Latest / Surra de Lúpulo / Case Fermentaria Local com Allan Maple | Surra #239
Transcript
- 0:08Ipacondriaca apresenta... Oi pessoal, bom dia, boa tarde,
- 0:17boa noite! Eu sou Ludmilla, mais conhecida
- 0:20no Instagram como Hipacondrica. E no programa de hoje, meus
- 0:24amigos, nós vamos de case cervejeiro.
- 0:27Mas não apenas sobre uma cervejaria, mas sobre uma gama
- 0:30de estilos que não é tão simples assim de vender.
- 0:34Estamos com o Alan Maple, da Fermentaria Local, para ajudar a
- 0:38gente a entender um pouco dessas coisas todas.
- 0:43Estevam Quitó. E aí, galera?
- 0:45Estevam da Suricato aqui. Vai dizer que tá feliz de estar
- 0:48gravando pela primeira vez. Porra, comandando as carrapetas.
- 0:52O cara é porra, hein? Foi na pauta e pronto.
- 0:55Cara, cabeça de engenheiro, né? É o que tá escrito na pauta.
- 1:00Não deixou nenhum espacinho pra nada.
- 1:02Pô, Lud, muito feliz. Muito feliz de estar aqui.
- 1:05Minha primeira participação oficial, real, oficial,
- 1:10definitiva. Não sei, depois a gente acha um
- 1:13rótulo aí, mas minha primeira participação não como convidado
- 1:16agora, mas fazendo parte da bancada do Surra.
- 1:19Muito obrigado. Baita oportunidade.
- 1:21Tamo aí pra contribuir e muito obrigado pela presença aí, ó.
- 1:25Obrigado, gente. Para você, Alan, conta para a
- 1:28gente um pouquinho sobre você, sobre a Fermentaria Local, para
- 1:30a gente situar o nosso convidado.
- 1:32Então, meu nome é Alan, Alan Maple, na verdade.
- 1:35Eu sou o fundador e, na verdade, o único funcionário, até hoje,
- 1:40da Fermentaria Local. A gente é uma cervejaria bem
- 1:43pequena, em Jari, no interior de São Paulo.
- 1:46E o foco da fermentaria são cervejas de fermentação natural
- 1:50ou selvagens. A gente já está aí...
- 1:52Eu acho que é pouco tempo, mas estamos aí há quatro anos de
- 1:55vida, mais ou menos, fazendo esse tipo de experimento e
- 2:01constantemente aprendendo e mudando o nosso entendimento
- 2:06dessa área que eu acho fascinante, intrigante e muito
- 2:10complexa em várias camadas. Eu sou, só para me apresentar um
- 2:14pouquinho... Eu sou cientista de formação, eu
- 2:18sou fisico-químico, eu estudei coisas que não tem nada a ver
- 2:22com cerveja, mas eu acho que talvez uma forma de quem vem de
- 2:26um background de engenharia, o cientista é muito mais uma forma
- 2:32de pensar, uma forma de estruturar o pensamento e a
- 2:36abordagem de explicação e tudo, etc., E assim, eu sinto que eu
- 2:42continuo sendo cientista agora na fermentaria local, talvez
- 2:46fazendo alguma coisa mais pé no chão, que mais pessoas entendem,
- 2:50mas talvez que não tantos quanto a gente queria entender.
- 2:54Mas é isso aí. Perfeito.
- 2:56Sensacional. E a gente vai descobrir um pouco
- 2:58desse sanhaço maluco do que é ser dono de uma cervejaria
- 3:01pequena no interior de São Paulo, que quer trabalhar com
- 3:05cerveja selvagem, ácida e etc., natural.
- 3:11Bom, o Surra de Lúpulo precisa de você para seguir produzindo
- 3:14conteúdo. Vem ser um mecenas e participe
- 3:17do nosso grupo de WhatsApp. Tem acesso ao nosso clube de
- 3:19vantagens e descontos, em cursos, cervejas, eventos e
- 3:22muito mais. Além de sorteio de brindes e
- 3:25outras gracinhas mais que a gente faz.
- 3:27Apoie o Surra de Lúpulo através do site apoia.se barra
- 3:30surradilúpulo. Agora a grana está curta, agora
- 3:34não dá, ajuda a gente então a chegar mais longe.
- 3:36Manda o link desse episódio para um amigo ou amiga que adora
- 3:39cerveja e uma boa história e quer saber sobre uma cervejaria
- 3:43do interior de São Paulo. Ah, nos avalie na sua plataforma
- 3:46de áudio favorita, cinco estrelinhas no Spotify, Apple
- 3:49Podcast, Deezer e outras plataformas nos levam muito mais
- 3:53longe. Para você custa um total de zero
- 3:55reais. Nessa nova fase do Surra, novas
- 4:03pessoas, mas os mesmos propósitos, a gente vai ter
- 4:07diversos formatos diferentes de programa.
- 4:10E hoje, oficialmente, me junto à bancada do Surra para falarmos
- 4:13um pouquinho de cervejas selvagens e um pouco da mítica e
- 4:17das dúvidas, porque existem muitas dúvidas que pairam na
- 4:20cabeça do consumidor na hora de tomar essa cerveja,
- 4:22principalmente quando a gente fala do consumidor médio que
- 4:25está longe de ser um beer geek, né?
- 4:27E a ideia então é falar um pouco sobre esse universo que ao mesmo
- 4:30tempo encanta e causa estranhamento.
- 4:32Muitas vezes, e aí já largo um pouco da minha opinião, porque o
- 4:36degrau do conhecimento acaba assustando e impedindo as
- 4:39pessoas de explorar cervejas que são lindas e carregadas de
- 4:43histórias e ingredientes locais. A tua colocação do degrau do
- 4:46conhecimento é extremamente importante.
- 4:49Acho que a gente volta nesse assunto aí em algumas partes,
- 4:52né? Música
- 5:04Então, Alan, eu acho que a gente, para dar o pontapé assim
- 5:07nessa brincadeira, por que você avaliaria que é tão difícil
- 5:11vender e comunicar cerveja selvagem e natural?
- 5:15Aí eu acho que antes de você chegar aí dando a sua posição, é
- 5:19importante discutir um pouco sobre o que é cerveja natural ou
- 5:22selvagem, o como e de que maneira ela se diferencia da
- 5:26cerveja comum. Então vamos nesse caminho para a
- 5:29gente começar. Eu vou tentar, da melhor forma
- 5:32possível aqui, falar um pouco do que eu acho que é difícil, né?
- 5:37E nessa definição, e como... Porque eu acho que é uma
- 5:43barreira, um degrau, como o Estevam falou, pra muita gente,
- 5:46inclusive pra gente como produtor, tá?
- 5:49Então, provavelmente vocês... Eu não sei se quem tá ouvindo
- 5:53lembra das gravações da primeira Encontro Selvagem, lá em dois
- 5:57mil e vinte... Em dois mil e vinte e dois.
- 6:03E eu participei da primeira banca.
- 6:05Exatamente que era esse tema. Que era eu, o Diego e a Carola.
- 6:08E no fim eu falei várias coisas. E a minha opinião e
- 6:12conhecimento. Já mudou muito.
- 6:15Desde então. Mas eu acho que.
- 6:17O que é uma cerveja natural ou selvagem.
- 6:21É difícil a gente começar essa conversa.
- 6:23Sem entrar em pontos. Que às vezes são filosóficos. e
- 6:27que parece que não levam pra muito lugar, né?
- 6:29Assim, às vezes a gente fica discutindo, ah, o que é
- 6:32selvagem, o que é não selvagem, o que é natural o que não é
- 6:35natural, mas eu tento o que eu vou compartilhar aqui não é
- 6:38muito, na minha cabeça não é a definição final eu não acho que
- 6:43é isso, eu não acho que deveria ser escrito num livro, texto de
- 6:47cerveja, eu acho que Sempre a gente tem que trabalhar com
- 6:49exemplos, mas é mais a experiência que eu tenho tido
- 6:53nesses últimos anos, que tenho feito muitos eventos, que eu sou
- 6:57a pessoa servindo, fazendo serviço das cervejas,
- 7:01explicando, e que não são eventos de cerveja.
- 7:05Não é um público de cerveja, certamente não é um público beer
- 7:08geek, às vezes não é nem gente que toma cerveja.
- 7:10Coisa assim, desde feirinha de centro de cidade, do interior,
- 7:15até feiras de vinho natural, que é um público já mais, digamos,
- 7:21educado nisso. Mas você percebe que quando
- 7:25começa essa conversa, eu sempre tento preparar a pessoa tentando
- 7:28explicar o que quer. No geral, eu gosto muito do
- 7:31termo natural porque, apesar de a gente pode discutir que não
- 7:35existe fermentação artificial, qualquer micro-organismo, esse
- 7:40cervejeiro veio da natureza, naturalmente, o cara põe lá e
- 7:46ele fermenta e pronto. Eu gosto do termo porque
- 7:50conversa com uma coisa que já entrou aí no léxico comum, que é
- 7:54o tal do pão de fermentação natural.
- 7:56Se você fala para uma pessoa o que é um pão de fermentação
- 7:59natural contra um pão normal, a pessoa sabe, ah, é aquele lá que
- 8:02o fermento é criado na casa, que você não usa o fermento
- 8:08comprado, você faz em casa. Eu acho que essa associação é
- 8:11legal. E, no geral, o que eu vou
- 8:15explicar? pra pessoa, pra prepará-la, né,
- 8:18pra essa apresentação. Geralmente, eu falei que eu tô
- 8:21nesse evento, vamos falar que eu tô na pracinha da cidade, eu
- 8:23tenho lá quatro torneirinhas de shopping, eu tenho uma Pilsen,
- 8:27uma IPA, e aí eu coloco duas outras, que uma às vezes é uma
- 8:32espontânea, mais desafiadora, talvez uma é uma...
- 8:36Uma selvagem, mais ou menos, sei lá, uma saison, alguma coisa um
- 8:40pouquinho mais próximo do universo comum de cerveja.
- 8:45E eu tento preparar, né? E tento falar que vai ter duas
- 8:49coisas principais que você vai distinguir de uma cerveja comum.
- 8:53Um, no geral, tá? Isso. sempre tem detalhes
- 8:57diferentes, mas no geral, a ausência de amargor, no lugar do
- 9:01amargor entra a acidez, que pode ser de vários níveis, e qualquer
- 9:06cerveja comum você tem, basicamente qualquer uma,
- 9:10noventa e tanto por cento, tem açúcar residual.
- 9:13Mesmo que seja amargo, uma cerveja também é doce.
- 9:16Geralmente, quanto mais amarga, mais doce, quanto mais acólica,
- 9:18mais doce, mas isso é uma coisa que as cervejas de fermentação
- 9:23natural não têm. São cervejas, geralmente, Então,
- 9:27eu tento preparar e falar para as pessoas que por causa da
- 9:31acidez e da secura na boca, a ausência de dulçor, porque às
- 9:35vezes a pessoa nem entende o que você quer dizer, que é o molhado
- 9:38que é seco, o líquido que é seco.
- 9:41Mas a ausência de dulçor vai te trazer uma experiência talvez
- 9:45similar a um consumo de um espumante, por exemplo.
- 9:49Alguma bebida fermentada de fruta e não uma cerveja, né?
- 9:52E vamos lá, acho que a definição, estamos mais ou menos
- 9:57felizes com isso? Sim, sim, sim, claro.
- 10:00Eu acho que agora é importante a gente delimitar.
- 10:02Você já disse que você tenta introduzir o assunto.
- 10:05Agora vamos puxar a dificuldade da venda, que parte um pouquinho
- 10:10da definição, mas como é que você debela essa venda?
- 10:13Sim, a resposta é fácil, né? Num evento desses, é mais
- 10:17difícil, talvez, quando você tem o negócio numa prateleira e a
- 10:21pessoa não tem a oportunidade de provar.
- 10:24Num evento assim, sempre. Preparo, a pessoa tá lá, ele
- 10:28tomou uma cerveja. Já todas as minhas cervejas são
- 10:31diferentes, tá mesmo? A Pilsen, a IPA, sempre tem um
- 10:34ingrediente, um incorporado que é diferente e que tem uma
- 10:39história, né? Eu conto a história também. todo
- 10:40por que que essa cerveja é tal, como ela é, preparo e tem que
- 10:45ter uma experiência de degustação, sabe?
- 10:48Assim, não é que tem que ter, mas é muito diferente, assim, é
- 10:51dificilmente eu, assim, em evento, assim, se não tem uma
- 10:55provinha, a famosa provinha que virou meio que comum na cerveja
- 10:59artesanal, né? Até pra provar a Pilsen, que é
- 11:03interessante. mas acho que eu concordo, provar a cerveja,
- 11:06entender do que a gente está falando.
- 11:09Porque é uma coisa contar toda essa história, a parte
- 11:11subjetiva, e você trazer a parte objetiva que a pessoa, de fato,
- 11:15provar, sentir esse sabor, entender do que eu estou
- 11:18falando. E isso pode ser agradável, pode
- 11:20ser desagradável para aquela pessoa em particular.
- 11:24Isso eu estou falando só um... no geral, acho que depende muito
- 11:28em que evento que você está, em que tipo de público você tem,
- 11:32mas acho que isso seria um básico para começar.
- 11:35Mas a outra coisa que você perguntou sobre a dificuldade da
- 11:40classificação, ou não classificação necessariamente de
- 11:43estilos, mas de a gente conseguir entender esse conceito
- 11:49também como produtores, acho que isso é uma É uma dificuldade
- 11:52porque tem várias coisas. Entender, a gente precisa
- 11:55entender muito bem para a gente conseguir explicar mais ou
- 11:59menos, né? Acho que é sempre...
- 12:01Por isso que você põe o cara que é formado em física, às vezes
- 12:04até com pós-graduação, para ensinar na escola, né?
- 12:07Você não pega alguém que terminou o colegial e fala,
- 12:09beleza, vamos ensinar agora física do colegial.
- 12:11Você precisa ter uma profundidade de conhecimento
- 12:14maior para conseguir conversar melhor, né?
- 12:18Tá, você trouxe um ponto aqui que você tá quase dando uma
- 12:20furadinha na pauta. Então, respira, respira.
- 12:23Tá bom, tá bom. Eu respiro.
- 12:24Vamos lá. Eu acho que é importante, você
- 12:27falou do evento. E eu concordo com você, que o
- 12:29evento, se você tem experimentação, explicação,
- 12:31provinha, pô, a venda tá caminhada.
- 12:34Mas prateleira, prateleira é importante.
- 12:38Você falou, pra prateleira é mais difícil.
- 12:39Então, a gente quer saber dificuldade, a gente quer saber
- 12:42o aperto do parafuso. Tá, vamos lá. qual é o trabalho
- 12:46que a fermentaria pode fazer a partir daí pra vender vou falar
- 12:50alguma coisa que eu tenho tentado fazer, não tenho métrica
- 12:53pra dizer o quanto isso funcionou e melhorou mas uma
- 12:58coisa que voltando lá pro Encontro Selvagem de dois mil e
- 13:01vinte e dois a Silene Saurin falou uma coisa, Silene sempre
- 13:06tem ótimos pontos, né e ela falou uma coisa que ficou na
- 13:12minha cabeça, sabe E isso, assim, no fim, uma coisa vai
- 13:16puxando a outra, né? Por isso que é meio enrolado o
- 13:19negócio. Mas ela falou uma coisa que
- 13:21ficou muito na minha cabeça. Ela falou, vocês cervejeiros, a
- 13:24gente tava discutindo a questão do vinho, mas por que o vinho
- 13:27tem, a cerveja não tem, o espaço no restaurante, não sei o quê.
- 13:33E tem várias razões, tá? Ela se lendo e deu várias na
- 13:37hora. Mas ela falou uma coisa que
- 13:38ficou na minha cabeça, que foi, vocês têm que parar.
- 13:42Com essa história de ficar escrevendo e falando pro público
- 13:47bretanomices e lactobacilos e pediococos e não sei o quê.
- 13:54E sim, realmente sobrecarregar de informação, né?
- 13:57Então, sobre prateleira. Primeiro, né, o que a gente
- 14:02tem... colocado, eu simplifiquei muito as histórias, textos
- 14:09pequenos, e assim, eu adotei, não estou dizendo que, não sei
- 14:13se é a melhor forma de fazer, mas eu adotei esses nomes
- 14:16simples, por exemplo, cerveja natural com blã, se tem alguma
- 14:20adição, então, por exemplo, cerveja natural com Com uva, se
- 14:24tem uva. Ou cerveja natural envelhecida
- 14:27em barril, quando não tem nada, só pra dar um descritor.
- 14:30Todas elas são em barril, no caso das minhas, né?
- 14:33Claro. E colocar um sensorial
- 14:37simplificado, tá? Eu acho legal o que a turma do
- 14:40café especial fez, né? Tem muitos que dão os nomes dos
- 14:44cafés com o sensorial dele, né? Tipo, é... caju, goiabada,
- 14:49chocolate, é colocar um descritivo básico, vai ser igual
- 14:52para todo mundo, a gente volta para aquela conversa, o que cada
- 14:56um vai sentir, mas talvez um parâmetro geral, e não precisa
- 14:59ser nada objetivo, por exemplo, supostamente IBU é objetivo, mas
- 15:05não informa muito a pessoa que ela vai ter experiência
- 15:08sensorial. O IBU é péssimo, por sinal.
- 15:11Eu sou absolutamente contra. É, eu não ponho também, me bebo.
- 15:16Ou acidez, grama por litro de acidez, sabe?
- 15:18Esse pH também é importante pra gente, como produtor.
- 15:25Mas usando esses descritores simples.
- 15:27Eu tento usar três palavras, eu não sou o único que faz assim.
- 15:31Já vi faz anos em menu de restaurante, assim, explicando o
- 15:35prato, bem simples. Acho que a Dogma também faz um
- 15:38esquema assim nas latas deles. Mas eu uso, por exemplo, a que
- 15:42eu vou lançar agora, que é a flora fractal.
- 15:44Acho que eu coloquei floral, tropical e elegante.
- 15:49Então, o elegante significa o quê, né?
- 15:52Exatamente. Elegante é coringa, né?
- 15:54Não sabe o que escrever, escreve elegante.
- 15:57Eu acho que não é esse o caso. Não, não, não é uma crítica, mas
- 16:01eu usava bastante também, né? Sim, elegante, exótica...
- 16:05Porque, cara, como tu falou, o que que transmite elegante, né?
- 16:09É tipo, elegante, mano, é tipo quase como um IBU, né?
- 16:13Elegante, refinado, comportado...
- 16:17Mas, cara, eu acho que aí a gente tá entrando, e eu não falo
- 16:20isso como uma coisa ruim, mas a gente entra num espectro de
- 16:24marketing, né? E quando a gente fala de
- 16:26classificação, eu acho que a gente tem dois problemas.
- 16:28Mesmo em mercados mais maduros, esse papo de classificação, ele
- 16:32é ruim, né? E os guias, enfim, essa galera
- 16:35que trabalha com cerveja, fazem um trabalho...
- 16:37Na minha opinião, cretino. Essa galera poderia atuar
- 16:41ativamente no debate, na solução do problema, e acaba muitas
- 16:44vezes só confundindo. E a gente tem um lance de
- 16:47classificar a cerveja pra mandar pra concurso, que é um problema
- 16:50real, porque é seguido... A gente vê tanto no Brasil
- 16:53quanto fora as cervejarias como a tua, focadas em cervejas
- 16:57selvagens, com dificuldades de categorizar suas cervejas, seja
- 17:01por poucas categorias ou por categorias que estão mal
- 17:03construídas. Uhum.
- 17:04E aí tem esse lado de comunicar com o consumidor, que conversa
- 17:08muito mais com o marketing, né? E aí a gente vai falar, e quando
- 17:13tu fala, né, vou tirar a Bretanomis, vou tirar a
- 17:15PedioCocos, do ponto de vista do marketing, isso é lindo, né?
- 17:18Porque o consumidor, ele não... É tipo cervejaria fazedora de
- 17:22IPA, bota sete lúpulos diferentes.
- 17:24Cara, o consumidor não sabe disso, velho.
- 17:26Elegante, refinado, floral, não sei o quê.
- 17:30Comunica muito melhor com o momento de consumo e...
- 17:33Vou voltar lá atrás, né? Reduz o degrau, né?
- 17:36Tu não pega aquela garrafa na gôndola e tipo, nossa, pediu
- 17:39cocos bretanomices, cinco gramas de ácido por litro.
- 17:43Que porra é essa? Pode falar palavrão aqui, Lute?
- 17:45Ah! Que porra é essa, tá ligado?
- 17:48É engraçado que, assim, a gente, nós três aqui, provavelmente
- 17:53estamos dentro do universo do beer geek já, né?
- 17:56A gente gosta... Na bolha, certo?
- 17:59A gente tá na bolha. E eu lembro antes, quando eu
- 18:03fazia cerveja em casa, tava aprendendo sobre essas coisas,
- 18:06comecei a tomar esse tipo de cerveja.
- 18:09Ah, beleza, você vê, né? Escrito os nomes.
- 18:13E no meu caso, assim, isso me deu grande curiosidade, assim.
- 18:16Isso é uma coisa particular minha, sabe?
- 18:18Se eu vejo uma palavra que eu não conheço, eu vou...
- 18:21Eu fico curioso pra entender. A questão é, agora a gente
- 18:25falando... Eu fiz aqui nas minhas
- 18:28anotações, né? Eu...
- 18:30Acho que a gente consegue aprender, eu tô usando o termo
- 18:33natural, da mesma forma que o pessoal do Vinho Natural teve
- 18:36aí. Eu gostei muito da conversa com
- 18:39a minha amiga Patrícia Brentson. Mas tem muito que a gente
- 18:43consegue aprender com eles também.
- 18:46E eu digo isso porque, na verdade, eu acho que do público
- 18:50da fermentaria, eu tenho mais público... do vinho natural do
- 18:55que dos beer geeks. Eu acho que no mundo beer geek,
- 18:58não que não seja, que as pessoas não saibam a respeito de mim,
- 19:02mas, por exemplo, eu não apareço em listas top rated do Untapped,
- 19:09por exemplo. eu nem ponho nada no Antep não sei, tem um monte
- 19:13de coisa do Antep, da fermentaria mas não fui eu que
- 19:16coloquei nenhuma delas e nada contra eu acho um bom sistema
- 19:21todo sistema tem coisas boas e ruins só não foi uma coisa que
- 19:25eu resolvi fazer Alguns têm muitas coisas ruins.
- 19:28É, mas o pessoal do vinho natural, ou do vinho em geral,
- 19:34né? Óbvio, você vai numa feira de
- 19:35vinhos, você percebe, sempre tem o, no caso, o Wine Geek, que
- 19:40sabe muito das apelações e do tipo de solo e o que que isso
- 19:44inclui. implica naquilo, e quantos gramas por litro de
- 19:46açúcar tem no espumante Brute versus Nature versus Demisec tem
- 19:52todas essas coisas de cabeça e o cara quer saber ele vai lá, ele
- 19:55quer falar com o produtor e conversar sobre tudo isso
- 19:58maturação, cortes, etc mas nunca vi Um vinho que tem tantos
- 20:05descritores técnicos pesados em rótulo.
- 20:08Nunca vi, eu nunca vi. Geralmente é uma coisa muito
- 20:11simples, muito rótulo simples. Talvez um desenho que nem remete
- 20:15nada a uva. É uma outra coisa, um porco,
- 20:19sabe? Porque tem a ver com o terroir
- 20:21deles. Eu acho que nesse caso, a gente
- 20:24tem que contar uma história. E acho que esse que é um dos
- 20:27pontos da... da nossa pauta também, dessa dicotomia do
- 20:31simplificar e o detalhar, né? Óbvio que se a gente começar a
- 20:35simplificar tudo demais e começar a fazer médias e vamos
- 20:39dizer que a gente faz, a gente pega uma cerveja dessa aí de
- 20:42fermentação espontânea, blend de múltiplos anos, refermentada na
- 20:47garrafa, etc, etc, e você faz um rótulo branco escrito cerveja,
- 20:51isso seria o limite da simplificação.
- 20:55Isso não ia ajudar a gente, né? E essa cerveja está aí daí, né?
- 20:59Porque não é só isso, né? Se todas elas custassem a mesma
- 21:02coisa e talvez aleatoriamente o consumidor comprasse essa
- 21:06escrito cerveja só e ia tomar em casa e ia achar muito estranho,
- 21:10provavelmente, a gente tem uma cerveja que custa, vamos falar,
- 21:15numa carta de restaurante, né? Até abrindo nessa comunicação
- 21:19também, a carta de restaurante é outro ponto, né?
- 21:22que eu acabo tendo que trabalhar bastante isso.
- 21:25É muito injusto, não faz muito sentido você ter lá a carta dos
- 21:30caras e ter lá cervejas. Heineken, quanto que tá custando
- 21:33uma Heineken no restaurante hoje em dia?
- 21:35Doze, quinze reais uma garrafinha?
- 21:37Por aí, dependendo do restaurante até mais, mas pode
- 21:40ser por aí. Tá, vamos falar.
- 21:41Cerveja, insira sua marca favorita, RRF RRF, e aí tá lá,
- 21:46reserva local, fermentaria local, RRF RRF.
- 21:49Se é só cerveja, sabe, como que eu vou, e eu não sei nada sobre
- 21:53isso, como que a pessoa vai escolher pagar RRF RRF, se ela
- 21:57não conhece, numa coisa que ela poderia pagar RRF, sabe, um
- 21:59fator quase de dez vezes. o preço.
- 22:01Então, essa conversa é difícil, mas tem que ter um certo
- 22:06detalhamento. Então, a cerveja natural, eu
- 22:10gosto do termo que o pessoal usou para o vinho natural e você
- 22:13pode entrar em discussões falando mas o que exatamente é
- 22:16vinho natural? Não é um estilo, é meio que um
- 22:19método, né? Cara, tu falou várias vezes em
- 22:22vinho natural e eu queria te fazer uma provocação que é o
- 22:24seguinte. O quanto o vinho natural não é
- 22:29um mercado de nicho, quanto as Pastry Stout e Hazy Double,
- 22:33Triple Hazy são para o mercado cervejeiro.
- 22:36E aí a gente está se espelhando num mercado bolha para fugir da
- 22:40bolha. Eu acho um ótimo ponto mesmo.
- 22:43Já cheguei a pensar, assim, também, que a cerveja selvagem,
- 22:47natural, tá fadada, não tô dizendo, já pensei nisso, né?
- 22:52Estava fadada a ser eternamente igual ao vinho natural.
- 22:55Isso é uma coisa muito dentro, num mundo muito específico,
- 22:58muito nicho, que nunca... nunca vai sair e vai alcançar um
- 23:01público maior. A gente pode descartar até a
- 23:04questão do chamado de vinho natural, mas em relação ao
- 23:11descritivo e tal, acho que os rótulos às vezes são muito
- 23:14parecidos, né? Tanto que talvez aqui no Brasil
- 23:16seja um... Não conheço tão a fundo pra
- 23:19dizer, mas já vi muitos rótulos de fora que são vinhos que são
- 23:24naturais, mas que não fazem menção nenhuma pra isso.
- 23:27Simplesmente é o jeito que o cara escolheu fazer a
- 23:29vinificação dele. E só.
- 23:32Ah, mas tá numa feira de vinho natural?
- 23:34Beleza. Mas tá também num lugar que
- 23:37vende outros vinhos. E tá igual, né?
- 23:39A princípio, se você quiser saber mais, sei lá, clique aqui,
- 23:44né? Cara, acho que tu tocou num
- 23:46ponto que é, na minha visão de mundo, de cerveja, chamar de
- 23:51cerveja selvagem por costume, é fantástico.
- 23:55Não é nem como rotular ou como comunicar, é como se portar.
- 23:59Eu vendo cerveja, eu vendo um produto que não precisa ser
- 24:04rotulado, não precisa estar só na prateleira do IAP, ou só na
- 24:10Turebas, ou só na feira isso, ou só...
- 24:12Cara, eu vendo cerveja, é uma cerveja diferente, é uma cerveja
- 24:15natural, isso e aquilo, mas não se limitar, né?
- 24:19Como tu citou o exemplo dessas marcas de vinho aí que se
- 24:22posicionam, que estão nas feiras de vinho natural, mas estão fora
- 24:25também. Acho que parte daí é essa busca
- 24:28por novos clientes, por novos mercados, por comunicar com o
- 24:32público que, cara, só quer ter uma experiência legal e tá tudo
- 24:36bem. Sim.
- 24:45Eu vou fazer aproveitar a provocação dos dois pra fazer
- 24:48um... Sei lá, um...
- 24:49Eu vou subir a mão. Vou...
- 24:51Vou dar um check aqui. Não é um check, é um raise.
- 24:55Quando a gente conversou com a Patrícia, ela falou de um
- 24:57trabalho essencial que o vinho natural, que o vinho selvagem,
- 25:02blá, tá fazendo pra poder alcançar outros lugares.
- 25:06Que a cerveja... especialíssima, a especial não consegue.
- 25:09A gente não consegue nem classificar a cerveja, Brasil.
- 25:12Isso já me mata. Isso é o quê?
- 25:13Cerveja artesanal, especial, independente, blá.
- 25:16A gente não consegue classificar isso.
- 25:18Então, ela já chega citando um trabalho que é a cerveja
- 25:21artesanal, pronto. De qualquer uma que seja, ela
- 25:23não consegue fazer. Quer fazer um trabalho com o
- 25:26restaurante. Pro restaurante conseguir vender
- 25:28isso lá. Então, ela fala...
- 25:30Eu tenho que vender um produto que, não pensando na venda, mas
- 25:33pensando na recompra. Eu estou vendendo um produto que
- 25:36o cara vai vender rapidamente internamente e vai me procurar
- 25:40para mais? O que acaba acontecendo é, o
- 25:42produtor não tem essa pessoa de vendas tão forte assim, que
- 25:46consegue treinar a brigada e etc.
- 25:48Que a brigada consiga gerar esse valor para o cliente comprar,
- 25:52para poder daí consumir no restaurante, num preço que vale
- 25:54a pena para o restaurante e para o restaurante. de fazer a
- 25:56recompra. Aí, o que que acontece?
- 25:57O restaurante fica com aquele monte de cerveja, garrafa,
- 26:00whatever, num estoque parado lá. Então, eu acho que a sensação
- 26:04que eu tenho é que é preciso aprender a se comportar em cada
- 26:07lugar que estaremos. Como você disse, na feirinha,
- 26:09daremos provinha, explicaremos fácil e etc.
- 26:13Na feira Naturebas, falaremos sobre...
- 26:15É outra coisa. Papapá, bretanomices, pediococos
- 26:19e etc. No restaurante, eu talvez tenha
- 26:21que ter alguém que vá saber traduzir pro garçom que E é o
- 26:24meu vendedor de verdade. O meu vendedor não é o cara que
- 26:26vai lá levar o pedido. É o garçom.
- 26:28É o cara que vai falar assim, ó, essa cerveja ou essa bebida,
- 26:32talvez a gente não possa se chamar de cerveja dentro de um
- 26:34restaurante grande. Não sei também, tô tirando
- 26:36informações do meu sovaco. É que é preciso pensar nessas
- 26:39soluções pra saber como a cerveja precisa se comportar em
- 26:42cada ambiente. Sim.
- 26:44Bom, eu vou falar um pouco de algumas experiências pontuais.
- 26:49Já tive exemplos dos dois tipos, tá?
- 26:53Mas principalmente do tipo adorei, fiz uma compra, não
- 26:57comprei de novo. Isso já aconteceu muitas vezes,
- 26:59tá? Total.
- 27:22Eu queria ela na minha vida. Me vendendo por aí.
- 27:25Que vai e fica. E visita, e vai, e aparece, e
- 27:29conversa. E faz uma vez, e faz de novo, e
- 27:32faz outra vez. Quantas vezes for necessário.
- 27:34Já fiz eu, pessoalmente, várias vezes.
- 27:37Mas, óbvio, eu tenho outros problemas pra lidar.
- 27:39Não consigo fazer isso sempre. Claro. mas eu acho que essa
- 27:43comunicação, esse entendimento, eu acho que eu gostaria de ir
- 27:47para o ponto aqui, talvez mais técnico, que os beer geeks vão
- 27:51gostar e que a gente gosta de falar, mas eu acho que esse
- 27:54entendimento básico nosso tem que estar muito claro Pra
- 27:59gente... Não tô dizendo que o meu está,
- 28:01tá bom? É só falando.
- 28:03Acho que tem que estar muito claro pra gente conseguir falar
- 28:06em várias línguas, né? Porque a língua do restaurante é
- 28:09uma. A língua da feirinha é outra.
- 28:11A língua da feira que conhece o produtor é outra.
- 28:14Porque, só citando agora exemplos, né?
- 28:16A gente faz... Tem alguns restaurantes que...
- 28:20Já estou aí um tempo em que não tem volume de vendas, posso
- 28:24dizer, porque não tem mesmo. Mas sempre tem e sempre está
- 28:29gerando conversa. Eu acho que o principal deles é
- 28:33a Enoteca São Vansã, que é dos organizadores da Naturebas.
- 28:37Já viraram amigos meus, porque a gente conversa muito sobre isso,
- 28:41inclusive. Muitos ódios de WhatsApp falando
- 28:44sobre esses temas. Mas temos eventos, por exemplo,
- 28:47eu conheço o produtor que eu vou lá E eu fico servindo, e as
- 28:50pessoas lá têm essa curiosidade. É um público muito especial.
- 28:55Mas você também… Mas também tem a pessoa que quer ir lá.
- 28:59E você vê que precisa daquele trabalho do sommelier que vai na
- 29:04mesa, conversa, faz o serviço. Faz a parte da hospitalidade
- 29:09mesmo, né. Olha, temos umas coisas
- 29:10diferentes. É uma cerveja, uma cerveja
- 29:13natural, uma cerveja XYZ. Não precisa ser, pode ser até
- 29:17uma cerveja normal que eles têm lá na carta.
- 29:19Eles, inclusive, estão agora com uma IPA minha.
- 29:22E o que eles falaram? Isso aqui é uma IPA da
- 29:24fermentaria, ele usa o lúpulo em flúor orgânico.
- 29:27Ah, tá, legal. Você quer provar?
- 29:30Esse serviço da mesa é muito importante.
- 29:32E esse restaurante em particular, eles investem muito
- 29:37no treinamento da equipe, porque é tudo...
- 29:39Isso, né? Eu falo, às vezes a gente serve
- 29:41uns vinhos aqui, só como também anedota, uns vinhos estranhões
- 29:45aqui, e vem um pessoal entendido de vinho, afinal lá é uma
- 29:49enoteca, né? Então, o cara lá, o cara que faz
- 29:53o serviço da mesa, ele tem que estar preparado pra receber
- 29:57reclamações e argumentar, e falar, olha, então é difícil, o
- 30:02treinamento é complicado. Cara, mas eu acho que aí é
- 30:05justamente o que a Lud falou. Se tu vai deixar pra brigada do
- 30:09restaurante ser a responsável pelo treinamento, a brigada do
- 30:13restaurante vai seguir a orientação do restaurante, que é
- 30:15vender os produtos que têm mais margem ou que são de
- 30:18relacionamento dos donos do restaurante.
- 30:20Tu, enquanto cervejaria, tu genérico, né?
- 30:23Eu, inclusive, é nossa responsabilidade ir lá e cativar
- 30:27não só o comprador... Mas cativar o garçom é tipo ir
- 30:31lá e dar o treinamento e ser legal, ser querido e inclusive
- 30:35ir na grande cervejaria, ir na Ambev, ir na Heineken, ir nesses
- 30:39caras. E aí a gente tem muito a
- 30:41aprender enquanto mercado. Cara, esses caras estão anos luz
- 30:44na nossa frente. Quando eles olham para
- 30:46treinamento de brigada, para bonificação, para bonificação
- 30:49para garçom, para incêndio. Cara, tem mil possibilidades.
- 30:52Nos restaurantes e bares aqui de Porto Alegre que eu dava
- 30:56treinamento, a semana seguinte ao que eu dava treinamento era
- 30:59que eu vendia mais. Cara, é nítido.
- 31:02Chegava lá, o garçom... Cara, tem lugar que faz cinco
- 31:05anos que eu não dou treinamento, que o garçom ainda trabalha lá,
- 31:07o cara me conhece pelo nome. Uhum.
- 31:09É nossa responsabilidade enquanto cervejaria trazer esse
- 31:13cara pro nosso lado. Porque senão, cara, tem a tua
- 31:15cerveja na gôndola e tem a minha.
- 31:17Eu fui lá e virei amigão do garçom.
- 31:20Tu não foi. O cara vai vender a minha ceba,
- 31:22não vai vender a tua. E aí, olhando pro nosso mercado,
- 31:25nós, enquanto cervejaria, a gente tem que ter isso dentro de
- 31:28casa. seja o dono, seja o comercial seja, contratem
- 31:32sommeliers profissão regulamentada tem um monte de
- 31:35gente se formando em curso sommelier todo dia, cara, é isso
- 31:38é trazer gente pra falar sobre cerveja porque senão a gente vai
- 31:42ser de novo patrulhado por ambev ou patrulhado por vinho
- 31:45Exatamente. Bom, podemos falar da parte
- 31:48técnica? Bora lá.
- 31:49Claro! Manda braba.
- 31:51Então, tá bom. Eu ia só exemplificar assim.
- 31:53A gente começou falando sobre a questão da acidez, o seco, etc.
- 31:58Tem a prova. Mas eu acho que uma das
- 32:02dificuldades de entender todo esse mundo de fermentações
- 32:06naturais... E perfil, que tem muitos temas
- 32:10que são confusos. Por exemplo, primeiro começa
- 32:14pela parte básica do próprio nome, selvagem, né?
- 32:19Então, selvagem é o que não é domesticado, né?
- 32:23Eu só vou dar alguns exemplos de, pelo menos me confundir, eu
- 32:27não sei se confundem outras pessoas, mas que demorei
- 32:30bastante para entender, sabe? Perguntar o que é, né?
- 32:33O que é selvagem? Aí você olha a definição de
- 32:36domesticação, né? Se é o que não é domesticado, é
- 32:39o que é selvagem. Então, uma cerveja selvagem é
- 32:42uma cerveja fermentada por levedura selvagem?
- 32:44Só isso a definição, né? E pode ser que seja, né?
- 32:47Mas eu vou dar dois exemplos aqui.
- 32:50Por exemplo, acho que uma das coisas que é legal de pensar é a
- 32:54diferença entre você domesticar um organismo e domar um
- 32:58organismo. Então, por exemplo, você
- 32:59consegue domar um tigre no circo pra pular pelo aro, pra subir na
- 33:04bola, pra fazer certas coisas, né?
- 33:06Através de reforço comportamental, né?
- 33:08Faz uma coisa, dá comida pra ele.
- 33:10Mas o tigre não deixa de ser um animal selvagem porque ele faz o
- 33:14que ele mandou você fazer. porque você treinou de uma
- 33:18forma. E a levedura, óbvio que não é um
- 33:21tigre, não é um ser multicelular, é um ser
- 33:23unicelular. Mas da mesma forma, acho que a
- 33:26gente acaba, principalmente quando entra na questão do
- 33:29brete, que tem brete selvagem. O brete pode ser domesticado,
- 33:33mas mesmo assim você não tem um comportamento muito previsível
- 33:36ou ao contrário. Você pode ter uma levedura
- 33:39selvagem que você já conhece e consegue prever.
- 33:44Aí o que é a coisa? E aí a gente começa a entrar
- 33:46nessa questão da acidez e tudo. A cerveja selvagem não é
- 33:50simplesmente fermentada por um organismo selvagem.
- 33:53Ela é fermentada por muitos organismos.
- 33:55E as leveduras, quando estão agindo nesse mesmo mosto, e se
- 33:59ela age de forma sozinha, ela vai se comportar de uma forma.
- 34:03Se ela age num ecossistema, é outra, né?
- 34:07Eu vou tentar amarrar tudo, tá? Com a questão do perfil de sabor
- 34:10e do que a gente comunica pra vender.
- 34:12Por quê? Porque cheguei a pensar em
- 34:14casos, por exemplo, de gente fazendo umas cervejas muito bem
- 34:18feitas, fermentadas, com um organismo só, domesticado, mas
- 34:22que são tão naturais, digamos assim, não... seguem uma
- 34:26tradição ancestral, quanto uma cerveja de fermentação
- 34:30espontânea, pelo menos. Mas o perfil das duas é
- 34:32completamente diferente. E por que é assim, né?
- 34:35Se você fosse ver as cervejas ancestrais, por exemplo, o
- 34:38Chicha, o Cauim, as cervejas farmhouse lá da Escandinávia,
- 34:42que ainda existem, eles têm leveduras aí que estão sendo
- 34:46usadas. A princípio não foram... podem
- 34:49até estar domesticados, certamente não foram isolados em
- 34:51laboratório, mas que eles fermentam daquela forma.
- 34:56É um negócio ancestral, tradicional, mas muito diferente
- 34:59do perfil, por exemplo, de uma lambique, né?
- 35:01Que já é outro método de produção.
- 35:04E quando a gente, por exemplo, vou dando um exemplo dos meus
- 35:09produtos, tá? Eu acho que talvez um deles vai
- 35:12ser o que vai conseguir conversar com um público mais
- 35:16geral. A gente fazer fermentações
- 35:19selvagens, por exemplo, com leveduras nativas, mas que
- 35:22trabalham de uma forma isolada, que já vai gerar um perfil mais
- 35:26previsível. E aí, o que eu acho
- 35:28interessante, isso é outro ponto que talvez vocês possam me
- 35:31ajudar, como que a gente caminha nisso.
- 35:33Não sei se vocês já passaram muito tempo pensando.
- 35:36Cerveja ancestral, tem esse mito de que, Por exemplo, o Lambi,
- 35:41que é essa cerveja antiga, né? E que é o jeito mais antigo de
- 35:45fazer cerveja que não é verdade. Porque a gente tem que
- 35:48distinguir muito a cerveja que foi feita pensando em vender e a
- 35:53cerveja que foi feita em casa pensando em ser consumida, né?
- 35:56Que era como essas cervejas eram feitas, né?
- 35:58Então, por exemplo, se eu fizer uma fermentação espontânea,
- 36:02completamente espontânea, mas para ser consumida na minha casa
- 36:06daqui a dois dias, ela não vai estar ácida, ou ela vai estar
- 36:09bem pouco ácida. Você tem muito essa associação
- 36:12do produto com o método de produção e o estilo. o que você
- 36:16quer que chegue, né? Por isso que eu acho que muitas
- 36:19vezes você fala a cerveja selvagem ou natural pode ser
- 36:23qualquer coisa, em teoria sim, né?
- 36:24Mas a cerveja selvagem comercial pra vender é diferente, você
- 36:29precisa ter estabilidade, você precisa ter outras coisas que
- 36:32porque você tem meio que uma consequência do processo... é
- 36:36que você desenvolva essa acidez e todas as coisas, que no fim eu
- 36:39acho interessante, sabe? Não é uma coisa ruim que é meio
- 36:43que, tipo, vai ficar assim, então aprenda a lidar com isso.
- 36:46Não, acho que é um fator muito interessante dessas cervejas,
- 36:50elas terem acidez como um exemplo só.
- 36:52Mas só, eu acho que esses termos aqui, não vi muito discutido,
- 36:56esse que era o meu ponto, sabe? E isso é importante, eu acho, na
- 37:00hora de vender, porque você pode usar, e agora no sentido do
- 37:05marketing, vamos dizer que você está tentando comunicar e vender
- 37:09essa ideia do natural, do mais ligado à terra, do terroir, para
- 37:14vender esse conceito, essa história do natural.
- 37:18Não necessariamente você precisa estar fazendo uma cerveja
- 37:22similar a uma Lambic, por exemplo.
- 37:25Sim. Tem uma gama grande, sabe?
- 37:27E tem um espaço, óbvio, que é muito grande entre uma pilsen
- 37:31industrial ou até uma cerveja artesanal feita por outro modo
- 37:35de consumo, né? Cara, aí eu acho que a gente tá
- 37:38no mesmo problema e tu falou da pilsen artesanal e eu quero
- 37:41pegar esse gancho. Eu acho que a gente tá no mesmo
- 37:43problema do artesanal. É tipo, qual a diferença da
- 37:47American Lager, da Ambev, Heineken, Petrópolis, insira
- 37:51aqui a sua macro preferida... Da Pilsen Artesanal, insira aqui
- 37:56a sua cerveja artesanal favorita.
- 37:59Cara, no copo, não tem, cara. No copo, o objetivo, não o
- 38:03subjetivo? Objetivamente, não tem.
- 38:05Objetivamente, se as duas forem bem feitas, provavelmente a da
- 38:10macro vai ser melhor, né? Assim, objetivamente.
- 38:13Hoje eu vou pra rua e tomo um macro.
- 38:14Vou no bairro ali, cerveja artesanal, aqui no meu
- 38:17condomínio, mano. Hoje tem um food truck, na
- 38:20entrada do meu condomínio, rango e ceva.
- 38:23E tem uma ceva artesanal que eu não mencionarei, que tem um
- 38:26pilsão artesanal, mano. Se eu for ali, eu vou tomar
- 38:28Heineken, velho. E aí, tipo, trazendo o lance do
- 38:30lúpulo que tu também falou, tipo...
- 38:32Ah, sei lá, meu, pegar uma APA da Serra Nevada, que é feita com
- 38:35lúpulo em flor, ou uma APA da Dogfish Head, que é uma
- 38:39cervejaria do mesmo calibre, digamos assim, feita com pellet.
- 38:43Mano, não tem diferença objetiva.
- 38:45Aí a gente tá falando de marketing, a gente tá falando de
- 38:48posicionamento, de valores, de outras coisas.
- 38:50Aí eu acho que entra, fazendo a volta no que tu falou, o lance
- 38:54da ancestralidade. Ah, eu tô fazendo uma cerveja do
- 38:57mesmo jeito que ela era feita há sete mil anos lá nos Sumérios,
- 39:02que é show, tem interesse em consumo, tem curiosidade, tem
- 39:07vários gatilhos de compra e tal, isso funciona.
- 39:09É, mas você vê que muito da cerveja artesanal fez o
- 39:13argumento de vender a sua macro lager, a sua lager, American
- 39:18Lager, normal aí, é porque a pessoa se identifica com a
- 39:22marca, tem a questão do local, questão de ir tomar no bar,
- 39:26saber que está sendo feita ali, tem o valor...
- 39:28Sim, tem valor. É subjetivo e é tão importante.
- 39:32Tão importante, não sei se é tão importante quanto o objetivo,
- 39:36mas é muito perto, sabe? Eu acho que muitas vezes é mais
- 39:39importante. É, então, possivelmente.
- 39:42Porque, ao fim e ao cabo, é isso, né?
- 39:44Tu quer criar um relacionamento e tu, nós, inclusive nós, Be Our
- 39:48Geeks, a gente cria relacionamentos com marcas, com
- 39:51pessoas, com produtos... com valores que essas marcas,
- 39:54pessoas e produtos transmitem, saca?
- 39:57É muito mais sobre isso do que sobre o produto objetivo.
- 40:01Mas só porque é diferente, não significa que a gente deve ou
- 40:04precise relegar a parte objetiva.
- 40:06Que é aí que eu acho que é o grande furo de classificação de
- 40:10cerveja selvagem. Porque a gente volta e meia fala
- 40:13de marketing. Tipo, uma cerveja selvagem
- 40:16espontânea e uma cerveja selvagem não espontânea, cara...
- 40:21Vamos pegar cinquenta rótulos aí, espontâneos e não
- 40:23espontâneos. A gente vai conseguir fazer um
- 40:25teste cego e dizer o que que é o quê?
- 40:27Não, saca? Hum, não sei.
- 40:29Cara, vamos pegar rótulos de mesma cervejaria, cara.
- 40:33Cara, já tomei ceva da mesma cervejaria, espontânea e não
- 40:36espontânea, que uma do lado da outra.
- 40:38Uma era diferente da outra, claramente, mas... não tem uma
- 40:42consistência de itens objetivos, tipo as espontâneas eram todas
- 40:46mais ácidas ou as não espontâneas eram todas mais
- 40:49amargas, ou isso ou aquilo. Correto.
- 40:51Saca? Então objetivamente a gente não
- 40:52consegue separar. É, mas isso é porque tem tantas
- 40:56variáveis na produção também, como o cara fez, mas eu acho que
- 41:01falando nessa questão do objetivo e subjetivo, essa é uma
- 41:05coisa que eu acabo pensando muito em relação às minhas
- 41:08cervejas ou como eu apresento, E que, como outros produtores
- 41:12também fazem, a gente tem que tomar cuidado.
- 41:15A galera do natural tá cheia, tá?
- 41:18De que as histórias são muito bonitas, mas os produtos não,
- 41:23sabe? Esse tipo de coisa.
- 41:25E é uma coisa que eu sempre tento fugir, sabe?
- 41:27Eu acho que você ir numa feira naturebas, que as pessoas estão
- 41:32lá, sabe? Famintas pra ouvir essas
- 41:33histórias, ouvir... O fato de que, ah, eu larguei
- 41:37meu emprego para fazer isso porque é minha paixão, blá, blá,
- 41:40blá. Eu uso ingrediente local, eu vou
- 41:42lá conhecer o produtor e tal, etc.
- 41:44E é muito legal, é muito importante, sabe?
- 41:47Eu tenho um prazer de consumir um produto que eu conheço o
- 41:50produtor. De estar do lado de cá e falar,
- 41:52ah, é um cara que... Conheço o cara, sei dos valores
- 41:54dele. É muito parte do pacote.
- 41:57Mas a questão é que se o objetivo não entregar, isso não
- 42:00é minha opinião, tá? Não vale, sabe?
- 42:02Eu não consigo desassociar, eu como pessoa não consigo
- 42:06desassociar o objetivo do subjetivo para dizer, ah,
- 42:11beleza, mas tem algum, às vezes você tem que dar um desconto,
- 42:14sabe? Ah, é legal, o cara está
- 42:16começando, está aprendendo, esse é o primeiro lote, essas coisas,
- 42:19sabe? Para o produto às vezes não ser
- 42:21muito agradável. Mas isso, eu sinto que a gente
- 42:27precisa, como produtor de cerveja selvagem, lembrar sempre
- 42:31isso. O produto tem que ser bom.
- 42:33E agora, o bom é relativo? O que está certo e o que está
- 42:36errado? Essa discussão também não é
- 42:38fácil. Mas eu acho que a resposta acaba
- 42:41caindo no descritor subjetivo também.
- 42:44Elegante, equilibrado. Isso eu falo agora de
- 42:47experiência, tá? De levar pra sommelier e
- 42:51restaurantes e fazer degustações, fazer amostragens.
- 42:55Já ouvi muita frequência, assim, que eu acho que a forma de
- 43:00pensar pelo menos do sommelier de de restaurante, que
- 43:05geralmente é de vinho, tá? Às vezes é de cerveja também,
- 43:07mas geralmente é de vinho. É diferente do...
- 43:11Quando você vai num festival a cerveja, os beer geeks, né?
- 43:14O cervejeiro acabou gostando, em todas as áreas, de coisas
- 43:19extremas, né? Coisas extremas, coisas
- 43:21radicais, coisas que às vezes nem são equilibradas, né?
- 43:26E eu sinto que no meio de gastronomia, você precisa ter
- 43:31mais... Tem que ter esse trabalho...
- 43:33Tem que ser mais refinado, tem que ser uma coisa mais
- 43:35equilibrada. E no fim, sim, meio que
- 43:38contraditoriamente, é a mesma coisa que o público geral quer,
- 43:42sabe? Eu acho que no fim, o cara do
- 43:44restaurante que vai servir na mesa, ele tá tentando entender e
- 43:48educar o público, mas entender o que vai ser agradável pra...
- 43:51Uma quantidade grande de pessoas, tá?
- 43:54Então, acho que a gente voltou pro começo agora, nas feirinhas.
- 43:58Eu fico, às vezes, muito surpreso, de verdade, de pegar e
- 44:02servir uma cerveja de fermentação espontânea, que não
- 44:05é convencional, tá? Não tem nada a ver com a cerveja
- 44:08comum. E a pessoa prova isso e fala...
- 44:10Nossa, muito diferente. Mas gostei.
- 44:12Gostei disso aqui. A acidez é legal.
- 44:15Nossa, tem isso, tem aquilo. Eu estou lembrando...
- 44:18Adoro escutar como as pessoas não treinadas falam...
- 44:22Usam as memórias afetivas para descrever... os produtos que não
- 44:25são os escritores comuns do nosso mundo, de quem é treinado.
- 44:30E assim, todo mundo está certo pelo que sente.
- 44:34Talvez você não saiba qual é o padrão, o que você deveria...
- 44:37Tem gente que não, mas tem. Tem muitas pessoas que falam,
- 44:40nossa, tem isso. E aí você aprende com essa
- 44:43interação muito também. Fala, olha, é verdade, eu não
- 44:46tinha sentido essa fruta aqui. eu senti outras frutas, agora
- 44:50essa fruta, agora que você falou, eu tô percebendo, né, e
- 44:53assim, eu diria, a gente tem que entender tecnicamente o produto
- 44:57pra poder entregar isso, né, pra poder entregar coisas
- 45:01equilibradas, coisas elegantes, como eu falei, né, coisas
- 45:05estruturadas. Tá.
- 45:16Então a gente agora vai pegar e dar um jump, um salto pro
- 45:21futuro, digamos assim, né? Você falou, a gente voltou
- 45:24realmente no começo, falou da feirinha, você falou um negócio
- 45:27que eu acho que é essencial, que infelizmente na primeira aula do
- 45:30curso Amelie falam pra gente assim, esquece isso.
- 45:32Não abre uma cerveja e fala que ela tem o cheiro do bolo de
- 45:35laranja da sua avó. Esquece isso, essa memória
- 45:38afetiva não é importante aqui. Eu entendo, mas ao mesmo tempo
- 45:41eu fico pensando que você empobrece a experiência.
- 45:44Mas enfim, vamos falar... do futuro da fermentaria, né?
- 45:47Pensando nisso tudo que a gente conversou depois desse debate
- 45:51todo da fermentaria e da cerveja selvagem, da cerveja natural.
- 45:55O que você acha que é o caminho real?
- 45:57Que é o jeito de aproximar do consumidor?
- 46:00Talvez você já tenha começado essa resposta falando.
- 46:03É muito importante essa interação com quem não entende
- 46:07porque ela me devolve um vocabulário que vai talvez te
- 46:10ajudar a se aproximar de pessoas que não são beer geeks.
- 46:14E que tem, talvez, mais potencial de comprar o seu
- 46:17produto pela experiência que o seu produto ofereceu.
- 46:20Não porque ela sabe XYZ. Novamente, não é que não seja
- 46:23importante você não saber, ou você saber e você transmitir.
- 46:28Mas, no final, a pessoa comprou uma cerveja pra tomar e relaxar.
- 46:32Eu, inclusive, fico falando com alguns amigos que sabem muito de
- 46:35cerveja e pergunto, será que o Ketó tem prazer de tomar uma
- 46:38cerveja qualquer? Ele não chega não. não toma uma
- 46:40cerveja qualquer. Por quê?
- 46:42Vai... Ah, aqui tem oxidação, aqui tem
- 46:44papelão, aqui tem gambá, aqui tem madeira, aqui...
- 46:47Deve ser uma merda quem entende pra caceta.
- 46:49Então, chegou a pessoa que entende menos e te oferece um
- 46:53vocabulário, cara, isso é de agarrar e anotar.
- 46:55Então, conta pra mim do futuro. Fala pra mim.
- 46:57Futuro, futuro, olhando lá na frente, dois mil e cinquenta.
- 47:00É, dois mil e cinquenta, talvez não tenha mais.
- 47:04Dois mil e trinta, vai lá, dois mil e trinta.
- 47:06Seis anos. Tá brincando.
- 47:08Não, não, vamos lá. O futuro, o que eu acho?
- 47:10Eu sempre tento manter na minha cabeça essa questão de...
- 47:14Cada ano eu tenho aprendido coisas novas, tá?
- 47:17Então... Falando agora dos mitos ou do
- 47:21que a gente aprende na escola, dos blends, por exemplo, da
- 47:24cerveja. Cada ano que eu vou trabalhando,
- 47:27eu até fiz recentemente uma degustação vertical quatro anos
- 47:31da minha cerveja da casa, que é a reserva local.
- 47:34E eu falo, olha, não é tanto diferença de ano para ano nesse
- 47:39momento. É também meu aprendizado, minha
- 47:42interpretação, sabe? O que eu quis tirar de cada ano
- 47:45diferente. Cada ano está mudando...
- 47:48Sim, eu ainda acho que cada ano tá melhor do que o ano anterior,
- 47:50o que é bom, tá na curva de crescimento, né?
- 47:53Eu espero que uma hora estabilize, né?
- 47:56Mas falando aí dos mitos, no caso da fermentação espontânea,
- 48:00esse quarto ano, que é o ano que eu consigo fazer blend de um,
- 48:04dois e três anos... Pela vista, é o ano mágico,
- 48:07sabe? É o ano que as coisas começam a
- 48:10ter uma previsibilidade mesmo com a espontaneidade do
- 48:14processo. Isso significa o quê?
- 48:16O futuro é consistência, que é importante.
- 48:19Consistência sempre melhora. Então, não consistentemente
- 48:24ruim, isso não queremos. Queremos...
- 48:26Melhora contínua, sempre buscando mais equilíbrio.
- 48:29Eu já me frustrei muito nessas explicações, tentando levar o
- 48:33produto e tentando fazer as pessoas entenderem.
- 48:35Ainda me frustro, mas talvez menos.
- 48:38Já acho que o futuro é a gente continuar trabalhando e é um
- 48:41trabalho lento e é maratona, não é uma corrida de tiro.
- 48:46É uma maratona, continuamente, explicando, tentando.
- 48:50Não acredito já, não acho que isso, esse tipo de cerveja, só
- 48:54um louco acreditaria nisso, né? Não vai tomar o lugar das
- 48:57lagers. Nem quero que tome, sabe?
- 48:59Eu adoro tomar uma lager também, mesmo com papelão, às vezes.
- 49:03Não dá pra ter tudo. Não, não.
- 49:05Sabe, né? Relaxa.
- 49:08Exato. Mas levar, assim, tentar que os
- 49:11restaurantes é um lugar importante de estar, que é um
- 49:14dos objetivos que eu tinha no começo.
- 49:17Talvez não tanto mais, mas eu acho que é um lugar importante,
- 49:21assim, um lugar importante pra conversar com a gastronomia, pra
- 49:24falar com gente que é formador de opinião, pra gente que quer
- 49:27provar coisas diferentes, né? e conhecer o produto, e antes eu
- 49:31ficava pensando, essa briga com o vinho, igual o Estevam falou,
- 49:35a gente vai ficar, eu pensava, nossa, essa cerveja tem o
- 49:39potencial de substituir um vinho, agora eu já penso, ainda
- 49:43acho que tem potencial de substituir em muitos casos, mas
- 49:46eu acho que a gente precisa achar o lugar dela, ela merece o
- 49:50lugar dela, o lugar que não é entrando no lugar do vinho, não
- 49:54é entrando no lugar da lager, É o lugar dela, o lugar da
- 49:57harmonização correta, ou o modo de consumo correto, a
- 50:01experiência, né? Eu acho que quem já foi pra
- 50:03Bélgica e senta lá num bar qualquer e fala, qual que você
- 50:08quer? Eu quero maguês.
- 50:09E aí ele vem, ele te dá aquela cestinha, te dá o copo e você se
- 50:12serve. Eu acho essa experiência muito
- 50:14legal e... Não tem que ser exatamente
- 50:16reproduzida aqui, mas criar essa cultura diferente, né?
- 50:21Uma cultura de provar uma coisa. E eu acho que a gente puxando,
- 50:24tentando trazer também as cervejas ancestrais, mesmo que
- 50:27sejam, entre aspas, limpas, tá? Não ácidas, que talvez até se
- 50:32adaptem a um paladar. Geralmente tem alguma acidez,
- 50:35mas que sejam menos extremas, tá?
- 50:37Mais equilibradas. E contar essa história, né?
- 50:40E cada vez mais trabalhando isso aos poucos.
- 50:43E só pra falar do negócio de, sabe, relaxa, você não consegue
- 50:46tomar sem pensar. Como eu chamo as minhas cervejas
- 50:49de fermentação espontânea, eu chamo de Trambique, né?
- 50:53Muito bom. Esse nome surgiu por acaso, tá?
- 50:56Porque eu ia falar Lambique tradicional, que eu invasei uma
- 51:00Lambique sem carbonatação. Igual, porque Lambique não tem
- 51:03carbonatação, né? Seria só... direto do barril,
- 51:06pelo menos a versão moderna atual dela.
- 51:09E eu ia falar lambique tradicional e falei trambique,
- 51:12saiu e enrolou as palavras. E aí, claro, foi engraçado na
- 51:16hora, e aí eu falei, poxa, apesar de ser um negócio sério,
- 51:20né, pra gente, pra vender isso é sério, e tentar ganhar dinheiro
- 51:24com isso, sem dúvida, é sério, a gente tem que sempre ter aquela
- 51:27leveza, né, também, não deixar o tema tão pesado.
- 51:29E aí, sempre que eu falo, então, essa aqui é uma cerveja de
- 51:32fermentação espontânea, demora quatro anos pra fazer, E aí,
- 51:38recentemente, eu pensei, para um mercado, vamos dizer,
- 51:41internacional, aí agora, no fim, o artesanal acabou usando muito
- 51:45o termo em inglês, né? E eu pensei que até o Trambique
- 51:49poderia ser uma abreviação de Tropical Lambic, né?
- 51:52Ó! Que é uma lambique feita nos
- 51:54trópicos, né? É bom!
- 51:55Vai patentear isso agora. Vai patentear isso agora, vai.
- 51:59E NPI nele, gente. Espero que a minha esposa
- 52:01trabalhe com patente, eu vou pedir.
- 52:04Mas aí, porque assim, é uma coisa incomum, né?
- 52:07Você tem a questão da temperatura, que tem que estar
- 52:10frio. Então, os únicos lugares que
- 52:12fazem lambique… Não, lambique é só em torno de bruxelas.
- 52:16Mas que fazem cerveja de fermentação espontânea.
- 52:19Então, tudo fora dos trópicos, né?
- 52:21Isso aqui, a gente fazendo isso, é super novidade.
- 52:24E o que isso vai ser? Isso é a porta nova.
- 52:27Então, é isso. Acho que o futuro da fermentaria
- 52:30é continuar nessa luta, sempre tentando melhorar os produtos,
- 52:34trazendo experiências completas, sensorial, beleza dos rótulos,
- 52:40explicações simples, mas não simplórias.
- 52:43E agora, assim, não com o intuito de fazer propaganda de
- 52:47mim, tá? Mas fazendo propaganda das
- 52:50minhas linhas, né? Óbvio que o que me consome mais
- 52:53tempo da minha cabeça de trabalho é esse negócio das
- 52:57fermentações espontâneas. Mas eu tenho outras linhas de
- 53:00cerveja. Eu tenho a malinha básica, que
- 53:02no caso tem uma Bilsen que usa milho crioulo. que chama Pi, a
- 53:07IPA do campo, que é uma IPA que tenta simular os lúgulos
- 53:11tropicais, só que a gente usa mandioca, maracujá e capim-limão
- 53:15nela. Cerveja fácil, tá?
- 53:17Não é grande. Não é a sua IPA hypada.
- 53:20Uma IPA pra vender. E a Pi também é muito...
- 53:22Também não é uma lager, é uma levedura própria minha, mas que
- 53:25tem um perfil que lembra muito lager.
- 53:27Mas isso me ajudou muito, não só a pagar as contas, tá?
- 53:32Mas ter essa abertura de conversa em feirinhas, em
- 53:37eventos mais gerais. Porque eu começo de uma coisa
- 53:40que a pessoa entende e evoluo para uma coisa que talvez ela
- 53:43não entenda ainda. E aí agora eu estou com uma
- 53:47outra invenção, que é uma linha intermediária.
- 53:50Então eu tenho a Trambique de um lado, ponta, caro, cerveja cara.
- 53:54Pilsen e Ipa, que ainda são caras no mercado brasileiro.
- 53:58Geral, mas é muito mais barato do que a Trambique.
- 54:02E aí, agora eu tô fazendo uma mistura desses dois mundos.
- 54:05Que é fazer cervejas tipo Saison.
- 54:08Tudo levedura própria, coletada aqui num ambiente isolado.
- 54:11Principalmente de abelha nativa sem ferrão.
- 54:14Tem de outras fontes também. Então, eu tenho um banco lá de X
- 54:17leveduras. Eu conheço mais ou menos cada
- 54:19uma. Então, só isoladas.
- 54:21Não domesticadas, mas isoladas. Uhum.
- 54:24Mas aí fazer, não é só a questão de usar isso, é uma beleza.
- 54:26O perfil que eu vou te falar, eu fiz, por exemplo, uma vitibir.
- 54:30Perfil de vitibir, né, fenólico, tal, blá.
- 54:33Só que aí, pra agregar e fazer essa transição entre os dois
- 54:36mundos, fazer o método que era muito comum antigamente na
- 54:40Bélgica, fazer a tal da bière de coupage.
- 54:42Então você vai misturar Cezon, no caso, né, de lá, mas uma
- 54:45cerveja jovem com uma cerveja envelhecida.
- 54:48Uhum. E você consegue criar camadas de
- 54:51sabor, trazer acidez, por exemplo, que já é um negócio, só
- 54:55que você ainda tem essa cara de cerveja jovem, que é o que as
- 54:58pessoas reconhecem, né? Tem o amargor, tem o dulçor
- 55:00residual. E até agora, comecei agora, tá?
- 55:04Eu falei do futuro, é explorar mais essa linha, porque eu
- 55:08fiquei muito surpreso com... A recepção que tiveram disso,
- 55:12que Cezão não é um estilo que vende horrores, né?
- 55:14É um negócio meio diferente também, né?
- 55:17Mas que essa combinação do jovem, o antigo, conversou muito
- 55:22bem com as pessoas. E assim, pelo menos os exemplos
- 55:25que eu tive, os consumidores que eu tive interação, e prova
- 55:29gostaram muito e acharam que realmente era uma ponte de
- 55:32transição, então é explorar isso mais, né, continuar explorando
- 55:35isso e sempre sabores locais, nativos tentando buscar o máximo
- 55:40de Brasil e o nosso local pro copo Perfeito, sensacional Eu
- 55:46vou aqui deixar uma provocação para você e vou caminhar para o
- 55:49encerramento do programa, que é para deixar você pensando e quem
- 55:52nos ouviu até aqui pensando nisso também.
- 55:54Porque como eu crio muito conteúdo para a Hipacondria, que
- 55:56eu já deixo aqui uma sugestão de criação de conteúdo para a
- 55:58fermentaria local, para aproximar pessoas entrantes.
- 56:01Foi uma pessoa lá na feirinha, cheirou, bebeu, falou que tem
- 56:06gosto de blá, simples. filma isso, faz um monte de pequenos
- 56:10filminhos. Tem gosto de bolo de laranja da
- 56:12minha avó, tem gosto de... Pronto, faz um rios com isso.
- 56:16Você vai botar um monte de gente entendendo pra caramba da sua
- 56:19cerveja, sabendo o que esperar das suas cervejas.
- 56:22Tipo, isso aqui foi a degustação do rótulo de Minalba.
- 56:25E aí tem gosto de insípido, inodoro, incolor.
- 56:30E aí você vai ter um perfil sensorial criado pelo público
- 56:34leigo, que comunica com o público leigo.
- 56:36Mas enfim, isso é pra ficar na sua cabeça.
- 56:38A gente, por enquanto... Isso é bom, hein?
- 56:41Gostou? Gostei.
- 56:42É bom, isso é bom, rapaz. Eu sou boa nisso.
- 56:44Isso é bom, meu. Eu gostei.
- 56:46Eu vou ter que contratar alguém pra fazer isso agora.
- 56:49Não, com certeza. Isso é muito bom.
- 56:52É contato arroba hipacondríaca.com.br como é que
- 56:56é? Risos Não, eu sou mais de dar
- 56:59pitaco, mas enfim. Eu acho que a gente tem muita
- 57:02coisa a aprender. A produção de conteúdo, ela tem
- 57:03que vender o seu produto. Mas enfim, eu não vou...
- 57:06Esse é outro papo, esse é outro podcast, né?
- 57:08Nem esse podcast aqui. Bom, eu vou deixar um aviso aqui
- 57:10no encerramento do programa, que é...
- 57:12Nós falamos com a Patrícia Brentzel, que a gente já citou
- 57:15ela bastante aqui no episódio... E ali a gente começou a entender
- 57:20um pouco mais sobre os desafios que a cerveja selvagem
- 57:23enfrenta... como tentar debelá-los.
- 57:26Agora o Alan trouxe a perspectiva da fermentaria local
- 57:29e entendemos ainda mais e aqui já saímos com ideias.
- 57:32Então usem e abusem desses dois programas para entender um pouco
- 57:36mais sobre esses universos. Muito obrigada, Alan.
- 57:42Foi um prazer conhecer mais da fermentaria, saber mais de
- 57:46selvagerinhas loucas. Eu ia dar outra dica, além do
- 57:50podcast dois, é as coisas da... Eu fiz o curso da Sommelieria
- 57:56Pindorama, da Bia Morim com a Aline Smanioto.
- 57:59Sim. O curso acabou, mas eu ia
- 58:02reindicar isso aí, porque me fez pensar muito e acho que é um dos
- 58:05caminhos que a gente tem que seguir.
- 58:07Perfeito, sensacional. Bia Morim e Aline Smanioto,
- 58:09sensacional. Eu tenho uma pergunta antes da
- 58:12gente encerrar. Pergunta extremamente
- 58:14importante. Sagaz, eu diria.
- 58:17Alan, onde vem de fora de São Paulo?
- 58:20Quero tomar fermentaria. Estou em Porto Alegre,
- 58:23semi-inundada. Tem vários pontos, tá?
- 58:26Não vou lembrar de cabeça aqui. Mas escreve pra gente no
- 58:30Instagram. Eu trabalho com distribuição
- 58:33pela Hay Hopps. Ah, legal.
- 58:35A gente tem distribuição pro Brasil inteiro.
- 58:38Não tenho trabalhado ultimamente com venda direta.
- 58:41Algum e-commerce grande? Tem o Delivery.
- 58:44Baita. Tem o...
- 58:46Se eu não me engano, o Marcelo do Devaneio comprou, ele comprou
- 58:49pelo Delivery. Ele tá aí, perto aí de vocês.
- 58:52Baita, baita. Mas pode escrever pra gente.
- 58:54Eu tento encontrar... Eu converso com a distribuidora.
- 58:56A gente tenta encontrar o ponto mais perto de vocês.
- 58:59Segue a gente no Instagram. Arroba Fermentaria Local.
- 59:02E eu tento contar as histórias lá.
- 59:04Então tem um monte de historinhas.
- 59:05Perfeito. É isso aí.
- 59:07E se você... foi paciente, ouviu a gente até aqui lembre-se de
- 59:11participar conosco nas nossas redes sociais tanto no Instagram
- 59:15quanto no TikTok tem sugestão de pauta e convidado?
- 59:18manda e-mail pra contato arroba surradilupulo.com.br Kitor, a
- 59:23gente ainda não tem uma frase de encerramento nova, criada pra
- 59:27esse momento, você quer você criou alguma nessa cabeça
- 59:30genial? não, não eu joguei a provocação
- 59:33só Entendi. Então a gente costuma terminar o
- 59:36programa falando até semana que vem, porque a gente sempre
- 59:38espera que tenha um próximo programa.
- 59:39Então, até semana que vem. Até semana que vem.
- 59:50Beba local, beba com moderação. Este podcast foi editado por
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