Latest / Surra de Lúpulo / Beber a história da cerveja na América do Sul. Papo com Gabriel Gurian e Rafael Afonso | Surra #197
Transcript
- 0:08Hipocondríaco apresenta. Surra de lúpulo.
- 0:15Oi, pessoal, bom dia, boa tarde, boa noite, boa noite, eu sou
- 0:19Ludmila, a mais conhecida no Instagram.
- 0:21Bom dia. No programa de hoje, meus
- 0:25amigos, nós vamos fazer um contraponto.
- 0:28Sobre a história da cerveja no programa 189 com João Daniel,
- 0:33nós falamos sobre a história da cerveja na civilização e pasmem,
- 0:37fomos acusados de sermos euro centristas.
- 0:41Nós aqui nós somos central de jeitos e ruins, gente nenhum, de
- 0:44jeito nenhum. Então vamos de contraponto com o
- 0:47pessoal do comer. A história para falar sobre a
- 0:49história da cerveja na América do sul e, claro, no nosso país,
- 0:52do Brasil. E aí a gente está aqui com o
- 0:54Gabriel Ferreira Gurian, o Rafael Afonso Gonçalves do
- 0:57comer, a história eu não vou nem ler o currículo dos cara, porque
- 1:01senão era assim. Era esse o programa e subir os
- 1:03créditos não dá, mas eles são foda, eles são foda de verdade.
- 1:10Mas antes de pedir que os nossos convidados dêem um alô, a gente
- 1:12tem o prazer de informar que esse programa é oferecido pelos
- 1:15nossos mescinas empresariais. The beatins viveiro wonderberg e
- 1:20prússia Beer, cervejaria ussat, Iris pay e cerveja da casa.
- 1:28Agora sim, Gabriel e Rafael dei um alô para a galera conhecer as
- 1:32vozes de vocês. Então, primeiro Gabriel, para
- 1:34não embolar a cabeça da galera e depois o Rafael.
- 1:36Oi gente, tudo bem? Eu sou o Gabriel, como a
- 1:39Ludmilla já adiantou, é, sou muito fã do programa.
- 1:41Para mim é 11 oportunidade muito, muito legal de estar aqui
- 1:44conversando com vocês. Oi gente, eu sou o Rafael,
- 1:47grandessíssimo prazer estar aqui com vocês falando um pouquinho
- 1:51de história da cerveja de outras bebidas também ancestrais e
- 1:56falando de cerveja, né? Coisa boa, né, gente?
- 1:58Bem-vindo vocês e eu sou Leandro, mas hoje vocês podem me
- 2:02chamar degustador de histórias, aquele que você entra no boteco
- 2:05e pede um acepipe de histórias, sabe?
- 2:07Conte-me uma história e aquele caso?
- 2:10Estou a. Pedir desculpa pelo Leandro, ele
- 2:13é assim mesmo. É só é controlar e a gente bate
- 2:15esse papo, beber uma cerveja, Gabriel, o que que você vai
- 2:18beber? Hoje eu vou tomar uma urutal é
- 2:21uma. É uma black IPA da cervejaria
- 2:22Batatais daqui de da minha cidade.
- 2:24Boa. Olha de Batatais.
- 2:28Vamos ver se faz barulho, vai? Sim.
- 2:32Ah, porra, não é possível, Leandro.
- 2:34É o carma, é o carma. O microfone dele pega a porra do
- 2:38barulho. Pegou bem, pegou bonito, foi
- 2:41bem, foi bonito. Porra, agora, rapidinho, o nome
- 2:44da cerveja, qual mesmo que você? Falou urutau.
- 2:46Urutau, eu li um livro com esse nome.
- 2:48Urutau é um pássaro naquele pássaro mega bonde se camuflar,
- 2:52que parece um toco no meio do Mato, assim parece um toco de
- 2:54cerca, só que ele tem hábitos noturnos.
- 2:56Aí a ideia desse nome para o rótulo é é um pássaro que seca.
- 2:59Mufa tem esses hábitos noturnos, é uma IPA, mas é uma cerveja
- 3:03escura. De repente você pensa que é uma
- 3:05coisa, na verdade ela é outra. Olha só.
- 3:07Essa é a ideia. Ah.
- 3:09Malandra. Já veio ele entregando uma
- 3:11porrada de história, né? Porra, entendeu?
- 3:14Mas olha, esse livro era um livro, era um livro de.
- 3:16Suspeito policial da Gabriela Brasil.
- 3:19Talvez. E ela é do cerrado, então ela
- 3:22estava falando sobre Brasília e Goiás e et cetera, enfim, já já
- 3:26dei minha contribuição. É desses biomas.
- 3:29Encerrado um pouquinho de Mato Atlântico, mas principalmente
- 3:31cerrado. Legal.
- 3:32Maneiro, e você, Rafael, o que que você está bebendo aí?
- 3:34Eu? Estou tomando aqui uma maluca
- 3:37paraguaienses de uma cervejaria aqui de Guarapuava, onde eu
- 3:41estou, né, da irmandade da cerveja.
- 3:44Olha uma cerveja que guarda. Essa, essa identidade aqui, um
- 3:48pouco do sul, um pouco paranaense, então ela inclui
- 3:52erva mate. Olha só, um.
- 3:54Blend de erva mate fresca e um pouco torrada, uma delícia.
- 3:59Tem uma coramba assim maravilhosa Guarapuava, né?
- 4:02Que tem várias cervejarias muito boas e a irmandade é uma delas.
- 4:07E a cidade, né? Não sei se vocês sabem, né?
- 4:09Ela reivindica esse título de capital da ser privada e do
- 4:14malte. Aqui tem uma.
- 4:17Tem 11 empresa que é a maior maltaria, né?
- 4:19Hum-hum do Brasil da América Latina.
- 4:21Então é uma cidade cheia de de boas cervejas, aliás.
- 4:25É, é a agrária maltti, se eu não me engano.
- 4:27Agrária? Exatamente.
- 4:29Certa resposta. Certa resposta, certa resposta
- 4:32aí. Agora vamos para a resposta dos
- 4:35100 BRL. Eu estou deitado nessa porra ai
- 4:41de. Nude, você.
- 4:41Gente, eu estou aqui decepcionante, eu estou bebendo
- 4:47água, é preciso, gente, não dá, não está dando para mim não.
- 4:50Esse mês e o outro mês e o próximo mês também não estão
- 4:53dando para mim não. Então eu vou ficar devendo.
- 4:55Mas eles já trouxeram tanta história e tanta cerveja que a
- 4:58gente não fazia ideia que é maravilhoso.
- 5:00E você, degustador sénior de histórias de bar, está bebendo o
- 5:07quê? Idade, né?
- 5:08Eu também vamos decepcionar junto, Ludi.
- 5:11Vamos decepcionar juntinho, tô na água também, porque, cara?
- 5:15Como chamado dry generary, exato, janeiro seco.
- 5:20Se eu tiver juízo, eu fico sem beber até março, mas eu não
- 5:22disse que eu tenho, mas se eu tiver até março vamos ver, vamos
- 5:26ver meus amigos, vamos ver, eu estou querendo fazer um projeto
- 5:28bodybuk mulher. Porra, Bora?
- 5:31Hora do show, porra. Ele não vai, vai ser fake news,
- 5:37vai lá. Vai ser melhor pra todos.
- 5:48Bom, se você gosta do conteúdo e ainda se identifica com a gente,
- 5:53considere apelido Red Bull pulo através do site apoia.se barra.
- 5:56Surra de lúpulo comprando uma camiseta na nossa loja.
- 6:00Ponto surra de lupulo.com.br mecenas ganha conteúdo exclusivo
- 6:05toda semana participa do nosso grupo de WhatsApp e o sorteio de
- 6:09brindes insanos. Perfeito, mas se tá naquela
- 6:12situação e a grana estiver curta e você.
- 6:15Ou você ainda não nos ama tanto? Bom, tem outro jeito de ajudar
- 6:20que é seguindo a gente na sua plataforma de streaming
- 6:23preferido e dando aquelas 5 estrelinhas, principalmente se
- 6:26for no Spotify e Apple podcast. Não se esqueça de compartilhar.
- 6:30Compartilhe esse programa para os amigos, para as amigas que
- 6:33gostam de história, porque isso ajuda muito na distribuição dos
- 6:36episódios e me aproxima do sonho de ter aquela tagzinha de muito
- 6:41compartilhado no episódio, aquela que aparece no Spotify.
- 6:44Ajuda nós, velho. Vamos, que vamos lud, parar de
- 6:56rolar os amigos. Bora?
- 6:58Bom, a gente resolveu começar do começo isso.
- 7:01Eu tô trabalhada no pleonasmo vicioso mesmo.
- 7:04Bom, a história da América do sul não começa na colonização.
- 7:08Então a gente vai dar alguns passos atrás e falar sobre as
- 7:11bebidas ancestrais dos povos originários que aqui habitavam
- 7:15na América do sul como um todo. Então a gente queria saber do
- 7:19Gabriel e do Rafael. Quais bebidas eram essas e quais
- 7:22informações e histórias nós temos sobre elas?
- 7:26Aí eu vou soltar a pergunta e sair correndo e você que
- 7:29responde. Quem quiser, 123, fiquem à
- 7:32vontade, por favor. Baita bomba, né?
- 7:34Porque a gente tá falando aqui de um continente inteiro com uma
- 7:38pluralidade cultural. Avassaladora, né?
- 7:40Mas acho que a gente consegue entender um pouco dessa
- 7:44pluralidade de uma forma mais sistematizada, né?
- 7:47Pra gente entender de uma forma sintetizada a importância da
- 7:51fermentação na natureza e a importância da fermentação pra
- 7:53vários agrupamentos humanos ao longo inclusive da préhistória,
- 7:57né? A fermentação, ela acontece na
- 7:59natureza por esses microrganismos que a gente
- 8:01conhece bactérias leveduras é através da fermentação da
- 8:04sacaromys service que a gente obtém a cerveja, mas ela é um
- 8:07processo que, na natureza, ela beneficia.
- 8:10Uma cadeia muito grande de seres vivos e que ela pode ser
- 8:13observada em diferentes contextos por diferentes
- 8:15culturas. Então é muito segura a gente
- 8:18falar que praticamente toda a cultura do mundo tem uma bebida
- 8:21sua e tem algum alimento fermentado, porque, além do
- 8:24álcool ser essa coisa delitosa que a gente tem, essa coisa
- 8:27báquica que eles dizem, né? Essa embriaguez que a gente
- 8:30gosta tanto. Ele também é uma fonte
- 8:32energética importante. É claro que se você consumir
- 8:35muito álcool aí a equação se invete, né?
- 8:37Uhum, você vai tá tendo que gastar mais energia do que você
- 8:39consome mais. A fermentação por outras
- 8:42maneiras, também ela sempre. Nutrientes, então você consegue
- 8:45acessar nutrientes de alimentos que in Natura, puros?
- 8:47Sem essa transformação, você não conseguiria.
- 8:49Então, quer dizer, alimentos fermentados?
- 8:51Eles são muito importantes e os alimentos fermentáveis.
- 8:54Eles são muito dispersos pelo mundo, né?
- 8:57Então você tem, invariavelmente, praticamente todas essas
- 9:02culturas, não só do continente americano.
- 9:03Alguma forma de bebida fermentada e o que aí a gente
- 9:07vai ter muita diferença são os lugares culturais, lugares
- 9:10simbólicos, que essas bebidas vão ter em cada sociedade e isso
- 9:13é uma coisa super importante da gente prestar atenção também.
- 9:17Nessa sociedades précolombianas, nessas sociedades autóctones
- 9:20ancestrais, porque às vezes a gente pensa muito na nossa forma
- 9:23de beber ou nas na nas nossas formas de fazer as coisas.
- 9:26De forma geral, o mundo é muito mais cheio de possibilidades,
- 9:28né? E aí a gente olhando pra esse
- 9:30passado, inclusive esse passado americano dessa América, antes
- 9:33dela ser chamada de América, é super rico.
- 9:36A gente não tem aqui informações, né?
- 9:38Nós somos meros historiadores, meros pessoas, não dá pra gente
- 9:42conseguir sistematizar um grande catálogo do tanto de bebida que
- 9:45esses povos já fizeram. O que a gente sabe é que o milho
- 9:48ele teve uma preponderância alimentar muito grande pra
- 9:50muitas culturas, né? E a gente acho que pode
- 9:53inclusive falar sobre a história do milho já já, porque ela é um
- 9:55insumo importante pra n bebidas e também pra cerveja, mas se a
- 9:59gente olhar pro Brasil como uma pequena, mostra assim pra gente
- 10:02pensar o que é possível ao longo de todo o continente, tem uma
- 10:06situação muito interessante de um jesuíto e aqui a gente tá
- 10:08usando um texto de um europeu falando dessas coisas, porque o
- 10:11texto também é uma forma mais tradicional pra nós,
- 10:14historiadores, pra gente acessar esse passado, mas é claro que.
- 10:17Arqueologia arqueogenética são coisas super importantes que a
- 10:20gente também leva em consideração, mas tem uma
- 10:23situação desse jesuíta que é o Simão de Vasconcelos, em meados
- 10:26do século 17, que ele vai dizer assim, parecia muito que um Deus
- 10:30Baco, ele fala um Deus, Baco, não o Deus Baco, mas alguma
- 10:33divindade que fosse ligada a essas bebidas tivesse passado
- 10:36pelo Brasil e ensinado todos os povos a fazer uma porção de
- 10:39vinhos, porque fermentava-se absolutamente qualquer coisa e
- 10:42diz ele que ele contou 32 variedades de bebidas
- 10:45fermentadas a partir de alimentos nativos do Brasil.
- 10:48Em algumas pesquisas específicas, assim você consegue
- 10:51mapear num local 21 que aparecem nesses registros desses
- 10:54europeus, mas tem um Monte de coisa que essas pessoas, esses
- 10:58testemunhos brancos não deram conta de mapear com certeza, né?
- 11:02A tendência é fermentou, deu jogo, você colocava é pra jogo,
- 11:07né? E colocava-se também insumos
- 11:09misturados, era raiz com fruta com potencializado com mel pra
- 11:12fermentar. Então eu acho que a síntese é,
- 11:16fazia-se muita coisa com tudo o que tinha à mão, e aí a gente
- 11:20tem que olhar pra cada cultura, pra cada sociedade, pra ver
- 11:22também essa pluralidade de lugares simbólicos que essas
- 11:25bebidas tiveram pra. Cada um.
- 11:27Eu posso fazer um comentário, por favor, é mais forte que eu
- 11:30coisa de leitosa, gente, por favor, eu tô sem estrutura.
- 11:35Eu não tenho roupa pra essa expressão, eu não tenho roupa.
- 11:38Eu anoto expressões que as pessoas falam no papo que eu
- 11:40aprendi que eu quero usar depois, então eu já estou
- 11:43querendo fazer uma camiseta com coisa delitosa maravilhoso.
- 11:46Muito obrigada, Gabriel. Eu acho que dá jogo, Hein?
- 11:48Porra. Muito.
- 11:49Eu estou com muito jogo no vocabulário, mas eu adorei a
- 11:51ideia. Porra, coisa delitosa.
- 11:55Não, mas é fenomenal isso. Se você falar que não tem nem
- 11:57como falar, o que que tinha de cravar era isso.
- 12:00Era aquilo Na Na, na e aí, me lembrou de um convidado que nós
- 12:03tivemos aqui, Leandro, que você vai lembrar dele quando eu falar
- 12:05sobre qual foi o papo que foi maconha na cerveja ou cerveja
- 12:09com maconha, que foi o. Rodrigo jardini sim, que ele tem
- 12:14o esqueci o nome da ianua, iaruá fermentado porque a cervejaria
- 12:19dele, o cara, não está fazendo apenas cerveja, ele está fazendo
- 12:23cerveja, cerveja selvagem e outros tipos de bebidas, talvez
- 12:26ancestrais, que a gente não fizesse ideia.
- 12:28Olha que legal essa essa conexão.
- 12:29Que maneiro, né? Então, se você não ouviu o papo
- 12:32com jardins sobre maconha, vá lá ouvir, porque ele também fala,
- 12:35experimentado, então volte algumas casas. 111.
- 12:38Que isso, que que tu, cara, está apaixonado nessa planilha, fala
- 12:41a verdade. Mas olha só, antes do Rafael
- 12:45complementar, eu queria trazer um pequeno gancho aqui que é
- 12:47curioso você falando isso, Gabriel, que me fez pensar de um
- 12:50jeito que eu ainda não tinha, pensado que a gente está pegando
- 12:52o olhar e a catalogação de produtos de hoje tentando
- 12:57entender o passado. Então a gente está dizendo que
- 13:00aquilo era cerveja, que aquilo era calim, que aquilo era, sei
- 13:04lá o que mais outras possibilidades, né?
- 13:07Que aquilo eram vinhos, que aquilo era, sei lá, a gente está
- 13:10dizendo porque na época não existia a intenção disso, né?
- 13:14Ou essa organização que a gente tem hoje, aí eu fiquei pensando
- 13:17nisso, eu falei, caralho, é mesmo, cara, a galera fazia,
- 13:20devia ter uma diversidade gigantesca, 32 como você citou,
- 13:24e essa diversidade toda. Extensa, sem nenhum tipo de
- 13:28organização de determinação de categorização.
- 13:31Antes do Rafa entrar, essas 32 são só que esse único padre
- 13:34conseguiu reparar ao longo das andanças dele pela Costa do
- 13:38Brasil, especialmente no nordeste, né?
- 13:40Nas atividades missionárias, então é uma pessoa só que viu
- 13:44esta amostra muito pequena, né? E num.
- 13:46Recorte, né? E outra, né?
- 13:48A percepção não só ter entrado em contato com, mas ter visto
- 13:52aquilo e julgado aquilo interessante para ser
- 13:54registrado, né? Porque muita coisa passa.
- 13:57O Léo dessas pessoas, Ah, é só mais um.
- 14:00Ser humano selvagem, fazendo suas próprias coisas que não não
- 14:03são do meu interesse. Né?
- 14:05Sim, sim. Diga lá, Rafinha.
- 14:06Exatamente isso que o Leandro colocou.
- 14:08É extremamente interessante que são as nossas formas de
- 14:11classificação e como a gente usa isso pra, de algum modo,
- 14:14incorporar algo desconhecido dentro de algo que já é
- 14:18conhecido pra gente, né? Então, é muito interessante a
- 14:21gente ter essa essa consciência que a gente faz isto ao mesmo
- 14:23tempo que a gente não consegue deixar de fazer pra variados
- 14:27Campos do nosso saber, inclusive o de alimentação.
- 14:30A gente acaba agrupando isso e se pensar, né?
- 14:33O Brasil como? Esse lugar imenso cheio de
- 14:37biomas, com diferentes frutas diferentes.
- 14:41Tipos vegetais, animais, enfim, e pensar que de misturas e
- 14:45misturas se se faziam, né? Compostos completamente
- 14:48diferentes e isso é muito interessante.
- 14:49Enfim tem essa classificação, né?
- 14:51Que a gente pode pensar. O supermercado que a gente usa
- 14:54hoje, experimentados, cereais, chamando de cervejas aqueles de
- 14:58frutas chamados de vinho, né? Que é um tipo de classificação
- 15:02que também tem a sua historicidade.
- 15:04Quer dizer, quando a gente olha para essas Fontes escritas,
- 15:07então, né? Desses europeus escrevendo
- 15:09sobre. Esses povos a gente já
- 15:12encontrando esses termos, por exemplo, né?
- 15:14Nessas Fontes que a gente encontra, eles falam muito do
- 15:17termo vinho, vinho, inclusive para qualquer outra fruta,
- 15:20então. Fermentados de sei lá de
- 15:24abacaxi. Sei lá, jabuticaba e outras
- 15:27frutas. A gente vai quando eles designam
- 15:30isso, eles chamam isso de vinho e isso da da terminologia é
- 15:33muito interessante, porque durante muito tempo a gente
- 15:36chamou isso de vinho. Durante a colonização, o Império
- 15:39durante toda a República tinha quando a gente começou até no
- 15:43Brasil. Já é independente normatizar
- 15:46isso em termos, né, de direito, como que a gente chama isso?
- 15:49Estava Na Na legislação lá que a gente poderia chamar, por
- 15:52exemplo, um fermentado de caju, de vinho de caju ou um
- 15:55fermentado de laranja, né? De vinho de laranja.
- 15:57Isso só foi mudar muito recentemente é em em 1988, com a
- 16:02com a Constituição cidadã, na verdade, que nos rótulos a gente
- 16:05não pode mais chamar algum fermentado de.
- 16:10De qualquer fruta de vinho d, né?
- 16:12Mas até então, a gente poderia chamar, né?
- 16:15E aí, tanto que essas pessoal que, que que produz isso, né?
- 16:18Tem uma grande dificuldade de de como que eu vou chamar isso e
- 16:21tal, o que nos remete também nessa dificuldade de.
- 16:27Utilizar nomes adequados para cada uma dessas bebidas.
- 16:30Quando a gente vai falar de bebidas específicas, hoje a
- 16:34gente tem AA tendência a utilizar a terminologia que
- 16:38aqueles povos utilizavam, como, por exemplo, tem um tipo de
- 16:42bebida ritual que é produzida pelos kaingangue, né?
- 16:46Kaigangue é uma etnia que está aqui no sudeste, Paraná, São
- 16:49Paulo, Santa Catarina, que eles chamam de quiqui.
- 16:53Então aí pra especificar que utiliza mel e tudo mais pra às
- 16:57vezes. Designar s específico a gente
- 17:00pode utilizar o vocabulário que eles utilizam, mas é super
- 17:04complicado. É super específico, né?
- 17:07Então, por isso, as vezes a gente coloca essas bebidas
- 17:10dentro dessas grandes classificações, porque nos ajuda
- 17:13a entender isso também, mas é uma discussão Superinteressante
- 17:18que que tem a ver com a nossa própria concepção dessas
- 17:21bebidas. Afinal, o que que é?
- 17:22Quais são as suas especificidades?
- 17:24Mas isso se dá mais uma vez, diante da grande diversidade de
- 17:28bebidas e. Existiram algumas, a gente
- 17:31consegue saber porque muitas se perderam, né?
- 17:34Essa própria Kiki que eu tô falando que é um documentário
- 17:37Superinteressante, tá até no YouTube e mostra, inclusive, que
- 17:41a própria, alguma comunidade às vezes deixou de fazer por um
- 17:46tempo. Então eles no caso lá, eles
- 17:48tentam refazer o ritual e recuperar, relembrar.
- 17:52Então tem sempre assim também. Esse movimento de rememoração,
- 17:56do que que essa bebida, de como ela faz que sentido os elas têm.
- 17:59E muitas delas. Se se perderam junto com sim,
- 18:02claro, o extermini, às vezes de de grandes comunidades e outras
- 18:06por processos históricos. Então tô falando isso também.
- 18:09Um pouco de uma dificuldade de a gente conhece-las,
- 18:12principalmente essas do passado, e o porquê que as grande parte
- 18:16das vezes a gente tem que recorrer.
- 18:18A documentação feita, né? Pelos colonizadores?
- 18:21Pra ter acesso ao que elas eram, como elas eram consumidas e tudo
- 18:26mais. Me permite uma parte?
- 18:27Não lhe dou a parte, não. Dou à parte pro senhor aí não.
- 18:35É só pra complementar que isto, falando do ponto de vista de
- 18:39pesquisa, né? Do ponto de vista de ser bem
- 18:41cuidadoso com o desbravamento dessas heranças culturais,
- 18:44porque isso é feito também em outras instâncias, a indústria
- 18:46tem explorado um pouco isso, mas acho que a indústria também.
- 18:48Ela pode ter um pouco. Mais de flexibilidade para
- 18:51tratar disso, mas quando a gente fala da terminologia específica
- 18:55dessas bebidas, que também carregam distinção de técnica
- 18:59que foi usada para a confecção daquela bebida, fala-se de cauy
- 19:02de uma forma muito generalizada, mas na verdade, existem certos
- 19:05especificidades e o cauín o nome Cauê, dependendo do lugar em que
- 19:09ele é feito. Dependendo da época, ele tem uma
- 19:10conotação específica. Você tem subdivisões de cauín
- 19:14uma que é feita pela inssalivação e outra que é feita
- 19:16pelo cozimento da mandioca em água ou do milho.
- 19:19Enfim, não perder a dimensão de que aquilo tem um significado
- 19:22cultural e simbólico específico para certas culturas, essas.
- 19:25Culturas estando preservadas hoje ou não mais?
- 19:28Acho que é isso. Perfeito.
- 19:30A única comentário que eu IA fazer sobre o que o Rafael
- 19:33estava falando e que você complementou era justamente do
- 19:35tipo, a gente classificou tudo como vinho, como você
- 19:39explicaram. Aí porque a gente perdeu a
- 19:41conexão com esse passado. A gente perdeu essa história
- 19:44porque aí faltava a questão da escrita.
- 19:46Faltava a questão dessa, do entendimento do que estava aqui.
- 19:49E aí a colonização veio igual, um Rolo compressor, atropelando
- 19:53tudo que vinha pela frente. A gente perde Cielo, né, então a
- 19:56gente fica aqui meio que tentando reconstruir esse
- 19:59caminho, mas é muito difícil, né?
- 20:01Eu vou deixar Leandro seguir adiante porque a gente, se não,
- 20:03a gente fica aqui para sempre, Hein?
- 20:04É, não. Já vi que o papo rende.
- 20:06Na primeira pergunta? Exatamente.
- 20:09Mas olha só, vamos seguindo essa linha.
- 20:11Vamos seguir a linha do tempo, vamos nos perder dela, não, né?
- 20:13E aí o Rafa já levantou um pouco a bola ali do período colonial
- 20:17aqui na América do sul e a gente quer saber, assim como é que
- 20:20foram e quais foram as influências trazidas por esse
- 20:23mundaréu de povo que passou por aqui, né?
- 20:25A gente teve espanhóis portugueses.
- 20:28Mais na frente. Na data, alguns holandeses, mas
- 20:30também o povo africano, que escravizados, ainda assim
- 20:34interferiram pra caramba, trazendo muita coisa da cultura
- 20:39e outros pontos pra cá. O que que foi trazido, o que que
- 20:42foi abandonado e o que que ficou?
- 20:44Então, Oo que vale a pena a gente pensar nesse momento, né?
- 20:48É que a gente está num primeiro momento, digamos assim, de
- 20:52globalização, de mundialização, né?
- 20:54A primeira vez que as conexões entre os lugares, elas ganhavam
- 20:59uma dimensão mundial, né? A gente fala hoje de de de
- 21:03mundialização, globalização, se a gente for pensar onde tem um
- 21:07certo ponto de inflexão sobre esse processo, eu diria que é
- 21:11nesse momento em que se dá a. AO início da colonização da
- 21:15América, né? Reinos como Portugal e Espanha
- 21:20eles detinham colônias que ou pontos, pelo menos de, de
- 21:25comércio, né? Que estavam na América estavam
- 21:28na África, estavam na Ásia e ainda mais com momentos, por
- 21:31exemplo, que a gente chama de união ibérica, né, que vai de
- 21:341580 a 1640, que tem a união das 2 coroas.
- 21:38Elas têm um território imenso no mundo, o que faz com que os
- 21:43produtos, inclusive eles, caminhem muito mais em um nível
- 21:47global, o que faz com que lugares, né, tenham as suas
- 21:51coisas específicas, mas tenham conexões com vários outros
- 21:54lugares. Por isso, muita coisa.
- 22:00Entra, mas muita coisa sai. No caso do Brasil também, né?
- 22:02Então, por isso a gente vai ter a inclusão aqui de.
- 22:06Espécies, animais, espécies vegetais e o que vai modificar
- 22:11alimentação dessas pessoas no nível planetário?
- 22:14Então sei lá da banana que vem do sudoeste asiático e é
- 22:19introduzida no Brasil e a gente? Pensa, é nessa pergunta como uma
- 22:24fruta praticamente nacional. Um símbolo nacional, até.
- 22:28Um símbolo nacional, né? Quer dizer, parece que já sempre
- 22:31fez parte da nossa cultura, como outras coisas que saem também.
- 22:35Se a gente for pensar que, por exemplo, uma fruta também, como
- 22:39o caju, o caju vai para a Índia e tem uma importância super
- 22:44grande naquele país, né? Tem até uma bebida chamada
- 22:47fenim, que é 11 destilado de caju, que ele é muito forte em
- 22:52goa, né? Que era a capital de Portugal,
- 22:54na Índia. EEA troca entre essas 2 capitais
- 22:57são muito Fortes, então o caju penso que é uma fruta, esta
- 23:00assim brasileira muito importante.
- 23:02Aqui vai desembocar numa bebida, num destilado super importante e
- 23:06goa na Índia, então, enfim, eu começaria responder nessa
- 23:10pergunta, tendo esse contexto em mente, né?
- 23:12Que é uma primeira globalização em que essas conexões elas se
- 23:16dão, elas se irradiam para vários lugares, né?
- 23:18E que diferentes agentes têm contactos e há uma troca
- 23:22bastante intensa entre países e regiões de diversos lugares do
- 23:27mundo. Inclusive, é isso que vai levar
- 23:28o milho para a Costa. Ocidental do continente
- 23:31africano, e lá ele vai ter uma grande importância para os povos
- 23:34daquela região, porque havia ali 11 repertório de cereais que
- 23:39eles eram processados tanto pra alimentação quanto pra bebidas.
- 23:42E não demorou pra que esse milho fosse processado mais ou menos
- 23:46na mesma forma e inclusive hoje algumas pessoas conhecem, mas
- 23:50nem todo mundo conhece o aluar que hoje é uma bebida de
- 23:54caráter, refrigerante é, as pessoas conhecem, talvez mais a
- 23:56ele, feito a partir da casca do abacaxi.
- 23:58Mas ele também tem uma versão feita com milho e nessa época a
- 24:02terminologia aluá e outras variántes assim que vem do
- 24:06bantho do do quimbundo, eles eram basicamente bebidas
- 24:10embriagantes, né? Hoje ele é um refresco, hoje ele
- 24:11é, ele passa por uma fermentação mais rápida, ele é adoçado no
- 24:14final, mas antes ele era praticamente uma cerveja de
- 24:17muitos povos ali da África ocidental, da região do Congo,
- 24:20de Angola e. De onde se tirou muita gente
- 24:23para trazer para o continente americano no contexto da
- 24:25escravidão, o know-how sobre essas bebidas foi uma das coisas
- 24:29que veio para cá com os africanos.
- 24:31Outra coisa foi o dendê, o dendê.
- 24:33Dendezeiro, ele é chamado da rainha das Palmeiras na África
- 24:36ocidental. Hum, e não só se fazia óleo de
- 24:39dendê. O azeite de dendê, mas só do
- 24:41dendê. Você tem notícias de 3 nomes de
- 24:43bebida diferente aí também de novo?
- 24:45A importância da gente chamar as coisas.
- 24:47Com essa especificidade, dependendo da parte da Palmeira
- 24:50que você extrai de como você a processa, então o fruto é a
- 24:53seiva, por exemplo. Então, mais uma coisa importante
- 24:56que veio com essa galera. E foram eles os principais
- 25:00agentes da manipulação dos substrato dos dejetos da
- 25:04produção açucareira, né? A cachaça não começou nobre de
- 25:07forma nenhuma, aliás, começou com fermentados.
- 25:09A partir dessas, o que eles chamam de escórias do açúcar.
- 25:12Tudo que sobrava nos tachos ou então uma moagem de Canas que
- 25:16não estavam muito bem na estação de colheita pra depois ser.
- 25:19Destinada a alimentação de animais e alimentação de
- 25:22escravizados. E isso também foi que deu origem
- 25:25aos experimentados que depois vão começar a ser destilados de
- 25:27uma forma mais sistêmica, a partir da década de 1620, talvez
- 25:30um pouco antes, que é quando a gente tem esses registros.
- 25:33Inclusive essa ideia de que onde morre um engenho, destino,
- 25:36alambique não é verdade. Você não tem notícias
- 25:39documentais nenhumas de que havia cachaça no século 16 no
- 25:43Brasil e aí aqui, chegando num outro ponto que, voltando aos
- 25:46europeus, o que eles trouxeram de grande diferencial?
- 25:51Para essa equação, é a bebida destilada, é o alambique.
- 25:54Olha só, caramba, é, é bigorna em cima de bigorna.
- 25:57Meu Deus. Vou fazer uma pergunta que eu
- 26:08não sei se vocês vão ter essa informação, porque a gente não
- 26:11tinha falado disso antes, mas a gente ouviu isso aqui em um
- 26:14outro papo, eu queria esse double check, que é o teor
- 26:17alcoólico dessas bebidas. Era notadamente baixo.
- 26:21Vocês têm alguma noção disso pra gente, só pra ter uma referência
- 26:25aqui, porque de repente, num papo com o Sérgio, as bebidas
- 26:28alcoólicas, que é o nosso historiador, consultor aqui, até
- 26:31então, as bebidas alcoólicas tinham essa conexão com o
- 26:34Divino, né? Você bebia pra poder se conectar
- 26:37e essa coisa da embriaguez e a gente ainda tem isso agora com
- 26:40daime, et cetera e eu falando várias besteiras, vocês têm
- 26:42alguma noção aí de de de teor alcoólico pra gente ter 11
- 26:46cheiro? Eu vi testes um tempo atrás,
- 26:48inclusive com fermentados de abacaxi que gerava em torno de
- 26:5223, às vezes 4%, e os destilados?
- 26:55E aí é uma informação de historiador, né?
- 26:57Não sei se houve teste pra isso, mas ele fala de.
- 26:59Concentrações alcoólicas na casa dos entre 40 e 60% é isso.
- 27:04Já no século entre os 17 e o 18, quando a cachaça ela tá sendo
- 27:09usada como moeda de troca de escravizados no continente
- 27:12africano. Mas, independentemente desses
- 27:15parâmetros mais precisos ou não, porque aí eu tô falando aqui
- 27:17também de cabeça, tá? Se for pra pra rolar um Triple
- 27:21check, eu provavelmente posso ser.
- 27:23Podem me passar uma rasteira aqui?
- 27:24Mas o contraste entre o deste lado com o supermercado que eram
- 27:29feitos de forma espontânea, com no máximo 11 controle de
- 27:33condições em que essas experimentações aconteciam,
- 27:36porque, sei lá, tem algumas populações da Amazônia que.
- 27:40Em vez de inssalivar a mandioca, porque é quando você coloca essa
- 27:43enzima da milás de salivar, que vai fazer esse processo que, por
- 27:46exemplo, a malteação é a responsável.
- 27:48Quando você induz esse processo no grão que a mandioca tem 11
- 27:52estrutura de açúcarres muito complexo, que não podem ser
- 27:55quebradas assim ao léu você tem esse procedimento de
- 27:58insalivação, mas um outro processo que é feito tanto por
- 28:02algumas comunidades na Amazônia e também para quem é destino a
- 28:05ti, kira no Maranhão, hoje é você deixar que ali proliferem
- 28:09fungos, filamentos, porque aí eles vão ter a capacidade de
- 28:12quebrar aqueles açucares para que aquilo seja fermentado por
- 28:14levedores. E no caso da tiqueira, aquilo
- 28:16depois vai para destilação, então você consegue controlar
- 28:20essas variáveis, mas você não consegue controlar a cepa que
- 28:22está trabalhando ali para ter um produto previsível, com uma
- 28:25concentração alcoólica em tal, como tem todo o cuidado na
- 28:28produção. Cerveja geral hoje, né?
- 28:30Então não chega a quantidade de exorbitantes, mas você faz
- 28:33quantidades exorbitantes, de bebida, porque a embriaguez para
- 28:36muitas culturas tradicionais ela tem uma importância muito
- 28:38grande. E importâncias diferentes
- 28:40também, mas o embriagar-se é 11 ato coletivo.
- 28:43É um ato simbólico em ocasiões específicas e também ele
- 28:47contrasta muito na relação desses povos com os portugueses
- 28:50pela moralidade do que se vê como bebê.
- 28:53Como beber em excesso quando se bebe, porque se bebe os nativos
- 28:57do Brasil não bebiam cotidianamente, como os europeus
- 29:00bebiam, bebiam também porque a bebida era alimento, né?
- 29:02A bebida pra essas culturas tinha outras conotações
- 29:05diferentes também, porra. Isso só queria complementar uma
- 29:08coisa aqui pra gente pensar justamente nesse.
- 29:11Lembro de você falou do do eurocentrismo, né?
- 29:14E a gente tá falando que os planos europeus, então, que
- 29:16trouxeram o alambique pra América, mas é legal a gente
- 29:19lembrar também que o alambique é uma invenção árabe, né?
- 29:22Uau, né? O alambique aí não.
- 29:24Não nos deixa mentir que é uma invenção árabe.
- 29:27No final do período medieval. Que aí, enfim, pelas conexões do
- 29:31Mediterrâneo, também são conhecidas pelos europeus, que
- 29:34passam cada vez mais inicialmente utilizando esses
- 29:37destilados para fins médicos. Só depois a gente começa a
- 29:40viver, né? E apreciar.
- 29:41E aí isso, essa técnica, né? Esse instrumento é trazido aqui
- 29:45pra América, para o Brasil, por intermédio dos europeus, mas
- 29:48também pensar que é um todo um saber também árabe, enfim,
- 29:51quando a gente vai vendo nessas essas misturas, como as coisas
- 29:54vão, vão se juntando, né, pra desembocar em certos processos
- 29:58que a gente conhece hoje, eu acho bastante interessante.
- 30:01Porra perfeito, é muito louco a gente pensar nisso dessa maneira
- 30:05tão organizadinha como vocês estão apresentando pra gente.
- 30:08Porque explica tanta coisa que eu não entendi?
- 30:10Leandro, e agora? Pois é.
- 30:12Pois é esse troca-troca cultural, essa delicinha de
- 30:17conhecimento que acontecia, né? Aquela coisinha.
- 30:20Essa coisa delitosa. Gente coisa delitosa eu quero
- 30:24essa camiseta, Leandro na minha mesa amanhã.
- 30:29Faceta? Na sua mesa, não, mas na nossa
- 30:31loja vai estar a loja Porto surra de.
- 30:34Exatamente coisa delitosa pra vocês comprarem.
- 30:36Eu quero uma de brinde. Problema é esse, né?
- 30:39O convidado vem aqui. Ele fala a frase, ele ainda quer
- 30:41uma camiseta de brinde? Não abusado, a gente rouba a
- 30:45frase dele. Eu pago o frete, eu prometo.
- 30:52Bom gente é assim, é estarrecedor, é estarrecedor,
- 30:56mas a gente está aqui na colônia, estamos lá na colônia.
- 30:58Se lascando muito fortemente, então acho que a gente precisa
- 31:02tocar num ponto que é muito difícil da nossa história, mas
- 31:06para mim, informação é é poder. Então, se a gente começa a falar
- 31:09desse assunto, a gente começa a tomar consciência de como existe
- 31:12um dano histórico a ser pago. Então essa é a minha introdução
- 31:16para tocar nesse assunto delicado.
- 31:18Como é que o álcool foi utilizado na?
- 31:21Subjugação e na escravização dos povos originários e dos povos
- 31:26africanos que vieram para cá. Vamos falar um pouquinho sobre
- 31:29isso? Esse ponto que o Gabriel disse
- 31:32da introdução das bebidas destiladas, ele é um ponto.
- 31:36Bastante importante para esse processo, porque durante muito
- 31:40tempo, se não se tocou no assunto ou se difundiu a ideia
- 31:45de que os indígenas não tinham tido nenhum contato com álcool
- 31:49antes da colonização, que bom, a gente falou aqui, é equivocado a
- 31:53gente pensar, né? Então, sim, já viu bebidas algum
- 31:57contacto com álcool e com as suas formas, né?
- 32:00Dispensar embriaguez como algo que incitaria esse contacto com
- 32:03o Divino, já então existia e já era praticado.
- 32:08Diferentes comunidades indígenas o ponto é quando a gente pensa
- 32:13isso. Em contraposição a esse tipo de
- 32:16bebida, que tem um nível alcoólico muito maior.
- 32:20Então, se você estava, né? Se estavam mais ou menos
- 32:24habituados a tomar um bebidas com um certo nível alcoólico,
- 32:28então você colocado diante de bebidas com um nível muito
- 32:31superior, de um modo muito mais agressivo.
- 32:34Aí sim, isso se transforma numa espécie de arma, não é?
- 32:38Isso vira um problema. Né, para você saber beber, você,
- 32:43ter hábitos e saberes que te permitem consumir aquilo com um
- 32:49certo nível de segurança. Né?
- 32:51E aí que enfim, a introdução dessas dessas bebidas, elas
- 32:55passam a ser, de fato, esse instrumento subjugador como
- 32:59moeda. A gente pode pensar, né?
- 33:00O Gabriel chegou a citar que se trocava escravos, né?
- 33:04Pessoas escravizadas na Costa africana, muito em troca de
- 33:08cachaça. Então não é só aqui, mais lá
- 33:10também, porque essas aguardentes e aguardentes de cana, né?
- 33:14A cachaça passa a ser também moeda de troca e que acaba
- 33:17influenciar também dentro do território africano usado, né?
- 33:22Dentro das comunidades lá utilizada para obter pessoas
- 33:26escravizadas. E aqui também na sua forma de,
- 33:31de algum modo, dominação, e também tem essa parte do
- 33:35fornecimento para, de algum modo, minar certas forças, mas
- 33:41também, vejam, não era interessante, né?
- 33:44Pra essas pessoas que você tivesse pessoas escravizadas,
- 33:48seja ela descendentes africanos ou seus descendentes, ou até
- 33:51indígenas que foram também escravizados, mas que não fossem
- 33:55capazes de de trabalhar, então. Um escravizado que não tinha
- 34:00força ou totalmente dado ao vício que não fosse capaz de
- 34:03trabalhar também era desinteressante.
- 34:07Então, há 11 questão tênue entre, ou seja, de algum modo,
- 34:11dominar e você ter essa mão de obra capaz de trabalhar para
- 34:14vocês, né? Então vejam que é um que é um
- 34:17instrumento que pode ser usado de diferentes maneiras, mas
- 34:21pode-se voltar contra o próprio interesse produtivo dessa
- 34:24colonização. Agora, há uma certa dominação
- 34:27também que a gente tem que estar muito atento, que é uma
- 34:29dominação discursiva em relação à imagem, porque muitas vezes
- 34:33esses indígenas. E também africanos, eles foram
- 34:36representados como bêbados como embriagados, o que reforçava uma
- 34:41certa imagem daquele que é um incapaz, aquele que é o
- 34:45pusilânime, aquele que não é capaz de se controlar, de se
- 34:50autocontrolar. E como o Gabriel disse, na
- 34:52verdade, essa imagem deles como fracos, como seres que não
- 34:57tinham essa mente forte para se autocontrolar.
- 35:00Se exercer esse controle sobre si, muitas vezes foi uma forma
- 35:04de. Afirmar a sua selvageria.
- 35:08Né? A selvageria desses povos, em
- 35:09contraposição com a civilização do do europeu.
- 35:13Uhum que esse sírio poderia se controlar e aí é muito
- 35:17interessante a gente pensar como certos valores mediaram essa
- 35:21representação, como 11 valor fundamental, né?
- 35:24No No ocidente, no período medieval, que que vai desembocar
- 35:27também nesse que a própria ideia de moderação, de temperança, né?
- 35:31Isso que era OA visão europeia da Bidu, era muito assim, beba
- 35:36pouco, mas beba sempre. Você poderia consumir quase
- 35:39todos os dias mais pouco enquanto AA modalidade de bebida
- 35:43de outros povos, como os indígenas, era não beber todo
- 35:45dia, ao contrário, em Datas muito raras.
- 35:49Mas beber muito para ter justamente esse contato com o
- 35:51Divino. Então vejam, são 2 modalidades
- 35:54de como conceber a forma como a gente bebe e a quantidade que a
- 35:57gente bebe e as razões. Por quê?
- 35:59Então essa visão europeia, né que está mediada por esse valor
- 36:04da temperança. Olhando muitas vezes essas
- 36:06práticas indígenas, vamos ver aquilo como absurdo, uns
- 36:08bêbados, eles não sabem beber, o que vai acabar perpetuando uma
- 36:12certa imagem deles também, como embriagado.
- 36:15Diminuindo a sua própria capacidade de autocontrole, de
- 36:19sua força e só pra arrematar, aqui, vejam como esse valor,
- 36:23estou falando da temperança. Ele é muito forte, né?
- 36:26Nós, na cultura ocidental, aponta que a gente estampa isso
- 36:29em quase todo o rótulo de cerveja até hoje, né?
- 36:32Beba com moderação. Você fala pra pessoa que ela tem
- 36:34que beber assim porque a gente acredita que a pessoa tem uma
- 36:37capacidade de se autocontrolar e que se você falar isso Pra Ela,
- 36:40ela vai ser capaz de vender com a moderação, entende?
- 36:42É é um valor que ainda tá nosso e que a gente fala EEEE é isso,
- 36:47né? Quer dizer, esse aspecto
- 36:49cultural e que também vai perpetuar, então, só pra fechar
- 36:52essa ideia que a gente tem que olhar também com desconfianças,
- 36:54às vezes de que. Os indígenas acabaram, viraram
- 36:58todos embriagados ou os africanos também.
- 37:01Eu tenho uma complementação que acho que é importante a gente
- 37:05nunca esquecer. É é sempre importante reconhecer
- 37:08quem é a vítima numa situação desta, mas nunca pensar que a
- 37:11vítima é um ser desprovido de agência, né?
- 37:14É um ser desprovido de seu próprio mecanismo de tá como Um
- 37:18Par em um pé de igualdade. Mas ali é.
- 37:22É um outro sujeito numa relação por mais violenta que ela seja.
- 37:25E houve muita resistência, resistência muito.
- 37:28Sóbria, né? Pra fazer 11 trocadilho aqui.
- 37:32Há qualquer tipo de inserção, a introdução de bebidas europeias
- 37:35dos ciclos indígenas em muitos pontos do país ao longo desses
- 37:39séculos de colonização. Gente fala assim, eu não quero
- 37:41esses caras aqui mesmo indígenas aldeados que aceitavam uma
- 37:45educação religiosa, católica, pro missionário falou assim, eu
- 37:47não quero esse tipo de bebida aqui, porque isso faz mal para
- 37:49os meus, então nunca deixar de pensar que pessoas tiveram por
- 37:54mais que as circunstâncias fossem desfavoráveis são gente,
- 37:57né? É nunca colocar o opressor no
- 37:59monumento de crueldade e achar que o oprimido é uma formiguinha
- 38:03naquele jogo, aproveitando. Esse gancho do opressor, às
- 38:05vezes a gente tende a falar do colonizador como uma instituição
- 38:09tão nefastas assim. Mas português era muito
- 38:11desorganizado, cara, então esse lance do álcool como uma
- 38:15ferramenta ativamente pensada para dominação não encontra
- 38:19correspondência no Brasil? Porque isso não é uma política
- 38:21pensada. Você tem caso a caso, e aí ao
- 38:24mesmo tempo, você chega nesse limite e é uma situação
- 38:27moralmente bizarra, porque é uma visão de mundo que permite você
- 38:30julgar o excesso de bebida do outro e ao mesmo tempo, concebe
- 38:34a instituição de escravização do outro ser humano naquela
- 38:38situação. E, ao contrário de outros
- 38:40contatos entre europeus e populações indígenas, como na
- 38:43América do norte, como na Austrália, não sei se vocês
- 38:45chegaram a ver aquele o filme mais recente do Martin Scorsese,
- 38:48o assassino da lua das flores. Vi.
- 38:50Ainda não. Isso que é uma disputa grande
- 38:52por petróleo, que foi Descoberto em terras indígenas e por conta
- 38:56dessa descoberta de petróleo por um acordo muito bem costurado
- 38:59pelos líderes indígenas daquela reserva, isso acaba tendo um
- 39:01contato muito maior com aquela população de brancos americanos
- 39:04que vão aí como um cancro, acabando com aquela população e
- 39:08uma dos mecanismos tanto de subjugação.
- 39:10Quanto de envenenamento? Porque esse é um tema principal
- 39:13do filme, é a bebida alcoólica e a bebida alcoólica, porque o
- 39:17aquela população indígena que não tem o costume de beber acaba
- 39:21entrando em contato com o monsine mesmo durante a
- 39:23proibição. Você tem essas operações
- 39:25clandestinas de bebida, inclusive dentro do Condado de
- 39:27Oklahoma. E aquilo acaba também sendo um
- 39:30problema para aquela comunidade. Então, em alguns pontos, você de
- 39:32fato tem o uso instrumentalizado planejado da bebida para
- 39:35subjugar. É a população nativa, mas no
- 39:37Brasil, menos. Aliás, você não tem isso com uma
- 39:40política institucionalizada, você não tem isso como alguma
- 39:42coisa que se comenta. Ah, deu certo aqui vamos fazer
- 39:44ali não é muito de ocasião e você tem esses dilemas Morais de
- 39:49de católico pensando sobre isso e indígena, falou assim, não
- 39:52quero isso aqui, eu vou beber do meu jeito, mas ao mesmo tempo em
- 39:56populações que sofreram mais com a evangelização católica e aí
- 40:01era um objetivo central do desses missionários.
- 40:05Em abolir as práticas embriagantes, porque essas
- 40:07práticas eram seguidas de manifestações que eram vistas
- 40:10como diabólicas, porque era uma reunião dessas pessoas, essas
- 40:13pessoas se embriagavam. Era um momento memorial
- 40:15importante, então você tinha uma gritaria, você tinha dança e
- 40:18aquilo parecia coisa de outro mundo.
- 40:19Mas para aquelas populações era importante.
- 40:21Então eles começaram a minar esse tipo de prática nos
- 40:23adultos. Isso era mais difícil, então
- 40:25eles começavam a tirar as crianças de perto dos adultos
- 40:27para elas não pegarem esses hábitos.
- 40:29E aí, em algumas culturas, algumas comunidades em que isso
- 40:32foi mais bem sucedido. Você tem o que é chamado de
- 40:34vazio etílico. Essas práticas dessas receitas,
- 40:37esses momentos vão sendo perdidos e aí sim você acaba
- 40:40tendo que beber o que tem, que é o que o branco te oferece, e aí
- 40:43você tem populações que acabam sofrendo mais com bebidas
- 40:46destiladas porque elas perderam seu próprio repertório.
- 40:48Eu fiquei pensando um pouco sobre essa relação que você
- 40:51trouxe sobre o opressor e o oprimido tal, e é uma relação de
- 40:54força, né? Por mais que alguém, o.
- 40:57Oprimido. Ele tente resistir.
- 41:00É uma força muito avassaladora que está vindo do outro lado e é
- 41:03uma força violenta. É uma força com muito poder
- 41:08político, económico, social. Não é.
- 41:11Você tem várias assim. Ela é mais forte em quase tudo,
- 41:15menos assim, talvez na cultura deles ali que estão se
- 41:18protegendo e estão falando não daqui não tentar, não interferir
- 41:21nisso aqui. E é um elemento muito fácil de
- 41:24ser inserido. Álcool, né?
- 41:25Porque você eu fico imaginando que talvez naquela época, eles
- 41:28tivessem vivendo um pouco. Que a gente vive aqui no Brasil
- 41:33com superprocessados é no mundo, na verdade, com
- 41:35superprocessados. É muito mais fácil.
- 41:38De repente, em vez de eu pegar, fazer a minha comida, pegar meus
- 41:41legumes, picar não sei o quê tal ou comprar um saco de
- 41:44superprocessado EE comer, sabe, você tem benefícios, né?
- 41:49Contrapartidas muito imediatas, com aquela pequena oferta.
- 41:52Então pegue aqui esse destilado mais forte.
- 41:55Que, em vez de ter 2 e meio 4% de álcool, pega esse de 14,
- 41:59citando aqui um vinho 1314 pega esse de 14 aqui que você vai
- 42:03chegar também no teu Deus lá. E o melhor é o nosso Deus, não é
- 42:06o teu, é o nosso e aí por mais que sim, quase toda a relação de
- 42:12opressor e oprimido, existe algum nível de resistência é
- 42:15contra uma força muito esmagadora, né?
- 42:18Muito cara EE cheia de coisas explicitas, implícitas,
- 42:23subjetivas, essa parte do você foi falando, fiquei, cara, qual
- 42:27a diferença disso? Do super processados que a gente
- 42:29tem hoje não é tão, sabe? Fato de não ter 111 cultura
- 42:33opressora em cima da gente, né? E escravizando a gente.
- 42:37Mas só para reiterar que eu não estou tentando relativizar a
- 42:39violência nenhuma. É só para dizer que às vezes a
- 42:42gente tem essa mania simplificadora de certos
- 42:44processos e acaba se esquecendo de que tem pessoas ali, aham, e
- 42:47por mais que esses processos de resistência não tenham sido tão
- 42:50bem sucedidos como a gente gostaria e esses exemplos que eu
- 42:54estou dando são claramente exceções.
- 42:56É só para reiterar que são pessoas, né?
- 42:59Sim, a gente não pode reduzir a figura do oprimido aquilo.
- 43:01Há um coitado. São agentes com cultura, com o
- 43:05seu repertório, com sua visão de mundo que tentaram fazer o que
- 43:07foi possível ali. E para dizer isso, essa
- 43:10subjugação não foi sistemática. Quando ela tentou acontecer,
- 43:14havia 11 percepção dessas populações da tipo.
- 43:17Assim, não pode parar aqui. Isso aqui não é nesse sentido.
- 43:20O Leandro achei muito boa sua comparação.
- 43:22Acho que que coloca um pouco esse jogo de forças, mas como
- 43:26aquilo vai se impondo de certa maneira e aí é isso que a gente
- 43:31tem que pensar nessa imposição. Como que foram essas
- 43:34estratégias? Inclusive, né?
- 43:35De de uma certa resistência e a gente fala isso, né?
- 43:38O Gabriela falando, a gente enfatizando porque durante muito
- 43:41tempo, né? Quando a gente falou de de
- 43:43populações, né, negras, indígenas, você colocava sempre
- 43:46nesse lugar da vítima. Então, por isso daqui a gente
- 43:48uhum, enfatiza. Algo que é o movimento, né, que
- 43:51tem muito nesse sentido de se. Ah, sim, de denúncia, mas também
- 43:56de jogar luz sobre esse movimento de resistência.
- 43:59Essa agência, né? Como a gente chama, né?
- 44:01De que eles também agiram EE também dão um certo protagonismo
- 44:05narrativo dentro da narrativa que a gente monta da história
- 44:08daquela época, mostrando que também se agiu.
- 44:11Fizeram de algum modo, né? Tinham estratégias também pra
- 44:15pra negociar, digamos assim, né? Mesmo num jogo desigual de
- 44:20forças, então é nesse ponto e por isso que a história ela é
- 44:23muito complexa, né? Porque mesmo quando a gente
- 44:25pensa nesse colonizador, nessa força, não, não era uma força
- 44:28única, quer dizer, entre os agentes da coroa e os padres
- 44:32Jesuítas que acabam aquilo que mais tinham entre eles era
- 44:34brigas, né conflitos tava porque eles são os Jesuítas são
- 44:37expulsos, né? No século 18, no meio do século
- 44:4018, por uma questão de tutela também do dos indígenas ou ou
- 44:44projetos, então é, é interessante a gente deixar mais
- 44:48complexa. Esse, esse modo que a gente vê o
- 44:50passado, porque também a gente começa a ver de modo mais
- 44:53complexo o nosso presente, né? Vendo todas essas forças, como
- 44:57elas agem também? Como há essas ações de de
- 45:00resistência de agência? A Lourdes tá até respirando aqui
- 45:03pra tá assim, caralho. Eu tô respirando porque é.
- 45:07É um assunto espinhoso. O caso não tá caceta, né?
- 45:09Muito espinhoso. A Pampa, assim, no contexto só
- 45:12já que você me trouxe pro papa. Agora a culpa é culpa.
- 45:15É? Tua?
- 45:16Contexto que a gente ouviu sobre isso pela primeira vez foi com A
- 45:19Entrevista com o Eduardo marcuzo, que é formado em
- 45:22Geografia, é mestre, doutor pós-doc, sei lá kikats e no
- 45:25episódio 163. E ele levantou essa bola, essa
- 45:29questão e falou principalmente dos escravizados vindos de
- 45:35África, falando das viagens de navio, principalmente, né?
- 45:39Que era uma maneira de você suavizar, entre aspas, a
- 45:44resistência que certamente essas pessoas ofereceram na medida da
- 45:48possibilidade delas, né? E aí, enfim, isso foi e o
- 45:51Leandro trouxe uma perspectiva muito boa.
- 45:52Dutra processado e hoje, por acaso eu vi um vídeo falando de
- 45:55produto de limpeza e tem uma conexão também, porque onde foi
- 45:59parar a água quente com a bucha com o paninho que tudo que você
- 46:04usar no seu fogão você vai ter que esfregar?
- 46:06Só que aí a propaganda fala que esse produto de limpeza pensando
- 46:08precisa esfregar. E aí, na propaganda, passa o
- 46:10pano acabou, só que não, cara, você vai continuar precisando
- 46:13esfregar. Então você está usando isso,
- 46:15entendeu? Porque que você não está fazendo
- 46:16como se fazia, sei lá, 50 anos atrás, de alguma maneira a gente
- 46:20segue sendo oprimido, tendo um opressor, mesmo que ele não use
- 46:24de força, mesmo que você não se sinta.
- 46:28Seguindo amanada matamo no final, pirei.
- 46:31Não, a gente pode fazer aquela brincadeira de nem toda
- 46:34opressor. Usa capas No No caso, né?
- 46:37Chapéus portugueses franceses, né?
- 46:41Tipo nem todas, herói usa capa. É?
- 46:43Nem todo opressor anda de navio. Nem toda pressor anda de navio,
- 46:47né? Pois é, aí ó.
- 46:48Lá vou anotar mais uma frase, Hein?
- 46:51Ai. Vamos anotando os brindes do
- 46:53Gabriel, que aí está que está. Mas.
- 47:03Vamos continuar na polêmica, Gabriel, e aí eu vou puxar por
- 47:06você que eu já vi que você curte uma polêmica.
- 47:09O milho, o milho. Hoje é a polêmica na cerveja
- 47:16nacional. Assim, a galera leva muito a
- 47:18Sério. Cerveja de milho não é cerveja,
- 47:20né? E a gente quer falar um pouco da
- 47:22história do milho na América do sul e as bebidas nas quais ele é
- 47:27utilizado, conta pra gente, Gabriel, o que que se pode
- 47:29trazer? Então vamos lá, o mínimo, ele
- 47:32tem uma dispersão muito grande há muitos milênios e hoje é um
- 47:36dos cereais mais disseminados do mundo também.
- 47:38Eu acho que é o cereal americano com maior dispersão do mundo, e
- 47:41não só como um cereal base de farinha e tal.
- 47:43Ele também serve pra você fazer xarope que vai um Monte de
- 47:45aditivo de indústria alimentícia e tal.
- 47:47Umas pesquisas interessantes que saíram recentemente fizeram,
- 47:50inclusive análises genéticas. É de.
- 47:52Amostras de milho hoje, e um parêntese selvagem pra ver como
- 47:56foi esse processo de domesticação do milho pra
- 47:59algumas populações, e isso no México, né?
- 48:01No nas terras altas mexicanas, eles chamam.
- 48:03E como isso foi sendo disseminado ao longo do
- 48:05continente? Aí você vê diferentes marchas de
- 48:08populações, né? Numa povoação desse continente
- 48:10que vem lá do Estreito de Bering, inclusive também tem
- 48:13outros estudos genéticos que são coisas muito legais do
- 48:16sambaquias no litoral brasileiro, que são esses Montes
- 48:19que congregam Conchas, congregam objetos de devoção, objetos de
- 48:23alimentação e restos humanos. Para você ver também que há uma
- 48:27correspondência genética desses povos que estão ali no litoral
- 48:29de Santa Catarina, com gente que tá com outros ré.
- 48:33Os restos humanos de populações da América central.
- 48:35De 3000 anos antes e tal. Enfim, o milho tem esses
- 48:38movimentos de expressão pelo continente.
- 48:40Quando ele tem uma segunda dispersão importante, que é mais
- 48:43ou −6000 anos antes de Cristo. Então, nos 8000 anos atrás,
- 48:47quando ele chega no Peru e no Oeste da Amazônia brasileira, é
- 48:51mais ou menos quando ele vai começar também a ser um alimento
- 48:54importante, um alimento central para estas culturas.
- 48:56É quando a gente tem os registros mais antigos,
- 48:59arqueológicos na Amazônia brasileira, de utensílios, de
- 49:04preparo e consumo de bebidas. Então a gente pode supor que o
- 49:08milho é um ingrediente importantíssimo para bebidas a
- 49:116000 anos atrás e ele tem. Aí?
- 49:14Importância maior, Eu Acredito nas comunidades da América do
- 49:16sul, com algumas sobreposições de jeitos EE denominações.
- 49:21Mas ele vai se alastrando e, assim como fazia-se bebida de
- 49:24tudo quanto é coisa, fazia-se bebida de milho, de tudo quanto
- 49:28é jeito. Então, por exemplo, a gente tem
- 49:29a denominação de Teacher, que a gente associa com ao Tite, é
- 49:33morada hoje, por exemplo, do Peru, que é um refrigerante,
- 49:36basicamente, mas a tictia, como fez a coisa linda e a cairós é
- 49:41também uma cerveja, um fermentado ancestral.
- 49:44E no Brasil a gente tem outras variações, né?
- 49:47Outras bebidas feitas de milho com seus respectivos nomes, seus
- 49:50respectivos contextos e as suas respectivas comunidades.
- 49:54Inclusive, já voltando para o nosso período colonial, tem 11
- 49:58escrivão, alguém que estava na frota do Cabral, que depois
- 50:01acabou publicando um ato notarial dessa viagem 1503.
- 50:04Ele é alemão, mas o nome dele está portuguesado como Valentim
- 50:06Fernandes e ele registra. Já em 1500, que os povos com
- 50:10quem eles entraram em contato na Costa da Bahia faziam vinho de
- 50:12milho. Olha só.
- 50:15Caramba. E aí a polémica e o Rafa, acho
- 50:18que ele tem um insight bom sobre isso, porque que o milho é tão
- 50:21polêmico no ambiente cervejeiro hoje?
- 50:24Diga lá, Rafinha, é. Bom, isso aqui são conversas que
- 50:26a gente já teve, enfim, conversa bem regadas a cerveja.
- 50:30Né? Uhum.
- 50:31Bom, esse aspecto primeiro, voltando lá a classificação, né?
- 50:34Pensar tudo fermentado de grão é cerveja, o que que é?
- 50:39Como que a gente define, né? Muito da concepção, né, das
- 50:43pessoas hoje, do que a cerveja? Se, como o Leandro disse, né
- 50:46não, não é o que que quer? Leia um pouco inclusive né, da
- 50:50tal lei de pureza, né, da bavieri e tal, de 1516, e a
- 50:54gente tem que relativizar demais, né?
- 50:55Assim porque o que é que foi aquela lei, o que que é o ducado
- 51:00da Baviera no século 16 na Alemanha, o que que é a
- 51:03Alemanha, né? Naquele período, a Alemanha é 11
- 51:05retalho imenso de. Mais de 500 reinos, pequenos
- 51:11reinos, então isso tem uma abrangência muito pequena ali,
- 51:15né? Quer dizer, isso vai ganhar
- 51:17alguma relevância no século 20 e tal, assim como algo que vai, de
- 51:21algum modo, pra além daquele Reino, as pessoas olharem com
- 51:26isso. Então assim, primeiro a gente
- 51:28tem que pensar, o que que, o que que é isso?
- 51:30E aí, o que a gente pensa de de lei de pureza, enfim, que é
- 51:33interessante, como como, né um Marco ali, mas a gente tem que
- 51:36relativizar o que que é a Alemanha naquela época que é a
- 51:39Baviera naquela época, né? Senão a gente tem também AA
- 51:43ideia que em toda a Alemanha em 1516, todo mundo passou a fazer
- 51:46isso, por outro lado, né? IA pensar assim nesse momento
- 51:49histórico, aí principalmente, já que já vindo pra América o
- 51:52período colonial, há uma. Espécie de hierarquia dos
- 51:58alimentos de uma hierarquia dos grãos.
- 52:00Porquê, né? Tipo pensando aqui Oo olhar
- 52:04desses colonizadores que durante muito tempo viram o trigo como
- 52:10aquele, o principal grão e o grão mais refinado, o grão mais
- 52:17importante, o mais valorizado. E quando eles vêm pra América,
- 52:21eles ainda tem como parâmetro essa essa hierarquia.
- 52:25Então o melhor pão, que é o pão de trigo e a melhor bebida, não
- 52:30é de milho, o milho. Ele, ele acaba sendo colocado
- 52:34também dentro dessa hierarquia como um grão inferior, tendo em
- 52:38vista o da cevada. Então vai haver durante muito
- 52:41tempo um certo desprezo em relação ao que é da Terra.
- 52:46Havia uma a gente pode dizer assim, num período colonial tem
- 52:50uma classificação pra gente falar de classificação, aquilo
- 52:52que é da Terra que é da do Brasil, da América, aquilo.
- 52:56Reino, Portugal e aquilo que é da Costa que é da África, né?
- 53:00Então você tem essa classificação do da Terra, do
- 53:02Reino e da Costa, então aquilo que é da Terra muitas vezes é
- 53:06desvalorizado em relação àquilo que é do Reino, né?
- 53:10O que é uhum da Europa e tal dentro dessa hierarquia que se
- 53:14cria? Vira-latismo.
- 53:15Isso a gente faz em relação à carne.
- 53:18E os outros tipos de alimentos que a gente fala, Ah, isso é uma
- 53:21coisa nobre aí, isso é uma coisa não nobre.
- 53:24O interessante é, se a gente for pensar na comida do do modo
- 53:26geral, né? Muitos cozinheiros, inclusive da
- 53:30gastronomia, o que que eles fazem, né?
- 53:32Eles pegam uma carne ou um tipo de alimento que é considerado
- 53:36não nobre ou pouco valorizado. Refinam ele e jogam ele num num
- 53:40num restaurante de alta gastronomia.
- 53:42Você fala, nossa, tá comendo miúdos aqui, olha o que ele fez
- 53:45com miúdos, quer dizer, é um movimento de pensar essa
- 53:47hierarquia e como que a gente trabalha eles e muitas vezes,
- 53:51né? A gente acaba reproduzindo um
- 53:52pouco essa hierarquia, desvalorizando alguns.
- 53:56Grãos, enfim, tem o nosso. Lembrando que o nosso gosto no
- 53:59sentido de preferência ele também é historicamente
- 54:02constituído, né? E muito do que a gente gosta e
- 54:05não gosta vem do que a gente atribui de valor a essa coisa.
- 54:08E enfim, aqui, colocando pra vocês uma discussão também.
- 54:12Mas eu acho que durante muito tempo o milho sempre foi visto
- 54:15como esse grão inferior do que é acevada ou mas pra fazer pão do
- 54:19que que é o trigo? E ele continua tendo esse lugar,
- 54:24que inclusive impede que as pessoas testem, porque às vezes
- 54:27tem até pouco teste, tem. Utilizadas na grande indústria
- 54:31de cerveja, mas pouca gente tá tentando fazer algo diferente,
- 54:35algo legal, quer dizer trabalhar isso?
- 54:38Esse grão ou outros grão, outros ingredientes de outras maneiras
- 54:41pra aí a gente chegar no produto equilibrado, gostoso, enfim,
- 54:45então eu acho que só o mirt sofre muito desse estigma,
- 54:48digamos assim. Colaram a placa nas costas do
- 54:51milho, falando que ele era feio, aí acabou.
- 54:53Já era. Ótimo assim.
- 54:54Entendeu? Colaram lá tipo, ó, não presta.
- 54:58Mili e milho não dá, não, não, não.
- 54:59E aí está ele carregando essa mochila pesada aí, gente.
- 55:04Tomando chute na bunda toda vez que ele passa no corredor.
- 55:07Toda hora, toda hora. É aquela reputação de aditivo
- 55:10vagabundo, né? Que não pode ter uma série de
- 55:12possibilidades e aí, inclusive, essas possibilidades já foram
- 55:16exploradas no passado. No passado do Brasil no passado
- 55:19cervejeiro, né? Não mais esse passado ancestral,
- 55:21uhum. Mas em meados do século 19, você
- 55:23tem algumas instâncias, inclusive, é uma das mais
- 55:26antigas que eu encontrei. É uma discussão no parlamento
- 55:29que os caras estão lambrando assim, porrada, tá lembrando os
- 55:32caras tão descendo a lenha no mau negócio que o Império do
- 55:35Brasil fez com os ingleses, que basicamente impunha importações
- 55:38de produtos ingleses e não estabeleciam uma isonomia, não
- 55:41estabeleceu 11 acordo bom pra também mandar produtos pra lá e
- 55:44de imposição de impostos pra esse produto.
- 55:47Aí o cara veio e fala assim, pra que que a gente vai ficar
- 55:49comprando cerv desses caras aqui?
- 55:51A gente faz cerveja muito boa, de milho e arroz que eles mandam
- 55:55em cerveja pra cá, pagando 60% de imposto, uhum e 100842 uhum e
- 56:00mais adiante, você também tem instâncias, um pessoal de Nova
- 56:04Friburgo. Os remes, dorf, os caras eram
- 56:06vendedores de fubá Mimoso, mas tem um livro que é de um cara
- 56:09que ele é sócio da sociedade Auxiliadora, da indústria
- 56:12nacional, e ele publica uma história das Plantas medicinais
- 56:14de gozo no Brasil e ele fala que esses ramos dorf, faziam cerveja
- 56:18de milho malteado tanto de fermentação espontânea quanto
- 56:22por inócuo. É de levedura cervejeiro.
- 56:25Isso em 71. Olha só.
- 56:26E aí, mais um pouquinho adiante, em 1875, 2 jornais cariocas
- 56:29estão reproduzindo um relatório do Ministério da agricultura da
- 56:32agricultura sobre uma exposição de produtos que rolou em
- 56:35Joinville. E uma cervejaria de uma viúva,
- 56:40Schmidt, e esse lance da viúva é interessante.
- 56:42Depois a gente pode comentar sobre isso.
- 56:44Ganhou uma medalha nessa exposição pelo seu produto de
- 56:47cerveja de milho. Então esse estigma eu acho que
- 56:50ele é do século 20. Ele vem na esteira da
- 56:53disseminação das American lagers, talvez, e acho que ele é
- 56:57pode ser desconstruído, penso eu.
- 56:59Tomara Deus meus amigos, tomara Deus.
- 57:01Precisamos é, já passamos desse ponto.
- 57:04Precisa. Precisamos, é para isso que a
- 57:06gente faz esse programa aqui, Leandro.
- 57:07Para desmistificar menos e milhos.
- 57:10A gente vai caminhar para a última pergunta deste papo aqui,
- 57:14mas só para quem não é messenas, porque quem é mesmo recebe
- 57:17conteúdo extra e exclusivo no nosso grupo do WhatsApp.
- 57:21Então vira e mexenas. Você também vem para o mecenas,
- 57:25você também vem? Bom, impossível falar de cerveja
- 57:30e não falar de lúpulo. Afinal, a gente está no surras
- 57:33de lúpulo, não no surra de milho, não no surra de malte,
- 57:36não no surra de trigo. Então, assim, num programa
- 57:40gravado com o nosso amigo historiador Sérgio barra, já
- 57:42falamos muito dele. Ele nos falou sobre o cultivo de
- 57:45lúpulo no Brasil há muitos anos e que depois dessa cultura se
- 57:49perdeu, se estende informação a falar sobre isso, já que estamos
- 57:53vivendo um novo boom, uma nova explosão do cultivo de lúpulo no
- 57:57nosso país. Então quer começar, Rafael?
- 58:00Eu vou começar, já que estamos aqui no surra de lúpulo,
- 58:03colocando 11 questão interessante, a meu ver, pelo
- 58:06menos sobre AA tal da lei de pureza que a gente comentava
- 58:11antes, porque durante muito tempo.
- 58:14Se falou muito, né? Que a lei de pureza tinha a ver
- 58:17com uma certa proteção do trigo, né?
- 58:19Que seria utilizado e que eles gostariam, né?
- 58:22De utilizar o trigo, né? Pra fazer pão?
- 58:25Então você precisava, de algum modo, proteger o trigo de outros
- 58:29usos pra não ter falta de pão e por isso você teria impedido que
- 58:32ele fosse usado pra fabricação de cerveja, colocando, né?
- 58:36O malte de cevada e é interessante que essas
- 58:39interpretações elas têm mudado e tem um pessoal que tem defendido
- 58:43que, na verdade, a questão não era o.
- 58:45Trigo, né? Nem a cevada.
- 58:47Mas era justamente o lúpulo, porque antes havia outras formas
- 58:50de dar amarguard nessa bebida. 11 geralmente, essas pessoas
- 58:54tinham um conjunto de ervas que elas utilizavam.
- 58:58O chamado grue, né? Em francês, grruet em alemão.
- 59:02E que, na verdade, toda a questão era o lúpulo, né?
- 59:05Era você colocar o lúpulo como esse ingrediente fundamental da
- 59:09cerveja. Então que aí foi AA preocupação
- 59:12ali, naquele Reinaldo voltando. AA relativizar isso era muito
- 59:15mais a questão do. Lucro do que a questão.
- 59:17Do malth ou do trigo? Enfim, são um pouco que que tem
- 59:20a ver com essas interpretações e que tem a ver diretamente com a
- 59:23utilização do lúpus e sua importância.
- 59:26É um ponto legal também. Eu prometo que já volto pro
- 59:28Brasil, gente, mas é o que eu acabei de me lembrar sobre isso
- 59:31no inglês, a gente tem AAA diferenciação entre yel e Bird e
- 59:35hoje a gente geralmente faz essa diferenciação pelo processo de
- 59:38fermentação baixa ou alta fermentação mais.
- 59:41Entre o século 1617, até porque a adição de lúpulo é uma coisa
- 59:46continental, e não inglesa. Bier significava essa cerveja
- 59:50lupulada que vinha do continente e a Yale era a cerveja não
- 59:53lupulada, então era. É, era uma outra distinção da
- 59:56própria língua desse período. E aí, até em registros no
- 1:00:00Brasil, acho que tem uma da década de 1840, ou é?
- 1:00:02Acho que é 1840 e poucos que fala lá, eu é cerveja sem adição
- 1:00:05de lúparus e essa percepção durou bastante tempo também.
- 1:00:09Mas voltando ao caso do Brasil, é interessante.
- 1:00:12A gente vê 2 movimentos distintos e tentativas mais ou
- 1:00:15menos contemporâneas de introdução do cultivo de lucro
- 1:00:18que eles chamavam de ensaios, como acontece no Rio Grande do
- 1:00:21Sul, especialmente na colônia de São Leopoldo, que é uma pioneira
- 1:00:24também antes das primeiras fábricas no Rio, na década de
- 1:00:271830, você tem um pessoal dessa comunidade que abre um Armazém
- 1:00:30de Secos & Molhados. Você tem notícia de uma produção
- 1:00:33de cerveja para suprir aquela demanda muito pontual e você
- 1:00:36também tem iniciativa, digamos. Oficiais assim, pra se
- 1:00:42introduzir o lúpulo, que contaram, inclusive com apoio do
- 1:00:44Jardim Botânico. Estudo no final da década de
- 1:00:461861, caborro, que era um Comendador, eu não vou ficar me
- 1:00:50atendo muito aqui a nomes, mas ele foi pra uma exposição
- 1:00:52Internacional em Paris. Ele já era dono de uma fábrica
- 1:00:55de cerveja, viu que aquilo seria uma introdução possível e
- 1:00:58encomendou mudas de lúpulo em 2 momentos pra vir pro Brasil.
- 1:01:02Ele plantava aquilo no quintal da fábrica dele, também deu
- 1:01:05mudas pro imperial instituto Fluminense de agricultura também
- 1:01:08contou com apoio do Jardim Botânico, mandou mudas até pra
- 1:01:12Juiz de Fora que tinha uma escola agrícola, mas por mais
- 1:01:15que essas experiências, elas tenham notícias de que ela
- 1:01:17tenham sido positivas, que de repente você vê que o cultivo
- 1:01:20vai vingar, você também distribui algumas mudas pra quem
- 1:01:23estava ali em volta do Rio de Janeiro, tem gente de Curitiba
- 1:01:26que imediatamente pede envio de semente, tem gente de Santa
- 1:01:30Catarina que também pede o envio dessas sementes, essa iniciativa
- 1:01:32meio que vai enganando e ao mesmo tempo a iniciativa lá de
- 1:01:36São Leopoldo tem 11 dos descendentes dos gestores da
- 1:01:38colônia que já no. Século 20, e isso é uma
- 1:01:42informação que o Sérgio coletou. Ele é muito bom.
- 1:01:45Ele, várias coisas que às vezes a gente começa a investigar.
- 1:01:47Dá uma chegada lá na coluna dele, do guia da cerveja e fala
- 1:01:50assim, pô, esse cara já, já adiantou esse assunto que é uma
- 1:01:52beleza, né? Aham, mas aí, às vezes, em
- 1:01:54algumas coisas a gente consegue se aprofundar um pouquinho mais.
- 1:01:57E aí Oo um dos descendentes dos responsáveis por essa colônia
- 1:02:00vai dizer que com a morte de um dos patriarcas, na década de
- 1:02:041870, as pessoas vão perdendo o interesse pelo cultivo e ele
- 1:02:07acabou se minguando lá também. Mas eu acho que Oo interessante
- 1:02:10de notar é que o ímpeto no Rio Grande do Sul me parece uma
- 1:02:13tentativa de manutenção desses padrões de consumo culturalmente
- 1:02:16alemães, né? De você ter aquele ingrediente
- 1:02:19ali, uhum, você tem uma proliferação de feitores de
- 1:02:21cerveja Na Na região, mas ela não necessariamente almeja uma
- 1:02:26dimensão que alcance todo o país pra você vender para as outras
- 1:02:30províncias e no Rio de Janeiro você tem esses vários esforços
- 1:02:32industriais e agrícolas de tentar.
- 1:02:36Fazer com que seja uma indústria potentosa, que também alcance,
- 1:02:41quem sabe um mercado Internacional é 11 tecla, que
- 1:02:44sempre se bate no século 19 é que a maior Riqueza do país é a
- 1:02:47agricultura. Então, já vinha se reconhecendo
- 1:02:49também entre os os anos 1860 70 que a indústria de cerveja vinha
- 1:02:52crescendo. Uma grande Barreira para isso
- 1:02:55era a necessidade de importação dos insumos, né?
- 1:02:57Inclusive, há 111 política tributária muito mal calibrada,
- 1:03:00porque os caras falam, vamos proteger a indústria nacional,
- 1:03:03então vamos taxar tudo que vem de fora, mas aí você precisa dos
- 1:03:06ingredientes que vem de fora, então você tem que repassar
- 1:03:08aquele preço caro pro seu consumidor e nisso a indústria
- 1:03:10segue engatinhando por conta desse planejamento.
- 1:03:16De centavos, né? E aí, o discurso em favor do
- 1:03:19lúpulo também. Ele é bem nacionalista.
- 1:03:21Você vê que a cerveja nesses ciclos oficiais ela não é vista
- 1:03:23como algo negativo, como algum tipo de produto inferior
- 1:03:27comparado ao vinho comparado outras coisas, mas ele acaba não
- 1:03:30vindo, né? A gente simplesmente para de
- 1:03:32ouvir falar sobre o cultivo de louco nessas publicações do
- 1:03:35instituto de agricultura, da sociedade Auxiliadora, da
- 1:03:38indústria nacional e outros periódicos dessa época.
- 1:03:40Perfeito. A gente vai encerrar o programa
- 1:03:47aqui, mas agradecemos demais a presença do Gabriel e do Rafael,
- 1:03:50que foi muito importante essa. Tanto sobre isso, eu queria
- 1:03:54agradecer mais uma vez a presença de vocês aqui.
- 1:03:56Foi um prazer. Temendo, vou deixar você se
- 1:03:58despedirem, mas antes eu vou encerrar o programa agradecendo
- 1:04:02aos nossos mecenas que nos ajudam a manter a Independência
- 1:04:04criativa e a casa arrumada com o conteúdo incrível.
- 1:04:07Toda semana. Então, obrigada Paulo Oliveira,
- 1:04:10obrigada Sérgio barra, Gabriela, Lando, Juliana Aquino, Magno
- 1:04:14rocha e Jara Pinheiro. Por favor, eu queria que Gabriel
- 1:04:17e Rafael, os Anjos que estavam aqui para nos ajudar, gostaria.
- 1:04:22Que vocês se despedissem dos nossos ouvintes?
- 1:04:25Bom gente, para mim foi um prazerzaço estar aqui.
- 1:04:28Eu realmente sou muito fã do programa.
- 1:04:30Eu até tô meio confuso aqui por tá falando tanto e ao mesmo
- 1:04:33tempo ouvindo Leandro e a Lourdes, tanto porque eu tô
- 1:04:36acostumado a só ouvir e a ficar como aquele espectador anônimo.
- 1:04:40E pra mim, que experiência, eu espero que o programa siga por
- 1:04:44muito tempo, prosperando e alcançando cada vez mais gente,
- 1:04:47porque ele é super importante. Eu também queria agradecer
- 1:04:49demais parabenizar vocês pelo pelo trabalho incrível que vocês
- 1:04:53fazem. Foi, foi muito legal estar aqui.
- 1:04:56O público cervejeiro, né? Que eles produzem os amantes da
- 1:04:59cerveja, eles gostam muito de história, eles gostam muito de
- 1:05:02cultura, cultura, cervejeira. Isso é muito legal, é um público
- 1:05:05incrível, é muito legal de dialogar, então é ótimo.
- 1:05:09É ótimo. Eu aproveito para convidar todo
- 1:05:12mundo a seguir nossa página, nosso perfil no Instagram, comer
- 1:05:16história, né? Lá a gente publica sempre
- 1:05:19conteúdos relativos à história da alimentação, de bebidas, mas
- 1:05:23de comida também. Então, convido todos vocês e
- 1:05:27agradeço mais uma vez a oportunidade de estar falando
- 1:05:30aqui. E vem coisa boa em formato de
- 1:05:32áudio aí. Vamos saber para.
- 1:05:38Parabéns, gente. Primeiro pela notícia aí que o
- 1:05:40Gabriel começou a soltar, mas travou.
- 1:05:42Já estou dando parabéns antecipado.
- 1:05:43Muito obrigado por vocês terem estar aqui com a gente trocado,
- 1:05:47toda essa cultura, esse conhecimento vasto, que foi
- 1:05:50muito mais do que um acepipe. Principal esse negócio aqui eu
- 1:05:54fui muito além de um degustador de acepipes históricos.
- 1:05:57Muito obrigado, gente. É isso, Leandro.
- 1:05:59E o que que a gente fala? Então, semana que vem.
- 1:06:01Até semana que vem, meus amigos. Beba menos, beba melhor, beba
- 1:06:13com moderação. Este podcast foi editado por
- 1:06:24play áudios.