Latest / TIC, Educação e Web / orientações ético-pedagógicas para a integração da Inteligência Artificial
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- 0:00Boas vindas a esta exploração, onde vamos olhar para o
- 0:02verdadeiro terramoto que é chegada da inteligência
- 0:04artificial às nossas escolas? Mas e se, em vez de olharmos
- 0:08para isto como um obstáculo técnico a ultrapassar,
- 0:10encararmos a situação como uma oportunidade pedagógica
- 0:13absolutamente incrível? Ao longo desta nossa análise a
- 0:16um conjunto de recomendações ético pedagógicas vindas do
- 0:19Chile, vamos perceber exatamente como repensar a nossa abordagem
- 0:22a esta tecnologia. A grande questão que ecoa em
- 0:25todas as salas de professores neste preciso momento é mesmo
- 0:28esta? O que é que fazemos com AIA na
- 0:31sala de aula? Pois bem, a resposta obriga nos
- 0:33a perceber que esta tecnologia abana as fundações daquilo que
- 0:37consideramos ser a própria aprendizagem.
- 0:39Pensemos nisto. É muito semelhante à forma como
- 0:42a calculadora revolucionou a matemática há umas décadas.
- 0:46Não acabou com a disciplina, mas forçou nos a focar na lógica em
- 0:49vez de apenas no cálculo mecânico.
- 0:51E é aqui que entra uma ideia brilhante da filósofa chanen
- 0:54valer, ela fala nos de um conceito chamado
- 0:56responsabilidade tecnomoral. Ou seja, não se trata apenas de
- 1:00saber dominar um software novo, trata se de cultivar virtudes
- 1:03éticas. Isto eleva completamente o papel
- 1:06de quem ensina. O educador não é um simples
- 1:08transmissor de conteúdos, mas SIM 1 agente moral
- 1:11insubstituível. Para organizar esta nossa
- 1:14reflexão, temos um roteiro muito simples.
- 1:16Primeiro, abordamos o dilema da iá, a seguir os 5 riscos
- 1:20ocultos. Depois, vamos para além do
- 1:22digital, percebemos como cultivar virtudes techno, Morais
- 1:26e, finalmente, vamos repensar a avaliação.
- 1:29Ora, começando logo pelo primeiro ponto, o dilema da IA.
- 1:32Indo muito além dos tutoriais técnicos, temos mesmo de deixar
- 1:35de lado aquela visão simplista de como clicar no botão certo e
- 1:39ir ao fundo da dimensão ética do ensino.
- 1:42E reparem bem nisto, a pedagogia Moderna mostra nos que
- 1:45precisamos de disposições de caráter e não apenas de
- 1:48competências digitais. No mundo onde a tecnologia
- 1:51medeia as nossas decisões e as nossas relações sociais, dominar
- 1:54a ferramenta não basta, pois não?
- 1:56É absolutamente crucial ter estaleca crítica para decidir de
- 2:00forma responsável, o que nos leva ao segundo ponto, os 5
- 2:03riscos ocultos, que são, na verdade, os perigos invisíveis
- 2:07da aprendizagem automatizada. E, honestamente, a forma como os
- 2:10investigadores mapearam estas ameaças é fascinante, porque não
- 2:14estamos a falar do típico aviso sobre o plágio, estamos a falar
- 2:18de ameaças profundas ao desenvolvimento cognitivo.
- 2:21O efeito de inversão, a dependência excessiva, as
- 2:24alucinações da máquina, o deslocamento do esforço
- 2:27cognitivo e a redução da interação social.
- 2:30O verdadeiro medo não é a cópia, é a perda silenciosa do
- 2:34pensamento analítico. Vamos focar nos no chamado
- 2:37efeito de inversão, que é impactante.
- 2:39Todos conhecemos aquela fricção mental que sentimos quando
- 2:42tentamos perceber um conceito novo, certo?
- 2:45Na pedagogia, isso chama se carga cognitiva pertinente.
- 2:48É um esforço vital e positivo. Se um estudante usa AIA para
- 2:52saltar, esse passo simplesmente acumula respostas prontas.
- 2:55A informação está lá, mas a verdadeira compreensão
- 2:58desapareceu por completo e isto desemboca num fenómeno
- 3:00assustador, a que chamam preguiça meta cognitiva.
- 3:04Acontece quando passamos a aceitar cegamente o resultado
- 3:06gerado pela máquina, sem questionar se houver um
- 3:09enviesamento ou um erro crasso. Passa completamente despercebido
- 3:13com o tempo. Perde se o espírito crítico e a
- 3:15capacidade de autorregular a própria aprendizagem.
- 3:18Então, saltamos para o ponto 3, ir para além do digital.
- 3:21Precisamos de uma mudança de paradigma urgente, passando do
- 3:24foco exclusivo nas competências técnicas para o foco na ética.
- 3:28Aqui é onde se faz luz e se percebe o que está em causa.
- 3:31A literacia digital é apenas saber como dar instruções a um
- 3:35chatbot. Mas a deliberação ética é a
- 3:38competência vital de saber quando e porquê é que é
- 3:41apropriado. Fazê lo uma pessoa pode ser
- 3:44exímia a gerar testes automatizados.
- 3:46Mas se não perceber o impacto de se apropriar daquelas ideias,
- 3:50falta lhe o essencial. Por isso é que incorporar a
- 3:53deliberação ética em cada decisão pedagógica é tão
- 3:56imperativo. Se não fizermos ativamente, a
- 3:59tecnologia vai apenas amplificar as desigualdades já existentes.
- 4:02Trazer esta reflexão para a sala de aula garante que princípios
- 4:05como a equidade e a inclusão são sempre a prioridade.
- 4:08E isto leva nos ao quarto ponto, cultivar virtudes tecnomorais.
- 4:13Porque, sejamos francos, proibir a tecnologia ou desligar os
- 4:17ecrãs não é uma solução realista nem viável para equipar o
- 4:20educador moderno. A resposta passa por cultivar 8
- 4:24virtudes essenciais que devem ser ativamente praticadas,
- 4:27destaca se a prudência, que é a sabedoria para avaliar quando a
- 4:30tecnologia realmente ajuda, e o autocontrolo, que funciona
- 4:34literalmente como a âncora que nos impede de delegar o trabalho
- 4:37intelectual profundo à máquina. Para estruturar isto na mente de
- 4:40quem desenha as aulas, o tradicional modelo académico
- 4:43evoluiu agora para incluir AIA, mas com uma grande novidade, a
- 4:47camada da ética. A ética não é um tema que se
- 4:49despacha numa aula isolada. É um manto protetor, este manto
- 4:53que tem de envolver constantemente a tecnologia, a
- 4:55pedagogia e o conteúdo, garantindo a transparência e
- 4:58filtrando os enviesamentos. Finalmente, o quinto e o último
- 5:01ponto, repensar a avaliação. Como é que encoramos toda esta
- 5:05filosofia maravilhosa naquela que é a tarefa mais premente e
- 5:08muitas vezes a mais stressante nas escolas, a classificação
- 5:12diária? As diretrizes sobre a avaliação
- 5:14recordam nos uma realidade incontornável, a inteligência
- 5:18artificial não é só uma ferramenta gira para fazer
- 5:20trabalhos de casa. É uma perturbação massiva que
- 5:23nos obriga a desconstruir a forma como medimos o sucesso
- 5:26escolar há décadas. E para passar isto à prática, os
- 5:29investigadores criaram o semáforo do risco ético
- 5:33pedagógico. Esta é daquelas ferramentas
- 5:35práticas fantásticas que ajudam instantaneamente a avaliar se e
- 5:40quando é seguro. Usar IA nas avaliações vai desde
- 5:43o nível zero, que é totalmente inócuo, até ao nível 4, que
- 5:47representam um risco inaceitável sem a devida formação prévia.
- 5:51No fundo, a grande necessidade aqui é estabelecer limites
- 5:54transparentes. Temos de integrar ativamente a
- 5:56agência moral e o poder de decisão dos estudantes em cada
- 5:59projeto escolar. O objetivo é que, no final do
- 6:02dia, sejam as mentes humanas a pensar e a criar, e não o
- 6:06algoritmo debaixo da secretária. Para terminar esta nossa
- 6:09análise, fica uma provocação para todos nós, se hoje as
- 6:12máquinas conseguem cuspir a resposta correta numa fração de
- 6:14segundo, o que é que as escolas andam verdadeiramente a
- 6:17classificar? Estamos a dar notas ao resultado
- 6:20impresso num pedaço de papel? Ou deveríamos focar nos em
- 6:22celebrar e avaliar aquele processo glorioso,
- 6:25insubstituível e profundamente humano de pensar, errar, duvidar
- 6:29e construir ideias? Fica a reflexão.