Latest / Surra de Lúpulo / Características das madeiras brasileiras utilizadas na produção de barris. com Dr. Agenor Maccari . | Encontro Selvagem T2 Ep.007
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- 0:07Encontro o selvagem, fermentando a brasilidade
- 0:11através dos líquidos. Madeira
- 0:23Brasileira. Para ser comercializado, via IB
- 0:27para o mundo inteiro. Infelizmente,
- 0:29o diretor que acreditava no projeto era o diretor da
- 0:32IB Brasil, faleceu num acidente de carro, em final
- 0:35de 2007, o Antônio de Marque, e daí parou o
- 0:38projeto. Mas a IB, empresa italiana, já
- 0:42tinha a ideia que a madeira brasileira podia ser
- 0:45mandada para o mundo inteiro. Para
- 0:47quê? Diversificação no setor de bebidas é uma
- 0:52palavra mágica, é mística. Então,
- 0:55começou em 2004 esse trabalho. Madeiras
- 0:58Brasileiras, de onde elas vêm? Pergunta
- 1:00idiota. Mais uma curiosidade. Ah,
- 1:03o Brasil está aqui, Estados Unidos está aqui, Europa
- 1:05está aqui. Vamos começar a colocar agora o
- 1:08equadrô e os trópicos. Isso aqui é crucial para a
- 1:12gente entender de madeira e da situação na madeira
- 1:14brasileira. O Brasil tem o equadrô e o
- 1:17trópico, parte sul. A produção de madeira de
- 1:20carvalho, ela está onde? Acima
- 1:23do trópico. Ou seja, a nossa área de
- 1:26crescimento, a nossa questão climática, ela está fora. É
- 1:31como se eu tivesse falando de madeiras do Chile e da
- 1:34Argentina. Clima, define tudo. Então,
- 1:38a gente já entra no mundo por outro caminho. Nós
- 1:41estamos entrando, vamos comparar com carvalho, vamos
- 1:44comparar com carvalho europeu, americano. Primeira
- 1:47questão, questão de geografia básica. Nós
- 1:50não estamos falando de uma produção de madeira aqui, é
- 1:53para cima. Então, nós temos um clima
- 1:55tropical, madeiras crescendo em um ambiente totalmente
- 2:00diferente e isso vai afetar totalmente a qualidade.
- 2:05Diversidade. Falando de localização, olha
- 2:07agora, diversidade. Carvalho bom, carvalho famoso, custa
- 2:12uma fortuna. Carvalho francês. Eu
- 2:14coloquei a França dentro do Brasil para dar uma noção
- 2:17de escala. Já pararam para pensar? Olha
- 2:19o tamanho da França dentro do Brasil. Quantas
- 2:22franças cabem dentro do Brasil? Mas
- 2:25é legal só para gente começar a pensar. Escuta.
- 2:28Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito,
- 2:31nove, dez, onze, doze regiões produtoras de
- 2:34carvalho francês. Doze regiões. Carvalho
- 2:38de Bourgogne, Limousin. Olha a diversidade nesse país.
- 2:43Distribuição de hamburana no Brasil.
- 2:47Proporcionalmente, se a França tem doze tipos
- 2:49de carvalho, quantos tipos de hamburana nós deveríamos
- 2:53ter? Por que que essa classificação
- 2:55do carvalho separa doze? Por
- 2:57que? Clima diferente, solo diferente,
- 3:00relevo diferente? Aí nós chegamos e eu quero um
- 3:03hamburano, quero um barril de hamburana. Cara,
- 3:06é loucura a gente pensar isso na diversidade. Dei
- 3:09uma olhada, nós estamos falando de hamburana no
- 3:11Mato Grosso, em Santa Catarina até o Nordeste.
- 3:15Hamburana, um burana, imburana,
- 3:18hamburana de cheiro, cerejeira e ainda tem mais,
- 3:22nós vamos ver agora, hamburana é raríssima,
- 3:24raríssima de encontrar. Hamburana
- 3:26Cearensis. Nós estamos comprando hoje
- 3:29hamburana, quem quiser comprar hamburana hoje está
- 3:31comprando hamburana, hamburana acreana, que está
- 3:35vindo da Amazônia. Não tem mais hamburana
- 3:37Cearensis, que é uma coisa delicadíssima, eu estou
- 3:40trabalhando com as duas e é impressionante a diferença
- 3:44entre elas, mas vamos lá então só para mostrar para
- 3:47vocês que quando a gente fala em madeiras brasileiras
- 3:51a diversidade, a distribuição, a variação de
- 3:54ambiente de genética é uma loucura, é uma loucura, tá?
- 3:59Então vamos passar rapidinho para
- 4:01o mundo das madeiras brasileiras? Se
- 4:04você for na internet procurar a distribuição de
- 4:07cada uma das madeiras, eu estou usando duas fontes,
- 4:09vou mostrar aqui a distribuição de cada uma
- 4:11das madeiras, eu estou usando a Embrapa, tá? E
- 4:15o instituto no Rio de Janeiro, eu estou pegando
- 4:17dois institutos romados, mas se eu pegar outras fontes,
- 4:21a Universidade Federal do Paraná tem um trabalho
- 4:23também de dispersão de espécies, isso aqui é uma
- 4:26loucura, mas vamos lá só para a gente entender um
- 4:29pouco a distribuição, vamos pegar Castanha do Pará,
- 4:33Rondônia Acre, Mapa Pará, Norte de Goiás, Mato
- 4:36Grosso, então são madeiras com grande dispersão e essa
- 4:40dispersão significa grande variedade, grande
- 4:43variabilidade, ó, estão informações abertas da
- 4:46internet que eu peguei, a Minduin, tá? Se
- 4:49pegar a madeira, a Minduin, se olhar a dispersão, você
- 4:53vai ver, consegue imaginar essa variabilidade, tá? Eu
- 4:58acho interessante disponibilizar isso, mas se
- 5:00vocês procurarem, o que que aconteceu? Quando
- 5:03eu fiz as primeiras compras de barril, eu liguei prasta
- 5:06no Arias, quais as opções, qual é o nome popular,
- 5:10qual é a espécie e comprei as madeiras. Segunda
- 5:13coisa que eu fiz, pessoal da Engenharia Florestal,
- 5:16departamento ao lado do meu, departamento de
- 5:19tecnologia florestal, trouxe um taxonomista especialista
- 5:23em madeira, o que que aqui é verdadeiro? Que
- 5:26verdadeiro, 30 a 40 % tá errado, falei como assim,
- 5:30eu brinquei, 30 a 40 % tá errado, então deixa eu
- 5:33fazer diferente, eu vou comprar todas as madeiras,
- 5:36todos os barris, vai estar tudo etiquetado e você vai
- 5:39dizer o que que é, beleza? Se
- 5:41você quiser eu pego foto, vou fazer uma microscopia
- 5:44para dar a classificação da madeira, então esse é um
- 5:47grande problema também, a gente está comprando barris
- 5:50de procedência questionável, eu tive a experiência
- 5:54desagradável, ainda bem que consegui cancelar a compra,
- 5:58um orientado meu foi comprar madeira, ele falou,
- 6:00porra professor, você falou que era difícil, eu achei
- 6:03a madeira aqui em Curitiba, o cara me mandou foto e
- 6:06tudo, falei como assim, não tem tanoaria em Curitiba?
- 6:10Não, não, comprei numa fábrica
- 6:11de móveis, para tudo, para evitar o ataque de cubim,
- 6:16essas madeiras são tratadas com incendicida, para tudo,
- 6:20para tudo, não é pegar madeira qualquer, arrumei
- 6:25né, uma pedaço da mobília cerejeira, armada minha avó,
- 6:29vai devagar, porque senão você não sabe, se você não
- 6:32sabe a procedência, você não sabe o que está
- 6:35comprando e sequer se dá para usar em bebida, ah
- 6:38mas eu vou pedir para o tanoero, pois é, mas com a
- 6:41disseminação do uso da madeira, o pessoal começou,
- 6:44não vamos usar barril, lasca, põe dentro do
- 6:47tambor, faz aquelas beberagem, põe com álcool,
- 6:50põe com vódica, põe com o extractor ali e joga dentro
- 6:54do tanque com cerveja, do tanque com cachaça, então é
- 6:58super delicado, eu tenho as minhas fontes de madeira,
- 7:02que eu tenho certeza, nós já trabalhamos há 20 anos
- 7:04com as mesmas pessoas, para eu ter garantia do que eu
- 7:08estou comprando, tá, algo muito sério, fica o alerta
- 7:11aí, mas rapidinho, então qual que é a ideia,
- 7:14mostrar as fotos de madeira, eu peguei uma, se
- 7:17você entrar com peterogene nítens e pedir madeira em
- 7:21português e inglês, você vai ter um monte de foto,
- 7:25cara, dá uma olhada nas fotos e dá uma olhada no
- 7:28que você está comprando para confirmar, tá, é uma
- 7:31dica bem boa para evitar dor de cabeça, que
- 7:34aconteceu com um amigo meu que comprou barril flacano,
- 7:36mas não é a madeira que você está dizendo, tá, nós
- 7:39vamos ver mais cuidados ali, mas então rapidamente
- 7:42o que que eu coloquei aqui, as principais madeiras
- 7:45usadas para bebida, que você ainda tem uma certa
- 7:49facilidade de adquirir, passei o amendoim, só
- 7:52curiosidade, porque amendoim, a cor da madeira lembra a
- 7:56cor da casca do amendoim em vagem e quando você
- 7:59recorta ela, ela tem aroma de amendoim, cru, amendoim
- 8:03que não foi torrado. Ambonana,
- 8:07ambonana cianensis, isso aqui dá uma dor de cabeça,
- 8:11porque se vai olhar lá o pessoal chama de cumaru,
- 8:14puta, falou em cumaru, os estados unidos acende a luz
- 8:18amarela, porque há por que tem cumarina, por que a
- 8:21cansa é origino, por que tem um monte de restrição,
- 8:24então tem que cuidar, a gente manda ambonana, cumaru
- 8:27a gente usa semente para outras coisas, a madeira
- 8:31que a gente vai trabalhar é ambonana, ambonana
- 8:34cianensis, eu já tinha mostrado a foto, ela foi
- 8:37classificada a partir do cianará, lá é chamada até
- 8:40de ambonana de cheiro, ela é muito perfumada, é
- 8:43deliciosa, aí quando você compara com ambonana
- 8:46paulista, ambonana paulista é neutra, a cor dela é
- 8:50mais clarinha, tá, mas não é tudo a mesma espécie, é
- 8:53carvalho, quercos rubur, quercos alba, tá, mas não
- 8:57são 12 variações de carvalho só na frança, sim,
- 9:01para uma mesma espécie, então nós estamos falando
- 9:03de uma mesma espécie ambonana cianensis, ambonana
- 9:07criana, tá, como eu trabalho com exportação,
- 9:10depois vou contar rapidinho, a gente foi até as áreas
- 9:13de extração, exigência do mercado americano, pegou a
- 9:17documentação, bateu foto em loco, mostrou que a gente
- 9:20estava trabalhando com madeira de manejo, de área
- 9:23de manejo, é chamado de ambonana também, eu costumo
- 9:27chamar de cerejeira da amazônia, porque ambonana
- 9:29também é cerejeira, então os nomes são todos
- 9:32confusos, ambonana, cerejeira, tá, mas essa
- 9:35daqui também é ambonana, então cerejeira da amazônia,
- 9:38pode chamar de ambonana, cerejeira da amazônia,
- 9:41ambonana, acreana, só atentar, a região de
- 9:44crescimento é totalmente diferente, você vai pegar o
- 9:47litoral brasileiro, tá, e vai comparar com a
- 9:51amazônia, então eu já quero destacar isso, vou falar já
- 9:54a importância da localização e a importância do meio
- 9:58ambiente nas características da madeira, a gente já vai
- 10:01falar de dureza, já vai falar de extrato, de
- 10:05resina, a gente vai chegar lá, mas só eu estou
- 10:07mostrando a localização para a gente ver que as
- 10:10madeiras brasileiras são de biomas diferentes, que não
- 10:13tem nada a ver com a área de produção de carvalho na
- 10:16Europa ou nos Estados Unidos, tá? A
- 10:21Grape ou Garapeira, essa amadeira que tem um monte
- 10:24de informação, eu não acredito em nada, os
- 10:27trabalhos que foram publicados dizem que é uma
- 10:29madeira leve, delicada, caralho, é amarga pesada,
- 10:34amadeira densa, então aí você fala tá, mas quem que
- 10:38tá errado? Provavelmente os dois, quando a gente
- 10:40fala em Grapea, uma Grapea do Rio Grande do Sul
- 10:43comparada com uma Grapea do Pará, claro que vai dar
- 10:46coisas diferentes, né? Então é só pra gente alertar da
- 10:50importância de não generalizar madeiras
- 10:54brasileiras, e nem nome, Grapea, hoje eu quero
- 10:57saber, eu tô comprando qual madeira e de onde vem,
- 11:00qual a idade da árvore, tem que fazer mais
- 11:02perguntas. Castanheira, tá? A
- 11:06castanheira, ah tem risco de extinção e tal, mas já
- 11:09tem área de reflorestamento, você compra de tanoarias no
- 11:13norte de Minas e na Bahia com documento de origem
- 11:16florestal, 100 % legalizado e pra mim a das madeiras
- 11:21brasileiras, a castanheira castendo paraia é a
- 11:24princesa, é a coisa linda, a qualidade da bebida, a
- 11:28qualidade da madeira, a madeira é lindíssima, tá?
- 11:31Então é da Amazônia e não do
- 11:34Pará, se você procurar um nome popular, tá lá,
- 11:37castanha brasileira, castanha do Pará, castanha da
- 11:40Amazônia, eu gosto de trabalhar com o Bertoletti
- 11:43Excel, só que é um nome científico dela. O
- 11:46Jectibar Rosa também, nós vamos falar daqui a pouco
- 11:49de propriedades sensoriais, o que que muda? O
- 11:52Jectibar Rosa é uma madeira que no mundo das bebidas
- 11:55destiladas, é super delicado, super delicado.
- 12:00Araribá, eu esqueci, eu só trouxe o
- 12:02araribá, a mesma espécie, Centrolóbion Tumentosum, ela
- 12:06também cresce aqui do norte a sul, só que aqui a
- 12:10gente chama de Araribá, ela vem até o Paraná Santa
- 12:13Catarina e no Nordeste ela é chamada de Putumuju, eu
- 12:17trabalho com as duas madeiras para cachaça, se
- 12:20alguém questionar, mas cachaça não tem nada a ver
- 12:22com cerveja, se eu for estudar o extrato, a cor,
- 12:26o aroma, o sabor de uma madeira, eu vou fazer isso
- 12:28em uma solução água e álcool, porque para não ter
- 12:31influência de outras características da bebida,
- 12:34então eu estou trabalhando com cachaça, para mim é
- 12:37uma solução água e álcool, o Araribá ou Centrolóbion
- 12:41do sul e o Centrolóbion do norte são muito diferentes,
- 12:47mas muito diferentes, diferentes de cor, essa
- 12:51madeira que estou usando de fundo aqui é Araribá, tá,
- 12:54a madeira para mim é linda e são dois produtos bem
- 12:57diferentes, a do Nordeste é mais resinoza, é mais
- 13:01taninoza, mais agressiva, eu não consegui chegar num
- 13:04produto palatável comercial usando o Araribá, o
- 13:08Putumuju, o Araribá do sul é, meu hoje é uma das
- 13:12joias da minha exportação, eu vou mostrar depois, o
- 13:17Freijó é uma madeira pouco conhecida, mas muito boa,
- 13:20muito delicada também, Jatoba também, a madeira é
- 13:25bem legal, o Itaúba, a Itaúba para mim mostra o
- 13:29declínio na disponibilidade de madeira, Itaúba é uma
- 13:32madeira muito boa para fazer porta, para fazer
- 13:34cachilho, uma madeira dura, resistente e descobriram que
- 13:38tem uma Itaúba que cresce mais perto do Rio de
- 13:42Janeiro, Espírito Santo, o Tapinho A, que é Mesilaúrus
- 13:46também, olha e passa, e a endêmica só cresce numa
- 13:49região específica, está tendo exportação para o
- 13:52mercado americano, porque é uma coisa diferente, não
- 13:56tem outro lugar a não ser essa região para ter essa
- 13:59espécie, essa madeira, a Cabriuva também, vou passar
- 14:04rápido porque tem vários, eu não trouxe aqui todas,
- 14:08aqui eu só queria mostrar, isso aqui não é mais para
- 14:11mostrar a madeira, mas para mostrar o conflito que a
- 14:14gente tem, Balsamo ou Cabriuva Vermelha, você pode
- 14:18encontrar os dois nomes científicos como Balsamo ou
- 14:21Cabriuva Vermelha, duas madeiras totalmente
- 14:24diferentes no ponto de vista de paladar e que se
- 14:28você não souber a classificação científica,
- 14:31você não sabe qual madeira está trabalhando, então essa
- 14:33daqui é bem chato, hoje o Balsamo é muito raro de
- 14:37achar, todo mundo que compra Balsamo na verdade
- 14:39está comprando a Cabriuva Vermelha e ela é um
- 14:42pouquinho mais simples de trabalhar no sabor, mas é
- 14:45bem resinosa também, agora confusão, quando você
- 14:49procura a Mirociculum Balsamo, olha a área de
- 14:52distribuição só no Acre, mentira, olha as madeiras,
- 14:55eu peguei na internet duas fotos, Mirociculum Balsamo e
- 14:59Mirociculum Perúífero, cara, mas é igualzinho, até a
- 15:03mancha aqui é igual, é igual, uma é Balsamo, outra
- 15:06Cabriuva Vermelha, uma é Mirociculum Balsamo, outra
- 15:09Mirociculum Perúífero, só pra gente entender a
- 15:12dificuldade de trabalhar, e se você chegar num produtor
- 15:16de cachaça que trabalha muito tempo com madeira,
- 15:18ele reconhece pelo copo, pela qualidade sensorial,
- 15:21então não é a mesma madeira, não é a mesma
- 15:24coisa, só mostrando esse conflito, referência, nome
- 15:28científico, Mirociculum Balsamo, Balsamo, Balsamo,
- 15:32Cabriuva, Cabriuva, olha o Balsamo, olha o de Balsamo,
- 15:35olha o Pardo, então as primeiras questões, comprar
- 15:38madeira de fonte confiável, olhar a imagem, olhar a
- 15:42foto, eu tive o privilégio de trabalhar com taxonomista
- 15:45junto comigo, mas é desse nível, ah mas o mundo das
- 15:48leveduras é diferente, claro que não, vai lá pro
- 15:51Marcelo, vão fazer uma cariotipagem da levedura, é
- 15:54a mesma coisa, se olhar no microscópio dá pra saber?
- 15:57Não, pela micarteixa microscópica
- 15:59consigo? Não, então não estamos falando
- 16:01nada diferente, só que a levedura a gente trabalha
- 16:04com cariotipagem, a gente vai pro laboratório e
- 16:07madeira, madeira é aquela coisa bruta, é vista assim
- 16:10e tratada assim, é isso que eu não gosto, é por
- 16:13isso que eu gosto de falar, tá, esclarecer isso,
- 16:16a gente tem que respeitar um pouco mais pra estar
- 16:18melhor na madeira. Não é o objetivo de falar aqui
- 16:26do uso pra cerveja, é pra falar das propriedades pra
- 16:29barril, mas quando eu pensei em quais propriedades
- 16:33interessam, eu considerei o seguinte, eu tenho a
- 16:36madeira como um recipiente, um contenedor, a madeira
- 16:39foi usada historicamente como um depósito de produto
- 16:43acabado, tenho uva, fiz o vinho, onde é que eu
- 16:45guardo? Historicamente ou pré -historicamente, não
- 16:48tinha, me traz um assinóquice pré -histórico,
- 16:51né, ou um IBC pré -histórico, não tem. Como
- 16:54suporte células imobilizadas à madeira, tá, os primeiros
- 16:58relatos de breta -nomesses, quando dava breta -nomesses
- 17:01em barricas de vinho, era contaminação, tira o vinho,
- 17:05raspa a madeira e toca fogo, por quê? Porque
- 17:08a célula fica impregnada na madeira, pra mim eu
- 17:12considero isso como um suporte, é célula
- 17:14imobilizada, tá, Joia? Como substrato? Porque
- 17:18nós colocamos a madeira, desculpa, a cerveja ou o
- 17:22líquido em contato com a madeira e todo líquido tem
- 17:27uma capacidade de extração, de solubilizar componentes.
- 17:31Então nós vamos tirar da madeira,
- 17:33componentes químicos que estão ali e esses
- 17:35componentes químicos podem servir como nutrientes, a
- 17:39gente já sabe, o breta -nomesses come qualquer
- 17:42coisa, a filha da mãe ataca a célula ou o que
- 17:45tiver ele, ele vai embora e nós também temos a
- 17:48beleza da biotransformação desse substrato também
- 17:51através de fermentação. E por último, eu ainda tenho
- 17:55um meio poroso, a gente tem um meio poroso, eu vou
- 17:58falar aqui de porosidade de cada madeira, pro mundo das
- 18:02bebidas destiladas, importantíssimo, por quê?
- 18:04Por duas coisas, a porosidade
- 18:06permite troca gasosa, quer dizer sai gás, entra gás e
- 18:11ao mesmo tempo eu perco líquido por evaporação.
- 18:14Então madeiras porosas demais não
- 18:17são legais, aumenta a ração, aumenta a perda por
- 18:20evaporação. Madeira sem porosidade nenhuma, pode
- 18:24ser, qual que é o teu objetivo? Você
- 18:26queria essa troca gasosa? Vai
- 18:28se... acho que ele está até tendo já
- 18:30uma palestra sobre oxigenação para a cerveja
- 18:32selvagens aí. Então a gente tem microoxigenação,
- 18:36tá? Esse é um trabalho orientado,
- 18:38nós testamos microoxigenação, era um equipamento italiano
- 18:41para acelerar o envelhecimento de bebidas e
- 18:44a cápsula de porcelana simulava o tamanho do poro,
- 18:49do carvalho para produzir microbolhas para ter a
- 18:53mesma superfície de troca. Então
- 18:55com tudo isso aqui, eu vou falar um pouco agora, não
- 18:58é de fermentação, não é da selas, é das propriedades
- 19:02da madeira que podem afetar esses usos.
- 19:16Então primeira questão, a madeira
- 19:18no ambiente tropical, características físicas, o
- 19:22que o clima afeta as características físicas. Eu
- 19:25compilei isso aqui, isso aqui foi apresentado, nós
- 19:28apresentamos um seminário nos Estados Unidos sobre
- 19:31madeira brasileira, risco de extinção, tá? O
- 19:34nome científico, o nome comum, dureza e gravidade
- 19:38específica que seria a densidade. Dureza
- 19:41é a resistência da madeira. O
- 19:45que é dureza? Tem uma tabela de jancado que
- 19:47é o seguinte, eles pegam uma bolinha de ferro e
- 19:49fazem força, até a bolinha penetrar na madeira. A
- 19:53força aplicada é medida e tá aqui a força, a
- 19:57resistência dela. Por que isso é importante? Pra
- 20:01questão de trabalhar a madeira, de fazer barril,
- 20:04como é que eu vou manipular ela? E
- 20:06a gravidade específica, quanto menor a gravidade
- 20:09específica, mais leve e mais porosa, então a gente
- 20:13usa ela como uma medida de porosidade. Aí
- 20:15o que a gente vai ter como referência? Carvalho
- 20:18americano e carvalho europeu. Dureza,
- 20:21a madeira dura, 1 .360. Cara,
- 20:25Cabriuva, 2 ,800, 2 ,200, Balsam, Cabriuva vermelha, 2
- 20:30,200, 2 ,280, Itaúba, 2 ,900, Jatoba, 2 ,800. O
- 20:37que é isso? Porque dessa resistência mecânica,
- 20:40a selva, a floresta é um mundo muito mais agressivo
- 20:45e muito mais diversificado no Brasil, tanto bioma,
- 20:49floresta atlântica quanto tropical, do que num clima
- 20:52americano ou europeu. O que tem de diferente lá? O
- 20:55inverno é rigoroso, dá uma limpada em pragas, dá uma
- 20:59limpada em doenças. E aqui no Brasil, qual que é
- 21:02a frase que a gente sempre fala? Porra,
- 21:04esse país não é pra amador, né? Pra
- 21:06árvore é a mesma coisa. A árvore que quiser sobreviver
- 21:09aqui, ela tem que se despertar, tem que se
- 21:10virar. O que ela pode fazer? Ela
- 21:12aumenta a dureza. Porque não vai ter bisouro, não
- 21:15vai ter coisa pra perfurar ela. Esse
- 21:18é o primeiro mecanismo de defesa físico. Nós
- 21:21vamos ver o químico daqui a pouco. E
- 21:23eu acho interessante comparar a porosidade pela
- 21:26troca gasosa. Então a gente tá vendo o que?
- 21:29Carvalhos, zero sessenta e oito, zero
- 21:31cinquenta e sete. Madeira brasileira, aqui em cima o
- 21:35jequitibaque é delicado, olha, a castanheira do Pará
- 21:39são até mais leves do que essas madeiras. Mas
- 21:43a regra saiu dali, Arari Bah, Jatoba, Itauba,
- 21:49Tapinhuã, Cabre Uva, Ubal Samu, todos eles são
- 21:53madeiras densas, porque mecanismo de proteção. E
- 21:56isso vai afetar o quê? A minha facilidade de fazer
- 21:59barril, de trabalhar a madeira e principalmente
- 22:02nesse caso da porosidade, a capacidade de troca gasosa.
- 22:08Características químicas. Então,
- 22:10vamos lá, ambiente tropical. Nós
- 22:12vamos falar da característica química da
- 22:13madeira. Não me interessa, não vou falar
- 22:15agora da madeira, da celulose, da resistência
- 22:18mecânica. Químicamente, o que que me interessa? O
- 22:22que é soluvo e o que eu consigo extrair, beleza?
- 22:25Então, primeira questão,
- 22:27diversidade. Madeira brasileira. O
- 22:29extrato tem material que é soluvo em água, tem
- 22:32material que é soluvo em água quente, tem material
- 22:34que é soluvo em álcool. A gente acaba tendo ester
- 22:37aldeído também na fermentação. Quer
- 22:39dizer, eu vou arrancar coisas da madeira, beleza?
- 22:43Compostos com baixo ou médio peso
- 22:46molecular. Quanto menor o peso molecular,
- 22:49mais volátil, mais aromático, mais fácil de
- 22:53extrair. Só que eu tenho como extensão
- 22:55os compostos pesados como os taninos. Qual
- 22:58é a função do tanino? Tanino
- 23:00a gente usa para tratamento de couro. Tanino
- 23:03para combater uma acilente ferramenta contra inseto e
- 23:06micro -organismo. Então, as plantas, as madeiras
- 23:09brasileiras, elas são ricas em taninos como ferramenta
- 23:13química na guerra contra as pragas, contra os insetos e
- 23:17as doenças. Eles têm também o mecanismo
- 23:20químico de defesa baseado principalmente nesses
- 23:23taninos. Está aqui? A
- 23:25feta resistência, fungo e inseto. Pode
- 23:28alterar cor, aroma, a pernabilidade, a densidade,
- 23:32a dureza na madeira. Quanto maior a quantidade de
- 23:35tanino, menos porose a madeira, mais resistente à
- 23:38madeira. E olha que loucura. Chega
- 23:408 % do peso seco de madeiras normais de clima
- 23:44temperado e aqui no nosso dia a dia, 20 % do peso
- 23:49seco da madeira pode ser tanino. Aí
- 23:51você pega o tanino, me diz uma sensação quando a gente
- 23:54fala em tanino desde criança, quando é que a
- 23:56gente percebe tanino fruta verde, banana verde, cacchi
- 24:00verde, esses taninos são adestringentes, são pesados
- 24:04e nas florestas brasileiras duas vezes, duas vezes e
- 24:09meio, mais tanino do que no carvalho. Então
- 24:13primeira impressão que a gente tem assim né,
- 24:15Marcari? Foda -se, vamos trabalhar só com
- 24:18carvalho né velho. Pô, é pesado trabalhar com
- 24:21madeira brasileira. É? Como é que a gente faz?
- 24:24Ah, vamos falar de enxágua
- 24:25hein? Vamos falar de tosta tá? De
- 24:28enxágua e só uma curiosidade. Eu
- 24:30comprei agora, veio mais uma leva de madeiras
- 24:32brasileiras, mais barrisas. Chegou
- 24:34faz duas semanas. Tô testando um tanoeiro novo,
- 24:37primeira vez que eu comprei dele, primeira vez.
- 24:39Recomendação do amigo meu, olhei por
- 24:41fora quando chegar os barrisas, eu falei puta que
- 24:44cagada. Como diz o Alessandro, perdi 250
- 24:46pila, eu perdi mais, que eu comprei mais barrisas.
- 24:49Tudo envernizado. Passou
- 24:51o verniz? Primeira coisa, acabou a porosidade.
- 24:54Segunda coisa, qual que é a merda
- 24:56do solvente? Se ele penetrar na madeira,
- 24:58posso ter risco de ter um sabor, de ter composto
- 25:02químico tóxico na madeira. Aí
- 25:05ligou a luz amarela vermelha colorida, falei que
- 25:08o cervejeiro estava com o gilherme lá, vamos tentar
- 25:11raspar o interior, abre, ali tira, vamos raspar e
- 25:13colocar a unha. Aí ele falou, puta, tem cera.
- 25:16O tanoeiro com medo de vender
- 25:18para mim e ter vazamento, ele impermeabiliza o
- 25:22interior do barril. Pode ser o barril de qualquer
- 25:24madeira do mundo. Foda -se, não vai dar nada. Está
- 25:28impermeabilizado? Vamos para a cervejaria, tem água
- 25:31fervendo, sempre tem, jogamos água fervendo,
- 25:34triplo em chágoa e dentro dos barrisos. Quase
- 25:37entupiu as canaletas de tanta cera que tinha dentro
- 25:40do barril. Então de novo, fiquem de olho,
- 25:43tá, que a gente às vezes não se toca. Porra,
- 25:45Macarice falou que aquela madeira dava corpo, caralho,
- 25:48dava sabor, estava um ano lá e não mudou quase nada.
- 25:52Idiota, né, mas a informação minha
- 25:54estava errada, né. Daí você fala pro cara, porra,
- 25:57velho, você perdeu um ano? Era
- 25:59só como um depósito, como contenedor, envelhecer,
- 26:02troca, aeração, oxidação, não deu nada. Bota
- 26:06no IBC, é melhor, bota num pote plástico, um tambor de
- 26:10plástico de água mineral, ali vai dar mais resultado.
- 26:12Aqui é interessante, coisa de
- 26:14aula de ciências botânicas, ciências do primeiro grau.
- 26:18Casca e a proteção contra o
- 26:20meio, aí a gente tem uma parte mole da madeira mais
- 26:23clara que é chamada de alburno. Essa
- 26:26é a parte de crescimento e à medida que a madeira vai
- 26:30envelhecendo ela vai mudando, vai ficando mais
- 26:32densa, ela vai ter uma outra composição química e
- 26:35a gente tem o serne. Eu já vi barril, barril de
- 26:39castanheira do local para macarra e castanheira, você
- 26:41falou que era manelada. Nossa,
- 26:43a minha veio bem clarinha. Eu
- 26:46falei, bicho, fizeram um suco de casca, né? Você
- 26:49não fez suco de fruta, te mandaram alburno. Qual
- 26:52que é o problema? A região de transição é onde
- 26:55tem a maior síntese de taninos, de compostos
- 26:58químicos. Por quê? Porque
- 27:01vai proteger a madeira. A madeira, o serne que vai
- 27:04ficar aqui, ele tem que ter resistência. Então,
- 27:07se eu pegar essa parte, é a parte mais neutra, é a
- 27:11parte menos densa, é a parte que estraga mais
- 27:14rápido, não serve nem para picar, para fazer extrato,
- 27:18para colocar na cerveja, porque ela não tem
- 27:20concentração nenhuma. Então, fiquem alerta com isso.
- 27:24Então, esse processo de
- 27:25envelhecimento, ele também passa por um processo de
- 27:28acúmulo, dessas substâncias, desses compostos químicos,
- 27:32tá? Na madeira. Quando
- 27:34você coloca bebida dentro da madeira, o que vai
- 27:36acontecer também? Há um ataque álcool ácidos,
- 27:40eles vão atacando naturalmente a madeira e
- 27:43ocorre a degradação da lignina e vai começar a
- 27:46produzir compostos aromáticos. Esses
- 27:49compostos aqui vão começar a passar para a bebida e
- 27:53vão interferir na qualidade sensorial, normalmente para
- 27:57o bem. Então, quando você fala, cortei a
- 27:59madeira e fiz fragmento, fiz um chips, joia, deixei
- 28:03de molho, agora joguei na cerveja e vai embora. Vai
- 28:06ter o extrato da madeira? Vai.
- 28:08Vai ter o gosto da madeira? Vai.
- 28:10Envelheceu, maturou a bebida? Não.
- 28:13Essa é a diferença, o Ministério da Agricultura
- 28:15considera como diferença. Armazenamento
- 28:18e envelhecimento. O envelhecimento é quando o
- 28:22tempo permite mudança nas propriedades sensoriais da
- 28:26bebida. Então, isso aqui é questão de
- 28:29tempo, você vai ocorrer a formação desses compostos,
- 28:32mas com a degradação, com o ataque, com a oxidação e
- 28:37uma curiosidade. Esse é um trabalho bem antigo,
- 28:40bem antigo, mas já começa a caracterizar quais
- 28:44compostos estão associados a cada madeira. Eu
- 28:47tive o momento de conversar com os autores e daí
- 28:50surgiu essa questão, faz pouco tempo. Vocês
- 28:53têm guardado os dados numéricos? Tem.
- 28:57Tem tudo guardado, os cromatogramas, está tudo
- 28:59guardado. Vocês tem guardado a origem da
- 29:02madeira? De onde que veio a hamburana?
- 29:03De onde que veio o balsu? De
- 29:04onde que veio o jiquitibá? Não.
- 29:07Então, assim, mesmo os dados científicos, eles são
- 29:11ainda falhos. Se a gente não começar a
- 29:13caracterizar, não começar a entender de onde a gente
- 29:16está falando, a mesma madeira pode dar resultado
- 29:19muito diferente em função da localização.
- 29:22Características sensoriais? Hamburana,
- 29:25balsu, carvalho, castanheira, com maru e o calípto aqui
- 29:28no meio. Ou dá para armazenar em o
- 29:29calípto, não é qualquer espécie, senão vai ficar
- 29:32com cheiro de desinfetante de banheiro. IP,
- 29:42é genérico. Acabei de falar, falando desde o
- 29:45início, a questão da diversidade. Mas
- 29:47isso aqui mostra o que a madeira pode aportar para a
- 29:51minha bebida. Nesse trabalho aqui, o que a
- 29:54gente fez? Era um trabalho com o apoio do
- 29:56governo. Qual que era a ideia? Nós
- 29:58pegamos, os barris tinham duplicata, tinha o irmão
- 30:01gêmeo, eu coloquei na mesma madeira, do mesmo tanueiro,
- 30:05do mesmo local, eu coloquei duas cachaças bem
- 30:08diferentes, de duas regiões bem diferentes. Dejamos
- 30:12um ano guardado e fizemos um teste de pesquisa com o
- 30:15consumidor. Fomos nas lojas que serviam a
- 30:19minha cachaça já, aceitam participar de um teste?
- 30:22Qual que é o teste? Não,
- 30:23eu vou beber uma cachaça, claro, ninguém disse não,
- 30:26né, óbvio, e a gente compilou os dados. Qual
- 30:29é a curiosidade? O ganho de cor com o tempo,
- 30:32algumas madeiras dão mais cor e outras dão menos
- 30:36cor. E nós separamos as mais
- 30:38potentes de coloração, claro que a cor significa que
- 30:41tem extrato, que tem composto químico e as
- 30:44chamadas mais leves ou neutras. Nós
- 30:46não vamos comparar dois produtos muito diferentes de
- 30:49cor e de aroma. O resultado marca 1 e marca
- 30:532. Quanto menor o número, como se
- 30:55fosse? Em primeiro lugar, em primeiro
- 30:58lugar, segundo, aí você começa a ver a mesma
- 31:01madeira, o Carvalho Brasileiro, roubá -la a
- 31:04Brasileienses aqui, para uma marca, os consumidores deram
- 31:074 e na outra marca foi a melhor. Então,
- 31:10a mesma madeira eu posso avaliar para qual cerveja
- 31:15eu vou colocar. Então, quando o pessoal pergunta
- 31:17até ter um caso, vou contar, de o Alessandro,
- 31:20que está aqui de testemunha, acho que foi um
- 31:22dos maiores porretes nós tomamos na vida, foi com o
- 31:24iron, ainda, da Mernix, o Alessandro falou para mim,
- 31:27eu quero fazer uma cerveja em madeira brasileira, aí
- 31:30eu falei, olha, a gente só tem 40 barris para provar
- 31:34e os idiotas provaram os 40 barris e quando termina,
- 31:38para de trabalhar e vão tomar cerveja. Então,
- 31:41mas aí o Alessandro, qual foi a pergunta que eu fiz
- 31:44para o Alessandro? O que você quer da madeira?
- 31:47Qual é a cerveja e o que você
- 31:48quer da madeira? 11, 12 anos atrás. Aí
- 31:51nasceu a Amburana Lager com um barril de cachaça, achei
- 31:54uma foto minha abraçado com os barris, 700 litros
- 31:58ainda, devia ter trazido até para mostrar. Então,
- 32:01a pergunta que a gente tem que fazer quando trabalha
- 32:02com madeira, o que você quer da madeira? O
- 32:05que você quer colocar dentro da tua cerveja? Se
- 32:08não, é um depósito, é um recipiente, tá? Para
- 32:11as madeiras fortes, mesma questão, reparem que a
- 32:15nota, a colocação vai variar em função da bebida
- 32:18que está dentro da madeira, tá? Madeira
- 32:22resinosa, o que a gente faz? A
- 32:25tosta do barril. Aqui a tosta num tano aero bem
- 32:28pequenininho, os primeiros testes. O
- 32:30que a gente tem? Os níveis de queima. Ah,
- 32:34o que que vai acontecer quando eu queimo a madeira?
- 32:37Primeiro lugar, você destrói os
- 32:39taninos, você está destruindo uma parte da
- 32:42composição. Macarney, não é ruim destruir os
- 32:44taninos, depende. Quanto que tem de banho do
- 32:46tanino? Quanto que tem? Pessoal,
- 32:49pergunta para mim, eu trabalho com tosta de
- 32:50madeira desde 2005, 2006, nós começamos. Aí,
- 32:54eu... Tu faz sempre a mesma tosta?
- 32:56Não, tem madeira que eu não
- 32:57tosto. Eu dou uma tosta muito leve,
- 33:00cara, seria o nível 1 aqui para menos, vou mostrar os
- 33:04barris depois eu tenho foto. Por
- 33:05quê? Porque a madeira é delicada, eu
- 33:07quero preservar o aroma, aquela delicadeza. Escuta,
- 33:10a madeira é pesada. Eu vou para uma tosta mais
- 33:13intensa, eu vou destruir resinas, taninos e eu vou
- 33:18formar aromas. Além disso, essa camada de
- 33:21carvão acaba atuando como um filtro, então é bem
- 33:24interessante também. Daria para falar uma hora só de
- 33:27tosta, tempo, temperatura. Então,
- 33:30o que vai acontecendo em cada estágio? Se
- 33:32eu aqueço pouco, eu vou destruir taninos, se eu
- 33:35aquecer bastante, vai dar composto fenólico de fumaça,
- 33:39eu posso destruir as lactonas, que são compostos
- 33:42de aroma bom, que são agradáveis, então cada
- 33:46madeira dessas tem uma curva, então cada madeira
- 33:49dessas eu tenho um nível de tosta. A
- 33:52gente desenvolveu isso em 2008, com o Mesacasa lá no
- 33:56Rio Grande do Sul, na Tanuaria, começou com um
- 33:59pedacinho de madeira na estufa, tempo, temperatura,
- 34:02fomos para os barris, tempo e temperatura e hoje eu
- 34:05faço isso nos meus barris em escala comercial. Aqui
- 34:08um pouco disso aqui tudo é para carvalho, o que que é
- 34:11gerado, vai ficar para vocês só por curiosidade, a
- 34:14mesma madeira, desde gerar pimenta, cravo até o
- 34:18defumado e aquelas balas, a mesma madeira, eu posso
- 34:21criar aromas com a tosta. Olha
- 34:23um barril sem tostar, um barril tostado, tosta média
- 34:27-alta, formação da camada de carvão, olha aí os mais
- 34:30tostados agora, uma tosta mais alta, você vê a
- 34:33rugosidade, a pele de jacaré, que é um nível
- 34:36mais alto, que a gente não fala nem tosta, a gente
- 34:38fala em queima de barril daí. Rapidamente
- 34:40para fechar, em 2004 a gente começou a trabalhar
- 34:44com madeira com tosta também, está aqui duas
- 34:46cachaças minhas desde 2004, a gente ganhou bastante
- 34:49prêmio, eu trabalho só com madeira, aqui já tem o
- 34:52fruto da madeira brasileira, eu acho lindo essa foto,
- 34:56até porque o produto é meu, é óbvio né, sem
- 34:58madeira, um ano em carvalho, dois anos em
- 35:01carvalho, araribá, castanheira do Pará,
- 35:05hamburana e barris selecionados com tosta
- 35:08diferente de carvalho, a cachaça é a mesma, então
- 35:11quando eu falei que a gente gera diversidade, é
- 35:14nesta pegada, aí com cerveja, essa foi a minha
- 35:17primeira cerveja que eu fiz em madeira, na medalhada,
- 35:19coloquei uma lager dentro de um barril de cachaça,
- 35:22de carvalho, foi a primeira brincadeira nossa e aqui já
- 35:26foi a segunda, uma Stoutem barril de hamburana, a
- 35:29lager já estava feita, eu tive que fazer uma Stoutem
- 35:31daí, além disso que nós estamos brincando né, eu
- 35:34já, a Barley Wine que nós fizemos com a Alessandro,
- 35:36passou por carvalho e hamburana, eu tenho uma
- 35:39grapia né, com lager, estamos com sour, com
- 35:43carvalho, hamburana e araribá, e isso aqui já
- 35:47tem pra beber, ele na prancheta, tá no
- 35:49laboratório, nós estamos com as breta nomícies também,
- 35:52estamos trabalhando, mas daí é outro projeto, tá indo
- 35:56pro segundo ou terceiro ano, que as barricas estão
- 35:59guardadas lá, a gente já fez uns testes, tá bem
- 36:01legal, tá, mas é algo que é uma próxima daí, mais
- 36:06uma pra vocês pensarem, a secagem da madeira afeta a
- 36:10qualidade, os fornecedores de madeira que a gente já
- 36:13citou, o tamanho do barril, porque nós falamos de
- 36:16superfície específica, de superfície de contar, as
- 36:19condições da adega, eu tenho quatro adegas, desde
- 36:23uma adega encravada no brejo, até container, eu já
- 36:27tô com container fazendo o teste, algo pra falar de
- 36:30perdas, uso de chips, uso de extrato, quer dizer, tem
- 36:34pano pra manga pra falar em madeira ainda, se fosse
- 36:36pra gente aprofundar o assunto. Nós
- 36:43vamos até ter uma pergunta que vai ser do Diego, o
- 36:47favoritismo pode ser. Eu tô usando meu privilégio
- 36:51aqui, tu falou em certa hora da tua palestra sobre
- 36:55a questão da dureza que isso pode interferir na
- 36:59produção do barril, né, aqui no, principalmente eu
- 37:03tenho encontrado muita dificuldade em conversar com
- 37:05os tanueiros e pedir tipos específicos de formato,
- 37:09formatos maiores principalmente, porque quando
- 37:12eles estão falando em formatos maiores, geralmente
- 37:14eles querem trabalhar com Dornas, né, e Dornas tem o
- 37:17problema do receicamento da parte de cima, evaporação
- 37:21um pouco maior e geralmente ela é assédico na produção.
- 37:25Essa dificuldade da gente
- 37:26encontrar barris em maiores formatos de volume se deve
- 37:30talvez a essa questão da dureza ou simplesmente
- 37:34porque a gente ainda não tem uma indústria tanueira
- 37:36tão bem desenvolvida, que ainda deve deixar de se
- 37:39fazer de alguma forma, mas imagina se a dureza da
- 37:42problema é na questão de empilhar as madeiras e ela
- 37:45criar alguma entrada de oxigênio a mais e menos,
- 37:48porque sempre tem o problema da oxigenação
- 37:50quando a gente vai pra grandes volumes em Dornas e
- 37:52eu não queria Dornas, eu queria formatos barris ou
- 37:56outros formatos que dificultassem a entrada de
- 38:00oxigênio, né, principalmente, né, essas transferências,
- 38:03porque quando a gente tá trabalhando com Dornas, a
- 38:05parte de Red Space é muito alta e sempre a trabalha a
- 38:09produção, né. A grande questão, o barril,
- 38:12tem um barril chamado padrão americano, 180 a 200
- 38:15litros e como é que esses caras fazem esse barril? A
- 38:19gente acha que tá lá o artesão, né, cortando nada,
- 38:22ele tem uma máquina com gabarito, então aquilo que
- 38:25é o dia a dia pra ele que tá dentro da linha de
- 38:27produção, ele faz volume, já tem o gabarito, já tem
- 38:30as medidas, então essa é a primeira questão. Se
- 38:33você tem uma certa paciência, sempre procurado
- 38:35um tano aero mais flexível, eu não sou comissionado,
- 38:38não ganho nada, né. Eu comecei o trabalho com
- 38:40madeira, a tanoaria que eu procurei por indicação do
- 38:44vinho, foi em Monte Belo com a tanoaria mesa casa,
- 38:47hoje é quase impossível de trabalhar, eles são meus
- 38:49amigos, por quê? Porque eles estão exportando
- 38:51barril, eles têm uma lista de espera, então eu
- 38:54importei barril, eu importei de Uisk, eu importei da
- 38:58Four Horse da Heaven Hill, me arrependi, porque os
- 39:01barris vieram com os arcos pra curto tempo, porque o
- 39:04isca americano é envelhecido por curto tempo, deu
- 39:06problema de oxidação e tudo, agora tô pegando no
- 39:09Vale dos Inheiros da Union, de Stealering, e quem tá
- 39:13reformando pra mim é outro tanoero, que esse faz,
- 39:16acabou de mandar mensagem pra mim, barril, olha,
- 39:19falou que ele tá fazendo em pé, 330 litros, R $ 2
- 39:22.800 ,00, agora eu quero conversar com ele se ele
- 39:25não faz, deitado, o maior barril que a gente
- 39:28trabalha, por lei pra envelhecimento de bebida, é
- 39:31700 litros, então foi o barril, tinha dois barris,
- 39:34a gente tratou com cachaça, usou, produziu e passou pro
- 39:37Alessandro, esse é o maior volume brasileiro hoje
- 39:39permitido pra envelhecer, porque são de superfície de
- 39:42contato, mas o mês a casa faz barril de 20 mil
- 39:44litros, 50 mil litros em madeira, só que desse que
- 39:47tem que entrar na fila, mas agora grande questão de
- 39:50fugida do padrão é por causa dos gabaritos, por
- 39:53causa dos gabaritos, aqueles antigos que faziam no
- 39:57joelho, esquece, esquece o problema. Pessoal,
- 40:03a ideia é sempre partilhar informação, não tem o medo
- 40:06de deixar a apresentação, de responder perguntas, se
- 40:09eu souber é uma honra poder atender, poder ajudar,
- 40:13tá? Eu não quis colocar ali do
- 40:14Alessandro, ali com a Whey, a gente já tem mais uma
- 40:17dúzia de projetos com madeira brasileira, em que
- 40:20eu entrei de parceria, eu achei um tesão trabalhar,
- 40:22por exemplo, pessoal da Petróleo e da DUM, com o
- 40:25Morilo, a gente fez a Petróleo e Madeira, então
- 40:28nós fizemos Carvalho Francês, Castanhera, os
- 40:31Barris eram meus, tá? Por quê? Eu
- 40:33quero aprender, então se eu puder ajudar, contem comigo,
- 40:36tá bom? Obrigado. Encontro Selvagem é um
- 40:49programa realizado pelo canal Sura de Lúpulo,
- 40:52abraçava e com apoio nesta temporada do Conselho
- 40:55Federal de Química, CFQ. Sigam,
- 40:59arroba Encontro Selvagem no Instagram e não percam
- 41:02nenhum conteúdo.