Latest / Surra de Lúpulo / Cerveja independente harmoniza com botecos? Papo entre Leandro Bulkool e Ludmyla Almeida | Surra #223
Transcript
- 0:09EpaCondriac apresenta Surra de Lúpulo Oi pessoal, bom
- 0:16dia, boa tarde, boa noite! Eu
- 0:19sou Ludmilla, mais conhecida no Instagram como é o
- 0:21IpaCondriac e no programa de hoje, meus amigos. E
- 0:25depois nós vamos falar de um assunto do cotidiano do
- 0:28brasileiro. Os botecos, os botequins, as
- 0:31botecagens, os bares, porque o Leandro vai falar mais
- 0:35na frente, vai citar o nosso querido amigo
- 0:37filósofo, o Preá, e ele fala que isso tudo é muito
- 0:40diferente, uma coisa da outra, não é? São
- 0:42coisas muito distintas. E a gente quer falar desse
- 0:44local que a gente se encontra para bater papo,
- 0:47para conhecer pessoas, para reconectar com outras,
- 0:50enfim. Antes de começar esse papo, a
- 0:56gente quer convidar você que ama e valoriza o
- 0:58trabalho que a gente realiza aqui no Surra para
- 1:01apoiar a gente através do site www .apoiapontosebarra
- 1:05.surra .lupulo. São várias faixas de apoio que
- 1:08começam a partir de 5 reais mensais e que
- 1:10oferecem várias contrapartidas. Venha
- 1:13sermos senas! Olá, Lud! Vamos
- 1:19sentar aqui a essa mesa para a gente trocar um
- 1:21papo, né? Eu sou o Leandro, mas hoje
- 1:24vocês podem me chamar do Desse Mais Uma. Quem
- 1:27isso? Essa frase, talvez mais dita em
- 1:29todos os botequins na história do mundo é Desse
- 1:32Mais Uma. Isso aí. E
- 1:34aí falando em Desse Mais Uma, a gente costuma beber
- 1:38algo enquanto a gente bate esse papo aqui, Lud. Quem
- 1:41que você vai beber aí? Bom,
- 1:42você tá todo mundo já sabendo que eu tô nesse
- 1:44meu período sabaxi com cervejeiro de auto
- 1:48conhecimento, controle, detox, etc. Então,
- 1:51eu tô aqui degustando uma belíssima água na minha
- 1:55garrafinha de corrida que é só apertar aí. Joga
- 2:01pra guela. Exato. E você, Desse Mais Uma
- 2:06dessa torre de xope. Tá bebendo o quê? Caraca!
- 2:10Cara, eu, se você está me ouvindo bem agora, você
- 2:14está percebendo que eu estou anazalado, com uma
- 2:16voz um pouco diferente, sem ser aquele freixo, aquele
- 2:21porchar que você já conhecia. Eu
- 2:23estou outro bicho, outro animal. Então
- 2:24eu vou na água também, amiga, porque peguei uma
- 2:27sunosite pesada aí e preciso me liberar disso. E
- 2:30a água, embora não tenha álcool, ela limpa, então
- 2:33preciso limpar. Exato. Se você gosta do nosso
- 2:46conteúdo e ainda se identifica com a gente,
- 2:49apoia o surra de looplo por meio do site apoia .se
- 2:53-surra -luplo ou comprando uma camiseta na nossa loja
- 2:58.surradilúpulo .com .br. Mecenas
- 3:02ganha conteúdo exclusivo toda semana, participa do
- 3:05nosso grupo de WhatsApp e sorteios de brindes
- 3:08insanosos. Ah, mas a grana está curta ou
- 3:12você ainda não ama tanto a gente assim? O
- 3:15outro jeito de ajudar é seguindo a gente na sua
- 3:17plataforma de streaming preferida e dando 5
- 3:20estrelinhas no Spotify e no Apple Podcast. Lembre
- 3:23-se de compartilhar esse programa com seus amigos,
- 3:25isso ajuda muito na distribuição dos episódios.
- 3:41Maluud, antes de a gente começar a
- 3:44conversar sobre o tema, é importante trazer uma
- 3:46definição do nosso objeto de estudo, vamos chamar
- 3:49assim do nosso palco, desse lugar que nós vamos
- 3:52explorar, né? E para começar, o que é o
- 3:56Boutiquin? Primeiro a palavra Boutiquin vem da
- 3:59união de duas nações, da palavra portuguesa, Boutica
- 4:04com a palavra espanhola, Bodega. Adoro
- 4:07o Bodega, inclusive é uma palavra que eu gosto muito.
- 4:10Essas duas palavras vieram da
- 4:12mesma origem grega que era Apothec, que significa algo
- 4:16como um depósito que o nosso querido, Sérgio Barra,
- 4:19gosta muito de falado, secos e molhados e tudo
- 4:22mais. Tradicionalmente as Bouticas ou Bodegas eram
- 4:26mercados, assim as pessoas passavam nas feiras, faziam
- 4:29suas compras, tinham que complementar algo, passavam
- 4:32lá e faziam, completavam a compra da semana, algo
- 4:36assim. Até o momento que os
- 4:38proprietários começaram a servir petiscos e bebidas
- 4:41para quem passasse por ali. Dessa
- 4:43forma de um lugar de passagem virou um canto de
- 4:47pouso, onde as pessoas poderiam ficar um pouco
- 4:50mais e conversar. No Brasil, o primeiro
- 4:54Boutiquinha aconteceu em Minas Gerais, na cidade de
- 4:57Andrelândia. O bar do Dito Nable, eu acho
- 5:00que é assim que se pronuncia, o Dito Nable,
- 5:03não sei, talvez seja Dito Nable, foi fundado em 1882
- 5:07a 142 anos. Mas a moda pegou mesmo, foi no
- 5:11Rio de Janeiro, ali nos barros da Saúde, Santo
- 5:14Cristo e Urca. Até indiga que o Bar Urca foi
- 5:18o primeiro do Rio. Sabe o Bar Urca que virou a
- 5:21Moreta da Urca, que virou aquele bar com pastel
- 5:24caríssimo, com casquinha de sericaíssima. Então
- 5:28pode ter sido ele, eu não encontrei documentos, mas
- 5:31pode ter sido ele o primeiro Boutiquinha do Rio
- 5:34de Janeiro. Esse estabelecimento, o Boutiquim,
- 5:37aqui no Brasil é tão forte que faz parte da nossa
- 5:40cultura, talvez na mesma forma que os cafés
- 5:43pertençam à cultura francesa e os pubs à cultura
- 5:46inglesa. Para nós, os brasileiros, para a
- 5:49escola brasileira de cerveja, nós estamos falando
- 5:51dos Boutiquins. Nós já tratamos desse tema
- 5:54algumas vezes. Para mim, a mais marcante foi
- 5:57quando o Preá participou no Surra de Lupus 166, o
- 6:01Boteco do Surra com o Preá, onde ele consegue
- 6:04definir o Boutiquim de uma maneira muito clara e
- 6:07romântica, até, né, lugar onde tantos iguais se
- 6:10reúnem. E aí você tem que ouvir para
- 6:13ver como ele destrincha isso de um jeito tão
- 6:15legal. Mas e aí, Lúdio? Para
- 6:18você, o que é o Boutiquim quando deixa de ser? Bom,
- 6:22primeiro eu vou trabalhar na situação do que é o
- 6:24Boutiquim para mim. E eu acho que isso deve ter
- 6:28se a gente tem, sei lá, 220 milhões de brasileiros,
- 6:31vamos tirar criança, sei lá, 220 milhões, tem 220
- 6:34milhões de pessoas que pensam de maneira distinta
- 6:36sobre o que é o Boutiquim, né? Bem
- 6:38provável. Então, assim, para mim, Boutiquim
- 6:41é magia, coisas incríveis acontecem no Boutiquim. Acho
- 6:44que o Boutiquim é tipo uma igreja, uma senagoga, uma
- 6:47misquita, lugar de respeito, onde as pessoas vão se
- 6:49conectar com as suas entidades superiores, nem
- 6:53que essa entidade superior seja o seu, eu, meio
- 6:56bêbado ou meio bêbada. Eu tive ótimas ideias em
- 6:59Boutiquim e muitas vezes desejei que houvesse uma
- 7:02gravação daquelas tardes héreas, onde conversava com
- 7:05os amigos sobre os planos mais ousados, com a leveza
- 7:08irresponsável de quem está se despindo de todas as
- 7:11amarras e filtros sociais. Não
- 7:13estou fazendo da minha definição ao Boutiquim uma
- 7:16ódio e a bebedeira, mas na verdade é uma declaração de
- 7:19amor à reunião de amigos, amores que estão ali e
- 7:23zero preocupados se o aroma e o sabor da cerveja estão
- 7:27no lugar correto do estilo. Mas
- 7:29que querem contar a melhor história da semana, que
- 7:32querem ouvir um sucesso, uma tristeza, pra saber.
- 7:35Boutiquim é lugar de guardar troféus,
- 7:37quem nunca pediu ingradar do vazio e foi se
- 7:40vongloriando, que ele foi sendo preenchido com as
- 7:42garrafas, cada uma que tinha sido bebida. Boutiquim
- 7:47pode ser transformado na copa da casa da sua tia,
- 7:50quando você se senta à mesa e joga cartas ou
- 7:52domino com seus amigos, por exemplo. Boutiquim
- 7:55é lugar de competição, quando você compra as
- 7:57fichas pra jogar na sinuquinha matamata de bolas
- 7:59azuis e vermelhas. Boutiquim é lugar de silêncio também,
- 8:03quando você só quer sentar no balcão e encarar apenas
- 8:06o cara que está do outro lado pra pedir sua cerveja.
- 8:08Então assim, pra mim, um
- 8:10Boutiquim cabe a vida inteira. Isso
- 8:13pra mim é um Boutiquim. Que
- 8:14caraca, que lindo, cara. Nude,
- 8:17muito lindo Boutiquim pra você, cara. Que
- 8:19visão. Eu vou te falar que uma
- 8:21dessas 220 milhões de visões é uma das mais
- 8:23bonitas. E já aqui, consultei o
- 8:26Instituto Data MeuCoo e ele apontou como top 10 de
- 8:30pessoas mais bonitas. É, acho que o Boutiquim é
- 8:33isso. Boutiquim é uma magia bizarra, assim.
- 8:35Tem, tem, de vez em quando eu
- 8:36topo nos vídeos no Instagram, no TikTok. Você
- 8:39vê a galera muito doida. Gente,
- 8:41que você fala assim, cara, essa pessoa não levanta da
- 8:43cadeira dançando no pacinho. Eu
- 8:45falei, gente. Boutiquim é uma coisa maravilhosa. Aí
- 8:49você me traz aqui pra gente falar, então eu falei
- 8:53pra você o que é a minha definição de Boutiquim. Você
- 8:55quer compartilhar qual é a sua definição de Boutiquim?
- 8:58A minha, com o maior prazer,
- 9:01a minha definição de Boutiquim, ela começa com
- 9:05esse lugar democrático, aonde você, assim, atrai
- 9:08qualquer pessoa com predisposição pra encostar
- 9:11ali e trocar uma ideia. Ou não, ou não trocar uma
- 9:14ideia. Ou ficar só passando como você
- 9:16disse sozinho ali, encarando somente o barmenha ali, o
- 9:20que tá servindo a cerveja ali atrás, o gaçom. E
- 9:24que é, ocorre ali uma leitoriedade, porque você
- 9:27pode chegar sozinho e sair com seu melhor amigo. Sai
- 9:30com amor da sua vida, porque basta tá passando
- 9:32uma notícia, um jogo de futebol, ou alguém passar
- 9:35por ali e te apresentar pra alguém, e isso tudo
- 9:38vai desencadeando algo que você não planejou. Então
- 9:42Boutiquim ele dispara pra mim um evento aonde você
- 9:46não tem ideia do que vai acontecer depois. Você
- 9:49pode até ter expectativas, mas de fato você não tem
- 9:52ideia. E o que eu acho mais legal
- 9:54é que ele até pode ser um Boutiquim limpo, mas ele
- 9:58não é obrigatório ser limpo. Ele
- 10:01pode ser uma portinha, como no programa Comprear eu
- 10:04citei, o Barre Bolsa, como existem tantas aqui no Rio
- 10:08de Janeiro, como existem tantas no Brasil afora, lá
- 10:11em Minas, no Bajo Santa Teresa, tem também vários
- 10:13Boutiquins que são portinhas. Praticamente
- 10:16era um depósito que começou a vender e botou a mesa
- 10:18do lado de fora. Porque estar do lado de fora pra
- 10:21mim é uma característica muito real do Boutiquim,
- 10:24principalmente aqui, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Eu
- 10:28não sei como é em outros estados, mas estar fora da
- 10:32loja é um outro charme. Você
- 10:36tá respirando a rua, tá ocupando a rua, às vezes
- 10:40sendo interrompido por quem tá passando. E
- 10:43essa interrupção pode ser um novo ponto de contato
- 10:45que vai criar uma história. História
- 10:47que pode ser engraçada, história que pode ser
- 10:49larcante, mas é algo que tá acontecendo como eu
- 10:52falei lá no começo. Sem planejamento. Então
- 10:55pra mim o Boutiquim tem muito desse lance de vamos
- 10:58dar só um pulinho ali e trocar uma ideia, às vezes
- 11:01sem compromisso, é que saem as grandes ideias geniais,
- 11:03como você falou. Pulsar sem compromisso, pulsar sem
- 11:06defesa, a saem as grandes ideias geniais. Vamos
- 11:09só dar um pulinho ali e dar uma relaxada e aí você
- 11:12que termina cantando sai coquilé, ou tem mais
- 11:18brasileiro impossível, evidências. Sai
- 11:21cantando evidências. Isso pra mim é o Boutiquim, é
- 11:25esse espaço democrático. É, eu acho que as pessoas
- 11:28falam que não é possível viajar no tempo. Quem
- 11:31fala isso é porque nunca foi pro Rap Yall à quinta
- 11:33-feira, saiu do escritório 7 horas da noite, 9h30 fala
- 11:37cara, vamos tomar só mais essa. Se
- 11:40olha no relógio, são 2h e pouca da manhã você teve
- 11:43um coeditor da sua vida, chegou ali e fez um corte
- 11:46entre 10 e 45 e 2h30 da manhã você falou, o que
- 11:50que aconteceu, ainda estou aqui? O
- 11:53problema dessas ideias geniais é que elas
- 11:55acontecem nessa lacuna de tempo, como não tá gravado,
- 11:58nem lembra um dia seguinte pra contar, né? Cara,
- 12:01e eu vou te falar que eu fui muito vítima desses
- 12:03saltos temporais, porque teve um período na minha
- 12:05vida que eu trabalhei numa agência, que era muito
- 12:07perto de um Boutiquim, e aí a gente saia assim,
- 12:10vamos tomar só uma. Aí tinha até um termo que a
- 12:13gente usava muito lá, a responsável, aquela ceia, a
- 12:15gente vai tomar uma e vai embora. A
- 12:17responsável e a responsabilidade aí, embora
- 12:19rapidinho, salto temporal depois. Total.
- 12:23A gente tava lá. Então olha só, se o Boutiquim é
- 12:27tudo isso que a gente falou, vamos pro lado
- 12:29pessoal agora, como é que você vive o Boutiquim
- 12:34dentro dessa visão romântica? Então
- 12:36hoje eu não vivo mais o Boutiquim, sendo muito
- 12:38sincera, eu não vivo mais o Boutiquim desse jeito. Eu
- 12:40acho que houve uma lacuna temporal de apreciação do
- 12:45Boutiquim, no sentido de aproveitar esse Boutiquim,
- 12:48sabe? Não tenho mais idade, não tenho
- 12:50mais saúde. Pra aproveitar a Disneyland, é
- 12:54que o Boutiquim significa na minha vida. Então
- 12:57eu preciso evitar. Mas assim, eu não aproveito o
- 13:00Boutiquim, porque pra mim o Boutiquim é essa reunião
- 13:02desse monte de coisas que eu falei, sabe? Você
- 13:05citou o Sérgio e a gente também falou disso, o
- 13:08Sérgio Barra, nosso amigo historiador. E
- 13:10a gente também falou sobre isso com o pessoal do
- 13:12Comer História, quando a gente falou de bebidas
- 13:14ancestrais. Que a bebida tá muito conectada
- 13:16com o etério, né? O ritual, o etério. É,
- 13:20por isso que eu falei, cara, que o Boutiquim é
- 13:22uma igreja, uma esquita, uma senagoga. É
- 13:24um lugar de congregação. É um lugar que tá todo mundo
- 13:27um pouco desprotegido, entendeu? Então
- 13:29assim, hoje eu não sou praticante da botecagem
- 13:32sinceramente. Assim, a botecagem que eu
- 13:34acredito? Eu não sou. Hoje
- 13:36eu sou café com leite, já, tô mais velha, agora eu tô
- 13:38ficando só olhando de longe. De
- 13:40vez em quando eu vou no Boutiquim, tá muito jovem,
- 13:42eu me ato o pé rapidinho. E
- 13:45você, Leandro, você é um jovem que... Você
- 13:47é um senhor que não quer abandonar essa juventude aí,
- 13:51entendeu? Como é que você pratica a sua
- 13:53botecagem? Eu acho que mudou com o
- 13:56tempo. Primeiro que antigamente eu praticava
- 13:58em pé. A minha botecagem era em pé.
- 14:00Eu detestava sentar a mesa de
- 14:03um botequinho. Eu precisava estar em pé
- 14:05transitando, então saía de uma mesa e ia pra outra.
- 14:08Era o bêbado que ficava
- 14:09circulando pelo boteco. Não sei o que. Detestava.
- 14:12Hoje em dia precisa ter cadeira porque eu não tenho
- 14:14lombar. Então eu preciso ter uma cadeira,
- 14:17preciso sentar. Isso muda, né? Muda
- 14:19muito. Porque esse lado da leitoriedade
- 14:22caiu pra mim. Porque quando você tá numa mesa,
- 14:24você já fechou um círculo ali de contato. Então
- 14:27hoje em dia como eu vivo o botequinho, normalmente
- 14:30acompanhado de amigos. E é marcado. Então
- 14:33toda a espontaneidade do vamos ali, vamos dar um
- 14:36pulo, vamos ver o que que rola, vamos tomar só uma
- 14:38responsável, salto temporal, isso não existe mais. Pra
- 14:43mim. E falo com tristeza porque
- 14:45tinha um sabor muito bom essa brincadeira. Só
- 14:49que hoje vira mesmo essa coisa do ponto. Então
- 14:51vamos tomar o show, vamos Lud. Pô,
- 14:54quando? Ah, lá na sexta -feira a gente
- 14:55vai tomar o show, pino o seu que tal. Já
- 14:58agendamos, já sabemos o lugar. E
- 15:00a gente, nós dois já fomos alguns botequins juntos. Mas
- 15:03não com essa vibe tão aberta, né? Então
- 15:07deixa rolar. A gente foi parada de cópia,
- 15:10algo que a gente frequenta, né? Existem
- 15:12essa atividade, mas ela mudou. Ela
- 15:14ficou mais contida. Hoje eu vivo assim, antes não.
- 15:18Então antes eu chegava com um
- 15:19grupo de amigos, ia fazendo amigo do amigo, amigo do
- 15:21amigo, amigo do amigo. Pegamos
- 15:23cerveja erina em todo mundo em pé, fazendo a troca de
- 15:26cerveja todo mundo em pé. Tem,
- 15:28mas olha só que engraçado, a sua botecagem prévia é
- 15:32completamente diferente da minha botecagem prévia. Eu
- 15:35não sou avesa, eu nunca fui avesa a me sentar.
- 15:40Nunca fui. Então
- 15:41eu lidava bem com o fato de me sentar. Nunca
- 15:44fui avesa a ter uma mesa e que a gente... Mas
- 15:47também a mesa nunca tava fechada, por exemplo. Se
- 15:49é uma mesa, vamos jogar um buraquinho? Pô,
- 15:51tá faltando um pra completar. Chega
- 15:52aqui, senta aqui na mesa um completar. Entendeu?
- 15:55Vamos fazer um campeonato e quem perder, a duplaça
- 15:57entra a outra. Então não era pra mim um ponto
- 16:00de contato de fechamento estar sentado à mesa,
- 16:03entendeu? Entendi. E também, gente, vamos
- 16:04entender que o botequim na zona sul do Rio de
- 16:08Janeiro, o botequim na zona norte do Rio de Janeiro, o
- 16:10botequina abaixado do Fluminense do Rio de
- 16:11Janeiro, é muito diferente. Assim
- 16:13como deve ser muito diferente. O
- 16:15botequim em São Paulo capital, na abaixada
- 16:17Santista, em BH, ou em outra cidade menor, ou em
- 16:21outro lugar do Brasil, são completamente diferentes. Em
- 16:23Caxi, inclusive, a gente tinha o conceito da
- 16:25barraca, que é um conceito que eu adoro. Qual
- 16:27que é o conceito da barraca? Pô,
- 16:28a barraca. Eu acho que você já falou
- 16:30isso. A barraca, ela era um bar
- 16:32que tava, por exemplo, a pessoa... Geralmente
- 16:35isso acontecia muito em Belforroxo, né, na casa da
- 16:38família da minha madrasta. O
- 16:40cara tinha um terreno, ele construiu uma casinha
- 16:42embaixo, só que aí era uma garagem, e ele fechou, a
- 16:44garagem deixou, fez um balcão, e aí em cima ele
- 16:47fez o sobrado. Então ele morava em cima, e aí
- 16:49o barzinho dele era embaixo. Não
- 16:51tinha mesa. Era todo mundo em pé, barriga
- 16:54no balcão. Que ele monte de freezer
- 16:56deitado, as cervejas tudo em contato com a tampinha,
- 16:59coisa maravilhosa. Aquelas cervejas geladas que saíram
- 17:03do cu da foca. E você chegava lá, você
- 17:06comprava. A cerveja, o refugerante, tudo
- 17:09casco retornável, né? E aí tinha também, isso é
- 17:13muito na década de oitinha, então a revestinha que você
- 17:16ia comprando, a revestinha era de graça, era uma
- 17:18revestinha pequena assim. Aí você ia comprando as coisas
- 17:21lá e ele ia te dando umas figurinhas que não era
- 17:23autocolante, você tinha que usar cola. E
- 17:26aí você podia ganhar um kit de panela, você podia
- 17:28ganhar um kit de faca, um negócio assim. E
- 17:32aí tinha pequenas coisas, como se fosse essa coisa
- 17:34da Bodega que você falou, tinha sei lá, um orégano,
- 17:37tinha um louro pra botar no feijão, uma congênero de
- 17:41primeira necessidade assim. Era
- 17:43aquela conveniência, só que nessa conveniência bonitinha,
- 17:46arrumadinha não, um saco de feijão, o tio João custava
- 17:48um dinheiraço, mas aqui acabou, você precisava
- 17:50daquilo, um álcool, sabe? Então
- 17:52tipo, a barraque era aquilo, você ia lá, os
- 17:56bebos do bairro da rua, encostava a barriga lá e
- 17:58tomava tudo, pinga cerveja, lá, lá, lá. E
- 18:02as crianças eram visitantes, assíduas pra comprar balas,
- 18:05chiclete, outras guloseimas, e levar a cerveja para os
- 18:09pais, porque antigamente você podia ir comprar
- 18:10cerveja pro seu pai, pra sua mãe. Exato.
- 18:13Cigarro, cigarro também, vendia muito. Exato.
- 18:15E de boas, entendeu? Então o conceito da barraca era
- 18:19esse lugar que você ia pegar a cerveja pra mim
- 18:21enquanto criança, eu não frequentei barracas enquanto
- 18:23bebedora na vida do... Era quase uma distribuidora ali,
- 18:27local. É, é, mas menor, bem menor,
- 18:29bem menor, bem menor. E aí, tipo, foi engraçado, eu
- 18:32tive em Londres com meus irmãos ano passado e a
- 18:34gente elegeu uma loja de conveniência de indianos na
- 18:38esquina do nosso hotel. E eu falei, eu vou lá na
- 18:40barraca buscar a cerveja. Aí
- 18:42a cerveja que tinha na barraca, London Pride, pra
- 18:45o dog. Ué, mas é, é a cerveja de
- 18:48Londres, né, meus amigos? É,
- 18:50logo, né? Entendeu? Mas a gente falou que,
- 18:53porra, era a barraca do indiano. Muito
- 18:58bom. E pra você, qual é o papel
- 19:01da cerveja nos botiquins, assim? Vamos
- 19:03chegar na cerveja, tanto a London Pride quanto a
- 19:06Brama, quanto a Litraço lá. Litraço
- 19:09de quatro. Então, eu acho que a gente vai
- 19:11falar de cerveja porque a gente gosta de cerveja, mas
- 19:14eu acho que o botiquin ele é o lugar da bebida, né,
- 19:16cara? E às vezes a bebida mais
- 19:17barata do botiquin não é a cerveja. Não,
- 19:20muitas vezes é a cachaça. Pode
- 19:22ser a dose da pinga, pode ser a dose de uma outra
- 19:25bebida mais forte até que, enfim, né, alcance mais
- 19:29rapidamente as pessoas, porque às vezes as pessoas
- 19:31no botiquin têm pressa. Não é pressa de sair do
- 19:34botiquin, mas é pressa de alcançar sua entidade
- 19:37superior. Ficado então. Não,
- 19:39porra. Ficado então. Tô
- 19:42aqui cheio da metáfora e tu chega e me deixa,
- 19:44ficado não. Porra. Então, assim, eu acho que
- 19:51o papel da cerveja ele é um complemento, a gente
- 19:55mora num país muito quente, etc. Mas
- 19:57eu acho que a cerveja no final, no botiquin, para a
- 20:01grande população, né. Não é pro jovem que vai lá
- 20:04tomar responsável, mas assim, eu acho que pra
- 20:07grande população a cerveja é mais uma das bebidas,
- 20:10acho que muita gente chega pra tomar coisa mais punk,
- 20:12assim. E às vezes pra fazer uma
- 20:13refeição, né. O botiquin costuma ter
- 20:14refeições com custo -benefício... Acessíveis,
- 20:18né. Exato. E geralmente aquela
- 20:20comidinha que fica lendo a estufa, né, que você dá
- 20:22aquela olhada ali, uma carne assada, um ovo rosa.
- 20:27Então, eu acho, eu percebo que
- 20:30concordo com você em relação às bebidas em
- 20:33gerais, mas olhando pro Rio de Janeiro, pra minas
- 20:36gerais, que são os lugares que eu mais conheço e
- 20:39talvez se estenda muito para o Brasil, a cerveja
- 20:42pra mim, ela é diferente da cachaça. A
- 20:45cachaça tem esse lance de ser um custo baixo e
- 20:48rápido pra chegar à entidade superior, a subir
- 20:51no astral. A cerveja pra mim, ela é
- 20:54muito associada à conversa, ela dita o ritmo da
- 20:58conversa, ela mostra que um papo ainda pode render
- 21:01muito mais quando alguém grita décimo mais uma,
- 21:04sabe. Quando alguém pede um décimo mais
- 21:06uma, significa que aquele papo ali tá longe de
- 21:08acabar, meu amigo. Mesmo quando alguém pede a
- 21:10saideira, tá pedindo só a primeira saideira, porque a
- 21:12gente tem a primeira saideira, a segunda
- 21:13saideira, a terceira saideira. E
- 21:15aí vai. Então, a cerveja, ela é muito...
- 21:18Eu vejo ela menos associada a
- 21:20esse objetivo da camada superior, né, da ascensão
- 21:24espiritual e mais associada à companhia, à conversa.
- 21:28Tanto que eu observo aqui no Rio
- 21:31e aí eu acho que esse seu diferencial é muito grande,
- 21:34é muito legal de você falar dos botequins da zona
- 21:36sul, zona norte, baixada, tal. Os
- 21:38botequins da zona sul, aquela figura, aquela
- 21:41entidade clássica do botequim, que é o
- 21:43aposentado, que chega lá logo de manhã e fica o
- 21:46dia todo, né. Os que eu observei com o
- 21:49tempo, normalmente eles estão com o ISC. Ah,
- 21:52é o ISC, bom, não, gente, é o professor, né. Não
- 21:57é um ISC de altíssima qualidade, mas ele tem ali
- 22:00um outro produto que ele tá consumindo, que vai
- 22:03ficar na mão dele durante muito tempo e ele vai se
- 22:05arrastar ali. Ele chegou no botequim às 10
- 22:08da manhã, rapá, e ele não tem hora pra sair. Essa
- 22:11entidade tá, né, é também uma entidade muito
- 22:13solitária, né. Quando vai o grupo, o grupo já
- 22:16acompanhado pela cerveja. Tanto
- 22:18que eu acho que a cerveja tem muito esse papel de
- 22:20acompanhar a conversa, a sociabilização. A
- 22:24gente tá aqui trocando ideia, tamo juntos indo pra
- 22:26esse plano astral mais elevado, e juntos a gente
- 22:29vai aqui bater nesse papo. É,
- 22:32pode ser, óbvio que pode ser. É
- 22:34que botequim é caos, né, ao mesmo tempo. É,
- 22:37total. Botequim é caos, assim, essa coisa
- 22:40do tipo, se a gente tá, como você falou que você
- 22:42gostava de porra ficar, borboleteando pelo saguão,
- 22:46se houvesse, ou pela calçada, no caso que você
- 22:49fala dos botequins da rua, cara, tomar conta dessa
- 22:53conta, meus amigos, não é mole não. A
- 22:58conta também é outra entidade de botequim, né.
- 23:00Como é que controlava a conta?
- 23:02Ah, pai, só Deus. Eu
- 23:03tinha um truque. Assim, eu tive na época que eu
- 23:05trabalhei em Botafogo quase 10 anos, tinha um bar que
- 23:08eu gostava muito, o botequim que eu gostava
- 23:09muito ali no Maittá, chamado Palim, ele existe
- 23:12ainda. Eu gostava tanto do Palinha,
- 23:15que eu dei o nome de um travesseiro meu, era o
- 23:16Palinha. É. Onde vamo? Era
- 23:19assim, eu queria estar do lado do Palinho o tempo
- 23:21inteiro, só que era um botequim que ficava de
- 23:24baixo de um prédio, então ele tinha um ar pra
- 23:26fechar, graças a Deus. Porque
- 23:28senão era assim, quinta -feira, doar da manhã. Então
- 23:32assim, sei lá, meia -noite o cara tava assim, gente,
- 23:34acabou, acabou, acabou, é quanto chegava na mesa e
- 23:36peteia saldações. Então acho que às vezes isso,
- 23:39engradado do teu lado, é um marcador. Isso,
- 23:41isso. O que eu fazia quando eu não
- 23:43podia ter engradado do lado? Porque
- 23:45o engradado do lado também virou objeto de orgulho,
- 23:47né? Foi o que falei, troféu. A
- 23:49galera vai empilhando as garrafas, vira aquele
- 23:51troféu, né? O que eu fazia é, sabe
- 23:54aquele label, aquele adesivim que fica no
- 23:57pescoço? Eu tirava e colava na mesa.
- 24:00Pra cada garrafa que a gente
- 24:01consumia, eu tirava e colava na mesa. Tirava
- 24:03e colava na mesa. E aí terminava a mesa,
- 24:06terminava a conta, eu contava quantos pescocinhos
- 24:08a gente tinha secado. E aí, no final, eu ainda
- 24:11falava, pô, foi tanto, deu tanto, fechou, tá certo. Eu
- 24:15fazia isso. Esse era meu truque, mas não
- 24:17era a conta de vida, não. Era
- 24:18a conta da mesa. Não, sem dúvida. Ah,
- 24:21não sei, aquele amigo que chegou lá, assentou, ficou
- 24:23a noite inteira e tomou um rago, esse coitado. Não,
- 24:25esse cara era ser poupado. Esse
- 24:27cara, a gente falava, coitado dele, pô. Não
- 24:29tá fazendo parte da brincadeira. É,
- 24:31por exemplo. Mas é engraçado, existem outros
- 24:33formatos assim, acho que... Eu
- 24:35gosto de bares que se anteciepam a isso. Que
- 24:38não fazem com que você tenha que pensar nisso.
- 24:41Aham. Entendeu? Então,
- 24:42por exemplo. Eu sempre acho que o engraçado
- 24:44é o ideal. Engradado é o ideal, tá ali, pô,
- 24:46ninguém. Não tem discussão. É,
- 24:48ninguém vai enfiar uma garrafa dando isso em
- 24:49engraçado, com todo respeito, tá? Mas
- 24:51eu também, eu fui num bar em Campinas bem tradicional,
- 24:55quando eu tive em Campinas esse ano. E
- 24:57eu tava acostumada já a ver, a galera botar
- 24:59bolacha. Escutando, choppes, cada vez que traz,
- 25:02traz tanto de bolacha e tal. Já
- 25:04vi da problema com isso também. Manero.
- 25:06Mas esse bar em Campinas, ele fez um negócio
- 25:09revolucionário. Não é bolacha. Não
- 25:11é papelzinho na mesa pra notar a quantidade de
- 25:13chopp, que no caso lá era chopp. Que
- 25:15também tem que dar problema essa parada. Tem
- 25:18chances de dar problema, problema. Aham.
- 25:20O que que eles faziam? Cada
- 25:21chopp que ele trazia era um pirex. Um
- 25:24pires, um pires? Pires de café? Aham.
- 25:27Por quê? Porque os caras são muito
- 25:28malandros. Pires horrorosos, trincados,
- 25:31caralho a quatro. Cara, não tem como alguém pegar
- 25:33um pires e jogar embaixo da mesa e falar isso. Né,
- 25:35meu chopp? O Rafa faz um barulho, quebra
- 25:37os cassetes, né? Aham. Então você já tá, resolveu
- 25:40o problema daquela bolacha que o desavisado fala. Pô,
- 25:42vou jogar quatro bolachinhas no banheiro, exato.
- 25:45Entendeu? Então assim, eu achei isso
- 25:47a gás. E é um troféu. Porque
- 25:50tu passa numa mesa que tem, sei lá, 15 pires
- 25:53levantando. Olha só, tem três caras que que
- 25:55isso, violência. Entendeu? É uma outra forma de
- 25:59troféu, porque eu acho que tem isso, né? A
- 26:01gente acaba às vezes, a gente confunde a quantidade,
- 26:04com a qualidade. Às vezes até hoje é uma briga
- 26:06que a gente tem na artesanal. Sim,
- 26:08sim. Que é um pouco isso, né? Se
- 26:09eu não bebi muito, eu não bebi. E
- 26:11aí tem o troféu. A gente tá falando de
- 26:13engraada, a gente tá falando de pires em cima
- 26:15da mesa, bolacha. Entendeu? É como se não tivesse
- 26:18história pra contar. Se tem pouco pires, ou tem
- 26:20história pra contar? Exato, também. Tem
- 26:22pouca garrafa, pouco pires, pouca bolacha. Exato,
- 26:25exato. Então, a gente tá falando de
- 26:36cerveja, a gente tá falando de conta. E
- 26:38aí eu vi um ponto que me faz pensar bastante, que
- 26:41foi o que me fez pensar, começar a pensar nessa
- 26:43pauta, é um pouco isso. Que
- 26:45existe lugares que a cerveja é protagonista, né?
- 26:48Que você vai pela cerveja. Ela
- 26:51é o principal daquele palco, ela é a atriz
- 26:55principal daquele palco. Nesses
- 26:57lugares ainda cabe uma botecagem, como a gente tá
- 27:00falando. Você consegue imaginar? Bom,
- 27:03quando você trouxe essa pauta, você me perguntou,
- 27:05eu falei, se eu fosse prestar um lugar na qual a
- 27:08cerveja é a principal, né? A
- 27:11menina dos olhos. E aqui no Rio, eu pensaria
- 27:16na Ocos Pocos por uma característica muito jovial.
- 27:21Sabe, mais ao mesmo tempo, me
- 27:24falta o gramur do botecagem. Me
- 27:27falta uma mesa matamata, me falta um jogo do Tigre em
- 27:31brincadeira. Me faltam, sabe, eu acho que
- 27:34se aproxima com isso, porque eles são muito
- 27:37joviais, que é essa coisa da galera que tá indo pra
- 27:40descobrir essa noite, a noite do botecagem, a noite
- 27:43do bar, a noite do... Tem um editor na minha vida
- 27:46que fez um corte entre 10 e 45 e 2 e meio. Em
- 27:49São Paulo, mas isso, assim, eu tirando essa informação
- 27:51do meu suvaco baseado, assim, numa visita e na
- 27:55história, seria o frango, que é um outro bar. Já
- 27:59vi falar, nunca fui. Exato, né? Acho
- 28:01que era na freguêsia do O, tinha uma carta de... Ainda
- 28:03tem uma carta de cerveja grande, mas enfim, sofre
- 28:06muito com a questão da importação, a exportação, e
- 28:08aí tem uma carta de cerveja mais reduzida,
- 28:10sobretudo cervejas importadas e tal, mas tem uma
- 28:12coxinha, ele é conhecido pela coxinha de frango e
- 28:15outros petiscos com frango que são excelentes. Então,
- 28:18tem meizinha fora, tem meizinha dentro, e tem esse
- 28:20ambiente, sabe? Então... Mas eu fico um pouco
- 28:25receosa, porque pra mim, Boutiquin, ele tem a ver
- 28:29com... É um ambiente democrático, é
- 28:32um ambiente onde todo mundo pode, você vai lá, você
- 28:35vai chegar naquele bar e vai falar assim, eu quero
- 28:37tomar... Ele vai ter desde Heineken até
- 28:40a pinga que custa um real. Aí
- 28:42eu não consigo imaginar isso acontecendo num... No
- 28:45occurs pocus. Num Boutiquin artesanal, não
- 28:48consigo imaginar. Acho que falta democracia,
- 28:51entendeu? É, não sei. Eu
- 28:53acho que falta democracia, e eu acho, eu sinto aqui
- 28:58uma perfeição que eu tenho, que falta desburocratização,
- 29:01sabe? Precisa ser mais natural. Foi
- 29:05o que você falou, você chega no Boutiquin e ele
- 29:08tem desde o Mahanek até a Velho Barreiro, 51 lá,
- 29:11sendo vendida e tal. E o que a pessoa pede é o
- 29:14que ela leva, sem ninguém ter que apresentar o
- 29:16produto, sem que o copo seja associado à bebida. O
- 29:19cara serve Velho Barreiro no Copo americano e serve
- 29:22cerveja no Copo americano. Ele
- 29:25não faz diferençação disso. Se
- 29:27a Bulacha é da marca da cerveja que está vindo, se
- 29:30não é da marca da cerveja, se o Copo é copo
- 29:32específico para Vaz, sabe? Ele
- 29:35não faz essa diferençação e ele está servindo todas as
- 29:38mesas. Eu acho que todas essas
- 29:39coisas, por mais que quando nós somos apaixonados por
- 29:43cerveja, a gente começa a aprender a degustar essas
- 29:46coisas, a degustar bebê no Copo específico para Ipa,
- 29:50no Copo específico, na Taça, na Taça Teku, né?
- 29:54Teku. Na Taça Teku, quando você
- 29:57vê o serviço bem feito de uma franciscana, de uma
- 30:01érdiga, de uma paulana, a gente vai aprendendo a
- 30:03degustar isso e isso passa a ser legal. Mas
- 30:06eu acho que isso não é uma botecaja. É
- 30:08bom de um outro jeito. Olhando
- 30:11sem juízo de valor, não quero dizer que um é ruim,
- 30:13o outro é bom. Mas é completamente diferente
- 30:15porque ele passa a exigir planejamento, ele passa a
- 30:20exigir conhecimento ou que alguém pare para explicar e
- 30:24a naturalidade daquela aleatoriedade vai acabando,
- 30:29vai secando, né? Então eu tive recentemente no
- 30:33Brilteco, que o nome diz que é um boteco de
- 30:36cervejas, né? Brilteco. Eu tive no Brilteco da
- 30:40Tijuca. O clima é até próximo de um
- 30:43boteco, um boteco um pouquinho melhor, tal,
- 30:45arrumadinho, né? Tipo, são os botecos cariocas
- 30:48atualmente, que não são os botequins tradicionais, são
- 30:52umas coisinhas mais banhadas, mais vestidinhas,
- 30:55mas ele não era democrático, zero
- 30:57democrático. E tinha uma carta de cervejas
- 31:00muito legais, mas eu percebi claramente que o
- 31:03garçom não sabia do que ele estava vendendo. Ele
- 31:06não entendia, porque eu perguntei se tinha
- 31:07determinado estilo, ele precisou consultar para ver
- 31:10se achava algo daquele estilo, sabe? Então
- 31:13ele não conhecia o que estava plugado no dia,
- 31:16começar por aí. E ele não entendeu muito bem
- 31:19assim. E por um lado isso seria
- 31:21algo muito mais próximo de um botequim mesmo, né? O
- 31:24garçom não está tão preocupado em conhecer se é
- 31:27por um malte, se não é por um malte, se tem
- 31:29milho, se não tem milho, é cerveja, meu amigo. É
- 31:31cerveja? Leva cerveja? Já
- 31:33lá. É, mas aí eu acho que é por
- 31:35isso que o Pré quis fazer essa distinção, né? Exato.
- 31:38Quando a gente chegava eu falava assim, esse aqui
- 31:40não, você é barzinho. Você é restaurante, você é
- 31:44barzinho. Eu acho que a gente não teve
- 31:45nenhum que a gente agonizou, esse aqui não, é
- 31:47barzinho. Você acho que você falou
- 31:48rebouça, é barzinho. Não é botequim. Não
- 31:52rebouças é boteco, é botequim, não tem como não
- 31:54ser. Vou te levar lá um dia. Eu
- 31:56não sou especialista em botequim, você viu? Tem
- 31:58uma visão absolutamente romanciada do que é isso.
- 32:01Mas você é especialista em uma,
- 32:03entre 220 milhões de visões. É.
- 32:05Aí é a tua especialidade. Mas
- 32:08assim, eu acho que... A gente esqueci de citar um,
- 32:11que eu acho que tem uma vontade e uma aproximação
- 32:15da pitoriscidade. Caralho. Gostei, gostei. Que
- 32:19um botequim significa. Que é o boteco do Raone.
- 32:22Caralho, muito bom. Que
- 32:23é um cara que tá servindo cerveja especial, né? Ele
- 32:26tem lá 10 bico de show, tem lata, tem algumas
- 32:29garrafas bem legais, uma geladeira com uma curadoria
- 32:32bem legal. E aí, ele tem ali num anexo
- 32:35do bar, num complemento do bar dele. Porra,
- 32:38a Heineken, brama, escola, blá blá blá. Entendeu?
- 32:41Então, tipo, comida, lanche. Então,
- 32:44sabe, tem essa coisa do... Você
- 32:46quer ficar aqui no engomadinho, você pode ficar
- 32:49ali no outro bar. Você pode também tomar o show
- 32:53que tá aqui lá no outro bar. Você
- 32:55pode tomar a Heineken aqui dentro, as telas aqui
- 32:57dentro, sei lá o quê. E em São Paulo, os bares do
- 33:01Eduardo Passarelli, o Guela e o Scarcel. Scarcel,
- 33:05inclusive, bem jovem. Bem jovem, entendeu, tipo. Tu
- 33:09esteve lá e ficou rejuvenecida? Eu
- 33:11estive lá, foi ótima experiência, assim. Ter
- 33:13umas comidinhas muito boas, o Edu, além de somelher, é
- 33:17gastrônomo também, então, tipo, padinha de frango,
- 33:20que eu vou te contar um negócio, assim, de comer a
- 33:22joelhada. É, tinha, se não me engano,
- 33:24dois shows artesanais que tão em chopeira, ou seja,
- 33:27ele não tem uma estrutura para a chope, não é? A
- 33:29Câmara Fria, né, nada disso. Aham.
- 33:31E tem que ter saída, senão, não funciona. E
- 33:34tem saída, meus amigos. E aí, a Stella, Bax,
- 33:36Heineken, tudo. E uma música torando lá
- 33:40dentro, você quer conversar. Talvez
- 33:43lá, não seja lugar pra você conversar. Então,
- 33:44você senta na mesa do lado de fora. O
- 33:46nome do lugar é Scarcel. É.
- 33:49Ninguém tava te enganando nessa porra, né? Não.
- 33:53Exatamente, exatamente. Então,
- 33:54assim, eu acho que que existe, assim, a
- 33:57possibilidade da cerveja especial, ela entrar em um
- 34:00ambiente. É, que a gente vai começar a
- 34:02trazer aqui. Né? Ela pode estar junto, mas
- 34:06eu não acho que a cerveja especial vai ser a atração
- 34:09principal. E aí, ela pode se beneficiar
- 34:12nessa coisa do misturado, blend, sabe? Do
- 34:16tipo, posto, eu tô aqui, mas de repente, posto, eu
- 34:18tô meio a Bax, porque eu não vou tomar uma hipa.
- 34:20Sim, exata. E
- 34:21sobre o Briteco, especificamente, eu acho que
- 34:24eles hoje estão com 5 ou 6 estabelecimentos no Rio.
- 34:27Eu tô chutando, assim, de
- 34:28número, mas é Leblon, Gávia, Bota Fogo 2, se não
- 34:32me engano. Tijuca, falei 5. Centro,
- 34:366. Centro, a gente também não sabia
- 34:38que tinha no centro. Por aí, eles tem onde era da
- 34:41marmota, pô. Tu foi na marmota? Sim,
- 34:43eu fui na marmota. Eu não sabia que tinha virado
- 34:44o Briteco, né? Eles compraram, eles passaram o
- 34:47ponto, a marmota passou o ponto pra eles. E
- 34:49aí, eles estão produzindo. Eles
- 34:50já produziam cerveja do próprio Briteco, e de forma
- 34:53cigana, e eu acho que eles estão produzindo lá. Mas,
- 34:56assim, o Briteco é uma dos bares que hoje, depois do
- 35:00Belmonte, mais contrata, mais emprega pessoas, né?
- 35:02Deve ter uma quantidade de
- 35:03funcionários e freelancers bem grande. Eu
- 35:06sei que eles contratam alguns fomellistas, mas,
- 35:09assim, eles têm dificuldades básicas, copo limpo, por
- 35:13exemplo, entendeu? A curadoria das cervejas é
- 35:17bem legal, cara, mas já tomei cerveja que a pata é
- 35:19incrível lá, e não tá incrível você ficar na
- 35:21dúvida se tá rolando a limpeza correta das linhas
- 35:25e etc. Entendi. Entendeu? Porque
- 35:28são muitas torneiras, mano. Na
- 35:29Gávea, se não me engano, são 20 ou 30. É,
- 35:32Gávea é gigantesco. Mas o da tijuca não é pequeno
- 35:34também não, deve ter umas 20 torneiras lá. Também
- 35:37não, eu vou te falar, ele tava com 20 e poucas ali,
- 35:40se não me engano. Aí você imagina pro cara saber
- 35:42de cabeça isso? Não sabe. É,
- 35:45assim, é porque quando você se paga, você predispõe a
- 35:49esse nível de serviço, someleria no seu que tal,
- 35:52ele é muito distante do boteco, né? Ele
- 35:54tem um compromisso muito maior. Então
- 35:56sim, o cara tem que saber. É
- 35:58aquilo que a Carol, a Bia já falou aqui tantas vezes,
- 36:02né? Que, cara, tem que ter
- 36:04treinamento quase que diário com a equipe, o que que a
- 36:06gente tá servindo, o que que tá bom, o que que não
- 36:08tá bom no seu que tal. E aí tem essa distância aí
- 36:11entre o que que é o boteco, que não tem esse
- 36:14compromisso. É, como o Priá mesmo falou,
- 36:16ninguém chega num boteco e fala pra tirar o molho da
- 36:19moela. É, dá pra ver se impimenta ou
- 36:23não. É, tá bem. Ninguém
- 36:28faz isso. E o outro lado, tem o nível
- 36:32de serviço que é pra atender plenamente o
- 36:35cliente, né? E aí eu acho que são dois
- 36:38extremos, e talvez o boteco esteja realmente nesse
- 36:40caminho do meio, até pelas dificuldades que você tá
- 36:42trazendo aqui, né? É, eu acho que falta
- 36:44treinamento, com certeza falta treinamento, mas é
- 36:47difícil, dá mais quando você fica grande, né, cara?
- 36:50Sim, sim, vai. Vota
- 36:51atividade deve ser gigante, tal, não sei o que. E
- 36:54aí, novamente, você conhece alguma rede de botequins?
- 36:59Cara, o Priá vai falar que não
- 37:01é botequinha, mas tem a pavão, né? Pavão
- 37:04azul, pavão, convida. Ele vai falar que é a
- 37:06barzinha. Ele vai falar que é a
- 37:07barzinha, mas pavão azul, pavãozinho. É,
- 37:10mas rede de botequins, de botequim, botequim, não tem,
- 37:14porque geralmente o cara é isso, é o conceito da
- 37:17barraca que eu te falei. O cara, se ele não mora em
- 37:20cima, ele mora atrás. Pelo menos lá atrás, né? Você
- 37:25vai chegar e falar assim, caixambia, já ouviu falar
- 37:26no caixambia? Já, claro. Caixambia,
- 37:29que é lá no caixambia. Só é sim, sim, sim. Faz
- 37:31uma comida arada com porco bizarra, já ganhou comida
- 37:34de boteca, etc. E o que é terano seu que?
- 37:36Meu irmão fala que a cerveja
- 37:37lá não vem gelada, a cerveja vem mofada. Então,
- 37:41assim, o cara tem aquele bar, aquele lugar. Não
- 37:45dá pra você conseguir fazer o negócio funcionar no
- 37:49nível que precisa pra ser tranqueira no botequim se
- 37:52você tiver mais de um. Não dá. Ainda
- 37:54tem esse lado, né? Que realmente não é um negócio
- 37:57passivo de crescimento. Então,
- 37:59ele tem que crescer ali, sabe? Eu
- 38:02acho. É, tem que ir comprando as
- 38:03lojas do lado, né? É, ele tem que tá ali, ele
- 38:06tem que tá no olho do dono. Cara,
- 38:08por exemplo, moramos em Copacabana. Real
- 38:11Shop, Real Shop é a barzinha. Eu
- 38:13tô conciliada com isso. Tá bom. Tá.
- 38:15Mas pela sua cara, ele já foi botequim uma vez na
- 38:17vida pra você. Não, não, não, não. Eu
- 38:19moro pouco tempo em Copacabana, mas eu quero
- 38:21dizer assim, porra, o dono do Real Shop tá lá todo
- 38:23dia, porra. Sim, sim. Que
- 38:25é um senhorzinho, cabelinho branco, barrigudinho, cara
- 38:27de português, ele tá lá todo dia, todo dia o dia
- 38:29inteiro. Esse conceito, esse cara não
- 38:31pode ter dois, já, o show. Ele
- 38:32não vai tá em dois lugares no mesmo tempo. Ele
- 38:34não vai tá, entendeu? Ou então, o que eu citei
- 38:37aqui, tá bem em Copacabana, pavão azul. O
- 38:39pavão azul fez esse crescimento que você falou,
- 38:41Ludy. Ele foi crescendo pras lojas do
- 38:43lado, pra loja da frente. Então
- 38:44ele pegou um cruzamento e ocupa três quartos do
- 38:49cruzamento, gente. Ele ocupa três quartos do
- 38:51cruzamento, assim. E ele ainda tem mais duas
- 38:53lojas, né? O pavão verde, que é mais
- 38:55pro lado do posto 5. E o pavão do B, que eu
- 38:58chamo de pavão do B, ele tem um outro nome que eu
- 38:59não lembro qual é, que é um pavão escondidinho aqui
- 39:02perto da sua casa, bem perto da sua casa. É
- 39:04um pavão escondidinho, que é normalmente aonde o dono
- 39:06fica. Ele fica lá, aí ele faz uma
- 39:08rota a pé pelos outros bares, e volta praquele
- 39:11ali, que eu já vi ele fazendo essa rota, a pé.
- 39:14Mas é isso, né? É,
- 39:15mas é que eu acho que... Você
- 39:17vê, o pavão, o pavão foi um dos que desistiu de ter
- 39:20assistido a Pertesanal. Desistiu,
- 39:22desligou o pavão com vida, parou de convidar. Pra
- 39:24ele, ele falou, cara, não, moral, é melhor comprar,
- 39:27fazer uma compa gigante, que não sofial a ninguém,
- 39:30se erva tudo, o que coberna o meu freezer, eu
- 39:33vou vender, entendeu? Então, não sei. Ao
- 39:36mesmo tempo, você adora cerveja artesanal também,
- 39:39mas eu já sentei muito, nas cadeiras, e fiquei com
- 39:42a barriguinha no balcão, no pavão azul, pra comer
- 39:44patanística, por exemplo. Sim,
- 39:46sim, sim. Toma cerveja, ninguém vai lá,
- 39:48vou no pavão azul, hoje, tô sem bebê, eu sou 80
- 39:51dia, vou lá no pavão azul comer patanística e beber
- 39:53água, porra, eu não vou. Tu
- 39:55não vai no pavão azul, né? Agora
- 39:56não. Tu vai no delírio tropical, tu
- 39:59vai no outro lado. É mais fácil, é mais fácil,
- 40:01é mais fácil me encontrar no delírio tropical. É
- 40:05mais fácil me encontrar um boliche. Entendeu?
- 40:10Mas olha só, toda essa conversa, acho que puxa a
- 40:12gente pra fazer um fechamento aqui, sobre, eu
- 40:16acho que tem dois pontos aqui, um que eu já
- 40:18conversei com a Bia, no particular, assim, uma vez
- 40:20que a gente tava no Mundial da La Bairra, a
- 40:22gente ficou batendo um pouquinho de papo sobre
- 40:23isso, e o outro, o que a gente fala tanto aqui nos
- 40:26programas, que é crescimento do mercado, isso é o que
- 40:30a gente fala muito aqui nos programas, a gente
- 40:32trata bastante sobre isso, e a escola brasileira de
- 40:36cerveja. As duas não são diretamente
- 40:39vinculadas aos botequins ou barzinhos, dá pra
- 40:43desassociar, cara? Eu acho que dá. Desassociar?
- 40:47Eu acho. Como? A escola brasileira, assim,
- 40:51bom, vamos lá, eu acho que a escola brasileira, a
- 40:53gente tem que esquecer, por exemplo, Bélgica, você vai
- 40:55pra Bélgica, cara, assim, em qualquer bar, você vai
- 40:58encontrar uma cerveja belga foda. Bom,
- 41:00os caras têm muito tempo de história, muita coisa no
- 41:03lombo, entendeu? Tão fazendo isso há muito
- 41:05tempo, de forma consistente, e quando passa de família
- 41:08pra família, o negócio mantém padrão incrível e
- 41:10tal, não sei o que. A gente tá no começo agora,
- 41:13ainda descobrindo, essa coisa toda de terroar, essa
- 41:15coisa toda de, quais são as nossas características, o
- 41:18que que é a nossa cerveja, o que que é a cerveja
- 41:20brasileira, né? Então eu acho que a gente tá
- 41:24longe disso, assim, acho que, a gente não criou, o
- 41:27botequinho é uma instituição nacional, como você começou
- 41:30bem falando. Sim, perfeito. Mas
- 41:32eu não sei se a cerveja especial que vai nascer da
- 41:36escola brasileira, sim, um dia ela existir, se será
- 41:39na nossa geração que isso vai acontecer, se ela vai
- 41:41dominar os botequins, como os pubs ingleses têm a Rio
- 41:45Ayo, que rolou todo o movimento pra poder manter
- 41:48a tradição e etc, entendeu? Como
- 41:51os pubs irlandeses com as cervejas de lá e tal. Eu
- 41:55tenho dificuldade de crer nisso, assim, olhando hoje,
- 41:59dormi 24, muito apaixonada, mas menos irracional.
- 42:04Entendi. Mas essa é minha opinião,
- 42:06assim, não é? Minha vontade, é minha opinião.
- 42:08Eu acho que a gente não
- 42:10consegue definir uma escola brasileira de cerveja sem
- 42:16respeitar como o brasileiro consome cerveja. Então
- 42:19se a gente não olha pra isso e fala assim, é deste
- 42:22jeito. E aqui tá beleza disso, a
- 42:25gente vai tentar sempre impor algo baseado na
- 42:29nossas origens, que o brasileiro não admira, que
- 42:32o brasileiro não respeita, que sejam nas origens dos
- 42:35povos originários, que sejam nas origens pré -colônia,
- 42:39mas que a gente não reconhece como nossa, o
- 42:42erro nosso é, mas é um fato, a gente não reconhece
- 42:44como nossa. Ou seja, importando de algum
- 42:47lugar, que seja da tendência mundial atual que
- 42:50os Estados Unidos ou da história eurocentrista, que
- 42:53é a Europa, e aí a gente vai buscar hoje um lado ou
- 42:56de outro. Enquanto a gente vai fazendo isso,
- 42:58a gente não respeitar o como a gente consome, a
- 43:01gente não vai conseguir nos reconhecer na escola
- 43:05brasileira. E ao mesmo tempo, eu vejo
- 43:07muita dificuldade de distribuição de produto
- 43:10baseado só em lojas especializadas, porque ela
- 43:14fica vulnerável a qualquer crise, a qualquer problema.
- 43:17Então se isso não cai numa
- 43:19capilaridade muito grande, que putz, qualquer lugar
- 43:23como a Bélgica pode ter uma cerveja maneira, não
- 43:27precisa nem ser a melhor do mundo, a melhor do
- 43:29Brasil, mas sabores diferentes de cervejas,
- 43:32estilos de cervejas diferentes, eu vejo muita
- 43:35dificuldade do mercado ir além dos tais 2%, ou a
- 43:40gente criar essa cultura. Eu
- 43:41acho que isso talvez seja o nosso grande desafio
- 43:43atual, sabe? É popularizar, democratizar
- 43:46realmente as cervejas independentes, porque a de
- 43:50massa já é de massa, o nome já disse. É
- 43:53isso, não sei se a gente vai ver na nossa geração,
- 43:57espero que aconteça. Vamos ver como é que vai ser.
- 44:02Eu espero que aconteça comigo
- 44:04tendo memória para poder falar, poxa, que bom que
- 44:06aconteceu. O de dentadura, chingente,
- 44:09poxa, minha vida. Eu e a Lud já falávamos sobre
- 44:12isso. Exatamente. É isso, Lud, é isso. Eu
- 44:25acho que a gente conseguia tomar uma passeada pelos
- 44:28butiquins, não? Ah, sim, com certeza. Lembrados
- 44:32meus aurostempos, onde eu aceitava que eu ia de toda
- 44:35a vida fizesse isso comigo, hoje não mais, hoje não
- 44:38mais. Enfim, mas eu acho que assim, eu
- 44:41acho que existe uma geração nova aí, que vai pegar os
- 44:44butiquins pelo braço, vai fazer um monte de coisa
- 44:46igual e diferente também, e isso continua, essa saga
- 44:50continua, né? Vamos ver a perfeição deles
- 44:52depois. Exato, eu não para, ela não vai
- 44:55parar. É isso, meus amigos. Por
- 44:58hoje a gente fica por aqui, mas a gente encerra
- 45:00o programa do jeito que a gente gosta, agradecendo aos
- 45:02nossos messenas, que nos ajuda a manter a
- 45:05independência criativa e conteúdo bacana toda semana
- 45:08para vocês. Então a gente vai agradecer ao
- 45:10Thiago Cazerta, Alex Rodrigues, a Líni Janssen e
- 45:14Gabriel Almeida. E aí, Leandro, o que a gente
- 45:16fala? Até semana que vem. Beba
- 45:27local. Beba com moderação.