Latest / O Aviário Podcast · by PPGVET / Dr. Fernando Tavares: Como a COP30 Impactará a Avicultura? | Ep. 109
Transcript
- 0:00Esses extremos estão sendo não mais uma coisa do futuro, quando
- 0:06a gente discutia há uns anos atrás sobre mudanças climáticas,
- 0:10parecia uma coisa muito distante, algo que ia acontecer,
- 0:14e a gente já vive isso. Bem-vindos ao podcast O Aviário,
- 0:21as mentes mais brilhantes da avicultura no seu bolso.
- 0:26O podcast O Aviário só é possível através do apoio de
- 0:29empresas inovadoras e que apoiam a educação continuada na
- 0:32avicultura brasileira. Aquece, ambiência ideal para sua
- 0:37produção. Alga Prime DHA da Corbium,
- 0:41enriquecer ovos com ômega-tres sustentável.
- 0:45Easy Institute, transformação digital e inteligência
- 0:49artificial na produção avícola. Pegasus Science, a solução
- 0:55inteligente e em tempo real para a interpretação de micotoxinas.
- 1:00Bem-vindos e bem-vindas ao Aviário Podcast mais uma vez.
- 1:04Eu sou Catarina Stefanello e hoje eu converso novamente com o
- 1:07professor Dr. Fernando Tavares. Professor Fernando é
- 1:10zootecnista, mestre, doutor, trabalha na Universidade Federal
- 1:14Rural da Amazônia. E para quem nos acompanha há um
- 1:17tempo, nós já temos dois episódios gravados com o
- 1:20professor Fernando. Primeiro falando sobre a
- 1:23avicultura na região norte, na região amazônica, do uso dos
- 1:26recursos, os potenciais ingredientes que ele tem lá na
- 1:29região. Aí depois nós trocamos mais
- 1:32informações sobre a agenda da COP-XX, que agora se aproxima
- 1:35cada vez mais. Professor Fernando, obrigada
- 1:38mais uma vez por estar disponível para nós, por estar
- 1:41aqui trazendo mais informações. Obrigado, Catarina, pelo convite
- 1:46mais uma vez. Agradeço a oportunidade de falar
- 1:50aqui um pouco sobre a região norte, falar um pouco sobre o
- 1:52estado do Pará. É um prazer acompanhar vocês, é
- 1:59um prazer também poder contribuir aqui um pouco sobre
- 2:03as discussões, numa visão um pouco mais para o norte aqui.
- 2:08É bom fazer essa conexão sul-norte, porque o nosso país
- 2:12precisa disso, né? Eu acho, professor, que a gente
- 2:15podia aproveitar a oportunidade para nós nos atualizarmos,
- 2:19principalmente em relação às últimas discussões e a
- 2:21confirmação de Belém como sede da COP-XX, né?
- 2:26Eu sei que ultimamente foram realizadas várias reuniões, que
- 2:30você está acompanhando isso de perto e provavelmente tem
- 2:33algumas atualizações. E aí, à medida que o tempo for
- 2:35passando, eu vou te perguntando mais curiosidades que
- 2:38provavelmente quem nos acompanha também queira saber.
- 2:42Então, a Belém foi confirmada como a sede da Copa e Trinta
- 2:49agora em dois mil e vinte e cinco, né?
- 2:51E uma coisa que é interessante a gente falar é que essa agenda,
- 2:57ela muda um pouco a pauta do local de fala, porque nós temos
- 3:03até então muita discussão sobre mudanças climáticas em locais
- 3:10que já estão em condições de extremos climáticos, né?
- 3:15que já estão em condições de uma degradação severa.
- 3:18E aí, dentro de todas essas discussões das conferências que
- 3:22acontecem anualmente, vários países discutem e a Amazônia é
- 3:27sempre discutida. Ela é sempre discutida, mas ela
- 3:33não era protagonista. Hoje, a ideia nossa é que a
- 3:37gente vire protagonista da discussão.
- 3:40E a gente tem, acho que, três pontos importantes, sabe,
- 3:44Catarina, para abordar hoje nesse tema, que é o primeiro
- 3:49deles... é a gente falar um pouco sobre a nossa realidade
- 3:54climática. Por que falar da realidade
- 3:56climática? Porque nós estamos tendo um
- 4:00cenário de mudanças climáticas e de extremos climáticos que,
- 4:04inclusive, já está afetando a região amazônica.
- 4:07Então nós estamos vendo secas que historicamente acontecem,
- 4:11mas elas estão vindo de forma muito mais severa.
- 4:14A gente vê mudança nos regimes de chuva, a gente vê condições
- 4:19de calor extremo, ondas de calor extremo, que isso inclusive são
- 4:24pautas que a gente tem discutido na agricultura, né?
- 4:28A necessidade de galpões, por exemplo, cada vez mais
- 4:33climatizados, com cada vez mais alterações para que a gente
- 4:36consiga sustentar as características climáticas da
- 4:40região. Esses extremos estão sendo não
- 4:45mais uma coisa do futuro. Quando a gente discutia há uns
- 4:48anos atrás sobre mudanças climáticas, parecia uma coisa
- 4:52muito distante. Algo que ia acontecer.
- 4:55E a gente já vive isso, né? Eu moro em Belém do Pará, que a
- 5:00gente tem uma realidade de cidade, que a gente brinca, né?
- 5:04Que só tem dois climas do ano em Belém, gente.
- 5:07Que era uma época do ano que chovia o dia todo e uma época do
- 5:11ano que chovia todo dia. Então isso já mudou, por
- 5:15exemplo, no ano de dois mil e vinte e quatro a gente passou
- 5:18quase um mês meio sem chuva na cidade, o que é uma coisa
- 5:21extremamente raríssima de acontecer.
- 5:25Foi uma das piores secas das regiões nos últimos trinta anos.
- 5:29Então assim, nós temos condições que são problemáticas.
- 5:33E aí tu pega uma cidade, uma região extremamente chave para
- 5:38as mudanças, tu traz uma conferência de discussão na
- 5:43COP-XXIX, que acabou de acontecer em Baku, no
- 5:47Azerbaijão, a gente teve discussões não tão rigorosas, os
- 5:54acordos não foram tão expressivos, e talvez esse seja
- 6:01o ritmo que a gente precise mudar para a COP-XX, porque os
- 6:05acordos não foram tão arrojados quanto se esperava, tanto
- 6:09financeiramente quanto de metas, a gente tem discussões a avançar
- 6:14nesse sentido de metas climáticas, Nós da agricultura,
- 6:19a gente precisa entrar nessas discussões.
- 6:21Eu tenho conversado muito com os colegas que trabalham na área de
- 6:27pecuária, bovina, rubalina. Eles têm discutido, estudado há
- 6:32tempos as mudanças, fixação de carbono, práticas mais
- 6:37conservadoras, conservam mais o meio ambiente.
- 6:42E a gente da agricultura, a gente parece não estar avançando
- 6:46nessas discussões. Então talvez seja uma discussão
- 6:49que a gente precise trazer à tona, a gente talvez precise
- 6:53falar um pouco mais, porque o que eu acho que acontece muito
- 6:57na avicultura é um desligamento da cadeia.
- 7:02Parece que a gente está na avicultura, nós estamos
- 7:05produzindo frango de um lado e a gente esquece de todo o passivo
- 7:10de cadeia que existe, por exemplo, na cadeia do milho, na
- 7:13cadeia da soja, Então, onde esse milho e essa soja estão sendo
- 7:18plantados? Quais são as práticas adotadas?
- 7:22Essas regiões eram regiões de plantio que sofreram degradação,
- 7:27que sofreram abertura de áreas. Então, essa discussão talvez
- 7:33precise ser mais aprofundada na agricultura.
- 7:37E esse seja uma das discussões que a COP vai nos trazer para
- 7:41cá. A gente tem tentado inserir a
- 7:44avicultura nessas discussões no sentido do grande e do pequeno.
- 7:50Você imagina... O que vai ser de problemática,
- 7:56quando a gente fala de seca, em uma região como a nossa, que o
- 8:00transporte em algumas regiões é feito de balsa.
- 8:04Então, o milho, o grão, chega de balsa nas regiões.
- 8:07Se tem seca, a balsa não chega. Como é que se alimentam as aves?
- 8:11Então, assim, nós precisamos evoluir nessas discussões para
- 8:15que a gente possa melhorar mesmo o...
- 8:21O entendimento da agricultura, da indústria, do pequeno
- 8:24produtor, da segurança alimentar e outros aspectos que são
- 8:27importantes. Então o primeiro aspecto da COP
- 8:30é um aspecto mais ambiental que a gente vai precisar evoluir.
- 8:35A gente tem esse aspecto da agricultura que eu falei, da
- 8:38nossa cadeia que a gente está falando aqui, que ela também
- 8:42precisa ser discutida, precisa ser conversada, precisa ser
- 8:45entendida. O Brasil, por exemplo, é muito
- 8:50amador ainda em emissão de óxido nitroso nos aviários.
- 8:58A gente não mede, tem pouco estudo de impacto.
- 9:02O óxido nitroso tem quatro vezes mais efeito estufa do que o gás
- 9:06carbônico. Então, quando a gente faz a
- 9:08conta do crédito, por exemplo, o óxido de nitrose a gente
- 9:12multiplica por quatro o equivalente de gás carbônico.
- 9:15Ou seja, ele emite quatro vezes, é mais prejudicial quatro vezes
- 9:19do que o dióxido de carbono e a gente não discutiu isso ainda
- 9:25são áreas que na pesquisa por exemplo a gente vai ter que
- 9:28evoluir na pesquisa a gente vai ter que pensar nessa política e
- 9:36tentar realmente avançar nessas discussões mais pontuais dos
- 9:41nossos setores em discussões mais amplas uma das discussões
- 9:47que as COPES vem tratando e desde a COP passada, essa COP
- 9:54agora, e deve ser um mote de discussão da próxima COP aqui em
- 9:58Belém, é sobre as regularizações, ou seja, o
- 10:04Estado do Pará, e eu vou pegar um exemplo da cultura, como eu
- 10:08falei, ela parece estar mais avançada, ou a discussão mais
- 10:14intensa, pelo menos no nosso Estado, que é, por exemplo, o
- 10:18programa de restabilidade. Então, o governo está
- 10:20implantando um programa de restabilidade de cem por cento
- 10:23da carne bovina. Por quê?
- 10:25Porque nós somos os exportadores de carne e o governo de mercado
- 10:28está só exigindo da gente que nós temos cem por cento de
- 10:32restabilidade. Nós estamos preparados na
- 10:36agricultura para uma restabilidade de cem por cento?
- 10:39Se o milho realmente veio de uma propriedade que não te matou,
- 10:44que não era uma área legal, que não tem PROD, que não tem...
- 10:47Enfim, essas discussões todas a gente vai precisar evoluir na
- 10:51agricultura. E talvez seja o momento de a
- 10:55gente virar esse gatilho. Uma última coisa, Catarina,
- 10:59sobre ainda a COP, meio ambiente, e aí entrando um pouco
- 11:03mais nas nossas pesquisas, no nosso trabalho, a gente também
- 11:06tem discutido muito e propondo muitas ideias e estratégias de
- 11:12uma agricultura mais no sentido de segurança alimentar.
- 11:18Então, é muito cômodo para a gente que está na cidade, para
- 11:24as regiões que já têm um grau de urbanização alto, consumindo
- 11:30alimentos industriais, a gente falar, por exemplo, desses temas
- 11:34todos que eu acabei de falar, de carbono e tal, e o pequeno
- 11:38produtor, e o cara que está no ribeirinho, o que ele está
- 11:41comendo? Como é que chega comida para
- 11:43ele? Então, propor estratégias
- 11:47alternativas para que esses alimentos cheguem nesses
- 11:52produtores, para que a gente tenha...
- 11:56Possibilidade de apresentação de tecnologias simples,
- 11:59simplificadas. Eu tenho desenvolvido aqui com
- 12:03colegas parceiros, aqui na universidade, dentro do nosso
- 12:07núcleo de pesquisa, por exemplo, ideias e estratégias de utilizar
- 12:12proteína de inseto para pequenos produtores.
- 12:15Não naquela visão mais industrializada da Ásia ou até
- 12:21do sul do Brasil, de grandes corporações ou de grandes
- 12:25empreendimentos. Mas assim, pequenas propriedades
- 12:27como fonte de alimento para os animais.
- 12:31Ao mesmo tempo, a gente tem um clima fantástico para produzir
- 12:34animais. É quente e úmido.
- 12:37Então, a gente tem um pensamento de evoluir.
- 12:40Hoje, a gente tem uma unidadezinha dentro da
- 12:42universidade que está produzindo larva de mosca.
- 12:45BSF, da Black Salt Fly, como alternativa de produção de
- 12:50proteína, como redução do impacto ambiental de resíduos
- 12:56agroindustriais, dar destino para os resíduos, dar destino
- 12:59para a alimentação da CEASA, dar destino para o corte de frutas
- 13:04do nosso restaurante universitário, o que é feito com
- 13:08isso e os impactos que isso vai ter na emissão de carbono.
- 13:11A partir do momento que eu uso proteína de inseto, de resíduo
- 13:14agroindustrial, eu tenho uma diminuição no impacto da emissão
- 13:18de carbono quando eu comparo com o farelo de soja.
- 13:22Então isso de alguma forma deverá ser valorizado ou deverá
- 13:25mudar na nossa próxima copa. Acho que na primeira parte era
- 13:31mais ou menos isso, Catarina. Em busca do ambiente ideal para
- 13:35sua produção, a Aquece oferece aquecimento especializado,
- 13:40totalmente automático para a produção animal, garantindo
- 13:43distribuição uniforme de calor. Mais de doze anos entregando
- 13:48soluções eficientes em todo o Brasil.
- 13:53E com uma quantidade que não precisa ser muito grande, mas
- 13:56que já atende o mercado regional.
- 13:58Eu acho que tudo isso que você falou é muito importante porque
- 14:02mostra muito o que vai ser pauta no futuro.
- 14:07Então, vocês já estão discutindo talvez coisas que em alguns
- 14:10outros locais essas discussões não aparecem, mas que vai ser
- 14:14pauta para o futuro. Enquanto você falava, eu ia
- 14:18marcando algumas coisas que eu achei muito interessantes.
- 14:20Talvez o fato de Nunca se falou tanto, né, sobre o estresse por
- 14:24calor na agricultura, mas óbvio que o nosso ano, acho que ele...
- 14:28E os últimos anos, né, esses... marcaram muito para nós aqui no
- 14:32sul, vocês aí no norte, e as nossas questões ambientais que
- 14:38estão muito mais avançadas e que mostram para nós talvez essas
- 14:41avaliações mais completas que a gente tem que fazer, desde o uso
- 14:46dos recursos, se o animal está sendo mais eficiente, porque a
- 14:49gente está plantando ingrediente para eles consumirem, Então, não
- 14:55avaliar as coisas só separadamente, ter um conjunto
- 14:58de tudo, né? Mas acho que a avicultura está
- 15:02seguindo um pouco essa tendência, né?
- 15:05Tem uma coisa que eu queria perguntar, que eu sei que é
- 15:09pauta de vocês, só para a gente encerrar isso, que tem a ver com
- 15:13o produtor. Talvez a demonização do produtor
- 15:18nessa conjuntura toda das discussões.
- 15:22Como é que a gente pode... Trabalhar junto para, não sei se
- 15:28seria a melhor palavra para contestar isso, então para
- 15:32trabalhar junto com o produtor, já que muitas vezes ele é o que
- 15:38vai ser o mais responsabilizado, digamos assim, né?
- 15:43A gente passa por esse processo que é muito complexo, Catarina,
- 15:50porque quando a gente discute isso aqui na Amazônia, eu queria
- 15:57aproveitar a abrangência mesmo do canal para chegar a todo
- 16:02mundo, as pessoas entendam que, por exemplo, Quando a gente fala
- 16:07de desmatamento na Amazônia provocado pela pecuária ou pela
- 16:12produção animal, a gente tem que entender que essa visão de que
- 16:17isso é ruim, o entendimento de que isso é prejudicial, ele é um
- 16:21entendimento muito recente. Por que muito recente?
- 16:25Porque há trinta anos atrás, há quarenta anos atrás, o produtor,
- 16:30para ter direito à terra, ele tinha que desmatar.
- 16:33Se ele não desmatasse, se entendia que ele não era dono
- 16:35daquela propriedade. Então, a retirada da floresta e
- 16:40a substituição dela, e aí a gente tem o ciclo amazônico, que
- 16:44é o ciclo de muitas regiões, mas na Amazônia isso foi muito
- 16:47forte. que é a exploração madeireira, seguida da pecuária
- 16:53e a migração para lavouros posteriormente.
- 16:57Então, a gente tem esse ciclo. Hoje, por exemplo, a gente está
- 16:59em uma mudança de ciclo. A pecuária é extensiva, ela tem
- 17:04perdido força e tem migrado para a pecuária intensiva ou para a
- 17:09produção de grãos. E olha como isso é interessante,
- 17:13curioso ou difícil de se trabalhar.
- 17:16Porque, ao mesmo tempo, que o aumento na quantidade de lavoura
- 17:21está fazendo o abastecimento de milho e farol de soja, ou
- 17:25soja-grão, aumentar na nossa região.
- 17:28E aí, aumentando a produção de grãos, aumenta a disponibilidade
- 17:32de empreendimentos avícolas, porque diminui os custos de
- 17:35produção. Então, a gente entende que isso
- 17:38é uma cadeia e que essa cadeia vai se conversar o tempo todo.
- 17:44Qual é o nosso problema? É uma mistura de política
- 17:49pública, de conscientização de produtor.
- 17:53Quando eu vejo os colegas da pecuária discutindo isso, a
- 17:58gente tem hoje uma série de políticas públicas para discutir
- 18:01o papel do pecuarista, separar quem é o pecuarista bom, quem
- 18:05não é o pecuarista bom, quem são os pecuaristas que seguem
- 18:09padrões de qualidade ou seguem critérios ambientais mais
- 18:14eficientes, pecuaristas que não seguem.
- 18:16Essa discussão na nossa região ainda não chegou na agricultura.
- 18:20A gente ainda não tem discussões de bons avicultores e de
- 18:23avicultores ruins. A gente hoje não qualifica
- 18:29avicultor na nossa região. Mas uma discussão me preocupa,
- 18:33que é a discussão do frango da Amazônia talvez não seja um
- 18:38frango para exportação. Por quê?
- 18:41Porque é um frango da Amazônia, é um frango da degradação.
- 18:45Essa discussão é muito complexa, porque na Amazônia tem pessoas,
- 18:50a gente tem uma população, tem empresas, tem empresários, e que
- 18:55seguem do ponto de vista ambiental estritamente a
- 19:00legislação. Se a gente olhar as propriedades
- 19:03avícolas da nossa região, talvez seja a propriedade que mais
- 19:07segue, mais preserva o meio ambiente.
- 19:09Numa visão focal, quando a gente olha para a propriedade, você
- 19:12tem as áreas de abertura de galpão e você tem as áreas de
- 19:15preservação dentro da propriedade.
- 19:17É isso. Novamente, eu já falei
- 19:20anteriormente, a gente precisa montar sistema de rastabilidade,
- 19:23a gente precisa montar sistema de validação, isso a nível
- 19:26local, isso a nível nacional, que valide que esse alimento, a
- 19:31gente deve ter uma mudança agora, né, Catarina, porque vai
- 19:34ter a rastabilidade do milho vai entrar agora.
- 19:38Então, com a implementação dos programas de rastabilidade do
- 19:41milho, a gente imagina que isso daí vai refletir no futuro para
- 19:45a agricultura. mas é muito complexo esse processo de
- 19:50demonização, porque se a gente imaginar enquanto cadeia de
- 19:55valor, ou seja, quando eu falo cadeia de valor, eu estou
- 19:58falando de emprego, eu estou falando de comida produzida para
- 20:01a região, hoje a gente já tem um estoque grande de alimentos das
- 20:07regiões, nós temos muita influência do centro-oeste,
- 20:10principalmente, chegando comida aqui, chegando alimento, frango
- 20:16e tudo mais, ovos, no sul também, mas vocês imaginam se a
- 20:22gente parar de produzir o que a gente produz.
- 20:26Então, o que as pessoas vão fazer?
- 20:28A gente vai viver... O que a gente vai produzir?
- 20:31E a cadeia? E todo mundo que está
- 20:34investindo? E todo mundo que está...
- 20:41Então, esse cenário é bastante complexo.
- 20:44A gente tem discutido muito na região a importância da gente
- 20:48validar, por exemplo, ou valorizar, valorar o produto da
- 20:53Amazônia no sentido, no pensamento contrário, vamos
- 20:57valorizar esse produto. Bem dentro do que eu tenho
- 21:01conversado, que já conversei outras vezes, e eu acho que
- 21:03daqui a pouquinho a gente pode falar um pouco mais sobre isso,
- 21:06é... Como esses produtos da Amazônia
- 21:12podem ser valorizados? Como o ovo que é produzido aqui
- 21:17pode ser valorizado? E quais produtos amazônicos nós
- 21:21teríamos para validar isso? Então, esse processo de
- 21:25demonização do produtor, que a gente colocou, que você falou,
- 21:31ele é um processo que é extremamente complexo na forma
- 21:37de ver o produtor como um vilão do processo.
- 21:42E aí por isso que eu falo que a gente precisa de política
- 21:44pública. A gente precisa de política
- 21:46pública que diga assim, olha, o correto é esse, a partir de
- 21:49agora a gente vai mudar a política.
- 21:52Eu vou lembrar, Catarina, que talvez algumas pessoas que nos
- 21:56escutam não entendam completamente isso, mas a
- 22:02Amazônia, toda propriedade rural, oitenta por cento dela
- 22:05tem que ser área de preservação. Então, imagina você ter uma
- 22:09propriedade inteira, oitenta por cento dela vai ser
- 22:12necessariamente preservada. Você só usa vinte por cento das
- 22:14áreas. Então, é complexo isso, né?
- 22:19Porque ao mesmo tempo tu tá falando assim, olha, tu vai
- 22:21comprar uma propriedade de cento hectares e tu vai usar vinte.
- 22:25Oitenta tu não mexe. Aí inclui córrego de rio, áreas,
- 22:29enfim. Mas essas informações são
- 22:32importantes. Por quê?
- 22:34Porque no custo Amazônia, a gente vai ter um custo maior.
- 22:38O valor agregado pelo Simontal Empreendimento é muito maior.
- 22:42E, novamente, nós temos hoje práticas que são mais
- 22:47sustentáveis. Nós temos práticas hoje...
- 22:49O nosso plantio de... Eu cito até um exemplo talvez
- 22:54menos técnico, ou melhor, menos científico, mas de vivência.
- 23:00Nós tínhamos regiões aqui que seguiram o fluxo que eu falei
- 23:04anteriormente para vocês. Madeira...
- 23:09Pastagem degradada, sistema extensivo, pecuária intensiva, e
- 23:15agora está migrando para a área de grãos.
- 23:18Na minha visão, visualmente falando, eu acho muito mais
- 23:24interessante. Por quê?
- 23:26Porque você tinha uma área que era degradada, uma baixa taxa de
- 23:29rotação animal, com uma qualidade de descobertura do
- 23:33solo péssima, que ainda aplicava técnicas, por exemplo, como fogo
- 23:39para limpeza, e você entra com técnicas de agricultura.
- 23:43E de agricultura de qualidade, com plantio direto, com adubação
- 23:48planejada, com sistemas de irrigação, aumentando a produção
- 23:53daquela área. Então, aumentar a produção de
- 23:56áreas que antes estavam degradadas, talvez seja uma
- 23:59solução para a Amazônia, e para a agricultura, como eu falei,
- 24:04que são interessantes. Por quê?
- 24:06Olha como o ciclo vai funcionar agora.
- 24:08Então, a gente vai ter agricultura, produção de grãos,
- 24:12e aí eu até cito um exemplo, que eu até brinco com meus alunos,
- 24:17que eu digo assim, o professor continua aprendendo a vida toda.
- 24:19É verdade. Produção, por exemplo, de
- 24:23gergelim. O Pará está produzindo gergelim
- 24:25hoje em dia. Então está chegando nas
- 24:28indústrias já resíduo da extração de óleo de gergelim.
- 24:31Então se tu pensasse, se eu te falasse, se a gente conversasse
- 24:35nessa ideia há quinze anos atrás, eu diria assim, ah, o
- 24:39professor Fernando está maluco. Está falando que a galera vai
- 24:42produzir na Amazônia frango usando resíduo de gergelim.
- 24:45Eu estou falando para vocês agora que isso já está
- 24:47acontecendo. Se a gente comentasse há uns
- 24:51anos atrás sobre soja, conversa sobre soja, eu falaria assim
- 24:57para vocês, não, o Pará produz pouca soja e o pouco de soja que
- 25:03a gente produz vai para outro estado para ser processada como
- 25:06óleo e volta como farelo, isso encarece o produto.
- 25:10Aí eu vou falar para vocês assim, hoje no estado do Pará,
- 25:13as cinco, seis maiores empresas de avicultura de corte ou de
- 25:19postura do estado já usam grão do estado e já fazem desativação
- 25:25ou extrusão de soja dentro da empresa.
- 25:27Então o grão não sai mais do Pará, porque aumentou a produção
- 25:30de grão no Pará. Dentro de uma perspectiva legal,
- 25:35gente, eu não estou falando, e eu vou deixar isso muito claro
- 25:37para todos os ouvintes, assim, Eu não estou falando que nós não
- 25:41temos produtores ruins. Eu não estou falando que nós não
- 25:46temos pessoas que não se preocupam com o meio ambiente.
- 25:49E eu não estou falando que a gente não está tendo
- 25:52desmatamento e queimada. Eu só estou falando que isso não
- 25:55é a realidade de cem por cento de produtores.
- 25:57Isso não é a realidade de cem por cento de fornecedores.
- 26:01E o que a gente vai ter que ter é política pública para
- 26:05legalizar, fazer rastreabilidade, a gente saber
- 26:08de onde isso foi produzido. Uma coisa que eu vejo muito que
- 26:13a gente precisa evoluir são as relações de mercado de trabalho
- 26:18nós somos ainda temos uma raiz muito forte de um sistema muito
- 26:23mais colonialista em que a remuneração das pessoas é vista
- 26:28como uma coisa que pode ser baixa que não tem qualidade
- 26:33então a gente precisa e a gente até está melhorando mas a gente
- 26:37precisa evoluir numa conversa assim básica mesmo, sabe?
- 26:40Olha, precisa ter um banheiro interessante para o teu
- 26:42funcionário conseguir usar, precisa ter uma qualidade de
- 26:46alimentação, enfim, é uma coisa que a gente ainda precisa
- 26:50evoluir, né? Então, fazendo meia-culpa aqui
- 26:52dentro desse processo, Nós estamos evoluindo, nós temos
- 26:57produtores que ainda não conseguem se adequar, e esses
- 27:03são os problemáticos, e esses têm que ser feitos ao rigor da
- 27:06lei, e esses têm que ser tirados do processo, eles não podem
- 27:10contaminar os demais, e nós precisamos evoluir em qualidade
- 27:14de atendimento das pessoas, sabe?
- 27:16A gente precisa falar das pessoas que vivem na Amazônia,
- 27:19acho que esses são os grandes viés.
- 27:22Muito bom, eu acho que, de fato, a palavra complexa é o que mais
- 27:26define, e às vezes é até difícil encontrar palavras, porque tem
- 27:31todos os lados, tem todo tipo de produtor também, mas acho que o
- 27:35importante ressaltar é que a gente precisa escutar
- 27:38principalmente informações vindas de quem vive aí, quem...
- 27:42Passa o dia a dia falando sobre isso.
- 27:45Então, para quem não está ali, receber informações que são, de
- 27:50fato, confiáveis e representativas.
- 27:54Professor Fernando, mais uma coisinha que eu queria
- 27:55perguntar. Você mencionava sobre os
- 27:57produtos da Amazônia antes. O que vem pela frente de
- 28:03produtos da Amazônia que podem ser valorizados, então?
- 28:07Eu vou falar de dois assuntos de produtos da Amazônia que a gente
- 28:12tem discutido bastante aqui. O meu grupo de pesquisa, de
- 28:16forma até multicâmbio, a gente tem estudado, a gente continua
- 28:19estudando os bioprodutos, as possibilidades de uso desses
- 28:23bioprodutos. Para quem não escutou o episódio
- 28:25passado, os episódios passados, eu vou até aproveitar aqui e
- 28:30caracterizar o que a gente chama de bioproduto, subproduto, qual
- 28:33produto, Catarina, para a gente deixar todo mundo no mesmo nível
- 28:36de conversa. O que é um próprio produto,
- 28:39subproduto? É um produto que veio da
- 28:41indústria, não é um produto principal.
- 28:44Qual é a questão hoje? Hoje a gente tem produtos que
- 28:47são produzidos pela floresta, então a gente tem produtos que
- 28:51são ou de realidade local, o que é realidade local?
- 28:56A gente tem aqui o murumuru, que é uma palmeira nativa da
- 28:59Amazônia. Então, quando a gente fala de
- 29:02murumuru, eu estou falando de uma palmeira que a gente ainda
- 29:04não tem plantio comercial organizado, são palmeiras
- 29:08nativas. E o que o Peguei o exemplo do
- 29:11Murumuru e vou servir ele para outras coisas, mas o que o
- 29:14Murumuru tem de diferente? Bom, a indústria cosmética
- 29:17descobriu que os sabonetes Murumuru são incríveis para a
- 29:20pele, são produtos hidratantes de excelente qualidade, que eles
- 29:24têm ácidos graxos de cadeia curta e cadeia média que são
- 29:28interessantes para a pele do ser humano e que geram produtos
- 29:33cosméticos de beleza e de farmácia também interessantes.
- 29:38Então, os modelos que estão sendo empregados aqui é que as
- 29:42comunidades tradicionais, as comunidades rurais, os
- 29:45produtores rurais, utilizam daquelas áreas de floresta para
- 29:50ir lá fazer a coleta do murumuru, isso se reúne em um
- 29:53determinado local, uma comunidade, uma associação, num
- 29:56grupo de pessoas, num produtor individual mesmo, e isso vai
- 30:00para as indústrias que vão fazer o aprimoramento, a extração
- 30:03desse óleo, algumas cooperativas hoje já fazem a extração do óleo
- 30:09na comunidade, então tiram o óleo bruto lá na comunidade e o
- 30:14resíduo que fica, que são as tortas que é um resíduo
- 30:18industrial é a torta de murumuru que é o exemplo que eu estou
- 30:22usando ela sai dessa unidade e ela tem basicamente três
- 30:27destinos principais o primeiro destino é o pior deles, que é
- 30:32quando ela vai para aterro sanitário Então você pega uma
- 30:37torta, que é o resíduo de uma fruta, a extração de óleo de uma
- 30:40fruta, e ela vai para um aterro sanitário.
- 30:44Você tem a opção dois, que é muito comum nas indústrias
- 30:47também, que é a destinação para compostagem.
- 30:52Então isso vai para um pátio de compostagem, isso vira adubo
- 30:55orgânico. E a terceira opção, que é o que
- 30:58a gente tem trabalhado bastante, é validar isso como alimento. e
- 31:02aí o que que é complexo pra gente validar isso como alimento
- 31:06é Essa cadeia toda que eu expliquei para vocês, ela tem
- 31:11variabilidade. Variabilidade até mesmo
- 31:15industrial. Por quê?
- 31:17Porque eu tenho uma indústria que produz murumuru para fazer
- 31:21sabonete. Essa indústria quer tirar o
- 31:23murumuru cem por cento da torta. Então ela prensa, ela lava com
- 31:28hexano e a torta vem quase sem gordura.
- 31:31Ela vem com dois por cento de gordura, três por cento.
- 31:34Eu tenho uma indústria que vai produzir o óleo de murumuru puro
- 31:38para a indústria farmacêutica. Então ela não usa hexano, ela
- 31:41usa só pressagem a frio. Ela nem usa pressagem a quente.
- 31:46O resíduo de óleo aumenta. Então a gente tem um problema de
- 31:49padronização dessas tortas. A gente está trabalhando...
- 31:53fazendo coletas regulares em algumas empresas para tentar
- 31:56caracterizar melhor esses produtos.
- 31:59Segunda etapa do processo é a validação nutricional, que é o
- 32:03que a gente, como tecnista, pesquisador, faz com uma certa
- 32:06frequência. Ver o quanto de proteína
- 32:09digestível tem nesse produto, quanto de energia bruta tem,
- 32:13quanto de energia metabolizável tem.
- 32:16E a gente tentar validar isso de alguma forma.
- 32:18É o que o nosso grupo de pesquisa tem trabalhado nessa
- 32:21etapa inicial, que é tentar validar a composição, a
- 32:25caracterização, as digestibilidades,
- 32:29metabolizabilidades desses produtos para tentar aplicar
- 32:32eles na dieta. E nós teremos um terceiro passo,
- 32:35que é medir os efeitos. sobre o desempenho do animal, que é
- 32:39fundamental, e os efeitos secundários desses produtos.
- 32:43Ou seja, se eu tenho um murumuru que tem mais óleo, mais
- 32:46residual, isso tem efeito sobre a saúde intestinal, isso tem
- 32:50efeito sobre o perfil de ácidos graxos, isso muda a composição
- 32:53do ovo, isso muda a cor do ovo, o que isso muda, o que isso
- 32:58melhora? Então a gente está passando
- 33:00agora para essa terceira etapa, que é a etapa talvez mais
- 33:05difícil do processo, porque a gente precisa de validação,
- 33:09precisa de laboratório, de financiamento, que a gente está
- 33:13tentando o tempo todo fazer, que é justamente para a gente
- 33:16aprofundar. Hoje, eu não consigo nem te
- 33:19dizer, e eu te dei um exemplo que eu fiz, já estou indo para a
- 33:23segunda fase, que é o murumuru. O murumuru, por exemplo, hoje eu
- 33:27não tenho o perfil de aminograma dele ainda. porque o custo de um
- 33:32aminograma é caro. E aí não adianta eu pegar uma
- 33:36amostra de murumuru, mandar para o laboratório fazer o perfil de
- 33:38aminograma, porque eu tenho variabilidade.
- 33:41Então eu preciso fazer uma média do perfil de aminograma daquele
- 33:43produto. E aí quando eu falo dessas
- 33:47médias de produto, quando eu falo dessas caracterizações, eu
- 33:50tenho que sempre pensar novamente nas características da
- 33:54região Amazônia. Que é diversidade.
- 33:58Eu citei um produto. Mas eu conseguiria aqui em dez
- 34:01minutos. Citar dez produtos diferentes.
- 34:04Que tem validação. Então isso é uma coisa.
- 34:07Outra coisa que nós estamos. Recentemente começamos a
- 34:11estudar. E trabalhar. esses usos que a
- 34:15gente fala, que é o uso não nutricional, mas o uso como
- 34:22aditivo desse produto. Então, a indústria reconhece
- 34:25esses produtos como um produto melhorador de flora, reconhece
- 34:30esse produto como controlador de microbiota, reconhece...
- 34:35A gente não tem processo de validação disso na natureza.
- 34:40Um... Tem uma pesquisa muito
- 34:43interessante, que não é da nossa área, mas a gente vai estar
- 34:46trabalhando com um grupo lá parceiro, e eu vou explicar o
- 34:50porquê eu estou trabalhando com eles lá, que a gente tem um
- 34:53problema, por exemplo, do açaí. Aí o povo que não é de fora, a
- 34:57maioria de vocês conhece açaí congelado, açaí congelado para a
- 35:00gente que é paraense é uma tragédia, né?
- 35:03porque é um fruto fresco. E aí aqui a gente tem uma
- 35:08perspectiva de exportar açaí, grama de açaí, a fruta do açaí.
- 35:13Qual é o problema? A fruta do açaí, quando ela fica
- 35:15exposta no ambiente, ela oxida e perde qualidade.
- 35:19Então tem um grupo de pesquisadores aqui na
- 35:21Universidade Federal do Pará que, por exemplo, trabalha com
- 35:24biofilmes. Ou seja, você pega um produto da
- 35:27Amazônia e aí nesse momento a gente não pode falar o que está
- 35:31sendo trabalhado, o que vai requerer patente, você pega um
- 35:33produto você recobre esse fruto e você vê a vida útil, então o
- 35:39pessoal está conseguindo aumentar dois meses, três meses
- 35:41a vida útil de um produto e aí o nosso pensamento é, e se a gente
- 35:45fizesse essa mesma coisa com ovo, né?
- 35:48Qual é o efeito que isso tem sobre...
- 35:50Vida de prateleira do ovo... E vida de prateleira da carne no
- 35:54futuro... Então a gente tem muitas
- 35:56discussões... De produtos amazônicos...
- 35:59Que é quase que uma expedição científica...
- 36:02A gente mergulhar nas comunidades...
- 36:05A gente conhecer as realidades...
- 36:07E uma coisa que me chama muito a atenção... é que a gente na
- 36:10academia ainda não consegue acompanhar a velocidade das
- 36:16coisas no tempo que nem sempre a gente precisa.
- 36:20E eu vejo hoje produtores rurais que estão utilizando essas
- 36:23tortas que você tem no início para dar para as suas galinhas.
- 36:27Aí tu fala assim, mas Fernando, não tem estudo ainda.
- 36:30Eles estão dando e está funcionando.
- 36:32De alguma forma eles baratiraram o custo deles.
- 36:36Então o cara, a galinha tinha uma criação pequena no quintal,
- 36:41essa criação comia resto de comida e começou a melhorar,
- 36:44aumentar a criação, ele pegou, foi lá na comunidade, na
- 36:48cooperativa que ele trabalha, pegou essa torta e deu para a
- 36:51galinha e melhorou, ela botou mais ovo.
- 36:55E aí tu já fala assim, olha, então isso de alguma forma já
- 36:58está ou vai ser validado com mais intensidade, justamente
- 37:04porque a gente precisa atender as comunidades que estão no
- 37:08entorno. Então, a gente tem um trabalho
- 37:10de rede, Catarina, que a gente até recentemente aprovou um
- 37:14projeto nessa área, numa comunidade quilombola, que é
- 37:17justamente assim, melhorar a segurança alimentar daquelas
- 37:21comunidades com produtos da agricultura que eles possam
- 37:25produzir, que eles já produzem. O que eles já produzem?
- 37:29A mandioca é uma torta de murumuru?
- 37:34O que eles fazem com os resíduos dessas produções?
- 37:37Então ele vai e tenta validar isso de alguma forma na
- 37:40comunidade já, sabe? Falar assim, olha, ainda que não
- 37:43tenha estudos sobre desempenho, sobre comparação, a comunidade
- 37:46melhorou a renda utilizando isso.
- 37:49E isso é muito válido quando a gente imagina, aí a gente volta
- 37:55ao início da conversa lá atrás, que a gente tem que manter a
- 38:00floresta em pé, então a gente tem que fazer a floresta
- 38:02produzir renda. E uma das formas que a gente tem
- 38:04que da floresta produzir renda é justamente a gente agregar valor
- 38:07nos seus produtos, nas suas biotecnologias envolvidas aí
- 38:12nesses processos. Então a gente deve ir mais ou
- 38:16menos nesse caminho, a gente tem estudos nossos sendo publicados
- 38:22agora, tem dois em fase de tramitação com resíduos de torta
- 38:27de cupuaçu, que é um produto também bem regional, apesar de
- 38:31ter uma distribuição melhor no Brasil, mas é um produto a gente
- 38:35tem torta de pupuaçu aqui a gente tem semente de pupuaçu
- 38:38integral a gente deve estar evoluindo com o trabalho a gente
- 38:43tem um efeito muito positivo com o resíduo de goiaba que é um
- 38:46produto que apesar de não ser exclusivamente amazônico A
- 38:50Amazônia produz muita goiaba. Os nossos produtores rurais têm
- 38:54uma produção grande de polpa de fruta.
- 38:56E essas polpas de goiaba têm gerado resultados positivos para
- 39:00a gente. A gente tem as indústrias de
- 39:03óleo. E aí eu não vou fazer propaganda
- 39:06de ninguém aqui, mas a gente tem três grandes empresas da área de
- 39:11cosméticos que vocês devem conhecer aí.
- 39:13Tem propaganda TV que tem linhas inteiras e que estão montando
- 39:17indústrias aqui. Então, assim, a gente começou
- 39:20umas conversas também com eles e disse assim, olha, isso podia
- 39:23voltar para a comunidade, isso podia voltar para o cara que
- 39:26está te fornecendo numa escala mais funcionando como é uma
- 39:31economia circular, sabe? A floresta se ciclando ali e aí
- 39:37você dá alimento para o frango, produz adubo que gera dentro da
- 39:42comunidade. Então, isso tudo é uma conversa
- 39:45muito intensa. Eu vou só ainda para finalizar
- 39:50esse bloco de perguntas aí, que também é uma coisa que o pessoal
- 39:54me pergunta bastante. Fernando, mas e a indústria?
- 39:57A indústria do frango, o pessoal que produz muito.
- 40:00A indústria estava doida para usar esses produtos.
- 40:03A indústria não usa hoje porque não tem.
- 40:06O Pará, Catarina, é um dos grandes produtores de dendê do
- 40:10Brasil. Um dos grandes produtores de
- 40:12dendê do Brasil. Talvez um dos maiores, eu não
- 40:13lembro se dá de cabeça, mas somos grandes produtores de
- 40:16dendê. a indústria não consegue comprar o Dendê todo, a torta.
- 40:23Mas por que, Fernando? Porque tem fila para comprar.
- 40:25Porque a torta de Dendê já está validada para a produção de
- 40:28animais ruminantes, ela já entra na dieta de quase todos os
- 40:32confinamentos, quando tem disponível, E o pessoal do
- 40:35frango tem que comprar farol de trigo de fora porque não
- 40:39consegue acessar o DMD que é daqui.
- 40:40Então, assim, a hora que a gente conseguir escalonar esses
- 40:43produtos, a hora que a gente conseguir industrializar esses
- 40:46produtos, isso vai virar a chave e talvez...
- 40:51Catarina, daqui a uns dez anos a gente fale assim, olha, lá atrás
- 40:55a gente falava de murumuru, a gente falava de torta de
- 40:58castanha, a gente falava de tucumã, de pracaxi, como se
- 41:04fosse uma coisa distante e hoje é uma realidade.
- 41:06Por quê? Porque agrega valor, porque tem
- 41:08um produto alimentício envolvido nesse processo.
- 41:13Então a gente imagina que esses processos, esses produtos, eles
- 41:16vão e devam evoluir, né? E a gente está com outras ideias
- 41:21aí também. A gente até fala muito assim,
- 41:24como a gente tem um universo muito grande de produtos e
- 41:28componentes, a gente tem umas ideias malucas às vezes e a
- 41:32gente espera que... A gente testa elas primeiro para
- 41:34ver se elas vão dar certo para a gente poder depois falar para
- 41:36vocês. Cada vez que eu conversei com
- 41:39você, você falou de um bioproduto diferente, né?
- 41:42Tamanha a diversidade que tem. A gente tem que deixar combinado
- 41:45que daqui a alguns meses a gente vai gravar de novo, conversar de
- 41:48novo, só para falar dos resultados de vários desses,
- 41:53dessas avaliações que vocês fazem, principalmente a questão
- 41:56de padronização, quantidade, custo e focar também nos
- 42:01efeitos. Já que o nosso tempo está
- 42:03encerrando, a gente vai deixar combinado que daqui a alguns
- 42:06meses... Vai conversar de novo.
- 42:09Bom, professor, obrigada de novo por todas essas informações,
- 42:13pela disponibilidade. Muito bom sempre conversar com
- 42:16você, escutar as coisas que você nos fala.
- 42:19Queria te deixar a vontade para deixar uma mensagem final para
- 42:22quem nos acompanhou até agora. Não, Catarina, só tenho a
- 42:25agradecer, agradecer a participação, a escuta aí do
- 42:29pessoal, né? A gente tem muita coisa para
- 42:32falar de Amazônia, a gente tem uma discussão muito ampla sobre
- 42:35isso, né? E a gente convida todo mundo
- 42:39para vir aqui conhecer a nossa realidade, conhecer a
- 42:43diversidade, né? Eu até brinco com o pessoal,
- 42:47como a gente está recebendo a cópia esse ano agora, de dois
- 42:49mil e vinte e cinco, a gente tem aquela plaquinha na porta do
- 42:54aeroporto, né? Desculpe os transtornos, estamos
- 42:56em obra, sim. A cidade de Belém está em obra,
- 42:58literalmente, né? Toda em obra, mas isso tem feito
- 43:02valorizar alguns aspectos da nossa cultura, mas quando vocês
- 43:06vierem no Palácio, se for na área da agricultura, venham nos
- 43:08conhecer, venham visitar, a gente está à disposição para
- 43:12todas essas conversas, tá bom? Muito obrigado, obrigado mais
- 43:16uma vez pelo convite e a gente continua conversando.
- 43:20Excelente. Obrigada, professor Fernando.
- 43:21Obrigada para quem nos acompanhou.
- 43:23Nós nos vemos numa próxima. Nós gostaríamos de reforçar um
- 43:27convite a todos vocês que têm nos acompanhado e que se
- 43:29interessam pelos temas do Aviário Podcast, para que nos
- 43:33enviem sugestões de convidados para participar dos nossos
- 43:36episódios, indiquem pessoas que tenham relação com qualquer área
- 43:40da agricultura. E uma das formas que nós temos
- 43:43de receber essas indicações é através do e-mail O e-mail vai
- 43:47passar na tela para vocês, se chama hello.wisenetics.com.br.
- 43:53Fiquem à vontade para indicar profissionais que vocês
- 43:56gostariam de ver por aqui, para que nós possamos ampliar o nosso
- 43:59material e também a nossa rede de contatos.
- 44:02Nós ficaremos muito felizes com as indicações de vocês.
- 44:06Muito obrigada!