Latest / Surra de Lúpulo / Cerveja e a sociedade brasileira. Papo com Eduardo Marcusso | Surra #163
Transcript
- 0:08Hipocondríaca apresenta? Surra de lúpulo.
- 0:15Oi, pessoal, bom dia, boa tarde, boa noite, eu sou Ludmila, mais
- 0:21conhecida no Instagram. Qual é minha quadriga?
- 0:24No programa de hoje meus amigos, nós vamos falar de um tema muito
- 0:29na pauta, está escrito tudo com letra grande, muito interessante
- 0:32e abrangente, cheia de curiosidade e muita história.
- 0:35Hoje o papo é sobre cerveja e sociedade, com Eduardo marcuso,
- 0:40geógrafo do Ministério da agricultura e pecuária mapa
- 0:43mestre em sustentabilidade do tom Geografia, sommelier de
- 0:46cervejas, home Brew, mais popularmente conhecido como
- 0:49cervejeiro caseiro, consultor da Câmara setorial da cadeia
- 0:53produtiva da cerveja do mapa. Mais de 15 anos de estudo no
- 0:57setor cervejeiro, ou seja, ele estuda a cerveja por mais tempo
- 1:00que eu tenho de vida a. Antes de pedir que o nosso
- 1:06convidado deu um alô, a gente tem o prazer de informar que
- 1:09esse programa é oferecido pelos nossos mecenas empresariais,
- 1:13Iris pei, cervejaria uçá, cerveja da casa viver, o
- 1:17Vandenberg, prússia Bier e the Beer agency.
- 1:23Agora sim, Eduardo dá um alô para galera.
- 1:26Fala galera, boa noite, é um prazer estar falando com vocês
- 1:30aí. Surra de lucro é referência, aí
- 1:33então é muito legal. Está batendo esse papo aí com
- 1:35vocês. Muito obrigado, Eduardo, seja
- 1:37muito bem-vindo e hoje eu sou o Leandro, mas vocês podem me
- 1:41chamar do Zé Carioca das hifas. Esse papo aqui é vem de um
- 1:46geógrafo, mas por uma boa pegada de antropologia, estou
- 1:49entendendo isso. Eduardo tem tendencia, irmão,
- 1:52não dá pra ser antropólogo no Brasil sem olhar pro Zé Carioca,
- 1:55tá certo, é isso, né? Eu achei tão bonitinho halo de
- 2:01falar que a vida dela começou assim que ela conheceu Ana Lu.
- 2:04A olha a declaração aí de amor. Não foi isso, não, porque se
- 2:07fosse, eu só tinha 10 anos, pai. Não, mas olha só, aceita aceita,
- 2:13aceita o bnde, estou te ajudando.
- 2:15Que dói menos? Estou te ajudando.
- 2:17Vem cá, a gente costuma beber enquanto bate esse papo aqui.
- 2:21Conta pra gente, Eduardo, você vai beber alguma coisa ou vai
- 2:24ficar na água, no suquinho? É aquele negócio.
- 2:27Vocês acham que eu vou beber uma IPA achou errado?
- 2:30Tá? Quer desculpa.
- 2:32Chuva, brincadeira aí que é isso aí, eu estou com uma heller out
- 2:36mais então pelo bloco por roupa. É um presidente, ganhei do meu
- 2:40primo, é a Câmera de aqui de Sorocaba em cerveja, vou até
- 2:43abrir, não vai sair o barulho aí, mas mas tá aqui.
- 2:45Eu gosto muito das maltadas também da cipa, mas vai estar
- 2:49apreciando aí para bater um papo com vocês.
- 2:51Perfeito também sou grande fã das Montadas, vai da ilude você.
- 2:55Bom, hoje eu estou aqui trabalhando com h 2, o minalba
- 2:58mesmo, né? Tá OK?
- 3:00Minalba pagar nós hidratando, hidratando, que é importante,
- 3:03hidratar mães. Vamos saber que que o Zé
- 3:06Carioca, Zé gotinha das ripas. Até que eu tinha bom Zé gotinha,
- 3:12tem grande chance de virar herói nacional, Hein?
- 3:14É bom, é bom, é bom, esse cara é bom.
- 3:17Eu acho total. Zé gotinha é meu pastor e nada
- 3:21me faltará mesmo, entendeu? Viva lente no meu bracinho,
- 3:24login. Enfim.
- 3:26Que que você tá bebendo por aí, Zé gotinha?
- 3:28Eu vou beber uma isen Ban IPA. À gostámos, gostámos,
- 3:33Desenbahia, gostamos. Hoje eu estou na fase banhe,
- 3:36pois gosto, vamos lá, vou abrir aqui, mas eu tô abrindo atrás do
- 3:40microfone, não vai pegar. Mesmo, não fez um.
- 3:42Então, tá. E aí, se você é fã do conteúdo
- 3:55que a gente produz por aqui, se você dá risada com as piadas que
- 3:59fazemos, se você se emocionar nas tretas que debatemos, ou se
- 4:03você aprende alguma coisa que vire um mecenas do surra de
- 4:06lúpulo por meio do site apoia.se barra, surra de lúpulo e escolha
- 4:11o apoio que cabe no seu bolso. Parte de 5 conto, 5 BRL, 5 pila,
- 4:16escolha um lugar do país e use o circo.
- 4:19Janja já passou na loja do surra de lúpulo, visto que você
- 4:25escuta, tenho certeza que temos uma estampa que é a sua cara.
- 4:29Acesse loja ponto surra de lúpulo.
- 4:31Ponto com ponto BR e compre a sua, envia mos para todo o
- 4:35Brasil. Não pode apoiar com grana agora,
- 4:38sem problemas, ajude a gente a chegar mais longe.
- 4:41Basta enviar o link desse episódio pro amigo que gosta de
- 4:43cerveja artesanal. Antropologia a sociedade de
- 4:46Geografia e qualquer porra cara ou compartilhar nas suas redes
- 4:49sociais marcando a gente. Estamos em diversas plataformas
- 4:52de streaming, mas o coração enche de amor quando rola 15
- 4:55estrelinhas, gente, pode FA, eu vou repetir, gente, 5 se for lá
- 4:58da 4, não vai, não. Agora, se fechar o combo 5
- 5:01estrelas, mais comentários no Apple podcast a gente pira de
- 5:03Alegria. As avaliações ajudam as
- 5:05plataformas a entenderem que o nosso conteúdo é relevante e
- 5:08melhoram muito a distribuição dos episódios.
- 5:22Vamo que vamo. Então Eduardo, conta pra gente o
- 5:26início da sua trajetória, da trajetória desse pesquisador e
- 5:29da pesquisa em cerveja, começa contando um pouquinho aí desse
- 5:33início pra gente ter o ponto de partida do papo.
- 5:36Bom, vamos lá como a luz falou, aí tudo isso é mais de 15 anos
- 5:39porque eu comecei lá na graduação ainda, eu fiz a
- 5:43Geografia em Rio Claro e aí vem aquele negócio, né, que você vai
- 5:47fazendo o TCC, né? Aham e você tá lá.
- 5:49O desafio é o TCC, né? E aí um amigo meu.
- 5:52Ele até hoje tem um canal no YouTube para para ensinar
- 5:55Geografia. Jean mandar um abraço para ele.
- 5:57Lá ele falou, bicho, você de Boituva, eu sou do interior de
- 6:01São Paulo, aqui de Boituva. Aham capital nacional do
- 6:04paraquedismo. Vocês quiserem de assaltar,
- 6:06estão convidados, mas aqui tem a sede do grupo Petrópolis.
- 6:11Na época, lá em 2005, quando eu entrei, isso estava numa
- 6:15ascensão. Isso impacta muito na dinâmica
- 6:19social e espacial da cidade. Então a cidade cresceu muito com
- 6:23a cervejaria aqui, né? E aí eu estudei essa relação de
- 6:26uma grande empresa numa pequena cidade, então foi muito
- 6:29interessante estudar. Nesse período, isso foi me
- 6:34colocando também na ideia de fazer curso de sobre cerveja,
- 6:39buscar atrás de de referências da cerveja artesanal.
- 6:43E, em 2005, o negócio era muito o primórdio assim, né?
- 6:47Tinha pouca coisa. Poucas cervejarias e poucas
- 6:49referências também. A gente não sabia onde buscar,
- 6:51onde pesquisar. Até hoje temos a diferença, a
- 6:53gente, cada um vai colocando o seu tijolinho, né?
- 6:56Mas aí eu, na época, era professor de Geografia.
- 7:00Eu formei feria, professor, Geografia e continuei estudando
- 7:04isso e pesquisando. E aí em 2003 eu entrei no
- 7:07mestrado aqui em Sorocaba, não UFSCar estudando.
- 7:10As pequenas cervejarias e mais uma questão de sustentabilidade
- 7:14foi quando eu me formei semelhante cerveja pelo icb, em
- 7:172015. Defendi meu mestrado e aí eu
- 7:20passei no concurso do Ministério da cultura em 2016 e aí eu fui
- 7:24trabalhar na área de bebidas por conta do meu mestrado.
- 7:26Então academia ajudou também na minha colocação lá dentro do
- 7:30Ministério. Quando eu cheguei lá, o pessoal
- 7:32falou a ser geógrafo, você trabalhar na pesca?
- 7:36E nada de pesca dismal pegam Lambari aí e aí?
- 7:40Mas como um colega nosso, Carlos Muller, colega do mapa que é
- 7:45cervejeiro, né? Cervejeiro na Alemanha e desde
- 7:48muito negócio falou, pô, já li só o seu mestrado, pô, conversou
- 7:52com o chefe e tal. A gente conseguiu fazer isso,
- 7:53então o início da da trajetória foi esse, depois para Brasília e
- 7:58aí trabalhei na área de bebidas, aí tem o doutorado, aí já é
- 8:02outra etapa, mas o início assim foi essa ligação entre a
- 8:06trajetória acadêmica e está numa cidade em que a cerveja ela
- 8:10ajuda a organizar o espaço, né? Então pra você ter uma ideia
- 8:12aqui, de termos de curiosidade, o grupo Petrópolis é a 12ª maior
- 8:17cervejaria do. Mundo?
- 8:18Legal. Então é um negócio, não é
- 8:21brincadeira. Não é brincadeira.
- 8:22Está passando por uma situação aí de recuperação judicial, mas
- 8:26o negócio é muito grande para quebrar, né?
- 8:27O pessoal até fala se alguém vai comprar ou não, mas é a planta
- 8:30está aí, é uma das maiores plantas do Brasil EE Boituva.
- 8:33Por causa disso, é a cidade que mais gera emprego em cervejaria
- 8:36no país legal, então essas coisas vão criando as condições
- 8:40para nascer pesquisadores nessa área, né?
- 8:42Quer dizer, onde a cerveja está dinamizando, está criando as
- 8:45coisas. Ao pesquisador, ele lançou os
- 8:48olhos. Total, eu acho muito legal você
- 8:50ter comentado isso pra gente já partir para a segunda pergunta
- 8:53na sequência. Mas esse ponto que você falou
- 8:55que eu acho que é importante a gente dar 11 holofote.
- 9:00Que é como uma grande indústria, e a gente está falando de
- 9:03cerveja aqui, mas como uma grande indústria pode mudar a
- 9:06cara de uma cidade pequena? E aí a gente está falando uma
- 9:09grande indústria, mas se a gente brevemente tocar no assunto de
- 9:12como a cerveja mesmo artesanal, pode mudar a cara de uma cidade,
- 9:17vou dar um exemplo aqui da querida Deborah.
- 9:20Lê, nem com a proa que foi lá onde não tinha nem Mato, abriu a
- 9:24proa em Lauro de Freitas não tinha esgoto, não tinha isso,
- 9:27não tinha água, não tinha nananan, abriu fábrica tá aberta
- 9:30e agora acabou de abrir o brewpub da mindu Bier.
- 9:33Lá também, ou seja, a possibilidade daquilo ali virar
- 9:35um polo cervejeiro artesanal é muito grande e o benefício há
- 9:39não é como. O grupo Petrópolis, em Boituva,
- 9:42que gera uma quantidade de empregos absurda, mas traz uma
- 9:45segurança, traz uma melhoria para aquela região e et cetera.
- 9:49Então, gente, qualquer fábrica que se instale com
- 9:51responsabilidade vai trazer melhoria.
- 9:53Então a cerveja está ali, né? Em qualquer nível, fazendo uma
- 9:56comparação de uma grande indústria para uma pequeníssima
- 9:59qualquer nível, ela vai trazer essa melhoria e vai trazer esse
- 10:02interesse que você falou de estudar, então, o redor ali, o
- 10:05que vai ter de gente aprendendo a aprovar cerveja boa, a
- 10:09trabalhar com cerveja, aprender o ofício do cervejeiro,
- 10:12cervejeiro e, et cetera, não tá no gibi.
- 10:15Eu acho que essa é o high, que era importante a gente deixar
- 10:18aqui, né? Nós gostamos de apresentar a
- 10:22inovação em melhorias no mercado cervejeiro e hoje não vai ser
- 10:27diferente. A Iris peixe, que é nossa
- 10:29apoiadora em todos os projetos deste ano, tem o maior e mais
- 10:33completo sistema de auto serviço do Brasil.
- 10:36Eles possuem atendimento em todo o território nacional e oferecem
- 10:40suporte completo aos seus clientes e usuários.
- 10:43Já pensou ter mais pontos de venda para mostrar sua marca e
- 10:46vender 24 horas por dia sem preocupações?
- 10:51Aí, respeito trabalha com sistema de cadastro, com
- 10:53validação de maioridade, com a mesma tecnologia dos bancos
- 10:56digitais, proporcionando total segurança para o seu negócio.
- 11:01Venha conhecer essa experiência inovadora e começa a lucrar com
- 11:04o poder do auto serviço de bebidas.
- 11:07Saiba mais acessando www.irispeixe.com.br.
- 11:18Bom, na sua tese, que seja, a gente já falou que tem um
- 11:21mestrado, aí tem um doutorado na sua tese, você aborda a relação
- 11:25da cerveja com a cultura e a Geografia.
- 11:27Então, se eu podia falar pra gente um pouco do que você chama
- 11:31de território da cerveja, o que que seria isso?
- 11:34Antes de responder essa segunda luz, você tocou num ponto muito
- 11:37interessante, que é o seguinte, a grande, ela tem esse impacto
- 11:40de milhões, bilhões de investimentos, né?
- 11:43A gente vê notícias aí, ó, abrir uma fábrica em Minas Gerais.
- 11:46Beyoncé abriu uma fábrica no nordeste bilhões.
- 11:48O rune, só que o pequeno, ele tem uma coisa que o grande nunca
- 11:51vai conseguir, também liga com essa pergunta.
- 11:53Território da cerveja que essa questão cultural do seguinte,
- 11:56por exemplo, essa cerveja que meu primo me deu, ele vai na
- 12:00cervejaria kamerad e ele compra do dono.
- 12:02Ele compra do cervejeiro. Ele pergunta da receita.
- 12:06Ele interage de uma maneira com a cerveja que a grande nunca vai
- 12:10conseguir, nunca vai conseguir. Ela, a grande tenta comprar as
- 12:13pequenas, né? Para para lançar suas artesanais
- 12:16e tal, mas ela nunca vai conseguir essa relação de
- 12:19intimidade e proximidade, de intimidade, de solidariedade,
- 12:23de, de simbolismo que tem a pequena, porque a pequena você
- 12:26vai lá na cervejaria do cara, você conversa com o dono, você
- 12:30conversa com o cervejeiro, pô, aqui do lado do Votorantim, do
- 12:33lado de Sorocaba, tem a bamberg. Ou você vai lá no Alexandre lá,
- 12:37ou o pessoal. Eu entrevistei no doutorado, ele
- 12:39falou que, pô, a bamberg ganha prêmios, cara, vai lá comemorar
- 12:42por Alexandre, ganhamos e tal. Quer dizer, é uma coisa que a
- 12:46pequena ela traz essa. Essa questão do desenvolvimento
- 12:50local, de baixo para cima, né? Não é um negócio de cima pra
- 12:55baixo que vem investimento, foi bilhões lá e o negócio, claro
- 12:57que vai movimentar a cidade, mas de baixo para cima, é uma outra
- 13:00relação. É, você personifica.
- 13:03É a cerveja, a cerveja tem a cara de uma pessoa, eu citei a
- 13:07proa da Débora, lê, nem você citou a bamberg do Alexandre.
- 13:11Aí você citou, então, álcool Focus tem a cara do Pedro e do
- 13:15Vinícius e et cetera. Verace, do Túlio.
- 13:18Da rueira tem a cara da Fernanda e do Bruno e assim
- 13:21sucessivamente. Sim, essa é muito importante
- 13:23destacar hino para a questão do doutorado.
- 13:25Então eu estava lá em Brasília. Eu me mudei pra lá e aí eu
- 13:29falei, bicho, caçar coisa. Pra continuar essa pesquisa de
- 13:31cerveja, né? E aí fiz o doutorado na UnB e
- 13:35trabalhando na área de bebidas. Isso me ajudou muito a ter
- 13:37contato com as pessoas do setor e tal, e aí eu fui desenvolvendo
- 13:41essa ideia. No território da cerveja, porque
- 13:43no mestrado eu trabalhei territorialidade e a cervejaria,
- 13:47isso quando você vai falar de território é o conceito mais
- 13:49amplo na Geografia que requer mais teorização em cima, né?
- 13:53Porque o conceito muito antigo, dentro da própria Geografia, e a
- 13:56gente conhece essa questão do território político lá,
- 13:59território do Brasil, o território da cidade, território
- 14:01do estado. Mas o território na Geografia
- 14:04era, tem essa característica, não só política, mas econômica e
- 14:09cultural. Então a gente aborda a idea de
- 14:13território da cerveja no sentido de como que a cerveja organiza o
- 14:18espaço, as trocas, os movimentos das pessoas e das coisas e do.
- 14:23Capital nos aspectos econômicos, culturais e políticos, né?
- 14:27Porque território é poder é poder.
- 14:30Então por que que o território do Brasil é do Brasil?
- 14:32Porque tem um poder ali, por que que existe o território das
- 14:36grandes cervejarias? Existe um poder ali, por que que
- 14:38existe um território das pequenas?
- 14:40Existe um poder, então, por exemplo, como a gente estava
- 14:43falando aqui em questão, a gente citou o nome dos donos das
- 14:45cervejarias, Hur um poder mais cultural e das grandes, é mais
- 14:49econômico, total, então você tem esses aspectos que você vai
- 14:54pontuando na minha tese. Eu coloquei territórios da
- 14:56cerveja pilsen e territórios, da cerveja artesanal e aí você vai
- 14:59conseguindo mapear onde estão cada uma delas.
- 15:02Por exemplo, no Carnaval Carnaval, meu irmão é território
- 15:06da cerveja pilsen, é grandes blocos e volume, aquela coisa,
- 15:10milhões de pessoas, consumo rápido é você tem é no nordeste.
- 15:15As Festas Juninas milhões de pessoas, é os patrocínios no
- 15:20interior do país e tem os rodeios, tem mais de 1000
- 15:22rodeios no Brasil. Quer dizer, onde tem gente onde
- 15:25tem massa população, as grandes estão lá porque sabe que vende e
- 15:29as pequenas, elas vão nessa relação do simbólico nessa
- 15:32relação do pertencimento que a gente falou aqui e nessa questão
- 15:35do hábito, pô, vocês prestam um grande trabalho aí para o quê?
- 15:39Criar esse hábito de falar de cerveja artesanal, de explicar,
- 15:44de trazer? Uma coisa legal pro pessoal
- 15:47entender, por que que vale a pena, quais são as coisas que
- 15:50vão ajudar a impulsionar a cerveja artesanal, né?
- 15:53Então são essas coisas que vão moldando, como a cerveja ajuda a
- 15:56organizar o espaço e uma coisa que a gente tem que entender,
- 16:00que a cerveja, ela não está fora da sociedade.
- 16:02Às vezes a gente fica nessa bolha, né, de achar que a gente
- 16:04está aqui na cerveja e tal. Mas a cerveja faz parte da
- 16:08economia, faz parte da sociedade, sim.
- 16:10Então ela caminha junto com as questões de poder, de economia,
- 16:14de dinheiro, sem investir na cerveja artesanal é caro para
- 16:18quem produz e para quem compra, né?
- 16:19Sim, e eu queria entender uma coisa que você começou a
- 16:22explicar agora e você falou uma palavra que chamou muito a minha
- 16:25atenção, que eu achei legal. Conectando também com a primeira
- 16:28pergunta, né? Você falou que começou o seu TCC
- 16:31porque você entendeu ali o papel do grupo Petrópolis na cidade.
- 16:35Quanto de emprego ele gerava, como é que ele impactava?
- 16:38Não sei o que tal pá, pá, pá. Aham quando você fala do como a
- 16:41cerveja participa ou ativa territórios é como um
- 16:46disparador, é como elemento de agregação, é como elemento de
- 16:51ritmo, o que que significa esse o como ela participa desse
- 16:56território e se ela tem sempre esse papel como protagonista?
- 17:00Porque a gente falou de muitas festas, se a gente não tivesse o
- 17:03hábito de cerveja, a gente poderia tá bebendo cachaça
- 17:05nessas festas? E aí, como é que é isso?
- 17:08Tá? Essa questão da organização de
- 17:10espaço, né? Porque a Geografia ela, ela
- 17:11trata disso, né? Do espaço geográfico.
- 17:13Então, assim, a cerveja, a gente estuda os pontos em que a
- 17:18cerveja tenha relevância, tá? Então, por exemplo, o bairro do
- 17:21Anchieta e no Rio Grande do Sul é um bairro que tem 15
- 17:25cervejarias, um bairro, então você tropeça em cervejarias, né?
- 17:29Tem o tour que eles fazem Nova Lima, em Minas Gerais, o Ho c
- 17:33tem no estado de São Paulo, aqui você tem as rotas cervejeiras, a
- 17:37rota de Sorocaba, rota de Sorocaba, tem 17 cervejarias,
- 17:40legal não são todos que estão na rota, mas você tem a rota do Rio
- 17:43de Janeiro, a Serra e a gente trabalhou muito com isso lá na
- 17:46Câmara setorial também. Fizemos reunião com o Ministério
- 17:49do turismo e tal, então assim, onde que a cerveja?
- 17:52Ela ajuda a organizar o espaço, porque a cerveja, ela assim, ela
- 17:55está no botequim, ela está na padaria, ela está em todo lugar,
- 17:58é aquele negócio, tem os estudos das grandes, falam que elas
- 18:01atendem 99% dos domicílios no Brasil, porque onde você pediu
- 18:06uma cerveja, vai ter você está andando na estrada, ela não tem
- 18:09nada para no botequim, que que vai ter lá cerveja e
- 18:12refrigerante? É o quê?
- 18:14Bebidas aham, se você olhar, você falou essa questão de
- 18:17organização do espaço, por exemplo, é a parte econômica, de
- 18:20geração de empregos no setor de bebidas no Brasil, gera 120000
- 18:23empregos diretos na fábrica, setor deles como um todo,
- 18:26alcoólicos não alcoólicos. Isso tem um efeito multiplicador
- 18:30120000 vezes indiretos. Vai dar milhares, centenas,
- 18:35quiçá milhões de empregos e desses, 120000 você tem
- 18:39alcoólicos e não alcoólicos, metade é alcoólicos e metade não
- 18:44alcoólicos mais ou menos assim, por cima dos alcoólicos, metade
- 18:47é refrigerante, metade é cerveja, une a cachaça e o
- 18:50vinho. Eles ficam num patamar muito
- 18:53abaixo, que nem é. É a água também ou não
- 18:56alcoólicos, refrigerante, água, mas refrigerante menos água.
- 18:59Por incrível que pareça o rumo, então a cerveja era, organiza o
- 19:02espaço a partir do momento que ela dinamiza os territórios aos
- 19:06espaços, as pessoas, as trocas dos.
- 19:09Fluxos então, por exemplo, o processo da cerveja na Alemanha
- 19:12mais fácil, porque ela está em todo lugar, você tem um mapa do
- 19:15território da Alemanha dividido, a você tem lá no sul.
- 19:19Lá a questão em Munique, aí em Berlim está mais no norte.
- 19:21Aí você tem a região lá da alt Bier com a coxa e tal.
- 19:25Você tem um mapa mais delineado, porque os caras tão lá milhares
- 19:29de anos, né? O ruim agora no Brasil, isso é
- 19:32mais recente, então você vai mapeando isso e a gente tenta
- 19:34buscar no passado, aí é mais difícil o Sérgio bateria que
- 19:39foi, trouxe bastante coisa pra gente conversar.
- 19:42A gente tá escrevendo um livro junto com uma colega lá de Santa
- 19:45Catarina, Sílvia, e maneiro, então aí fica um pouco mais
- 19:48difícil, porque. O Brasil é um país muito jovem,
- 19:50né? Mas a cerveja é importante no
- 19:53mundo inteiro. Legal.
- 19:56Ó. Você tinha deixado aqui só umas
- 20:03observações para a gente tocar nesses assuntos.
- 20:05Não é invenção do chopp. E da Mao ZBA?
- 20:08RA mouse Beer, na Europa, fala disso aí um pouquinho pra gente
- 20:11aí. Na Europa e no Brasil é porque
- 20:13assim, quando a gente falou das questões econômicas, políticas e
- 20:17culturais, quando a gente vai avaliar a cultura, como que a
- 20:20cultura contribui na formação território de cerveja, a gente
- 20:23tem que ver como que o hábito tomar cerveja no Brasil.
- 20:26Estabeleceu locais de preferência, então quem ajudou
- 20:31isso foi isso é um exemplo de Curiosidades, mas que ajudaram
- 20:35também nesse processo. É o chopp ia, mouse Beer.
- 20:38O chope é uma invenção Brasileira, né?
- 20:40Porque o nome chope tal porque você vai lá fora há um tempo,
- 20:44né? Então, na torneira não tem
- 20:46chope, que é show, só que isso é tão cultural que está na norma
- 20:50do Ministério da agricultura, né?
- 20:52Sim, são normativa que regulou o padrão de identidade e qualidade
- 20:55da cerveja. Você tem uma chope, mão de vir,
- 20:57porque a cultura do Brasil for criando esse hábito e esse
- 21:02hábito organiza o território de de você pedir o chopp é uma
- 21:06regra, tá lá chope, não pasteurizar EE qual que é a
- 21:09história disso? O chopp ele vem de um vocábulo
- 21:12alemão antigo que é chope, que é a unidade de medida, que é 500
- 21:16ml. Porque lá na Alemanha é tanta
- 21:18certeza de que eles não pedem cerveja, eles já pedem a medida,
- 21:21já me dá meio litro, me dá 1 l que?
- 21:25Há gentileza. Foi o mesmo?
- 21:27É, porra, me dá meio litro. É dá 1 l aí que é que é o mesmo?
- 21:31Né? Aham.
- 21:32Aquele copão lá da da Oktoberfest.
- 21:34Aham, quero ficar imensa, imensa, porque qualquer tradição
- 21:37deles sentar no Bear Garden. Está tomando?
- 21:39Cerveja, e aí, no bergamini, serve a cerveja da casa, e aí
- 21:43então eles não vão pedir qual cerveja eles vão pedir pra
- 21:45quantidade? Eu quero meio litro, eu quero 1
- 21:47l e Dale cerveja, urro. Então isso no Brasil se tornou
- 21:52uma cultura que se chega ao ponto de alguns bares, você.
- 21:57Pediu um chopp com mais colarinho, com menos colarinho,
- 22:00porque cremoso. A extração do seu 2 cria aquela
- 22:04cremosidade que é diferente da garrafa total.
- 22:07Isso aí é. Não precisa ver esse a lista
- 22:09para saber desse mais é não tem gente que vai pra Estados Unidos
- 22:13e fica puta porque não recebe chope com creme, não recebe seco
- 22:16com fio de cabelo ali. Tradição inglesa lá que o
- 22:19serviço tem, que apresentação, a gente fica com ódio.
- 22:22Então no Brasil você tem essa tradição e você tem lugares que
- 22:27você pode pedir só o creme no bar do pinguim no Ribeirão Preto
- 22:31você eu quero um copo de sol creme, aí eles coloca lá a
- 22:34torneira para trás, só veio o creme, por que que existe uma
- 22:37torneira dessa? Porque o povo pede porque o povo
- 22:39pede porque é um. Hábito, sim, é cultural.
- 22:41Total cultural, cultural. E isso organiza um território,
- 22:44porque a cultura organiza o território perfeito.
- 22:47Muito bom, pô, até o Michael Jackson, não o da Pepsi lá, né,
- 22:51do show. Mas o Michael Jackson, o
- 22:55jornalista, ele vê no Brasil 1999, ele foi aonde ele foi,
- 22:59onde tinha servido de hexanal Ribeirão Preto.
- 23:01Mas você não consegue visitar Ribeirão Preto?
- 23:03Você ir no pinguim, une ele foi lá na Colorado, lá do Marcelo
- 23:06Carneiro. Mas foi no pinguim.
- 23:07O que que ele gostou do chope? Claro.
- 23:10Lá no site dele, lá no site dele.
- 23:12Lá ele gostou do chope. Pinguim, porque isso aí não tem
- 23:15lá para eles ainda mais. Ele quer inglês lá não tem, é é
- 23:19outra coisa, é cultural e amausi birr é uma história mal contada
- 23:23no Brasil, assim, né? Existe a lenda, sim, de que ela
- 23:27é uma cerveja de massa aí 11 American.
- 23:31Vai, te larga que deu errado, se enfia caramelo se trata de
- 23:35açúcar, sentia alguma coisa aí e põe pra vender o rum.
- 23:39Isso pode acontecer, pode. Ninguém está lá para saber, né?
- 23:42Mas a origem disso é bem curiosa, EE pouco comentado, na
- 23:46verdade, fazer uma pesquisa bem assim exploratória para
- 23:49descobrir isso que ele tem que entrar lá no site em alemão, né?
- 23:52E aí tá ali, Google Tradutor não é, vai se salva, não tem como,
- 23:57né? Bom, não dá inglês, a gente
- 23:59arranha, mas ela é mão, não dá, então a mouse ba aí como
- 24:03pesquisador, você tem que ir nas Fontes seguras, porque se não
- 24:05meter lá mouse, berne, internet, dá um enter, sai um Monte de
- 24:08coisa, mas e aí? Sim, aí o critério.
- 24:11Científicos tem que dar referência segura, né?
- 24:13Então eu fui no Oxford lado do garante óleo, né?
- 24:16Você mete, mouse Bear lá sai mouse Bear no verbete, baby Bear
- 24:21o rock é um estilo que tá no bizu, seicho no guia do Bezos.
- 24:25Esse eixo tem a vertente belga e alemã como todas as cervejas,
- 24:29tem suas Vertentes, o russo área dinâmica e essa é uma cerveja na
- 24:33Bélgica, uma cerveja que podem receber a adição de açúcar, uma
- 24:36cerveja leve, uma cerveja de cor Âmbar para escuro, que a
- 24:41tradicionalmente é chamada fogo, vir de 1 a 3% de algo, quer
- 24:44dizer, não seja leve né? Aham e lá é engraçado que tem o
- 24:48relato lá no box. E aí eu fui confirmar isso nos
- 24:52sites e tal, e aí tem lá muitos belgas mais velhos se lembram
- 24:56com carinho de como foram apresentados a cerveja para os
- 24:59seus pais no almoço de domingo, com um cofre de tafelberg que
- 25:03aquele negócio, cerveja de 1% e tal Domingão, calor Do Me
- 25:07engano, a família lá, aquele negócio, molhar o dedinho na
- 25:10espuma dá um golinho. Aham.
- 25:12Na década de 80 é. Normal, total.
- 25:14Apenas mais um domingo familiar. Otá.
- 25:18Mas no domingo, só mais uma macarronada com cerveja.
- 25:21E da onde vem isso? Porque lá no desenvolvimento da
- 25:23cerveja, você teve um movimento muito de temperança contra o
- 25:27álcool, né? E tal.
- 25:28E aí eles fizeram os tônicos, né, com ervas e tal, e aí?
- 25:31A TAF ouvir era esse tônico pela cerveja.
- 25:34Então os cervejeiros criaram seu tônico pra dizer, olha, você que
- 25:36tem menos álcool e tal, que é tudo uma questão de mercado
- 25:39também, né? Assisti-las vão se criando para
- 25:41se adaptar ao mercado total e na Alemanha a história é sempre
- 25:45mais profunda, né? Porque os caras estão missa
- 25:47milhares de anos e aí lá a malzbier ela vem da
- 25:51braunschweiger mundo, isso é uma coisa que eu não conhecia e eu
- 25:56fui pegar os livros aí nas referências.
- 25:58Broche Wagner é uma cidade perto de renovar lá na Alemanha que
- 26:02fazia parte da liga hanseática, que dominava o mercado no norte
- 26:06da Europa e os portos e os comércios e as viagens
- 26:10ultramarinas tanto na Alemanha como na Holanda.
- 26:14E os países que dominavam o comércio ultramarino no século
- 26:1817 1600-1700, e que essa cidade fez uma cerveja forte, escura,
- 26:23nutritiva, para aguentar a viagem ultramarino.
- 26:26Aí estuda muita a história da IPA.
- 26:28O Huck precisou aumentar A Carga de lúpulo e carga de água para
- 26:32aguentar a viagem RAM. Esses é a mesma coisa lá em
- 26:35broche. Vargas, então tem relatos aí.
- 26:38E eles falando que essa cerveja era boa para a saúde, porque,
- 26:43porque quem tomava a cerveja mais fraca podia estar
- 26:45estragado. O cara passava mal que tomava
- 26:47essa não porque o negócio fica 3 meses lá.
- 26:49Na temperatura normal, tem que ter muito álcool para poder
- 26:53sobreviver essa viagem, né? Então ia passar do tempo, da
- 26:56mesma forma que a lei da pureza alemã proibiu as coisas por
- 27:01causa de falsificação lá também. Lá também tinha falsificação
- 27:03dessa cerveja e é muito mal. Te então era muito caro, o
- 27:06pessoal começava a colocar outras coisas, estava para
- 27:09vender para falsificar é pessoal, foi restringindo,
- 27:11criando regras, e essa cerveja foi virando menos álcool, menos
- 27:15malte, e aí foi evoluindo para uma cerveja.
- 27:18Hoje, a cabrocha vai ter lá em na Alemanha, ela é usada para a
- 27:21culinária, ela não usada, nem mas para beber, porque houve
- 27:25essa evolução do do estilo. Mas a mão sibir vem dessa
- 27:28característica. Uma cerveja escura tem
- 27:31propriedades de saúde, então isso veio para o Brasil com os
- 27:36alemães, porque ali perto também tem Porto de Bremen, o Porto de
- 27:40Hamburgo, que é onde saiu muitos alemães que vieram pro Brasil no
- 27:43século XIX. Perfeito.
- 27:46Bom, eu já aprendi então que quando veio para o Brasil há
- 27:49broche, Bia, broche Wagner, pros ver.
- 27:51Ela é usada para culinária, beleza, está tranquilo e tal.
- 27:54Até a Phoebe. Ela quando chegou aqui, virou o
- 27:56tafi mãe, beleza, já entendi isso que diziam que tinha
- 27:59álcool, afirma. E lá um antigo está firma aí.
- 28:02Para quem tem idade, reconhece. Mas você falou uma parada
- 28:05exatamente a lei da pureza tal, e aí eu queria entender isso.
- 28:07A relação da política com a cerveja.
- 28:10Como é que a gente pode entender esse movimento é isso, está na
- 28:14história da cerveja desde os primórdios, né?
- 28:16É a política, tá onde o dinheiro tá, né?
- 28:20É a política veio para organizar isso um pouco, né?
- 28:23Então, assim por sobretudo no Brasil atualmente, nessa questão
- 28:26da política e do dinheiro, né? Isso é um pouco aquela vertente
- 28:30ali da questão política, da criação do território, ou seja,
- 28:33a política exerce então o território tem o seu caráter
- 28:37normativo ruim, ele vai criar normas para produção dos bens e
- 28:43serviços, dos fluxos de pessoas de capital que organiza o
- 28:45território. E todos setores sofrem isso.
- 28:48E a cerveja também. E a cerveja?
- 28:50Ela tem uma característica interessante, porque em todos os
- 28:53países, pensando agora em América do sul, todas as
- 28:55cervejarias são do século 19, 1800-1800.
- 28:59Vai no Chile, 1800 vai na Argentina 1800, porque é quando
- 29:03vê a imigração e aí os imigrantes falaram, não vou
- 29:06produzir a cerveja que eu bebo lá do jeito que dá aqui, né?
- 29:10Às vezes não tem mal de que eu quero não ter o lucro que eu
- 29:12quero, eu vou dando meu jeito e isso aconteceu no Brasil, então
- 29:16foi crescendo essa produção nacional.
- 29:19Aí você tem um muito mão debate sobre a indústria nacional,
- 29:22quando começa o primeiro surto industrial no Brasil, lá no
- 29:25final do século 19 é quando. Começa o debate entre as
- 29:28pequenas e as grandes, porque a cerveja artesanal que a gente
- 29:32falou hoje, antigamente era a cerveja de alta fermentação.
- 29:35Hoje não divide assim, antigamente você dividir, porque
- 29:38imagina se eu conseguir gelo em 1850, o cara vinha gelo da do
- 29:43Canadá. Navio vinha gelo, você comprava
- 29:47x chegava, não retarde para colocava a palha.
- 29:49Tem dizia que ele quer lá, né? Sorvetes?
- 29:52Essas coisas eram da modernidade, então o discurso da
- 29:55modernidade era muito sedutor, imagina você que é coisas novas,
- 30:00né? Você estava 1800 no Brasil, CA
- 30:03população é rural, quem está na cidade que é novidade, o Brasil.
- 30:06Ele sofreu um surto de modernidade muito rápido.
- 30:09A Europa foi se modernizando, lentamente, feudalismo.
- 30:13Comercialização capital em cidades Brasil e tome metrópole.
- 30:17Tome modernidade, tome serialização.
- 30:20E aí, cara? Isso gera problemas sociais que
- 30:23a gente vive até hoje. Mas voltando no caso da cerveja,
- 30:26então os primeiros alemães chegaram, os portugueses vieram,
- 30:29você tem começo 1820, 930 primeiros relatos aí de cerveja
- 30:34no Brasil, de forma de sanar o cara vai lá, produz cerveja no
- 30:38Fundo de Quintal, vende pros amigos, tem a festa lá da da
- 30:41comunidade dele e tal, e aí começa isso, virar o mercado
- 30:45começa a vir investidor, por exemplo, a Brahma, no Rio de
- 30:49Janeiro, e a Antártica em São Paulo, que são os expoentes das
- 30:52grandes. A Antártica começou com uma
- 30:54fábrica de gelo. E aí estava ocioso lá o gelo.
- 30:57Ele, pô, aí eu vou servir dinheiro, precisava de dinheiro?
- 31:00Ele estava ocioso, falou. Vamos juntar aí.
- 31:01E aí, fizeram lá à tarde, mas só alavancou quando um investidor
- 31:08do Porto de Santos, que tinha bala por causa da exportação,
- 31:11entrou com um recurso e aí trouxe o que?
- 31:14Máquina de frio, trazendo máquina de frio.
- 31:16Aí você consegue fazer baixa fermentação, é quem consegue
- 31:19fazer baixa fermentação. Só quem tem dinheiro e aí começa
- 31:21a disputa das pequenas quase grandes e o estado regula o
- 31:25poder, ele é o poder também regula essas conflitos e
- 31:28interesses do poder. Então você tinha as pequenas e
- 31:30as grandes, então as pequenas, elas de alta fermentação e as
- 31:33grandes de baixo. E aí, você tinha uma diferença
- 31:36de imposto. Isso é uma coisa que a cerveja
- 31:39personal luta até hoje e é difícil.
- 31:42A gente está lá naquela setorial debatendo com as grandes.
- 31:44As grandes não têm grandes problemas nessa diferenciação,
- 31:48porque a luta lá em cima, né? Sim, é o de baixo.
- 31:51Ele precisa de ajuda, porque ele é um empreendedor por natureza,
- 31:54né? O cara tá lá desbravando, é
- 31:57complicado empreender no Brasil e aí você tinha uma diferença de
- 32:00imposto das meios para os lados, porque por causa de volume de
- 32:03posição você produz muito mais, você vai pagar mais, o cara que
- 32:06vende ali no Armazém dele e tal, e aí as associações desses
- 32:10produtores foram se organizando e, por incrível que pareça.
- 32:14As grandes cervejarias elas conseguiram se organizar em
- 32:201940. No site serve tem até hoje os
- 32:23índices e em 1948, a diferença da deputação acabou.
- 32:28Então cerveja é tributária igual?
- 32:30E aí, se eu sou tributário igual aos grandes, eu não vou
- 32:33conseguir competir. Entendi.
- 32:34Então, em 1940 você tinha 200 cervejarias no Brasil, você só
- 32:39voltou a ter 200 cervejarias no Brasil em 2010.
- 32:41Cara, porque depois disso aí você tem uma queda grande do
- 32:47número de cervejarias. A expansão vertiginosa da Brahma
- 32:50e da Antarctica, e você tem essa concentração de mercado.
- 32:53E diminui ção dessa diversidade que a cerveja artesanal ou a
- 32:58cerveja de baixa fermentação trazia na época que é isso que a
- 33:01gente tava falando aí no botequim do seu Manuel comer lá
- 33:05os quitutes lá que veio de Portugal, outro da Itália, o
- 33:09alemão que tem lá o chucrute dele e tal, e tomar cerveja que
- 33:12ele faz agora muito mais fácil, barato tomar uma Bruno Antártica
- 33:16que já tem uma estrutura, uma distribuição, preço mais barato,
- 33:19e aí é centralização do capital. Para ilustrar essa diferença, a
- 33:24gente tem AA curiosidade da cervejaria Santa Maria, no Rio
- 33:28de Janeiro, na rua da carioca. Ali, vocês sabem melhor do que
- 33:31eu? Sim, 1912 o jornal foi lá e
- 33:34falou, ó. E essa cervejaria de baixa
- 33:36fermentação de alta fermentação, essa artesanal, ela não tem
- 33:39higiene, está no domínio das ratazanas e era o slogan deles.
- 33:44E aí o jornal concorrente falou, não, não, não.
- 33:46Eu fui lá, não é isso? Não conheço o cara, tá tudo
- 33:49limpinho. Mandaram um médico sanitarista
- 33:51pra dizer, olha, não é tudo tranquilo e tal.
- 33:54E aí mais a polícia foi lá e proibiu a venda no salão da
- 33:58cerveja. Então existe uma relação de
- 34:00poder entre essa relação das grandes e pequenas e isso
- 34:04impactou nas grandes e pequenas cervejarias do Brasil.
- 34:07Nossa, eu achei sensacional que você falou que, sei lá.
- 34:09Em 1948, 1940, a gente tinha 200 cervejarias no Brasil e a gente
- 34:14só voltou a ter esse número em 2010.
- 34:16Et cetera, é muito legal, é terrível e muito legal.
- 34:19Ao mesmo tempo a gente entender a história que aconteceu e ela
- 34:22acontecendo novamente. Eu espero que a gente consiga
- 34:24sair diferente dessa vez, né? Nesse outro momento da história.
- 34:36Para a gente dar prosseguimento desse papo que fala tanto de
- 34:38sociedade, cerveja. Aí eu achei que esse assunto é
- 34:40interessante, por isso que ia trazer essas maluquices, essas
- 34:43Curiosidades pra gente, né? Aí sobre a sua nova pesquisa
- 34:47sobre a trajetória etílica Brasileira, conta pra gente como
- 34:51é que chegou nessa ideia? E como é que ela se desenvolve?
- 34:54E aí você vai contar pra gente dentro dessas respostas que vai
- 34:56ser um bloco de 3 perguntas, sendo 2 que vão ao ar aqui pra
- 35:00todo mundo e uma que é extra que só os nossos merceana vão ouvir.
- 35:04Então, primeiro você vai contar um pouco dessa trajetória
- 35:07etílica Brasileira? E aí depois a gente vai falar
- 35:09sobre as Curiosidades de cada ponto e o primeiro ponto já vou
- 35:13deixar aqui para você já ir respondendo o segundo, Leandro
- 35:15vai te perguntar depois. Mas o primeiro ponto é o call
- 35:17in. Então conta essa história da
- 35:19trajetória já solta a curiosidade do Cauê pra galera
- 35:22saber, conta pra gente. Pô, esse é legal, porque assim,
- 35:25quando eu tava fazendo um doutorado, eu fui estudar as
- 35:29origens da cerveja no Brasil e isso é muito difícil.
- 35:33Desbravar esse tempo que tem pouca referência, né?
- 35:36Então você tem que ir lá. Publiquei um artigo sobre a
- 35:38cerveja no Brasil holandês e tal que a gente conseguiu resgatar
- 35:42que tinha uma colega nossa da cerva candanga, lá de Brasília.
- 35:44Quando eu morei lá, que ela tava na Holanda.
- 35:47E perguntando sobre a invasão holandesa no Brasil e a gente
- 35:50trocou ideia e fez um artigo, né?
- 35:52E a gente foi nos arquivos. Foram na Biblioteca Nacional.
- 35:56Ela Foi nos arquivos lá da Holanda, pra gente tentar buscar
- 35:59da onde vem, quem foi quando e aí eu fui bom?
- 36:02Beleza, mas pô, já tinha bebida alcoólica no Brasil, né?
- 36:06Os índios bebiam, o que que é o Cauê, né?
- 36:09Tanto é que tem a cerveja aí da Colorado cauim, que eles usam
- 36:11mandioca e tal, mas eu fui entender melhor isso, né?
- 36:14E aí temos pesquisas, a gente vai nas pesquisas acadêmicas,
- 36:17né? Tem um doutorado que é selvagem,
- 36:19bebê dele, desses nativos que faziam uma cerveja deles, que
- 36:23era o caminho. O caminho é um é um, é um nome
- 36:25genérico pra toda bebida. Alcoólica, in saliva da, né?
- 36:29Porque na América do sul, na América Latina, você tem um
- 36:33processo de bebida em saliva da, né?
- 36:35Você mastigar o milho ou a mandioca e aí essa mastigação
- 36:41fazia a essa função das enzimas de quebrar as grandes açúcares,
- 36:45justificarem fermentáveis, né? Na Europa é um malte, né?
- 36:49Eles fazem isso, eles foram descobrindo isso, passar dos
- 36:52anos pela tecnologia, então você tem essa diferença, né?
- 36:56E aí eu fui ver essa tese e vários estudos que existem atrás
- 37:00disso para entender como que a bebida fazia parte da sociedade
- 37:04nativa, dos indígenas, né? E aí eu fui descobrir que?
- 37:07A cerveja deles, né? O cauim tinha um papel central
- 37:11na sociedade, né? Se a gente está falando aqui de
- 37:14territórios da cerveja, a gente tem que buscar os locais que tem
- 37:17mais destaque. A cerveja é mais relevante lá,
- 37:20não lá. Cerveja era muito central na
- 37:23organização da sociedade. Por quê?
- 37:25Porque a cerveja colocava eles como eles têm uma cultura
- 37:31falada, né? Eles não escrevem como eles, é
- 37:33uma cultura contada, eles tem que ficar revivendo a cultura
- 37:37deles, toda grande evento para isso não se perder e para eles
- 37:42poderem falar próximos ao Deus, você precisa de um elemento.
- 37:47Me brilhante. E aí, tanto o cigarro no caso
- 37:50aí, né? Oo fumo e quanto a cerveja?
- 37:54No caso, o cauim dava eles. Essa proximidade divina de um
- 37:58chamando e olha, é assim, assado e tal, ó, estou vendo o espírito
- 38:03do seu pai, o espírito do Deus da selva, o Deus do Rio, Deus, e
- 38:06aí eles iam contando a sua história, eles iam propaganda a
- 38:10sua cultura, eles chamam essa relação de permissividade que a
- 38:14cerveja dava para eles em relação ao de vinho e ao social
- 38:18de cultura material corporificado, então estão
- 38:21trazendo a cultura para dentro do agora, estão vivendo isso no
- 38:25dia a dia. E aí a gente tem o principais
- 38:28relatos dessa relação dos tupinambás que estavam no
- 38:31litoral brasileiro. É o primeiro contato.
- 38:34O Tupi Guarani e o tupinambá tá nessa linha, do Tupi, tupinambá
- 38:38e Guarani, mais pro centro. Então o chefe tupinambá, quando
- 38:42eles precisavam tomar uma grande decisão que eles faziam
- 38:45churrascão no caso deles, era caue nagem.
- 38:49A gente faz um churrascão pra comemorar, né?
- 38:53Tapo coco, porra é fofo churrascão deles eram o quê,
- 38:56kaue nagem, vamos fazer 11 ritual aqui para saber se a
- 39:00gente vai atacar a tribo adversário ou não, vamos fazer o
- 39:02ritual aqui para saber se os deuses falam pra gente ir pra
- 39:05outro lugar ou ficar aqui. Olha, é o menino vai fazer o
- 39:08ritual para atingir a idade adulta.
- 39:10Caue na go a menina virou mocinha.
- 39:12Kaue nagem araca, os caras bebiam assim, era a forma dele
- 39:17sociabilizar, porque é muito mais legal ser conversar tomando
- 39:20cerveja e que traz isso aí, que é essa permissividade.
- 39:26No caso aí da coleção de vida mais essa sociabilidade que a
- 39:29gente tem hoje a gente faz exatamente uma coisa que a gente
- 39:32fazia. Então essa trajetória tive que
- 39:34eu tento resgatar o seguinte, como que a formação da sociedade
- 39:38Brasileira empresta elementos para a gente entender por que
- 39:40que a gente bebe hoje tem aqui a gente bebe porque a gente já é o
- 39:43terceiro maior produtor de cerveja do mundo, porque não é
- 39:45um acaso. Existe uma história que vai
- 39:47contando isso. Existe uma trajetória que vai
- 39:49contando isso, vai sentir. Então, os índios emprestaram
- 39:53isso pra gente, apesar que a gente não tenha feito um
- 39:56processo de dizimar a população e a cultura indígena é isso,
- 40:00emprestou isso pra gente. É importante que resgatar isso e
- 40:04valorizar. Cultura indígena e eu posso
- 40:07dizer com tranquilidade que a gente bebe cerveja como a gente
- 40:11bebe hoje no Brasil, devemos. Salvini também é uma das
- 40:15Vertentes, por isso que é uma trajetória e aí a outra
- 40:18trajetória é a cachaça, né? Que seria a segunda pergunta aí
- 40:21da linha da trajetória etílica. Eu ia te falar isso pra soltar
- 40:26você primeiro que já que vamos botar a referência de referência
- 40:28sobre o mesmo objeto, vamos lá, sou obrigado a concordar com
- 40:31palestrina. Bom carinho, me vejo obrigado a
- 40:35concordar com o palestra, hã? E aí, vamos falar então da sim
- 40:41da bebida que eu acho que é uma das bebidas mais naturais do
- 40:44Brasil, né? Fala sobre a cachaça, por favor,
- 40:46é a cachaça. Ela sofreu no Brasil o mesmo
- 40:50preconceito que as bebidas destiladas sofreram no mundo.
- 40:53É o Jim. Lá na Europa, sofreu o mesmo
- 40:55processo. Gin é uma bebida, um
- 40:58proletariado, uma bebida que te leva a um estado de e aí os
- 41:02termos da época são os piores possíveis, os pubs, né?
- 41:05Os public House cresceram na Inglaterra, na Grã Bretanha,
- 41:09pela taxação excessiva do ginho na Holanda também, então as
- 41:13bebidas de grande concentração alcoólica sofreram esse processo
- 41:17no Brasil também. Mas por que que a cachaça está
- 41:19na Transmissão e tirica Brasileira?
- 41:21Porque o português chegou no Brasil, ele encontrou o índio e
- 41:25toda a sua cultura. E aqui o negócio de aquela lenda
- 41:28de espelhinho por ouro e tal, não sei o quê, mas a questão é o
- 41:32seguinte, o índio não ia abandonar a cultura dele pra
- 41:35abraçar a cultura de um cara de fora do nado?
- 41:39Quais as ferramentas que os portugueses utilizaram para
- 41:43catequizar domesticar? Esse de porque foi uma imposição
- 41:47de cultura, né? Existe o mito fundador da da
- 41:50sociedade Brasileira que vivemos uma Harmonia cultural, né?
- 41:54Vivemos uma democracia racial. O meu professor de filosofia,
- 41:59quando tinha esses mitos, ele falava isso aí são colóquios
- 42:02flácidos para sono de bovinos que no interior a gente chama de
- 42:07conversa mole para boi dormir, então.
- 42:10Maravilhoso. É esses mitos fundadores foram
- 42:13contando uma história bonita da formação da sociedade
- 42:16Brasileira, mas Oo português escreve, dou, estuprou, acabou
- 42:21com a sociedade indígena, acabou, acabou.
- 42:23Porque como a sociedade indígena não escreve a sua cultura não
- 42:27registra, ela é falada. E se você destrói o tecido
- 42:32social? Acabou a cultura total.
- 42:34Porque a gente lembra do nosso avós, vai contando, vai
- 42:38contando, mas você vai tirar a cidadania.
- 42:40Tenho documento, tenha registro do navio que chegou.
- 42:43Não sei que ela vai pro descendente do indígena, não tem
- 42:46nada, vai pro descendente do do cara que veio da África, não tem
- 42:49registro nenhum. Então OA história devia apagado.
- 42:53Existe 11 opressão da cultura européia em cima da cultura
- 42:57nativa e dos negros que foram escravizados, tirada do seu
- 43:00continente, vindo pra cá obrigados a trabalhar e a
- 43:03cachaça. Fundo esse mecanismo de
- 43:05imposição cultural, porque quando você oferece a cachaça
- 43:10pro índio, você está dando um historiador francês dos grandes
- 43:14ícones. Aí o braudel falava que é O
- 43:16Presente envenenado dos europeus aos nativos.
- 43:20Os Americanos, porque o cara já gosta de bebida alcoólica,
- 43:23porque isso organiza a sociedade dele o rumo, aí a cerveja dele
- 43:26tem 4%. 53 que essa interpretação natural ali, vamos
- 43:30embora. E aí você vem com deste lado.
- 43:32Hoje em dia, 2 teatro em 40% em média, mas na época tinha uns
- 43:3525. Pô, está acostumado com 3 quase
- 43:38só, um negócio de 25. Meu irmão Deus baixou aqui, Deus
- 43:42do Sol, Deus David s, todos os deuses, e aí cara, o cara não
- 43:45sai caçar o cara não sabe fazer nada, o cara fica o tecido
- 43:49social, organização. Social acabou.
- 43:50É um torpor, né? É um torpor absoluto.
- 43:53Aham. Tem um relato de que os índios
- 43:56tiveram essas suas resistências também.
- 43:58Eles tomaram de assalto um. O navio português e foram casal
- 44:01que tinha lá dentro tinha a Bagaceira, né, que vinha de
- 44:04Portugal, e aí os médicos, os pesquisadores naturalistas que
- 44:08vinham descrever, estavam contando lá que os os indígenas
- 44:11falaram, eu não sei, que qualidade é esse de cauim?
- 44:14Achava que era o caminho, que é o que dá o corpo, aham, mas a
- 44:17gente bebeu e ficou 3 dias sem conseguir levantar porque vivia
- 44:21e voltar a viver, porque eles achavam que era cauim.
- 44:23Só que o negócio é 567 vezes mais potente, então isso foi
- 44:27degenerando o tecido social e a cultura e aí é mais fácil de
- 44:31você dominar de você acabar com essa cultura.
- 44:34Além disso, a questão da da rede hoje cidade, catequizar o índio
- 44:38e tal, existem pista de formas de de acabar com a cultura.
- 44:41Indígena é grande. É vasta?
- 44:44Sim, é grande e nessa questão aí da cachaça, falando um pouco
- 44:49mais do negro, né? Tem um mito também dizer que o
- 44:51negro inventou a cachaça de pinga pinga, porque deste lado e
- 44:56pingava, ceder dia porque aguardente que cai e machuca,
- 44:59ferida que sofreu lá batido tudo são mitos, né?
- 45:03Mas assim, o que é relatado? O que está na história é que a
- 45:07cachaça era dada pelo negro escravizado por ele.
- 45:10Aguentar ficar trabalhando 1618 horas por dia.
- 45:13Entende? Hoje em dia, você não precisa ir
- 45:16lá pro século 18. Hoje, o cara que um carpi lote o
- 45:20cara. Vai lá com a cachacinha dele,
- 45:21porque trabalho pesado. É só eu, cara, aí você toma
- 45:25você, toma ao que se tem, sentimento do quê relaxamento
- 45:29você tem a dopamina no seu cérebro e aquele negócio que é
- 45:33terrivelmente assustador, nefasto em todas adjetivos ruins
- 45:37que você puder falar fica mais tranquilo.
- 45:39Então a cachaça era dada como escravo, é aguentar apanhar
- 45:43amor. Tecelões podia aguentar
- 45:45trabalhar. Ou seja, há a história da
- 45:47trajetória. Tiver Brasileira é manchada de
- 45:49sangue de fora fora. Puta que pariu, puta que pariu,
- 45:54Marquinhos. Puta que pariu.
- 45:58Caraca, tá? Referência em cima de
- 46:00referência, tá? Show.
- 46:02Caralho. Só magia top, então o que
- 46:06acontece eu você ter mandado para gente trazer aqui 25% dos
- 46:11escravos trazidos da África para o Brasil de 1710 a 1830, mais
- 46:18100 anos. Esse volume total de 100 anos,
- 46:21trazendo escravos da 25%, foi trocado por cachaça na África,
- 46:25rara lhe trocado então a cachaça.
- 46:29Ela introduz uma mercadoria e um hábito também na formação da
- 46:35cultura Brasileira, que é o cara toma.
- 46:38Pra aguentar a pancada. E aí, como que isso é
- 46:40transportado? Depois do fim da escravidão, né?
- 46:44Enfim, o Huck acontece. Estrada real, Paraty Ouro Preto,
- 46:47Parati tem indicação geográfica de cachaça Parati.
- 46:50A referências conhece melhor que Parati vai da cachaça leva para
- 46:54Minas que eu era o centro da exploração mineral no Brasil, no
- 46:59ciclo duo Minas Gerais. E aí esse caminho da estrada
- 47:02real era um caminho de trânsito entre ouro escravo, cachaça, OK,
- 47:08quando a ti você tira o escravo da jogada que está proibido,
- 47:12continua o quê? O que que sobrou ouro e cachaça,
- 47:16o cara que fazia a cachaça. Para trocar por negro ou estava
- 47:19fazer o cara? Ele não vai deixar de fazer
- 47:22cachaça, que é a única coisa que ele sabe fazer.
- 47:24E aí esse cara continuar fazendo um caixão, disse que essa
- 47:27estrada também é Minas Gerais também se desenvolve.
- 47:30Existem outros fatores e, claro, mas esse é um dentro dessa
- 47:32trajetória. Time que conta essa história de
- 47:35como que a cachaça ajudou a introduzir um hábito de consumo
- 47:41de bebida alcoólica no Brasil, acompanhando a formação da
- 47:44formação da sociedade Brasileira, uma atriz indígena
- 47:47matriz africana e a matriz européia que a gente vai falar
- 47:50depois, perfeito, cara, que tema é assim?
- 47:54Acho que a gente vai ter que voltar a falar só sobre isso.
- 47:57Porque assim a cabeça fica a 1000, mas cara, infelizmente a
- 48:00gente tem que chegar ao fim. A?
- 48:03A acabou, acabou. Acabou.
- 48:06O programa acabou, acabou. Cara, muito obrigado, Eduardo,
- 48:15caralho, eu estava aqui te ouvindo e pensando assim,
- 48:19caralho, caralho, acaba essa explodindo muito obrigado mesmo.
- 48:22Acho que a gente tem que voltar a falar e dar um foco especial a
- 48:26esse período. Eu acho que vai ser muito
- 48:27bacana, obriga dasso. Obrigado por essa aula, por essa
- 48:30troca por valeu demais. Eu só.
- 48:32Para complementar o que o Leandro falou, já fica aqui o
- 48:36convite para a gente tratar desse tema que você falou sobre
- 48:40a cachaça especificamente e a forma que ela virou um grilhão,
- 48:44né? A forma como ela, ela era uma
- 48:46prisão sem ser uma prisão, sabe? Então, vamos aprofundar nesse
- 48:50tema, Eduardo, você vai virar convidado recorrente aqui.
- 48:53Já queria te agradecer mais uma vez e a gente encerra esse
- 48:56programa do jeito que a gente gosta, agradecendo aos mecenas
- 48:59que nos ajudam a manter a Independência criativa do surra
- 49:02de lucro. Paulo Oliveira, Fernanda Santos,
- 49:04Gabriel Almeida, Rogério Peixoto, Bárbara Soares.
- 49:08Muito obrigada e Leandro, o que que a gente fala?
- 49:11Todo o programa no final? Até a semana que vem.
- 49:14Puta merda, eu aqui. Até a semana que vem, meus
- 49:19amigos. Beba menos, beba melhor, beba
- 49:33com moderação. Este podcast foi editado por
- 49:43play áudio.