colocando um frango com 2 ,5kg, ele
- 32:30tem 70 % disso que é carcaça, porque o resto vai
- 32:33ser perdido, e desse 70 % uma parte não vai chegar
- 32:37no consumidor que vai ser rejeitada, né? Então,
- 32:41é um prejuízo muito grande depois que o frango já
- 32:45está pronto, né? O que é pior, porque você já
- 32:48fez todo o processo e perde ele lá no... E
- 32:52eu sei também que você estiveram sucesso com
- 32:56algumas alternativas que vocês buscaram para
- 32:59solucionar esse problema. Vocês
- 33:01podem falar um pouquinho aí do trabalho, talvez eu ia
- 33:04começar com a professora Cláudia dizendo como é que
- 33:06veio essa ideia na cabeça, aí entrando a participação
- 33:11da Viva, encontrando para a gente um pouco dos
- 33:13resultados que vocês tiveram nessa pesquisa. Então,
- 33:20buscando aí a continuação do trabalho, né, com
- 33:24meopatias que vem desde outros orientados e que a
- 33:31Viva também abraçou com mil os identes, né, Viva? Essa
- 33:36temática. Nós queríamos tentar mitigar os
- 33:41efeitos da meopatia, principalmente ou mitigar ou
- 33:45reduzir a severidade, principalmente visando a
- 33:50alisulação em que a gente precisa... A
- 33:53indústria precisa descartar os graus mais severos dessa
- 33:57meopatia, seja por refírio, seja se totalmente acometido
- 34:01o filé ou o peito integral. Dentro
- 34:04dessa possibilidade de tentar mitigar, nós
- 34:09buscamos, através de alguma estratégia nutricional,
- 34:14tentar minimizar os efeitos do estresse oxidativo, que
- 34:19é uma das principais causas, né, que leva aí o
- 34:22acometimento do peito pelas meopatias ou a ocorrência
- 34:26dessas meopatias. Em virtude disso, nós
- 34:30procuramos, como nós não tínhamos tempo hábil para
- 34:33formular ou tentar procurar um extrato e padronizar o
- 34:38extrato, nós tentamos procurar algum antioxidante,
- 34:43um produto pronto de alguma empresa, né, que tivesse
- 34:46alguma ação antioxidante, então o produto natural.
- 34:51Isso é o que nós queríamos, o
- 34:53produto natural, com o efeito antioxidante
- 34:56sistêmico. E aí, frente a isso, nós
- 34:59conseguimos uma empresa, que comprou a nossa ideia de
- 35:05que a gente poderia tentar verificar os efeitos desse
- 35:09antioxidante sistêmico na redução da severidade das
- 35:14meopatias. E nós tivemos aí efeitos
- 35:18muito bons nesse quesito, nessa pesquisa. Então,
- 35:25foi uma relação entre universidade e empresa, e
- 35:29aí a Vivian entra, que que é o princípio desse
- 35:33antioxidante e o que que vocês viram e buscaram
- 35:37nessa pesquisa? Bom, o princípio do antioxidante
- 35:40utilizado foi um extrato, né, a base de polifenóis,
- 35:46né, mais precisamente um composto de ácido tânico,
- 35:50né, tanino hidrolisável, e o tanino hidrolisável tem
- 35:55esse efeito sistêmico, então nós conseguimos visualizar,
- 35:58através de todas as análises feitas durante esse
- 36:01experimento, que o tanino teve uma ação antioxidante
- 36:05para nível sistêmico, tanto no músculo, no fígado, no
- 36:11sono, ou seja, no sangue. Então,
- 36:14nós conseguimos comprovar sim que existe uma
- 36:16capacidade antioxidante desse produto natural, certo?
- 36:20Melhorou também, obviamente,
- 36:22trabalhando com nutrição não tem como não avaliar
- 36:24desempenho, então a adição desse produto melhorou o
- 36:29desempenho dos frangos de corte, certo? E
- 36:33falando precisamente sobre a qualidade da carne, melhorou
- 36:37a força de cesalamento, diminuiu a perda de peso
- 36:41por coxão no processo de cozimento, né, então esse
- 36:45filé, ele reteve mais água e principalmente, houve uma
- 36:50redução dos graus mais severos da ameopatia, o
- 36:54Udenbrecht, então já aqui nós podemos afirmar que
- 36:58existe um ganho muito grande, justamente, frente
- 37:01ao que nós estamos discutindo aqui, né,
- 37:03conversando, que é diminuir a severidade do filé, do...
- 37:09da ameopatia, que acomete o
- 37:10filé, né, de Udenbrecht, frente à utilização desse
- 37:15produto, então nós vemos ali que tem um retorno
- 37:19muito positivo, né, para a indústria, com a utilização
- 37:22do produto, visto que reduzimos ali graus mais
- 37:25severos, aparecem apenas graus mais leves, né, a
- 37:28quantidade, o número de graus severo diminuiu quando
- 37:31você faz a utilização desse extrato natural, então, é
- 37:36um resultado bastante promissor, né, para a
- 37:39indústria. Então a gente vê que tem
- 37:42soluções, né, que não é só que a Universidade não vai
- 37:45so atrás do problema, mas vai buscar solução também,
- 37:49e isso é um ponto bem positivo de ter essa
- 37:52interação, Universidade, com a empresa, buscando trazer
- 37:57um benefício para o consumidor final. Então
- 38:00isso demonstra mais uma vez essa... essa
- 38:02importância dessas relações. E
- 38:06a gente foi conversando, conversando, conversando,
- 38:08conversando tanto tempo aqui, menos que acabou
- 38:11chegando já para os nossos finais, aqui os minutos
- 38:14finais da nossa conversa. E como é de praxe aqui na
- 38:18viária, a gente sempre deixa os últimos minutos
- 38:21para que os nossos convidados, nossos
- 38:23convidados, deixem a sua mensagem, né, então a gente
- 38:28viu que vocês tiveram aqui, a gente conversou muito
- 38:31sobre qualidade de carne, conversou sobre a
- 38:34possibilidade de essas soluções, né, para isso.
- 38:38Falou também do universo
- 38:40acadêmico, o universo da questão feminina aí no
- 38:47mercado de trabalho. Então aqui vocês fiquem bem à
- 38:50vontade, cada uma de vocês, de deixar sua mensagem
- 38:53final para o público que está nos ouvindo. Vão,
- 38:56como mensagem final para aqueles que estão nos
- 39:00ouvindo, eu acho que nós temos um público vasto, né,
- 39:03que assiste o podcast o aviário. E
- 39:07eu acredito que uma parcela grande, são alunos que
- 39:12ainda estão na graduação, né, eu sei que muitos já
- 39:15me ouviram falar isso durante muito tempo e
- 39:18várias vezes, mas algo que eu deixo, por exemplo, para
- 39:23os alunos, né, a palavra que eu deixo, vamos falar
- 39:27mais especificamente, a palavra que eu deixo para
- 39:30eles, é responsabilidade, responsabilidade é algo que
- 39:36a gente precisa ter independente da nossa, da
- 39:40nossa idade, da nossa posição, porque dependendo
- 39:45da responsabilidade com o qual eles trabalham, eles
- 39:50se dediquem ao que foi proposto, o futuro está aí,
- 39:57né, o futuro está aí, nós precisamos de profissionais,
- 40:01a indústria precisa de profissionais, a viecultura
- 40:04precisa de bons profissionais e profissionais
- 40:07responsáveis, então se tiver que deixar a palavra para
- 40:11os nossos alunos aí que estão na área de agrárias,
- 40:17responsabilidade, tenho responsabilidade para aquilo
- 40:19que vocês assumem. Professora
- 40:21Claud, antes de passar para a Viva, eu queria só falar
- 40:24que você começa dizendo que você foi estudar veterinária
- 40:28porque amava os animais e foi estudar qualidade de
- 40:32carne, produção e hoje a gente vê um preconceito
- 40:35muito grande com as crianças que gostam de
- 40:38animais que não querem comer carne porque está
- 40:43desrespeitando os animais, eu acho que a tua posição
- 40:47aqui vai talvez orientar um pouquinho não só eles, mas
- 40:51a nós também, como que a gente consegue explicar para
- 40:56quem está em casa, para quem também tem muito
- 40:59respeito pelos animais e mesmo assim quer consumir a
- 41:04carne animal, sabe da importância também disso
- 41:06para a saúde das pessoas, qual que é a tua mensagem
- 41:10para isso? Sabe, Elizabeth, que eu passei
- 41:13por uma situação parecida em casa, eu tenho dois
- 41:18filhos, hoje o mais velho está com 10 anos, o mais
- 41:21novo está com 7 e teve uma fase da vida,
- 41:26principalmente o do meu filho mais velho, que ele
- 41:29entendeu da onde vem a carne que nós consumimos e
- 41:33que eles amam consumir e foi um desafio para mim,
- 41:40enfrentar dentro de casa um serzinho, meu filho que eu
- 41:48trabalho com produção animal e que estava se recusando
- 41:52a comer carne por conta desse respeito que ele
- 41:57tinha com os animais, mas eu tive que contornar a
- 42:01situação, ensinar de um jeito bem mais didático,
- 42:05pontual para ele, que apesar de a gente produzir
- 42:10um animal para consumo, nós utilizamos de vários
- 42:14preceitos do bem estar e respeitando o animal para
- 42:18que o destino dele se complete com o alimento.
- 42:22Então, eu passei por isso aqui em
- 42:24casa, foi um desafio e eu acredito que muitas mães
- 42:29devão passar por esse processo também de tentar
- 42:34passar esses conceitos e às vezes alguns pais têm maior
- 42:42dificuldade no entendimento e nós temos um entendimento
- 42:47maior da cadeia de produção de alimentos, então é
- 42:51calma, é procurar conhecimento de como os
- 42:54animais que estão hoje servidos como alimentos, ele
- 43:00foi criado, foi manuseado para estar hoje como o
- 43:06nosso alimento, então essa é a mensagem. Mensagem
- 43:10boa porque vem de quem viveu e sabe do que está
- 43:14falando. Obrigada, professora Cláudia, viva,
- 43:17qual é a sua mensagem para nós aqui? Bom,
- 43:20a mensagem nem aproveitar o espaço, primeiramente a
- 43:23cursataria já de agradecer novamente professora Lisabete
- 43:26pelo convite e deixar uma mensagem principalmente como
- 43:32um grupo público de pós -graduação. Muitas
- 43:37vezes enquanto pós -graduando nós nos colocamos como
- 43:43meros estudantes, mas deixar aqui a mensagem de que nós
- 43:49precisamos desmistificar isso. Nós
- 43:52somos profissionais da pesquisa, que somos
- 43:56profissionais formados em fase de aprendizado, até
- 44:00mesmo porque o aprendizado é constante em nossa vida,
- 44:04não tem como escapar disso, que é qualquer área de
- 44:09atuação que nós tenhamos e dizer que devemos sempre
- 44:14executar tudo com rigor ético, com rigor científico
- 44:18e que existe uma ligação através principalmente dessa
- 44:23desenvolvimento de doutorado. Eu
- 44:26tiro que existe uma ligação muito próxima e que existe
- 44:29esse feedback positivo entre a instituição privada, entre
- 44:34as empresas e entre a universidade. Então
- 44:38nós nos complementamos e que existe um trabalho, não
- 44:44é porque eu terminei o doutorado, para onde eu vou
- 44:46correr, o que eu vou fazer, isso mais um
- 44:48desempregado. Nós somos profissionais
- 44:50qualificados e as empresas estão de portas abertas,
- 44:54sim, desde que nós tenhamos responsabilidade, que é
- 44:59justamente o que a professora Claudia começou
- 45:02dizendo no início, responsabilidade e sempre
- 45:06fazer com muito capricho. Então
- 45:08essa é a mensagem que eu gostaria de deixar aqui. Um
- 45:12dos mensagens ótimos aí, responsabilidade de fazer
- 45:16com capricho, dedicação, somos dedicados aquilo que
- 45:21a gente faz. Muito obrigada, muito obrigada por
- 45:24vocês darem esse tempo aqui para a gente do aviário.
- 45:27Obrigada a vocês que estão nos
- 45:29escutando e continuem com o aviário, continuem nos
- 45:32escutando os próximos episódios. Um
- 45:34abraço.