Latest / Surra de Lúpulo / História da Cerveja Ácida no Brasil: o início da produção brasileira. com André Junqueira (Morada Cia Etílica), Alessandro (Way Beer) e Nuno (Liffey Brewpub). | Encontro Selvagem T2 Ep.006
Transcript
- 0:07Encontro o selvagem, fermentando a brasilidade
- 0:11através dos líquidos. Vamos
- 0:28lá, gente. Vemos conversar um pouco da nossa
- 0:31história e dos princípios, dos primeiros, encorajados
- 0:35ou inconsequentes, não sei qual é a melhor definição,
- 0:39a começar a brincar com esse mundo da cerveja, as
- 0:42acidificadas, lidar com outros tipos de micro
- 0:46-organismo. A gente estava fazendo algumas
- 0:48revisões aqui no histórico, puxando o fichário lá no
- 0:52HD. A maior parte dos nossos
- 0:55experimentos começou a aparecer em torno de 2012,
- 0:592013, 2011. Acho que a partir de 2013 para
- 1:032014 foi onde os rótulos de linha mais distribuídos
- 1:08mais presentes começaram a tomar forma, mas ainda
- 1:12assim, em 2011 e 2012, tinha alguns experimentos, a
- 1:17gente costumava sempre levar nos festivais, maestrales,
- 1:21apresentar para a galera, mas era um grande
- 1:22estranhamento ainda. Então, se hoje em dia a gente já
- 1:27sente um grande peso de novidade, muitas vezes das
- 1:31pessoas provarem as salvas e tomarem um susto inicial,
- 1:35imagine o que era isso há dez anos atrás. Realmente
- 1:38o país, o público ainda não tinha tido muito
- 1:42contato, tinha pouco contato com esse tipo de produto,
- 1:45eram poucos exemplares que vinham de fora e
- 1:48praticamente nenhum daqui. Fui
- 1:50conhecer também da mão de alguns cervejeiros caseiros,
- 1:53os irmãos Ropelato, ali de Santa Catarina, que já
- 1:57brincavam também desde essa época, quando no festival
- 1:59ainda tinha presença de cervejeiros caseiros, a
- 2:02gente encontrava um pouco mais de aventureiros nesse
- 2:05aspecto. Mas não sei exatamente
- 2:08temporalmente quando, na Lyphe, você começou com as
- 2:11salvas de vocês? Cara, eu cheguei depois, brincando
- 2:14como caseiro mais ou menos nessa época, mas o Lyphe
- 2:17começou bastante tempo depois, em 2016 já, mas já
- 2:21simplificando as salvas para, não sei se
- 2:24simplificando seria a palavra, mas para as
- 2:26Catarina's Salvers, não com o Wired Fermentation, mas
- 2:29já com um processo mais bem definido, e entregando
- 2:33para o público já um produto um pouco mais
- 2:34formatado. Mas lembro também dessa época,
- 2:38eu fiz curso com o Junqueirin 2 e vou
- 2:40entregar, fiz curso com ele, acho que cervejeiro
- 2:42caseiro em 2012, tomava Sorminote nos festivais por
- 2:47essa época também, em 2011, 2012 eu acho. Então
- 2:50é uma honra para mim estar do lado desses dois caras
- 2:52que me ajudaram naquela época. Eu
- 2:55acho legal de contar que, na verdade, hoje em dia, a
- 2:58gente ainda está procurando várias definições de como
- 3:01chamar, de como classificar os tipos de salvas, e a
- 3:04gente, na verdade, a gente começou a fazer, a gente
- 3:07lançou a Sorminote no festival de Glomeral de
- 3:112013, então foi março de 2013 que a gente fez o
- 3:14lançamento dessa linha. Só que quando a gente lançou,
- 3:17eu acho que a diferença até então das outras
- 3:20cervejarias ou do que a gente estava fazendo em
- 3:22casa, é que a gente já lançou e já colocou a
- 3:24cerveja no mercado, eu lembro que as primeiras
- 3:27produções foram em torno de 3 mil garrafas de cada, a
- 3:29gente fez três frutas diferentes no lançamento,
- 3:32então a gente já lançou 9 mil garrafas de cara no
- 3:35mercado. E é engraçado que a gente
- 3:38deu um nome na linha de Sorminote, e chegou o
- 3:41momento em que eu comecei a receber tanto e -mail de
- 3:43reclamação, que eu já comecei a fazer um copi a
- 3:46recolar, ele já tinha a resposta pronta, e a maior
- 3:49parte das reclamações era que a cerveja estava azeda.
- 3:52Então, porque assim, realmente foi
- 3:54uma coisa, acho que muito à frente do que o mesmo
- 3:57pessoal que estava querendo conhecer, entender um pouco
- 4:00sobre a cerveja na época artesanal, não estava talvez
- 4:04preparado. E junto com isso também foi
- 4:06uma confusão muito grande, acho que vocês vão lembrar
- 4:08disso aí, que a gente lançou mais ou menos na
- 4:11mesma época a nossa Bratt I .K., que a gente lançou
- 4:14em uma garrafa também 375, e daí a gente via assim a
- 4:17quantidade de informações erradas, circulavam. Às
- 4:22vezes gente que escrevia sobre cerveja, escrevia
- 4:24alguma coisa que não tinha nada a ver, então assim,
- 4:27teve gente que escreveu, ah, o Waylanns, uma Sauer,
- 4:30era ácida com Bratt I .K., na verdade não era. Tinha
- 4:34gente que falava, então assim, foi uma confusão na
- 4:37época, e até assim, a gente, foi o ano que a
- 4:40gente parou de participar de concurso, né? Na
- 4:42verdade, assim, a gente não tinha, em na época, como
- 4:44você inclui ela dentro de alguma categoria, algum
- 4:49estilo assim, nos concursos da época, era complicado. E
- 4:53como é que a gente fez assim, na verdade, a
- 4:55história, acho que tem muita gente que não sabe,
- 4:57é como a gente começou, a gente acabou ficando amigo
- 5:01do Mikkel, da Mikkeller, ele foi para Curitiba, para
- 5:04um festival de cerveja que teve lá, daí ele foi na
- 5:06cervejaria, conheceu a gente, e aí ele convidou a
- 5:09gente para participar do Copenhagen Beer Celebration,
- 5:11aquele evento que ele faz em Copenhagen. E
- 5:13aí a gente acabou fazendo uma cerveja, uma collab lá
- 5:16na Way, para levar para o evento, que foi o primeiro
- 5:18evento que a gente participou, que foi em
- 5:192013. E essa cerveja foi uma
- 5:21cerveja que a gente fez, a gente já colocou fruta para
- 5:23fermentar junto ao bairro de madeira, e a cerveja já
- 5:26tinha, já tinha, já era uma sour, na verdade, só
- 5:29que a gente levou lá, levou toda a cerveja para
- 5:31o evento, só que quando eu cheguei no evento, e eu
- 5:34acho que esse evento, para quem já teve a oportunidade
- 5:36de ir, normalmente você consegue ali ver o que a
- 5:38tendência, o que o pessoal vai começar a fazer e tal.
- 5:41Nesse primeiro evento, só tinha
- 5:42praticamente a IPA e o Empire Stout, e tinha uma
- 5:47cervejaria só que estava com uma cerveja sour, fora
- 5:50a gente, e daí eu fui conversar com eles, a
- 5:53cervejaria de Londres, e aí a gente começou a
- 5:55conversar, e eles se interessaram muito por um
- 5:57extrato de madeira, que uma cara que está ali sentada,
- 6:01gentilmente tinha feito esses extratos, e eu levei
- 6:04uma madeira brasileira, e o cara pirou nas madeiras, e
- 6:07eu falei, vamos fazer uma collab. E
- 6:09aí eu saí do Copenhagen, fui para lá, cheguei só
- 6:11que eu queria aprender como que ele fazia a cerveja
- 6:13sour dele. Cheguei lá e aí a gente fez a
- 6:16cerveja, e aí eu realmente aprendi, na verdade ele
- 6:19fazia uma técnica mais ou menos parecida com o que a
- 6:21gente chama hoje de kettle sour, só que ele fazia no
- 6:23tanque, pegava moia malte, colocava uma meia calça,
- 6:27jogava malte dentro do tanque, acedificava, a gente
- 6:30pegou e viu mais ou menos como que ele fazia, daí é
- 6:33legal. E sim, uma coisa bem
- 6:34interessante, até na verdade, eles não eram a
- 6:36única cervejaria que fazia esse tipo de cerveja lá, e
- 6:39eles chamavam essa cerveja lá de London, esse estilo,
- 6:42de London sour, que acho que foi a forma de fazer
- 6:46isso em que, sei lá, muitos anos depois, a gente
- 6:49vê hoje, acho que acabou originando aqui, Catarina
- 6:52sour, que era uma forma muito parecida de ser
- 6:54feito. Bom, o fato é que a gente
- 6:55chegou em Curitiba, eu fiz várias testes com várias
- 6:58frutas diferentes, as que eu achei mais legal, na
- 7:00verdade, foi a serola, a graviola, e a gente fez
- 7:03uma de morango para o pessoal mais ou menos
- 7:04entender, as frutas, as outras frutas não eram tão
- 7:07conhecidas. E aí, quando a gente lançou
- 7:09essa cerveja, tinha muita gente no stand lá que
- 7:12chegava lá em Glimeral, eu falava assim, depois as
- 7:15pessoas iam falando, ó, o cara ali falou que ele...
- 7:18acho que sabe como é que você
- 7:19faz, ele acha que você joga acidulátil depois de
- 7:23uma cerveja pronta, só pode ser isso, aí o outro...
- 7:26Ah, não, o outro falava isso
- 7:27aqui, é. E aí, assim, era engraçado,
- 7:29porque realmente foi um negócio muito, acho que,
- 7:32para frente, porque era uma forma rápida de fazer a
- 7:34cerveja, era super rápida, você conseguia acidificar
- 7:37rápido, colocava frutas na cerveja que emzoito dias
- 7:40estava pronta, do dia da abraçagem, para ela estar...
- 7:44Então, assim, acho que foi um...
- 7:45E aí depois disso a gente
- 7:46acabou fazendo vários outros tipos, mas acho que essa
- 7:48cerveja foi talvez marcante, pelo menos pela forma que
- 7:51pulverizou essas garrafas para o Brasil afora. Então,
- 7:54assim, até hoje eu converso com muita gente, ainda que
- 7:56falam assim, cara, a primeira cerveja sabe que o
- 7:57também foi a tua, a primeira cerveja, porque
- 7:59realmente ela conseguiu chegar em muitos lugares.
- 8:02No rabo dessa história, eu até
- 8:04então, até essa época, só tinha feito sours
- 8:07envelhecidas com levador acervais, não tinha feito
- 8:11que até os sours, até então. E
- 8:13vendo essas e conversando com o Alessandro, que até
- 8:16foi o primeiro professor de cerveja, uma das primeiras
- 8:19pessoas que introduziu as produções e tudo mais, eu
- 8:23pesquisei e via ao potencial que aquilo tinha,
- 8:26vendo um tanto da provocação que aquilo gerou,
- 8:29mas além das dúvidas e dessas loucuras que a gente
- 8:32ouvia, mas muita gente se sentiu muito instigado. E
- 8:35no final desse ano, então isso foi em março no
- 8:37festival, em dezembro desse ano eu fechei um pack com
- 8:42Revanice Beer, um extinto bom e velho Revanice Beer,
- 8:45do Rafa e do Meregat, para a gente colocar pela
- 8:48primeira vez uma sour dessa. Foi
- 8:50então que eu fiz uma sour jovem, dessa também uma
- 8:53kettle sour com pêssego, chamada Liquid Real, que eu
- 8:57fiz em parceria com o Brian, até que foi a
- 8:59primeira vez que o Brian tinha vindo visitar o
- 9:01Brasil, e a gente conseguiu colocar ela no clube de
- 9:04assinatura, que foi, se não me engano, aquela época,
- 9:06ele estava perto de 11 mil assinantes no clube, estava
- 9:10em uma época bem diápose do Revanice Beer, e foi
- 9:14muito bacana não só de poder enviar uma sour junto
- 9:17no pack, a primeira que foi no clube deles para a
- 9:20casa da galera, mas também tinha a revista, e aí na
- 9:23revista poder contar dessas histórias desse festival que
- 9:25a gente tinha visto lá fora, da cerveja que estava
- 9:28começando a fazer aqui, do pessoal que fazia lá, e
- 9:31como isso tinha as raízes das cervejas antigas,
- 9:35medievais, mas dentro de uma visão modernizada para
- 9:38você conseguir fazer isso dentro de uma fábrica
- 9:40moderna, sem nenhum prejuízo, de uma maneira
- 9:42eficiente, rápida, com resultados muito bons. Então
- 9:46foi as primeiras, esse ano, acho que ele é um ano bem
- 9:49emblemático para a primeira difusão real, porque até
- 9:54então era só isso, um barrilzinho que alguém fez
- 9:56e levou em um festival de uma amostra, de um
- 9:59experimento menor. Acho que entre 2013 e 2014, foi
- 10:03onde as portas se abriram para as primeiras coisas
- 10:06acontecerem. O ano era 2013, e eles já
- 10:10passavam esse perrengue para vender sour, e eu estava
- 10:12fundando a minha cervejaria, eu passava o perrengue para
- 10:14vender IPA, então eu sei o quanto vocês devem ter
- 10:16sofrido. Alguns anos se passaram, e várias
- 10:19iniciativas no mercado brasileiro surgiram de
- 10:22produção de cerveja sour. Acredito
- 10:24que eram iniciativas um pouco mais regionais, locais
- 10:27e individuais. O que aconteceu a partir de
- 10:302016 é que houve uma organização maior. Então
- 10:34em 2016, a gente pegou todas as informações desse
- 10:38pessoal que já vinha fazendo, principalmente do
- 10:40método caro sour. Já tinha gente fazendo, então
- 10:43caro sour com a adição de fruta, Catarina Sour não
- 10:45inventou a roda, ela não foi um produto desruptivo,
- 10:48mas acredito que foi um produto que trouxe mais
- 10:52organização para praticamente todos os players da cadeia
- 10:55cervejeira, desde a cervejeira casero, para a
- 10:58fábrica, para o fornecedor de matéria -prima e também
- 11:00para o consumidor final. Então
- 11:02o que a Carla falou na palestra anterior de que o
- 11:04Gordon Strong falou para ela, olha, a Titi a Beyer,
- 11:08para se tornar um estilo futuro, ela precisa ter
- 11:10parâmetros e ela precisa ter representatividade.
- 11:14Basicamente foi isso que aconteceu em
- 11:152016, só que se deu um nome de Catarina Sour. Se
- 11:19pegou várias fábricas que já vinham produzindo e ali
- 11:22entrou também o papel das associações cervejeiras, que
- 11:25trouxe para junto de si as fábricas que tinham intenção
- 11:28de fazer, mas ainda tinham receio. Ah,
- 11:30Sour, vou contaminar os meus tanques, nunca mais
- 11:33vou tirar essa podreira de dentro da fábrica, né?
- 11:35Então houve um papel,
- 11:36principalmente da minha região em Santa Catarina,
- 11:39da Associação Catarinense de chamar as fábricas e lançar
- 11:42vários orques -shops de produção de vídeo de Sour.
- 11:45O cervejeiro caseiro teve um
- 11:46papel preponderante nessa história toda e a roupagem
- 11:50com que a Catarina Sour entregou esse produto para
- 11:53o consumidor final, esse alinhamento de expectativa
- 11:56de quebrar aquela barreira que o Alessandro comentou
- 11:58de a galera escrever para ele e falar, ''Pô, a
- 12:00cerveja está estragada.'' Então
- 12:02eu acho que aquela iniciativa lá em 2016 foi
- 12:05abriu de 2016 que foi criado e foi cunhado o
- 12:10nome Catarina Sour. A gente tentou aparar essas
- 12:13arestas, né? Então como eu disse, não foi um
- 12:15produto desruptivo, mas a gente tomou um certo
- 12:18cuidado, principalmente de apresentar esse produto para
- 12:20o consumidor final, né? E criar parâmetros. Tem
- 12:23uma pessoa que ela foi fundamental nessa história,
- 12:25que foi o Yuri, ele era a somelhê do Biervila, lá em
- 12:28Blumenau, e ele pegou o modelo de descrição de
- 12:32estilos do BJCP e ele colocou as informações que
- 12:36a gente estava produzindo naquele momento, da Catarina
- 12:39Sour, naquele formato, naquele formato do BJCP. E
- 12:42foi uma brincadeira, obviamente, ele não poderia
- 12:43ter feito isso, ele não faz parte dessa organização,
- 12:46só que ali isso se difundiu por grupos de
- 12:48WhatsApp para cervejeiros caseiros, e ali começou a
- 12:51se brincar, então tá, eu vou fazer um produto assim
- 12:53e vou levar para um concurso cervejeiro caseiro.
- 12:57E aí de repente, os concursos
- 12:58cervejeiros caseiros tinham um parâmetro para avaliar
- 13:00uma Sour, que era o Sour com fruta. E
- 13:02desse parâmetro, desses concursos, se passou então
- 13:04para concursos regionais, primeiro e depois nacionais,
- 13:08profissionais. Então tá, então no concurso
- 13:10brasileiro de cerveja de Blumenau, vamos colocar uma
- 13:12categoria chamada Brasilian Sour, acho que foi o
- 13:15primeiro ano, alguma coisa nesse sentido. Então
- 13:17essa formatação, essa criação de parâmetros para
- 13:20esse tipo de produto, eu acho que ele foi
- 13:22fundamental, e depois, no segundo momento, a
- 13:24representatividade. Bastante gente embarcou, eu acho que
- 13:27todo mundo aqui lembra da confusão que foi criada em
- 13:30torno da Catarina Sour, né? A...
- 13:33O que mais? Tem uma história também que não
- 13:35sei se... Acho que a maior parte das
- 13:36pessoas não sabem. Eu tinha um sócio antigamente,
- 13:39na way que ele tinha prometido para um amigo
- 13:42dele, o amigo dele falou assim, se eu tiver um
- 13:44filho, você vai ser padrinho e tal, e aí
- 13:46nasceu, era uma menina, e aí ele falou assim, eu vou
- 13:49fazer uma cerveja com o nome da tua filha, e ele
- 13:51deu o nome da filha de Catarina. E
- 13:53aí a gente lançou a Catarina Sour, na época que
- 13:54a gente estava exportando para os Estados Unidos, e
- 13:56foi um pouquinho antes de vocês montarem o negócio. E
- 13:59a gente mandou, na época assim, foram vários, sei
- 14:02lá, três, quatro palitos de cerveja para lá, em lata,
- 14:06e a lata ficou super bacana assim. E
- 14:08aí a gente fazia, assim, divulgava a lata, e aí
- 14:13ninguém entendia nada, porque o nome dela era
- 14:16escrito diferente do Catarina, como é o Catarina
- 14:19Sour, né? E aí foi uma confusão dos
- 14:21infernos, porque na verdade não tinha nada a ver com
- 14:24a outra. Coincidências que vão acontecendo, que
- 14:26vão aparecendo nessa história, né? Imagina
- 14:29só ouvir agora o Nuno também comentar de como foi
- 14:34poder divulgar isso dentro do meio das cervejarias,
- 14:38ensinar, não, isso não vai destruir a fábrica, não vai
- 14:40perder. Então, você imagina também o
- 14:42desafio que eu passei, como ser vejeiro -caseiro, para
- 14:45chegar na fábrica dos outros e falar, olha, nós
- 14:48vamos trazer bactéria, e bretanominsis e troço para
- 14:52fazer aqui dentro. Então, sempre foi uma batalha.
- 14:54Hoje muito mais simples o
- 14:56pessoal entendeu, que se você tem os processos de
- 14:59limpeza e sanitização feitos da maneira adequada, você
- 15:02não tem nenhum risco fora do comum, dentro disso daí.
- 15:06Mas eu preciso investir, fiz um
- 15:08projeto todo com a Bio4, na época, falou, então a
- 15:11gente vai fazer, tirar amostras do tanque antes e
- 15:14depois, vamos tirar amostras das mangueiras antes e
- 15:16depois, vamos tirar amostras da linha de invás, antes e
- 15:19depois, justamente quando eu fui fazer essa aqui, eu
- 15:21comecionei do clube de assinaturas lá, que daí
- 15:24também não era 2, 3 mil, acho que a gente fez 15
- 15:27mil garrafas para eles, para mandar para aquele IPA
- 15:29que lá. Então era um lote grande, até
- 15:32que usar o processo todo da fábrica ali, para
- 15:35resolver isto. Então a gente teve que esperar
- 15:37para dar uma janela de oportunidade, que não fosse
- 15:40ter nenhum invase depois daquele, porque a gente
- 15:42tinha que esperar voltar o resultado do laboratório,
- 15:46dos cultivos, do microbiológicos, para ver se
- 15:48o sistema de invase não estava contaminado, para
- 15:51eles poderem voltar a invasar as cervejas de
- 15:54linhas, as coisas dele lá. Então
- 15:56era um quebra -cabeça ainda muito mais complexo, para
- 16:00conseguir convencer a gente que brinca com o brinquedo
- 16:03a leio, a brincar com esse tipo de coisa na casa dos
- 16:06outros. Então foram desafios que a gente
- 16:09teve que quebrar nessas barreiras e demonstrando que
- 16:13não é um bicho de sete cabeças, que não é nada
- 16:15dessa forma. Então são muitas histórias de
- 16:19desafios e aguentar o povo, tanto esse tipo de
- 16:22feedback. Então foi muito legal essa
- 16:24parceria que o pessoal da Revere na Espia encarou,
- 16:27porque eles ouviram muito dessas besteiras, os canais
- 16:29de comunicação deles, mas eles sabiam que aquilo ia
- 16:33entrar como uma provocação, foi colocado um monte de
- 16:35informação na publicação, na revistinha, para tentar
- 16:39informar as pessoas, elas não serem pegas totalmente
- 16:41de surpresa e tentar trazer um feedback um pouquinho
- 16:45mais amadurecido e não totalmente cru a respeito
- 16:48da história. Mas foi uma atacada de muita
- 16:51coragem no momento da que ele arriscar, o nome do
- 16:55pack da história toda, colocando um produto que
- 16:58ninguém tinha exata noção de que tipo de resposta ia
- 17:02acontecer, se ele ia ser bem aceito ou se ia ser
- 17:05um desastre completo na linha. Eu
- 17:08lembro que o lançamento dessa linha de cerveja para
- 17:11imprensa a gente fez aqui em São Paulo, no EAP. Aí
- 17:14o Paulo, como cara, muito bacana como sempre, ele foi
- 17:18lá, polibilizou aquele espaço em cima do EAP, a
- 17:21gente fez uma chamoba, um monte de gente, e levou os
- 17:26cervejos para o pessoal experimentar. Aí
- 17:28você viu o pessoal de imprensa, pegava careta, um
- 17:33negócio legal, entendia o conceito, ninguém curtiu,
- 17:40ninguém conseguiu entender. Então
- 17:42foi uma coisa que foi muito engraçada essa parte.
- 17:45Eles recebiam, o pessoal
- 17:46escrevia, falava, falava, falava, e ia ver depois o
- 17:50que estava escrito, que era tudo um monte de coisa
- 17:53desencontrada, um monte de informação errada, dureza. A
- 17:56divulgação foi muito difícil, porque quanto mais
- 17:59você explicasse, menos saía no final do pipeline, da
- 18:04conversa, o que você tinha falado. Sempre
- 18:06ela era vista de outro jeito. Acho
- 18:09que o que sempre impulsionou, falando da
- 18:12nossa história da morada, como produtor de Saoas, foi
- 18:17o grande forte, foi muito mais um mercado
- 18:19gastronômico, sabe? Bem mais do que o mercado
- 18:22cervejeiro na nossa história, na nossa
- 18:25experiência, muito mais o mercado da alta gastronomia,
- 18:29os chefes de cozinha, os restaurantes de alto nível,
- 18:32que já tinham também contato com isso dos mundos
- 18:35dos vinhos, dos vinhos do lado dos espumantes, de
- 18:39outros tipos de bebidas, entendiam mais fácil a
- 18:43Saoas do que o próprio público cervejeiro. A
- 18:48minha risco é dizer que quem sabe até hoje, acho
- 18:50que eles tenham uma visão ampla de bebidas, de
- 18:54possibilidades de harmonização, desse potencial
- 18:58que a Saoas trazem dentro de um cenário gastronômico.
- 19:03Eles ajudaram muito a gente a
- 19:05estabelecer nossos produtos e ver eles sendo usados de
- 19:10verdade no dia a dia, ver cervejas Saoas, nossas
- 19:14entrando em menudo de gustação, harmonizado de
- 19:18vários restaurantes bacanas, e isso ter um impulso de
- 19:21recompra, de continuidade e de divulgação, e de elas
- 19:25serem bem estabelecidas. Então,
- 19:27sem dúvida, também esse é um dos fatores na nossa
- 19:31história que fez se consolidar ao longo dos
- 19:34anos esses produtos. Acho que a gente foi carregado
- 19:38bem mais. Esses produtos na nossa história
- 19:41foram carregados mais pelo mercado gastronômico, que a
- 19:43gente tem uma boa participação, do que pelo
- 19:46mercado cervejeiro, em termos de taphouses, de
- 19:49taim torneiras. Hoje não é tanto, acho que esse
- 19:52vale diminuiu um pouco, essa distância diminuiu um
- 19:55pouco. Mas se a gente for falar a 4,
- 19:595, 6, 7 anos atrás, mesmo depois dessa primeira fase,
- 20:03onde era super novidade, você pegava 2015, 2016,
- 20:082017, era para a gente muito mais fácil chegar num
- 20:11restaurante e apresentar várias das cervejas que a
- 20:15gente tinha de linha e aquilo ser muito mais bem
- 20:17visto do que conseguir que elas tivessem sucesso numa
- 20:20loja de garrafas, uma barulho -shop, ou conseguir
- 20:23colocar num taphouse tradicional de cervejas. A
- 20:27galera estava alafocada justamente nas ripas e nas
- 20:30imperialstaltes. A minha é mais amarga, a
- 20:32minha é mais torrada, a minha é mais alcoólica, a
- 20:35minha é mais no seu quê. E
- 20:36pouca gente dando tanta atenção para esses estilos
- 20:39de cerveja. Então, acho que isso é uma lição
- 20:42também para a gente. Eu tomei essa lição de, o
- 20:46primeiro momento eu me senti meio frustrado, falei,
- 20:49cara, como que não vai para frente ali? De
- 20:51repente você encontra esse outro nicho onde as pessoas
- 20:54entendem, aceitam, tem um magnetismo maior para uma
- 20:58determinada categoria de produtos, você fala, puto,
- 21:00você tem que aproveitar daquilo e usar aquilo como
- 21:03plataforma, aquilo como trampolim para alcançar
- 21:06esses objetivos. Adianto você ficar assim, se
- 21:09fechando do mesmo jeito, que tem outros tipos de
- 21:11produtos que são muito mais difíceis de você entrar
- 21:13nesse tipo de ambiente, nesse tipo de oportunidade
- 21:16de consumo. Porque eu acho que tudo isso é
- 21:18essa palavra, fala tudo, oportunidade de consumo.
- 21:22Naquele tipo de oportunidade, que
- 21:23tipo de produto que funciona? Tem
- 21:25coisa que funciona na beira da praia, que funciona na
- 21:28piscina, tem coisa que funciona no taphouse, tem
- 21:30coisa que funciona no restaurante. Não
- 21:33é exatamente a mesma coisa que vai falar em todos
- 21:37esses cenários. Então você entendeu que você tem
- 21:40em mãos e tentar usar aquilo em seu benefício, se
- 21:43aproveitar das aberturas, das oportunidades que você
- 21:46quer, que você tem disponível, que a sua marca
- 21:49consegue conversar e cultivar esses públicos.
- 21:52Porque todos os públicos são
- 21:53importantes, que a gente consiga tocá -los para criar
- 21:56mais pontos de conexão com a história da cerveja
- 21:59artesanal. Então acho que esse também é um
- 22:01ponto bacana de pontuar nessa jornada. Bojunca,
- 22:05a minha leitura é que as primeiras iniciativas de
- 22:07Sauer lá naquele tempo, eram produtos mais extremos
- 22:10e mais complexos. Uma analogia é como se
- 22:13estivesse esse projeto manipueira sendo lançado lá
- 22:16em 2013. Saca para um público, cervejeiro
- 22:19brasileiro, que eu acho que não estava maduro para
- 22:21aquele produto. Não sei se madura é palavra,
- 22:23mas talvez não estivesse acostumado ou não estivesse
- 22:26preparado, enfim. Então talvez a gente teve que
- 22:28dar um passo atrás, talvez esse passo atrás foi a
- 22:30Catarina Sauer, um produto mais brando, mais de
- 22:33entrada, brando que eu digo em relação a acidez, até
- 22:36com outro propósito e com outro atrativo que eu acho
- 22:38que foram as frutas, que foram fundamentais, eu acho,
- 22:41para dar esse passo depois futuro, talvez para criar
- 22:44esse momento em que a manipueira e outras
- 22:47iniciativas agora, como a gente viu agora na palestra
- 22:49anterior, pudessem ser inseridas no mercado
- 22:52cervejeiro. Então a gente foi depois criando
- 22:56uma escadinha. Quando se fala em Sauer, é um
- 22:59universo muito amplo. Então existem Sauer extremamente
- 23:02complexos, de um, dois, três anos de fabricação.
- 23:05Existem Sowers menos complexos,
- 23:08sensorialmente falando, também, que podem ser a
- 23:10porta de entrada para o público para não se
- 23:12assustar com produtos tão extremos. Eu
- 23:15acho que também tem a evolução do paladar, mesmo
- 23:17das pessoas que estão inseridas no meio
- 23:20cervejeiro. Eu percebo como uma história
- 23:22de que quando a gente, a primeira cerveja que a
- 23:24gente lançou, que realmente a gente teve bastante
- 23:28sucesso, que foi a nossa American Paleo Ale, ela era
- 23:30uma cerveja que acabou de, de certa forma, aprovando
- 23:35isso, que foi o primeiro contato, acho que as
- 23:39pessoas tiveram em uma tepihouse, por exemplo, com
- 23:42um show de uma cerveja feita com dry hop de luto
- 23:45americano e um pouco mais amarga. Na
- 23:47época que a gente não lançou essa cerveja, é
- 23:49engraçado falar assim, que existiam P .O .A. e
- 23:52Supervendendo Brasil, existiam, mas todas, mais
- 23:55ali naquela região, de Santa Catarina, Rio Grande
- 23:57do Sul, que eram receitas muito parecidas, que na
- 23:59verdade é uma English Paleo Ale. E
- 24:01aí muita gente teve o contato, primeiro contato
- 24:04com essa nossa cerveja, e a nossa memória sensorial,
- 24:08ela é impressionante, você lembra a sensação que você
- 24:10teve. E aí as pessoas pegavam e
- 24:13aí, e a maior parte das pessoas que não tomavam,
- 24:15achavam ela extremamente amarga. Aí
- 24:16o cara ia começar a tomar as IPAs, começava a
- 24:19desenvolver o paladar, e esse desenvolvimento do
- 24:21paladar, ele realmente, ele é um processo, né? Aí
- 24:24às vezes o cara chegava lá e falou assim, po, essa
- 24:26cerveja da Whey, eu lembro dela, po, essa cerveja
- 24:28super amarga, o cara toma e fala, po, mudar a
- 24:30receita. E aí assim eu recebia, pô,
- 24:32eu gostava quando ela era mais amarga, porque a gente
- 24:34nunca mudou. Então isso é a prova da evolução
- 24:37do paladar. Quando a gente lançou a Saur, foi
- 24:39a mesma coisa. Eu não tenho vergonha de
- 24:41falar, quando eu comecei a fazer cerveja em casa e
- 24:44tal, eu lembro uma vez, a gente foi para um, teve um
- 24:47evento lá de um, um curti -bano lá, que ele pegou,
- 24:51ele tinha ido para a Bélgica, ele comprou um
- 24:52monte de cantilhão, e ele chegou e falou, vamos fazer
- 24:55250 reais cada um, a gente faz um racha aqui, deixe
- 24:58marca de bebê e cerveja todas juntas. Eu
- 25:00falei, é legal, eu lembro que eu fui, tomei e falei,
- 25:02cheguei, eu lembro da minha reação, voltando para casa,
- 25:04falei, puta, aqui para, joguei 250 pela fora, né,
- 25:07cara? O cerveja ruim para a cacete
- 25:10e tal. Cara, não estava preparado, hoje
- 25:11em dia eu adoro, né, depois, lógico. Isso
- 25:14é a prova, a gente evolui o paladar. Então
- 25:16assim, a gente mesmo, às vezes não está preparado
- 25:19para aquele momento. Então assim, acho muito legal. Eu
- 25:21lembro assim, essa coisa de falar de Saur, falar de
- 25:25Saur, a gente, eu sempre acabava falando assim, cara,
- 25:27mas o que a gente tem de repente lá na Bélgica,
- 25:30quando a gente fala dessas mais complexas, quando a
- 25:32gente fala de Lâmbica, de Guelze e tal, é um mundo
- 25:37muito distante assim, né? Aí
- 25:38a gente pega e vem, de repente, chega o Diego, ele
- 25:40começa a fazer, o cerveja se toma e fala, caraca,
- 25:44né? Pô, aí assim, acho que para
- 25:46mim, eu acho que a minha reação de evolução do nosso
- 25:49mercado brasileiro, que eu me lembre bem, de tomar e
- 25:51falar assim, porra, isso aqui, cara, está muito
- 25:53próximo do que a gente bebe lá, e assim, eu acho
- 25:57que, da mesma forma, as pessoas acabam evoluindo e,
- 26:02lógico, é diferente, né? E esse projeto agora, eu acho
- 26:04assim que é muito bacana esse manipueira, porque
- 26:08muita gente acabou entrando, tem muita gente fazendo,
- 26:12né? E é um negócio que é legal,
- 26:13porque assim, isso é uma coisa super nossa, né?
- 26:15Então assim, lógico, tudo bem,
- 26:17que a gente tem umas formas de a gente fazer,
- 26:19que a gente acaba se inspirando em algumas
- 26:21práticas, algumas técnicas, que não são daqui, mas
- 26:24assim, eu costumo falar assim, para mim, isso aqui
- 26:26é uma luz no fim do túnel, um momento atual, o
- 26:29cervejeiro que a gente vive, assim, que não está
- 26:31muito fácil, mas assim, é um negócio muito bacana,
- 26:34assim, curti bastante, assim, e eu acho que a
- 26:35evolução chegou em um ponto que a gente está
- 26:37conseguindo hoje, chegar nessas pessoas preparadas
- 26:40para experimentar, e eu falei, poa, legal, está
- 26:42bacana, né? Essa evolução é notável do
- 26:46público, outro ponto também que, dentro do estópico da
- 26:49evolução, que eu acho que a gente vem ganhando
- 26:53velocidade, vem crescendo bastante, é no entendimento
- 26:57desses produtos, e também no entendimento de como
- 27:00construí -los, né? Principalmente
- 27:02quando a gente fala das sáuas envelhecidas, porque
- 27:04lá atrás, quem tinha barril? Se
- 27:07for pensar há 5, 7, 8 anos atrás, quantos barris
- 27:12com sáuas biatiam aqui no Brasil? Hoje
- 27:15em dia a gente já tem um número muito maior de
- 27:17adegas, né? Eu lembro dos primeiros barris,
- 27:20chegando na OE, a gente lá vendo aquela maior novidade
- 27:22do mundo, cara, tem 2, 3 barris, agora comprei mais
- 27:252, 3, 4 barris, eu, quando peguei meu primeiro barril,
- 27:28depois fui lá e encomendei mais 2, 3, agora eu já
- 27:31tenho 20 tantos barris, como um cigano sem espaço,
- 27:34sem nada, me atolo com arquilo em do CV, várias
- 27:36outras iniciativas, não só de barris de sáu, mas
- 27:39barris de envelhecimento, sem ser sáu, e essa
- 27:43técnica, que é muito inerente desse tipo de
- 27:46produção, que é você poder construir a cerveja de uma
- 27:50maneira diferente, né? Porque
- 27:51ela te dá o potencial, não só de um jeitão moderno de
- 27:55fazer de você desenhar uma receita, cozinhar o moço
- 27:58daquela receita, fermentar matura em vasa, ela é
- 28:01aquilo do começo ao fim. Aqui
- 28:02não, você cria um moço, fermenta ele, coloca em 2,
- 28:063, 4 barris, 5 barris, e aí cada um daqui, eles vai
- 28:09tomar um caminho, esse eu vou usar para aquela coisa,
- 28:11esse eu vou usar para ele, você começa a montar suas
- 28:15cervejas a partir de blend da coleção de barris que
- 28:19você tem, né? O Alessandro falou, ah, peguei
- 28:21um barril, resolvi colocar uma determinada fruta dentro
- 28:24dele, que era um pedaço de uma produção do monstro,
- 28:26virou um caminho, é uma história, o outro barril
- 28:28não puz a fruta, o outro barril produziu uma outra
- 28:31cerveja e fiz um blend para mudar a cor dela, ou
- 28:35para mudar o teor alcoólico, para aumentar,
- 28:37para diminuir, para ajustar, para modificar ela, para
- 28:40introduzir um novo micro -organismo, que era trazer
- 28:43um outro perfil de fermentação, faço metade do
- 28:45moço com uma outra fermentação, então você tem
- 28:48uma possibilidade muito maior de intervenção nesses
- 28:52líquidos que você tem reservados ali na tua DEGA
- 28:54e utilizar eles ao máximo do potencial, fazendo essas
- 28:58assemblagens, esses blend, essas construções que são
- 29:02técnicas que eram raríssimas de se encontrar, você
- 29:06contava nos dedos da mão, as pessoas que tinham um
- 29:09material e tinham um know -how para fazer isso lá
- 29:11atrás. Alguém aqui já ouviu falar de um
- 29:13curso de blend de sour beer? Aonde
- 29:16que tem, mestre Ali, para você fazer um curso de
- 29:19aprendeu, como é que faz para funcionar um blend da
- 29:22certo para construir ele? Pois
- 29:23só a gente fazendo e errando e testando, fazendo
- 29:26de pouquinho, no cenário experimental, deu certo
- 29:29isso, deu pior aquilo, e do mesmo jeito que um
- 29:31cervejeiro caseiro faz o primeiro mostuzinho dele,
- 29:35coloca lá prova que ele mostra o fermentando no
- 29:37segundo, o terceiro dia, prova no final da primeira
- 29:40semana, prova no final do primeiro mês, ele aprende a
- 29:43acompanhar a curva de evolução daquela fermentação
- 29:47ali tradicional. Depois disso, quando você vai
- 29:50trabalhar com barris, essa mesma coisa acontece, só
- 29:53que ela não é uma semana, duas semanas, três semanas,
- 29:56um barril ele tem uma vida assim, para começar, querer
- 29:59falar alguma coisa é três a seis meses. Para
- 30:02ele dar uma volta inteira, você tem que acompanhar um
- 30:04barril dois, três, quatro anos, dependendo da
- 30:07circunstância, para ver todo o potencial que ele tem
- 30:09para desenvolver. Então, quando você faz o seu
- 30:11primeiro, você não tem tanta noção, mas depois que
- 30:13você já está cinco, oito, dez anos, uma quantidade
- 30:17grande de barris, você pode até pegar um barril mais
- 30:20novo, um produto novo que você provou agora, você
- 30:23testa ele, prova, fala, não, isso aqui está longe
- 30:25de pronto, mas vai dar bom. Eu
- 30:27já provei outras nessa circunstância, eu sei que
- 30:29isso vai amadurecer por esse caminho, eu sei que
- 30:31isso tem potencial, ou outros que estão
- 30:33estacionados, você fala, isso daqui não adianta, não
- 30:35vai andar para mais isso daqui, porque eu já vi
- 30:38aquilo, então, tem esse aprendizado que a gente
- 30:40precisa obter, só que a curva é muito mais tênue,
- 30:46é muito mais lenta, porque é um período longo de
- 30:49tempo, então você tem não adianto, você não vai
- 30:50conseguir desenrolar e aprender a entender aquilo
- 30:54tudo na suas primeiras tentativas. Você
- 30:56vai ter que dedicar vários anos para absorver aquele
- 31:00conhecimento, aqueles testes ali, antes disso você não
- 31:02amadurece na história. O Junca, além da evolução que
- 31:05a gente comentou então do mercado consumidor das
- 31:08fábricas, essa evolução de processo, a gente teve uma
- 31:11evolução nos últimos anos do mercado fornecedor,
- 31:13principalmente de micro -organismos. Então,
- 31:15na época, quando a gente começou, a gente trazia a
- 31:17garrafa vazia na mala, de viagem da gringa, com a
- 31:22boca ali tampadinha, com o plástico filmes, para chegar
- 31:24em casa e tentar aproveitar o fundinho da garrafa, para
- 31:27replicar aquilo. Quando a gente começou a fazer
- 31:29Sauer, a gente fez contato com um laboratório que
- 31:32vendia uma sepa específica de lactobacilo que a gente
- 31:35queria, os caras estavam, beleza, custa tanto, e está
- 31:37aqui o pacote, eu falei, cara, com isso aí eu faço
- 31:39três anos de Sauer, me faz um pacote menor, e aí a
- 31:43gente conseguiu lá em Floripa desenvolver um
- 31:45fornecedor que conseguisse reduzir o pacote de lacto
- 31:48para produções viáveis para o nosso group hub, e aí a
- 31:51gente acessou para as cervejarias locais. Então,
- 31:52o mercado fornecedor também abriu os olhos e se
- 31:55desenvolveu para esse cenário que a gente estava
- 31:57construindo e está vivendo hoje. Esse
- 31:59aspecto também foi muito bem lembrado, muito bem
- 32:02colocado. A gente, a Linkuritiba, até
- 32:04não pode reclamar muito que a gente foi privilegiado, a
- 32:07Alessandro, por ter a Bio4. E
- 32:10a Bio4 era um laboratório que já trabalhava, não com
- 32:13micro -organismos focados no mundo cervejeiro, mas em
- 32:17outros tipos de micro -organismo para outros
- 32:19setores, mas também bastante para fermentação de cana,
- 32:23tanto para a cachaçaria, principalmente para a usina.
- 32:26Então eles já tinham conhecimento
- 32:28de micro -organismos, de fermentação alcoólica, já
- 32:31tinham, e até mesmo parte do conhecimento de
- 32:34contaminantes, que na época para ele era aquilo que
- 32:36ele não devia ter, mas precisava saber a respeito.
- 32:40Então a gente pode rapidamente se
- 32:42aproveitar da estrutura de propagação e de igualdade,
- 32:45de ter isso disponível. Então
- 32:47foi uma facilidade que a gente teve, mesmo antes
- 32:50deles encararem isso como um negócio e entrarem no
- 32:53ramo cervejeiro como fornecedor mesmo, o Marcelo
- 32:56já dava apoio para o pessoal, sempre com um cara
- 32:59bem curioso a respeito disso tudo, para ajudar a
- 33:02gente a resolver essas dificuldades das nossas
- 33:05produções lá atrás, lidar com esses micro -organismos.
- 33:23Pô, Zinal, deu uma dúvida do
- 33:24colega ali atrás e a gente chegou nessa. Bom,
- 33:27eu já usei muito cerveja da morada, da UE, da LIFE,
- 33:30para introduzir pessoas ao mundo da cerveja que às
- 33:33vezes não gostavam da cerveja, o que é que vocês
- 33:35pudessem falar um pouco do papel da Sauer, para se
- 33:38expandir a categoria realmente, o André comentou
- 33:41do restaurante, mas aquela história de ser uma cerveja
- 33:44que realmente expande a categoria, substituir aquela
- 33:47história do showpidivinho até, de ser uma opção, e
- 33:50se deve se desenhar para esse tipo de pessoa que já
- 33:52não gosta de cerveja, ou se é para o público de
- 33:54cervejeiro, quanto que essas pessoas que não gostam da
- 33:56cerveja são importantes, e como vocês veem o potencial
- 33:58dessas pessoas na Sauer em geral. O
- 34:01que eu sempre falei, assim, para dar essa dica para
- 34:03quem vai fazer uma introdução nessa, a Sauer
- 34:06tem um problema que é o susto, se eu chegar para o
- 34:09cara e fala, prova essa cerveja, o que acontece?
- 34:12Ele vem com uma noção
- 34:13preconcebida na cabeça dele do que é a cerveja.
- 34:16Estamos falando de um leigo, se
- 34:18você vai apresentar para um leigo uma cerveja, e aí o
- 34:21cara fala de cerveja e ele vai pensar nas cervejas
- 34:24clássicas, no máximo lá navais, numa Stout, alguma
- 34:28coisa um pouco diferente, que ele tomou de uma
- 34:30Stunderlager, e aí você bota uma Sauer, o susto é
- 34:32muito grande. Só que eu acho que aí é um
- 34:35erro nosso de não preparar o cidadão para provar uma
- 34:38Sauer. Fala para ele o seguinte,
- 34:40esquece cerveja, isso é uma cerveja, mas esquece
- 34:43cerveja. Pensa que você está tomando algo
- 34:46lá do mundo dos vinhos, um espumante, ou que você está
- 34:48tomando um coquetel, porque acidez é muito presente na
- 34:52nossa vida. A gente consome coisa a
- 34:54açúcar todo dia, a nossa vida inteira, desde quando
- 34:57você nasce. A primeira coisa que você vai
- 34:58tomar lá, o leite da tua mãe é açúcar, você vai
- 35:00tomar um suquinho, uma papinha, um chazinho, tudo
- 35:04que é molho, tudo que você come, é açúcar bebida, tudo
- 35:06que é tempero, de tudo é açúcar. Você
- 35:08vive no mundo de coisa a açúcar sendo introduzida na
- 35:11tua alimentação. Então o problema não é acidez,
- 35:15propriamente dito. O problema é a expectativa de
- 35:18que aquilo devia ser X, eu ponho na boca, é totalmente
- 35:21ao contrário. Então acho que essa barreira é a
- 35:23barreira número um. E a respeito das pessoas, eu
- 35:27tinha comentado do mundo gastronômico, eu acho que é
- 35:29muito mais fácil apresentar uma cerveja dessa para um
- 35:32cara que não toma cerveja, porque ele está muito mais
- 35:35aberto, do que para aquele cara, não, eu sou do
- 35:37cerveja, eu adoro cerveja, tomo cerveja todo dia, toda
- 35:40semana, é fechado já com uma ideia fixa do que é a
- 35:44expectativa dele a respeito da cerveja. Aí
- 35:46quando ele vê um troço totalmente diferente, e
- 35:49apesar de ser cerveja, a fundação estrutural da
- 35:53construção da Sauer é diferente. E
- 35:55a cerveja não, Sauer, todas elas, todos os estilos, são
- 35:58uma brincadeira de amargo e doce. Seja
- 36:01ela mais delicada, seja um estilo muito mais forte,
- 36:04mas você sempre tem uma tensão e um equilíbrio
- 36:09entre o sorio e a margoure. E
- 36:10a Sauer não depende disso, ela vai ter o brilho da
- 36:14acidez e o conjunto de sabores que ela vai trazer
- 36:16em volta, não depende dela ser nem doce nem amargo,
- 36:19você não precisa de nenhum desses dois para ela
- 36:20funcionar com o produto sensorial. Então
- 36:23você tira o tapete debaixo do pé do cara na hora que
- 36:25ele põe na boca, se você não prepará -lo adequadamente
- 36:28para aquela experiência. Então
- 36:30ao longo dos anos, acho que essa foi a lição mais
- 36:32que eu tive. Prepare -o se é o primeiro contato,
- 36:35dê uma explicação, fala primeiro saia daquele estado
- 36:38mental para você provar uma história diferente. Esse
- 36:41alinhamento de expectativa que o Junca está falando
- 36:44foi basicamente o que originou o nome da Catarina
- 36:46Sauer. Quando a gente lançou o produto,
- 36:48foi uma cerveja colaborativa do Leifei com a cervejaria
- 36:51blumenal. A cervejaria blumenal nem
- 36:53tinha fábrica, na época que estavam montando, eles eram
- 36:55ciganos na região de blumenal. E
- 36:57a gente lançou uma Catarina Sauer com fruta, Bacaxi
- 37:00Ortelã. E não vendia, não vendia, não
- 37:02vendia aquele esquema do cliente devolver copo
- 37:04dizendo cara, está estragado porque a gente não sabia
- 37:06como chamar e a gente chamou de Berliner Weiss. E
- 37:10a galera olhava o nome Weiss, é Weiss, cerveja de
- 37:12trigo, dá para cá e devolviu o copo. Aí
- 37:15liguei para o lapolha e falei, carai, tá vendendo
- 37:16em blumenal? Eu falei, não, tá vendendo,
- 37:18vamos trocar o nome? E aí, dali surgiu, tem um
- 37:20monte de história em relação ao nome e tal, um
- 37:22monte de boate. Mas surgiu o nome Catarina
- 37:24Sauer, esse é o alinhamento de expectativa. E
- 37:26o que o Junkka fala, a minha apresentação é a
- 37:28Sauer, pelo menos as Sowers não estão complexas, está
- 37:31para a cerveja assim como o espumante está para o
- 37:33vinho. Então é uma analogia que a gente
- 37:35faz e é justamente isso, preparar o consumidor para
- 37:38que ele não tome o susto. Eu
- 37:40acho que a gente consegue enxergar a versatilidade da
- 37:43cerveja, a quantidade de estilos e a quantidade de
- 37:45coisa que a gente consegue fazer com o mesmo produto
- 37:47chamado cerveja. Quando a gente fala assim, você
- 37:49fala vinho, quando tem essas comparações,
- 37:52principalmente para a harmonização e tal, o vinho
- 37:55é fermentado de uma fruta. A
- 37:56cerveja, ela é fermentado de sevada, que pode ter
- 37:59fruta, pode ser ácida, pode ter madeira, a fruta
- 38:03inclusive pode ser uva. Então,
- 38:05e a Sauer, eu vejo, existe às vezes, quando eu estou
- 38:08ali na fábrica, estou na Weiss, chega alguém ali,
- 38:11normalmente, de repente, chega aquele cara apaixonado
- 38:13por cerveja, que você vê assim, e da mulher do lado
- 38:16assim, eu não gosto de cerveja. Eu
- 38:19sempre falo assim, você já se apresenta, Sauer? É
- 38:21impressionante, assim, como tem essas pessoas, é o
- 38:24perfil da pessoa que ela vai curtir, sabe? Ela
- 38:26toma e curte, você vê que ela gosta, então eu acho
- 38:30que acaba essa abrangência que você comentou, eu acho
- 38:34que ela cabe muito bem para esse tipo de público.
- 38:37A gente fez um experimento
- 38:38muito legal, alguns anos seguidos, no festival
- 38:40brasileiro em Blumenau, então, quem já teve a
- 38:42oportunidade de ver o estande do Liff, é sempre
- 38:44um caminhãozinho verde, é um truck, um beer truck. E
- 38:46lá a gente levava uma quantidade bem maior de
- 38:48Sowers, do que a gente tem disponível ao longo do ano.
- 38:51Claro, a gente quer se mostrar lá
- 38:52em Blumenau, então a gente levava uma caralhada de
- 38:53cerveja, e não tinha cervejas mais básicas, então
- 38:56o público de Blumenau ao longo do festival, ele
- 38:58varia, chega no sábado, é um público mais local, que
- 39:01não está tão atento para cervejas mais extremas. E
- 39:04aí é aquele clássico, Tempilsen, não, Tempilsen,
- 39:07não. E a gente perdia muita venda,
- 39:08até um dia que a gente ficou meio irritado, assim,
- 39:10falou, cara, tempilsen, tem, tem uma pilsen, mas vai
- 39:13fruta, quer experimentar, só que é uma pilsen mais
- 39:16ácida. Claro, a gente fez uma
- 39:17brincadeirinha, a gente não apresentava dessa forma para
- 39:19o cliente, mas esse experimento mostrou que,
- 39:22cara, é impressionante a adesão das pessoas leigas,
- 39:26ou que não bebem, ou bebedores até de pilsen,
- 39:28cervejas mais mainstreaming, com Sowers, com Sowers com
- 39:31fruta, principalmente. Desde que você maneja a
- 39:34expectativa do cidadão, não é trabalhando a expectativa,
- 39:37ele chega de braços abertos, você der o susto
- 39:39aí aonde é a maior dificuldade. Bom,
- 39:43falando sobre essa evolução, que vocês comentaram aí,
- 39:46nos últimos minutos, sobre alinhar a expectativa do
- 39:49cliente com relação a Sowers, e meio que entender
- 39:53como o produtor, de como é o processo para fazer essa
- 39:56cerveja, eu pego meio que de raciocínio a evolução do
- 40:00que foi depois de 2016, 2017, que é um site onde
- 40:02ficou padado o estilo catarina Sowers, e que foi
- 40:06a evolução disso nos últimos anos, e eu não
- 40:08consigo não ver as smooties como uma consequência do
- 40:11que foi construído no processo de desenvolver esse
- 40:14estilo, que já vai para uma linha muito mais
- 40:17extrema de quantidades absorbes cenas de fruta,
- 40:20com turbidez pesada, acidez muito mais extrema para
- 40:23compensar esse do sol, fruta não fermentada, então
- 40:26eu queria ouvir opinião de vocês, tendo feito parte
- 40:28desse processo de construção da Sowers, o quanto isso
- 40:31pode agregar um pouco de risco também, no sentido de
- 40:35a gente estar mal educando o consumidor ao ponto de
- 40:37falar que, beleza, a Sowers é cerveja, a gente tem uma
- 40:40base feita com malte, a gente usou frutas, que são
- 40:43da nossa região, e aí tem acidez, que pode ser que
- 40:47tenha relação com cerveja, que vocês não estão
- 40:49acostumados, e aí hoje as cervejas que a gente tem
- 40:52que são a botar entre aspas, consequência desse
- 40:54processo, são sucos, ácidos, cervejas frescas, enlatados,
- 41:00enviados para o outro lado do Brasil, com um logo
- 41:02dizendo, deixar refrigerado que senão pode explodir,
- 41:04então pegando um pouco a provocação que quero ouvir
- 41:07de você sobre isso, qual a opinião de vocês para, com
- 41:09relação a esse tipo de produto mesmo? Bom,
- 41:12eu acho que, sim, de até pouco eu estava conversando,
- 41:14falando sobre isso, que eu acho que é um pouco
- 41:16cíclico essa coisa de, assim, você começa, um meio
- 41:21cervejeiro tem a tendência, existe uma tendência no
- 41:24meio cervejeiro, normalmente acaba vindo da gringa, você
- 41:27chegar a todo mundo com uma cervejeria lá que
- 41:29explodiu e tal, ela começa a fazer um tipo de
- 41:33cerveja, lança alguma coisa nova, e vai todo mundo
- 41:36mais ou menos aquele caminho. E
- 41:37essas tendências que já foram as double IPAs,
- 41:41depois virou as infirestautes, daí depois
- 41:44virou as pastrystautes, daí sempre tem essas coisas que
- 41:47ficam mais ou menos na New England, na época, e eu
- 41:50acho assim que chega um momento, eu vejo as pessoas
- 41:53que estão realmente mais ligadas na cerveja, chega
- 41:56um momento que sim, cara, ele chega, eu vejo ele
- 42:00mais indo para um caminho de, sabe, estilos clássicos,
- 42:04lagers bem feitas, e aquela coisa assim, e eu vejo
- 42:08hoje uma coisa que eu acho que está acontecendo no
- 42:10mercado como um todo brasileiro, assim, eu vejo
- 42:13pessoas que, grupos de amigos que não são tão
- 42:15próximos e que não vivem na bolha que a gente vive,
- 42:18né, que é difícil a gente conseguir olhar para fora
- 42:20da bolha, mas assim, os caras que porra, três,
- 42:23quatro anos atrás, os caras estavam muito falando de
- 42:25cerveja, curtiam sair para tomar cerveja, hoje os
- 42:28caras curtem sair para tomar um drink, estão na
- 42:31vibe do, sei lá, de uma outra coisa, e já não
- 42:34estão mais nas cervejas, sabe, então eu acho que a
- 42:35gente perdeu um pouco de público, porque eu vejo
- 42:38assim que muitas cervejas foram para os caminhos e,
- 42:40pô, a gente tem que inventar um negócio novo,
- 42:42ah, legal, inventar um negócio novo é bacana, é
- 42:44legal, a gente sempre fala de inovação, inovação, só
- 42:46que, pô, eu cheguei uma hora com o cara e falei
- 42:47assim, então o que tem de novo aí? Tem
- 42:49uma pastrystauta, cara, tal, pô, não curti, tem isso
- 42:51aqui, as New Englands, quando começaram a ser
- 42:54feitas no Brasil, os caras botavam uma coxinha de
- 42:56lupuló absurda, a cerveja ficava extremamente amarga,
- 42:58no começo ninguém estava fazendo direito, as pessoas
- 43:01tomavam assim, pô, mas isso aqui não é legal, não, mas
- 43:04isso é legal o mundo inteiro, tá, não sei se é
- 43:07legal, e eu vejo esse tipo de sour que você comentou,
- 43:10mais ou menos esse caminho assim, sabe, todo mundo
- 43:13querendo pegar aquele rabo da tendência e tal, e eu
- 43:17acho que às vezes atrapalha, atrapalha,
- 43:19atrapalha quem faz um, quem está num caminho, por
- 43:21exemplo, de manipoeira, que, pô, é um negócio super
- 43:24bacana, muito legal, não tem nada a ver, eu negócio
- 43:26com o outro, né, e aí assim a gente acaba
- 43:29perdendo um pouco, porque assim, eu vejo o
- 43:31consumidor, o público, você tem ali algumas cartas ali
- 43:35para gastar com o cara, você gastou uma, não
- 43:38gostei, né, botou outra carta de cor, você falou
- 43:40assim, não, não curti, você falou, acho que, cara, vou
- 43:42pro lado do drink, vou tomar gin, vou fazer alguma
- 43:46outra coisa assim, e não tenho opinião. Ficar
- 43:49riscando 40, 50 contos para pegar um troço desse aí,
- 43:52que pesa mais a minha barriga do que a própria
- 43:54janta que jantei ali, né, então a minha visão é que
- 43:58de um lado, os cervejeiros gostam muito de empurrar os
- 44:02limites, do que cada novo conceito que chega, vamos
- 44:05levar até onde dá para isso chegar, e eu acho que
- 44:07isso tem um lado saudável, porque a experimentação, né,
- 44:11essa curiosidade é muito inerente ali do ser humano,
- 44:14e não seria diferente nesse ramo. Por
- 44:17outro lado, muitas vezes as pessoas ficam focadas só
- 44:20nisso, só quero a loucura de empurrar o limite, sem
- 44:23pensar em trazer aquilo dentro de um determinado
- 44:27equilíbrio, que aquilo tem uma mensagem a entregar,
- 44:30numa questão sensorial mesmo falando. O
- 44:33que que nós estamos falando? Estamos
- 44:34falando de tomar cerveja, ou de tomar um shake de
- 44:37proteína, né, cara? O shake tem um monte de
- 44:40lugar aí que vende milkshake, que vende tal,
- 44:43bota uma dose de vodka em cima e seja feliz. Agora
- 44:46trazer aquilo dentro da história da cerveja, de
- 44:48novo, acontece essa situação que podia acontecer lá na
- 44:50sala. Ah, prova essa cerveja. O
- 44:53caratão o trouxe a um charop, o gordo cheio de
- 44:55açúcar de leite, não sei o que, se fala, cara, não tá
- 44:59ornando com a expectativa que o cidadão tem ali. E
- 45:02esse tipo de experimentação também tem uma outra
- 45:05questão, que ele fala muito com aquele 1 % da bolha,
- 45:10como o mestre Alia dizia. Então
- 45:12não adianta a gente ficar se estaphando dentro do 1 %
- 45:15da nossa bolha de cerveja ali dentro, que é tarado
- 45:20de chegar no lugar, qual é a nova, qual que é o
- 45:22provê, só quero tomar outra. A
- 45:24cerveja tem um ângulo desse, mas o grande ângulo
- 45:27da cerveja é o consumo social, vamos tomar de boa
- 45:32uma cerveja gostosa, de gesta legal, já o pate
- 45:34papo, uma cerveja que vai encaixar numa maneira
- 45:37gastronômica e tal. E esse produto não se encaixe
- 45:40nada disso, ele não é gastronômico, ele pula por
- 45:43cima da tojanta, ele não é algo descontraído pra você
- 45:46tomar, ele é um troço que te desafia, ele não te
- 45:48acaricia, ele te empurra no limite do que você consegue
- 45:51botar pra dentro do teu organismo, é perto disso,
- 45:54você tá quase tirando ela de colher, de dentro do
- 45:57copo. Então é uma quebra de paradigmas
- 46:00tão grande, tão grande, que funciona pra aquela mini
- 46:05-camadinha de super curiosos de dentro da nossa bolha.
- 46:10Mas o nosso problema muitas
- 46:11vezes é achar que isso é vantagem, de querer ficar
- 46:14atacando esse ângulo dentro da bolha. Então
- 46:16você tem que, como o produtor, como o cervejo,
- 46:18você tem que riscar isso da tua cabeça, falar não,
- 46:20nós temos que criar coisas que vão democratizar o
- 46:24consumo, levar ele adiante mais longe, do que deixar
- 46:27ele ser ainda mais nicho do que ele é. É
- 46:30um produto de um nicho menor do que o nosso nicho
- 46:32já era, então você diminui muito. Cara,
- 46:35a estratégia de lançamento de produto bota um up e
- 46:37um top down, você pode sentir que o seu cliente
- 46:39consumidor tá querendo ou você pode empurrar de cima
- 46:42pra baixo com um marketing apelativo. E
- 46:44eu presenciei nos últimos anos isso no mercado
- 46:47cervejeiro e não me agradou, e eu fiz parte
- 46:49disso também e eu boto aqui e faço a minha minha
- 46:51culpa. A geração cervejeiro da
- 46:53opamina, saca? Que precisa de um lançamento,
- 46:56atrás de um lançamento e de atrás de um lançamento.
- 46:58Então conversando com um amigo do
- 46:59Rio de Janeiro, eu disse, cara, eu tô quase quebrado
- 47:02porque eu lanço um produto, eu tenho desenvolvimento de
- 47:05rótulo, eu gasto dinheiro com isso, com o lançamento
- 47:07de produto, com bonificação pra bar e tal, vai lá
- 47:09lança, o cervejeiro bate uma foto, posta numa rede
- 47:12social de cerveja e diz, próxima, próxima, próxima.
- 47:15Então a gente criou, o Junca, eu
- 47:17acho que é mais esperançoso que eu, eu acho que
- 47:19representa mais que 1 % do mercado cervejeiro hoje,
- 47:22esse cara ali que sabe, a cervejaria tá empurrando
- 47:25igual a baixo, mas tem um mercado consumidor emergente
- 47:28que tá buscando esse tipo de produto, que na minha
- 47:31opinião não é legal, já fiz parte disso, mas acho
- 47:34que não é legal. Eu sempre tive medo dessas
- 47:37tendências, porque eu enxerguei desde lá do
- 47:39começo ver, cara, Black IPA, é a próxima história,
- 47:43cadê as Black IPA, né? Brute
- 47:45IPA, é a próxima história, cadê as Brutes? Já
- 47:48vimos essa história rodar várias vezes, então o
- 47:51produto de maior giro da minha marca, hoje que
- 47:54sustenta a minha marca, é um produto que eu lancei
- 47:56em 2014 e continua surpreendendo, é a Rop
- 47:59Ahrab, que eu levo ela onde for e chego de peito
- 48:02aberto, ele continua relevante tanto hoje quanto
- 48:05ele era atrás. Tem alguma firula? Não
- 48:07tem, não tem nenhuma grande firula nele, é um produto
- 48:10muito elegante, muito bem resolvido, e ele agrada de
- 48:14baixo em cima, você dá para um cara que já tomou
- 48:16cervejando o mundo inteiro, ele acha maravilhosa, você
- 48:19dá para um leite, ele acha maravilhosa. Então
- 48:21isso que eu acho que enriquece muita gente,
- 48:23consegui ter produtos elegantes, finos e bem
- 48:25resolvidos, que demonstram uma determinada história e
- 48:28está tudo entregue ali. Esses
- 48:30outros produtos são volátiles, o cara não é,
- 48:32olha aí, o relato, exatamente isso, o cara
- 48:34vive num sofrimento, numa angústia, desse vício, dessa
- 48:39neuro da dopamine, tem que fazer outra, tem que fazer
- 48:42outra, o produto é descartável, não serve para
- 48:44mais uma volta. O que isso quer dizer? Ele
- 48:46não tem recompra, só queria provar um troço novo, não
- 48:50aprovei e joga fora, não vale mais, eu não quero
- 48:53tomar de novo, só queria dizer que eu pudei isso,
- 48:55eu quero marcar no entepto de dizer que eu tomei uma
- 48:58vez. Então tem muita gente que fica
- 49:00tentando viver em cima disso daí, isso é um
- 49:04sofrimento muito grande para todos os ângulos do mercado
- 49:06ali. Tinha várias perguntas ainda da
- 49:13Patéia, mas infelizmente nosso horário já se
- 49:15esgotou, então deixe vocês aí à disposição, meu
- 49:19pessoal. Para acabar com isso, tem que
- 49:21juntar um bando, matar tudo e esperar nascer de novo.
- 49:25O mercado cervejeiro vai
- 49:26evoluir, nos falta um pouquinho de maturidade, mas
- 49:29eu acho que a gente está no caminho certo, é
- 49:30natural. Viva, muito obrigado a todos,
- 49:33valeu. Valeu, galera.
- 49:45Encontro Selvagem é um programa
- 49:47realizado pelo canal Surra de Lúpolo. Abra
- 49:50a serva! E com o apoio nesta temporada
- 49:52do Conselho Federal de Química, se é FQ, sigam,
- 49:56arroba encontro Selvagem no Instagram e não percam
- 49:59nenhum conteúdo.