Latest / Surra de Lúpulo / Case Cervejeiro - Zalaz Brasil | Surra #250
Transcript
- 0:08Hipacondriaca apresenta... Oi pessoal, bom dia, boa tarde,
- 0:17boa noite! Eu sou Ludmilla, mais conhecida
- 0:20no Instagram como Hipocondrica, e eu duvido, eu duvido que tenha
- 0:25cervejaria com mais empatia com o público do que essa que a
- 0:29gente vai conversar hoje. Eu duvido é odó.
- 0:32Eu também duvido, e ralolói tem Henrique Boaventura e plantando
- 0:36tudo dá. E a Zalaz é esse exemplo, né?
- 0:39Esse exemplo de que tudo dá. Exatamente.
- 0:41E a gente está aqui hoje junto com o Fabrício.
- 0:43Fabrício, por favor, se apresenta para o povo aqui.
- 0:46Eu já fico lisonjeado com essa introdução.
- 0:49Não sei mais o que falar, né? Agradecer estar aqui de novo e
- 0:52poder falar com os ouvintes do Surra de Núcleo.
- 0:56É um enorme prazer estar aqui. Perfeito.
- 1:06Galera, mais do que nunca o Surra de Lúpulo precisa de vocês
- 1:09para continuar produzindo conteúdo independente e de
- 1:12qualidade. Então que tal se tornar nosso
- 1:15mecenas? Sendo nosso apoiador, você vai
- 1:17poder entrar no nosso grupo exclusivo de WhatsApp, acessar
- 1:19nosso clube de vantagens com descontos especiais em cursos,
- 1:22cervejas, eventos e muito mais. E claro, ainda tem sorteio de
- 1:26brindes e vários mimos para quem está junto com a gente nessa
- 1:29jornada. Para apoiar, é só acessar o site
- 1:32apoia.se barra Surra de Lúpulo e fazer parte dessa comunidade
- 1:36cervejeira. Agora, jovenzinhos e
- 1:39jovenzinhas, se o bolso está apertado, você ainda pode nos
- 1:42ajudar de outra maneira. Que tal você pegar o link desse
- 1:45episódio ou de qualquer outro episódio do Surra e compartilhar
- 1:49com alguém que também curte o universo cervejeiro?
- 1:51Isso é fácil, isso é de graça. E não esqueça de nos avaliar na
- 1:55sua plataforma de áudio preferida.
- 1:57Cinco estrelinhas no Spotify, Apple Podcasts, Deezer e outras
- 2:00plataformas fazem uma diferença enorme pra gente.
- 2:03E o melhor, pra você, vai custar um total de zero reais.
- 2:07Então você faz o bem de graça. É o melhor cenário possível.
- 2:11A gente conta com vocês pra fazer o Surra de Luplo chegar
- 2:13cada vez mais longe. Agora, se você ouveu Sorra de
- 2:17Lúpulo e ainda não sabe que a cervejaria Stannis é a mais nova
- 2:21mecenas empresarial, isso só pode significar duas coisas.
- 2:25Nenhuma delas é boa pra você. Número um, você não está em dia
- 2:28com os episódios. Então, que feio!
- 2:30Shame on you! Ou, número dois, você não está
- 2:33prestando atenção no que a gente fala.
- 2:35Tá precisando de ajuda, meu amigo?
- 2:36Me fala que a gente dá um help aqui.
- 2:38Mas calma, tem solução. Ouvinte do podcast tem doze por
- 2:41cento de desconto em qualquer produto no site
- 2:43www.stanescomdoizenes.com usando o cupom SDL doze.
- 2:50Apresentão, né? E o melhor, eles entregam em
- 2:52todo o Brasil, do Oiapoque ao Chuí.
- 2:54Então, não perca tempo, acesse, use e abuse do cupom.
- 2:58E claro que mecenas que tá com a gente lá todo mês, que apoia
- 3:02bonitinho, tem desconto maior e especial.
- 3:05Então, bora aproveitar. Só vantagens.
- 3:07Só vantagens. Só vantagens.
- 3:23Voltamos aqui então, voltamos para esse ambiente bucólico de
- 3:27fazenda e a gente tem perguntas para o Fabrício.
- 3:30A primeira delas é que antes das alas existir, já existia a
- 3:36fazenda Santa Terezinha, que ela existiu por vários anos antes
- 3:38das alas. E ela já tinha uma produção de
- 3:42outros produtos próprios da fazenda, agrícolas e derivados
- 3:47desses produtos. Agora, uma coisa que a gente
- 3:50talvez não tenha tocado no outro episódio é que E a gente queria
- 3:53entender um pouquinho melhor como é que foi estruturado esse
- 3:56plano de negócios da Zalaz para, de certa forma, se integrar e se
- 4:00adaptar a essa realidade de uma fazenda que produz versus esses
- 4:04produtos diferenciados que tem dentro da Zalaz.
- 4:07Produtos específicos gerados a partir desses produtos iniciais,
- 4:11esses insumos, por assim dizer. É, vamos lá.
- 4:14Até acho que no primeiro episódio que a gente fez, Eu
- 4:17tinha uma informação que era incompleta, né?
- 4:19A gente sempre falava que a fazenda tinha cento e...
- 4:23De mil novecentos e quinze. Mais recentemente, né?
- 4:25Em dois mil e vinte e quatro, a gente acabou descobrindo um
- 4:27pouco mais que a nossa permanência nessa terra, aqui, a
- 4:31minha família, né? Já data as seis gerações.
- 4:34Então, eu sou a sexta geração que cultiva esse mesmo pedaço de
- 4:38terra onde tá situada a alaça. Então, a história começou muito
- 4:41antes, meados de mil e oitocentos.
- 4:43Foi quando o meu tatatatatararavô lá veio aqui
- 4:46para essa área, já estava no Brasil, estava ali na região do
- 4:49Ouro, próximo de Agrooca, e fez uma carta para Dom Pedro pedindo
- 4:53um pedaço de terra para constituir uma lavoura e ganhou
- 4:55uma sesmaria aqui, onde ele começou o cultivo de terra e
- 4:58viveu desde então da produção de alimentos.
- 5:01E a fazenda Santa Terezinha já foi mais recente, né?
- 5:05Foi quando o meu avô ficou com esse pedaço de terra onde está
- 5:08as alas. Isso é em mil novecentos e
- 5:10quinze. Mas se a gente for ver, a gente
- 5:12já estava ali antes, muito antes de mil novecentos e quinze.
- 5:16E, na verdade, você lidar com fazenda, você está lidando com
- 5:19diversidade. Então, na fazenda onde a gente
- 5:21está, nesse terreno de aclive, né?
- 5:23Você não consegue fazer monocultura.
- 5:25E nunca também foi o nosso conceito.
- 5:27Então, no dia a dia da fazenda, você está fazendo milhões de
- 5:29coisas ao mesmo tempo. Você está cuidando de plantio de
- 5:32um, no outro você tem que fazer poda, no outro você tem que
- 5:34adubar. Então, você já lida com uma
- 5:37variedade de coisas muito grandes.
- 5:40Só para situar um pouco na história, da minha infância até
- 5:44quando a gente assumiu a fazenda, eu lembro de três eras
- 5:48da fazenda. Então a gente passou pela era do
- 5:50leite, então quando eu era pequeno, eu ia na cocheira, a
- 5:53gente tirava leite, tirava mil litros de leite por dia, fazia
- 5:56leite ensacado, vendia esse leite no mercado, tinha um ponto
- 5:59de venda nosso, isso foi até chegar a embalagem longa vida no
- 6:03mercado, aí acabou essa era do leite, a gente não conseguiu se
- 6:05manter, o leite agora passou a durar um ano na prateleira,
- 6:09antes ele durava uma semana, no máximo, quatro dias, três dias
- 6:12ali. E aí começou muito a era do
- 6:14porco, então a gente já tinha porco, já criava porco, tudo
- 6:17isso já era paralelo, a gente já tinha leite, já tinha porco, já
- 6:19tinha café, aí o leite decaiu, subiu o porco, a gente começou a
- 6:23fazer derivados da carne de porco, torturismo, linguiça,
- 6:26carne de lata. E depois também começou a
- 6:29complicar esse mercado de venda, né?
- 6:30Por uma série de questões de legislação, então acabou o
- 6:34matador da cidade, teve uma série de outras questões, e aí
- 6:36foi dificultando, e aí chegou um pouco da era do café.
- 6:39A gente ganhou como o melhor café do Brasil, a maior nota do
- 6:41mundo até hoje, numa competição internacional, e aquilo virou um
- 6:45pouco da era do café na fazenda. Aí depois veio as alas.
- 6:48Então assim, a gente tá... Essas três eras eu vivi na
- 6:51fazenda em quarenta e poucos anos ali.
- 6:53É um cenário primeiro, né? Já existia todo um plano
- 6:57inicial, né? Foi feita essa transição entre
- 7:00produtos, mas também teve um momento de transição pra beleza.
- 7:04Aí o café... Teve esse momento de transição
- 7:07do café para agora nós vamos explorar esses outros produtos
- 7:10que a gente tem dentro do chapéu da Zalaz?
- 7:12Sucos, cervejas, destilados, tudo isso?
- 7:15É, até então não tinha Zalaz, né?
- 7:16Então isso era a fazenda quando meu pai tocava ela ali junto com
- 7:19meus tios. Mas a gente sempre viveu
- 7:21bastante dificuldade, eu via meu pai sempre em dificuldade
- 7:24financeira nesse sentido, porque fazenda é muito difícil, né?
- 7:26Uhum. A gente nunca passou necessidade
- 7:28de forma nenhuma, não é isso, né?
- 7:30Mas a gente via que era muito complicado você chegar a fechar
- 7:32a conta no final do mês. E aí eu não me via encaixando na
- 7:36fazenda. Na fazenda eu não conseguia
- 7:38absorver ninguém ali da família pra atuar, pra poder pagar,
- 7:42enfim. Fui seguir minha carreira, fiz
- 7:44carreira fora, fiz faculdade e tal, mas eu sempre tive o
- 7:48objetivo de voltar e conseguir tocar a fazenda.
- 7:52Fazer com que a fazenda seja sustentável e a gente consiga
- 7:55seguir por mais gerações nessa mesma terra.
- 7:57Tanto eu, quanto meu filho, se ele quiser tocar, tem pelo menos
- 8:00essa oportunidade. Então o meu objetivo sempre foi,
- 8:03ah, eu preciso voltar e fazer a fazenda ser sustentável.
- 8:07Então aí nasceu a Zalaza. Então a Zalaz nasceu, veio para
- 8:10a fazenda com esse objetivo, com esse propósito.
- 8:13Vamos fazer a fazenda ser sustentável e vamos englobar a
- 8:15fazenda, ser o coração da fazenda.
- 8:17Então a Zalaz, quando a gente concebeu ela desde o início, foi
- 8:20a Zalaz vai ser o coração da fazenda.
- 8:22Então tudo está vindo da fazenda para a Zalaz e a Zalaz é o canal
- 8:25de venda, o canal de transformação e o canal de venda
- 8:27desses produtos que a fazenda consegue trazer para a gente.
- 8:30Se eu pudesse fazer uma comparação, quando você fala que
- 8:33a Zalaz vai ser o coração, é quase como se ela fosse um pico
- 8:37de inovação dentro de uma estrutura mais...
- 8:41Eu vou falar mais antiga. Tradicional, talvez?
- 8:44Tradicional, tradicional é bom. Uma estrutura mais tradicional
- 8:47que já existia, que rodava, mas que vocês precisavam de um
- 8:50frescor, de uma alufada de ar diferente, de uma coisa assim, e
- 8:54a Zalaz chega nesse sentido. Mas rolou um plano de negócio
- 8:57estruturado do tipo, bom, tá bom, existe a fazenda, tem café,
- 9:01tem embutido, tem leite, tem não sei o quê, não tá na alta nem
- 9:05disso nem daquilo, mas a cervejaria, pra se manter, ela
- 9:08precisa de construir uma fábrica, ter tantos litros, eu
- 9:12preciso vender tanto. Teve um plano de negócio
- 9:14estruturado nesse sentido ou foi tipo, não, tô de boa hoje, o
- 9:18Maikinho aqui no canto da boca...
- 9:22Como é que foi essa transição, digamos assim?
- 9:25Então, voltando ao... O meu propósito era voltar para
- 9:27a fazenda, para fazer a fazenda ser sustentável.
- 9:30E aí, eu vivi muito mais a era do café, tive muito mais
- 9:33contato. Então, o meu sonho foi ter uma
- 9:34cafeteria, torrar o café. E cheguei a ter esse contato,
- 9:37cheguei a morar fora torrando café, para depois montar uma
- 9:41torrefação aqui, montar uma cafeteria.
- 9:43Mas também não tinha dinheiro. Aí, nesse meio do caminho, na
- 9:45carreira, eu conheci a cerveja artesanal.
- 9:47E aí, a cerveja artesanal me encantou.
- 9:48Fiquei apaixonado por aquilo, comecei a fazer em casa.
- 9:51E quando eu comecei a fazer em casa, eu falei, esse vai ser meu
- 9:53negócio de vida. E aí a gente fez um plano de
- 9:55negócio pra montar a cervejaria. Eu falava isso pra Júnior desde
- 9:59o início. A Júnior falava, você é louco,
- 10:00né? Falava que ia fazer essas coisas
- 10:01que a gente tá fazendo hoje. Eu já tinha falado isso pra
- 10:04Júnior. Mas eu falava o relento, sabe?
- 10:06Nunca pus no papel nada disso. Exceto a cervejaria, a gente fez
- 10:09um plano de negócio pra montar a cervejaria.
- 10:11Ah, vamos montar uma fábrica? O que vai ser?
- 10:13Equipamento? Um plano de negócio normal.
- 10:16Que a gente viu que não fechava no final.
- 10:18Aham. O clássico da cerveja.
- 10:20Não, a gente viu, a gente fez o plano e falou, ó, não vai dar.
- 10:22Mas ele tinha um ponto, qual foi a nossa decisão pra montar as
- 10:25alas, né? A gente viu, ó, ele não paga o
- 10:27investimento, né? Mas a gente vai conseguir ter
- 10:30uma renda pra gente se manter e reinvestir e viver ali.
- 10:33Uhum. Então foi com esse conceito que
- 10:36a gente foi Vai ser o nosso trabalho do futuro Então a gente
- 10:38ainda tinha outro trabalho no mercado Esse vai ser o nosso
- 10:40trabalho do futuro Com o que a gente está fazendo lá Esse
- 10:44dinheiro que a gente investiu, ele se foi Mas a gente vai
- 10:47conseguir gerar uma receita dele Que a gente vai conseguir se
- 10:49manter através dessa receita Que ele está gerando Faz sentido
- 10:52Apesar de ser diferente do mercado atual, porque a gente vê
- 10:55muitas cervejarias que não tem plano de negócio, é uma coisa
- 10:58que infelizmente é uma realidade do mercado.
- 11:02Vocês já tinham essa visibilidade de que vamos
- 11:05investir agora para criar o produto e lá na frente ele vai
- 11:09nos render mais frutos, né? Sim.
- 11:11Eu já tinha feito alguns planos de negócios.
- 11:14Um mercado que eu comecei a fazer em dois mil e dez, cerveja
- 11:17em casa. E de dois mil e dez até dois mil
- 11:19e treze, final de dois mil e treze, quando a gente começou a
- 11:22obra da Zalaz, eu fazia uns três planos de negócio por ano.
- 11:25Ou mais, porque eu queria montar.
- 11:27E aí eu lembro que eu vi as entrevistas do...
- 11:30A Doom tem umas entrevistas falando que para montar uma
- 11:33cervejaria é mais de um milhão naquela época.
- 11:35O Murilo da Doom falou, o Zé Felipe falava alguma coisa
- 11:38parecida. Então a gente estava sempre
- 11:40atento no mercado e construindo planos.
- 11:44A gente tinha que fazer planos com amigos meus para a gente
- 11:46montar uma cervejaria. os planos de cervejarias de várias escalas
- 11:49e aí no fim a gente acabou decidindo montar na fazenda, que
- 11:52era o nosso objetivo inicial mesmo.
- 11:54Fabrício, mas tu falou agora que eu sou cervejeiro caseiro
- 11:57também, a minha maior paixão provavelmente junto com fazer
- 12:00pão é fazer cerveja e fazer linguiça também, também eu gosto
- 12:04de fazer linguiça. Olha aí.
- 12:05Tudo coisas que você já fez aí provavelmente.
- 12:08E tu falou em cerveja, faço cerveja em casa, meu cérebro
- 12:11desligou, desculpa. Eu fiquei com essa informação na
- 12:14cabeça. Eu tenho perguntas pra fazer que
- 12:15é, de onde é que vem? Tu falou que tem um período, né,
- 12:19onde tu produzia cerveja em casa. que provavelmente serviu
- 12:23de inspiração, mas de onde é que vinha...
- 12:26Nesse período, tu já fazia essas experimentações, que são as
- 12:29cervejas da Zalaz hoje? Ou vieram depois essas cervejas
- 12:35mais... Eu vou chamar de disruptivas,
- 12:37mas diferentes do que a gente está acostumado no mercado.
- 12:39De onde é que vem essa inspiração?
- 12:41Não, na verdade isso foi tudo naturalmente, assim, a gente
- 12:44nunca fez um plano de negócio nesse sentido.
- 12:45E se a gente olhar pra trás, mas por quê?
- 12:48Eu fazia o que eu gostava de tomar.
- 12:50E aí eu tinha, na época eu viajava muito a trabalho, então
- 12:53a gente ia pra fora do Brasil, e eu tinha várias experiências.
- 12:55Uma das experiências que me marcou foi indo na Brooklyn, e
- 12:59lá eles tinham uma cerveja que só era servida lá, não era
- 13:02vendida, que era uma witch wine. Você comprava um livro, na
- 13:06verdade, do Gertrude Oliver, e aí vinha essa cerveja, uma
- 13:09Witchwine. E eles estavam servindo no dia
- 13:11da visitação. E eu tomei aquela cerveja e
- 13:13aquilo me encantou e falei, cara, vou fazer uma dessa.
- 13:15Então eu pegava as cervejas que eu gostava e tentava replicar.
- 13:17Eu tomava muita Blonde, tomava essa Witchwine, eu tomei muito a
- 13:22Anchor Steam Beer, que depois foi uma primeira que a gente
- 13:24soltou, foi uma California Common também.
- 13:27Então eram as referências que eu gostava de tomar, que eu buscava
- 13:30reproduzir pra lançar. Mas a partir daí já começou
- 13:33desenhando um pouco da trajetória das Alas, mesmo que
- 13:35inconscientemente, né? Porque naquela época, em dois
- 13:38mil e quatorze, toda a cervejaria tinha quatro estilos,
- 13:41né? Ipa, Weiss, Stout e uma Red.
- 13:46Então eram esses quatro estilos aí que tinham.
- 13:48E a gente chegou a não ser tudo diferente, entendeu?
- 13:51não tinha nada desses estilos tradicionais, não tinha uma IPA,
- 13:54não tinha uma Pilsen. E a gente já começou com estilos
- 13:57diferentes, mas não foi pensado. Hoje, casa com a nossa história,
- 14:00mas isso foi inconsciente. É o que eu gostava de tomar,
- 14:02vamos fazer. A gente não analisou o mercado.
- 14:05Se eu gosto, acho que vai ter público, vamos nessa.
- 14:08Gente, ele fez tudo que a gente ouve as pessoas falarem que
- 14:11fazem e que dá uma merda. Tipo assim, eu vou produzir só
- 14:16cerveja que eu gosto de beber. Aí eu já penso assim, ah meu
- 14:19Deus do céu, isso não é perigoso não.
- 14:22Mas ao mesmo tempo tem outros incrementos que com certeza
- 14:24foram fazendo diferença na construção desse sucesso.
- 14:29Por isso que eu falei no começo dessa empatia que as alas
- 14:32carregam, dessa empatia, simpatia que as pessoas agregam
- 14:37com vocês, e aí o Henrique trouxe na cerveja disruptiva,
- 14:41então acho que tem um misto dessas coisas todas.
- 14:44Total. Uma coisa que também peguei
- 14:46nessa fala do Fabrício, está relacionada...
- 14:49Ah, teve esse momento de transição, né?
- 14:51Ah, eu fazia as cervejas que eu gostava de beber, mas todas
- 14:54essas cervejas que eu gostava de beber, me perdoa aqui se eu
- 14:58estiver fazendo uma generalização, eram cervejas
- 15:00mais... comuns, por assim dizer. Apesar de serem estilos
- 15:04diferentes, a gente tá falando de ales, lagers, provavelmente.
- 15:06Mas aí tem essa transição pra essas cervejas complexas,
- 15:09cervejas selvagens, cervejas com terroir.
- 15:11Onde é que foi o clique? O clique foi tudo natural
- 15:14também, sim. Foi nada pensado, nada
- 15:16estruturado. A gente comprou um barril.
- 15:19Na verdade, o nosso vizinho, uma cachaçaria, tava fechando.
- 15:21Pô, tinha quatrocentos barris no galpão deles, ó.
- 15:24Coisa impressionante. Caraca!
- 15:25Aí eu comecei a pegar barril e falei, cara, vou fazer uma
- 15:27cerveja envelhecida em barril. Mas nunca tinha feito nada
- 15:30disso. E aí coloquei uma cerveja
- 15:34envelhecida em barril lá. E o que aconteceu?
- 15:36Acidificou. E aquilo começou dando um
- 15:39clique, sabe? Falei, pô, mas ficou bom, ficou
- 15:41legal, gostei. Depois a gente começou a fazer,
- 15:43pô, vamos fazer uma cerveja com levedura da fazenda.
- 15:45E a gente foi na mata, coletou um...
- 15:48Deixou o gosto lá, coletou aquela flora, o chip que a gente
- 15:52fez ali, né? E produziu uma cerveja também.
- 15:55Que a gente não gostou da cerveja, mas a gente manteve a
- 15:57colônia e a gente adicionou nos barris.
- 15:59E aí começou saindo coisa legal. Eu falei, pô, gostei disso.
- 16:02E aí isso foi virando também um outro gosto pessoal.
- 16:06Pô, tá legal essa cerveja, vou começar a fazer mais, gostei
- 16:09disso, olha a evolução dessa cerveja.
- 16:11E a gente queria cada vez mais também transmitir a fazenda na
- 16:15taça, né? Isso teve um momento em dois mil
- 16:18e a gente inaugurou em dois mil e quinze, então esse ano a gente
- 16:22completa dez anos, agora em junho.
- 16:24E em dois mil e dezessete foi a grande virada, que a gente
- 16:27chegou num ponto, eu lembro desse dia, a gente na Marginal
- 16:30em São Paulo, fazendo a vida, o que a gente quer, o que a gente
- 16:34quer das alas, o que a gente quer da nossa vida pessoal.
- 16:37E foi aí que a gente desenhou. A gente tá na fazenda, qual que
- 16:39é o objetivo das alas? Por que a gente tá lá?
- 16:41O que a gente quer fazer? E a gente voltou atrás e falou,
- 16:43olha, então a partir de agora, todos os serviços que a gente tá
- 16:45fazendo vai ter mais terroir na fazenda.
- 16:47Vai levar mais itens da fazenda, não vai ter nenhuma sem nenhum
- 16:50item da fazenda. E aí a gente tirou tudo que a
- 16:52gente tinha de linha, que já vendia bem, a gente já tinha um
- 16:55público no mercado, até hoje o pessoal vem e fala das cervejas
- 16:57que a gente faz em dois mil e quinze, dois mil e dezesseis.
- 16:59Pede essas cervejas. E a gente tirou todas elas de
- 17:02linha e falou, agora todos vão ter mais ingredientes da
- 17:04fazenda. Além da água, né, que já era
- 17:05daqui. Aí tu vê, Lud, tu falou antes,
- 17:08né, tudo pra dar errado. Tudo.
- 17:10Tudo. Aí, eles dobraram a meta.
- 17:13Vamos tirar as cervejas que já estão vendendo bem e vamos botar
- 17:18terroir. Vamos falar de cervejas da terra
- 17:21mesmo, cervejas que têm insumos produzidos na terra.
- 17:24Meu, genial. O cervejeiro caseiro,
- 17:27principalmente essa pessoa que tem essa mentalidade caseira,
- 17:29ela é inventiva. Eu gosto disso.
- 17:32E o mais legal, assim, que é um dos maiores orgulhos que a gente
- 17:35tem é justamente isso, né? O pessoal chega e fala, pô, toma
- 17:38sua cerveja, tô vendado, toma a cerveja, eu sei que é Zalaz.
- 17:41Ela tem a nota de Zalaz. E o pessoal hoje já sente a
- 17:44mesma nota da cerveja, sente no nosso café, fala, nossa, o seu
- 17:46café tem notas muito similares da cerveja.
- 17:49Então a gente consegue, realmente, isso pra mim é a
- 17:51tradução do termo Apple. Os produtos que a gente faz lá,
- 17:53todos estão levando essa nota que tá no ambiente, né?
- 17:56Que tá na terra. Total.
- 17:58Total. É muito interessante isso,
- 18:00porque a gente, quando visita as alas, a gente percebe o terroir
- 18:07em tudo. A gente fica falando sobre
- 18:11insumos e cervejas e os outros produtos.
- 18:14Eu voltei recentemente a assinar a cesta, tinha parado.
- 18:18Assinei na pandemia, eu lembro que na pandemia eu falei, ah, eu
- 18:21quero assinar, quero assinar, porque estava naquela fase de,
- 18:23primeiro, você conhece as cervejarias e você quer dar um
- 18:26help naquilo que você pode. Eles estavam oferecendo, toma
- 18:29meus melhores produtos selecionados aqui por um preço,
- 18:33você vai receber todo mês, eu falei, puta, é isso, né?
- 18:35Eu estou ajudando, entre aspas, mas ao mesmo tempo estou
- 18:38recebendo muito em troca. E aí fiquei, sei lá, dois anos
- 18:41assinando, parei, fiz uma cirurgia, parei, mas falei,
- 18:44agora eu posso voltar. E aí, já chegou no primeiro mês,
- 18:47acho que eu já abri tudo, que não era comum antes.
- 18:50Abri tudo. Aprovei tudo, passei no pão,
- 18:52aquilo que tá básico passando no pão.
- 18:54Falei, meu Deus, eu tô louca mesmo.
- 18:56Nossa. Já bebi a soda e tomei as
- 19:00cervejas. Sabe aquela coisa do tipo, me
- 19:02deleitando? E o ruim da sexta, que fica aí o
- 19:05ponto negativo, é que de vez em quando vem um negócio muito bom
- 19:08e que demora a voltar, rapaz. É, isso tem.
- 19:10Entendeu? Tipo, sei lá, brigadeiro de...
- 19:14De capim-limão, esse todo mundo fala.
- 19:16Brigadeiro de capim-limão, isso é uma droga.
- 19:18Não, esse a gente parou de produzir.
- 19:20Aí, ó. Porque deu problema familiar,
- 19:22entendeu? Ah!
- 19:23Porque chegava na sexta, um só como sumia, o outro nem via o
- 19:27cheiro. Aí começou a ter briga familiar,
- 19:28porque a gente tava mandando um só e o pessoal numa sentada
- 19:31zerava tudo. Ah, mas isso é um problema da
- 19:33família. Isso ele resolve no SBT, no
- 19:35Ratinha, não tem nada a ver comigo.
- 19:37Isso, deixa pra vara familiar isso, isso aí não é problema
- 19:40nosso. Daí a gente falou, não, vamos
- 19:41parar de fazer isso, porque tá dando muito problema.
- 19:51Mas Henrique, eu acho que você queria puxar um negócio
- 19:53importante aí, que tem a ver com terroir.
- 19:55Eu só consigo me lembrar do malte da cerveja que tem
- 19:58defumado com madeira de eucalipto.
- 20:01Eu acho que é madeira ou é com folha de eucalipto?
- 20:03Madeira de eucalipto. Lenha de eucalipto.
- 20:04Madeira de eucalipto. Essa cerveja chegou até mim,
- 20:07chegou até o interior aqui. Eu não posso mais falar
- 20:09interior, agora é litoral. É, porque eu moro no litoral do
- 20:12Gaúcho. E chegou até mim e eu sou um
- 20:15apaixonado por cervejas defumadas.
- 20:17Apaixonado, eu... Eu viajo pra beber de cerveja
- 20:19defumada fresca e que belíssima surpresa pegar uma cerveja com
- 20:24malte defumado em eucalipto, né? Imagina o eucalipto da fazenda e
- 20:28o malte também é produzido ainda ou é comprado?
- 20:30Não. A gente tentou produzir malte
- 20:32aqui, teve sorte de principiante no primeiro ano a gente
- 20:35conseguiu colher e aí nos outros anos a gente não conseguiu.
- 20:38A gente até falou com o pessoal da agrária, o especialista lá de
- 20:41plantio, pediu umas dicas pra ele e a gente tá numa região que
- 20:44precisa de muita irrigação pra produzir a cevada.
- 20:46E não é viado no nosso caso aqui na fazenda.
- 20:48Então a gente não conseguiu mais plantar malte, mas cevada na
- 20:52verdade. Mas a gente está tentando
- 20:53produzir mais insumos para serem a base das cervejas futuras.
- 20:58Então a gente está colocando mais milho.
- 21:00Eu não sei qual que você tomou, que é uma série que a gente tem
- 21:02defumada, a série Brumas. Então a gente fez uma
- 21:04Doppelbock, já fez uma Kentucky Common, já fez uma Barley.
- 21:09Eu acho que era uma Doppelbock. Doppelbock era...
- 21:11Doppelbock. Era preta.
- 21:12Isso. É, pode ser.
- 21:13Acho que fez uma Imperial Porto também, uma Doppelbock, uma
- 21:17Barley e uma... Como?
- 21:19É, grande chance de ter sido a Doppelbock, porque eu ganhei de
- 21:21presente e a pessoa pensou, vou dar um estilo alemão pra ele.
- 21:24É... Batata.
- 21:25E esse processo, vocês também, vocês defumaram esse malte
- 21:29dentro da fazenda, pegaram, vocês têm um defumador pra fazer
- 21:32isso, pra fazer parte dele? É, a gente fazia carne defumada,
- 21:35né? Então a gente já tinha
- 21:36embutidos, né? Tinha um monte de coisa
- 21:37defumada. E aí, num dia, a gente, naquelas
- 21:40inspirações da fazenda, a gente defumando pra cesta, a gente
- 21:43tava fazendo, tipo, lombinho defumado, que era um item que
- 21:45foi pra cesta uma vez, e a gente falou, pô, tô com defumador
- 21:48aqui, por que que não faz uma cerveja defumada?
- 21:50Com maltes, que a gente defuma esse malte, entendeu?
- 21:52Por que não? Por que não?
- 21:53Daí a gente foi e fez, né? Eu não tô fazendo nada, você
- 21:57também. Exatamente.
- 21:58O que tem de fumar um malte assim gostoso com alguém?
- 22:01Meu! A Cíntia fez uma cerveja com o
- 22:05nosso malte defumado. Na última festa ela foi, falou
- 22:08da cerveja, pô, cara, aquele malte e tal.
- 22:10Daí eu fui lá, a gente tinha um pouquinho que a gente tinha
- 22:12defumado, a gente deu pra ela e ela produziu também com o nosso
- 22:15malte defumado. Eu aceito também, só queria
- 22:18dizer isso. Apesar da Cíntia ter ganho, eu
- 22:20também aceito. O malte defumado...
- 22:22É que ela tava aqui, né? Ela tava aqui, né?
- 22:24Então você tem que chegar até Asalave, tem que vir aqui, né?
- 22:26Desviar sua rota ali... passar por aqui, né?
- 22:30Agora... Eu podia ter ficado quieto e não
- 22:32ter tomado essa, viu, Lud? Aí, tá vendo?
- 22:35Ele tava crente que você ia falar assim, não, cara, eu vou
- 22:37fazer... Quantos quilos de malte tu ia
- 22:39precisar, Henrique? Ah, uns quatro quilos.
- 22:42Pra fazer uma cem por cento defumada, uns quatro quilos.
- 22:44Nossa, cem por cento defumada é coisa, hein?
- 22:46As minhas Rock Beer são todas, quase todas, cem por cento
- 22:49defumadas. Ah, mas essa que a gente faz
- 22:51deve ser a Doppelbock, deve ser na faixa de entre dez e quinze.
- 22:55Ó, mas então o malte é potente. O malte é potente.
- 22:57Essa é a diferença. Então, mas aí tem uma grande
- 22:59diferença, né? Frescura.
- 23:01Ah, sim. Então, frescura, você tem que
- 23:04saber o toque da mão, né? Você tem que...
- 23:06Por exemplo, tudo que a gente faz é fresco.
- 23:08A gente não compra a polpa, a gente faz as polpas.
- 23:11Então, qualquer fruta que a gente utiliza, a gente tem que
- 23:13despolpar. Essa semana passada, a gente
- 23:14tava descascando manga a semana inteira.
- 23:16Construindo a polpa, porque ele vai estar muito mais intenso de
- 23:19sabor, de aroma. Quando você pega um malte
- 23:22defumado em uma altaria, normalmente ele está parado lá
- 23:24vários meses. E eu digo isso também do malte
- 23:27escuro, ele fica lá parado, normalmente recebe promoção,
- 23:30está vencendo esse malte aqui, quer comprar?
- 23:32Normalmente é malte escuro. Então quando a gente defuma, a
- 23:35fumaça está super presente ali, ela está muito intensa.
- 23:38Então a gente usa uma quantidade muito menor do que usaria se
- 23:42fosse um malte já defumado de maltaria, que já perdeu o seu
- 23:45aroma no tempo de armazenagem dele.
- 23:47Entendi. Então pode ser só um quilo pra
- 23:48mim. Não precisa ser quatro.
- 23:50Um quilo me resolve. Já me convenceu.
- 23:53Um quilo me resolve. Eu combinado.
- 23:57Eu acho que a gente, para ir caminhando no nosso papo aqui, a
- 24:00gente já pincelou esse assunto, que é gerir diferentes frentes
- 24:05de negócios. A gente está falando de café, a
- 24:08gente está falando de cerveja, dos produtos da fazenda. escola,
- 24:13do restaurante esse modelo diversificado na sua cabeça,
- 24:18facilita ou complica a operação do dia a dia, sabendo que ter
- 24:22isso esse monte de pratinhos complica, mas de repente uma
- 24:25coisa equivale a outra, ajuda a outra, como é que é isso na
- 24:29cabeça de vocês, como é que fica essa construção?
- 24:31Acho que como tudo na vida tem prós e contras, então eu acho
- 24:36que tem, quais são os prós, alguns que a gente tem?
- 24:39A gente é uma empresa pequena, em todas as frentes que a gente
- 24:42atua, a gente é pequeno, e aí tendo mais de uma atividade, a
- 24:46gente consegue ter algumas pessoas multitarefas.
- 24:49Eu consigo contratar uma pessoa, só que deixando bem claro, você
- 24:52vai fazer isso e isso. Alguns dias você vai estar
- 24:56trabalhando como vendedor e no outro dia você vai ser garçom.
- 24:59Você vai torrar café e vai ser o barman.
- 25:02Então a gente acaba equilibrando, conseguindo
- 25:04contratar uma pessoa, mas que ela faça mais de uma tarefa, de
- 25:07uma atividade. A gente não conseguiria ter dois
- 25:09funcionários. Eu vou ter um barman e vou ter
- 25:11um torrador de café, por exemplo.
- 25:13Não tem marasmo. É, então a gente consegue ter
- 25:15essa troca de, essas pessoas se ajudando em todas as frentes,
- 25:19né? Então tem lá, pô, tô com baixa
- 25:20demanda no restaurante, vamos ajudar na fábrica.
- 25:22Tô com baixa demanda na fábrica, ajuda no restaurante.
- 25:24Então a gente consegue ter um pouco desse caminhar aí entre as
- 25:27unidades de negócio, né? E eu acho que hoje tá muito em
- 25:31voga também, todo mundo falando do ecossistema.
- 25:33Uhum. Essas várias frentes é um
- 25:35ecossistema que aconteceu naturalmente.
- 25:37Então a gente tem um ecossistema ali que gira em torno das alas,
- 25:41que é natural. Então a fazenda produz, vai para
- 25:44as alas, vai se tornar um item do prato, por exemplo.
- 25:47Aí vai virar uma cerveja. O trube da cerveja, a gente vai
- 25:51fazer um biofertilizante dele. As leveduras, vai fazer um
- 25:54biofertilizante dele, que vai voltar para a fazenda.
- 25:58Ah, o subproduto do restaurante que a gente foi na hora de
- 26:01processar ali vai pro composto orgânico, vai pro minhocário,
- 26:05vai transformar de novo num adubo, que vai voltar pra terra
- 26:08também pra fertilizar, que depois vai voltar pro nosso
- 26:10sistema, né? Então tem esse ecossistema, esse
- 26:13ciclo que a gente faz com todas as unidades, tudo dentro ali das
- 26:16alas, e também os produtos, né? Que acabam, produz ali e ele já
- 26:20vai ser consumido a poucos metros de onde ele é produzido,
- 26:24onde ele é plantado. É, rapaz, pra quem começou
- 26:26dizendo que fazia só a cerveja que gostava, até que esse rapaz,
- 26:30ele tem alguma coisa na cabeça, né?
- 26:34Tem todo um ciclo, né? Tem todo um ciclo de...
- 26:37Achei muito interessante, tipo, um dos meus programas favoritos
- 26:41da televisão é o Globo Rural. Eu amo o Globo Rural.
- 26:43Sim, o Globo Rural é demais, né? O Globo Rural é demais.
- 26:46E a parte mais interessante é quando mostram esses modelos de
- 26:50fazenda, modelos de... seja qual for o tipo de cultura que tá
- 26:54acontecendo, existe essa sinergia entre, ah, aqui eu
- 26:58planto porque aqui do lado eu tenho galinhas que vão gerar
- 27:01fertilizante... E lá no final, a água que desce,
- 27:05eu vou filtrar e vai cair lá pra criar carpas e tudo isso.
- 27:08E é muito interessante como vocês aplicaram isso, porque se
- 27:12a gente for ver os produtos da Salaz, eles são meio... eles têm
- 27:16uma sinergia, né? Não são coisas muito distantes
- 27:19uma da outra, elas são bem próximas, na verdade, né?
- 27:21São produtos próximos. Exato.
- 27:23E assim, eu digo até o que eu costumo falar.
- 27:26A gente construiu ali o ápice do produtor rural.
- 27:29Então eu consigo preparar a terra, plantar, manusear ela
- 27:33ali, né? Colher, processar, beneficiar,
- 27:36empratar e servir, né? Então a gente consegue fazer um
- 27:38ciclo todo ali dentro do alimento, dentro das alas.
- 27:41Com o mínimo de desperdício, imagino.
- 27:42Com o mínimo de desperdício, né? Então pra mim é o ápice do
- 27:45protorrual, né? Pô, eu tô plantando ali, tô
- 27:47produzindo ali, tô consumindo ali.
- 27:49Vocês têm ideia de quanto vocês, nesse processo, vocês não
- 27:52conseguem aproveitar? Vocês têm esse número ainda ou é
- 27:56uma coisa um pouco mais distante?
- 27:57Ah, não tem esse número, não tem.
- 27:58A gente quer tentar fazer mais coisas que sejam úteis
- 28:01justamente pra cerveja, pro restaurante, pra cesta.
- 28:04Então a gente tá buscando cada vez mais plantar itens que
- 28:08tragam mais sinergia ainda. Só que a gente lembra que cada
- 28:11item que a gente coloca na fazenda gera uma complexidade
- 28:13adicional, né? Eu tenho que ter todo o manuseio
- 28:15dele, gestão dele, que tá junto com as outras atividades na
- 28:20fazenda. A gente tem que equilibrar tudo,
- 28:22né? E treinar pessoas, porque as
- 28:24pessoas vão ser multitarefas, elas também vão precisar de
- 28:26certa forma processar, cuidar, fazer crescer aquele produto que
- 28:30vai ser vendido, né? Sim, exatamente.
- 28:32Pensei numa coisa aqui rapidinho, Henrique.
- 28:34Você falou de produzir, tudo aquilo que você introduz,
- 28:37lúpulo. Lúpulo, então, é uma outra
- 28:41demanda que talvez surja. A gente já plantou lúpulo quando
- 28:45eu era caseiro. Plantei lúpulo quando eu era
- 28:47caseiro aqui. Cheguei a colher lúpulo, mas
- 28:49naquela época não tinha, se for em dois mil e onze, dois mil e
- 28:52onze, doze, não tinha o equipamento de beneficiamento.
- 28:54E hoje é o primeiro ano que a gente efetivamente, em dois mil
- 28:57e vinte e quatro, que a gente teve acesso a esses equipamentos
- 28:59de beneficiamento. de pelletização, de secagem, e ter
- 29:04finalmente o lúpulo em pellets. Então agora talvez faça sentido
- 29:07a gente pensar de novo em plantar.
- 29:09Mas ao mesmo tempo, isso está nos planos, está num projeto
- 29:12futuro que a gente quer ter, conversa com o que a gente quer
- 29:15passar, como os alás, só que a gente também precisa estar tudo
- 29:18estável, estável não, mas tudo controlado no termo da fazenda.
- 29:22O que a gente quer fazer da fazenda?
- 29:23Porque mão de obra também é um negócio muito escasso. e a gente
- 29:26precisa saber como que eu vou lidar com mais uma frente de um
- 29:29produto que a gente ainda não conhece, como fazer de maneira
- 29:33correta, da melhor maneira, quanto que isso vai consumir
- 29:36também da mão de obra, ele vai competir com o café, não vai
- 29:38competir com o café, em termos de época de colheita, então é
- 29:42uma coisa que a gente ainda não chegou para estudar com afinco
- 29:45ali. A gente já falou algumas vezes
- 29:46até com o Gabriel, que é o consultor, falou, pô, vamos
- 29:48plantar, vamos plantar, mas a gente não deu esse passo ainda
- 29:51por esses motivos. Total.
- 29:54E tu falou, agora tu falou sobre a cesta das alas, né, que ela
- 29:57foi um produto criado durante a pandemia.
- 30:01Isso. Se mantém hoje ainda a venda lá
- 30:03no site das alas, tem vários tipos de cesta, não é um tipo de
- 30:07cesta só. E era um número limitado de
- 30:10assinantes na época, mas esse modelo de exclusividade se
- 30:14mantém ou hoje em dia já é uma coisa mais ampliada, mas tem
- 30:19mais acesso para as pessoas? Hoje tem acesso, o pessoal ainda
- 30:23tem essa mística, né? Na verdade, hoje não tem, mas
- 30:28essa fila, a Cista está lá disponível para comprar.
- 30:32Durante a pandemia, a gente foi bem cauteloso.
- 30:35A gente surgiu com esse produto, estava todo mundo fechado, a
- 30:38gente queria levar um pouco... A gente pode criar um
- 30:40e-commerce? Pode.
- 30:41Mas a gente falou, qual é o sentido da pessoa comprar umas
- 30:44alas? Ele pode comprar as alas em
- 30:47outro e-commerce que já existe. Então, a gente quis levar um
- 30:49pouco dessa experiência de estar nas alas.
- 30:52Então, vamos levar todos os produtos que a gente tem ali e
- 30:54colocar numa caixa para ele levar um pouco dessa experiência
- 30:57que ele teria se ele tivesse vindo nos visitar.
- 30:59Então, a cesta surgiu dessa forma.
- 31:01Vamos levar um pouquinho das alas para a casa das pessoas.
- 31:03E a gente foi bem cauteloso. Vamos fazer cinquenta cestas.
- 31:06Vamos agora para cem. E a gente foi crescendo aos
- 31:09poucos. E aí, gerou uma fila enorme na
- 31:11pandemia. Estava todo mundo querendo
- 31:13aquele produto. Então, a gente tinha vários
- 31:16assinantes e com uma fila que a gente não dava conta. porque a
- 31:18gente não conseguia realmente produzir os itens.
- 31:20Depois passou a pandemia, a gente criou essas outras opções
- 31:23de cestas que não existiam, e as pessoas voltaram a ter um regime
- 31:28de trabalho híbrido, e a gente tinha muito item de cozinha,
- 31:31então o item de cozinha começou a se tocar na geladeira da
- 31:33pessoa, e muita gente parou de assinar um pouco por isso.
- 31:36Então a gente foi criando esses outros modelos de cesta, foi se
- 31:39adequando também. Vamos fazer uma cesta só de
- 31:40cerveja, porque o nosso público quer mais cerveja, então a gente
- 31:42criou só a da cerveja. Vamos diminuir o item de
- 31:45cozinha, mesclar as duas cestas, Vamos fazer uma só de café.
- 31:49Então foi surgindo depois pelas demandas, né?
- 31:52Por essa mudança que teve no mercado também.
- 31:54Hoje a cesta tá disponível, mas é só no orgânico.
- 31:56Então a gente nunca patrocinou ela, então ela segue e a gente
- 32:00consegue se programar por ela ali.
- 32:02E eu fico me perguntando aqui, Fabrício, a dificuldade que é,
- 32:05primeiro, é uma cidade interiorana, né?
- 32:07É uma cidade de interior, então transporte já é um problema, né?
- 32:11Um problema a ser solucionado. Sim.
- 32:13E também que é uma fazenda. É a terra que manda, né?
- 32:17Não é vocês que têm que escolher de acordo com o que a terra
- 32:21provê, de certa forma. Então, isso também deve ser uma
- 32:23questão que entra nesse poder na hora de definir.
- 32:28Ó, vamos mandar isso aqui, beleza.
- 32:29Olha pra fazenda e pergunta. O que eu tenho disponível nesse
- 32:32momento... O que eu posso transformar aqui
- 32:35para entregar qualidade para quem nos assina, né?
- 32:38Deve ser uma trabalheira. Mas foi interessante porque a
- 32:41cesta, durante um bom período de tempo, ela foi o direcionador do
- 32:45que a gente plantava na fazenda. A gente precisava de quantidade
- 32:48para produzir para a cesta, então não era uma coisa que a
- 32:50gente tinha normalmente na nossa horta, porque na nossa horta era
- 32:52para o restaurante, para coisas pequenas, então ele não dava
- 32:55conta da cesta. Então, durante muito tempo, a
- 32:57gente sentava e falou, o que eu vou mandar de item da cesta?
- 33:00Eu vou mandar isso. Então, a gente vai precisar
- 33:02plantar isso. Então, seis meses eu vou
- 33:04conseguir colher e a gente vai fazer esse item.
- 33:06Então, a cesta, durante alguns anos, ela foi o planejamento da
- 33:10fazenda. Foi o contrário.
- 33:12Ela tocou o planejamento da fazenda.
- 33:13Foi o contrário. O contrário, porque a gente aí
- 33:14começou a pensar que item que eu preciso mandar, que itens eu
- 33:18quero mandar, né? Ah, vou mandar um antepasso de
- 33:19berinjela, vou mandar o tabasco, vou mandar não sei o que, não
- 33:21sei o que. A gente foi listando, foi vendo
- 33:23o tempo de plantio de cada um, o tempo de colheita, e aí a gente
- 33:26foi planejando a fazenda um pouco em função disso.
- 33:29Quando a gente ter o nosso... Isso por si só já é um desafio,
- 33:31né, Fabrício? Se for parar pra pensar, né?
- 33:33Mas eu imagino que nesses dez anos de Zalaz, tiveram outros
- 33:37que vocês também superaram. Tem algum ou alguns aprendizados
- 33:41ou soluções que tu poderia compartilhar com quem tá
- 33:45escutando a gente, que talvez inspirem outros donos de
- 33:47cervejarias, donos e donas de cervejaria, pra enfrentar
- 33:50desafios semelhantes ao que vocês passaram?
- 33:52Olha, tem vários, né? Se tivesse pouco, seria um
- 33:55milagre, né? Até esse próprio ponto, assim,
- 33:58que a gente fala do nosso propósito, o que a gente gosta,
- 34:02né? Então, isso foi um propósito
- 34:03mesmo. Se você não tá pronto pra
- 34:05encarar, a vida toda hora vai te mostrando.
- 34:08Pô, tem isso, tem isso, toma isso.
- 34:10Você não vai ter um rumo. Você vai ficar só girando o
- 34:12negócio em círculo e não vai conseguir andar pra frente, né?
- 34:15Agora eu vou fazer pio sem litrão.
- 34:17Agora eu vou fazer chope de torre.
- 34:19Agora eu vou fazer aquilo. Então você começa a fazer o que
- 34:21o mercado está pedindo ali e você não se posiciona.
- 34:24Você não consegue entrar lá e se diferenciar.
- 34:27A minha marca é essa. Eu estou posicionado assim.
- 34:31É isso que eu quero. É isso que eu sou. é isso que eu
- 34:34quero, é isso que eu vou ser, entendeu?
- 34:35E acho que muita gente se perde nisso, sabe?
- 34:37Começa a dizer, ah, o mercado agora tá querendo isso.
- 34:39Aí você começa a virar o seu barco pra aquele lado, depois
- 34:42ele virou pro outro lado e você não tá navegando pra lugar
- 34:45nenhum, né? Você tá só girando ali.
- 34:47Então esse foi um ponto, né? Acho que a gente... desde o
- 34:50início se manteve ali fiel ao que a gente acreditava, claro,
- 34:52que a gente adequou muita coisa, mas sempre inerente ao que a
- 34:56gente acreditava, o nosso propósito ali, esse é um.
- 34:59Um desafio que a gente, foi bem difícil, assim, foi a questão
- 35:02de, na pandemia, né, a pandemia foi uma loucura, né, mas a gente
- 35:07tava com uma alta demanda, E mais um ponto que a gente não se
- 35:10atentou foi a crescente dos custos, né?
- 35:13Então a gente teve uma crescente, que é um cenário que
- 35:15a gente, de certa forma, está vivendo hoje também, né?
- 35:17A crescente dos custos, né? Dólar subindo, vai e pressiona
- 35:21os nossos custos de produção ali.
- 35:23E na pandemia estava a garrafa explodindo, tampinha, insumo,
- 35:26aquela loucura para conseguir as coisas caixa, você não conseguia
- 35:28comprar caixa, você não conseguia comprar garrafa,
- 35:30estava uma insanidade. E a gente demorou para perceber
- 35:34isso, e isso afetou a gente durante um ano, mais de um ano
- 35:37ali, né? tomando prejuízo dessa conta que
- 35:40a gente não tinha feito lá atrás, de repassar, refazer os
- 35:42custos da cerveja e aí conseguir sentar e falar, nossa, a gente
- 35:46está perdendo dinheiro aqui. Então, isso é um ponto, você tem
- 35:49que ficar sempre atento no mercado, principalmente em
- 35:52momentos que a gente está como hoje, que é o momento de
- 35:53tempestade, você tem que estar ali o tempo inteiro, olhando o
- 35:57que está acontecendo e atentos nos seus números, isso é um
- 36:00papel fundamental. Cara, eu fico muito pé da vida
- 36:03quando alguém fala assim, Mar, calma, não faz marinheiro bom.
- 36:08Ah, merda, né? Tipo, não pode ter um minuto de
- 36:11tranquilidade, Brasil. Não, não pode.
- 36:14Eu tô vendendo bastante a cesta, mas aí você não viu o preço da
- 36:17garrafa, a tampinha, não sei o que, você se lascou.
- 36:20Mas aí não tem caixa pra enviar. Caceta, não tem um minuto de
- 36:24paz. Foi uma loucura, foi loucura.
- 36:27Vamos fazer uma experiência, vamos gerar um momento de paz
- 36:30pra todo mundo, pra todo mundo ter a chance de prosperar.
- 36:32Depois a gente começa com os problemas, sabe?
- 36:34Vamos primeiro... Cara, marzinho tranquilo.
- 36:38Depois a gente pensa em problema.
- 36:39É, mas até na pandemia, a gente tava num cenário, a gente
- 36:42lançava, dava sold out no lançamento, sabe?
- 36:45Aí, pô, o que a gente ia fazer? Vamos aumentar o lote.
- 36:47A gente foi aumentando, aumentando, aumentando, acabou a
- 36:49pandemia. Aí todo mundo saiu pra tomar
- 36:51chope. Aí a gente ficou lá com as
- 36:53nossas garrafas, que elas levam nove meses pra gente sair com
- 36:56ela pro mercado, né? Porque vai refermentar na
- 36:57garrafa, passa no, sabe, vai pra barril, depois você refermenta
- 37:01na garrafa. No fim, são nove meses pra sair
- 37:03no mercado. A gente chegou, tinha um lote lá
- 37:05que a gente tava com garrafa encalhada, que a gente não sabia
- 37:08mais o que fazer, entendeu? porque voltou da pandemia, caiu
- 37:11a demanda de garrafa, e aí tipo, vou lançar isso aqui ninguém vai
- 37:13comprar mais duas mil garrafas o pessoal agora vai comprar
- 37:16quinhentas garrafas então foi uma loucura foi um período que a
- 37:20gente teve também que se ajustar muito por isso, né é gente eu
- 37:25nem sei, de vez em quando eu ouço umas coisas eu achei muito
- 37:28bom o recorte que você falou agora sobre justamente não
- 37:31necessariamente ficar rodando só naquilo que o pseudo mercado
- 37:36quer, porque o mercado não sabe o que ele quer Ele fica atirando
- 37:39para todos os lados e fala, eu quero a Pilsen, eu quero isso,
- 37:42eu quero aquilo, eu quero o Ipa, eu quero o New England.
- 37:44E se você for atirar para todos esses lados, você não atirou
- 37:46para nenhum, você não criou identidade, você não criou
- 37:49empatia, sinergia. E aí a gente só ouve falar de
- 37:54clube de assinatura que não funciona.
- 37:56Clube de... Não, clube de cerveja não
- 37:58funciona, clube não funciona. Agora, clube do café está
- 38:01bombando, a Dude está aí com o clube há cinco anos, você está
- 38:05com a sua cesta aí há pelo menos cinco anos...
- 38:08Fazer também cinco anos, vai fazer cinco anos agora em maio.
- 38:11Aí, cinco anos, ou seja, tipo, cara, se não tivesse
- 38:15funcionando, por mais percalço que você tivesse tido, você já
- 38:18tinha parado, entendeu? Sim, a gente chegou a cogitar,
- 38:22falou, voltou a pandemia, a gente tá com o restaurante
- 38:25agora, faz sentido manter a cesta?
- 38:26A gente olhou, faz, falou assim, nem todo mundo consegue vir aqui
- 38:30nas alas todo mês. Uhum.
- 38:32É uma parte importante do nosso faturamento, a gente precisa
- 38:34disso, então você não tem como parar, sabe?
- 38:36É uma coisa que criou e a gente gosta também de criar e instiga
- 38:40a nossa mente toda hora, preciso criar pro mês que vem sete
- 38:43itens. Sim.
- 38:44Todo mês, todo mês eu tenho que criar sete itens.
- 38:46Perfeito, todo mês pode criar seis itens e mandar todo mês o
- 38:49brigadeiro de capim-limão. Já facilitei a vida de vocês,
- 38:53pô. Eu tô com a cesta aberta aqui,
- 38:56eu tô vendo qual que eu vou assinar.
- 38:57Eu tô vendo aqui, eu tô vendo o Fred.
- 39:09Bom, nesses programas, tipo o Casey, para a gente conhecer a
- 39:14história das cervejarias, a gente ouve frequentemente falar
- 39:19sobre o sucesso de muitas cervejarias, que ele está
- 39:22diretamente ligado no foco de oferecer uma experiência
- 39:25incrível para o consumidor. Eu já estive nas alas
- 39:29pessoalmente, foi sensacional, sou cliente da Sexta, já comprei
- 39:33cerveja direto com vocês. Então como é que a Zalaz
- 39:35trabalha esse aspecto e qual a importância disso pra vocês?
- 39:39Essa criação desse vínculo emocional no final, entendeu?
- 39:43Porque dá merda, dá uma escorregada, mas daqui a pouco
- 39:46vocês estão vendendo duas mil garrafas de um negócio que você
- 39:48achou que não fosse vender. Acho que o cliente é tudo, né?
- 39:51Sem cliente a gente não vive, não vende, e a gente quer cada
- 39:56vez estar mais próximo do cliente.
- 39:58É o que a gente conseguiu, de certa forma, construir nesses
- 40:01anos, mas sem plano de negócio, sendo o que a gente é.
- 40:04Então a gente quer transparecer isso, quer transparecer a
- 40:07fazenda, transparecer o que a gente acredita, e a gente acabou
- 40:10cultivando algumas pessoas também, que gostam do nosso
- 40:13trabalho, gostam das cervejas, vão no restaurante, enfim.
- 40:16E a gente quer estar cada vez mais próximo, cada vez
- 40:19oferecendo mais experiências da fazenda.
- 40:21Então esse é o nosso objetivo, estar muito próximo.
- 40:24E a gente sabe também, agora falando desses problemas, a
- 40:27gente sabe que o nosso transporte é um caos no Brasil.
- 40:30Principalmente com garrafas. Então a gente está super
- 40:33preparado para... Deu erro, quebrou uma garrafa.
- 40:36A gente já chega na hora, já estou te mandando uma outra
- 40:38cesta, está aqui. Nem vou discutir, porque eu já
- 40:42sei que... é passível de acontecer isso, né?
- 40:45Apesar que a gente embala super, né?
- 40:47Muito saco de bolha ali, muitas outras coisas, mas isso
- 40:49acontece. Então, a nossa equipe tem que
- 40:51estar preparada também para resolver isso, né?
- 40:52Cem por cento. Mas é isso.
- 40:54Então, assim, vocês estão muito focados na experiência.
- 40:56Eu acho que era importante a gente contar um pouco isso.
- 40:58O que é a Experiência Zalaz? Você teve laço, acho que você
- 41:01pode até falar melhor do que eu ali, inclusive eu não recomendo
- 41:05ir em feriados, que é muito cheio, a gente não consegue
- 41:07ainda dar, e a Lud foi no maior feriado do ano que a gente tem,
- 41:11que marca o início da temporada, que é Copos Cristi, e esse é o
- 41:13feriado que é o mais cheio que a gente tem do ano. que realmente
- 41:17é o início da temporada de inverno, né, pra região.
- 41:18A gente tá numa região turística, mas a gente não tá na
- 41:21cidade turística, né? Então, ao redor a gente tem
- 41:23algumas cidades turísticas e Azalás tá fora da rota e a gente
- 41:27acabou criando uma rota paralela, né?
- 41:28Então, o pessoal vai pra vir na Azalás e aproveita o entorno
- 41:32mais turístico também. E aí, como foi sua experiência?
- 41:34Acho que você... Pode até falar melhor do que eu,
- 41:37né? A ideia é a gente estar passando
- 41:38um pouco disso, do que a gente vive lá, nessas experiências que
- 41:41a gente recebe o pessoal nas alas.
- 41:43Então, passeio de trator, vamos lá conhecer a cervejaria, as
- 41:46nossas festas, que hoje o pessoal já busca sempre
- 41:51participar de uma festa, pelo menos no ano.
- 41:53Então, são as experiências que a gente conseguiu construir ao
- 41:55longo desses anos, que é pra mostrar mesmo um pouco do nosso
- 41:58dia-a-dia ali. Quantas pessoas cabem no
- 42:00restaurante, Fabrício? O restaurante, lugares sentados
- 42:03ali, é... Sessenta pessoas.
- 42:06Tá. E numa festa, vocês botam mais
- 42:08ou menos? A última festa de aniversário
- 42:10foram quinhentas. A minha pergunta...
- 42:13É, mas quando você foi no Corpus Christi, num feriado grande,
- 42:17vai, chega a passar mais de cem pessoas, que a gente abre o
- 42:19gramado, né? Quando é temporada de seca, né?
- 42:22Não tá chovendo ali, a gente consegue abrir mesa no gramado
- 42:25também, e aí chega a ter mais de cem pessoas ali no nasalado.
- 42:28Eu reservei minha mesa com muita antecedência, sentei lá dentro,
- 42:32estava ótimo, tomei cerveja, comi, bebi, foi ótimo.
- 42:35Mas eu estou falando isso porque você está numa região, como você
- 42:38disse, eu não estou na rota, eu não estou na cidade turística,
- 42:41eu não estou na rota turística oficial, ou seja, não é
- 42:44simplinho. Ah, vou lá na Zala rapidinho,
- 42:47vou pegar meu carrinho, meu Fiat Uno Mille, estou de bobeira no
- 42:50meu Fiat Mille, cheguei lá. Não é.
- 42:54Então, tipo, é uma estradinha de chão e tal.
- 42:58E como eu não dirijo, eu fico igual criança no carro.
- 43:01É igual uma louca olhando pra paisagem.
- 43:04Mas eu sei que não é um negócio tipo estradinha lisinha direto.
- 43:07E vão que entra a cabeça numa festa, Brasil.
- 43:10Essa é a pergunta. Para um monte de van, para um
- 43:12monte de ônibus. Porque não tem como beber o que
- 43:14se bebe, comer o que se come. Como é que vocês não fizeram um
- 43:17hotel lá ainda? Fica aí a ideia do próximo
- 43:19negócio, né? Barraca?
- 43:21Mesmo que seja umas barraquinhas.
- 43:22Não, isso eu tenho ideia. Isso é um plano que a gente sabe
- 43:25que um dia vai sair alguma coisa nesse sentido.
- 43:27Mas é aquilo, falta bolsa e falta tempo, né?
- 43:30Pra fazer isso, né? A gente, as Alasmo é uma empresa
- 43:33que tem investidor, né? Foi a June e eu, minha esposa e
- 43:35eu que a gente construiu. Então a gente segue bem contando
- 43:38as moedas ali, sabe? Não tem, não sobra moeda pra
- 43:41isso. E mais o tempo de gerenciar
- 43:43isso, né? Fabrício, vamos catar uma
- 43:46empresa que vende barraca. É isso.
- 43:48E a gente faz um acordo, vocês pegam um gramado, barraca, aí já
- 43:52é mais uma experiência de campo. É, é o camping.
- 43:55Não, mas até voltando nesse assunto, eu acho que isso é
- 43:58super legal, sabe? O que a gente conseguiu fazer.
- 43:59Então, nessa última festa, na festa da primavera, que eu
- 44:02lembro o número de cabeça aqui, a gente tinha quarenta e duas
- 44:05pessoas de cidades diferentes que compraram ingresso.
- 44:08Então, quarenta e duas pessoas que iam lá, eu lembro que tinha
- 44:12Mato Grosso do Sul, tinha Pernambuco, tinha Sul também, eu
- 44:17lembro que tinha mais Curitiba, Paraná, não lembro se tinha mais
- 44:19para baixo, mas enfim, gente do Brasil inteiro que se desloca
- 44:22para vir para as pra curtir uma festa, pra curtir uma coisa.
- 44:25Então, no meio do nada, né? Então, você tá passando, hoje é
- 44:29quase tudo asfaltado, tem um quilômetro e meio só de terra
- 44:31ali, mas você pega uma estradinha lá na terra, cheia de
- 44:33cascalho, passa, enfrenta uns boizinhos, que a gente perde
- 44:36cliente também, porque às vezes o boi tá na frente e ele volta,
- 44:39mas ele enfrenta os boizinhos, passou por ele, aí quando vê,
- 44:42você chega no meio do nada, tá um paraíso ali, tá as alas ali,
- 44:44o restaurante, a fábrica, né? É isso.
- 44:47Exatamente. No meio do nada.
- 44:51É, no meio do nada. Ou no meio de tudo, né?
- 44:52Eu costumo dizer isso. A gente não tá no meio de nada,
- 44:54a gente tá no meio de tudo, né? Exato.
- 44:56Tá tudo acontecendo ali, né? É um bom ponto de vista.
- 44:59É, quando você atravessa aquele túnel que você passou debaixo do
- 45:02arco-íris, aí você fala, uau! Você passou o túnel e você fala,
- 45:07cheguei, o que é isso? Quem que é o louco que fez isso
- 45:11nesse lugar? É o que a gente ouve quando o
- 45:13pessoal chega lá. Quem que é o louco que fez isso
- 45:15nesse lugar? Tu tá querendo dizer que as alas
- 45:18é o pote de ouro no fim do arco-íris, é isso?
- 45:20Exato. Totalmente.
- 45:24Então, Fabrício, para a gente amarrar esse papo aqui, eu
- 45:27queria que você contasse para a gente quais são os planos de
- 45:30dois mil e vinte e cinco em relação a todos esses negócios
- 45:32ligados às alas que hoje você conseguiu passar para a gente
- 45:36justamente essa coisa do coração.
- 45:38Então, desde a cervejaria até os outros projetos da fazenda, ou
- 45:42se tudo hoje perpassa a cervejaria, ou se tem coisa
- 45:45independente. Então, quais são os planos de
- 45:47dois mil e vinte e cinco? Tem a escola, né?
- 45:48Que a gente nem comentou da escola, mas a gente também tem
- 45:50uma escola de educação infantil na fazenda, né?
- 45:53Um outro projeto também que tá ligado às alas, que é o Sementes
- 45:57Alas, que é a nossa escola. Sim.
- 45:59Bom, pra dois mil e vinte e cinco, a gente tem uma rota
- 46:02traçada, mas como eu comentei, a gente tá no meio da tempestade.
- 46:05Então, a gente tá traçado, mas a gente tá vendo o radar, o que
- 46:08que tá acontecendo ali pra... pra definir mesmo a rota, né?
- 46:11A gente quer trazer mais experiências aqui pras Alasca,
- 46:14que mais pessoas consigam chegar aqui e participar das nossas
- 46:17experiências, então esse é um dos nossos objetivos ali, né?
- 46:20Então, criar outros eventos, outras coisas, que a gente fez
- 46:25no ano passado, deu muito certo, por exemplo, foi um almoço no
- 46:27Café Zal, foi bem legal, participar da Corita do Café,
- 46:30foi uma imersão mesmo no Café Zal.
- 46:32A gente tá criando também um pouco mais de vivência na
- 46:35cervejaria, então a gente tá agora com um curso até pra
- 46:38cervejeiro profissional, ela vem pra vivenciar ser o nosso
- 46:40cervejeiro ali durante uma semana e aprendendo todos os
- 46:45trâmites do dia a dia de uma fábrica, né?
- 46:47E de outro lado, a gente tá também melhorando um pouco da
- 46:51nossa governança, né? Nesse sentido, então, o que a
- 46:53gente precisa fazer pra melhorar a gestão, pra melhorar os
- 46:56indicadores, pra ter um plano de indicador, né?
- 46:58Porque a gente veio todo ano, se a gente olhar na nossa história,
- 47:01são dez anos, mas todo ano, praticamente, com uma coisa bem
- 47:05forte estruturalmente sendo lançada, né?
- 47:07E a gente precisa agora também respirar e começar a olhar os
- 47:10indicadores, falar como é que tá indo esse negócio, como é que tá
- 47:12indo isso, que consigo já estar aqui.
- 47:14Então é um ano que também a gente quer deixar tudo isso
- 47:17muito redondo, né? Porque tem muitas atividades que
- 47:19ainda são altamente dependentes de mim, altamente dependentes da
- 47:23June, então isso é uma coisa que a gente quer também ter outras
- 47:26pessoas conseguindo tocar o dia-a-dia ali, sem eu estar ali
- 47:29tocando bumbo, né, por exemplo. Uhum.
- 47:31Um ano de estabilização, por assim dizer.
- 47:33Também, também, né? Estabilização, mas é aquela
- 47:36estabilização que toda hora chega, ó, tá surgindo isso
- 47:38daqui, e aí? A gente tá atento, mas a gente,
- 47:41nosso ano é estabilização e trazer mais gente pra Zalar, né?
- 47:45Acho que esse é o grande ponto. Perfeito.
- 47:51Bom, eu tiro daqui desse papo uma coisa que você falou lá no
- 47:54começo, que é a questão da diversificação dos produtos e de
- 47:57culturas na fazenda, que é uma temática desde a origem, antes
- 48:02dela ser Santa Terezinha, foi o que foi possível que ela
- 48:05chegasse até onde ela está agora.
- 48:07Se ela fosse só uma fazenda leiteira, lá atrás, quando o
- 48:10leite deu zebra, tinha acabado. Se ela fosse só cafeira, se ela
- 48:13fosse só de porco, se ela fosse só fazenda...
- 48:17Talvez, eu acho que a multiplicidade de temas que hoje
- 48:23existem nesse guarda-chuva permite que vocês, sim, tenham
- 48:27muitas ações, muitas atividades, mas ao mesmo tempo muitas
- 48:30saídas, né? Exato, acho que é isso mesmo,
- 48:33você conseguiu traduzir uma coisa que eu ainda também não
- 48:37tinha falado, não tinha pensado, mas acho que é justamente isso,
- 48:40né? A gente, pô, esse ano tá mais,
- 48:43vamos navegar na cerveja, esse ano vamos navegar nisso,
- 48:46entendeu? Uhum.
- 48:47Esse ano também a gente quer lançar vários produtos que a
- 48:49gente já tem na cesta, já estão estabelecidos na cesta, né?
- 48:52Como o Zão Alcoólicos, por exemplo.
- 48:53Uhum. A gente já tem o registro no
- 48:56mapa para produzir no alcoólicos, para produzir nossos
- 48:58vinagres de maneira comercial, mas a gente ainda não conseguiu
- 49:02colocar nas prateleiras. Então é um ano também que a
- 49:04gente quer lançar esses outros produtos que já são produzidos
- 49:07hoje, são servidos no restaurante ou são enviados para
- 49:10os nossos assinantes, mas a gente não consegue ainda ter uma
- 49:13distribuição melhor deles. que tem uma pegada total com a
- 49:16tendência de não beber. Exato.
- 49:19Você falou do Não Acorde, que eu lembrei deles disso.
- 49:22Totalmente. Semana passada, retrasada,
- 49:25acabou de ser a notícia que abriu a primeira loja cem por
- 49:28cento álcool free em São Paulo. São Paulo, Brasil.
- 49:32Eu acabei de ler também essa ano passada a notícia dos burgos nos
- 49:34Estados Unidos, que é o primeiro ano que teve recessão, né, em
- 49:38não sei quantos anos, o barril caiu de dois mil dólares para
- 49:41novecentos, destilarias fechando, então é um outro
- 49:44cenário também que a gente se espera muito, né, sabe, o que
- 49:46está acontecendo nos Estados Unidos provavelmente vai ser
- 49:48replicado aqui, né, numa escala menor, né, mas deve chegar aqui.
- 49:53Claro, felizmente ou infelizmente, aquilo que
- 49:55acontece lá bate aqui. onda, onda, olha a onda exatamente
- 50:00bom, essa não foi a primeira vez que a gente conversou com o
- 50:02Fabrício aqui no Surra nós falamos com ele sobre ser uma
- 50:06cervejaria rural as especificidades desse negócio no
- 50:09episódio dezoito lá em dois mil e vinte, gente olha só Nós
- 50:14éramos muito bebês. Isso foi durante a pandemia.
- 50:17Se você não ouviu, o link desse episódio vai estar no nosso blog
- 50:21post para que você tenha mais essa informação de qualidade.
- 50:24Já aproveito aqui para agradecer a participação dos Fabrício
- 50:27nesse papo conosco. Foi mais uma vez enriquecedor e
- 50:30só aumenta a minha vontade de voltar aí.
- 50:33Sim, vai ser um prazer receber você, o Henrique também, todos
- 50:36os ouvintes aqui do podcast, vai ser um prazer receber vocês lá,
- 50:40espero vocês em diversas ocasiões na Fazenda, né, nas
- 50:43festas, no nosso restaurante, numa emissão, só passando pra
- 50:47tomar um chope ali, é sempre um prazer receber vocês ali.
- 50:51E dá uma olhadinha que eu tô fechando uma cesta, se tu ver o
- 50:54Henrique Boaventura e tiver um malte sobrando, aproveita o
- 50:56frete. Ô, pode estar, vou colocar um
- 50:59malte ali junto. Ok.
- 51:02É muito cara de pau. Pedi em chão que se chama isso.
- 51:05O não eu já tenho. E se você ouviu a gente até
- 51:09aqui, lembre-se de participar conosco das nossas redes
- 51:12sociais, arroba surra de lúpulo, tanto no Instagram quanto no
- 51:15TikTok. Tem alguma sugestão de pauta ou
- 51:18convidados e convidadas, manda um e-mail pra contato arroba
- 51:20surra de lúpulo ponto com ponto BR.
- 51:22É isso, meus amigos. Fabrício, muito obrigada mais
- 51:25uma vez. Foi um prazer ter você aqui.
- 51:26Eu que agradeço. Obrigado.
- 51:28E até a próxima, com certeza. E até a próxima.
- 51:31Valeu! Beba local, beba com moderação.
- 51:43Este podcast é produzido pela BAC Produções e Comunicação e
- 51:47está disponível no Spotify, YouTube ou na plataforma de
- 51:51áudio preferida. Na nossa equipe, contamos com a
- 51:54colaboração de Henrique Boaventura, Ludmila Almeida,
- 51:57Gabriel Gurian, Rubens Reis e Anastácia Autoni.
- 52:08Este podcast foi editado por Play Audios.