Latest / Surra de Lúpulo / Cerveja e arqueologia. Papo com Sergio Barra | Surra #203
Transcript
- 0:08Hipocondríaco, apresenta. Surra de lúpulo?
- 0:15Oi pessoal, bom dia, boa tarde, boa noite.
- 0:19Eu sou Ludmila, a mais conhecida no Instagram, com andrica.
- 0:23No programa de hoje, meus amigos, nós vamos falar de um
- 0:26assunto que eu tô enchendo a paciência desse convidado há
- 0:31muitos séculos. A gente vai falar aqui hoje de
- 0:34cerveja e arqueologia, o nosso amigo, já frequente convidado,
- 0:38Sérgio barra, mais conhecido no Instagram como profano, Graal
- 0:43Sérgio que a família de cerveja formado pelo instituto cerveja
- 0:46Brasil junto comigo. Alô, alô, graças a Deus, um dos
- 0:48melhores alunos da sala, se não foi o melhor, acho que foi a
- 0:50Thais, Hein? Foi a Thaís, o Thaís roubou teu
- 0:52posto. Uma especialização em marketing
- 0:54de cerveja pelo instituto marketing de cervejeiro, criador
- 0:56e administrador do perfil profano grau presente no
- 0:59Facebook, no YouTube, onde ele fala, escreve e pesquisa sobre a
- 1:03história da cerveja. Sérgio, é foda.
- 1:05Então, se você não sabe, fica sabendo agora.
- 1:10Antes de pedir que o nosso convidado dê um alô, a gente tem
- 1:13o prazer de informar que esse programa é oferecido pelos
- 1:15nossos messenas empresariais, cerveja da casa, cerveja uça,
- 1:21prossabier e viveiro vanderberg. Agora, sim, Sérgio dá um alô
- 1:29para a galera relembrar a sua voz, meu rouxinol.
- 1:34Talvez nobre sempre um prazer estar por aqui, reencontrando os
- 1:37amigos e participando desse egres do podcast.
- 1:41Como eu sempre digo o melhor podcast cervejeiro do Brasil,
- 1:46Brasil canalidade daqui pra frente.
- 1:50Agora eu quero depois o cálculo atualizado das minhas
- 1:54participações que eu quero saber em que posição eu tô nessa
- 1:56disputa aí com os outros. Rapaz, olha só, eu vou te falar
- 2:01que você está nas cabeças, Hein, Leandro?
- 2:02Não é não? Exatamente.
- 2:04Eu diria que se o Diego e a Bia não tivessem hackeado o sistema,
- 2:08o Sérgio era o malhado. Ele veio, ó, só ultrapassando.
- 2:11Vai malhado, vai malhando, sabe, cavalinho do Silvio Santos.
- 2:16Ele veio ultrapassando e ganhou, cara, eu acho que hoje em dia
- 2:18ele é top. É mais insativo.
- 2:24Boa, boa boa. O rouxinol você não faz ideia, o
- 2:27que vem por aí de referência de velho?
- 2:32De novo, querido, e eu sou Leandro, mas hoje vocês podem me
- 2:36chamar atenção. Referência de velho do Alan
- 2:38quather Mano. Ou seja, o Indiana Jones da
- 2:41Cimed. O Indiana Jones genérico.
- 2:44Durante o sem querer dar spoiler, mas já dando durante o
- 2:46programa, a gente vai falar de um outro Indiana Jones da
- 2:49cerveja aí que também é genérico.
- 2:53E a gente? E a gente costuma bater esse
- 2:55papo, tomando uma cerveja. Eu estava apressado.
- 2:58Hoje está um dia quente, foi um dia corrido para mim, eu já
- 3:00cheguei a abrindo a cerveja hoje, não vai ter barulhinho,
- 3:02não. E eu quero saber de você,
- 3:03Sérgio, o que é que você está bebendo?
- 3:05Eu estou bebendo uma lágrima básica que é a lagar de de de
- 3:08todo dia, que é a bir ramoretti, eu não sei.
- 3:10Se é isso? Que não, que inclusive 11, tanto
- 3:14quanto inadequado para o frio bizarro que está se fazendo na
- 3:17Itália nesse momento. Mas é só para molhar as palavras
- 3:22enquanto a gente bate esse papo aqui, porque é um desperdício
- 3:24encontrar os amigos e não beber uma cerveja.
- 3:25Boa, boa boa. Ludi você está desperdiçando.
- 3:28Ludi. Não estou não, o Brasil eu
- 3:31estou, eu estou, eu estou com aguinha hoje, inclusive, que eu
- 3:33fiz uma limpeza no dente. Até água está indo ruim.
- 3:36Sabe que você bota água para ai Brasil?
- 3:39Socorro, e você, Alan, quaquer quaterman, você virou aveia.
- 3:46A Alan quacker man é a versão do Pato Donald dele que seria
- 3:49perfeita. Bom, que é que você está bebendo
- 3:52por aí, sedento. Eu estou bebendo a patagónia a
- 3:56Bohemian pussyner. Aqui você já fez um vídeo
- 3:58fazendo comparação com ela no Jean Loud?
- 4:00Na Bohemian pilsenner da Patagônia.
- 4:02Será que ela já teve? Ou você fez com IPA, eu acho que
- 4:05foi IPA. Foi a IPA, foi porque, aliás, é
- 4:07bem boa, inclusive. Então estou bebendo ela
- 4:09Patagônia da bohemia piston, é e eu descobri que eu tenho que
- 4:12trocar de cervejeira com o Sérgio, porque ele está aí no
- 4:16frio do caralho, bebendo uma cerveja de tempo quente.
- 4:19Eu fui abrir a minha cervejeira para pegar e vim para o programa
- 4:22só tem cerveja Estrela tal festival das pretas de barril
- 4:27tal tal tal cara tá assim só 10%, 11%, eu acho que é
- 4:32menorzinho. Tirando a boemia, Bush nem era
- 4:358%, eu falei gente. Você não tem?
- 4:37Juízo mesmo. Eu tenho que melhorar isso.
- 4:39É porque eu bebi todo o resto, né?
- 4:41Eu tô esperando o inverno chegar com elas ali.
- 4:53Se você gosta do nosso conteúdo e ainda se identifica com a
- 4:57gente, considere apoiar o surdúpulo através do site
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- 5:16Agora, se a grana estiver curta ou você ainda não ama a gente
- 5:20tanto assim, outro jeito de ajudar é seguindo a gente na sua
- 5:24plataforma de streaming preferida e dando aquela 5
- 5:28estrelas no Spotify e Apple Podcasts.
- 5:31Lembre-se de compartilhar esse programa com seus amigos.
- 5:34Isso ajuda muito na distribuição dos episódios.
- 5:50Bom, meus amigos tem mais delongas, vamos partir para as
- 5:54perguntas aqui porque já foram 100 Hércules esperando por essas
- 5:58perguntas. Vamos lá?
- 5:59Sérgio, vamos tentar destrinchar esse tema tão caro para a gente.
- 6:05E vamos falar então um bocadinho aí das.
- 6:08Semelhanças e diferenças entre história e arqueologia?
- 6:13Aí Leandro já botou uma pitadinha aqui na nossa pauta
- 6:17arqueólogo. É um historiador.
- 6:20Olha provocação, Hein? Nem.
- 6:23Todo arqueólogo é um historiador, nem todo
- 6:25historiador, é um arqueólogo. E vou aproveitar essa pergunta
- 6:29pra justificar minha presença aqui, antes que os haters digam
- 6:32qual é desse cara, esse cara agora acha que pode falar sobre
- 6:35tudo, a história é publicidade de cerveja, é os carai a 4.
- 6:40Tá tá achando o quê que é? Sei lá, multi instrumentista.
- 6:44Então eu vou justificar aqui que eu não sou arqueólogo, sou
- 6:48historiador de formação e na formação de história não existe
- 6:54uma cadeia de arqueologia, de introdução, arqueologia.
- 6:58O que eu acho uma falha absurda. Fica aí o meu protesto logo no.
- 7:03Caminho. Diga, diga que não no começo do
- 7:07programa, mas eu tive a sorte ou azar.
- 7:10Vai saber de ter 2 professores que eram arqueólogos de formação
- 7:14e não um historiadores, que um era um professor de história
- 7:17antiga que dava aula de Roma e de Grécia e o outro era um
- 7:21professor de história da América précolombiana.
- 7:24E eles 2 faziam muita questão sempre de deixar claro que a
- 7:28formação de historiadores de arqueólogos são formações muito
- 7:31diferentes. Eles deixavam bem claro que a
- 7:34gente não daria para arqueólogo de jeito nenhum.
- 7:37E eu tenho que confessar que realmente a arqueologia para mim
- 7:40tem alguma coisa de mágico, porque os caras eu tenho muita
- 7:44admiração, porque os caras olham para um Monte de Pedra.
- 7:47E eles falam, olha aqui, se fabricava a cerveja.
- 7:50É e eu. Eu olho para aquele mesmo Monte
- 7:53de Pedra, eu falo um Monte de Pedra, né?
- 7:57Que eu sou incapaz. Então, feito esse display, eu
- 8:01quero avisar aos ouvintes que não esperem grandes explicações
- 8:05técnicas sobre como o trabalho o os arqueólogos nas descobertas a
- 8:09respeito da história da cerveja, porque eu não saberia dizer.
- 8:13Mas tem muitas coisas aí sobre a qual a gente pode falar sobre a
- 8:16descoberta arqueológica e. Enfim, e sobre esse diálogo
- 8:21entre arqueologia e história para a história da cerveja?
- 8:25Perfeito. Bom, e aí, já que você falou de
- 8:27cerveja, vamos puxar esse papo aí, como é que a arqueologia,
- 8:32ela em si, ajuda a gente a estudar e conhecer a história da
- 8:36cerveja? Então, arqueologia da forma como
- 8:40eu vejo arqueologia ajuda no conhecimento e na produção de
- 8:45conhecimento sobre a história da cerveja em 2 grandes Campos, a
- 8:48princípio. Primeiro, nas descobertas sobre
- 8:51as origens da cerveja, ela nos remete aos primórdios.
- 8:55Das produções cervejeiras, esse é o primeiro campo e o segundo
- 8:59campo seria na recriação, que está diretamente relacionado com
- 9:02o primeiro, inclusive, mas não necessariamente, né?
- 9:05Na recriação de receitas antigas, eu digo não
- 9:08necessariamente, porque essas receitas antigas não precisam
- 9:10ser necessariamente dos primórdios da cerveja, né?
- 9:14Essas receitas antigas podem ser da idade média ou até do século
- 9:1819, né? Receitas mais recentes que não
- 9:21precisam necessariamente ser receitas da antiguidade.
- 9:24Então nós temos esses 2 grandes Campos onde a arqueologia pode
- 9:28dar as cartas, né? Eu IA dizer, dar uma mão, mas
- 9:32não é dar uma mão. Ela pode dar as cartas na
- 9:35produção de conhecimento sobre a história da cerveja.
- 9:38Então acho que depois desse começo aí, depois dessas 2
- 9:41respostas, a gente pode entender que que o arqueólogo e o
- 9:45historiador são pessoas distintas.
- 9:48OK, mas que eles vão trabalhar em conjunto para construir a
- 9:52história ou reconstruir a história de uma maneira geral,
- 9:56né? Redesenhar aquilo que aconteceu
- 9:59e que a gente não presenciou para que a gente possa contar
- 10:02esse conhecimento e ele sendo passado adiante, faz sentido
- 10:05isso então? Tem sim, sim, cada um com a sua
- 10:07especificidade. Técnica, né?
- 10:10Com as suas especificidades metodológicas, né?
- 10:13O arqueólogo trabalhando mais ali em campo, com a cultura,
- 10:16material, com com a escavação. Né?
- 10:19E o historiador, trabalhando mais na base do documento, a
- 10:23história. Ela é uma ciência muito completa
- 10:28no sentido de que ela acaba se utilizando sempre da descoberta
- 10:33de outros Campos. Saber não tem como, dependendo
- 10:36do tema que você estuda, não tem como, por exemplo, a história
- 10:38dispensar o trabalho arqueológico, né?
- 10:41É o caso das origens da cerveja, por exemplo.
- 10:44Sensacional. Então tá.
- 10:46Então agora que a gente já botou o pézinho na água, né?
- 10:49Já sentiu a temperatura? A gente.
- 10:51Agora já aclimatou e et cetera e tal.
- 10:55Então a gente queria entender como é que os arqueólogos, essas
- 10:58pessoas maravilhosas que vão a campo, que passam protetor
- 11:02solar, que não tem medo de se sujar, como é que essas pessoas
- 11:06conseguem identificar que em determinados sítios
- 11:09arqueológicos, tinham um resquício de alimentos
- 11:11fermentados? Como é que se dava esse ódio?
- 11:17Pois é, como é que se faz a mágica, né?
- 11:19Porque pra mim isso tem alguma coisa de mágico, né?
- 11:21O cara chegar num Monte de Pedra em um sítio arqueológico e vai
- 11:26passando o pincelzinho ali, vai escavando, vai limpando e vai
- 11:30encontrando. Com a ajuda de enfim, da
- 11:33tecnologia mais avançada que se pode lançar mão, vai achando
- 11:36informações que nos abastecem na hora de escrever a história da
- 11:40cerveja, uma coisa que é comum nos sítios onde se produziu
- 11:46cerveja em algum momento. É a descoberta de vestígios de
- 11:51oxfalato, de cálcio, oxfalato de cálcio.
- 11:54Seria aquilo que hoje a gente chama de Pedra cervejeira?
- 11:57Quando você não Lava, não faz mal.
- 12:00Pós-sanitização do seu material depois de várias traçagens você
- 12:04que é home brewer, né? Que não é o nosso caso aqui,
- 12:08graças a Deus, porque aqui só tem pessoas normais.
- 12:12Então vai se depositando ali esse oxalato de cálcio que é
- 12:15considerado a assinatura da fermentação, né?
- 12:19A assinatura de que ali houve um processo de fermentação de
- 12:23alguma coisa e 11 outra assinatura são vestígios de
- 12:27amido, né? Do uso de amido.
- 12:29Então, obviamente, também pela característica do sítio que se
- 12:34está escavando o arqueólogo, ele já imagina o que ele pode
- 12:39encontrar por ali, então ele não é.
- 12:42Pego de surpresa quer dizer, muitas vezes acontece dele ser
- 12:45pego de surpresa, mas muitas vezes ele já pela característica
- 12:48do sítio arqueológico, ele sabe. O que procurar?
- 12:51Ele já vai enviesado, né? Ele sabia que naquela cultura
- 12:54existia a cultura da fermentação, que naquela
- 12:57localização já tinha, isso por causa de documentos, por causa
- 13:00de arqueologias anteriores, e aí ele já chega ali, vai escavando
- 13:04EE, chega num ponto mais ou? Menos isso ele sabe o que ele
- 13:08deve procurar ali, fazendo uma analogia com o trabalho do
- 13:10historiador, que talvez seja que é mais próximo para mim.
- 13:12E talvez fique mais claro o historiador, quando ele vai num
- 13:15arquivo e começar a trabalhar com uma massa documental de
- 13:19arquivos de papel, se ele não souber, se ele não tiver pelo
- 13:22menos uma vaga ideia daquilo que ele quer encontrar, ele vai se
- 13:25perder no meio daquela massa de informação e vai acabar não
- 13:29achando nada, né? Pode passar ali meses procurando
- 13:33e não vai achar nada. Então, o historiador, quando ele
- 13:34vai pro arquivo e decide investigar documentação, ele já
- 13:38sabe mais ou menos o que ele quer achar.
- 13:40Mesma coisa o arqueólogo, né? Ele tem que saber exatamente
- 13:44exatamente, não, mas ele tem que ter uma ideia do que ele está
- 13:46procurando para que ele também não se perca com as informações
- 13:50do sítio arqueológico para que ele saiba que tipo de método ou
- 13:55que tipo de tecnologia ele deveria usar ali, naquele local,
- 14:00não? É então, pelo que eu estou
- 14:01entendendo, é assim, o oxalato de cálcio.
- 14:04Ele é um mineral que ele é formado ali durante a produção
- 14:08da cerveja. E ele resiste ao tempo, talvez
- 14:11por ser um orquestra de cálcio. Cálcio, né?
- 14:14Vai longe. Ele resiste ao tempo, a ponto
- 14:17dele ainda ser identificado hoje.
- 14:20Nos materiais usados. E aí a gente pode estar falando
- 14:22de fundo de jarros, fundo de Panelas, barris.
- 14:26Não sei se passa, né? Ele é identificado no local e aí
- 14:30isso mostra que ali teve ferramentação.
- 14:33Sim, tem um outro ponto aí. Interessante também que é a
- 14:35questão da preservação, né? A preservação ela é melhor, ela
- 14:38é pior, dependendo de condições de solo, dependendo de condições
- 14:42de temperatura e dependendo do próprio material no qual aquele
- 14:46resíduo tá depositado, né? Então você tem materiais que
- 14:50preservam melhor esses resquícios, né?
- 14:52Como madeira, por exemplo, né? Ou Barro?
- 14:56E você, tem materiais que preservam de uma forma mais.
- 14:59Mais débil, mais frágil né? Assim como o solo mais seco,
- 15:03temperaturas mais quentes são melhores para preservar mais
- 15:07quentes ou mais frias. Ó, Hilton, estou entrando em
- 15:10aspectos técnicos sobre os quais eu não tenho muito domínio, mas
- 15:13enfim, uma. Oração.
- 15:15É uma determinada temperatura em que se preserva melhor os
- 15:19resquícios e outra não, né? Então depende de material e de
- 15:22condições climáticas e de solo para ele encontrar esses
- 15:26vestígios. Tá só pro tentar fazer uma
- 15:29analogia aqui pra caber na cabeça da pessoa?
- 15:32Esses materiais, o oxalato de cálcio e o amido, eles poderiam
- 15:37servir como o carbono 14 serve pra identificar a idade, o tempo
- 15:43ou eu estou falando uma besteira sem tamanho?
- 15:46Eu não sei. Eu não, eu não, eu não sei te.
- 15:49Responder aham. É porque aí é uma questão de
- 15:52como é feita a adaptação, né? Sim, mais do que propriamente o
- 15:56que se fazia ali. Como isso é datado, é uma outra
- 15:59pesquisa, né? Uhum.
- 16:01Eu também tô com uma outra pergunta técnica aqui que tá,
- 16:03não sei se você consegue responder de.
- 16:06Orçamento de cálcio é que você deu o nome de assinatura da
- 16:08fermentação. Como é que se sabe a diferença?
- 16:11Se foi fermentação de pão ou de cerveja?
- 16:14Ou só sabe quem foi fermentado alguma coisa ali?
- 16:17Não sabe se que foi fermentado alguma coisa aí?
- 16:19Outras pesquisas posteriores é que vão indicar que tipo de
- 16:24botânico ou que tipo de cereal foi utilizado naquele local.
- 16:29Ali, né? Por quanto tempo, né?
- 16:31Você pode chegar a um nível de detalhamento de dizer olha da
- 16:36data, XA data, YO material que estava sendo usado era esse da
- 16:40data YA data z eles já mudaram e eles passaram a usar um outro
- 16:44tipo de cereal. É possível chegar a esse nível
- 16:46de detalhamento? É sueca.
- 16:48É mágico com o correr das pesquisas orra.
- 16:53Legal, e aí você IA falar para a gente sobre o negócio?
- 16:57Interessante que eu estou curiosa aqui, que é o tal do
- 16:59enterramento. Ah, sim, esse assunto vai voltar
- 17:02ao longo do programa. Mas essa é a questão do uso do
- 17:06local, né? Aquilo que eu estava falando
- 17:08antes, na medida. Em que?
- 17:10O. Arqueólogo sabe para quê aquele
- 17:13local foi utilizado para que aquele local era utilizado, ele
- 17:17já sabe mais ou menos o que esperar daquele local.
- 17:20Então curiosamente é possível esperar traços de cerveja de de
- 17:26fermentação em enterramentos, por exemplo, porquê porque já se
- 17:30tem uma vasta. Futura, uma vasta experiência
- 17:34acerca do uso de cerveja em cerimônias funerárias, né?
- 17:39Do uso de de cerveja ou de bebidas fermentadas, né?
- 17:42Pra deixar o termo mais amplo em cerimônias funerárias, né?
- 17:46De de reis que eram enfim, que maneira que eram enterrados
- 17:51cachaça naps. Reis que eram enterrados com
- 17:54verdadeiros banquetes, né? Então você tem ali uma mesa,
- 17:58você tem pratos, você tem copos, enfim, você tem recipientes onde
- 18:03teve comida ali durante o ritual funerário.
- 18:06Bom, então por ali você consegue pelo enterramento mais os outros
- 18:11elementos que são pesquisados. Você consegue saber até qual era
- 18:14a inclusão da cerveja ou do processo de fermentação para
- 18:20aquela sociedade, se era uma coisa do dia a dia, se estava
- 18:23sei lá, numa cozinha, numa residência comum, ou se estava
- 18:25numa cerimónia. Exato.
- 18:27Tá foda, vou estudar arqueologia.
- 18:31A simples como esse, Ah, vou estudar arqueologia, Ah.
- 18:33Vou estudar arqueologia. É isso aí.
- 18:35A partir de amanhã sou um arqueólogo.
- 18:37Eu estou vendo vários tiktoks de arqueologia.
- 18:39Você tem coluna e joelho para isso porque põe uma certa idade,
- 18:43fica difícil. Aí é aí muito desagradável,
- 18:46Sério, muito agradável. Está vendo, ainda bem que o
- 18:50Sérgio é uma pessoa que tem juízo.
- 18:52Vamos falar de coisa boa porque o Sérgio acabou de cortar minha
- 18:54onda, vamos falar então assim, a gente está falando muito desses
- 18:58enterramentos, os sítios arqueológicos fala pra gente
- 19:01quais são os principais sítios arqueológicos para essa cultura
- 19:06que a gente está tratando. Aqui, então, eu vou citar 2
- 19:08sítios arqueológicos que eu acho significativos, mas existem mais
- 19:12sítios arqueológicos, tá, tem um site para quem tiver interesse,
- 19:15um site que eu descobri pouco tempo atrás, estudando
- 19:18propriamente para esse programa, que se chama beauty Studies.
- 19:22Nesse site, eles relacionam e, enfim, tem textos longos sobre
- 19:29deixa eu contar aqui rapidamente sobre 7 sítios arqueológicos,
- 19:33todos da era préera cristã, né? Antes de Cristo, em continentes
- 19:38diversos. Mas, enfim, não, não era o caso
- 19:41da gente ficar aqui detalhando cada um desses 7 sítios
- 19:44arqueológicos. Eu separei 2, que eu acho
- 19:45significativos. O primeiro é eu vou inverter um
- 19:49pouco a ordem e começar do mais recente para o mais antigo,
- 19:53mais. Recente, o mais recente é o
- 19:54sítio de good intep no irão. Que foi Descoberto em 1961 e que
- 19:57é datado mais ou menos um período de ocupação, entre 5200
- 20:01antes de Cristo, a 500 antes de Cristo.
- 20:04Por que que eu tô começando por esse sítio?
- 20:07Porque durante muito tempo esse sítio foi considerado o sítio
- 20:08mais antigo, com traços de produção de cerveja, né, o sítio
- 20:13de Gold intep, no Irã. O que era esse sítio?
- 20:17Esse sítio era um posto comercial avançado na
- 20:20mesopotâmia. Uhum, ele ficava num, ele ficava
- 20:23num cruzamento de rotas comerciais, então ele era um
- 20:26posto comercial. E ali você foi encontrada uma
- 20:33grande quantidade de cerâmica variada.
- 20:36E nessa cerâmica foram encontrados vestígios de vinho e
- 20:41de cerveja datados de aproximadamente 3000 anos antes
- 20:45de Cristo, 3100 a 2900 anos antes de Cristo.
- 20:49Aham, como era um sítio comercial, como era um posto
- 20:53comercial, aí então a gente já sabe que essa cerveja, ela
- 20:56provavelmente estava sendo comercializada, né?
- 20:59Não era uma cerveja, não era uma bebida ritual, não era uma
- 21:02bebida ritualizada, mas era uma bebida feita para o comércio,
- 21:06né? E tinha chance de ser.
- 21:08Bebidas, entre aspas, importadas que vinha, transitava ali
- 21:13embora. É, sim, importadas.
- 21:15Na medida é em que aquele posto comercial da área, que aquele
- 21:21posto comercial recobria, né? Que era a mesopotâmia, né?
- 21:24Que era. Então não IA muito fora da
- 21:25mesopotâmia, não era é na região, tá?
- 21:28Não era algo algo que talvez chegasse até o aliás, margens do
- 21:32Mediterrâneo talvez, né, alguma coisa nesse sentido.
- 21:35Tá, entendi. Não muito além daquilo.
- 21:37Porque hoje a Turquia, a Síria. Ir a.
- 21:40Irã, uma outra descoberta interessante desse sítio
- 21:44arqueológico e desses vestígios encontrados nesse sítio
- 21:46arqueológico foi a utilização de cevada.
- 21:50Aquilo que eu estava falando pra vocês antes.
- 21:52Com o avançar do estudo do sítio arqueológico é possível chegar a
- 21:56um detalhamento do tipo de cereal e do tipo de ingrediente
- 22:00utilizados na produção de cerveja.
- 22:03Esse foi o primeiro sítio, é aquilo que eu já falei.
- 22:05Durante muito tempo foi considerado o mais antigo
- 22:07vestígio de produção de cerveja da história, porém, a partir de
- 22:112018, essa adaptação caiu. Por quê?
- 22:14Porque foi encontrado um outro sítio arqueológico, que se chama
- 22:19caverna de requefet, que fica em Israel, e foi descoberta em
- 22:232018. Essa caverna, ela já é anterior
- 22:27ao processo de sedentarização. Então ela já é do período, ela é
- 22:32um sítio ocupado no período. Paleolítico, cacete, né?
- 22:36Por caçadores e coletores. Não era não é um posto comercial
- 22:42de uma civilização organizada com não é tudo uma outra
- 22:46história. Eram caçadores coletores que
- 22:48pertenciam a cultura natufiana. Essa cultura natufiana era a
- 22:53cultura justamente que fez a transição da caça coleta, né,
- 22:57dos caçadores coletores para a sedentalização, para o processo
- 23:01de sedentalização. Caralho, então, espera aí.
- 23:03Espera aí. Espera aí.
- 23:04Espera aí. A gente está falando que, antes
- 23:07de todas, é exatamente antes de toda a civilização que a gente
- 23:11conhece como atual, como antes da atual.
- 23:15Assim, antes de tudo, a gente já descobriu um novo sítio, que
- 23:19mostra assim exatamente essa transição de Caçador coletor
- 23:23para sedenttário. Não, não é exatamente o sítio
- 23:25que mostra isso. Estudos dessa cultura natufiana
- 23:29que se desenvolveu de cerca entre 13000 antes de Cristo a
- 23:339500 antes de Cristo, a. Como a datação da sedentalização
- 23:37está ali por volta de 10000 antes de Cristo, então sabe-se
- 23:40que. Essa cultura existia durante
- 23:43esse período de transição do modo de vida.
- 23:46Caçador coletor nômade, né? Para a vida sedentária, não é
- 23:50especificamente o sítio, mas todo estudo sobre essa cultura.
- 23:53Uau caceta, cara, nossa, tem uma.
- 23:56Senhora tem uma parada muito interessante a respeito desse
- 23:59sítio, que é o fato de que esse sítio, ele não era um
- 24:02acampamento temporário, desses caçadores coletores, né?
- 24:07Porque tem que se entender um negócio.
- 24:08Quando a gente fala de civilizações nômades, não quer
- 24:10dizer que as pessoas ficam andando, que nem uns doido a
- 24:12esmo durante toda a sua vida, né?
- 24:15Essas populações nômades, elas têm acampamentos temporários, um
- 24:18acampamento onde elas passam, por exemplo, os meses mais frios
- 24:21do ano acampamento, onde elas passam os meses mais quentes.
- 24:24Elas sabem que, em determinada época do ano, há uma abundância
- 24:27maior de recursos em determinado ponto, então todo o ano, naquela
- 24:31mesma época, elas voltam ao mesmo ponto.
- 24:34Então esses são os acampamentos temporários habituais, essas
- 24:37civilizações nômades. Elas circulam dentro de uma área
- 24:40conhecida. Né?
- 24:42Porque muitas vezes da lud, até para ser nômade tem que ter
- 24:45planejamento, tem que ter o plano inverno, eu passo aqui
- 24:50essa cor de verão ali, primavera acolá e outono para lá foi.
- 24:55A gente que estragou um pouquinho, cara, porque podia
- 24:57ter aquela coisa do tipo assim, vou passar o verão aonde vou
- 25:00passar o verão em Petrópolis Itaipava, né?
- 25:04Aí vou passar o inverno no Rio, não vamos ter uma casa só.
- 25:08E se lascar inteiro. Para o Amazonas, nunca mais sai
- 25:13do sofá. Para esses homens, era uma
- 25:16questão de sobrevivência. Inclusive, né, porque eles não
- 25:18tinham o domínio sobre o tempo como nós temos, né?
- 25:22Que hoje a gente pode ligar um ar-condicionado ou, sei lá, é se
- 25:25cobrir de de roupa para fugir do frio, né?
- 25:28Fechar? Tatificado, né?
- 25:30O aquecedor? Então esses caras não tinham
- 25:32esses recursos tecnológicos. Então, para eles, era uma
- 25:34questão de sobrevivência saber onde eles iam encontrar recursos
- 25:38em cada época do ano. Por isso vocês não se saiam
- 25:41andando a esmo, que nem uns loucos, porque muitas vezes a
- 25:43gente vê gráficos do deslocamento do homem da lá.
- 25:48Da África até chegar aqui na América do sul, passando pelo
- 25:50Estreito de Bering. E a gente tem a impressão errada
- 25:53de que esse homem ele ficou andando sem parar, né?
- 25:56Até chegar na América do sul, mas não aquilo.
- 25:59Foram milênios andando. Cada população dessa tinha o
- 26:02seu, a sua área, a sua região. Né?
- 26:05Perfeito. Perfeito pão.
- 26:06Só pra completar esse raciocínio, esse local da
- 26:10caverna de requefete não era um acampamento temporário habitual.
- 26:16Eu agora eu faço 11. Desafio a vocês, quais vocês
- 26:21pode me dizer? O que era, para que servia essa
- 26:23caverna? Não era um acampamento.
- 26:26Meu Deus, lá vem ele, lá vem ele pega dinheiro do malandro.
- 26:30Lá vem pegadinha. Do malandro.
- 26:32Vai, eu vou chutar é reprodução. É?
- 26:36Onde é os rituais de reprodução. A reprodução você faz onde, né,
- 26:40onde? Onde deve, sem?
- 26:44Cada um faz do jeito que quiser. Então.
- 26:47Mas olha só, Leandro, vamos perceber a pegadinha do cara que
- 26:50tem origem professoral. Ele faz uma pergunta meio
- 26:54retórica. Estamos em podcast sobre
- 26:57cerveja. Então a caverna devia ser o quê?
- 27:01Era um Bill pubzão. Maneiro?
- 27:04Caramba, a produção de cerveja e tal, a galera IA lá tomar,
- 27:09produzir, tomava cerveja e vendia cerveja.
- 27:12E aí mas entrou na tua mente e entrou na mente dele.
- 27:17Se ele é um professor e está fazendo uma pergunta meio
- 27:19retórica, ele já deu a resposta antes.
- 27:22É só para saber se os alunos estão prestando atenção.
- 27:24Então é para enterrar povo. Muito bem.
- 27:29Caralho. Era um grande.
- 27:30Segurança nem o futuro esperava. Era um local de ritos funerários
- 27:36onde foram encontrados mais de 30 túmulos.
- 27:39Então, ao contrário do que acontecia em godinep, essa
- 27:43cerveja não era uma cerveja de consumo.
- 27:45O vestígio de de cerveja encontrado ali não era uma
- 27:49cerveja feita para o consumo diário.
- 27:51Era uma cerveja ritual feita para rituais funerários.
- 27:55Olha só. Não era uma maneira ir pá.
- 27:57Era uma cerveja com gol de morte.
- 28:00Nossa senhora, já bebi algumas. É?
- 28:05Aí é daí que vem a piada, meu amor.
- 28:07Aí que vem a piada. Entendi, que legal isso.
- 28:10Então, né cara? Que legal, que legal ser
- 28:13enterrada com cerveja, inclusive.
- 28:16Muito bom, muito bom as. Expectativas foram atualizadas.
- 28:19Só pra citar um trecho do texto do da pesquisa que descreve esse
- 28:24sítio que diz que isso foi inclusive essa descoberta é
- 28:27lançou luz a novos comportamentos rituais dessa
- 28:31cultura natufiana, né? Então, o autor do texto diz, o
- 28:36tempo e o esforço investidos no fabrico de almofarizes
- 28:40almofarizes são Pilões, né? De Pedra profunda em contextos
- 28:44mortuários e na aquisição de conhecimentos aparentemente
- 28:47necessário à produção de cerveja, indicam uma importante
- 28:51função ritual desempenhada pelas bebidas alcoólicas na cultura
- 28:54natufiana. Olha só.
- 28:56Na minha cultura, também na cultura ludmiliana.
- 29:02Ai, Brasil. Tá, vamos lá.
- 29:12Então vamos continuar com esse papo, vamos andar.
- 29:14E aí a gente queria entender o que que a arqueologia pode nos
- 29:18ensinar sobre os aspectos do dia a dia da cerveja, né?
- 29:22Os pontos sociais, essa coisa dos costumes.
- 29:25Você já começou a dar alguns exemplos aqui, né, cara?
- 29:28A cerveja tá totalmente ligada a costumes fúnebres, por exemplo,
- 29:33que mais que mais que a gente vai aprender sobre isso?
- 29:35É, eu acho interessante falar desses aspectos rituais, porque
- 29:38muitas vezes. A gente fala das origens da
- 29:40cerveja. Fica parecendo que os homens
- 29:42préhistóricos encaravam a cerveja do mesmo jeito que a
- 29:44gente, que, eles mesmos, cerveja, para se embebedar para
- 29:46se divertir, né? E para socializar.
- 29:49Tinha isso também. Mas essas descobertas mostram
- 29:52como esse caráter ritual da cerveja ele era igualmente ou
- 29:56talvez até mais importante do que o caráter social.
- 30:00Porém, outras descobertas nos chamam a atenção para outros
- 30:04caráter da cerveja, por exemplo, a descobertas no Egito, né?
- 30:09A gente sabe hoje que o Egito foi a.
- 30:12Primeira civilização onde existiam estabelecimentos
- 30:16próprios para a produção de cerveja, né, a gente pode dizer
- 30:19que as cervejas. Então elas surgem no Egito, né?
- 30:23Lugares próprios para a produção de cerveja, que não eram o bar
- 30:26nem era uma casa do cervejeiro, mas fábricas, plantas de
- 30:31produção, digamos assim, né? Da mesma forma a arqueologia
- 30:35egípcia, com a tradução de hieróglifos, né?
- 30:38É por meio dos estudos arqueológicos que se traduzem os
- 30:40hieróglifos que se descobrem quais os hieróglifos que
- 30:44significam cerveja, seja na escrita egípcia, seja na escrita
- 30:49suméria, na escrita cádica, né? No Oh meu Deus, esqueci o nome
- 30:53daquele alfabeto doido lá. Deles, enfim, tudo bem, é é
- 30:57justamente a pesquisa arqueológica que nos permite
- 31:00identificar a palavra cerveja no meio dessa documentação.
- 31:04Quando a gente fala em documentação, né, meio
- 31:06flynstone, né? Esses caras escreviam nas
- 31:08paredes, eles escreviam em pedaços de Pedra, em em argila
- 31:12que eles botavam pra secar no sol, né?
- 31:14Então, tudo isso é cultura material, né?
- 31:16Tudo isso é é objeto de estudo do arqueólogo, né?
- 31:21Então é por meio da arqueologia que a gente descobre qual era o
- 31:24papel que essa cerveja que a cerveja.
- 31:26Desempenhava nessa sociedade, né?
- 31:28Então, é possível descobrir, por exemplo, os seus aspectos
- 31:31médicos, né? Um dos vestígios arqueológicos
- 31:35egípcios mais utilizados é justamente uma lista de
- 31:39medicamentos. Com cerca de de 21 medicamentos,
- 31:43onde entravam também a cerveja, ó.
- 31:46Cerveja, saúde é. Pois é, se chama papillo de
- 31:51éber, que remonta a 1550 antes de Cristo, que contém 700
- 31:55fórmulas mágicas e remédios populares.
- 31:58Vejam em fórmulas mágicas e remédios populares para o homem
- 32:02da antiguidade. É a mesma coisa, tá, né?
- 32:04Mostra que a cerveja, além de estar presente na mesa e nos
- 32:07rituais religiosos, também era usada como remédio.
- 32:09Por exemplo, se prescreve espuma da cerveja com cebola, como um
- 32:13delicioso remédio contra a morte.
- 32:17Remédio, né? Muito bom mesmo.
- 32:20Né? Que delícia, meus amigos.
- 32:22Aqui, segurando que o povo morria não.
- 32:25Mas olha só, parando para pensar, tá gente, considerando
- 32:27que o povo morria com gripe, e hoje tem aquelas pessoas que
- 32:31receitam. Você tá gripado.
- 32:33Toma um chá de mel com alho, cebola.
- 32:37Povo esquenta tudo junto e bebe que vai te fazer bem no dia
- 32:41seguinte. Você vai estar ótimo, que é uma
- 32:43parada, que assim eu já bebi, tá?
- 32:45Já fui nessa é horrível, mas no dia seguinte você também vem.
- 32:49Então, cara, olha só, começa a fazer sentido essa medicina
- 32:52natural, né? A medicina em cima da
- 32:54experimentação. Sim.
- 32:56Deve ser um puto, expectorante. Isso aí chega, porque assim eu
- 33:00fico pensando, não é a espuma da cerveja que a gente tem hoje.
- 33:03Deve ser a espuma da fermentação, deve ser.
- 33:05A espuma dá a primeira camada ali.
- 33:07Sacou que era? Sólida praticamente, né?
- 33:10Aliás, que eles bebiam cerveja com canudo.
- 33:12E aí taca cebola, cara esqui. Se eu fizer uns stories com
- 33:17isso, vira a boa dita. E tem gente falando de nutrição
- 33:19com a base disso, Hein? Fica dito a cara da Lourdes de
- 33:23você está muito irresponsável hoje.
- 33:24Alguém segura esse cara. Outro?
- 33:27Aspectos que podem ser descobertos a partir de estudos,
- 33:31né arqueológicos nesse aspecto, por exemplo, como se armazenava
- 33:35os recipientes usados para armazenar cerveja, formato,
- 33:39tamanho, capacidade, ocasiões, modo de de serviço, né?
- 33:45Como se servia se existiam tavernas, se existiam espaços
- 33:50próprios para isso e outros aspectos mais cotidianos, né?
- 33:55Dando um pulinho do Egito até Roma.
- 33:57As escavações de Pompeia, por exemplo, as escalações recentes
- 34:00de Pompeia descobriram bares, né pubs.
- 34:04Que era onde OA população de Pompeia IA beber o seu vinho,
- 34:08né? E enfim, e fazer a sua noitada,
- 34:11né? Então tudo isso é é fruto de
- 34:13pesquisa arqueológica a respeito do Egito.
- 34:17Tem um último aspecto interessante, que é a
- 34:19descoberta, uma descoberta feita em 2018 que descobriu uma
- 34:25instalação para a produção de pão e cerveja para abastecer os
- 34:29trabalhadores que construíam uma pirâmide de mencauri nossa.
- 34:33Existia porque eles eram pagos com a cerveja, não era isso com
- 34:36pão e cerveja. É a pirâmide de mencau, não tem
- 34:39exatamente a data. Tudo bem.
- 34:42Então, por exemplo, essa já é uma descoberta que nos leva a
- 34:45afirmar que os trabalhadores da pirâmide eram pagos, pelo menos
- 34:48em parte, com pão e cerveja, e uma outra descoberta, essa de
- 34:532021, essa recente. Talvez vocês se lembrem de uma
- 34:57cervejaria e também no Egito, né?
- 35:00Que foi descoberta, foi datada de aproximadamente 5000 anos
- 35:05atrás, ou seja, uns 3000 anos antes de Cristo, que era uma
- 35:08enorme fábrica de cerveja, com 8 unidades de produção de 20 m
- 35:14cada um. Metro e meio de largura 20 m de
- 35:17comprimento por 1 m e meio de largura, onde foram encontrados
- 35:2040 potes de cerâmica em 2 fileiras em cada uma potes de
- 35:25cerâmica que eram usados para misturar grãos e água para
- 35:27produzir cerveja, e que tinha a capacidade produtiva de 22400 l
- 35:32de cerveja e que hoje é considerada a mais antiga
- 35:36cervejaria de alta produção do mundo, né?
- 35:38Tem muita cervejaria artesanal hoje em dia, que não produz
- 35:4122400 l de cerveja por ano. Gente, com certeza, se escavar
- 35:45melhor, vai achar o. Sei lá tré 3 avô do lema né?
- 35:51É o começo da bem, baby. Ai, Brasil, alguém me para?
- 35:58Vai saber se ele tem, né, ascendência egípcia.
- 36:02Esse homem não precisa ter nada, ele compra tudo se ele quiser.
- 36:05Ele comprou o passaporte egípcio.
- 36:08Ai, meu Deus. E agora, voltando para o tema
- 36:12que a gente estava falando antes, esse talvez seja um
- 36:15aspecto bastante interessante, essa planta de produção.
- 36:19Ela estava localizada na cidade de ávidos.
- 36:21A cidade de ábidos é uma necrópole, é um grande
- 36:25cemitério. É um grande cemitério a 450 km
- 36:30ao sul do Cairo, então os estudiosos acreditam que aquela
- 36:34fábrica foi construída ali para fornecer cerveja aos rituais
- 36:38funerários reais. Caralho, vendo tudo tem a ver
- 36:42com morte, meus amigos. Porra.
- 36:47Cara, eu vou te falar que daqui a 5000 anos vão fazer
- 36:51arqueologia aqui em Botafogo e vão descobrir várias fábricas de
- 36:54flores e mármore. É um novo ritual.
- 36:58É Botafogo é botar. Ninguém mais bebe o defunto.
- 37:01Que desperdício, não, meu amor, que desperdício.
- 37:04Agora você IA falar de alguma descoberta na região amazônica?
- 37:08Essa me interessa bastante também.
- 37:09Ah sim, né, porque a gente quando a gente fala em história
- 37:12da cerveja e principalmente na em antiguidade a gente costuma
- 37:16se aterrar. Ao cenário ali do Oriente médio,
- 37:20né, do crescente fértil, onde surgem as primeiras vestígios.
- 37:23E um pouco também na Europa, né? Com vestígios com sítios
- 37:27arqueológicos europeus, porém, existem sítios arqueológicos com
- 37:30vestígios de bebida fermentada. Que a gente pode chamar de
- 37:34cerveja se a gente quiser, né? Usando esse termo de forma mais
- 37:38ampla, existem sítios arqueológicos de bebida
- 37:40fermentada também na América do sul, na América do sul e na
- 37:43América central. Uhum, nós temos um sítio
- 37:46arqueológico, por exemplo, no Peru, que se chama cerrobaum,
- 37:50que data de aproximadamente de 600 a 1000 anos antes de Cristo.
- 37:56E mais bem mais jovem do que os da mesopotâmia.
- 37:59Sim, enfim, e ali também você encontra.
- 38:02Da mesma forma, você encontra vestígio de outros cereais e de
- 38:06outros ingrediente, né? Como, por exemplo, o uso do
- 38:09milho não é o famoso milho, não é na cerveja.
- 38:12Por. Exemplo?
- 38:14Nós vamos, por exemplo, por exemplo, o uso do milho, o uso
- 38:17de cacau com uma toda 11 flora mais sul-americana, né?
- 38:23Legal. E aí você falou do Peru, mas
- 38:26vamos chegar na nossa amazónia. Sim, vamos.
- 38:29Falar. Dessa dificuldade tremenda,
- 38:30inclusive porque eu acho que isso é importante.
- 38:32Sim, é porque como a gente está falando, é a floresta hoje em
- 38:36dia, ela dificulta muito os trabalhos arqueológicos na
- 38:38região amazônica. Porém, nesse ano mesmo, em
- 38:40janeiro, não sei se vocês estão lembrados disso.
- 38:42Foi Descoberto na Amazônia uma rede de cidades na Amazônia que
- 38:47não é na Amazônia brasileira, não é na Amazônia.
- 38:51O caramba. A gente faz Fronteira com quem
- 38:53ali do lado? Ih, rapaz.
- 38:56Olha o professor. De história eu sou de história
- 38:58assim rolando com a Geografia. Bom, enfim.
- 39:00Não é na amazónia, brasileira, é mais para o lado do pacífico.
- 39:04É foi encontrada uma rede de de cidade, cidades, mesmo porque a
- 39:09gente as pessoas acham que na amazónia as civilizações eram
- 39:13menos. Desenvolvidas especializações
- 39:16eram tribais que eram civilizações nômades e essa
- 39:18descoberta, que é hiper recente, ela subverte essa perspectiva,
- 39:22mostrando que existiu ali uma rede de cidades de
- 39:25aproximadamente 2500 anos antes dessa.
- 39:28Desculpa ou não? Não 2, 500 anos.
- 39:31Ah, 2500 anos, né? Ou seja, uns 500 anos antes de
- 39:35Cristo. Sim.
- 39:36Eu dei o Google aqui rapidinho para ver se a gente conseguia
- 39:38descobrir. Apareceu alguma coisa sobre.
- 39:41É na era para colonial, na porção boliviana da amazónia.
- 39:45Tem sentido isso. Então, é isso, pode ser isso
- 39:47sim. É a Bolívia.
- 39:49É a parte sul, né? O que conecta com Acre, ali é.
- 39:52Sudoeste. É, pode ser, isso sim, pode ser,
- 39:55sim, não, não estou muito, tá? Não estou muito seguro, mas pode
- 39:58pá, porra. Enfim, então quer dizer, na
- 40:00medida em que você a arqueologia e uma coisa interessante, essa
- 40:05descoberta foi feita sem os sem os arqueólogos pisarem na
- 40:10amazónia. Porque foi feito por meio de um
- 40:13sobrevoo, com um equipamentos de raio x.
- 40:17Não é raio x. É porque simplificando pra
- 40:19caceta, né? Com equipamentos de luz que
- 40:21emitem uma radiação luminosa que você consegue que ultrapassam a
- 40:26cobertura Florestal. E você consegue ver marcas no
- 40:29solo, né? Você consegue ver os vestígios e
- 40:32as enfim. E as marcas dessa ocupação no
- 40:35subsolo, aí então foram feitos, se não me engano, 19 ou 20 voos
- 40:40por cima daquela região com esse equipamento.
- 40:43E foi desenhado. Ele ficou desenhado ali uma rede
- 40:47de cidades com estradas. Que se espalha por bem alguns
- 40:52quilômetros eu perdi essa informação, mas tudo bem, uma
- 40:55coisa realmente significativa realmente grande.
- 40:58Ou seja, para completar o raciocínio, na medida em que
- 41:01você vai vendo que também aqui existiam essas civilizações que
- 41:05a gente chama de uma forma equivocada de mais complexas,
- 41:09porque mesmo as civilizações numa edição civilizações
- 41:11complexas. Você também aí, né, pra voltar
- 41:14lá no começo do papo você também abre a possibilidade de começar
- 41:17a procurar ali vestígios de produção de fermentação, né?
- 41:21Bom, esses caras se organizavam dessa forma, o que que eles
- 41:25comiam, o que que eles bebiam, né?
- 41:27Como é que era as relações sociais, as relações econômicas
- 41:30entre essas redes de cidade? Então, essa descoberta ela é
- 41:34fresquinha, ela é de janeiro do mês passado.
- 41:36Uhum. Então, a partir daí, vai se
- 41:38começar esse estudo, né? Tá, então eu vou, vou corrigir.
- 41:42Não é Bolívia, essa da Bolívia, é.
- 41:44Foi uma descoberta de um outro ano que.
- 41:46Foi 2022. A específica especificamente que
- 41:50você está falando é no vale do upano, no Equador amazônico, na
- 41:56parte oriental dos Andes. E aí, fala nessa matéria que eu
- 41:59acabei de achar da CNN. É a descoberta da maior e mais
- 42:03antiga rede urbana de características construídas
- 42:06escavadas na Amazônia até agora e foi resultado de mais de 2
- 42:09décadas de investigação na região.
- 42:11É uma equipe conjunta de França, Alemanha, Equador e Porto Rico
- 42:15nessa pesquisa. Muito legal.
- 42:17Vamos? Tal o link dessa matéria aí No
- 42:20No nosso blog também no na descrição do Spotify pra quem
- 42:23quiser ler essa matéria da CNN que eu acho que complementa a
- 42:26informação que o Sérgio está trazendo pra gente.
- 42:28Perfeito, tá? E aí, Sérgio, terminamos a
- 42:32Amazônia. A gente aprendeu que pra
- 42:33descobrir tem que voar de avião. Eu desmatar tudo, né?
- 42:36Pelo que entendi. Que horrível.
- 42:40Então vamos então falar sobre até essa ponte que você trouxe
- 42:44aí, da complexidade das civilizações, né?
- 42:47Que puxa, é errado a gente achar que a civilização, norma de uma
- 42:51civilização mais simples, menos complexa.
- 42:53E por aí vai, né? E aí entender assim, existe essa
- 42:56grande discussão sobre o papel da cerveja na sedentarização da
- 43:02humanidade. Foi a cerveja que apresentou o
- 43:04sofá ou o sofá que chamou a cerveja?
- 43:07Quem veio primeiro fala pra gente um pouco sobre isso, qual
- 43:11é esse papel e onde está esse estudo até o momento?
- 43:14É, eu vou logo dizendo que eu sou do time do sofá, eu acho que
- 43:17foi o sofá que chamou a cerveja faz pra frente, uma mais pra
- 43:20frente eu vou deixar mais claro, porque a gente já falou desse
- 43:23tema quando a gente falou naquele programa sobre mitos da
- 43:26história da cerveja. Sim, você não ouviu a minha
- 43:29participante, já já já faço eu logo a propaganda.
- 43:32Se você não ouviu esse programa sobre mitos da história da
- 43:35cerveja com a participação de eu mesmo, corre lá e recupere.
- 43:40Vamos aí? Então a gente já falou um pouco,
- 43:43né? É justamente a partir dessas
- 43:45descobertas arqueológicas que se abre essa discussão sobre qual
- 43:48foi o papel da cerveja nessa sedentarização, nesse processo
- 43:52de sedentarização e que acaba gerando 2 posições que são
- 43:55contrárias. Mas são 2 hipóteses igualmente
- 43:59válidas, né? É importante lembrar aqui que
- 44:01nós estamos sempre no campo das hipóteses, porque até o momento
- 44:05e dificilmente a gente vai achar algum tipo de.
- 44:09Documento. Documento de comprovação
- 44:12material que comprove cabalmente uma, e não a outra, né?
- 44:17Então você tem a posição daqueles que acham que a
- 44:21sedentarização e ao começo da produção do cultivo de cereais
- 44:25ele se dá por n motivo, né? Para uma maior disponibilidade
- 44:30de comida. E também de cerveja, né?
- 44:33De bebida et cetera, e que a produção de cerveja se
- 44:36desenvolve, se populariza e se torna uma coisa mais comum após
- 44:40a sedentarização, né? Após o estabelecimento das
- 44:43sociedades, das cidades, das sociedades.
- 44:45E a outra linha que é justamente o contrário, que diz que a
- 44:49sedentarização e a domesticação de cerais se deu não para
- 44:53produzir pão, mas para produzir cerveja, pela importância que a
- 44:58cerveja já tinha anteriormente. A.
- 45:02Acidentarização, como a gente viu que a cerveja já era
- 45:04importante para os povos nômades, né?
- 45:06Para os povos, uhum. Caçadores de coletor.
- 45:08Então você tem esses 2 posicionamentos, né?
- 45:10Essas 2 hipóteses, e que você não precisa obviamente optar nem
- 45:15por uma nem por outra, mas se quiser, pode.
- 45:18Eu, por exemplo, sou da opção primeiro de que AA cerveja ela
- 45:23se populariza após a sedentarização com a maior
- 45:28disponibilidade de cereais para a sua produção.
- 45:32Além do fato de ser mais fácil fazer cerveja parado do que
- 45:35viajando. É?
- 45:38Não tem? Sentido eu não estou vendo o
- 45:41Leandro Oliveira fazendo cerveja, viajando pelo Brasil,
- 45:43estou vendo. E nem tá vendo ninguém, porra.
- 45:47E aí nessa discussão aí aparece alguns personagens que talvez
- 45:50vale a pena a gente falar sobre que são alguns personagens muito
- 45:53interessantes. Esse campo que defende que a
- 45:56sedentarização se deu por causa da cerveja.
- 45:59Ele é defendido por alguns nomes, entre eles o professor
- 46:04Solomon catz, que é professor do departamento de ortodontia da
- 46:09universidade da Pensilvânia, que estudou arcadas dentárias.
- 46:15Incontrovestígios de cereais fermentados.
- 46:18Nas arcadas dentárias que ele estudou.
- 46:20Mas, veja bem, ele não é um arqueólogo, ele não é um
- 46:22historiador, ele é um sei lá, dentista, sei lá, sei lá o que
- 46:27que ele é, né? Odontológico, inclusive,
- 46:31inclusive a sua especialidade não é nem essa.
- 46:33Eu baixei AA capivara do sujeito a sua especialidade, é com
- 46:38crescimento e desenvolvimento, crânio parcial infantil, esse
- 46:43maluco ele está ladeado por um outro sujeito que talvez seja a
- 46:47figura mais pitoresca com a qual eu já encontrei NES.
- 46:51Sobre história da cerveja EE arqueologia, que é um
- 46:55norte-americano chamado Alan e duani eamis, que era um sujeito
- 47:00que se dizia escritor e antropólogo da cerveja.
- 47:04Ele se nomeava assim que ele era filho de um antropólogo.
- 47:09E, pelo que eu consegui encontrar, das poucas coisas que
- 47:12a gente consegui encontrar sobre ele na internet, ele se nomeava
- 47:15antropólogo da cerveja, que era uma pessoa que também segundo
- 47:19esses textos que encontrei Na Na Na internet, visitou 44 países
- 47:24a. Procura de pesquisas pesquisando
- 47:27sobre as origens da cerveja e o papel que a cerveja desempenhava
- 47:31em sociedade e culturas antigas. Então, ele teria ido ao Egito.
- 47:36E heróides foi sobre procedimento de fabricação da
- 47:39cerveja. Teria ido aos Andes, onde ele
- 47:42foi buscar uma bebida feita de morangos do tamanho de bolas de
- 47:45tênis. Eu estou reproduzindo
- 47:47textualmente, tá tá? EQ.
- 47:49Afirma ter encontrado o anúncio de cerveja mais antiga do mundo
- 47:53em uma placa de Pedra na mesopotâmia de 4000 anos antes
- 47:56de Cristo, onde, segundo ele, estaria escrito, beba Elba a
- 48:00cerveja com coração de leão, junto com a representação de uma
- 48:03mulher sem cabeça, com seios grandes segurando taças de
- 48:06cerveja em cada uma das mãos. Entendi, tá certo?
- 48:09Oo que acontece aí? Bom, falam que esse cara
- 48:11escreveu vários livros, né? Escreveu 7 livros sobre cerveja.
- 48:15O que acontece é que se você vai começar a procurar sobre esse
- 48:20cara na internet, você não acha praticamente nada.
- 48:23Essas informações que eu acabei de dar são todas informações de
- 48:26obituários que foram publicados por ocasião da morte dele que
- 48:30ele morreu em 2007. Então, vários jornais
- 48:32publicaram, vários jornais e várias associações publicaram um
- 48:37obituário onde o texto era sempre esse, praticamente o
- 48:40mesmo, um texto um tanto quanto pasteurizado.
- 48:43Que isso? Se você for procurar os 7 livros
- 48:46deles na Amazon, por exemplo, você só encontra um livro dele
- 48:50que tem o nome a vida secreta da cerveja, que já não é um nome
- 48:53muito recomendado para um trabalho Sério sobre história da
- 48:57cerveja, né? É um negócio meio com uma
- 48:59cerveja. Salvou o mundo, né?
- 49:00Um negócio meio naquela pegada ali, né?
- 49:03Que, diga-se de passagem, não assistam ou assistam por sua
- 49:06conta e risco. Então é muito difícil você
- 49:09encontrar informações sobre ele para além da própria.
- 49:14Autopromoção dele. Que todo esse texto, todos esses
- 49:18textos, obituários, essas coisas são coisas que ele falava de si
- 49:22mesmo, tá? A gente tá encontrando.
- 49:24Aí, Olavo de Carvalho? Da cerveja Pablo Marçal da
- 49:28cerveja. Porra, muito mais contemporâneo.
- 49:33E esse maluco, ele se autodenominava um Indiana Jones
- 49:37da cerveja. Pão.
- 49:39Olha aí, sou mais eu de aula quarta, né?
- 49:45Legal, é legal. Ele vai voltar depois, no na, na
- 49:48nossa conversa lá no, no conteúdo exclusivo para os
- 49:51mecenas. Cara que está demais.
- 49:55Mas por enquanto, né? Guardem a informação desse
- 49:58sujeito. Então no time dos defensores da
- 50:01sedentarização pela cerveja vamos chamar assim, né?
- 50:04No time dos defensores da sedentarização pela cerveja nós
- 50:07temos o dentista lá, o senhor Solomon caet, temos esse 171
- 50:12aqui, né o senhor. Alan doane é porque Ah eu
- 50:16esqueci de dizer, ele disse que ele encontrou aquela placa que
- 50:19seria um anúncio mais antigo de cerveja do mundo, mas ele não
- 50:22tirou uma foto. Entendi?
- 50:23Né? Nenhum registro fotográfico.
- 50:26É o começo da fake news. Não tinha ainda inteligência
- 50:29artificial. Aliás, Leandro, fica aí a
- 50:31sugestão para você reproduzir essa placa numa IAE.
- 50:35Pronto que que você acha que é o cara que gosta?
- 50:38De fácil, faço com Alegria. Vai pegar a descrição do Sérgio,
- 50:42fazer AA placa, aí a placa nunca antes vista.
- 50:46É sendo vista agora? Exato.
- 50:49Olha só aí, vocês vão começar a justificar o discurso do maluco
- 50:52lá? Tudo bem, é tudo meme.
- 50:55Então nós temos nesse time esses 2 sujeitos.
- 50:57Mas nós temos um outro sujeito que é um pouco mais
- 51:00recomendável, digamos assim, que é o doutor Patrick mcgovern, que
- 51:05é arqueólogo e diretor do laboratório de arqueologia
- 51:09biomolecular para a cozinha e bebidas fermentadas e da saúde
- 51:12da universidade da Pensilvânia. Esse ele é um arqueólogo, já já
- 51:16tem. É uma credencial um pouco mais,
- 51:19digamos assim, apropriada, apropriado, né?
- 51:22E ele tem esse laboratório. Que ele criou já lá no início da
- 51:27década de 90, onde ele pesquisa bebidas antigas, né?
- 51:32Bebidas e alimentos, né? Bebidas fermentadas e alimentos
- 51:35antigos. E ele também é desse time que
- 51:39defende que a sedentarização Ela Foi feita para a maior
- 51:44disponibilidade de cerveja porque o laboratório dele se
- 51:48dedica a uma linha de pesquisa que se chama oncologia
- 51:51arqueológica, onde ele procura estudar esses vestígios de
- 51:56bebidas antigas atrás da. Traços de compostos de erva e
- 52:00resinas que tivessem alguma propriedade anticancerígena ou
- 52:05medicinal de uma forma geral. E ele acha por quê?
- 52:08Porque ele diz que esses componentes se dissolvem no
- 52:12álcool. Os produtos botânicos se
- 52:15dissolvem muito facilmente no álcool, então, através do
- 52:18álcool, era uma maneira mais fácil de você administrar esses
- 52:22remédios. Uhum.
- 52:24Então, ele descobriu, por exemplo, que a cerveja tem um
- 52:29alto teor de vitamina Bea. Presença de um aminoácido
- 52:32chamado lisina q fortalece o sistema imunológico e auxilia no
- 52:37reparo muscular, por exemplo, vestígios.
- 52:39De salva? Tomilho com propriedades
- 52:41anticancerígena também foram encontrados em recipientes
- 52:44egípcios de cerveja e tal. Então, além dos efeitos sociais
- 52:49da cerveja, então ele defende. A importância da cerveja para a
- 52:54sedentarização a partir daí, né, que assim eu durante muito tempo
- 52:58eu me debati com essa tese porque eu falo pô, mas isso é um
- 53:01conhecimento nosso, não é um conhecimento dos homens daquela
- 53:04época, né? Nós estamos tentando estender
- 53:07aos homens daquela época um conhecimento que é nosso.
- 53:09Eles não sabiam da presença do aminoácido lisina, nem de um
- 53:13alto teor de vitamina B, que eles nem sabiam que porra era
- 53:15essa. Mas aí, mais recentemente, eu li
- 53:17uma entrevista com ele que baixou um pouquinho minha
- 53:20guarda, né, que ele fala o seguinte.
- 53:22Os humanos antigos, eles tinham um enorme incentivo para tentar
- 53:25encontrar a qualquer cura que pudessem para os seus.
- 53:29Manos. Para os seus males e eles
- 53:32descobriam soluções empíricas, mesmo que não conseguissem
- 53:36explicálas cientificamente. Total, faz sentido?
- 53:40É, então isso é dessa forma, né? Eu acho que ficou mais
- 53:44palatável, porque aí não é o caso dele saber que existia uma
- 53:47aminoácido lisina, mas ele saber o efeito que aquele botânico ou
- 53:53aquele cereal fazia num determinado mal, que vai
- 53:57inclusive de encontro às receitas egípcias que a gente
- 54:00falou antes, né? Do papiro de Heber, de misturar
- 54:03a espuma da cerveja com a cebola, et cetera.
- 54:06Muito bom. Então isso é uma posição,
- 54:08digamos assim, mais cientificamente embasada.
- 54:11Isso também vai de encontro a uma outra questão, que aí eu vou
- 54:15só perpassar por essa questão, que é a ideia muito repetida,
- 54:19que se fala sobre a fermentação, sobre a descoberta ocasional da
- 54:22fermentação, né? O meu time de pesquisadores aqui
- 54:26em casa, eu e a patroa, né, eu como historiador, e ela como
- 54:29botânica, nós temos uma outra opinião sobre isso, né?
- 54:33De que essa história de uma descoberta acidental da
- 54:37fermentação. Não de que alguém foi lá e
- 54:39provou o líquido fermentado e viu que era bom.
- 54:42Et cetera é um tanto quanto furado, né?
- 54:44Porque o que esses caras faziam era a ciência, esses homens
- 54:48paleolíticos, né? Eles sabiam que a fermentação
- 54:52dava em alguma coisa interessante, por exemplo, por
- 54:56observação dos animais que comiam frutas fermentadas, por
- 55:00exemplo, né? Um outro aspecto que não se leva
- 55:03em consideração quando se fala de uma descoberta acidental da
- 55:06fermentação, é algo que o máximo montanar e fala nesse livro,
- 55:10aqui ele tem o. Máximo.
- 55:12Na área é um professor da universidade de Bolonha,
- 55:13especialista em história da alimentação, principalmente na
- 55:16idade média. Mas ele tem esse livro aqui, que
- 55:18é o alimento, como cultura, e no segundo capítulo desse livro é
- 55:22que tem edição em português, tá? Se procurava, você acha aí nas
- 55:25Amazon da vida, no segundo ou terceiro capítulo dele, ele fala
- 55:28sobre métodos antigos de conservação da comida, e a
- 55:31fermentação era um método de conservação que ele lista aqui,
- 55:34uhum está ou salgar a comida, adoçar a comida ou fermentar a
- 55:41comida. Esses 3 métodos eram métodos de
- 55:43preservação da comida. Até porque a para a gente poder
- 55:47ir para o próximo assunto, a geladeira só foi inventada por
- 55:50conta da cerveja há muito tempo. Depois, no papo que Gabi Lando
- 55:53conversou conosco falando sobre as invenções cervejeiras.
- 56:08E aí, para a gente ir para a última pergunta, deste papo que
- 56:12todo mundo ouve, vamos falar sobre a recriação de receitas
- 56:16antigas, que é 111, tema bem interessante.
- 56:20E a gente queria que o Sérgio contasse para a gente aí um
- 56:22pouco disso. Que ingrediente e et cetera,
- 56:25estilos, blá blá blá blá. Vamos lá, Sérgio.
- 56:27Então, essa é a segunda, o segundo grande campo que eu
- 56:30identifico. Onde a arqueologia pode nos
- 56:33ajudar com informações sobre a história da cerveja que é
- 56:37primeiro, né? A gente já passou um pouquinho
- 56:39por esse tema, a recriação de receitas antigas, na medida em
- 56:42que as pesquisas arqueológicas nos permitem saber quais eram os
- 56:46ingredientes utilizados em determinada época por
- 56:49determinada sociedade e em determinado local, né?
- 56:52Uhum. Pra dar só um exemplo prático, o
- 56:55vestígio de produção de cerveja mais antigo da Itália está.
- 56:59Numa tumba sempre uma tumba, né? Sempre um local funerário.
- 57:03Está numa tumba do piemonte de 6 do século sexto antes de Cristo.
- 57:08Na tumba de pionba, pertencente a Cuba, é pertencente à cultura
- 57:13de gola seca que é um nome. Ótimo, né?
- 57:15Porque gola seca, em italiano, é garganta seca, né?
- 57:18E a partir do estudo dos vestígios dessa tumba, se
- 57:23descobriu que essa cerveja era produzida concevada e com
- 57:26lúpulo. Olha que legal.
- 57:27A gente discute, tá? Quando é que o lúpulo começou a
- 57:29ser utilizado na cerveja desde sempre.
- 57:31Uhum. Muito.
- 57:32Recentemente ele virou Oo queridinho dos cervejeiros mas,
- 57:35desde sempre, o lúpulo foi utilizado na cerveja desde o
- 57:38século sexto antes de Cristo. Então, você tem como?
- 57:40Sabendo os ingredientes que se usavam e com descobertas
- 57:44posteriores até de receitas antigas, você pode recriar
- 57:47receitas antigas. Você pode é recuperar.
- 57:50Também leveduras. Como, por exemplo, de
- 57:53recentemente, teve uma descoberta de um naufrágio, se
- 57:57não me engano, de um navio viking, né?
- 57:59De um navio escandinavo que carregava jarros de bebida uhum.
- 58:05Dali você pode recuperar a leveduras antigas para saber
- 58:08quais foram as leveduras utilizadas nessas cervejas
- 58:11nessas bebidas. Uma coisa que é importante é
- 58:13diferenciar a recriação de estilos antigos e a criação
- 58:17daquilo que a gente chama de receitas históricas.
- 58:20Né? Ou seja, receitas embasadas
- 58:23receitas que não eram, necessariamente, as receitas
- 58:26feitas pelas sociedades antigas, mas que estão embasadas em
- 58:29descobertas e em estudos utilizando.
- 58:34Botânicos, vegetais e cereais utilizados lá, né?
- 58:37Mas que não, você não pode afirmar exatamente, era assim
- 58:40que se fazia essa receita. E por outro lado, você tem a
- 58:43recriação de estilos antigos, como já que a gente estava
- 58:46falando dos escandinavos, como por exemplo, da sati, né, que é
- 58:48uma cerveja finlandesa onde não, se não se ferve o mosto, né.
- 58:53O mosto é aquecido com pedras, et cetera.
- 58:55Em tudo isso, enfim, são 2 coisas diferentes.
- 58:58No primeiro campo de recreação de de receitas antigas, nós
- 59:02temos mais uma vez. O doutor Patrick mcgovern.
- 59:06Eu acabei de falar sobre aquela questão da pesquisa da oncologia
- 59:10et cetera das bebidas antigas, que a partir de 1999 ele passou
- 59:13a colaborar com a cervejaria dog Fish Red norte-americana na
- 59:15criação de uma linha chamada ancient Yale uhum, o que que ele
- 59:20fez? O que ele fez foi basicamente
- 59:22tentar reproduzir, na prática, por meio dessas cervejas, aquilo
- 59:26que ele já tinha estudado na teoria, no seu laboratório, né?
- 59:30Então, ele já tinha estudado alguns sítios arqueológicos no
- 59:34seu laboratório, como por exemplo o sítio arqueológico de
- 59:37gearro. Não sei se se pronuncia assim na
- 59:39China, uhum, que é uma tumba de. De 9000 anos atrás.
- 59:45OOO que ele fez, foi tentar então reproduzir uma receita a
- 59:50partir das características daquilo que ele encontrou ali.
- 59:54E tem essa série ancient ales tem umas 7 cervejas diferente.
- 59:58Tem, inclusive uma cerveja baseada na análise química de
- 1:00:02fragmentos de cerâmica encontrados, e Honduras hum-hum
- 1:00:06uma bebida com chocolate e mel, por exemplo.
- 1:00:10Legal, muito bom. Isso é uma tentativa de.
- 1:00:15Recriação de receitas uma outra coisa que também é feita a
- 1:00:20partir da arqueologia é umaginação de.
- 1:00:24Estilos históricos, digamos assim, mas com receitas
- 1:00:28recentes, né? Uhum.
- 1:00:30Estilos que não levam em consideração, necessariamente,
- 1:00:33métodos de fabricação antigos ou ingredientes antigos, mas que
- 1:00:38procuram imaginar como seriam essas receitas de determinadas
- 1:00:43civilizações, a partir das características já encontradas e
- 1:00:48das características que a gente já conhece sobre, enfim, sobre
- 1:00:52essas cervejas nesse aspecto, por exemplo, você tem um
- 1:00:55trabalho. Legal da sandog do Rio de
- 1:00:57Janeiro, sim, que criou, por exemplo, uma cerveja para
- 1:01:01comemorar, por exemplo. Eles fizeram uma ódio ali em
- 1:01:04casa, por exemplo, que não é uma cerveja, por exemplo.
- 1:01:08Não é a tentativa de reprodução do hino de linkze daquela
- 1:01:11cerveja que está descrita no hino de linkase, mas sim uma
- 1:01:13cerveja utilizando ingredientes que poderiam ser utilizados ali,
- 1:01:18né? Uhum.
- 1:01:19Eles criaram, por exemplo, uma cerveja chamada Black Magic, que
- 1:01:23ela tem uma inspiração histórica no sentido em que é uma.
- 1:01:28Homenagem às bruxas, né? As cervejeiras que foram
- 1:01:32Queimadas como bruxas pela inquisição, não implica, na
- 1:01:36verdade, uma reprodução de alguma coisa que já existia.
- 1:01:40Será que ficou claro essa? Sim, total, total, total.
- 1:01:47Bom, eu acho que assim a gente abrange esses temas aqui, esse
- 1:01:51programa, gente, além de ter levado séculos para acontecer,
- 1:01:55ele é um programa pesado, ele é um programa intenso, então você
- 1:01:59tem que ouvir com calma o parcimónia, mas agradecendo ao
- 1:02:04Sérgio, que está aqui, que fica com a gente mais um pouco para
- 1:02:07responder a pergunta que vai só para os mescenas.
- 1:02:10Mas eu já queria encerrar o programa, agradecendo aos nossos
- 1:02:13messenas, que nos ajuda a manter a Independência criativa e a
- 1:02:16casa arrumada com muito, contudo, incrível toda semana.
- 1:02:19Então a semana agradecemos a Danilo Ramalho, Fernanda Costa,
- 1:02:23Gabriel Almeida, Marcelo leal, Rogério Bittencourt e Tiago
- 1:02:27cazerta. E claro, agradecer ao Sérgio,
- 1:02:30que debruçou-se sobre papiros, sobre muitas vezes muitos
- 1:02:36estudos e com o seu pincelzinho, com a coluna arrebentada, para
- 1:02:41trazer tanta informação para a gente aqui.
- 1:02:43Então, Sérgio, muito obrigada mais uma vez.
- 1:02:45Eu que agradeço. É sempre um prazer a
- 1:02:47possibilidade de estar aqui falando nesse prestigiado
- 1:02:50programa e convido todo mundo que não conhece ainda o profano
- 1:02:53grau. Dão uma passadinha lá no meu
- 1:02:55perfil. No Instagram, que lá tem mais
- 1:02:57conteúdo sobre história da cerveja, inclusive algumas
- 1:03:00dessas coisas que eu falei aqui hoje, perfeito.
- 1:03:03Cara, muito obrigado, Sérgio. Adorei.
- 1:03:06É sempre muito bom ouvir a sua. E poder conversar com você é
- 1:03:11maravilhoso, muito obrigado. É isso, meus amigos, e então a
- 1:03:15gente fica por aqui e até semana que vem.
- 1:03:18Até semana que vem eu até até ano que vem vamos que vamos.
- 1:03:21É isso aí. Beba menos, beba melhor, beba
- 1:03:30com moderação. Este podcast foi editado por
- 1:03:40play áudios.