Latest / Surra de Lúpulo / As relações internacionais e o álcool. Papo com Maurício Santoro | Surra #199
Transcript
- 0:08Hipocondríaco apresenta. Surra de lúpulo.
- 0:15Oi, pessoal, bom dia, boa tarde, boa noite, eu sou Ludmila, a
- 0:20mais conhecida no Instagram vai levar quadrilha e no programa de
- 0:24hoje meus amigos, nós vamos trazer uma visão global.
- 0:28Que o surra de lúpulo é cosmopolita, seja lá que tem a
- 0:31ver o que eu estou falando ou não.
- 0:32Globalizar uma visão global das cervejas e outras bebidas
- 0:36alcoólicas nas relações internacionais do Brasil e do
- 0:39mundo. Para isso, nós convidamos
- 0:41Maurício Santoro, que é jornalista, cientista político e
- 0:44professor de relações internacionais para ajudar a
- 0:46ampliar as nossas. Fronteiras, ainda tão limitadas.
- 0:52Antes de pedir que o nosso convidado dê um alô, a gente tem
- 0:55o prazer de informar que esse programa é oferecido pelos
- 0:57nossos mescinas empresariais. Cerveja da casa, cervejaria ussa
- 1:02procebier viver o wanderberg, irispay e debieiragence.
- 1:10Agora sim, Maurício dá um alô pra galera conhecer a sua voz.
- 1:13Sábado Ludmila salve Leandro. É um prazer estar aqui.
- 1:17Vamos conversar sobre esse tema. E eu acho que vocês vão ficar
- 1:20surpresos em ver a quantidade de relações que existem entre a
- 1:25cerveja, outras bebidas alcoólicas e a política
- 1:28Internacional. Meu Deus, eu não sei se eu fico
- 1:30feliz, ansioso ou temeroso. Bem-vindo, querido, e eu sou o
- 1:36Leandro, mas hoje vocês podem me chamar do tratado de
- 1:39proliferação de bares e a gente, Maurício, a gente bate o nosso
- 1:44papo bebendo uma cervejinha ou algo para acompanhar.
- 1:46Você vai beber alguma coisa aí? Meus caros, eu adoraria, mas
- 1:50infelizmente, quando eu bebo alguma coisa alcoólica, a minha
- 1:53capacidade de dar boas entrevistas cai muito
- 1:55rapidamente. E você hoje, o que é que você
- 1:59vai beber? Eu sigo aqui seca, seca, seca.
- 2:02Na verdade, eu sigo a que me hidratando.
- 2:04Estou com a minha aguinha maravilhosa pra manter essa voz
- 2:07que tá indo embora no lugar e você tratado de tordesilhas, que
- 2:12deu errado da proliferação dos bares.
- 2:16Está bebendo o que por aí? Eu estou bebendo água, água por
- 2:21pura necessidade. Programa vai virar em 2024 surra
- 2:26de h 2 o. Vai virar, vai acabar, a gente
- 2:28vai acabar com o lúpulo, anão ser que a gente comece a beber
- 2:30água. Lúculada luz.
- 2:31Boa, boa opção, goste também. Não é para melhorar a situação
- 2:35nossa. Você gosta do nosso conteúdo e
- 2:47ainda se identifica com a gente? Assim, demais, cara na cara,
- 2:50pele na pele, considere apoiar o torre de lúpulo através do site
- 2:53apoia.se barra. Surra de lúpulo ou comprando uma
- 2:56camiseta nossa na loja ponto surra de lupulo.com.br mecenas
- 3:01que ganha conteúdo exclusivo toda semana participa do nosso
- 3:04grupo de WhatsApp e sorteio de brindes insanos.
- 3:07Agora a grana está curta, você está se preparando para o
- 3:11Carnaval ou você ainda não ama a gente?
- 3:15Tanto assim, atenção, tanto que se amassou um tiquinho, já vale
- 3:18está outro jeito de ajudar. É seguindo a gente na sua
- 3:21plataforma de streaming preferida e dando aquelas 5
- 3:24estrelinhas no Spotify e Apple Podcasts.
- 3:28Lembre-se de compartilhar esse programa com seus amigos, com
- 3:31quem vocês querem trocar ideias e papo de barco.
- 3:33Isso ajuda muito na nossa distribuição dos episódios.
- 3:37Perfeito, perfeito. Bom gente, vamos, então, como o
- 3:52Leandro disse em ritmo de Carnaval.
- 3:57Maurício, a gente queria saber um pouco de se você puder nos
- 4:00ajudar a contextualizar, né? Em em algum momento da história
- 4:03da civilização, o álcool facilitou ou dificultou as
- 4:08relações internacionais? Bom, Ludmilla, o álcool está
- 4:12ali, muito presente desde sempre na diplomacia, né?
- 4:16Porque servir bebidas alcoólicas num almoço, num jantar, numa
- 4:21recepção formal, é alguma coisa muito comum no mundo da política
- 4:26externa, né? No mundo dos diplomatas, então,
- 4:28desde que a gente tem os primeiros registros ali.
- 4:32De negociações, digamos, na Grécia antiga ou na China, tem
- 4:36algum tipo de bebida alcoólica sendo servida circulando?
- 4:40Então pode ser cerveja, pode ser.
- 4:42O vinho pode ser uísque, né? É alguma coisa que faz parte
- 4:47desse mundo que faz parte desse ambiente e é comum também que
- 4:51quando se tem esse tipo de de de interação entre diplomatas,
- 4:55quando eles estão servindo num outro país, que eles deem de
- 4:58presente para as pessoas daquela nação.
- 5:01As bebidas típicas do seu próprio país, então.
- 5:04No desse ano, eu fiz muitos trabalhos envolvendo diplomatas
- 5:07americanos ou japoneses. Aham, Os Americanos me deram
- 5:10vinhos da Califórnia porque eles estão promovendo a indústria
- 5:13vinícola naquele estado. Os japoneses me deram um saquê,
- 5:16uma vida super típica, né? Do Japão, representativa da
- 5:20cultura japonesa. Então por aí vai, né?
- 5:23Então, muitas vezes, as bebidas alcoólicas, em especial aquelas
- 5:26mais caras mais sofisticadas, elas acabam sendo também uma
- 5:30espécie de EMBAIXADORAS dos seus países e, em alguns países, esse
- 5:34hábito de beber e de beber muito, né?
- 5:37É uma coisa que está muito embrenhada no cotidiano, então,
- 5:41por exemplo, eu viajava muito pra China antes do início da
- 5:44pandemia e. Esses bebem muito uma espécie de
- 5:48cachaça feita de arroz chamada baixo, que é um negócio.
- 5:52Assim, se eu jogar aquilo no meu carro, eu acho que funciona no
- 5:55carro, sabe? Tu motor tu botou roada, né?
- 5:59Então assim é se você está na China querendo fazer amigos e
- 6:02influenciar pessoas, é legal. O bebê vai, Joe é parte ali
- 6:06daquele ambiente, é parte daquele sentimento de
- 6:08descontração, de você está interagindo com as pessoas, né?
- 6:12E bom, em geral, eles devem pequenas doses, né?
- 6:15Mas, enfim. Facilita muito a sua vida se
- 6:18você embarca nessa. Né?
- 6:20Então não é só o lubrificante social, mas é o lubrificante das
- 6:23relações internacionais também o álcool.
- 6:26A gente pode dizer isso. Com certeza, com certeza.
- 6:30Eu diria, inclusive, que não há uma boa recepção diplomática
- 6:34onde não se sirva um pouco de bebida alcoólica, né?
- 6:37Com exceção daquelas reuniões de trabalho, né?
- 6:39Que aí realmente costuma ser algo muito austero e tal, mas se
- 6:42é, digamos, uma festa. Para comemorar a data nacional
- 6:46daquele país. Uhum.
- 6:48Digamos, Oo 4 de julho americano, o 7 de Setembro,
- 6:51brasileiro, sempre vai ter bebida alcoólica, sendo
- 6:53oferecida e com muita frequência, uma bebida que
- 6:55esteja de alguma maneira vinculada a cultura daquele
- 6:58país, né? EE com muita frequência também
- 7:01aquelas indústrias que aquele país está promovendo naquele
- 7:05momento. Digamos os europeus, por
- 7:08exemplo, são muito ciosos das suas grandes marcas, daquelas
- 7:12suas bebidas tradicionais, histórias muito interessantes,
- 7:16né? Por exemplo, o conhaque conhaque
- 7:18é uma bebida de estada, né? Fabricada numa cidade francesa
- 7:22chamada conhaque. Uhum, uhum.
- 7:24Um dos grandes comerciantes de conhaque foi o Jean Monet, que
- 7:28foi um diplomata e negociador Internacional importantíssimo na
- 7:31primeira metade do século 20 e é o principal arquiteto da união
- 7:35europeia. Então ele era basicamente 11
- 7:37vendedor de conhaque. Ele viajava o mundo inteiro
- 7:40vendendo a bebida da família dele e a partir daí ele começou
- 7:43a assumir uma série de cargos governamentais até.
- 7:46Depois da da Segunda Guerra Mundial.
- 7:48Criar ali o embrião do que um dia seria o processo de
- 7:51integração europeu. Então, olha o conhaque, é uma
- 7:53coisa séria. Cerveja, o vinho bayjou o saquê,
- 7:57então é. Não é de modo algum mero
- 7:58detalhe, um elemento essencial das relações internacionais.
- 8:03E por mais que a gente pense na política Internacional, muitas
- 8:05vezes como grandes abstrações, né?
- 8:08De comércio, de investimento, de operações militares, no fim das
- 8:12contas, a gente está falando de pessoas, né?
- 8:14São pessoas encontrando outras pessoas e tentando encontrar ali
- 8:1811 ponto comum, uma agenda comum de trabalho, e eu acho que não
- 8:22existe nada mais que aproxime mais as pessoas do que
- 8:26compartilhar uma boa refeição juntos.
- 8:28Aí, claro que o. O álcool funciona para aproximar
- 8:31muito, né? As pessoas, nessas
- 8:32circunstâncias, tem uma frase da qual eu gosto muito, do grande
- 8:35filósofo brasileiro Zeca Pagodinho.
- 8:39Segundo a qual ele nunca fez nenhum bom amigo bebendo leite.
- 8:43Sim verdade. Eu diria que a gente faz bons
- 8:45amigos bebendo café também, né? Mas a Zeca Pagodinho tem razão,
- 8:49né? Então é se eu puder escolher, eu
- 8:51prefiro compartilhar ali 11 bom copo de cerveja, uma taça de
- 8:54vinho, um pouquinho de baixo do que tomar um leite, morra no
- 8:57rico com os amigos de outros países.
- 9:01Acho que me trouxe um gancho como a gente costuma dizer aqui
- 9:04é a partir da tua resposta que você citou a bebida chinesa by
- 9:08Joe. Você citou o saquê.
- 9:10Se a gente fosse rapidamente falar assim, qual seria essa
- 9:14bebida no Brasil? Porque na França você citou o
- 9:17conhaque, mas na França vai ser lembrada imediatamente pela
- 9:19região de champanhe ou pelos vinhos franceses.
- 9:22A Itália seria a bebida do Brasil.
- 9:25Olha, é uma excelente pergunta, e aí eu diria que depende
- 9:28daquilo que o governo brasileiro queira promover num determinado
- 9:32momento que as associações de produtores, né estejam ali mais
- 9:36interessadas em divulgar. É claro que no Brasil a bebida
- 9:39alcoólica que a gente mais consome é a cerveja, mas
- 9:42dependendo das circunstâncias, dependendo do ambiente que pode
- 9:46ter ali o interesse, digamos, dos produtores de vinho do do
- 9:49sul do Brasil em promover o seu. Produto.
- 9:51Ou talvez determinadas cachaças, né?
- 9:54Que é uma coisa também muito típica do Brasil.
- 9:56Agora, eu diria, quer dizer, eu ando muito entusiasmado com a
- 9:59Amazônia, mesmo muito fascinado pela pelo local na Amazônia e
- 10:02uma coisa que eu achei fantástica em Belém do Pará é
- 10:05que tem ali uma onda agora de cervejas artesanais feitas a
- 10:09partir das frutas da região. Uhum e são maravilhosas.
- 10:13Eu tomei uma cerveja de Manga lá em Belém e foi uma das melhores
- 10:17que eu provei na minha vida. Isso é algo que a gente podia
- 10:19promover, inclusive em termos de relações internacionais.
- 10:22Então, por exemplo, a Belém vai sediar a reunião anual da ONU
- 10:26sobre mudança do clima, daqui a 2 ou 3 anos, né?
- 10:29Uhum. Poderia se fazer tranquilamente
- 10:31ali um arranjo em que essas cervejas artesanais da Amazônia
- 10:35da fossem servidas para os delegados da ONU que estivessem
- 10:38participando dessas reuniões. Aí depende do que é o interesse
- 10:41do governo brasileiro, dos produtores locais, mas esse
- 10:44potencial está muito presente lá.
- 10:46Legal demais. Eu achei que se eu fosse pra la
- 10:48cachaça, mas eu acho que um país de tamanho continental não vai
- 10:51conseguir ter 11 bebida, né? Tirando o café, que eu acho que
- 10:55é, é bem. É bem que eu posso te dizer
- 10:57assim, digamos, pela minha observação empírica é que os
- 11:00meus amigos estrangeiros no Brasil, sobretudo aqui no Rio de
- 11:03Janeiro, se apaixonam muito facilmente pela caipirinha.
- 11:08Aham, o que é uma bebida, talvez até um tanto enganosa, porque
- 11:11ela parece ser muito leve num primeiro momento.
- 11:13Hum-hum, então você pode estar uns 34 copos sem perceber
- 11:16direito o que está fazendo até passado.
- 11:19O ponto de não retorno, tá, então.
- 11:21Tá? Então também a praça consumir
- 11:22com com certo cuidado total, mas sim, o Brasil tem uma variedade
- 11:25muito grande de bebidas alcoólicas, né?
- 11:27Dependendo ali da região, dependendo ali do lugar, e acho
- 11:31que isso é. É 11 ativo para o Brasil.
- 11:33Acho que isso é uma parte importante do que a nossa
- 11:35cultura e do que são os nossos negócios.
- 11:37O que isso pode representar em termos ali de de promoção do
- 11:40comércio exterior brasileiro? Perfeito.
- 11:42Maravilhoso, mas aí você comentou do quão importante ou
- 11:48que não é apenas um detalhe o álcool, né?
- 11:51O consumo do álcool, como esse lubrificante Internacional, né?
- 11:55Esse azeite que ajuda a máquina a fluir melhor.
- 11:57Só que existem países, principalmente ali no Oriente
- 12:01médio, pro lado da Ásia, em que o consumo de álcool é
- 12:05extremamente proibido e, muitas vezes um tabu.
- 12:09E aí, como é que fica o trato destes países com?
- 12:12Um, essas relações aonde elas existe?
- 12:16Essa participação do álcool, se isso vira um problema, por
- 12:19exemplo, uma questão, e com os turistas, como é que fica isso?
- 12:23É uma ótima pergunta. Leandro EE é um são situações
- 12:26que exigem uma certa sensibilidade cultural.
- 12:29Então, quando eu visito o país. Anos, ou quando eu estou
- 12:32conversando com colegas muçulmanos, eu nunca tomo a
- 12:35iniciativa de álcool oferecial, uhum.
- 12:38Agora, em muitos casos, eles mesmos podem oferecer.
- 12:42Depende das circunstâncias. Então, por exemplo, uma vez eu
- 12:44estava em Istambul participando de um Congresso, e eram ali
- 12:47ativistas de direitos humanos de vários países e muita gente de
- 12:50países do Oriente médio. E a gente foi jantar em
- 12:52Istambul, né? Tem uns restaurantes
- 12:54maravilhosos ali e, embora exista uma série de restrições
- 12:57hoje na Turquia, a que lugares você pode comprar?
- 13:00Álcool, né? Porque o governo que está no
- 13:02poder há 20 anos é um governo de um nacionalismo religioso.
- 13:05Há também uma tradição na Turquia de você tomar uma
- 13:08ardente ali, como um aperitivo, né?
- 13:10Pra abrir os trabalhos da noite, que é muito apreciado, é um
- 13:13ardente chamado hack, uhum, então os colegas pediram ali
- 13:17pra. Gente, estava ali tomando o
- 13:18nosso rack, ele conversando lá com os turcos, com os egípcios,
- 13:21né? E numa boa, sem problema.
- 13:23Mas aí eu não tomaria essa iniciativa de Ah, vamos tomar
- 13:26uma cerveja e tal, não deixa eu esperar um pouco, ver o que é
- 13:29que eles vão sugerir. Então tem que ter essa
- 13:31sensibilidade, sobretudo quando se está numa num local oficial.
- 13:35Você está numa reunião, por exemplo, no Ministério, numa
- 13:38agência governamental, no local privado, com um restaurante.
- 13:42É diferente, né? Sempre é mais ameno ali, mas é
- 13:45claro que não dá pra agir num país como esse, como a gente se
- 13:49comportaria no Brasil? É uma outra cultura, são outras
- 13:52regras, são outras expectativas. E os turistas, quando não é uma
- 13:56condição, porque eu, eu andei lendo e vendo que, por exemplo,
- 13:59na condição da copa, na. Ali na copa em Dubai, foram
- 14:03criadas regras específicas para o consumo do álcool durante
- 14:07aquele período. E eu já li história de que em
- 14:10determinados países o turismo, por exemplo, se o turista
- 14:14consumir na rua, ele pode ser preso, sabe?
- 14:17Não, não apenas preso, né? Assim, preso, deportado,
- 14:20problemas gigantescos. É que no Brasil.
- 14:24Nós temos regras muito informais para o uso do álcool.
- 14:27Aham. Então, por exemplo, aqui as
- 14:29pessoas bebem o álcool na rua, então, por aqui, no Rio de
- 14:32Janeiro, por exemplo, é muito comum as pessoas beberem,
- 14:34digamos, na mureta da Urca, por exemplo, apreciando a vista sim
- 14:38ou na praia, tem muitos lugares onde esse consumo na rua é
- 14:42restrito, tá? Inclusive, nos Estados Unidos,
- 14:44não precisa ir num num país Islâmico não tem outros lugares
- 14:47onde não. Onde é muito tranquilo.
- 14:48Na Europa, por exemplo, é muito tranquilo.
- 14:50Agora, o exemplo do Qatar na Copa do Mundo é excelente,
- 14:53porque ali vão dizer, é uma sociedade ainda bastante
- 14:55conservadora, mas que naquelas circunstâncias especial ali da
- 14:59Copa do Mundo. Teve que ceder, teve que fazer
- 15:02concessões porque, por exemplo, está muitos fãs de futebol.
- 15:06O momento do jogo é também o momento de tomar uma cerveja.
- 15:09Uhum. Você não separa.
- 15:10As coisas estão ali muito presente, então, claro, porque o
- 15:14álcool é um lubrificante social, mas ele também é uma coisa que
- 15:17você usa para relaxar quando você está ali.
- 15:20Dizendo uma partida do teu esporte favorito, quando você
- 15:23está ali com os amigos, então as sociedades vão também de algum
- 15:26modo, se adaptando com relação a isso.
- 15:28Perfeito. Sensacional essa dos Estados
- 15:31Unidos. Eu quase caí na pegadinha do
- 15:33malandro, mas isso deixa pauto, papo.
- 15:34Outro dia, outra relação Internacional.
- 15:46Bom, a gente está falando de países que são sanhaço na hora
- 15:50de falar de consumo e a gente não pode deixar para sentar à
- 15:53mesa. Nesse bar, vamos falar de
- 15:55esquina, né? Então assim você falou um pouco
- 15:58de esquina de uma bebida mega tradicional no na primeira
- 16:00pergunta, né, qual é a relação deles com a bebida?
- 16:02De uma maneira geral, você já disse que tem essa pegada de
- 16:04tomar uma bebida que é muito tradicional, né?
- 16:07E assim, é possível que eles entrem na produção de cerveja ou
- 16:10de outras bebidas. Já entraram Ludmilla já
- 16:12entraram, né? É, vamos lá, eu.
- 16:14Acho que eles estão assim. Consumo, eles estão, sei lá,
- 16:17primeiro país do mundo em consumo.
- 16:18Acho que por conta até da população, se não me engano, da
- 16:21quantidade. Os chineses bebem muito.
- 16:23Pô, Glória. E vários tipos de bebida
- 16:25alcoólica, então, na língua chinesa tem uma palavra, um
- 16:28sufixo chamado Joe, então sempre que você ouve essa.
- 16:32Palavra em alguma coisa alcoólica no meio, então, por
- 16:35exemplo, você tem o by Joe Bye Joe significa literalmente ao pé
- 16:39da letra alguma coisa, como bebida alcoólica branca que é
- 16:43engraçado. A gente já vê isso é uma cachaça
- 16:44no Brasil de Branquinha. É mais ou menos isso.
- 16:48O vinho tinto é. É Ron Joe, né?
- 16:50Que literalmente bebida alcoólica vermelha, né?
- 16:54E a cerveja na China é pejo. A cerveja na China está muito
- 16:58ligada na presença dos estrangeiros, dos europeus no
- 17:02país. A China nunca foi uma colónia
- 17:04europeia, mas ela teve no século 19, no início do século 20,
- 17:09vários enclaves coloniais. Ali, os semicoloniais, inclusive
- 17:12da Alemanha. Esse enclave alemão ficava numa
- 17:15cidade chamada tindown e até hoje é a melhor cerveja na
- 17:19China. É a cerveja Tim down.
- 17:21Olha só que era fabricado originalmente pelos alemães.
- 17:24Uhum. Agora está com os chineses, né?
- 17:26Mas eles pegaram a receita, não é?
- 17:28E tem uma curiosidade na China em que os chineses devem a
- 17:31cerveja quente na temperatura ambiente, fazem isso com outras
- 17:35bebidas também, né? Então, num primeiro momento,
- 17:38para nós brasileiros, isso é. É muito estranho, né?
- 17:40Porque a gente tem o hábito de beber cerveja estupidamente
- 17:43gelada, né? Então quando começar a me servir
- 17:45a cerveja quente na China, eu falei, pô, esses caras estão de
- 17:48sacanagem comigo, não é possível, né?
- 17:50Fiz alguma garfe aqui, né? Mas os chineses acham que você
- 17:53tomar a bebida quente é uma coisa que ajuda nas.
- 17:57E faz bem para a saúde e olha passado ali, aquela aquele
- 18:00momento inicial, aquela impressão estranha realmente dá
- 18:03uma sensação de bem-estar muito boa.
- 18:05Olha só então, talvez isso tivesse tenham razão nessa
- 18:08história e talvez seja melhor mesmo a gente beber a cerveja a
- 18:12quem? Umas coisas interessantes
- 18:14também, né? Você tem algumas cervejas na
- 18:16China que elas fazem uns acordos com o governo chinês.
- 18:20Então, para cada garrafa que você compra, tem um percentual
- 18:23ali que vai para o programa espacial da China.
- 18:27Olha só, está tomando, está tomando uma cerveja ali, você
- 18:29está ajudando a botar chineses na lua, né?
- 18:32Então, assim, é um apelo ali, né, ao sentimento patriótico dos
- 18:36chineses, mas sim se deve bastante cerveja na China, uma
- 18:40bebida muito apreciada também se bebe muito vinho, os chineses
- 18:44hoje são grandes produtores de vinho, viraram grandes
- 18:46exportadores também, né? Ainda que não.
- 18:49Tenham, digamos assim, o mesmo prestígio tem os vinhos
- 18:52europeus, né? Então, vamos dizer, se você quer
- 18:54convidar 11 pessoa para um jantar romântico aqui no Brasil?
- 18:58E falar, olha, eu comprei um vinhozinho italiano, francês,
- 19:02vamos lá, né? Você fala, olha, eu comprei um
- 19:04vinho chinês, mas provavelmente a pessoa vai olhar para você e
- 19:07falar, pô, esse cara quer economizar, né?
- 19:09O conjunto e tal. Ah, mas seria um comentário
- 19:12justo? Vinho chinês hoje é um vinho de
- 19:14boa qualidade, ele só não tem ainda esse prestígio.
- 19:17Sim que os vinhos de outros países já adquiriram, mas acho
- 19:21que eles estão construindo um caminho para isso.
- 19:23Esse ponto que você trouxe do prestígio é alguma coisa que me
- 19:27faz pensar quando eu vejo essa pergunta que a Loud fez, que é o
- 19:31seguinte, existe uma pecha, não sei se ela pecha ou é uma pura
- 19:35realidade da cultura. Da réplica na China, né?
- 19:38Eles replicarem tudo. Como a potência industrial que
- 19:42eles têm e multiplicar a 1000ª potência e sai distribuindo
- 19:46loucamente aquele produto. Essa pecha é o que mais deprecia
- 19:52essa imagem de produto de qualidade deles, que perde a
- 19:54capacidade original. Isso está afetando pelo que você
- 19:58trouxe da questão do vinho, está afetando, inclusive produto
- 20:00original deles. Mas existe uma possibilidade
- 20:03dele, por exemplo, da gente começar a encontrar bebidas
- 20:05alcoólicas, tipo, eu vou pegar pesado, eu vou.
- 20:08Como diz a Lourdes, que ela fala que às vezes eu gosto de puxar
- 20:10pelo absurdo, então tá em vez de ter uma vodka, sei lá, sueca
- 20:15muito maneira você ter uma essa mesma marca, só que.
- 20:19Fabricada na China, sabe? Essa mesma marca, entre aspas,
- 20:22tem a réplica e eles começaram a produzir isso e vender porque
- 20:26existe esse avanço, inclusive da agricultura chinesa, né?
- 20:29Que pelo que eu também li, é um avanço que começa para alimentar
- 20:33a população para garantir a alimentação à população.
- 20:35Mas, naturalmente, isso produz insumos para fazer outras
- 20:39coisas, inclusive bebidas. Pode acontecer da gente começar
- 20:42a beber drama chinesa. É perfeitamente passível,
- 20:46inclusive assim. Tem uma parte da China na
- 20:49região, o que hoje a região nordeste da China, uhum também
- 20:52aí nesse período, né? Semicolonial que a China viveu
- 20:55ela. De da Rússia por parte do
- 20:57Império russo, e os russos deixaram uma marca muito
- 21:00profunda na cultura dessa região.
- 21:02Então você tem ali, por exemplo, catedrais ortodoxas, tem
- 21:05orquestras sinfônicas. É a única região da China onde
- 21:09se come pão no cotidiano, porque isso é um hábito que veio dos
- 21:12russos. Eu realmente não sei se eles
- 21:13fazem bode popular, mas é muito provável que faça, enfim, se os
- 21:17russos deixaram a marca do pão, certamente eles deixaram ali
- 21:20também a marca da vodka. Agora essa cultura da réplica da
- 21:24China, ela é muito interessante, porque, de fato, os chineses
- 21:27copiam muito, mas nunca é uma cópia, nunca é 100% mais.
- 21:32Esc copiam fazendo mudanças, fazendo adaptações, às vezes
- 21:36melhorando, às vezes tornando aquele produto mais barato, mais
- 21:40simples, né? Uhum.
- 21:41Aí tem várias razões pra isso, né?
- 21:43Quer dizer, AAA lei chinesa, ela é muito mais flexível do que a
- 21:47legislação ocidental na questão de patente e propriedade
- 21:50intelectual. Aham, então é muito mais fácil
- 21:53você copiar você piratear, dá um exemplo pra vocês, né?
- 21:56Hoje em dia todas as grandes cadeias de fast-food americanos.
- 22:01No Chile, então, digamos, o Starbucks está presente na
- 22:03China, só que tem dezenas de imitadores do Starbucks na
- 22:07China, então você está andando numa grande cidade chinesa e
- 22:09você pode ver um logotipo que de longe você vai achar que é o
- 22:13logotipo da da Starbucks. Aham, porque é muito parecido e
- 22:16tal, mas quando você chega de perto, você vê que é um pouco
- 22:19diferente, a cor não é a mesma, tem ali uns traços que não são,
- 22:23né? EE aí, claro, é, é, é um, é um
- 22:25café com vários tipos ali de opções e tal, mas é parecido,
- 22:29mas não é igual aham e tá lá coisas.
- 22:32Brasil seriam proibidas, né? E você vê isso também com,
- 22:35digamos, Kentucky fried Chicken, né?
- 22:37Com lanchonetes, né? De vários tipos, né?
- 22:40Então, claro, tem muito esse jogo na China é agora,
- 22:43sobretudo, entre a classe média alta e a elite chinesa.
- 22:46Hoje é o maior mercado do mundo pra produtos de luxo, então você
- 22:51tem lojas na China e essas grandes gritos europeias, né?
- 22:55Como eu nunca vi aqui no Brasil lojas, por exemplo, Pequim, 3
- 22:59andares, né? Só com produtos de luxo, né?
- 23:02De roupas, bolsas, acessórios. Caralho, caraca.
- 23:06E tem uma elite ali com disposição para comprar, né?
- 23:08Para gastar e é claro que isso também está presente no ramo das
- 23:12bebidas, né? Então, quer dizer essa, esses
- 23:14novos ricos chineses, que tem muito dinheiro e uma das
- 23:17maneiras para eles mostrarem que eles se tornaram pessoas ricas e
- 23:20sofisticadas, né? É exatamente consumir essas
- 23:24marcas de maior prestígio no ocidente.
- 23:27Sensacional. Então as 2 coisas estão lá muito
- 23:29presente, mas assim, AA China tá subindo muito rapidamente nessa
- 23:34escada de qualidade. Eu não vou dizer pra vocês que
- 23:36hoje, digamos, um computador, um celular fabricado na sina seja
- 23:41melhor do que aqueles de ponta nos Estados Unidos e na Europa.
- 23:44Os que não chegou ainda nesse patamar, mas já chegou numa
- 23:47espécie assim, de classe média, cujo custo-benefício é muito
- 23:51bom, uhum. Então, se você não precisa de um
- 23:53produto muito sofisticado, provavelmente.
- 23:56Ele que os chineses estão te oferecendo, é bom o suficiente,
- 23:59uhum por um preço bem legal. É tem sentido, inclusive, falar
- 24:03sobre a questão de da flexibilização da patente.
- 24:06Muitas indústrias grandes do ocidente estão produzindo lá na
- 24:10China por uma série de questões e, consequentemente, seus seus
- 24:14equipamentos, as patentes, entre aspas, estão meio que abertas
- 24:17àquela sociedade, né? Então.
- 24:19É, sem dúvida tem um caso Superinteressante do livro.
- 24:22Ela é pra Embraer, brasileiro. A Embraer tem uma fábrica na
- 24:25China. Em arbin, da cidade de arbin, e
- 24:28por coincidência, esse mesmo lugar que foi colônia russa e
- 24:30tal, e a lei chinesa diz o seguinte, se você é uma empresa
- 24:33estrangeira que abriu uma fábrica na China, você tem que
- 24:36ter um sócio local justamente para facilitar essa
- 24:39transferência de tecnologia. Essas técnicas modernas de
- 24:43administração, então a Embraer fez uma parceria com uma estatal
- 24:47chinesa fabricante de aviões. Aham, e elas começaram a fazer
- 24:50aviões juntas para o mercado chinês.
- 24:52Eu já voei entre as cidades chinesas e em jacoto da Embraer,
- 24:55por exemplo. Então, assim, a Embraer
- 24:56conquistou um lixo bem significativo desse mercado
- 24:59doméstico da China, mas teve também um lado ruim, porque essa
- 25:02sócia chinesa da Embraer absorveu essa tecnologia
- 25:05brasileira e acabou lançando um modelo muito parecido com aquele
- 25:09que a Embraer fabrica, né? É isso, são, é, é um Toma Lá Dá
- 25:13Cá, né? É e se você vai investir na
- 25:15China, você tem que estar preparado também para fazer esse
- 25:18tipo de de barganha, né? Com certeza.
- 25:20Você não vai conseguir ali impor um modelo de proteção à sua
- 25:24patente, à sua propriedade intelectual, tão forte como
- 25:27aquele que existe nos Estados Unidos, na união europeia ou
- 25:30mesmo aqui no Brasil. Vou ter que cortar.
- 25:33Recipiálo a Embraer. O avião, daí ele fez o Cebolinha
- 25:37tentando imitar um chinês. Ele fez Cebolinha que delível,
- 25:42que terrível. Eu não sei se eu posso citar a
- 25:44cervejaria, então não vou citála, mas tem uma cervejaria
- 25:48artesanal do Brasil de meu conhecimento, que recentemente
- 25:52começou a exportação para a China.
- 25:53Ó, então é, é, é. Olha, isso é Superinteressante.
- 25:56Oo mercado chinês é um mercado que os brasileiros ainda
- 25:59conhecem pouco. Uhum apesar da China ser o maior
- 26:02parceiro comercial do Brasil, então.
- 26:04Bom, porque que existe esse desconhecimento?
- 26:06Porque essas commodities que o Brasil vem de China, soja,
- 26:09minério de ferro, petróleo, que pega a maior parte do comércio
- 26:12bilateral em geral, os produtores brasileiros vendem
- 26:16para grandes empresas internacionais por.
- 26:19Por sua vez, revendem para os chineses.
- 26:20Então não tem tanta presença assim das empresas brasileiras
- 26:24na China, mapeando esse mercado e conhecendo ali os gostos do
- 26:28consumidor chinês. Vou usar o café como exemplo,
- 26:30né? Porque o Brasil é o maior
- 26:31produtor mundial a, os chineses estão tomando cada vez mais
- 26:34café. Isso é um mercado potencial de
- 26:37sonho para o Brasil. E tem café brasileiro sendo
- 26:40exportado para a China. Cada vez mais.
- 26:42Só que não é uma relação tão boa quanto poderia ser, porque em
- 26:46geral, esse café brasileiro consumido na China, ele é parte
- 26:50de um blend, ele é parte de uma mistura que o consumidor chinês
- 26:53está consumindo nessas grandes cadeias internacionais tipo
- 26:57Starbucks, uhum, então o chinês vai lá, vamos para uma Starbucks
- 27:01em Xangai, ele pede ali um Cappuccino.
- 27:05Que seja, aí vai vir uma mistura de sementes ali do do Brasil, da
- 27:08Etiópia, da Colômbia, e ele não vai saber que ele está tomando
- 27:12uma mistura brasileira. Ele não vai chegar naquela loja
- 27:15e pedir o café brasileiro. Sim, então tem um.
- 27:17Potencial para isso, para o café, para cerveja.
- 27:20Mas as empresas brasileiras vão ter que entender esses háptos do
- 27:25consumidor têm que são diferentes os háptos daqui, né?
- 27:28E vão ter que se adaptar para ele agora.
- 27:30Eu acho que uma coisa que favorece muito as empresas
- 27:33brasileiras na China é que os chineses têm uma imagem muito
- 27:36positiva do Brasil. Então quando eu digo na China,
- 27:39né? O quando eu conto chinês e falo
- 27:41wocher bacharelin eu sou brasileiro, olha, é uma
- 27:45maravilha, né? Porque eles associam o Brasil
- 27:48Alegria de viver a dança, a beleza.
- 27:51Aham. Não que aos clichês tá o futebol
- 27:54ao samba floresta amazônica, mas são lugares comuns, positivos e
- 27:58isso é uma coisa que pode beneficiar muito uma marca de
- 28:01cerveja artesanal brasileira. Sem dúvida.
- 28:03Né? O sabor do Brasil, o sabor da
- 28:05Alegria, né? Então tem um campo aí para
- 28:08crescimento maravilhoso. Muito maneiro.
- 28:11Então, já que a lud falou dessa exportação, eu queria também
- 28:14falar exatamente disso, né? A gente viu pelo dado do anuário
- 28:18do mapa de 2022, que a cerveja representou ali aproximadamente
- 28:24583000000 de reais exportados em 2022, né?
- 28:29Faturados em exportação em 2022. E Ela Foi a bebida cola que teve
- 28:32o maior crescimento de exportação dentre todas as
- 28:35outras, mais do que o vinho, mais do que a cachaça, o que me
- 28:37surpreendeu muito entre todas as bebidas alcoólicas.
- 28:40Essa foi a maior e aí eu tenho. Dúvidas na verdade, né?
- 28:44Uma você consegue enxergar a cerveja ganhando essa
- 28:49notoriedade como um produto original brasileiro?
- 28:53Porque aqui, no mercado de cerveja a gente fala muito da
- 28:55criação da escola cervejeira, assim como existe a escola
- 28:58alemã. Escola inglesa, né?
- 29:00A belga e a e a Americana. A gente fala muito da escola
- 29:03brasileira e isso também começa pelo reconhecimento externo.
- 29:06O pessoal lá de fora falar essa cerveja tipicamente brasileira
- 29:09veio lá, veio lá de Belém do Pará, dá pra sentir com a la
- 29:12Manga rosa, né, que tá aqui sendo feita e a.
- 29:16E a outra é o quanto o governo brasileiro pode apoiar isso,
- 29:21tanto nas relações ou quanto em termos de estímulo.
- 29:24A resposta é para as 2 perguntas, é 111?
- 29:27Sim. Entusiasmado, é, acho que existe
- 29:30um enorme mercado potencial para a exportação das cervejas
- 29:33brasileiras. E aí, qual é o pulo do gato?
- 29:36É associar essa bebida a um determinado estilo de vida a um
- 29:42determinado conjunto de valores de imagens positivas, né?
- 29:46Associar essa. Cerveja a imagem do Brasil.
- 29:49E aí, claro, que o governo brasileiro vai ter um papel
- 29:52muito importante em ajudar as empresas na promoção dessas
- 29:55vendas. Deixa eu usar o exemplo da
- 29:56Colômbia para ilustrar isso. Os colombianos têm 111 presença
- 30:01muito forte no mercado mundial de café.
- 30:04Tá sobretudo do café gourmet, né?
- 30:06Mais sofisticado, de de maior valor agregado, e eles criaram
- 30:10uma rede de lojas fantásticas chamada Juan Valdez uhum, que é
- 30:15uma espécie de Starbucks colombiano, então são lojas que
- 30:17vendem vários tipos de café, mas todos eles colombianos só toca
- 30:21música colombiana e as lojas são muito bonitas, são muito
- 30:24charmosas, são muito acolhedoras, né?
- 30:27Imagina uma Juan Valdez das? Cervejas brasileiras é
- 30:31perfeitamente possível a gente imaginar uma coisa assim.
- 30:35E aí, o que a gente dizia, né? Dessa maneira informal pela qual
- 30:37a gente bebe cerveja aqui no Brasil, sei lá.
- 30:40Um comercial, por exemplo, dos cariocas bebendo cerveja na
- 30:43praia, o pôr do sol em Ipanema. Hum, as pessoas aplaudindo o pôr
- 30:47do sol? Você está associando ali a
- 30:50cerveja, né? A um estilo de vida relaxado ao
- 30:54contacto com a natureza. AA beleza sim, tem um potencial
- 30:58muito grande, mas acho que é uma coisa que a gente ainda não faz
- 31:01bem no Brasil e o próprio governo brasileiro muitas vezes
- 31:04é bastante limitado, né? Na Na maneira como faz esse tipo
- 31:08de promoção comercial, então, por exemplo, tinha uma época em
- 31:10que você entrava no site das embaixadas brasileiras e todos
- 31:14eles tinham ali uma Arara vermelha e tal que eu acho que
- 31:17essa altura já deve ser funcionária estável, né?
- 31:19Já já conquistou ali, né, a. Cara, dá para fazer melhor do
- 31:24que isso? Hã?
- 31:25Então, a gente tem essa promoção comercial, pelas embaixadas e
- 31:28consulados brasileiros, e o Brasil também tem uma agência de
- 31:31promoção de exportações, atex. Tá só que AA Apex é uma
- 31:35organização muito mal desenhada. A maioria dos funcionários da
- 31:39Apex trabalha dentro do Brasil e não no exterior, ao contrário do
- 31:44que acontece. Quais agências de promoção de
- 31:46exportação de outros países e muitas vezes também a PEC?
- 31:49Saber o escritório em países que não são realmente um mercado
- 31:52potencial grande pros produtos brasileiros.
- 31:54Mas acabou que essa agências foram abertas por razões
- 31:57políticas e tal. Então assim, é um instrumento
- 32:00que tem que ser remodelado, mas ele é promissor e ele pode dar
- 32:03um ganho muito maior para o país do que vem sendo atualmente.
- 32:07Então, por exemplo, você ter, digamos, 500000000 de dólares,
- 32:10exportações de cervejas. É muito pouco que é hoje o
- 32:13patamar das exportações brasileiras de uma maneira
- 32:16geral. Uhum.
- 32:16Até porque são 583000000 de reais, não são nem dólar esse
- 32:20valor. Reais reais são 120000000 de
- 32:22dólares, é, hã. Então, nem dólar.
- 32:24Ah, as exportações brasileiras hoje devem estar alguma coisa aí
- 32:28por volta dos 300 bilhões de dólares.
- 32:30Então assim, nada é. É muito pouquinho.
- 32:32Né? É muito louco.
- 32:33Você você deu o exemplo da loja do café da Colômbia e como isso
- 32:37poderia ser aproveitado na cerveja?
- 32:39E aí a gente sem nenhum clubismo no Brasil, nós temos 3 grandes
- 32:44empresas, né? 2 grandessíssimas empresas que a
- 32:46Ambev, a Heineken e uma empresa familiar de porte grande, porém
- 32:50não gigantesca, que é o grupo Petrópolis.
- 32:52E eu não tô falando pra exportar esse.
- 32:55Tipo de cerveja pra lá, mas a gente tá falando de sei lá.
- 32:58Mais de 1700 fábricas são de cervejas artesanais que poderiam
- 33:01estar juntas, reunidas através da abracerva, por exemplo, pra
- 33:05criação de negócios arrojados assim, né?
- 33:08Mas, enfim, a gente ainda fica aqui muito brigando com o nosso
- 33:11mercado. Claro, vamos pegar, por exemplo,
- 33:14a questão da Amazônia, né? Que eu estava pra vocês, imagina
- 33:17a possibilidade de você comprar no exterior uma cerveja
- 33:20artesanal na Amazônia de uma cooperativa de pequenos
- 33:23produtores com práticas de desenvolvimento sustentável que
- 33:27vão estar apoiando ali, né aquela?
- 33:29Toda aquela questão do combate ao desmatamento, isso já é
- 33:32possível com alguns produtos amazônicos, principalmente com
- 33:34chocolate, né? Mas pode ser feito com a cerveja
- 33:37também. Perfeitamente.
- 33:38Uhum. Total?
- 33:40Eu vou puxar um gancho aqui que já é para nossa próxima
- 33:43pergunta, que como o nome do nosso programa é surra de
- 33:46lúpulo, a gente bebendo água aqui, a gente tem que tentar
- 33:49puxar essa sardinha para algum lugar, sim.
- 33:51Então a gente sabe que o Ministério das relações
- 33:54Exteriores, ele tem políticas externas, comerciais e
- 33:56econômicas, da promoção do agronegócio, que é, sei lá, o
- 34:00nosso grande negócio. A gente recentemente tem
- 34:03experimentado no Brasil, talvez nos últimos 5 anos, mas mais
- 34:06fortemente nos últimos 3 anos, 11 renascimento e um forte
- 34:10crescimento da plantação do lúpulo no Brasil, que o lúpulo é
- 34:14um dos ingredientes da cerveja que até é relativamente pouco
- 34:17tempo atrás fala, não, não dá pra ter lúpulo no Brasil, é
- 34:19muito quente, tem menos luz, precisava de um clima mais
- 34:22temperado. Lá a gente pegou, rasgou o
- 34:24manual. E estamos plantando lúpulo em
- 34:27todas as regiões e praticamente em muitos estados do nosso país.
- 34:30Você imagina o lúpulo recebendo um incentivo nesse olhar, sabe?
- 34:36Hoje a gente não produz o suficiente para dar lúpulo
- 34:39suficiente para as cervejeiras daqui produzirem.
- 34:42A gente ainda não está nesse lugar, mas como eu falei, é um
- 34:44cultivo de 5 anos. O incentivo fiscal, com o
- 34:47incentivo financeiro, com apoio, isso pode proliferar muito mais,
- 34:51porque nós somos um país continental, de repente, de
- 34:53novas culturas que a gente poderia comparar com o lúpulo
- 34:55pra dizer pra gente, ó, existe um futuro aí, o nada a ver.
- 34:59Eu acho que é perfeitamente possível e eu vou usar o exemplo
- 35:01da soja pra ilustra isso, a soja hoje.
- 35:04É o produto agrícola que o Brasil mais exporta, né?
- 35:07Uhum nem sempre foi assim. A gente tem um problema de solo.
- 35:10Tínhamos um problema de solo no Brasil.
- 35:13Isso é um solo ácido demais para o cultivo da soja.
- 35:15Então se a gente no centro-oeste está isso foi modificado pelo
- 35:18trabalho da Embrapa. Então os cientistas brasileiros,
- 35:21né, de uma empresa pública, desenvolveram técnicas para
- 35:24reduzir a acidez desse solo e tornálo ali, propício fecundo
- 35:28para o plantio da soja. O resultado disso foi essa
- 35:31expansão fabulosa da soja e a gente viu primeiro pelo
- 35:33centro-oeste e agora em algumas regiões do nordeste da Amazônia
- 35:36e um enorme impulso para o agronegócio brasileiro,
- 35:40desenvolvimento econômico de várias regiões do país, assim
- 35:43como foi feita essa pesquisa soja ela pode ser feita com o
- 35:46lucro também. Porque não que desenvolver ali
- 35:49técnicas adaptadas para as condições brasileiras que
- 35:51permitam esse tipo de desenvolvimento?
- 35:54E essa expansão do circuito do agronegócio relacionado com a
- 35:58cerveja no Brasil? Então a gente tem os
- 35:59instrumentos para isso e, claro, temos hoje 111 segmento do
- 36:03agronegócio no Brasil, extremamente moderno e
- 36:06competitivo, sofisticado nos seus métodos de gerência.
- 36:10Então assim, temos a faca e o queijo na mão, por assim dizer.
- 36:13Pois é muito importante isso, gente muito importante.
- 36:16Cara, eu estou pensando aqui, porque assim, o que que motivou
- 36:21a Embrapa a olhar para a soja e começar a estudar, né?
- 36:24Porque o lúpulo talvez ele esteja ainda muito embrionário,
- 36:28né? Ou talvez ainda não seja
- 36:30entendido a lucratividade, o potencial de reprodução dele.
- 36:34Não sei se o termo correto seria a reprodução, né?
- 36:36Assim, mas a soja caiu em algum lugar de brilhar os olhos e
- 36:42falar, vale a pena investir? Horas de estudo para adaptar o
- 36:46nosso solo para isso, né? Ou no caso da soja.
- 36:49Controles da soja para o Brasil é só plantar a soja.
- 36:52Aqui foram os imigrantes japoneses.
- 36:54Uhum, porque a soja no Japão, na China, ela é um alimento muito
- 36:58presente no cotidiano, né? O leite de soja Oo tofu, que é
- 37:02uma espécie de queijo de soja e tal, e os aparelhos começaram a
- 37:05plantar aqui isso pro interior de São Paulo, depois foram ali
- 37:09pro sul e começaram a chegar no centro-oeste como colonos, né?
- 37:12Isso foi na época da ditadura e os militares queriam estimular a
- 37:16colonização do centro-oeste, porque era um vazio demográfico
- 37:20ali do Brasil e tinham ali esses agricultores tentando plantar
- 37:23soja, mas enfrentando uma série de dificuldades.
- 37:26Então foi a partir daí que veio essa ideia, não vamos botar em
- 37:29brava, pesquisar isso agora. O interessante é que na época o
- 37:32Brasil não exportava soja, era uma coisa muito mercado interno
- 37:35e quando começou a exportar, lá pelos anos 8090, era
- 37:39principalmente pros Estados Unidos e pra Europa, mais pra
- 37:41Europa, só no século 21 é que a China virou o grande comprador
- 37:45da soja brasileira, então quando se começou essa pesquisa
- 37:49científica pra. Caso haja melhor o Brasil lá nos
- 37:52anos 60 e 70, esse mercado chinês não existia.
- 37:55Nem sonho, uhum. Mas quando esse mercado chinês
- 37:59de fato apareceu, o Brasil estava muito bem preparado,
- 38:02muito bem posicionado pra a explorar essas possibilidades,
- 38:07né? Então, por isso também que a
- 38:08pesquisa científica de base é importante e por isso que é
- 38:12importante ter o poder público estimulando isso porque o
- 38:15retorno pode ser fabuloso. Pode ser maravilhoso, mas às
- 38:19vezes, como no caso da soja brasileira, ele vai levar 30
- 38:22anos para parecer, então é difícil também você ter uma
- 38:25empresa privada disposta, né? Sim, a apostar tão longo prazo
- 38:29assim, mas o poder público pode fazer isso.
- 38:31É muito uma visão mesmo, né? Do que tipo de fruto pode ser
- 38:34colhido dali, né? Ótimo.
- 38:45Bom, infelizmente estamos indo para a nossa última pergunta.
- 38:49Para quem não é mecenas, porque para quem for mecenas vai
- 38:52continuar a ouvir esse papo maravilhoso aqui, com Maurício
- 38:56mega fluido que a gente falou, cara, está com muito assunto
- 38:59para ficar muito longo, ficou. Nada falei, irmão, tá liso, tá
- 39:03tranquilo, tá maravilhoso. Mas lembre-se, só se você não
- 39:08fornecêlas, porque se você fornecer, nas continua.
- 39:11E aí, Maurício, lá no início do nosso papo, você falou da região
- 39:15de conhaque, do conhaque, da importância disso, e aí a gente
- 39:18quer entender aquela coisa que nos assombra, que são essas
- 39:23indicações. Geográficas de bebidas
- 39:26alcoólicas, que formam, por exemplo, champanhe, só pode ser
- 39:30produzido na região de champanhe.
- 39:32Conhaque somente de conhaque. Agora a gente tem, aí tá sendo
- 39:36já foi as cervejas trapistas, né?
- 39:39Tem que ter a derivação de origem muito Clara para
- 39:43confirmar que são trapistas. Isso é trabalho dos diplomatas
- 39:47das relações internacionais. E como é que isso é constituído
- 39:50para que assim o resto do mundo todo aceite, fale não, tá bom,
- 39:53tá bom. Isso é um trabalho
- 39:55importantíssimo dos diplomatas ou dos funcionários dos
- 39:58ministérios de comércio exterior de vários países.
- 40:01Leandro e tem uma razão para isso.
- 40:03Essas indicações geográficas rendem muito dinheiro.
- 40:06Muitos lucros para quem consegue esse selo de qualidade.
- 40:10A razão para isso é simples, tá? Imagina, por exemplo, que a
- 40:13gente entra num grande supermercado em São Paulo, no
- 40:17Rio de Janeiro, em Nova Iorque, Berlim, onde seja, e vai ter
- 40:20ali, sei lá, 30 tipos diferentes de cerveja, 50 tipos diferentes
- 40:25de vinho. Qual é aquele que eu, como
- 40:27consumidor, vou escolher? De repente eu vou querer o
- 40:31champanhe, né? Porque puxa, o champanhe é uma
- 40:33coisa legal, é luxuosa. Eu quero comemorar aqui um
- 40:36momento importante na minha vida.
- 40:39Então, ter esse selo dizendo olha só esse tipo de vinho
- 40:43espumante produzido nessa região sobre tais regras pode ser
- 40:48chamado de champanhe. Isso é uma coisa que cria um
- 40:51enorme mercado para esse produto.
- 40:53Então tem aí uma determinada cerveja que foi produzida por
- 40:56monges com uma certa receita e só esse tipo de cerveja pode ser
- 41:01chamado de cerveja para pista. Vai criar também um enorme
- 41:04mercado para esse tipo de de produto, então, cada vez mais os
- 41:08produtores batalham por isso. Os europeus são os campeões
- 41:12nesse tipo de indicação geográfica, eles são os que mais
- 41:15pressionam os outros países aceitarem e esse tipo de
- 41:18aceitação vem quando se negocia um acordos comerciais.
- 41:22Então o acordo de livre comércio com o Mercosul está negociando
- 41:25com a união europeia? Uhum.
- 41:27Que essas cláusulas são super importantes, né?
- 41:30Existem algumas maneiras pelas quais você pode também contornar
- 41:33essas cláusulas, então vamos dizer, por exemplo, que você
- 41:36tenha no seu país um conhaque já muito tradicional, que é uma.
- 41:41Receita ali de, sei lá, de 100 anos e essa empresa não quer
- 41:44parar de chamar essa bebida de conhaque.
- 41:46Ela pode usar um instrumento chamado a cláusula do avô.
- 41:51Quer dizer o seguinte, não, isso aqui é o receita tradicional.
- 41:53Isso aqui é a receita do meu avô, então, OK, você já
- 41:56fabricava esse produto há muito tempo.
- 41:58Você pode continuar chamando ele de Cunha, mas se você for abrir
- 42:01agora, uma nova linha, um novo produto, você não vai poder
- 42:04fazer isso, porque aí é um produto que vai estar protegido
- 42:07em termos dessa propriedade intelectual dessa marca.
- 42:10Isso acontece em várias áreas, tá?
- 42:12Vamos, por exemplo, a gente teve agora recentemente há um caso
- 42:15envolvendo uma disputa entre o Caetano Veloso e uma marca de
- 42:18roupas pelo direito a usar a expressão Tropicália das roupas.
- 42:22E o Caetano tem o direito dessa expressão Tropicália relacionada
- 42:26à música, mas não às outras, porque aí é um outro ramo
- 42:29econômico, então está cada vez mais presente, né?
- 42:31Nesse cenário que a gente tem hoje no mundo hipercompetitivo,
- 42:35então se você está competindo com gente do mundo inteiro, qual
- 42:38é o seu diferencial? O que que você está oferecendo
- 42:41no seu produto que aquela aquele produtor ali da China, da
- 42:45Europa, dos Estados Unidos, não tem?
- 42:47Tem isso é muito maravilhoso. É tipo jogar War, só que sem
- 42:50guerra. Mas às vezes tendo que conciliar
- 42:54com a guerra. Ai às vezes, primeira guerra, o
- 42:57Gugu com muita frequência vira guerra.
- 42:59Né, gente? Que bizarro você imagina essa
- 43:03cervejaria que está exportando uma cerveja do Brasil pra China
- 43:06que aqui rolasse aqui, ó, gente, isso aqui é 111.
- 43:10Produto de origem controlada, brasileiro, porque não é só uma
- 43:13cerveja, então você imagina um negócio desse é que na China tu
- 43:16levar um produto de origem controlada lá os caras falam o
- 43:19quê? Aquilo tem essa porra, não eu,
- 43:21Hein? Vou dar adaptada.
- 43:24Esse é um dos grandes problemas da China nas negociações de
- 43:27comércio Internacional. Então, por exemplo, a China tem
- 43:30mudado a sua legislação de proteção de patente.
- 43:34De proteção de propriedade intelectual é a mudança mais
- 43:36recente. Tem uns 34 anos.
- 43:37Ficou realmente um pouco mais rigoroso do que era uhum, mas
- 43:41ainda é muito mais frágil do que há, por exemplo, nos Estados
- 43:44Unidos ou na Europa, porque claro que Os Americanos e para
- 43:47os europeus, aham. O que eles mais exportam hoje em
- 43:50dia é a marca. Então para eles é interessante
- 43:52ter uma proteção ali. Uhum, muito dura.
- 43:55Oo Brasil é um intermediário, né?
- 43:57O Brasil às vezes tem um discurso mais rigoroso, às vezes
- 43:59não. Então depende muito ali de de
- 44:02qual é o momento. Mas, à medida que a economia
- 44:04brasileira se torna mais sofisticada, mais desenvolvida,
- 44:07aumenta também o interesse brasileiro de proteger
- 44:10determinadas marcas, né? De ter ali uma, vamos pegar um
- 44:13caso que eu adoro, né? De sucesso brasileiro no
- 44:16comércio Internacional, são as sandálias havaianas.
- 44:18Boa. Então, qual é o diferencial das
- 44:20sandálias havaianas? E pessoas assim, com um pouco
- 44:23mais de idade com o meu, né? Aham ainda.
- 44:26Lembram da época que a sandália vai andando?
- 44:28É um negócio, é um negócio barato, que ninguém se
- 44:30importava. Era um produto super simples,
- 44:33usado por pessoas muito pobres, né?
- 44:34E de repente essa sandália virou uma pop Star.
- 44:37Quando eu recebo amigos estrangeiros aqui no Rio, muitas
- 44:40vezes me perguntam assim, Ah, me leva numa loja das havaianas e
- 44:43tal, porque o diferencial é o design.
- 44:45Virou um produto lindo, extremamente bonito, bem feito,
- 44:49colorido, aquelas cores vibrantes que passam um pouco
- 44:53também. Essa questão da imagem Brasil.
- 44:55Uhum da Alegria, né? Da da beleza é, eu acho que esse
- 44:59é o grande pulo do gato para as empresas brasileiras e para o
- 45:01governo brasileiro também é construir melhor a marca Brasil
- 45:05associála a uma série de produtos e investir de maneira
- 45:09séria em promoção comercial, inteligência comercial.
- 45:14Então, por exemplo, a gente tem agora o Mercosul acabou de
- 45:16ratificar um acordo de livre comércio com Singapura.
- 45:19Uhum, esse acordo é muito importante porque Singapura é a
- 45:22grande porta de entrada dos produtos brasileiros no sudeste
- 45:25asiático. Tá que é uma região que tá
- 45:27crescendo muito economicamente, né?
- 45:30Uma das últimas viagens que eu fiz antes da pandemia foi pra
- 45:32Singapura e eu voltei absolutamente Encantado com a
- 45:35cidade. Então o Brasil tá exportando
- 45:3720000000 de dólares por ano pra pro sudeste usar pode exportar
- 45:41muito mais do que isso, então tem um acordo de livre comércio,
- 45:44né? Vai impulsionar ali uma série de
- 45:46vendas, né? E aí a gente tem Singapura
- 45:48crescendo muito, Vietnã, Indonésia.
- 45:51Filipinas tem a Tailândia, que está virando um destino popular
- 45:55entre os turistas brasileiros, né?
- 45:57Muita gente está indo para a Lua de mel na Tailândia, então
- 45:59assim, tem uma nova Geografia global que está trazendo
- 46:02oportunidades interessantes para o Brasil.
- 46:04Então a gente tem que pensar grande, a gente tem que
- 46:06mergulhar nesse mundo. Mas tem também que construir as
- 46:09ferramentas necessárias para isso.
- 46:11Porra total. Maravilhoso.
- 46:13Não você falar da de Singapura. Você falou, cara, nunca nem
- 46:16pensei em Singapura, mas é óbvio, eu sou absolutamente.
- 46:22Limitada nesse assunto que eu quero dizer que, como é que
- 46:24falta o ferramental para o empresário médio brasileiro
- 46:29pensar nesse relacionamento que você falou que OOO francês do
- 46:33conhaque, fez ele, na verdade, ele era um vendedor, ele IA
- 46:36vender no mundo inteiro, que era a porta em porta, só que era um
- 46:39mundo inteiro. Aí o cara vira porra importante
- 46:42para falar de diplomacia. Não foi super importante,
- 46:45criando a união europeia e antes dela, a liga das nações, né?
- 46:48E vou te dizer uma coisa, Ludmilla.
- 46:50Cingapura foi a cidade mais rica e mais sofisticada que eu já
- 46:54visitei. Ela hoje está muito à frente de
- 46:56Nova Iorque, muito à frente de Londres, de Paris, né?
- 47:00Uma qualidade da infraestrutura, assim absurda.
- 47:03Tem horas que você se sente num filme de ficção científica que é
- 47:06uma mistura cultural extremamente interessante,
- 47:09dinâmica entre chineses, indianos, Malai, os muitos
- 47:14ocidentais também. Então assim é um é um lugar
- 47:17muito legal para se começar a pensar a Ásia para se começar a
- 47:20pensar ali. Esses mercados presentes na
- 47:22região. Que legal.
- 47:24E ainda tem o ponto de você falou que ela é a porta de
- 47:26entrada para a parte ali do sul da Ásia, né?
- 47:29Mas ela também essa região toda conecta, começa a conectar com a
- 47:32oceanieta também, né? Faz uma ponte ali, não, né?
- 47:35Ela serve de uma. Conexão também também, né?
- 47:37Quer dizer, Oo grande diferencial de Cingapura é que o
- 47:40Porto de Cingapura é espetacular.
- 47:42Essa qualidade da infraestrutura, então o produto
- 47:45brasileiro chega ali é de Cingapura, ele vai ser
- 47:48remanejado pra vários países ali do sudeste asiático, né?
- 47:52É o que acontece também, por exemplo, com o Porto de Roterdã,
- 47:56na Holanda. Uhum, que é a grande porta de
- 47:58entrada dos produtos brasileiros na Europa, então o comércio do
- 48:01Brasil com a Holanda é muito alto, mas é por conta disso, né?
- 48:03Porque o? Entram por Roterdã e dali eles
- 48:07vão para vários outros países europeus, né?
- 48:09E aí, AAA, falta que faz a gente ter portos de boa qualidade no
- 48:12Brasil? Sim, uma infraestrutura legal,
- 48:14por exemplo. Ferroviária, né?
- 48:16A nossa malha ferroviária hoje no Brasil ela é menor do que ela
- 48:19era nos anos 70. Sim.
- 48:21A gente chegou AA desmantelar a gente está.
- 48:23Desmantelando, né? A.
- 48:24Gente fica muito dependente do caminhão e isso é um horror, né?
- 48:27Então, imagina, por exemplo, que os caminhoneiros resolvam fazer
- 48:30uma nova greve como aquela que eles fizeram em 2018 e que
- 48:33pararam a economia brasileira por uma semana.
- 48:35O Brasil é a única grande economia do mundo que tem esse
- 48:38tipo de risco. Uhum.
- 48:39Que terrível, infelizmente. E assim.
- 48:42Só puxando o gancho dessa questão no Porto que a gente tem
- 48:45grandes portos, portos no Brasil, né?
- 48:46A gente tem o Pecém lá no Ceará, a gente tem o Porto de Santos,
- 48:51mas esses portos em si, eles são grandes, mas eles não têm essa
- 48:55capilaridade para o que fazer depois que chegar lá, ou eles
- 48:58ainda assim, embora a nossa imagem seja que eles sejam
- 49:01grandes, eles são pequenos. Quando a gente olha para Roterdã
- 49:04e Singapura. Os grandes quartos do mundo hoje
- 49:07estão todos na Ásia. Se você pegar aí os os 10
- 49:10maiores portos do mundo, 9 deles são na Ásia, então são cidades
- 49:14como Singapura, Xangai, hong Kong.
- 49:17Então, é. É.
- 49:18É por ali que o comércio global tá tá caminhando, né?
- 49:22Tá? É um desafio muito bem grande
- 49:23pro Brasil, porque não é só modernizar o Porto, né, também
- 49:26modernizar. Uma malha ferroviária é você ter
- 49:30ali todo 11 sistema para gerenciar aquelas cargas.
- 49:33É garantir, por exemplo, uma segurança também muito grande
- 49:36para aquela mercadoria que está chegando e saindo.
- 49:39Então, pegando o Rio de Janeiro como exemplo, né?
- 49:41A gente teve problemas muito graves no Rio de Janeiro nos
- 49:44últimos anos, envolvendo quadrilhas dedicadas a roubo de
- 49:46carga, por exemplo. Uhum, então tem todo um trabalho
- 49:50para ser feito, desde o básico da segurança pública até
- 49:53chegando na questão realmente ali, dessa infraestrutura de
- 49:56melhor qualidade, que, sem sombra de dúvida, hoje é um dos
- 49:59grandes gargalos do desenvolvimento brasileiro.
- 50:02Como é que a gente? Consegue mudar isso?
- 50:04Como é que a gente consegue voltar a investir bastante em
- 50:07infraestrutura no Brasil? Para capacitar o país AA jogar
- 50:10melhor não é esse jogo do comércio global, mas aí pegar,
- 50:13por exemplo, a quando eu estive em hong Kong, né?
- 50:16Hong Kong é uma cidade que eu adoro, ela é fascinante, mas ela
- 50:19me deixou também assim, com 11 sentimento de uma certa
- 50:21tristeza, porque com com que se parece muito na Geografia, com o
- 50:25Rio de Janeiro, Hum, ela é uma cidade entre o mar e a Montanha,
- 50:28numa vegetação ali subtropical e hong Kong, que tem uma baía
- 50:32linda Victória Bay que parece a baía de Guanabara, mas com uma
- 50:35diferença, e aí é que vem a minha tristeza.
- 50:37A quantidade de navios na Vitória Bay deve ser umas 100
- 50:40vezes mais do que os navios que a gente tem na baía de
- 50:43Guanabara, a. De Guanabara virou um cemitério
- 50:46de navio, não é? Tem muito navio abandonado ali.
- 50:48Teve um que outro dia colidiu com a ponte Rio-Niterói, quase
- 50:51uma tragédia. Exato.
- 50:53Aham. Então a gente tem muito trabalho
- 50:55a fazer no Brasil, até a transformar a nossa
- 50:58infraestrutura em algo que tenha realmente uma capacidade ali de
- 51:01dimensão global, né? E aí, acho que Oo grande modelo
- 51:05hoje da infraestrutura Internacional, tá tá nos países
- 51:08do leste e do sudeste da Ásia muito mais do que nos Estados
- 51:11Unidos do que na Europa. Então o metrô de Nova Iorque,
- 51:14por exemplo, pra quem já andou por lá, tem horas que você se
- 51:16sente num filme de terror, né? Ou ou naquele filme de de
- 51:19quadrilhas, né? Parece que vai entrar uma
- 51:21quadrilha ali te assaltar, né? E tal.
- 51:24É muito cheio de metrô de hong Kong, do metrô de Pequim, do
- 51:27metrô de Cingapura, que estão num outro nível de qualidade
- 51:29ali. Agora, não é que seja um metrôs
- 51:31luxuosos, tá? Não, eles são de boa qualidade,
- 51:34são baratos e eles circulam pelas cidades inteira.
- 51:37Se a gente pega, por exemplo, uma cidade de janeiro.
- 51:39O metrô não chega na região de publicidade, que é a zona Oeste.
- 51:42Sim, sim. As milis, crime organizado no
- 51:45Rio de Janeiro né? Que giraram aqui 11 terror para
- 51:48a cidade, né? Elas surgiram, entre outras
- 51:51coisas, da exploração do transporte informal na zona
- 51:54Oeste, porque o transporte normal, né?
- 51:57De ônibus, de metrô é, é muito ruim.
- 51:59Então olha como tudo isso vai criando uma série de
- 52:02consequências negativas para o país.
- 52:04Sem dúvida. Bom, eu queria agradecer demais
- 52:11ao Maurício, que foi sensacional a gente perceber que a gente
- 52:14está vivendo num Tabuleiro de um grande jogo de de infraestrutura
- 52:20de vontades e um Monte de gente que não sabe o que fazer, está
- 52:23tomando as decisões por nós, meus amigos, meu Deus do céu,
- 52:26Socorro. Então eu queria agradecer
- 52:29Maurício. A sua participação.
- 52:30Foi um prazer tremendo ter você aqui e a gente espera receber
- 52:34você aqui para contar outras novidades sobre esse mundo tão
- 52:37vasto que eu estou aqui agora com Singapura, tigre asiático.
- 52:39Fiz um trabalho sobre isso na no colégio, na década de 90.
- 52:43É maravilha, dona, eu vou me despedir como a gente faz a
- 52:46saudação na China, né? Quando você está bebendo com
- 52:48amigos, né? Ou num jantar de negócios, né?
- 52:51Você pega ali o copo, né, ergue, fala.
- 52:53Gambei é saúde. Ah, legal.
- 52:55Tá? E aí, qual é o barato?
- 52:57Você vai brindar umas 10 vezes num jantar.
- 53:00O almoço típico na China, porque cada vez que alguém disser uma
- 53:03coisa mais legal, mais interessante, mais engraçada,
- 53:06alguém vai levantar e dizer gambé gambei vai fazer um
- 53:08pequeno discurso e tal, então é muito legal, né?
- 53:11Acho que é um exemplo de como as bebidas alcoólicas funcionam ali
- 53:14pra aproximar as pessoas, né, pra enfim, pra tornar todo mundo
- 53:19ali mais amigo um do outro, né? Agora bebo com moderação, porque
- 53:23o baixo é pesado, viu? Maurício, meu querido, muito
- 53:28obrigado, valeu mesmo. Adorei te reencontrar e bater
- 53:32esse papo com você, cara. Prazer foi meu, meus caros, um
- 53:35grande abraço. Perfeito, encerrando o programa
- 53:38do jeito que a gente gosta, agradecendo as mercendas que nos
- 53:40ajudam a manter a casa arrumada e conteúdo incrível toda semana,
- 53:44Cíntia. Ícaro nascimento, Pablo Navarro,
- 53:48Silvio Donizete, taris, Aline, Alex Rodrigues, é isso?
- 53:53Meus amigos Leandro. E o que que a gente fala?
- 53:55Quando a gente acaba o programa? Gambém, não até semana que vem.
- 53:58Podia ser gambei, podia ser até semana que vem, mas é bom o
- 54:01Carnaval. Beba menos, beba melhor, beba
- 54:12com moderação. Este podcast foi editado por
- 54:23play áudios.