Latest / O Aviário Podcast · by PPGVET / USO DE IA NA MICROBIOTA DE FRANGOS - Dra. Camila Schultz Marcolla | Ep. 156
Transcript
- 0:00Então, são ideias de como que a gente contorna e dá mais
- 0:04segurança pro pro uso dessa dessas tecnologias, porque
- 0:08ninguém, em hipótese alguma, está cogitando a gente é
- 0:12espalhar fezes no galpão ou excreta no galpão pra promover,
- 0:16porque as excretas vão vir com com outros.
- 0:19É patógenos, potenciais, patógenos, a gente não vai ter o
- 0:22controle. Então, a ideia é tentar
- 0:25controlar e definir o que que seria. 11 microbiota saudável
- 0:29nesse nesses animais. Analisando os dados do canal,
- 0:42percebemos que cerca de 97% de vocês que assistem aos nossos
- 0:47episódios com frequência ainda não estão inscritos.
- 0:51A sua inscrição é muito importante.
- 0:54Ela ajuda o canal a crescer e permite que a gente continue
- 0:57produzindo episódios cada vez mais relevantes e interessantes
- 1:01para você. Então, se você gosta do nosso
- 1:03conteúdo, inscreva. Se agora no canal isso faz uma
- 1:06grande diferença para o nosso trabalho, muito obrigado pelo
- 1:10apoio e um ótimo episódio. Olá pessoal, bem vindos, bem
- 1:14vindas. Nós vamos dar início a mais um
- 1:16episódio do aviário. Eu sou a Catarina stefanelo,
- 1:18hoje eu tenho o prazer de conversar com a Camila Marcola.
- 1:21A Camila é médica veterinária formada na UFRGS, tem mestrado
- 1:25pela UFV, doutorado na universidade de Alberta no
- 1:28Canadá e atualmente também está realizando pós doutorado aí No
- 1:33No Canadá. Então seja bem-vinda Camila,
- 1:36muito bom te ver novamente. Obrigada pela disponibilidade,
- 1:40por contribuir conosco, por aceitar o nosso convite e.
- 1:44Prazer é meu muito obrigada. Bom, eu assim, primeira coisa,
- 1:49sabendo que você já transitou em várias áreas, né?
- 1:53Queria pedir pra você falar com o pessoal um pouco dessa sua
- 1:56relação com a avicultura agora, né?
- 1:58Pra falar com o pessoal que nos acompanha.
- 2:00O que que você tem trabalhado com o que você está agora nesse
- 2:04momento mais relacionada com a avicultura?
- 2:08Então, a minha relação com a vicultura, ela começou durante a
- 2:11minha graduação veterinária, né? Que eu fazia iniciação
- 2:14científica no leso, na UFRGS, professor Andréa, professor
- 2:17Alexandre, EE aí depois da da minha graduação eu fiz é
- 2:25mestrado em nutrição de monogástricos, mas aí com ênfase
- 2:28em suínos. E no meu doutorado eu trabalhei
- 2:31especificamente com microbiota de aves.
- 2:34E é com que eu trabalho. Até agora, especificamente no
- 2:38meu no meu pós doutorado, eu estou trabalhando para a gente
- 2:41tentar criar é microbiotas e definir quais que são as
- 2:46bactérias que são saudáveis e que tem que estar incluídas na
- 2:50nos nossos frangos. É de produção o.
- 2:54Podcast o aviário só é possível através de empresas inovadoras e
- 2:58que apoiam a educação continuada na avicultura brasileira.
- 3:02PPG, vete. O programa de pós graduações,
- 3:05que prepara você para ser um profissional disputado no
- 3:08mercado veterinário grupo BR render, fazemos juntos o produto
- 3:14para atender você cliente novos, líder em soluções de nutrição
- 3:19inteligente para o crescimento dos negócios na produção de
- 3:22proteína animal. Pegasus Science a solução
- 3:26inteligente e em tempo real para a interpretação de micotoxinas
- 3:31all tech. Soluções nutricionais eficientes
- 3:34e sustentáveis para fortalecer a avicultura.
- 3:38Bom, legal, a gente vai seguir nessa linha e aprofundando aos
- 3:42poucos. É interessante que você, com a
- 3:44sua experiência de nutrição, provavelmente teve esse olhar
- 3:47também mais crítico, né? De microbiota.
- 3:50EE, talvez assim, a primeira coisa que eu gostaria de te
- 3:53perguntar é sobre pra você falar sobre essa importância, né, de
- 3:57se conhecer melhor a microbiota no momento talvez que a gente
- 4:01fala talvez muito mais em melhoria de saúde intestinal e
- 4:05que as pessoas esperam, né, da microbiota um pouco funções
- 4:09relacionadas a isso. É, é todo o trabalho que a gente
- 4:14lê hoje que menciona a saúde intestinal.
- 4:16Vai mencionar, né? O papel da microbiota manter uma
- 4:20microbiota saudável, uma microbiota balanceada.
- 4:23O que a gente sabe hoje em dia é que a gente não tem uma
- 4:26definição do que que é isso em frangos.
- 4:29A gente sabe que a microbiota é fundamental desde 1973, no
- 4:33trabalho da normia eventala que elas viram que quando a gente
- 4:37inocula os frangos de corte com. É conteúdo secal de animais
- 4:44adultos. Esses animais vão ter 11
- 4:47proteção contra infecção, é contra ação monela, mas a gente
- 4:51não sabe especificamente o que que tem naquela microbiota que
- 4:55que confere essa proteção. E isso não mudou muito até hoje.
- 4:59Só que hoje a gente tem tá começando a ter as tecnologias
- 5:03pra pra descobrir o que que faz essa microbiota ser saudável.
- 5:09É EOA. Minha ideia hoje é tentar
- 5:14estabelecer quais que são as os as bactérias que estão faltando
- 5:19nos nossos frangos, na nossa avicultura, pra tentar
- 5:22reintroduzir e obter benefícios dela de uma microbiota saudável.
- 5:28Então, o primeiro passo pra gente descobrir isso Na Na
- 5:31percepção do meu trabalho do doutorado.
- 5:34Foi comparar o que que está presente de microbiota nas nos
- 5:38animais criados extensivamente, que tem acesso a microbiota de
- 5:41animais adultos com aqueles animais criados no nosso sistema
- 5:45de produção intensiva. E eu fiz essa comparação durante
- 5:50o doutorado. Trabalhei diretamente com com os
- 5:53agricultores em Alberta, visitei as fazendas, coletei material em
- 5:57diversas fazendas e o que a gente viu é que existe uma série
- 6:02de. Espécies e de bactérias que
- 6:06estão é ausentes nos nossos frangos de corte criados
- 6:10intensivamente, que estão constantemente presentes nos
- 6:13animais de de produção extensiva.
- 6:16E quando a gente pensa é na biologia, né?
- 6:19Da espécie é. A gente entende que existe uma
- 6:24coevolução entre a microbiota e o hospedeiro.
- 6:26Então o frango, ele. A galinha ela evoluiu do do
- 6:31bradien go fawas 100000 anos atrás, né?
- 6:34A gente domesticou esses animais e a gente espera que um animal
- 6:39que é tenha uma microbiota benéfica, ele seja mais sujeito
- 6:44AA sobreviver e reproduzir e transferir essa microbiota que é
- 6:48benéfica pra pra sua prole. O problema com a nossa
- 6:54avicultura hoje é que da maneira Como Ela É feita, que a gente
- 6:58tem uma completa separação entre Oo entre a as mães e os e a
- 7:05prole, é que não existe essa transferência da microbiota dos
- 7:10madura pro pros. É animais jovens.
- 7:14E claro que isso traz inúmeras vantagens, porque a gente evita,
- 7:17né? A ocorrência de diversas
- 7:18doenças. Mas ainda assim, nesses últimos
- 7:2160 anos em que a gente intensificou a produção, EE
- 7:25causou essa essa falta dessa microbiota, é possível que a
- 7:30gente tenha perdido um grande potencial genético bacteriano de
- 7:33diversas funções que a gente pode tentar usar a nosso favor
- 7:39se a gente souber exatamente o que que tá acontecendo.
- 7:44E não, eu fiquei curiosa, na verdade, pra ver o que que se se
- 7:49alguma bactéria chamou atenção de nessas diferenças entre os
- 7:53animais que vocês encontraram? É uma diferença gritante que que
- 7:58a gente tem. Quando a gente compara esses
- 8:00animais criados mais extensivamente com os animais
- 8:03intensivos, é que o Reino, o filho dos bacterieidetes, ele
- 8:08está praticamente ausente nos nos nossos animais intensivos.
- 8:13E ele é extremamente abundante. Ele faz 60% da comunidade nos
- 8:17animais de de criação extensiva. E dentro desses desse filo
- 8:22existem diversas bactérias que são responsáveis, por exemplo,
- 8:25pela digestão de carboidratos complexos, que vem, por exemplo,
- 8:29na é a casca dos insetos AO grama que os nossos animais não
- 8:33comem. Então, assim, são bactérias que
- 8:35a gente se a gente souber quais as funções que ela tem, a gente
- 8:39pode, talvez é. Inocular e usar essas bactérias
- 8:44juntamente com dietas específicas, por exemplo, com
- 8:47mais fibra ou até agora proteína de insetos, por exemplo, está
- 8:49sendo muito usada. Talvez a gente consiga usar o
- 8:52potencial da bactéria para aumentar a digestibilidade
- 8:55desses ingredientes. Eu trabalhei especificamente com
- 8:58uma bactéria que ela não é bacteroidets, ela é firme.
- 9:01Cuts é chamada megamonas. A megamonas ela é.
- 9:07Presente em Perus selvagens em frangos, é criados
- 9:12extensivamente no Red angle fall e ela é extremamente reduzida
- 9:16nos nos ossos animais criados intensivamente.
- 9:19E então eu, eu, um dos meus trabalhos do doutorado, eu
- 9:24foquei na função dessa bactéria pra ver se ela é seria benéfica
- 9:29pros nossos animais. Então eu fiz um experimento com
- 9:333 tratamentos, 11 grupo de animais foi inoculado apenas com
- 9:36megamonas. E o outro grupo foi inoculado
- 9:40com megamonas e mais uma comunidade de 12 bactérias.
- 9:45Um terceiro grupo foi inoculado apenas com essas 12 bactérias e
- 9:48não foi inoculado com megamonas. Então, usando esse design
- 9:52experimental, a gente conseguiu ver qual que é a função
- 9:55específica da megamonas sozinha e inserida numa comunidade
- 10:00definida. E o que que acontece se essa
- 10:03comunidade tiver faltando megamonas?
- 10:05E o que a gente notou foi que a comunidade 100 megamonas, ela
- 10:08tem uma menor produção de acetato e propionato, por
- 10:12exemplo. É então a ideia é a minha ideia
- 10:16do doutorado e daqui para frente a gente tentar descobrir o que
- 10:19que cada bactéria tá fazendo e como é que ela age em conjunto
- 10:23com uma comunidade específica. É ou qualquer função dela
- 10:27sozinha ou outro fato interessante que a gente
- 10:30descobriu durante esse trabalho? Aqui, se a gente inocula essa
- 10:34bactéria sozinha nos animais, nos nossos frangos de corte, ela
- 10:38ela acaba sendo prejudicial. Quando a gente desafia esses
- 10:41animais com são monela, a gente observou mais translocação de
- 10:45são monela pro pro fígado e rim do que o que a gente observou
- 10:50com a comunidade definida sem megamonas ou a comunidade
- 10:53definida com megamones. Então é entender essas nuances
- 10:58EE tentar selecionar realmente bactérias que estão exercendo
- 11:02uma função que vai ser útil para nossa, para o nosso sistema
- 11:06produtivo. Empresa global de nutrição
- 11:10animal, a autech oferece soluções para enfrentar os
- 11:13principais desafios da avicultura, junte se a nós para
- 11:17maximizar a imunidade, segurança do alimento e qualidade dos
- 11:21ovos. Com a altec, você não precisa
- 11:24escolher entre desempenho, bem-estar e sustentabilidade.
- 11:30Isso que eu queria tava aqui. É pensando, então vocês
- 11:35conseguem identificar bactérias? Lógico, essas diferenças entre
- 11:39elas. Vocês conseguem fazer a
- 11:40identificação, mas também conseguem descobrir ou fazer
- 11:45alguma descoberta mais avançada sobre também o que que é a
- 11:48função delas pra. Isso exatamente.
- 11:53Então, o que eu fiz No No no meu primeiro trabalho de doutorado,
- 11:56que foi essa comparação, eu criei uma lista das bactérias
- 12:00mais procuradas e eu foquei justamente nas bactérias que
- 12:02estão presentes nos sistemas extensivos, mas não estão nos
- 12:06sistemas intensivos. E aí eu usei essa lista para
- 12:10tentar fazer o cultivo dessas bactérias numa numa maneira.
- 12:14Não muito é específica, sim, mas a ideia era criar 11 biblioteca
- 12:20com com o maior número de isolados possíveis, focando em
- 12:24tentar isolar essas bactérias que estão faltando.
- 12:27Então a megamonas também foi uma das das bactérias que eu
- 12:30consegui isolar. Eu consegui isolar a vários
- 12:33bactérioidades também. É.
- 12:36E aí eu criei durante o meu doutorado, essa essa biblioteca
- 12:39que tem é 87 espécies. E entre essas 87 espécies tem 5
- 12:44espécies que são provavelmente novas espécies novas que não
- 12:47foram, não tinham sido isoladas ainda.
- 12:50EE aí a partir daí eu comecei a construir essas comunidades
- 12:55definidas. Então nosso trabalho é todo
- 12:57baseado em. Em uma sala de biossegurança
- 13:02nível 2, com micro isoladores, então, a gente tem o controle
- 13:04total do que que esses animais estão sendo colonizados?
- 13:08É, na verdade, eles chegam da incubadora com uma microbiota
- 13:12que normalmente é composta basicamente por nikolai e
- 13:16crocidium, que é o que eles encontram no ambiente da da
- 13:20incubadora. E aí a gente coloca no primeiro
- 13:24dia de vida as bactérias que a gente quer.
- 13:27É definidas por cultivo, né? A gente sabe exatamente o que
- 13:32que está ali. É e aí isso é interessante,
- 13:36porque isso permite que a gente realmente tenha um controle
- 13:39total da da microbiota desses animais e consiga estabelecer o
- 13:43papel, né? E causas e efeitos de de cada
- 13:46bactéria que que está ali. É o nosso próximo passo também
- 13:50vai ser começar a fazer isso com animais jourm free.
- 13:53Então a gente pega animal que não tem nenhuma microbiota, e
- 13:57exatamente a microbiota que a gente tem é para colocar, é o
- 14:02que eles vão ter. Então a gente teve muito sucesso
- 14:05em estabelecer esse modelo. O modelo tem algumas limitações,
- 14:10então assim é um é um modelo. É muito bom para trabalhos
- 14:14piloto, para gente definir. Possível papel de cada bactéria
- 14:18mas como os animais são criados em isoladores e o espaço de cada
- 14:22isolador é é limitado, a gente só consegue é avaliar esses
- 14:27animais até os 21 dias de idade. E a gente tem um número limitado
- 14:31de isoladores também. Então a gente não tem um n que
- 14:34nos permite inferir sobre performance.
- 14:37Então nosso foco no momento é realmente trabalhar com exclusão
- 14:42de patógenos. E desenvolvimento de é mucose
- 14:46intestinal e produção de citocinas resposta inflamatória
- 14:52a esse tipo de resposta que a gente está trabalhando no
- 14:54momento. Bom, sabendo da da biblioteca de
- 15:00isolados, né? E todas essas espécies que vocês
- 15:03identificaram? Queria aproveitar a tua presença
- 15:07aqui hoje também pra pedir pra você falar dessa, da importância
- 15:11desse trabalho, né? De identificação de
- 15:13microrganismos que estão presentes no trato intestinal
- 15:16das aves e associadas com as suas funções.
- 15:20Ou essa. Como a gente tem feito isso
- 15:23atualmente? Talvez a gente precise olhar
- 15:27justamente pra pra essas situações onde eu realmente
- 15:32conheço o microrganismo, eu sei o que.
- 15:35Ele vai potencialmente realizar e uma opinião sua, assim, dessa
- 15:40importância toda que a gente tem falado muito mais, né, nesse
- 15:44tema atualmente, né? É, a gente vem falando de de
- 15:48microbiota há anos, né? Mas eu acho que agora a gente
- 15:51tem uma vantagem muito grande, que é justamente ter acesso, é
- 15:55relativamente A baixo custo, é essa caracterização.
- 15:58Então a gente consegue comparar um grupo de animais, é comparar
- 16:03as microbiotas EE, ver quais que são as diferenças entre esses
- 16:08animais, é. E isso nos dá nos abre muitas,
- 16:14muitas possibilidades. Então, uma dessas possibilidades
- 16:17é realmente buscar dentro da microbiota do frango.
- 16:19Eu sempre gosto de de ressaltar que a gente quer a gente quer
- 16:24trabalhar com com microrganismos que são já adaptados ao trato
- 16:28gastintestinal do frango. Porque os probióticos que a
- 16:32gente tem no mercado hoje em dia, muitos deles são
- 16:35lactobacilos ou bife da bactéria ou é bactérias que foram
- 16:40isolados do solo. Elas não são é adaptadas ao
- 16:44trato dessas árvores, então elas tem que ser fornecidas na dieta
- 16:47constantemente para elas terem seus efeitos benéficos.
- 16:50Então, a ideia de trabalhar com microrganismos que a gente chama
- 16:53de nativos, ela vem dessa facilidade de daqui a pouco você
- 16:58ter uma inoculação que você faz uma vez só e você já promove a
- 17:03colonização efetiva daquela bactéria.
- 17:06E aquela bactéria já vai exercer aquela função que você espera
- 17:09que ela exerça. Um dos trabalhos que eu fiz no
- 17:12do doutorado também, que já foi feito antigamente, mas sem a
- 17:15gente saber quais bactérias que foram transferidas ou não.
- 17:19Foi Oo trabalho de ciderboard que a gente chama que a gente
- 17:23inocula um animal na gaiola e vê quais bactérias que vão ser
- 17:28transferidas daquele animal pros seus colegas de gaiola.
- 17:33Então essa, esses trabalhos todos, eles nos ajudam a
- 17:36identificar. Quais são as bactérias que estão
- 17:39sendo transferidas de de de um animal pro outro sem causar
- 17:45efeito deletério? EE, isso vem de uma abordagem de
- 17:51considerar como é que esses animais evoluíram na natureza.
- 17:54Porque na natureza a 100, 100000 anos atrás, você espera que a
- 17:58bactéria benéfica vá ser transferida.
- 18:00E o animal que tem uma bactéria benéfica, ele vai ter uma chance
- 18:04de. Sobreviver, reproduzir e
- 18:07transferir essa bactéria benéfica.
- 18:09Então, se a gente trabalhar com essas bactérias que tem alta
- 18:12adaptabilidade ao trato das aves, a gente é consegue
- 18:17contornar esse problema de ter que é inocular essas bactérias
- 18:21constantemente, via dieta e todos os problemas que.
- 18:26É, resultam, né? Da peletização a viabilidade
- 18:29dessas bactérias e a gente consegue desenvolver outras
- 18:32abordagens, talvez é inoculando alguns animais do do seu galpão
- 18:39e esperando que esses animais transfiram essas bactérias de
- 18:42maneira efetiva, que foi o que a gente viu.
- 18:44O que acontece? Ou é talvez já daqui a pouco uma
- 18:49ideia de você já ter os seus pintinhos comerciais que vem com
- 18:52essa. Comunidade definida e você
- 18:55mistura alguns desses pintinhos com os seus pintos regulares,
- 19:02então são ideias de como que a gente contorna, é.
- 19:07E dar mais segurança pro pro uso dessa dessas tecnologias, porque
- 19:11ninguém, em hipótese alguma está cogitando a gente é espalhar
- 19:17fezes no galpão ou excreta no galpão pra promover, porque as
- 19:21excretas vão vir com com outros. É patógenos, potenciais,
- 19:25patógenos, a gente não vai ter o controle.
- 19:27Então a ideia é tentar controlar e definir o que que seria 11
- 19:32microbiota saudável nesse nesses animais.
- 19:36Muito legal. É.
- 19:38Tem mais uma coisa que eu queria te perguntar, aproveitando que
- 19:42é, é a tua rotina, né? Faz parte do teu dia a dia.
- 19:45E vocês estão próximos de muitas tecnologias, né, que
- 19:48provavelmente vão ser mais usadas no futuro.
- 19:52É pedir para você um pouco do que que você acha que nós vamos
- 19:56ter de inovação nessa área, né? Nessa sua área de de atuação.
- 20:03É, eu trabalhei muito com. Cultivo bacteriano que
- 20:08basicamente no meu durante o meu doutorado é uma.
- 20:12É extremamente trabalhoso, né? Porque você tem que fazer as
- 20:16suas plaquinhas de pétrico meios de cultura diferente, você pega
- 20:20os seus isolados, manda pra é senger.
- 20:23Ciclo assim e agora já existem diversas tecnologias, como o
- 20:27malditof, por exemplo, que você consegue simplesmente botar sua
- 20:30plaquinha de petr no malditof. Ele vai te dizer qual, qual
- 20:33bactéria que é. Então, essa agilidade No No no
- 20:39trabalho laboratorial, ela ela, Eu Acredito que ela vai nos
- 20:42ajudar muito a atingir esse esse potencial que eu acho que não é
- 20:46pra agora, mas que a gente vai conseguir de repente no futuro
- 20:51usar um nanopor, que é uma tecnologia que sequencia a
- 20:54microbiota super rapidamente está sendo usada bastante pra é
- 20:59inclusive avaliar a qualidade de água, detectar patógenos em água
- 21:02em tempo real. É pra você.
- 21:05De repente você tá tendo um problema no seu galpão, você
- 21:08pega excreto de algumas aves, amostra que sequencia e vê o que
- 21:12que tá faltando, o que que será que a gente pode botar?
- 21:14O que que tá acontecendo, qual que é o patógeno que tá ali?
- 21:17Isso vai ajudar também muito com o uso.
- 21:20O uso mais consciente dos antimicrobianos de tratamento
- 21:23pra gente ter uma abordagem mais é é mais controlada e diminuir o
- 21:29uso de de antimicrobianos também.
- 21:32Então eu acho que. É, são tecnologias possíveis de
- 21:36serem exploradas. EE tem o potencial da
- 21:40microbiota, que é é imenso, né? Porque a gente sabe que a gente
- 21:44tem mais é genes Na Na nossa microbiota do que do que do que
- 21:48em nós mesmos. Então, assim, essas funções elas
- 21:51podem ser exploradas se a gente souber como usá las e como que
- 21:56essas bactérias interagem com com a comunidade que a gente
- 21:59tem. A inteligência artificial para
- 22:02fazer essas redes microbianas redes metabólicas microbianas
- 22:06que fazem simulações de como que bactérias vão interagir entre
- 22:09elas em questão de produção de metabólicos, EE inibição de
- 22:13crescimento ou promoção de crescimento é são são coisas que
- 22:18a medida que a gente vai trabalhando mais e montando
- 22:21dados de base mais é base de dados mais avançados.
- 22:26A gente provavelmente vai conseguir explorar muito melhor
- 22:29o potencial da microbiota e aí eu espero que daqui a uns anos a
- 22:34gente pare de simplesmente falar, Ah, o microbiota
- 22:37balanceada, o microbiota saudável, sem a gente saber
- 22:40exatamente o que que tem que ter nesse nessas galinhas para elas
- 22:43terem essa microbiota saudável EE balanceada.
- 22:48Mais uma pergunta que eu queria te fazer, Camila, para você
- 22:51falar sobre o. Que que eu?
- 22:54Se entende, né? Vocês que trabalham nessa área,
- 22:56que são limitações, né? Pra uso e desenvolvimento, né,
- 23:00dessas tecnologias? Eu acho que o que uma das
- 23:04grandes limitações que a gente tem hoje é é é a falta de
- 23:11trabalhos que demonstram é causa e efeito específico.
- 23:14A gente tem muito trabalho que demonstra correlação, então.
- 23:17Mudanças de microbiota que acontecem quando a gente
- 23:20adiciona um aditivo numa dieta, comparado com os animais que não
- 23:23receberam esse aditivo. Só que quando a gente observa
- 23:26essas mudanças, a gente não sabe se essas mudanças de performance
- 23:30ou de de resistência a patógenos, elas foram
- 23:34decorrentes da mudança da microbiota.
- 23:36Ou essa é uma mudança da microbiota que acontece porque o
- 23:39aditivo foi adicionado e a mudança é especificamente do
- 23:42aditivo? Então é disso que vem essa ideia
- 23:45da gente fazer esse controle específico da microbiota, que
- 23:48que está nos nossos animais, e tentar desenvolver mesmo causa,
- 23:52trabalhos sem causa. E efeito é outra alimentação
- 23:55importante do trabalho de de microbiota.
- 23:58É que quando a gente faz essas análises, a chance da gente ter
- 24:02resultados. É falsos positivos?
- 24:05É muito, é muito grande, porque você está pensando em testar
- 24:09diferença em abundância relativa de 200 espécies de bactérias.
- 24:14É possível que vá mostrar, pelo menos, 3 sempre que vão ser
- 24:19diferentes, só que quando a gente olha esses números e olha
- 24:22os dados. A gente tem que pensar se
- 24:25biologicamente faz sentido que aquilo seja 11 diferença com
- 24:29relevância biológica. Então você pega trabalhos que às
- 24:32vezes fala, ó, a gente viu diferença nessas 3 bactérias
- 24:36entre os animais que que tiveram bom desempenho e mau desempenho.
- 24:40E aí quando vai, você vai olhar. Abundância relativa é dessas
- 24:44bactérias no trato desses animais, a abundância de 0.03%
- 24:480.001% zero. Então a gente tem que se
- 24:52perguntar se nessa, nessa abundância tão pequena, é
- 24:57possível que essas bactérias estejam promovendo uma
- 25:01performance ou é apenas uma diferença de performance dos
- 25:04animais que vieram por diversos outros fatores, genéticos, de
- 25:08dieta, de consumo, de localização, no galpão, perto ou
- 25:13longe da da ventilação. Então a gente tem esse olhar
- 25:16crítico e saber que a microbiota é, sim, muito importante.
- 25:19Que essas bactérias tem sim 11 potencial enorme de exercer
- 25:24funções específicas, mas que não é Oo cálice sagrado.
- 25:28Ela não vai. É ser a justificativa e a causa
- 25:33de tudo o que acontece no nos nossos animais.
- 25:37É uma outra limitação que Eu Acredito que tem potencial de
- 25:42ser. Resolvida e avançar muito.
- 25:45O trabalho que a gente faz hoje é se a gente começar a trabalhar
- 25:51e depositar mais os dados em repositórios públicos, porque
- 25:54muitas revistas da área de agricultura não exigem que isso
- 25:59seja feito. Não existe nenhuma.
- 26:01Revista de microbiota com foco em microbiota humana, por
- 26:06exemplo, ou microbiota animal, que não exige que esses dados
- 26:10estejam disponíveis para você poder comparar.
- 26:12Então, assim, cada laboratório vai fazer o seu sequenciamento,
- 26:15vai usar os primers e vai fazer o suas suas análises
- 26:19estatísticas de uma maneira, se a gente quiser.
- 26:22Ter a capacidade de realmente definir o que que está na nossa
- 26:27indústria. A gente tem que ter a capacidade
- 26:29de avaliar o que que está presente em diversos galpões, em
- 26:32diversos trabalhos, em diversos países.
- 26:36Então acho que são essas essas as principais limitações.
- 26:42E, por fim, você falava dos países, né?
- 26:45Queria? Aproveitar que você tá aí
- 26:47também, conhece a realidade do Brasil para perguntar de
- 26:50diferenças que tem registro de produto aí para vocês, Canadá,
- 26:54comparada aqui com o Brasil? É no esse muito do meu, do meu
- 26:59projeto de pesquisa Oo financiamento dele vende
- 27:03justamente de tentar desenvolver produtos que sejam com uma
- 27:07microbiota definida, que a gente possa definir exatamente o que
- 27:10tem e que a gente consiga aprovar esses produtos para o
- 27:14uso. Porque agora no Canadá?
- 27:16Os únicos produtos que são aprovados para uso são
- 27:19probióticos, então eles vão ter cepas de henterococos.
- 27:22É bifdobactéria lactobacilos que não são especificamente não
- 27:27coevoluíram com esses animais na natureza.
- 27:29Eles têm, lógico, as suas vantagens.
- 27:31Eles promovem, sim, é uma proteção contra patógenos, mas
- 27:35eles têm que ser fornecidos constantemente.
- 27:38Então, assim, a gente tentar desenvolver esse trabalho de
- 27:42causa e efeito e provar cientificamente que esses é
- 27:45produtos são seguros de serem aplicados.
- 27:49E ter essa definição genética específica de cada cepa que vai
- 27:52ser incluída nesse produto para ter esse produto que seria seria
- 27:56extremamente seguro e definido, é outra fator importante que
- 28:02aqui no Canadá a gente não pode fazer fermentação, reutilização
- 28:05da cama. Dos aviários, então assim, a
- 28:08gente fez trabalhos também. Não foi um trabalho que eu fiz
- 28:11no meu doutorado, mas eu participei.
- 28:12Eu tenho um colega chamado Edward from.
- 28:14Ele fez um trabalho comparando limpar o galpão com desinfetante
- 28:19ou apenas com água. E só de limpar apenas com água a
- 28:23gente já viu que tem 11. Diminuição na abundância
- 28:26relativa de campilobacter e Na Na carga realmente de de
- 28:30campilobacter. Então, assim, é indicando que a
- 28:34gente precisa sim, a gente já sabe disso, porque diversos
- 28:37trabalhos no Brasil demonstraram que a gente poder reutilizar
- 28:39essa cama. Você tem uma fonte de uma
- 28:41microbiota que é mais madura, que pode ser usada nesses
- 28:44animais. Lógico que a gente não vai usar
- 28:46a cama, que tem patógenos importantes, mas é uma seria uma
- 28:50maneira de de poder é tirar proveito desse, dessa
- 28:57microbiota? É.
- 29:01Então eu acho que são são essas questões que que vão nos ajudar.
- 29:06Apesar de ser uma limitação de ajuda a tentar fazer produtos
- 29:09que são mais específicos, EE gera essa base de dados de
- 29:14conhecimento e de função que pode ser aproveitado de, de de
- 29:19maneira geral, na indústria, né? Então?
- 29:23O que a gente sabe do de outros trabalhos com aves é que a gente
- 29:28tem essa ideia Na Na avicultura dos trabalhos de sequenciamento
- 29:31que já existem, que os animais tem uma microbiota de do dia um
- 29:34ao dia 13, depois na primeira semana, a microbiota tal e
- 29:37depois muda. Mas se você der uma microbiota
- 29:41madura para um pintinho de 1 dia, ele vai ter aos 3 dias de
- 29:44idade, ele vai ter uma microbiota madura.
- 29:46E faz muito sentido, porque esses animais na natureza, eles
- 29:48saem do ovo, eles comem a mesma coisa que a mãe deles está
- 29:51comendo e eles comem um cocô. A mãe deles também.
- 29:54Então, assim, é esperado que eles não precisem passar por
- 29:58toda essa esse desenvolvimento, porque o que acontece Na Na
- 30:02nossa agricultura hoje é que as bactérias benéficas e
- 30:06coevoluídas, elas acabam demorando a chegar no nossos
- 30:09animais, porque eles têm que eventualmente encontrar elas num
- 30:13ambiente que está super sanitizado.
- 30:15Então, se a gente conseguir dar dar essas bactérias benéficas
- 30:18pra eles no início, aí seria 111 estratégia a se explorar.
- 30:24Excelente Camila, eu fiquei muito feliz de te receber aqui
- 30:27na viagem. Que.
- 30:31Bom, né? Depois de bastante tempo a gente
- 30:34na mesma área, agora mais perto. E agradecer por estar disponível
- 30:41por todas as informações, é por contribuir conosco.
- 30:45Eu também quero deixar um espaço pra você mandar uma mensagem
- 30:49final pra quem nos acompanhou até agora também.
- 30:53Eu queria agradecer primeiramente o convite foi
- 30:55ótimo, sempre é um prazer e é e é muito bom que o aviário dê
- 30:59espaço para para as pessoas poderem falar.
- 31:02Falar da pesquisa. Então assim foi, foi uma
- 31:05experiência ótima. EE, essa é a minha mensagem
- 31:10final. Assim foi, foi muito legal,
- 31:12muito bom poder poder falar em português.
- 31:15EE, falar dessas diferenças do Brasil e do Canadá.
- 31:18EE, eu acho que inclusive AA nossa agricultura brasileira,
- 31:22nessa questão do do uso da microbiota, ela ela é muito mais
- 31:26avançada, justamente por por ter essa legislação que já permite
- 31:31alguns tipos de produtos que aqui ainda são é, são, não são
- 31:36autorizados. E é legal gerarmos informações
- 31:40aqui, vocês gerando ali e esse compartilhamento, né, de de
- 31:45informações, de dados, né, que. É a gente sempre encontra também
- 31:49outras formas para poder divulgar tudo isso, que tudo
- 31:53isso que a gente está trabalhando.
- 31:54Tanto e que está. Gerando de informações, então,
- 31:57obrigada. Mais uma vez quero agradecer as
- 32:00pessoas que nos acompanharam até agora, dizer aqui a gente se vê
- 32:03numa próxima.