Latest / Surra de Lúpulo / Cada cerveja uma história – Cervejaria Heineken | Surra #242
Transcript
- 0:08Ipacondriaca apresenta Surra de Lúpulo Oi pessoal, bom dia, boa
- 0:17tarde, boa noite! Eu sou Ludmilla, mais conhecida
- 0:20no Instagram como Ipacondriaca E hoje é o segundo episódio dessa
- 0:24série maravilhosa Cada Cerveja Uma História E na bancada comigo
- 0:30hoje nós temos Que Rufem os Tambores!
- 0:36Alô, Loi, tem Henrique Boaventura aqui e cá estou,
- 0:39falando de Raikkonen. Nossa tão adorada Raikkonen.
- 0:42Aê! Além dele, o nosso jogador caro,
- 0:45o nosso coisa deleitosa amigo que o podcast me deu, o Gabriel
- 0:49Gurian, do Comer História e também do podcast especial Beber
- 0:52História. Alô, alô, salve, salve.
- 0:54Foi rápido, viu? Eu disse pra botar rápido na
- 0:56pauta e foi rápido mesmo. Música Música Galera, mais do
- 1:07que nunca, o Surge Luplo precisa de vocês para continuar
- 1:11produzindo conteúdo independente de qualidade.
- 1:13Então, que tal se tornar um mecenas?
- 1:16Sendo nosso apoiador, você vai poder entrar no nosso grupo
- 1:18exclusivo de WhatsApp, acessar o nosso clube de vantagens com
- 1:21descontos especiais em cursos, cervejas, eventos e muito mais.
- 1:25E claro, quem ainda tem sorteio de brindes e vários mimos para
- 1:28quem está junto com a gente nessa jornada.
- 1:30Para apoiar, é só acessar o site apoia.se e fazer parte dessa
- 1:35comunidade cervejeira. Agora, jovenzinho, jovenzinha,
- 1:40se o bolso tá vazio, tá dando eco, o dinheiro tá curto, você
- 1:44ainda pode nos ajudar de outras maneiras.
- 1:46Bora compartilhar o link desse episódio com alguém que curta
- 1:48esse mundo maravilhoso que você veja, esse universo maravilhoso.
- 1:51E não se esquecer de nos avaliar na sua plataforma de áudio
- 1:54favorita. Cinco estrelinhas no Spotify,
- 1:57Apple Podcast, Deezer, qualquer outra plataforma faz muita
- 2:00diferença que você dê essas estrelinhas pra nós.
- 2:03E... Melhor parte é de grátis.
- 2:06Você não paga nada para fazer isso.
- 2:08E você nos ajuda. Olha que maravilha.
- 2:09Contamos com você para fazer o Surra de Luplo chegar cada vez
- 2:12mais longe. Isso aí.
- 2:24Bom, agora sem mais delongas, porque a gente não tá aqui pra
- 2:27enrolar o nosso ouvinte, a gente vai começar, como sempre, do
- 2:30jeito que eu mais adoro, com um pleonasmo vicioso maravilhoso.
- 2:35Como é que tudo começou nesse comecinho do começão mesmo, lá
- 2:39do início. Imagina isso.
- 2:43Exato! Da Raikkonen.
- 2:45Conta pra gente aí, Gabriel. No início de tudo, era nada.
- 2:52Não, mentira. A Heineken, per se, ela não
- 2:56começou com o nome de Heineken, mas tem-se um consenso de que a
- 3:01história da empresa começou em quinze de fevereiro de mil
- 3:05oitocentos e sessenta e quatro, em Amsterdã, nos Países Baixos.
- 3:09Tinha um rapazinho lá, o Gerard. Falar em holandês é muito
- 3:13difícil, então eu vou aqui carinhosamente aportuguesar o
- 3:15nome do Chapinha para Geraldo. O Geraldo Adrian Heineken.
- 3:20Aí agora Geraldinho, GG, qualquer variação dessa vai
- 3:22estar valendo. Ele tinha vinte e um anos quando
- 3:26o pai dele morreu em mil oitocentos e sessenta e dois.
- 3:29Para a legislação holandesa isso ainda era considerado uma
- 3:31minoridade, mas para ele foi deixado uma herança.
- 3:35Ele poderia muito bem, inclusive, viver com essa
- 3:37herança, viver no espólio da família, porque o pai dele era
- 3:41um vendedor de queijo e manteiga muito bem sucedido.
- 3:44Eles vêm de uma família de descendentes de alemães,
- 3:46inclusive. Heineken tem essa sonoridade
- 3:48alemã e tal. E nesse negócio de vender
- 3:54queijos, apesar de uma crise financeira que assolava os
- 3:56Países Baixos nessa época, que já tinha sido uma nação mais
- 3:59próspera em séculos anteriores, eles viviam muito bem.
- 4:02E o Geraldinho poderia ficar numa boa, numa nice.
- 4:05Mas ele decidiu pôr os pés em pra fora de casa, andar com as
- 4:08próprias pernas e conseguiu antecipar essa emancipação legal
- 4:14dele pra ter acesso às heranças e foi comprar uma cervejaria.
- 4:18Uma cervejaria que já existia, inclusive, desde mil quinhentos
- 4:21e noventa e dois, no tempo em que as pessoas tomavam cerveja
- 4:25no café da manhã, no almoço, no jantar, fossem elas adultos ou
- 4:27crianças. mas já não estava muito bem das pernas nessa
- 4:30época, nessa segunda metade do século XIX.
- 4:33Essa cervejaria, inclusive, se chamava de Rooiber.
- 4:36Eu vou assassinar a língua holandesa aqui hoje.
- 4:39Se você é falante, se você é nativo, me perdoe, mas é uma vez
- 4:42só por palavra, prometo. que significa monte de feno,
- 4:45significa o palheiro. Aí ele foi lá, procurou a agulha
- 4:48no seu palheiro e achou a maravilhosa cervejaria.
- 4:50Mentira. Ele quis pôr a cara na rua, ele
- 4:53quis se envolver nesse negócio, mesmo que não tivesse relação
- 4:56nenhuma com cerveja na sua família, mesmo que não
- 4:58entendesse bolhufas sobre como fazer cerveja.
- 5:01Mas aparentemente ele tinha um bom tino para negócios, porque
- 5:05apesar dessa cervejeira estar em decadência, estava à venda, por
- 5:08isso que ele a comprou, ele conseguiu fazer com que o
- 5:11negócio voltasse aos trilhos, voltasse a funcionar de alguma
- 5:14maneira. E naquela década ele de fato
- 5:16teria um retorno expressivo para a própria reputação daquela
- 5:20marca, que ainda não se chamava Heineken, mas estava sob o
- 5:23comando dele. E apesar da gente associar muito
- 5:27a Heineken hoje a cervejas Lager, Na época, e como ainda
- 5:29era comum nos Países Baixos, prestes a mudar, mas isso ainda
- 5:32era muito comum, eles fabricavam cervejas de alta fermentação,
- 5:35ainda numa época em que as lagas estavam se espalhando, mas
- 5:38havia, assim como no Reino Unido, assim como no caso da
- 5:40Guinness, por exemplo, uma certa resistência, uma certa barreira,
- 5:43esse tipo de cerveja para os britânicos era continental, para
- 5:46eles era só uma cerveja dos germânicos ali, dos vizinhos,
- 5:49mas que estava se espalhando aos poucos.
- 5:52Em mil oitocentos e sessenta e seis, então dois anos depois
- 5:54dessa fundação, ele de fato vai lá e compra um terreno em
- 5:58Amsterdã, e aqui vem mais um assassino da língua holandesa,
- 6:02onde hoje fica a rua Stradhouderskad, que é onde é o
- 6:07Heineken Experience, que a Lud conhece muito bem, eu não sei se
- 6:09o Henrique conhece. Não, infelizmente não.
- 6:11E que talvez boa parte dos nossos ouvidos devem, pelo menos
- 6:15já ter ouvido falar, que ao contrário do St.
- 6:17James's Gate lá em Dublin, que ainda fabrica Guinness, esse
- 6:21logradúrio em Amsterdã não fabrica mais a cerveja, mas é um
- 6:24museu, é dedicado totalmente à marca da cervejaria e remonta a
- 6:29esses primórdios, antes mesmo dela ter o nome de Heineken.
- 6:32E ali a fábrica, um negócio legal, e eu juro que eu acho que
- 6:34é o último assassínio, Mas a fábrica foi inaugurada com o
- 6:38nome de The Vive Rock, que significava o pentágono.
- 6:42E ela tinha uma estrela de cinco pontas pendurada na sua porta.
- 6:47Seria isso um spoiler? Seria?
- 6:50Do que estaria por vir? É, por isso que é a gênese
- 6:53mesmo, é o começo do começo mesmo, do início.
- 6:56É, caminhando mais um pouquinho nessa década, e o cara ainda não
- 6:59sabia de nada, isso é muito importante, o Geraldinho não era
- 7:01um cervejeiro, mas por isso ele ia contar com pessoas que sabiam
- 7:05do que estava fazendo, e no caso ele contrata um cervejeiro
- 7:09alemão, que o Henrique conhece muito bem, entrará na nossa
- 7:13conversa já já, que foi o Wilhelm Feltman Jr., ou segundo,
- 7:17um cara que veio da Baviera e que conhecia as Lagers também.
- 7:22Então, diante desse momento que estava havendo uma disseminação
- 7:25desses estilos de cerveja de baixa fermentação, vindo dessa
- 7:29influência bávara nos Países Baixos, O tino do cara foi em
- 7:34converter a empresa para esse tipo de produção.
- 7:37Então, isso foi gradativamente acontecendo nesse final da
- 7:39década de sessenta, então, veja, cinco, seis anos de
- 7:42funcionamento da fábrica, que já tinha se expandido para um
- 7:45endereço em Amsterdã, para outro endereço em Amsterdã, e também
- 7:49estava vendo uma grande concorrente fazer o mesmo, uma
- 7:52concorrente que o ouvinte deve conhecer, que é a Amstel, que
- 7:55também é amsterdonês, amsterdanense, aí, ao contrário
- 7:58de dublinense, eu não sei como se fala, a naturalidade do
- 8:01nascido em Amsterdã. Mas então essa conversão viria
- 8:04nessa época também, graças a esse cervejeiro e graças ao tino
- 8:07do Geraldinho, para perceber essas mudanças, essa gradativa
- 8:10adoção a esse novo tipo de cerveja como moda, mas também
- 8:14como uma resposta à predileção dos neerlandeses, dos habitantes
- 8:17dos Países Baixos, que não eram só os habitantes da província da
- 8:20Holanda, às bebidas fortes, né? assim como você tem a gin craze,
- 8:24a loucura pelo gin no século XVIII na Grã-Bretanha, você
- 8:27também tem problemas sociais sérios com o consumo excessivo
- 8:31de bebidas fortes, que tinha, claro, sua carga moral, mas
- 8:34também uma questão de saúde pública que preocupava as
- 8:36pessoas e também suscitava essa resposta de outros setores do
- 8:40mercado de bebidas. E nessa mesma época, mais uma
- 8:43expansão, a gente não passou nem uma década de empresa, o cara
- 8:47faz uma parceria com uma cervejaria de Roterdã, lá abre
- 8:51mais uma fábrica e aí de fato você tem a implementação em
- 8:54vários polos dessas cervejas de baixa fermentação, pautado por
- 8:58essa tendência e pautado por esse tino empresarial, digamos
- 9:03assim. E é em mil oitocentos e setenta
- 9:05e três, finalmente, quando você passa a produzir cervejas nesse
- 9:08estilo, desses diferentes polos dentro da província da Holanda,
- 9:12com o nome de Heine. Olha só, que beleza, hein?
- 9:16Uma coisa que eu fiquei me perguntando aqui sobre essa
- 9:18questão da estrela, será que isso não era meio que nem aquele
- 9:21rolê dos pubs ingleses que tinham...
- 9:23Na Áustria também é muito comum isso, de ter alguma coisa,
- 9:27alguma simbologia na frente dos lugares para as pessoas que eram
- 9:31analfabetas na época conseguirem identificar que aquele lugar era
- 9:34alguma coisa do gênero. Tipo, ah, tu passa na frente de
- 9:37uma sapataria, tem um sapato. Tu passa na frente de uma
- 9:39relogioria, tem um relógio. Sabe, na Inglaterra, por
- 9:42exemplo, os pubs Tipo, Drunk Horse Que é tipo, cavalo bêbado
- 9:46Ou White Dove, pomba branca Eram muito também pras pessoas
- 9:50vincularem Quem não sabia ler, vincular Que aquilo ali era o
- 9:53lugar que elas deveriam ir Sem a necessidade de saber o nome Ou
- 9:56precisar ler também Fiquei me perguntando se também não tem
- 9:58relação com isso É uma boa hipótese, porque a taxa de
- 10:01pessoas iliteradas, analfabetas, é muito grande, né?
- 10:05Não é um problema só do Brasil até o século XIX.
- 10:08E, de fato, alguns símbolos são mais literais, outros menos.
- 10:11Eu fui num museu da farmácia esses tempos e aí tem vários
- 10:14sinais de farmácias e boticários ingleses que são o almofariz,
- 10:18assim, que você pila as substâncias pra fazer remédio e
- 10:21tal. É bem possível que isso tenha
- 10:23alguma ligação com isso. É de se pesquisar e pode ser um
- 10:26feat aí depois na postagem do blog que vai acompanhar Esse é o
- 10:29episódio. Boa, boa.
- 10:30Ainda faz a propaganda do blog aí, meu irmão.
- 10:32Tá entregando tudo esse coroche. Tá entregando tudo e mais um
- 10:35pouco. Quando você falou de farmácia,
- 10:37eu lembrei de uma legislação carioca, que eu não sei se é
- 10:40aplicada em outros lugares, que as farmácias aqui precisam ter
- 10:42uma cruz verde. É uma cruz de neon e tal, não
- 10:46sei o quê. Talvez tenha alguma coisa a ver
- 10:47também com símbolos pra você identificar a distância.
- 10:50Mas aqui, se todas elas cumprirem a lei...
- 10:53É uma cruz verde em cima da outra.
- 10:56Na Europa é assim também, né? Na Europa, todas as farmácias...
- 10:59Tu não pode fazer propaganda, se eu não tô enganado, de farmácia,
- 11:01mas todas elas têm uma cruz verde pra indicar que é uma
- 11:04farmácia. Aí, tá vendo?
- 11:06A gente tá chegando em algum lugar.
- 11:07Porém, se alguém ouvir apenas esse corte do Henrique
- 11:10defendendo que a estrela vermelha de cinco pontas não tem
- 11:15nada a ver como apenas um símbolo pra mostrar que ali é
- 11:18uma cervejaria, vão falar o quê? Vai...
- 11:20Comunista! Comunista!
- 11:23Não vai ser a primeira vez. Bom, já que a gente falou de
- 11:30estrela, de signo, de símbolo, a gente vai aqui fazer ou tentar
- 11:36responder essa pergunta. A garrafa da Heineken sempre foi
- 11:40verde? A resposta simples e curta é
- 11:43não. A garrafa da Heineken nem sempre
- 11:45foi verde. E em algum momento, assim que
- 11:48ela começou a ser comercializada, todas as
- 11:50garrafas eram predominantemente marrom, âmbar, né?
- 11:53Era uma escolha comum do século XIX.
- 11:55Pois o vidro escuro, além de ser obtido facilmente no processo de
- 11:59produção, ele também ajudava a proteger a cerveja da luz e
- 12:03preservar sua qualidade. A mudança para a garrafa verde
- 12:07aconteceu bem mais tarde, lá nos anos de mil novecentos e trinta,
- 12:09como parte de uma estratégia de marketing.
- 12:11A gente vai falar um bocado sobre essas inovações
- 12:14marqueteiras da Heineken. A cor verde, já presente no
- 12:18rótulo desde o final do século XX, foi escolhida para
- 12:21diferenciá-la das demais cervejas do mercado.
- 12:23Assim, a cor passou a destacar a marca como superior.
- 12:27Essa associação dessa cor verde diferente da cor da Carrafan Bar
- 12:31foi transformando a Heineken nessa coisa de uma cervejaria
- 12:34que chamaríamos de premium, talvez, né?
- 12:37A consolidação do verde na identidade da marca entre os
- 12:40anos de mil novecentos e cinquenta e mil novecentos e
- 12:42sessenta é fortemente associada ao Alfred Heineken, líder da
- 12:46empresa, neto do GG aí, tão já falado aí pelo nosso amigo
- 12:51Gabriel. com o reconhecido granditino publicitário, né?
- 12:55Hoje a garrafa verde é um dos símbolos mais reconhecidos da
- 12:58Heineken, um elemento central da sua identidade visual.
- 13:01E vale dizer que muitas cervejarias no Brasil e no mundo
- 13:05começaram a produzir cervejas utilizando garrafas verdes para
- 13:09surfar a onda da Heineken. E para complementar, na minha
- 13:13visita lá na Heineken Expo, Quando eu estava andando no
- 13:16museu, bela e feliz, achando que a garrafa sempre tinha sido
- 13:19verde, me deparo com uma primeira garrafa âmbar, quase
- 13:22desmaiei, tentei filmar, mas eu sou péssima nisso.
- 13:24Então, eu vou ter um registro disso, mas ele é horroroso.
- 13:28Então, vejam só. Tentou filmar, deixou cair o
- 13:30celular, foi tentar pegar o celular, bateu a cabeça no
- 13:32balcão. Quebrei as garrafas todas e
- 13:34agora não tem mais nenhuma garrafa âmbar para poder contar
- 13:36a história. Não pode entrar mais em
- 13:40Amsterdã. E agora você teve o passaporte
- 13:42confiscado, não pôde voltar pro Brasil, teve que pedir uma ajuda
- 13:45diplomática de exceção, mas tá barrado.
- 13:47É tipo isso aí. Então é isso.
- 13:49Tá ilhada no Brasil. O GG, então, é o Washington
- 13:52Oliveto da Holanda, é isso. É, tipo isso.
- 13:56Que Deus o tenha agora, tanto o GG quanto o Washington.
- 13:59Ah, é verdade. Morreu.
- 14:00Uma pergunta bem honesta que vocês aí que são bastante
- 14:03afinados ao mercado da última década.
- 14:05Vocês sabem se a BEX tem essa política da garrafa verde há
- 14:09mais ou menos tempo? Quer dizer, se isso recua até o
- 14:12século XX, por exemplo? Porque ela é uma concorrente
- 14:14direta da Heineken há bastante tempo na Europa, né?
- 14:17Mas essa migração para a garrafa verde é uma coisa mais recente?
- 14:21Vocês têm essa resposta? Eu não tenho a resposta
- 14:23certeira, mas eu diria que é mais recente.
- 14:25Porque o mercado de garrafa verde na Alemanha não é tão
- 14:30comum. Eles usam mais garrafa âmbar,
- 14:32porque tem muito rolê da reciclagem lá, né?
- 14:34Sim. Então, tipo, eles reaproveitam
- 14:36muito a garrafa. Tem o Pfand lá, que quando tu
- 14:38compra, já tem uma taxinha embutida, que quando tu vai lá
- 14:40botar na maquininha, já ganha uns centavos de volta.
- 14:42E tem padrões, né? As garrafas tentam seguir um
- 14:45padrão. Não é que nem no Brasil que cada
- 14:47garrafa é de um jeito. Lá elas tentam seguir um padrão
- 14:49justamente pra poder ser aproveitado e tudo, ter a
- 14:51reciclagem. Mas é um chute longo, assim, que
- 14:54eu diria. Nessa mesma pegada, na pergunta
- 14:56do Gabriel, só pra gente botar um pouquinho de sal, as patens
- 14:59da mesma forma. Também a garrafa verde.
- 15:01As patens, verdade. Mas então, aqui a gente vai
- 15:05entrar na primeira coisa técnica, falando sobre Heineken,
- 15:08que está envolvendo essa cerveja, que é o rolê das
- 15:10garrafas verdes. Como a Lud falou, a escolha da
- 15:14cor da garrafa não é um rolê meramente técnico.
- 15:18Na verdade, não é uma escolha aleatória e não somente de
- 15:21marketing. Quando a gente fez essa escolha
- 15:23lá atrás, pessoas muito mais inteligentes e pessoas com muito
- 15:27mais dinheiro do que eu, fizeram essa escolha é muito por uma
- 15:30questão da escolha da cor âmbar para proteger essas cervejas da
- 15:34luz, tanto natural quanto artificial.
- 15:36Então a gente tem uma proteção a ondas de luz que poderiam, de
- 15:41certa forma, piorar a cerveja durante a armazenagem.
- 15:45O grande problema dessa incidência de luz na cerveja é
- 15:47que ela vai acelerar uma reação com componentes duplos e vai
- 15:51gerar uma substância chamada, aqui eu vou também assassinar a
- 15:55química cervejeira, desculpa, vou falar talvez com algum erro
- 15:58aqui, mas... Tresmetil-doisbuteno-untiol, que
- 16:01é um composto de enxofre, que também é conhecido como
- 16:03lightstruck, que é um problema na cerveja, ou cheiro de gambá,
- 16:07ou ainda assim, zurrilho para quem mora aqui na região sul...
- 16:10que é aquele aroma característico que as pessoas
- 16:13sentem quando tomam cervejas com garrafas verdes ou garrafas
- 16:17transparentes. Por esse motivo que, quando a
- 16:19gente faz uma cerveja e envasa ela em garrafa verde, elas podem
- 16:23ter esse aroma. Mas entenda, a Heineken em
- 16:25nenhum momento, ou Heineken, ou Spaten, ou Beck's, ou Stella,
- 16:30nenhuma dessas cervejarias, elas fazem uma cerveja pra ter essa
- 16:34característica. Isso é um problema.
- 16:36Sempre vai ser um problema. Não é esperado essa
- 16:38característica numa cerveja que tu tá tomando porque é uma
- 16:41falha. É um problema que tá sendo
- 16:44gerado por causa da luz. Então, existe pra solucionar
- 16:48essa problemática de Ó, o departamento de marketing falou
- 16:51que a gente vai começar a usar garrafa transparente e verde
- 16:54para se diferenciar como premium.
- 16:55Joia, se virem para achar uma solução para a cerveja não ficar
- 16:59podre. E aí vem o uso de um produto, um
- 17:03extrato de lúpulo, chamado de tetra ou hexahop, que são
- 17:07basicamente imunes, bem entre aspas imunes, à ação da luz.
- 17:11Eles evitam que, ao ter incidência de luz na cerveja,
- 17:16mesmo na garrafa transparente, mesmo na garrafa verde... que
- 17:19não haja essa conversão, não seja criado esse composto, três
- 17:23metil, dois buteno, um tiol, e a cerveja dura mais tempo, ela tem
- 17:27mais tempo de prateleira, dura mais tempo com as mesmas
- 17:31características. Então, basicamente, esse extrato
- 17:34é modificado para ser resistente à ação da luz.
- 17:37É um rolê bem interessante, é um desenvolvimento técnico bem
- 17:39interessante, porque tem o grito do departamento de marketing e a
- 17:43reação do departamento técnico. É isso que dá quando o seu
- 17:46departamento de marketing não conversa com a galera de
- 17:48produção e desenvolvimento. Ou seja, sempre.
- 17:51Ou cobra, né? Cobra muito.
- 17:53Tipo, uma segunda-feira normal, né?
- 17:57Caramba. Que legal isso, Henrique.
- 18:00Olha só, eu sabia até a parte do Lightstruck.
- 18:03A solução, é claro, novamente, a solução que a Heineken teve que
- 18:07criar pra isso... Que interessante, amigo.
- 18:10Obrigada. Além disso ser interessante, tem
- 18:13a decodificação de todos os problemas para tentar convencer
- 18:18as pessoas de que a cerveja da garrafa não é melhor nem pior
- 18:22necessariamente que a cerveja em lata.
- 18:24Existem processos. Eis aqui uma coisa interessante.
- 18:28Aí a gente entra numa seara interessante.
- 18:29Ah, mas a cerveja de lata é diferente da cerveja de garrafa.
- 18:33Que é diferente... Também vamos botar mais uma
- 18:35variável aí, Gabriel. Que é a do barrilzinho de cinco
- 18:38litros. Uhum, já que estamos falando da
- 18:40Heineken, né? Exatamente.
- 18:41Tem diferença, gente. Primeiro, a grande diferença.
- 18:44O barril de cinco litros, por muito tempo, ele foi importado.
- 18:46Por muito tempo, tá? Muito tempo talvez seja um
- 18:47exagero. Mas, tipo, por um tempo
- 18:49considerável, ele era importado. E a receita...
- 18:52Sempre lembrando, gente, a Bud produzida no Brasil é diferente
- 18:54da Bud produzida nos Estados Unidos.
- 18:56E a Heineken produzida no Brasil é diferente da Heineken
- 18:58produzida em Amsterdã. Lógico que se o barril é
- 19:01produzido lá, a cerveja vai chegar aqui diferente.
- 19:03E as cervejas entre garrafa e lata tem uma outra diferença.
- 19:06Como a gente falou aqui sobre proteção que o vidro âmbar tem
- 19:10dos raios ultravioleta e outros raios vindos da luz, a lata...
- 19:14lata também é mais protegida. Então, mesmo que a gente use
- 19:18lúpulos hexahop ou tetrahop, que são modificados, a gente vai ter
- 19:23oxidação e envelhecimento mais rápido em garrafas do que a
- 19:26gente teria em latas. Então, se a gente pegar duas,
- 19:29uma garrafa e uma lata, que foram envasadas ao mesmo tempo e
- 19:32a gente provar, provavelmente a gente não vai sentir tanta
- 19:34diferença. Agora, tipo, ao longo do tempo,
- 19:37a gente vai notar mais diferenças de uma pra outra.
- 19:39E é engraçado porque as pessoas acham que a garrafa é melhor,
- 19:41né? Não sei se tem a ver com a
- 19:42garrafa de boteco. Na minha cabeça, quando eu
- 19:44comecei a beber, eu associava muito a Coca-Cola.
- 19:47Aquela Coca-Cola… A KS. Coca-Cola média.
- 19:50A média. De duzentos e noventa ml, contra
- 19:53a Coca-Cola de latinha. A Coca-Cola média era o
- 19:56supra-sumo. Aquilo ali com um salgadinho,
- 19:59uma coxinha frita, alguma coisa assim.
- 20:01Era a alegria da criança. Aí você vai começar a beber e
- 20:04você tende a achar que as coisas de garrafa são mais gostosas,
- 20:07né? aí entra total o rolê eu acho da
- 20:10visão percepção tipo é mais do que é uma análise de boca mesmo
- 20:16de sabor e percepção de boca eu acho que é muito um conjunto de
- 20:20coisas eu acho que mas enfim antropologia explicaria isso
- 20:23tudo total muito mais antropologia psicologia
- 20:25explicaria isso tudo mas enfim o podcast aqui nossa sobre isso
- 20:28Brasil vamos voltar vamos voltar tá eu queria saber aqui agora
- 20:32dos meus comunistinhas sobre a lenda da estrela vermelha com
- 20:37companheira Ludmilla, não é assim que se leva pra frente uma
- 20:41conversa. O presidente veio dar uma
- 20:44palhinha, sou do G-Vinte, agora direto, podcast.
- 20:48Alô. Referência.
- 20:51Referência. Ah, e a tal da estrela vermelha
- 20:57da Heineken. Eu demorei pra me ligar que
- 21:00tinha uma estrela vermelha na Heineken, porque na minha cabeça
- 21:03é o conjunto. Às vezes você desmembra algumas
- 21:06coisas, eles funcionam como uma parte pelo todo, mas se você
- 21:10pegar só uma coisa, ela não te evoca isso.
- 21:12Isso no meu caso, né? Quem sou eu pra criticar a
- 21:15estratégia de marca da Heineken? Falaremos muito bem disso daqui
- 21:19a pouco. Mas o lance da estrela vermelha,
- 21:21ele é marcante... Eu digo, inclusive, pelo
- 21:23contraste de uma estrela vermelha num campo verde, com
- 21:26aquela fonte, com todos aqueles detalhes e tal.
- 21:29E ela é bastante antiga com essa ligação com a marca também, né?
- 21:32Reza a lenda, reza a lenda, e a porta lá do Pentágono não nos
- 21:36deixa mentir que isso era importante de alguma maneira,
- 21:39que a estrela de cinco pontas remonta até o medievo, associado
- 21:44aos cervejeiros, como um símbolo de proteção. mais ou menos
- 21:47deliberada nessa inserção, como uma razão para ela ser inserida,
- 21:50a gente já não sabe. Mas o fato é que essa estrela,
- 21:53ela está nos rótulos da Heineken desde o final do século XIX, de
- 21:57alguma forma. Que é um rótulo que, assim, ele
- 21:58mudou em detalhes, mas ele tem uma linguagem que é bastante
- 22:03duradoura até. A Lud foi lá na Heineken
- 22:05Experience, ela viu a progressão das garrafas e a progressão dos
- 22:08rótulos também. Tem uma certa linguagem que se
- 22:13repete. E uma coisa legal é que no
- 22:15começo do século XX ela tinha uma função, a presença ou a
- 22:18ausência dela, no caso, num rótulo.
- 22:20Porque como a Heineken estava fazendo plantas em outros
- 22:23lugares, se expandindo para outros mercados, já tinha virado
- 22:26líder de vendas na França, por exemplo, ela colocava essa
- 22:30estrela em cervejas que eram engarrafadas pela Heineken, que
- 22:33eram engarrafadas na Holanda. E se a cerveja fosse exportada
- 22:37em barril de alguma maneira, fosse engarrafada por terceiros,
- 22:40aí ela não continha isso. Ela tinha essa variaçãozinha.
- 22:43Interessante. Mas foi consolidada na percepção
- 22:47das pessoas da marca, mas aí chega o pós-guerra.
- 22:50Chega a ascensão da União Soviética.
- 22:53Chega uma divisão do mundo entre um eixo comunista e um eixo
- 22:57liberal, digamos assim. E aí você tem um grandíssimo
- 23:00estigma por esse símbolo, que não tem nada a ver com essas
- 23:03ideologias na gênese dele e nem na própria política da empresa,
- 23:06sem aqui fazer juízo de valor. É só que ele não tem de fato.
- 23:09Mas ainda assim, a recepção desse símbolo começou a ter
- 23:13problemas por conta dessa associação. com o regime
- 23:15soviético, com Cuba, por exemplo, e ele precisou ser
- 23:20dosado durante a Guerra Fria, por críticas, inclusive, e a
- 23:23opção foi tirar esse vermelho da estrela, deixar ela só com um
- 23:26contornozinho, o que por muito tempo apareceu nos óculos da
- 23:29Heineken, até mil novecentos e noventa e um.
- 23:31Quando você tem a dissolução da União Soviética, aí de fato ela
- 23:35volta a estampar. E você tem uma consolidação de
- 23:38uma política de alfaiatamento dessa marca tão ligada aos seus
- 23:42próprios símbolos, aquele padrão cromático, aquela identidade
- 23:45visual. E torna-se de fato indissociável
- 23:48o que a gente pensa da Heineken hoje.
- 23:50Mas teve um outro susto nesse sentido em dois mil e dezessete.
- 23:54O partido do primeiro-ministro da Hungria, o Orbán, ele propôs
- 23:57uma lei que, se você ouvir falar dela, ela não é tão absurda
- 24:02assim, mas na prática ela pretendia fazer coisas que iam
- 24:05além da razoabilidade. Era um projeto de lei para
- 24:08proibir símbolos de regimes totalitários.
- 24:10Então, você proibiria a swastika com a associação nazista e
- 24:13também a estrela de cinco pontas, que é associada, de
- 24:17novo, a esses regimes comunistas do século XX e ao ideário
- 24:20comunista como um todo. inclusive a imprensa do país,
- 24:23porque isso começou a dar uma pressionada na Heineken, que tem
- 24:25uma inserção mundial há bastante tempo, que raio, você não vai
- 24:29nem fazer essa exceção para uma empresa que está com isso aí,
- 24:32que não tem absolutamente nada a ver como é que vai funcionar
- 24:34isso aqui. Toma dinheiro para você, toma
- 24:36dinheiro, toma dinheiro. E a imprensa apelidou esse
- 24:39projeto de lei de lei Heineken, com desdém.
- 24:41E isso não foi pra frente, felizmente, mas suspeita-se de
- 24:44que isso também tinha a ver, além da propaganda meio do
- 24:48pânico moral anticomunista, enfim, de um governo de extrema
- 24:52direita como o do Orbán. com interesses em uma operação
- 24:56cervejeira na Romênia, que a Heineken estava tentando
- 24:59comprar, era alguma coisa assim, os detalhes eu não vou me
- 25:02lembrar muito bem, mas que empresas húngaras com ligações
- 25:05com o governo também tinham interesse nesse quinhão de
- 25:07mercado. Então você faz uma pressão, você
- 25:09faz um inquérito, incômodo para uma empresa grande através do
- 25:12monopólio legal que você tem de um país que está cada vez mais
- 25:15sob as suas garras. E aí, aparentemente, essa
- 25:18questão da Romênia foi resolvida ao mesmo tempo que o projeto de
- 25:21lei deixou de ser tão estrito, mas depois a imprensa daqui não
- 25:27repercutiu como ele foi para frente.
- 25:29Por outro lado, numa nota um pouco mais positiva, a estrela
- 25:33também serviu para a Heineken comunicar outras coisas. fugindo
- 25:36do vermelho não por conta de uma associação com ideologia
- 25:40comunista, mas fazendo uma edição limitada em dois mil e
- 25:43vinte e um com ela verde pra reforçar ideais de
- 25:46sustentabilidade que a marca sempre tenta projetar isso há
- 25:50bastante tempo, desde a segunda metade do século.
- 25:52Tem uma coisa, eu não sei se é uma viagem da minha cabeça, e
- 25:55pode ser uma viagem da minha cabeça, mas eu tinha a impressão
- 25:58que a estrela era maior antigamente e ela foi diminuindo
- 26:01de tamanho. Eu não sei se isso é uma viagem
- 26:03da minha cabeça. Você sabe que eu penso na
- 26:05estrela miudinha hoje também? Pois é, eu tenho uma ideia de
- 26:08que ela era maior. Pode ser porque a garrafa é
- 26:10grande, hoje em dia a gente tem garrafas menores, então posso
- 26:13ter associado essa diminuição com também a escala que
- 26:16diminuiu, né? Mas eu tinha uma visão de uma
- 26:18estrela maior, eu tenho isso mais marcado na minha cabeça do
- 26:21que a estrela pequena. Você cresceu.
- 26:23Também. O seu referencial mudou, eu não
- 26:25cresci. Talvez seja um problema, uma
- 26:27criança tá prestando atenção num rótulo de Heineken?
- 26:30Talvez. Quando você olha pra uma garrafa
- 26:32de Heineken criança, né? Você tem outra percepção.
- 26:37Quer beber, lógico, né? Tipo, toda criança quer fazer
- 26:39isso, né? Eu acho, acho que você cresceu.
- 26:41Brincadeira, gente. Eu não fiz comparação de rótulo,
- 26:43né? Isso são perspectivas de gente
- 26:46que tá escrevendo a história da empresa e da própria empresa que
- 26:48tá projetando essa história de alguma maneira.
- 26:50Mas isso é uma coisa, de fato, interessante de se ver, né?
- 26:53Se você tem... Esse tipo de crítica, esse tipo
- 26:56de propaganda contraproducente que associa a sua marca a um
- 26:59regime que é malquício em boa parte do mundo, boa parte do
- 27:02mundo para quem você vende, talvez o tamanho da estrela
- 27:05pudesse ir diminuindo ao longo da segunda metade do XX.
- 27:08É de se verificar. Por acaso, eu tenho aqui na
- 27:11minha cervejeira uma... Estela Artois, que tem uma
- 27:15estrela também, que agora eu não consigo contar a quantidade de
- 27:18ponta que ela tem, que eu tô com quarenta e quatro já, a vista já
- 27:20não tá boa. Mas é uma estrelinha diferente,
- 27:24não é aquela estrela de cinco pontas, né, formal.
- 27:27É uma estrela de oito pontas, é quase como se fosse uma estrela
- 27:31de estrela de céu mesmo, assim. Ah, então, mas é um...
- 27:34Você pensa naquela estrela da Terra do Nunca, que tá vibrando
- 27:37lá pra você chegar no Peter Pan, mas no caso ela é vermelhinha
- 27:40também. Exatamente, é um ideário
- 27:42estrelar e tal, então acho que a gente tinha que...
- 27:45E estrela é um símbolo, se vocês forem ver, é um símbolo muito
- 27:48usado, né? É quase um símbolo genérico,
- 27:51assim, se a gente for usar, porque, primeiro, ele é bonito,
- 27:53ele tem mais complexidade do que um quadrado, do que um
- 27:57triângulo, do que uma bola, e ele é fácil de fazer, tipo,
- 28:00confeccionar e tudo isso. Então, talvez aqui a gente tenha
- 28:03muito mais uma questão de... ao longo da história foi se
- 28:07mantendo, do que necessariamente ter alguma simbologia realmente
- 28:10por trás desse símbolo da estrela vermelha, né?
- 28:13É isso, eu acho. Olha, aqui eu posso estar
- 28:15cometendo algum equívoco com o meu diploma de historiador, mas
- 28:19história do século XX não é o meu forte.
- 28:21E, na minha concepção, a estrela de cinco pontas vermelha foi
- 28:25associada ao regime soviético, só no século XX.
- 28:28Mas o uso da estrela pela Heineken antecede isso.
- 28:30Ah, mas... Então...
- 28:32É aquela questão. É o símbolo eloquente, bonito,
- 28:35fácil de fazer e ele foi apropriado de maneiras
- 28:38diferentes, por entes diferentes, em locais
- 28:40diferentes. Você pode jurar de pé junto aí,
- 28:42mas vai ter uma galera que vai falar mentira, mentira, fake
- 28:45news, fake news. Companheiro, entenda, é verdade.
- 29:00Bom, pra gente ir caminhando aqui, a gente vai entrar numa
- 29:02parte, assim, de uma natação, assim, curiosa, curiosidades e
- 29:07cossetas mais sobre a Reineken. A primeira coisa que a gente
- 29:11pode falar também, novamente, indo pro lado mais técnico, do
- 29:14lado mais laboratorial, vamos dizer assim, Pasteur, Luiz
- 29:17Pasteur, isso é um nome que rodeia desde o tempo da escola,
- 29:21né? Lá em mil oitocentos e setenta e
- 29:23seis ele publicou, agora eu vou ferrar com o francês, Etudes sur
- 29:28la bière. Pfff, Etout sur la bière.
- 29:31Etout sur la bière. É uma desgraça, né?
- 29:33Eu consigo falar palavras em alemão, não consigo falar em
- 29:35francês. Mas então, basicamente, esse
- 29:37estudo fala sobre as descobertas do jovem Louis.
- 29:40O jovem Louis descobriu coisas relacionadas ao mistério dos
- 29:44processos de fermentação. E a gente precisa lembrar que
- 29:47até o século XIX não existiam culturas puras.
- 29:50A cerveja sofreu muito, muito, muito, muito com contaminação
- 29:53por outros micro-organismos. principalmente bactérias, e
- 29:56essas bactérias que contaminavam essas cervejas geravam o quê?
- 30:00Um tempo de vida muito curto das cervejas, que acidificavam e
- 30:05eram jogadas fora ou vendidas a preços mais baratos por serem
- 30:07consideradas cervejas de mais baixa qualidade.
- 30:10Aí o jovem Luiz já tinha deixado bem nítido no seu livro que a
- 30:13levedura ou aquela entidade que existia dentro da cerveja era
- 30:17algo vivo e que as cervejas ficavam ruins pela presença de
- 30:20outras coisas que não eram a levedura.
- 30:22Já tinha ficado muito nítido isso.
- 30:24E daí, para imaginar que usar uma levedura limpa, pura,
- 30:27levaria as cervejas, sem problema, era um passo, sabe?
- 30:30Lógico, se eu não ter esses outros micro-organismos, se eu
- 30:33não tiver aquilo ali, eu vou ter uma cerveja melhor.
- 30:35Se eu tiver uma cultura pura, vai ser uma cerveja melhor.
- 30:38O Pasteur usa um vocabulário interessante também, que quando
- 30:41ele detecta essas contaminações, ele chama de doença da bebida.
- 30:44Então é la maladie de vin. Você quer só os micro-organismos
- 30:49benéficos mesmo e não os nocivos, que é quase uma visão
- 30:52de uma medicina fisiológica que entende sobre microbiologia
- 30:56falando de um paciente. Por favor, gente, como é que é
- 30:59em francês de novo? Porque a gente que fala direito
- 31:01francês precisa repetir. É maladie du vin.
- 31:04Olha que maravilhoso isso. A doença do vinho.
- 31:06Mas isso nos études sur le vin, que tem um outro livro também
- 31:09que é voltado só para os vinhos e tal.
- 31:11Porque tem umas chapas famosas desses estudos dele que ele pega
- 31:15no microscópio, analisa uma amostra, printa a chapa e coloca
- 31:19no livro. Aí tem os reflexos de oxidação e
- 31:23de uma cepa de micro-organismo tomando conta daquela cultura
- 31:27que não as leveduras que você quer e tal.
- 31:29É genial isso, cara. Eu sou apaixonado por processo
- 31:31de fermentação. Muito foda.
- 31:33E esse artigo, então, Etudes... Como é?
- 31:35Deixa eu tentar falar. Etudes sur la...
- 31:39Caramba. Etudes sur la bière.
- 31:44Meio que alertou um outro jovem. Um outro jovem que entrou no
- 31:46rolê, que é o jovem, literalmente o jovem, Henry
- 31:50Younger. O mais jovem.
- 31:51O mais jovem de todos. Que bosta.
- 31:55Essa saiu sem querer, gente. Foi mal.
- 31:57Piadas prontas. É o Henry Younger.
- 31:59O Henrique, moleque. Exato, o Henrique Moleque, que
- 32:02ele é lá da cervejaria Wheat Bread.
- 32:03Ela é uma cervejaria muito famosa em Londres.
- 32:05E ele levou, contratou um químico lá em mil oitocentos e
- 32:08setenta e sete pra estudar esse rolê de levedura pura.
- 32:11Porque também era um problema em Londres.
- 32:12Aí a gente poderia entrar numa outra seara sobre...
- 32:15Em outro programa, quando a gente fala sobre cervejas de
- 32:17Londres, a gente fala sobre Fifty Fifty e coisas do gênero
- 32:20que tinham misturas de cerveja pra justamente tentar superar
- 32:24essas contaminações. E entra um outro jovem também
- 32:29nesse rolê, um outro jovem chamado Jacob Jacobsen, que é o
- 32:33dono da Carlsberg, outra cervejaria famosíssima que
- 32:35também investiu para construir um laboratório muito modernoso e
- 32:38habilitar pesquisas focadas em cerveja, focar realmente no
- 32:42processo de fermentação. Chamaram o Dr. Emil Hansen para
- 32:45chefiar esse laboratório. Somente esse jovem, Emil Hansen,
- 32:48que foi o primeiro jovem a pesquisar sobre cultivos de
- 32:51levedura a partir de uma única célula.
- 32:53Ou seja, a partir de um único, uma única célula, fazer uma
- 32:55propagação e chegar numa colônia que seja suficientemente grande
- 32:59para fermentar alguma coisa. No nosso caso, cerveja.
- 33:02E você deve estar aí se perguntando, Henrique, tu tá
- 33:04devaneando. Você deveria estar falando de
- 33:06Heineken, mas a Heineken tá nessa história.
- 33:08Em Amsterdã, a Heineken também estava sofrendo com isso.
- 33:11Esse sofrimento por cervejas, por contaminações, é um
- 33:14sofrimento global. E o mestre cervejeiro, que o
- 33:18Gabriel já tinha falado, o tal do Feltman, começou a falar com
- 33:21seus contatinhos sobre essa parada.
- 33:22Tá dando ruim na minha cerveja, falou pro contatinho, tá dando
- 33:24ruim na minha cerveja. Num rolê que hoje em dia parece
- 33:26impossível, numa união global, por assim dizer, europeia, mas
- 33:30enfim, global minimamente, o Jacob Jacobsen propôs que as
- 33:35cervejarias europeias se reunissem para entender e
- 33:37pesquisar sobre esses problemas de fabricação, e foi aí que o
- 33:40Felton começou a sua participação no rolê.
- 33:42Olha que coisa mais mágica, olha que rolê.
- 33:44Isso hoje em dia é simplesmente impossível de acontecer.
- 33:48Se alguém souber resolver alguma coisa, ela não vai contar para
- 33:50ninguém esse segredo industrial, e não vai contar, simplesmente.
- 33:54Quando ele voltou para a Holanda, ele já era um novo
- 33:56jovem, disse que precisava construir um laboratório dentro
- 33:58da cervejaria da Heineken e foi inaugurado em mil oitocentos e
- 34:01oitenta e seis lá em Rotterdam. E daí ele foi comandado pelo
- 34:04doutor Harton Ellion. E ele melhorou esse processo,
- 34:07tanto o aparato inicial que foi criado pelo Hansen para fazer o
- 34:11cultivo de leveduras e levou a criação, ou melhor dizendo, o
- 34:14isolamento de duas cepas, a Heineken A e e a Heineken D.
- 34:18Então, a Heineken A é a mais famosa.
- 34:20É a que é usada em quase todas, eu não tô pra te dizer que todas
- 34:23as cervejas, mas depois a gente vai explicar por que que não é
- 34:25em todas. E, segundo a cervejaria, depois
- 34:27da Carlsberg, é de que se tem registro a cultivar a própria
- 34:31levedura pura. É uma das únicas depois da
- 34:34Carlsberg. Olha que maravilha.
- 34:35Cara, a história é foda. E tem um dessa época que eu acho
- 34:39bastante interessante, porque você levantou esse ponto da
- 34:41colaboração, né? Esse tino pelo... não é bem o
- 34:45isolamento, né? Pra você restringir o que vai na
- 34:48sua sepa também, não, porque você tá lidando com vários
- 34:51micro-organismos. Mas pra restringir o que vai no
- 34:53seu levedo, digamos assim, os experimentos em Munique, lá na
- 34:56Sparta, é o Gabriel Seidelmeier. Seidelmeier.
- 35:00Foi um cara que conseguiu fazer isso de uma forma meio pioneira,
- 35:04E ele saiu por aí andando, distribuído, meio João Maria,
- 35:08toma aqui uma migada de pão, depois eu volto pra ver qual é.
- 35:10E ele passou por Viena, ele passou pela Escócia, eu acho que
- 35:13ele deu um balão nos Londrinos e tal.
- 35:15E ele também trocou uma ideia com o Jacobsen, lá da Carlsberg,
- 35:19foi daí que ele teve acesso... uma amostra de micro-organismos
- 35:23mais domada, digamos assim, pra fazer cerveja, e foi um
- 35:27incêndio, né, na história institucional da Kalsberg, que
- 35:30isso foi um grande incêndio pras inovações que eles iam levar
- 35:33adiante depois nos laboratórios lá em Copenhague.
- 35:35Essa história do Zydelmaier é bem interessante, principalmente
- 35:39toda essa parte da criação do estilo Mertzen, do estilo Wiener
- 35:43Lager, e propriamente a Czech Lager, que também toda essa
- 35:47levedura, elas todas estão de alguma forma interligadas, então
- 35:50é bem interessante também. Então, a minha contribuição
- 35:52sobre esse tema vai aqui quando você conta toda a história do
- 35:56Pastere, tudo que ele estava criando por ali e todas essas
- 36:00invenções cervejeiras que são super antigas, mas que
- 36:04carregam... A gente está aqui hoje pensando
- 36:06em cerveja desse jeito por conta disso, então...
- 36:09Ouçam o programa. Duzentos e trinta e seis.
- 36:11A cerveja e os avanços científicos.
- 36:13No século dezoito e dezenove. Que foram tão importantes.
- 36:17Para a gente chegar aqui. Conta bastante a história do
- 36:20Pasteur. E os seus amigos.
- 36:22Todos muito bem citados aqui por Henrique.
- 36:25Para a gente ir caminhando aqui nesse sentido, só mais uma parte
- 36:30sobre levedura, agora que você falou dessa levedura da
- 36:33Heineken, que é a Heineken A-East, a Amstel também, eles já
- 36:37fizeram propaganda com isso, a Heineken, a gente vai falar de
- 36:39marketing lá na frente, eles já fizeram propaganda falando sobre
- 36:42a levedura A-East, e a Amstel também já usou a levedura como
- 36:47um efeito, Holandesa. Exatamente, como um fator de
- 36:51qualidade do salzinho, do temperinho colocado em cima, né?
- 36:55Então, enfim. A magia.
- 36:57A magia, exatamente. O que é doido, porque boa parte
- 37:00das cervejarias, a levedura é a parte menos importante da
- 37:05publicidade, né? Até pouco tempo atrás, a
- 37:07fermentação era um processo mágico, né?
- 37:09A levedura não existia para os cervejeiros e cervejeiras, né?
- 37:12Basicamente, ela era mágica. Se a gente for falar de
- 37:14propaganda e do que, no final, o que isso impacta no mercado, pra
- 37:18gente fazer uma parte muito rápido, recentemente, eu tenho
- 37:23visto umas propagandas aqui no Rio falando sobre o chopp fresco
- 37:26não pasteurizado da Brahma. Que é pleonasmo, né?
- 37:29Exato. E aí você introduz um
- 37:32vocabulário para o consumidor leigo que ele não está
- 37:34acostumado. E aí essa palavra, o não
- 37:37pasteurizado, para ele começa a virar sinal de qualidade.
- 37:41O que para a cerveja especial é bacana, você estabelece um
- 37:44entendimento, você começa a plantar isso no fundo da cabeça
- 37:49das pessoas. E o outro exemplo disso foi a
- 37:51School Hops. No ano que a School lançou a
- 37:54School Hops, foi o ano, foi trending topics do Google de
- 37:57quantidade de pesquisa para as pessoas entenderem o que era
- 38:00Hops. Então a importância que essas
- 38:02empresas têm na hora de você educar o público consumidor, né?
- 38:06E a galera vê um monte de coelhinho pulando.
- 38:10Lançamento da School Hops na Páscoa, né?
- 38:12Podia ser. Pensando aqui com os meus
- 38:15botões, talvez um porquê do uso dessa coisa da levedura
- 38:18holandesa, porque a Amstel faz parte do grupo Heineken desde o
- 38:23final da década de sessenta. Eu não me lembro agora, linha
- 38:25tempo, da introdução de uma e da outra aqui no Brasil, mas eu
- 38:29acho que as pessoas podem associar o mercado holandês com
- 38:32o mercado de cervejas de excelência por conta da
- 38:34Heineken, ainda que seja do mesmo grupo, uma cerveja que é
- 38:37verdadeira. veiculada dessa forma, você pensa, ah, é daquela
- 38:40Seara, então deve ter algo de diferente, algo de bom, algo de
- 38:44específico. Aí você cai nesse juízo de valor
- 38:48que o slogan tenta imprimir no produto, não sei.
- 38:51Totalmente. Totalmente.
- 38:52É assim que a gente vive. A gente vive caindo em balena.
- 38:57Toda hora eu vejo uma casca de banana e falo, puta, eu vou
- 39:00cair. Eu sou aquela, sou mais trouxa.
- 39:05Bom, a Lud caiu no esquema de pirâmide da corrida, né?
- 39:08Exato. Totalmente, gente.
- 39:10Eu tô cem por cento associada à máfia.
- 39:12Totalmente associada. Vamos falar de medalha.
- 39:18A gente recentemente nesse programa resolveu botar a mão na
- 39:21cumbuca do concurso cervejeiro. Então vamos falar da primeira
- 39:23medalha de qualidade da Heineken aqui pra gente continuar com
- 39:26esse tema. Aqui eu acho que a gente
- 39:28consegue ligar esses rios que a gente tem percorrido da parte
- 39:31técnica com a história da empresa num ponto bem legal.
- 39:35E falar também de concurso que é algo que o pessoal da cena
- 39:38cervejeira conhece muito bem. Em mil oitocentos e setenta e
- 39:41cinco, então onze anos de história institucional da
- 39:43Heineken, ela... Isso era natural, inclusive,
- 39:47desde a metade do século XIX, você tem muitas feiras, muitas
- 39:51exposições que vão agregar produtores industriais,
- 39:54produtores agrícolas, gente que vai expor seus produtos, as
- 39:58finalidades de cada exposição, o recorde geográfico de cada
- 40:01exposição muda, Mas você tende sempre a estar colocando seu
- 40:04produto em evidência lá, especialmente se você quer
- 40:07entrar no diálogo com alguém que é cutting edge, que é alguém que
- 40:10está na inovação, que está lá sempre empurrando a agulha um
- 40:14pouco mais para cima, que pode parecer uma obsessão do nosso
- 40:17tempo, mas é uma obsessão do século XIX também.
- 40:20É quando você tem um avanço vertiginoso da técnica para um
- 40:24mundo que estava acostumado com mudanças de praticidade na sua
- 40:29vida em outro ritmo. Em mil oitocentos e setenta e
- 40:32cinco, de novo, a Heineken com onze anos de atividade, ela vai
- 40:36ganhar uma medalha de ouro na Exposição Internacional de
- 40:40Indústria Marítima e Fluvial em Paris.
- 40:42Então, nem numa escala local, necessariamente, mas já está se
- 40:47inserindo no mercado de outro país e com bastante destaque.
- 40:50E ainda assim, ela é reconhecida pela sua qualidade industrial.
- 40:55Ela ainda não está no ponto de estar sintetizando a sua própria
- 40:58levedura, mas aqui ela já fez essa transição para cervejas
- 41:02Lager, cervejas que têm essa aceitação em diferentes mercados
- 41:06da Europa nessa época. E conseguiu essa honraria que é
- 41:10bastante destacada na história da própria cervejaria nesse
- 41:13sentido. Ela é um reconhecimento que
- 41:16ajudou a posicionar a marca nesse outro mercado e para
- 41:19outros mercados estrangeiros também.
- 41:21Mas um grande lance... Eu acho que, inclusive, é
- 41:24louvado pela marca até hoje, eu acho que faz uns seis, sete anos
- 41:27que eles até fizeram um comercial recriando esse
- 41:31ambiente da exposição no final do século XIX, de como a
- 41:35Heineken foi recebida como uma outra cerveja, um produto menor
- 41:38qualquer, e de repente ela virou uma queridinha. evento, que foi
- 41:42a Exposição Universal de Paris de mil oitocentos e oitenta e
- 41:46nove, centenário da Revolução Francesa, inauguração da Torre
- 41:50Eiffel. Então, um evento enorme, né?
- 41:53Vem de novo nessa seara desses vários eventos, dessas
- 41:56exposições que são de um tema mais restrito, que tem uma
- 42:01localização geográfica mais restrita.
- 42:04Nessa época, a gente já tem exposições nacionais no Brasil
- 42:06há quase trinta anos. O Brasil já vem participando
- 42:09dessas exposições universais também.
- 42:11Inclusive, foi um cervejeiro brasileiro, na Exposição
- 42:14Universal de Paris de mil oitocentos e sessenta e sete,
- 42:17que percebe que a qualidade dos produtos que chegavam aqui pra
- 42:20gente eram ruins. e ele vai tentar conceber iniciativas de
- 42:24cultivo de lúpulo no Brasil no século XIX, porque ele viu esse
- 42:28lúpulo belga, esse lúpulo tcheco de alta qualidade em Paris, em
- 42:33mil oitocentos e sessenta e sete.
- 42:34Então, esses eventos, eles são muito importantes, eles não são
- 42:36específicos da cerveja, mas eles congregam grandes marcas que a
- 42:39gente conhece hoje, que sobreviveram ao tempo, que se
- 42:42fizeram ilustres, congregam essas pessoas, essas marcas
- 42:45também. E na exposição de mil oitocentos
- 42:47e oitenta e nove, a Heineken ganhou o Grand Prix da sua
- 42:50categoria. E como que funcionava essa
- 42:52premiação? Você tem medalhas que certificam
- 42:55qualidade, então você tem medalha de ouro, medalha de
- 42:57prata, medalha de bronze, mas essas medalhas não são
- 43:00exclusivas, não é um participante só que ganha uma
- 43:02medalha de ouro, não. Ele chega a um patamar de
- 43:04qualidade que ganha aquela honraria.
- 43:07Mas o Grand Prix, ele é o prêmio único, ele é o alecrim do campo,
- 43:10ele é o cara que saiu da curva. E no caso, a Heineken... foi a
- 43:14vencedora de um Grand Prix entre as cervejas em mil oitocentos e
- 43:17oitenta e nove. A ponto de pessoas envolvidas
- 43:20com a cervejaria serem convidadas para outra exposição
- 43:22universal de Paris em mil e novecentos para julgarem o
- 43:26concurso de cervejas, contanto que a Heineken não participasse.
- 43:29Tamanho reconhecimento que a empresa já tinha por saber fazer
- 43:33bem cerveja. E no caso de oitenta e nove, foi
- 43:36três anos depois da implementação do A-East na sua
- 43:39produção. Olha só.
- 43:41Então você tem aí a adoção desse diferencial na produção, na sua
- 43:45própria marca, na sua receita, que vai receber essa honraria lá
- 43:48em cima, num palco dessa magnitude.
- 43:51E já era a maior fornecedora de cerveja no mercado francês,
- 43:54apesar de não ter sido... Bom, quem fala também desse
- 43:59pouco reconhecimento é a própria Heineken no comercial, né?
- 44:01Mas você tem um ótimo pavilhão, você tem um stand pra servir
- 44:05cerveja só, que tá do lado de outras cervejarias, mas tem
- 44:08destaque, tá bem localizado, tá bonitinho e tal.
- 44:11Era uma marca que já estava bem projetada e que conseguiu
- 44:14honrarias graças à sua alta qualidade.
- 44:16Um comentário, tu falou do Gabriel Seidelmeier e eu me
- 44:21lembrei do Anton Dreher, que era o parceiro do Seidelmeier, que
- 44:26na Exposição Universal de mil oitocentos e oitenta e nove
- 44:28foram criados vagões de trem refrigerados para levar cervejas
- 44:32de Viena até Paris refrigeradas para serem consumidas durante a
- 44:37Exposição Universal. Que massa, cara!
- 44:40Então, olha o rolê, o quão gigante é criar vagões de trem
- 44:46pra levar cervejas, barris de cerveja, de Viena até Paris pra
- 44:51serem consumidas. Cervejas essas, Lagers, muito
- 44:54provavelmente exemplares de Vienas Lagers, antigas, mas
- 44:58enfim. Ainda ao estilo antigo, né?
- 45:00Ao estilo das Mexican Viena Lagers, mas ainda assim é um
- 45:05avanço tecnológico gigante. Que demais, cara.
- 45:07Que animal. Você viu, né?
- 45:10Refrigerado. Refrigerado.
- 45:16Vamos caminhando aqui. Estamos falando de sucesso,
- 45:19estamos falando de energia lá em cima.
- 45:20É energia aqui, ó. Lá em cima.
- 45:23Né? Vamos falar então dessa
- 45:25internacionalização, né? Estados Unidos e Sudeste
- 45:29Asiático. Pô, jogando lá, ó.
- 45:31Energia lá em cima. A gente viu no episódio passado
- 45:37dessa série que a Guinness teve uma dispersão de seus produtos
- 45:41para outros mercados também na rede de exportação do Império
- 45:45Britânico. No caso da Heineken, a lógica
- 45:50não funcionava bem assim. Ela tinha uma presença muito
- 45:52grande em outros mercados europeus, mas apesar da Holanda
- 45:55ter sim as suas colônias de além-mar, Não era um império da
- 46:01mesma maneira para ter as mesmas demandas de produtos, por
- 46:05exemplo, que você consumia na sua terra natal em outros
- 46:08pontos, ou então uma certa imposição de um mercado na sua
- 46:11colônia que privilegia esse produto que vem da pátria e não
- 46:14produtos que são desenvolvidos ali.
- 46:16Então, a dispersão da Heineken para outros continentes,
- 46:19especialmente o sul global e as Américas, ela aconteceu no
- 46:23século XX e ela tem algumas coincidências, digamos assim,
- 46:28né? O caso dos Estados Unidos
- 46:29primeiro. Os Estados Unidos, começo do
- 46:30século XX, é muito fácil de lembrar da Lei Seca, que foi de
- 46:35mil novecentos e vinte a mil novecentos e trinta e três, que
- 46:37legalmente proibiu a comercialização de bebidas
- 46:40alcoólicas, salvo para uma ou outra coisinha de saúde, mas em
- 46:44tese bebida zero. Só lembrando, para quem era
- 46:46pobre. Em tese, na prática a gente sabe
- 46:50que inclusive foi uma temporada quase de ouro para a
- 46:53coquetelaria, para várias ideias que não era só para mascarar a
- 46:57bebida ruim, você tem uma criatividade que floresce e você
- 46:59tem muito contrabando de coisas que são de qualidade que chegam
- 47:02para as pessoas com dinheiro. Mas salvo o contrabando, e um
- 47:05contrabando que privilegiava... Tinha cerveja, tinha comércio de
- 47:08cerveja canadense, por exemplo, mas você tinha destilados, né?
- 47:12E em rotas mais curtas. Você ia buscar nos países
- 47:15vizinhos, você ia buscar de barquinho ali, vai pra Cuba, lá,
- 47:17lá, lá. Você não ia fazer um transporte
- 47:19translatante pra tomar uma cerveja nesse caso.
- 47:21E por conta do tino de um tal de Peter Faith, um rapaz de fé, já
- 47:25que a gente tá fazendo piadinha com os nomes aqui... que foi o
- 47:28responsável pelo departamento de exportação da Heineken, que foi
- 47:31fundada em mil novecentos e vinte e oito, então depois das
- 47:34agruras da primeira guerra, numa cervejaria que conseguiu
- 47:38sustentar apesar de tudo, e conseguiu crescer também apesar
- 47:41de tudo, aí sim olhou-se pra esses outros quinhões de mercado
- 47:45e tava sempre atento aos Estados Unidos, mercado crescente, um
- 47:49país sempre em crescimento, e percebendo-se também qual era a
- 47:53atmosfera da validade dessa lei seca e tal.
- 47:56Em mil novecentos e vinte e oito, fundaram o departamento.
- 47:58Em mil novecentos e trinta e dois, o Franklin Delano
- 48:00Roosevelt se elegeu, já anunciando que aquilo ia
- 48:03caducar. E aí, antes mesmo do dia que a
- 48:06lei caducou, de fato, o Peter Faith já estava lá no
- 48:09naviozinho, com as suas caixinhas de Heineken, prestes a
- 48:12desembarcar nos Estados Unidos. E quando desembarcou, isso virou
- 48:15até notí... Deu no New York Times...
- 48:18Virou até notícia no New York Times de que havia chegado a
- 48:22primeira remessa legal de cerveja importada em treze anos.
- 48:26Chegou nesta terça-feira, onze de abril de mil e novecentos e
- 48:29trinta e três. Então você tem aí esse
- 48:31reconhecimento da Heineken por ter sido a primeira cerveja
- 48:34legalmente vendida logo depois da lei seca, mas ela está
- 48:36inserida nesse momento da própria Heineken. de alargar o
- 48:40seu escopo de atuação para o resto do mundo.
- 48:43Não só vendendo o seu próprio produto, mas também
- 48:45estabelecendo marcas suas mais diferentes em outros mercados.
- 48:49Um ano antes, em mil seiscentos...
- 48:51Olha, eu estou pensando no século XVII.
- 48:52Está vendo? Isso que dá para ficar vendo
- 48:54cachaça de um lado, cerveja de outro.
- 48:55Vocês me perdoem. Em mil novecentos e trinta e
- 48:58dois... O Peter Faith também articulou
- 49:01uma parceria com dois escoceses e eles fizeram uma empresa de
- 49:04bebidas em Singapura que lançou o seu próprio rótulo, a Tiger
- 49:08Beer. Então eles também começaram a
- 49:10morder esse mercado no sudeste asiático com uma marca própria.
- 49:14Isso também virou uma característica da empresa, né?
- 49:16em vez de diversificar seus rótulos, como fez a Guinness,
- 49:20tinha rótulos só para um mercado, um rótulo assim, tipo
- 49:23específico, com o nome de Guinness, mas um sabor, digamos
- 49:26assim, de cerveja. Um estilo.
- 49:28Um estilo, para um mercado específico.
- 49:30É que eu não sei como bem você consegue fracionar variações do
- 49:32mesmo estilo e aquilo vira um estilo novo, por isso que eu
- 49:34fiquei em dúvida de usar a palavra.
- 49:36Tá tranquilo. Mas tem vários estilos
- 49:38diferentes. Então, a Heineken, ela investia
- 49:40em marcas locais, ou então respondia a uma demanda de uma
- 49:44marca específica do local. Tanto que, ao longo do século
- 49:47XX, você também vai ter essa tendência de compra de outras
- 49:49marcas. Em mil novecentos e vinte e
- 49:51sete, ela tenta comprar Stella, ela não consegue.
- 49:53Depois ela compra uma outra cervejaria em Bruxelas.
- 49:56Ela compra a Armstel, trinta anos depois.
- 49:59A Jupiler, não é a Jupiler de Bruxelas?
- 50:01A Jupiler é a Brahma belga. É a Brasserie Leopold.
- 50:06Não é a Jupiler. Não, porque os caras
- 50:08literalmente tentaram em mil novecentos e vinte e sete
- 50:11comprar a Stella, depois os caras falaram, aquela ali tá à
- 50:13venda? De uma forma quase desprezível.
- 50:15Olhou pro outro lado da rua. Olhou pro outro lado da rua,
- 50:18exatamente, foi lá e comprou. hoje também ela é acionista da
- 50:22Lagunitas, não sei se chega ao ponto majoritário, mas enfim,
- 50:25essa característica de expansão internacional da Heineken é
- 50:28ligada com isso também, de você estar acessando marcas já
- 50:31reconhecidas no ambiente local, o lance de introduzir a Amstel
- 50:35aqui, muita gente não sabia que a Amstel é da Heineken, acho que
- 50:38dialoga com isso também, enfim, tentáculos longos, tentáculos
- 50:42longos. Uma coisa interessante também,
- 50:44Gabriel, que em mil novecentos e trinta, a gente está falando, a
- 50:47década de trinta, mil novecentos e trinta, a gente está falando
- 50:50logo após a Grande Depressão. A crise, né?
- 50:52Então, é um momento de reconstrução de mercados, é um
- 50:55processo grande, demorado de reconstrução de mercados, que
- 50:58foi culminar, no caso dos Estados Unidos, na Segunda
- 51:00Guerra Mundial, com a entrada, tudo isso.
- 51:02Então, tem todo um zeitgeist ali acontecendo, que, tipo,
- 51:06favoreceu isso também, né? O século XX é um grande
- 51:08redesenho do tabuleiro mundial, só que a cada cinco, seis anos,
- 51:12dez anos, tem alguém que dá um soluço, mete o joelho embaixo do
- 51:15tabuleiro, ele cai, bagunça, você tem que renovar ele de
- 51:17novo. Mas aí você lembra meio errado
- 51:20como as peças estavam antes, depois do nada você está jogando
- 51:22xadrez, depois você está jogando dama.
- 51:24Exatamente. Exatamente.
- 51:26Mas nem tudo são flores, né? O Gabriel citou aqui, já falou
- 51:30da Primeira Guerra Ampaçã, e eu acho que era importante a gente
- 51:35dar uma mergulhadinha rápida em relação às guerras, porque isso
- 51:38impactou todos os negócios, e aí a gente tá aqui em mil
- 51:41novecentos e trinta e dois, falando logo depois da
- 51:44depressão, tamo falando em Sul-Asiático, Tiger, não sei o
- 51:48quê, nananã, mas a gente não chegou na Segunda Guerra ainda,
- 51:51né? O que isso significou pra essas
- 51:53empresas? Esse período todo das guerras
- 51:56foi uma provação para muitas empresas, inclusive se a gente
- 52:00não tiver um conhecimento prévio para saber o que buscar, para
- 52:04saber o que recuperar, muitas dessas empresas do passado, às
- 52:07vezes até coisas tradicionais, não sobreviveram até os nossos
- 52:10dias, diferentemente do caso da Heineken.
- 52:13Mas nem por isso essa empresa deixou de passar as suas
- 52:16provações, né? e suas privações também.
- 52:18E uma coisa que inclusive afetou o mercado do cerveja brasileiro,
- 52:21acho que rotas de abastecimento globais são afetadas durante um
- 52:25conflito dessa magnitude. Se o seu fornecedor principal
- 52:29está envolvido num conflito desse, vai haver um rearranjo,
- 52:33um redirecionamento de material essencial como cevada, são
- 52:37cereais planificáveis também. As pessoas que estão trabalhando
- 52:40nessa indústria vão ser possivelmente chamadas para
- 52:42servir. Enfim, bagunça-se a lógica
- 52:46padrão do mundo. O funcionamento de tudo.
- 52:48E uma das coisas que foi impactada foi justamente o
- 52:51fornecimento de materiais. Você tem aí menções de que a
- 52:55cervejaria teve que explorar ingredientes menos nobres,
- 52:58digamos assim, para continuar conseguindo fazer cerveja para
- 53:01suprir o básico do seu próprio mercado doméstico.
- 53:03Teve que usar arroz, açúcar, até farinha de tapioca para fazer
- 53:07cerveja. Olha...
- 53:09Mas foi uma passagem durante a Primeira Guerra, pelo menos bem
- 53:13na base da insistência. Mas foi possível porque também
- 53:17ela já tinha pontos de atuação em outros mercados.
- 53:20Tudo na Europa ficou meio lascado, mas essa capilaridade
- 53:24da cervejeira permitiu que a balança pendesse para um lado
- 53:27mais favorável, enquanto o lado desfavorável estivesse
- 53:29sucumbindo. E isso também foi verdade para a
- 53:31Segunda Guerra Mundial. em que você teve, sim, você teve
- 53:35ocupação nazista, você teve destruição de igrejas
- 53:39históricas, obras de arte, muita coisa cretina e um
- 53:44acompanhamento estrito sobre as atividades da cervejaria, ao
- 53:47mesmo tempo que a capilaridade dela estava muito mais expandida
- 53:50na década de quarenta, por exemplo.
- 53:52Ao ponto de, quando os aliados, eu acho que isso é na Indonésia,
- 53:56quando eles ocupam partes da Indonésia, que antes eram
- 53:59fábricas da BEX, Eles desocupam isso, a Heineken consegue
- 54:02assumir essas fábricas e ser uma das maiores fornecedoras de
- 54:05cerveja para os aliados no palco asiático na década de quarenta.
- 54:09Então você também tem essa dispersão na empresa que
- 54:13favorece que o cobertor ficou curto de cá, mas tem um
- 54:15cobertorzinho sobrando do lado de cá e também tem a vantagem,
- 54:19vantagem, né? é um ponto que favoreceu, que
- 54:21foi o sentimento antigermânico, isso dentro da própria Europa e
- 54:25nos Estados Unidos, que fez com que marcas concorrentes nesses
- 54:29outros mercados que vinham da Alemanha tivessem queda nas
- 54:33vendas, enquanto a Heineken não perdeu o seu próprio mercado e
- 54:35ganhou parte do mercado dessas cervejas também.
- 54:38A Becks, novamente, é um exemplo disso.
- 54:40Então, privações, mas o tamanho que a cervejaria já tinha antes
- 54:45dos conflitos e que conseguiu ampliar no entreguerras também
- 54:49favoreceu com que ela saísse mais forte, maior como empresa
- 54:54desses dois conflitos e com o seu colchão reputacional ali bem
- 54:58armado para depois virar uma savã, um exemplo de marketing,
- 55:03de branding, enfim. Gente, duas coisas que nunca
- 55:07faltam em guerras. É armas e bebidas.
- 55:11Isso nunca vai faltar. Aí a gente usa muito como
- 55:15exemplo, o Ron Pattinson fala muito isso nos livros, ele tem
- 55:18dois ou três livros sobre o período entre guerras na
- 55:20Inglaterra. Que é, mesmo com restrição de
- 55:23insumos, as cervejarias faziam cervejas com o teor alcoólico
- 55:26mais baixo, mas não podia faltar cerveja.
- 55:28Porque a cerveja não ter bebidas alcoólicas diminui a moral das
- 55:32pessoas. E já estavam com a moral abalada
- 55:35por causa das guerras. Então, em guerra não falta bala
- 55:39e não falta trago. É isso.
- 55:41Você tem cerveja prevista em várias normativas sobre
- 55:44racionamento de soldado, isso tem que ter fornecimento em base
- 55:47no front, esse é o mesmo argumento que também serve para
- 55:50os estudiosos, por exemplo, da lei seca, porque isso está de
- 55:53tal maneira enraizado no cotidiano dessas pessoas, que no
- 55:57caso se faltar vai dar ruim, mas no caso se você quiser proibir
- 56:00você não vai conseguir, porque sempre haverá alguém que vai dar
- 56:03um jeito de fazer acontecer. É isso aí.
- 56:05E aí eu acho que tem essa fase para a gente ir dando esse
- 56:09fechamento nesse momento da Heineken, que são esses momentos
- 56:12de reinvenção, campanhas de marketing inovadoras, a gente já
- 56:15falou um pouquinho do marketing quando falou da estrela, quando
- 56:18falou da própria troca da garrafa âmbar para a garrafa
- 56:20verde, que é mais que a gente pode levantar nesse tema de
- 56:24reinvenção e inovação, né? Aqui a gente já vai chegando no
- 56:28pós-guerra na terceira geração da família.
- 56:30A gente tem lá o glorioso Geraldinho, pois ele teve um
- 56:33filho relutante, mas que... Geraldinho filho.
- 56:38Não é o Geraldinho filho, mas uma coisa que eu reparei é que
- 56:40todos têm nome composto. É o Geraldo Adriano, o Henrique
- 56:44Pedro Henri Pierre, aí depois é o Alfredo Henrique e os irmãos
- 56:49do Alfredo também tinham nomes compostos.
- 56:52O filho do Geraldinho, o Henri Pierre, ele foi um relutante em
- 56:57assumir a dianteira da marca, mas ele era um cara que era
- 57:00bastante interessado por química e ele teve muito valor no
- 57:04estabelecimento da marca na primeira metade do século XX.
- 57:07E ele também teve o seu filho, o Alfred Henry, o Alfred, o
- 57:14Alfredo Heineken. Alfredo Henrique.
- 57:16O Alfredo Henrique, que foi... O pai dele teve um casamento
- 57:20perturbado, a empresa não sabia muito para onde ia.
- 57:23Nesse meio século também, eu não lembro se eles abriram capital
- 57:26nessa época ou se eles já tinham capital aberto antes, mas eles
- 57:29perderam o controle majoritário da empresa de uma forma, acho
- 57:31que, deliberada até meados do século.
- 57:34Então não era nem uma questão de colocar o filho como o sucessor,
- 57:38como presidente da empresa. Mas ele era, por conta dessa
- 57:40infância meio conturbada, de uma família, de um cara que
- 57:42trabalhava demais, de uma mãe que estava desgostosa com aquela
- 57:46situação, dizem que ele era um menino rebelde, um menino
- 57:48difícil. E aí, para saber o que fazer com
- 57:51esse rapaz, eles falaram, vamos investir, vamos pôr esse menino
- 57:53para fazer intercâmbio. Ele é criativo, deixa ele criar.
- 57:56Deixa ele criar. Mandaram ele pros Estados Unidos
- 57:59pra assistir a gravação do Mad Men.
- 58:00Ele foi fazer estágio em empresas de publicidade nos
- 58:04Estados Unidos por dois anos. E parece que ele voltou contínuo
- 58:08pra coisa, né? Tem, inclusive, diz uma
- 58:10biografia dele, que ele teve um momento de revelação quando ele
- 58:13também visitou a fábrica da Philco.
- 58:15Que ele falou, esses caras vendem luz, eles não vendem
- 58:19lâmpada. E por conta dessas experiências,
- 58:22desse tino criativo, ele desenvolveu o departamento de
- 58:26marketing mais ativo da empresa. Começou a pensar em todos os
- 58:29detalhes. Tem um lance do detalhe, né?
- 58:31Falando em sorridente, se você pegar a fonte do E da Heineken,
- 58:35a perninha de baixo dele é quase como se fosse uma boquinha e
- 58:38tal. Uhum.
- 58:39Antes era tudo letra maiúscula, aquilo de um ponto de vista
- 58:42gráfico desgostava muito ele. Mas ele também é um cara que
- 58:45estabeleceu o costume de colocar os letreiros em neon na porta
- 58:49dos estabelecimentos que eram licenciados pra servir Heineken
- 58:52ou que eram próprios bares da cerveja.
- 58:54Nos Estados Unidos você já tinha isso na década de mil novecentos
- 58:57e cinquenta. Aí dizem que ele foi lá e ele
- 58:59ficou maluco ele não conseguia ficar satisfeito com uma forma
- 59:02estética desse logo, que ele foi lá e fez os cálculos da
- 59:05proporção que tinha que ter cada coisa, e ele viu que se ele
- 59:08diminuísse, sei lá, três por cento do tamanho da letra E, ele
- 59:12conseguiria economizar tantos quilowatts de energia nos
- 59:15estabelecimentos dele que tinham que acender o letreiro neon que
- 59:18ele já tinha estabelecido como identidade.
- 59:19Aí ele falou, quer saber, isso vai me satisfazer e vai me
- 59:23render economia? Maravilha, pronto, estabeleceu
- 59:26isso. É um tarado.
- 59:28É um tarado. Enfim, é um rebranding mesmo,
- 59:31você tem uma atenção muito deliberada para como a marca vai
- 59:35se promover. Então, a primeira propaganda de
- 59:38cerveja televisada na Holanda, na década de cinquenta, é da
- 59:41Heineken. Você tem aí um esmero tanto de
- 59:44marca quanto também nas propagandas, propaganda
- 59:46impressa, propaganda televisiva, no caso também.
- 59:49E isso foi um legado que ele deixou muito forte. a gente não
- 59:53precisa ficar colhendo exemplos de cada década, a gente pode
- 59:56olhar pra hoje, trinta anos da morte do Ayrton Senna e a
- 59:59Heineken fortíssima na Fórmula Um, eles fazem uma propaganda
- 1:00:02bastante tocante pra quem gosta do esporte, pra quem era fã do
- 1:00:05cara e meteram até o Alan Prost lá pra dar um brinde de Heineken
- 1:00:09para o cara. Tem um tino muito bom.
- 1:00:11E isso vem dessa época desse pós-guerra e dessa inserção do
- 1:00:16Alfred na empresa. Ele foi o cabeça desse
- 1:00:20departamento de marketing. Depois ele consegue de novo o
- 1:00:22controle acionário majoritário da empresa, vai virar
- 1:00:25presidente, vira CEO. E aí quando ele larga a empresa
- 1:00:28no comecinho da década de noventa, ela é a segunda maior
- 1:00:32cervejaria do mundo e a que já tem o maior número de mercados
- 1:00:35estrangeiros no mundo. Ela só pede em dimensão para
- 1:00:38games. Olha só, Brasil.
- 1:00:40E tem uma parada interessante, né?
- 1:00:41Agora a gente vê algumas, a gente está vendo, vivendo também
- 1:00:46um momento transitório também na Heineken, que a grande força de
- 1:00:49publicidade dela hoje é na Heineken Zero, né?
- 1:00:52Zero ponto zero. Sim.
- 1:00:53Então a gente vê propaganda com pilotos de Fórmula One, a gente
- 1:00:57teve propaganda com o... Caramba, me esqueci o nome do
- 1:01:01campeão, Rosberg. Do Kiki Rosberg junto com o
- 1:01:05segundo Rosberg. Nossa, não me lembrei do nome do
- 1:01:07pai e não me lembrei do nome do filho.
- 1:01:08Enfim. Nico?
- 1:01:09Nico Rosberg e Keke Rosberg. Muito obrigado, Lud.
- 1:01:12Nada. O Nico e o Keke fazendo
- 1:01:13propaganda de Heineken Zero. A gente tem o Max Verstappen
- 1:01:16fazendo propaganda de Heineken Zero na Fórmula One.
- 1:01:18A gente tem um aporte muito grande num esporte que a gente
- 1:01:21sabe que é caríssimo, né? Então, não estão para
- 1:01:23brincadeira. Então, mas sobre zero esporte e
- 1:01:27propaganda, existe uma cervejaria americana chamada
- 1:01:30Athletic Brewing, que ela é bem recente, sei lá, se ela tem
- 1:01:34cinco anos é muito. Gabriel teve um insight agora,
- 1:01:37eu vi uma luz iluminando ele. Não, eu acho que eu lembrei de
- 1:01:40uma coisa que eu deixei na fila pra ver, mas não vi até hoje.
- 1:01:43Porque eles fazem cerveja sem álcool e estão mordendo um puta
- 1:01:46de um quinhão de mercado, né? Eu acho que eu vi isso no Wall
- 1:01:48Street Journal. Exato, tipo, eles chegaram bem
- 1:01:51recente no mercado e investiram, eles fazem, eles produzem vários
- 1:01:54estilos diferentes, não apenas, ah, vamos fazer só esse estilo
- 1:01:57de cerveja, eles fazem vários estilos e todas as propagandas e
- 1:02:01todos os influenciadores que eles procuram são associados ao
- 1:02:04esporte, então você associa a cerveja, a saúde, ao esporte e
- 1:02:08aí isso virou um negócio bizarro, é tipo, ela chegou, era
- 1:02:12centésima, mas vendida em algum momento era, sei lá, décima
- 1:02:15terceira. cervejaria mais vendida, cerveja mais vendida.
- 1:02:19Saiu semana passada no Wall Street Journal como a Athletic
- 1:02:23Brewing vendeu mais que a Bud e a Heineken da sua cerveja José.
- 1:02:27E é uma cervejaria recente, né? Isso eu não sabia.
- 1:02:29Sim, sim. Sendo boa, provavelmente, porque
- 1:02:31a Bud é uma bosta. Isso a gente falou com o... ele
- 1:02:36é o CMO da Revolution Brewing de Chicago, a gente falou com ele
- 1:02:40no Surra, eu vou lembrar o nome dele já já, tá na ponta da
- 1:02:43língua, e ele tem um perfil do Instagram chamado
- 1:02:46Bieraficcionado, ele faz muita avaliação de mercado, o cara
- 1:02:50é... sensacional, e aí ele citou a Athletic Brewing pra falar de
- 1:02:54cerveja sem álcool, e pra dizer que a Revolution não vai
- 1:02:57produzir cerveja sem álcool que não é o perfil deles, e eles
- 1:02:59estavam investidos numa água lupulada, mas muito lupulada
- 1:03:02mesmo, pra que fosse sem nenhum álcool, que eles não tivessem
- 1:03:06que tirar e que tivesse aroma e bastante gosto de lúpulo, pra
- 1:03:09contornar essa questão da bebida sem álcool isso foi apenas uma
- 1:03:13parte exatamente, o próprio ele é ótimo, ele faz umas análises
- 1:03:18bem legais Dito isso, a gente está falando de inovação, a
- 1:03:22gente já falou que a Heineken fez uma pequena alteração na
- 1:03:25estrelinha vermelha e botou ela verde para falar de
- 1:03:27sustentabilidade e isso é uma raiz da marca de bastante tempo,
- 1:03:31então a gente vai falar de uma inovação que tem correlação com
- 1:03:35sustentabilidade e que tem a ver com a garrafa.
- 1:03:38Wobble, ou Wobble, que significa World Bottle.
- 1:03:42Foi uma iniciativa super inovadora da Heineken nos anos
- 1:03:44de mil novecentos e sessenta, que a ideia era trabalhar
- 1:03:48sustentabilidade e design ao mesmo tempo, né?
- 1:03:50Foi idealizado pelo nosso querido amigo Alfredo. após
- 1:03:53observar nas praias caribenhas cheias de garrafa vazia e, ao
- 1:03:58mesmo tempo, ou seja, esse grande lixo, a falta de educação
- 1:04:02e a escassez de material de construção acessíveis.
- 1:04:04Então, o ovo foi projetado para servir tanto como recipiente de
- 1:04:08cerveja como como um tijolo para construção de casas.
- 1:04:12Ela foi desenvolvida em parceria com o arquiteto John.
- 1:04:15Aí, gente, eu sou ruim em qualquer, em alemão, em francês,
- 1:04:19em inglês, em qualquer língua, em português.
- 1:04:22Eu vou falar aqui que o nome do rapazinho é John Habraken.
- 1:04:27Habraken? Ou Abraken?
- 1:04:29Habraken. Habraken.
- 1:04:31Habraken. Ele quebrou o coração de alguém.
- 1:04:34É o Heartbreaker, exatamente. É o partidor de corações.
- 1:04:37Exatamente. Ele quebrou meu coração agora.
- 1:04:40Partidor de corações. Não de garrafas, de corações.
- 1:04:43De corações. A garrafa possuía as laterais
- 1:04:46planas, uma base côncava, permitindo seu empilhamento e
- 1:04:49encaixe, facilitando a construção de paredes sem a
- 1:04:52necessidade de cortes ou adaptações.
- 1:04:54Em mil novecentos e sessenta e quatro foram produzidas cem mil
- 1:04:57unidades em tamanhos de trezentos e cinquenta e quinze
- 1:04:59ml. Apesar de toda essa inovação,
- 1:05:02nem toda inovação é entendida dessa maneira, né?
- 1:05:04Ela enfrentou resistência interna na própria Heineken,
- 1:05:07especialmente aonde? Nesse departamento.
- 1:05:10Querido, que só ele pode inventar as paradas, ninguém
- 1:05:12mais pode inventar nada. O departamento de marketing
- 1:05:15ficou com medo dos impactos negativos na imagem da marca e
- 1:05:18possíveis problemas legais relacionados ao uso inadequado
- 1:05:21dessas garrafas. Bom, consequentemente, o projeto
- 1:05:23não foi amplamente implementado. Atualmente, estruturas
- 1:05:27construídas com essa garrafa podem ser vistas no Jardim de
- 1:05:30Alfredinho, né? E no Museu da Heineken, lá em
- 1:05:33Amsterdã. A garrafa Wobu, Wobu, Permanece
- 1:05:37como exemplo pioneiro de design sustentável e reutilização de
- 1:05:40materiais, antecipando conceitos modernos de economia circular e
- 1:05:44reciclagem. Eu acho que essa é a grande
- 1:05:47contribuição da garrafa em si, né?
- 1:05:48O fato dela não ter funcionado exatamente naquela época não
- 1:05:52significa que ela não foi uma super ideia.
- 1:05:54Inclusive, a gente também gravou um programa com...
- 1:05:59O Lucas, se não me engano, da Três Morretes, que é do Paraná,
- 1:06:02do interior do Paraná, e ele fala sobre o uso de garrafas
- 1:06:05para construções, garrafas normais.
- 1:06:08As garrafas ambas são usadas para construção de casas também,
- 1:06:11então não significa que elas não sejam sustentáveis, são
- 1:06:14diferentes da lata, é que a lata tem um apelo de venda, um apelo
- 1:06:18de coleta para reciclagem e venda, que é muito maior do que
- 1:06:22o vidro, né? O grande problema aqui está
- 1:06:24relacionado que aqui no Brasil, principalmente, as garrafas são
- 1:06:28muito finas. A parede da garrafa, elas são
- 1:06:31muito finas. O reaproveitamento delas é
- 1:06:33limitado. Então, o uso é geralmente de
- 1:06:36garrafas com a parede mais grossa.
- 1:06:39Aquelas caçulinhas são terríveis pra isso.
- 1:06:41São quase aquelas garrafas de açúcar pra quebrar na cabeça de
- 1:06:44piada, sabe? Aham, aham.
- 1:06:45Mas tem uma outra coisa também interessante, né?
- 1:06:47Essas garrafas Vobo ou Obo, o formato delas facilitaria muito
- 1:06:51o transporte, né? Porque tu consegue aproveitar
- 1:06:53melhor o espaço. Sim, encaixa melhor, né?
- 1:06:55Exatamente. Ocupa todos os espaços da caixa.
- 1:06:58Mas mudar o status quo é difícil, né?
- 1:07:01É, é muito difícil. E aí a gente vai chegar naquela
- 1:07:14parte que a gente adora, que é conhecer as marcas que estão no
- 1:07:18guarda-chuva dessa grande cervejaria.
- 1:07:21Então, a gente tinha falado, principalmente tu, Lud, tinha
- 1:07:24falado sobre... Ah, que surpresa ver uma garrafa
- 1:07:28Amber da Heineken, né? Mas veja bem, existem outras
- 1:07:32marcas, marcas não, mas estilos produzidos pela marca Heineken,
- 1:07:36que também tem garrafas não verdes.
- 1:07:38Por exemplo, a Heineken Dark, que é uma Dark Lager, que é
- 1:07:41produzida em um mercado bem restrito, inclusive eu não sei
- 1:07:45se ela continua sendo produzida, não consegui encontrar
- 1:07:47informações de se ela se mantém com produção. que ela é uma Dark
- 1:07:50Lager e ela tem uma garrafa Amber, pra te dar uma ideia.
- 1:07:52Então, não é somente de garrafas verdes que se alimenta a
- 1:07:56Heineken. Nós também temos a Heineken Zero
- 1:07:58Zero, que é zero ponto zero, que é a versão sem álcool da
- 1:08:01Heineken, que não é exatamente sem álcool, mas a gente vai
- 1:08:04falar isso daqui a pouquinho. Temos também a Heineken Old
- 1:08:07Brewing, que não tem, apesar do nome dela ser Old Brewing, não
- 1:08:10tem nenhuma relação com o estilo Old Brewing.
- 1:08:12Basicamente, ela tem a cor e o dulçor.
- 1:08:15Ela é uma ale, ela não é uma lager, e ela tem um teor
- 1:08:18alcoólico de dois pontos cinco por cento.
- 1:08:21Então, ela é uma cerveja menos alcoólica, mais doce e mais
- 1:08:24escura. Também temos, principalmente
- 1:08:26para o mercado norte-americano, para competir com Bud Light e
- 1:08:29outras cervejas, Miller Light, a Heineken Premium Light, que é
- 1:08:32uma cerveja de R³, de teor alcoólico.
- 1:08:34Então, é uma cerveja levemente menos alcoólica do que a
- 1:08:37Heineken, se eu não estou enganado, R³?
- 1:08:40R³? Não lembro agora, de cabeça, a
- 1:08:42Heineken original. E também temos a Heineken
- 1:08:45Tarwebock, não sei como é que se chamaria isso, mas seria uma
- 1:08:48cerveja bock de trigo que pararam de produzir em dois mil
- 1:08:52e vinte. Olha só.
- 1:08:53Eu não fazia ideia. Nem eu.
- 1:08:55Eu também não fazia ideia. Eu só sabia da Dark, Heineken
- 1:08:57Dark, porque eu já tinha visto alguma coisa.
- 1:08:59Tirando essa, eu não tinha visto nenhuma das outras.
- 1:09:01Isso sem falar das mais de cento e varetada cervejarias, ou cento
- 1:09:06e varetada, cento e cinquenta cervejarias, marcas que eles
- 1:09:10possuem debaixo do guarda-chuva deles, não é isso?
- 1:09:11Não é alguma coisa parecida com isso?
- 1:09:13Cento e quarenta, cento e setenta, cento e cinquenta,
- 1:09:15números que? Cento e quarenta e poucos, se
- 1:09:17não estou enganado. É isso.
- 1:09:19Que loucura. Pois é, Brasil.
- 1:09:20E aí a gente vai justamente meio que caminhar para esse lugar de
- 1:09:24entender um pouco de quais marcas ela é detentora,
- 1:09:27produzida em quantos países, tamanho de produção, essa coisa
- 1:09:30toda, né? Para falar de produção global
- 1:09:33mesmo, a Heineken, eu estava aqui na dúvida, mas a pauta
- 1:09:36acabou de me contar, ela opera aproximadamente com cento e
- 1:09:40cinquenta... cento e quarenta cervejarias em mais de setenta
- 1:09:43países, empregando cerca de oitenta e cinco mil pessoas,
- 1:09:48Brasil. Em dois mil e nove, a produção
- 1:09:49anual foi de cento e vinte e um ponto oito milhões de
- 1:09:52hectolitros de cerveja. Eu fico um pouco confusa quando
- 1:09:55falo em hectolitro, porque eu não sei fazer essa conversão,
- 1:09:57não quero saber, não precisa me explicar, mas eu sei que é
- 1:10:00muito. Isso pra mim já basta.
- 1:10:02Eu sou uma pessoa simples, uma pessoa de hábitos simples, isso
- 1:10:04pra mim já basta. posicionando-a como a terceira maior cervejaria
- 1:10:09do mundo naquela época. Aqui no Brasil, a Heineken
- 1:10:12possui quinze cervejarias e trinta e um centros de
- 1:10:14distribuições, oferecendo um portfólio com vinte e dois
- 1:10:17marcas de cerveja, seis de bebida, não alcoólicas.
- 1:10:20A empresa conta com mais de treze mil colaboradores no
- 1:10:23Brasil. É bastante gente.
- 1:10:26Se somar a população de empregados mundiais e a
- 1:10:29população de empregados no Brasil, dá duas batatais.
- 1:10:31Ih! Lud, Ecto, cem litros.
- 1:10:37Mas aí, lá vou eu ter que fazer conta de botar mais dois zero em
- 1:10:42coisa que já é milhão, que já tem seis.
- 1:10:44É coisa pra dedéu, Brasil. É mais fácil falar Ecto.
- 1:10:48Então, e... A Heineken não ficou restrita
- 1:10:51somente ao mercado de cervejas comerciais, vamos chamar de big
- 1:10:56players, não ficou só restrita a esse mercado, ela também se
- 1:10:59adaptou à nova tendência de abocanhar, consumir, devorar,
- 1:11:04trazer para o seu dungeon Outras cervejarias que não somente
- 1:11:09cervejas de grande escala. E a Lagunitas foi um exemplo
- 1:11:13desse. Nos Estados Unidos ela foi lá e
- 1:11:14captou a Lagunitas com muito dinheiro, provavelmente, e
- 1:11:18trouxe para dentro do portfólio da Heineken para atingir novos
- 1:11:21públicos. Além disso, a gente tem algumas
- 1:11:23outras marcas conhecidas aqui no Brasil que também são
- 1:11:26participantes desse grande guarda-chuva de marcas da
- 1:11:29Heineken. Birra Moretti, que até pouco
- 1:11:31tempo atrás, eu ainda não sei se é vendida aqui no Brasil, mas
- 1:11:34até pouco tempo atrás era uma cerveja vendida em supermercado.
- 1:11:36Temos a Amstel, comum, muito conhecida.
- 1:11:39Temos a Murphy's, que até também pouco tempo atrás era uma
- 1:11:42cerveja que era relativamente fácil de achar aqui no Brasil.
- 1:11:44Eisenbahn, brasileira, de Santa Catarina.
- 1:11:46Temos a Tiger, que é a asiática, que eu não lembro exatamente
- 1:11:50qual o país, Gabriel, lembra? Singapura.
- 1:11:52Singapura, muito obrigado. Lagunitas Blue Moon, competidora
- 1:11:55direta da Royal Garden. E também a Sol, que é uma
- 1:11:59cerveja mais de entrada, mas é uma cerveja que em algum momento
- 1:12:01entrou com uma proposta um pouquinho diferente.
- 1:12:03Que masmorra, hein? Masmorra gigantesca.
- 1:12:08E a Sol é a competidora da Corona ali, né?
- 1:12:11Também, também. Tem a mesma pegada, né?
- 1:12:13De certa forma. Exato.
- 1:12:15Teve uma época que chegou a Sol mexicana aqui no Brasil, né?
- 1:12:17Porque era vendida como Sol mexicana.
- 1:12:19E é essa galera que gosta de ousadia de garrafa branca.
- 1:12:22Transparente. Não bastasse ser verde, vão
- 1:12:25botar na garrafa transparente. Quero ver o que vai acontecer
- 1:12:27aqui. Esse lúpulo não pode ser tetra.
- 1:12:29Tem que ser hexa. Esse tem que ser hexa.
- 1:12:34Pois é, Brasil. Vamos lá.
- 1:12:37Bom, agora assim, vamos falar de um negócio que eu acho que é
- 1:12:40surpreendente isso que a Heineken criou com a Heineken
- 1:12:43Zero Zero, assim. Fala de tecnologia, Henrique.
- 1:12:46Conta pra gente como é que eles fizeram esse negócio aí, porque
- 1:12:48chegou e deu uma balada nas estruturas.
- 1:12:50Cara, a primeira coisa que a gente precisa ficar bem nítido
- 1:12:53quanto a Heineken Zero Zero é que ela não é Zero Zero.
- 1:12:56Ela tem zero três por cento de teor alcoólico.
- 1:12:59Que é menos do que a legislação brasileira permite, se eu não
- 1:13:03estou enganado. Proíbe, né?
- 1:13:04Ela considera até zero ponto cinco, se eu não estou enganado,
- 1:13:08como cerveja de zero por cento de teor alcoólico.
- 1:13:11Acho que sim. Mas ainda assim, isso está bem
- 1:13:13descrito nos anais da Heineken, que é grifado em letras
- 1:13:19garrafais. Ela é segura para beber e
- 1:13:20dirigir ou para gestantes beberem.
- 1:13:23Será... Não sei, não sou médico, não sou
- 1:13:26um estudioso do tema, mas, enfim, ela não é zero-zero
- 1:13:30realmente. Mas, teoricamente, segundo
- 1:13:32estudiosos, eu tenho certeza que eles não anunciariam isso sem
- 1:13:35uma grande comprovação científica.
- 1:13:37Enfim, ela é segura para ser bebida.
- 1:13:39Do lado de produção, ela é feita usando os mesmos ingredientes da
- 1:13:42receita original da Heineken. Isso é uma coisa bem
- 1:13:44interessante. Mas a Zero Zero passa por um
- 1:13:46processo de destilação a vácuo para remover o álcool.
- 1:13:50Os processos mais tradicionais de remoção de álcool da cerveja
- 1:13:54é por destilação a vácuo ou por filtragem, usando filtros com
- 1:13:58uma malha específica para filtrar o álcool da cerveja.
- 1:14:02E depois eles usam saborizantes, usam aditivos para deixar... o
- 1:14:07sabor mais parecido com a receita original.
- 1:14:09Então, talvez é essa que vai ser a maior diferença entre a
- 1:14:12cerveja zero-zero que a gente tem no mercado, ou melhor
- 1:14:15dizendo, a cerveja zero-álcool que a gente tem no mercado,
- 1:14:18porque ela se propõe a ser parecida ou semelhante à
- 1:14:22original. Já as outras, numa pesquisa
- 1:14:24rápida que eu fiz aqui, essas cervejarias produzem uma cerveja
- 1:14:28que é de inferior qualidade porque não é um mercado
- 1:14:32gigantesco. Elas não estão tentando
- 1:14:34abocanhar o mercado assim como a Heineken fez.
- 1:14:36Que outra cervejaria a gente vê anunciando realmente cerveja sem
- 1:14:39álcool? Poucas para dizer alguma.
- 1:14:41Então, a gente pega, por exemplo, a Brahma Zero, ela
- 1:14:44sofre um processo de destilação que torna ela uma cerveja mais
- 1:14:48leve, sem corpo e, consequentemente, com menos
- 1:14:51sabor, com um pouco de sabor, até mesmo o sabor de uma cerveja
- 1:14:54mais oxidada, que vem muito do processo de aquecimento.
- 1:14:57Então, os processos não são tão refinados... a ponto de tornar o
- 1:15:02produto final parecido com o produto original que tinha com
- 1:15:06álcool, né? Então, a Heineken está
- 1:15:08investindo muito isso, assim como outras cervejarias, como o
- 1:15:11Athletic Brewing, né? Está investindo em realmente ter
- 1:15:14bons produtos e anunciar isso como um produto.
- 1:15:17Não é um tipo assim, estou fazendo uma benesse para o
- 1:15:21consumidor e liberando uma cerveja sem álcool para ser
- 1:15:24consumida. Não, eu estou anunciando, estou
- 1:15:27produzindo uma cerveja que realmente as pessoas vão querer
- 1:15:29tomar. Então eu acho que essa é uma
- 1:15:31grande diferença da cerveja Zero Zero, da Heineken Zero Zero,
- 1:15:35perante as outras concorrentes. Ela é disparada para mim a
- 1:15:38melhor cerveja sem álcool comercial, assim, big player em
- 1:15:43escala que a gente tem no mercado atualmente.
- 1:15:45Uma percepção que eu tive, justamente depois da chegada da
- 1:15:49Heineken no mercado aqui no país, com pessoas saindo para
- 1:15:53tomar uma cerveja e tal, é que tem cada vez mais gente aderindo
- 1:15:57ao dia que você pode sair, mas você às vezes não quer beber, ou
- 1:16:01às vezes você não pode beber, ou às vezes você tem...
- 1:16:03Uma amiga minha, no caso, ela tem uma corrida no dia seguinte,
- 1:16:06no dia anterior ela não bebe. Está cada vez mais ok você ser
- 1:16:08uma pessoa que não é inteiramente avesso ao consumo
- 1:16:12de álcool, beber uma cerveja zero de vez em quando, porque
- 1:16:15isso tem ficado cada vez mais naturalizado depois dessa
- 1:16:17chegada, depois da opção de uma cerveja... que é gostosa e que
- 1:16:21ela só te dá um outro caminho. Você não está precisando fazer
- 1:16:24um sacrifício em nome da sua saúde.
- 1:16:26Por exemplo, pessoas que são operadas, que têm problema
- 1:16:29cardiovascular, que gostam de tomar uma cerveja, mas tem que
- 1:16:32aderir. E aí acaba caindo naquelas
- 1:16:34opções que não são agradáveis. Eu me lembro da Cronenbeer, uns
- 1:16:38anos atrás, que era... Nossa, Cronenbeer.
- 1:16:41Que era um descarrilho de trem, assim, na sua garganta.
- 1:16:44E aí eu tive essa percepção recente.
- 1:16:48Ficou natural você tomar cerveja sem álcool, mesmo que você não
- 1:16:51seja uma pessoa que não bebe completamente bebidas
- 1:16:54alcoólicas. Então, falando de Heineken Zero,
- 1:16:57falando de propaganda e falando de pandemia, a gente pode
- 1:17:01lembrar que a Heineken Zero foi lançada no Brasil, bem ali no
- 1:17:04período da pandemia, em dois mil e vinte, e eles, se não me
- 1:17:07engano, fizeram uma ação em São Paulo, que como se fosse um...
- 1:17:12gente, isso é muito coisa de velho, um... como é aquele
- 1:17:15cinema que você ia de carro? Drive-in.
- 1:17:17Drive-in. Drive-in.
- 1:17:18Eles fizeram um drive-in num estádio em São Paulo.
- 1:17:21Referência de velho. Totalmente.
- 1:17:23Que você podia ir de carro, entrava no estádio de carro e aí
- 1:17:26tinha um super telão, você assistia, que aí você mantinha a
- 1:17:29tal do distanciamento social, você estava de carro junto com o
- 1:17:32seu acompanhante ou a sua acompanhante.
- 1:17:35E todo mundo bebendo Heineken Zero.
- 1:17:37Então você tava, vem de carro, bebe Heineken Zero, assiste a
- 1:17:41final da Champions, num momento que ninguém podia sair de casa,
- 1:17:44você precisava ter um distanciamento social, os caras
- 1:17:47resolvem fazer um negócio desse. Ai, isso foi a própria
- 1:17:50cervejaria que fez? Rolou uma ação em São Paulo,
- 1:17:53chamaram vários influenciadores, várias pessoas e tal.
- 1:17:56Que massa! E aí foi isso, a galera foi
- 1:17:57assistir a final da Champions num estádio desse jeito,
- 1:18:01entendeu? Num sistema meio de drive-in,
- 1:18:03por isso que eu lembrei disso aqui.
- 1:18:05Porque eu lembro que você falou de drive-in de cinema, o Belas
- 1:18:09Artes de São Paulo, hoje o patrocínio dele é outro, mas na
- 1:18:13época era a Petra. E eles faziam sessões de cinema
- 1:18:16drive-in também, eu só não lembro se servia cerveja ou não,
- 1:18:18mas eles fizeram. Porra, mas se não servia, perdia
- 1:18:21qualquer sentido, cara. Pois é, você não tá empurrando
- 1:18:24sua mercadoria adiante. Pois é, gente, pelo amor de
- 1:18:26Deus. Então devia ter, devia ter.
- 1:18:32Meus amigos, entregamos esse programa?
- 1:18:35Entregamos esse caminhão refrigerado de Heineken pra essa
- 1:18:40galera? Com uma estrela vermelha na
- 1:18:42frente. Exato, bem grande.
- 1:18:45Grifada. Maior do que o Henrique
- 1:18:46lembrava. Certamente entregamos.
- 1:18:50Entregamos, então, gente. Mais um programa de história da
- 1:18:53cervejaria icônica. A Heineken está aqui para vocês
- 1:18:56aproveitarem. E, jovem, se você ouviu até
- 1:19:01aqui, se você participou até aqui, lembre-se de participar
- 1:19:04também das nossas redes sociais. Arroba Surra de Lúpulo, tanto no
- 1:19:08Instagram como no TikTok. Tem alguma sugestão de pauta e
- 1:19:10convidados? Manda um e-mail para contato
- 1:19:12arroba surradelúpulo.com.br É isso, meus amigos.
- 1:19:16A gente aqui encerra o programa falando até semana que vem.
- 1:19:19Vamos tentar fazer todo mundo junto?
- 1:19:21Fazer o quê? Falando até semana que vem.
- 1:19:23Mas é que a gente só volta daqui um mês.
- 1:19:25Ah, é verdade, mas o Sorra de Luz...
- 1:19:27A Lud volta até semana que vem. Eu tô aqui toda semana, Brasil.
- 1:19:31Eles querem me abandonar. Uma hora é o Henrique, uma hora
- 1:19:33é o Estevam. Até semana que vem?
- 1:19:36Até semana que vem. A Lud, nós não.
- 1:19:38Bom, então a gente já terminou. Obrigada, tchau.
- 1:19:42Tchau, tchau, galera. Beba local, beba com moderação.
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