Latest / Chá de coragem, com Elisama Santos. / Ep. 76 - O DILEMA ENTRE A SEGURANÇA E A FELICIDADE, Chá de Coragem com Elisama Santos
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- 0:00E quando o sonho se realiza, mas não é do jeitinho que a gente
- 0:05planejou. E quando o que a gente queria
- 0:10muito traz do medo, insegurança, qual que é o momento de dar um
- 0:14passo para trás? Tem como saber?
- 0:19Aceita o chá de coragem? Antes de começar meu relato,
- 0:34gostaria de dizer que você elisama foi uma grande surpresa
- 0:38apresentada a mim pela minha psicóloga.
- 0:40Sempre serei agradecida a ela por ter me levado a você e a
- 0:44você por ter ensinamentos gratuitos de sua importância
- 0:47para nós todos. AI, que lindo.
- 0:49Meu caso é o seguinte, sempre cresci sendo ensinada que nada
- 0:54se comparava a estabilidade de emprego do emprego público.
- 0:58E que meu cargo público deveria ser meu primeiro marido.
- 1:01Dito isso, eu estudei 5 anos de direito, me formei e passei mais
- 1:066 difíceis anos estudando para concurso.
- 1:10Finalmente passei e aí eu pude casar com meu marido.
- 1:13Número 2. Para quem não entende o número é
- 1:15o concurso, né? Acontece que somos de Aracaju,
- 1:18Sergipe, e eu passei para o concurso da Unicamp, que fica em
- 1:22Campinas, São Paulo, sem conhecer nada nem ninguém nessa
- 1:26nova cidade. Nos mudamos de mala e cuia, um
- 1:30ato de loucura que hoje eu paro e penso, como foi capaz?
- 1:34Meu marido trabalha de home, então ele pode trabalhar estando
- 1:37em qualquer lugar. Já nos primeiros meses eu
- 1:40estranhei o meu novo lar. As pessoas eram mais frias,
- 1:44reservadas um tanto quanto o nariz em pé.
- 1:48Mas eu relevei pensando que as pessoas do sul e sudeste são
- 1:51assim mesmo. Vivenciei alguns poucos
- 1:53episódios de xenofobia. Nossa, você é tão Branquinha,
- 1:57nem parece que é Nordestina e é que chove assim mesmo, é que
- 2:01vocês não estão acostumados com tanta água.
- 2:04Ah, você de Aracaju, fica na Bahia, né?
- 2:07AI gente, o tempo passou entre as turbulências de uma nova
- 2:11vida, fomos nos adaptando agora os anos passaram e a sensação
- 2:16não melhorou, ela piorou. Eu sinto uma falta constante na
- 2:20minha Terra, da Alegria dos colegas de trabalho no fim do
- 2:23pós, no pós, na pós do final de semana.
- 2:26Contando pra pra onde foram, que fizeram aqui.
- 2:30Receber um mundinho entusiasmado já é muito.
- 2:32Eu sinto falta de saber que o Mato tá logo ali, assim como as
- 2:35pessoas que eu mais amo, minha família e meus amigos.
- 2:38Eu sinto falta de saber em quais médicos e em quais restaurantes
- 2:41comer. Eu sinto falta até do cheiro de
- 2:44Aracaju durante diante desse cenário.
- 2:48Desde junho do ano passado estamos nos planejando pra
- 2:50voltar, pois a situação está afetando até e muito o nosso
- 2:53casamento. Como não conhecemos muitas
- 2:56coisas aqui, deixamos nossos carros para trás.
- 2:59Quase não saímos de casa. Pior que eu sou meu marido, pois
- 3:03ele já fica em casa a semana inteira.
- 3:05Eu pelo menos vou todo dia para Unicamp e vejo pessoas.
- 3:08O problema maior que o problema maior que com tudo é o meu medo.
- 3:14Medo de deixar essa Conquista para trás e abrir mão da
- 3:16estabilidade, de saber que seria chamada de louca por muitos, da
- 3:21incerteza de não conseguir um novo emprego.
- 3:23Medo de ser ingrata, por largar algo que eu quis tanto, no qual
- 3:26investi muito tempo, energia, medo de voltar e perceber que
- 3:30era melhor ter ficado aqui. Estou dividida aqui eu tenho
- 3:33todas as minhas necessidades atendidas, mas parece que eu não
- 3:37vivo sobrevivo. Contudo, emocionalmente e
- 3:40psicologicamente é extremamente inviável e desgastante essa
- 3:42permanência. A vida passa por mim e eu nem
- 3:45percebo e eu tenho muito medo disso.
- 3:48Um exemplo foi o meu casamento, que eu organizei daqui, mas foi
- 3:51lá. Passou como flash, eu nem lembro
- 3:53mais se foi gostoso aquela fase, porque pareceu um atropelo,
- 3:56entende? Fora isso, querendo ou não, os
- 3:59laços afetivos vão se afrouxando, pois a presença
- 4:02ainda é algo muito importante, marcante para qualquer relação.
- 4:05Eu sei que eu posso contar com todo mundo que deixamos lá, mas
- 4:09a intimidade não é mais a mesma de antes, como seria, nunca
- 4:12estamos presentes. Estou muito angustiada, não
- 4:16tenho a opção de ser removida ou pleitear teletrabalho.
- 4:19Só me restaria a exoneração. Esse é o meu relato.
- 4:23Espero do fundo do coração que você possa me ajudar com uma
- 4:27palavra que for. Nem precisa ser vídeo com muito
- 4:30carinho e um abraço demorado. Querida, a primeira coisa que eu
- 4:35quero te dizer é que eu conheço intimamente esse estranhamento.
- 4:41E quando eu digo intimamente, é intimamente.
- 4:43Mesmo assim é. A gente vive de um jeito
- 4:46diferente no nordeste. E aqui, pessoas de São Paulo não
- 4:51precisa vir falar que nem estou no Paulista, nem se ofendendo.
- 4:54É só diferente, gente, é diferente e está tudo bem.
- 4:58Isso é diferente, é diferente. E quem está acostumado com o
- 5:01jeito de viver lá, estranha, muito jeito aqui.
- 5:03Pode ser que tenha gente que adora e que que vive lá e que
- 5:06acha que é like to, but é muito, muito, muito, muito próximo e
- 5:08prefere aqui. Mas eu estou acostumada, muita
- 5:11proximidade, eu estou acostumada a ir na casa dos amigos.
- 5:16Eu estou acostumada a eu. Eu na Bahia, eu IA visitar as
- 5:23pessoas dos meus amigos e eu IA com o pijama das crianças na
- 5:26bolsa, porque a gente comia, demorava, já tomava banho, já
- 5:30saía assim. Eu estou acostumada a essa
- 5:32junção que aqui em São Paulo eu estranhei bastante o jeito das
- 5:36pessoas. E aí eu fui entendendo que tem
- 5:41um jeito de viver diferente aqui.
- 5:44E eu fui entendendo o que é necessário para que esse jeito
- 5:49de viver não vire o meu jeito de viver, seja só o meu jeito de
- 5:53viver. Aqui eu vou tentar ser mais
- 5:55clara para você. O primeiro ponto é que a gente
- 5:58precisa, sim, nomear as dores de quando a gente vai começar algo
- 6:02novo. Todo mundo que mora fora, de
- 6:04onde nasceu, quem é brasileiro, que mora no exterior, eu não
- 6:07conheço ninguém que não fale, nossa, eu sinto falta de alguma
- 6:09coisa. É, já dizia o Chorão, né?
- 6:12Cada escolha, uma Renúncia, isso é a vida.
- 6:15Então a gente toda escolha que a gente faz, a gente vai estar
- 6:18abrindo mão de alguma coisa em algum momento.
- 6:20Então, às vezes a gente vai estar abrindo mão da
- 6:24proximidade, a gente vai estar abrindo mão de amigos, a gente
- 6:27vai estar abrindo mão de um Monte de coisa.
- 6:28O primeiro ponto é saber que sim, vai ter falta, a gente vai
- 6:36viver faltas. Esses dias eu vi alguém falando
- 6:39algo que ficou muito para mim, a Bahia.
- 6:44A Bahia é minha mãe. Eu casei com São Paulo, eu moro
- 6:47aqui, pretendo continuar aqui, quero construir minha vida aqui.
- 6:52Tenho muitas oportunidades. E a Bahia é minha mãe.
- 6:54Quando eu preciso de colo e de colo de mãe, é para lá que eu
- 6:59corro. Eu eu identifiquei, já que eu
- 7:02preciso ir para Bahia. Pelo menos 2 vezes num ano.
- 7:06Eu preciso, eu preciso de Bahia para ficar bem.
- 7:10E eu tenho pessoas que eu amo loucamente.
- 7:12Aqui eu construí amizades dessas que eu vou para casa com meus
- 7:15filhos, com com pijama na bolsa. IA com pijama, né?
- 7:17Que agora eles cresceram e não querem mais.
- 7:19Mas quando eles eram menores, eu eu tenho essas amizades aqui.
- 7:23Mas ainda assim tem algo que que é da minha Terra, que quando eu
- 7:28piso em Salvador, que eu passo por aquele bambuzal.
- 7:35Que é a sensação de, meu Deus, eu estou AI em casa, sabe?
- 7:40E aqui eu sinto essa casa que eu moro com a minha casa, mas é
- 7:44diferente. Que que eu posso trazer para
- 7:47você? Eu posso te falar que antes de
- 7:50desistir vocês tentam dar certo. Não estou em momento nenhum te
- 7:56dizendo assim, Ah, mas você não se soção suficiente se você se
- 8:00esforçar, vai dar certo, não é isso?
- 8:02Mas é que às vezes. A gente tenta sem tentar, sabe?
- 8:08A gente tenta sem falar, OK, eu quero gostar desse lugar.
- 8:15Quando eu me mudei para cá, os meus filhos não queriam ver
- 8:18isso, sobretudo o Miguel. O Miguel tinha 7 anos e foi
- 8:20assim, foi bem difícil. E aí eu liguei para pessoas para
- 8:25falar, olha, tudo bem feliz, ama todo mandando para cá.
- 8:30E eu queria encontrar pessoas. E eu fiz uma programação dos
- 8:34lugares legais em São Paulo, e eu fiz uma programação de
- 8:38lugares que poderiam que eles iam gostar, que eles iam se
- 8:41divertir. Eu queria dizer para eles assim,
- 8:43a vida vai continuar, não vai ser a mesma, ela vai ser
- 8:47diferente. Mas ó, aqui também tem coisa
- 8:50boa. Você me disse que nem o carro
- 8:53vocês trouxeram, que pelo jeito vocês não compraram o carro aí
- 8:57eu achei tão simbólico, porque Campinas não é uma cidade.
- 9:03Que dá para ficar sempre sem carro para você passear e
- 9:06etcétera. Sabe?
- 9:09Então, assim, o quanto vocês estão dando uma chance de
- 9:13verdade de eu quero descobrir o que tem de bom aqui?
- 9:18As pessoas vão ser um pouco o nariz em pé mesmo.
- 9:21As pessoas são muito diferentes da gente, mas o que é que não
- 9:25depende disso? Assim, não dá para fazer uma
- 9:30programação de lugares legais. O fato das pessoas não serem
- 9:33super legais não quer dizer que você tem que passar o final de
- 9:36semana em casa. Temos coisas diferentes, você
- 9:40fala, lisa, mas eu sou concursada, tenho um dinheiro
- 9:42bons, bom, assim, tô vivendo bem.
- 9:44Então, amiga, tem tanto lugar legal ao redor de São Paulo.
- 9:49Te falo porque fui e vou várias vezes.
- 9:54Chega final de semana, olha um hotel legal, bonitinho.
- 9:58Eu fazia isso quando eu morava em Salvador com o Isaac, para a
- 10:00gente sair dentro de casa, eu IA para pertinho, assim, baratinho.
- 10:05Você falava assim, vamos sair, vamos sair, mudar o clima, mudar
- 10:07o lugar, mudar o cheiros, mudar as texturas, mudar os sabores do
- 10:11que a gente tá vivendo. Então essa é talvez a primeira
- 10:15dica de todas para você, né? Assim, além de nomear essa dor e
- 10:20de você falar o que antes de tomar essa decisão, eu vou antes
- 10:24de desistir, o que que eu posso aproveitar em São Paulo?
- 10:28Nem que seja gata para quando você for embora, você olhar e
- 10:30falar assim, nossa, eu curti a cidade, eu curti algumas coisas
- 10:33que só tem lá, porque assim como existem muitas coisas que só
- 10:38existem no nosso nordeste, existem muitas coisas que só
- 10:42existem aqui e que você pode viver só aqui.
- 10:48Você tem aproveitado essas coisas?
- 10:49O que que vocês gostam de fazer? Campinas é rapidinho para São
- 10:54Paulo, final de semana, 1 hora e pouquinho, você está aqui.
- 10:58E aí, o que você tem feito? Eu IA pra Paulista quase todo
- 11:04domingo. Adoro ver a galera tocando na
- 11:06rua, aquele Monte de gente. Amo o que que eles têm feito.
- 11:12Sinto tentar descobrir o que tem de bom perto de você, sabe?
- 11:16E é que eu não estou falando de brincar de Poliana, eu estou
- 11:19falando de manter o mínimo pra sua sobrevivência trancado em
- 11:23casa. Vocês vão enlouquecer, sim.
- 11:26Trancados em casa. A voltar vai aparecer a única
- 11:32opção. Único caminho possível nem
- 11:34sempre é. Sabe?
- 11:36A segunda dica é, você sabia que, assim como você, tem muita
- 11:41gente que veio de outras cidades e que não se habitua ao jeito
- 11:48Paulista de ser ou paulistano de ser?
- 11:54Que se junta com gente de outras cidades, as pessoas mais
- 11:58próximas, meninas daqui não são daqui.
- 12:01Eu tenho uma amiga que é muito próximo e inclusive está
- 12:05gravando a gente nesse momento que é daqui, mas é muito
- 12:07esquisita. Então deu tudo certo, entendeu?
- 12:12É isso assim, não. Eu percebi que era mais fácil me
- 12:18juntar com Goiânia, com mineiro. Meus amigos são pessoas de fora,
- 12:21que também tem. Em minha família.
- 12:25E a gente criou as nossas famílias aqui e a gente se
- 12:28misturou pra caramba. Então, quando você tem se
- 12:32aberto, sabe o quanto vocês tem possibilitado que a vida, aquilo
- 12:39seja sua aridez e saudade, a saudade, ela vai ficar.
- 12:46Você não escolhe sentir essa saudade ou não.
- 12:48Mas o que que pode ficar além dessa saudade?
- 12:53E aí pode ser que você paralisamos de verdade, não
- 12:56quero tentar. O que eu quero de verdade é
- 13:00voltar para Aracaju. Então minha amiga vai comer do
- 13:06meio, sabe? As pessoas vão te julgar isso.
- 13:10Isso não é 111 possibilidade, isso é um fato, as pessoas vão
- 13:15te julgar seus vínculos. Lá você vai precisar de diversas
- 13:21formas a construir. Se aproximar de novo pode dar
- 13:25super certo, pode não dar. Não existe garantia em nenhuma
- 13:29decisão que você tomar, mas o que não dá é para você ficar
- 13:35nesse meio do caminho, sabe? Nem lá, nem cá.
- 13:39OPA, vai ficar assim, viu, gente?
- 13:43Se estourar a luz aí vocês perceberam que caiu o negócio
- 13:45aqui do cenário? Então, é o que não dá é para
- 13:50você ficar. Aqui sentar direito, aqui EE
- 13:56aqui com cabeça lá, tipo, corpo no lugar é a cabeça no outro,
- 13:59entende? Vai ter que ter um lugar aí de
- 14:02de juntar seu corpo, sua cabeça e se é voltar para caju, então,
- 14:08tá, vamos desenhar como é voltar para caju, vamos desenhar de que
- 14:12forma a gente pode fazer. E você tem direito a licença,
- 14:15né? Como funcionária pública sem
- 14:19remuneração, você pode pedir uma licença sem remuneração.
- 14:23Você ganha aí um tempo para você conseguir ver, se se adapta, se
- 14:27arruma um trabalho lá, sei como é, que tira essa vida da
- 14:31expectativa de como seria voltar para lá.
- 14:34Experimenta e volta. Não precisa pedir exoneração,
- 14:38sacou? Você pode pedir uma licença,
- 14:42testar e voltar, mas eu preciso te dizer assim, não existe
- 14:48escolha sem dor. Nesse momento não existe escolha
- 14:53sendor, você vai ter que escolher computador que você
- 14:57banca há um tempo. Casal de amigos, é, eles
- 15:02entraram Na Na escola que o meu filho estudava, a gente ficou
- 15:05amigo, pessoas muito legais e eles vieram, vinham da Suíça,
- 15:10enfim, vinham algum de algum país que eu não me lembro mais
- 15:13qual foi, porque eles moraram em vários países diferentes e é,
- 15:18eles vieram porque a filha estava com 5 anos.
- 15:21Quase 6 e eles falavam, não, a gente não quer mais criar ela
- 15:24longe da família. A gente está sentindo uma falta
- 15:27da família imensa, a gente quer ter mais filhos, como é que a
- 15:29gente vai ter mais filhos tão distantes da família?
- 15:31Não dá. A gente desistiu de ficar tão
- 15:34longe, a gente voltou e aí a menina estava com os costumes do
- 15:39lugar que eles moravam, assim, estranharam bastante quando
- 15:42chegaram aqui, mas eles queriam muito ficar e aí vieram,
- 15:46tentaram se adaptar aqui. E depois ficaram aqui um ano,
- 15:51depois de 7 meses, ela falou, eu vou embora, não vou dar conta de
- 15:54ficar aqui porque ficar perto da família tinha outros preços.
- 16:00Ela falou, lisão, eu não consigo explicar para minha filha que a
- 16:03gente tem que tirar a correntinha dela, porque a gente
- 16:05vai andar de ônibus. Eu não consigo explicar para
- 16:08minha filha que eu que tenho que levar ela para escola porque ela
- 16:11não pode vir andando, porque não é um lugar que ela morava.
- 16:14Então, apesar da menina ter 6 anos, a menina andando sozinha
- 16:16para escola era perto, era seguro.
- 16:19Então assim ela falou, eu não estou conseguindo viver a
- 16:21insegurança do Brasil, então estou indo embora, devo voltar.
- 16:26E eles só completaram o ano aqui, voltaram e eles já tem 8
- 16:32anos de volta lá no país que eles estavam.
- 16:35Não acho que eles são para outros países, acho que agora
- 16:37eles estão na Espanha, eu nem sei.
- 16:38O é fato é que ela abriu mão, achou que podia abrir mão da
- 16:44segurança para estar perto da família.
- 16:46Quando ela chegou aqui, ela falou, não, cara, isso aqui.
- 16:49Não é o que eu idealizei, isso aqui é outra coisa, eu quero
- 16:53voltar pra minha vida. O que eu tô trazendo pra você
- 16:56aqui é que às vezes a gente tá tão apegada ao passado, a gente
- 17:02tá tão apegada ao que era que a gente não consegue viver O
- 17:07Presente, sabe? E a memória, gente, a memória, a
- 17:11bichinha é danada, a memória bota aquele filtro vintage,
- 17:16sabe? Aquele filtro, esqueci o nome do
- 17:19filtro, amiga, como é o nome do filtro, aquele que fica
- 17:21queimadinho assim, você quer fotão da família?
- 17:23Conte aí, sépia, sabia que ela IA saber aquele filtro sépia,
- 17:26entendeu a memória bota aquele filtro sépia, aí ela bota uma
- 17:29música bem bonita, toda vez que você olha pro passado, você faz
- 17:32AI como era lindo, AI, que saudade, eu era tão feliz e
- 17:36parece que a gente vivia num num conto de Hollywood, né?
- 17:42No musical de Hollywood, com todo mundo cantando e não é
- 17:45assim. Sabe o patê do lá é batedor k?
- 17:49É um lugar de olhar e falar, ok, esse passado ele passou, não
- 17:54tem. Não tem nenhum botão na vida que
- 17:58você possa rebobinar, que você possa voltar ao passado, para
- 18:02aquele ponto onde vocês viviam, daquele jeitinho, aquela Aracaju
- 18:06que você deixou lá não existe. O que você pode escolher?
- 18:11Tem um Aracaju que eu posso voltar hoje ou eu posso ficar
- 18:14aqui. Essa escolha de hoje entende
- 18:18assim, eu amava Carnaval de Salvador, amava gente.
- 18:24Eu pulei muito Carnaval em Salvador.
- 18:27E aí hoje eu entendi, lembrando do meu último Carnaval em
- 18:30Salvador, que o que eu não amo, o Carnaval que Salvador tem
- 18:34hoje, o Carnaval que eu amava. Era um Carnaval de quase 20 anos
- 18:39atrás, gente, a gente falava assim, quase 20 anos é esse
- 18:42Carnaval é quase não hoje, 20 anos atrás.
- 18:44Aquele Carnaval. Então, as minhas opções hoje
- 18:48são, eu posso ir para o Salvador viver esse novo Carnaval, que é
- 18:51um outro jeito, que não é mais o Carnaval que eu vivi quando eu
- 18:53tinha 2021 anos, 22 anos, é um outro Carnaval.
- 18:58E aí eu desisti de ir para o Carnaval Salvador porque eu
- 19:01penso, Ah, não é mais. E aí eu fico guardando a
- 19:04memória. Aquele Carnaval que é delicioso
- 19:07e que eu não vou ter mais. Ele é uma memória, ele é uma
- 19:13lembrança. Que tinham seus perrenguins e
- 19:16que eu nem sei se elisama de hoje e eu gosto daquela de 20
- 19:19anos atrás. Eu falei não viu?
- 19:21Porque minha irmã eu andava, eu ficava em pé, eu era
- 19:24desconfortável. Eu pagava pra fazer xixi no
- 19:26banheiro da da, da da mocinha na rua, porque eu não gosto de
- 19:29banheiro químico. Então assim, tinha perrengue na
- 19:32memória. Nunca tem perrengue para pra
- 19:35pensar se vocês o que que vocês estão idealizando dessa vida
- 19:39tanto aqui quanto lá? Que vida é possível aqui lá?
- 19:43E o quanto a expectativa de nossa eu devia estar morando lá
- 19:48te impede de viver o aqui? Sabe o quanto a gente não
- 19:53investe tudo que a gente tem para fazer dar certo?
- 19:56Às vezes que a gente fica olhando para trás e falando, Ah,
- 20:00não, mas lá era mais gostoso, lá era melhor, lá era mais
- 20:05divertido. Gente, isso é em casamento, em
- 20:08relacionamentos, em trabalho, tanta coisa.
- 20:13Sabe tanta coisa que a gente fica querendo que Oo passado
- 20:19permaneça assim. Esses dias eu gravei 11
- 20:22participação num clube de livro e aí a pessoa me finalizando,
- 20:26como que a gente se prepara para lidar com as mudanças da vida?
- 20:31E eu falei, cara, assim a gente primeiro possa reconhecer as
- 20:34mudanças da vida. A gente estava falando do mesmo
- 20:36Rio e no mesmo Rio a frase né? Do Heráclito é, ninguém toma
- 20:41banho 2 vezes no mesmo Rio. Porque não é nem o mesmo homem,
- 20:44nem o mesmo Rio, gente, o Rio muda e é isso, você pode olhar
- 20:49para trás e falar, nossa, mas aquilo era tão gostoso e eu
- 20:52boiava nesse Rio e a água era morninha.
- 20:54Pois é, mas hoje a água tá turbulenta, aí não, você não
- 20:56boia mais. Como que você lida com o que é
- 21:00com a vida hoje? Como que você pede a
- 21:04idealização? AI, essa vai ser a minha vida
- 21:07quando eu for cursada, quando estiver em São Paulo, como é que
- 21:10eu pego idealização e falo, ok? Não vai ser assim nunca, vai ser
- 21:14igual a realização. E pra encerrar que eu tenho que
- 21:17encerrar, não é verdade? É, você fala que você aprendeu
- 21:21que o concurso tinha que ser teu primeiro marido.
- 21:24Que difícil pensar nesse divórcio, né?
- 21:28Porque você pensar em exonerar não é só pensar em exonerar, né?
- 21:34Tem uma construção de identidade muito forte aí.
- 21:39O que será que está conseguindo separar os gavetinhos do que era
- 21:41sonho seu, que é sonho da sua família?
- 21:43O que que você quer fazer de verdade?
- 21:45Porque talvez não seja só São Paulo, talvez seja o trabalho,
- 21:51talvez seja o que você faz, que nem era o que você queria, era o
- 21:54que tua família inteira disse que você devia fazer muita
- 21:58coisa. Vai pensar, né?
- 22:00Você vem aqui me pedindo resposta, eu te encho de dúvida,
- 22:04olha só, mas estamos aqui para isso, não é para dar resposta.
- 22:09Meu amor, quer que eu fale da tua história que eu comente a
- 22:14tua história que eu dei o meu pitaquinha na tua história manda
- 22:17teu e-mail meu e-mail fica aí manda e-mail eu vou tentar ler
- 22:22se não é quem sabe, né? Vamos vamos torcer que eu
- 22:25consiga ler seu e-mail é humanamente possível ler todos
- 22:29mas volta e meia volta e meia tem um que eu tô sorteando aí,
- 22:32tá bom? Eu espero que você fique bem,
- 22:36que a vida seja muito gostosa para você.
- 22:38Faz aquele negócio aí de mandar mensagem, de de mandar aqui,
- 22:42comentário, deixar carinhas, curtir aquelas coisas todas, tá?
- 22:47E se você viver algo parecido, não esquece.
- 22:50Eu tô achando tão lindo vocês dando depoimento assim, falando
- 22:53amiga e eu vivi isso. Ah, é tão legal, deve ser tão
- 22:55legal para as pessoas que mandaram e-mail ler experiência
- 22:58de outro que deu tudo certo, sabe?
- 23:01Enfim, é isso. Manda no grupo da família, amor.
- 23:05Falando no grupo da família, está bom, um beijo e até o
- 23:08próximo episódio.