Latest / SuinoCast · by PPGVET / Dr. José Vicente Peloso: Estratégias para Carne Suína de Alta Qualidade | Ep. 297
Transcript
- 0:00O bem-estar animal está mais do que provado por meio de vários
- 0:02trabalhos realizados aqui no Brasil, fora do Brasil, que ele
- 0:05se paga, ele tem um ROI muito positivo com relação à qualidade
- 0:09de carne. Então, resumindo, mate bem o
- 0:13suíno que ele te devolve carne de boa qualidade.
- 0:17Está no ar o primeiro podcast da suinocultura brasileira, o
- 0:21Suinocast. O Suinocast só é possível
- 0:28através do apoio de empresas inovadoras e que apoiam a
- 0:31educação continuada na suinocultura brasileira.
- 0:35TopGen, onde você encontra as matrizes mais completas do
- 0:38mercado. A excelência está no nosso DNA.
- 0:43PoliNutri Nutrição Animal. Juntos vamos mais longe.
- 0:48Alga Prime DHA da Corbin, o ômega-three de algas para a
- 0:52nutrição suína. Seva, sempre com você, além da
- 0:58saúde animal. DSM Firmenich, moldando o futuro
- 1:04dos cuidados com suínos. Olá, sejam todos muito
- 1:07bem-vindos para mais uma edição do SuínoCast.
- 1:10Meu nome é Guilherme Brantes, sou host do programa.
- 1:14Tenho um convidado muito especial aqui, José Vicente
- 1:17Peloso, um velho amigo aqui, conhecido, colega de...
- 1:24Acabamos sendo colegas de empresa.
- 1:27Peloso, seja muito bem-vindo. Chamando a atenção aqui para o
- 1:31programa, que é um programa leve, um programa democrático,
- 1:34aberto. A gente fala que é um programa
- 1:37para produtores, para futuros produtores, filhos de produtores
- 1:42que estão se decidindo, para academia.
- 1:45Os professores têm usado muito o programa.
- 1:47A gente tem recebido feedback bom aí de professores, de
- 1:50alunos, futuros alunos. E a gente fala aqui, claro,
- 1:54falando com o Peloso, a gente vai falar dos consumidores e,
- 1:58importantíssimo, os não consumidores da nossa carne
- 2:01suína. Peloso, o Peloso que é
- 2:05veterinário, com mestrado e doutorado em produção, trabalhou
- 2:11na iniciativa privada e hoje é consultor de empresas.
- 2:16Peloso, essa é uma... A gente chama de uma leitura de
- 2:20currículo, que eu chamo de uma leitura fria de currículo.
- 2:23E eu já te peço para apresentar, apesar de que tu já fez vários
- 2:28programas aqui, mas eu peço para a tua apresentação, quem que é o
- 2:32Peloso, pelo próprio Peloso. Eu não gosto de rótulos, né,
- 2:35Peloso? Mas eu vejo o Peloso, está na
- 2:39testa do Peloso, qualidade de carne, carcaça suína, né?
- 2:44Isso que a gente tem... carregado por anos.
- 2:48Seja muito bem-vindo, a palavra é tua, Pelô.
- 2:51Bom dia, Guilherme. Antes de mais nada, uma grande
- 2:56satisfação em reencontrá-lo. Nós que começamos na militância
- 3:04da sonocultura muitas décadas atrás, lá no Oeste catarinense,
- 3:09você em Videira, eu em Concórdia.
- 3:12E de lá para cá, muita coisa mudou, e mudou para melhor.
- 3:17O que nos faz ainda mais satisfeitos dentro dessa
- 3:20atividade. Evidentemente, passamos por
- 3:25alguns ciclos de dificuldades na sinocultura, mas tomando, por
- 3:30exemplo, o que está acontecendo hoje, eu sempre fui otimista e
- 3:35sempre acreditei que a sinocultura brasileira tem um
- 3:40diferencial de qualidade e quantidade que hoje ela é capaz
- 3:45de entregar um volume com qualidade adequada, tanto no
- 3:51mercado interno quanto no mercado externo, para quem
- 3:55estiver disponível e utilizar esses vários produtos que são
- 4:03fabricados pelo Brasil afora, nos grandes frigoríficos, enfim,
- 4:11toda a cadeia de produção. Então é uma satisfação estar
- 4:15aqui com vocês de novo. Bom, eu comecei minha vida como
- 4:20veterinário um pouco antes de fazer o mestrado.
- 4:27Trabalhava com assistência técnica no estado do Paraná.
- 4:31Depois tive a oportunidade de fazer o mestrado fora do Brasil,
- 4:34fui para a Austrália. Já conhecia o pessoal de
- 4:37Concórdia, NNC. nesse tempo aí, eu estou falando do início dos
- 4:41anos noventa, décadas atrás, quando você, de seu Renato,
- 4:48Augusto Reque, já estavam lá em Videira, foi realmente uma
- 4:53integração muito positiva ter esse privilégio de contar com
- 5:00profissionais da sua qualidade, da qualidade de seu Renato, do
- 5:06Augusto. em vários fóruns de suinocultura pelo Brasil afora.
- 5:14Depois eu comecei lá em Concórdia, fiquei quinze anos
- 5:18lá, quatorze anos, passei para trabalhar com aditivos de dieta
- 5:26em suínos, e a partir de dois mil e dez, fico então no mercado
- 5:32como consultor, assessor, e é assim que acontece até hoje.
- 5:40O tempo passa e a gente vem notando as diferenças positivas
- 5:44que acontecem na cadeia de produção de suínos e no produto
- 5:47final. E há carcaças, cortes, produtos
- 5:51industrializados. E as diferenças são muito
- 5:54grandes, né, Guilherme? Desde aquela época até hoje.
- 5:57Eu posso citar a primeira aqui que eu acho bastante
- 6:01interessante, que tem a ver com a escala de produção, que são as
- 6:06superfábricas existentes hoje no Brasil, superfrigoríficos.
- 6:10Nós temos aí praticamente meia dúzia de frigoríficos, super
- 6:16frigoríficos, que eu chamo com capacidade operacional de mais
- 6:19de dez mil suínos dia. Então, você mais do que ninguém
- 6:24sabe o que é processar esse volume e como ofertar esse
- 6:28volume daí para trás. quantidade de matrizes alojadas, UPLs,
- 6:35enfim, crescimento, terminação, para você conseguir abastecer
- 6:39essas superfábricas de mais de dez mil suínos por dia, coisa
- 6:42que não existia no nosso início, lá atrás, lá no Oeste
- 6:46Catarinense. Isso muda muito o processo
- 6:51organizacional da integração, essas superfábricas hoje estão
- 6:57em... inseridas nos processos de integração das quatro maiores
- 7:03processadoras da indústria brasileira.
- 7:08Isso evidentemente tem a ver com quantidade de carne, mas tem a
- 7:11ver também muito com qualidade de carne.
- 7:15Esses avanços, vou citar um aqui, que foram trazidos com
- 7:20essas superfábricas em termos de bem-estar animal, são muito
- 7:24significativos. eu tenho um certo orgulho de ter participado
- 7:34desses avanços em bem-estar animal, juntamente com a equipe
- 7:37da Embrapa, em Concórdia, com o pessoal, com as equipes, colegas
- 7:44veterinários das empresas de bem-estar animal, porque isso
- 7:47não é só poesia, bem-estar animal está mais do que provado
- 7:52por meio de vários trabalhos realizados aqui no Brasil, fora
- 7:55do Brasil, que ele se paga, ele tem um ROI, muito positivo com
- 8:00relação à qualidade de carne. Então, resumindo, mate bem o
- 8:05suíno que ele te devolve carne de boa qualidade.
- 8:08E essa superfábrica com sistemas de alojamento pré-abate
- 8:14automatizados, atordoamento com CO₂, linhas inteligentes, sem
- 8:22dúvida contribui muito para que nós possamos ofertar no mercado
- 8:26nacional, no mercado internacional, essa quantidade e
- 8:30essa qualidade da carne suína que está presente hoje no nosso
- 8:35mercado. Então, conversando com você, eu
- 8:40sempre gosto de lembrar dos avanços que tivemos desde a
- 8:43nossa época lá no Oeste Catarinense até hoje, com
- 8:46relação à bem-estar animal, e mais recentemente com a ESG, com
- 8:54a questão da governança, das empresas, e enfim, Eu acho que
- 9:01hoje a suinocultura brasileira está muito bem posicionada a
- 9:05nível mundial. Ela está cada vez mais
- 9:08eficiente, mais eficiente. E lógico, isso não quer dizer
- 9:14que os desafios acabaram, os desafios permanecem.
- 9:18E quando a gente fala em desafio, eu posso citar um
- 9:22dentro da minha rotina de trabalho, que é como contemplar
- 9:26quantidade e qualidade de carne e gordura na mesma situação, na
- 9:34mesma padela, digamos assim. Hoje, por fatores nutricionais e
- 9:42fatores de pré-abate, de manejo de pré-abate, ainda existem
- 9:47fontes de variação que nem sempre se traduzem de uma forma
- 9:53positiva dentro do frigorífico. Mas esses desafios são bem
- 10:00conhecidos. E eu acho que quem opera essas
- 10:03superfábricas aí de dez mil ou mais suínos dia tem plena
- 10:06consciência de como abordar esses novos problemas e
- 10:14continuar oferecendo ao mercado o produto de boa qualidade.
- 10:21As matrizes da TopGen carregam a excelência em seu DNA, guiando
- 10:25os produtores e consumidores a um futuro mais sustentável da
- 10:29suinocultura. Resultado de quatro décadas com
- 10:32foco em melhoramento de matrizes e agora potencializado através
- 10:36da atualização genética com o que tem de melhor na Suíça.
- 10:42Deixa eu fazer um gancho aqui, Peloso.
- 10:46Eu gosto de ir anotando aqui e...
- 10:48Apesar de ter alguma coisa preparada, eu já mudei meu rumo
- 10:53da prosa aqui, porque eu acho que é legal.
- 10:55Fica à vontade, Guilherme. Coisas que tu comentou, Peloso.
- 11:00Tu está falando aí de final dos anos oitenta, no início da
- 11:05operação. Tu falou em bem-estar, tu falou
- 11:09em ESG, tu falou em superfábricas e coisas que a
- 11:13gente é acostumado a falar, né? E é interessante esse teu
- 11:19resgate. E tu falou do Brasil como um
- 11:23diferencial de qualidade e quantidade.
- 11:25Nesses, vamos jogar, quarenta anos aí, e eu tenho falado muito
- 11:30nisso quando eu tenho oportunidade de palestrar aí,
- 11:33que a gente está fazendo parte de uma operação que deu certo.
- 11:38Quando a gente fala de sustentabilidade, de fazer
- 11:41coisas certas no passado e jogar para o futuro que continue
- 11:46certo. Então, que bom que o nosso
- 11:50cabelo branco aqui, não vou dizer que cresceu, mas ele
- 11:54desenvolveu dentro de uma coisa que deu certo.
- 11:57Então, a grande responsabilidade que a gente tem aí, o Brasil,
- 12:00para quem está nos ouvindo e não é muito da área, o Brasil como o
- 12:03quarto maior produtor e exportador de uma proteína, deu
- 12:08certo. E quando tu fala, eu gostei das
- 12:10superfábricas, né? A superfábrica exige uma
- 12:14superoperação de campo, né? Dez mil, jogando numa matemática
- 12:19muito simples aqui, dez mil abate-dias são cem mil matéria,
- 12:23cem mil matrizes, né? Uma super logística, né?
- 12:26E esse ponto eu quero falar contigo também, da questão da
- 12:29logística e qualidade de carga, né?
- 12:32E do ESG a gente falou da sustentabilidade, de manter a
- 12:39produção em alta. Mas pegando dentro lá, Peloso,
- 12:45dentro da parte mais básica, do produto final.
- 12:49Eu sempre gosto de associar o produto final como um prato de
- 12:52comida. Mas no produto final da
- 12:54produção. O que é uma carne suína de boa
- 12:58qualidade? Bom, o que define carne e suíno
- 13:01de boa qualidade? Essa é uma palestra grande.
- 13:09Mas eu vou tentar dar uma ideia geral, uma resumida que possa
- 13:17ser de boa compreensão. Nós temos praticamente dois
- 13:22destinos. daquele suíno que é processado.
- 13:25A carne in natura e a carne vai para o processamento.
- 13:30Então, nós temos várias características de qualidade
- 13:33para atender um lado da produção e o segundo lado da produção.
- 13:40E isso é um ponto muito positivo, porque desde a nossa
- 13:43época para cá, a oferta de produtos de carne suína
- 13:48praticamente quintuplicou. ela deixou de ser uma oferta quase
- 13:53que exclusiva de industrializados, de
- 13:55processados, como salame, linguiça e presunto.
- 14:01E passamos a ter, enfim, bacon de várias qualidades, picanha
- 14:08suína, quem diria? Imitamos o boi e foi um sucesso.
- 14:14Então, a qualidade que é entregue dentro do frigorífico,
- 14:22que segue esses dois caminhos, seja o caminho da total
- 14:26industrialização, seja o caminho de cortes semi-elaborados, vamos
- 14:31chamar assim, ela começa, se a gente olhar assim, dentro
- 14:36daquele pedaço de pernil, daquele pedaço de paleta, dentro
- 14:40da integridade das proteínas, dentro da célula muscular.
- 14:44Manter a integridade das proteínas, que são, depois que o
- 14:49suíno é abatido, há uma mudança no metabolismo.
- 14:54Eu costumo falar nas minhas apresentações também que quando
- 14:57a gente abate o suíno, o suíno morre, mas o músculo não, o
- 15:00músculo continua vivo. E ele, nesse tempo de vida que
- 15:04ele ainda tem, até a completa finalização de rigor mortis lá
- 15:09dentro das câmaras frias, ele ainda pode ser atacado, digamos
- 15:12assim, por vários fatores que vão, ou que podem, desvirtuar
- 15:20fazer desvios de qualidades irreversíveis nessa carne e na
- 15:26gordura também mas mais principalmente na carne nós
- 15:30podemos simplificar dessa forma a integridade das proteínas que
- 15:35é algo muito importante tanto para um processo de
- 15:40processamento quanto para processos de formulação de
- 15:45produtos semielaborados A integridade das proteínas está
- 15:50ligada à cor da carne, à capacidade de retenção de água,
- 15:54até mesmo o sabor dessa carne. E isso começa lá onde você muito
- 16:01bem atua, na terminação, no crescimento da terminação.
- 16:04Dando só um exemplo, muito tempo atrás, nós acreditávamos que as
- 16:12terminações... elas tinham que ficar perto do frigorífico, o
- 16:17mais perto possível, por questão de logística, custo de
- 16:20transporte e outros fatores, até mesmo por disponibilidade de
- 16:24áreas. Depois vieram as evidências
- 16:29claras que a distância ou o transporte, quando se retira
- 16:32esses animais da terminação e leva até o frigorífico, quanto
- 16:38mais curto, pior. para o bem-estar do suíno,
- 16:43consequentemente, para a sua integridade física, integridade
- 16:46psicológica e, consequentemente, da integridade dessa carcaça,
- 16:52dessa carne que é produzida nas vinte e quatro horas depois da
- 16:57chegada dele ao frigorífico. Então, aí a gente já começa a
- 17:01agredir as proteínas, por quê? Porque o suíno, em uma distância
- 17:05curta, ele cansa mais do que em uma distância longa.
- 17:09Isso é uma inversão de valores que a gente tinha há muitos anos
- 17:13atrás. Quanto mais perto, menos tempo
- 17:17de transporte, então ele vai cansar menos.
- 17:20Hoje a gente sabe que isso não é verdade.
- 17:24Então essa logística, quando você vai ajustar essa distância,
- 17:30consequentemente esse tempo de transporte entre terminação e
- 17:33frigorífico, ele tem que ter um mínimo de tempo. de tempo de
- 17:39carregamento e transporte para que o suíno efetivamente não
- 17:44chegue no frigorífico mais cansado ou mais estressado que
- 17:47quando ele entrou no caminhão lá na terminação uma hora atrás
- 17:51quanto menos tempo de transporte menos tempo ele tem de
- 17:55descansar, de se acomodar dentro do caminhão.
- 17:59Então, esse é um ponto que houve aí uma mudança muito
- 18:02interessante no que a gente acreditava, para garantir,
- 18:06evidentemente, a qualidade dessa carne, estrutura, integridade da
- 18:12carcaça e tudo mais. E interessante essa questão da
- 18:19logística, a logística da entrega da ração, o quanto isso
- 18:23impacta em... distância e transporte de ração, que são os
- 18:28desenhos de toda a logística, e esse retorno como produto.
- 18:35E dentro, o que seriam parâmetros de tempo ou de
- 18:40distância a partir de onde esse comprometimento reduz, a partir
- 18:47daí que ele estaria teoricamente descansado?
- 18:52Os estudos nos ensinam, Guilherme, que o suíno, nessa
- 18:57troca de ambiente, que para ele é bastante perturbadora,
- 19:03lembrando também, antes da gente falar efetivamente do
- 19:06transporte, do carregamento do transporte, e você pode me
- 19:10ajudar bem aqui, Desde que ele é alojado lá, sai da UPL com vinte
- 19:15e dois, vinte e três quilos e fica na terminação ganhando cem
- 19:18quilos e vai sair dali com cento e vinte, cento e vinte e cinco,
- 19:21cento e trinta quilos. A etologia, o comportamento
- 19:26animal nos ensina o quê? Setenta por cento do tempo que o
- 19:30suíno passa ali nas baias, nas instalações, ele passa dormindo
- 19:35ou deitado. Por um motivo muito simples,
- 19:39porque ele não tem o que fazer além disso.
- 19:40Então, ele é alimentado, ele toma água, vai dormir ou vai
- 19:44deitar. Porque não é um animal criado a
- 19:47campo. É um feedlot exclusivo.
- 19:52Interação intensiva. Acesso ao coxo, à água e à
- 19:57ração. Vinte e quatro horas por dia,
- 19:58praticamente. Então, o comportamento dele, já
- 20:03como suíno, já o credencia ficar deitado, dormindo, nesse setenta
- 20:07por cento, todo esse tempo que ele passa em crescimento e
- 20:09terminação. E, de repente, lá no último dia,
- 20:13nós vamos lá e forçamos ele a trocar de ambiente, de uma
- 20:15maneira nem sempre muito delicada.
- 20:20E a partir dessas constatações, o que os estudos nos ensinaram?
- 20:27Ele precisa de meia hora no caminhão para descansar.
- 20:31Então, assim, transporte com quarenta minutos, meia hora, é
- 20:34algo que, na verdade, estressa mais do que faz o animal
- 20:39descansar. Então, eu acredito que um
- 20:44transporte bem desenhado, ele tem que ter pelo menos meia hora
- 20:48para o suíno descansar ali dentro da... em trânsito,
- 20:52descansar em trânsito, como se fosse um... um ônibus leito, uma
- 20:55cama leito, que propicie ele a ficar em situação de equilíbrio
- 21:04homeostático, sem febre, sem acidose metabólica, enfim.
- 21:09Então, sem cansaço, sem consumo exagerado de oxigênio, tudo
- 21:17isso... Evidentemente, as carrocerias de
- 21:21hoje são muito diferentes daquelas que nós estávamos
- 21:25acostumados lá no Oeste Catarinense quando começamos.
- 21:31E elas também propiciam esse conforto.
- 21:35Mas não adianta nada ter esse conforto tecnológico durante o
- 21:38transporte, se esse transporte é curto e muito mal executado.
- 21:43Então, os estudos nos indicam de vinte a trinta minutos, no
- 21:46mínimo, para o sonho descansar, para ele não chegar no
- 21:49frigorífico pior do que ele entrou na carroceria.
- 21:52Certo. E é interessante todo esse teu
- 21:56comentário, desde a questão da etologia lá dentro da granja, e
- 22:01claro, dentro do transporte, e quanto que isso evoluiu.
- 22:05Os programas, e tu comentou lá no começo, os programas de
- 22:09bem-estar, desde a concepção da granja, desde a de tamanhos e
- 22:16distribuição de baia, o teu comentário de refração e água,
- 22:20vinte e quatro horas, e também dos treinamentos que tiveram e
- 22:24são constantemente feitos para o manejo do animal, o
- 22:30carregamento, o embarque, o dia do embarque, eu sempre falo que
- 22:36O dia do embarque é bater um pênalti, é o pênalti, e às vezes
- 22:40se bate o pênalti para fora, se ficou lá os cento e vinte, cento
- 22:44e vinte dias de vida, de alojamento ali, vamos dizer, de
- 22:49terminação, mas toda a parte da inseminação e quanto tempo que
- 22:54isso passou, e às vezes o embarque é um ponto crítico, ou
- 22:58o desembarque lá no frigorífico depois desse tempo que tu falas.
- 23:02e a grande evolução que tiveram as carrocerias e todo o
- 23:07transporte em si. E isso é importante falar, e
- 23:12quando tu comentou lá a primeira vez do Bem-Estar, a gente falou
- 23:19que, sem dúvida, isso que já não é poesia, o quanto que a gente
- 23:22sofria de problema, eu não sei se ele começou daí, mas...
- 23:28A gente sofria muito, com petequias na carcaça, o que está
- 23:32acontecendo? E aí a gente ia voltando,
- 23:36atordoamento, embarque, toda essa questão do frigorífico para
- 23:42trás. E quanto que isso evoluiu, até
- 23:46para formar esse músculo, que tu fala que ele continua vivo mesmo
- 23:49depois do sacrifício. Exatamente.
- 23:52As evoluções que tiveram. É, em volumes bastante, mas os
- 23:57problemas ainda persistem em maior ou menor escala, porque a
- 24:02nossa indústria não é composta única, exclusivamente por
- 24:05superfábricas. Ainda existem pequenas fábricas,
- 24:09médias fábricas, que talvez por questões econômicas ou mesmo de
- 24:15viabilidade técnica não conseguiram acompanhar essa
- 24:19evolução do suíno em si. Eu vou dar um exemplo.
- 24:25Hoje, Guilherme, se a gente pegar um suíno de cento e trinta
- 24:29quilos, com todo o melhoramento nutricional, sanitário, enfim,
- 24:36tudo que se coloca à disposição desse suíno desde o nascimento
- 24:41até o último dia de determinação, De quarenta a
- 24:46quarenta e oito a cinquenta por cento do peso vivo do suíno é
- 24:49músculo, é musculatura estriada esquelética, aquilo se
- 24:52transforma em carne. Ficou fácil fazer a conta.
- 24:55Então, se você tem um corpo de cento e vinte quilos, sessenta
- 24:59quilos ali é carne. Carne é aderida ao osso,
- 25:03musculatura estriada esquelética, aquilo que é
- 25:05desossado. Aquele processo que é inverso.
- 25:11ao da Toyota e da Ford, porque eles montam, nós desmontamos.
- 25:17Nesse final do processo da desmonta, a gente consegue
- 25:22agregar de matéria-prima de alto valor, que é o músculo, sem
- 25:26contar a gordura, geralmente está na relação dois para um,
- 25:29dois quilos de músculo com gordura no suíno. metade do peso
- 25:34vivo é carne então veja bem a evolução que aconteceu de
- 25:38quarenta e oito a cinquenta por cento do animal entregue no
- 25:41frigorífico hoje nesse intervalo de peso aí de cento e vinte a
- 25:45cento e trinta quilos é carne e aí vem as preocupações ou as
- 25:52ocupações de resolver esse problema você falou das
- 25:54petequias do salpicamento que é um problema de manejo pré-abate
- 25:58e atordoamento que ainda persiste ainda fraturas E aí, na
- 26:04condução da resolução desses problemas, nós fomos muito bem
- 26:09auxiliados pelos colegas da inspeção federal, em todo o
- 26:12frigorífico que eu atuei, sempre tive a colaboração muito
- 26:17positiva dos colegas da inspeção federal, todos trabalhando para
- 26:23atingir o objetivo comum, aliar bem-estar salubridade da carne e
- 26:31qualidade de carne dentro do mesmo processo.
- 26:35Nem sempre é tão fácil, mas eu acho que hoje nós temos índices,
- 26:40e na sua maioria, não vou falar só de média, mas índices de
- 26:44produção e produtividade mundiais.
- 26:49E eu costumo também, e se você pode me ajudar de novo, O fato
- 26:55da suinocultura brasileira ser majoritariamente integrada, hoje
- 26:59a cada oito suínos entregues em frigorífico, oito, oitenta por
- 27:03cento, vem ou de um sistema totalmente integrado ou de
- 27:06cooperativa. Então o suíno independente,
- 27:09aquele que é desligado, vamos usar essa palavra, de um
- 27:11frigorífico, ele está cada vez menor.
- 27:14Como é o frango, né? A agricultura hoje é cem por
- 27:18cento integrada. A sinocultura caminha nesse
- 27:20sentido e isso facilita em várias coisas.
- 27:23Facilita na adoção de tecnologias nutricionais.
- 27:27Você citou no início a ractopamina, que eu acho que
- 27:31deveria haver um o melhor uso da ractopamina, trabalhei muitos
- 27:35anos com ractopamina, numa empresa fabricante que
- 27:39comercializava também ractopamina, há um certo
- 27:43exagero, eu acredito hoje, com o uso da ractopamina, mas isso tem
- 27:49seus diversos pontos positivos e negativos, então toda essa
- 27:57indústria completamente integrada, e você fez parte dela
- 28:00hoje, por muitos anos, ela facilita a introdução de
- 28:07tecnologias, sendo no campo, seja no frigorífico, que visam
- 28:12majoritariamente garantir a qualidade desse produto final.
- 28:16Então, isso nos ajuda, a integração nos ajuda.
- 28:22Uma pergunta para o velho Peloso.
- 28:24Lá por dois mil, eu tive... certamente tu estava mais
- 28:33avançado aí, mas eu tive a oportunidade lá no, acho que foi
- 28:36em Purdue, nos Estados Unidos, de ver os primeiros experimentos
- 28:40dos beta-adrenérgicos aí, que acabou sendo o lançamento das
- 28:45facotopaminas. E aí a gente fazia um monte de
- 28:49experimentos, né? Eu falei num outro programa
- 28:53aqui, que a gente fazia, na época, experimento para ver se a
- 28:58vacina de micoplasma se pagava, olha só, né?
- 29:02Outras épocas, né? E aí, toda essa experimentação
- 29:07das lactopaminas, e depois de imunocastração, e tudo, todo
- 29:15esse avanço que teve, o quanto, para chegar nessa facota aí, do
- 29:21quarenta e oito por cento de músculo, né?
- 29:24Quanto que o animal... Quarenta e oito a cinquenta por
- 29:26cento do peso vivo. Cinquenta por cento.
- 29:30Bom, isso deixou um animal, vamos dizer assim, magrão, uma
- 29:35proteína, um produto magro. E agora, vou fazer o caldeirão
- 29:42aqui, vou ver onde é que vamos sair aqui.
- 29:45E agora esse ingresso das raças, o ingresso do Duroc, ou o
- 29:51retorno de algumas raças, principalmente o Duroc, para um
- 29:56apelo mais... mais de gordura, né?
- 30:01A pergunta simples é a seguinte, como que está essa evolução,
- 30:07qual que é o peso futuro do nosso suíno, ou qual que vai ser
- 30:11a conformação futura aí do suíno?
- 30:14Talvez esse seja outro programa, né?
- 30:18Não, eu acho que nós temos munição para responder, que vão
- 30:25nos permitir chegar aí uma Uma conclusão, realmente a evolução
- 30:32foi muito rápida, mas foi uma demanda do consumidor.
- 30:35Quando éramos jovens, a gente lembra que a propaganda não
- 30:42oficial era carne suína é gorda, questões aí de insalubridade
- 30:47devido a parasitose, enfim, tudo isso acabou, né?
- 30:52e mais uma vez, acho que o processo de integração acelerou
- 30:57essa troca de imagem, essa troca de imagem do suíno, mas toda, se
- 31:06a gente começar a olhar os anos noventa, e tudo que veio depois,
- 31:12tudo que veio dos Estados Unidos, da Europa, foi no
- 31:14sentido de diminuir a gordura na carcaça, sem dúvida, fazer o
- 31:17animal cada vez mais magrão. O melhoramento genético, os
- 31:21critérios de seleção, era diminuir a espessura de tocinho.
- 31:25A nutrição, como você bem sabe, a nutrição restrita, para o
- 31:32animal não comer demais e não engordar.
- 31:36Depois vieram os cursos automáticos, também com uma
- 31:40certa restrição alimentar, tudo para que ele fosse nutrido com a
- 31:44quantidade certa de energia e proteína, que não fizesse um
- 31:49excesso de gordura na carcaça. Então, esse caminho foi rápido.
- 31:55Trinta anos é algo rápido. Vinte anos nessa...
- 31:58Nós chegamos nesse ponto. Hoje, eu trabalho muito com
- 32:03banco de dados de tipificação de carcaças, que é talvez o único
- 32:06momento onde o suíno é pesado individualmente em todo o
- 32:08processo. Na carcaça, no frigorífico, uma
- 32:12por uma. Então, nesses bancos de dados de
- 32:14tipificação de carcaça, a gente vê realmente, Guilherme, animais
- 32:18super magros. Mas assim...
- 32:20Porque... É bom olhar a média, mas vamos
- 32:23olhar as distribuições dos valores, dos números em torno da
- 32:28média. Então, realmente, hoje nós temos
- 32:31aí de trinta a quarenta por cento de animais muito magros,
- 32:34mesmo pesados. E aí, para mim, no meu olhar,
- 32:39foi o grande mérito da ractopamina.
- 32:41Foi nos permitir passar de animais castrados, leves e
- 32:45obesos, para animais mais pesados, num curto espaço de
- 32:51tempo, onde o animal pesado é mais barato para quem produz e
- 32:54mais barato para quem processa, no caso do frigorífico.
- 32:58E rende mais também o animal pesado.
- 33:00Por que a gente não fazia isso antes?
- 33:01Porque eles eram castrados cirurgicamente, metade da
- 33:04população era castrada cirurgicamente, A nutrição era a
- 33:07vontade, se a gente botasse naquela época, estou falando de
- 33:09mil novecentos e noventa e três, noventa e dois, um animal de
- 33:12cento e trinta quilos no frigorífico, ia ser melhor do
- 33:16que eu sabe que se traduziria, ia ser muita gordura.
- 33:20Então a ractopamina, no meu ponto de vista, o grande mérito
- 33:25desse composto, desse aditivo nutricional, foi permitir dar um
- 33:28salto em peso e diminuição de custo sem aumentar a gordura
- 33:32corporal. E depois vem a imunocastração,
- 33:35que também tem um aspecto de bem-estar animal, que caminhou
- 33:38no mesmo sentido, atendendo a cinquenta por cento da
- 33:42população, que são os machos inteiros.
- 33:45E eu acho que num futuro, as empresas de genética já
- 33:49trabalham com isso, nutrição, as empresas podem começar a
- 33:55experimentar o macho inteiro, sem imunocastrar, coisa que já
- 33:58acontece na Europa, na Espanha, como você sabe. que também é uma
- 34:02possibilidade, é fácil não, mas nada é fácil quando você está
- 34:06trabalhando com um complexo biológico como um suíno, você
- 34:11mencionou a questão da vacina de micoplasma, um exemplo diante de
- 34:16um grande desafio sanitário, grandes desafios sanitários que
- 34:20ainda temos, Então, nesse aspecto, acho que a ractopamina
- 34:24foi muito positiva nesse salto de peso e praticamente com
- 34:29idades não avançadas. A imunocastração, com certeza,
- 34:33também aumentou a muscularidade dos animais.
- 34:37São utilizadas até hoje e... Essas superfábricas hoje têm as
- 34:42vantagens de você ter capacidade tecnológica de direcionar
- 34:46carcaças de acordo com o seu melhor uso industrial, coisa que
- 34:50não era possível antigamente. Então você tinha lá todas as
- 34:53carcaças para uma vala comum, você tinha que ou na unha,
- 34:57literalmente, escolher a melhor carcaça para determinado
- 35:00produto, ou tudo para vala comum, e ali você fazia o que
- 35:04dava, desde salsicha até pernil natalino.
- 35:10Hoje não, hoje essa capacidade funcional e tecnológica das
- 35:15fábricas já te permite pegar essa variabilidade que te
- 35:18apresenta ali durante a tipificação de carcaças e
- 35:21direcioná-las de acordo com o seu melhor aproveitamento, menor
- 35:25custo e melhor qualidade. E o peso final, para que lado
- 35:33que vamos? Os nossos grandes amigos
- 35:37nutricionistas nos ensinam que acho que cento e trinta quilos
- 35:43hoje seria um peso ótimo de abate.
- 35:47Eu prefiro trabalhar com intervalo de peso ótimo ao invés
- 35:51de um número fixo, Guilherme, porque não é uma matemática, não
- 35:56é um... assim fixa, então vamos falar aí de cento e trinta,
- 36:01cento e trinta e cinco quilos, cento e vinte e oito, cento e
- 36:03trinta e cinco quilos como peso ótimo na questão em relação de
- 36:06aproveitamento de energia, proteína, da ração,
- 36:09transformação, deposição de carne, custo, não só a conversão
- 36:17alimentar, mas a eficiência alimentar, quantos quilos de
- 36:21ração de terminação ele precisa comer para fazer um quilo de
- 36:24carne ou um quilo de gordura, que não vai nem sobrar, nem
- 36:27faltar no frigorífico, isso é outro ponto.
- 36:30Então, acho que hoje, esse intervalo de peso é ótimo, seria
- 36:33de cento e vinte e oito a cento e trinta quilos.
- 36:37Que tem muita gente já fazendo. Peloso, tu comentou de linhas
- 36:46inteligentes. Vamos... e acabou de falar a
- 36:54frase aí da pesagem individual lá na Nória, da carcaça, aonde a
- 37:02gente tem o valor final, pelo menos tem o valor final do
- 37:05animal. O que nós temos hoje de
- 37:10inteligência artificial no sistema?
- 37:16até é interessante esses dias me perguntaram quando chegar a
- 37:19inteligência artificial a gente já usa muita coisa e talvez a
- 37:25palavra esteja na moda ou não mas onde que a gente está
- 37:31situado e o que a gente pode melhor aproveitar em relação ao
- 37:36tema bom, eu posso dar dois exemplos um que é mais
- 37:43direcionado ao que você estuda e trabalha, e outro mais dentro do
- 37:49frigorífico. Eu acho que essas câmaras de
- 37:57prospecção de temperatura, câmaras térmicas, quando
- 38:01colocadas no suíno, que te dão um diagnóstico muito preciso se
- 38:08o animal está com febre, se ele está claudicando, como se fosse
- 38:12uma anamnese veterinária aos olhos eletrônicos.
- 38:16Isso, para uma população sempre gigante dentro das terminações,
- 38:20ajuda bastante. Então, você olhar em uma tela de
- 38:23computador, como nós estamos fazendo aqui agora, determinado
- 38:27suíno em determinada baia, se ele está claudicando, se ele
- 38:29está com febre, a temperatura corporal dele, isso tudo já é
- 38:33possível ser detectado por câmeras inteligentes,
- 38:40inteligência artificial. E dentro do frigorífico, Eu
- 38:45mostrei isso nas minhas últimas palestras na Abraves, eu achei
- 38:49muito interessante, um trabalho chinês, não poderia deixar de
- 38:52ser, mas acho que o Brasil também tem essa capacidade de
- 38:55você ter o peso do suíno vivo, Guilherme, sem precisar botar
- 38:59ele na balança. E o peso da carcaça também sem
- 39:03precisar pesar na nória, por imagem de vídeo, né?
- 39:07inteligência artificial, câmeras, descarrega o suíno,
- 39:10eles saem do caminhão, um conjunto de câmeras dentro do
- 39:13corredor por onde eles vão passar, vão filmá-los e por
- 39:17algoritmo, inteligência artificial, vai dar o valor do
- 39:20peso dele, ou o peso em quilos, sem precisar abrir porta para
- 39:24jogar na balança, sem precisar pesar em cima do caminhão, sem
- 39:27precisar fechar a porta, enfim. movimentos desnecessários,
- 39:32porque, como bem fala também o nosso amigo Cleandro, um dos
- 39:42efeitos colaterais dessa evolução do suíno, evolução
- 39:46positiva, mas alguns efeitos colaterais, é que o animal se
- 39:49tornou cada dia mais sensível, né, Guilherme?
- 39:52Então a sensibilidade aos desafios do exterior, elas
- 39:56aumentam, a percepção das dificuldades do animal aumenta,
- 40:01eles ficam mais sensíveis e a pesagem, que é um fator muito
- 40:05importante para tudo, inclusive para custo, ou principalmente
- 40:09para custo, você vai calcular a conversão alimentar, a
- 40:11eficiência alimentar e o valor desse animal no mercado, seja
- 40:15ele vivo ou seja ele na carcaça. Então, se a gente puder avançar
- 40:18no sentido de que essa tarefa, que é hoje uma tarefa em grandes
- 40:22volumes estressante e com pouca agregação de valor para a
- 40:27indústria, substituí-la por inteligência artificial e
- 40:30apenas, na hora que os suínos são descarregados, filmar eles e
- 40:34dar o peso individual. Isso já é possível, ou está se
- 40:37tornando possível, e eu acredito que, muito breve, estará
- 40:40disponível comercialmente. Então, são esses dois pontos.
- 40:43A questão da... do diagnóstico da população, por meio de
- 40:50câmeras, para ver se tem alguém com febre, caldecano, e no
- 40:54frigorífico, o peso muito aproximado ou igual àquele peso
- 40:58que seria obtido pesando em balança, que é um processo
- 41:01antigo e ainda bastante cheio de estresse e movimentação
- 41:06desnecessária para o suíno, ainda mais um suíno de cento e
- 41:09trinta quilos. Quando a gente fala em cento e
- 41:11trinta quilos de média, voltando à curva de dispersão lá no
- 41:14frigorífico, você tem animal de cento e quarenta e cinco quilos
- 41:17também. Estou falando dessa questão
- 41:22da... da precisão das balanças, uma coisa, uma curva de Gauss
- 41:30que eu fazia no campo, era a curva de Gauss não do peso, mas
- 41:38do pesador, do observador. Vamos numa turma aí para o
- 41:44campo, quanto pesa esse animal? Quanto pesa essa leitura?
- 41:48Quanto pesa essa matriz? Quanto pesa esse determinado
- 41:50animal? A curva de Gauss existe mesmo.
- 41:55A dispersão é muito grande. E quando tu fala aí dessa
- 42:00questão financeira, saber como está a conversão ou saber o
- 42:05momento do abate. Mas mais do que isso também são
- 42:10as medicações, as eventuais medicações.
- 42:12Eu vou tratar um ML por quilo, cinco MLs por quilo. mas quanto
- 42:17que é o quilo? Então, são questões que a gente
- 42:22tem que levar em conta e essa evolução tem que chegar.
- 42:26E ainda mais que a gente está perdendo essas referências no
- 42:31próprio campo. A experiência do campo vai
- 42:36diminuir, porque o número de pessoas a trabalhar, a gente já
- 42:40vê isso em grandes granjas nos Estados Unidos, a O fluxo de
- 42:45trabalho é tão grande ou as populações são tão grandes que é
- 42:50impossível a gente acompanhar a etologia na essência.
- 42:53Esse animal está mais devagar ou ele não está chegando ao corpo.
- 42:58Tudo isso que está evoluindo. Legal.
- 43:02Só concluir aqui pelo lado do frigorífico, você falou em mão
- 43:05de obra, nada substitui a mão de obra humana em determinadas
- 43:11tarefas e acho que a desossa no frigorífico, principalmente a
- 43:16desossa de suínos, a de frango já está bastante automatizada,
- 43:20mas a de suínos ainda é muito dependente dos cinco dedos
- 43:27humanos. E eu coloco aqui dois gargalos
- 43:31que têm a ver com a qualidade que a gente deseja dentro do
- 43:34frigorífico. A mão de obra é uma delas.
- 43:37Vamos lembrar que quanto mais... Quanto mais você corta o músculo
- 43:43na hora da desossa, mais ele perde água.
- 43:46Você rompe a barreira celular da célula muscular, você está
- 43:49cortando a faca. Para romper a barreira celular,
- 43:52você está cortando a carne e está perdendo água.
- 43:55Está perdendo qualidade, está perdendo rendimento.
- 43:58E um outro aspecto, trabalhos recentes que eu fiz, olha só que
- 44:04ponto chegamos, Guilherme. O resfriamento das carcaças, as
- 44:08carcaças ficaram mais quentes, muito mais quentes, porque estão
- 44:11maiores, tem mais carne, o suíno está mais acelerado, às vezes o
- 44:16transporte é curto, ele chega mais quente, a temperatura
- 44:18corporal dele está maior no frigorífico, o transporte é um
- 44:22gerador desse aumento de temperatura corporal, os
- 44:25trabalhos lá do Osmar, da Lacosta na Embrapa, do Felipe,
- 44:30do filho dele, mostram isso claramente, trabalhos muito
- 44:32bons, nos orientaram bastante durante esse tempo todo aí.
- 44:37Só que os sistemas de resfriamento de carcaças
- 44:39frigoríficas não se alteram. Primeiro que é caríssimo.
- 44:41Então, você tem uma capacidade de resfriamento X, mas o calor
- 44:46que está entrando é Y, Z, T. Ele vai aumentando à medida que
- 44:51você vai mantendo o peso dos animais e a quantidade de
- 44:53carcaças que vai colocando ali dentro.
- 44:55Então, concluindo, a retirada de calor dessa carcaça, a retirada
- 45:00de calor dessa massa muscular, que há três anos atrás era
- 45:04eficiente, hoje ela se torna ineficiente.
- 45:07Que você tenha uma mesma capacidade de frio com uma
- 45:10quantidade de calor muito diferente daquela de dois anos
- 45:13atrás, três anos atrás. Por quê?
- 45:15Porque o frio não mudou. A carcaça está mais pesada, tem
- 45:18mais osso, tem mais carne. Ele mais pesado tem uma
- 45:22cobertura de gordura maior, o que impede, de certa forma, a
- 45:25troca de calor e frio na carcaça.
- 45:28Então, hoje eu tenho trabalhado muito com defeitos de qualidade
- 45:33oriundos do resfriamento. O resfriamento inadequado, o
- 45:38insuficiente das carcaças. Para manter aquela produção de
- 45:42frigorífico. Você tem que...
- 45:45Botou a carcaça hoje às cinco horas da tarde na câmara fria,
- 45:49amanhã às quatro da manhã ela tem que estar saindo para a
- 45:51desossa. E muitas vezes, muitos casos,
- 45:54esse tempo de resfriamento é inadequado.
- 45:57Essa capacidade de frio, essa quantidade de frio que é jogado
- 46:00nas carcaças é inadequada. E aí a gente volta para o início
- 46:03da nossa conversa. Carne quente, às vezes pH mais
- 46:07baixo que deveria devido ao estresse, rompimento das cadeias
- 46:13proteicas, desnaturação de proteína, afeta muito o corpo, o
- 46:18sabor, capacidade de retenção de água da carne.
- 46:22Então veja bem, tudo tem que ser bem alinhado para que esse suíno
- 46:27que vem do campo, a gente não acabe estragando a qualidade
- 46:30dele lá dentro do frigorífico por uma questão... como diria o
- 46:37Augusto Heck, de tecnopatia. Sim.
- 46:43Peloso, estamos chegando ao fim aqui, um prazer falar contigo
- 46:48aqui, de fato é... Da mesma forma, Guilherme.
- 46:51E até um agradecimento, né, por tanta coisa aí que foi feita
- 46:55nesses quase quarenta anos, né, Peloso, e que bom que...
- 47:00Eu falava que o pênalti está sendo batido na hora do
- 47:02carregamento, já vi que dentro da indústria tem muito mais jogo
- 47:06ainda, né, até chegar no prato, né.
- 47:11Mas que bom que a gente tem todo esse estudo aí e esses puxões de
- 47:15orelha para a gente... Mas nós estamos em um jogo
- 47:19vitorioso. As grandes empresas do Brasil,
- 47:22as grandes integradoras já exportaram para mercados de alta
- 47:25exigência, essa exportação para mercados sofisticados, vamos
- 47:29dizer assim, Ásia, Coreia, Japão, o próprio Canadá na
- 47:34América do Norte, Estados Unidos.
- 47:35Nós já temos essa capacidade em QCE, em qualidade, custo e
- 47:40entrega. Então, eu acho que...
- 47:44Nós realmente batemos muito pentos, fizemos alguns gols, mas
- 47:48isolamos a bola em outros. Estamos no campeonato.
- 47:53Mas estamos no campeonato, sem dúvida.
- 47:56Te agradeço aqui e te deixo para uma palavra final aqui para os
- 47:59nossos ouvintes. Bom, Guilherme, foi mais uma vez
- 48:04uma satisfação aqui dividir esse tempo, esse momento com você,
- 48:09né? Uma pessoa que eu gostaria de
- 48:11ficar ouvindo o resto do dia, ter muito a aprender aí com as
- 48:14suas lições também. E nós estamos hoje, assim, numa
- 48:19indústria vencedora, né? A indústria de produção de carne
- 48:22suína no Brasil é uma indústria vencedora.
- 48:24Não quer dizer que ela é perfeita, né?
- 48:27Ainda existem seus gargalos operacionais.
- 48:29A integração faz parte desse processo vencedor.
- 48:34Aquilo que o Sr. Brandalize falou lá há cinquenta
- 48:38anos atrás ainda é válido, eu acho.
- 48:42Então, nós continuamos no caminho certo.
- 48:48O trabalho magnífico da BCS, da Associação Brasileira de
- 48:52Criadores Suínos, da BPA, da Associação Brasileira de
- 48:54Produção Animal, Tudo isso, esse momento de marketing, de
- 49:03comunicação com o público em todas as idades do que é a carne
- 49:07suína. Você não precisa comer três
- 49:10salames por dia ou dois presuntos inteiros para saborear
- 49:14a carne suína, mas um consumo moderado é algo bem apreciado.
- 49:19E a nossa indústria, ela se desponta no mundo e as
- 49:23instituições de pesquisa, a Embrapa, as universidades
- 49:26federais, também estão tudo dentro desse pacote, os
- 49:29profissionais envolvidos, para que a gente continue sendo
- 49:34vitorioso nessa... Isso não acaba, daqui a duzentos
- 49:38anos vai ter suíno lá em Viveira, em Concórdia, isso não
- 49:40acaba. Sempre caminhando para frente e
- 49:44melhorando. Muito bom, muito bom te ouvir
- 49:48aí, te agradeço de coração, e a gente se vê aí pelo nosso mundo
- 49:53da suinicultura. Um grande abraço.
- 49:54Tá certo, Guilherme, muito obrigado, um grande abraço e até
- 49:57a próxima. Até a próxima.
- 49:59Tchau, tchau.