Latest / Café com Dungeon / Impacto da Preparação #0048
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- 0:01Eu vou continuar falando aqui com vocês sobre mistério.
- 0:03Na terça passada, a gente, a respeito disso, abordou aqui a
- 0:08diferença entre investigar e criar num RPG de mistério.
- 0:15Mas tem uma distinção importante a ser feita dentro disso que a
- 0:18gente não fez aqui no episódio e que eu me dei conta que é
- 0:22importante fazer uma vez que a gente começou a debater sobre
- 0:25isso no grupo de assinantes do Café com Dungeon.
- 0:29Queria agradecer, inclusive, a galera que participou do debate.
- 0:31Foi um debate muito legal. Então, valeu aí, Diego Sestito.
- 0:34Valeu, Aure. Valeu, Dani.
- 0:37Valeu, galera aí que participou desse debate.
- 0:40O Baiense também. E a gente tem uma diferença
- 0:43importante de fazer aqui, que é em relação à estética do jogador
- 0:48que se percebe investigando o mistério num jogo de RPG e as
- 0:53dinâmicas de jogo relativas a isso.
- 0:56Qual a diferença? Bom, aqui obviamente eu estou
- 1:00abordando essa minúcia a partir daquele framework de game design
- 1:05chamado MDA, aquele modelo. A gente já abordou esse modelo
- 1:10aqui no Café com Dungeon, lá no episódio dois dessa temporada em
- 1:14que a gente indaga esse todo mestre, de jogo é game designer.
- 1:20A gente usa essa lente para entender um pouco.
- 1:23É uma lente que não é cem por cento fiel ao jogo de RPG, mas
- 1:27isso acho que é natural, a gente precisa de certas adaptações
- 1:30quando a gente entende as lentes.
- 1:32Mas o fato é que o MDA diz respeito a mecânicas dinâmicas e
- 1:37a de aesthetics, que começa com A.
- 1:40Essa ideia do MDA diz que o game designer trabalha o jogo a
- 1:45partir das mecânicas que imprimem dinâmicas que são
- 1:48sentidas pelos jogadores na outra ponta como estética.
- 1:54E quando a gente fala de dinâmicas, a gente está falando
- 1:56desse espaço de agência dos jogadores como impresso através
- 2:01das mecânicas e no RPG, em tudo mais que tem essa certa
- 2:04normatividade ou que influencia o jogo.
- 2:09Bom, Se a gente olhar pelo lado da estética do que o jogador
- 2:13sente, quase tudo que ele estiver trabalhando num jogo em
- 2:18que ele vai descobrir vai ser um jogo de investigação.
- 2:21E a gente falou isso no episódio da terça-feira passada.
- 2:25O jogador vai lá e ele vai perguntando as coisas, o mestre
- 2:28vai dizendo o que ele vai enxergando, o que ele vai
- 2:31achando, o que ele vai podendo encarar de pista ou as pessoas
- 2:36envolvidas. O mestre vai fazendo essa
- 2:38interação do jogador com o mundo da ficção e ele vai investigando
- 2:42aquele mistério, até ele de repente conseguir solucionar
- 2:45aquele mistério ou não. Então o jogador, enquanto joga
- 2:50um jogo como esse, ele vai investigando, vai descobrindo,
- 2:54vai desvelando. De certa forma isso acontece
- 2:57quando a gente não está num jogo que pauta a criação de um jogo
- 3:00de mistério como é o Brindlewood Bay e foi sobre isso no episódio
- 3:04da terça passada. E a gente trouxe essa ideia de
- 3:07que você de fato, enquanto jogador, só investiga quando
- 3:12você está trabalhando sobre algo que existe, porque senão você
- 3:15não está investigando, você está criando, co-criando ou
- 3:19provocando a criação. Se o mistério em si está sendo
- 3:25construído conforme joga, não há uma investigação de fato, né?
- 3:31Mas da prática, mesmo que a gente já esteja jogando um
- 3:36módulo pronto de Cthulhu, por exemplo, ou a gente esteja já
- 3:40usando uma preparação muito bem feita que já determina quem é,
- 3:44por exemplo, o assassino dentro de um jogo de mistério, ou qual
- 3:47a resposta para o mistério, mesmo já vendo esse material
- 3:51escrito, se esse conteúdo não aparecer em jogo, ele não faz
- 3:59parte da experiência coletiva da mesa, do mundo jogado.
- 4:04Ele não constitui esse espaço simulado onde acontece o jogo.
- 4:10E aí? O que garante essa verdade
- 4:13investigada que a gente precisa ter para de fato ter uma
- 4:17investigação em nível dinâmico, não em nível estético?
- 4:21Bom... Seria a preparação que garante
- 4:24isso? Você ter escrito quem é o
- 4:27assassino... É o que garante que esse jogo
- 4:30tem algo real para ser investigado?
- 4:33Algo que já existe? Se a gente diz que só há
- 4:36investigação sobre o que existe...
- 4:39E nada ainda foi investigado... Quando o jogo começa você só tem
- 4:42ali a preparação... Então essa preparação é válida?
- 4:44Ela existe? Ela é o que garante essa verdade
- 4:48investigada? Seria isso?
- 4:50Então mesmo que um jogador... mesmo que o jogo jogado,
- 4:54desculpa, mesmo que o jogo que rolou na mesa, construa toda uma
- 4:59lógica e uma verossimilhança com os elementos jogados, diferente
- 5:05do que está na preparação, a preparação ainda é válida?
- 5:10Vamos dizer que o mestre foi lá e errou, ele errou as pistas,
- 5:13ele errou todos os indícios, ele errou. e acabou apontando para
- 5:18outro personagem que teria sido o assassino do mistério.
- 5:22E aí, ainda assim vale a preparação?
- 5:26Bom, e se a gente levar em conta, por exemplo, a lei da
- 5:30mesa, que a gente também apresentou aqui na segunda
- 5:34temporada do Café com Dungeon, já no episódio sobre a realidade
- 5:38do jogo, que a gente investiga aí se o mundo de RPG existe ou
- 5:44não, o episódio de trinta e cinco.
- 5:46A Lei da Mesa diz que a gente só tem uma ficção de fato existindo
- 5:50naquele mundo imaginário coletivo a partir do momento que
- 5:53aquela ficção é citada, é abordada em jogo, é
- 5:56experienciada pelos jogadores. Dentro desse paradigma que só
- 6:02vale o que está na mesa, como é que fica essa coisa da
- 6:05preparação dentro do mistério? A preparação já é realidade?
- 6:11Ela se furta da Lei da Mesa? Ou o fato dela existir, pelo
- 6:17menos mesmo que na cabeça do mestre e de algum jeito ela
- 6:21influenciar o que o mestre vai trazer para a mesa, ela já
- 6:23existe? Acho que vale a pena a gente
- 6:26investigar um pouco a natureza da preparação dentro disso.
- 6:30A partir do gênero de mistério, que é um gênero que estressa
- 6:34isso muito bem e traz muito essa discussão de uma forma bem
- 6:37clara. Quando que a gente está criando
- 6:41um mistério? Quando que a gente está jogando
- 6:43no mistério? Eu sei que na estética é quase
- 6:46sempre um jogo de investigação. A gente sente que está
- 6:48investigando. Mas será que de fato, na
- 6:51dinâmica do jogo, a gente está o tempo todo investigando?
- 6:55Haveria boas práticas associadas a cada momento de dinâmica?
- 6:59Das dinâmicas de investigação e das dinâmicas de criação?
- 7:04E quando entra prep dentro disso?
- 7:06Será que há boas práticas de preparação?
- 7:09É sobre isso o episódio de hoje. Estou preparando um café.
- 7:17Café com o quê? Café com Danjo.
- 7:27Bom dia, amigos do Café com Dungeon.
- 7:29Estamos aqui para mais um episódio do seu podcast matinal
- 7:32favorito, trazendo sempre muito RPG.
- 7:35Meu nome é Rafael Balbi e hoje o meu café foi criado a oitocentos
- 7:39metros de altura, num sítio em Minas.
- 7:42E ele tem notas de mel e cacau. Eu descobri isso lendo a
- 7:45respeito do produtor na internet.
- 7:49Como se eu tivesse perguntado, por exemplo, para o chat GPT e
- 7:52ele alucinasse, me informasse errado, de que, na verdade, esse
- 7:57café tem notas de eucalipto e girassol.
- 8:00Será que a minha experiência teria sido a mesma ou diferente?
- 8:06Já pensou nisso? Bom, o que importa é que o café
- 8:09Ovelha Negra, você não precisa nem entender muito bem quais as
- 8:12notas envolvidas, ainda que você possa...
- 8:14Porque ele é delicioso. Tem várias qualidades para você
- 8:17experimentar. Então você pode ir lá no site.
- 8:22E escolher qual você quer experimentar dessa vez.
- 8:24Então tem várias qualidades. E todas elas são muito
- 8:26interessantes. Com preços variados.
- 8:29Mas tem desde... as mais acessíveis até as mais caras.
- 8:33E para se tornar ainda mais acessível, você pode utilizar o
- 8:35cupom dos ouvintes do Café com Dungeon, que é o cupom CCD, tudo
- 8:39minúsculo. Se você quiser um cupom
- 8:41especial, você pode utilizar os cupons dos assinantes, mas aí
- 8:44para isso você precisa ir lá no apoia.se barra Café com Dungeon
- 8:49e se tornar um assinante. Além disso, você participa de
- 8:51sorteios dos nossos parceiros, recebe conteúdo extra, participa
- 8:54desse grupo de Telegram que tanto debate RPG com
- 8:57profundidade E além disso, você também pode receber outro
- 9:03material e também outros sorteios de outros parceiros
- 9:06também. Beleza?
- 9:07Queria agradecer, inclusive, a galera do RPG Dojo, que é quem
- 9:11proporciona esse episódio das terças nessa temporada.
- 9:16Então, durante três meses aí, os episódios das terças são
- 9:19bancadas por essa galera do RPG Dojo, encabeçados aí pelo Cobb,
- 9:24mas tem aí o Bardal, a Nina, o Marcos Gonçalves, tem aí o
- 9:29Fenrir, tem uma galera grande aí, tem o Grilo, uma galera
- 9:32gente boa e que estuda RPG, pratica RPG, é muito unida ali,
- 9:37então vale a pena você conhecer o RPG Dojo, eu vou deixar o link
- 9:40no descritivo do episódio. E eles estão usando a temática
- 9:44mistério nesse mês agora, nesse ciclo que eles chamam.
- 9:49Então estão investigando pesado o tema e até estou contribuindo
- 9:54aqui com Café com Dungeon, trazendo algumas coisas
- 9:56relativas a isso. Então confere lá RPG Dojo,
- 10:00beleza? Mas vamos começar o episódio aí
- 10:02fazendo a leitura da enquete, né?
- 10:05No último episódio, a gente teve dois episódios agora, né?
- 10:08Intacada na última semana, a gente teve... o episódio de
- 10:13mecânicas de relacionamento com Pedro Borges, depois a gente
- 10:17teve o review sincerão de Tanars RPG, que a galera, também
- 10:23agradeço a galera que financiou o episódio, o review sincerão.
- 10:28Então, pessoal, a gente fez algumas perguntas para vocês e
- 10:31aí o Tito deixou a seguinte enquete.
- 10:35E aí, enquete quando? Quintas-feiras ou todo episódio?
- 10:39Sessenta e dois por cento respondeu que todo episódio.
- 10:43Então, Titão, vamos fazer, de repente, enquete todo episódio?
- 10:46Vamos continuar? E a pergunta qualitativa dos
- 10:50últimos episódios foi, vou trazer alguns variados, o Auro
- 10:54Inflamado, Grande Danilo, O que é interessante é como a relação
- 10:58entre os jogadores normalmente é o mais complexo de resolver.
- 11:00Em muitos jogos o pessoal quer fazer rolagem de perícia para
- 11:04convencer o outro jogador e aí se percebe que essa, como em
- 11:10muitos jogos, não são bem resolvidos nessa parada de
- 11:12relacionamento. Por preferência, Gosto que os
- 11:16jogadores tenham um mínimo de relacionamento, pois é muito
- 11:19maneiro ver ele se criando durante o jogo, mas com NPCs
- 11:23podem ser relacionamentos mais estruturados mesmo, pois se
- 11:27torna jogo facilmente. Maneiro, Auri.
- 11:30Isso aí é sobre mecânica de relacionamento, né?
- 11:32Já o Carlos Hentes, ele falou que, em conflito, cada D-VI com
- 11:36resultado VI permite ao jogador acrescentar um detalhe ao
- 11:39objetivo conquistado pelo personagem.
- 11:42Em histórias de mistério, isso pode incluir afirmações
- 11:45conclusivas sobre uma investigação ou perguntas feitas
- 11:48pelo jogador que devem ser respondidas com sinceridade pelo
- 11:51moderador. É uma ideia adaptada e
- 11:53emprestada de Blood Honor. É, é interessante.
- 11:56Eu acho muito mecânico, talvez, mas para certos jogos funciona
- 11:59certamente. Carlos, um abraço.
- 12:01O Fenrir falou... Eu amei o episódio.
- 12:03Eu não vou mentir. Todos os dias me pego lendo
- 12:06algum capítulo novo do Tanaris. Eu amei o quão rico o cenário é.
- 12:10E sobre essa mecânica de times e sandbox, então acho que você vai
- 12:14curtir o Guia de Bicos de Tanaris.
- 12:15Eu não quero espoilar, mas muito do que foi citado como bacana
- 12:19aparece lá também. Desde portais a explorações de
- 12:22ambientes, entre outros. Eu fiquei todo bobo em ser
- 12:25citado em outro episódio. Tamo junto, Fenrir.
- 12:28Eu gostei muito dessa questão de times sendo box, até citei no
- 12:33episódio. Acho que isso podia ser, não
- 12:35regra opcional, isso podia ser, na verdade, o fio condutor de
- 12:39uma veia de inovação no Tanaris. Mas tem aí, é maneiro e é legal
- 12:43que possa se abordar em Spatbook.
- 12:45Maneiro. Olha só, eu nem ouvi de umas
- 12:53coisas que eu não tô gostando nada.
- 12:55Aquela elferbalista lá, Carissa, falou que margeando a bacia do
- 13:00Peralta, passando pelo Monte Kibe, eles descobriram que do
- 13:04outro lado tem um rio forte que deságua.
- 13:07Seguindo esse rio, eles chegaram numa tal de Vila Valéria lá, a
- 13:11terra dos elfos. Eu não gosto de elfo.
- 13:16Espero que eles não venham pra cá.
- 13:19E tem mais, um tal de Eusébio dos Novos Baravalhas, ele tava
- 13:25falando que chegou um conde, sei lá da onde, mas que tá
- 13:28procurando aquela famosa prata estelar.
- 13:32Não é o Lambari que tem esses negócios aí, aqueles amigos
- 13:35dele? Bom, se achar prata estelar aí,
- 13:39parece que o conde compra. E se achar um lugar que tem
- 13:41prata estelar, me chama, tá bom? Esse e tantos outros são rumores
- 13:48vindos do jogo do mundo aberto de Biergotten.
- 13:51Se você quiser explorar aventuras como essa, trai
- 13:56inteiramente de graça no nosso grupo.
- 13:59Siga o link lá no descritivo do episódio e jogue Biergotten com
- 14:03a gente. Vamos explorar Biergotten.
- 14:22Não me interessa nada disso aí, cara.
- 14:23Estava aqui anotado. Eu preparei isso aí antes.
- 14:29Vamos lá, galera, vamos começar o episódio trazendo aqui essa
- 14:33questão, né? Qual o impacto da preparação no
- 14:36jogo de mistério? Na verdade, no jogo de mistério
- 14:39não, no jogo como um todo, né? Mas na investigação, no jogo de
- 14:43mistério principalmente. Vamos lá.
- 14:45Bom, primeiro eu quero trazer essa questão da estética e da
- 14:49dinâmica, né? Mais uma vez, falando do MDA, o
- 14:53modelo MDA que o pessoal usa, eu vou deixar linkado no descritivo
- 14:56do episódio. para vocês conhecerem o modelo MDA, caso
- 15:00vocês queiram entender melhor. Mas o fato é que a gente tem
- 15:03esse M de mecânica, D de dinâmica e A de aesthetics.
- 15:08A aesthetics que se escreve, então, fica MDA, mecânica
- 15:12dinâmica e estética. O game designer estaria na ponta
- 15:15esquerda, mais próximo do M. Então ele trabalha mais as
- 15:19mecânicas. No RPG a gente pode dizer que
- 15:21ele trabalha as mecânicas e outras influências mecânicas.
- 15:24normativas para o jogo, para que se imprima determinado espaço
- 15:29dinâmico ali, que as dinâmicas de jogo ocorram de determinada
- 15:34forma. O game designer tenta pautar a
- 15:36experiência que acontece justamente através do uso desse
- 15:40espaço dinâmico. E o jogador sente a estética, ou
- 15:43seja, como ele sente, como ele percebe o jogo.
- 15:46E em jogos de mistério e investigação, a gente está
- 15:49dizendo que o jogador vai se sentir investigando esse
- 15:51mistério. Seja ele criando um mistério,
- 15:55que não existe, que a coisa vai ser toda delimitada durante o
- 16:00jogo, como é o Grindelwald Bay, como é um pouco, de certa forma,
- 16:04o fiasco, pode ser também. Mas em outros jogos você vai
- 16:07descobrindo o que está acontecendo, as relações entre
- 16:10as coisas, você vai descobrindo ali durante o jogo.
- 16:13Então pode ser que você tenha ali algumas coisas a serem
- 16:18descobertas porque vocês estão contando uma história em grupo.
- 16:22E ainda assim pode ter um certo sentimento de que você está
- 16:25investigando alguma coisa, mas quando a gente fala de jogos de
- 16:27investigação e mistério, muita gente está pensando em você
- 16:31experimentar essa descoberta, de você investigar um assassinato
- 16:36que já existe, já tem um culpado, já tem um mundo que
- 16:40funciona em cima disso, já tem toda uma orquestração. em cima
- 16:44disso e o que você vai investigar.
- 16:45Essa é a estética que se busca quando você fala em investigar
- 16:48um mistério. Você está falando de uma
- 16:51estética de construir uma história de mistério, que é
- 16:53muito legal também, mas é outra coisa.
- 16:56Agora, dentro dessa história de a gente sentir como jogador que
- 17:00a gente está investigando, ainda assim, existe uma discussão
- 17:04interessante. Por quê?
- 17:06Lá no Grupo do Café, a gente estava trocando ideia a respeito
- 17:11dessa questão de Justamente da gente entender na minúcia do
- 17:16jogo, ou seja, na parte mais dinâmica ali, se isso realmente
- 17:23corresponde ao sentimento do jogador enquanto investiga.
- 17:27Então vamos dizer que o jogador resolve, de repente, falar com
- 17:32um sujeito que está louco lá no manicômio.
- 17:35Faria todo sentido do mundo que aquele louco do manicômio, de
- 17:41repente, tivesse informação sobre o mistério, dentro do que
- 17:45já foi investigado no jogo. Então o jogador resolve ir lá.
- 17:47Só que o mestre nunca preparou isso.
- 17:49O mestre, de repente, nunca pensou nessa possibilidade de
- 17:52que o jogador fosse até lá falar com aquele louco lá, aquele cara
- 17:55que está internado lá. que está com algum episódio e precisou
- 18:00ser tratado ali, e o jogador resolve investigar com aquele
- 18:03sujeito e descobre alguma coisa interessante.
- 18:06E aí? Essa vontade de buscar isso foi
- 18:08do jogador. O mestre respondeu a isso, e
- 18:12aquela realidade foi cozinhada no jogo, por assim dizer.
- 18:15Ela passou a existir naquele momento.
- 18:19Ora, se a gente falou lá atrás que para você investigar alguma
- 18:22coisa, essa coisa precisa existir, O fato do mestre ter
- 18:27criado junto com o jogador esse manicômio e essa pessoa que está
- 18:30ali internada durante um tempo, aquilo não foi criado naquele
- 18:34momento? Então, como ele pôde ser
- 18:36investigado? Dentro da estética, o jogador
- 18:41investigou, ele sentiu que investigou.
- 18:44Mas na dinâmica, aquilo no fundo foi criado, né?
- 18:46Dá pra gente discutir, a gente até teve essa discussão ainda
- 18:49mais minuciosa, né? De quem teria de fato criado
- 18:53isso, se era uma criação do jogador ou do mestre.
- 18:55A gente pode até falar em cocriação.
- 18:57Mas de forma geral, eu costumo dizer que o jogador provocou o
- 19:02mestre, né? Naquele ponto.
- 19:04Então a gente pode dizer que é uma criação do jogador
- 19:07indiretamente, né? fez todo o sentido do mundo no
- 19:10jogo, o jogador aproveitou aquilo para tentar solucionar o
- 19:14mistério, então ele jogou para superar o desafio, ele usou a
- 19:19reivindicação ficcional, ele construiu aquela ficção de forma
- 19:24a resolver o mistério, e o mestre aceitou porque faz todo
- 19:27sentido do mundo. Seria até estranho que aquilo
- 19:29ali não acontecesse daquela forma, então o mestre tocou, ele
- 19:33jogou, ele seguiu o jogo. Daria para dizer que é uma
- 19:36criação indireta do jogador, eu acredito nisso, ainda que a
- 19:40gente tenha discutido bastante isso lá no grupo do Café.
- 19:44Mas o fato é que dentro disso a gente tem aí essa diferença
- 19:50entre a estética do descobrir e a dinâmica do descobrir e do
- 19:55criar. Existe uma minúcia aí.
- 19:59Na dinâmica, a gente quase sempre, é bem dizer, no RPG, a
- 20:02gente está criando quase sempre. Por quê?
- 20:05Porque se a gente só vai investigar alguma coisa que já
- 20:09existe, as coisas que já existem são aquelas que já foram
- 20:13reivindicadas sobre a ficção, aquela ficção que já entrou em
- 20:16jogo e já virou repertório. E muitas vezes a gente está
- 20:21dando detalhes e falando de coisas e trazendo novidades para
- 20:25o jogo que não viraram nada ainda citado no jogo.
- 20:30Então se a gente vai citar pela primeira vez alguma coisa, se a
- 20:33gente vai descrever alguma coisa pela primeira vez, se a gente
- 20:36vai mencionar alguma coisa pela primeira vez, aquilo ali está
- 20:41passando a existir naquele momento, então está sendo
- 20:43criado. E dá para a gente dizer que
- 20:45tanto o mestre quanto os jogadores criam grande parte do
- 20:48jogo, toda a sessão. Muitas vezes eles vão utilizar o
- 20:52repertório já criado, mas muito se cria.
- 20:55Então, se a gente assumir esse olhar através da dinâmica de
- 20:59jogo, de forma geral, na dinâmica de jogo, quase todo
- 21:03mundo está criando o tempo todo. Logo, o jogo de investigação,
- 21:08ele precisa que a investigação, esse sentimento da investigação,
- 21:11ocorra sobre alguma coisa que foi criada também.
- 21:14E como é que funciona isso na prática, né?
- 21:16Como é que isso se dá durante o jogo?
- 21:20A gente chegou a dar uma olhada sobre a Lei da Mesa, né?
- 21:22Que foi esse episódio que eu citei, né?
- 21:26Do seu mundo de jogo não existe, né?
- 21:28Seu mundo de RPG não existe, episódio de trinta e cinco.
- 21:30A gente fala da Lei da Mesa, um conceito de oil fantasy, mas que
- 21:33nesse caso eu acho que se aplica a praticamente todo RPG, pelo
- 21:36menos mais tradicional, assim, né?
- 21:40até D&D quinta edição, esses jogos que tem essa vibe do D&D e
- 21:44paralelos, a gente tem de forma geral que o mundo começa a
- 21:50existir somente quando ele é citado, quando ele é citado ele
- 21:52vira repertório e antes disso ele não existe, logo uma
- 21:55preparação, a preparação do mestre, ela não existe.
- 22:00O que está anotado no seu bloco de anotações, o que está anotado
- 22:03no seu Notion, o que está anotado no seu Virtual Tabletop,
- 22:07aquilo só passa a existir a partir do momento que entra em
- 22:10jogo. E a partir do momento que entra
- 22:12em jogo, ele passa a fazer parte daquele mundo compartilhado,
- 22:15imaginário. Antes disso, não.
- 22:18Inclusive, a lei da mesa diz que se alguma coisa entrou em jogo,
- 22:21ela se contradiz com uma anotação do mestre e dane-se a
- 22:23anotação do mestre. O que importa é como entrou em
- 22:26jogo efetivamente. Então, se vale o que aparece na
- 22:31mesa, a lógica lúdica ali, a lógica do que está se jogando, a
- 22:36lógica daquele mistério, ela só vai passar a existir uma vez que
- 22:40ela é estabelecida em mesa. Ou seja, aqueles elementos
- 22:45ficcionais que aparecem, conforme os jogadores e o mestre
- 22:48vão trazendo para o jogo, elas vão criando o sentido próprio do
- 22:52existir e do próprio mistério, em última análise, num jogo
- 22:56dessa natureza. Essa verossimilhança é sentida
- 23:01no jogar, não na prep. Ainda que a sua prep possa fazer
- 23:05sentido para quem lê, para o mestre, etc., ela não faz o
- 23:08mínimo sentido enquanto ela não entrar em jogo porque os
- 23:10jogadores não têm acesso a ela. E aí a gente tem aquela história
- 23:15do John Wick no Sétimo Mar, que eu li no episódio sobre
- 23:20mistérios aqui da última terça-feira, que é o exemplo que
- 23:24ele fala que, bom, quando eu vou jogar um mistério, eu
- 23:27normalmente penso em alguns NPCs que podem ser o assassino ou,
- 23:31sei lá, dando um exemplo, um mistério de assassinato ele
- 23:35pensa em três NPCs que podem ser os assassinos e vê como que as
- 23:39pessoas vão ali achando legal, vão curtindo o jogo, onde é que
- 23:43sei lá, onde é que elas acham mais legal que esteja o
- 23:47assassino, etc e que às vezes ele pode ele até fala, não, você
- 23:51nem precisa na verdade pensar em quem foi, não precisa nem ter
- 23:54três opções de NPC, às vezes simplesmente nem pensa em quem é
- 23:57o assassino, deixa que o assassino apareça durante o jogo
- 24:02Bom, a gente falou, cara, olha só, se você não tem nada
- 24:06determinado como resultado da investigação para aquele
- 24:11mistério, você está fazendo um mistério quântico, que não
- 24:16importa o que os jogadores fizerem, eles sempre vão
- 24:19resolver o mistério. A gente só vai descobrir o como,
- 24:22né, e no fim das contas você tem um desafio que não está sendo
- 24:24contemplado ali, você tem um jogador que está se sentindo
- 24:27desafiado por ilusão, né. Agora, a gente analisando pela
- 24:32lei da mesa, entendendo que o mistério vai ser construído de
- 24:36qualquer forma, isso quer dizer que se todos os indícios
- 24:40apontarem para um personagem X como assassino, toda a lógica
- 24:45inclusive foi levada, foi construída em torno desse
- 24:48personagem X, mais você tem na sua preparação que o personagem
- 24:52Y de fato é o assassino, e você revela pra mesa, bom, o
- 24:56assassino foi Y, por quê? Porque você quer se manter
- 24:59coerente com o que você pensou originalmente?
- 25:02Será que é válido isso? Cara, de forma geral isso é
- 25:05muito problemático, né? Por quê?
- 25:07Porque você acabou conduzindo o jogo pra um personagem que só
- 25:12tava na sua prep, só fazia sentido na sua prep, mas na
- 25:15lógica construída dentro de jogo, o assassino provavelmente
- 25:20seria outro. E qual o problema disso?
- 25:23Muitas vezes o mestre faz isso para poder explodir a cabeça dos
- 25:25jogadores. Ele apresenta todas as provas,
- 25:28ele leva os jogadores a concluírem o assassinato que foi
- 25:31causado por X, quando na verdade o assassino era Y.
- 25:34Aí os jogadores falam, caraca, explodiu a minha mente.
- 25:38Mas isso é problemático, porque nesse ponto, diferente da
- 25:42solução do John Wick, que é uma coisa meio rule of cool, de que
- 25:45o jogador sempre vai estar certo no final das contas, né?
- 25:49Porque ele vai dizer que o assassino é quem os jogadores
- 25:52acham mais legal, mais interessante.
- 25:55Aqui, no caso, o mestre está se atendo à sua preparação e usando
- 26:00ela como garantia de quem era o assassino, sendo que no jogo não
- 26:03se imprimiu isso. Os jogadores não tinham como
- 26:05saber quem era esse assassino de verdade, porque todos os
- 26:08indícios apontaram para outra coisa.
- 26:09E ludicamente... Isso é pobre, isso quebra, isso
- 26:13é antijogo. Os jogadores não tinham como
- 26:15resolver o mistério sobre o qual a relação lúdica se baseia.
- 26:20Isso é problemático por si só. Mas e aí?
- 26:23O John Wick estava certo, então? Acho que para isso a gente
- 26:26precisa analisar um pouco essa questão do mistério quântico.
- 26:30Vamos lá? Bom dia, amigos do Café com
- 26:38Dungeon. Aqui quem fala é o Marcos
- 26:40Gonçalves e eu vim falar pra vocês hoje sobre o RPG do jogo.
- 26:44Eu vou começar contando pra vocês o que eu mais gosto aqui,
- 26:46que é a nossa comunidade. Esse grupo é formado por pessoas
- 26:50extremamente parceiras que estão sempre dispostas a ajudar.
- 26:54A gente tá sempre tirando dúvida e debatendo assuntos que são
- 26:57trazidos aqui por nós mesmos. A troca de conhecimento e
- 27:00experiência que a gente tem aqui é sensacional.
- 27:03A gente está sempre se baseando nas aventuras que cada um teve,
- 27:07a gente está baseando nos conhecimentos que a gente
- 27:09adquiriu ao longo do tempo e a gente está tendo essa troca que
- 27:13agrega muito para a gente. Eu adoro as práticas coletivas
- 27:17que a gente tem. Então, para já entrar nesse
- 27:19assunto, eu vou trazer a minha atividade favorita, que é o
- 27:21kata. No CAP a gente tem uma prática
- 27:24em conjunto, onde a gente coloca a mão na massa e cada um traz um
- 27:28pouquinho ali e a gente vai agregando isso, como se fosse um
- 27:30grande brainstorm. Para encerrar, eu vou fazer um
- 27:34convite para você. Venha conhecer nossos eventos
- 27:36abertos, participa da nossa comunidade no WhatsApp e assista
- 27:41esse um episódio a mais que a gente está tendo nas terças aqui
- 27:44no Café com Dungeon. Eu acho que ele tá inventando
- 28:04tudo isso aí na hora, cara. Para começar a falar do mistério
- 28:11quântico, eu vou falar sobre o ogro quântico.
- 28:14O ogro quântico é um conceito que a galera da USR trabalhou.
- 28:18Eu vou deixar linkado, inclusive, o artigo que meio que
- 28:22começa a falar sobre essa questão do ogro quântico.
- 28:25E acho que é uma questão que os jogos clássicos e tradicionais
- 28:29trazem que vale a pena a gente meditar a respeito, trazendo
- 28:33para outros tipos de jogo também.
- 28:35Quando a gente fala do ogro quântico, a gente está falando
- 28:38que Não importa se os jogadores quando estiverem subindo as
- 28:42colinas resolvam contornar as colinas pela direita ou pela
- 28:46esquerda, por exemplo. Não importa o que eles decidirem
- 28:50dentro do jogo, o mestre sempre vai botar o ogro à frente dos
- 28:55personagens dos jogadores. Esse ogro quântico está sempre
- 28:59no caminho. Se eles estão dentro de uma
- 29:01dungeon e tem duas portas, tem uma porta assim e outra porta
- 29:05assado, não importa qual porta o jogador vai decidir, o ogro
- 29:10estará lá. E qual o problema do Ogro
- 29:12Quântico? O problema do Ogro Quântico,
- 29:15tecnicamente falando, é que não importa a decisão do jogador.
- 29:19Logo, ele não teve agência. A gente fala muito de agência do
- 29:24jogador. E nesse ponto, a gente pode
- 29:26dizer que ele não teve agência porque sua decisão não tem
- 29:30impacto no mundo. Então, independente do que for
- 29:35construído em jogo, o mestre vai imprimir o que ele quer.
- 29:39O mistério quântico seria isso. Não importa o que aconteça em
- 29:43jogo em relação às decisões dos jogadores, é o mestre que está
- 29:46decidindo o que é o assassinato. Quem é o assassino?
- 29:51Qual o mistério? No caso do exemplo do John
- 29:54Wick... O assassino, ele não depende
- 29:58exatamente da lógica construída em torno do jogo.
- 30:01Ele depende do que o mestre tá entendendo que é mais
- 30:04interessante pros jogadores naquele momento.
- 30:07Inclusive, podendo ter aí um mind blow, né?
- 30:10Um momento em que os jogadores pensam que é A, mas no fundo é
- 30:13B, né? Ele comporta isso na lógica
- 30:15dele, nessa construção dele. E aí, nesse ponto...
- 30:20Se os jogadores, obviamente, se os jogadores não importa se eles
- 30:24vão mandar bem na investigação, se eles vão mandar mal na
- 30:27investigação, eles vão descobrir quem é, basta o mestre entender
- 30:32que eles estão achando mais divertido que seja esse
- 30:34assassino. Logo, se tem um mistério que não
- 30:39é resolvível, ele está resolvido.
- 30:41E os jogadores não têm qualquer impacto sobre isso.
- 30:43Logo, esse desafio não existe. E é o problema também do
- 30:47quântico quando o mestre chega e fala que não importa o que vocês
- 30:50fizerem, o assassino vai ser fulano.
- 30:53Não importa se todas as provas indicarem para esse crano, vocês
- 30:57não têm como resolver esse mistério, porque é sempre quem o
- 31:03mestre resolveu previamente e ele não dá elementos para vocês
- 31:05investigarem. Veja bem que nesse caso a gente
- 31:10tem um problema também de agência relativo a informação.
- 31:16O jogador não tem como investigar quem é o assassino de
- 31:20fato, porque o mestre já decidiu que vai dar pistas pro
- 31:23assassino, pra um eventual personagem B, mas o assassino é
- 31:27o personagem A. Então também existe um problema
- 31:29aí de que os jogadores não teriam nem como coletar essas
- 31:32informações, porque o mestre já tá querendo induzir os jogadores
- 31:35pra outro caminho. Então...
- 31:37Os dois casos, tanto o caso do John Wick quanto o caso do Ogro
- 31:42Quântico, o pessoal apoia, são dois recursos que tiram a
- 31:46agência do jogador essencialmente.
- 31:48É claro que isso não se aplica a um jogo em que a gente tem a
- 31:52construção de uma história de mistério e que reviravoltas e
- 31:59casos tipo headherrings e coisas assim possam estar
- 32:03sistematizadas dentro do jogo, principalmente a partir de
- 32:06mecânicas que façam que isso aconteça, e os jogadores vão ter
- 32:09que lidar com o que representa isso dentro daquela história
- 32:14criada, daquela narrativa criada, mas aí é um jogo de
- 32:17criação de uma história, de mistério, não vivenciar um
- 32:20mistério. E aí o impacto desse tipo de
- 32:23jogo, o impacto, na verdade, da... da agência do jogador, ele
- 32:29não está justamente no resultado do mistério.
- 32:34Ele está no quanto o jogador tem de possibilidade de impactar a
- 32:40narrativa final, de criar essa história.
- 32:43Não importa se vai ter um mind blow, se vai ter uma
- 32:45reviravolta, se a trama vai ser jogada para o alto e revirada.
- 32:49Não importa, isso não importa. O que importa é o resultado
- 32:52final da narrativa. Então é outro tipo de jogo.
- 32:57A gente tá falando aqui de um jogo em que você vai investigar
- 32:59um mistério, então você precisa respeitar a agência do jogador
- 33:03em relação a essa investigação, a esse proceder, né?
- 33:07É... Então, voltando ao problema do
- 33:12Wick, se no fundo o mistério está sendo criado em jogo, em
- 33:17termos de dinâmica de jogo, e o John Wick está decidindo na
- 33:23hora, de acordo com o que ele acha mais interessante, não é a
- 33:27lógica da construção desse mistério que vai pautar quem é
- 33:34resolvido no mistério no final. Do mesmo jeito que não importa o
- 33:39que você está investigando do mestre que usa o ogro quântico,
- 33:44não importa o que você está investigando, no fim das contas,
- 33:48quem vai dizer quem é o assassino é o mestre, de acordo
- 33:52com o que ele acha que estava na preparação dele. e aí a gente
- 33:59tem que entender que a resposta para o ogro quântico e aí eu
- 34:04trago de volta a análise do oil fantasy o que que quebra a
- 34:09dinâmica quântica que é problemática nesse ponto é a
- 34:14informação o que quebra é justamente essas reivindicações
- 34:19ficcionais, são esses elementos ficcionais que entram em jogo
- 34:23construindo essa lógica, essa verossimilhança que indica para
- 34:29um resultado, que indica para um assassino específico.
- 34:34Então, de forma geral, se durante o jogo foi construído
- 34:39É... Lastro...
- 34:41Né? Na ficção...
- 34:42De que é o assassino... É o fulano...
- 34:44O assassino é esse fulano... Né?
- 34:47Não importa se na sua prep... É Cicrano que foi o assassino...
- 34:50Né? É...
- 34:52E aí nesse ponto... Joga fora a sua prep...
- 34:54O que importa foi o... O assassino foi construído
- 34:56durante o jogo... Mas isso... encerra um desafio
- 35:00por si só. O mestre está administrando
- 35:03aquelas informações, os jogadores estão coletando
- 35:05aquelas informações, aquilo tudo está sendo colocado em
- 35:08perspectiva comum dentro desse mundo ficcional, e aí isso tem
- 35:12que ser respeitado. Afinal de contas, a gente
- 35:16trabalha de forma geral até a antecipação do desafio e
- 35:20justamente isso acontece para que o jogador tenha agência.
- 35:23Então, o jogador, para ter agência e ter impacto e tudo
- 35:26mais, ele precisa ter acesso a informações relativas a isso.
- 35:29Ou seja, esse mistério tem que ser investigável.
- 35:34Ainda que você possa botar head herrings, que são pistas falsas,
- 35:38o jogador tem que ser capaz de solucionar aquele desafio.
- 35:43Mas e a PrEP? Voltando para a PrEP.
- 35:46Vale a PrEP? Não vale a PrEP?
- 35:48Qual o fundamento dessa PrEP? Bom, acho que vale aqui a gente
- 35:57entender que preparação, no fundo, ela constrói o lastro de
- 36:05segurança para o mestre. Por quê?
- 36:08Porque se o mestre precisa, dentro de um jogo de mistério,
- 36:10ele precisa construir com os jogadores, ele precisa criar com
- 36:15os jogadores esse mistério durante o jogo, nas dinâmicas de
- 36:18jogo, se esse mistério precisa fazer sentido, se aquilo tudo
- 36:23precisa ser verossímil, se ele tem uma coxa de retalho solta,
- 36:27se ele tem um repertório todo bagunçado na cabeça dele, é
- 36:30muito difícil que isso faça sentido durante o jogo também,
- 36:34né? Tem mestre que se você for sem
- 36:37mistério na sua cabeça, então fica mais difícil ainda.
- 36:40Quem fala, ah, não vou nem pensar nesse mistério, a gente
- 36:42vai construindo na hora, a gente vai inventando na hora, é muito
- 36:45fácil você cair na falta de sentido.
- 36:47Mas é justamente essa falta de sentido que vai construir esses
- 36:51sentimentos que você está investigando e vai construir a
- 36:55certeza desse jogo em si, dessa relação lúdica. então a gente
- 37:02pode dizer que uma boa preparação vai fazer com que o
- 37:04mestre esteja seguro de que pistas colocar conforme fizer
- 37:08sentido dentro do jogo de como organizar isso A gente pode
- 37:13dizer que a preparação do mestre para um jogo de mistério, na
- 37:16verdade para qualquer jogo de RPG, ela ajuda o mestre a ter
- 37:21essa coesão e não errar na construção do lastro do mistério
- 37:26na ficção conforme ele interage com os jogadores e faz a
- 37:30interface dos jogadores com esse mundo de aventuras.
- 37:33E isso cria uma relação lúdica sadia, facilita a construção
- 37:37dessa relação lúdica sadia. E se nem o mestre sabe qual
- 37:40mistério que se trata direito, já está resolvido esse mistério.
- 37:46E qual é a resolução desse mistério?
- 37:47Sei lá, a gente vai descobrir e vai estar resolvido ali.
- 37:50Ele não tem chance de falhar. Então, no fundo, não importa
- 37:55também... O que o mestre possa construir
- 38:00ali na preparação dele, aquilo não é um documento para mostrar
- 38:03para a mesa aqui, mas o assassino já estava determinado
- 38:06aqui na minha preparação desde dois mil e oito.
- 38:09Não importa, não importa se o módulo está escrito, o módulo de
- 38:12Cthulhu está escrito aqui. que é assim, assim, assado o mistério.
- 38:15Não importa. O que importa é como o mistério
- 38:17apareceu na mesa, como as informações relativas a esse
- 38:21mistério foram colocadas à disposição dos jogadores e dos
- 38:24desafios que os jogadores precisaram superar para chegar
- 38:26até essas informações e colocá-las em perspectiva.
- 38:30Então o que importa, na verdade, é que o mestre possa pegar essa
- 38:33sua preparação e utilizar em jogo.
- 38:35Se ele não utilizar em jogo essa preparação, ela de nada vale.
- 38:38O que importa é que o jogador possa vasculhar, que ele possa
- 38:41perceber a construção desse mistério enquanto ele joga.
- 38:44Que ele sinta essa verossimilhança, que é isso que
- 38:47vai impactar lá na frente a estética do jogo que a gente
- 38:51está falando. Então, a bem dizer, se a
- 38:57informação coletável pelo jogador e a lógica interna dessa
- 39:02realidade em construção, se é isso que vai construir o
- 39:06mistério no nível dinâmico, no nível lúdico, para além da
- 39:11própria estética do jogador e o seu sentimento de que está
- 39:14investigando, É mais importante que a preparação facilite isso
- 39:19do que ela seja considerada o jogo em si, do que ela seja
- 39:23considerada o lastro de verdade do jogo.
- 39:25Não é. O lastro de verdade do jogo é o
- 39:27repertório criado ali dentro daquela ficção.
- 39:31A preparação vai nortear, vai guiar, vai facilitar isso para o
- 39:36mestre. Uma outra dica que eu posso dar
- 39:39aqui é que você construa o desafio e o mistério de forma
- 39:44que solucionar esse mistério não necessariamente encerre o jogo.
- 39:49Ou seja, se os jogadores logo na primeira sessão descobrem Quem é
- 39:53um assassino, por exemplo... É importante que isso não
- 39:56encerre o jogo... Ah, descobriram qual...
- 39:58Tudo que tá por trás ali... Cara, às vezes a gente tem como
- 40:01descobrir... Indo por um caminho que você
- 40:04nunca pensou... Mas que faz todo sentido...
- 40:06Dentro do que você tá trazendo...
- 40:08Então, prepare o mistério... Prepare o que aconteceu ali...
- 40:13que construa e entenda essa lógica que há por trás desse
- 40:17mistério, os fatos, as coisas que aconteceram, as motivações
- 40:21das pessoas envolvidas, o que eles ganham, o que eles
- 40:25perderam, o que foi colocado à prova, quais os riscos que essas
- 40:28pessoas correram dentro daquela situação.
- 40:32E aí, em cima disso, você começa a construir junto com os
- 40:39jogadores esse mistério. Deixa que eles entrem em contato
- 40:43com essas coisas e vão construindo esse repertório.
- 40:46Por quê? Porque aí, nesse ponto, se os
- 40:49jogadores descobrem efetivamente pelo caminho que eles
- 40:52resolveram, eles chegam à conclusão de que eles já sabem
- 40:54quem é, qual é a raiz do mistério, quem é um assassino,
- 40:57por exemplo... Você não perdeu a sessão ali,
- 40:59não perdeu a aventura ali, não perdeu a campanha.
- 41:02Eles não resolveram aquilo ainda.
- 41:04Eles podem ter descoberto que é um assassino, mas agora a gente
- 41:06tem que prender ele antes dele fazer a próxima vítima.
- 41:10Eles tiveram aquele momento de, caceta, entendi quem é o
- 41:13assassino, mas agora como é que você vai lidar com esse cara que
- 41:16tem pacto com o diabo? E, cara, dez caras tentaram
- 41:21linchar ele e ele arrebentou os dez na porrada e esse cara
- 41:24não... Não é fluxo e cheiro.
- 41:26Como é que você vai deter esse cara?
- 41:28Agora que você já sabe, como é que você vai deter?
- 41:31Ouça lá, você descobriu que os aliens agora estão dentro do
- 41:36governo, estão infiltrados lá dentro, estão tomando as redes.
- 41:40Beleza, você entendeu o que eles estão fazendo ali, descobriu o
- 41:44mistério, mas e agora? O que você vai fazer agora que
- 41:47você sabe que eles estão para deslanchar um plano de
- 41:50eliminação de setenta por cento da população mundial mediante
- 41:54uma sabotagem nuclear? O que você vai fazer a respeito?
- 41:59Então, construir o desafio de forma que descobrir o mistério
- 42:03não encerre o jogo necessariamente, né?
- 42:06Você acaba tirando de você mesmo uma pressão muito grande para
- 42:09fazer com que esse mistério renda mais do que preciso.
- 42:13Você se embanana menos e você premia os jogadores que tiveram
- 42:17uma boa ideia a respeito de como solucionar esse desafio e aí
- 42:20você toca esse desafio em outras frentes.
- 42:23Beleza, agora a gente vai ter que entender como lidar com esse
- 42:27problema que surgiu a partir desse nosso momento eureka.
- 42:32E isso facilita você a evitar de sonegar informações de propósito
- 42:36para prejudicar a investigação. Isso é prejudicar os jogadores,
- 42:41é prejudicar a agência. você também abre mão de ter que ficar
- 42:46distribuindo a informação de uma forma muito ativa, no cabresto
- 42:50ali, pautando muito o ritmo de jogo e as descobertas, porque
- 42:54não, você tem que fazer render, sabe?
- 42:56Você tira essa sua responsabilidade.
- 42:58Olha, se descobrir em rápido, ótimo, né?
- 43:01Inclusive é muito melhor que eles descobram rápido do que
- 43:04eles demorem muito mais para descobrir e você descobre que
- 43:07você fechou tanto as possibilidades do jogo ali, que
- 43:12eles não tiveram para onde ir e meio que estão desistindo de
- 43:15descobrir qual a raiz desse mistério.
- 43:19E daí vem até a próxima dica que eu posso dar.
- 43:22Melhor do que você pensar em pistas específicas e de como
- 43:27elas podem ser coletadas pelos personagens e que personagem vai
- 43:31descobrir qual pista, é melhor você entender como a coisa
- 43:34aconteceu, as dificuldades e desafios relativos a essa coleta
- 43:40dessa informação e deixa que os jogadores fiquem livres para
- 43:43buscar. Abre mão do ritmo, abre mão
- 43:47desse tipo de coisa, só pensa em como as coisas aconteceram e aí
- 43:50libera as informações para os jogadores correrem atrás.
- 43:52Isso vai deixar você também mais tranquilo e provavelmente não
- 43:57vai permitir que chegue nesse ponto em que eles falem, cara,
- 44:01eu não encontrei uma pista, não encontrei duas pistas, a gente
- 44:03não encontrou três pistas que você deixou, e agora?
- 44:06Agora dane-se, você não preparou nada.
- 44:09Não, cara. Provavelmente os jogadores
- 44:12entrando em contato com aquela verossimilhança daquele
- 44:15mistério, daquele crime, de alguma coisa assim, eles mesmos
- 44:19vão ter essas ideias, né? E você, como não tá fechando
- 44:22tudo em três pistas só, você tá deixando o cenário aberto pra
- 44:25que eles descubram. E você vai ver que muitas coisas
- 44:27que eles vão trazer vai fazer sentido.
- 44:30Eles estão vestindo a pele desses investigadores.
- 44:32Eu não estou dizendo que eles precisam ser do CSA, que eles
- 44:35precisam ser investigadores profissionais para poder dizer
- 44:39como eles fariam isso na vida real, na ficção.
- 44:42Não precisa. Esse faz de conta muitas vezes é
- 44:44suficiente, né? Você fala, cara, eu vou tentar,
- 44:47sei lá, buscar indícios lá no colégio onde ele sempre
- 44:51frequentava, vou ver se ele não deixou nenhuma pista, vou ver se
- 44:54não tinha ninguém que conhecia. Você não precisa interpretar
- 44:57tudo nas minúcias, mas você dizer mais ou menos as linhas de
- 45:00ação, etc., já vai começar esse bater bola, esse faz de conta.
- 45:05E aí, mesmo sem você ser um detetive, um investigador, É
- 45:09justamente aí que a gente vai trabalhando.
- 45:11E aí, se o mestre quiser, ele pode até aproveitar...
- 45:14E botar uma pista por trás de um desafio, por exemplo.
- 45:16Cara, você pode até ter acesso àquela parte lá...
- 45:20Mas aquela parte está interditada por algum motivo.
- 45:23Como será? E aí, para você, de repente,
- 45:24acessar aquela parte... Você precisa falar com umas
- 45:26pessoas... Isso pode botar algumas pulgas
- 45:29atrás da orelha... Então, isso é muito
- 45:31interessante. Você pode utilizar isso como
- 45:33desafio. Dá corda para eles, liberando as
- 45:37informações... e não você pensando muito especificamente
- 45:40em cada informação que você quer trazer.
- 45:42Claro, você pode pensar em uma ou duas, não tem problema, mas
- 45:45não se encerre nisso. Pense muito mais na lógica por
- 45:48trás. Por quê?
- 45:49É essa lógica que vai trazer esse sentimento de
- 45:51verossimilhança e vai imprimir, no fim das contas, esse
- 45:54sentimento no jogador de que ele está investigando.
- 45:58Até por isso, eu vou trazer aqui a solução oil fantasy da coisa
- 46:01que muita gente acha polêmica. Eu acredito que, dentro do oil
- 46:05fantasy... Você pode ter na sua preparação
- 46:08que o ladrão é fulano, mas se durante o jogo foi surgindo
- 46:14cicrano e aquilo teve indício suficiente de jogo, as
- 46:18informações foram coletadas e o assassino construído em jogo foi
- 46:23Y e os jogadores passaram por desafios e entenderam aquelas
- 46:27pistas, você está se comprometendo como mestre em
- 46:30relação à agência dos jogadores que o assassino é Y.
- 46:34É cicrano, e não há, e não o fulano.
- 46:39Isso é uma construção de jogo. Eu não estou dizendo que ele é
- 46:43quântico, não. Eu estou dizendo que justamente
- 46:45as informações que foram construídas pela relação lúdica
- 46:49entre os participantes foram deixando muito claro quem é um
- 46:53assassino. E nesse ponto, você de fato está
- 46:57criando. Você está criando junto com os
- 46:59jogadores, mas você está criando antes de tudo justamente esse
- 47:03mistério junto com eles. E quando você vai fazendo isso,
- 47:06você já vai se comprometendo com o resultado desse mistério.
- 47:11Por isso não é quântico. Como eu falei lá atrás, a
- 47:13resposta para o problema quântico está justamente na
- 47:18informação. É através de você reivindicar, é
- 47:22através de você solidificar, de você cozinhar essa lógica desse
- 47:28mistério na ficção é o que vai garantir que aquilo ali, por
- 47:31agência do jogador, vai ser justamente a resposta pro
- 47:35mistério. Então, não se trata de uma
- 47:38resposta quântica, mas se trata de uma resposta a partir da lei
- 47:41da mesa e do que foi construído ali.
- 47:43Se você, mestre, fez isso sem saber que era um assassino,
- 47:47provavelmente você vai... ter pouca informação interessante
- 47:50para administrar, então é bom que você já saiba quem é o
- 47:53assassino e que você possa construir esse mistério em torno
- 47:57disso de uma forma mais clara para você mesmo, mas isso não
- 48:02impede obviamente de que você não tenha um desafio relativo a
- 48:06isso e isso seja construído durante o jogo e você vá
- 48:09provocando os jogadores a enriquecerem a ficção o
- 48:12suficiente para que esse lastro ficcional passe a existir e você
- 48:16possa imprimir desafio em cima disso É uma perspectiva um pouco
- 48:20diferente, eu sei, mas me parece que na parte técnica, na
- 48:25dinâmica da coisa, ela garante a relação lúdica sem quebra de
- 48:30agência, que é alguma coisa que não acontece na solução do John
- 48:33Wick e é uma coisa que não acontece se você adota ogros
- 48:36quânticos e coisas assim. Se você resolve explodir a mente
- 48:39dos jogadores e falar que, apesar de todas as pistas
- 48:44apontarem que o assassino teria sido Douglas, no fundo, O
- 48:49assassino foi, sei lá, Guilherme.
- 48:52E aí, nesse ponto, você quebrou a agência dos jogadores nisso
- 48:57aí, porque você deu informações, você administrou informações que
- 49:00apontaram para ele. E a relação lúdica desse jogo é
- 49:03justamente desvendar a partir dessas pistas que você deu.
- 49:08Até concordo que faz sentido, mas não é isso e deu.
- 49:15Deixo isso aí para reflexão... Aprofundei um pouco essa questão
- 49:18de mistério... A partir do que a gente
- 49:20conversou... Bastante lá no Café com
- 49:22Dungeon... Me parece que isso...
- 49:25Parte por uma grande cocriação...
- 49:27Mas que também tem um sentimento...
- 49:29Tem a estética da investigação...
- 49:31Ainda que a gente deixe claro... Que grande parte...
- 49:34Desse sentimento de investigação...
- 49:36Passa por momentos criativos sim...
- 49:38E que os jogadores precisam participar...
- 49:40De forma ativa disso... Porque afinal de contas...
- 49:43Grande parte do jogo... vai ser criado anyways.
- 49:46Grande parte do jogo de RPG é a gente trabalhando em cima de
- 49:51conteúdo criado e não de conteúdo investigado.
- 49:54Mas se a gente quiser cravar de forma meio cri-cri, dá para
- 49:57dizer que em termos dinâmicos, você continua investigando
- 50:02somente o que já está criado, ou seja, você vai investigar
- 50:04somente o que é repertório já, e não o que está sendo criado, aí
- 50:08você está cocriando, mas em termos estéticos o jogador sente
- 50:12investigação em cima disso, e aí é o que pauta um jogo de
- 50:15investigação e de mistério. Enfim, são minúcias, são coisas
- 50:19que certamente você vai ficar pensando aí, eu estou pensando
- 50:22até agora, certamente a galera do grupo lá está pensando até
- 50:25agora nisso também, mas isso traz minúcias interessantes,
- 50:29traz boas práticas, as boas práticas associadas à lei da
- 50:33mesa, eu acho que todas valem para cá, boas práticas também
- 50:37relativas a game design, quando você tá pautando uma narrativa
- 50:41aí, como o Brindlewood Bay faz e já são outros quinhentos, né?
- 50:44Mas que vale a pena você levar em conta os momentos criativos
- 50:48em contraste aos momentos investigativos, né?
- 50:51Valendo aqui que quando você tá investigando o repertório que já
- 50:54existe, você não pode criar em cima, a não ser que aquilo ali
- 50:59você crie dando uma adição ao que já está reivindicado.
- 51:04Então não adianta você dizer, ah, peraí, mas o jogador está
- 51:08dizendo que essa pista aqui leva a outro cara.
- 51:12Você fala, peraí, essa pista já existe em jogo, a pista é tal, e
- 51:15vocês já verificaram que essa pista leva a outro fulano.
- 51:18Aí não adianta você criar a despeito daquilo e aí vale... um
- 51:23controle de verossimilhança por parte de todos que estão
- 51:26participando do jogo, que é uma boa prática também.
- 51:31E nesse ponto, obviamente, o mistério vai ser construído de
- 51:33maneira coerente para todos e mantendo também o desafio, o que
- 51:37é uma coisa muito importante. Então, se o mestre está
- 51:41construindo o desafio, por exemplo, de uma bruxa, não
- 51:45adianta o jogador falar no fundo ela não é bruxa nenhuma você
- 51:49fala, cara, já botei aqui as questões relativas a isso isso
- 51:54aqui é do mistério que eu estou construindo e você está vendo
- 51:58que não faz sentido isso não é coerente com o que a gente está
- 52:03construindo aqui então você veta a verossimilhança desse elemento
- 52:07aí e é uma coisa que pode acontecer por parte de outros
- 52:09jogadores também não somente do mestre.
- 52:12O mestre protege a base do seu desafio, a essência do seu
- 52:16desafio, ainda que ele abra sempre e ele enriqueça, ele
- 52:20queira enriquecer a ficção sempre que ele não tiver lastro
- 52:24suficiente para esse desafio. O que é uma coisa muito
- 52:27interessante das dinâmicas de Final Fantasy que eu acho que
- 52:30podem ser aproveitadas pro jogo de vocês, até pra manter um
- 52:35pouco essa participação, essa cocriação que é tão importante
- 52:40pro RPG. Enfim, são essas as minhas
- 52:42provocações aí, tem muitas respostas dentro do Final
- 52:45Fantasy, acho que no fim das contas cada um vai trabalhar
- 52:49isso a sua maneira, mas vale a pena você prestar atenção dentro
- 52:53dessas dinâmicas o que fazer pra não quebrar a agência do jogador
- 52:57quando tudo que ele espera dentro de um jogo de mistério é
- 53:00que ele possa resolver esse problema então é isso espero que
- 53:06tenha curtido o episódio de hoje e vou deixar uma enquete aqui
- 53:10pra você vou fazer o seguinte, vou te perguntar o mistério já
- 53:16existe na preparação ou ele só existe ao ser jogado responde aí
- 53:23e pode responder por extenso aí a gente também no comentário
- 53:27qual o seu jogo de mistério favorito Beleza?
- 53:31Vou deixar no descritivo do episódio os links que eu prometi
- 53:35aqui. Então vou deixar os links dos
- 53:37episódios citados do Café com Dungeon.
- 53:40Vou deixar o link do MDA, o artigo que fala do modelo MDA,
- 53:46que eu usei de lente nesse episódio.
- 53:48Vou deixar também um link para o artigo do Ogro Quântico.
- 53:52E é isso. Então, vocês podem seguir aqui
- 53:56também, obviamente, o link do RPG Dojo e o link dos spots aí,
- 54:00né? O link dos nossos anúncios,
- 54:02inclusive, pra você jogar Piergotten.
- 54:06No mais, se você quiser apoiar o Café com Dungeon, de repente
- 54:11ajudar a gente a voltar a ter cinco episódios semanais, você
- 54:14pode ajudar a gente na nossa expansão.
- 54:17E além de ajudar a gente, você recebe conteúdo extra, participa
- 54:21de sorteios, participa do nosso grupo de Telegram.
- 54:24Então é só vitória. Então chega lá em apoia.se barra
- 54:28Café com Dungeon. Se você gostou especialmente do
- 54:31Café com Dungeon de hoje, você pode deixar para a gente uma
- 54:34gorjeta. Então você pode mandar seu pix,
- 54:36qualquer valor aí, para cafécomdungeon.com.
- 54:40A gente conta com você. Se você tem uma empresa ou uma
- 54:43marca e quer ter um dia da semana no Café com Dungeons,
- 54:46você pode financiar um episódio semanal do podcast ou até mais
- 54:49de um e fazer a alegria da massa RPGista.
- 54:52Consulta a gente lá no e-mail, cafécomdungeon.com e a gente tem
- 54:56uma proposta especial pra você. A exemplo aí do que a gente fez
- 55:00com RPG Dojo. Você pode consultar a gente
- 55:03também em parcerias, em anúncios.
- 55:05A gente não trabalha somente com marcas de RPG, mas também em
- 55:08outros ramos, como cafés, jogos, alimentos, tecnologia, mídia,
- 55:12eventos, etc., Se você é produtor de conteúdo, game
- 55:16designer independente, acadêmico, fã e quer colaborar
- 55:19com a gente, participar do projeto aqui, conta pra gente
- 55:22sobre você e sobre a tua ideia lá no nosso e-mail, beleza?
- 55:26No mais, queria deixar aqui os agradecimentos, né?
- 55:28A galera que torna possível essa aventura, os nossos assinantes
- 55:31lá no Apoia-se. Então, obrigado ao pessoal que
- 55:34apoia com incentivo, incluindo aí o Jefferson Antunes.
- 55:37Valeu demais ao pessoal do nível de apoio comunidade, incluindo a
- 55:40Dani Marques, o Walter Luiz Lada da Silveira e o Evaldo Pontual.
- 55:45Um salve especial para os assinantes do RPG Dojo e
- 55:48superiores, então Rafael Garotti, Denis Oliveira,
- 55:52Vinícius Caldas, Rafael de Lima e Rudolf Helmut, dentre outros.
- 55:56E um abraço aos membros do treinamento Oil Fantasy.
- 55:59Então, Abílio Júnior, Bruno Cobb, César Machado, Daniel
- 56:03Aydar, Diego Seixito, Douglas Baiense, Gui Providello, João
- 56:07Burlamaque, Léo Gasparuto, o Marcos Alves Gonçalves Júnior,
- 56:10lá do Dojo. Obrigado pelo upgrade, Marcos.
- 56:13ao Matheus Piqueira e Rafael Bardal.
- 56:16No mais, um imenso agradecimento aos membros do nível Café com
- 56:19Balbi. No caso aqui, o grande Thiago
- 56:22Augusto, que cediou e fez a indicação para a sede da nossa
- 56:29última bebedeira nerd lá no NBA. Então, obrigado aí, Thiago, pelo
- 56:34teu apoio. Então é isso, galera.
- 56:36Até semana que vem. Aliás, até quinta-feira.
- 56:56Eu estava aqui pensando, será que o Balbi prepara esse podcast
- 57:01ou ele faz tudo emergente?