Latest / O Aviário Podcast · by PPGVET / Dra. Clarissa Vaz: Potencial dos Bacteriófagos | Ep. 17
Transcript
- 0:00Os bacteriófagos, eles têm 2 ciclos possíveis, eles podem ser
- 0:04bacteriófagos que são líticos ou virulentos, né?
- 0:07Um sinônimo que são aqueles bacteriófagos que uma vez que a
- 0:11absorção e nos perfis da bactéria, ou seja, uma vez que
- 0:14eles se ligam a bactéria, a alvo dele, ele a introduz, então os
- 0:20seus ácidos nucleicos no interior da da célula
- 0:22bacteriana, ele vai produzir novas partículas vírica, né?
- 0:27Utilizando então essa maquinaria da célula bacteriana.
- 0:31Ele vai então produzir esses novos vírions.
- 0:34Essas novas partículas vírica se elas vão ser liberadas, ou seja,
- 0:38elas vão romper a parede AA célula bacteriana e vão então em
- 0:43busca de uma nova bactéria alvo para replicar.
- 0:47Então esse ciclo é o que a gente chama de ciclo lítico.
- 0:50Esses são os bacteriófagos líticos e aqueles que a gente
- 0:54deseja para usar nos produtos voltados.
- 0:57Então a parte veterinária. Boa, pessoal, bem-vindos e
- 1:05bem-vindas a mais um episódio do aviário podcast.
- 1:08Eu sou Catarina stefanel. Estou aqui como um host para
- 1:12conversar hoje novamente com a doutora Clarissa Silveira Vaz,
- 1:15doutora Clarissa é médica veterinária, mestre, doutor em
- 1:19ciências veterinárias, ela é pesquisadora da Embrapa suínos e
- 1:22aves, onde atuam no núcleo temático de sanidade avícola e
- 1:26hoje o tema da nossa conversa sobre a utilização de
- 1:29bacteriófagos. Né?
- 1:30Para o controle da Salmonella na avicultura e para prevenção,
- 1:34também da resistência aos antimicrobianos.
- 1:37Doutora Clarissa. Muito obrigada novamente por
- 1:40aceitar mais esse nosso convite. Obrigada, Catarina pelo convite.
- 1:44Se minha colega de universidade, né?
- 1:47Eu já comentei, eu sou filhote também da ufsm, tem um carinho
- 1:51muito grande pela universidade, doutora Clarissa, eu sempre é,
- 1:55falo aqui que o nosso público é que nos acompanha no podcast,
- 1:58ele é bastante diverso, né? Assim, eu gostaria que você
- 2:01justamente começasse explicando para o público o que que são os
- 2:05bacteriófagos. Muito bem, então os bacteriose,
- 2:09também conhecidos como fagus, como o próprio nome sugere, eles
- 2:14são vírus que atuam especificamente em bactérias, ou
- 2:20seja, eles são incapazes de infectar uma célula humana.
- 2:24Uma célula animal, uma célula vegetal.
- 2:27Então, atuam especificamente em bactérias e mesmo assim, não é
- 2:31em qualquer bactéria, como se fosse chave fechadura.
- 2:34Então a cada bacteriófago tem receptores específicos em
- 2:39determinadas bactérias, né? E são essas esses.
- 2:41Os receptores que determinam essa especificidade, ou seja,
- 2:44qual bactéria eles vão infectar e uma vez que eles não
- 2:50infectamos, nem humanos, nem animais, eles são considerados
- 2:54inócuos. A uma vez que eles sejam inocula
- 2:5912 num determinado organismo, eles são rapidamente eliminados.
- 3:04Se não tiver a bactéria alvo, né?
- 3:07Então, do ponto de vista de segurança, isso é um dado muito
- 3:10interessante. E outra característica que nos
- 3:15atrai nos bacteriófagos é que eles são auto replicantes, ou
- 3:19seja, no momento que a gente aplicou uma dose de
- 3:22bacteriófagos e existe a bactéria alvo para esses
- 3:26bacteriófagos, eles são capazes, então de absorver, ou seja, de
- 3:31se ligar essa bactéria. A promover então a sua
- 3:35replicação, né? Romper essa bactéria e em busca
- 3:39de novas bactérias alvo. Então por isso a gente chama são
- 3:42auto replicantes, então, em teoria a gente não precisaria
- 3:45dar uma outra dose a partir daquela dose inicial.
- 3:49Eles conseguem se auto replicar enquanto tiver o organismo alvo,
- 3:54no caso, a bactéria específica. Certo?
- 3:58E eu comentei essa a esse respeito então de infecção das
- 4:01bactérias, então os bacteriófagos.
- 4:04Tem esse efeito bactericida, e isso, então é o que tem chamado
- 4:09atenção como veterinária, ou seja, como nós podemos
- 4:13utilizá-los como uma ferramenta de controle biológico na área
- 4:17veterinária, mais especificamente na avicultura,
- 4:21que é o nosso tema, né? O objetivo aqui desse nosso
- 4:24canal é, eu acho que em função disso que você comentou, acho
- 4:28que agora vem a pergunta, né? Bom, mas os bacteriófagos, eles
- 4:32têm algo relacionado com com resistência aos antimicrobianos.
- 4:37Ótima colocação, então voltando um pouquinho a parte de
- 4:42história, a primeira descrição do da descoberta, né?
- 4:48Do dos bacteriófagos, foi ao redor de 1915, lá no leste
- 4:54europeu, e nós a pouco tempo, comemorámos o primeiro
- 4:58Centenário do primeiro uso terapêutico de bacteriófagos, ou
- 5:02seja, uso especificamente desses vírus para tratar uma infecção
- 5:07bacteriana. Tá, né?
- 5:09Então, explorando esse efeito bactericida deles, isso
- 5:13aconteceu. Então, lá por 1915, 1922 23.
- 5:19O primeiro uso terapêutico, né? Fazendo então 100 anos, esse
- 5:22primeiro uso e logo a seguir, o que que aconteceu ali por 1940,
- 5:29nós começamos a ter o advento dos antimicrobianos.
- 5:33Os antimicrobianos, sem dúvida nenhuma, foram uma solução muito
- 5:37mais efetiva e muito mais escalonáveis.
- 5:41Para enfrentar a bacteriose bactérias do que os
- 5:44bacteriófagos. Então, nós entramos numa Nova
- 5:48Era a partir então do desenvolvimento de
- 5:51antimicrobianos, né? Então, nesse meio tempo, os
- 5:54bacteriófagos ficaram mais como uma coisa interessante, muito
- 5:58mais na região do leste europeu, né?
- 6:01Enquanto que aqui no resto do mundo a gente investiu mais
- 6:05nessa promissora ferramenta que eram então os antimicrobianos.
- 6:11Acontece que muito rapidamente nós começamos a ver o advento do
- 6:17desenvolvimento de resistência aos antimicrobianos.
- 6:21Se a gente for parar para pensar a Catarina em 50 anos desde o de
- 6:26o primeiro desenvolvimento de o primeiro fármaco antimicrobiano
- 6:30e em 50 anos depois, nós já temos bactérias que são
- 6:34multirresistentes, são o que a gente chama de superbactérias
- 6:39hoje em dia, né? São bactérias virtualmente
- 6:41intratáveis, não tem nenhum antimicrobiano.
- 6:43Capaz de eliminá-las, então 50 anos é um período de tempo muito
- 6:49curto entre o desenvolvimento de um fármaco e o momento em que
- 6:53ele já passa anão ser mais efetivo.
- 6:56Ou seja, ele não tem mais utilidade e ao mesmo tempo, nós
- 7:00temos um desenvolvimento muito lento de novas drogas
- 7:05antimicrobianas, novos fármacos. Existem uma série de produtos
- 7:10que in vitro, né? Em escala de laboratório, eles
- 7:14parecem promissores. Mas aí, quando se passa para a
- 7:17escala de teste clínico, eles não são interessantes, ou eles
- 7:22são tóxicos demais por hospedeiro, ou eles não tem
- 7:25aquele efeito bactericida que se esperava.
- 7:28Então é fato, nós temos um desenvolvimento muito lento de
- 7:33novos antimicrobianos, aqueles que nós já temos disponíveis,
- 7:37eles estão rapidamente se tornando inet vozes devido então
- 7:42ao surgimento dessas bactérias multirresistentes, né e
- 7:45virtualmente intratáveis. Então, AA gente vê um cenário
- 7:51futuro bem pouco otimista nesse sentido.
- 7:54A gente prevê que talvez, em pouco tempo a gente retorne à
- 7:59era pré antibióticos, ou seja, a gente passa anão ter mais essa
- 8:04ferramenta que tanto nos ajudou até agora e tem nos ajudado a
- 8:08combater bactérias. Então, em face dessa
- 8:12problemática toda a Organização Mundial da Saúde criou um plano
- 8:16global para enfrentamento da resistência aos antimicrobianos,
- 8:21né? Visando então com que a gente
- 8:23preserve os fármacos que ainda temos, né?
- 8:27Ao passo em que possamos usar de uma forma mais racional esses
- 8:32antimicrobianos e como essa, essa é uma tarefa que não é só
- 8:36na parte humana, ela também tem interface na parte animal e no
- 8:40ambiente. Então a organização mundial para
- 8:43a saúde animal, antiga ao aí e também tem um plano que Visa
- 8:47operacionalizar. Então essas ações, né?
- 8:50Na parte animal e aqui no Brasil, isso está sendo
- 8:54efetivado por meio do Ministério da agricultura, através de um
- 8:58plano de combate à resistência aos antimicrobianos na
- 9:02agropecuária, que é o que nós chamamos de pan BR agro o pan BR
- 9:07agro. Ele tem várias ações, vários
- 9:10objetivos. E talvez o principal deles seja
- 9:15promover esse uso mais consciente dos antimicrobianos
- 9:19na parte animal, né? Para que a gente faça esse uso
- 9:25mais consciente, a gente vai passar a precisar de melhorar as
- 9:30nossas condições de produção. A gente aqui está tratando então
- 9:33de animais de produção, especificamente frango de corte,
- 9:37então trazendo para a nossa área, a gente tem que pensar se
- 9:40nós vamos procurar utilizar menos antimicrobianos, o que que
- 9:45a gente precisa fazer para isso? A gente precisa melhorar as o
- 9:49nosso sistema produtivo, melhorar a biosseguridade e
- 9:53talvez buscar outras formas de enfrentar algumas doenças
- 9:59bacterianas. Algumas enfermidades bacterianas
- 10:02que causam perdas produtivas ou talvez sejam zoonóticas, né?
- 10:06Então, que alternativas a gente tem pra trabalhar com isso?
- 10:11Há. Esse é um campo, então
- 10:13vastíssimo, para vacinas vacinas são um grande aliado nosso para
- 10:18prevenir as enfermidades aviárias.
- 10:21É um campo enorme para probióticos, prebióticos,
- 10:25fitogênicos. Aqui entram a todos os compostos
- 10:30de origem vegetal. Óleos essenciais é um campo
- 10:35vasto também para ácidos orgânicos e é muito
- 10:38provavelmente onde nós temos um nicho de atuação.
- 10:42Dos bacteriófagos por causa dessa ação bactericida que a
- 10:46gente comentou no início do nosso papo.
- 10:50Bom, bem contextualizado, né? Eu, eu tenho uma curiosidade, eu
- 10:55acho que o pessoal que nos escuta também também tem é em
- 10:59relação aos resultados que vocês já possuem de uso de
- 11:02bacteriófagos, né? Na área da avicultura, o que que
- 11:05nós podemos esperar da utilização dos bacteriófagos?
- 11:09Ótimo, vamos fazer um apanhado assim, voltar um pouco mais.
- 11:13Assim, ao ao contexto global mundial, né?
- 11:16Com relação à bacteriófagos. Na parte humana, há em 2015.
- 11:23Tem um fato que ganhou repercussão em todos os locais.
- 11:27É conhecido entre o pessoal que estuda bacteriófagos como o caso
- 11:32persan, Atom person, a é um americano professor da
- 11:37universidade da Califórnia e, em 2015, ele estava viajando com a
- 11:42esposa e ele contraiu uma infecção bacteriana.
- 11:47Foi por acinetobacter. E ele voltou aos Estados Unidos,
- 11:51então com essa infecção e ela se mostrou muito problemática,
- 11:55porque esse acinetobacter era exatamente aquilo que a gente
- 11:59chama de superbactérias. É?
- 12:01É uma bactéria. Super resistente anão a
- 12:06respondia a nenhum dos fármacos. Nenhum dos antimicrobianos com
- 12:10que ele estava sendo tratado, isso em nível hospitalar.
- 12:14Então a condição de saúde desse paciente Ela Foi gradativamente
- 12:18piorando e a esposa do tom personne é a é uma professora
- 12:24também da mesma universidade e ela muito curiosa, começou a
- 12:28pesquisar e ver o que que podemos fazer.
- 12:31Não, não há antibiótico que. Seja efetivo contra essa
- 12:36bactéria e ela acabou descobrindo, então a terapia com
- 12:40bacteriófagos contra esse acinetobacter, então.
- 12:44Então, assim, de uma forma totalmente experimental e com a
- 12:48anuência então do corpo médico, aí eles entraram em contato com
- 12:51a universidade no Texas, que tinha um banco de bacteriófagos,
- 12:56e por meio dessa universidade eles entraram em contato com
- 12:59outras instituições fora dos Estados Unidos, que também
- 13:01tinham bancos de bacteriófagos, né?
- 13:04Ou seja, uma série de bacteriófagos estocados nos seus
- 13:07freezer. E eles então testaram eles,
- 13:11tinham aquele solado que estava causando AA infecção, a sepse no
- 13:16paciente e testaram, então esse isolado contra uma série desses
- 13:20pagos presentes nesses bancos. Identificaram bacteriófagos
- 13:24então, que eram ativos muito bons, então, contra aquela
- 13:28bactéria, eles formaram então um coquetel com pato desses fagus e
- 13:32enviaram então para o hospital onde ele estava internado.
- 13:36Então, com a anuência médica, porque não era 11.
- 13:39Terapia aceita ainda para o uso em humanos.
- 13:43Ele se tornou o primeiro paciente a receber, então o
- 13:47tratamento. A via endovenosa de
- 13:51bacteriófagos na América do norte.
- 13:55Isso, então, criou toda uma curiosidade mundial a respeito
- 13:59do uso desses bacteriófagos como uma auxiliar, talvez nessa luta
- 14:05que a gente está enfrentando com relação à resistência aos
- 14:08antimicrobianos, né? E aí, vindo a tua pergunta,
- 14:12assim, o que que a gente pode esperar resultados que que a
- 14:14gente pode ver na área veterinária, mais
- 14:16especificamente na agricultura? Cura?
- 14:19Os anti os fagos, os bacteriófagos, eles podem
- 14:23substituir o uso terapêutico de antimicrobianos.
- 14:27Muito provavelmente não é interessante que eles sempre vão
- 14:31ser uma ferramenta que a gente tem ali, o como uma arma é
- 14:34bactericida, né? Capaz de atacar bactérias de uma
- 14:40forma um pouco parecida com que os antimicrobianos fazem, mas
- 14:44substituiu o uso terapêutico dos antimicrobianos.
- 14:48Provavelmente não. O que que a gente vislumbra?
- 14:51Nave cultura é o enfrentamento daquelas situações,
- 14:57principalmente bactérias intestinais, em que tu precisa
- 15:02reduzir a colonização intestinal dessa bactéria e também da
- 15:06excreção fecal dessa bactéria. Então, eles caem como uma luva
- 15:11para o enfrentamento de salmoneloses aviárias, que já
- 15:15foi tema aqui do nosso bate-papo nesse canal.
- 15:19Não por coincidência, mundialmente, inclusive no
- 15:23Brasil, há uma série de produto. Todos a base de bacteriófagos
- 15:27voltados então ao enfrentamento de salmoneloses aviárias, é
- 15:31interessante que esses produtos eles são voltados para
- 15:35Salmonella paratyphi case, né? Geralmente Salmonella
- 15:38enteritidis typhimurium. Alguma daquelas que são não
- 15:42adaptadas às aves porque as adaptadas Salmonella gallinarum
- 15:47pullorum. A gente procura trabalhar com a
- 15:49erradicação delas, né? Então a gente não propõe o uso
- 15:53de um produto, seja Farma ou qualquer outro que seja, para
- 15:56tratar. Então, uma salmonelose por
- 15:59gallinarum ou pullorum, mas para essas Parati fica.
- 16:03É uma ferramenta muito promissora, pensando então
- 16:06nessas 2 características é reduzir a colonização intestinal
- 16:10dessa salmonela na ave e reduzir a excreção fecal.
- 16:15Lembrando que a gente já comentou aqui no episódio
- 16:18anterior, né? O quanto que essa Salmonella
- 16:20paratyphi case enteritidis de fi more em suas amigas são hábeis,
- 16:25né? Inserem escrita da pelas.
- 16:28Fezes pelas excretas das águas. Então aí é que a gente observa
- 16:33esse potencial para o uso dos bacteriófagos.
- 16:36Eu queria aproveitar, né? Todo esse teu conhecimento para
- 16:41perguntar também quais são as características desejáveis de um
- 16:45bacteriófago, né? Para ser utilizado na área da
- 16:48agricultura, na área veterinária, o que que ele
- 16:51precisa ter para atender esse objetivo excelente?
- 16:56Então estou falasse muito bem, anão é?
- 16:59Todo o bacteriófago que vai ter potencial para uso, então, na
- 17:04veterinária ou na avicultura, ou em qualquer outro campo da da
- 17:08veterinária. Inicialmente a gente tem que
- 17:10pensar na característica biológica desses bacteriófagos,
- 17:14a quem é da parte veterinária. Vai lembrar lá das aulas de
- 17:18microbiologia que os bacteriófagos, eles têm 2 ciclos
- 17:22possíveis. Eles podem ser bacteriófagos que
- 17:26são líticos ou virulentos, né? Um sinônimo?
- 17:29São aqueles bacteriófagos que, uma vez que absorveu e no
- 17:33superfície da bactéria, ou seja, uma vez que eles se ligam, a
- 17:35bactéria, a alvo dele, ele a introduz, então os seus ácidos
- 17:41nucleicos no interior da da célula bacteriana, ele vai
- 17:44produzir novas partículas vírica, né?
- 17:48Utilizando então essa maquinaria da célula bacteriana, ele vai
- 17:52então produzir esses novos vírions.
- 17:55Essas novas partículas vire case, elas vão ser liberadas, ou
- 17:58seja, elas vão romper. A parede AA célula bacteriana e
- 18:03vão então em busca de uma nova bactéria alvo para replicar.
- 18:07Então esse ciclo é o que a gente chama de ciclo lítico.
- 18:11Esses são os bacteriófagos líticos e aqueles que a gente
- 18:15deseja para usar nos produtos voltados.
- 18:17Então a parte veterinária tem uma outra categoria de
- 18:22bacteriófagos que a gente chama dos é de bacteriófagos.
- 18:26A temperados ou os lisogênico, esses bacteriófagos não são
- 18:31interessantes para esse objetivo que a gente tem, porque o que
- 18:35que acontece? Eles também são específicos para
- 18:38uma bactéria. Então, no momento que eles
- 18:40identificam a bactéria alvo, eles vão se ligar nessa bactéria
- 18:45e vão penetrar, né? Vão colocar então o seu ácido
- 18:47nucleic no interior da bactéria. Só que em vez de eles produzirem
- 18:51novas partículas vírica romperem a bactéria e darem continuidade
- 18:56a esse ciclo. Eles vão então se integrar no
- 18:59genoma da bactéria e vão ficar ali num estado latente.
- 19:03É como se a bactéria fosse, então, portadora daquele fago no
- 19:07seu genoma e cada vez que a bactéria replica, ou seja,
- 19:10aquela forma, uma célula filha, esse fago, ele está sendo
- 19:14passado para sua progênie. Só que ele tá quietinho, ele
- 19:17está integrado ali no ácido nucleico, né?
- 19:19No genoma da bactéria. Então ele não está fazendo
- 19:23aquele papel que a gente deseja, que é o papel bactericida.
- 19:27E ainda, é possível que esse bacteriófago eventualmente, ele
- 19:31tem algum gene de resistência a antimicrobianos carregado aí no
- 19:34seu genoma. Ele está levando isso para a
- 19:36bactéria e de repente ele está conferindo uma característica em
- 19:40desejada para bactéria, que é uma característica de
- 19:43resistência ao antimicrobiano. Então, faz parte do controle de
- 19:47qualidade dos produtos que utilizam bacteriófagos é que
- 19:52sejam fagos estritamente líticos.
- 19:55Como é que a gente define isso? A gente faz uma série de
- 19:58estudos. Laboratoriais, né?
- 20:00In vitro para definir e também na sequência completamente o
- 20:04genoma desses fagus, né? Então, ali a gente tem certeza
- 20:08de que não carrega esses genes que estão envolvidos.
- 20:10Então, com a quantificação dessas enzimas que levam a
- 20:12integração do genoma da bactéria, que é o que a gente
- 20:15não deseja, então essa é uma das primeiras características
- 20:20desejáveis. Então, num fago para uso na área
- 20:23veterinária, né? AA gente também pode comentar
- 20:28sistemas de entrega. Então a gente tem que pensar que
- 20:32esses fagos, eles têm que ser adaptados.
- 20:35Algum sistema de entrega que a gente vai usar para colocar na
- 20:39ave, como a gente tá? Talvez focando em enfermidades
- 20:43intestinais, no caso aqui de salmoneloses, então a via oral é
- 20:47muito interessante, então a gente tem que achar formas de
- 20:50entregar, de entregar esses fagos no sítio alvo, então esses
- 20:55fagos eles precisam resistir a essa passagem, então a.
- 21:00Pelo papo, pelo estômago, que são a áreas, né?
- 21:05São regiões anatômicas da ave que tem um ph naturalmente
- 21:08baixo. Então ele tende a reduzir a
- 21:11viabilidade desses pagos e a gente quer que eles cheguem até
- 21:15o intestino. Particularmente no século, que é
- 21:17um local de eleição para a colonização das salmonelas nave,
- 21:21então eles precisam chegar lá viáveis.
- 21:24Então a gente precisa achar fagos que sejam capazes de
- 21:27fazer. Então esse caminho, né?
- 21:29Sem perder a sua viabilidade. Uma outra coisa interessante que
- 21:34vale a pena, apesar de a gente está comentando aqui sobre
- 21:36características desejáveis nos pagos, é a questões ainda
- 21:42biológicas, quando a gente está selecionando um fago para uso na
- 21:46área veterinária, a gente tem que pensar em período de
- 21:50latência, o que que seria isso? É aquele período que o fago
- 21:55lítico leva para de sorver, ou seja, para ligar naquela
- 21:59bactéria alvo, né? E a leva então para entrar nessa
- 22:04bactéria, né? E produzir novas partículas
- 22:06vírica. Mas então, quanto mais curto for
- 22:10esse tempo, melhor. Porque, porque o fago ele vai
- 22:13ser mais eficiente e ele vai deixar menos tempo para que a
- 22:17bactéria se adapte e desenvolva mecanismos a de evadir desse
- 22:23ataque dos pagos, tá além desse curto período de latência, a
- 22:27gente deseja também que o fago seja capaz de produzir um grande
- 22:31número de partículas vírica dentro dessa célula infectada.
- 22:36Nós testamos, existem diferentes fagus, então cada vez que a
- 22:41gente testa a gente, né? Nota, assim que cada fago tem o
- 22:44seu comportamento, tem um período de latência que pode ser
- 22:47mais curto, maior. Eles diferem entre si nessas
- 22:50características, assim como no número de partículas que são
- 22:53capazes de produzir dentro dessa célula infectada.
- 22:56Então, idealmente, esse bacteriófago precisa ter uma
- 23:00produção grande de partículas vírica na dentro dessa célula
- 23:04infectada. A gente comentou a respeito de
- 23:07resistência a antimicrobianos. Da onde vem essa resistência?
- 23:12É uma característica normal das bactérias, isso é algo que tá lá
- 23:16na natureza delas. Elas têm essa resiliência, essa
- 23:19capacidade de se adaptar frente a um desafio, né?
- 23:23E desenvolver então mecanismos que as protegem, ou seja, as
- 23:27tornam refratárias, no caso, a um antimicrobiano.
- 23:31Então aqui, com os fagos, a gente procura então dar um
- 23:35mínimo de chance também para essas bactérias, para
- 23:38desenvolverem essa habilidade de procurar evadir também dessa
- 23:42ação dos bacteriófagos. Então, idealmente, o fago que a
- 23:46gente usa no produto, ele tem um período curto de latência.
- 23:49E produz muitas partículas fáticas dentro dessa bactéria
- 23:53infectada, então são características que a gente
- 23:56procura selecionar até ter um produto que seja promissor para
- 24:01a gente testar. Então, a em vivo, né?
- 24:03Nos animais eu achei bem interessante.
- 24:06Acho que o ponto mais interessante assim pra mim
- 24:09escutando agora foi a ver a forma como eles atuam mesmo, né?
- 24:13É, eu gostaria que você comentasse também sobre
- 24:17limitações, né? Que provavelmente existam, né?
- 24:21Do uso de bacteriófagos EE as decisões futuras é que ainda
- 24:24precisam ser tomadas em casa, né?
- 24:27Perfeito, boa colocação. Então, quando a gente pensa em
- 24:32bacteriófagos, para controle biológico para uso na
- 24:36agricultura, a gente tende sempre a fazer a comparação com
- 24:39o fármaco, né? Com antimicrobiano e aí a gente
- 24:43pensa em farmacocinética e farmacodinâmica.
- 24:46Ou seja, isso é muito difícil de predizer para bacteriófagos,
- 24:51porque diferente de um antimicrobiano que é uma
- 24:55molécula quimicamente definida, a gente sabe.
- 24:58Consegue estabelecer muito bem o quanto que a gente precisa.
- 25:02Administra daquele produto para que ele atinja o sítio alvo, né?
- 25:06No hospedeiro no caso do animal que está sendo tratado, enquanto
- 25:11que daquele produto é necessário, então, para inativar
- 25:14aquela bactéria, quando a gente fala em bacteriófagos, isso não
- 25:18é exatamente proporcional. Por quê?
- 25:21Porque eles são estruturas biológicas e eles replicam numa
- 25:25bactéria. Então a gente não consegue
- 25:28estimar com tanta precisão é quanto exatamente a gente
- 25:33precisa fornecer daquele bacteriófago.
- 25:35Para que ele chegue viável lá no sítio onde ele precisa agir.
- 25:39Na nave, por exemplo, se a gente quer que ele chegue viável no
- 25:43seco, quanto que a gente precisa aplicar esse bacteriófago para
- 25:46que ele consiga chegar lá íntegro e exerça sua função?
- 25:50E quanto de bactéria ele consegue então alisar, né?
- 25:54Consegue eliminar isso não é facilmente é predito, né?
- 26:00Por essas questões biológicas e nós temos as questões do
- 26:03hospedeiro também, que podem ser um limitante.
- 26:07Vamos lembrar que os bacteriófagos são uma estrutura
- 26:11não própria, ou seja, é algo que o sistema imunológico do
- 26:14hospedeiro reconhece como estranho.
- 26:17Então, a tendência do organismo hospedeiro é montar uma resposta
- 26:22imunológica, ou seja, forma anticorpos que podem então
- 26:26atacar esses bacteriófagos. Então isso é possível?
- 26:30Existe uma série de estudos e, de certa forma, alguns
- 26:34resultados são controversos. Tem alguns pesquisadores que
- 26:38mostram que essa eventual produção de anticorpos contra
- 26:41esses bug. Cry of agora que estão sendo
- 26:43usados, então para reduzir uma determinada bactéria no animal,
- 26:48né? No organismo hospedeiro, eles
- 26:50não teriam tanto efeito sobre a ação desses bacteriófagos.
- 26:55Outros estudos falam que sim, que talvez tenha algum efeito,
- 26:59mas é sempre importante considerar então essa possível
- 27:02formação de uma resposta do hospedeiro contra os
- 27:06bacteriófagos que a gente está aplicando.
- 27:08Então, de uma forma, a auxiliar ali no animal para controlar uma
- 27:13bactéria. Nós comentamos brevemente sobre
- 27:17a habilidade das bactérias de desenvolverem resistência a
- 27:21antimicrobianos, mas essa habilidade é algo resiliente
- 27:26delas, então elas conseguem se adaptar a diferentes ambientes.
- 27:30Elas desenvolvem mecanismos de se adaptar a situações adversas
- 27:36e isso também se aplica aos bacteriófagos, ou seja, as
- 27:41bactérias conseguem desenvolver mecanismos que as protegem da
- 27:45ação dos bacteriófagos. Existem diferentes maneiras para
- 27:49isso. Pode ser por mutação, então, por
- 27:52meio de mutação, elas podem modificar o receptor que elas
- 27:56têm na superfície, que é um dos receptores que o bacteriófago
- 28:00reconhece, que permite então a sua ligação e a penetração na
- 28:05célula bacteriana. Então é possível que elas
- 28:07modifiquem esse receptor. É possível que elas criem uma
- 28:12Barreira protetora, né? Por exemplo, ampliem a formação
- 28:16de cápsula que dificulta então. A adesão desse bacteriófago ao
- 28:20receptor, então elas têm mecanismos muito sofisticados de
- 28:25a reagir contra esse ataque dos bacteriófagos.
- 28:29Então a gente precisa considerar que, sim, é possível que elas
- 28:33desenvolvam resistência aos bacteriófagos.
- 28:36Por isso que o uso deles deve ser algo também pensado.
- 28:40Não pode ser um uso indiscriminado, cada fabricante
- 28:44vai ter ali a sua recomendação. Ele conhece a biologia dos fagos
- 28:48que estão ali naquele produto. Então ele sabe qual é a
- 28:52recomendação em qual período aplicar nos frangos por qual,
- 28:55quanto tempo em que momento, então tudo isso é procurando a
- 29:00melhor eficiência do tratamento, né?
- 29:02E procurando então não dar chance para que essas bactérias
- 29:05desenvolvam? Então, essas habilidades de
- 29:08evadir então desse tratamento, né?
- 29:11De aprender então, a se protegerem desses bacteriófagos.
- 29:18Um outro dado interessante a. A gente quando está trabalhando
- 29:24com bactérias gram-negativas, que é o caso de Salmonella às
- 29:28bactérias gram negativas, elas têm uma camada externa, uma
- 29:32parede celular muito rica em lipopolissacarídeo,
- 29:36lipopolissacarídeo LPs, esses LPs, eles podem causar choque
- 29:43séptico, né? A elas são uma toxina pro pro,
- 29:48organismo hospedeiro. Se elas estiverem presentes em
- 29:50grande quantidade. Então nós temos que pensar que a
- 29:54ação desses bacteriófagos sobre essas bactérias, idealmente ela
- 29:59deve ser uma ação gradativa. Não é desejável que esses
- 30:03bacteriófagos li z 1 o volume muito grande dessas bactérias
- 30:07todas ao mesmo tempo, porque em teoria a gente teria uma
- 30:11liberação muito grande ali da desse LP s, né?
- 30:14Isso pode causar então uma reação adversa no hospedeiro.
- 30:18Então é. É uma algo assim que a gente
- 30:22pode prever que talvez. Seja uma limitação Na Na questão
- 30:26do uso dos dos bacteriófagos, mas também é uma limitação com
- 30:32relação a outros produtos que também exploram a lise nessa
- 30:36ação bactericida das bactérias por meio da do rompimento então
- 30:40das células, a gente procura cuidar também.
- 30:43Uma limitação é que a preparação desses produtos com fagos,
- 30:47agente, amplifica eles, né? No laboratório, para preparar em
- 30:51escala industrial, a gente amplifica usando uma bactéria,
- 30:54né, para produzir grandes quantidades desses bacteriófago
- 30:57que vai ser usado depois. Como um biofármaco, né?
- 31:01Num animal, então essas preparações elas precisam também
- 31:05ser purificadas para que elas não tenham resíduos de LPs que
- 31:08eventualmente possam ser tóxicos ao hospedeiro, ao animal, no
- 31:12momento que a gente está aplicando, mesmo que seja pela
- 31:16pela via oral. Então são são pequenas
- 31:19limitações que a gente vê assim que a podem existir.
- 31:25E nesse tipo de produto, mas é muito interessante o nicho que
- 31:29eles têm, né? Frente a essa exploração dessa
- 31:33ação bactericida, né? Contra as bactérias em
- 31:36desejadas, então é uma ferramenta bem promissora.
- 31:40Nós temos realmente alguns produtos aqui no Brasil, aqui no
- 31:45Ministério da agricultura tem licenciado na forma de aditivos
- 31:50zootécnicos, né? Para uso Na Na em animais de
- 31:53produção, acredito que possam ser usados também em outras
- 31:56categorias de animais, mas o nosso foco aqui tem sido.
- 31:59Avicultura em outros países também existem produtos
- 32:03similares nos Estados Unidos, eles são conhecidos como graça,
- 32:07né, que são reconhecidos como seguros para uso, né?
- 32:12Mas mais nessa parte animal, né? Na parte humana, ainda tem
- 32:16muitas restrições. Assim nos outros países e, na
- 32:20verdade, foge um pouco do escopo aqui da nossa conversa.
- 32:24Mas pela inserção desses produtos, tanto no Brasil quanto
- 32:27em outros países, né? Então, para uso na área a.
- 32:31Nicola, a gente percebe que é um nicho interessante e
- 32:35principalmente nesse contexto que a gente precisa achar
- 32:39ferramentas que nos auxiliem a produção animal, né?
- 32:43Especialmente a produção intensiva, que é o caso da
- 32:45avicultura de corte, num cenário em que a gente vai precisar usar
- 32:50medidas que. A reduzam, então o uso de
- 32:54antimicrobianos seja para melhoradores de desempenho, né?
- 32:59Seja profilático, né? Mas o uso terapêutico ele sempre
- 33:03vai ser necessário. Enfim, Eu Acredito que era essa
- 33:09tua. A principal pergunta, não sei o
- 33:12que mais eu poderia acrescentar. Não acho que ficam bem didático
- 33:17novamente. Ficou bem explicado.
- 33:19Eu estou bem satisfeita com todas muitas dessas novas
- 33:23informações, né? Que nós tivemos, principalmente
- 33:26neste último tópico. Para finalizar, doutora
- 33:29Clarissa, eu quero te agradecer novamente pela sua presença,
- 33:32pelo seu tempo, pela sua colaboração com o podcast.
- 33:36Obrigada mais uma vez e agradeço a todos que nos acompanharam
- 33:41também. Obrigada a todos pela companhia.
- 33:44Quem tiver a. Dúvidas, informações, pode
- 33:47entrar em contato com com a gente?
- 33:49A gente sempre responde bem rápido e vai ser um prazer
- 33:52conversar com vocês. Um abraço e até o próximo
- 33:55encontro.