Latest / Surra de Lúpulo / Pasteurização. Papo com Duan Ceola | Surra #211
Transcript
- 0:08Epa Condriaca apresenta Surra de Lúpolo Oi pessoal,
- 0:16bom dia, boa tarde, boa noite! Eu
- 0:19sou Ludmilla, mais conhecida no Instagram como
- 0:21épacondriaca e no programa de hoje, meus amigos, nós
- 0:25vamos falar de um assunto supertécnico e que impacta
- 0:28muito as cervejarias, mas, ouso dizer, principalmente
- 0:32os consumidores. Hoje o papo é pasteurização e
- 0:36suas implicações pra nos ajudar nesse assunto
- 0:40colêmico! Estamos com o Duan Ceola, que é o
- 0:43rei dos laboratórios cervejejos no Brasil afora.
- 0:46Duan já esteve aqui conosco há
- 0:47algum tempo atrás, Leandro, logo menos, vai descobrir o
- 0:50programa e vai falar o episódio pra quem quiser
- 0:52ouvir também. E aí, antes de pedir que o
- 0:56nosso convidado dê uma loja, a gente tem o prazer
- 0:58de informar que esse programa é oferecido pelos
- 1:00nossos mecenas empresariais, cervejaria USA, Viveiro van
- 1:05den bergen e Prúcia Bia. Agora
- 1:10sim, Duan, dá um alô pra galera reconhecer a sua
- 1:12voz. E aí, pessoal, muito obrigado
- 1:14pelo convite surra de Lúpolo de um modo geral.
- 1:18Pra mim é um prazer poder
- 1:19estar aqui falando sobre ciência, pasteurização e
- 1:22controle de qualidade que tem tudo a ver. A
- 1:25gente vai ver durante o nosso discurso, o nosso
- 1:27papo, que tem tudo a ver. E
- 1:29eu não estou tomando uma cerveja pasteurizada, ela
- 1:32está super fresca na verdade, né? Bom,
- 1:35sou Duan Ceola, sou químico, mestre em química
- 1:38pura e aplicada, professor de cerveja, tipo produção
- 1:41de cerveja, água, Lúpolo, que é o meu forte e
- 1:44também as análises laboratoriais. Sou
- 1:46consultor também na parte de estruturação de
- 1:48laboratório e controle de qualidade. Idealizador
- 1:51da Copa Brasileira de Lúpolos, que a gente está
- 1:53já projetando aí a terceira edição com bastante
- 1:56novidade. É isso aí. Bem
- 1:58-vindo, Duan. E eu quero lembrar aqui a
- 2:00luz que eu puxei aqui. Peraí,
- 2:01como é que é? Como é que é puxar da memória?
- 2:03Mentira, memória é planilha. Duan
- 2:06teve com a gente no 117, falando de laboratório
- 2:10cervejêros. Ou seja, quase aniversário de
- 2:12100 anos, hein, Duan? De 100 anos, de 100 programas.
- 2:16De 100 episódios. 100
- 2:18episódios. E é isso, gente. Eu
- 2:20sou o Leandro e vocês hoje podem me chamar da Salna
- 2:23com piscina gelada. Ou seja, é uma pasteurização
- 2:26humana. Boa. E a gente costuma bater
- 2:31esse papo pasteurizado aqui, tomando alguma coisa. Que
- 2:34que você tá bebendo aí hoje, Duan? Eu
- 2:36tô tomando uma dhuícipa da Belbruque, é um cervejinho
- 2:40que tá bem fresca. Sou suspeito em falar, gosto de
- 2:43lúpulo, gosto desse estilo, então caiu bem no papo de
- 2:47hoje. Copa de rede alerta, né? É,
- 2:49isso aí. E você, Luge? Eu
- 2:51tô aqui bebendo uma belíssima água mineral,
- 2:54pouso alto. Olha isso. Coisa
- 2:56lenda. Tá me fazendo uma hidratação
- 2:58importante. Gente, agora você, por favor, o
- 3:01Salna com piscina gelada. Tá
- 3:04bebendo o que aí, pai? Cara,
- 3:05eu tô bebendo também uma água, porque assim, a
- 3:08importante é cuidar da saúde, né, gente? Eu
- 3:10ando meio doente, ando com probleminhas. Então,
- 3:13eu tô tomando aqui uma água, tô eliminando o
- 3:16álcool hoje, já são 6 dias sem bebê. Zero,
- 3:20zero, zero, zero. E a tendência é que até eu
- 3:23me recuperar, estarei sem álcool. Então,
- 3:25provavelmente mais um mês aí sem álcool. Isso
- 3:27aí. Ah,
- 4:04mas a grana tá curta ou você ainda não ama tanto a
- 4:08gente assim? O outro jeito de ajudar é
- 4:10seguindo a gente na sua plataforma de streaming
- 4:11preferida e dando 5 estrelinhas no Spotify e no
- 4:15Apple Podcast. Lembre -se de compartilhar esse
- 4:17programa com seus amigos. Isso
- 4:18ajuda muito na distribuição dos episódios.
- 4:34Bom, como a gente já falou,
- 4:35Doan já participou aqui e nos deu o prazer dele
- 4:38trazer todo esse conhecimento e essa presença
- 4:41carismática no programa 117, onde a gente falou de
- 4:45assuntos mega técnicos dos laboratórios cervejeiros e a
- 4:49importância de tê -los e o que isso impacta na
- 4:52produção e na qualidade dos produtos. Então,
- 4:55vamos demorar em apresentações por aqui. O
- 4:57Doan também já fez um resumo quando ele deu o
- 4:58alô, mas vamos começar com pé direito, puxando aquela
- 5:01aula lá do ensino médio, o que é a pasteurização e
- 5:06como é esse processo, aí vem a aula do avançado,
- 5:09que é como esse processo dentro de uma cervejaria.
- 5:12Legal. Bom, eu particularmente,
- 5:15falando, tenho uma relação de amor e ódio com o
- 5:18processo de pasteurização e a gente vai entender
- 5:21durante o programa o porquê desse amor e o porquê
- 5:24desse ódio, mas basicamente o conceito da pasteurização
- 5:28envolve um processo que diminui o grau de
- 5:32contaminação microbiológica. Essa
- 5:35diminuição do grau de contaminação microbiológica
- 5:38ela é aplicada com calor, em temperaturas que não
- 5:42podem, obviamente, ser temperaturas de volatilização
- 5:46de alguns compostos. Então, a pasteurização ela vai
- 5:48trabalhar com temperatura sempre abaixo de 100 graus,
- 5:52mais precisamente entre 60 e 75 graus em média.
- 5:58Então, o objetivo da pasteurização
- 6:00é reduzir, em escala logarítmica, a quantidade de
- 6:04contaminantes que tem ali, seja um bactéria, seja
- 6:06outros tipos de contaminantes, ou
- 6:09simplesmente inativar os microorganismos que estão no
- 6:13estado vegetativo. E o porquê importante
- 6:15salientar isso? Porque a pasteurização ela não vai
- 6:18salvar o rolê, ela não vai salvar a cerveja. Existem
- 6:23alguns microrganismos, na verdade existem dois casos.
- 6:26O primeiro, alguns
- 6:26microrganismos que são termotolerantes, ou seja,
- 6:30eles aguentam temperaturas mais altas, aí você tem um
- 6:33problema. E você pode ter um outro
- 6:35problema que envolve alguns microrganismos, criarem o
- 6:39que a gente chama de biofilm, criar um esporo.
- 6:43Quando isso acontece, também a
- 6:46pasteurização não é que ela não é eficiente, mas ela
- 6:49reduz a probabilidade de você obter um sucesso no
- 6:53objetivo da pasteurização, que é evitar proliferação
- 6:56de contaminação e aumentar a vida útil da cerveja. O
- 6:59processo de pasteurização ele basicamente foi, alguns
- 7:03acreditam que ele foi descoberto, outros acreditam
- 7:06que ele foi inventado, enfim, mas basicamente foi
- 7:08um cara, Luis Pasteur, em 1862, um químico francês,
- 7:13ele foi o responsável por desenvolver esse método.
- 7:17Inclusive, eu tenho até a patente
- 7:18dele aqui, pendurada na parede, tão charmoso que é
- 7:21esse tema. Basicamente, ele submeteu algumas
- 7:24amostras de cerveja, de leite ao calor e viu que
- 7:27esses alimentos, esses produtos, eles não
- 7:30deterioravam com tanta facilidade. E
- 7:32aí foi eureca, foi um bingo na cabeça dele e aí
- 7:36foi descoberto, ou inventado, enfim, o processo
- 7:39de pasteurização. Sensacional,
- 7:41que cara, hein. Sagaz. Você é um bichão mesmo,
- 7:44hein. Você é um bichão mesmo, hein,
- 7:47doido. Cara, é brato. Porra,
- 7:50ainda bem, ainda bem que tem gente assim na vida,
- 7:52né, pensando lá na frente. Aí,
- 7:56quais são os problemas que a pasteurização pretende
- 7:58solucionar o prevenir? Você já falou alguma coisa de
- 8:01vida útil e tal, mas talvez tenham mais coisas,
- 8:04né. E quais seriam os estilos
- 8:06mais indicados pra passar por esse processo? Se
- 8:09é que existe isso? Você fala, não cara, esse aqui
- 8:11todo mundo pode, ou não, não é indicado em X.
- 8:15Então, vamos tentar pensar em o
- 8:17que que ele soluciona de problema o prevenir e quais
- 8:19são os estilos mais indicados pra essa
- 8:21farfalhada. Legal, bem interessante. Bom,
- 8:24o objetivo da pasteurização, de uma maneira geral, é
- 8:27prolongar a vida útil daquela cerveja. Agora
- 8:30a gente vai falar de cerveja, mas talvez existem
- 8:32pasteurizações de alimentos sólidos e outros tipos de
- 8:35bebida, leite, suco, enfim, refrigerante, energéticos,
- 8:39né. Mas o objetivo pra cerveja é
- 8:41você aumentar a vida útil dela. E
- 8:43aí a gente entra num parâmetro de controle de
- 8:45qualidade que é muito simples. Quando
- 8:47é necessário pasteurizar? A gente tem agora dois
- 8:50cenários que são possíveis a gente observar. O
- 8:53primeiro cenário é o seguinte, eu tenho uma
- 8:54cervejaria pequena no BrioPub, vai. Produso
- 8:57seus 50 mil litros, no máximo, produso atrás e
- 9:01vendo na frente. É uma cadeia super rápida.
- 9:04Pra esse tipo de cenário, a
- 9:06pasteurização não é que não é vantajosa, mas não
- 9:10precisa. Não faz sentido você pasteurizar
- 9:13um produto que você sabe que a vida útil dele não
- 9:16vai passar de algumas semanas, ou um mês, ou
- 9:18dois meses, no máximo. Você consegue manobras
- 9:21microbiológicas pra conseguir ter uma certa vida útil de
- 9:25cerveja. E agora tem outro cenário,
- 9:27você tem uma cervejaria com uma capacidade maior, uma
- 9:30cervejaria aqui, a cerveja ela caminha por aí. Ela
- 9:33vai pra diferentes pontos de venda, diferentes PDVs,
- 9:37ela vai pra diferentes estados. Pra
- 9:39esse caso, o processo de pasteurização passa a ser
- 9:43fundamental, passa a ser uma peça chave. Porque
- 9:47a gente não pode confiar em todas as questões
- 9:49microbiológicas internas, a sanitização. Ah,
- 9:52mas a minha cervejaria, no invase a garrafa é rinsada
- 9:56com sanitizante. Pois bem, isso é o mínimo
- 10:00necessário. Mas se não mover um processo
- 10:02de pasteurização, a gente sabe que a seleção natural
- 10:04ela existe e funciona, né? Darwin
- 10:06já diz isso. E evidentemente alguns micro
- 10:08-organismos se acostumam, eles criam resistência, vão
- 10:12se adaptando ao meio, pra sobreviver naquele meio.
- 10:15Então, eu sempre comento que
- 10:17muitas vezes é necessário você trocar o princípio
- 10:20ativo de sanitizante ou a concentração pra dar um
- 10:22susto nos micro -organismos, né? Pra
- 10:24fazer eles acordarem pra vida. Então,
- 10:26pra esse caso de você depender de uma logística
- 10:29externa, uma logística um pouco maior, o processo de
- 10:32pasteurização, ele passa a ser bem importante. Então,
- 10:35pasteurização vai fazer com que a cerveja dure um
- 10:37tempo a mais, na gôndola do supermercado, na
- 10:40prateleira, né? E quais estilos são aptos a
- 10:43pasteurizar? Todos. Todos os estilos que
- 10:46necessitam de uma logística um pouco maior, que
- 10:48necessitam de uma vida maior de prateleira. Alguns
- 10:52estilos se comportam OK, não vou dizer bem, vou
- 10:55dizer OK. E outros estilos já se
- 10:58comportam de maneira um pouco delicada, vamos assim
- 11:01por dizer. Porque estilos como, por exemplo,
- 11:04pilsen, light lager, cervejas que têm uma
- 11:07quantidade de núpulo ou malte menor, é OK. A
- 11:12pasteurização, claro, vai interferir no sensorial que
- 11:14a gente já vai falar, mas é OK. A
- 11:16cervejas que você tem uma carga de malte um pouco
- 11:19mais elevada, um do sor residual mais elevado, ou
- 11:22uma quantidade de núpulo um pouco mais elevada, com
- 11:25umas IPAs, IPAs, enfim. Aí a pasteurização já começa a
- 11:29trazer algumas situações delicadas envolvendo o
- 11:33sensorial, porque você tem muitas moléculas ali que
- 11:36são reféns de calor. Boa parte dos olhos essenciais
- 11:39degradam, polimerizam e isso acaba prejudicando um pouco
- 11:43o sensorial da cerveja, né? É,
- 11:45prendi, mas a gente vai chegar lá. Não,
- 11:48a gente vai chegar lá. É que, assim, sinceramente,
- 11:51quando você fala todos, é que eu imagino que,
- 11:54tecnicamente, é possível que você faça esse processo com
- 11:58qualquer estilo cervejeiro. Agora,
- 12:01você encontra o químico, você encontra um
- 12:04especialista em laboratório cervejeiro, você chega e
- 12:06fala assim, cara, vou pegar uma New England? Vamos
- 12:09pasteurizar ela aqui pra mandar ela pra, de São
- 12:12Paulo, pro Rio, até pouco, mas de São Paulo pra, sei
- 12:16lá, pra Bahia. Recife. É, não manda, cara, não
- 12:20faz isso, então. Exatamente, Lud, perfeito, é uma
- 12:23excelente colocação. Beba uma cerveja de lá, né, do
- 12:26local lá. Exato. E outro detalhe, até um
- 12:29tempo atrás um aluno me perguntou o que podia ser
- 12:31feito pra dar uma validade de um ano pra uma New
- 12:34England. E, pô, eu falei, cara, em um
- 12:36ano não deve sobrar nem a embalagem, né, essa New
- 12:39England. Porque uma cerveja tem que
- 12:41degustar fresca, você tem que tomar fresca, então se
- 12:44você não vende uma New England em um ano,
- 12:46significa que você tá fazendo um estilo que o
- 12:48teu público não tá simpatizando. Então,
- 12:50talvez trocar uma estratégia de produção de cerveja seja
- 12:53uma boa vantagem, isso, né? Nossa.
- 12:57Mas é bom que a Lud trazer o gancho aí da New
- 13:00England e você complementar com essa parte, porque eu
- 13:03tenho isso na cabeça, assim, né? Existe
- 13:05aquela história de que o Lúpulo, ele ajuda a
- 13:07conservar a cerveja e tal, parará, né? Que
- 13:10isso é um fato, o que se discute, se eu não me
- 13:12engano agora, tô puxando memória pra eu estar
- 13:14falando bobagem, mas o que se discute, se ele foi
- 13:16usado pela primeira vez pra isso, ou se ele foi usado
- 13:18só pelo sabor mesmo, né, pelo sensorial. Mas
- 13:23o... Ele não cumpre um pouco essa
- 13:26função, a ponto dele não precisar pasteurizar esse
- 13:30estilo, já que ele é super carregado de Lúpulo e aí
- 13:33ele consegue segurar sua própria onda. Cara,
- 13:36legal, legal, legal essa pergunta, tá bom. Na
- 13:38verdade, sendo bem realista pra contaminar a cerveja dá
- 13:41muitos trabalhos, tá? E às vezes a gente consegue.
- 13:45Porque a cerveja é um ambiente
- 13:48que tem um pH baixo, um pH já impróprio, ou com
- 13:53uma probabilidade relativamente baixa de você
- 13:55ter micro -organismos ali. Então
- 13:57a quantidade de micro -organismos vai reduzindo
- 13:59pelo fato do pH estar baixo. Você
- 14:02pega uma sour, é ainda menos provável de ter
- 14:05contaminação, porque já tem, na verdade, pH. Você
- 14:08tem uma solução, um líquido que tem gás carbônico,
- 14:11então tem carbonatação dentro da garrafa, dentro
- 14:14da embalagem, vai estar pressurizado, então a
- 14:16membrana celular, enfim, a parede celular, ou uma
- 14:19bactéria, ela precisa resistir a essa pressão. E
- 14:22você tem a presença de lúpulo. No
- 14:25lúpulo você tem a tríplice aliança pra ter esse poder
- 14:29bioativo que a gente chama, né? Os
- 14:32olhos essenciais, as resinas e os polifenóis, eles são
- 14:35ótimos compostos bioativos, eles podem inativar
- 14:40bactérias, vírus, a televedura, mas isso é um
- 14:44papo para outro momento, ou pode literalmente matar.
- 14:47Muitos estudos vem mostrando que o
- 14:49lúpulo mata alguns tipos de micro -organismo. Então,
- 14:52nós, em pontos cervejeiros, a gente fica refém de
- 14:55micro -organismos que sobrevivem a essas
- 14:58condições. Então, mesmo com todas essas
- 15:02variáveis, pH, gás carbônico e lúpulo, ainda assim tem
- 15:06contaminação. Todo o nome que se dá pra
- 15:10parte de, a parte microbiológica é controle
- 15:13microbiológico, controle de qualidade, não exterminação
- 15:16microbiológica, a gente nunca vai conseguir se
- 15:18terminar por completo, a gente vai controlar os
- 15:21micro -organismos. Então, dessa forma, mesmo com o
- 15:24lúpulo pH e gás carbônico, a gente fica refém de
- 15:26contaminação. Cara, eu achei maravilhoso que
- 15:28você falou agora, a gente quer controlar, a gente não
- 15:30quer exterminar. A gente nem consegue
- 15:31exterminar, né? Teria que ter uma curva
- 15:33gigantesca dentro da cervejeria, com o ambiente
- 15:35controlado, tudo corromporando pra não ter
- 15:39bichinho pulando por aí, porque aqui tem
- 15:41contaminação, aí tem, todo lugar tem. Com
- 15:43certeza, total. Pronto, falou isso agora, tô
- 15:46pegando álcool 70, passando pela casa toda. Inclusive,
- 15:51álcool 70 não pode mais vender, tá? A
- 15:54gente agora vai ter que usar o 46, que não vale
- 15:56de porra nenhuma, vamos continuar o papo na
- 15:58pasteurização, se não for errou. É,
- 16:00é, vamos focar em pasteurização. Mas
- 16:03é bom você também trazer isso sobre essa lance de
- 16:06não deixar exterminar, de não querer controlar e não
- 16:10necessariamente exterminar. Porque
- 16:11me apresenta um momento certo pra trazer uma
- 16:13pergunta que a gente queria fazer, que é, assim, é
- 16:16comum fazer esses testes nas cervejas após a
- 16:21pasteurização, ou seja, pasteurizou e aí testa. Se
- 16:24sim, o que a gente quer verificar nesses testes?
- 16:28Legal, bom, vamos lá. Em
- 16:29questão laboratorial, né? A gente tem dois métodos
- 16:32analíticos pra avaliar o poder de pasteurização, o
- 16:36nível de pasteurização. São testes que envolvem a
- 16:39metodologia pra fazer esses testes, realizado através da
- 16:43visualização da atividade de um tipo de enzima, chamada
- 16:46beta frutosidase. É uma enzima muito específica
- 16:49que realiza a inversão da sacarose e ela é inativada
- 16:54quando você tem um nível de pasteurização mínimo de
- 16:575, 5 ,5 Up. E o que isso significa? O
- 17:02que é Up? É uma unidade de
- 17:04pasteurização, é uma unidade pra medir o quanto que
- 17:07pasteurizou. Essa unidade, ela funciona da
- 17:09seguinte forma. Cada minuto a 60 graus é um
- 17:13Up. Então se eu deixei lá 5 minutos
- 17:16a 60 graus, eu tenho 5 Ups, tá? Então
- 17:20esse é o conceito básico da parte laboratorial
- 17:23envolvendo o processo de pasteurização, né? E
- 17:26você tem métodos oficiais pra isso, que envolvem
- 17:28reagentes muito específicos, carbonar de sódio, açúcar
- 17:31sulfúrico, tio sulfato, sacarose, cura, e outro.
- 17:35Enfim, são métodos bem específicos,
- 17:38não é difícil de fazer, mas precisa de um tempo
- 17:40pra isso. E você tem um teste rápido
- 17:42também muito bacana e que funciona, mas funciona de
- 17:45maneira qualitativa. É, ou seja, pasteurizou ou não
- 17:49pasteurizou, que é você utilizar a fitinha de
- 17:51sacarose e medindo se pasteurizou ou não pela
- 17:54ação dessa enzima que eu acabei de comentar. Então
- 17:58no laboratório primeiro, a gente fica refém do
- 18:00equipamento, de entender se esse equipamento tá
- 18:04funcionando bem, tá realizando as rampas, seja
- 18:07no pasteurizador de túnel ou flash, tá realizando as
- 18:10rampas, tudo certo, e outra, o método específico.
- 18:14Então é super comum numa
- 18:15cervejaria, por exemplo, a gente passar numa garrafa,
- 18:19numa lata, o viajante. O que é o viajante? O
- 18:22viajante é um equipamento data logger. Ah,
- 18:24o Edison! É o equipamento, é uma
- 18:28cervejera. É um equipamento, um cubo que
- 18:33a gente coloca dentro da garrafa, é um termômetro, e
- 18:37ele vai medindo todo o caminho da embalagem, mas
- 18:41isso só funciona para o pasteurizador de túnel. O
- 18:44pasteurizador flash já não funciona mais isso aí,
- 18:47porque é outra metodologia, né? Então
- 18:49o que a gente faz o laboratório é passar esse
- 18:51equipamento, ele vai medindo as temperaturas do líquido,
- 18:54a gente pega esse equipamento, coloca no
- 18:56computador, faz um processamento de dados e vê
- 18:59qual foi o nível de pasteurização que a gente
- 19:01pode submeter aquele produto. Então
- 19:03cada cerveja, cada receita, cada estilo exige um nível
- 19:07de pasteurização, e também é totalmente refém do
- 19:11processo cervejeiro, por exemplo. Você
- 19:13tem uma invasadora, eu não vou dizer que é uma
- 19:15invasadora ruim, mas uma invasadora que não é a
- 19:17melhor do mundo, você tem um nível de oxidação
- 19:20envolvida no invase, então vai oxidar a cerveja, vai
- 19:24entrar o oxigênio no invase. Para
- 19:26esse caso, quando você submete esse produto a uma
- 19:29pasteurização muito agressiva, vamos lá, 15,
- 19:3120, o peso, você vai acelerar o processo de
- 19:34oxidação. Então a cerveja já sai do
- 19:36pasteurizador oxidada, ela já sai escura, com uma
- 19:39turbidez um pouco mais elevada. Então
- 19:41a pasteurização, o quanto vai pasteurizar, é
- 19:45totalmente refém de um outro parâmetro que eu
- 19:47comentei que me incomoda que é o sensorial. Então
- 19:50como você valida o quanto que você vai pasteurizar,
- 19:53unindo o sensorial e o nível de UP para cada
- 19:57estilo de cerveja? Eu sei que para minha light
- 20:00lagra, por exemplo, se eu colocar 10 UPs, eu vou
- 20:03estar destruindo muito o sensorial dela porque a uma
- 20:06invase não foi lá aquelas coisas, eu tive oxigênio
- 20:09incorporado, eu tive outras situações, então é assim
- 20:12que a gente costuma fazer no laboratório, não é um
- 20:14valor só, são inúmeras condições que fazem que a
- 20:18gente determine o nível de pasteurização de uma certa
- 20:20bebida. Tá, e foi legal que você falou
- 20:32de sensorial, que é bem o passo para nossa próxima
- 20:36pergunta, que é como é que fica esse sensorial de uma
- 20:40cerveja pasteurizada. É interessante que depois que
- 20:44você começa a degustar mais, estabelecer mais horas
- 20:47copo, entendendo o que você está bebendo mesmo sem
- 20:51curso, mas é tipo eu estou bebendo essa cerveja aqui,
- 20:54isso aqui é assim assado, isso aqui fresco deveria
- 20:56ser dessa maneira, isso aqui pasteurizado ficou
- 20:59desta outra maneira, então a gente queria falar um
- 21:02pouco do sensorial, sabendo que o sensorial é algo
- 21:05muito subjetivo, né, tipo eu tenho uma percepção,
- 21:08você tem outra, dança, um outro e etc. Mas
- 21:10seria legal a gente contextualizar para os
- 21:12nossos ouvintes percepções sensoriais que a cerveja
- 21:15pasteurizada carrega, né, e aí a gente podia emendar,
- 21:20pegar na mão, posso até relembrar depois para falar
- 21:22da cerveja sem álcool, e aí eu tenho, antes de você
- 21:26responder isso lá na frente, ali no comecinho da
- 21:28sua resposta sobre isso, da sem álcool, eu tenho a
- 21:31minha observação sobre a sem álcool, e aí eu queria
- 21:33que a gente trocaça um pouco mais de ideia sobre
- 21:35isso, então sim, vamos falar do sensorial global,
- 21:37porque pelo que eu entendi, posso estar equivocada, pode
- 21:40acontecer de você falar assim, olha, essa lager que
- 21:43eu ia pasteurizar assim assada, eu já sei que eu
- 21:46não posso usar tantas úpeis, mas você pode ir
- 21:50fazendo o teste, tipo assim, eu vou fazer duas
- 21:52úpeis, tostando, tá doce, eu estiver falando na
- 21:54besteira sem fim você fala, não, ela ainda aguenta um
- 21:57pouquinho mais, o sensorial tá bom e ela vai ganhar
- 21:59mais tempo de prateleira, isso também é feito dessa
- 22:02maneira ou não, tipo, a gente já sabe que esse
- 22:04estilo aqui a gente pasteuriza aí com tantas
- 22:06úpeis e PT saldações. Tá, vamos lá, como funciona o
- 22:09processo de validação do nível de pasteurização, né,
- 22:12então, basicamente, a gente passa do mesmo lote várias
- 22:16amostras de cerveja no pasteurizador, em lata, o
- 22:19garrafa, túnel, tô falando agora de pasteurização
- 22:22túnel, depois a gente fala do flash que muda um
- 22:25pouquinho, mas a pasteurização túnel, então
- 22:26eu passo várias garrafas, várias embalagens com
- 22:30diferentes níveis de úpeis, tendo de dois úpeis até
- 22:34quinze úpeis, então eu tenho lá uma grande
- 22:36quantidade de cervejas que foram submetidas em
- 22:39diferentes níveis de pasteurização, o que a
- 22:42gente faz com isso? Mistura os controles de qualidade,
- 22:46a gente tem o controle de qualidade em uma cervejeria,
- 22:48imagine uma mesa que é sustentada por três pés,
- 22:51microbiológico, físico -químico e sensorial, né,
- 22:55como a gente comentou no podcast no passado, então
- 22:58basicamente a pasteurização, ela melhora muito o
- 23:02controle de qualidade e o microbiológico, melhora
- 23:05muito, ele é feito para isso. Agora
- 23:07prejudica o sensorial, então a gente pega todas as
- 23:11cervejas que foram submetidas à pasteurização,
- 23:13a gente monta um painel sensorial, com painelistas
- 23:16treinados e avalia qual é o nível máximo de
- 23:21pasteurização que a gente pode chegar sem que esse
- 23:24nível máximo comprometa o meu sensorial. E
- 23:26quando a gente fala em sensorial, o que a gente
- 23:28deve esperar daquele limite máximo, né, da amostra que
- 23:32foi aprovada para não aprovada? A
- 23:36não aprovada existe um indicador muito expressivo
- 23:39que é chave, para a gente falar, ó, esse é o limite
- 23:43de pasteurização, que é aroma e sabor de papelão
- 23:47ou caramelo, caramelo mais adocicado, que lembra um
- 23:51pouco de toffe, mas papelão é um dos principais, onde
- 23:54você tem caramelo, significa que você já agrediu muita
- 23:57cerveja, que são, basicamente, moléculas que
- 24:00foram submetidas ao processo de oxidação, o processo
- 24:03oxidativo. Trans2N, por exemplo, é uma molécula
- 24:06que traz esse sensorial, que traz essa percepção de
- 24:09papelão, cardboard, né, papelão ou até mel mais
- 24:13adocicado, então a gente usa esse marcador específico
- 24:16para determinar o sensorial da cerveja, de uma amostra
- 24:19de cerveja. Então, quando a gente fala em
- 24:21pasteurização, pasteurização vai destruir o sensorial,
- 24:24não é que vai destruir, mas ele vai comprometer o
- 24:26sensorial, e é uma demanda industrial hoje, buscar
- 24:30alternativas, a gente já vai falar disso, buscar
- 24:32alternativas de você pasteurizar e comprometer o
- 24:36mínimo possível o sensorial. Então,
- 24:39pasteurização é bom para a parte de microbiológica, mas
- 24:42muitas vezes pode não ser bom para a parte sensorial.
- 24:46Agora, quando a gente fala em
- 24:47sensorial, você mesmo comentou no Dioconcord, é
- 24:49um subjetivo. E no Brasil, a gente se
- 24:52acostuma muito fácil com um paladar, né, o paladar é
- 24:55altamente acostumável. E de um modo geral, quando a
- 24:58gente está numa indústria, por exemplo, degustando uma
- 25:02cerveja embaixo do tanque, que ela foi recém -filtrada,
- 25:05se a centrifugada está fresca, aquilo não é
- 25:08realidade. Aquilo, na verdade, é a realidade
- 25:10de quantos, um, dois, do cervejeiro, do cara que
- 25:13está ali na cervejeria, a realidade e a cerveja,
- 25:16submetida a uma pasteurização, se você optar
- 25:19para fazer isso, né. Então, se acostumar, nós, enquanto
- 25:22cervejeiros, laboratoristas, profissionais da área, a
- 25:25gente precisa entender esses dois cenários e se
- 25:27acostumar com isso. Cara, eu fiquei com uma
- 25:30curiosidade bem grande, que você falou que vocês fazem
- 25:32testes do limite sensorial, né. E
- 25:35você, como que é feito na prática mesmo, assim, vocês
- 25:38colocam a... A gente colocou aqui de 5
- 25:41pês a 15 pês, vocês bebem às 10 pês que ficam nesse
- 25:44meio nessa aqui, não teve alteração nessa aí, começou
- 25:47a ter, e aí vai indo, vocês vão bebendo o P por
- 25:50o P, é isso. Exatamente, o P por o P. Então,
- 25:53a gente pega todas as amostras de cerveja, servem
- 25:56gela elas, torna elas em condições de serviço, servem
- 26:01num copo e vai avaliando o sensorial, vai avaliando o
- 26:04sensorial, inclusive aliado a isso, eu vou avaliando
- 26:07também a cor e a turbidez da cerveja, que são
- 26:10parâmetros físico -químicos, para ver se ela não vai
- 26:12ficar muito escura, que também é um indicativo de
- 26:15oxidação, por exemplo, de envelhecimento precoce e a
- 26:19turbidez, tá. Então, é exatamente como você
- 26:22falou, a gente vai degustando cervejas de
- 26:24diferentes níveis de P até chegar no alvo, ó. Do
- 26:285 para o 6, nos 6 a gente consegue perceber já
- 26:32o papelão. Então, 5 é o valor alvo de
- 26:35pasteurização, por exemplo, né. Entendi.
- 26:37Não tem cervejas com cervejarias que a gente
- 26:39pasteuriza com 5 P, tem cervejas que a gente
- 26:42pasteuriza com 10, depende muito, né. E
- 26:45aí, depois que você setou para aquele estilo, ou cada
- 26:50cerveja, mesmo que seja do mesmo estilo, a cervejaria
- 26:54lançou uma hipa de combate que vai para uma prateleira
- 26:57do supermercado, mas ele tem outra hipa que também
- 27:00vai, mas quer, sei lá, uma com cintra e moseica, outra
- 27:02com moseica e cintra. Eu tô brincando, sei lá. Você
- 27:06tem que fazer esses testes para cada cerveja pronta,
- 27:09ou é, depois da receita, depois que vocês fizeram
- 27:12esse primeiro teste, a mesma receita vai ser
- 27:14replicada a quantidade de o peixe, todas as vezes. Faz
- 27:17sentido que eu falei, não? Sim,
- 27:18sim. Faz total sentido. Então,
- 27:20você faz a validação por estilo e por cerveja, né.
- 27:22Então, pra... E
- 27:23você grava isso no equipamento pasteurizador.
- 27:26Então, no pasteurizador, você tem
- 27:27lá uma memória dentro do equipamento que tem 25, 30
- 27:30receitas salvas. Então, chegou o momento de
- 27:33pasteurizar a Pilsem, que o laboratório já fez essa
- 27:36validação, já sabe qual é o nível de o peixe, você
- 27:38vai lá selecionar a Pilsem, a receita de pasteurização
- 27:41da Pilsem, e ela vai seguir aquele processo.
- 27:43Agora, uma hipa se seleciona,
- 27:45outra rampa já otinizada no laboratório e toca o barco,
- 27:49né. Mas aí você tem que fazer esse
- 27:50testezinho sensorial de toda maneira, porque pode dar
- 27:53algumas hebras no caminho, porque cerveja é uma parada
- 27:55viva. Todo estilo, toda a cerveja,
- 27:57você faz essa validação e revalida a cada seis meses,
- 28:02um ano, no máximo, né. E é muito complicado, por
- 28:04que... Entendi. A pasteurização, né, o
- 28:07envelhecimento da cerveja é muito refém da variável
- 28:10oxigênio. Então, cara, repito, se você tem
- 28:12uma invasadora que desregula com muita facilidade, pode
- 28:15ser que aquela receita já não funcione mais. Então,
- 28:18de qualquer forma, o sensorial é uma ferramenta
- 28:23para o cervejeiro, para o laboratorista, de ver se
- 28:25está ok, né. Porque você valida o seu sensorial
- 28:28com aquele nível de o peixe, pasteurizou uma
- 28:31cerveja e desregulou o bico de, sei lá, HD, que é um
- 28:35jato de água quente. Entrou oxigênio, ali oxidô. Se
- 28:39você fizer o sensorial e ter aquele sensorial
- 28:41anterior na memória, você já identificou, pacama aí,
- 28:44deu alguma divergência aqui no sensorial, vou dar uma
- 28:46olhada para ver como está oxigênio, para ver como
- 28:48está, então, as outras condições de invás de
- 28:50cerveja, né. Entendi. Vamos lá, você falou do
- 28:53papelão, que aí, tipo, é um off -flavor, pagretante.
- 28:57Você falou de caramelo, que,
- 28:59cara, o que tem de gente tomando cerveja caramelada e
- 29:02não faz a mais vague -dad que aquilo não tinha que
- 29:04estar ali, não está no gibir. Que
- 29:06é gotozinho, caramelo é gotozinho. É
- 29:09acostumado, né. É. Você quer ver cerveja
- 29:12importada, né, que é através de um continente
- 29:14inteiro, repasteurizando. É. Tá, então, vamos lá. Aí,
- 29:20eu queria falar das cervejas sem álcool, porque,
- 29:22porra, isso é um sanhaço, sem fim, porque a cerveja
- 29:25sem álcool, ela já passa por um processo que é a,
- 29:28eu vou inventar uma palavra, a desalcoolização.
- 29:31Então, ela já passa por um
- 29:33processo, seja membrana, seja uma levedura
- 29:38específica, seja qualquer outra técnica que eu não
- 29:41vou saber dizer qual é, que é de tirar, que já
- 29:43bagunça o sensorial. E aí, elas também vão passar
- 29:46por um processo de pasteurização. Essa
- 29:49cerveja, mais do que qualquer outra, deveria ser
- 29:52bebida super fresca. Concordo
- 29:54plenamente. E entendendo o processo de
- 29:57pasteurização, uma cerveja sem álcool ou com baixo
- 30:00teoralcólico, ela sem precisa ser pasteurizada,
- 30:04porque das três variáveis que eu comentei de
- 30:06probabilidade de contaminação, pH, gás
- 30:09carbônico e etanol, o etanol já não está mais
- 30:12presente ali, ou está numa concentração muito baixa.
- 30:15Então, cervejas sem álcool ou com
- 30:16baixo teoralcólico, elas merecem um carinho especial
- 30:20na hora de pasteurizar, porque o risco de
- 30:23contaminação, ele tende a aumentar. Ah,
- 30:25beleza, mas a cerveja sem álcool, ela é destilada,
- 30:29por exemplo. Então, não vamos entrar em
- 30:31detalhes, mas uma das formas de fazer cerveja sem
- 30:34álcool é você destilar a cerveja, evapora -se o
- 30:37álcool, leva junto várias outras moléculas que dão
- 30:40sabor, que dão complemento à cerveja, e depois você
- 30:43repõe essas moléculas, repõe sabor. Pois
- 30:47bem, mas se essa cerveja, beleza, você esquentou,
- 30:50destilou, você botou tudo bonitinho, o que me garante
- 30:53que eu não vou ter problema de contaminação no
- 30:55invase? Se eu estou usando uma água
- 30:56contaminada, se eu estou usando um equipamento
- 30:58contaminado, se eu estou usando uma tampinha
- 31:01contaminada, então mesmo assim, mesmo a cerveja
- 31:03sendo submetida a essa agressão entre aspas
- 31:06térmica, é fundamental pasteurizá -la, é
- 31:09fundamental. Ou seja, eu escolhendo o
- 31:12sensorial dessa cerveja mais de uma vez, propositalmente.
- 31:16Aí, só pra complementar um
- 31:17negócio, que é a minha percepção sensorial, por
- 31:20exemplo, sem problema de falar de marcas aqui. Uma
- 31:23das que eu mais gosto é a Heineken, não sei o que
- 31:25que eles fazem de mágica lá, o céu, o podpiling
- 31:27-pimpin, não sei. Já bebí uma muito boa, que é
- 31:31a isipa da Roleta Russa, e eu tive a experiência de
- 31:34bebê -la muito fresca. Por que que eu sei que é
- 31:37muito fresca? Lançou, eu enchi o saco de um PDV
- 31:40aqui no Rio de Janeiro, foi comprar esta merda, que
- 31:42eu vou levar uma caixa, o cara comprou, e assim que
- 31:45chegou, eu peguei e botei em casa, achei maravilhosa.
- 31:48Depois já bebí em outras ocasiões,
- 31:49eu já não achei tão legal, e aquelas que nas
- 31:51geladeiras ficaram, que demorei pra bebê, vem
- 31:54aquele gostinho, que é o meu sensorial da cerveja
- 31:57sem alco, aquele gosto doce, aquele gosto de
- 31:59mosto, que a gente costuma falar, né. E
- 32:02isso acontece com todas elas, até com a Heineken,
- 32:05então o que fazer? Todos esses que eu bebo, eu acho
- 32:07que não tão fresco as nunca, bebê é da Campinas,
- 32:10aí pra da Campinas, na torneira, na cervejária
- 32:12Campina. Eu falei, cara, é outra
- 32:13cerveja. Sim, sim, sim. Cerveja
- 32:15sem alco, ela é refeita, um envelhecimento um pouco
- 32:18mais acelerado, isso vem sendo palco pra muita
- 32:21pesquisa. A cerveja sem alco ou com
- 32:23barato de orelhócoli, que ela vem, ela nunca foi tão
- 32:26pesquisada quanto ultimamente. E
- 32:27provavelmente em breve a gente vai ter essa
- 32:30resposta, o de do que, quais são as variáveis que
- 32:33fazem com que você tenha essa divergência, sem
- 32:35sorriar, o tão abrupta, mas eu concordo com você
- 32:39também. Eu queria fazer um último
- 32:41gancho que nem tem muito a ver, ou tem, não sei, com
- 32:43a pastorização, que você falou uma parada na tua
- 32:45primeira resposta aqui dessa pergunta, que fiquei na
- 32:48cabeça e eu não sei se eu já perguntei isso aqui no
- 32:50programa. Como a gente é curioso e gosta
- 32:51de fazer pergunta, eu vou fazer, né. Você
- 32:53falou que um dos grandes vilões é o oxigênio, né,
- 32:57que ela é muito refém do oxigênio. Produção
- 33:00de cerveja diferente, a altitude tem benefício do
- 33:03tipo, vou produzir em um lugar alto pra cacete, com
- 33:06ar raro efeito, não sei o que, muda isso? A
- 33:10ciência não fala nada sobre isso, sobre a altitude, é
- 33:13um negócio que eu já pesquei bastante, porque pro
- 33:16núcleo tem influência, pra isomerização. Tem
- 33:19influência porque você muda a temperatura de fervura do
- 33:22mosto, né. Então, pra variável isomerização de
- 33:24núcleo tem uma altíssima influência. Mas
- 33:27agora, pra níveis de incorporação de oxigênio,
- 33:30invase ainda não. Até porque todo invase vai
- 33:33incorporar oxigênio, ou seja, pouco ou muito. Ele
- 33:36vai ter uma diferença de pressão quando você alivia
- 33:39o bico de enchimento, enfim. Então,
- 33:41o que a gente faz é diminuir a injeção de
- 33:44oxigênio. E aí tem manobras industriais
- 33:47pra fazer isso, né. Perfeito.
- 33:49Obrigado aqui pra minha... parênteses,
- 33:51curva na pauta. Pato, foi longe agora. É,
- 33:54eu testei, me falaram que doer um rei da pareda, eu
- 33:57falei, é, já que é um rei, é, vamos lá, vamos
- 33:59testar. Toma, vai, surdo, tu. Então,
- 34:04então vamos lá, vamos continuar, vamos falar isso,
- 34:06desse negócio de flash pasteurização, que é, assim,
- 34:10muda o primeiro o que que é, e muda alguma coisa
- 34:13nessa questão sensorial entre a flash pasteurização
- 34:17e a pasteurização completa. Eu
- 34:19não consigo falar flash pasteurização, tá, tem que
- 34:22ser tudo em inglês. A gente tem dois tipos
- 34:26resumindo de pasteurização. Pasteurização
- 34:29em túnel, o que é a pasteurização em túnel? Um
- 34:33equipamento grandão, macuba grandona, entra em balagem,
- 34:37passa por um esguicho de água, um choverinho com
- 34:40diferentes temperaturas, até ela sair do outro lado.
- 34:43Esse é o pasteurizador túnel.
- 34:45Então, na pasteurização túnel, a
- 34:47pasteurização é feita na embalagem, seja ela lata,
- 34:50garrafa, barril, pete, enfim, na embalagem. Não,
- 34:55pera, nunca imaginei isso. O
- 34:56quê? Pra mim era assim, tem o
- 34:58panelão, vou esquentar, ferver meu panelão aqui, ó,
- 35:04pasteurize essa galerinha toda aqui, e aí invasei. E
- 35:07aí vai invasar. Esse é outro método. Tá.
- 35:09A pasteurização em túnel, ela... e
- 35:12não existe melhor ou pior, isso tem diferentes
- 35:16resultados para diferentes objetivos. Na
- 35:18pasteurização em túnel, você faz tudo em linha. Então,
- 35:21invasa a garrafa, a embalagem, enfim, ela passa
- 35:24pelo pasteurizador, dentro do pasteurizador você tem
- 35:27zonas de diferentes temperaturas. Então,
- 35:30tem a primeira zona que dá um choque télico com água
- 35:32a 70 graus, 60, enfim. Não é assim, a gente costuma
- 35:36fazer uma ranta, tá? Então, a primeira água é 35, a
- 35:40segunda, 50, a terceira, 60 e a última, 5 graus. Por
- 35:44exemplo, ou uma temperatura um pouco mais alta, né?
- 35:47Pra você criar um aumento de
- 35:50temperatura gradativa, se não se agride muito a
- 35:52cerveja, se tiver pouco redspace, pouco ar, né,
- 35:56oxigênio, ou um cascarbônico na embalagem, pode ser que
- 35:59ela sofre e com expansão do líquido, enfim, e
- 36:03histórico, né? E aí a cerveja, ela sai pelo
- 36:05outro lado e toma o seu caminho pra embalagem. Agora
- 36:08tem também o outro processo, que é a
- 36:10pasteurização flash. O que que é a pasteurização
- 36:13flash? Ela muda em relação à
- 36:16velocidade e em relação também à agilidade. Então,
- 36:21é mais rápido pasteurizar em flash, porém você não
- 36:24pasteuriza ao produto final, você não pasteuriza em
- 36:27embalagem, você pasteuriza o líquido. Tá,
- 36:29Domão, isso que que isso tem a ver? Não
- 36:30vai pasteurizar? Pois bem, você costuma
- 36:33pasteurizar o líquido, então como é que é o layout,
- 36:35né? O pasteurizador flash, ele é
- 36:37um equipamento que a cerveja entra, é um
- 36:39equipamento também grande, a cerveja ela entra, ela
- 36:42passa por trocadores de calor, frio e quente e vai
- 36:45pro que a gente chama de tanque pulmão, um tanque
- 36:47que vai acomodar aquela cerveja, pasteurizado. Você
- 36:51destinou essa cerveja pro invase, rapaziada, você tem
- 36:54que garantir que aquele invase tá completamente
- 36:57livre de contaminação. Você já pensou, você passou pela
- 37:02invasadora flash e contaminou ali, todo o
- 37:05pasteurizador, o processo de pasteurização foi
- 37:08completamente invalidado. Então,
- 37:10não tem melhor ou pior, tem processos diferentes.
- 37:13Indústriamente falando, o processo flash
- 37:15de pasteurização fica mais refém da parte
- 37:18microbiológica do invase, do post -pasteurização. Você
- 37:21tem que tomar um certo cuidado. Já
- 37:22na pasteurização em túnel, é um pouco mais
- 37:25confortável, né? Porque você consegue passar em
- 37:29linha, né? Então, essa é a gente que fez. A
- 37:31Ludi falou assim, mas na uma panelão e aí, quando
- 37:34ela falou cair uma ficha que se fosse um panelão,
- 37:37teríamos diferentes temperaturas até no próprio
- 37:39líquido, né? Os que estão mais nas bordas,
- 37:42né? Os que estão mais nas zonas
- 37:43de calor, seria um calor maior e os do meio, ali
- 37:45do centro, teria uma temperatura menor do que as
- 37:48da borda. E até pra controlar essas
- 37:50upéis e o assessorial, seria pior. Primeiro
- 37:53coisa que eu tinha pensado foi que quando a Ludi
- 37:55trouxe esse panelão, porque pra mim também era um
- 37:56panelão, tá? Aí, quando a Ludi falou, você
- 37:58falou, não, eu falei, caraca, será que é por
- 38:00isso? Agora que você falou do invase,
- 38:01realmente existe uma segunda chance de contaminação. E
- 38:04aí também me veio uma coisa que é essa flash que
- 38:08a gente está falando, é como se fossem serpentinas
- 38:10que o líquido passasse, porque também não pode
- 38:13criar essa bolsa de líquido, né, pra não dar
- 38:15essa diferença de temperatura. É
- 38:16como se fossem serpentinas. Isso,
- 38:18basicamente a cerveja é aquecida até 70, entre 70
- 38:22e 75 graus e tem que ser retirada ou permanecida ali
- 38:26por 20 segundos. Isso equivale a 21 pês. Então,
- 38:30você vê que o tempo é muito reduzido, né? É
- 38:33muito baixa. E a cerveja, ela entra, passa
- 38:36por serpentinas, é trocadores de calor, né?
- 38:39Trocador de placa, a gente chama, é
- 38:41um trocador, caseiro, geralmente tem isso, né?
- 38:44Mas são trocadores de placa,
- 38:46passa na fase quente, depois na fase fria e vai
- 38:49para um tanque específico pra isso, né? Então,
- 38:52basicamente esse é o formato, esse é o layout
- 38:54do equipamento, né? Perfeito.
- 38:56Aí me gerou aqui uma curiosidade, no Brasil, o
- 39:00único lugar no mundo que existe essa divisão de show
- 39:02-up cerveja, pra gente começar o papo assim. A
- 39:05gente tá acostumado a ouvir falar que o show -up é
- 39:07fresco e que a cerveja é pasteurizada. Pai
- 39:11me corrigindo se eu falar alguma besteira pelo amor
- 39:13de Deus, amém? Tá? Aí, vamos trazer pro
- 39:15universo das cervejas mainstream. O
- 39:19show -up brama, o show -up Heineken, eles são
- 39:22pasteurizados? Se a gente seguir o pé da
- 39:25letra, a instrução normativa, 05 de 2019, se
- 39:28é show -up, não. Não. Não. Mas
- 39:31aí a gente fica refendo o processo deles, né? Sim.
- 39:33Eu já ouvi falar que o da Heineken faz a tal da
- 39:36flash pasteurização, mas eu ouvi falar, sabe? Tipo,
- 39:40fofoquinhas. É que geralmente em ústeres
- 39:42grandes, até onde eu tô agora, a gente tem um
- 39:45processo de filtração que permite com que a gente
- 39:47pasteurize em um nível de o pé baixo, que é, beleza,
- 39:51a cerveja recentemente fermentou, passa pela
- 39:53maturação, tal. Da maturação vai pra
- 39:56centrifugação, que separa a levedura. Da
- 39:59centrifugação vai pro filtro de terra pra remover
- 40:03partículas pesadas. Depois, o filtro de terra vai,
- 40:07basicamente, pro microfiltro que a gente chama, né? Que
- 40:10é um filtro microbiológico. Um
- 40:12filtro de 0 ,45 micro, por exemplo. É
- 40:15um filtro muito pequeno, mas tão pequeno que retém
- 40:18a batéria. Retém a levedura. A
- 40:21levedura é muito maior. Se você tem essa condição, um
- 40:24microfiltro, um filtro polidor que a gente chama,
- 40:27você já manda uma cerveja com uma baixa quantidade de
- 40:30microorganismos pra frente. Então
- 40:32você pode muito bem reduzir o nível de pasteurização lá
- 40:35na frente. Então, em grandes grupos tem
- 40:38vários processos de filtração, inclusive esse
- 40:40polimento, essa microfiltração que remove
- 40:43levedura, remove bactérias, boa parte das bactérias,
- 40:47não todas, diminuindo. E em escala logaritmo é os
- 40:49micro -urbanismos, né? Então, quando isso acontece, você
- 40:52pode reduzir o nível de pasteurização, por exemplo.
- 40:55Perfeito, é sensacional.
- 41:06Bom, aí a gente vai pra última
- 41:09pergunta no nosso papo aqui que vai pra todo mundo. E
- 41:14é um papo que a gente já tá aprendendo do Anki.
- 41:16Normalmente a gente não faz tanta
- 41:17pergunta assim. Não é que pasteurização, é um
- 41:19assunto que tem muito P, gente. É
- 41:20muito P, muito UP, altas aventuras. É
- 41:24o novo filme da pasteurização. Vamos
- 41:27lá, vamos falar sobre novidade no processo de
- 41:29pasteurização, né? E como as tecnologias têm
- 41:32ajudado nesses processos, a gente tem falado tanto de
- 41:34inteligência artificial, tem inteligência artificial nisso
- 41:37também, então conta pra gente um pouco sobre isso.
- 41:41Legal, bom, sim, tem inteligência
- 41:43artificial. A gente vem observando um
- 41:45crescimento nessa inteligência artificial. E
- 41:48de um modo geral, quando a gente pensa em otimização
- 41:52no processo de pasteurização, ele vem sendo
- 41:54muito, muito, muito explorado, muito explorado
- 41:57mesmo pela ciência. A ciência ela vem estudando
- 42:01absurdamente a pasteurização, até conseguir chegar numa
- 42:06condição de pasteurização e agrida menos possível a
- 42:10cerveja, tá? Sensualmente falando. Então
- 42:13hoje em dia, muito, muito vem se falando em trabalhos
- 42:17com alta pressão. Então, submeter a cerveja, submeter
- 42:22a bebida a uma pressão muito elevada. Isso
- 42:24já é explorado desde os anos 90 na indústria de
- 42:27leite, fruta, carne. E basicamente é você colocar
- 42:31a cerveja em condições de alta pressão. Condições
- 42:34de 100 até 1000 MPa. É uma pressão muito alta,
- 42:39muito alta mesmo, né? Isso vai fazer com que a
- 42:42atividade dos microrganismos reduza muito, mas ainda
- 42:46assim, degrada um pouco o sensorial. E
- 42:49tem alguns tipos de bactéria que sobrevivem a
- 42:52pressão. Então, beleza, ela vem sendo
- 42:55explorada, mas para a cerveja ela não está
- 42:58totalmente difundida. Esse é o primeiro. O
- 43:00segundo é a pasteurização por campo elétrico pulsado,
- 43:04que a gente chama, né? Que basicamente é a cerveja
- 43:07laço metida a um campo elétrico, né? Que
- 43:10faz com que os microrganismos se inativem.
- 43:14Como se fosse um choque na
- 43:16bebida. Ok, o sensorial não é tão
- 43:19agredido assim, mas aí você tem uma variável que
- 43:22envolve custo, né? Então, campo elétrico, você tem em
- 43:26toda uma condição operacional e fabriu, um
- 43:29pouco mais delicada. E o terceiro, você pode fazer
- 43:33também, aquecimento úmico também, é um processo
- 43:36também bem mais caro, na verdade, quase inviável para
- 43:40ser explorado na indústria de pasteurização. Existe
- 43:43uma outra forma, iria para um quarto tipo de
- 43:46pasteurização, mas isso realmente é uma das que
- 43:49mais distorai o sensorial, que é ultrassom. Ultrassom,
- 43:52que basicamente são ondas sonoras de natureza física,
- 43:56que vão trabalhar de 20 a 100 kHz, de 20 a 100 kHz
- 44:01mais ou menos, que conseguem inativar o
- 44:03microorganismo. Só que o ultrassom tem uma
- 44:06desvantagem sensorial, uma desvantagem viscoquímica,
- 44:09tende a deixar a cerveja mais turva. Então,
- 44:13por isso que ainda a condição térmica, ela ainda
- 44:16vence essa batalha, né? As outras formas de
- 44:18pasteurização ainda não estão muito exploradas, mas
- 44:22tem e vem sendo exploradas, né? Não,
- 44:24faz sentido, né? Se você botar a cerveja para
- 44:27ficar ouvindo sepultura, sufocation, por, durante o
- 44:31tempo muito grande ela vai ficar mais pesada, ela vai
- 44:33ficar turva, né? Isso aí? Por,
- 44:35tu joga 100 mHz e não deve metal nas orelhas
- 44:38mesmo, durante muito tempo. Exatamente.
- 44:42Então, você falou desses processos aqui, o Douglas,
- 44:44nosso mecenas que está aqui acompanhando a gravação
- 44:47conosco, mandou uma perguntinha aqui.
- 44:50Ultravioleta, não funciona para a
- 44:52pasteurização? Bacana, a radiação ultravioleta, ela
- 44:55é muito boa para inativar micro -organismos. Ela
- 44:59é muito boa mesmo, tá? Ela,
- 45:00tanto que é utilizada na indústria de água, por
- 45:02exemplo, para diminuir a probabilidade de
- 45:05contaminação. Mas tem um problema, é a
- 45:07radiação ultravioleta, né? A radiação V. É
- 45:10uma radiação que vai destruir bactérias, pode até
- 45:13mesmo destruir leveduras, mas destrói também
- 45:16moléculas. Então, moléculas de aroma,
- 45:19moléculas de sabor, principalmente, a parte de
- 45:23lúpula, de lupulagem, é complicada, é complicada.
- 45:27Então, radiação ultravioleta, ela
- 45:29não é explorada, ela não é utilizada como uma variável
- 45:32de pasteurização, porque é uma radiação que você
- 45:35precisa ter um fluxo de cerveja muito lento e muito
- 45:38fino. A radiação ultravioleta, ela
- 45:41tem uma permeabilidade baixa. Então,
- 45:43se você tem um vidro, por exemplo, um tubo de vidro
- 45:46com uma lâmpada UV em cima, esse vidro vai
- 45:50incidir no vidro, pode ser que ele desvi por conta da
- 45:53sílica, enfim. Então, até chegar no líquido,
- 45:56demora, além de demorar, esse vidro tem que ser
- 45:59muito fino para a radiação pegar em todo o caminho da
- 46:02cerveja. Então, não é o caminho a ser
- 46:05seguido. Então, destrói leveduras, destrói
- 46:07bactérias, ok? Mas destrói também alfácio
- 46:10desomerizado, compostos fenolíquicos, então, não.
- 46:14Muito legal, cara. A
- 46:15pasteurização é bom, mas nem tanto. Ela
- 46:19é boa, mas vacila. É, isso vira a cabezinha, tem.
- 46:23É tipo que ele é legal, mas
- 46:24vacila, né? A pasteurização. É
- 46:26legal, mas vacila. Cara, muito legal ter essa aula
- 46:33aqui com você, que não vai acabar, né? Para
- 46:35quem é mecenas, não acaba esse papo. Porque
- 46:38quem for mecenas, vai receber a resposta dessa
- 46:41pergunta extra que vamos fazer. Você
- 46:44ficou curioso ou ficou curiosa? Entre
- 46:47para esse seletíssimo grupo dos mecenas por meio do
- 46:50site apoia .se. Não ficou curioso? Estão
- 46:55avergonhando a cara, rapá. Como
- 46:56é que tu não é curioso estar ouvindo esse programa?
- 46:58Isso provavelmente te é curioso?
- 46:59Fala sério, a gente vai
- 47:00perguntar mais de uma. Fica aqui a dica, a gente vai
- 47:04perguntar para o Doan. Como é que funciona e se é
- 47:07possível fazer o processo de pasteurização em cervejas
- 47:11caseiras? E se faz sentido para o
- 47:14cervejeiro caseiro fazer isso, já que ele não
- 47:16vende, mas ele manda para a tia, ele manda para o
- 47:18tio, que mora em Tapapoca do Norte. Então
- 47:21ele tem que mandar, ou lado em Tapapoca, ele tem
- 47:23que mandar lá para Shu 'ui. Ele
- 47:25tem que fazer esse negócio viajar. E
- 47:27aí, precisa ou não precisa? E
- 47:29o processo de pasteurização pode ser usado como uma
- 47:32técnica de correção de erros na cerveja. Ou
- 47:35seja, perguntas importantes, isso não é o que você só
- 47:37escuta, se você for mecenas. Enquanto
- 47:40isso, Doan, vamos nos despedindo por aqui da
- 47:43galera que não é Messenas. Muito
- 47:44obrigado, obrigado por essa aula, adorei. E
- 47:47já, já, a gente segue o papo. Isso
- 47:49aí, valeu galera, obrigado pelo convite, a gente se
- 47:52vê nos próximos aí, até mais. Muito
- 47:54obrigado, Doan, foi sensacional, didático,
- 47:57objetivo, ensinando para quem não entende nada,
- 48:01saindo aqui, conhecendo um pouco mais de pasteurização,
- 48:04gostando dela, porém não. Dividida,
- 48:07vivendo uma dicotomia. É isso aí, como é que é?
- 48:11Paradoxo isso, paradoxo, como diria
- 48:12o nosso querido, como é que é o nome dele,
- 48:14Leandro? Renan. Renan, pronto. Do
- 48:17choque de cultura. Encerrando
- 48:19o programa, agradecendo os nossos Messenas, que nos
- 48:22ajudam a manter a casa arrumada e muito conteúdo
- 48:24incrível toda semana. Barbara
- 48:26Suarez, Clayton Gonçalves, Guilherme Castro, Henrique
- 48:29Boaventura, Olim pelo Bato e Gleissão Silveira. É
- 48:33isso, meus amigos, e a gente fala sempre aqui toda
- 48:35gravação, que é o que, Leandro? Ah,
- 48:38até semana que vem. Até semana que vem. Beba
- 48:48menos, beba melhor, beba comoderação.