Latest / Surra de Lúpulo / O que é brasilidade na mesa e no copo? Com Bia Amorim (Beer Sommelier) e Eduardo Marcusso (Ministério do Abastecimento, Pecuária e Agricultura) | Encontro Selvagem T2 Ep.010
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- 0:08Encontros selvagem, experimentando a brasilidade
- 0:12através dos líquidos. Boa tarde, pessoal de casa, boa
- 0:26tarde pessoal que está aqui nos acompanhando.
- 0:29E deixo a palavra pombi Amorim e Eduardo marcusto falando sobre a
- 0:34trajetória dos destilados, da experimentados e tudo mais pelo
- 0:39Brasil. Fiquem à.
- 0:40Vontade? Olá, boa tarde.
- 0:43Esse é um tema que a gente já abordou no primeiro encontro
- 0:47selvagem do ano passado. E a gente também tentou trazer
- 0:53outros nomes aqui para fazer esse debate, mais um formato
- 0:57mesmo da redonda. Mas como o Brasil é esse país
- 1:01continental e de passagens aéreas, um tanto quanto de
- 1:06difícil acesso, né? Mas acho que vai ser sempre um
- 1:09assunto que a gente vai retomar. Vai ser como a Aline falou, né?
- 1:14Hoje são as culturas que vão se remodelando, são as tradições
- 1:19que vão sendo refeitas, renovadas.
- 1:23E então acho que vai ser sempre um assunto que a gente vai
- 1:26trazer à mesa, a depender da onde a gente vai estar e qual
- 1:30vai ser a abordagem, com quais pessoas a gente vai sentar.
- 1:35E esse ano eu tenho a Alegria do Marcos ter aceitado.
- 1:39Eu sou fã do Marcos. Antes de conhecer ele como
- 1:42pessoa, eu acho que muitas pessoas aqui leram, ouviram
- 1:46falar sobre a tese dele. Então o convite é para ele como
- 1:51geógrafo. Falar um pouquinho da
- 1:53perspectiva dele sobre o terro, a na cerveja e toda essa
- 1:58construção. Então eu vou deixar ele falar.
- 2:01E daí? Depois a gente vai debater um
- 2:03pouquinho, vai abrir para perguntas.
- 2:05Marcos, por favor, se apresenta. Bom dia, boa tarde a todos.
- 2:09Primeiramente obrigado Bia, é um prazer enorme estar com vocês
- 2:13aqui no a Tarantino, um lugar muito especial pra pra cena da
- 2:18cerveja e esse encontro que é fundamental pra pra toda a
- 2:23cadeia, né? De explorar essas cervejas mais
- 2:25complexas, essas cervejas que traz um pouco da identidade do
- 2:30Brasil. E é um pouco de que a gente vai
- 2:33falar aqui nessa mesa redonda que é mais por uma mesa de bar,
- 2:36né? 2 daqui na mesa de bar sempre
- 2:38tem um mais agitado, então eu vou pedir licença pra ficar em
- 2:41pé que eu trouxe aqui. Alguns slides, né?
- 2:45Que eu, como eu sou professor e tal.
- 2:47A gente gosta de um slidezinho para a gente guiar, trazer bem
- 2:51fundamentado, fazer uma conversa bem guiada com vocês para tentar
- 2:55contribuir. É nessa discussão de brasilidade
- 2:58de terroar na cerveja brasileira.
- 3:00Então eu trago aqui essa ideia de trajetória etílica
- 3:03brasileira, né? Então casa muito com o que a
- 3:05gente viu de manhã, de tentar buscar as tradições alcoólicas
- 3:09brasileiras e ver porque que a gente chegou até hoje tendo 1700
- 3:12cervejarias, tomando 15 bilhões de litros de cerveja por ano
- 3:15esse. Mercado gigantesco.
- 3:18Então a gente tenta trazer esse paralelo para entender o que que
- 3:21é brasilidade, que que é a cerveja brasileira, como que
- 3:24isso se se demonstra No No terroir, então rapidinho, né?
- 3:27Então a gente vai falar da da brasilidade, da trajetória que
- 3:30antílica brasileira, essa comida de verdade, um colega até ali,
- 3:34né, tem o xoripã, estava uma delícia, mas o colega falou, não
- 3:36preciso comer uma comida de verdade, o colega saiu, foi pro
- 3:39restaurante e tal. É um pouco que a gente vai
- 3:40tratar aqui, também, tem indicações geográficas, aí traga
- 3:43um pouquinho da minha formação, de quanto isso pode ajudar nesse
- 3:46processo de identidade, né, as madeiras que são fundamentais aí
- 3:50no processo e. Questão do território terror, tá
- 3:54bom, selvagem como MJ, né? Seria o aí, no caso, a
- 3:58brincadeira. Como é que o Jordan com o Rei do
- 4:00Pop não, mas é o nosso querido Michael Jackson.
- 4:03Ele traz 11 frase que é, está na minha tese e encaixa
- 4:07perfeitamente no tema da da mesa, que é prazer lidar no copo
- 4:11e na mesa. Então ele fala, no mundo da
- 4:12comida e da bebida, existe uma família abençoada com vida
- 4:15eterna, a dos fermentados. Há um apelo primitivo no que é
- 4:18gerado pela fermentação, a sensação de algo selvagem.
- 4:21Então ele ele resgata essa primitividade que que as
- 4:26cervejas ácidos selvagens trazem.
- 4:28Então, brasilidade no copo tem que entender, tem que dar um
- 4:30passo atrás, entender o que é brasilidade, isso é bem
- 4:33complexo, né, que faz o Brasil, Brasil da nação, da identidade,
- 4:37quem é o brasileiro, quem quer a cerveja brasileira, então
- 4:40rapidinho passar por cima da construção da identidade
- 4:42nacional. Então a gente trouxe uma busca
- 4:46incessante pela identidade. Como que você vai colocar a
- 4:48identidade no copo se você tem poucos artifícios para definir a
- 4:52identidade brasileira, né? O brasileiro, ele nasce dessa
- 4:55mistura que a gente sabe, mas tem vários processos complicados
- 4:58nesse nessa construção, então o Brasil.
- 5:00Passou Independência, República, urbanização, é industrialização,
- 5:05globalização, tudo em 150 anos, a Europa fez isso em 300, 400.
- 5:10É mais lento, gradual, mais fácil de você ir construindo
- 5:13isso, né? E a nossa construção vem de se
- 5:15afastar desses modelos. Não é a Europa que tem que dizer
- 5:18o que é, não é os Estados Unidos, o Brasil tem que
- 5:20construir isso. Isso vem de vários autores que
- 5:23que tentaram ajudar a construir isso, né?
- 5:25Vou passar uma visão bem estratosférica dos intérpretes
- 5:29do Brasil. Então você vem desde uma
- 5:31discussão de tirar aquela ideia de que o Brasil é atrasada
- 5:34porque ele é tropical, ele é miscigenado, se o Gilberto
- 5:36Freyre fez lá atrás, mas tem um problema de dizer que existe uma
- 5:39democracia racial não, né, o flores também, dizer uma é
- 5:43etnia, uma sociedade foi impôs a visão de mundo dela sobre os
- 5:49índios, os africanos do Brasil. Nunca foi uma democracia racial,
- 5:53mas é importante entender esses legados.
- 5:56Depois a gente vai passar ali a questão económica e dizer que
- 5:59Brasil só é um agroexportador não, o Brasil consegue planejar
- 6:02para dentro. Brasil tem 200000000 de
- 6:04habitantes, uma economia forte, então há uma mudança de
- 6:07interpretação, quem é o brasileiro, da onde ele vem, né?
- 6:10E o que eu gosto muito do Roberto damatta, né, dessa ideia
- 6:13de identidade lógica, relacional.
- 6:15O brasileiro é a partir das relações que ele se faz com o
- 6:18outro. O Brasil precisa dessa conexão
- 6:20com o outro, é no outro, é na rua, que ele vai trocando e se
- 6:24construindo, se fazendo é. E por fim, o Darcy Ribeiro, ali,
- 6:27nessa ideia de uma fusão violenta que teve entre esses
- 6:30etnias, mas mestiça, tropical. E isso traz coisas boas também,
- 6:35mas não pode deixar é de perceber que as etnias foram
- 6:39esmagadas pela lógica europeia. Então esse é é uma ideia que eu
- 6:42trago ali, né? Então ela é mestista, tropical,
- 6:45ela é alegre, mas ela é sofrido, ela é arcaica, conservadora, mas
- 6:49é criativo. Essa fusão violenta traz esses
- 6:52aspectos, então ela é radiante, é uma miscelânea cultural, mas
- 6:56ela é conservadora, ela ainda é racista?
- 7:00Passando para cerveja, copo, mesa, para ir construindo essa
- 7:04questão de identidade dentro do copo.
- 7:05Então a cerveja, a na verdade as bebidas alcoólicas e a cerveja
- 7:08também, né? Elas têm esses aspectos em todos
- 7:10os lugares, ela é o pão líquido, ela é inebriante, ela teve uma
- 7:14ação curadora e os índios faziam isso bem melhor da gente, e ela
- 7:18é o cimento da união. Eu gosto muito dessa ideia de
- 7:20ser o cimento da união. Então como o brasileiro de
- 7:23entidade se constrói nessa ideia, na sua lógica de lógica
- 7:26relacional, a cerveja casa perfeitamente que essa
- 7:29necessidade de estar do outro está na rua, está com trocas.
- 7:33Então o lubrificante social que a gente fala bastante é de
- 7:36drukime, né? Então é bom citar Oo pai da
- 7:38criança. E aí vem a ideia da trajetória
- 7:41etílica e as suas matrizes culturais.
- 7:42Então o Brasil herdou das suas matrizes algumas preferências
- 7:46etílicas. Então a gente tem essa ideia do
- 7:48Calvin como indígena, o africano, mas eu coloquei
- 7:51referências, o africano, ele não bebia cachaça porque ele gostava
- 7:56ou porque era uma preferência dele.
- 7:58Foi uma referência em termos que ele foi usado como escravidão no
- 8:01ciclo da da cana. A associação que a gente faz é
- 8:04é. Uma associação que tem que ter
- 8:06bastante cuidado, porque eles foram.
- 8:08Aí tinha que mais sofreu no Brasil junto, porque eles foram
- 8:11retirados da sua pátria, apesar dos índios sofrerem muito
- 8:14também. Eles já estavam aqui.
- 8:15E aí a cerveja com os europeus, Ah, então cause e cauinagens
- 8:19muito legal ouvir aqui falar o Luís que Ah, vamos fazer uma
- 8:23degustação com comidas brasileiras e é cauim, Ah, vamos
- 8:28chamar isso de cauinagens. E aí esse ritual que a gente
- 8:31está se adaptando, tem todo esse debate que a gente viu de da
- 8:34cultura, mas a gente tem que enriquecer e dar valor,
- 8:38valorizar isso, então. Cauinha aqui, não vou me
- 8:41estender na parte técnica, mas ela é uma salivada ritualística
- 8:45o cauim, você pode pode usar outro nome, mas essa ideia do da
- 8:48calinagem é importante, ela é uma bebida pedagógica, então no
- 8:52nas cauinagens se ensinava-se para os indígenas tradições, ela
- 8:55é uma bebida memorial, ela que passava os como não tinha
- 8:58escrita, né, passava por meio desses processos e aí Oo colega
- 9:01falou assim, por que que não se faz calin de 1700-1600, por que
- 9:04que voltou hoje nessa ideia da trajetória?
- 9:06A igreja católica chegou e percebeu cauinagem, ela é
- 9:09pedagógica, ela é memorial, então seu mata cauinagem, eu
- 9:12Mato a sociedade. Indígena, porque você não tem a
- 9:17Transmissão, o tecido social é rasgado, como você não tem
- 9:20escrita, você não consegue resgatar isso aí fica facinho de
- 9:23você aculturar ele, facinho de se fazer ele pegar o menino não
- 9:27participou de calinagem porque ele nunca foi pra guerra, porque
- 9:30ele não passou Oo rito de de de passagem na tribo dele, pegar
- 9:34ele e catequizar ele, Ah, só tem um Deus só essa é a língua
- 9:37porque eu vou tirar você da da aldeia tem água tal, não sei o
- 9:40que pano, a ideia do do espelhinho e tal não é o
- 9:43espelhinho espelhinho é só uma ideia pra dizer vou tirar ele, a
- 9:47sociedade, ele e impor a mim e como eles fizeram isso com a
- 9:50cachaça? A cachaça o historiador baudel
- 9:53fala que é O Presente envenenado dos europeus os indígenas
- 9:57tomavam cauim falou que 568, 10%, você dá uma cachaça para o
- 10:02índio e ele usava isso para ritualizar, para encontrar o
- 10:05Deus, para passar a informação. Quando você dá uma cachaça, que
- 10:07na época tinha uns 2530 por cento social, não é os 40 de
- 10:11hoje, ele vai senta aí em hex, ele, isso aqui é muito maior do
- 10:15que ele consegue, né? Tem um relato de que os
- 10:18indígenas tomaram um navio português.
- 10:20E tinha um Monte de Bagaceira, né?
- 10:21E aí eles tomaram aquilo com 2030 por cento.
- 10:24Eles falaram, ficou 3 dias sem, sem conseguir levantar, porque
- 10:27ele no Cauê nagy, eles toma até acabar.
- 10:29E aí com mais que o Cauê, beleza, ele vai comendo, vai
- 10:32pausando, faz um ritual, dorme, acorda a cachaça, aquilo muito
- 10:36rápido, então destruiu o tecido. A gente não fez Cali porque a
- 10:39gente matou essa tradição necessária para colocar a visão
- 10:43do do europeu em si. Então a cachaça com a alma
- 10:47africana, porque os africanos deram a alma nesse contexto, é,
- 10:50a gente tem estatísticas de trocas.
- 10:53De africanos por cachaça na África.
- 10:56Na casa de milhões de pessoas, pessoas sendo trocadas na África
- 10:59por cachaça, chegava português, pegava cachaça, pegava aí
- 11:02escravos negros na África. Então é cachaça.
- 11:06Ela não é uma preferência, mas é uma referência do povo que deu a
- 11:09alma para essa bebida. É a que melhor simboliza o povo
- 11:13brasileiro nessa ideia de conjunção, porque a fermentação
- 11:16é dos indígenas, a destilação é dos portugueses, e quem fez
- 11:20foram os africanos, os canaviais.
- 11:23EE, nesse processo. Então a cachaça é um dos
- 11:26elementos que ajuda a entender essa identidade, que é o que eu
- 11:30vou buscar também de colocar ali na frente nessa ideia de estar
- 11:32no colo a cerveja. A cerveja então chegou pelos
- 11:34europeus, então a produção de cachaça no Brasil, ela sempre
- 11:37liderou, em 1924, a primeira vez que a cerveja tem mais produção
- 11:40do que a cachaça. E aí depois disso ele vai
- 11:43embora, nunca mais perde esse poço, mais ou menos na fase de
- 11:451000000 de litros. E aí você teve nesse processo
- 11:48ainda, você tinha pequena cervejarias, as grandes fizeram
- 11:50um lobby para diminuir o imposto entre as grandes e as pequenas,
- 11:54antigamente a diferença de imposto entre EOE.
- 11:59Aí as empresas de lager fizeram um login para que esse imposto
- 12:02caísse, ficasse um imposto só. Milagre vai ficar.
- 12:05O Lago tinha 200 cervejarinhas no Brasil em 1940, só foi.
- 12:07Aí você teve essa queda de imposto, acabou as artesanais,
- 12:11você só foi ter 200 cervejeiras no Brasil de novo em 1900, 2010,
- 12:141840, 2010. A gente perdeu aí 8090 anos
- 12:16nessa brincadeira, caso de López, né?
- 12:17Então é novamente uma imposição de um modelo único.
- 12:19Então a trajetória de Câmara brasileira é essa, a ideia de de
- 12:23você entender a identidade de cada etnia e colocar a as
- 12:27bebidas no seu devido lugar. Com as suas referências, por
- 12:35isso que a gente tem essa ideia da cerveja, sendo essa o cimento
- 12:39da união, captou essa ideia do cauim da cachaça, pegou carona,
- 12:43então a gente só bebe tanta cerveja porque a gente teve esse
- 12:46processo de cessão. Hoje é a paixão nacional.
- 12:49Então, indo pro prato, nosso prato se é Cascudo nessa ideia
- 12:52do Câmara Cascudo, que é o maior pensador da alimentação
- 12:55brasileira. E aí ele vem nessa ideia de
- 12:58construir a identidade brasileira, ele vai falar,
- 13:00alimentação é um Pilar da construção da identidade
- 13:03brasileira, né? E aí ele vai descrever isso
- 13:05mensalmente de trazer. Essa transição de valorizar essa
- 13:08tradição, quando a gente tá falando do carlinho também é
- 13:10isso, essa questão cultural que a gente tem que tomar cuidado,
- 13:13mas tem que fazer essa valorização, esse resgate.
- 13:16E como a cultura ela imigra, a cultura é mutável, a civilização
- 13:20brasileira não essa da tá calcada nos seus pilares, e o
- 13:23que que vai dar Pra Ela a permanência é essa questão das
- 13:27tradições e das identidades, por isso que é importante de
- 13:31resgatar isso, colocar na mesa no colo.
- 13:33Então são uma brincadeira para vocês, assim, o Brasil dessa
- 13:36mutação, dessa mistura, como é que o Brasil faz no prato, né?
- 13:39Você tem a pizza na Itália e a pizza no Brasil, vocês estão
- 13:43vendo, vai ter um galetinho de frango no meio da pizza e o
- 13:46Brasil faz isso, ele transforma. Estrogonofe na Rússia e no
- 13:49Brasil, né? Meio que ensopado, vira, vira
- 13:52uma batata palha ali, show de bola, o hambúrguer nos Estados
- 13:55Unidos eles almoçam isso, né? E a gente é mais no Lanchão à
- 13:59noite e tal. É outra pegada japonesa também
- 14:02se fala. Vendendo, vestindo o copo, aí o
- 14:05hot dog nossa é, é aquele, tem tudo lá dentro, né?
- 14:09É o dogão, o dogão da noite, os churros, o Brasil também
- 14:12transforma, tudo melhora. Muitas vezes os puristas vão
- 14:16achar que não, mas eu prefiro um pouco essa mistura, não o
- 14:19croissant, então, os franceses, não sei se tem algum francês aí,
- 14:22meu Deus do céu, é uma ofensa, viu?
- 14:24O croissant recheado, mas é bom também.
- 14:27PF é OA identidade do brasileiro na mesa a gente já viu cervejas
- 14:31com arroz e feijão e tal, às vezes fica num.
- 14:36Você conseguir conciliar isso dentro da cerveja, mas essa
- 14:38ideia aqui não é não vou dar fórmula para vocês antes, mas
- 14:42trocando ideias para terem alguns insights vocês pensarem
- 14:46nisso, né? E o arroz e feijão é típico da
- 14:48brasileira, mas olha como é interessante pensar que o arroz
- 14:51é um símbolo da alimentação nacional, ninguém discute, mas o
- 14:54arroz, ele é da globalização, o arroz não é nativo, o feijão é.
- 14:58Tanto é que quando o Câmara de Cascudo fez o seu livro, lá na
- 15:01década de 5040, o prato nacional brasileiro era feijão com
- 15:04mandioca, com farinha de milho, farinha de mandioca, trocamos a
- 15:07farinha de mandioca do milho, que é nativo nosso melhor arroz.
- 15:11Que é uma coisa de fora. Então o Brasil é isso.
- 15:12Ele tem na raiz e tem de fora. Então a gente tem que valorizar
- 15:15o quê? A nossa raiz, porque o de fora
- 15:17ele vai chegar, a globalização vai entrar, os estilos vão vir,
- 15:20as escolas vão vir. Agora, qual que é o nosso?
- 15:22Temos que ir na nossa identidade, na nossa raiz, para
- 15:25achar esse tipo de coisa. Bom, agora vou entrar.
- 15:31Acho que no que eu posso colaborar nessa ideia da cerveja
- 15:35no copo, né? Da identidade no copo, de
- 15:37indicações geográficas. Então, indicação geográfica é um
- 15:41processo complicado de se você tem que ter uma coletividade,
- 15:44você tem que ter uma associação que defende aquele produto,
- 15:48mostra porque ele é específico daquele lugar ou porque ele é
- 15:51tem uma característica que se destaca dos outros.
- 15:54E você tem no Brasil mais de 6070 indicações geográfica,
- 15:57então já fizeram o trabalho mais difícil, que era resgatar a
- 16:00história, resgatar delimitar a produção.
- 16:03Um fraco processo de NPI demora, você tem que ter ajuda de
- 16:07associações, por isso que é importante o associativismo
- 16:10contribuir com a associação. E você não pode pleitear pessoas
- 16:13físicas, pode pleitear uma marca, agora uma IG não, e aqui
- 16:16o pessoal Oo colega aqui falou, o Luís falou do champanhe.
- 16:21A indicação geográfica de champanhe é registrada no
- 16:23Brasil. E todos os países do mundo que
- 16:26eles veem para defender, porque a indicação geográfica é para
- 16:28dentro e por fora. E aí você tem no a tequila, a
- 16:31tequila foi mútua, México reconheceu a cachaça e o Brasil
- 16:35reconheceu a tequila. Por isso que é importante esse
- 16:38reconhecimento para dentro, ir para fora, conhaque, vinho do
- 16:41Porto. E eu trouxe alguns exemplos do
- 16:43Brasil, por exemplo, jabuticaba, Ah, jabuticaba brasileiro e tal
- 16:47e tal. Mas aqui tem uma indicação
- 16:49geográfica de jabuticaba de Sabará.
- 16:51Então, se você faz 11 cerveja com jabuticaba de Sabará, ela já
- 16:55está com a identidade brasileira ali já, porque você comprou, mas
- 16:59daí você tem que comprar pelos agricultores que seguem o plano
- 17:02de manejo que assinam a associação dos produtores de
- 17:06abdicados Sabará. Você trouxe todo esse
- 17:08território, essa cultura, cá dentro do comércio e dentro da e
- 17:12da bebida. É abacaxi de de novo Remanso,
- 17:15cara, é de novo Remanso, não é o abacaxi é x ou y eu sou de
- 17:20Boituva. Minha cidade tem 11 espécie de
- 17:23abacaxi que chama Boituva. Se você fizer uma breja, eu
- 17:26quero fazer um dia quando sobrar tempo nessa vida.
- 17:29Era específica. Ah, minha sala de abacaxi não, a
- 17:31minha sala era de abacaxi. Boituva e se você fizer uma que
- 17:34tem identidade geográfica? Você já colocou toda a história,
- 17:37cultura. Você resgatou tudo isso, você
- 17:39fortalecer o pessoal que produz dessa forma.
- 17:41Você transporta diretamente para dentro do copo.
- 17:43Isso uva é do vale do do São Francisco.
- 17:47Manga do vale do São Francisco. Olha só, falou muito de
- 17:50indígenas Guaraná nativo da Terra indígena Andirá Amaral.
- 17:56Só é ali se tem Oo Guaraná que é da da, da etnia do lado, não é
- 18:01essa, não pode usar esse símbolo tudo regulamentado no IPI,
- 18:05regra, associação, ajudando, apoiando.
- 18:08Então tem um cardápio para vocês aqui de mais de 6070 indicações
- 18:12geográficas, vocês podem colocar na cerveja de vocês e vocês vão
- 18:15estar fazendo essa identidade, essa buscar essa cultura e essa
- 18:19tradição para pôr, né? Dentro do copo e da mesa, porque
- 18:22você tem indicações geográfica de linguiça Cuiabá.
- 18:25E aí você pode harmonizar AA linguiça cuiabana que cada na
- 18:28ponta da faca de carne, só carne bovina do Mato Grosso do Sul com
- 18:32uma cerveja típica de um produto específico no Mato Grosso do
- 18:34Sul. Então você está agregando todo
- 18:36esse processo, nessa harmonização que é uma grande
- 18:39chave para o desenvolvimento da escola cervejeira brasileira.
- 18:42Essa aqui para mim é nossas coisas mais pouco exploradas e
- 18:47que tem um potencial, na verdade, não é nem pouco
- 18:49exploradas, mas um potencial gigantesco.
- 18:51A ideia da indicação geográfica da cachaça o Brasil inteiro é
- 18:55uma indicação. Qual que é o território da
- 18:56cachaça? É o Brasil inteiro.
- 18:59Deste lado, do fermentado, da garrafa, da né?
- 19:02Da cana, ele só pode ser chamado de cachaça se ele for produzido
- 19:05no Brasil. Se alguém fizer isso lá na
- 19:06Indonésia, dá outro nome. Cachaça é só no Brasil.
- 19:10Você já tem isso com o decreto presidencial aqui não vai mudar.
- 19:14Né? As indicações geográficas
- 19:15também. E aí você já encaixa a ideia da
- 19:18cultura do território, a indicação geográfica da cachaça
- 19:21e da madeira. Aí você já começa a agregar
- 19:23valores, começa a montar essa ideia de identidade mais raiz
- 19:28mesmo. Exemplo aqui tem vários outros,
- 19:30está só uma questão de exemplo mesmo, de você ter uma cerveja e
- 19:35passou por por cacha barril de cachaça, que você traz esses
- 19:39aspectos sensoriais para sua cerveja, você tem aqui ó,
- 19:42projeto está no lá do de Brasília, coloca madeira em
- 19:45tudo, até na pilsen, e aí tem todo o estudo, colega, você
- 19:49chama até Eduardo também lá de Brasília, ele fez o mestrado
- 19:52para entender a troca da madeira usando madeiras nacionais, não
- 19:57só o Carvalho americano, o francês, os colegas deva, nem IA
- 20:00ver lá que também usando as questões das barrigas, então
- 20:02você vai criando 11 corpo ali. Oo projeto anterior é mais chips
- 20:07e tal, né? Mas usa a barriga também, mas a
- 20:09barriga com selvagem, aí você já tá agregando mais coisas e tem a
- 20:12cultura, você tem o processo, tem a madeira, aí você tem o
- 20:15selvagem aí você tá cumplicificando se tá trazendo
- 20:18mais características culturais. Culturais, EEE de processo
- 20:22dentro do alas você tem as alas, produz não só a cerveja, mas
- 20:26produz geleia, produz queijo, produz café.
- 20:29Então você vai trazendo toda AAA as características locais dentro
- 20:34dos seus produtos. Isso vai trazer identidade.
- 20:37Cervejaria rural, né? Zapa tá lá no Rio de Janeiro, no
- 20:39Rio Grande do Sul. Trazer o quê?
- 20:40Trazendo o meio ambiente, trazendo a questão de a
- 20:45Geografia dentro do seu processo, porque se tomar uma
- 20:48cerveja aqui no meio da floresta, no meio do rural, é
- 20:51diferente. Se tomar uma cerveja nas grandes
- 20:53cidades, tomar uma cerveja numa pequena cidade do interior, é,
- 20:56essas coisas vão trazendo características para resgatar
- 21:00essas identidades. Nosso colega Diego, com a coisa
- 21:03lido, também trazendo as histórias.
- 21:05Cada garrafa tem uma história, a Praia do Meio, porque tem o
- 21:08horário, porque não sei o que, aí eu vou pegar.
- 21:11Leve, duro, eu vou isolar. Aí eu chamo de torcidades, né?
- 21:15Eu não vou entrar muito na ideia do territorialidade que é.
- 21:17Mais uma palestra que eu já dei pra abraçar.
- 21:19Foi bacana junto com o Giba. Da própria Bia online, né?
- 21:23Era em tempos de pandemia, Hein? Mas eu a depois a gente pode
- 21:26abrir as perguntas e explorar um pouco isso, mais o lançamento
- 21:29agora de 5 regiões, de 5 cervejas, cada uma com um
- 21:33elemento regional, então você tem maracujá do Mato e Alecrim,
- 21:38a outra é com mangaba, pimenta de macaco, caju e sirigueela.
- 21:41Dessa desse tema é muito boa cerola bergamota, né?
- 21:44A famosa mexerica aí tem uma grande debate, é pergamota isso,
- 21:49ó, lá a Gabi já falou, é bergamota, o gaucho, fazem muito
- 21:52bem isso, que é manter sua tradição, e não.
- 21:55Vai ser isso e eu vou colocar um CTG na sua cidade CTG é isso?
- 22:01Bom, por último essa ideia do território, que é um pouquinho
- 22:03da minha tese, mas aqui eu deixo, passei um pouquinho para
- 22:06o lado que essa ideia de criar um território, né?
- 22:08Então, você você pode usar insumos, você pode usar cultura,
- 22:12mas você pode criar um território em torno da sua
- 22:14cerveja, criar um território relacional nessa proximidade com
- 22:18os produtores de insumo, com os consumidores, de fazer evento e
- 22:22trazer a cultura para dentro do processo de isolar a servedura
- 22:25selvagem, colocar as madeiras da região nacionais, parar de ficar
- 22:29importando Carvalho francês e do maravilhoso.
- 22:31Mas pô, faz uma cerveja, pô, num burana passado na cachaça, esse
- 22:36que eu acho grande trunfo, se passou com a cachaça.
- 22:38E a cachaça é uma indicação geográfica brasileira.
- 22:41Você está portando elementos da indicação geográfica.
- 22:45Dentro da sua cerveja, que só só existe aqui de cachaça, é
- 22:48indicação geográfica do Brasil, então eu acho isso muito válido.
- 22:51Barriga nacional, cachaça e cerveja, você traz toda essa
- 22:54identidade para dentro do copo e por fim, essa ideia do terror, a
- 22:58menem poeira, projeto fantástico, está de parabéns, eu
- 23:01não provei, mas estou doido para experimentar.
- 23:03E fechando essa ideia de enterroar, sendo todo esse
- 23:07complexo que a gente falou aqui, de identidade, cultura,
- 23:10território, tudo dentro do processo de trazer as
- 23:14identidades, as leveduras colocar dentro do copo e do
- 23:17prato, eu acho que era isso. Meu contato está aí, depois fico
- 23:20à disposição e aí eu devolvo para a Bia.
- 23:22Não é mesa de bar não, porque você não tomou nenhum golinho em
- 23:25canto, você falava. Eu gosto muito.
- 23:28Desse olhar que você faz tão macro, né?
- 23:33E que a gente poderia, acho que para cada mesa que a gente tem
- 23:35aqui, para cada palestra, a gente poderia passar mais uma
- 23:38semana debatendo e puxando cada um dos fiozinhos que poderiam
- 23:43sair disso. E eu acho que o encontro
- 23:45selvagem, ele tem muito esse olhar que exatamente a gente
- 23:49está falando de microrganismos. Exatamente, a gente está falando
- 23:52de como construir identidade, né?
- 23:55No programa do braçagem foit o que?
- 23:59O que tó fala umas coisas muito interessantes e ele fala o que
- 24:02vale é o que está no copo. E aí tem uma discussão, né,
- 24:06sobre que o Diego estava falando que Ah, eu eu mandei minha
- 24:09cerveja lá para um concurso europeu na categoria.
- 24:12Não sei se foi lambe que o geus e ele ganhou uma medalha, aí o
- 24:16que tá? Fala assim Pra Ele, aceita,
- 24:18cara, é um elogio, se enganou o jovem.
- 24:21Europeu, com a tua cerveja, né? E aí o Diego fala, não, mas tá
- 24:25errado. E aí eu também.
- 24:27O que eu queria te perguntar é, isso vale o que tá no copo ou
- 24:31Vale Tudo que transborda o copo para além do sensorial?
- 24:36Porque nada do que você falou aqui é específico, de sabor, de
- 24:41qualidade, de Ah, isso tem gosto nacional.
- 24:45E, é claro, a gente passa aqui no final por algumas cervejas
- 24:48que têm ingredientes nativos, né?
- 24:51Mas. Para além do sabor, vale o que
- 24:53está no copo ou vale o que transborda do copo porque tem o
- 24:56consumidor é que ele quer tomar a cerveja e falar, Hum, que
- 25:00gostou. E tem o consumidor e que toma
- 25:03cerveja. Por que a cerveja veio de tal
- 25:06lugar? Porque ela tem tais
- 25:09ingredientes. E a gente hoje vê escolhas de eu
- 25:12vou colocar não burana e não no Carvalho americano ou francês.
- 25:17Eu queria um pouco, ouvi disso, dessa coisa do fake news, do
- 25:21copo onde a gente imita algo e vale é o que está no copo.
- 25:26O que que vale? Olha, excelente pergunta, né?
- 25:29Eu não tenho uma resposta, mas eu posso perguntar em cima da
- 25:32pergunta. Eu acho que é.
- 25:34Claro que a questão organética, digamos assim, sabor dos aromas,
- 25:38isso, isso é fundamental. Poucas pessoas são viciadas em
- 25:42chá de boldo, mas ao mesmo tempo é muito bom, tem a sua função,
- 25:47porque também essa questão do gosto é uma construção.
- 25:49Então o Brasil é epa, mas isso é uma ideia do IPA.
- 25:53Depois veio a questão, cervejas extremamente alcoólicas, 10,
- 25:561215 ácidas, ácidas, e aí isso foi uma construção, é uma é uma
- 26:01forma de vender e é claro que isso importa, você gostar do
- 26:05produto, ele ser bem feito, essa ideia de você produzir algo que
- 26:09você planejou aquilo, saiu aquilo e tá ótimo, o pessoal tá
- 26:12gostando e você tá vendendo, mas eu acho que o que traz essa
- 26:17ideia de brasilidade no cobre, que é o nosso tema, é isso que
- 26:20você falou, da história por trás do produto.
- 26:24Pra você fazer uma voz. Os alemães fazem isso há mais de
- 26:261000 anos. Dificilmente você vai fazer uma
- 26:29vice. É o melhor, mas que sabe?
- 26:30Tem que ficar correndo atrás de um negócio que não vai alcançar.
- 26:33Agora, se fizer uma vais que tenha uma identidade, uma
- 26:36história, é trigo do cerrado, o que é uma mudança genética que a
- 26:40Embrapa ajudou, que aí tem Oo pessoal tradicional que planta,
- 26:45e aí tem uma comunidade ou tem uma indicação geográfica do
- 26:48trigo, do Serra, e aí você vai agregando história, agregando e
- 26:52aí você consegue vender, você consegue encontrar.
- 26:55Eu acho que tem que ser um caminho paralelo, porque a gente
- 26:57tem que massificar, isso não dá, mas vai ficar só vendendo nicho
- 27:00do nicho, do nicho, do nicho do nicho é importante?
- 27:02É, mas a gente tem que diversificar, o cara tem que
- 27:05chegar na prateleira. Ir pra praia, vamos descer pra
- 27:07Santos aqui ó, feriadão, o cara vai lá na prateleira 5 6430, não
- 27:14é todo mundo que tem dinheiro pra pagar e aí se você baixar
- 27:16pra 12, isso com reforma tributária, com a ajuda das
- 27:20associações, leiteando benefícios para os pequenos.
- 27:24Se chegar a 12, o cara 6 12, Ah, isso aqui eu vou beber é 2 por
- 27:28um, mas essa aqui tem mais álcool, eu vou, tem mais anomo,
- 27:32não vai ser cerveja gelada, beber e tá.
- 27:35Então é um processo muito longo. Eu acho que tem que caminhar dos
- 27:382 lados, do lado do nicho da especificação da identidade e o
- 27:41lado da popularidade. A gente realmente ter um mercado
- 27:45de cerveja artesanal sustentável, chega lá às 5, 10%
- 27:49do mercado. Muito bom.
- 28:03A gente poderia, né? Nessa coisa de construção da
- 28:06identidade, olhando para aterroar, a gente poderia tocar
- 28:10em tantos assuntos, né, que é complexo, ainda mais porque a
- 28:14gente é muito grande. Tem uma história muito
- 28:17complicada para você hoje, o que é que é o futuro da cerveja com.
- 28:24Identidade brasileira e aí a gente abre Gabi para as
- 28:27perguntas. Acho que eu já complemento com
- 28:30uma pergunta que veio, se esse bairrismo que tu estava falando,
- 28:34né? Dos graus te defendendo a
- 28:35bergamota. Claro que a gente tem esse
- 28:37proteção. Não vamos chamar de bairrismo em
- 28:40várias regiões do Brasil. Se isso atrapalharia na busca
- 28:43por uma identidade, mais do que ajudaria, não?
- 28:46Eu acho que sim. É se todas as tradições tivessem
- 28:50a proteção. Os gaúchos têm, seria muito mais
- 28:54fácil de você identificar e resgatar essas identidades,
- 28:58porque os gaúchos têm essa questão porque sofreram uma
- 29:01diáspora, né? Eles saíram lá das pequenas
- 29:03propriedades, foram Oeste do Paraná, Oeste, Santa Catarina,
- 29:06gaúcho, Oeste do Paraná, vai subir no Mato Grosso, os caras
- 29:09estão lá no Amapá, né, comprou Terra no Paraguai, então quer
- 29:12dizer é, é mais uma questão de diáspora do que de bairrismo,
- 29:15né? Você tem aqui aqui perto, sem
- 29:17tradições nordestinas, é aqui perto, então se todo mundo
- 29:20protegesse a sua tradição, isso seria fantástico para o Brasil.
- 29:23A gente tem que ficar resgatando, porque senão vai
- 29:25morrer, né, porque o Brasil é muito grande.
- 29:27Falta política pública, falta. Sensibilidade do mercado, que às
- 29:32vezes é só dinheiro, dinheiro correr atrás de lucro.
- 29:35É o capitalismo de colonização. Tudo isso atropela, né?
- 29:39Mas eu acho que esse tipo de de resgate e proteção é nessa ideia
- 29:44de paralelo, é a vanguarda da brasilidade no copo.
- 29:47Então, o Brasil vai criar essa identidade se na vanguarda a
- 29:50gente tiver essa proteção, esse resgate cultura, as leveduras,
- 29:54madeiras e a reboque você vem trazer na popularização do
- 29:57artesanal. Então porque hoje é muito mais
- 30:01fácil você pegar pro seu colega e falar tome essa sauer do que
- 30:05há 10 anos atrás. Era muito mais agressivo, azedo,
- 30:10e aquele negócio do gozo, o cara tá estragado isso aqui, tá
- 30:13estragado. Vocês já passaram por isso?
- 30:15Ah, toma, semin, não, isso aqui tá estragado e hoje não.
- 30:17Hoje você tem sauer com frutas leves, pouco, Ah, essa cerveja é
- 30:21muito forte, eu vou ficar bêbado, tem menos água que a
- 30:23Brahma, aí você vai quebrando os paradigma, então, na vanguarda,
- 30:28trazer esse resgate de entidade, cultura, madeira, levedura e a
- 30:32reboque você trazer popularização.
- 30:34Acho que esse que é o caminho vai.
- 30:37Fortalecer o mercado como um todo e a gente ir conquistando
- 30:40cada vez mais espaço, representatividade.
- 30:43Batendo e ir pra fora, né? Pra fora, fundamental.
- 30:46Não só então, né? A questão de cultura, sabores.
- 30:51Mas como você falou de políticas, né?
- 30:54Acho que a construção ela para além das questões do copo em si,
- 30:58né? Então vamos abrir para
- 31:04perguntas. Bom, Eduardo puxando um pouco o
- 31:07gancho do que estava falando sobre saindo um pouco do meio da
- 31:10cerveja, mas com ligação com o que tu estava falando?
- 31:13Da identidade geográfica da cachaça, principalmente.
- 31:15É um Marco que tu acha que a gente tem que talvez se espelhar
- 31:20para a questão do nosso produto. Cerveja.
- 31:22E puxando um pouco de informação do que eu tenho de contactos, de
- 31:27estilarias, de de cachaçarias do Rio Grande do Sul, eu já vi
- 31:30vários relatos deles de acabarem exportando os produtos deles,
- 31:35uma denominação de rum ao invés de cachaça.
- 31:38Por conta dos produtos que a gente acaba exportando em maior
- 31:41quantidade, que também abre aspas aqui, de menor qualidade,
- 31:45pegando um gancho com relação a isso também em conversa com
- 31:48esses produtores de cachaça, eles lincam bastante com o fato
- 31:52de que a denominação cachaça. Vinculada com o mapa, ela está
- 31:56com um range de álcool com um limite de 49%.
- 32:01Pode me corrigir se eu estiver errado de 39 a 49% e acima disso
- 32:05é considerado aguardente, quando que hoje em dia eu já busco no
- 32:10mercado, quando eu busco ur cachaça, aguardente ao invés de
- 32:14cachaça, por conta de saber que é um produto menos diluído, o
- 32:17produto que cobre aspas de novo com maior qualidade.
- 32:20Então queria a tua opinião em relação a isto, tanto fazendo um
- 32:23link com o nosso produto, com a nossa identidade, com relação a
- 32:26cerveja, como é que a gente vai ter que exportar isso como
- 32:29denominação? Para que?
- 32:31A gente acabe não queimando esse nosso nome, sabe?
- 32:34Com dando um tiro de 12 para matar mosca, e aí acabar tendo
- 32:38que depois ter que buscar isso com maior dificuldade, que é o
- 32:41que eu vejo que acaba acontecendo com a cachaça hoje
- 32:43em dia no Brasil. A excelente pergunta, eu acho
- 32:45que esse processo da cachaça, ela realmente acontece, né?
- 32:51Eles tentam, eles falam até o Brazilian room, Brazil room,
- 32:55isso é ridículo, isso é, é horrível pra gente, mas é o
- 32:59mercado é isso, né? Porque você tem boas cachaças,
- 33:02boas cervejas, cachaças ruins, EE cervejas ruins.
- 33:05Eu acho que isso é fundamental e traz um pouco o que a Bia tava
- 33:08falando aqui, não é? Só cerveja é política, então a
- 33:11gente tem que pensar muito bem nesse processo de
- 33:14internacionalização pra o que a gente vai levar lá a cachaça?
- 33:19Ela teve é revisão do pique, agora no mapa, consulta pública
- 33:22e aí tem a associação das grandes, as pequenas, olha não,
- 33:25o limite é 48, não é 49, vamos tirar tanto é que foi uma
- 33:28Vitória que é hoje você pode chamar cachaça de alambique e
- 33:32cachaça normal, você tem essa diferença na norma, você
- 33:35conseguisse, foi uma Vitória, mas isso demora o pique da da
- 33:38cachaça EN 13, era 2005, eu acho, ou quase 20 anos pra você
- 33:43atualizar os processos mesmo de de armazenagem.
- 33:46Ah, o limite. Tem que ser barril de 800 l,
- 33:50sabe? Umas normas muito antigas que
- 33:52vinham a norma, tem que acompanhar a evolução do
- 33:54mercado, isso é complicado, é por isso que existe a ideia da
- 33:58Câmara setorial da cerveja, da cachaça, do vinho, tá dentro do
- 34:01mapa pra colocar as pautas que é necessário pra evolução da
- 34:05bebida e a internacionalização tá agora na Câmara da cerveja
- 34:08OOO, Giba, tá tá liderando esse processo junto com a braserva
- 34:12pra gente sentar com a pé, sentar com os adidos agrícolas
- 34:15do Brasil lá fora, como é que a gente vai criar 11 estratégia
- 34:19pra vender a cerveja lá fora, é o que você falou, não pode
- 34:21chegar aí, ó, vamos colocar, ó, quem quer exportar, Ah, vamos
- 34:24jogar a cerveja do Brasil lá fora, não, eu vou pegar você,
- 34:26você, você, porque vocês têm esses critérios definidos, que
- 34:29trazem a identidade a brasilidade, a cultura madeira.
- 34:33Então é difícil. Demora, tem que ter gente, tem
- 34:36que ter tempo, tem que ter processo, tem que ter reunião.
- 34:39E chamar então essa coordenação é complicada, porque vocês estão
- 34:43na ponta fazendo cerveja, vendendo cerveja.
- 34:45A gente governo, a gente não pode sair propondo as coisas da
- 34:51cabeça, é, a gente age conforme subsídios, requisitos, e se a
- 34:57gente for provocado, né, o servidor público, o estado, ele
- 35:00não pode fazer nada do que não está Na Na lei.
- 35:03E você, cidadão, pode fazer tudo o que não está proibido na lei.
- 35:06Então essa é uma diferença importante para saber.
- 35:08Ah, mas o governo, mas o mapa, ele tem a sua.
- 35:12Atuação regimental bem definido, se não chegar a associação e
- 35:16falar eu quero fazer um pique de Calvin assim, assim, assim,
- 35:19assim, assado. Não é o mapa que vai fazer, não
- 35:22tem mercado, não tem. Agora se é a mesma coisa do com
- 35:25Bush, começou com bucha, com busca, com Bush, as associações,
- 35:28os produtores foram no mapa, ó, queremos que vocês regulem com
- 35:31bucha. A gente até brincou, tem
- 35:33certeza? E depois que eu regulamentar eu
- 35:36vou te fiscalizar, porque é função regimental, está na lei
- 35:40que o mapa tem que preservar a questão.
- 35:42A questão higiênico-sanitária das bebidas.
- 35:45O conselho de química tá aqui. Fundamental no processo também
- 35:49de de ter essa identidade, qualidade, isso chama PIC padrão
- 35:53de identidade. Porque a gente falou que e
- 35:55qualidade. Então acho que é uma questão
- 35:58política pra gente conseguir fazer isso.
- 35:59Mas eu acho que a gente tem caminhos e tem tem processos.
- 36:03É antes de mais nada. Eu queria dar como exemplo aqui
- 36:06a presença do Marcus conosco, né, como o Ministério da
- 36:10agricultura, e tentar um pouquinho mais de tempo que
- 36:13lembra que se a gente voltar aí uns 1015 anos atrás, pra gente
- 36:16registrar. 11 cerveja puts acho que levava 30 dias, não é?
- 36:21Era? Aí todo mundo registrava um
- 36:23Monte de uma vez só para aproveitar e hoje a gente leva
- 36:26alguns segundos, né? E também a conversa que começou
- 36:30entre os cervejeiros artesanais e o mapa alguns anos atrás e a
- 36:35excelência de comunicação que existe hoje em dia.
- 36:37Então o marcusto está aqui representando o mapa e a gente
- 36:42tem uma troca frequente aí de informações e a gente consegue
- 36:46trabalhar em parceria, então isso eu tenho certeza que a
- 36:50gente está buscando e vai conseguir também um conselho de
- 36:53química. Porque é são instituições muito
- 36:58entidades muito importantes e a gente tem que andar junto.
- 37:01Mas a minha pergunta é o seguinte, marcusso, como que o
- 37:04mapa enxerga o lúpulo brasileiro?
- 37:07Eu confesso que eu era cético e hoje eu sou um entusiasta.
- 37:14A cada toda semana eu venho estudando, inclusive aqui na
- 37:18cervejaria Tarantino. A primeira experiência não foi
- 37:20positiva e a gente retornou esse ano com ótimos resultados.
- 37:26Agora eu vejo muita gente motivada e eu fico me
- 37:31perguntando, né, assim, todo mundo fala do comet brasileiro.
- 37:35Agora, acho que a gente devia ter um cometa brasileiro, né?
- 37:38Um lúpulo realmente é nosso, né? Como que o mapa enxerga esse
- 37:43movimento do lúpulo? Obrigado o Jeep.
- 37:45Eu acho que é é fundamental essa troca, né?
- 37:48E especificamente da pergunta o Brasil?
- 37:50Ele tem uma estrutura de política agrícola muito bem
- 37:53desenhada, principalmente para as grandes, que é um problema,
- 37:57né? Importação, commodity, toda essa
- 38:00essa questão. O pequeno ele está incluído nas
- 38:03políticas. Tanto é que hoje você teve a
- 38:05saída da da Secretaria de agricultura familiar para
- 38:08recriação do Ministério do desenvolvimento Agrário.
- 38:11Pequeno estão lá e o mapa fica com.
- 38:13Teoricamente os grandes, mas as políticas de transversais elas
- 38:18dão para todos e nos seus nichos, né?
- 38:20Nos seus as situações. Então, crédito agrícola, seguro,
- 38:25minocrops, todas essas questões podem ser ativadas pelos
- 38:29pequenos. É o potencial do lúpulo.
- 38:31É ele é, é o Ouro Verde, né? Quando você fala lá, ele
- 38:35conversa com o ministro mostrando lá, olha, o soja vem
- 38:38de por tonelada, né, algodão também, Oo lúpulo é por quilo e
- 38:43é caro, mas OAO auto condenado da soja sai o que 7 BRL.
- 38:47Ah, lá o quilo da soja, 7 BRL, quilo do lucro é 200 em folha,
- 38:51né? Pra lá por cima.
- 38:53Então quando o cara olha aqui, o cara falou louco isso aí, uísque
- 38:56lá na Alemanha, o é alerta alto em tamanho desse bairro aqui e
- 39:01produzir pro mundo inteiro, então política agrícola
- 39:03brasileira tá tá pronta pra atender o produtor, mas de novo,
- 39:07falta aquela questão da política, por isso que é
- 39:09importante ter uma prolúrpulo da associação tá pedindo, então
- 39:12eles conseguiram agora entrar no modo herágro, que é o quê?
- 39:15Quando o cara vai comprar uma máquina para piritizar, por
- 39:18exemplo, ele consegue financiar por 5, 10 anos, carência de 23
- 39:22anos, isso é o que é o estado atrás.
- 39:25Ah, eu quero vamos fazer um crédito específico para a
- 39:29produção de lucro dentro do plano safra, ou o plano safra é
- 39:32uma vez por ano ou é fácil, se começar o trabalho hoje no outro
- 39:35já está lá produtor de lúpulo pode captar crédito para pagar
- 39:38daqui 10 anos com carência, com os juros reduzidos.
- 39:42Hoje os juros não dá pra comprar nada a longo 13% dá, mas o plano
- 39:46safra você consegue pegar por 8 de 13 para 8, quem que paga esse
- 39:50essa diferença é o estado, somos nós, você paga a passoja, paga
- 39:54por lucro, só que o lucro precisa ir lá e por isso que é
- 39:58importante O Astro centivismo se não tiver alguém, como eu falei,
- 40:01o estado faz o que é de sua competência e se ele for
- 40:04provocado, se ele não for provocado, ele dificilmente vai
- 40:08ir atrás do. Produtor, pá, vamos aqui, já foi
- 40:11esse. O Brasil fazia isso lá no século
- 40:1319, né? Esse negócio de é o rapaz salvou
- 40:16a lavoura. Essa expressão é de que o
- 40:18governo você perdia a lavoura, perdeu tudo, o governo lá e dava
- 40:21pra você o preço total. A fundo perdido, governo fazia
- 40:23isso, não é? E aí veio a expressão por causa
- 40:25disso. Então quer dizer, mas o Brasil
- 40:27não faz mais isso. Você pegar dinheiro do Tesouro
- 40:29que vai por crédito rural, só vem diminuindo.
- 40:31A gente equaliza os juros, então os tem mais captação privada de
- 40:35crédito, o crédito seguro. Você consegue financiamento para
- 40:40agrondialização? Eu acho que OOO lúpulo tem um
- 40:44potencial gigantesco, porque ele tem ferramentas no resultado
- 40:47para crédito. Ele tem o mercado consumidor
- 40:50gigantesco, ele tem um solo que vai dar, vai dar safra de 23,
- 40:54safra por ano, coisa que não consegue nos outros países, que
- 40:57congela. Então tem tudo é que nem é
- 40:59impossível plantar uva no nordeste, fora da zona
- 41:03yitzinífera lá, o cara vai lá No No São Francisco e uva de
- 41:07qualidade e espumante premiado, você consegue fazer escultura?
- 41:11Vai fazer. Um cometa?
- 41:12Né, fazer uma variedade, aí você precisa da Embrapa, com mutação,
- 41:16com estudo, fazer banco de de geoplasma, cara, aí tem que ter
- 41:20gente atrás pra pra provocar o estado e o estado fazer.
- 41:24E por último, só um gancho, tem essa ideia da trajetória do
- 41:27servidor público que tá atrás de todo esse processo de cultura
- 41:30que a gente tá fazendo aqui. Eu estudo cerveja há 15 anos,
- 41:33estudo antes de fazer sommelier, de fazer curso de produção e
- 41:36tal. Quando eu entrei no mapa eu já
- 41:38tinha uma experiência, já encontrei um colega, o Carlos
- 41:41Miller, que hoje é adido na África do Sul, que era minha
- 41:43cervejeira nas lb Berlim. E a gente foi e lançou o anuário
- 41:46da cerveja, que hoje é a referência do mercado.
- 41:49A gente propôs porque a gente via a necessidade do mercado, só
- 41:53que aí não dá pra contar com a trajetória de cada 11 colega
- 41:56nosso da Câmara setorial, ele fez um estudo, cuíca, o ica
- 42:00pagou isso tudo, Interamericano de cooperação agrícola, todos os
- 42:03países da América do sul e Estados Unidos pagou um estudo
- 42:06pra fazer um livro sobre lúpulo, dá pra você baixar em qualquer
- 42:08lugar, digita aí lúpulo, ica, mapa, lúpulo, tal é vai sair um
- 42:12PDF, eu falei pra você baixar de graça, estudo com consultor
- 42:15técnico, manejo. Produção, genética, tá tudo lá.
- 42:19Então esse colega é o que era, um colega entusiasta que foi.
- 42:23Que tal? Então a gente tá muito no
- 42:25entusiasta, porque a gente vai chegando.
- 42:27A gente vai chegando nisso, a cultura vai chegando até nos
- 42:29órgãos públicos, mas como indivíduo tem que ser
- 42:31institucional, Câmera setorial, associação, conselho, todo mundo
- 42:36sentando discutindo as soluções para cadeia.
- 42:43Então só peço para vocês darem suas considerações finais e as
- 42:46perguntas depois. O pessoal pode encaminhar é o
- 42:49Arcos trouxe os contatos dele, mas pode falar as redes e as
- 42:53formas de contato também. Queria te agradecer bastante.
- 42:56Eu acho que a sua tese é algo muito legal para os cervejeiros
- 43:01lerem. Acho que esses debates são muito
- 43:05interessantes no que a gente quer construir e é tudo muito
- 43:10complexo. E agora a gente aqui, num evento
- 43:13de cervejas ácidas, complexas, brasileiro, sul-americanas,
- 43:18então a gente. Daqui a alguns anos, acho que a
- 43:22gente vai olhar para tudo isso que a gente vem falando e vai
- 43:25conseguir. Vê no copo a gente vai conseguir
- 43:29ver, talvez em livros e em outras publicações, tudo que a
- 43:33gente vem construindo em conjunto, né?
- 43:36Não só como pessoa física, mas como com as políticas e tudo
- 43:40mais. E queria muito te agradecer.
- 43:43Eu sei que você faz um esforço além do profissional aí pra pra
- 43:48tá aqui pra tá criando tudo isso e muito obrigado.
- 43:52Obrigado, obrigado, Bia, todos da organização, a gente vai se
- 43:55empolgando, vai falando um pouco história do tempo, né?
- 43:57Pra variar história até acadêmico sempre só, mas eu
- 43:59queria, é o que você falou, cada um coloca um tijolinho, vai
- 44:02subindo a parede, então eu espero ter colaborado com vocês,
- 44:05fico à disposição, vamos lá, cerveja tem muito pra caminhar,
- 44:08a gente vai poder estar dando o que a gente puder.
- 44:11Cerveja, gastronomia Ana. Encontros selvagem é um programa
- 44:27realizado pelo canal surra de lúpulo abraserva e com apoio
- 44:31nesta temporada do conselho federal de química CFQ sigam
- 44:36arroba encontra selvagem no Instagram e não percam nenhum
- 44:40conteúdo. Este podcast foi editado por
- 44:51play áudios.