Latest / ED Podcast [@arthurdantaslemos] / O CHAMADO DA CORAGEM #XIII - O CHAMADO AO QUAL ATENDEMOS (CLUBE DO LIVRO)
Transcript
- 0:05Senhoras e senhores, muito bem-vindo.
- 0:08Muito bem-vinda também você que está aqui comigo.
- 0:11Para mais um episódio do nosso Clube do Livro, o chamado da
- 0:15coragem, vamos agora. Vencemos a primeira parte que
- 0:17falava sobre... medo. E agora vamos começar a parte
- 0:21número dois para entender quais os pensamentos estoicos aqui que
- 0:27o Ryan Holiday, autor do livro, traz sobre coragem, que
- 0:30inclusive dá título ao nome do livro, o chamado da coragem.
- 0:34Comigo, Bruno Maia Soares, como é que estamos, Brunão?
- 0:36Isso aí, estamos ótimo e até agora foi só aquecimento, agora
- 0:39que o livro vai começar de verdade.
- 0:41Vamos ver, vamos ver. Então já tem uma introdução
- 0:43aqui, vamos começar por ela. Há esta parte dois que diz
- 0:47assim, primeiro tem um poema aqui, que é o seguinte, lutar
- 0:52contra situações adversas, enfrentar inimigos com destemor,
- 0:56estar totalmente sozinho com eles, descobrir quando se pode
- 0:59suportar, quanto na verdade se pode suportar.
- 1:02Olhar nos olhos da luta, da tortura, da prisão, do ódio
- 1:05popular. Subir no cada falso, avançar em
- 1:09direção ao cano das armas com absoluta indiferença.
- 1:13Ser de fato um Deus. Então ele seleciona esse trecho
- 1:17desse poema aqui do Walt Whitman e começa dizendo o seguinte.
- 1:21Coragem é o controle e o triunfo sobre o medo.
- 1:25É a decisão em um momento de perigo ou no dia a dia de
- 1:29assumir a responsabilidade. de garantir uma atitude em relação
- 1:34à situação, em relação a si próprio, em relação ao destino
- 1:38ao qual todas as outras pessoas se resignaram.
- 1:42Podemos amaldiçoar a escuridão ou acender uma vela.
- 1:47Podemos esperar que alguém venha nos salvar ou podemos resistir e
- 1:52salvar a nós mesmos. O que será?
- 1:56Todo herói depara com essa escolha.
- 2:00Nosso discrimen, que é o ponto crítico, o momento da verdade.
- 2:06Você será corajoso? Irá se expor?
- 2:08Qual vai ser a sua atitude? Se covardia é o fracasso em
- 2:13cumprir uma obrigação, então coragem é a decisão de se mover
- 2:19e cumpri-la. Respondendo ao seu chamado,
- 2:24superando o medo e agarrando coragem. seu destino, fazendo o
- 2:30que você não pode fazer simplesmente porque preza ser
- 2:33feito, com firmeza e entusiasmo, coragem e determinação, mesmo
- 2:38que não faça a menor ideia se terá sucesso ou não.
- 2:42Não será fácil, no entanto, não podemos ter medo.
- 2:46Como disse Shakespeare, encontremos o tempo enquanto ele
- 2:51nos procura. Nosso destino está aqui, então
- 2:55se é isso, vamos agarrá-lo. Então ele traz essa introdução e
- 2:59começa o primeiro capítulo dessa parte sobre coragem com essa
- 3:05ideia do chamado. O título do capítulo é O Chamado
- 3:08ao Qual Atendemos. Ele começa contando uma
- 3:11história. A história de Charles de Gaulle,
- 3:16se você preferir. Um homem salvou a França.
- 3:19Charles de Gaulle achava que o país ainda valia a pena e
- 3:23sozinho o salvou. Em junho de mil novecentos e
- 3:27quarenta, enquanto a França era dominada pela Alemanha, tomada
- 3:30não somente por tanques, mas também pelo medo dos próprios
- 3:34líderes que prontamente negociavam a rendição para o
- 3:37pior agressor da história moderna, De Gaulle embarcava em
- 3:42um pequeno avião para a Inglaterra.
- 3:44Foi um dos voos mais assustadores de sua vida.
- 3:47Não só... porque poderia ter sido facilmente morto a tiros ou
- 3:51capturado antes da decolagem, mas porque muitos outros voos,
- 3:55incluindo um designado para sua família, caíram sem deixar
- 4:00sobreviventes. Eu me senti, refletiu ele sobre
- 4:04a curta viagem de uma hora e meia.
- 4:07Me senti sozinho e privado de tudo, como um homem à margem do
- 4:11oceano que ele tinha esperança de atravessar a nado.
- 4:14Senti que a vida estava terminando, uma vida que eu
- 4:17vivera com base em uma França sólida e em um exército
- 4:21indivisível. De Gaulle não era o líder eleito
- 4:25na França, não tinha sangue real, nem sequer era o general
- 4:29de patente mais elevada do país. Contudo, era mais do que um
- 4:32cidadão. Recentemente promovido a
- 4:35brigadeiro-general e subsecretário de defesa, fora o
- 4:38único a aclamar junto ao primeiro-ministro que a França
- 4:42devia lutar para sair do fundo do abismo.
- 4:45Ao mesmo tempo, era apenas um homem.
- 4:47Um homem que não estava pronto para desistir.
- 4:50Que não aceitava que seu país desistisse.
- 4:53Portanto, não desistiu. Ao se reunir com o Churchill,
- 4:57pouco depois de atravessar o Canal da Mancha e aterrissar na
- 5:00Inglaterra, ofereceram a de Gaulle a oportunidade de falar
- 5:04na BBC no dia seguinte. Ele não comandava nenhum
- 5:07exército. Quase não tinha dinheiro, não
- 5:08tinha nenhum plano e tampouco autoridade para criar um.
- 5:11Mas nada disso seria necessário. Já foi dito que, abre aspas, um
- 5:15homem corajoso vale por uma multidão.
- 5:17E assim foi com ele. Abre aspas.
- 5:21Afirmo a vocês que a França não está perdida, disse o famoso
- 5:24pronunciamento. Os mesmos instrumentos que nos
- 5:27dominaram poderão um dia nos trazer a vitória, pois a França
- 5:29não está sozinha. Não está sozinha.
- 5:33Não está sozinha. Contudo, ela estava sozinha.
- 5:39O pronunciamento de De Gaulle foi direcionado principalmente
- 5:42para os milhares de soldados franceses que tinham sido
- 5:46auxiliados pelos ingleses durante a retirada.
- 5:49Ele os estava convocando a lutar ao seu lado, a lutar pelo seu
- 5:53país. Em vez disso, a maioria pediu
- 5:56que fosse repatriada e pudesse voltar à república de Vichy
- 6:01estabelecida pelos nazistas. O antigo mentor e chefe de De
- 6:04Gaulle, o general Petain, o grande herói da França da
- 6:08Primeira Guerra Mundial, ajudou os alemães e usou sua reputação
- 6:13para legitimá-la. Qual era o sentido de continuar
- 6:16lutando? Quem poderia deter o avanço
- 6:18implacável de Hitler? Na passagem de som para o
- 6:21pronunciamento, De Gaulle dissera somente uma palavra.
- 6:24França. Acreditava sinceramente no
- 6:27próprio país, para além da lógica e dos fatos.
- 6:30Acreditava que a rendição de Petain era ilegítima.
- 6:35Essa ideia era sua estrela guia, por mais que não fizesse
- 6:39sentido. Ele acreditava que a França
- 6:42podia ser salva. Os fatos eram desalentadores.
- 6:46De Gaulle, sua corajosa esposa e sua família, que tinham escapado
- 6:52sem nenhum auxílio, Auxílio, perdão.
- 6:56E mais alguns oficiais que Churchill decidiu apoiar com o
- 6:58poder da Inglaterra eram tudo que restava à França.
- 7:03A pergunta é, seria o suficiente?
- 7:05E aí o André Marot, que é um líder da resistência, pergunta
- 7:09para o de Gaulle o seguinte. Em todos os atos importantes de
- 7:14sua vida, você não era sempre a minoria?
- 7:18Era, concordou o de Gaulle. Sendo que ele completou...
- 7:23Eu era minoria, mas eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, eu
- 7:25deixaria de ser. Napoleão, talvez o único herói
- 7:30francês cujas realizações não empalidecem em comparação às de
- 7:35Degas, disse que, abre aspas, nada está perdido enquanto ainda
- 7:40há coragem. Degas teve coragem... de assumir
- 7:45a responsabilidade de aceitar o fardo da liderança sobre os
- 7:48próprios ombros, de resistir ao magnetismo da desesperança e, em
- 7:51vez disso, escolher, com uma ferocidade animalesca, o caminho
- 7:55de um guerreiro, de alguém que não seria derrotado.
- 8:00Na metade do século XX, assim como hoje, a crença naquela
- 8:03antiga teoria do grande homem da história era fraca.
- 8:05Seria mesmo possível que uma pessoa mudasse o mundo?
- 8:08Podemos, de fato, fazer a diferença?
- 8:11Ou devemos ceder às forças avassaladoras do tempo e das
- 8:13tendências? abre aspas, há algo de
- 8:17irrevogável na influência da vontade humana na cadeia de
- 8:21acontecimentos. Ele escreveu antes da guerra.
- 8:25A pressão da responsabilidade é tão grande que poucos homens são
- 8:27capazes de suportá-la sozinhos. É por isso que nem a
- 8:30inteligência mais aguçada basta. Sem dúvida, inteligência ajuda e
- 8:35o instinto motiva o indivíduo, mas em casos extremos uma
- 8:38decisão exige um elemento moral. Mas não podemos descartar o
- 8:43elemento físico. O degau foi julgado e absentia
- 8:47pelo regime de Vichy e condenado à morte.
- 8:51Na guerra anterior, ele fora ferido diversas vezes, inclusive
- 8:54por uma baioneta, fora prisioneiro da guerra e tentara
- 8:58fugir de forma incansável e destemida, correndo riscos
- 9:01enormes. Imagine também a coragem da
- 9:04esposa requisitando um lugar em um barco, levando três crianças
- 9:08pequenas, inclusive uma com síndrome de Down, em segurança
- 9:11até Londres, enquanto os inimigos infestavam a região à
- 9:14procura dela. Nas décadas seguintes, De Gaulle
- 9:17e a esposa foram vítimas de trinta atentados graves contra
- 9:21as respectivas vidas. De um deles, com o carro
- 9:24metralhado, janelas estilhaçadas e todos os pneus estourados.
- 9:28Yvonne, a esposa, saiu ilesa e perguntou tranquilamente sobre
- 9:31as compras que acabaram de colocar no porta-malas.
- 9:34De Gaulle zombava da pontaria dos que tentavam assassiná-lo,
- 9:38dizendo, essa gente atira como porcos.
- 9:41Se tratava de uma família que dominaram o medo até o
- 9:43transcender a... Eu, Arthur, acho essas histórias
- 9:46muito cheias de testosterona pra gente dizer que isso aqui
- 9:51reflete a vida real. Mas bem, são histórias, né?
- 9:56E são didáticas, de alguma forma.
- 9:59Seguindo a leitura, como sabemos que, no fim das contas, o De
- 10:03Gaulle saiu vitorioso, escolhemos lembrar que a França
- 10:06ficou unida na resistência contra seus ocupantes.
- 10:08Infelizmente, não foi assim. As pessoas estavam com medo,
- 10:12davam desculpas, olhavam para as probabilidades e diziam a si
- 10:14mesmas que não havia esperança. Estavam dispostas.
- 10:18E, quieta e chocante, estavam dispostas a aceitar o domínio de
- 10:22Hitler e a se sujeitar à causa nazista se isso significasse que
- 10:27a vida normal seria rapidamente retomada.
- 10:29Inúmeros judeus franceses... Foram enviados para a morte...
- 10:33Mão de obra francesa... Foi usada para alimentar...
- 10:37A máquina de guerra alemã... E aí um trechinho que eu
- 10:40destaquei... Que é a covardia dos outros...
- 10:42Cria as oportunidades para a ação de um herói...
- 10:46Quando os acontecimentos... Se tornam ameaçadores e o
- 10:49perigo... Se torna eminente...
- 10:51Escreve o De Gaulle na década de XX...
- 10:53Uma espécie de onda gigantesca...
- 10:54Empurra os homens de caráter para a linha de frente...
- 10:58Na época de De Gaulle... Os acontecimentos eram
- 11:01ameaçadores e o perigo iminente, assim como podem ser para você
- 11:06agora. Ele estava pronto para atender
- 11:08ao chamado. Mais do que isso, estava fazendo
- 11:12o chamado para todos que estivessem dispostos a se juntar
- 11:15a ele. Alguns fogem, outros atendem.
- 11:18É simples assim. Em parte, foi a coragem de De
- 11:21Gaulle que inspirou a resistência francesa.
- 11:24Ela também denunciava implícita e explicitamente seus
- 11:28compatriotas que não tinham coragem de lutar.
- 11:30Hitler liderava pelo medo. Como um demônio, estimulava o
- 11:35que havia de pior nas pessoas. Isto é o que torna de Gaul tão
- 11:38glorioso. Ele não fazia promessas, só
- 11:42exigências. Era seu dever resistir, dizia.
- 11:46Estamos sendo chamados por uma força superior, para uma causa
- 11:49superior. Precisamos nos libertar.
- 11:53No fim das contas, cerca de quatrocentos mil homens e
- 11:55mulheres franceses se juntaram à resistência, explodindo potes,
- 12:00obtendo informações confidenciais, sabotando os
- 12:02ocupadores, salvando pessoas dos campos de concentração,
- 12:06eliminando os inimigos um a um, enfraquecendo-os antes da
- 12:10invasão dos aliados. Esta é uma das características
- 12:14da coragem. Assim como o medo, ela é
- 12:17contagiosa. Foram o comprometimento e o
- 12:19destemor de De Gaulle que reuniram não somente a França,
- 12:22mas o mundo todo em seu apoio. Como René Plevin, um dos
- 12:27primeiros políticos franceses a se juntar à causa de De Gaulle,
- 12:30escreveu para a própria esposa, asseguro-lhe que, ao ver todos
- 12:35aqueles que fugiram, você se sente orgulhoso de enfrentar o
- 12:37perigo. Um relatório inglês explicou, o
- 12:40general De Gaulle simboliza a França que não se desesperou,
- 12:45que não desistiu, ele atuou sozinho.
- 12:48Em junho de mil novecentos e quarenta e quatro, mais de dois
- 12:51milhões de tropas aliadas desembarcaram na França.
- 12:54Em agosto, Paris foi libertada. Tinham sido quatro longos anos
- 12:59no deserto, uma escuridão que durou até um amanhecer luminoso.
- 13:04Paris, Paris ultrajada, Paris destruída, Paris martirizada,
- 13:09mas Paris libertada, disse de Gaulle em seu discurso de
- 13:13vitória. Libertada por si mesma,
- 13:15libertada pelo seu povo, com a ajuda dos exércitos franceses,
- 13:19com o apoio e a ajuda de toda a França, da França que luta, da
- 13:23única França, da verdadeira França, da eterna França.
- 13:27Um repórter de rádio na multidão comentou em tempo real não
- 13:30somente a catarse do momento, mas também sua dramaticidade,
- 13:34pois a guerra ainda não tinha sido vencida.
- 13:37Havia tropas inimigas não muito longe.
- 13:39Ouviam-se tiros e explosões. De Gaulle, porém, ignorou tudo.
- 13:44Foi uma das cenas mais dramáticas que já vi, reportou
- 13:47Robert Reed, ofegante para a BBC.
- 13:50Tiros começaram a ser disparados de todas as partes.
- 13:53O general de Gaulle estava tentando controlar as multidões
- 13:57que corriam para a catedral. Caminhou em direção ao que
- 14:01parecia ser uma saravada de tiros, mas seguiu avançando, sem
- 14:06hesitar, com os ombros erguidos. E desceu a nave central, mesmo
- 14:10enquanto chovinham balas ao seu redor.
- 14:13Foi o exemplo de coragem mais extraordinário que já vi.
- 14:16Ele estava cercado por estampidos e clarões, mas
- 14:19parecia ter uma vida absolutamente abençoada.
- 14:22Depois, De Gaulle desceu a Avenida Champs-Élysées com uma
- 14:26multidão de mais de um milhão de compatriotas franceses.
- 14:31Agira sozinho até que, exatamente como profetizara, não
- 14:34estava mais sozinho. A coragem triunfara sobre o mal.
- 14:38Um homem formara uma maioria. E aí um trecho que eu destaquei,
- 14:42porque conecta lá com o começo, é ainda assim é importante
- 14:45entender que coragem é mais do que resistência, é mais do que a
- 14:51escolha de Hércules entre o caminho fácil e o difícil.
- 14:54Depois de tudo, é necessário trilhar o caminho difícil.
- 15:01Então, na analogia do seguro, não adianta contratar o seguro,
- 15:04tem que pagar o boleto do seguro depois todos os meses.
- 15:08Seguindo a leitura. Foi uma longa jornada de volta
- 15:13dos dias de desespero depois da queda da França.
- 15:15Houve pronunciamentos na rádio, um estado construído no exílio.
- 15:19De Gaulle precisou retomar lenta e consistentemente o controle
- 15:23dos governos distantes do império do país.
- 15:25Precisou arrecadar dinheiro, encontrar generais, passar a
- 15:28perna em inimigos políticos e travar uma batalha de relações
- 15:31públicas. Precisou fazer conferências com
- 15:33seus aliados sobre sua estratégia e, quando não era
- 15:36consultado, socava a mesa, gritava e fazia tamanho escarcel
- 15:41que eles eram forçados a trazê-lo de volta à discussão.
- 15:45Precisou enfrentar atiradores de elite mesmo enquanto celebrava a
- 15:49libertação. O que todos parecem ignorar,
- 15:52disse De Gaulle, é a combinação inacreditável de paciência,
- 15:56desenvolvimento lento, criatividade obstinada,
- 15:58perguntas traiçoeiras, sucessão atordoante de cálculos,
- 16:03negociações, conflitos e rasteiras que precisamos
- 16:06realizar para executar nossa empreitada.
- 16:08Ou seja, um trabalho homérico, herculano, de muita
- 16:12complexidade. Foram esses traços de
- 16:14personalidade, formas diferentes de coragem, que transformaram a
- 16:18França, que havia sido tão rebaixada, em uma das potências
- 16:22vitoriosas ao fim da guerra. A França ainda existe, insistia
- 16:27de Gaulle. Foi isso que sua bravura ajudou
- 16:30a provar. Com sua força de vontade, ele
- 16:33tornou real uma história que garantiu a sobrevivência do seu
- 16:37país. Ele se recusava a deixá-los
- 16:40morrer antes da hora. Fazia discursos tão calorosos
- 16:44sobre a grandeza da França que suas palavras se tornaram
- 16:46realidade. De Gaulle foi egoísta às vezes,
- 16:49cometeu erros, fez inimigos, era divisor e polarizador, sem
- 16:52dúvida. Enlouquecia o Churchill.
- 16:55Era visto com suspeita por Roosevelt.
- 16:58Depois, como presidente da França, o país que ele salvou,
- 17:02tirou do sério todo tipo de pessoas e todo tipo de grupos,
- 17:07desde as Nações Unidas até ambos os lados do conflito na Argélia,
- 17:11desde todo o Canadá, depois de seu discurso infame Vive le
- 17:14Québec libre, até cada um dos presidentes dos Estados Unidos,
- 17:18Truman, Eisenhower, Kennedy e Johnson.
- 17:21Certamente era complicado trabalhar com ele.
- 17:24Ele com certeza era um homem difícil de controlar, impossível
- 17:27de intimidar. E aí vem itálico aqui o destaque
- 17:30que é, por que você acha que tantas pessoas tentaram matá-lo?
- 17:34Mas essa independência e esse destemor era o segredo de sua
- 17:40grandeza. como são o segredo da maioria dos exemplos de
- 17:44grandeza. Isso me remete ao início do
- 17:46livro, da biografia do Elon Musk, acho que eu já comentei
- 17:50aqui, que ele diz assim, cara, a biografia revela o lado B, um
- 17:55lado muito difícil, um cara complicado, um cara...
- 18:00Enfim, e ele começa o livro dizendo assim, porra, eu estou
- 18:06reconstruindo a matriz energética mundial, mandando um
- 18:09homem para Marte, parará, parará, então não espere de mim
- 18:15um cara normal. É um pouco disso aqui, então se
- 18:20você for pegar as pessoas mais admiradas, elas são pessoas de
- 18:24cauda, pessoas muito extremas, E não são ordinárias, não são
- 18:29normais, né? Então, a gente quer os
- 18:30resultados dessas pessoas, mas essas pessoas, por definição,
- 18:33né? Assim, se você visse a descrição
- 18:35do De Gaulle até agora, você falaria, poxa, que cara
- 18:37inspirador, né? O cara é um maníaco aqui,
- 18:40enlouqueceu todo mundo, arrumou briga com todo mundo, mas talvez
- 18:43ele só conseguiu fazer tantas coisas extremas por ser essa
- 18:46pessoa tão diferente, né? Como diria o Morgan House, as
- 18:49pessoas que a gente mais admira por algumas coisas, a gente
- 18:52odiaria por outras coisas também que a gente não conhece ainda.
- 18:55Exatamente, Brunão. É exatamente isso.
- 18:59E aí, caminhando aqui para o fechamento desse capítulo,
- 19:02histórico, no sentido literal, talvez achem que eu nunca seja
- 19:07uma pessoa fácil de lidar, disse o próprio De Gaulle, ignorando
- 19:10críticas tal como o Sérpico fazia.
- 19:13Mas se eu fosse, hoje eu estaria na equipe do general Petain, o
- 19:18tipo de pessoa que segue seu próprio caminho, que se recusa a
- 19:22aceitar a derrota, que acredita fielmente na própria capacidade
- 19:25de agir, que é corajoso o bastante para reivindicar a
- 19:28própria autonomia, mesmo correndo risco de morte ou de
- 19:31exclusão, não é o tipo de pessoa que recebe ordens, não é o tipo
- 19:35de pessoa que faz concessões com facilidade.
- 19:38É óbvio que Degon nunca esteve realmente sozinho na luta contra
- 19:40a Alemanha, não somente por causa de seus aliados, como os
- 19:44ingleses e os norte-americanos, a quem nem sempre dava o
- 19:47crédito. Mas por que quem age com coragem
- 19:52nunca está sozinho? Então tem essa coisa de agir com
- 19:55coragem, de ir de encontro à maré, de ir de encontro ao
- 19:58status quo, mas eu gosto dessa reflexão que parece que você
- 20:03está contra o mundo, mas quem age com coragem nunca está
- 20:06sozinho. E abre aspas aqui, né?
- 20:24seguindo os passos daqueles que serviram ao país desde o
- 20:28alvorecer de sua história. Disse aos franceses livres e,
- 20:34abre aspas de novo, antecedendo todos os que servirão pela
- 20:37eternidade seu futuro, para que um dia digamos a França
- 20:41simplesmente como o Pegui, mãe, olhe para seus filhos que
- 20:45lutaram por você. Enfim, para dar essa conotação
- 20:48histórica ele traz alguns trechos dos diálogos da época,
- 20:52né? Seguindo aqui, ele estava
- 20:55trilhando a jornada do herói. Estava atendendo a um chamado
- 20:59igual ao que seus ancestrais tinham atendido e ao qual você
- 21:03mesmo tem a oportunidade de atender, se se recusar a ter
- 21:06medo e tomar as redes de seu destino.
- 21:10Winston Churchill chamava de Gaul de L'homme du destin, que
- 21:16é, deve ser destin, o homem do destino.
- 21:20Quando seguimos nosso destino, quando nos apropriamos do que
- 21:22deveria ser nosso, nunca estamos sozinhos.
- 21:25Estamos caminhando ao lado de Hércules.
- 21:27Estamos seguindo os passos dos grandes homens.
- 21:30Somos guiados por Deus, pelos deuses, por um espírito guia. o
- 21:35mesmo que guiou De Gaulle e Napoleão, Joan of Arc, Carlos
- 21:38Magno e todos os grandes nomes da história.
- 21:40A coragem pode nos chamar para que resistamos sozinhos contra
- 21:45uma adversidade enorme, até mesmo contra o que parece ser o
- 21:49mundo inteiro. No entanto, não estamos com
- 21:52medo, porque não estamos de fato sozinhos quando resistimos,
- 21:56porque por trás de nós, assim como havia no caso de De Gaulle,
- 22:00há um grande império. E devemos saber que, se lutarmos
- 22:04bravamente e pelo tempo necessário, descobriremos que
- 22:07todos estão conosco, pelo menos todos que importam.
- 22:11A gente fecha esse capítulo aqui. que, de novo, é um
- 22:14capítulo histórico, por que eu acho que ele aprofunda tanto
- 22:18pela minha memória aqui nessa história, tá?
- 22:20Ele poderia contar essa história, assim, com menos
- 22:22detalhes, talvez tudo, mas, bem, primeiro que é uma curiosidade,
- 22:25né, e algumas pessoas gostam, mas eu acredito que ele faz
- 22:27referência, né, como ele fez na primeira parte do livro, no
- 22:31trecho do medo, né, a Florence Nightingale, por exemplo, em
- 22:34alguns momentos, ele precisou contar a história dela, a mesma
- 22:36coisa aqui, mas só quero fazer uma reflexão, talvez por já
- 22:39conhecer a obra toda, né, Quem caiu direto nesse capítulo aqui,
- 22:43Bruno, nesse episódio, pode dizer o seguinte, putz, mas tá
- 22:47filosófico demais, né? Pô, atender o chamado do cara
- 22:50que caminhou na Chambas Elise, contra balas e tal.
- 22:55Traduz isso pra sua vida. Tem aplicação prática.
- 23:00Você pode dizer que é uma viagem.
- 23:03Eu não acho uma viagem. Quem é profissional de finanças,
- 23:07o Wealth Planner aqui, que conhece o Manifesto de
- 23:09Independência lá, a gente tem o símbolo lá da ovelha negra, que
- 23:15ela se rebela, ela não concorda com o status quo.
- 23:18Quando você faz isso, Em termos práticos, você atende ao
- 23:22chamado. É um chamado que você pode dar
- 23:24nome a ele se quiser, que é o chamado da independência.
- 23:26Mas é o chamado da transparência, de servir bem o
- 23:28cliente, de não concordar com práticas que são injustas com a
- 23:32pessoa física comum, para o investidor.
- 23:34Então não deixa de ser um chamado.
- 23:36Mas é uma coisa mais profissional do dia a dia, com
- 23:38aplicação prática, que você consegue realmente traduzir em
- 23:42atitudes reais. É só porque a pessoa pode...
- 23:49erroneamente, Bruno, dizer o seguinte, ah, mas isso aqui é um
- 23:51contexto histórico da época da guerra, não tem nada a ver com
- 23:53os tempos atuais, não, todos nós temos os nossos chamados, né,
- 23:56todos nós temos aquilo que você gostaria de fazer, mas você está
- 23:59resistindo, decisões difíceis que você já deveria tomar, que
- 24:01você não tomou ainda, tudo isso pode ser configurado como
- 24:04atender o chamado, mas ao longo que a gente for avançando nos
- 24:06próximos episódios, a coisa vai ficando mais prática e mais
- 24:12palpável. Mas bem, temos uma introdução
- 24:14aqui que permeia a pista, que abre terreno para a gente
- 24:18avançar nesses temas que falam sobre coragem.
- 24:21Passo aqui para o Grande Bruno para a gente ter a frase do
- 24:23episódio e com isso finalizar esse episódio com chave de ouro.
- 24:27Show de bola. Eu fiquei fazendo essa reflexão
- 24:30também, porque ele traz um exemplo histórico, época da
- 24:34Segunda Guerra, e para esse exemplo aqui do Degal tem outros
- 24:38exemplos aí de... Coragem não sucedida,
- 24:42obviamente. Mas tem que ter essa capacidade
- 24:46também de entender as coisas. Ele está colocando aqui uma
- 24:50história para apenas facilitar essa nossa reflexão e trazer
- 24:58para a nossa realidade. Facilitar e inspirar.
- 25:01A gente está sendo amigável com a leitura aqui.
- 25:05Se você for por um caminho... De novo, me chame de figurinha
- 25:10repetida aí, mas se você for por um caminho talebiano, você vai
- 25:14dizer, puta, não tem bobagem maior do que pegar um cara que
- 25:19poderia ter levado vinte e cinco tiros e não levou, por acaso, e
- 25:24dizer que esse cara sabia no íntimo que seria capaz.
- 25:28Mas enfim, vamos lá. E sair do carro dizendo que o
- 25:30pessoal é ruim de mira. Exato.
- 25:33Para um filme seria um excelente rei, mas...
- 25:36Pra encarar mesmo com uma história real é mais complicado.
- 25:40Agora, sobre frase do episódio, eu gostei muito do fechamento
- 25:43aqui do capítulo. Principalmente esse trecho aqui.
- 25:47Se lutarmos bravamente e pelo tempo necessário, descobriremos
- 25:51que todos estão conosco. Ele falou-se antes, dizendo que
- 25:57a coragem é além da resistência. Então, ele coloca aqui
- 26:02novamente, com outras palavras, a gente precisa lutar bravamente
- 26:05e pelo tempo necessário. Então, quando a gente pensa que
- 26:08já resistiu o suficiente, talvez precisa ir um pouco além, porque
- 26:13com o tempo a gente vai descobrir que as pessoas estão
- 26:15com a gente e aí cada um vai adequar o seu contexto.
- 26:21Bem, frase do episódio nós já temos.
- 26:23Se você não segue ainda aqui o ED Podcasts, duas vezes por
- 26:29semana a gente tem aqui o quadro do Clube do Livro, tem outros
- 26:31quadros também super legais. Então coloca aí no streaming
- 26:36reprodutor de música ou de podcast que você escuta.
- 26:40Coloca para seguir o podcast, puder avaliar com cinco
- 26:42estrelas. Muito obrigado pelo seu tempo.
- 26:44E a gente se encontra no próximo episódio aqui no Clube do Livro
- 26:46do ED Podcasts. Tamo junto.