Latest / Surra de Lúpulo / O Café do Futuro: Por trás da xícara, a ciência (Com Verônica Belchior) | Bloco do Catuaí #1
Transcript
- 0:02Oi, aqui é a Mari Mesquita e o bloco do Catuaí vai passando na
- 0:05sua rua E invadindo as ondas do seu rádio.
- 0:08Então pegue a sua xícara que o bloco do Catuaí tá começando.
- 0:13Olá para você que acabou de sintonizar no nosso programa.
- 0:16Esse é o nosso primeiro programa.
- 0:18Isso faz com que a gente saiba tanto sobre ele quanto você, na
- 0:20verdade. Meu nome é Mari Mesquita e hoje
- 0:22desfilamos na avenida o bloco do Catuaí.
- 0:25Esse podcast surge do honroso convite da turma do surra de
- 0:28lúpulo, que fala sobre cerveja para quem quiser saber mais, e
- 0:31esse convite aconteceu no momento que eu conheci a lud,
- 0:33que me convidou para ter um podcast sobre café.
- 0:35A galera do surra de lúpulo é assim, um bando de doidos, o que
- 0:38atesta essa loucura toda esse convite tendo sido feito para
- 0:41mim, logicamente né, que loucura.
- 0:43Se você conhece trabalho do surra, eu fico muito contente,
- 0:45se não conhece, por favor vá conhecer que eles são brilhantes
- 0:49e tem essa coisa né, que é depois de eu ter falado esse.
- 0:51Tanto no fundo é que me falta coragem de me apresentar dentro
- 0:54disso aqui, mas eu preciso que você tenha um pouco mais de
- 0:57familiaridade com essa voz que invade a sua JBL em plena
- 1:01Quarta-feira de Cinzas, para que essa voz pareça menos estranha
- 1:03também. Afinal de contas, eu não
- 1:05gostaria de ser alguém que você cumprimentou no bloco sábado sem
- 1:08saber bem se alguém com quem você fez faculdade ou a ex do
- 1:12seu primo que passou um dia um acampamento com vocês na Semana
- 1:14Santa na chácara do seu tio? Não sei.
- 1:16Acho que a gente precisa de um pouco mais de familiaridade e
- 1:19por mais que o exemplo tenha sido um pouco pessoal demais.
- 1:21Então, aí, galera, é importante falar para vocês que eu sou a
- 1:24Mari e que eu trabalho com café tem uns 10 anos ou ou 10 safras.
- 1:28Eu sou barista, competidora, juíza de campeonatos de barismo,
- 1:32coquetelaria, eu sou provador de destilados, eu ministro cursos
- 1:36nessas áreas. Aí que eu te falei, e eu venho
- 1:38pagando minhas contas fazendo uma coisa que atende pelo nome
- 1:40mais enigmático do mercado de alimentos e bebidas, eu presto
- 1:44consultoria. A partir dessa data, então, eu
- 1:48invado as luz do seu rádio com o bloco do Catuaí, quinzenalmente
- 1:52nas quartas-feiras, aí na sua caixa de som, jogando conversa
- 1:55fora com grandes nomes do universo do café, inclusive para
- 1:59botar nesse bloco na rua da melhor maneira.
- 2:01Eu convidei a maioral, ela que é para mim um híbrido de musa do
- 2:04verão mineiro, com o verba do Scooby-Doo.
- 2:06Ela que me ensinou que é o chromatógrafo, a pessoa com o
- 2:09sobrenome mais musical desse país.
- 2:11A melhor companhia para você, tendo a hora de provar um café e
- 2:14uma preciosíssima amiga para diversas horas.
- 2:16Verônica Belchior aqui no programa.
- 2:20Ah, amiga, que coisa linda. Muito obrigada.
- 2:24É um prazer estar aqui. Nesse primeiro episódio que
- 2:28honra, meu Deus. Amiga, é uma honra imensa de
- 2:32receber nós que vivemos 1000000 de carnavais juntas, apesar de
- 2:36ainda não nenhum Carnaval. Espero que exato.
- 2:38Acabou ontem. Tenhamos de vida juntas em Belo
- 2:41Horizonte, por favor. Venha, parei amiga de.
- 2:43Passagem, comprar. Ah, meu Deus, não.
- 2:46Então agora já tem o meu Carnaval.
- 2:48Amiga, olha que loucura. Como o rádio é uma coisa
- 2:50analógica e anacrônica, nós já vivemos o Carnaval, porque isso
- 2:54está indo agora, agora nas quarta-feira.
- 2:56De cinzas. AI a gente já tá de ressaca.
- 2:58E a gente, assim como ouvinte, deve ter acabado de passar um
- 3:01café, sim, com aquela cara de ontem ainda.
- 3:04Nossa sim, ou alguns cafés já, né, dependendo do horário e um
- 3:08pouquinho de glitter aqui, né? Hum, é que hoje, certamente o
- 3:11café com glitter, exatamente. É café com glitter.
- 3:15O café com glitter? Espero eu que com nenhum
- 3:17arrependimento moral na xícara, viu, querida AI.
- 3:19Por favor, não. Eu queria que você se
- 3:24apresentasse com você mesmo, porque eu te falei várias coisas
- 3:27pessoais e fofas. No final das contas, é legal que
- 3:29o ouvinte saiba quem é Verônica e Belchior.
- 3:32Sim, claro. Bom, eu sou Verônica.
- 3:35Bióloga, minha formação é biologia.
- 3:37Eu tenho mestrado em ecologia e doutorado em ciência de
- 3:42alimentos. Eu sou uma pessoa que trabalha
- 3:45com café com ciência, né? Por trás ali do café, trabalho
- 3:49com café há 17 anos. AI meu Deus, já já está ficando
- 3:53velhinho assim. Não parece, tá, amiga?
- 3:55Está com uma pele maravilhosa. AI, muito obrigada amiga.
- 3:59Hoje eu trabalho no World coffee Research.
- 4:02Como? Cientista para qualidade de
- 4:06café. Mas eu já trabalhei com um Monte
- 4:08de coisa. Eu já fui barista, já fui mestre
- 4:11de Torra. Cientista continuo, né?
- 4:14Nesse caso, professora instrutora, um Monte de coisa.
- 4:18Cara chique, eu acho você uma profissional muito completa.
- 4:21A gente sempre fica brincando que o Brasil é o maior produtor
- 4:24de café do mundo, mas acho que graças a figuras como a sua, a
- 4:27gente também é produtor do uma grande quantidade de ciência
- 4:30sobre café para o mundo, né? Sim, só eu estou muito contente
- 4:33de você estar aqui do meu lado e a gente fazer essa história é
- 4:37ligada também. É uma parte muito mais de
- 4:40informação sobre o café do que só essa parte anedótica que
- 4:43frequentemente eu eu trago eu. Bolei um quadro que talvez seja
- 4:47a coisa mais que achei cafona, que eu fiz no dia de hoje, e eu
- 4:50queria inaugurar com você. Eu chamei isso.
- 4:53Jocosamente de bate burra, jogo rápido, beleza?
- 4:59Em que eu te pergunto uma coisa de café e você me responde uma
- 5:04torrefação? Uma torrefação tocaia?
- 5:08Um barista? Mario Mesquita.
- 5:10Caraca, amiga, vamos tentar de novo também?
- 5:14Pior café que você tomou na sua vida?
- 5:16Nossa, foi numa cafeteria no Rio de Janeiro.
- 5:18Eu lembro muito bem disso. Era um café bem ruim, assim.
- 5:22Triste era bem ruim. Notas de.
- 5:24Tristeza. Notas de tristeza e um pouquinho
- 5:27de esgoto assim. AI, que legal, amiga.
- 5:30Sempre, sempre boa. A gente sabe o saneamento básico
- 5:32das cafeterias, publicando que tu sabe que não é isso AI.
- 5:34Terrível. Qual foi o café mais memorável
- 5:37que tomou na sua vida? Foi numa calibragem pro kill.
- 5:41Eu não me lembro mais que calibragem era essa.
- 5:43Era um café da Etiópia e a chefe, maravilhoso.
- 5:48Ele era doce, delicado, floral, aquela coisa maravilhosa assim.
- 5:52É o tipo de café que eu gosto, né?
- 5:54Extremamente limpo, extremamente rico em notas delicadas assim.
- 6:00E um café para tomar o dia todo. Ah.
- 6:01Para mim, sim, com certeza. Acho que é.
- 6:05Qual foi a coisa mais? Eu posso te dar um exemplo
- 6:07antes, se você quiser, para você não se expor sozinha, o maior
- 6:10sacrilégio coisa mais vexatória que você já fez com o café.
- 6:12O meu foi o dia em que alguém me levou um café muito especial
- 6:17para que eu provasse. Eu coasse e era meu aniversário.
- 6:21Estava num bar de de uns amigos, um espaço pequeno assim, mas
- 6:25essa pessoa foi muito empolgada, dizer que queria que eu tomasse
- 6:28esse café e me disse em seguida que nunca tinha tomado um café
- 6:31que eu tivesse preparado uhum e eu já estava assim para lá.
- 6:35De Bagdá, completamente Totó da cabeça.
- 6:39E maravilhosa. Imagina, eu faço para você com
- 6:42uma voz já me frutos. E aí eu fui com todo o cuidado
- 6:46que eu juri, que eu estava tendo e eu fiz esse café, estávamos
- 6:49todos na mesma condição que eu, é claro, e eu fiz o café, amiga,
- 6:52e aí todo mundo elogiou e falou que estava ótimo, e aí eu voltei
- 6:55na pia para ver e eu tinha feito sem filtro.
- 6:57Como assim, amiga? Eu não sei te dizer, amigo, o
- 7:00álcool, ele fala de formas, mas essa foi a minha coisa mais
- 7:02vexatória. Com o café no presente momento,
- 7:05o maior sacrilégio que eu já cometi, acho que talvez tenha
- 7:07sido esse era realmente um café bem especial.
- 7:09Era um café do guru. Nossa amiga, sim, triste.
- 7:13Eu acho que, na verdade, eu não tenho uma história assim tão
- 7:17crítica. Sorte, sua querida.
- 7:19É, mas não sei se é sorte, né, amiga?
- 7:21Eu acho que é pelo menos em quando o assunto é café.
- 7:23Eu sou muito. Eu presto muita atenção assim.
- 7:26Mas você já tomou café do dia anterior?
- 7:28Esquentando aí? Já, já tomei café do dia
- 7:31anterior já e meu maior sacrilégio eu acho que é a essa
- 7:36altura do campeonato, conseguir ficar sem café.
- 7:40Chique, não? Ótimo, gostei.
- 7:42Não, não, não. Não consegui que o meu estoque
- 7:45de café acabe e eu não me planejei para comprar mais café,
- 7:48entendeu? Isso para mim é um saque.
- 7:50Talento? Então eu queria fazer aí um alô
- 7:52para as marcas que quiserem estar enviando cafés bons para a
- 7:55Verônica. Belchior está tomando na casa
- 7:57dela. Ela esqueceu de comprar e ela
- 7:58está precisando. Pessoal, por favor, isso
- 8:01acontece, gente. E para mim isso é um absurdo.
- 8:04Como que eu, que trabalho, provo, faço um Monte de coisa
- 8:06com café? Tudo na minha vida tem café.
- 8:09Consigo chegar a esse ponto. Eu acho que, no fundo, também
- 8:12acho que essa essa conversa de escolher conversar com gente
- 8:15como você vem de um lugar que eu gostaria muito de explorar aqui
- 8:18é a vida real de quem trabalha com café, como se a gente sempre
- 8:22estivesse tomando um regathet? Exatamente.
- 8:25Às vezes a gente faz café sem filtro, a gente fica sem café.
- 8:27Tem gente que eu conheço que trabalha com café tanto quanto a
- 8:30gente de quem tem café no micro ondas.
- 8:32Sim, tem todo tipo de. Coisa e aí acho que que mostrar
- 8:36esse lado por trás da xícara, mas de um jeito menos bonitinho,
- 8:40talvez seja essa vontade que eu tenho.
- 8:42Amiga, eu aceito café de qualquer pessoa, então, assim,
- 8:46essa era uma. Pergunta que eu IA te fazer
- 8:48quando você está no mesmo, te oferecem um café que não é um
- 8:51café especial. Você costuma aceitar?
- 8:53Sim, eu. Sempre aceito.
- 8:55Tipo, você está num self service no centro de Belo Horizonte.
- 8:58Você tem um roupa para pagaria x tempo e aí tem uma garrafa.
- 9:01Você não tomou café, você não lembrou de comprar, lembra uhum.
- 9:04E aí tem uma garrafa térmica. Aí depois que você enche o seu
- 9:06prato de vários, tomatinhos e comeu com calma.
- 9:09Tem aquela garrafa térmica ali, você vai pegar o café.
- 9:11Posso? Posso pegar?
- 9:13Se eu não tiver tomado café nesse dia, eu posso pegar.
- 9:15Que é o café como droga, né? A gente sempre fala.
- 9:18Exatamente é isso, é esse nível. Assim, não dá pra pra eu ficar
- 9:23sem café, por exemplo. Domingo eu estava sem café, não
- 9:26sei por quê, porque eu não fiz na verdade, né?
- 9:28É por isso que eu estava sem café.
- 9:30Ainda tinha em casa, ainda tinha em casa.
- 9:32E aí eu simplesmente não fiz café e eu fiquei o dia
- 9:35completamente errante assim. Hum, eu já tenho.
- 9:40Eu sigo sem esse efeito organizacional do café na minha
- 9:43vida. O que o café faz por mim, de
- 9:45coisa positiva, além de me dar um ganha pão, é que eu.
- 9:50Produzo para o mundo conexões completamente absurdas, de de
- 9:54piada sem graça que as pessoas conseguem é ter acesso.
- 9:56Mas o café não me dá mais foco necessariamente, não me dá uma
- 10:00tranquilidade emocional. E eu não tenho dor de cabeça
- 10:03quando eu fico sem café. Então, no final das contas, eu
- 10:05eu poderia viver de outras. Formas Eu Acredito.
- 10:07Amiga, você precisa ser estudada.
- 10:09Como uma pessoa que bebe tanto café conseguir ficar sem café?
- 10:13É minha filha. A minha relação com com os
- 10:16tóxicos é um negócio realmente bizarro.
- 10:23Epa, aproveitando essa busca pelo café incrível, eu vou
- 10:26lembrar de te contar de uma tô reflexando, cujo trabalho em
- 10:28qualidade eu acompanho tem tempo e eu posso garantir o nível de
- 10:32entrega sensorial, com a curadoria muito consistente que
- 10:35é essa turma. Entrega, aliás, entrega para
- 10:36todo o Brasil. Eu estou falando, óbvio, do
- 10:38Ernesto café de Brasília, se você tiver pelo plano, aliás,
- 10:41passar para tomar o estresse por mim da mão daqueles craques, e
- 10:44manda um beijão meu para os baristas e para toda a equipe do
- 10:46salão também. Se você não estiver em Brasília,
- 10:49use o cupom bloco do Catuaí 25 para comprar café pelo site.
- 10:53E aí depois você me agradece a dica e agradece também o Ernesto
- 10:56por esse baita presente, por ser um baita apoiador do nosso bloco
- 10:59do Catuaí. É isso mesmo, véi. eSIM,
- 11:02candangos. Esse cupom também pode ser usado
- 11:05por quem mora no DF botofe. Perguntei várias coisas do nosso
- 11:13momento pessoa física ligada a café.
- 11:15Eu queria te perguntar, por que que você trabalha com café?
- 11:17Amiga, eu acho uma doideira entender o que as pessoas fazem
- 11:20isso da vida delas. Sim, e eu adoro contar essa
- 11:23história. Na verdade, eu trabalho com
- 11:25café. Por por acaso, assim.
- 11:27Não vier essa história de que bichinho do café de pico eu
- 11:29nunca mais vou conversar com você.
- 11:31Não, não. É que o bichinho do café pico é
- 11:32que eu sou obcecada com as coisas.
- 11:34Eu tenho uma tendência, obsessão, entendeu?
- 11:37Quando eu gosto de uma coisa, é isso que acontece.
- 11:39Aham não, eu abri sua gaveta de talheres.
- 11:41Verônica, eu sei que você é obcecada.
- 11:43Eu sou obcecada, meu Deus, e aí é o que que acontece.
- 11:47Eu fazia mestrado na época, isso lá em 2009, e gostava de pegar
- 11:52meu computador e ir em cafeterias.
- 11:54Uhum na época, só pra mexer No No, nos artigos mesmo, porque a
- 11:58internet mesmo não tinha. Olha aí.
- 12:01Um Belo dia eu entrei. É nessa cafeteria que o cara
- 12:05falou que ele era barista e enfim, falou de café especial.
- 12:09E eu fiquei, mas que que isso me explica?
- 12:11Aí ele começou a me dar várias dicas e, enfim, eu eu tomava
- 12:14café por necessidade, mas ao mesmo tempo, antes de conhecer
- 12:18esse cara, eu comecei a tirar o açúcar do café, o café
- 12:22tradicional, sabe? Guerreira do povo brasileiro.
- 12:25Exatamente aí eu conheci esse cara e as e aí ele me apresentou
- 12:29um café que era infinitamente melhor.
- 12:31Melhor do que o café que eu tomava sem açúcar já tá.
- 12:34E aí eu comecei a, enfim, ler bastante sobre a coisa e eu é
- 12:39isso, eu sou obsessiva, digamos, quando eu gosto de uma coisa, eu
- 12:44vou até o fim. E aí, ainda durante o mestrado,
- 12:47eu fiz curso de barista, trabalhei em cafeteria enquanto
- 12:50escrevia a minha dissertação, enfim, fiz tudo isso e terminei
- 12:54mestrado e falei, pronto, vou trabalhar com café, vou fazer um
- 12:57doutorado sobre isso, porque eu gosto de estudar.
- 13:01E eu gosto de ensinar, então eu acho que uma coisa ajuda a
- 13:04outra. E aí durante o doutorado eu já
- 13:07era provadora, né? Já tinha meu kill grader, já já
- 13:10provava profissionalmente porque tinha kill grader é a licença de
- 13:15provador de café. Tá, e é tipo kill grader, tipo a
- 13:19letra QE depois grader é isso, né?
- 13:22O grader, isso que você falou. Ah, foi uma calibragem do kill
- 13:25mais cedo. AI, desculpa, amiga.
- 13:28Não, não por mim, não por mim. Eu já fiz calibragem no.
- 13:31Que você é que o que pensando que para quem não se conhece a
- 13:33palavra que o brader, talvez só que o separado lembra as coisas
- 13:37do que o anno, que era a galera que invadiu a cota do Trump.
- 13:40Socorro. Enfim, sigamos, você já tinha o
- 13:43que o brader tirado. Já, já tinha quando eu fiz o meu
- 13:46doutorado e aí eu fui unindo uma coisa a outra e comecei a dar
- 13:51aula e aí a coisa só foi aumentando, né?
- 13:54Até que eu me tornei uma profissional com viés
- 14:00científico, uhum. E é isso, muita, muita
- 14:04experiência com café assim eu já fiz de um tudo.
- 14:06Mas respondendo a sua pergunta, Hum, eu trabalho com café,
- 14:10porque lá na minha obsessão, o café é uma coisa que eu gosto
- 14:14muito. Eu sou muito apaixonada,
- 14:16entendeu? Eu gosto do cheiro, eu gosto das
- 14:19pessoas, eu gosto de tudo que envolve café.
- 14:21Tá bom, eu amei que tem 11 forma poética, tem uma forma
- 14:25totalmente cronológica e tem essa forma quase psicanalítica
- 14:28que é ao mesmo tempo que sou movida por essa paixão pelo café
- 14:30e o cheiro do café. Tem as pessoas do café e eu sou
- 14:33obcecada. Eu odeio.
- 14:35Eu sou obcecada. Se eu fizer essa mesma pergunta
- 14:38para todo mundo, talvez eu encontre, claro, um meio
- 14:41diferente. É na resposta, porque essa
- 14:43Vitória são sempre muito únicas. Mas, no final das contas, lidar
- 14:46com esse sacerdote que deixa os dentes amarelos é realmente para
- 14:49quem continua amando muito essa parada aqui.
- 14:51E eu acho isso, acho tudo é muito louco que eu eu pensei o
- 14:55nome desse podcast, pelo nome que eu achava mais é engraçado e
- 15:00inusitado possível. E aí eu chamei bloco do Catuaí
- 15:03na hora que eu apresentei esse nome para lud da surge lupulo,
- 15:06ela falou que que que é o Catuaí?
- 15:08E eu fiquei contando que mesmo a turma que é consome porventura,
- 15:12café especial e tal que talvez nem todo mundo saiba o que é
- 15:16Catuaí uhum bloco a ideia de bloco de Carnaval.
- 15:19E eu queria perguntar para você, Verônica, o que que você entende
- 15:22pela palavra Catuaí? Bom Catuaí é uma variedade uhum
- 15:28da planta café, né? Que pertence à espécie
- 15:31cafearábica, o que a gente chama de café arábica, então ela está
- 15:35dentro dessas plantas que. São chamadas de arábica.
- 15:40Então o Catuaí é um grupo de plantas uhum que tem algumas
- 15:44características ali, né, e que pertence a essa espécie.
- 15:47Chique, chique. Eu descobri 2 coisas sobre o
- 15:50Catuaí quando eu comecei a trabalhar com o café, que me
- 15:53fizeram gostar muito desse nome, mesmo antes de eu entender muito
- 15:56sobre café em si. Uhum a primeira que o Catuaí
- 15:58significava muito gostoso em Tupi Guarani.
- 16:01Que lindo, eu sei. Menina, e a segunda coisa que o
- 16:04Catuaí é uma variedade de café desenvolvida.
- 16:08No Brasil, pela ciência brasileira, ela é um cruzamento,
- 16:11né? De 2 variedades ancestrais
- 16:14assim, né? Bom, pelo menos um pouco mais
- 16:15velhas, que são um Mundo Novo, e o caturra, não é isso, uhum e as
- 16:19pessoas queriam que essa variedade nova que desse
- 16:22ajudasse a despontar a cafeicultura brasileira de novo,
- 16:25né? Tivessem a resistência de uma
- 16:27dessas variedades e a produtividade de outra, o sabor
- 16:31de outra. Então, sim, era um pouco juntar
- 16:33o que estava dando certo em 2 coisas e fazer uma terceira.
- 16:36É exatamente e foi desenvolvido pelo i.
- 16:38IAC, em Campinas. Instituto Agronômico de
- 16:41Campinas, que é o nome que eu gosto.
- 16:43Instituto Agronômico de Campinas, exatamente.
- 16:45Vou te fazer uma pergunta mais técnica dessa vez, porque eu
- 16:49acho que quase tudo vem do incômodo às vezes, e eu escutei
- 16:53muito quando eu trabalhava em cafeteria, eu apresentar um café
- 16:56para o cliente vir, Ah, desculpa, eu só bebo bom,
- 16:58amarelo não, mas aqui é um Cato, desculpa, eu prefiro bobo,
- 17:01amarelo ou então esse aqui é o bobo amarelo.
- 17:03A pessoa desculpa, eu bebo, só Cato aí vermelho e eu pensava,
- 17:05gente, ou eu não. Realmente assim, não tenho
- 17:07nenhum futuro nessa profissão. Ou eu não, não vou conseguir
- 17:10aprender a provar nada, porque as pessoas às vezes tinha uma
- 17:14coisa muito oxativa em relação à variedade de café e eu queria
- 17:17entender de você, ó velma, do Scooby-Doo e fica do café verão.
- 17:22Total. Você é muito amiga, musa do
- 17:25verão. Não, eu sou muito a velma não,
- 17:27musa do verão. No verão mineiro, com o verbo do
- 17:29Scooby-Doo, versão café e nada. Ah, muito bom a minha pergunta.
- 17:33É o que são variedade de café e queria entender, se a variedade
- 17:36determina o gosto do café, por que que as pessoas às.
- 17:38Vezes falam essas coisas tipo, eu só bebo se for Cato, aí
- 17:41vermelho, eu só bebo se for Cato, aí amarelo, só bebo se for
- 17:43bobo, amarelo. Então vamos por partes aqui.
- 17:46Primeiro a gente precisa entender o que que é uma
- 17:48variedade, né? O que que diferencia o Catuaí do
- 17:52Bourbon do Bourbon amarelo, por exemplo?
- 17:55Então, assim, e para a gente entender o que que é variedade,
- 17:57a gente precisa entender o que que é espécie.
- 18:00Então, de uma forma bem grosseira, indivíduos que são
- 18:04considerados da mesma espécie são indivíduos que compartilham.
- 18:08Trilham uma base genética comum e quando eles se reproduzem essa
- 18:13base genética por ser compatível, eles deixam
- 18:17descendentes férteis. Entendi, então é isso?
- 18:20Então tem a ver com compatibilidade genética nesse
- 18:22caso, tá? E aí quando a gente pensa em
- 18:25plantas, dentro das plantas, a gente pode ter uma mesma
- 18:30espécie. E nessa espécie a gente encontra
- 18:33essas variedades. Ou seja, as variedades são
- 18:37grupos de plantas que compartilham muito dessa
- 18:40genética aqui, né uhum? Portanto, pertencem à mesma
- 18:44espécie, porém, elas têm características distintas entre
- 18:49si. Então assim, pensando em todas
- 18:51as variedades de café arábica, a gente tem esses grupos com
- 18:55diferenças visíveis, que é o que a gente chama de fenótipo.
- 18:58Então, por exemplo, vai ter uma variedade de arábica que vai ter
- 19:02um porte baixo e uma outra variedade que vai ter um porte
- 19:06alto. Não é meu caso.
- 19:08É não, é o meu caso também. Isso pode variar em relação à
- 19:11produtividade? Pode.
- 19:12De variar em relação a potencial de qualidade de bebida, enfim, a
- 19:17inúmeras coisas. E nesse caso, se você considerar
- 19:22que a gente tem essas características distintas,
- 19:25enfim, elas visivelmente são distintas.
- 19:29Só que o que que acontece com a espécie coffearábica?
- 19:33Ela é autopolinizante. Então, no fato de autopolinizar,
- 19:39você mantém essa mesma? Características genética, esse
- 19:43mesmo código genético dessa variedade, então elas vão se
- 19:47multiplicando e mantendo essas características que elas
- 19:51compartilham entre si e as outras variedades com essas
- 19:54outras características que elas compartilham entre si.
- 19:57Mas quando você vai ver a genética da coisa?
- 20:00Elas pertencem à mesma espécie, tá?
- 20:03Agora, em relação a uma variedade determinado, sabor de
- 20:08bebida, aí a gente não pode levar em consideração essa
- 20:13informação isolada, porque por mais que a genética ela
- 20:17influencie o potencial de qualidade de bebida, ela não vai
- 20:22agir sozinha no contexto do café, porque no contexto do café
- 20:26a gente tem solo, clima, manejo, colheita.
- 20:29Posso colheita, tudo em. Iniciando no resultado final de
- 20:33qualidade de bebida. Então por isso que essas
- 20:36afirmações taxativas, eu só bebo bobon amarelo ou eu só bebo
- 20:41gueixa. Elas vão ser um pouco rasas
- 20:45justamente porque você tem outros fatores influenciando.
- 20:48Ó é a genética sozinha uhum. Chiquérrimo amiga, obrigada.
- 20:52Aí espero não ter sido prolixa amiga.
- 20:54Não, você é uma cientista, né, cara?
- 20:56Tipo, às vezes a gente fica tentando resolver a informação
- 21:00no. E isso não vai resolver, não vai
- 21:03resolver, cara. O que eu acho legal é que você
- 21:05tem 11 capacidade de síntese que me ajuda muito a entender as
- 21:09coisas e a qual eu sou muito grata.
- 21:14Provando que a aveia e café tem tudo a ver.
- 21:16Você que me conhece sabe que veio falando da nude, a safras e
- 21:19safras quente ou gelado, com expresso ou coado a nude quer
- 21:22deixar o café brilhar na bebida. O nude barista foi feito por
- 21:25baristas para baristas e óbvios para não baristas também é um
- 21:30produto pensado com a mesma obsessão por qualidade que a
- 21:32gente carrega no café especial. Ele vai por isso é direitinho,
- 21:35tem poucos ingredientes e vem apoiando os baristas desde que
- 21:38existe com leite de aveia. Tem nome, a nude é uma apoiadora
- 21:41do bloco do Catuaí desde a concentração.
- 21:48Então, na real, não dá para as pessoas, é.
- 21:51E eu queria saber de pessoas treinadas ou não, assim
- 21:53identificarem qual é a variedade, só só provando café
- 21:57tipo um coado, por exemplo, na cafeteria é muito raro.
- 22:00Eu é, imagina uma pessoa botar um cafezinho na boca na
- 22:03cafeteria e falar, não, isso aqui é certamente o maragogip.
- 22:06É não isso, isso é muito difícil, porque para você
- 22:10conseguir compreender. Perfil sensorial que pode ser
- 22:14demonstrado pela genética. Você precisa que diversas
- 22:19plantas, diversas variedades, né?
- 22:21Enfim, quando você vai colher, você precisa submeter todas elas
- 22:25as mesmas condições de colheita após colheita, Torra por aí vai,
- 22:29e preparar essas bebidas e entender mais o potencial da
- 22:34genética no caso. Bom para aqui é uma outra pira
- 22:38ainda, né? Torre, extração, são pedaços que
- 22:40vão modular sabor ali que a gente nem falou.
- 22:42Exatamente. Então, numa mesa de cuping, se
- 22:45você tem diferentes variedades que foram tratadas exatamente da
- 22:49mesma forma, pode ser que você vai conseguir diferenciá las.
- 22:53Mas daí? E numa cafeteria qualquer, pedir
- 22:56um. Um café, enfim, que você não
- 23:00sabe qual a variedade pra tentar descobrir que variedade é
- 23:02aquela. Isso é muito difícil, porque
- 23:04todos esses outros fatores eles estão competindo ali pra pra ser
- 23:09um fator determinante do que que é a qualidade daquele café.
- 23:11E pra compor a bebida em si, né? Tem tem isso assim.
- 23:14Exatamente. É um trabalho às vezes atrás do
- 23:16balcão, tem a ver com conseguir traduzir essa miscelânea de
- 23:21fatores que que colocou aquele gosto assim, que produziu aquele
- 23:24café, daquela maneira. E às vezes a gente consegue
- 23:27pensando. Tudo o que é variável de
- 23:28extração e, claro, os sabores que foram modulados Na Na
- 23:31produzidos durante a Torra. Você vai ter um resultado outro,
- 23:34né? Exatamente, mas assim é
- 23:36inegável, amiga, que algumas variedades.
- 23:40Elas despontam com potencial de qualidade, né?
- 23:45Exatamente. Então assim, aí você entende que
- 23:48a genética tem um papel sim, ali fundamental.
- 23:52Você está ligada que eu vou moldurar essa frase para minha
- 23:54mãe que é geneticista, né? Sim, que é.
- 23:56Aí você entende que a genética é fundamental?
- 23:59Sim. Minha mãe vai ficar muito feliz.
- 24:01Amiga, que você me deu essa essa aspas aí.
- 24:03Sim, sim. Mas eu acho bonito a gente saber
- 24:06disso, porque não quer dizer que a variedade não importa em nada,
- 24:08se não a gente, afinal de contas, não estaria.
- 24:10Debatendo sobre essa informação e nem colocando essa informação
- 24:12nos pacotes. Não é nada assim pra obrigar a
- 24:14variedade, não importa nada, mas que de tudo que existe, da
- 24:18grandeza do sistema de produção daquele café, essa genética tem
- 24:22a sua importância. Mas é engraçado pensar que ela
- 24:25pode determinar as coisas, né? Assim pra tudo que é café.
- 24:27Pode. Com isso tudo aí que você, que
- 24:29você sabe, Vera, o que eu acho sempre uma Riqueza, te ouvir,
- 24:33porque você aplica esse conhecimento em coisas muito
- 24:35diferentes, em momentos diferentes da carreira.
- 24:37Assim, hoje você trabalha no que fazendo o quê?
- 24:41Porque acho que isso é é parte da resposta aqui.
- 24:44Me ajudou a explicar por que que a gente está aqui juntas hoje,
- 24:46sim. Claro, bom, eu trabalho no World
- 24:49coffee Research. Eu sou cientista e especialista
- 24:53de qualidade de café no WCR eu não vou ficar falando World of
- 24:57Research o tempo inteiro, não. WCR é o que significa aí OWCR.
- 25:02Então ele é uma organização global da indústria do café.
- 25:07Então a gente tem múltiplos atores da indústria do café
- 25:13fomentando essa organização. E o nosso trabalho é desenvolver
- 25:18variedades de café através de cruzamentos de a.
- 25:21Genéticos e buscando melhorar características como resistência
- 25:26a doença, produtividade e qualidade de bebida, mas também
- 25:31buscar resistência a mudanças climáticas, muita seca em
- 25:36algumas regiões, por exemplo. Então a gente faz tudo isso para
- 25:39garantir que a gente vai ter café no futuro, assim como todos
- 25:43os outros institutos que trabalham com o cruzamento
- 25:46genético para criação de variedades.
- 25:49Tipo, eu estar fazendo novos catuais, é isso?
- 25:51Exatamente novos catuais. Chiquérrimo, Verônica.
- 25:54Bom demais. Mas assim é o meu papel no WCR é
- 25:58cuidar da qualidade dessas plantas, da qualidade de bebida
- 26:02dessas plantas. Então, assim eu preciso
- 26:05garantir, porque pensa projeto de cruzamento, trabalho de
- 26:08cruzamento genético, gera milhares de indivíduos.
- 26:13Indivíduo significa um indivíduo ali que tem um determinado
- 26:17genótipo. Tá uma composição genética.
- 26:20Então são vários indivíduos pertencentes à mesma espécie,
- 26:23mas com variação genética. Um indivíduo é tipo um pé de
- 26:27planta. É um pé de planta sozinho.
- 26:29Eu não tenho o irmão dele, entendeu?
- 26:31Você não. Não tenho irmão.
- 26:32Gêmeo é isso? Exatamente, eu não tenho o irmão
- 26:35gêmeo, então eu tenho um material genético sozinho.
- 26:38É isso, nossa, tá? E onde que essa esse pé de
- 26:40planta mora? Então mora em El Salvador?
- 26:43Do mora em outros lugares, que são os nossos parceiros assim?
- 26:47Então você é tipo a Carmen Sandiego do, da, da, você fica
- 26:51viajando para ver esses esses pé de planta.
- 26:53Fico para entender que vocês vão ter no futuro.
- 26:56E aí a gente tem que provar tudo isso, entendeu?
- 26:59São milhares, são milhares de de plantas diferentes.
- 27:03E eu tenho que provar. E a gente tem que fazer esse
- 27:06trabalho de qualidade, porque se não eu corro o risco de que uma
- 27:10genética vá para frente e ela não.
- 27:13Não é tão boa assim pra qualidade, então é isso que eu
- 27:17tenho que fazer. Aí a gente trabalha também com
- 27:20tecnologia e ciência nesse caso, né?
- 27:22Então a gente precisa de cupping, mas a gente precisa
- 27:26também de métodos estatísticos preditivos, de qualidade nesse
- 27:31caso. Então a gente faz tudo isso e eu
- 27:34preciso assegurar aqui, a gente está escolhendo as variedades
- 27:38certas em relação à qualidade de bebida.
- 27:41A meta hoje é que. E até em 2030, pelo −100,
- 27:46variedade sejam lançadas. Eu amei saber disso.
- 27:50Eu imagino que tenha tipo uma grande Liga da Justiça em que
- 27:52alguém sabe tudo sobre resistência à pragas.
- 27:55Eu pensava tudo sobre a resistência à seca.
- 27:58E daí alguém sabe tudo sobre a Acessibilidade do sei que lá do
- 28:00blançamento, dos trocos, da foto estratégica.
- 28:04E aí tem a Verônica e sabe tudo sobre prova daí vocês conversam
- 28:07com essas plantas? Indivíduos assim para chegar a
- 28:10novos catuais possíveis. Cara, eu fico muito aliviada, na
- 28:13verdade que você esteja neste lindo projeto DeX Men em
- 28:15megalomaníaco dos arápicos do futuro, porque o que eu mais
- 28:19escutei nos últimos 3 anos? Tudo bem que assim no pós
- 28:22pandemia, a cada 5 minutos alguém fala que o mundo vai
- 28:24acabar, né? Uhum no pra pandemia já rolava
- 28:26um pouco, mas agora está bem na moda com tudo aí que está
- 28:29acontecendo e não é para menos, né?
- 28:31E aí tem essa coisa tipo não vai mais ter café.
- 28:33E aí a gente às vezes sai do evento e fala assim, não vai
- 28:35mais ter café, aproveita que você bebeu, escuta, porque não
- 28:37vai mais existir o café e eu sempre saio pensando, não é
- 28:41possível. Pode ser que continue existindo
- 28:43café, mas ele volte anão ser tão bom quanto ele tem sido hoje.
- 28:46Pode ser que a gente não tenha mais café bom, mas eu eu não sei
- 28:49se a gente não vai mais ter café, a planta café.
- 28:52Então eu fico muito aliviada. Verônica, que você deixa a gente
- 28:55podendo dormir tranquilo, sabendo que.
- 28:57Sim, amiga, olha, todas as instituições que trabalham com o
- 29:01cruzamento para a produção de variedades de café são as
- 29:05instituições que estão assegurando o futuro da
- 29:08cafeicultura, porque naquela coisa ali, de variedade a.
- 29:11Variedade costuma ter uma baixa variabilidade genética, então
- 29:15ela é suscetível a um Monte de coisa, então você precisa de
- 29:19mais de uma genética mais enriquecida no ambiente, então
- 29:23você precisa de ter mais variedades e variedades que se
- 29:26comportam de forma a resistir toda a pressão de mudança
- 29:31climática e tudo que está acontecendo com a cafeicultura.
- 29:34Indivíduos 2.0 eu achei. Acho que entendi o que você
- 29:36falou. Finalmente entendi essa
- 29:37história. Estou muito contente com isso,
- 29:39porque além de todo mundo ter esse.
- 29:41Sintomas de café vai acabar no futuro.
- 29:43Todo mundo reclama que o café está muito caro, né?
- 29:45E aí eu queria te perguntar, aproveitando esse ensejo, já que
- 29:48somos nós, além de pessoas que trabalham na área, pessoas que
- 29:50consomem café também? Sim, porque é, Verônica, se você
- 29:53souber me responder que o café anda tão cá.
- 29:56É, essa é uma pergunta difícil. Assim, eu acho que a pergunta
- 29:59mais sensata que a gente tem que fazer hoje em dia na
- 30:02cafeicultura é, por que que o café foi barato?
- 30:05Por tanto tempo, perfeita. Fada sensata.
- 30:09Porque a gente está falando de. De uma cultura de manejo
- 30:13complexo, com custos elevadíssimos, extremamente
- 30:18suscetível a problemas como doenças, mudanças climáticas e
- 30:24em eventos extremos. Assim a gente pode acabar tendo
- 30:27instabilidade de produção, que é o que acontece.
- 30:30Uhum. E aí quando você junta
- 30:31instabilidade de produção com dificuldade logística para uma
- 30:36oferta que está crescente, é é um sistema pressionado assim em.
- 30:41Então a gente precisa, na verdade, entender como que a
- 30:46gente valoriza Oo café. Porque sim, é isso.
- 30:49A gente precisa de café. Café é uma cultura extremamente
- 30:53importante para todo mundo uhum. Mas esse aumento de preço, ele
- 30:58não é um fator isolado? Não é mesmo o fator isolado.
- 31:01Ele leva em consideração uma série de questões.
- 31:05É econômicas, uma série de questões logísticas, um alto
- 31:09custo de produção e com alta de dólar, insumos mais caros.
- 31:15Então é uma é uma pressãozinha, é uma panelinha de pressão mesmo
- 31:19assim. E eu acho que valorizar café é
- 31:23entender o custo real de produção.
- 31:26Além de investir em ciência e tecnologia para que a gente
- 31:31tenha mais equilíbrio nessa cadeia, né?
- 31:34É para que a cadeia ela seja mais resiliente e mais
- 31:37equilibrada quando a gente para. Para pensar tanto em quem produz
- 31:40quanto em quem consome, né? A gente precisa também achar um
- 31:44equilíbrio aqui nessa cadeia. Total.
- 31:47Eu acho que a gente bate muito na tecla de querer que tenha
- 31:50mais. Poderia de café especial.
- 31:52Acho que o meu trabalho com as marcas que eu represento, EE
- 31:54setor que eu atuo, né? Que é o.
- 31:56Uma parte muito ligada à qualidade de serviço.
- 31:58A gente fica batendo na tecla de que precisa de mais consumidores
- 32:01de café especial o tempo todo. Tem um outro pedaço disso que é,
- 32:05eu gostaria muito que eu continuasse podendo contar com
- 32:09os produtores e produtoras de café especial, com quem eu já
- 32:11conto, sim, para que essa turma não desanime de fazer café
- 32:14especial, que é que é café de qualidade, tá?
- 32:16Para você que escuta eu falando café especial, como se esse café
- 32:19fosse feito pelos os círrios carinhosos.
- 32:20Na verdade, especial é um nome que a gente dá para café de
- 32:22qualidade, sim, sim, na parte de cotação específica, com
- 32:25circunscrições que a gente. A gente pode detalhar com calma,
- 32:27mas eu adoraria que essa turma que produz café continuasse se
- 32:30animando para fazer isso, sim. Então é muito engraçado olhar
- 32:34para o Panorama de oscilação de preço e de aumentos que a gente
- 32:36teve nos últimos anos como produtor.
- 32:39Tem lido isso? Uhum e.
- 32:41Como? O setor do consumidor final tem
- 32:44lido isso também, né? Porque ao mesmo tempo que a
- 32:46gente tem um aumento de preço do café especial, a gente teve um
- 32:49aumento expressíssimo do preço do café no mercado, o café com
- 32:53mode. Sim.
- 32:54Tradicional, as torrefações e café.
- 32:56Arreterias absorveram muito pouco desse aumento, repassaram,
- 32:59aliás, absorveram muito uhum, acho que a peteria e
- 33:01estornizações absorveram muito desse aumento de preço e
- 33:04repassaram muito pouco para o consumidor final.
- 33:05Assim, então, proporcionalmente ficou muito menor a diferença de
- 33:10preço entre achatou. Achatou essa diferença preço
- 33:14entre o café tradicional e o café especial, né?
- 33:16Uhum o que eu adoraria que fosse visto pelos meus colegas de
- 33:19consumidores com um grande convite para que eles prodem o
- 33:22especial. Mas, enfim, isso é meio
- 33:24futurologia da minha parte, eu acho.
- 33:26Amiga, eu torço por isso a minha torcida, que eu consigo entregar
- 33:29neste momento. Sim, mas eu acho que tudo é uma
- 33:31questão de sustentabilidade no setor amiga e sustentabilidade
- 33:35levando em consideração tudo que essa palavra carrega, sabe?
- 33:40A sustentabilidade ambiental é sustentabilidade de produção, é
- 33:45sustentabilidade social. É tudo isso que envolta é isso.
- 33:53Aguenta aí minha turma puxando o gancho rápido do papo sobre
- 33:56variedades. Antes de chegar nelas, a gente
- 33:58tem que falar sobre espécies. Cada espécie tem um sem número
- 34:00de variedades. Além disso, é bem documentado
- 34:02que cada variedade puxa um sensorial diferente.
- 34:05O arábica em que a gente tem o Catuaí, por exemplo, é.
- 34:07É conhecido por ter mais doçura e acidez.
- 34:09E no canéfora, em que a gente tem o conilon e o robusta, a
- 34:13gente espera encontrar um café mais encorpado, algo mais
- 34:16amarguinho e até uma coisa mais salina, que acontece quando você
- 34:19junta essas espécies. Quando você faz o famoso blend
- 34:21delas, você encontra muita versatilidade.
- 34:24Por combinar tudo isso, o cabralado, licor de café
- 34:27especial que apoia o bloco do Catuaí, é feito com o blend
- 34:31desenhado para entregar muitas possibilidades de receita e
- 34:33consumo para todo mundo. Quer dizer, para quem é
- 34:36profissional da mitologia? Aí está inventando drink,
- 34:39consegue fazer coisas interessantíssimas, trabalho de
- 34:41tala que torce o nariz para boa parte do que a gente já encontra
- 34:43no mercado, como licor de café, por ser feito com café de não
- 34:47muito alta qualidade ou por ser doce demais.
- 34:49E agora a gente tem uma alternativa para usar o licor de
- 34:52café, tenha o café da mesma qualidade com que a gente já
- 34:54trabalha. E claro, para você que está aí
- 34:56em casa, só quer abrir um licorzinho gelado, que seja
- 34:58equilibrado e com gosto de café de muito, muita qualidade, é
- 35:02isso, graça. E as cabras?
- 35:10Nesse momento vou te perguntar, se na sua bola de crédital em
- 35:13formato de colher, de prova, como é que você nesse futuro
- 35:17para o café de qualidade, para o café especial aqui no na Terra
- 35:20Brasilis e também nas suas andanças aí mundo afora?
- 35:23Amiga, o que que acontece? Eu vejo.
- 35:26Eu fico lendo às vezes algumas coisas sobre a nova geração e
- 35:31como que eles estão. Vivendo café, né?
- 35:35Então eu percebo uma mudança de comportamento e outras
- 35:40tendências nessa forma de vivenciar o café.
- 35:44Mas uma coisa que a gente tem que pensar é, por exemplo, pra
- 35:49gente que consome café filtrado, café expresso e não
- 35:54necessariamente bebidas à base de café.
- 35:56Bebidas base de café, tipo late, cara, Belo maquiado, com isso
- 35:59aí, pistache, é isso? Exatamente só pra fazer não
- 36:02bebida base de café a gente que consome.
- 36:04Café mesmo assim, café puro? Exato.
- 36:07A gente precisa, né? Entrar nessa, nesse entendimento
- 36:11de como que as mudanças climáticas, elas estão
- 36:15pressionando a nossa produção de café.
- 36:19Então, assim, ciência e tecnologia são urgentes para
- 36:23assegurar que a gente tenha café.
- 36:25Então, o que eu penso do futuro é que se isso não acontecer,
- 36:29tudo bem, a gente vai ter café, mas talvez a gente não tenha
- 36:32oferta. Desses cafés que a gente entende
- 36:35como cafés muito excepcionais, sabe?
- 36:39Entendi. Faz sentido?
- 36:40Bom, eu fiquei pensando no mal parado enquanto você falava, e
- 36:43aí, não é? Não é por nada, não.
- 36:45Mas é que eu acho que esse cliente que consome o caramelo
- 36:49maquiato OI sed la tipo o missor e bambuti e kombstache.
- 36:53Em algum momento ele também vai sentir o impacto seja de uma
- 36:56mudança de sabor. Desse café uhum seja numa
- 36:59mudança de preço que esse produto vai passar a ter, porque
- 37:02quando você faz uma ficha técnica de composição de
- 37:04produtos e o café aumentou, essa, esse produto que eu acabei
- 37:06de inventar também vai aumentar em si, né?
- 37:08Exatamente. Tem isso que eu acho que essa
- 37:11turma não é tão diferente em em receção de de preço, tão
- 37:15diferente da gente. E que eu acho que pode ser que
- 37:17esse mercado todo, em algum momento essa pessoa pode acabar
- 37:21consumindo um café puro e sei lá, eu acho que às vezes é a
- 37:24mesma turma. Não é que eu estou dizendo isso
- 37:25defendendo o meu lado, porque às vezes eu peço moca.
- 37:27Na cafeteria, não. Tá, você pode pedir amiga
- 37:29sempre, não. Eu peço, eu, eu.
- 37:32Eu não sou tão purista às vezes, mas o que eu fiquei pensando, na
- 37:36verdade é o seguinte, o nosso, a nossa commodity, colega
- 37:39fraterna, que vai nos mesmos lugares que a gente quer o
- 37:42cacau. O cacau passou uma outra parada,
- 37:44muito doida recentemente, né? Que além de um aumento imenso de
- 37:46preço e uma quebra de safra e quebra de safra, quando a gente
- 37:49fala que que foi produzido, não deu conta de atender a demanda.
- 37:51É isso, né? É, faço, faço o cacau.
- 37:54Teve essa parada que é o mercado do do chocolate super especial,
- 37:59bintubar, trintubar, et cetera. Teve uma mudança grande de
- 38:02perfil e de preço. Enquanto estava crescendo muito,
- 38:05todo mundo passou a conhecer que nem um café especial.
- 38:07Anos aqui no Brasil e a indústria tudo processado.
- 38:11Essas grandes indústrias que eu não vou citar o nome, mas a
- 38:13gente sabe bem quais elas são. Passou a ter que uma compra de
- 38:17cacau pior, eu sei disso, porque assim como eu consumo, sei lá,
- 38:20cerveja artesanal e original 600, eu consumo chocolate, 20 o
- 38:24bar e suflê quando eu vou ao cinema.
- 38:26Eu também, eu também. Obrigada, amigo, obriga de vocês
- 38:28acessíveis e o suflê. Sim, sim, não.
- 38:31E assim, no caso do do chocolate comercial, vamos chamar assim
- 38:35aham eu gosto ao. Kate, tá, então eu também claro,
- 38:39eu não vou tomar um. Eu não vou pegar o comercial
- 38:41meio amargo, dá licença. Não, não, jamais.
- 38:44Não é pra isso que eu estou aqui, não é pra não é disso que
- 38:46minha TPM é feito. Não, não, mas o.
- 38:48O caso desse desse chocolate comercial, como você comentou, é
- 38:52que a gente até sabe que boa parte do que tem nele é gordura
- 38:55hidrogenada e açúcar uhum. Mas ele já teve cacau.
- 38:58Ele já foi feito à base de cacau, né?
- 38:59E talvez agora ele tenha traços delicados, tangenciando, notas
- 39:03de cacau. Só que esse chocolate, que é o
- 39:05comercial, ele deu uma piorada. Deu demais.
- 39:07Né? Ele?
- 39:08Ele está piorou demais, menina. Até me deu uma doina.
- 39:11Piorou demais. Me deu uma doença supleta da
- 39:14última vez que eu fui ao cinema. E aí eu fiquei pensando, pode
- 39:18ser que a turma que toma o carmel ice de maquiado, com
- 39:21missulatti e buble tea está esquecendo o produto é, pode
- 39:26essa turma, em algum momento, sinta a diferença do gosto que o
- 39:29café vai passar a ter, se o café não for tão espetacular quanto
- 39:32ele vem sendo, né? Exatamente, não vai.
- 39:34Sentir vai, sentir, não vai? Consumidor percebe qualquer
- 39:37mudança em produto. É, às vezes a gente tem assim
- 39:40essa conversa dentro da indústria, como se tivesse uma
- 39:42diferença tão, tão, tão enorme assim entre quem é
- 39:45profissionalmente feito e forjado no fogo da prova
- 39:48sensorial para sentir gostos e o cliente, que é alguém que está
- 39:51também interessado em consumir aquela parada como se fossem
- 39:54grandezas tão distintas assim, eu lembrei de uma conversa que
- 39:57eu tive com você em novembro do ano passado.
- 39:58Eu vou sim, nosso amigo Otávio. Ah, Otávio.
- 40:01Sobre o maioral, uma perceção que a gente estava tendo de que
- 40:06para. Alguns produtores de café
- 40:08especial. Não estava mais valendo a pena
- 40:11fazer cafés dentro do especial. A gente fala às vezes em
- 40:14números, vamos colocar aqui entre o 80 e o 99, que é que eu
- 40:18nunca nem provei. Mas enfim, e a gente tem provado
- 40:21muito café 8182. Pouquíssimos cafés 8586, que são
- 40:27já café especial, super gostoso, tomar um dia a dia e tudo sim.
- 40:30E a gente estava vendo um Monte de gente produzido desses
- 40:32produtores de cafés especial, assim, cada vez +80, 81, raso.
- 40:36E um micro lote super especial 8889 para mandar para o
- 40:41concurso. Exatamente.
- 40:42E aí, o que a gente está afim de comprar na cafeteria?
- 40:45Às vezes, que é aquele café muito especial, uma delícia, mas
- 40:49que custa menos de 100 BRL a 100 g, eu não tenho encontrado mais.
- 40:52Não, nem eu, amiga. Essa frustração eu compartilho
- 40:56com você. E eu acho que isso não é tão
- 40:58pessoal assim, mas que isso revela talvez, esse entrave de
- 41:01uma relação de diferentes pontas da cadeia produtiva no nosso
- 41:04extrato de café de produção de cafés.
- 41:07Assim, eu fiquei tentando entender veros recentemente,
- 41:10como que o produtor que viveu essa mudança toda e o boom do
- 41:13café especial para o nosso mercado tem visto o consumidor
- 41:16final dele? O que que esse produtor com quem
- 41:18você conversa tanto nas suas fazendas experimentais de
- 41:21observação de indivíduos com pouca variedade genética, tem
- 41:25achado, tem achado quem é o consumidor dele?
- 41:28Às vezes a gente tem essa visão até nem achatada.
- 41:31Que que é isso, né? Eu eu tenho impressão amiga, de
- 41:33que a gente tem é muita clareza de como o consumidor.
- 41:36Ou barista? Às vezes veem o produto.
- 41:39A gente tem essa visão romântica e romantizada, que é até meio
- 41:42achatada, de que o produtor é esse grande Rockstar.
- 41:45Uhum. Outro produtor, e aí às vezes
- 41:48eu, eu flagro isso. E de consumidor final também são
- 41:51o consumidor. É essa pessoa, a saída do
- 41:52recanto, 9 horas das 6. Assim, uma coisa super lírica.
- 41:55Então, por mais que role o tratamento de imagem e tal, a
- 41:58gente consegue ter mais ou menos uma mirada do que que é o
- 42:00consumidor. Olhando para o produtor, eu
- 42:02tenho muita dificuldade de entender como o produtor olha
- 42:04para esse consumidor com essa mudança toda.
- 42:06Por isso a minha pergunta para você, como é que você acha que o
- 42:09produtor vê a gente? Eu acho essa pergunta muito
- 42:12difícil, mas eu vou tentar. Vamos conversar um pouquinho
- 42:18aqui sobre as coisas assim. Eu acho que o produtor, ele tem
- 42:23uma realidade de vida. E aí eu estou falando de
- 42:27especialmente pequenos produtores, né?
- 42:29Ele tem uma realidade de vida e de atividades completamente
- 42:34distinta da da cadeia. Ali da ponta da cadeia, né?
- 42:39Uhum, então, assim, tem muitos produtores que você visita que
- 42:43eles fazem o café sem nem o equipamento vence assim, sabe?
- 42:47Fazem de uma forma que é comum para eles, né?
- 42:50Então eu acho que existe uma grande distância aqui de
- 42:55experiências, de é compreensão de vida, enfim, de tudo entre o
- 43:02produtor, EOO, barista, por exemplo, uhum.
- 43:06Esse. Profissional final aqui e assim,
- 43:09eu acho que às vezes, quando você junta os 2, o produtor,
- 43:13talvez ele tenha uma capacidade de absorção do que é a vida do
- 43:19barista maior do que o contrário, entendeu?
- 43:23OK, então assim, eu acho que é dada a complexidade da produção
- 43:26de café, da cultura de café. Eu imagino que assim a gente
- 43:30pode ir visitar fazendas, fazer estágio, fazer isso, fazer
- 43:34aquilo. Existe especialmente para esses
- 43:36produtores que nasceram, cresceram e viveram desde sempre
- 43:40lidando com lavoura. É um conhecimento empírico junto
- 43:44com o conhecimento técnico, junto com o conhecimento
- 43:46científico. É tudo junto assim que.
- 43:48Aí você distancia ainda mais AA conversa entre essas pessoas, eu
- 43:54acho. Entendi uma vez eu lembro de
- 43:56estar numa fazenda e conversando com esse produtor que é amigo.
- 43:59Eu contei para ele quanto baristas ganhavam em média,
- 44:02porque. Ele jurava que o Batista
- 44:05ganhavam 10000 BRL. E eu falei, não, não, não.
- 44:08Boa parte. Nós ganhamos salário mínimo.
- 44:11Ganhar até, sei lá, 3 pau essa conversa.
- 44:14Não acho que o salário tenha sido reajustado o suficiente.
- 44:17Acho que não, né? É para que a percepção do
- 44:19produtor fosse diferente. Mas ele pareceu muito chocado
- 44:23quando eu falei que o Batista ganhava muito mal e foi muito
- 44:26louco esse dia, assim que eu eu fiquei realmente pensando assim,
- 44:31a gente tem o privilégio de morar num país que tem.
- 44:34Realidades muito diferentes, mudando regiões, assim de como a
- 44:39produção de café se dá. A gente mora no país do mundo em
- 44:42que se produz café. Então, sei lá, já tive conversas
- 44:45com baristas de outras nacionalidades em que AA pessoa
- 44:48criou coragem de me perguntar se eu já vi um pé de café de perto.
- 44:51E a pessoa trabalha em café, sei lá, 1215 anos e era é isso, era
- 44:55o era o campeão onde aeropress do país dele e a gente se
- 44:58encontrou no campeonato, lá no mundial e tal, e ele perguntou,
- 45:01com muita vergonha assim, desculpa, você já viu um pé de
- 45:03café ao vivo? Eu falei, cara, já ele falou,
- 45:05mas você já visitou uma produção de café?
- 45:06Eu falei já, e ele, meu Deus do céu, nossa, e ele ficou muito,
- 45:10imagina você trabalhar com café há 12 anos e nunca tinha visto
- 45:12uma lavoura, é isso porque a gente trabalha com café nessa
- 45:15conta urbana da cadeia. Precisa fazer um esforço ativo
- 45:20de ir até a origem, porque a gente dispõe de um privilégio
- 45:23muito grande de ter esse contato que muda completamente a mirada
- 45:27que a gente tem para o que a gente está fazendo uhum e mais
- 45:29do que consegue estar mais próximo do produtor.
- 45:32EEE, talvez? Tem esses dilemas sobre futuro,
- 45:36sentimento de de experiência um pouco mais apuradas do que essa
- 45:41coisa chatada ou ou até fantasiosa sobre quem somos para
- 45:44eles, quem eles são para nós. Exatamente, eu acho que é muito
- 45:47por aí, amiga. Imagina, são universos muito
- 45:50distintos, né? Então, assim, é difícil.
- 45:53A percepção de um ser precisa em relação ao outro e vice versa.
- 45:59Assim, total é isso. Você sente uma diferença muito
- 46:02grande de quando a gente tá falando do produtor de café de
- 46:06qualidade, do produtor de café especial e dessa suposição que
- 46:09às vezes é feita de produtor de café tradicional.
- 46:12Este homem mal recém saído da novela Terra Nostra.
- 46:16Pensei em sair da Ana mãe, luterna o Astra é muito bom.
- 46:18Então, amiga, essa visão de produtor de café especial, ela é
- 46:24romantizada por esse nicho que é o café especial.
- 46:28Então a gente está falando que, além de qualidade de bebida,
- 46:31existe também uma conexão com o público, porque a partir dessa
- 46:36produção conta se histórias, então você tem ali um super
- 46:42herói e muitos deles são de fato.
- 46:44Super herói, tá louca? Eu choro e sou fã de todos eles
- 46:47lá que eu vou. Aí, exatamente, exatamente.
- 46:50E quando você vai é porque assim aqui eu estou tentando entender
- 46:53se a gente vai falar de café tradicional.
- 46:56Ou torrada e moído da gôndola? Sim.
- 46:58Ou ou café comercial. Café tradicional, torrada,
- 47:02menino da gôndola, porque às vezes eu então explicar o
- 47:04contexto disso. Chego de férias na casa da minha
- 47:06tia em Manaus e aí rola nossa, eu é esse café aqui?
- 47:09E depois de 10 anos nessa, nessa trajetória, eu já devo ter
- 47:13passado da fase de quem quis catequizar a família toda até a
- 47:16fase do vou fazer café para todos até a fase do não.
- 47:20Não dou conta de de trazer café todas as vezes e moer para todo
- 47:22mundo, achar que está aguado demais, mas elogiar porque
- 47:25mariani fez um ótimo trabalho. E aí tem essa coisa de que eu
- 47:27chego e aí tem um café especial com o nome do produtor na, na
- 47:30capa ali tudo, aquela coisa da torrefação micro que todo mundo
- 47:33aprendeu a comprar. E tem um café que eu não vou
- 47:35falar a marca aqui, mas que é um café tradicional, que está na
- 47:39gôndola de todos os mercados deste país e que a pessoa fala
- 47:42esse café aqui marianinha, eu não sei nem quem produziu, não
- 47:46sei nem de onde eu. E aí eu fico fazendo minha nova
- 47:49frase milituda, que é, pode ser que tenha vindo inclusive da
- 47:51mesma fazenda do café ao lado, porque ele vendeu, foi.
- 47:55Excelente de produção dele para algum lugar.
- 47:57E a pessoa AI, meu? Bem, é exatamente isso.
- 48:00É e é. E essa era exatamente a minha, a
- 48:02minha resposta. Aliás, porque assim é, dentro da
- 48:05produção de café, o produtor ele produz diversas qualidades e
- 48:10dentro do que ele produz, ele ainda beneficia tudo, dependendo
- 48:14do mercado para o qual ele vai, né?
- 48:17Vender esse café e esse resíduo de benefício.
- 48:21Porque assim, no café, nada se perde.
- 48:23Nada, né? Nada se perde o resíduo de
- 48:25benefício, ele tem valor de mercado uhum.
- 48:29Então tem indústrias que vão comprar esse resíduo de
- 48:32benefício e fazer mais umas outras coisas ali.
- 48:35EE enfim, vender isso para o consumidor final, que é um
- 48:40consumidor que não tem conhecimento de café ou talvez
- 48:44não tenha condições de comprar. É outros cafés, é uma questão de
- 48:48acesso com maçã ou de grana, mas é isso.
- 48:51Assim, não existe uma, não existe necessariamente uma
- 48:54produção de café tradicional, é isso, diferentes produtores,
- 48:59produtores, muito fodas, produtores de volume, enfim,
- 49:03todo mundo vende seu resíduo. Então a indústria que está
- 49:07comprando esse resíduo, eu acho que aqui o que a gente deve
- 49:11fazer não é falar produtor de café especial e produtor de café
- 49:15tradicional. ESIM, brigar pra aumentar essa
- 49:19régua, pra subir essa régua, entendeu?
- 49:21Tipo, a gente precisa que o café de base seja de maior qualidade?
- 49:26Sim, porque é isso. Assim, o que que a gente
- 49:30precisa? A gente precisa de fiscalização,
- 49:32a gente precisa de uma regulamentação diferente.
- 49:36Então assim que a gente vai mudar qualidade de café que
- 49:39chega na gôndola do supermercado, mas.
- 49:42Muitos produtores vendem seu resíduo para essas indústrias
- 49:46que produzem o café tradicional. Massa de vivo falando sobre
- 49:49isso, porque eu acho que quando a gente estreitou mais os laços
- 49:53assim e ficou mais amiga, veio claro dessa desse momento muito
- 49:57magnético que a amizade promove, mas também de uma velho, de uma
- 50:01admiração imensa que eu tenho pela maneira como você explica
- 50:04as coisas e a maneira pela qual você consegue.
- 50:07Provar as coisas assim, e aí eu lembro que eu te perguntei se eu
- 50:11podia passar uns dias provando café com você na exportadora que
- 50:16você trabalhava no sul de Minas. É um pouco mais sobre como era
- 50:20provar café assim. E a gente fica falando essa essa
- 50:23coisa dessa diferença muito grande entre os gostos que o
- 50:26café tem e tal, e que às vezes o consumidor fica parte de um
- 50:29pressuposto de que a pessoa nasce muito sabendo provar e aí
- 50:32Ela É Aquela criança super sonica assim que sabe escolher a
- 50:34Manga pela pelo ponto de maturação e outras crianças que
- 50:37nem eu que come suflê chocolate, entendeu?
- 50:39Mas que graças AA. Ao nosso contato eu consegui
- 50:45passar a entender é como que os profissionais de prova se
- 50:48capacitam para fazer o que eles fazem, entendendo que essas
- 50:51coisas são meio treino assim, né?
- 50:53É, queria te perguntar, como que profissional de prova se
- 50:56qualifica para fazer isso, a prova do café e que mudança que
- 50:59essa qualificação tem passado? Porque acho que o nosso mercado
- 51:02vem falando muito sobre essa transformação e eu queria te
- 51:04ouvir um pouco sobre sim, esse é o momento que eu queria saber do
- 51:07CPA também, sim. Claro, amigo, vamos falar disso
- 51:10tudo assim, primeiro o professor.
- 51:13De prova ele é considerado um profissional porque ele passou
- 51:18por treinamentos, certificações. Ele tem experiência e quanto
- 51:24mais experiência, maior a reputação dessa pessoa no
- 51:29mercado, porque a experiência ela melhora a sua habilidade de
- 51:34provar café. Então, para quem busca se tornar
- 51:38um profissional de prova, eu sugiro que essa pessoa passe
- 51:42por. Treinamentos, faça muitos
- 51:44cursos. E esses treinamentos eles têm
- 51:47que ser como referências, então você tem que ter referência de
- 51:51diferentes atributos, referência de gostos básicos, textura,
- 51:57referência de diferentes cafés. Entender como se pontua esses
- 52:01cafés é uma longa jornada para ser 111 provador profissional.
- 52:06Mas é uma jornada bem interessante.
- 52:08E aí daí a certificação. Ela é um plus, né?
- 52:11Porque a certificação ela aumenta o seu valor no mercado,
- 52:15então é interessante. Por isso essa certificação que é
- 52:19o kill grader, q grader. Não pode falar kill.
- 52:23Está tudo bem para mim. Eu fiz aquela piada com a turma,
- 52:25olha, mas era só uma piada mesmo.
- 52:27Então, essa certificação. Ela agora é oferecida pela
- 52:33specialty coffee Association, né, que é a associação de cafés
- 52:36especiais. A SK.
- 52:38A SK do mundo, né? Ela então licencia, né?
- 52:43Esses provadores a partir de um mesmo formato, que era o formato
- 52:48anterior de que rader. Então, assim, as pessoas elas
- 52:51passam por esses treinamentos são submetidas a diferentes
- 52:56testes práticos. E vai validando tudo isso, né?
- 53:01E provando bastante café também e entendendo sobre pontuação.
- 53:05Só que recentemente a escala lançou.
- 53:08OCVA, que é o coffee velho, o acessment OCVA.
- 53:12Ele é um novo protocolo que busca entender quais são os
- 53:17fatores que criam valor para o café.
- 53:19E nesse protocolo, então a gente tem 4.
- 53:23É tipos de avaliações, avaliação física, de acordo com quantidade
- 53:28de defeitos e defeitos que são aceitáveis, a avaliação de
- 53:32bebida, que passa por uma avaliação descritiva e uma
- 53:35afetiva. Afetiva.
- 53:37É afetiva? Ela chamava fixe e depois uma
- 53:40avaliação extrínseca em que componentes externos daquela
- 53:46produção, como a, por exemplo, esse café foi produzido por
- 53:50mulheres, esse café ele foi produzido em sombra ou enfim,
- 53:55qualquer outra coisa. É sistema agroflorestal,
- 53:58floresta é agrofloresta, enfim, tudo isso agrega valor no final
- 54:03das contas. Então é uma documentação
- 54:06completa do que agrega. Pega valor para determinado
- 54:10mercado? Então OOCVA ele primeiro.
- 54:15A partir da avaliação descritiva, ele se aproxima mais
- 54:19da ciência de alimentos. Então ele se aproxima mais do
- 54:24fator científico aqui, que é você usar de metodologias que
- 54:31deixam a coisa objetiva. Então, o formulário descritivo,
- 54:35ele tem essa grande função de de permitir uma avaliação objetiva,
- 54:40porque você só marca o que aplica, entendeu?
- 54:43O que se aplica naquele contexto?
- 54:45Então, se o café tem chocolate, eu Marco o que ele tem de
- 54:47chocolate, porque nesse contexto eu estou sentindo chocolate, tá?
- 54:50Então assim é uma. Avaliação estruturada e que
- 54:54permite uma avaliação objetiva. Já o formulário afetivo ele é AA
- 55:00percepção de qualidade e a percepção de qualidade ela pode
- 55:04variar de acordo com determinados mercados.
- 55:07Então é aí que OCVA. Ele abre brecha para muitas
- 55:11discussões, porque hoje em dia parece que a gente perdeu a
- 55:15nossa métrica de qualidade. Eu estou completamente perdida,
- 55:19então. Mas qual é que seria a métrica
- 55:21de qualidade para café? E isso varia de mercado para
- 55:26mercado. Então o que se faz é entender
- 55:28qual o objetivo daquela avaliação para usar o formulário
- 55:31afetivo. E para consumidores, por
- 55:34exemplo, que querem usar um formulário efetivo, vai de
- 55:37preferência mesmo. Mas se a gente tá pensando que a
- 55:41gente geralmente faz esse laudo, né?
- 55:43Essa ficha do café para determinar preço de venda e
- 55:46compra, é entender quanto ele custa e quanto ele vai valer,
- 55:50né? É quanto ele custa.
- 55:51Não que tem a ver com com o custo de produção.
- 55:53A gente sabe que não é bem isso, mas entender quanto esse café
- 55:55vale, se eu abro para. Para a preferência desse jeito.
- 55:59Assim, eu gosto mais. Eu gosto menos.
- 56:01É. É muito doido, né?
- 56:02Porque a gente mexe com essa coisa que é uma crítica social
- 56:04do que que é o gosto no final das contas.
- 56:06E. Exatamente.
- 56:08Mas é aí que tá amiga, não é a sua preferência?
- 56:12Simplesmente assim. Se você é um consumidor final e
- 56:15quer provar o café para saber o que que você vai comprar?
- 56:19Você pode usar de fato a sua preferência nesse caso.
- 56:22Só que assim uhum, se eu sou trader e eu vendo um café para
- 56:27um determinado mercado, o café, ele precisa encontrar
- 56:31determinada qualidade específica de bebida, sim, então qualidade
- 56:36física e qualidade de bebida. Então assim eu posso fazer um
- 56:39cuping que, com o meu objetivo, ele é direcionado para eu achar
- 56:43os cafés que mais encaixam dentro do meu mercado.
- 56:46Sim. E aí as pontuações, elas vão
- 56:48levar em consideração. Esse objetivo agora, esse
- 56:51objetivo é diferenciar os cafés e mostrar os que têm maior
- 56:54qualidade. Dado uma qualidade pré
- 56:57determinada, é a mesma coisa que usar o anterior, porque você vai
- 57:01avaliar qualidade. No final das contas, esse
- 57:04protocolo pressupõe um nível de calibragem muito maior, né uma?
- 57:08Muito maior? Exatamente.
- 57:10E ele permite também uma conversa maior com a indústria,
- 57:13aproxima maior a indústria. Entende?
- 57:17Uhum então assim, mas é é difícil, é difícil,
- 57:19especialmente para concursos de qualidade pessoal ainda.
- 57:22Eu acho que ainda vai tempo e. Eu tô bem.
- 57:25Foi isso que eu fiquei pensando, como é que você vai na região e
- 57:27julgando? Mas é isso também.
- 57:29A calibragem ajuda a gente a entender exatamente, você vai
- 57:32montar essa mesa e para quê, né? Exatamente da forma em função
- 57:36preparada. Eu gostei de.
- 57:37É a calibragem que vai ditar. Então assim você vai ter um
- 57:41objetivo de prova, entendeu? Tá, tá bom.
- 57:44Entendi, mas você, você, você gosta?
- 57:46Eu gosto, eu gosto porque o descritivo é maravilhoso.
- 57:49Eu já estou trabalhando com isso nos nos nossos dados e meu Deus
- 57:53do céu, para a estatística. Isso é o céu eu estou no.
- 57:56Céu, eu amo que você é uma pessoa obcecada, que achou uma
- 58:00forma de fazer a sua vida produtiva ter um sentido
- 58:04impressionante que é. Pesquisa, né, amiga?
- 58:07Sim, você é 11 pessoa obcecada, que achou uma forma maravilhosa
- 58:12de Viver A Vida. Aí eu acho também, amiga,
- 58:15desculpa, eu te interrompi, não, eu te.
- 58:17Interrompi é que eu fico pensando que tem gente obcecada,
- 58:19que é obcecada. Você não qualquer outra coisa da
- 58:21vida que não cientista. E você faz pesquisa quantitativa
- 58:24com uma coisa que para muita gente não era quantificável.
- 58:27Uhum, eu sempre falo que você me ensinou que eu tenho um
- 58:29cromatógrafo na no final das contas.
- 58:31Mas você gosta de ser provadora, né, Nico?
- 58:33Eu gosto, eu gosto muito de ser provadora.
- 58:35Eu adoro trabalhar com isso. É ver resultado de de processo.
- 58:40Isso tudo. Nossa, é muito gostoso e provar
- 58:44café é maravilhoso, né? Tudo bem que às vezes a gente
- 58:47prova uns reados. Reados jura uns batata que que é
- 58:51reado para turma saber. Então a gente chama de reado.
- 58:55O sabor característico de um defeito que pode ser encontrado
- 59:00no café por erro de processo, erro na fase de processamento.
- 59:05Entre colher e torrar? Exatamente.
- 59:07E aí colher secar especialmente, né?
- 59:10E aí, que que vai aparecer esses reados uhum?
- 59:13E aí é um sabor característico que ele é considerado defeito e
- 59:17é sabor de mofo, é um sabor insuportável, então assim, é um
- 59:21sabor insuportável nisso. Quando você tem uma mesa lá, 70
- 59:24amostras para provar e dar 7050 são reados, você fica realmente
- 59:29triste assim. Isso acaba com com o dia.
- 59:31Eu não consigo imaginar. Tento e 70 amostras para provar
- 59:34e 50 serem reados se eu eu não sou provadora profissional
- 59:37minha. Parte do café é outra, mas se eu
- 59:39tivesse numa mesa com 70 amostras e 4 fossem arreados,
- 59:43talvez eu conseguisse recuperar 50.
- 59:45Talvez, talvez 50 amiga é? Deixa gente triste, talvez eu
- 59:49fosse comprar outra coisa. Mas isso já aconteceu comigo, já
- 59:53aconteceu comigo. Eu tenho certeza, minha filha,
- 59:55eu tenho certeza. Acho que tem.
- 59:57Tem momentos da safra da nossa vida em que o mundo vem cheio de
- 1:00:01reados. Exatamente.
- 1:00:03Tem essa figurinha do WhatsApp com seu nome e a e a sua
- 1:00:07mãozinha. Assim escrito, não me venha com
- 1:00:08reados. Não me venha com reados.
- 1:00:11Falar do reado, eu acho. Acho engraçado assim, quando eu
- 1:00:15vou explicar isso em aula ou para alguma equipe, é de
- 1:00:17treinamento. Consultoria e tal que eu vou
- 1:00:19falar, Ah, isso aqui é um reality pessoal.
- 1:00:20Ah, qual que é o gosto do reality?
- 1:00:21Falou o realdo. Ele tem uma cara.
- 1:00:23O gosto dele é uma cara que você faz quando você própria é
- 1:00:25impressionante que é uma rejeição ancestral que o seu
- 1:00:29palato vai ter. Há uma coisa que claramente está
- 1:00:32fazendo mal para você. Exatamente.
- 1:00:33Você sente no estômago? Você sente no estômago, você
- 1:00:36sente no estômago. É horrível Oo corpo.
- 1:00:39Ele rejeita aquilo. É, não.
- 1:00:42E ninguém fez por mal. Ninguém ri.
- 1:00:43Um café porque quer é um. É uma tristeza, é uma.
- 1:00:46Tristeza. Para o produtor, que seu que o
- 1:00:48café Rio é uma tristeza e aí eu gosto que a gente tenha essa
- 1:00:52essa expressão incrível para explicar para alguém que o café
- 1:00:55está reado, que é o estouro da xícara, né?
- 1:00:58Exatamente, a xícara estourou. É porque o café está arreado.
- 1:01:02E isso não é uma coisa boa. Você fala assim, putz, a Chica
- 1:01:04de estourou. AI, que bom, não, querida, a
- 1:01:06Chica de estourou é é seu café, está arreado é, vamos tentar na
- 1:01:10próxima. Mas se você não fosse provadora,
- 1:01:12Verônica, se você não trabalhasse com o café, com quem
- 1:01:15que você trabalharia? AI, amiga, é assim.
- 1:01:18Eu tenho uma resposta que é porque isso é dado toda a minha
- 1:01:21experiência de vida, né? Então, se não fosse café, seria
- 1:01:24biologia, porque é ciência de algum jeito, entendeu?
- 1:01:27Tu já não trabalha com biologia, mulher?
- 1:01:29É trabalho com biologia? Exatamente.
- 1:01:31Então eu não sei. Eu não sei o que seria de mim se
- 1:01:34eu não trabalhasse com café. Cronista.
- 1:01:37Eu acho. Isso é muito.
- 1:01:38Bom, na literatura, mas essa é uma pergunta, porque eu acho que
- 1:01:42é 11 coisa legal de te perguntar.
- 1:01:44Eu fico vendo na sua trajetória assim, você me ajuda muito.
- 1:01:47AA entender que às vezes as jornadas que a gente tem, com ou
- 1:01:51não, com ou sem café, são meio aglomerado das coisas que a
- 1:01:54gente faz e que interessam a gente.
- 1:01:56Assim, né? E você, nas suas obsessões,
- 1:01:59consegue traduzir um Monte de coisa que é muito útil assim.
- 1:02:03E eu acho que você conseguiria usar sua genialidade pra
- 1:02:06principalmente qualquer coisa amiga, qualquer qualquer.
- 1:02:08Coisa AI, amiga, muito obrigado eu IA ser.
- 1:02:10Muito boa trabalhando com com outras coisas, mas eu que
- 1:02:13compartilho esse mercado com você, ando muito grata que você
- 1:02:16trabalhe com café assim como eu para me ensinar.
- 1:02:18Sim, eu sou muito grata você existir nesse mercado, amiga.
- 1:02:22Eu sou muito grata a você ter topado participar comigo de uma
- 1:02:25insanidade sem precedentes que é este bloco na rua chamado bloco
- 1:02:30do Catuaí. Que como eu comentei no início,
- 1:02:34pra você ouvinte, que está resistindo a essa xícara de
- 1:02:38esfriar e continua conosco com bom Balanço, é invadiremos as
- 1:02:42ondas do seu rádio de 15 em 15 dias às quartas-feiras, com
- 1:02:47nomes interessantes, assim como menina Verônica, Belchior e eu
- 1:02:50gostaria de fazer umas pequenas perguntas, a Verônica não mais
- 1:02:54de cunho técnico, antes da gente encerrar esse momento.
- 1:02:57E eu queria entender, como é que você, Verônica, na vida real?
- 1:03:01Preparo o café do dia a dia. Lembrando que a gente nem sempre
- 1:03:04tem aquele regat. Chefe é etíope.
- 1:03:06Para colocar no nem sempre nossa é muito raro, inclusive.
- 1:03:10Quem faz café em casa é você, é óbvio.
- 1:03:12Né, amiga? Puxe óbvio, aqui, não foi?
- 1:03:15Não, mas quem faz é a moca master.
- 1:03:17É a moca master. A boca master pessoal, ela é a
- 1:03:22maior revolução da da tem maior boca master não, né?
- 1:03:26O quadro elétrico? Exatamente.
- 1:03:28Ele é a maior revolução Na Na vida da paz do ser humano desde
- 1:03:32que inventaram a máquina de lavar roupa.
- 1:03:34Nossa, e ela é consistente. Os cafés saem parecidos, sabe?
- 1:03:38Eu é entre um Beto e outro, é maravilhosa.
- 1:03:42Mas o que que eu faço, amiga? Hum, para garantir Alegria no
- 1:03:46meu dia a dia. Eu?
- 1:03:48Tento comprar cafés muito bons, salvo quando eu deixo acabar o
- 1:03:52negócio. Eu fico aí uns 3 dias sofrendo,
- 1:03:56tentando achar qualquer outra coisa para.
- 1:03:58Beber alô, marcas, manda arquiteta Verônica.
- 1:04:00Por favor, gente, eu vou amar. Eu vou postar, eu vou fazer
- 1:04:03tudo, posso fazer tudo. Mônica, você compra café bom?
- 1:04:09E amiga, eu sou apaixonada por um café lavado do Espírito
- 1:04:14Santo, sabe? É, é minha emoção na vida.
- 1:04:17Entendi, bairrismo pouco bobagem é bairrismo um pouco bobagem.
- 1:04:21Eu encomendei um hoje não vou mentir para você, não.
- 1:04:23Eu liguei para o dia da da Trentino e pedi 2 cafés dele.
- 1:04:26Mas no seu dia a dia você aplica essas coisas, tipo remuneralizar
- 1:04:29a sua água, passar seu sua moagem por um cruve para
- 1:04:33garantir que não tenha partículas grossas demais.
- 1:04:35Você faz essas coisas, claro. Que não, amiga, tá bom?
- 1:04:37Era só isso que eu precisava entender.
- 1:04:39Não, não faço. Amei que no seu dia a dia você
- 1:04:42morre na hora e passa o café numa, é no coador eletrônico que
- 1:04:46você aperta. Exatamente.
- 1:04:47O que eu faço é moer moo manualmente porque eu estou sem
- 1:04:50um moedor elétrico. Mas sim, moer é o meu grande
- 1:04:55trabalho, tá bom? Também também eu, nem eu nem
- 1:04:59entender isso assim. De novo, obrigada por ter
- 1:05:06topado. Desculpa pelas perguntas que
- 1:05:08vocês são difíceis, mas eu vou talvez antecipar aqui que elas
- 1:05:11possam ter sido formuladas. Só a base de muito café, né?
- 1:05:15E eu completamente embaixo com a minha capacidade de síntese.
- 1:05:20Então obrigada por ter topado essa comigo.
- 1:05:22E é muito bom desfilar o bloco do Catu aí ao seu lado.
- 1:05:26Amiga, você não tem noção da Alegria que eu estou sentindo de
- 1:05:31fazer parte do seu primeiro episódio.
- 1:05:33A gente começou o Carnaval. Que maravilha.
- 1:05:37Bom demais. Vamos começar e terminar o
- 1:05:39Carnaval. É isso, minha amiga?
- 1:05:41E muito, muito obrigada, amiga. Eu estou muito feliz.
- 1:05:45Parabéns. Isso aqui vai ser um sucesso.
- 1:05:47Obrigada, minha amiga. Tomara que não.
- 1:05:49História xícara. Amo você, viu?
- 1:05:51Tchau, tchau. Não estourará também te amo.
- 1:06:03E é isso. Meu caro culhão?
- 1:06:05Minha cara, pezinha de Cato aí. Vermelho florido, você acabou de
- 1:06:10disputar o primeiro episódio, nosso episódio de estreia do
- 1:06:13bloco do Cato aí, obrigada pelos seus ouvidos, espero eu que
- 1:06:18pelas suas risadas. Eu espero também que você tenha
- 1:06:21aprendido coisas legais sobre cafés e variedades e.
- 1:06:24Nossa ter escutado comigo com alguma Esperança o que que vai
- 1:06:27ser o café do nosso futuro. Foi um prazer ter a sua
- 1:06:30companhia hoje e a gente se vê daqui a 15 dias com o seu
- 1:06:35tocador de podcast, eu sou a Mari Mesquita, apresento, eu
- 1:06:39roteirizo bloco do Catuaí, que é uma produção da Paint network.
- 1:06:43Você consegue nos acompanhar pelo substaque, também pelo
- 1:06:46Instagram e, claro, ao alcance das suas mãos no seu tocador de
- 1:06:51podcasts. Estaremos sempre aqui.
- 1:06:53Um abraço para você. Bons cafés.
- 1:06:54Mais por aí e até o próximo bloco do Catuaí.