Latest / Surra de Lúpulo / A cerveja e os avanços científicos dos séculos XVIII e XIX | Surra #236
Transcript
- 0:13Hipacondríaca apresenta Surra de Lúpulo Oi pessoal, bom dia, boa
- 0:20tarde, boa noite! Eu sou Ludmilla, mais conhecida
- 0:23no Instagram como Ipacondrica, e no programa de hoje, meus
- 0:28amigos, nós estamos no último episódio da nossa série
- 0:31documental histórica, na qual a gente fala sobre situações e
- 0:36fatos históricos que impactaram diretamente na cerveja, e hoje a
- 0:41gente vai falar de como a ciência avançou o conta da
- 0:46cerveja nos séculos XVIII e XIX. Essa série inteirinha contou com
- 0:51a colaboração do nosso amigo Sérgio Barra, profano grau no
- 0:55Instagram, que é a sua melhor historiador, que foi responsável
- 0:58por toda a pesquisa para o tema selecionado.
- 1:03Antes de prosseguirmos, a gente quer passar um recado muito
- 1:05importante. O Clube da Coza Linda está de
- 1:08volta com força total. Para fazer parte da Cozarada,
- 1:12você pode escolher por três planos diferentes.
- 1:15Para assinar, acesse o site cozalindadeloginha.lojavirtualnuvem.com.br
- 1:22e escolha o plano certo para você.
- 1:25O melhor de tudo é que quem é mecenas tem condições especiais
- 1:28e um super desconto na escolha de qualquer um dos planos.
- 1:32Você não pode ficar fora dessa. Vamos deixar o site na descrição
- 1:35do episódio e também no nosso blog para você poder fazer a sua
- 1:39compra. Olá, Lud!
- 1:46De novo, muito bom estar aqui com você, muito bom encerrar
- 1:50essa série com você. E eu sou o Leandro, mas hoje
- 1:53vocês podem me chamar do maior inventor de todos os tempos, do
- 1:57entretenimento e quiçá da vida real, e quiçá de todos os tempos
- 2:01mesmo, porque ele está no passado, presente e futuro, Doc
- 2:03Brown. Doc Brown, se você não sabe quem
- 2:05é, você não teve infância, você não assistiu os melhores filmes
- 2:09de viagem no tempo da história. Então, se você não sabe quem é,
- 2:13volte duas casas, dê play e, pô, curta.
- 2:16E a gente conta essa história aqui bebendo algo para molhar a
- 2:19garganta, porque tem muito texto para a gente contar, tem muita
- 2:22informação para passar. E aí, Lud, o que você vai
- 2:25contar? O que você vai beber?
- 2:27O que você vai beber? Eu vou beber um misto de café
- 2:31com água, meus amigos, porque estamos gravando esse programa
- 2:34num horário pouco ortodoxo. Exatamente.
- 2:37E você, Doc Brown, mas que tá mais branco, precisando ir pra
- 2:41praia, tá bebendo o quê? Eu vou beber também, se você não
- 2:46reparou, na eletricidade que já começou a gravação.
- 2:49Eu já tô no café. Isso já é o terceiro copo de
- 2:51café. Então, eu já tô no café e vou
- 2:54fazer o blend café e água também.
- 2:56Vamos junto. É isso.
- 2:58Coloca aí. Quero café!
- 3:00Quero café! Quero café!
- 3:04Quero café! Desculpe.
- 3:10Melhor meme do mundo. Isso aí, né?
- 3:22Quer ajudar, mas a grana tá curta?
- 3:24Não tem problema. Ajuda a gente a chegar mais
- 3:26longe. Manda o link desse episódio pro
- 3:28amigo que gosta de cerveja artesanal, de história, de
- 3:31ciência. Ou se ele tá precisando,
- 3:33inclusive, de um direcionamento do que ele deveria gostar.
- 3:36Ou compartilhe nas suas redes sociais, marcando a gente.
- 3:39Estamos em diversas plataformas de streaming, mas o coração
- 3:42enche de amor quando rolam cinco estrelinhas do Spotify.
- 3:45Agora, se fechar o combo cinco estrelas mais comentário na
- 3:48Apple Podcast, a gente pira de alegria.
- 3:50As avaliações ajudam as plataformas a entenderem que o
- 3:52nosso conteúdo é relevante e melhoram muito a distribuição
- 3:56dos episódios. Luz, vamos começar a contação,
- 4:13então? Bora, senta que lá vem a
- 4:14história. Então, assim, como eu sou o Doc
- 4:17Brown, vamos começar nossa história contando o seguinte.
- 4:19Se o Marty McFly viajasse para duzentos anos atrás e pedisse
- 4:24uma cerveja em um pub, receberia algo completamente completamente
- 4:29diferente do que a gente tem hoje, essa bebida dourada,
- 4:32transparente, frisante, que costumamos chamar de cerveja.
- 4:37Seria um líquido acobreado ou marrom, turva, sem espuma,
- 4:42servida em uma caneca de cerâmica, metal ou madeira.
- 4:46Isso porque a cerveja, como a gente conhece hoje, é um
- 4:50resultado dos avanços científicos do século XVIII e
- 4:54XIX. Olha só...
- 4:55Durante a maior parte da sua história, que começa cerca de
- 4:59catorze mil anos atrás, a cerveja não foi um produto feito
- 5:03com rígidos padrões industriais de assepsia que existem hoje.
- 5:07Desde as cervejeiras mesopotâmicas e egípcias, até as
- 5:12cervejeiras da Europa medieval que faziam cerveja para vender
- 5:16na sua taverna, não se conhecia termos como rampas de mostura,
- 5:21pH, graduação alcoólica... e nem mesmo entendiam plenamente o que
- 5:25fazia com que a sua sopa de cereais fermentasse e assim
- 5:30virasse cerveja. Apesar de utilizarem sempre a
- 5:33mesma receita, passada por gerações, de mãe para filha, de
- 5:38vó para mãe, dentro dessa longa cadeia familiar, era muito comum
- 5:43que o segundo lote de uma cerveja não saísse exatamente
- 5:46igual ao primeiro. Isso é comum até hoje no meio
- 5:49artesanal. Vamos assumir aqui.
- 5:50Deixa baixo! Deixa baixo!
- 5:55E não havia problema nisso, até hoje não tem problema.
- 5:58Desde que a cerveja fosse boa, agradasse ao público.
- 6:02A exceção aqui talvez fosse os mosteiros católicos, onde os
- 6:05monges, cervejeiros, eram também, mas não sempre,
- 6:09estudiosos da cerveja e introduziam inovações como, por
- 6:13exemplo, a ideia da conservação a frio da bebida.
- 6:16Ou seja, eles eram os beer geeks, no valor geek da palavra,
- 6:21nerds. Apenas a partir do século XIX, a
- 6:25produção de cerveja passou a ser regulada por rígidos padrões
- 6:29industriais. As grandes indústrias de cerveja
- 6:32de baixa fermentação, para as quais o desenvolvimento da
- 6:35refrigeração artificial foi fundamental, faziam propaganda
- 6:39dos seus padrões rígidos de assepsia e qualidade como um
- 6:43diferencial em relação às pequenas e artesanais
- 6:47cervejarias de alta fermentação. Essa oposição entre cerveja
- 6:51industrial e artesanal nos acostumou a enxergar a cerveja
- 6:55como um produto altamente industrializado, nos fazendo
- 6:58mesmo esquecer que fazer cerveja foi, ao longo da maior parte da
- 7:03sua história, apenas, muito entre aspas, cozinhar.
- 7:07E não dependia de equipamentos sofisticados e caros para ser
- 7:11produzido. Não tinha coisa elétrica, não
- 7:14tinha aquelas panelas automáticas.
- 7:17Não tinha nada disso, era tudo roots.
- 7:19Nada muito diferente daquilo que as famílias já possuíam na
- 7:23cozinha de casa. Isso aí.
- 7:25Nesse episódio, procuramos destacar seis avanços
- 7:28científicos ocorridos entre o final do século XVIII e o início
- 7:33do século XIX que foram fundamentais para fazer da
- 7:36cerveja aquilo que ela é hoje. A compreensão do processo de
- 7:40fermentação por Lavoisier e a criação da escala para medição
- 7:44de volume alcoólico por Gay-Lussac foram fundamentais
- 7:49para que os cervejeiros conseguissem controlar A
- 7:56invenção do tambor torrador por Daniel Wheeler permitiu a
- 7:59criação de maltos mais claros. O desenvolvimento de métodos
- 8:03artificiais de refrigeração permitiu a produção de cervejas
- 8:07de baixa fermentação durante todo o ano e a sua conservação
- 8:11por mais tempo. A descoberta da existência de
- 8:14micro-organismos que atuavam na produção e na deterioração da
- 8:19cerveja por Pasteur foi fundamental para um maior
- 8:22controle da fermentação. e o desenvolvimento das culturas
- 8:25puras de leveduras. Iniciada por Emil Hansen, também
- 8:30colaborou para o aperfeiçoamento das cervejas Lager.
- 8:34Sem esquecer que muitas outras descobertas anteriores também
- 8:38contribuíram, direta ou indiretamente, para melhorar a
- 8:41produção de cerveja, como, por exemplo, a invenção do
- 8:45microscópio em mil seiscentos e setenta e quatro pelo cientista
- 8:49holandês Anton van Leeuwenhoek, a invenção do termômetro de
- 8:53mercúrio pelo físico alemão Gabriel Fahrenheit em mil
- 8:57setecentos e quatorze, ou a invenção da máquina a vapor em
- 9:00mil setecentos e setecentos e cinco, pelo engenheiro britânico
- 9:04James Watt. Antoine-Laurent Lavoisier nasceu
- 9:17em vinte e seis de outubro em mil setecentos e quarenta e três
- 9:22e faleceu em oito de maio de mil setecentos e noventa e quatro.
- 9:27Lavoisier nasceu em uma família rica de Paris.
- 9:31Era um químico, filósofo e economista francês.
- 9:35É geralmente apresentado como o pai da química moderna. que se
- 9:39desenvolveu a partir das bases e noções que ele estabeleceu e de
- 9:43uma nova exigência de precisão oferecida pelos instrumentos que
- 9:48ele criou. Com dezoito anos, em mil
- 9:50setecentos e sessenta e um, matriculou-se na Faculdade de
- 9:54Direito Civil e Canônico durante o auge do movimento iluminista
- 9:59na França. Lavoisier conseguiu baixar elado
- 10:01em direito em mil setecentos e sessenta e quatro, mas nunca
- 10:04chegou a exercer advocacia. Brother meu, total brother.
- 10:09Seus estudos de direito, porém, o ajudaram a conseguir o cargo
- 10:12de fazendeiro geral, um tipo de cobrador de impostos agrários em
- 10:17mil setecentos e setenta. Durante seus estudos de direito,
- 10:20participou de conferências sobre ciências naturais.
- 10:22Em mil setecentos e sessenta e seis, venceu um concurso da
- 10:26Academia de Ciências para um ensaio sobre iluminação pública
- 10:31em salas de espetáculo e recebeu medalha de ouro Em nome do rei.
- 10:36Em mil setecentos e setenta e dois, iniciou uma longa pesquisa
- 10:39sobre as causas da combustão, duvidando de que a matéria, como
- 10:43ensinava Aristóteles, assumisse diferentes formas, líquida,
- 10:47sólida ou gasosa, por uma lei geral de degeneração.
- 10:53Chegando à conclusão, três anos depois, que a combustão tinha
- 10:56como causa necessária a presença de um misterioso ar
- 11:00deflogisticado. Denominação dada pelo iluminista
- 11:04inglês Joseph Priestley, que ele chamou de oxigênio, do grego
- 11:09formador de ácido. Porra, facilitar nem pensar.
- 11:13Primeiro batiza daquele nome impronunciável, aí depois é
- 11:15oxigênio. É oxigênio, vamos facilitar, é
- 11:19oxigênio. Vamos facilitar, vamos deixar
- 11:21mais fácil. Como desdobramento dessa
- 11:25pesquisa, ele demonstrou a natureza composta do ar,
- 11:28nomeando hidrogênio, do grego sem vida, a parte que não era
- 11:32oxigênio. Em mil setecentos e setenta e
- 11:34oito, publicou uma descrição do efeito do oxigênio, oxidação,
- 11:38que ele chamou de acidificação. demonstrando seu papel na
- 11:42formação da ferrugem. Ao mesmo tempo, em mil
- 11:45setecentos e setenta e sete, sempre como resultado das suas
- 11:49pesquisas sobre o ar, leu perante a Academia Real de
- 11:52Ciências um relatório preliminar sobre a fisiologia da
- 11:55respiração, demonstrando o papel do oxigênio na respiração de
- 11:59plantas e animais. Cara, o iluminismo deve ter sido
- 12:03muito legal, né? Porque, assim, tudo era uma
- 12:05grande ignorância. A galera não sabia como é que as
- 12:08coisas emperrujavam, o poder do oxigênio no metal, sabe?
- 12:12Aí o maluco começa a explicar isso, estudar e explicar isso.
- 12:16Assim, é uma descoberta atrás da outra.
- 12:19Devia ser muito maneiro. É, imagina o tanto de fake news
- 12:22também. Ah, deve ter tido muita teoria
- 12:24furada que não foi pra frente e que morreu na praia.
- 12:27Mas, pô, esse é o preço da invenção, né?
- 12:31Tá certo. Para inventar tem que errar, tem
- 12:32que falar merda. Os trabalhos de Lavoisier estão
- 12:37entre as primeiras experiências químicas já realizadas.
- 12:41Elas marcam a passagem da alquimia, uma mistura de
- 12:46ciência, magia e prática espiritual considerada a química
- 12:51medieval para então a química experimental.
- 12:55E por isso é considerado o pai da química. demonstrou a lei da
- 12:58conservação da matéria através da queima do fósforo e do
- 13:01enxofre. E por isso é atribuída a ele a
- 13:05frase, na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se
- 13:09transforma. É um Raimundo Flamel, né, meus
- 13:12amigos? Quem não caça referência, volte
- 13:15duas casas. É partindo do princípio da
- 13:20conservação da matéria que Lavoisier realiza o trabalho
- 13:23mais importante para âmbito da história e da ciência
- 13:27cervejeira. Em mil setecentos e oitenta e
- 13:30nove, no seu Tratado Elementar de Química, ele descreve
- 13:33cientificamente o processo de fermentação, como a conversão de
- 13:38açúcar em álcool e CO₂. Desafiando os defensores da
- 13:42teoria da geração espontânea, que tinham como princípio
- 13:45fundamental a ideia que era possível a formação espontânea
- 13:49de organismos vivos de uma espécie sem a necessidade da
- 13:52intervenção direta ou indireta de qualquer ascendente da mesma
- 13:56espécie. Essa teoria pretendia explicar,
- 13:59por exemplo, o surgimento de vermes e insetos na matéria
- 14:02orgânica em putrefação. Essa parte não é curtir estudar,
- 14:05não. Nojinho total disso.
- 14:07Baseando-se sempre no trabalho do Joseph Priestley, que
- 14:11conduziu seus experimentos com dióxido de carbono na Meadow
- 14:15Lane Brewery, em Leeds, uma vez que a cervejaria é uma fonte
- 14:19inesgotável de CO₂, coletado nos tanques de fermentação.
- 14:23Sobre a fermentação, afirma Lavoisier.
- 14:26Esta operação é uma das mais impressionantes e
- 14:29extraordinárias de todas as que a química nos apresenta.
- 14:32E temos que examinar de onde vem o gás ácido carbônico que é
- 14:35liberado, de onde vem o espírito inflamável que é formado.
- 14:39E como um corpo mole, um óxido vegetal, pode ser transformado
- 14:43em duas substâncias tão diferentes, uma das quais é
- 14:45combustível, a outra eminentemente incombustível.
- 14:50Esta importante declaração é precedida por uma descrição das
- 14:53principais transformações químicas da fermentação
- 14:57alcoólica. Todo mundo sabe como o vinho, a
- 15:01sidra e o hidromel são feitos e, em geral, todas as bebidas
- 15:05fermentadas. Os sucos são prensados de uvas e
- 15:08maçãs. Este último é diluído com água e
- 15:12o licor é colocado em grandes cubas e armazenado em um local
- 15:15onde a temperatura seja de pelo menos dez graus do termômetro de
- 15:18Realmour. Logo, ele é excitado por um
- 15:21rápido movimento de fermentação. Muitas bolhas de ar estão surgem
- 15:25na superfície, e quando a fermentação está no pico mais
- 15:28alto, a quantidade dessas bolhas é tão grande, a quantidade de
- 15:32gás emergente é tão grande, que acreditamos que o licor está em
- 15:35um inferno de fogo que excita uma fervura violenta.
- 15:39O gás que emerge é de ácido carbônico, e quando é coletado
- 15:43com cuidado, é perfeitamente puro e livre da mistura de
- 15:47qualquer outra espécie de ar ou gás.
- 15:49O suco de uvas, suave e doce antes, foi transformado durante
- 15:53esta operação em um licor vínico, que não contém mais
- 15:56açúcar quando a fermentação é concluída.
- 16:00No mesmo capítulo XIII do seu Tratado Elementar de Química,
- 16:03Lavoisier explica que, tratando-se do resultado da
- 16:06fermentação de qualquer material doce diluído em água, não se
- 16:10poderia nomear esse licor de espírito de vinho, espírito de
- 16:14sidra ou espírito de açúcar fermentado.
- 16:17Então, resolveu adotar o nome mais geral de álcool, que em
- 16:21árabe significa simplesmente o espírito.
- 16:24Favorável a uma reforma profunda no antigo regime e ao
- 16:27estabelecimento de uma monarquia constitucional, Lavoisier aderiu
- 16:31à Revolução Francesa em mil setecentos e noventa.
- 16:34Um rebelde, um revolucionário. Foi um dos três comissários do
- 16:38Comitê de Finanças da Convenção encarregado de reformar o
- 16:41sistema de arrecadação de impostos.
- 16:44Sua imagem ficou associada à desvalorização que se seguiu à
- 16:48transformação da moeda fiduciária criada durante a
- 16:51Revolução em moeda corrente, que teria beneficiado os nobres
- 16:57emigrados que fugiam da Revolução.
- 17:00Ele foi denunciado para as autoridades revolucionárias,
- 17:02juntamente com outros vinte e sete fazendeiros gerais, como
- 17:06traidor da nação, por André Simeon Olivier Dupin de
- 17:10Beaumont, responsável pelas execuções.
- 17:13E deputado, que também era deputado, para variar, era
- 17:15deputado de Aisne, foi encarcerado como sogro, Jacques
- 17:20Poulsen, em vinte e oito de novembro de mil setecentos e
- 17:23noventa e três, na prisão de Porte Libre, e acusado de ter
- 17:27especulado contra os interesses dos cidadãos.
- 17:31Foi condenado à morte cinco meses após a sua prisão, em
- 17:34cinco de maio de mil setecentos e noventa e quatro, e
- 17:36guilhotinado três dias depois, na Place de la Révolution, junto
- 17:40com outros vinte e sete ex-baderneiros fazendeiros
- 17:43gerais. Depois do fim de Lavoisier,
- 17:56vamos começar a contar a história de Luiz Joseph Gay
- 18:00Lussac, que nasceu um dia depois do meu dia.
- 18:03Ele nasceu em seis de dezembro, só que em mil setecentos e
- 18:06setenta e oito, eu não sou tão velho assim.
- 18:08E faleceu também em maio, nove de maio de mil oitocentos e
- 18:12cinquenta. Maio é um mês ruim pra
- 18:14inventores. Fica a dica, pega essa aí, é
- 18:17coisa de mercúrio retrógrado. É um dia depois, né, cara?
- 18:21Ele morreu um dia depois do Lavoisierzinho, ó.
- 18:24Verdade, estava na fila lá, só que em outro ano.
- 18:28Gay Lussac foi um químico e físico francês, conhecido por
- 18:32seus estudos sobre as propriedades dos gases.
- 18:35Nasceu em uma família nobre da região da Nova Aquitânia, no
- 18:39sudeste da França. Era filho do advogado e promotor
- 18:42Antoine Gay Lussac. antigo procurador do rei.
- 18:46Seu pai foi preso durante a Revolução Francesa, entre o
- 18:49final de mil setecentos e noventa e três e julho de mil
- 18:52setecentos e noventa e quatro. Ele tava no grupo lá do
- 18:55Lavoisier. O pai do Gay Lussac tava lá no
- 18:59grupinho do Lavoisier. Isso aí, tudo, porra,
- 19:01baderneiros gerais, gerais. Em mil setecentos e noventa e
- 19:05sete, com dezenove anos, foi aprovado no exame de admissão da
- 19:09Escola Politécnica, na Cefete, aqui no Rio de Janeiro.
- 19:12Brincadeira. Criada três anos antes e voltada
- 19:15à formação de engenheiros. Posteriormente, em mil
- 19:18oitocentos, ingressou na Escola Nacional de Pontes e Estradas.
- 19:22Mas ao final dos seus estudos, três anos depois, foi nomeado
- 19:25tutor de Química do professor Antoine-François Fourcois,
- 19:28antigo colaborador de Lavoisier. Em mil oitocentos e nove, obteve
- 19:32o título de professor de química prática da Escola Politécnica,
- 19:35assumindo o posto do seu antigo tutor, Fourcourt.
- 19:38Ao mesmo tempo, foi nomeado o primeiro titular da cadeira de
- 19:42física na nova Faculdade de Ciências de Paris, cargo que
- 19:45exerceu até mil oitocentos e trinta e dois, quando foi
- 19:48nomeado para a Cátedra de Química Orgânica e Mineral, num
- 19:53museu de história natural. Seus primeiros trabalhos
- 19:56científicos se dedicou a estudar a física dos gases.
- 19:59Ainda em mil oitocentos e dois, distinguiu-se ao afirmar que, de
- 20:04zero grau a cem grau, todos os gases simples ou compostos
- 20:08submetidos à mesma pressão expandem-se na mesma quantidade
- 20:13para aumentos iguais de temperatura. descobrindo assim a
- 20:16lei da expansão dos gases. Em mil oitocentos e quatro, foi
- 20:20encarregado pelo Institut de France de verificar as teorias
- 20:24sobre o enfraquecimento do magnetismo na atmosfera viajando
- 20:28em um balão. Ele subiu até sete mil e
- 20:30dezesseis metros de altitude, recorde de altitude para a
- 20:34época, medindo o campo magnético terrestre e coletando amostras
- 20:38do ar atmosférico em diferentes altitudes, que revelaram as
- 20:42variações de temperatura e umidade do ar.
- 20:44Duas foram as contribuições para a produção de bebidas
- 20:47alcoólicas. Em estabeleceu de forma
- 20:50definitiva que o etanol e o CO₂ são os principais produtos da
- 20:55decomposição do açúcar pela fermentação alcoólica.
- 20:58Ele formalizou as técnicas experimentais e propôs um método
- 21:02de análise quantitativa, afastando definitivamente as
- 21:06ainda existentes abordagens mágico-interpretativas de seus
- 21:10contemporâneos. Estabelece a equação química
- 21:13glicose mais água gera etanol mais CO₂.
- 21:18E, em mil oitocentos e vinte e um, foi contratado pela
- 21:21administração francesa para definir um método prático para
- 21:24medir com precisão a concentração alcoólica das
- 21:28bebidas. A lei de mil oitocentos e vinte
- 21:30e quatro sobre tributação de bebidas alcoólicas utiliza o seu
- 21:33trabalho. Sabendo que a densidade de
- 21:35etanol de vinte graus Celsius é inferior à da água à mesma
- 21:40temperatura, conclui que um líquido que contém mais álcool
- 21:44tem uma densidade menor, mergulhando no líquido um
- 21:47hidrômetro graduado diretamente em graus de álcool, quando mais
- 21:52fundo ele for, mais alcoólico é o líquido.
- 21:54A medição da volumetria correta é ajustada de acordo com a
- 21:58temperatura do líquido. Isso inspirou a grande pesquisa
- 22:03de colocar o palitinho na espuma para saber a densidade da espuma
- 22:08da cerveja que é feita nos botecos cariocas até hoje.
- 22:12Você pega um palito de dente, larga no creme da cerveja.
- 22:16Como ele é denso, ele segura o palito em pé.
- 22:18Se ele não for denso, se não for cremoso, o palito cai ou afunda.
- 22:22A gente sabe disso, todo mundo que vive em boteco tem essa
- 22:24experiência empírica. Não vou nem falar nada.
- 22:26Você faz isso! Mas eu não fico falando que foi
- 22:29por isso, rapaz. Eu não estou aqui espalhando
- 22:30fake news ou média news. Eu faço isso, mas eu não estou
- 22:35falando que é por isso não, hein?
- 22:37O resultado é obtido em graus Gay-Lussac, abreviados como GL.
- 22:42As tabelas de correção de densidade e temperatura foram
- 22:45estabelecidas experimentalmente por Gay-Lussac.
- 22:48Mas essa técnica só é precisa se o líquido não contiver nada além
- 22:53de água e álcool em solução. Juntamente com Collardot, outro
- 22:58ex-aluno da Escola Politécnica, Gay Lussac tornou-se fabricante
- 23:02de instrumentos científicos e comercializou o seu alcômetro em
- 23:06mil oitocentos e trinta. E aí vamos para Daniel Wheeler,
- 23:21que nasceu em vinte e sete de novembro de mil setecentos e
- 23:24setenta e um e faleceu em doze de junho de mil oitocentos e
- 23:29quarenta. Existem poucas informações sobre
- 23:31a vida de Daniel Wheeler, ele era um cara discreto.
- 23:34Sabe-se apenas que foi um engenheiro inventor britânico
- 23:37que em mil oitocentos e dezoito patenteou um método novo ou
- 23:40aprimorado de secagem e preparação do malte, que ficou
- 23:45mais conhecido como tambor torrador.
- 23:47Em fornos tradicionais, o grão germinado era seco, colocando-o
- 23:52em uma camada sobre um piso perfurado, geralmente de metal.
- 23:57Então, o malteiro acendia um fogo de madeira, carvão ou coque
- 24:02por baixo e os gases de combustão quente, geralmente
- 24:05esfumaçados, que passavam pelo grão faziam evaporar a umidade
- 24:09que saía por uma chaminé. Nesse processo, a torra do malte
- 24:13era muito irregular. Parte do malte invariavelmente
- 24:16ficava levemente ou severamente queimado, enquanto a outra parte
- 24:21podia permanecer bem verde. E o malte sempre pegaria sabores
- 24:25defumados do combustível. Na invenção de Wheeler, o forno
- 24:29de piso perfurado foi substituído por um tambor de
- 24:32metal geratório. Cara, isso parece tão óbvio hoje
- 24:35em dia, né? Assim, o malt nunca foi exposto
- 24:38diretamente ao fogo do forno. O Wheeler pegou a ideia
- 24:41observando a torra do café. O malt era seco, de forma mais
- 24:45homogênea e sem fumaça. Mas o mais importante era que,
- 24:50como explica Nick Kaye, Os malteiros agora podiam, pela
- 24:54primeira vez, ajustar a temperatura e a duração dos
- 24:58processos de secagem com facilidade.
- 25:01E assim, controlar a cor e o sabor do malte acabado.
- 25:05Desde o malte claro suavemente tostado, até o malte preto
- 25:10severamente torrado. O surgimento de uma vasta gama
- 25:15de novos maltes gerou novos estilos de cerveja, juntamente
- 25:19com o hidrômetro desenvolvido em mil setecentos e noventa pelo
- 25:22químico inglês William Nicholson, que mostrava aos
- 25:26cervejeiros em termos inequívocos que os maltes claros
- 25:29geralmente produziam mais extrato de açúcar por libra do
- 25:33que os maltes escuros. Essa variedade de maltes
- 25:36permitia aos cervejeiros produzirem qualquer tom e sabor
- 25:40de cerveja, misturando maltes claros, ricos em extrato, e
- 25:44maltes escuros, de forma muito mais econômica e eficiente do
- 25:49que antes. Entre os primeiros a adotar as
- 25:51novas técnicas de fabricação de cerveja possibilitadas pelos
- 25:55maltes de Wheeler estavam cervejeiros de Londres como
- 25:58Wythe Brad e Barclay Perkins, assim como a St.
- 26:02James Gates Brewery em Dublin, essa última fabricante da
- 26:06Guinness. as outras duas importantes fabricantes de
- 26:09cerveja do estilo Porter, de onde se pode perceber que a
- 26:12invenção de Wheeler ficou muito relacionada ao desenvolvimento
- 26:16daquele que foi, segundo palavras de Martin Cornell, o
- 26:19primeiro estilo de cerveja verdadeiramente global,
- 26:23produzido e apreciado em todo o planeta.
- 26:26A partir do momento que tiveram conhecimento que malts mais
- 26:29claros forneciam mais açúcares fermentacíveis, os cervejeiros
- 26:34de Porter, de Londres, passaram a incluir malts pale e amber na
- 26:38receita para ajudar a baixar o custo final do produto.
- 26:42A invenção de Wheeler veio resolver a questão de como
- 26:45manter a coloração escura das portas, mesmo usando maltes mais
- 26:49claros do que o malte brown, usado tradicionalmente, e sem
- 26:52usar qualquer outro tipo de adjunto colorante, uma vez que
- 26:56uma lei de abril de mil oitocentos e dois, o Dutty's On
- 26:59Beer Act, havia proibido a produção de cerveja com qualquer
- 27:04coisa além de malte e lupo. Devido à pressão de cervejeiros,
- 27:08em junho de mil oitocentos e onze, chegou a ser aprovada uma
- 27:11lei permitindo a coloração de porters, e apenas de porters,
- 27:16com açúcar mascavo queimado e água, que eles chamam de
- 27:20Coloring of Porter Act. Mas essa lei foi revogada em
- 27:25junho de mil oitocentos e dezesseis com a alegação, por
- 27:28parte das autoridades fiscais, de que outros ingredientes
- 27:32ilegais estavam sendo introduzidos na cerveja junto
- 27:35com essa coloração. Como o tambor torrador de
- 27:38Wheeler permitia uma torra do malte em temperaturas maiores
- 27:41que duzentos e cinco graus Celsius, era possível fazer o
- 27:44malte ainda mais escuro que o brown. que Cornell chama de Malt
- 27:48Black. Para manter a coloração, em vez
- 27:51dos quarenta por cento de Malt Brown utilizados anteriormente,
- 27:54a partir de então bastava usar menos de um vírgula vinte e
- 27:58cinco por cento de Malt Black. Afirma Cornell, porém, que os
- 28:02cervejeiros de Londres continuaram a usar também o Malt
- 28:05Brown em suas portas. A White Bread, por exemplo, em
- 28:09mil oitocentos e cinquenta, produzia uma receita que era
- 28:12oitenta por cento de malt pale, quinze por cento de malt brown e
- 28:16cinco por cento de malt black. Mas na Irlanda, poucos anos após
- 28:21a invenção do malt patenteado, os cervejeiros abandonaram
- 28:24totalmente o malt brown. A Guinness, por exemplo, que
- 28:27usava entre vinte e cinco por cento e quarenta e sete por
- 28:30cento dele em sua Porter até mil oitocentos e quinze,
- 28:33provavelmente começou a usar apenas Malt Pale e Black já em
- 28:37mil oitocentos e vinte e quatro, mas certamente o fazia em mil
- 28:41oitocentos e vinte e oito. O resultado foi uma divergência
- 28:44de sabor entre a Irish Porter e a London Porter Ainda no mesmo
- 28:52ano de mil oitocentos e dezoito, um torrefador de café de Londres
- 28:56chamado Joseph Mailings começou a torrar malt ele mesmo e
- 29:01vendê-lo para vários cervejeiros.
- 29:02Wheeler processou Mailings por violação de patente.
- 29:06Para se defender, Mailings afirmava que o malt que ele
- 29:09vendia para os cervejeiros havia sido torrado por um torrador de
- 29:13café comum, que estava em uso há mais de um século antes de
- 29:17Wheeler conseguir a sua patente. Sagaz o rapaz.
- 29:21O caso foi levado a um tribunal superior para se decidir se a
- 29:24patente de Wheeler era realmente válida.
- 29:27O juiz decidiu que o pedido de patente de Wheeler havia sido
- 29:30para um novo e aprimorado método de secagem e preparação de
- 29:34malte, mas que o processo criado por Wheeler não era, de fato, de
- 29:38preparação de malte, mas um processo para tornar o malte
- 29:42mais solúvel e colorir o líquido.
- 29:44E a patente foi declarada nula. Ironicamente, o malte torrado,
- 29:49de acordo com as especificações de Wheeler, continua a ser
- 29:52conhecido como malte patenteado por mais de um século, embora a
- 29:57patente tenha sido anulada. E vamos agora começar a falar
- 30:11sobre aquele que talvez seja o inventor que primeiro a gente
- 30:14conhece nas escolinhas, o Pasteur, Louis Pasteur.
- 30:19Tema de aula desde o quinto ano B.
- 30:21Vamos lá, Pasteur nasceu em vinte e sete de dezembro de mil
- 30:25oitocentos e vinte e dois e faleceu em vinte e oito de
- 30:27setembro de mil oitocentos e noventa e cinco.
- 30:30Ele era um cientista francês, pioneiro na microbiologia.
- 30:34O primeiro a descobrir a existência de micro-organismos e
- 30:38a compreender a sua importância na produção e na deterioração da
- 30:43cerveja, do vinho e do leite. Nasceu na cidade de Dolly,
- 30:47região da Borgonha, Franco Condado, na França.
- 30:51Estudou física, química e cristalografia.
- 30:55Estudo da disposição dos átomos insólidos na Escola Normal
- 30:59Superior de Paris. Normal não tem porra nenhuma,
- 31:02né? Esse instituto, criado durante a
- 31:05Revolução Francesa, é especializado em letras e
- 31:08ciências. Entre mil oitocentos e quarenta
- 31:10e oito e mil oitocentos e cinquenta e três, foi professor
- 31:13de Química em Dijon, na Borgonha, e depois em
- 31:17Estrasburgo, capital do departamento do Baixo Reino, na
- 31:20fronteira com a Alemanha. Em mil oitocentos e cinquenta e
- 31:22quatro, foi nomeado professor de Química e reitor da recém-criada
- 31:26Faculdade de Ciências de Lille, no norte da França, fronteira
- 31:30com a Bélgica, até finalmente ser nomeado administrador
- 31:33responsável pela direção dos estudos da Escola Normal
- 31:37Superior de Paris, onde havia iniciado sua formação em mil
- 31:40oitocentos e cinquenta e sete, cargo ao qual renunciou dez anos
- 31:44depois, quando recebeu uma cátedra da Soborne, e a direção
- 31:48do Laboratório de Química Fisiológica na própria Escola
- 31:51Normal Superior. Desde de mil oitocentos e
- 31:54quarenta e nove, Pasteur se interessava pela ciência da
- 31:56fermentação. Alguns autores afirmam que
- 31:59começou a investigar a razão pela qual os vinhos e a cerveja
- 32:03azedavam a pedido de vinicultores e cervejeiros da
- 32:06região de Estrasburgo. Já outros dizem que ele foi
- 32:10estimulado nesse trabalho pelas exigências dos cervejeiros de
- 32:13Lille. Durante seu período em Lille, a
- 32:16pedido do industrial fabricante de açúcar e álcool,
- 32:19Louis-Emmanuel Bigotiloi, realizou pesquisa na destilaria
- 32:23de Beterraba Sacarina. Ele estudou as falhas observadas
- 32:27durante a fermentação alcoólica e apresentou seus resultados na
- 32:31sua memória sobre fermentação chamada lática. apresentada na
- 32:36Sociedade de Ciências, Agricultura e Artes de Lille.
- 32:39De mil oitocentos e cinquenta e sete a mil oitocentos e sessenta
- 32:42e sete, publicou vários estudos sobre fermentação.
- 32:45Pesquisadores anteriores a Pasteur, tais quais Adamo
- 32:49Fabroni, Cagnardo Latour, Theodor Schwann, já vinham
- 32:53afirmando que a fermentação era a obra de substâncias vivas
- 32:56presentes no mosto. Partindo de uma primeira
- 32:59orientação E desenvolvendo, Pasteur mostrou que a levedura
- 33:05atua enquanto ser vivo e não como matéria de decomposição.
- 33:10Em mil oitocentos e sessenta, Pasteur escreveu, abre aspas, A
- 33:14fermentação alcoólica é um ato correlacionado com a vida e
- 33:19organização das células de levedura, não com a morte e
- 33:22putrefação das células. É um fenômeno de contato, caso
- 33:26em que a transformação do açúcar seria realizada na presença do
- 33:30fermento, sem ceder a ele ou tirar de nada.
- 33:35Ele estabelece a capacidade de certos organismos viverem na
- 33:39ausência de oxigênio livre. Organismos que ele chama de
- 33:43anaeróbicos. No caso da fermentação
- 33:46alcoólica, a levedura mantida afastada do ar provoca, às
- 33:50custas do açúcar, uma reação química que libera as
- 33:54substâncias de que necessita e, ao mesmo tempo, provoca o
- 33:58aparecimento do álcool. Voilá!
- 34:00Por outro lado, se a levedura estiver na presença de oxigênio
- 34:04livre, ela se desenvolve mais e a fermentação produtora de
- 34:08álcool é fraca. Os rendimentos de levedura e
- 34:11álcool são, portanto, antagônicos.
- 34:14A inibição da fermentação pela presença do oxigênio livre é o
- 34:18que chamamos de efeito póster. Assim como outros antes dele,
- 34:23Pasteur travou uma batalha contra os defensores da teoria
- 34:26da geração espontânea, segundo a qual a vida poderia surgir do
- 34:31nada e micróbios serem gerados espontaneamente.
- 34:35Já em mil setecentos e noventa e um, o naturalista francês Pierre
- 34:38Bouliard defendia, após experiências rigorosas, que a
- 34:42putrefação não dá origem a seres organizados e que qualquer bolor
- 34:47só pode surgir da semente de um indivíduo da mesma espécie.
- 34:51Em mil oitocentos e sessenta, a Academia de Ciências da França
- 34:55propôs um prêmio para quem conseguisse, através de
- 34:59experiências bem conduzidas, lançar novas luzes sobre a
- 35:03questão das gerações espontâneas.
- 35:06Pasteur vence esse prêmio em mil oitocentos e sessenta e dois
- 35:09pelo trabalho experimental apresentado nas suas, entre
- 35:13aspas, memórias sobre os corpulos organizados que existem
- 35:17na atmosfera, exame da doutrina das gerações espontâneas.
- 35:22Em mil oitocentos e sessenta e três, Pasteur iniciou o estudo
- 35:25das alterações do vinho e do processo de formação do vinagre,
- 35:29entre outras coisas. Pesquisa solicitada pelo próprio
- 35:32imperador Napoleão III, preocupado com doenças do vinho
- 35:36francês que afetavam duramente o seu comércio.
- 35:39Pasteur sugeriu aquecer o vinho a cinquenta e sete graus Celsius
- 35:43para matar os germes e assim resolver o problema da sua
- 35:46conservação e transporte. Está aí o embrião do processo de
- 35:52pasteurização, com o qual Pasteur ganharia o grande prêmio
- 35:57da Exposição Universal em mil oitocentos e sessenta e sete,
- 36:00que aconteceu em Paris. Processo que acabou sendo
- 36:03abandonado antes do final do século XIX.
- 36:07Durante suas pesquisas, Pasteur confirmou também uma opinião
- 36:11formulada em mil oitocentos e vinte e dois pelo cientista
- 36:13sul-africano Christian Hendrik Persson, de que havia a
- 36:17intervenção de um micro-organismo na formação do
- 36:20vinagre. Publicou um trabalho sobre o
- 36:22assunto em mil oitocentos e sessenta e seis, Etudes sur le
- 36:26vin, ces maladies, causes qui les provoquent, procédés
- 36:29nouveaux pour le conserver et pour le vieillir.
- 36:32Em mil oitocentos e setenta e seis, Pasteur publicou seu livro
- 36:35inovador, Études sur la bière, no qual ele lidava com as
- 36:39doenças da cerveja e descrevia como a levedura fermentadora era
- 36:43frequentemente contaminada por bactérias, fungos, filamentosos
- 36:47e outras leveduras. Nas próprias palavras de
- 36:50Pasteur. Toda mudança prejudicial à saúde
- 36:54na qualidade da cerveja coincide com o desenvolvimento de germes
- 36:58microscópicos, que são estranhos ao fermento puro da cerveja.
- 37:02Pastera observou que, mantendo a cerveja entre cinquenta e cinco
- 37:06graus Celsius e sessenta, por um curto período, o crescimento de
- 37:10organismos deteriorantes da cerveja era inibido e a cerveja
- 37:14podia ser tornada palatável por até nove meses.
- 37:17Ele submete o registro de quatro patentes, sendo três delas
- 37:21relacionadas à produção aprimorada de cerveja e, mais
- 37:24diretamente, à proteção do mosto durante a fermentação.
- 37:28Autores afirmam que Pasteur fez o seu estudo sobre a cerveja uma
- 37:33vingança pessoal pela derrota francesa na guerra
- 37:38franco-prussiana entre mil oitocentos e setenta e um.
- 37:41Pelo tratado de Frankfurt, a França foi obrigada a ceder à
- 37:46Alemanha a região da Alsácia e Lorena, onde fica a cidade de
- 37:52Estrasburgo, onde Pasteur trabalhou.
- 37:54Durante seu período como professor em Estrasburgo,
- 37:56Pasteur desenvolveu uma forte relação sentimental com a
- 38:00região. Ali se casou com Marie-Anne
- 38:03Laurent, filha do reitor Aristide Laurent, e juntos
- 38:08tiveram cinco filhos, dos quais os três primeiros nasceram em
- 38:12Estrasburgo. Além disso, Pasteur era muito
- 38:14apegado à família imperial e a queda de Napoleão III, que se
- 38:18seguiu ao conflito, foi um golpe terrível para ele.
- 38:21Era um cara emocionado. Isso teria resultado em uma
- 38:24animosidade da parte de Pasteur por todas as coisas alemãs e na
- 38:28sua determinação de melhorar a qualidade das cervejas francesas
- 38:33ou, como o próprio Pasteur teria declarado, fazer a...
- 38:37Cerveja da Vingança Nacional Eu acho que ele não conseguiu, né?
- 38:42As cervejas francesas não são lá famosas, né?
- 38:46Acho que não deu. Leandro, não vamos entrar nessa
- 38:49alçaça e lorena, não. São um salseiro tremendo.
- 38:57Eles são conhecidos por beber vinho, não por beber cerveja.
- 38:59Pois é, o Mapaste gostava mais de cerveja do que de vinho.
- 39:02Estava aí, ó, imbuído na vingança nacional.
- 39:04Pois é, era um cara legal. Ele era um cara legal.
- 39:08Mas tudo bem, não se consegue tudo na vida.
- 39:10Tchau. Pasteur faleceu em vinte e oito
- 39:14de setembro de mil oitocentos e noventa e cinco em
- 39:17Villeneuve-le-Thon, no anexo conhecido como Degas do
- 39:21Instituto Pasteur. Após o funeral nacional em cinco
- 39:25de outubro, seu corpo previamente embalsamado foi
- 39:28colocado em uma das criptas de Notre-Dame, sendo então
- 39:31transferido em vinte e sete de dezembro de mil oitocentos e
- 39:34noventa e seis a pedido de sua família para uma cripta do Museu
- 39:37Pasteur. A família recusou a oferta de
- 39:40sepultamento no panteão. Então vamos agora adentrar e
- 39:52falar de Carl von Linde, nascido em onze de junho de mil
- 39:56oitocentos e quarenta e dois e falecido em dezesseis de
- 39:59novembro de mil novecentos e trinta e quatro.
- 40:02Carl Paul Gottfried von Linde foi um cientista, engenheiro e
- 40:06empresário alemão. Nasceu na vila de Bentford, na
- 40:10Baviera, em onze de julho de mil oitocentos e quarenta e dois.
- 40:13Era o terceiro de nove filhos de um pai alemão e uma mãe sueca.
- 40:18Sua família se mudou para Munique em mil oitocentos e
- 40:20cinquenta e quatro e oito anos depois ele ingressou no curso de
- 40:25engenharia no Instituto Federal Suíço de Tecnologia em Zurique.
- 40:28Mas em mil oitocentos e sessenta e quatro ele foi expulso antes
- 40:32de se formar por participar de um protesto estudantil.
- 40:36Mesmo assim, conseguiu emprego na fábrica de locomotivas
- 40:39Krauss, em Munique, criada em mil oitocentos e sessenta,
- 40:42chegando a chefe do departamento técnico.
- 40:44Em mil oitocentos e sessenta e oito, com vinte e seis anos,
- 40:46conseguiu uma vaga como professor na recém-criada
- 40:49Universidade Técnica de Munique, Technische Hochschule.
- 40:53E em mil oitocentos e setenta e dois, tornou-se professor
- 40:55titular de engenharia mecânica, montando um laboratório de
- 40:58engenharia, onde foi aluno, entre outros, Rudolf Diesel, o
- 41:02inventor do motor a diesel. Na década de mil oitocentos e
- 41:06setenta, se dedicou a pesquisas na área de refrigeração.
- 41:11O princípio básico da refrigeração era compreendido há
- 41:14séculos, ou seja, para tornar as coisas frias, é preciso retirar
- 41:18o calor. Comprimir um meio gera calor.
- 41:21Subsequentemente, descomprimi-lo ou evaporá-lo rapidamente
- 41:26absorve calor. Dispositivos baseados nesse
- 41:29princípio são agora geralmente conhecidos como sistemas de
- 41:33refrigeração por compressão de vapor.
- 41:35Aplique isso a um recipiente de fermentação ou armazenamento e
- 41:40ele se torna um sistema de resfriamento de cerveja.
- 41:43Quando nasce Von Linde, ainda estava em vigor a proibição da
- 41:47fabricação de cerveja durante os meses quentes, entre o dia de
- 41:50São Jorge, vinte e três de abril, e o de São Miguel, vinte
- 41:54e nove de setembro, decretado em mil quinhentos e cinquenta e
- 41:56três pelo Duque Albrecht V da Baviera. proibição que seria
- 42:01suspensa em mil oitocentos e cinquenta.
- 42:03Por esse motivo, a cervejaria Spaten, naquele momento a maior
- 42:06cervejaria de Munique, sob a direção de Gabriel Sedlmayr II,
- 42:11resolve financiar grande parte das pesquisas de Von Linde sobre
- 42:15refrigeração. Em mil oitocentos e setenta e
- 42:18três, ele desenvolve o primeiro sistema de refrigeração a gás,
- 42:23utilizando o éter dimetílico como gás refrigerante,
- 42:28posteriormente substituído pela amônia por causa das suas
- 42:32propriedades de rápida expansão, amplamente utilizada ainda hoje
- 42:37como refrigerante em aplicações industriais.
- 42:40A Spaten foi a primeira cervejaria a receber um novo
- 42:43equipamento. Em mil oitocentos e noventa, Von
- 42:45Linde já havia vendido setecentos e quarenta e sete
- 42:48unidades de refrigeração para várias cervejarias, tais como a
- 42:52Drain, de Trieste, a Carlsberg, da Dinamarca, e a Heineken, da
- 42:58Holanda. Além das cervejarias, outros
- 43:00usos para a nova tecnologia foram encontrados em matadouros
- 43:04e instalações de armazenamento a frio por toda a Europa.
- 43:07Em mil oitocentos e setenta e nove, Von Linde deixou sua
- 43:10cátedra na Universidade Técnica de Munique e fundou a
- 43:14Gesellschaft für Linde's Ice Machine and Acting Gesellschaft,
- 43:19Companhia Linde de Máquinas de Gelo, em Wiesbaden, no estado de
- 43:25Hesse. Mas voltou para Munique e
- 43:27reassumiu sua cátedra onze anos depois, em mil oitocentos e
- 43:31oitenta e oito. Continuou a inovar e inventar
- 43:33novos dispositivos durante a maior parte de sua vida,
- 43:37incluindo equipamentos para liquefazer o ar e para a
- 43:41produção de oxigênio puro, nitrogênio e hidrogênio.
- 43:45Em mil oitocentos e noventa e dois, um pedido da cervejaria
- 43:48irlandesa Guinness de Dublin para uma planta de liquefação de
- 43:52dióxido de carbono impulsionou a pesquisa de Von Linde para a
- 43:55área de refrigeração de baixa temperatura.
- 43:58E em mil oitocentos e noventa e quatro ele começou a trabalhar
- 44:01em um processo para liquefação do ar.
- 44:03E em mil oitocentos e noventa e cinco esse cara não para, ele
- 44:06conseguiu liquefazer o ar primeiro comprimindo e depois
- 44:10deixando expandir rapidamente, resfriando.
- 44:13Ele então obteve oxigênio e nitrogênio do ar líquido por
- 44:17aquecimento lento. Em mil oitocentos e noventa e
- 44:20sete foi nomeado para a Ordem do Mérito da Coroa da Baviera.
- 44:24morreu como um próspero industrial em munique em
- 44:26novembro de mil novecentos e trinta e quatro aos noventa e
- 44:29dois anos tão jovem já tanto para fazer Vamos agora para Emil
- 44:40Christian Hansen, nascido em oito de maio de mil oitocentos e
- 44:43quarenta e dois e falecido em vinte e sete de agosto de mil
- 44:46novecentos e nove. Ele foi o primeiro cientista a
- 44:49isolar e cultivar diferentes cepas de levedura usando
- 44:53culturas puras. Nascido na cidade de Ribe, na
- 44:57Dinamarca, em uma família pobre, seu pai era pintor e sua mãe
- 45:02dona de casa, financiou seus estudos escrevendo romances.
- 45:06Em mil oitocentos e sessenta e dois conheceu o estudo das
- 45:09ciências da natureza por meio do contato com o botânico Peter
- 45:12Nielsen e se apaixonou. Entre mil oitocentos e setenta e
- 45:15quatro e mil oitocentos e setenta e cinco ele editou e
- 45:18distribuiu uma obra de partes de plantas desidratadas micológica
- 45:22intitulada. Fungorum Femicolorum Exemplar
- 45:25Exsicat, com trezentos e cinquenta unidades de espécies
- 45:28numeradas e, em mil oitocentos e setenta e seis, foi premiado com
- 45:32uma medalha de ouro por um ensaio sobre fungos intitulado
- 45:36Tidentic Gunningsvambe, que significa Fungos Fertilizantes
- 45:40Dinamarqueses. Hansen cultivava uma amizade de
- 45:43décadas com Jacob Christian Jacobsen, um cervejeiro
- 45:46dinamarquês que, em mil oitocentos e trinta e cinco,
- 45:49assumiu a pequena cervejaria do seu pai e gradualmente a
- 45:53transformou em uma operação de grande escala.
- 45:55Em mil oitocentos e quarenta e sete, fundou a sua própria
- 45:58cervejaria, batizando-a com o nome do seu único filho, então
- 46:03com cinco anos. Para aperfeiçoar seus métodos de
- 46:06fabricação de cerveja, viajou para Hamburgo e Munique.
- 46:10Nessa última cidade, em outubro de novembro de mil oitocentos e
- 46:13quarenta e cinco, Jacobson visitou Gabriel Sedlmayr,
- 46:17proprietário e cervejeiro da cervejaria Spaten, de quem
- 46:20recebeu um lote de levedura Lager Bavara antes de voltar
- 46:24para casa. Em mil oitocentos e setenta e
- 46:26cinco, Jacobson... Jacobson... criou o Laboratório
- 46:30de Pesquisas Carlsberg. As inovações tecnológicas
- 46:33ocorreram em um cenário de competição comercial feroz entre
- 46:37as indústrias cervejeiras alemã, austro-húngara, dinamarquesa,
- 46:42inglesa, belga, holandesa e francesa, como explica Gabriel
- 46:46Sedlmayr. Nessa época, a industrialização
- 46:50do processo de fabricação de cerveja em geral, e na Carlsberg
- 46:53em particular, havia avançado para um estágio em que as
- 46:56cervejarias começaram a engarrafar suas próprias
- 46:59cervejas e a exportá-las para mercados estrangeiros.
- 47:03Isso impôs demandas inteiramente novas à estabilidade
- 47:06microbiológica da cerveja, e o trabalho se concentrou na
- 47:09necessidade de evitar que a cerveja azedasse antes de ser
- 47:12consumida. De mil oitocentos e setenta e
- 47:15nove até a sua morte, Hansen foi diretor do departamento de
- 47:19fisiologia do laboratório de pesquisas Carlsberg.
- 47:22Ali descobriu que a levedura era composta de diferentes tipos de
- 47:26fungos e que a cultura da levedura poderia ser realizada
- 47:29em laboratório, gerando trabalho para a querida Carola.
- 47:32Hansen se baseou no trabalho de Pasteur, que identificou
- 47:35impurezas como bactérias, leveduras selvagens e fungos nas
- 47:39leveduras de produção usadas para fermentar as cervejas.
- 47:42A hipótese de Hansen era de que as leveduras utilizadas na
- 47:46produção de cerveja continham não apenas impurezas, mas também
- 47:50numerosas populações de diferentes cepas de leveduras,
- 47:54das quais apenas algumas estavam realmente contribuindo de forma
- 47:59otimizada para as fermentações. A sua pesquisa experimental
- 48:02consistiu em diluir as suspensões de leveduras de
- 48:05produção e cultivar porções dessas suspensões diluídas em
- 48:09tubos de ensaio em mostro estéreo.
- 48:12Continuando o processo de diluições até que o crescimento
- 48:16ocorresse apenas em um número limitado de tubos de ensaio.
- 48:19Ele estava convencido de que por esse método ele poderia isolar
- 48:24colônias de leveduras cultivadas a partir de uma única célula.
- 48:28Após uma longa série de fermentações de testes com seus
- 48:32diferentes isolados, Hansen foi capaz de identificar e cultivar
- 48:36aquelas que tinham a qualidade ideal de desempenho para o
- 48:40processo de fermentação da cerveja.
- 48:43Em mil oitocentos e oitenta e um, ele teve sucesso em isolar
- 48:48uma célula pura de levedura Lager, que pode ser atribuída a
- 48:52levedura dada por Gabriel Sedlmayr como presente para
- 48:56Jacob Jacobsen. Hansen batizou com o nome de
- 49:00Sakharomissis Karlsbergensis, em homenagem à cervejaria para a
- 49:03qual trabalhava. Quando jovem, chegou a trabalhar
- 49:06também com Luiz Pasteur em Paris, que nunca deixou de
- 49:09apoiar o trabalho de Hansen, publicando em mil oitocentos e
- 49:12oitenta e seis, no Bulletin de la Société d'encouragement pour
- 49:16l'industrie nationale, a seguinte nota sobre o trabalho
- 49:19de Hansen. Aqui abordamos o notável
- 49:23progresso trazido pelo Sr. Hansen para a cervejaria nos
- 49:26últimos anos. A levedura alcoólica em questão,
- 49:29que chamamos de selvagem, para distingui-la das leveduras de
- 49:32topo e de fundo próprias para boas cervejas, é frequentemente
- 49:36misturada nos fermentos das cervejarias com essas últimas
- 49:39leveduras, cuja qualidade é procurada.
- 49:42Hansen foi o primeiro a entender muito bem que a levedura das
- 49:45cervejas consumidas deve ser pura, não apenas em relação aos
- 49:48micróbios, fermentos de doenças reais, mas também que devem ser
- 49:52privadas das células de levedura selvagem.
- 49:55Hoje, em todos os laboratórios de microbiologia, temos métodos
- 49:58seguros e variados para isolar em estado puro um micróbio
- 50:02específico, tal e tal célula. Hansen só teve que colocar em
- 50:06prática esses métodos. E é uma honra para meu
- 50:09laboratório que ele tenha abordado primeiro aqueles que
- 50:11são aplicados aqui. Em mil oitocentos e noventa e
- 50:15seis, Hansen publicou os seus estudos práticos em fermentação,
- 50:19contribuições para a história de vida do micro-organismo.
- 50:31Meus amigos, depois da gente ter passado por todas essas
- 50:35invenções tão importantes, não apenas para a cerveja, mas para
- 50:38a sociedade de uma maneira geral, a gente está chegando
- 50:41aqui no final do nosso papo. E foi por meio desse cenário
- 50:46borbulhante de inovações tecnológicas que surgiram em
- 50:49cascata, que teve a indústria cervejeira a maior beneficiária
- 50:53desses avanços científicos. criou aquele que seria o mais
- 50:56popular estilo de cerveja ao longo do século XX e ainda hoje.
- 51:00As Bohemian Pilsner, também na sua versão norte-americana, as
- 51:04American Lagers, são resultado desses avanços científicos.
- 51:07Para criar a primeira cerveja dourada do mundo, o cervejeiro
- 51:10bávaro Joseph Grohl, trabalhando na Burger Leagues Brauhaus, ou a
- 51:16Cervejaria dos Cidadãos, de Pilsen, utilizou a água mole de
- 51:20Pilsen, o lúpulo sás da boêmia e a cervada da morávia.
- 51:25Ah! cor da nova cerveja de Gros nós
- 51:27falamos imensamente sobre esse assunto aqui também na pesquisa
- 51:32histórica falando sobre a primeira Pilsen do mundo então a
- 51:35gente já contou toda essa história a cor da nova cerveja
- 51:38de Gros foi resultado do uso de maltes mais claros obtidos a
- 51:42partir da criação do tambor torrador de Daniel Willer sua
- 51:46limpidez certamente se beneficiou das descobertas que
- 51:49viam sendo realizadas ao longo do século no campo da
- 51:52fermentação Aspecto que combinou perfeitamente com outro fruto
- 51:58das revoluções industriais do século XIX, a indústria de
- 52:02vidros. Segundo Garrett Oliver, até a
- 52:04década de mil oitocentos e quarenta, praticamente todos os
- 52:07europeus bebiam em canecas de cerâmica, metal ou madeira.
- 52:11Apenas os ricos tinham copos de vidro.
- 52:14Ao longo daquele século, um novo processo mecanizado de produção
- 52:17de vidro reduziu o preço dos copos.
- 52:20Ao mesmo tempo em que a região da Boêmia se tornou uma grande
- 52:24produtora de cristais mundialmente famosos e que
- 52:27adornavam os palácios das principais monarquias europeias.
- 52:32Em pouco tempo, as Lagers tchecas iam ganhar o mundo
- 52:35aproveitando-se de outras duas inovações da Revolução
- 52:38Industrial. As ferrovias e a navegação a
- 52:40vapor. Afirma Roger Protz que um trem
- 52:43de cerveja Pilsner partia todos os dias para a Viena e a cerveja
- 52:48se tornou cult em Berlim e Paris.
- 52:50Chegou a Hamburgo e outras cidades do norte da Alemanha
- 52:53através do rio Elba. E em mil oitocentos e setenta e
- 52:57quatro chegou aos Estados Unidos com a segunda onda de imigrantes
- 53:00da Europa Central. como afirma Tom Acitelli.
- 53:05A Pilsner foi um produto de sua época e lugar, alimentando-se de
- 53:09ambos, assim como o fermento se alimenta do açúcar durante a
- 53:12fermentação, pois a Pilsner poderia ter permanecido uma
- 53:16curiosidade da comida e bebida da Europa Central até dentro do
- 53:20século XX, quiçá do XXI, como aconteceu com tantos estilos de
- 53:24cerveja, não fosse pelos avanços científicos e pela agitação
- 53:28industrial da época. A gente falou um bocado sobre as
- 53:35invenções que a cerveja motivou, as invenções científicas que a
- 53:39cerveja motivou ou que beneficiaram diretamente a
- 53:42cerveja, também num programa sensacional que a gente gravou
- 53:45com a Gabriela Lando, a Química Cervejeira, que também vale seu
- 53:48ouvido. Nesse episódio, a gente está
- 53:50trazendo contextualizações e personagens de forma mais
- 53:52histórica, mais organizada, mas lá a gente falou sobre outras
- 53:56invenções científicas que ou a cerveja motivou ou que foram
- 54:00diretamente importantes para as cervejarias e cervejas do mundo.
- 54:03Vale a pena ouvir também. A gente vai encerrar o programa
- 54:09do jeito que a gente mais gosta, agradecendo aos nossos mecenas
- 54:12que nos ajudam a manter a independência criativa e muito
- 54:15conteúdo bacana toda semana. Henrique Gonçalves, Ícaro
- 54:19Nascimento, João Neto, Max Gonçalves e Vitor Bertu.
- 54:24Muito obrigada e assim a gente encerra essa série documental
- 54:27que foi um prazer fazer com você, meu amigo Leandro.
- 54:30Obrigado, Lud, foi um prazer fazer com você.
- 54:33Obrigado, Sérgio Barra, por todo o trabalho de pesquisa que você
- 54:36nos trouxe, riquíssimo, extremamente detalhado.
- 54:39A bibliografia estará sempre no post, na descrição do episódio,
- 54:44em todo quanto é lugar que esse episódio aparecer, vai ter a
- 54:46bibliografia lá, tá bom? Menos no post do Instagram, a
- 54:49gente não coloca, né? Mas nos outros lugares, sim.
- 54:52É isso. E o que a gente diz, Lud?
- 54:54Até semana que vem. Até semana que vem.
- 55:13beba local beba com moderação este podcast foi editado por
- 55:25Play Audios