Latest / Chá de coragem, com Elisama Santos. / Ep. 31 - COMO ACEITAR NOSSA HUMANIDADE? Chá de Coragem com Elisama Santos
Transcript
- 0:00Como anda a sua relação com a sua humanidade?
- 0:04Como você tem lidado com os seus erros?
- 0:06Porque por aqui eu tenho me visto assim, um pouquinho de
- 0:10impaciência com as minhas falhas e estou de saco cheio de ter
- 0:14paciência com as minhas palavras também.
- 0:16E é isso. Aceita chá de coragem.
- 0:31Esse é um daqueles episódios que eu vou utilizar vocês como uma
- 0:36continuidade da minha terapia. Eu vou abrir a câmera e falar e
- 0:41falar e falar das minhas elaborações comigo mesmo, tá?
- 0:45Espero que te sirva pra alguma coisa, se não servir Deus, você
- 0:48pode pegar todos os outros episódios e ouvir, tá tudo
- 0:49certo. A gente continua amigo e amiga,
- 0:52então eu tenho zero paciência com os meus erros.
- 0:56Na realidade, eu não sou uma pessoa muito paciente.
- 0:58Você já deve saber, você me segue aqui há algum tempo que eu
- 1:01tenho calma, tatuado no braço e que uma pessoa que tatua calma,
- 1:05ela não veio com esse negócio de fábrica.
- 1:07Então eu não sou uma pessoa paciente, mas ultimamente a
- 1:12minha cabeça, amor, tá um caos. Eu tenho percebido que eu tô
- 1:21muito de saco cheio, com alguns erros que eu cometo, com algumas
- 1:25percepções que eu tenho. E que eu estou precisando às
- 1:28vezes citar tanto a minha compaixão e que eu estou tão
- 1:33frustrada porque você quer dizer citar a minha compaixão.
- 1:36Eu vou contar para vocês o que que está acontecendo.
- 1:39É, esses dias eu estava muito ansiosa e eu tenho um leve
- 1:43problema com ansiedade e eu estava muito ansiosa com algumas
- 1:47mudanças que estão acontecendo na minha vida.
- 1:49Então, assim, a carreira está num momento incrível.
- 1:52Eu estou vivendo um momento lindo na minha carreira, um
- 1:55momento de realizações. Pessoais e profissionais muito
- 1:59bonitas. E viver esse momento de
- 2:02realizações pessoais, profissionais muito lindas, não
- 2:06está sendo só de Alegria. Existe uma voz dentro de mim que
- 2:11ela é muito amedrontada, que ela é muito assustada, que ela é
- 2:16alimentada pelo social, pela minha história, por tanta coisa,
- 2:21e que ela falando, fica falando assim, olha, não vai durar muito
- 2:26isso aí tudo não, viu? Você aproveita porque você sabe
- 2:29que você vai, você vai acabar. Você, você nem você nem para,
- 2:33porque você não pode parar. Aproveita e aceita tudo, faz
- 2:36tudo porque camarão que dorme a onda leva atenta, fica atenta.
- 2:43Aí, enquanto eu tô ouvindo essa voz, meus anos de terapia, de
- 2:47estudo, de auto percepção de alta intimidade, já me falam,
- 2:52alisama, você vai ter essa voz. Você precisa aprender a lidar
- 2:56com ela. E aí vem uma outra voz que fala
- 3:00assim, calma, eu só estou com medo.
- 3:06É tudo muito novo. Muito bom ter amigas
- 3:13participando da sua gravação. Eu acabei de falar para ela, não
- 3:19posso atender. E aí tem uma outra voz.
- 3:26Que fala assim, calma, eu só estou assustada, eu só estou com
- 3:32muito medo, é tudo muito novo para mim.
- 3:36Eu não estou num lugar conhecido e eu vou ficar assustado e com
- 3:41medo mesmo, está tudo bem. E aí quando essa voz que está
- 3:45calma, falando está tudo bem, calma, vem uma outra voz
- 3:49jogadora, porque eu sou muito jogadora com as minhas falhas,
- 3:51que faz assim, Ah, eles são uma me pupe, viu?
- 3:55Tu ainda está nessa palhaçada de ficar insegurando.
- 3:57Você já passou da hora, não tanto tempo estudando, lendo,
- 4:00pesquisando, se esforçando para lidar com você mesmo.
- 4:03Ainda está com essa palhaçada que tá aí que eu tô insegura.
- 4:09E aí eu eu tenho que são muitas vozes para acolher dentro de
- 4:13mim, sabe assim, cara, é uma reunião de condomínio bizarra
- 4:18dentro da minha cabeça, porque eu não sei lidar com a minha
- 4:22humanidade. E eu percebo que.
- 4:24Mesmo quando eu estou me esforçando para lidar com as
- 4:26minhas frustrações, eu fico frustrada porque eu não deveria
- 4:29estar eu, eu não deveria estar frustrada, eu não deveria ter
- 4:32frustração para lidar, para lidar eu eu deveria ser incrível
- 4:35porque que eu não sou incrível porque que eu ainda não sou
- 4:38perfeita incrível a fada vocês sabe que não erra, que vocês
- 4:42ficam dizendo que eu sou cadê alguém encontra ela porque ela
- 4:45não está comigo e eu fico me cobrando isso, sabe EE aí eu.
- 4:53Eu frustrada, eu sou muito mais irritada, acho que agora
- 4:57melhorou assim. Eu estava conversando com a
- 4:59minha terapeuta essa semana, falando que eu acho que eu não
- 5:02estou irritada com a fase que eu estou vivendo, porque eu estou
- 5:06conseguindo dar nome. O que eu estou vivendo é
- 5:08frustração. E aí eu preciso abrir um
- 5:11parêntese aqui, que eu nunca fui a pessoa que era de chorar, que
- 5:15é de de falar, nossa, eu estou triste, nossa, eu estou
- 5:18frustrada, não. Eu sempre fui aqui, falava,
- 5:23tenho tempo de chorar, não, meu amor, muita coisa para resolver.
- 5:25Dá tempo de chorar, não, coisa de gente fresca.
- 5:29A mim, isso é falta do que fazer.
- 5:31Eu fui educada, tanto a família do meu pai quanto a família da
- 5:37minha mãe, por pessoas que viveram situações muito difíceis
- 5:40na vida e que nos sentavam para chorar.
- 5:44Então eu cresci ouvindo assim, não há tempo.
- 5:48Não dá tempo de ficar sentando se lamentando.
- 5:49Vai ficar sentado aí se lamentando, reclamando da vida?
- 5:51Não, não, não pode levantar. E eu via isso, via que eles
- 5:54viviam isso. Então por muitos anos na minha
- 5:57vida eu acreditei que eu não tinha tristeza mesmo, não.
- 6:03Mas aí eu sempre tive raiva, muita raiva.
- 6:09Eu aprendi que a lágrima que a gente não derrama, ela vira
- 6:14muitas coisas, ela só não é vapor e desapareça.
- 6:18Ela vira irritabilidade, ela vira dedo na cara, ela vira
- 6:22adoecimento, adoecimento físico, adoecimento emocional,
- 6:25adoecimento da relação. Ela vira um Monte de coisa.
- 6:29E com os anos de terapia, de leitura, de estudo, de auto
- 6:36escuta, eu percebo que agora eu já consigo ficar triste.
- 6:42Eis uma Vitória na minha vida. Eu já consigo ficar triste.
- 6:47Mas ainda não é natural, porque o que eu sinto é raiva e até a
- 6:51coitada da minha tristeza, sabe Divertida-mente, então vou
- 6:55contar como é minha cabeça no m ali guiando está raiva, ela é
- 7:01sempre quem tá guiando. Todo mundo ao redor aprendeu a
- 7:05dar uns gritos também, porque a raiva ela é muito autoritária.
- 7:08A minha raiva então até a coitada da minha tristeza, ela
- 7:10não é aquela cena da cabeça da railey.
- 7:13Que ela fica tristinha e se encolhe a minha tristeza, ela
- 7:16precisa gritar Pra Ela chorar, entendeu?
- 7:17Mas ela já aprendeu a gritar, então eu começo a ficar triste,
- 7:21aí a minha raiva fala, cala a boca chegar, já chorou demais e
- 7:24a minha tristeza começou a falar, eu estou cheirando de
- 7:27chorar, você não manda em mim, é mais ou menos como funciona a
- 7:30minha cabeça, mas agora eu já choro.
- 7:33Considero uma Vitória que eu já choro, que eu já fico triste,
- 7:37que eu já no meio é frustração, já dou a raiva a um espaço e
- 7:41você saio daqui, querida. Que agora a gente vai ficar um
- 7:44pouquinho triste, agora a gente vai ficar abalada, agora a gente
- 7:49vai sentir a frustração. Mas é muito difícil para mim.
- 7:53É muito difícil AI olhar para minha vulnerabilidade.
- 7:59E aí quando eu digo para vocês que eu estudo a vulnerabilidade,
- 8:04eu falo de não violência, porque eu preciso é de verdade, porque
- 8:08eu odeio me sentir sem garantias.
- 8:14Eu odeio não saber o que eu vou fazer eu odeio no teu plano aqui
- 8:19na mão, sabe? Eu odeio não sabe exatamente
- 8:24como eu tenho que agir no próximo passo.
- 8:27Eu estou surtando com o tal do climatério é, eu não imaginei.
- 8:33Eu já fiz um episódio sobre climatério aqui.
- 8:35Se você não escutou ainda, vai lá escutar.
- 8:37Eu não imaginei que a minha menstruação mudando de
- 8:40frequência, meu corpo mudando. E a mexer tanto com a minha
- 8:43estabilidade emocional. Eu sou uma pessoa que eu amo
- 8:45estabilidade, eu gosto de saber o que vai acontecer, então assim
- 8:49vai mudar, me conta, me conta, vai mudar como, quando, onde?
- 8:52Não é que eu sou apegada a fazer as coisas do mesmo jeito, mas eu
- 8:55preciso me preparar para quando as coisas vão mudar, como que eu
- 8:59vou agir diante delas? E aí eu fico com uma impaciência
- 9:03enorme diante das minhas falhas, sabe?
- 9:06E nesse momento em que eu estou vulnerável, porque.
- 9:11A gente não se fica vulnerável passando os momentos tristes da
- 9:13nossa vida. Gente, a vulnerabilidade ela é
- 9:17essa ausência de garantia é esse nossa que que vai acontecer
- 9:22agora. Uau, como eu sou pequenininha,
- 9:25do tamanho desse universo, e ele, a vulnerabilidade, ela
- 9:28chega nos melhores momentos da nossa vida também, sabe?
- 9:33Ela chega quando você vai começar um trabalho novo, ela
- 9:37chega quando você está vendo seus filhos dormirem.
- 9:40Ela chega no momento que você está tão feliz, tão feliz, tão
- 9:43feliz que você olha para a vida e pensa, meu Deus, isso é
- 9:46normal, ficar feliz? Assim, isso dura, como é que
- 9:50fica isso? E se, e se?
- 9:51E se eu for? Embora a vulnerabilidade ela ela
- 9:55está nos momentos mais intensos da nossa vida, tanto tristes
- 9:58quanto felizes, e ela atrapalha, às vezes a gente, a nossa briga,
- 10:03quando a vulnerabilidade atrapalha que a gente vive a
- 10:04Alegria, sabe porque? Aí eu olho o meu medo diante da
- 10:08minha vulnerabilidade. E às vezes, em vez de estar só
- 10:11curtindo e falando, caraca, que lindo que isso está acontecendo,
- 10:16eu fico 10 vezes mais atenta, mais ansiosa ou brigando comigo
- 10:22porque tá com medo, Elisa? Mas que ridícula, para de medo.
- 10:25Você devia estar só feliz. Eu tenho ainda muito firme
- 10:30dentro de mim um script de como eu deveria me sentir diante das
- 10:35situações, sabe? Eu tenho um ainda muito
- 10:41desenhado na minha cabeça como é o comportamento ideal, como é a
- 10:47fala ideal em que.eu já deveria ter chegado diante de tudo que
- 10:52eu já li, de tudo que eu já pesquisei.
- 10:54E quando eu chego na terapia, eu repito um problema, eu penso,
- 11:00mas de novo, gata, que tédio. Vai procurar um problema novo.
- 11:06Está trazendo a mesma coisa para o Paulo ouvir.
- 11:09Sério, que coisa inteligente, que clichê.
- 11:13Você já falou nesse programa há uns 3 anos atrás, tá aqui de
- 11:17novo falando sobre isso, lidando com esta merda.
- 11:21Sabe como é que eu me vi essa semana?
- 11:22Não conta. É que eu me vi essa semana.
- 11:23Eu tinha consulta com a minha psiquiatra e aí eu me vi triste,
- 11:30porque eu IA chegar para minha psiquiatra e falar que eu tava
- 11:32ansiosa e eu tava tão bem. E aí eu pensei, cara.
- 11:36Eu não vou mais tirar 10, que eu IA tirar 10, que tô com o
- 11:38psiquiatra. Eu queria tirar 10 e eu não vou
- 11:40mais tirar 10. Ela vai baixar minha nota.
- 11:43E aí, enquanto na minha cabeça eu estava triste porque eu IA,
- 11:46não IA imaginar meu 10 com o psiquiatra, veio a outra voz,
- 11:49aquela impiedosa que tem uma procheta do lado dela, assim,
- 11:53anotando tudo que eu erro. Ela veio assim, Ah, tu queria
- 11:56tirar 10 com o psiquiatra. Cara, você tá precisando de
- 11:59psiquiatra mesmo, né? Você realmente vai precisar de
- 12:01uma consulta. E aí?
- 12:02Sofre porque você não vai tirar 10 com a psiquiatra.
- 12:04Amor, você realmente não está bem e eu me sinto mal.
- 12:09Eu me sinto mal quando eu percebo que eu tenho o querer
- 12:14infantil de tirar 10 com o psiquiatra.
- 12:16E aí eu me sinto mal porque eu não estou sabendo lidar com a
- 12:19minha frustração e parece que a minha autocobrança.
- 12:22Ela nunca acaba, ela nunca acaba, porque gente, a pessoa
- 12:28briga consigo mesmo, que não está sendo compassiva.
- 12:31Mas você deveria ser mais compassiva com você, né bonita?
- 12:34Mas você não está sendo compassiva comigo quando você
- 12:37manda ser compassiva comigo gritando.
- 12:40E é isso. E é assim que eu funciono, sabe?
- 12:45E lidar com as questões que provavelmente não vão mudar na
- 12:51velocidade que eu gostaria ou do jeito que eu gostaria, é um
- 12:57desafio gigantesco. Existem cartas que não ouvi para
- 13:04minha mão no jogo. Não importa quando queiram, não
- 13:09importa. Há um tempo que eu participei de
- 13:14um podcast da programa da Kátia Bernardi.
- 13:19Acho que é. Você não sabe que eu sofri uma
- 13:22coisa assim. E aí eu contei para ela que
- 13:24quando eu fui para Orlando com a minha família e eu vi aqueles
- 13:28murinhos baixos. E as pessoas vivem
- 13:32tranquilamente e ninguém com medo de assalto.
- 13:39Eu fiquei com muita raiva. Eu falei que a raiva ela costuma
- 13:43botar, né? De frente do volante.
- 13:46Eu fiquei com muita raiva e eu fiquei com raiva da
- 13:49tranquilidade que essas pessoas podem ter e que eu nunca botei
- 13:54nunca, porque eu já conheci. A violência eu já sei como é
- 14:00morar num lugar que você tem medo do assalto.
- 14:02Isso não arranca de você. Você em algum lugar ainda vai
- 14:05ter o alerta, sabe? Em algum lugar ainda vai ter um
- 14:09sobre Salto. E eu conheci uma pessoa que com
- 14:16a estrutura familiar assim, uma paz, todo mundo falando baixo.
- 14:19Óbvio que pode ser muito diferente quando voltou ali, mas
- 14:23um jeito de estar que eu olhei e eu senti raiva também, que eu
- 14:28pensei. Cara, essa tranquilidade que ela
- 14:31tem aí, eu, eu, eu nunca votei porque não é algo que a gente
- 14:36mimetiza, que a gente imita o que a gente aprende, sabe?
- 14:41Simplesmente não é quem eu sou, não é minha história de vida.
- 14:45Então talvez eu nunca vou ser. Talvez não que eu queira
- 14:49enganar, eu nunca vou ser a tranquilona.
- 14:53Eu, eu vou errar tanto e eu vou me cobrar tanto por cada erro
- 14:57meu. E eu vou olhar para cada erro e
- 15:00pensar, Ah, você não deveria estar mais agindo assim.
- 15:03Eu só não vou ficar paralisada porque tem uma outra voz que
- 15:07grita e fala, mas tá, mas não vai ficar sem cara chorando, não
- 15:09pode levantar, pode levantar. Então, nem o direito de ficar
- 15:13chorando porque eu não estou agindo certo.
- 15:15Eu tenho que vai ser esse esforço cotidianamente para agir
- 15:22de um jeito diferente do que eu aprendi a agir.
- 15:25Eu falei em um dos episódios que para quem só tem martelo,
- 15:28qualquer objeto é prego e que a gente vai aprendendo a lidar com
- 15:32outras ferramentas, sabe? EE, esse começo que você que
- 15:37sempre usou martelo vai pegar chave de fenda, você vai
- 15:40estranhar muito segurar essa chave de fenda.
- 15:42Você não sabe como é que usa, porque aquilo é tão novo.
- 15:46E lidar comigo de outro jeito é tão novo que às vezes é tão
- 15:52cansativo. Eu já falei em terapia algumas
- 15:56vezes que a minha sensação é que eu vivo segurando um touro
- 15:59bravo. Sabe que eu fico aqui segurando
- 16:05um touro porque eu quero agir de umas formas.
- 16:07Eu tô querendo brigar e eu tô e falando não, não é assim que eu
- 16:09quero agir, mas amarrar esse arreio.
- 16:13Não sei se é isso o nome aqui na roça minha avó chamava de
- 16:15arreio, então vou chamar de arreio, amarrar esse negócio na
- 16:18minha mão aqui e segurar esse touro de emprego.
- 16:21Ah, é um cansaço. E eu vou ter que aprender a
- 16:25lidar com esse cansaço, entender que para agir de formas
- 16:30diferentes do que é o meu padrão, esse cansaço vai estar
- 16:35junto. E existem coisas e
- 16:39características minhas que para eu agir diferente delas, eu vou
- 16:46precisar ter muita atenção. E cada vez que eu.
- 16:50Esquecer e algumas fases da vida vão me trazer o mesmo padrão de
- 16:55volta, porque é o que eu sei fazer.
- 16:58E isso não fala da minha capacidade.
- 17:01Isso não fala do meu merecimento de amor.
- 17:05Isso não fala. Isso não fala do quanto eu sou
- 17:10uma pessoa boa ou não, do quanto eu mereço ter amigos ou filhos,
- 17:14ou quanto eu mereço ou não meu sucesso.
- 17:16Isso fala só que eu sou humana. Em algum momento da minha
- 17:20jornada, eu aprendi que eu não deveria ser humano, sabe?
- 17:27Eu aprendi que quanto mais incrível e perfeita e impecável
- 17:32eu fosse, mas segura eu estaria. Talvez, mas é mentira.
- 17:39Foi mentira que eles a minha aprendeu quando era criança do
- 17:44mundo e que ela segue agarrada nessa mentira.
- 17:50E todo dia preciso lembrar para mim mesma que eu vou errar, que
- 17:58eu vou fazer tanta merda na vida ainda, que eu vou meter os pés
- 18:04pelas mãos. E aí eu vou fiquei impaciente
- 18:09comigo mesma. E eu preciso lembrar aqui eu
- 18:12vou. Fiquei paciente comigo mesma,
- 18:13isso aí e que tá tudo bem. Eu fiquei paciente comigo mesma.
- 18:18E criar ferramentas para lidar com a minha paciência, porque aí
- 18:20eu fico em paciente comigo e eu fico com raiva porque eu tenho
- 18:22paciente comigo. EE eu não acerto nem quando eu
- 18:27tô me acolhendo e eu não acerto nem quando eu tô tentando fazer
- 18:29certo. Eu não acerto nem quando eu tô
- 18:31tentando me dar colo e pois é, são as ferramentas que eu tenho.
- 18:38Algumas coisas eu vou mudar aí, outras não.
- 18:42E quem disse que eu preciso vir a outra pessoa sabe.
- 18:47Quem disse que não dá para realizar coisas incríveis tendo
- 18:52esses probleminhas aí que eu tenho para lidar?
- 18:55Quem? Quem disse que dá para fazer um
- 18:58recall e sair mudando o que veio meio torto de fábrica?
- 19:03O que quebrou durante o uso, não dá.
- 19:08Esse não é um episódio para te dar respostas.
- 19:11Esse é um episódio para te chamar.
- 19:15Para se olhar com compaixão, sabe?
- 19:19Para fazer esse exercício que eu tenho feito, em que em algumas
- 19:22épocas eu não preciso fazer com intensidade, porque eu estou até
- 19:25mais paciente comigo, mas que em algumas épocas eu preciso fazer
- 19:30o dia inteiro, sabe? Ontem eu estava falando com a
- 19:34psiquiatra que quando a gente tem filho pequeno, tem época que
- 19:40você está lidando bem com filho. Com as crises, com as coisas
- 19:43todas, mas só o fato de você ter que sentar e conversar e
- 19:48explicar e demanda, você queria que fosse mais fácil isso, mas
- 19:52não tá. E tem época que o filho demanda
- 19:54mais, tem época que a gente demanda mais, sabe?
- 19:58Tem época que essa nossa história, que essa criança que a
- 20:02gente foi, que aí as coisas que a gente viveu, que a nossa
- 20:06imaturidade demandam mais de nós, vão aparecer.
- 20:12Vão gritar, vão espernear e que você tem que ser um adulto que
- 20:15vai encostar e falar, está tudo bem, vem cá.
- 20:19A gente tem a vivem num momento social em que a gente está se
- 20:22cobrando uma maturidade e falando das coisas.
- 20:27Tanto que a gente devia ter maturidade de autoconhecimento e
- 20:30blá blá blá, como se fosse possível da gente não ser feio
- 20:36também, sabe? A gente não tem características
- 20:39que não são tão legais também. A gente tem nossas partes
- 20:45maduras, nossas partes conscientes, responsáveis, mas
- 20:53dentro da nossa história, a gente também tem as nossas
- 20:58partes absolutamente imaturas, inseguras e assustadas e que
- 21:04nenhuma delas vai desaparecer. Essa ciranda dentro da nossa
- 21:09cabeça. Ela vai continuar até o dia que
- 21:12a gente morrer. E não dá para a gente viver uma
- 21:17vida inteira brigando com a complexidade de quem a gente é,
- 21:21sabe? Não dá mesmo, não dá mesmo.
- 21:25E esse episódio para você, que você pare de brigar um
- 21:27pouquinho, que cansa. Desperdício e energia.
- 21:33E eu estou tentando mais 24 horas por hoje.
- 21:39A gente está conseguindo. Amanhã a gente não sabe, mas 24
- 21:43horas por vez a gente vai lá. É isso, meu amor?
- 21:46Até o próximo chá de coragem.