Latest / Elas na Escrita / #33 Mulheres e seus Territórios, Dia e Morgana
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- 0:00Para valer, então é bom dia, boa tarde, boa noite, gente.
- 0:05A gente está aqui em mais um episódio delas na escrita e para
- 0:08variar eu estou com 2 mulheres que eu admiro muito aqui na
- 0:10minha frente, 2 autoras incríveis.
- 0:12Eu estou com a dia nobre e a Morgana kreatzman que sejam bem
- 0:15vindas e vocês sabem que com elas na escrita, eu estou sempre
- 0:18tentando reunir uma dupla que tem alguma coincidência, que tem
- 0:21algum laço, alguma coisa que que elas se encontrem no caminho.
- 0:24Eu fiquei pensando muito no que que o nia a dia e a nobre, além
- 0:28da amizade. Isso mora?
- 0:31Porque aí vocês são uma dupla que inclusive parece muito com a
- 0:34Andréa delfê e a Aline bake. Por algum motivo, dá um match
- 0:37assim, a gente olha, tem alguma energia que bate.
- 0:40Acho que vocês têm muito isso, mas buscando ali, então, no
- 0:43processo criativo e na escrita de vocês, eu?
- 0:45Encontrei algo como a gente pensando em vocês, falam muito
- 0:48de histórias de mulheres e entram muito nesse território do
- 0:52do trauma, exploram temas densos, né?
- 0:55Vocês não, não são escritoras de passar por por temas ali sem se
- 0:58aprofundar, vocês mergulham dentro da história dessas
- 1:01mulheres. É talvez ali brincando com o
- 1:03ficcional e o não ficcional. Vocês têm outras influências
- 1:06dentro da escrita de vocês? Tem a Morgana, que além de
- 1:09escritora de literatura, roteirista também, então essa
- 1:12experiência do audiovisual tenha a di, que traz uma experiência
- 1:15ali muito. Historiadora e da pesquisadora,
- 1:17então, vocês têm essas influências externas e de outros
- 1:20caminhos que acham que acabam entrando muito na literatura de
- 1:23vocês, né? Acabam influenciando muito no
- 1:25que vocês escrevem. Mas antes da gente começar a
- 1:27conversar, eu vou apresentar um pouquinho das 2.
- 1:29Eu sempre leio um pouquinho aqui de cada autora para quem está
- 1:32acompanhando a gente conhecer. Doutora Kiko adia nobre que ela
- 1:35é doutora em história pela Universidade Federal do Rio de
- 1:38Janeiro e sua tese em doutorado em incêndios da alma, premiada
- 1:41pelo Capes, foi adaptada e publicada em livros sobre o
- 1:44mesmo título em 2024 pela editora planeta.
- 1:47Ela também é autora da coletânea de contos no útero não existe
- 1:50gravidade, que foi finalista do prêmio mix literário em 2021, e
- 1:54autora de boca do mundo, seu primeiro romance.
- 1:56Que está sendo publicada agora pela companhia das letras,
- 1:59inclusive. Eu não sei quando vocês vão
- 2:00ouvir esse episódio, mas o lançamento foi ontem aqui No No,
- 2:03na cronologia de gravação, então está tudo super recente,
- 2:06bem-vinda dia. Muito obrigada Isabela pelo
- 2:09convite. Eu fico muito feliz, né?
- 2:12De estar aqui nesse podcast. É que é um projeto lindo elas na
- 2:17escrita. Sempre admirei muito seu
- 2:18trabalho e tô feliz também de estar aqui com a Morgana, né?
- 2:22Que é tipo como irmã para mim. E a gente é sim, a gente.
- 2:27Acho que a gente tem muita coisa em comum, acho que vai ser uma
- 2:29conversa bem legal. E é aí, gente, para quem não
- 2:31sabe ou para quem já sabe que andou dando uma pesquisadinha no
- 2:34podcast. Eu tinha vontade de fazer o
- 2:35podcast há muito tempo, né? Elas na escrita.
- 2:37Era um projeto que eu ficava mais só ali, nas entrevistas,
- 2:39no. No escrito e tal.
- 2:41E foi com a dia que eu consegui dar esse empurrãozinho.
- 2:43Foi lá em 2020, dia na. Pandemia 2020, e.
- 2:46Um no meio da pandemia a gente se juntou, começou a conversar
- 2:49um pouco mais e a gente fez a primeira temporada delas na
- 2:52escrita lá no zoom ainda. Gente lá.
- 2:54No No tempo das cavernas. Mas foi muito legal e me deu um
- 2:57empurrão um dia. Então, por sua causa que eu tô
- 2:59aqui hoje, né? Deu sorte?
- 3:00É, me deu. Toda foi muito legal com o pé
- 3:02direito. E eu estou aqui também com a
- 3:04Morgana cretzman chiquíssima. A Morgana cretzman nasceu na
- 3:08região noroeste do Rio Grande do Sul, na Fronteira com a
- 3:10Argentina. Ela é escritora e roteirista.
- 3:12Em 2021, venceu o prêmio São Paulo de literatura com seu
- 3:15romance de estreia ao pó, publicado pela patuai em 2020.
- 3:19Ela também é formada em gestão ambiental e vive aqui em São
- 3:22Paulo hoje em dia. Como roteirista, trabalhou na
- 3:24série taram para a plataforma de streaming Disney+, e seu romance
- 3:27mais recente, água turva, foi publicado pela companhia das
- 3:30letras em 7 línguas e 15 países. Gente, parece.
- 3:36Que eu? Tô juquíssima, não é verdade?
- 3:39É que ontem rolou uma piada sobre isso.
- 3:42Piada de bastidores, não vamos contar.
- 3:44Ah, eu não, eu queria contar. A gente tava no lançamento
- 3:46juntas, ó sim, no lançamento da dia.
- 3:48Então essa informação aí, gente, é privilegiada?
- 3:51São 7 línguas e 15 países. Você viu em primeira mão?
- 3:54Sim. E que inclusive, que incrível.
- 3:57Morgana. Parabéns, seja bem-vinda também.
- 3:59Ah, querida Isa, obrigada. É um prazer, tá?
- 4:02EE tá lindo né? Aqui assim é o estúdio EE todo
- 4:07podcast, parabéns mesmo. Fico feliz de estar do lado da
- 4:11dia que começou, então eu nem sabia que tinha começou com ela,
- 4:15né? O podcast, mas é é um prazer.
- 4:20Tá no na semana de lançamento desse livro maravilhoso da dia
- 4:25para poder tá aqui falando de literatura, falar do seu livro,
- 4:28falar da gente. Gente, uma capa linda, boca do
- 4:30mundo que não tá. Quem tiver assistindo a capa tá
- 4:33ali atrás da di, inclusive a Morgana tá mostrando ali também.
- 4:36Quem não tiver assistindo, procura depois que e ficou
- 4:38incrível essa ilustração e eu soube ontem pela dica, inclusive
- 4:41eu achei que tinha sido feita por livro, porque ela tem tudo a
- 4:44ver. Ele parece com a história, mas
- 4:45foi um encontro ali com a ilustradora, né?
- 4:48É, foi na verdade, quando AA minha editora mandou para mim,
- 4:51né, a sugestão de capa, eu pensei, nossa, porque foi muito
- 4:55rápido. Eu pensei, como assim deu tempo
- 4:57dessa moça ler o livro e fazer uma ilustração, mas não, a
- 5:00ilustração já existia e parece assim que ela leu o livro que
- 5:04foi feita para o livro caiu muito, caiu como uma luva assim,
- 5:07essas coisas da vida, né? Assim, eu, eu, eu sou uma pessoa
- 5:12muito espiritualizada, então Eu Acredito muito que as coisas
- 5:15acontecem quando elas tem que acontecer.
- 5:17E as pessoas se encontram também no tempo que elas têm que se
- 5:20encontrar, né? Então eu acho que é esse livro.
- 5:24Ele ele tá já começando num caminho muito bonito assim, né?
- 5:28De. É desses encontros não só com a
- 5:31minha editora, que é a Stephanie da companhia das letras, mas
- 5:34também com a ilustradora. É as pessoas que estão fazendo
- 5:38parte também desse processo, né? De divulgação do livro as amigas
- 5:42que estão junto, né? É dando essa força, eu acho que
- 5:46é. Está sendo um processo muito
- 5:48bonito, sabe? Então legal isso.
- 5:49Você falou muito que você tem esse lado mais esotérico e tudo.
- 5:52EE depois eu quero falar sobre ele, porque ontem, no lançamento
- 5:55da ADI, inclusive, fiquei sabendo de várias Curiosidades
- 5:57do processo criativo que eu achei.
- 5:59Muito incrível seus caderninhos, do mapa astral, de tudo.
- 6:02Então depois a gente vai conversar sobre isso.
- 6:04Mas acho que pra gente começar, no comecinho eu tava falando que
- 6:07vocês são autoras, que transitaram também e transitam
- 6:10ainda de alguma forma, por esse outro lado, seja da pesquisa, do
- 6:12roteiro do audiovisual. Eu queria entender para vocês, a
- 6:15gente sempre conversa um pouco do como a escrita chegou para
- 6:18cada autora, mas eu queria entender para vocês.
- 6:20Então, quando a escrita se tornou essencial para vocês,
- 6:23vocês entenderam que era que era um caminho, era algo que vocês
- 6:26iam seguir na escrita literária e também como essas outras.
- 6:29Esses outros tipos de escrita que vocês têm, seja como
- 6:32roteirista de audiovisual, seja como pesquisadora, historiadora,
- 6:35como elas dialogam e influenciam de alguma forma a produção
- 6:38literária de vocês também, né? Porque são espaços que parecem
- 6:41muito diferentes para quem vê de fora.
- 6:42Mas eu não sei se para vocês eles se conectam de alguma
- 6:45forma. Então, se puderem contar um
- 6:46pouquinho para mim. Vai lá jogo de vôlei.
- 6:53Com você começa, você é? Eu acho, Isa, que é AA as artes,
- 7:00pelo menos pra mim, no meu processo criativo, as artes que
- 7:04eu faço, que inclui artes cênicas, que inclui teatro, né?
- 7:08Que eu fui atriz de teatro durante muito tempo, é, eu fui
- 7:11dramaturga também. Eu tenho peça de teatro, ganhou
- 7:14prêmio e tudo. É, e depois vou pra pro mundo
- 7:18dos roteiros e só depois eu vou pro mundo da escrita literária
- 7:22mais propriamente dita, com o primeiro livro, né?
- 7:24OAO pó. Então eu pra mim tudo isso é é é
- 7:29de Extrema importância pra ter chegado onde eu cheguei hoje,
- 7:33que é me tornar uma pessoa que escreve romance, é, as pessoas
- 7:39falam que né? Às vezes a gente recebe uma ou
- 7:43outra resenha que fala, Ah, é um livro que.
- 7:45É ele. Ele é muito cinematográfico, mas
- 7:48é porque ela é roteirista. Eu acho que o livro ele é muito
- 7:51mais dramatúrgico, tem muito mais de dramaturgia, tem muito
- 7:54mais da Morgana é atriz de teatro nesse livro do que
- 8:00qualquer coisa que tenha mais relação com é cinema ou séries
- 8:06que eu possa ter trabalhado, escrito ou estudado, né?
- 8:10Que. São escritas muito diferentes,
- 8:12né? Assim, pra você escrever um, por
- 8:14exemplo, um roteiro de cinema, um roteiro é de série, você
- 8:19segue umas 1111, apanhado de regras.
- 8:23Tem muitos mapas. Né?
- 8:24Você não tem a Liberdade da escrita criativa, da escrita
- 8:27literária, né? Então são escritas completamente
- 8:30diferentes. E o teatro, ele te dá uma
- 8:32Liberdade maior que a literatura também te dá.
- 8:35Então, durante muito tempo é no meu processo de escrita, de
- 8:40pesquisa, de reescrita, né? Principalmente que a gente passa
- 8:44muito mais tempo, né, de reescrevendo do que escrevendo.
- 8:49É, eu me sinto muito? É.
- 8:51E eu converso muito com a Aline bei sobre isso, porque a gente
- 8:53vem muito de áreas parecidas nesse sentido.
- 8:56É que eu achei muito legal lembrar, eu acho, contando que
- 8:59você é do teatro, que é uma origem que eu tenho também.
- 9:01Quando estava com a Aline que eu conversei, disse em anos de
- 9:03artes cênicas. E eu fiz um pouco essa
- 9:05trajetória também, de primeiro ter um encantamento pelo texto
- 9:07do teatro, pela dramaturgia, pelo processo em grupo, para
- 9:11depois começar no processo mais solitário da escrita.
- 9:13É o seu livro também tem muito de dramaturgia, tem o seu livro,
- 9:18né? Tem muito assim, né?
- 9:20A gente consegue visualizar é também no palco, aquela
- 9:24personagem fazendo, né? Então eu acho que é isso.
- 9:27Assim, eu, eu chego um momento da escrita em que eu começo já
- 9:32imaginar como se eu tivesse realmente improvisando, como se
- 9:37eu tivesse realmente, sabe, no palco, improvisando, eu já, eu
- 9:40já estou com aquelas personagens naquela cena, só que sou eu,
- 9:44todas elas, né? Então assim, eu sempre falo que
- 9:48eu devo tudo ao teatro EE de verdade.
- 9:50Assim, eu hoje sou aposentada, sou uma atriz aposentada, mas eu
- 9:55devo tudo ao teatro, porque Oo teatro me trouxe até aqui, eu
- 10:00acho uma das artes mais lindas que existem.
- 10:02EE é muito, é muito bonito. A gente vê hoje esse, esse esse
- 10:09apanhado de autoras como você, como Aline, e como outras
- 10:13autoras também, que vieram ou do cinema ou das artes cênicas e
- 10:17hoje estão trabalhando com literatura e trazendo uma
- 10:19linguagem diferente, né? Uma outra linguagem, um outro
- 10:22tipo de fazer literário, um outro tipo de contar uma
- 10:25história que é isso que a gente faz.
- 10:27E você vê, por exemplo, nós 3 somos 3 autoras que vieram do
- 10:31mesmo lugar e escrevem toda. Totalmente diferentes, né?
- 10:34De e contam as suas histórias de maneira diferente e ao mesmo
- 10:39tempo é, na minha opinião, histórias que são interessantes
- 10:42e que é consegue chegar no público, né?
- 10:47Nossa, e até a mogara falando do meu livro.
- 10:50Eu lembrei aqui também de um outro ponto, olha que
- 10:52coincidência, tenho aqui na minha frente minhas 2 blurds.
- 10:55Foi a Morgana e a dia, então, de alguma forma, acho que eu tenho
- 11:00vocês ali um pouquinho também no meu livro é carregando ele ali
- 11:03nesse pra iniciar com o pé direito também, né?
- 11:05Começar com sorte. É.
- 11:08Essa questão assim da escrita, pra mim sempre foi algo muito
- 11:13caro, né? Eu não, não, não tenho
- 11:16trajetória é em outras artes. Eu sempre fui da escrita, então
- 11:21desde criança eu participava de clubes.
- 11:24De leitura, clubes de escrita, né?
- 11:27É, escrevi literatura de cordel quando eu era adolescente.
- 11:32É, tem. Tem todo 11 processo da minha
- 11:35vida que realmente envolve a escrita.
- 11:38E eu também sou uma escritora de diários, né?
- 11:40Então eu sempre escrevi. É, e aí eu fui para uma
- 11:45trajetória que foi uma trajetória acadêmica na área de
- 11:47história, né? E é isso, quando a gente pensa
- 11:50história é, enquanto a ciência também a gente é, é.
- 11:54A gente conta, né, causos assim. Só que na história a gente tem
- 11:59um método, e esse método ele é muito limitado a existência de
- 12:03registros e de comprovações. Que é o que difere é a história,
- 12:09né AA escrita da história da escrita literária.
- 12:11Na escrita literária, a gente tem Liberdade para inventar,
- 12:14para criar, né? A gente não tá presa na
- 12:17documentação, mas é escrever. Para mim, sempre foi uma espécie
- 12:24assim, de fuga também da minha própria realidade, né?
- 12:29Eu venho de um de um lugar assim, muito humilde, muito
- 12:32simples. É de uma história assim também
- 12:35com com. Com bastante violência.
- 12:38E escrever para mim era essa fuga.
- 12:40Então AA, os meus diários eram esse lugar aonde eu tinha para
- 12:45para desabafar, né? Para conversar com alguém,
- 12:49porque naquele momento eu era muito sozinha, né?
- 12:51Então, no na escrita eu conversava, né?
- 12:55É com algo ali que me dava esse alento, digamos assim.
- 12:59Então, por. Questões aí por circunstâncias
- 13:02da vida. Eu fui pra carreira acadêmica,
- 13:04né? Mas eu nunca deixei de escrever
- 13:05e eu nunca é, vamos dizer assim. Eu acho que eu sempre guardei no
- 13:11meu coração esse desejo de ir pra ficção e ir pra literatura,
- 13:15né? E aí agora eu eu posso, né?
- 13:19Me dedicar a isso. E isso para mim é é.
- 13:22Tá sendo assim um processo muito importante, porque é durante
- 13:27muito tempo. E a gente vive numa sociedade
- 13:28que julga muito as mulheres, né, e que também dá prazos para as
- 13:34mulheres, né? Então, assim, a mulher quando
- 13:36ela chega numa determinada idade.
- 13:38Ela já não. Não serve pra muita coisa, né?
- 13:41Porque AA gente tem uma sociedade que valoriza muito a
- 13:44Juventude, né? A beleza padrão, etc.
- 13:47E aí quando eu é, pensei assim, aí agora eu quero começar a
- 13:53publicar ficção. Eu me perguntei muito se não
- 13:57era. Tarde demais assim, né?
- 13:59E aí, parece que eu tenho 80 anos, mas eu só tenho 40.
- 14:03Mas assim, nossa, mas é muito. Muito impressionante isso.
- 14:07Como a gente se cobre mesmo. Às vezes a gente tá com com 30
- 14:09anos e pensando, nossa, será que não é tarde para começar a
- 14:12publicar? Olha que loucura.
- 14:13Justamente, né? E aí eu li 11 diário da Virginia
- 14:17Wolf, né? Que é um autor que eu admiro
- 14:20muito. É.
- 14:22E no diário ela fala, né? Em alguma das entradas ela fala
- 14:26assim que ela acabou de fazer 40 anos.
- 14:29E somente naquele momento ela achava que estava conseguindo
- 14:33dizer aquilo que ela queria dizer.
- 14:35E isso me tocou muito, porque eu comecei então a pensar, nossa,
- 14:40eu acho que agora, então é esse o momento de eu dizer aquilo que
- 14:43eu quero. Dizer, né?
- 14:45E eu acho que aí a minha trajetória, ela, ela me dá essa
- 14:50experiência e essa maturidade. Então eu acho que esse momento
- 14:53agora que esse livro tá saindo, ele sai também com 11.
- 14:58Trajetória que foi alimentada por muitas coisas, foi
- 15:01alimentada pela minha. A minha experiência de vida foi
- 15:04alimentada pela minha experiência como historiadora,
- 15:07como professora universitária, né?
- 15:09Das pessoas com quem eu convivi, das histórias que eu escutei,
- 15:12dos lugares onde eu vivi, né? Eu sou meio cigana, morei em
- 15:15vários lugares e eu acho que isso tudo é alimentou AA dia que
- 15:21existe hoje e que está publicando seu primeiro romance,
- 15:24sabe? É, é.
- 15:25E aí eu acho que é, é isso. Assim, a escrita para mim sempre
- 15:28foi esse lugar de salvação. Mesmo assim, esse lugar é o
- 15:32caderno. Era, era o meu amigo, era.
- 15:35Era aquele lugar que eu tinha para desabafar, né, para
- 15:38conversar, para elaborar as coisas que eu tava sentindo, o
- 15:42que eu tava passando, né? Então eu acho que que é isso,
- 15:46assim é escrever para mim, é esse era esse lugar de salvação,
- 15:51sabe? É legal.
- 15:52Posso falar uma coisinha? Porque eu fiquei pensando nisso
- 15:55agora que a diia tava falando, e eu acho que é um ótimo exemplo,
- 15:57não só ela como o lançamento desse primeiro romance dela,
- 16:01porque Eu Acredito muito que. É uma forma da gente se colocar
- 16:05no mundo, né? E ela acabou de falar exatamente
- 16:07isso, né? É, pode parecer tarde, mas era o
- 16:11momento dela se colocar no mundo, né?
- 16:14Eu acho que esse livro vem com isso.
- 16:15Depois de tudo que você passou desde a sua infância, como você
- 16:18falou das violências? É, né?
- 16:21A Juventude, tudo que você estudou e ser historiadora e
- 16:24doutorado e tudo que você fez até hoje é o momento.
- 16:28Era agora de se colocar no mundo através desse livro, que é um
- 16:32livro incrível e que é você nele totalmente, né?
- 16:35Assim é, não no sentido de que é a sua história, mas é que você
- 16:40tá aqui. Então é muito isso assim.
- 16:42Eu acho um exemplo incrível disso assim, né, quando a gente
- 16:44fala da lição de literatura como forma de se colocar no mundo.
- 16:48Me parece que você é um ótimo exemplo, ainda mais você falando
- 16:51disso agora dizendo, Ah, será que não é tarde?
- 16:5340 anos, primeiro livro, poxa, tá aqui, você tá se colocando no
- 16:56mundo agora. E porque era agora o momento
- 16:58como você falou ontem, né? Tudo acontece no momento que tem
- 17:01que ser. Mas e muito importante mesmo
- 17:03você trazer isso, porque a gente tem muito, né?
- 17:05Isso de achar sempre que tá tarde quando mulher.
- 17:07E eu pensei também é. Por exemplo, no baixo Paraíso
- 17:10acontece uma coisa semelhante ao seu livro, que é, a gente vai
- 17:12acumulando algumas experiências, algumas histórias, a vida
- 17:14inteira e talvez coisas que a gente não tava preparado para
- 17:17falar em outra fase da vida. E existe uma fase da vida.
- 17:20Pode ser aos 35, pode ser aos 40, que vai ser a hora que você
- 17:23vai estar pronta para entrar naqueles temas, né?
- 17:25Então, o quanto é importante também a gente entender que
- 17:27existe um tempo. Na escrita, existe um tempo onde
- 17:30a gente vai está preparado para falar de alguma coisa, está
- 17:33preparado para entrar em algum tema.
- 17:35E você falou dos cadernos quando você estava falando um pouco
- 17:37sobre a escrita. Os cadernos ainda são
- 17:38importantes para vocês? Vocês têm cadernos aos milhares,
- 17:42como que é? Eu sei que a dia falou um pouco
- 17:43dos caderninhos dela, não tendo lançamento, você tem isso
- 17:46também, Morgana, um processo mais manual de escrita ou não?
- 17:49Eu eu quero ir para esse museu que vai ser criado, né?
- 17:52Dos cadernos da dia, dos cadernos da dia.
- 17:54Eu estou, eu também. Estou muito curiosa.
- 17:56Nesse momento eu não tenho cadernos assim, eu anoto, você
- 18:01está vendo aqui? Eu, eu anoto em, em em
- 18:03bloquinhos. Eu tenho muitos bloquinhos, eu
- 18:05anoto muitas coisas nos bloquinhos e aí eu vou botando
- 18:08no título assim, sei lá, água turva 18, água turva 23, porque
- 18:13vai enchendo os caderninhos. Assim é, seja qual for o livro,
- 18:17depois eu junto tudo isso e boto numa caixa e guardo é.
- 18:23Tipo no sótão da casa, assim, num lugar que eu deixo lá
- 18:25guardado. Então eu tenho isso dual pó, eu
- 18:27tenho 11 caixa, assim com as coisas eu tenho do água.
- 18:31Agora, eu acabei de terminar um romance infantojuvenil, que
- 18:35legal que a gente, eu e o Paulo escrevemos juntos, mas ele é um
- 18:38projeto do meu TCC de faculdade em gestão ambiental.
- 18:42Então eu trabalho nesse projeto, desse livrinho desde 2017.
- 18:47Então eu tenho muito material que está todo numa caixa.
- 18:50Mas eu assim já falei outras vezes, o que eu faço quando eu
- 18:53estou em processo de escrita? O meu escritório vira uma
- 18:56espécie de instalação louca assim, porque é o água, por
- 19:01exemplo, as as janelas, os vidros das janelas já não podiam
- 19:04ser abertos, nem limpados, porque era cheio de papel
- 19:07colado. AI que legal.
- 19:09As paredes, todas as paredes, o chão por todos os lugares.
- 19:13Tipo, o menino do Acre, né? Vocês lembram dessa história do
- 19:17menino do Acre? Ele fazia isso, não é?
- 19:19É um, virou um. Porque é uma história dele, uma
- 19:21loucura desse rapaz. Que ele eu não sei.
- 19:24Ele sumiu, desapareceu. E aí quando entraram no quarto
- 19:27dele, eu acho. Que ele tá escrevendo outra
- 19:28gente? Era uma instalação, era uma
- 19:29instalação do do piso ao chão de papel, colado em todo lugar.
- 19:34Escrito. Várias loucuras, várias
- 19:35loucuras. No meu caso, a loucura foi
- 19:37publicada, se chama água pura. Não, mas eu também tenho isso
- 19:41assim de fazer. Eu, eu, eu faço assim uma parede
- 19:45só do livro, né? E aí depois também eu pego e
- 19:47guardo tudo. Mas eu tenho um processo muito
- 19:49manual. Assim, geralmente AAA primeira
- 19:52ideia que vem, eu preciso escrever a mão, e aí, claro, aí
- 19:56eu escrevo a mão ali, aquele rascunho, depois eu vou pro
- 19:58computador e vou é vai crescendo e vou reescrevendo e tal.
- 20:03Mas eu acho que é como eu venho de 1/01/1 trajetória assim,
- 20:09dessa coisa do diário. Escrever a mão pra mim é muito
- 20:12importante. Parece que eu elaboro melhor
- 20:15quando eu escrevo a primeira ideia, a mão.
- 20:17E depois eu vou para o. Computador, olha só, eles não
- 20:20vão conseguir ver mais. É que assim, ó, olha a minha
- 20:21letra para eu querer escrever a olha a letra da.
- 20:23A letra da dia é linda, gente. Eu entendi ontem eu também
- 20:27fiquei se eu tivesse, porque a minha letra é muito.
- 20:28Feia amiga, eu estaria escrevendo na mão também, mas eu
- 20:31tenho essa. Então.
- 20:33Aí eu tenho a letra feia, ó, eu dou, eu escrevo amor aqui do
- 20:36jeito. Que a gente.
- 20:36Minha letra já foi mais bonita hoje em dia.
- 20:38Depois que a gente começa a digitar, né?
- 20:40Só usar o perder vai perdendo. Mas a minha letra ela é ainda
- 20:44bonita hoje, mas ela já foi mais.
- 20:46Legal, mas eu pergunto isso para os cadernos, porque os
- 20:48caderninhos, eles sempre estão com autores de alguma forma.
- 20:51Cada um de um processo tem autores como a Aline bake é um
- 20:53pouco mais parecida com a Morgana.
- 20:55Eu acho que ela fala que escreve, mas não usa
- 20:57literalmente o caderno no livro. Tem autoras que escrevem as
- 21:00vezes a primeira versão para ir depois o livro, então.
- 21:02Muitos caminhos. E vocês, gente, nos livros de
- 21:05vocês, vocês trabalham e trabalharam.
- 21:07Não sei se pretendem fazer ainda muito.
- 21:09Tem tanto um lado místico, mas também tem o lado da ecologia e
- 21:12tem um lado muito de simbolismo. Como vocês conseguem conseguiram
- 21:16e pensaram em equilibrar esse lado mais da Mística e do
- 21:19simbolismo e desses elementos que estão um pouco mais aéreos,
- 21:22com os elementos reais do realismo ali para trazer as
- 21:25personagens de vocês com muita força.
- 21:27Eu lembro do lançamento da Morgana, uma coisa que ficou
- 21:29muito marcada para mim foi que acho que foi.
- 21:32No fim do lançamento, Do Nada fez se uma roda de mulheres
- 21:35tinham muitas autoras, foram muitas escritoras nesse
- 21:37lançamento. E a gente fez uma roda de
- 21:39mulheres e tinha uma oração e que vinha também do do seu
- 21:42livro. Então essa ficou muito marcada,
- 21:44essa Mística que se criou ali no lançamento e ontem a dia,
- 21:47falando no lançamento dela também, de toda Mística
- 21:50envolvida ali Na Na, na cidade, no espaço que ela criou.
- 21:53Queria entender então como vocês foram para esses elementos
- 21:56místicos. Como é o equilíbrio do entre
- 21:58isso e o realismo na escrita de vocês?
- 22:03É eu, eu acho que assim, pensando um pouco numa em Duas
- 22:09Estradas que vão se encontrar numa Encruzilhada, que seria o
- 22:12livro da dia e o meu. Eu acho que a gente se encontra
- 22:15nessa questão da Terra mesmo, do território, né?
- 22:19Porque tanto a água turva tem essas mulheres que ficam
- 22:23lutando, né, para defender esse território, que são mulheres que
- 22:27é, não. Que tem um passado muito
- 22:30turbulento, né? Um ódio que foi criado é não por
- 22:34elas, mas por outras pessoas, mas que cresceu dentro delas.
- 22:37Então elas também se encontram numa determinada Encruzilhada,
- 22:41que é, eu preciso defender essa Terra, esse chão.
- 22:44E as mulheres de Urânia também, né?
- 22:47Essa coisa de defender esta Terra, esse chão.
- 22:50Então eu acho que isso é seria, quem sabe, o grande casamento
- 22:53dos 2 livros, né? Assim pra, pra pra falar disso
- 22:57né? Que mais do que só personagens
- 22:59femininas, como você mesmo falou ontem, né?
- 23:01Eu dei uma entrevista também ontem, por isso que eu ainda não
- 23:04tinha te mandado a minha biografia, porque eu tava muito
- 23:07envolvida com uma entrevista em espanhol que eu IA que dar,
- 23:10teria que dar, então que legal, tava me preparando e respondendo
- 23:13as perguntas. E chega um momento da entrevista
- 23:16em que o entrevistador, uma pessoa muito gentil 111
- 23:19jornalista lá de Mendonça, da Argentina, ele pergunta a você,
- 23:23se o meu livro é feminista? E é muito interessante o quanto
- 23:27as pessoas que estão lendo o livro fora do Brasil, elas têm
- 23:30outras visões. E nenhum momento aqui no Brasil
- 23:33ninguém tinha dito que o água era um livro feminista.
- 23:38São outras percepções, porque são outras.
- 23:39Recepções, né? Sabe uma coisa que eu acho assim
- 23:43é que é muito. É complexo, porque parece que
- 23:49quando a gente escreve sobre mulheres, automaticamente é como
- 23:54se a gente tivesse fazendo uma militância feminista, né?
- 23:57E aí eu acho que o ponto não é esse.
- 23:59O ponto é que durante muito tempo as mulheres foram narradas
- 24:04pelos homens. E agora a gente tomou o nosso
- 24:08lugar e a gente tem. Agora é o domínio sobre a nossa
- 24:12escrita. E a gente tá escrevendo sobre as
- 24:14nossas experiências enquanto ser mulher no mundo.
- 24:17Isso não necessariamente significa que a gente tá fazendo
- 24:20é 11 ativismo feminista panfletário, né?
- 24:24Eu acho, assim, que todos nós aqui somos feministas.
- 24:27Não necessariamente, OOO texto que a gente escreve.
- 24:31É um texto que se pretende é panfletário ou que ou que se
- 24:36pretende é ou que pretende convencer o outro da importância
- 24:41de se falar sobre mulheres e da importância de falar sobre essas
- 24:44violências que as mulheres sofrem e também das formas como
- 24:47elas encontram, né? Pra pra resistir a isso.
- 24:51Então quando eu li Oo água turva da Morgana.
- 24:54Eu já tinha adorado o UOL pó, né?
- 24:56É e. Mas quando eu li o água turva,
- 24:59eu fiquei assim muito impressionado, porque são 2
- 25:01livros muito diferentes, inclusive a escrita.
- 25:04É, é, é diferente EOO, água turva.
- 25:07Eu fiquei assim, é muito impressionada como ele dialogava
- 25:11com o meu livro, que eu já já tava no processo de edição, mas
- 25:16que a gente não tinha conversado sobre.
- 25:19Né? E aí eu sou do nordeste, a
- 25:21Morgana é do sul, e a gente tem de alguma forma, experiências,
- 25:26né, que se entrelaçam e que a gente acaba falando das mesmas
- 25:30coisas, né? Dessas mulheres que estão
- 25:32querendo então reaver o controle sobre sua própria narrativa.
- 25:35E acho que entrando muito nessa questão do território também,
- 25:38como a Morgana falou, muito legal pensar nesse encontro é
- 25:41onde vocês 2 realmente vão confluindo assim.
- 25:44É justamente porque assim, veja é, é quando a gente pensa esse
- 25:48espaço, né? Ou seja, o Sertão seja é, é Oo.
- 25:54Vale do yucuman, né? Salto do yucuman, Salto do
- 25:57yucuman é. A gente tá falando de
- 26:01territórios em que foram negados as mulheres.
- 26:05Né? Ou que foram estereotipados ou
- 26:07que as mulheres, elas não, não tinham espaço, né, de vivência,
- 26:12o espaço de controle. E aí no água turva, você tem
- 26:15mulheres lá disputando esses lugares, né?
- 26:17É tanto AAA as as personagens que estão, digamos assim, de
- 26:23certa forma em oposição, em conflito e que no final das
- 26:27contas, elas estão pensando a mesma coisa.
- 26:29Elas estão lutando pela mesma coisa, né?
- 26:31Então eu acho assim que. É essa coisa de colocar a
- 26:35literatura que escrita por mulheres sempre, como a
- 26:37literatura panfletária ou a literatura feminista.
- 26:41Isso, na verdade, é uma forma de misoginia.
- 26:44É uma forma de dizer que a gente não tem o direito de contar as
- 26:47nossas histórias ou falar sem. É sermos panfletários e isso não
- 26:51tira da gente o fato da gente ser ou não feminista também,
- 26:55sabe? Porque eu acho que quando a
- 26:57pessoa fala o que é ser feminista, né, gente?
- 26:59Ser feminista é, na verdade, querer que as mulheres sejam
- 27:03tratadas iguais aos homens. Então assim a gente tá.
- 27:06Quando a gente tá falando de feminismo, a gente tá falando
- 27:08assim, a gente precisa ter os mesmos direitos que os homens,
- 27:12ou seja, ganhar salários equivalentes.
- 27:14A gente sabe que a gente vive. É num num país em que as
- 27:17mulheres, às vezes exercendo funções até superiores aos
- 27:21homens, ganham menos que os homens, né?
- 27:23É? Ou mulheres que não têm seu
- 27:25espaço. Ou mesmo na literatura, quando
- 27:27se fala que, Ah, a mulher tá escrevendo um livro que parece
- 27:32que quando a gente escreve, é sempre do universo do particular
- 27:35ou do autoficcional, né? Então, assim, parece que a
- 27:38gente. É, é, está muito limitado a isso
- 27:41e não a nossa literatura. É uma literatura universal, é
- 27:44uma literatura que cria identificação.
- 27:46Então eu leio o livro da Morgana, que é uma mulher do sul
- 27:49do país, e eu me identifico, sabe?
- 27:51A gente tem experiências de vida completamente diferentes.
- 27:53Eu leio o seu livro, eu lembro que eu li o seu livro, eu fiz a
- 27:57leitura beta do livro, né, antes do livro ser publicado, e eu
- 28:01fiquei impressionadíssima assim com com o seu texto e me
- 28:05identifiquei também. Né?
- 28:07Então eu acho que é isso. E a gente, nós somos de lugares
- 28:09diferentes, temos experiências de vida diferentes.
- 28:12É. E a gente quer ter o direito de
- 28:14contar as nossas histórias, né? É exato, não.
- 28:17EE, você fala tanto do feminismo, mas tem outra
- 28:19Bandeira também, que, como você falou, lembrou a Morgana que vem
- 28:22de um lugar ali do sul, você e do nordeste.
- 28:24Aí entra indo regional, né? Que sim.
- 28:26Pensa na literatura regionalista, o que é regional,
- 28:28né? E.
- 28:29Você é do centro Oeste, né? E o centro Oeste quase nunca é
- 28:32lembrado. Na verdade, exato.
- 28:34Não existe, né? Praticamente não.
- 28:35Ele não existe. Eu falo até mesmo que.
- 28:37Eu acho que é o lugar mais esquecido que eu vou falar, não,
- 28:39então é, de um lado está o é norte, nordeste, do outro sul e
- 28:42sudeste. Eu falo, gente, existe o centro
- 28:44Oeste também, não se esqueçam, mas é realmente existe essa
- 28:47questão dos espaços e do território.
- 28:49Acho que acaba influenciando muito a nossa escrita, né?
- 28:51Não sei se para vocês faz diferença, inclusive para dia
- 28:54não sei se tanto que você se muda muito.
- 28:56Eu IA falar se às vezes quando vocês saem do lugar de origem de
- 28:59vocês, se isso também movimentou alguma coisa na escrita de vocês
- 29:02a dia. Falando agora, eu pensei muito
- 29:04nisso, que para mim isso fez muita diferença quando eu saí da
- 29:07minha. Cidade vim para São Paulo.
- 29:08É quase como se eu tivesse AAA certeza de que eita, não sou
- 29:12daqui, sou estrangeira nesse lugar.
- 29:14Então isso começa a movimentar e mudar minha escrita também.
- 29:17Para vocês, isso influencia de alguma forma, até de você querer
- 29:20voltar para os seus lugares, querer voltar para os seus
- 29:22territórios, suas suas paisagens, para trazer para o
- 29:24livro? Eu achei bonito que ontem no
- 29:27lançamento a dia falou, Ah, eu me mudo bastante.
- 29:29Agora eu estou indo lá para o para Fronteira com o Espírito
- 29:32Santo. E eu vou ter muitas, eu vou
- 29:35conhecer muitas histórias e vou ter muitas histórias, né, para
- 29:38contar desse lugar? EE isso é a coisa mais incrível,
- 29:41né, de você ser um escritor, uma escritora, né?
- 29:44Você pode escrever de qualquer lugar, qualquer lugar, pode te
- 29:47trazer em sites, é te ajudar, pode te trazer personagens.
- 29:53E eu acho isso incrível assim, porque o al pó, por exemplo, ele
- 29:58passa, claro, muito ainda no interior do Rio Grande do Sul,
- 30:01desse lugar que eu venho da região da cidade.
- 30:04Mas ele é a maioria do livro. Ele está é no território do do
- 30:10do estado do Rio de Janeiro e um pouquinho ali em Minas, assim é.
- 30:16O água eu já quis voltar assim, eu quis retornar para esse
- 30:19lugar. É ancestral para mim, porque é
- 30:22um lugar que vem os meus avós, meus pais, os meus tios, né?
- 30:27E esse o próximo romance que eu estou trabalhando ele, eu estou
- 30:33ambientando ele em lugar nenhum. Não tem estado, não tem cidade,
- 30:39não tem. Não tem.
- 30:41Eu quis criar tudo do zero assim, sabe?
- 30:43Então eu acho que essa é a coisa maravilhosa da literatura que
- 30:47você não consegue fazer em determinadas artes, né?
- 30:50Você tem uma Liberdade pra criar que é muito incrível, né?
- 30:56EE falando sobre isso, essa coisa de sair do seu lugar de
- 30:59origem, né? Ontem AA Adriana me perguntou se
- 31:02vai ter outro livro, né? Ambientado no mesmo lugar.
- 31:06E aí é, é interessante isso assim porque.
- 31:10Quando eu respondi isso, não, eu.
- 31:11Eu tenho outras histórias para contar, né?
- 31:13É, eu acho que é isso, acho que as pessoas acabam esperando que
- 31:17a gente crie, talvez, né? É uma linha ou um projeto
- 31:23literário que só fala da mesma coisa, né, do seu lugar, do seu
- 31:28lugar e tal. E aí esse livro boca do mundo é
- 31:31foi o livro que eu escrevi justamente para.
- 31:34É trabalhar essas questões que vem do meu lugar de origem, né?
- 31:38Eu sou do Sertão, do do Cariri, eu vivi, é no Sertão, é do
- 31:43Pernambuco, conheci outros. Sertões são são Sertões
- 31:46diferentes, o centro Oeste tem também Sertão EE, são
- 31:49experiências diferentes e linguagens diferentes, sotaques
- 31:52diferentes, né? Mas eu não quero ser um
- 31:55escritora que é fala sempre do mesmo lugar, eu quero, eu tenho
- 32:01muitas outras histórias para contar.
- 32:03Né? De é outras coisas que me movem,
- 32:06outras questões que me movem. Então eu acho que é isso, assim,
- 32:10Oo boca do mundo. Ele é, digamos assim, um
- 32:13presente que eu dei para a minha criança, a minha adolescente,
- 32:18que queria ser escritora. E aí voltei para esse meu lugar,
- 32:22né? De de origem, trouxe essas
- 32:24lendas, trouxe esses mitos, trouxe essas coisas que sempre
- 32:27me fascinaram e fascinam tantas pessoas.
- 32:30E é isso. E ele tá aí, ele é.
- 32:33Ele é uma história fechada pra mim, né?
- 32:35Então agora eu quero contar outras histórias, né?
- 32:38Experimentar outro cenário? Experimentar outros cenários,
- 32:40né, é? Eu acho interessante isso, né?
- 32:43Dia, porque você tava comentando, né?
- 32:44É um livro tão diferente um do outro, né?
- 32:47É uma vez eu dei entrevista pra um homem e ele ficou quase
- 32:51ofendido que eu escrevi um livro tão diferente do Wall Possi e eu
- 32:56falei, querido, então se você se prepara pro terceiro.
- 32:59Pois é, porque parece. É, tem a ver com horror.
- 33:03Tem uma linguagem mais de horror, porque assim é eu.
- 33:07Assim como você falou, eu tenho tantas histórias para contar, de
- 33:09tantos territórios. Nossa, e eu tenho.
- 33:12Tantas maneiras de contar história me deixem.
- 33:15Eu quero, eu quero usar toda a minha criatividade que ainda tá
- 33:19tão é presente em mim. Porque a gente com a idade
- 33:22também vai dando uma cansada e vai perdendo algumas coisas, né?
- 33:26Não é só no corpo, na cabeça também.
- 33:28Então eu quero muito ainda poder aproveitar o que eu tenho ainda
- 33:32em mim. Para fazer outras formas de
- 33:34escritas, sabe? De outras maneiras de contar
- 33:37histórias assim, de ir para lugares que realmente assim a
- 33:40pessoa vai, vai dizer, ela não tem um projeto literário se
- 33:44estiver procurando um, né? Porque eu, eu, eu, eu quero
- 33:47escrever cada vez um livro mais diferente do outro.
- 33:50E o que é essa Liberdade? E se você pensa assim, o que é o
- 33:53projeto literário? Porque eu sou uma autora
- 33:55Nordestina, eu só posso escrever sobre o nordeste.
- 33:59Ou porque a Morgana é gaúcha, ela só pode escrever sobre o Rio
- 34:02Grande do Sul e você só pode escrever sobre Brasília, sabe?
- 34:07Então, assim, o que é um projeto literário?
- 34:08É falar sobre a mesma coisa sempre.
- 34:11Para mim, não. Para mim, um projeto literário é
- 34:13você justamente ser fiel àquilo que você, as histórias que você
- 34:16quer contar, independente de onde elas se passam.
- 34:19Independente, né, de as personagens estarem marcadas por
- 34:2511 pelo lugar ou não, né? Então, assim, Oo próximo também
- 34:31eu estou. Já comecei a trabalhar no outro
- 34:32romance, né? E ele passa também.
- 34:35Ele se passa num lugar também sem nome, que é uma cidade,
- 34:38porque é. A ideia é trabalhar com
- 34:42adolescentes. Eu quero contar a história de
- 34:44adolescentes que são menores infratores.
- 34:47Então a história, na verdade, se passa em um abrigo completamente
- 34:51completamente diferente, e esse abrigo ele tá em algum lugar, eu
- 34:54não sei onde, mas é O Abrigo, a história é no abrigo, então não
- 34:57tem marcação de território, não tem marcação de linguagem, não
- 35:01tem marcação de sotaque, porque é isso, é outra história que eu
- 35:04quero contar, né? Então, quando a gente pensa
- 35:07assim, o projeto literário é falar sempre das mesmas coisas.
- 35:10Não é? Com certeza, eu acho que não.
- 35:11Alguns escritores têm obsessões, né, que são obsessões que se
- 35:14repetem, que às vezes é legal, mas OE é muito legal também
- 35:17existir essa Liberdade de experimentar, de passar por um
- 35:19romance em um livro de contos e o infanto juvenil e o infantil,
- 35:22então, exatamente dessa Liberdade de experimentar
- 35:25textos, né? Mas a gente tá falando, a gente
- 35:27falou muito agora sobre território, sobre lugares.
- 35:29Eu queria que vocês contassem um pouquinho o dia, como que foi um
- 35:32pouco a escolha desse lugar que você criou, urânio, que é um
- 35:35lugar até é místico e é criado, e ele tá ali no livro.
- 35:38Como foi a escolha para você? Se ambientar, então o livro
- 35:41nesse lugar, e é Morgana também que No No água turva, se eu não
- 35:45me engano, tem, é o parque do turvo, não é e ele não é da
- 35:48turva, é o parque do turvo. E também, como foi a escolha
- 35:50para você trazer esse lugar para o livro e criar as personagens?
- 35:54Ali a gente tem essas personagens mulheres, é passando
- 35:57por histórias densas, como a gente conversou, vocês são
- 35:59escritores que vão nesses lugares densos, mas como foi
- 36:02contar a história delas nesses lugares?
- 36:04Porque que vocês escolheram esses lugares?
- 36:06Então é como eu falei, né? Eu acho que esse livro, ele é
- 36:10mesmo, que esse presente para AAA criança e adolescente que eu
- 36:15fui, que queria contar histórias e que vem desse lugar.
- 36:18Eu vendo do vale do Cariri, que é um lugar que tem várias
- 36:22narrativas místicas, né? Inclusive tem 11 ditado lá que
- 36:26diz que quem bebe da água do Cariri não sai mais de lá.
- 36:29EE realmente é uma cidade que ela é, que na verdade são várias
- 36:32cidades, são 38 cidades, mas AO centro, ali é o que a gente
- 36:37chama de cajubaque, são as cidades de Crato, Juazeiro e
- 36:39Barbalha. Tem muita gente de fora assim.
- 36:42É uma cidade de adventícios, né? É uma cidade de gente que vem de
- 36:47fora e fica. E apaixona pelo lugar.
- 36:49O lugar tem uma Mística. EE, claro que isso faz parte
- 36:52também de uma de uma construção, né?
- 36:55Narrativa sobre o lugar. E aí eu eu queria meio que pagar
- 37:02essa dívida. Talvez assim com a minha própria
- 37:06trajetória de eu preciso falar desse lugar de onde eu vim.
- 37:10E também incorporar experiências de outros lugares onde eu morei.
- 37:14Então, quando eu pego Oo vale do Cariri, ele é é Sertão, mas ele
- 37:18é um Sertão completamente diferente.
- 37:20Por exemplo, do vale do São Francisco, que é em Petrolina,
- 37:23onde eu morei, que vale do Cariri é um lugar úmido, fresco,
- 37:28mais frio, com cachoeiras, Fontes de água mineral.
- 37:32Floresta amazônica o vale do São Francisco, ali na região entre
- 37:36Petrolina e Juazeiro, é um lugar mais árido, apesar de ter o Rio
- 37:39São Francisco. Um lugar mais seco, mais quente,
- 37:42mais árido. E a vegetação é caatinga, né?
- 37:45Então você tem aí 2 Sertões completamente diferentes.
- 37:49Eu acho que também era uma das coisas que eu queria trazer.
- 37:52É quebrar com esse estereótipo do Sertão e do nordeste como uma
- 37:58coisa só, né? Então a gente tem aí várias
- 38:01experiências, às vezes em lugares muito próximos.
- 38:03E mas que tem culturas completamente diferentes, que
- 38:06tem climas completamente diferentes.
- 38:08EE modos de viver, né? E aí eu queria é mesclar essas
- 38:13experiências. Então eu criei um Sertão que
- 38:16mescla narrativas do Cariri e do vale do São Francisco.
- 38:21Então eu criei um Sertão. É fictício, né?
- 38:24É. E que parte de uma lenda que é
- 38:26uma lenda dos indígenas cariris, que é num lugar chamado a Pedra
- 38:32da batateira, que fica na cidade do Crato.
- 38:35É se conta, né, que quando Oo começou o processo de
- 38:40colonização e de evangelização do vale do Cariri, que foi um
- 38:42processo mais tardio no século 18, é, houve uma grande
- 38:47resistência dos povos Cariri, mas eles acabaram sendo vencidos
- 38:50e expulsos da região. Então, antes de ir embora, eles
- 38:53deixaram várias maldições que estão presentes No No livro.
- 38:57Uma delas é uma serpente que mora embaixo da igreja, que vai
- 39:01é quando o vale inundar, ela vai sair, vai devorar todo mundo.
- 39:05E o essa lenda principal que é a lenda da Pedra da batateira, que
- 39:09é uma Pedra que existe até hoje acorrentada no chão.
- 39:13E a embaixo dessa Pedra você tem 11.
- 39:16Grande é reservatório de água. Então é.
- 39:20Já foram feitos estudos geológicos, inclusive, que dizem
- 39:23que tem água suficiente para abastecer a região por mais de
- 39:2530 anos. E é essa Pedra tá lá e ninguém
- 39:29tem coragem de tirar, porque ela faz parte dessa maldição dos
- 39:31cariris que se essa Pedra for arrancada, é o Sertão vai virar
- 39:37mar porque vai inundar. Então eu parti dessa ideia,
- 39:39desse buraco que pode engolir o mundo, né?
- 39:43Por isso o título também do livro que é a boca do mundo, que
- 39:45é esse lugar onde o mundo nasce e onde o mundo pode acabar
- 39:49também. Então, AA ideia era justamente
- 39:52trazer essas narrativas, que foram narrativas que me
- 39:55acompanharam durante a minha infância e a minha Juventude
- 39:57toda, né? Todas essas coisas meio místicas
- 40:00que envolvem a região é que que faz parte também assim de uma
- 40:04mitologia, né? Que se cria sobre esse o
- 40:06nordeste, como esse lugar mágico, né?
- 40:09Como esse lugar é que que tem uma vivência religiosa muito
- 40:13forte, que mescla muitos elementos.
- 40:16Então é criar a boca do criar a Urânia, né?
- 40:20E aí Urânia, na verdade, ela é o nome que boca do mundo recebe
- 40:25quando a personagem principal chega lá.
- 40:27Então, quando ela chega lá, ela meio que se revolta com essa
- 40:29ideia de 11 buraco que tá lá no meio e que pode ameaçar o
- 40:33Império dela. Ela manda construir uma praça em
- 40:35cima da Pedra e ela rebatiza. O lugar é com como Urânia.
- 40:41Né? Então ela é uma personagem
- 40:44abiga. É uma personagem que é bem
- 40:45desafiadora nesse sentido e que desafia inclusive AA as
- 40:50maldições, né, que foram colocadas no lugar assim, então
- 40:53é um pouco isso, né? Essa esse livro, ele é meio que
- 40:58esse, esse pagamento de uma dívida que eu tinha comigo
- 41:01mesma, de contar as histórias de onde eu vim.
- 41:04É muito legal. Adia é uma contadora de
- 41:06histórias. Eu tava aqui a gente ouvindo
- 41:08esse processo só de você criar o livro, essas histórias de
- 41:12bastidores já são histórias ótimas também.
- 41:13Dá para ficar super me lembra. Muita Socorro falando assim, né?
- 41:17O Chico Sá também. Os 2 são de lá, né?
- 41:19Eles contam histórias. Com 1 dia assim você não, não
- 41:22você quer ouvir. O pai?
- 41:23E o Chico sai do Crato, ele é cratense.
- 41:27Olha que legal. É.
- 41:30Então eu esqueci a pergunta. A gente tava falando sobre sobre
- 41:34o esses lugares, esses territórios do porque vocês
- 41:36escolheram ambientar o livro nesses lugares onde eles foram
- 41:39ambientados assim? Eu sou pisciana e filha de
- 41:42iemanjá, então perdão ouvindo. Eu também sou pisciana.
- 41:47Acontece. Às vezes não tá ouvindo assim,
- 41:48nem eu lembrava, acho que eu. Lembrei, eu encontrei a Juliana
- 41:53leite no lançamento da Micheline.
- 41:56E ela vinha pisciana e também de iemanjá, e ela falou que assim
- 41:59depende do lugar. Ela tava numa bienal, não sei
- 42:02onde, assim, daí tinha muito barulho e as e as pessoas faziam
- 42:06as perguntas para ela e entrava por um momento, você IA pelo
- 42:08outro. Ela ficava assim, o que que tá
- 42:09acontecendo? Eu falei, cara, eu sou igual,
- 42:12isso que é sua pergunta. Mas enfim, eu só queria falar um
- 42:16negócio do livro, da da di, ainda que eu não sei se você vai
- 42:19concordar comigo, que para mim, orânia é uma personagem.
- 42:24Uma das grandes personagens, né? É como eu acho que o parque do
- 42:28turvo é a aliás, assim OOA, água turva nasce por causa desta
- 42:34personagem. Que são livros com lugares forte
- 42:36que. É o parque do turvo, né?
- 42:37E eu acho que o urani é uma grande personagem do livro
- 42:40também é, e acho que aí também tem outra coisa, né, que que os
- 42:45nossos livros se encontram, que é isso, né?
- 42:48Quando o território onde se passa o livro também são grandes
- 42:51personagens para contar essas histórias, né?
- 42:54EEO, água. Ele surge disso, Isa, ele surge
- 42:57desse lugar, como eu já falei mais aqui no início, né?
- 43:01É, eu queria muito voltar para esse território, para esse
- 43:06parque estadual do turvo, que foi a primeira, a primeira
- 43:08unidade de conservação criada no Rio Grande do Sul.
- 43:12É na década de 4050, né, que ela passa de parque Florestal.
- 43:16Depois ele ele, ele, ele muda pra é ele passa de é de
- 43:23território Florestal pra pra parque em na década de 50.
- 43:28E é um lugar que é o último Reduto da onça pintada no sul do
- 43:31Brasil. É é o lugar onde a onça vai pra
- 43:35ter seus filhotes, então assim. É ele é um lugar muito mágico,
- 43:41porque eu sempre falo, né? É, muitas vezes a literatura,
- 43:44ela tem várias formas de se colocar no mundo, né?
- 43:48Ela tem uma importância grande também, porque eu acho que a
- 43:52literatura, muitas vezes, principalmente essa literatura
- 43:55como da boca, do mundo, do água e de outros livros mais
- 43:59contemporâneos, agora que é de mostrar pra gente um Brasil que
- 44:02a gente desconhece. Porque por mais que urânio seja
- 44:06uma cidade que você inventou, é toda aquela região existe, então
- 44:10a gente desconhece muitas vezes. É.
- 44:13Esse Brasil, o parque do turvo não é não é um lugar ficcional,
- 44:18mas a cidade de Dourado, onde o parque fica é uma cidade
- 44:22ficcional. Não existe o território dos piés
- 44:24rubros, que é uma parte Argentina, não existe, são
- 44:27partes criadas. Então é, é isso.
- 44:30A gente acho que a literatura também tem esse papel, né?
- 44:33De mostrar é e levar o leitor um Brasil que muitas vezes o
- 44:38próprio brasileiro não conhece, né?
- 44:41Então eu acho que essa questão de levar é, é a história para
- 44:45esse lugar, não só querer levar o parque estadual do turvo, um
- 44:50lugar que é a minha primeira infância, eu passei ali.
- 44:55Porque meus avós tinham uma casa, né?
- 44:57Uma pequena propriedade rural, bem em frente ao parque do
- 45:00turvo. Então assim a gente via
- 45:03tamanduá, a gente via outros animais selvagens, tipo no pátio
- 45:07da da da casa da vó e do vôo. Sabe o vô?
- 45:11Na década de 40, 5060, eram comunidades rurais muito pobres
- 45:17numa região muito pobre, tanto do Brasil como da Argentina.
- 45:20Então, e era 11, época onde a caça não era ainda.
- 45:24É ainda era permitida. Então realmente assim,
- 45:27determinadas épocas do ano, se a safra, por exemplo, de batata ou
- 45:32de feijão, ou seja, que for que eles estivessem plantando, não
- 45:35desse nada. Eles caçavam para comer, para
- 45:39alimentar suas famílias. Então assim, meu avô também
- 45:42chegou a caçar anta, Paca, Cotia, para alimentar a família
- 45:48assim. Então, eu queria muito trazer
- 45:51todas essas questões que envolve o que você é, o que é lutar por
- 45:57uma questão ambiental hoje, em 2025, e o que é lutar por uma
- 46:02questão social? Aonde isso se diferencia?
- 46:06Sabe qual a Fronteira de falar sobre isso, né?
- 46:10É e que. É mais complexa.
- 46:12É você? Chega pra um.
- 46:14É, é, é. AA gente fala, você não pode
- 46:17caçar animal Silvestre, você fala para uma comunidade
- 46:19tradicional, você não pode matar animal Silvestre, que agora é
- 46:23proibido, você vai ser preso, tá?
- 46:25Mas essa comunidade passou décadas da sua vida vivendo
- 46:29disso, então como vai resolver esse problema?
- 46:33Eu não trago respostas, porque eu acho que a literatura não tem
- 46:35que trazer respostas, mas eu coloco problema para que isso
- 46:38também seja discutido. Então a questão de ir para esse
- 46:41território, de falar de água turva dentro do parque do turvo,
- 46:45principalmente, também era para trazer essa questão social de
- 46:48falar sobre essas comunidades, essas pessoas que já que um num
- 46:52passado não tão distante já foi o meu avô, minha avó, minha mãe,
- 46:56criança. E como se resolve isso?
- 46:59Você acha que você tá defendendo um território?
- 47:03E tá. E não deve caçar e é proibido.
- 47:06EE mas como que o governo vai resolver isso quando essas
- 47:10pessoas só tem isso para se alimentar, sabe?
- 47:14Então é isso que eu queria assim.
- 47:15É muito incrível a gente conseguir conhecer quase como se
- 47:18fosse esses outros países dentro do nosso próprio país, né?
- 47:20Através da literatura, acho que é uma das coisas mais.
- 47:23É preciosas que a gente consegue com o livro.
- 47:26E me parece que vocês vão muito no lugar também no território da
- 47:29memória. Quando vocês vão escrever
- 47:31principalmente esses livros, seja uma memória pessoal, seja
- 47:34uma memória regional, seja ancestral, familiar, e
- 47:37trabalhando um pouco nessa memória também.
- 47:39E com o que vocês vão contar no livro?
- 47:41Eu lembrei de ontem a dia falando uma coisa No No
- 47:43lançamento das vezes você querendo explicar, contar demais
- 47:47a história. É o que que vocês decidem, como
- 47:50que vocês decidem o que que vem à tona na história, né?
- 47:52O que que vocês vão enfatizar? O que que vocês vão mostrar ali?
- 47:56E como vocês trabalham com as questões mais densas e
- 48:00violentas, porque às vezes tem violência no que se escreve.
- 48:03Mas como é trabalhar essa violência também na escrita?
- 48:06Como decidir fazer esse equilíbrio do que vem à tona e o
- 48:09que não vem? É, é muito louco.
- 48:12Eu vou falar muito rapidamente, porque acho que a gia tem muito
- 48:15mais para falar sobre isso, né? Inclusive ela falou ontem,
- 48:18então, lindamente, né, sobre a violência e sobre como escrever
- 48:22a violência contra mulher e como não escrever, né?
- 48:25Mas eu só queria contar rapidamente assim é, teve 11
- 48:31pessoa na Alemanha, né? O livro saiu na Alemanha esse
- 48:37ano e aí teve um. Assim teve muitas resenhas muito
- 48:41boas. Assim saiu uma resenha semana
- 48:44passada, num dos maiores jornais da Alemanha falando do livro,
- 48:48falando do parque do turvo. Isso é muito louco, né?
- 48:50Porque você vê assim o Salto do yucumã, o parque do turco, que
- 48:53ninguém conhece, tá na capa de um jornal da Alemanha assim,
- 48:57olha onde a literatura vai, né? É, mas não foi nesse jornal, foi
- 49:02um num blog assim, 111. Um blog, um blog pequeno.
- 49:06Mas eu recebi um alerta pelo celular, né, que alguém tinha
- 49:11falado alguma coisa, saiu no Google com meu nome, eu fui lá
- 49:13ver e aí a ele fala, né? Do livro.
- 49:16Ele elogia e tudo, mas ele diz, é um livro violento, porque tem
- 49:20uma cena muito violenta, com muito sangue de luta de facão
- 49:24entre 2 mulheres e eu quase ri. Que é a percepção de violência,
- 49:29né? Dependendo da realidade.
- 49:31Então, mas é um povo colonizador, é o olhar do
- 49:34colonizador europeu, olhando para gente falando olha que
- 49:39violento. E eu fiquei pensando, é Sério
- 49:43que você tá achando violento? Porque ele falou, Ah, eu acho
- 49:45que é um, né? Não me parece muito real essa
- 49:47cena, porque eu achei muito violenta, né?
- 49:51Não sei o que. E eu fiquei pensando, é, eu vi
- 49:54essa cena na minha frente, meu tio.
- 49:56E meu tio avô brigaram de facão na minha frente quando eu tinha,
- 50:01sei lá, 11 anos, se eu não me engano, 1011 anos, eu vi ele se
- 50:04cortando, arrancando um orelha do outro de facão na minha
- 50:08frente. Então, eu estou achando muito
- 50:11inverídico, né? E aquela ou?
- 50:12Foi hoje demais. Não ele, ele, ele foi super
- 50:14respeitoso, assim como Na Na, na, na sua era 11.
- 50:18Grande opinião sobre o livro. Ele foi muito.
- 50:21Ele foi muito respeitoso, mas ele falou isso, eu achei muito
- 50:23violento, eu não consigo. Enfim, né que a gente lê
- 50:28traduzido um troço pelo Google, né?
- 50:30Aí tá lá em alemão, então assim, mas foi mais ou menos essas
- 50:33palavras assim que ele achou muito violenta, né?
- 50:35Aquela cena do facão, 2 mulheres do tanto de facão, e aí eu tava
- 50:39até conversando com esse corte falando isso, né?
- 50:41É o olhar do do europeu colonizador falando Ah, não, mas
- 50:45isso aqui é violência demais. Quando, na verdade, a cena de
- 50:48facão é totalmente inspirada na minha família.
- 50:53É sobre essa coisa da da verossimilhança, né?
- 50:56Isso é muito louco, porque assim é, em alguns momentos também do
- 51:01do processo de edição. É minha editora, perguntava, mas
- 51:05isso aqui? Será que isso aqui é possível?
- 51:07E aí é, é isso, assim são. São coisas que às vezes, para
- 51:13quem tá. É em um lugar muito urbano,
- 51:17talvez muito. Essa coisa da cidade, que é
- 51:19outra dinâmica, é outro tempo de vida.
- 51:22Parece ser totalmente verossímil, né?
- 51:26Mas para quem viveu em lugares mais do interior, né, ou que
- 51:31tiveram essa, essa proximidade com essas famílias, né, que vem
- 51:35de lugares mais humildes e tal, isso é totalmente possível.
- 51:39Então, assim, nada no livro da Morgana, por exemplo, me
- 51:41surpreendeu no sentido de acharem verossímil, né?
- 51:45O que me me surpreende, a qualidade narrativa, o texto
- 51:48maravilhoso e tal. Mas assim, no sentido da
- 51:51história que ela conta, não tipo para mim ali super normal de uma
- 51:56mulher brigando, é super normal de uma mulher brigando com facão
- 52:00cortando a cara dela. Super tranquilo assim, né?
- 52:04Então é, tem, tem isso também No No meu livro assim que.
- 52:09É um livro que ele traz muitas cenas de violência, né?
- 52:13Mas uma das minhas preocupações quando eu tava escrevendo era,
- 52:17como é que eu vou narrar essa cena, que é uma cena
- 52:21extremamente violenta, mas sem utilizar de uma linguagem
- 52:25violenta? E eu acho que essa foi a minha
- 52:28grande preocupação. E eu acho que que porque é isso,
- 52:32eu não queria ser gráfica, porque a gente já tem muitos
- 52:34casos. A gente vê nos jornais todos os
- 52:36dias, né? E isso de forma muito explícita.
- 52:39E aí eu queria que fosse algo mais sutil, mas que também
- 52:42trouxesse, né? Esse, esse, essa percepção de
- 52:47que, olha, tem aqui tem violência, mas não
- 52:50necessariamente. É, a linguagem é violenta, né?
- 52:54Então é. Eu acho que isso é uma das
- 52:57coisas, por exemplo, que eu me preocupei muito quando eu penso
- 53:00na questão da violência, né? Até o Scott ontem perguntou
- 53:02assim, AI, como é falar da violência sem a materialidade da
- 53:07coisa, né? E aí é quando a gente pensa, por
- 53:10exemplo, que. Nas relações, por exemplo, entre
- 53:13homens e mulheres, o ambiente doméstico é uma das violências
- 53:17que mais existe. É o das lighting, né?
- 53:19É de de fazer com que a mulher é enlouqueça aos poucos, que é
- 53:24sutil e que é sutil e que é aquela violência que ela é
- 53:29imperceptível. Às vezes, a própria mulher se
- 53:31culpa, né? Por tá achar que tá fazendo
- 53:35alguma coisa errada, então ela mesmo vai introjetando essa
- 53:37ideia de que eu tô ficando louca.
- 53:39Não é bem assim e tal. E aí parece que esse tipo de
- 53:43violência não choca tanto quanto uma mulher que apanha ou 2
- 53:49mulheres que brigam de facão. Nossa, é isso.
- 53:51É muito verdade. AA violência emocional.
- 53:53Ela é sempre colocada num num lugar menos, né?
- 53:56Como se fosse menos importante, tivesse menos impacto do que a
- 53:59violência. Muito incrível, porque no livro
- 54:01da dia a gente É Ela. Não precisa deixar essa
- 54:05violência explícita, né? E ao mesmo tempo, a gente sente
- 54:09todas as dores dessas mulheres, né?
- 54:12A gente, é claro, tem cenas que são violentas, mas assim, em
- 54:17nenhum momento você. Tem a necessidade de descrever
- 54:22toda a violência e mesmo assim a gente entende toda a violência
- 54:26que ela sofreu. EEO mais interessante que eu
- 54:29acho que tem no boca do mundo é que a gente sente junto com
- 54:32aquela personagem, aquela violência.
- 54:34Tanto que a gente tem. Tem trechos que a gente lê
- 54:37assim, você tem que largar o livro e falar.
- 54:40Meu Deus, né? Sério isso, cara?
- 54:43Sério. EE, né?
- 54:44Você dá uma respirada, você precisa dar, porque assim ontem.
- 54:48Isso eu acho, nossa, eu não sei para vocês, mas isso com o livro
- 54:51para mim é mais intenso do que se eu estou vendo um filme.
- 54:53Exatamente sim também, porque você imagina, né?
- 54:55Sentir, né? Porque acho que você imagina,
- 54:57talvez recrie a cena dentro da sua cabeça do como seria mais
- 55:00real para você. Então geralmente é muito mais
- 55:02intenso para mim um livro ali, eu mergulhada naquela história,
- 55:05do que até o filme que me mexe de alguma forma.
- 55:07É, e eu acho que eu achei interessante que a Adriana.
- 55:10Ontem falou, Ah, eu conseguiria ter lido ele rapidamente, e eu
- 55:14fiquei pensando naquilo. Eu falei, eu não conseguiria
- 55:17porque eu precisava respirar, sabe?
- 55:20Eu eu precisava digerir o que tava acontecendo, dar um tempo
- 55:25para depois voltar para o livro, né?
- 55:26Tanto que quando você me mandou eu não li rapidamente porque eu
- 55:29precisava é da desse respiro. Mas assim cada leitor vai ter a
- 55:34sua leitura, obviamente, né? Mas assim me contou que ela teve
- 55:38pesadelos. Ela.
- 55:40Sonhou. Ela sonhou com a história e teve
- 55:43pesadelo. Ela disse que acordou assustada
- 55:46assim a noite disse, meu Deus, foi o livro da dia e é isso
- 55:50assim é, é, é engraçado também. Uma outra leitora me mandou
- 55:54mensagem antes de ontem falando assim, olha, eu comecei a ler o
- 55:56seu livro e eu dormi e sonhei. E eu acho isso muito fantástico,
- 56:02assim, porque significa para mim, né, que a história tocou a
- 56:06pessoa. Não é algo que você leu e, tipo,
- 56:08esqueceu, né não? A história tocou, e aí, por isso
- 56:12aí ficou ali no inconsciente, a pessoa sonhou com aquilo assim,
- 56:15isso pra mim foi, tá sendo fantástico assim.
- 56:17Eu quero receber mais relatos de pessoas sonhando com o livro,
- 56:21porque é porque tem. Cenas fortíssimas mesmo não tem,
- 56:24né? Como?
- 56:25Não, gente, eu tô. O que que você IA falar?
- 56:28Desculpa. Não é?
- 56:29Rapidamente, ontem, 11 das meninas que estavam lá no
- 56:32lançamento falou que é. Ficou muito.
- 56:35Tem uma cena, né, que eu não vou dar muito spoiler, mas tem uma
- 56:38cena que é o pano de fundo, é a música Estúpido Cupido, da seli
- 56:41Campelo. E aí ela disse assim, nossa, eu
- 56:44achava essa música tão romântica, tão legal.
- 56:48E agora, nessa cena eu entendi que a música é sobre um
- 56:52relacionamento abusivo. E ela disse assim, estragou a
- 56:56música pra mim. Eu nem lembrava disso.
- 56:59No sentido de que é, ela percebeu então, sobre o que era
- 57:03a música, parecia. Uma música bonitinha.
- 57:04O que é uma música bonitinha, num ritmo bonitinho, né?
- 57:08Mas ela disse que quando leu a cena, ela disse, meu Deus, Ela
- 57:10Foi escutar a música. E ela percebeu que a música é
- 57:15sobre uma coisa abusiva, né? Que é uma mulher que diz assim,
- 57:18pelo amor de Deus, eu não quero. Me apaixonar.
- 57:20Eu não quero homem nenhum perto de mim, porque isso me faz mal,
- 57:23né? Ocupido vê se me deixa em paz,
- 57:27né? Então é, é.
- 57:30E ela disse assim, nossa, a quando eu fui ouvir a música e
- 57:34eu li a cena de novo, eu percebi sobre o que era música.
- 57:37Mas vou escutar da mesma maneira, eu vou ter que.
- 57:39Escutar agora só pra. Eu tava dizendo, gente, eu fico
- 57:42olhando pro lado espiando o meu, o meu cronômetrozinho que a
- 57:44gente já tá ali chegando, então em 1 hora nossa.
- 57:47Passou rápido. É porque a gente tem tanta
- 57:49história boa. Para contar da vontade de ficar
- 57:51mais 1 hora. Mas antes da gente ir
- 57:52encerrando, eu queria então que vocês só fechar assim para mim,
- 57:56já que a gente tá falando mais agora dos livros mais recentes
- 57:58de vocês, do água tuve, do boca do mundo que de mais especial
- 58:01tem tido para vocês nessa trajetória dos livros?
- 58:03A di acabou de lançar. Então talvez como que tá esse
- 58:06processo de lançamento ali, chegando nos primeiros leitores,
- 58:09para a gente poder encerrar esse episódio?
- 58:10Então falando rapidamente do livro de vocês.
- 58:14Tá, acho que para mim o mais importante é.
- 58:18Tá sendo agora, né? É que essa história chegue para
- 58:22as pessoas assim. Ontem eu tava conversando com um
- 58:25amigo e aí ele falou assim, é, mas você tá com expectativa do
- 58:30livro, né? Eu acho que é um livro que tem
- 58:32potencial para prêmio, não sei o que, e eu falei, olha, o meu
- 58:35maior prêmio a ser lido, eu acho.
- 58:37Então, assim, o que eu quero é que o livro chegue nas pessoas,
- 58:40que as pessoas leiam o livro e que se identifique que gostem ou
- 58:44não, e se não gostarem também eu quero saber porque que não
- 58:46gostaram, né? É, e eu acho que também uma
- 58:49outra coisa para mim importante são nesse processo assim, desde
- 58:52que eu entrei, né, na nesse meio literário, são essas alianças
- 58:58com outras mulheres autoras assim.
- 58:59Eu acho que isso é é muito fantástico, sabe quando a gente.
- 59:04Né? Se conhece, se une, EE, vai
- 59:07encontrando essas coisas que tem em comum, né?
- 59:09Vai encruzilhando aí, né, as nossas histórias e percebendo o
- 59:13que é que a gente tem em comum é e também o que nos diferencia,
- 59:17né? Então eu acho que pra mim tem
- 59:19assim, é isso, eu quero ser lido, eu quero que as pessoas
- 59:22leiam o livro e eu quero fortalecer esses laços também
- 59:25com outras escritoras e outras autoras que a gente tem muita
- 59:28gente boa escrevendo, muita gente boa produzindo assim.
- 59:31E acho que a gente tem um futuro muito, muito legal pela frente,
- 59:35né? Na literatura escrita por
- 59:36mulheres? É maravilha, é?
- 59:38Eu acho que é isso, né? Isso a Coisa Mais Linda que tem
- 59:41surgido nesses últimos anos é essa irmandade, né?
- 59:46Que é as escritoras mulheres no Brasil é, criaram assim, né?
- 59:52A gente, eu, eu acho isso incrível assim, porque.
- 59:56É, são muitas mulheres que se uniram e que se unem e que andam
- 1:00:01de mãos dadas e que uma leva a outra.
- 1:00:04É, tem uma coisa bonita de você ver que há uma vibração assim,
- 1:00:09uma Alegria genuína. Quando é uma dessas mulheres, é
- 1:00:15publicada, sei lá fora, ou ganha algum prêmio ou tá sendo vendido
- 1:00:20sei lá quantos 1000 exemplares de livro.
- 1:00:22Aí você vê assim, cara, uma mulher e sei lá.
- 1:00:26A própria Carla madeira, 1000000 e meio de livros.
- 1:00:28Você pega e diz assim, cara, uma mulher entende, que coisa linda
- 1:00:32isso. Então eu acho que assim é, é
- 1:00:35claro, a gente quer ser lida. A gente, eu, eu sou muito feliz
- 1:00:41de ter tido essa oportunidade graças a companhia das letras, a
- 1:00:46minha agente literária fora do Brasil, a Nicole de tá sendo
- 1:00:51publicada fora do Brasil, de tá em tantas línguas, em tantos
- 1:00:54lugares. Mas assim, no fundo, o que a
- 1:00:57gente quer ser lida no nosso país, né?
- 1:00:59A gente quer é é ter essa troca, esse diálogo, né?
- 1:01:03Então eu acho que de tudo assim, a coisa mais incrível que me
- 1:01:06aconteceu foi eu saber que o água era o livro mais retirado
- 1:01:10na biblioteca pública do estado do Rio Grande do Sul durante 2
- 1:01:13meses. Eu.
- 1:01:15Fiquei muito feliz assim, que era a biblioteca pública mais
- 1:01:19antiga lá do estado, ela é centenária.
- 1:01:21E durante 2 meses do ano passado, ele foi o livro mais
- 1:01:24retirado. Eu acho que isso foi a Coisa
- 1:01:26Mais Linda que aconteceu assim. É legal a gente, nossa, muito
- 1:01:29obrigada por terem vindo para elas da escrita, por conversarem
- 1:01:32comigo, da tia. Essa horinha foi uma horinha
- 1:01:34muito gostosa. Adoro vocês 2, adoro a escrita
- 1:01:37de vocês e para quem não leu ainda, então para a gente chegar
- 1:01:39em cada vez mais leitores, procurem lá e facinho achar a
- 1:01:42dia nobre no Instagram coloca. Dia nobre que vocês vão achar a
- 1:01:45Morgana também como Morgana krethman, acho que vocês
- 1:01:47encontram rapidinho e procurem os livros delas, então vamos
- 1:01:51ler. Lei, vamos fazer esses livros
- 1:01:53circularem cada vez mais. Obrigada, gente pela presença.
- 1:01:56Obrigada e leiam a Isabela de Andrade também, gente, eu
- 1:01:58também. Leiam a Isa, leiam, obrigada.
- 1:02:01Obrigada, muito obrigada. Foi ótimo.
- 1:02:03Tchau, tchau e fechamos. Que rápido.
- 1:02:10Vai, passa rapidinho.