Latest / Só Pod Ser História • Podcast / Só Pod 85 - Minha terapeuta roubou meu namorado
Transcript
- 0:00O meu namorado teve um caso com a minha terapeuta e tudo começou
- 0:04depois que ela passou a pressionar ele para falar mal de
- 0:07mim. Eu não sei o que fazer.
- 0:19E aí, galera? Bem vindos a mais um episódio do
- 0:22só pode ser história. Eu sou a IZA.
- 0:25Estou com a maravilhosa perfeita Ana Luiza.
- 0:28Oi, gente do prazer. É no sofá da minha casa.
- 0:32Do próprio, do próprio, já sabe, até a musiquinha, eu?
- 0:35Óbvio que sei. Conta aí para galera se se deu
- 0:38uma introdução leve. Tá, eu sempre de esses momentos
- 0:41de ter que me introduzir na escola, na faculdade, em
- 0:44processo seletivo. Mas gente, meu nome é Ana Luiza,
- 0:47é? Eu sou psicólogo.
- 0:49Ecóloga sou terapeuta tendo em consultório terapeuta de grupo
- 0:53também. E para além desse mundo aí da
- 0:55psicologia de dentro do mundo da psicologia, eu resolvi fazer um
- 0:59podcast. Eu tive um podcast de psicologia
- 1:01durante 5 anos, que foi o psicologia sincera, e esse ano
- 1:05eu lancei o no sofá da minha casa, que sai um pouquinho desse
- 1:09mundo da psicologia, mas é um pouco parecido do que o que a
- 1:11gente vai fazer aqui hoje, que é um podcast que eu sento com
- 1:15pessoas pra gente conversar sobre algum tema da vida.
- 1:18Com grande objetivo da gente inspirar as pessoas a terem mais
- 1:22conversas profundas e importantes.
- 1:25Gente. No sofá da casa delas, então eu
- 1:27estou achando muito maneira a gente estar no seu sofá.
- 1:29Da minha casa? Com o sofá da outra casa, são
- 1:32vários sofás juntos e gente, Sério.
- 1:35Sigam acompanhem. Porque amiga, eu admiro muito
- 1:38seu trabalho. Gosto muito de verdade, sempre
- 1:41saio impactada de um jeito positivo, sabe dos seus
- 1:45episódios? Amiga, muito obrigada.
- 1:47E eu fiquei pensando que curiosamente isso não foi
- 1:49planejado, mas hoje tá lançando No No sofá da minha casa o
- 1:53primeiro episódio de história. Mentira em história.
- 1:56Eu tava pensando nisso, vindo pra cá.
- 1:58Eu falei, cara, tudo a ver. Então nossa.
- 2:00Já jantou com? A Diva Isa só pode ser história.
- 2:07Nada aqui é fácil, as histórias que a gente lê, eu também não
- 2:10preparei histórias fáceis. Vamos lá.
- 2:13E aí é muito legal ter você aqui, porque a gente vai ter o
- 2:16lado de alguém com expertise, com que pode falar, não.
- 2:20Eu, por exemplo, às vezes dou opinião falando nossa, tá super
- 2:22errado, zero backgrounding, sabe as coisas mais você, eu peço
- 2:27para que você se. Prepare não e o peso da
- 2:29responsabilidade de estar aqui representando os terapeutas para
- 2:32falar de histórias de terapeutas?
- 2:34Mas vamos lá, vamos lá. Aceitei a missão simbora.
- 2:37Estou curiosa para ver essas histórias.
- 2:39Vão ser 2 histórias. Hoje, a primeira bizarra o
- 2:43título é, o meu namorado teve um caso com a minha terapeuta e
- 2:48tudo começou depois que ela passou a pressionar ele para
- 2:50falar mal de mim. Eu não sei o que fazer.
- 2:53Eu. Não faço a menor.
- 2:55Ideia do que te esperar dessa história?
- 2:56Nossa, não? EE não.
- 2:58E tem perguntas que eu acho que são válidas de responder, sabe?
- 3:01Porque eu queria muito saber, mas vamos lá.
- 3:04Eu, mulher, 26 anos, faço terapia há cerca de 1 ano.
- 3:07Eu procurei ajuda porque eu estava à beira de um burnout e
- 3:11também porque eu precisava lidar com traumas de um relacionamento
- 3:14anterior que acabava afetando o meu relacionamento com meu
- 3:17namorado. Homem 28 anos, tá?
- 3:20Nessa época, o meu relacionamento passou a ser um
- 3:22tema cada vez mais frequente nas sessões.
- 3:26Mas a verdade é que eu tinha procurado terapia,
- 3:28principalmente por causa da pressão nos estudos e no
- 3:31trabalho. Com o tempo, eu fui me sentindo
- 3:33cada vez pior e eu comecei a ter mais dificuldade ainda para
- 3:37lidar com tudo aquilo e isso acabou afetando meu
- 3:39relacionamento também. Como eu não estava sendo
- 3:42totalmente honesta com a minha terapeuta e as sugestões dela
- 3:45não estavam funcionando, a gente decidiu incluir o meu namorado
- 3:50em algumas sessões, tá? A ideia era que ele tivesse uma
- 3:53sessão com ela sozinho, para ela entender o lado dele da
- 3:57história. E aí criar um plano que também
- 4:00levasse as necessidades dele em consideração.
- 4:08Até aí, a minha terapeuta mulher, 37 anos, tinha me
- 4:12ajudado muito. Ela me ajudou a entender melhor
- 4:15as minhas emoções e a expressar as minhas necessidades com mais
- 4:18clareza. E quanto melhor eu lidava com
- 4:21toda a pressão que eu tava enfrentando, melhor ficavam as
- 4:24coisas entre eu e meu namorado. Só que depois de um tempo, eu
- 4:28comecei a sentir que tinha alguma coisa estranha
- 4:31acontecendo. Antes de tudo isso, ela sempre
- 4:34foi muito neutra. Ela fazia várias perguntas que
- 4:37me ajudavam a refletir sobre o meu comportamento, sobre o meu
- 4:41relacionamento e sobre alguns padrões que eu costumava
- 4:43repetir. Mas aos poucos isso começou a
- 4:46mudar. Ela começou a falar mal do meu
- 4:49relacionamento e a me culpar pelos problemas que existiam
- 4:53nele. Gente, eu não sou terapeuta, mas
- 4:57assim, eu achava aquilo muito estranho e eu não consegui
- 5:00entender da onde vinha aquela mudança.
- 5:03Só que mesmo assim eu tentei não pensar muito no assunto.
- 5:06Eu achei que eu talvez tivesse começando a perceber que, de
- 5:08fato, eu não tratava meu namorado muito bem.
- 5:12Avançando pros. Dias de hoje.
- 5:14Ontem eu tava na casa do meu namorado, a gente tava curtindo
- 5:17o dia juntos e decidiu assistir um filme antes de dormir.
- 5:21Do Nada, ele me olha com os olhos cheios de lágrima e me
- 5:25fala que ele tava tendo um caso com a minha terapeuta.
- 5:29Ele só chorava e repetia que ele se arrependia muito do que
- 5:32aconteceu e que ele não queria me perder.
- 5:36Segundo ele, a minha terapeuta colocou tanta pressão em cima
- 5:39dele que ele não soube o que fazer e não conseguiu dizer não.
- 5:46Eu posso anotar? Pera aí, gente, um segundo é
- 5:50porque está me vindo muitas coisas.
- 5:53Pera aí, deixa eu anotar pressão da terapeuta, colocar a culpa,
- 6:01atender o namorado. Tá, gente, desculpa, é assim que
- 6:04minha cabeça funciona. As terapeuta eu preciso
- 6:05anotando, senão eu não vou lembrar as coisas que eu tenho
- 6:07para falar. Pelo que eu entendi, tudo
- 6:10começou quando ela chamou ele para fazer uma sessão
- 6:12individual. Isso aconteceu há meses e, desde
- 6:16então, eles vinham se encontrando escondidos.
- 6:19Depois que ele me contou tudo, eu fui para casa dirigindo,
- 6:22chorando o caminho inteiro. Por mais que eu pense sobre
- 6:26isso, nada do que ele disse faz sentido para mim.
- 6:29Como que ele conseguiu fazer isso comigo?
- 6:32Ele não para de me ligar, de me mandar mensagem.
- 6:35Eu tenho 13 ligações perdidas dele e milhões de mensagens
- 6:39dizendo que eu sou tudo Pra Ele, que ele nunca quis que nada
- 6:43disso acontecesse e que ela pressionou ele.
- 6:47Ele também foi pra casa dos meus pais e a minha mãe contou que
- 6:49ele tá arrasado. Minha mãe falou que ele fica
- 6:52repetindo o tempo todo que foi a minha terapeuta que pressionou
- 6:55ele. Como que eu lido com tudo isso?
- 6:58Uma parte de mim não quer acreditar em nada disso e quer
- 7:01acreditar nele. A outra sabe que o que ele fez
- 7:05não tem justificativa. E essa é a história.
- 7:09Temos uma atualização, mas essa é a história.
- 7:12Quer ler a atualização? A gente deu que escolhe.
- 7:16Quero ver a atualização. Tá curiosa?
- 7:18Deixa eu só te fazer uma pergunta só para eu entender.
- 7:20É normal se eu estou numa terapia e eu tenho problemas do
- 7:24meu relacionamento, é normal que o terapeuta ou a terapeuta traga
- 7:28a ele? Então isso é uma das coisas que
- 7:30eu anotei. E aí o que eu pensei em começar
- 7:32falando é que eu não vou gente. Cagar regra aqui porque existem
- 7:37muitas abordagens e existem muitas formas de trabalhar e às
- 7:42vezes tem uma forma de trabalhar.
- 7:44Que eu não entrei em contato ainda e não conheço.
- 7:47Só quero começar colocando essa ressalva que eu acho importante.
- 7:51É, se é normal, eu diria que sim.
- 7:54Mas eu tenho ressalvas em relação a isso, tá?
- 7:57Porque eu fiquei pensando algumas dúvidas.
- 8:00Fiquei pensando se essa terapeuta é terapeuta de casal,
- 8:04se ela tem alguma experiência em relação a isso.
- 8:07É, vou trazer um termo técnico, mas vou explicar, se ela faz
- 8:10supervisão. O que que é supervisão?
- 8:12Supervisão é basicamente quando você tem um psicólogo ou uma
- 8:16psicóloga mais experiente que te orienta nos seus casos em
- 8:20relação a alguma coisa que talvez você ainda não tenha uma
- 8:24experiência de fato, né? É então assim, tô trazendo isso
- 8:28porque é uma possibilidade. Tem algumas abordagens que
- 8:31trabalham. Para além só do indivíduo, então
- 8:34entender como que está a relação, entender um contexto.
- 8:37Então, sei lá, a pessoa, posso até trazer minha experiência,
- 8:40vou me colocar aqui, é a minha terapeuta também, é terapeuta de
- 8:44casal e terapeuta de família. Então a gente já convidou meu
- 8:48namorado para participar. Se eu não me engano, acho que a
- 8:51gente fez uma sessão juntos. Mas qual que é a ressalva?
- 8:54Uma coisa ela convidar ele para participar da minha terapia e
- 8:59fazer uma sessão para gente juntos cuidar e às vezes ela até
- 9:03me ajudar a falar alguma coisa aqui sozinha.
- 9:05Assim, dá para ter um lugar. Só que aí que entra 11 das
- 9:09palavras que ela colocou no título que não me pareceu que
- 9:12existiu na história, que é limites.
- 9:18E os limites tem que ser muito bem estabelecidos e não me
- 9:23pareceu assim que essa terapeuta teve é esse cuidado assim, longe
- 9:28de ter um cuidado, né? Mas não pareceu que ela teve
- 9:30esse cuidado, porque, volto a dizer, uma coisa é convidar um
- 9:33namorado para fazer uma sessão conjunta para cuidar, trabalhar,
- 9:37para atuar. É pontualmente, pontualmente,
- 9:40né? Ou chamar é, eu acho que é bom
- 9:43trazer exemplos, né? Então na minha própria terapia.
- 9:45É, eu já fiz uma sessão com o meu namorado.
- 9:48Não foi uma terapia de casal. Foi ele sendo convidado em uma
- 9:51sessão pontual pra gente olhar e ela me ajudar a trabalhar com
- 9:57ele. Uma questão ali do casal, eu já
- 10:00fiz uma sessão com a minha mãe, eu lembro.
- 10:02Que criança eu já fiz, mas é que eu era criança.
- 10:04É diferente dos meus pais. Pai, agora deixa eu trazer os
- 10:07seus pais? É não.
- 10:09E criança e criança também. É muito importante que os pais
- 10:13sejam incluídos Na Na terapia. Então assim, por que que eu tô
- 10:16falando isso? Porque acho que talvez fora do
- 10:20meu meio seja um pouco esquisito ouvir que a sua terapeuta
- 10:24imaginou que poderia chamar alguma outra pessoa.
- 10:27E eu até acho bom, dependendo da situação, não essa, volto a
- 10:31dizer. Não acho que nesse caso.
- 10:33Tá, mas eu acho que dependendo, pode até ser assim, porque você
- 10:36puder acionar a rede daquela pessoa para ajudar a olhar.
- 10:40É questão. É o entorno?
- 10:42Exatamente. Então sei lá, gente, às vezes
- 10:45chamar uma amiga para para uma pessoa que tá numa situação
- 10:48muito difícil e poder convidar é esse entorno mesmo assim, né?
- 10:54Só aqui tem que ter limites. Uma coisa é você atender uma
- 10:56pessoa pontualmente na sua terapia com você.
- 10:58Eu, particularmente, nunca ouvi. E dentro da minha experiência,
- 11:03da minha formação enquanto psicóloga enquanto terapeuta, é
- 11:07eu nunca ouvi a psicóloga fazendo uma sessão, a psicóloga
- 11:11individual sua com fazendo uma sessão individual com a outra
- 11:16pessoa. Aí também, por exemplo, numa
- 11:17terapeuta de casal, isso acontece.
- 11:20Então, mas então assim, já tem essa ressalva?
- 11:24E aí a outra ressalva, de você se relacionar com a pessoa que
- 11:32você queria atender. Andou com o namorado da pessoa
- 11:34que você eu queria. Muito perguntar se existe em
- 11:38algum nível é um caso onde não é justificável.
- 11:44A palavra que eu quero dizer, tá?
- 11:46Mas onde isso seria? AI, tá bom, não sei se você
- 11:49assistiu hoy met your Mother, mas conheço, é um k ela, enfim,
- 11:55a Robin, em algum momento ela vai fazer terapia e ela percebe,
- 11:58ela se envolve com o terapeuta e aí eles param de fazer terapia,
- 12:02lógico, né? Param de ter a relação paciente
- 12:05e profissional e eles começam a namorar.
- 12:08E aí isso nunca me desceu bem, sabe porque eu falei, cara,
- 12:13como? Mas ao mesmo tempo eu fico
- 12:15pensando. Em algum nível imaginável, isso
- 12:20é aceitável, cara, na sua opinião?
- 12:23Na minha opinião, eu diria que não.
- 12:25Não, né? Eu diria que não.
- 12:27Só que assim é tão complexo. Complexo?
- 12:31Exatamente. Eu acho que assim eu não acho.
- 12:34Só que o mínimo a se fazer é encerrar a relação terapeuta
- 12:39terapêutica, né? Porque uma das coisas que eu
- 12:41anotei foi. A pressão do terapeuta, né?
- 12:46É isso. Eu acho que é um bom, é um bom
- 12:48tópico, porque eu fiquei pensando em 2 coisas assim.
- 12:52A primeira é que eu fiquei me perguntando, e aí não tem uma
- 12:58resposta certa, tá, gente? Assim é o que a gente tem de
- 13:00informação da história. Eu fiquei me perguntando o
- 13:03quanto que ele tá tirando a responsabilidade do ato dele e
- 13:07colocando na terapeuta só nesse lugar de Ah, ela me pressionou,
- 13:11ela me pressionou assim. Precisaria entender mais de que
- 13:14forma ela pressiona, como que foi essa pressão?
- 13:17Exatamente, tem assim. Isso é muito da minha forma
- 13:21também de trabalhar, que é de entender os significados do que
- 13:25as pessoas estão falando. Então, o que que ele tá querendo
- 13:29dizer quando ele fala que ela pressionou?
- 13:31Porque para mim, pressionar pode ser uma coisa, para você,
- 13:33pressionar pode ser outra. É beira para mim, a primeira
- 13:37coisa que me vem na cabeça. Beira é tipo um.
- 13:40Não um, é? Eu pensei nisso, então, e aí?
- 13:43Esse é o outro ponto, porque são 2 vieses que podem ser um pouco
- 13:47contraditórios, a princípio. Primeiro, a primeira coisa que
- 13:50eu pensei é, tá, será que ele tá se desresponsabilizando?
- 13:55Do tirando a dele. É tirando a dele da reta e
- 13:58colocando só nesse lugar de Ah, me senti pressionado.
- 14:02É como uma justificativa ou para aliviar a culpa que talvez ele
- 14:05esteja sentindo assim? Pode ser, só que ao mesmo tempo
- 14:09eu pensei que tem um lugar aí que é uma coisa que assim que
- 14:13fala desse lugar dos limites do terapeuta e da gente ter muita
- 14:16noção do papel que a gente tá ocupando ali.
- 14:18Por isso tem que ter muito cuidado, por isso que tem que
- 14:21ter muito estudo, por isso tem que ter supervisão e tudo isso
- 14:23que eu tava compartilhando, né? Qualquer pessoa, de qualquer
- 14:26jeito, chegar e começar a atender e assim tirar da sua
- 14:29cabeça e das suas próprias regras.
- 14:30Isso que você tá fazendo ali, porque é um lugar de muita
- 14:33responsabilidade e embora hoje em dia.
- 14:37E mais uma vez cada abordagem vai trabalhar.
- 14:39De certa forma, eu vou falar da minha embora esse lugar de
- 14:43terapeuta e paciente ou cliente, né?
- 14:46Assim, a gente tem esse olhar de que não é para ser um lugar de
- 14:49hierarquia de quem? Assim de 111 pessoa que tá num
- 14:53lugar de poder e outra não. Porque assim, na minha forma de
- 14:58trabalhar eu tento tá o máximo possível, de igual para igual
- 15:01assim. Como eu me sinto na minha
- 15:02terapia também? Exatamente de igual para igual.
- 15:05Assim, eu falo isso para as pessoas que eu atendo.
- 15:07Eu não vou assumir que eu sei mais de você do que você sabe de
- 15:10você. Assim eu sei.
- 15:12Eu tenho experiência, eu tenho uma teoria que respaldo meu
- 15:15trabalho eu tenho. Um olhar é, mas eu estou aqui
- 15:18para te acompanhar. Então, até quando alguém chega
- 15:21com uma expectativa de que eu fale, o que a pessoa vai fazer?
- 15:23Assim não é o meu lugar, porque é aí que começa uma relação de
- 15:27poder naquele lugar de detentora do saber, e a pessoa, um lugar
- 15:31meio passivo, assim é. Para mim, isso não é 11 relação
- 15:36terapêutica e uma forma de trabalhar que.
- 15:38Faça, mas existem abordagens que são.
- 15:40Então eu acho que tem abordagem, sim, que colocam acho.
- 15:44Não tem abordagens que colocam o terapeuta num lugar um pouco
- 15:47mais importante, assim, importante nesse lugar de
- 15:52detentor do saber, vou chamar, mas porque que eu estou trazendo
- 15:56isso? Porque mesmo com uma tentativa
- 15:58de diminuir essa hierarquia, o terapeuta fica num lugar.
- 16:03De poder de alguma forma assim, sabe?
- 16:07Então eu acho que se esse lugar não é trabalhado e olhado com
- 16:14todo esse cuidado, toda essa ética, que é uma palavra muito
- 16:17importante, que não fomos até agora, mas essencial, essencial,
- 16:21e assim, essa história não tem muito pouco de 11 forma ética
- 16:27dessa terapeuta trabalhar, né? Então, assim, se não tivesse
- 16:31olhar cuidadoso e ético do lugar que você tá ocupando ali é muito
- 16:37fácil, uma palavra complicada de usar, mas é muito perigoso.
- 16:41Acho que é melhor, é muito perigoso cair num lugar em que
- 16:45você influencie a pessoa, em que você se utilize de um lugar de
- 16:51hierarquia e de suposto saber e da pessoa tá confiando em você.
- 16:58Pra fazer coisas muito ruins e muito problemáticas.
- 17:00Então assim tô falando à beça, tá, gente?
- 17:02Mas pra voltar no ponto de fiquei me perguntando se ele
- 17:06tava se desresponsabilizando, sim.
- 17:08Mas também fiquei me perguntando se de fato teve alguma conduta
- 17:12dessa terapêutica que sim, aí passa de um limite e vai pra um
- 17:16lugar de assédio. É, me me veio um assédio assim é
- 17:19que. É, eu pensei nisso também, então
- 17:22claro que eu tenho que saber diferenciar e distanciar o que
- 17:25que é meu. E o que que é do outro?
- 17:29Só que, ao mesmo tempo, tem 1 hora que ela fala, Ah, até então
- 17:32ela estava dando umas percepções neutras e tal.
- 17:35E aí isso também é um debate dentro da psicologia.
- 17:38Se existe de fato neutralidade assim, acho que. 100%
- 17:41impossível. Então é isso que eu IA falar.
- 17:44A minha percepção é que neutralidade é diferente de você
- 17:48separar o que que é seu, o que que é do outro.
- 17:50Assim, você. Eu não estou ali 100% neutra,
- 17:54mas isso não significa que eu estou.
- 17:57Apontando um dedo. Ou indicando o caminho, né?
- 18:00Não vai por anão vai por é. Porque eu já fui traída, então
- 18:03faz isso para você não ser assim.
- 18:05Isso não é terapia, tá, gente? É.
- 18:07Inclusive, se essa ação de sua experiência, por favor, repende,
- 18:10recomendo pela repensar é, enfim, e porque não é o lugar,
- 18:17né? A gente não tá ali para ser
- 18:18amiga. Mas.
- 18:19Mas é um lugar complexo. Tem muita coisa dessa história,
- 18:22muita coisa. Você não.
- 18:23Você lê atualização. Não tem atualização.
- 18:25Tem atualização, mas acho que assim tem uma anotação aqui, a
- 18:27atualização é mais pra gente saber o que aconteceu.
- 18:30Eu não acho que eu não lembro. Na verdade, tá?
- 18:33Hum AI amiga, tem. Comentei, eu comentei as 3
- 18:36coisas que eu escrevi, pressão, terapeuta, colocaram a culpa e
- 18:38atender o namorado. Beleza, tá?
- 18:40Não, ele vai lançar uma braba aqui pra gente, tá?
- 18:42Vai. Atualização.
- 18:44Desculpa ter demorado tanto pra trazer uma atualização e também
- 18:47por não ter respondido os comentários, mas eu li todos e
- 18:51eu fiquei emocionada com todo apoio que eu recebi.
- 18:54Depois que tudo isso aconteceu, o meu ex tentou me procurar em
- 18:57casa, mas eu tinha ido pra casa dos meus pais.
- 19:00Mas alguns dias depois eu resolvi falar com ele.
- 19:03A gente conversou por horas porque eu queria muito entender
- 19:06o que tinha acontecido, mas a triste realidade é.
- 19:10Eu ainda não sei se ela realmente pressionou ele tanto
- 19:13assim pra transar com ela ou não.
- 19:16Ah, então eles transaram, tá? Ele não conseguiu me dar uma
- 19:20resposta clara, mesmo quando eu deixei claro quais podiam ser as
- 19:23consequências pra carreira dela, eu disse que se ele sentisse que
- 19:27o que ele que o que ela fez foi coerção sexual ou abuso sexual,
- 19:33ele podia me procurar quando fosse, mas que eu não consigo
- 19:36esquecer o que aconteceu. Mesmo que eu não saiba quem
- 19:39realmente começou esse caso ou quem é o culpado por tudo isso,
- 19:43e eu também não estou em condição de continuar pensando
- 19:46se ele teve qualquer participação nisso ou não.
- 19:49Sobre a minha terapeuta, eu denunciei ela.
- 19:52Arrasou. Pensei também que seria o
- 19:54correto a fazer e eu estou entrando com um processo para
- 19:57pedir indenização pelos danos que ela causou.
- 20:00Eu não me importo o quanto ela manipulou o meu ex ou se ele se
- 20:03envolveu com ela por vontade própria.
- 20:05Eu era paciente dela e ela me traiu da pior forma possível.
- 20:09Ela cruzou uma linha absurda. Eu espero que quando tudo isso
- 20:13acabar, ela não tenha mais nada. É isso agora eu tô tentando
- 20:17seguir em frente, tentando focar no que importa, mas tudo isso
- 20:21acabou comigo de 1 dia pro outro.
- 20:24A minha vida virou de cabeça pra baixo e eu sinto que eu vou ter
- 20:27que recomeçar do zero. Em relação à minha saúde mental,
- 20:30eu nem consigo imaginar confiando em alguém assim de
- 20:33novo. Mas eu acho que faz parte da
- 20:35vida, a gente vive e aprende. Obrigada a todo carinho e apoio
- 20:39que vocês me deram. Cara, eu só queria.
- 20:42Eu queria muito que essa pessoa tivesse ouvindo, porque na
- 20:44verdade, a primeira coisa que eu pensei eu nem falei que foi só
- 20:48falar, cara, eu sinto muito. Por Ela tá passando por isso?
- 20:52É porque assim não é nem talvez o foco do episódio, né?
- 20:57A gente falou de falar mais desse lugar da terapeuta, mas eu
- 21:00fiquei pensando. É, eu lembrei de dar uma frase
- 21:04que a minha terapeuta me falou quando eu vivi coisas que eu
- 21:08vivi em relacionamentos passados de traições, muito puxadas
- 21:12assim. E aí ela só falou, a gente vai
- 21:15ter que trabalhar muito a sua confiança porque e eu fiquei com
- 21:19vontade de falar isso. Por isso que eu pensei, cara, eu
- 21:20queria que ela que ela tivesse ouvindo, porque assim, é um
- 21:24momento e é uma situação que gente realmente não tem muito o
- 21:28que falar, não tem muito o que falar no sentido de.
- 21:30Não tem nada que a gente possa falar que nesse momento eu acho
- 21:34que faria ela voltar a acreditar e confiar.
- 21:39É na pessoa ou nela mesma que eu lembro que nessa minha
- 21:43experiência, e é uma experiência que acontece muito com pessoas
- 21:46que que são traídas, que é. Não é nem só desconfiar do
- 21:50outro, mas é desconfiar de si. Porque eu lembro que na minha
- 21:53experiência, eu pensava, tá, mas não é só confiar no não confiar
- 21:56no outro, mas eu não confio nem na minha própria percepção,
- 21:58porque como que eu não percebi isso?
- 22:01Gente, meio que se culpa. Né?
- 22:03É como se fosse obrigação nossa perceber alguma coisa.
- 22:06Exato. Então assim é, a pessoa fica com
- 22:09vontade de falar que eu sinto muito assim, que que ela vai ter
- 22:12que cuidar e trabalhar muito. Porque, cara, teoricamente a
- 22:16terapia, né? Pra muitas pessoas, a terapia,
- 22:19inclusive, é o primeiro lugar de confiança e de segurança, né?
- 22:22De você poder se abrir, de você poder experimentar uma relação
- 22:26saudável, uma relação que você possa confiar nisso, confiar
- 22:31naquela pessoa. E eu gosto de falar, né?
- 22:33Assim, a minha abordagem tem muito esse olhar de que, às
- 22:35vezes, o terapeuta vai ser o primeiro modelo, entre aspas, de
- 22:40uma relação saudável. Só que não é pra parar ali na
- 22:43terapia, pra. É e expandir.
- 22:47Então, cara, eu sinto muito e eu tenho certeza que essa não é a
- 22:50única pessoa. Inclusive fiquei com vontade de
- 22:51convidar as pessoas. Se você já teve uma experiência
- 22:53ruim com a terapeuta e terapia EE, que tem a ver com o tema da
- 22:58confiança e se sentir confortável, eu compartilho aqui
- 23:01embaixo. Eu sinto muito, mas compartilho
- 23:03aqui embaixo, porque muita gente assim eu já ouvi de pessoas de.
- 23:07Não chega a ser isso, mas também não é legal de pessoas que, sei
- 23:11lá, estavam fazendo terapia e perceberam que a terapeuta
- 23:13ficava vendo TV durante a sessão.
- 23:16É, gente, tem profissional ruim em todas as todas as áreas.
- 23:20Não tem como a gente fugir, né? Mas eu fiquei com isso assim,
- 23:24cara, ela vai ter que trabalhar muito essa questão da confiança,
- 23:27porque. Não.
- 23:28E a confiança até no terapeuta, né?
- 23:30E porque isso é muito triste, tipo, caraca, que bosta.
- 23:33Você tá passando por isso, sabe? Porque ela se falou um lugar que
- 23:36deveria ser de confiança. Eu espero que eu eu vou entender
- 23:42se for, se tiver traumatizante nesse momento ao ponto de não
- 23:45querer buscar esse espaço, mas eu espero que em algum momento
- 23:50ela se dê essa chance. Me consiga, né?
- 23:54Porque, gente? Não é muito puxado, muito puxado
- 23:56assim. Eu já ouvi algumas histórias
- 23:58bizarras, mas eu acho que essa. É uma das mais.
- 24:01Bisadas é só uma pequena observação, tem umas 45 dessa
- 24:08que eu achei. As pessoas não estão fazendo
- 24:10supervisão porque assim conduta, se você está se sentindo
- 24:13atraído, sei lá. Isso acontece, tá?
- 24:16Sim. Spoiler, isso acontece se você
- 24:18pode vir a se sentir atraído, porque a gente não controla a
- 24:20nossa atração. A gente não controla o que a
- 24:22gente sente, mas a gente controla o.
- 24:23Que a gente faz, eu falo. Muito isso.
- 24:26Ah, que a gente faz. Então se você tá é terapeuta
- 24:30agora e tá ouvindo, Karen, você se sente atraído?
- 24:33Procure, sei lá. Procura supervisão que eu tava
- 24:35falando para entender porque às vezes você tá projetando alguma
- 24:38coisa sua naquela pessoa ou é o momento de encerrar o processo?
- 24:44É, tem muitas outras coisas que podem ser feitas antes de você
- 24:47ser antiético e de você passar de todos os limites possíveis,
- 24:52então isso, mas. Você, mas você acha que ela fez
- 24:55certo, né? De ter te denunciado com.
- 24:57Certeza, inclusive. Denunciem.
- 24:59Se vocês tem uma experiência ruim, gente, não deixem de
- 25:03denunciar. É muito importante.
- 25:05É, sabe? O que eu fico meio não triste,
- 25:08né? Porque assim, eu não sou nenhum
- 25:09pouco da área. Eu falo muito no nos episódios
- 25:12como uma pessoa que. Que tá no processo de fazer,
- 25:15enfim. E como me ajuda muito, Eu
- 25:17Acredito que pode ajudar muito outras pessoas também.
- 25:20Mas também eu acho que é um ponto negativo para o time
- 25:24terapia, porque tem muitas pessoas já com pré conceito da
- 25:29terapia em si, né? Tipo, aí não preciso que não sei
- 25:32o que blá blá e se ouve isso, eu imagino, se eu fosse uma pessoa
- 25:36já resistente ao. E eu ouço isso.
- 25:39Eu falo, gente, beijo, adeus, mas nunca que eu vou.
- 25:42Então que pena que existem essa história, porque acabam acaba.
- 25:46Desencorajando é, eu tento me consolar para ser sincera com
- 25:50essa ideia que eu falei que é bom.
- 25:52Tem profissionais ruins em toda todas as áreas e todas as
- 25:55profissões. Então isso pessoalmente me
- 25:58consola. De que, cara?
- 26:00Vão ter terapeutas? Vão ter psicólogos, na minha
- 26:05opinião, horrorosos. E antiéticos é assim e
- 26:11antiéticos, dentre outras coisas.
- 26:14Mas eu também fico triste assim, porque eu vejo, né?
- 26:17Enfim, sou da área e vejo o quanto que acho que melhorou
- 26:21muito, mas ainda tem. Assim, dependendo da bolha que
- 26:23você for, ainda tem uma visão da terapia ou nesse lugar de que o
- 26:27terapeuta, você quem vai te falar o que fazer, ou algo nesse
- 26:31sentido, ou que é a mesma coisa. Eu converso com pessoas que
- 26:34assim da minha vida, que às vezes falam, Ah, mas.
- 26:36Para que que eu vou fazer terapia?
- 26:37Se eu tenho um suporte do meu namorado ou do meu marido, ou se
- 26:40eu tenho o suporte das minhas amigas?
- 26:41E que bom. Fisioterapia não é para ser o
- 26:44único lugar de conversa, não é? Não é para ser o único lugar de
- 26:48suporte. Mas não é a mesma coisa, então.
- 26:54Então é um desserviço. Eu fico bem triste, mas saibam
- 26:58que essa não é a realidade. É ou a única, né?
- 27:02Assim não é pra ser, na verdade. Amiga de histórias mais
- 27:05bizarras, assim que você pode elencar a da TV, eu?
- 27:11Tô pensando, cara, eu acho que essa da TV eu tive a sorte de
- 27:18viver. É assim, eu não vivi história.
- 27:22Já tive terapeuta que AI falava opção sexual ao invés de
- 27:26orientação sexual. Já tive terapeuta que eu não me
- 27:30senti muito apoiada no meu processo de saída do armário.
- 27:33Então assim que eu não gostei. Mas algo da minha experiência de
- 27:38ter algo tão bizarro assim, eu felizmente não tive.
- 27:42É, eu tô tentando pensar, mas eu acho agora só tá me vendo mais
- 27:47essa da é da TV assim foi até em uma pessoa que eu atendi depois
- 27:51que veio com isso, assim de perceber, já ouvi, já ouvi
- 27:54também, Ah, percebi que a pessoa tava, lembrei de ouvir, AI amo,
- 27:58lembrei, viralizou, não sei se vocês viram, não é minha, não é
- 28:01de ninguém perto de mim, mas gente, vocês viram que
- 28:03viralizou, você sabia disso, de uma pessoa que fazia terapia e
- 28:08que ela de. Assim, até onde eu vi da
- 28:11história, ela não tinha como ter 5% de certeza, porque ela não
- 28:15tava no notebook da terapeuta para ter certeza disso, era.
- 28:20Online que você disse? Que ela percebeu e começou a
- 28:25suspeitar e ter quase certeza que a terapeuta dela respondia.
- 28:28Ela colocava as respostas dela no ChatGPT?
- 28:32Não, não viu isso, gente, pesquisem.
- 28:35Eu juro que isso não há fake news.
- 28:36Eu vi isso no Twitter, no Instagram.
- 28:39E eu acho que teve alguma psicóloga, se eu não me engano,
- 28:41que eu que eu vi comentando essa história, mas foi isso, assim do
- 28:45que eu vi. Tipo as sugestões que ela dava,
- 28:48vinha tudo. É a da história que do que eu
- 28:51tinha entendido. Ela era uma terapia online.
- 28:55Então, né, fica mais limitado o que que você vê.
- 28:58Inclusive eu prefiro muito mais atender presencial, porque é
- 29:01isso. Fica um espaço muito mais
- 29:02limitado do que você tá vendo da pessoa e até do que a pessoa tá
- 29:05te vendo. E aí ela descrevia que ela
- 29:08contava as coisas. É a terapeuta notava e eu não
- 29:13lembro. Qual que foi o gatilho que fez
- 29:15ela perceber que tinha alguma coisa esquisita?
- 29:17Não lembro. Talvez uma frase muito montada,
- 29:19cara de inteligência. Eu não lembro se foi as
- 29:21respostas da terapeuta ou se foi ela percebendo que a terapeuta
- 29:25notava, ao mesmo tempo que isso acontece.
- 29:26Tá assim, eu sou uma terapeuta que anota, mas eu aviso para as
- 29:29pessoas que eu. Estou atendendo.
- 29:30O terapeuta anota tudo. É porque ele lembra de coisa de
- 29:321989, que não era nascida. Eu lembro de lembro de tal
- 29:34pessoa. Que fez tal coisa?
- 29:37Se eu não anotar, não vou lembrar de alguma das coisas.
- 29:40Então eu não anoto a sessão toda, porque pra mim o mais
- 29:43importante é o tá presente pra pessoa e a pessoa tá se sentindo
- 29:46escutada. Então se eu passar a sessão toda
- 29:48anotando, eu realmente não vou tá presente ali.
- 29:51Só que se a pessoa falar uma frase ou alguma coisa que ou
- 29:54alguma informação importante que eu acho que eu preciso lembrar,
- 29:57eu dou uma anotada. Então não é que é errado, tá?
- 29:59Não é que é ruim a pessoa anotar.
- 30:01Só que ela descrevia que ela percebia essa essa essa
- 30:05terapeuta notando muito. E eu acho que é isso.
- 30:07Eu acho que as respostas estavam meio que sempre.
- 30:10Muito cara de coisa. É, é.
- 30:13Porque dá para dá para perceber quando é.
- 30:16Inteligência da da. E aí que eu me lembro da
- 30:19história, ela começou a testar, tipo, sei lá, ela tava falando
- 30:22de um assunto, a gente tá falando aqui desse assunto.
- 30:24E aí Do Nada é o mundo mudo de assunto, começa a falar de outra
- 30:27coisa. E aí a terapeuta meio que
- 30:29ficava. Voltando tempo, tudo voltando,
- 30:32mas voltando e dando as mesmas respostas.
- 30:34Gente, procurem essa história, não, eu vou procurar.
- 30:36Esse foi o que eu o que eu vi não é da minha experiência, nem
- 30:40nem conheço, mas que eu achei muito bizarro e que é isso, né?
- 30:43Agora, com inteligência artificial e ChatGPT, eu imagino
- 30:47que isso vai ficar comum. Gente, eu tô pensando aqui,
- 30:50gravando, eu tô pensando, cara, esse episódio vai ser
- 30:53basicamente. É um alerta para as pessoas não
- 30:56fazerem terapia, mas não, gente, tem essas, essas vivências.
- 31:00Eu falei para as pessoas comentarem as experiências
- 31:02ruins. Se você teve uma experiência boa
- 31:04também, comenta. Aqui embaixo já vai deixando
- 31:06seus humildes. Gente, é para dar um mais do que
- 31:09eu. Falo de terapia.
- 31:11Eu acho que eu até sou meio chata, sabe?
- 31:13E eu entendo também que lógico. Eu acho que talvez posso tá
- 31:18errada, tá? Mas eu acho que a gente tem que
- 31:20tá um pouco aberta pelo menos ao processo, não tem como ser não,
- 31:24eu não quero nem um pouco, você vai, você não vai ter uma
- 31:26experiência bacana, né? E por exemplo, meu maridão aí
- 31:30meu, vai fazer terapia, vai fazer terapia, ele foi ele, eu
- 31:32nunca mais vou. Eu falei, tá tudo bem, tipo, não
- 31:34é o seu processo no momento, demorou.
- 31:37Ou também, às vezes não é a pessoa, eu falo muito isso
- 31:39também, sim, tem que dar um metezinho, sabe?
- 31:42A pessoa tem que, enfim, você tem que sentir, porque às vezes
- 31:45você vai falar Ah, a pessoa vai falar x, sabe?
- 31:48Às vezes não dá um match também, mas não rola.
- 31:51Muito. É como eu IA falar que é como
- 31:53qualquer outra relação? Não, na verdade, não é como
- 31:55qualquer outra relação, mas como qualquer outra relação no
- 31:58sentido. Disso que você trouxe assim,
- 32:01gente, não tem pessoas na vida que você troca e você sente que
- 32:05encaixa e outras que você sente que não encaixa.
- 32:07Não é garantia que você vai se sentir encaixado.
- 32:10E volto a dizer assim, eu gosto muito de trazer exemplos.
- 32:13E como eu não vou expor nenhuma das pessoas que eu atendo, eu
- 32:15vou falar dos meus exemplos, né? Que aí eu posso me expor.
- 32:18Mas eu já tive 3 terapeutas fixas ao longo da minha vida,
- 32:22uma que me acompanhou mais ali na época da adolescência.
- 32:26Outra que me acompanhou, na verdade, a primeira terapeuta da
- 32:30vida que eu fui, eu não dei match, não gostei, fiz umas 23
- 32:32sessões, eu tinha uns 1516 anos e aí fui para outra que eu
- 32:37fiquei anos e aí encerramos. Depois fui para outra que eu
- 32:40fiquei, acho que mais ou menos um ano, encerramos.
- 32:43E aí entra essa segunda e a que eu tô hoje, que esse ano a gente
- 32:47faz 7 anos, eu falo que ela é minha relação mais longa.
- 32:52Então, gente, só não falo que é porque eu tenho alguns amigos há
- 32:55mais tempo do que isso. Mas assim, é uma das minhas
- 32:57relações mais longas. E só que antes dela eu fui em
- 33:01algumas porque eu tava passando por esse processo de
- 33:04entendimento de algumas coisas, até em relação à minha
- 33:07sexualidade, me descobrindo bissexual.
- 33:09E aí, se eu não me engano, eu acho que eu fui umas 23 antes de
- 33:12ir nela. Não senti esse match e depois aí
- 33:16me indicaram ela, e assim até hoje é.
- 33:19Gente, é muito, match muito. Eu boto muito fé que assim tem
- 33:23que tem que dar um clique, sabe? Você tem que se sentir bem.
- 33:27E não é que você sempre vai concordar?
- 33:29Também é porque não é sobre concordar, não é sobre
- 33:31concordar, é sobre tipo se sentir.
- 33:34Se sentir bem? Né?
- 33:36Conseguir ter uma troca, conseguir se abrir também,
- 33:38exatamente porque, gente, a verdade é, se você mente na
- 33:41terapia, você mente para você mesmo.
- 33:44Isso é uma bosta, porque às vezes eu fico Isabela, não é bem
- 33:48isso que você quis dizer, aí eu volto, eu falo, não vai, deixa
- 33:51eu falar a real, na verdade é aqui.
- 33:53Então pra isso se eu pudesse dar uma dica como se fosse fácil,
- 33:56tá, gente, eu sei que não é. Inclusive eu acho que a que AA
- 33:59mulher da história, ela fala alguma coisa sobre isso.
- 34:01Não é nem o foco da história, mas ela falar algo sobre não
- 34:04conseguir ser honesta com a terapeuta, algo assim, gente, eu
- 34:07sei que não é fácil, mas a minha dica de fora que eu falo até
- 34:10para as minhas amigas, quando tão me falando das terapias
- 34:12delas, é, cara, quanto mais você conseguir ser honesta, mesmo que
- 34:16seja desconfortável. Cara, às vezes eu tô vou falar
- 34:18uma coisa que eu tô com muita vergonha, que eu não gosto em
- 34:20mim. Eu acho que eu fui tóxico, eu
- 34:23acho que não foi maneiro. Só que eu falo até até nas
- 34:26sessões que eu vou não querendo ir.
- 34:28Eu falo, cara, eu não queria estar aqui hoje.
- 34:30Nossa, tem vezes que eu falo, nossa, eu estou super bem, para
- 34:32que? Aí eu saio de descaralhada da
- 34:35cabeça. Exatamente, exatamente.
- 34:37Então, EE, outra coisa que eu aprendi muito na minha
- 34:41abordagem, que também falo para as pessoas, aí vai depender
- 34:44também do terapeuta e da abordagem como que a pessoa
- 34:47trabalha, né? Mas a minha abordagem é uma que
- 34:50trabalha muito também a partir da própria relação.
- 34:52Então, se você não está se sentindo bem comigo, me fala.
- 34:56Se você se eu falei alguma coisa que te causou um incômodo, me
- 35:00fala, se você for com raiva, gente, é normal sentir raiva do
- 35:03terapeuta. É diferente de você se sentir
- 35:05desrespeitado. É diferente de você sentir tudo
- 35:07que. Você é traído?
- 35:08É, mas assim é de fato. Não é um lugar para você ir para
- 35:12pessoa falar o que você quer ouvir?
- 35:16É. Então tem muitas nuances aí, mas
- 35:18que eu acho importante. A gente tá falando e
- 35:21compartilhar com o fisioterapeuta se você não tá se
- 35:23identificando, inclusive, às vezes antes de sair.
- 35:26Compartilha que às vezes pode ter alguma coisa ali na relação
- 35:29que está desajustada que só de você falar sobre?
- 35:32Já traz luz e vocês já traz. Você se conecta porque senão
- 35:36fica baseado numa mentira. Você fingindo que está se
- 35:39sentindo bem ali, a pessoa achando que você está se
- 35:42sentindo bem e nada. É mais uma relação performática,
- 35:46é verdade. E a ideia é que não seja assim.
- 35:49Então fica aí a dica, gente, sejam honestos com vocês mesmos.
- 35:54É isso, nossa, quer a próxima? Essa daqui eu vou ser sincera.
- 36:01Eu não entendi muito o que aconteceu.
- 36:03Tem 2 termos que eu só queria que você desse uma resumidona é,
- 36:08eu pesquisei, mas eu não sei se tá correto pra gente conseguir
- 36:12entender o que que é transferência e com contra
- 36:16transferência tá só é porque isso é.
- 36:20A pessoa que escreve traz muito esses termos, então tá só para a
- 36:23gente ter uma noção do que que do que a gente está lidando.
- 36:26Tá falando em abordagens. É transferência e contra
- 36:29transferência eu vou ter 11 limitação do que eu vou
- 36:32conseguir falar, porque é da um termo da psicanálise, tá, que é
- 36:37uma das abordagens dentro da possibilidade de atendimento em
- 36:41consultório. Mas eu estudei isso na faculdade
- 36:44e eu tirei 10 em psicanálise. Então eu deveria explicar talvez
- 36:48melhor do que eu vou saber. Mas se eu fosse resumir, gente,
- 36:51se você tá ouvindo, você é psicanalista.
- 36:52Não me massete nos comentários, porque eu vou realmente falar de
- 36:56uma forma bem resumida leiga, mas basicamente fala da relação
- 37:00e do sentimento que rola entre terapeuta e paciente ou cliente
- 37:07e cliente terapeuta. Então, a transferência fala das
- 37:10sensações e sentimentos e tudo que envolve, talvez de um.
- 37:17Vamos chamar de afeto no sentido de sentimentos e sensações mesmo
- 37:20do terapeuta para com a pessoa que ela tende ou o contrário.
- 37:24Não minto do paciente pro terapeuta.
- 37:27Essa é a transferência e a contra transferência é do
- 37:32terapeuta para o paciente. Então fica um pouco nesse lugar,
- 37:36basicamente de como que tá aquela relação que que a pessoa
- 37:39tá sentindo em relação a outra. Você pesquisou?
- 37:43Eu pesquisei pelo o que eu pesquisei é isso.
- 37:47A transferência ocorre quando o paciente projeta
- 37:49inconscientemente sentimentos ou expectativas.
- 37:52Só que ele coloca do passado na figura do terapeuta.
- 37:55Não sei se esse do passado faz sentido.
- 37:57Pode ser, sim. Eu IA falar dessa dessa questão
- 37:59da projeção, porque o que acontece?
- 38:01Eu acho que de novo eu vou dar um exemplo, né?
- 38:03Por exemplo, é se eu tô sentindo muita raiva da minha terapeuta.
- 38:10Num olhar de da desse sentido da transferência, talvez essa é
- 38:15minha raiva. Na verdade, não é uma raiva da
- 38:16terapeuta, é uma raiva que eu senti o cinto de outras figuras
- 38:22da minha vida, que normalmente são as figuras dos cuidadores,
- 38:25pai, mãe ou mãe, mãe, pai, pai. Mas assim de quem cuidou da
- 38:29gente, né? Das dessas figuras é parentais.
- 38:32E aí você, na verdade, é um sentimento.
- 38:35Relacionado a isso, mas que você tá projetando, colocando na sua
- 38:39terapeuta e inclusive colocando como se ela estivesse num lugar
- 38:42de pai, mãe. Porque a gente também acaba às
- 38:44vezes fazendo isso, tá, gente? Colocar terapeuta num lugar de
- 38:47Salvador ou num lugar de mãe, querer um colo num lugar de pai.
- 38:51E tudo isso é pra ser cuidado e olhado em em terapia.
- 38:56Mas é nesse sentido assim, desse sentimento e sensações que vão
- 39:00ditar entre aspas. Como que vai ser aquela relação
- 39:05e que que vai acontecer naquela relação?
- 39:07Não, beleza, não é isso que eu imaginei do que eu pesquisei.
- 39:10Mas só pra gente ter certeza, tá?
- 39:12Vamos lá. O título é meu terapeuta, passou
- 39:15de todos os limites profissionais.
- 39:17Ele está fazendo o geas lighting comigo e agora quer encerrar
- 39:21minha terapia. Mas não sobre limites.
- 39:23Bora lá? Eu estou fazendo terapia com ele
- 39:25há 3 meses, tá? Meu médico me encaminhou porque
- 39:28eu precisava de ajuda para lidar com o eu vou falar com o tá
- 39:31escrito, tá TEPT? Técnico.
- 39:34Isso é um estorno de estresse pós traumático perfeita.
- 39:38Que eu desenvolvi depois de relacionamento abusivo que eu
- 39:40tive no passado. Tá?
- 39:42E durante os primeiros meses, meu terapeuta foi ótimo.
- 39:45Eu realmente sentia. Eu realmente sentia que ele tava
- 39:49me ajudando. Com o tempo, ficou claro que
- 39:52existia uma atração mútua entre nós.
- 39:56Jesus. Eu cheguei a pesquisar bastante
- 39:59sobre transferência e contra transferência pra entender se
- 40:02aquilo era normal. Tá na minha cabeça, era só isso
- 40:06que tava acontecendo e não tinha nada de errado.
- 40:08Mas, ao longo do último mês, as sessões começaram a mudar.
- 40:13Aos poucos, elas deixaram de parecer terapia e pareciam mais
- 40:17como conversas normais, com alguns flertes aqui e ali.
- 40:23Depois disso, a gente começou a se falar por mensagem.
- 40:26A primeira vez que eu mandei mensagem Pra Ele foi no momento
- 40:29que eu tava emocionalmente abalada e com muita dificuldade
- 40:33de processar o que eu tava sentindo.
- 40:35A gente ficou se falando por mensagem por 1 hora.
- 40:38Com o tempo, falar com ele por mensagem virou algo tão normal
- 40:43que já não parecia mais estranho.
- 40:45Então, cerca de uma semana atrás, ele me mandou mensagem à
- 40:48tarde por causa de um comentário aleatório que eu tinha feito.
- 40:52Quando eu vi, a gente já tava conversando por 7 horas.
- 40:57Alguns dias depois a gente voltou a se falar por mensagem e
- 41:02de novo a gente conversou por horas, até umas 11 da noite.
- 41:06E não eram conversas sobre a terapia.
- 41:08A gente tava falando sobre coisas pessoais.
- 41:12No final da conversa, ele comentou que ele tava começando
- 41:15a achar que talvez a gente tivesse ultrapassando alguns
- 41:18limites. Talvez.
- 41:21Eu tenho pra mim. Eu não sei, não.
- 41:24Talvez é ótimo. Eu adorei.
- 41:25Talvez a gente tá ultrapassando alguns.
- 41:27E que ele não sabia muito bem o que fazer.
- 41:30Supervisão. Ele disse que ele tava confuso
- 41:33com tudo aquilo, falou que ele gostava muito de conversar
- 41:36comigo e que quando ele percebeu, as coisas já tinham
- 41:38saído do controle. Eu mencionei transferência e
- 41:42contra transferência. E disse que eu também não sabia
- 41:45muito bem o que fazer, porque eu não queria trocar de terapeuta.
- 41:49Foi aí que ele perguntou se eu não tava projetando os meus
- 41:52sentimentos nele por ele ser meu terapeuta.
- 41:55Eu achei estranho o jeito como ele me perguntou aquilo, mas eu
- 41:58disse que eu não achava que era isso.
- 42:01Foi aí que ele disse que a gente ainda podia trabalhar tudo
- 42:04aquilo em terapia e que eu só precisava ser sincera sobre os
- 42:08meus sentimentos pra que ele pudesse me ajudar.
- 42:11Depois disso, a gente se deu boa noite.
- 42:14Ou seja, tudo isso mensagem, tá? Na minha cabeça, a gente só IA
- 42:18voltar a se falar na nossa próxima sessão.
- 42:20Na noite seguinte, ele me mandou uma mensagem um pouco depois das
- 42:248:30 da noite. Era só um oi.
- 42:28Eu não sei porquê, mas a palavra oi sempre me dá a sensação de
- 42:31que alguma outra coisa ruim vem por aí.
- 42:34Então eu achei que ele tava entrando em contato pra dizer
- 42:37que ele não achava uma boa ideia a gente continuar a terapia
- 42:40juntos. Quando eu perguntei se era isso.
- 42:43Ele deu risada e disse que ele só tava me dando um oi.
- 42:47Depois ele perguntou como eu tava, me contou sobre o dia
- 42:50dele. A gente ficou se falando por
- 42:53mais 3 horas e dessa vez a conversa parecia muito mais
- 42:57íntima. Não teve nada sexual de forma
- 43:00explícita, mas tava começando a ficar intenso e parecia que os 2
- 43:05estavam ficando cada vez mais envolvidos.
- 43:08Tudo isso tava mexendo muito com a minha cabeça, porque eu não
- 43:11conseguia evitar a sensação de que eu tava desenvolvendo
- 43:15sentimentos por ele, mesmo eu sabendo que o que tava
- 43:18acontecendo era inadequado e eu tinha plena consciência disso.
- 43:22Eu já tinha me envolvido com homens abusivos e com caras que
- 43:25faziam guas light comigo o tempo todo e ele sabia de tudo isso.
- 43:31Inclusive foi ele que me convenceu a cortar contato com
- 43:34um ex. ESIM, eu devia ter feito isso
- 43:38muito antes, mas ele insistiu bastante para que eu fizesse
- 43:42isso dentro de um determinado prazo, porque, segundo ele, o
- 43:46cara era um babaca. No sábado passado, eu mandei uma
- 43:50mensagem dizendo que eu tava me sentindo muito mal com tudo
- 43:52aquilo. A resposta dele veio no mesmo.
- 43:55Segundo ele, disse que ele tava lidando com um problema
- 43:59familiar. E que apesar dele ter me ajudado
- 44:02muito, quando eu tava abalada, que eu não podia ficar mandando
- 44:05mensagens Pra Ele fora do horário de trabalho, ele falou
- 44:09que eu tava ultrapassando limites, que ele não ficava com
- 44:12o celular o tempo todo na mão, que eu não devia esperar a
- 44:16resposta dele, que não era pra eu mandar mensagem de novo.
- 44:20Ele também falou que ele IA me ajudar a encontrar outro
- 44:22terapeuta na nossa próxima consulta.
- 44:25Eu tenho todo o histórico das nossas conversas, salvo.
- 44:29Eu ainda não consigo acreditar na forma como ele reagiu, porque
- 44:32aquilo simplesmente não reflete o que aconteceu com a gente.
- 44:36O que mais mexe comigo é que quase todo contato foi iniciado
- 44:40por ele. E não só isso, era ele quem
- 44:43mantinha aquelas conversas rolando.
- 44:45Mas de repente, ele passou a agir como se tudo tivesse se
- 44:48resumido. Aquela nossa única conversa na
- 44:50época, que ela tava tendo problema com sentimentos dela e
- 44:54que ele só tava tentando me ajudar num momento difícil.
- 44:57Então eu não vou mais me consultar com ele.
- 45:00Eu nem sei se eu quero voltar pra terapia com qualquer outra
- 45:03pessoa. Tudo isso abalou ainda mais a
- 45:05minha capacidade de confiar nos outros.
- 45:08Eu realmente não sei o que fazer.
- 45:10Eu não quero destruir a vida dele.
- 45:13Ele é casado, tem filhos e outros pacientes e eu não quero
- 45:18machucar essas pessoas nem jogar a vida dela no caos.
- 45:23Vamos fazer um minuto de silêncio pra essa história,
- 45:26cara. Puxa do?
- 45:31Posso dar minha minha impressão, claro, fora assim, né?
- 45:34Do do âmbito de terapia. Pra mim, ele desenvolveu
- 45:42sentimentozinhos, sabe? Teve talvez aí uma atração
- 45:45mútua, e ele meio que jogou a isca.
- 45:52Quando ele viu que pegou, ele falou, putz, não, então você
- 45:55está confundindo as coisas. Sabe, é essa impressão que me
- 45:59faça? Cara, o que eu fiquei pensando
- 46:01em vocês? O que eu fiquei pensando aqui?
- 46:03Parece que todo mundo nessas histórias tem problema com
- 46:07limites. Então e isso.
- 46:10E volto a dizer, tá, gente, isso acontece.
- 46:13Terapeuta, são pessoas não justificando, não é para
- 46:16justificar isso. Mas terapeuta são pessoas,
- 46:18terapeuta são pessoas com problemas também, com questões
- 46:20de limites. Por que que eu fiquei o tempo
- 46:22todo batendo nessa tecla de faz supervisão, faz supervisão, faz
- 46:25terapia, isso é importante. O psicólogo também precisa fazer
- 46:28terapia, porque se a gente não cuida dos nossos problemas e das
- 46:33nossas questões, isso vai ultrapassar e vai vai entrar.
- 46:38Terapeutas podem ter problemas com limites nas suas próprias
- 46:41vidas, pode ter uma história que de de limites ultrapassados,
- 46:45porque isso é uma coisa que eu perguntaria.
- 46:47Tanto para o terapeuta quanto para ela, assim, qual que é a
- 46:49história desse tema na vida de vocês?
- 46:51É uma pergunta que eu gosto de fazer também, qual que é a
- 46:54história do tema limite? Porque a gente tá vendo que não
- 46:57teve, não teve assim, de ambas as partes dele ali, como
- 47:01profissional, tinha uma responsabilidade, eu diria até
- 47:04maior, de cuidar desse limite, e não teve.
- 47:09Mas assim, os 2 tem, tem questões de limites, então já é
- 47:1211 caminho, uma porta aí para olhar de.
- 47:16Que situações passadas da vida relacionadas a limites dos 2
- 47:22podem estar aparecendo aqui assim?
- 47:24EE, uma coisa que me veio porque eu comecei anotando, porque
- 47:27quando ela começou falando que foi pra essa terapia depois de
- 47:32um relacionamento abusivo, e aí, conforme você foi contando,
- 47:35fiquei pensando nisso, se era mais uma repetição de padrão da
- 47:39parte dela e. Antes de desenvolver a história
- 47:43e ver que ele de fato deu corda, né, eu fiquei pensando se ela
- 47:46estava projetando. A gente falou dessa palavra,
- 47:48projeção, né? O que que é projeção?
- 47:50É basicamente você pegar uma coisa que na verdade é sua e
- 47:54você colocar na outra pessoa, né?
- 47:56Então, um exemplo clássico de projeção é isso, você tem
- 47:59sentimentos por uma pessoa, seja bom, seja ruim, sei lá, você tem
- 48:04é admiração por essa pessoa, ou você tem inveja da pessoa ou
- 48:09você se sente atraído por essa pessoa.
- 48:11E ao invés de você assumir e bancar que são seus sentimentos,
- 48:16você coloca isso na pessoa do tipo, não, eu acho que ele tá
- 48:19traído por mim. Eu acho que ela sente inveja de
- 48:22mim. Então você projeta, você pega
- 48:24uma coisa que é sua e coloca no ou por que?
- 48:25Que a gente faz isso? Amiga, é tudo mecanismo de
- 48:29defesa. É assim.
- 48:30EE, eu e eu também tenho essa visão, né?
- 48:33Porque é tem 11 olhar de que de mecanismo de defesa é ruim e.
- 48:40O que a gente, né? Da minha abordagem, da gestal de
- 48:43terapia, a gente olha é que tem uma função assim, se a gente não
- 48:46se defender, gente, uma pessoa sem defesas não sobrevive, não
- 48:51sobrevive assim. Então todos nós precisamos de
- 48:54defesas e existem muitos. Eu posso um dia voltar aqui e a
- 48:57gente faz um episódio só sobre. É diferentes mecanismos de
- 49:00defesa, segundo a minha abordagem, a gestal de terapia.
- 49:04E a gente tem esse olhar de que não é necessariamente ruim a
- 49:08gente ter defesas, é importante. Só que é importante a gente
- 49:11conhecer quais são as nossas defesas, por que que a gente faz
- 49:15isso, para quê, qual que é a função disso?
- 49:18Então é um pouco esse, o território assim.
- 49:21E aí voltando no início da história, eu fiquei pensando se
- 49:25ela tendo vivido tudo que ela viveu, da bagagem dela, de
- 49:29relacionamento abusivo, tava. Projetando isso nele.
- 49:34E na verdade, ele estava tendo uma conduta, ok, e ela que
- 49:37estava de alguma forma enxergando coisa a partir dessa
- 49:40lente dela, mas não como ela descreveu assim aí, conforme a
- 49:43história foi, foi passando 7 horas?
- 49:47Não, não, isso sim, não existe, não existe.
- 49:50Eu lembro nos dedos as vezes que eu mandei mensagem para o meu
- 49:54terapeuta, que foi num num caso muito de tipo meu, aconteceu uma
- 49:58merda. E ele tá, demorou.
- 50:00Então o que você quer falar agora?
- 50:01Quer falar amanhã, mas nunca também, porque a situação
- 50:05permitiu que a gente conversasse logo em seguida.
- 50:07E só assim, eu não imagino trocando 7 horas de conversa com
- 50:12uma terapeuta. É não, é outra coisa assim.
- 50:14E eu acho que o tema dessas histórias, as 2 tem esse, acho
- 50:17que tem essa palavra no título, é limite mesmo, porque a questão
- 50:21e aí eu vou voltar um pouquinho no que eu falei de que, Ah, se o
- 50:24terapeuta pode chamar seu namorado pra enfim.
- 50:27Gente, isso tudo é com cuidado, é com uma técnica por trás e é
- 50:32com contorno. Eu gosto muito dessa palavra que
- 50:34contorno, desse sentido de assim, qual que é a linha, qual
- 50:37que é a delimitação, que limite fala do que, que delimitação,
- 50:42até onde a gente vai e o que que é isso e até onde passa dessa
- 50:48delimitação, então? Nesse exemplo da sessão com o
- 50:50namorado, né? Você vai construir assim, qual
- 50:53que é o sentido dessa sessão, pra que, pra que que você vai
- 50:57fazer isso? E qual que é o limite então?
- 51:00Ah, não vou entrar nisso porque isso fazer limite, não vou
- 51:04transar, né? Não vou fazer uma sessão
- 51:07individualmente e continuar assim, tem é isso, né?
- 51:11Mas os 2 nitidamente é isso, antiético.
- 51:16Falta de limite, falta de contorno.
- 51:17Eu estou pensando se tem mais alguma coisa assim.
- 51:19Deixa eu. Ver.
- 51:20E sabe o que me que eu saio dessa história com a mesma
- 51:22sensação que eu sai da outra, que para mais uma pessoa é a ter
- 51:27assim um processo terapêutico. Foi meio que queimado, sabe?
- 51:30E aí essa pessoa, tanto que muito louco que as 2 pessoas
- 51:33falam a mesma coisa. Eu não sei se eu vou confiar de
- 51:36novo em nenhum terapeuta, porque gente natural que você de fato
- 51:40tenha tipo. Um certo receio, sabe?
- 51:42Claro, claro. E aí que é então o que eu tava
- 51:45falando, da questão das defesas, que não é que é necessariamente
- 51:49bom pensar que essa pessoa é nunca mais vai confiar num
- 51:53terapeuta ou em ninguém. Não é que é bom, mas.
- 51:59Não faz sentido a pessoa criar uma defesa.
- 52:01Com certeza, gente, é meio que isso.
- 52:04Assim, com certeza. Eu espero, volto a dizer, eu
- 52:06espero que essas pessoas tenham a oportunidade de ter a
- 52:09experiência de viver outra terapia e outra relação que
- 52:16ressignifique, porque eu gosto muito dessa palavra também.
- 52:18Acho que a terapia é um grande processo de ressignificação.
- 52:21Nossa senhora, assim, não dá para você mudar sua história,
- 52:25não dá para você mudar as coisas que você viveu.
- 52:28É, a gente não tem esse controle assim, mas eu acho que é um
- 52:31grande processo de às vezes ou significar no sentido de dar
- 52:36sentido e dar significado para as coisas que você viveu, que às
- 52:40vezes não tem uma palavra assim, por exemplo, às vezes você vê
- 52:44alguma coisa e ao longo do processo da terapia, você vai
- 52:46dar um nome. Ah, isso aqui foi uma violência.
- 52:50Ah, isso aqui é a manipulação. Ah, isso aqui ultrapassou um
- 52:53limite. Então é um processo de nomeando.
- 52:56De colocar tipo uma. Né, uma etiquetinha tipo isso
- 52:59daqui foi tal coisa. Eu gosto, eu gosto dessa imagem
- 53:02que é tipo como se você entrasse numa casa toda bagunçada, e aí o
- 53:07processo é ir entrando cômodo por cômodo e organizando.
- 53:10Tipo, às vezes você nem sabe, sei lá que aquele sapato tava
- 53:14ali, porque tá tudo bagunçado, então arrumando você vai ver,
- 53:19caraca, esse sapato tá aqui, aí você bota ele no lugar, a nossa,
- 53:23isso aqui eu nem sabia que tava aqui.
- 53:24Então é um grande processo de arrumação.
- 53:28Mas não tenham gente também. A expectativa EAO ideal, a
- 53:32idealização de que tem um lugar a se chegar, de que em algum
- 53:35momento a casa vai estar 100%. Porque vou vou trazer muito da
- 53:40minha experiência com a terapia. É que primeiro a gente é muito
- 53:46complexo. Acho que tem várias camadas
- 53:48nossas que nem sempre estão disponíveis para a gente
- 53:52acessar. E a gente muda muito.
- 53:55É. Gente, eu tenho a mania de
- 53:58anotar as minhas sessões, né? Então eu anoto sempre coisas
- 54:01marcantes, sabe? É muito louco que tem sessões
- 54:04que as minhas anotações são uma bagunça, tem sessões que são
- 54:07todas bonitinhas e vira e mexe, sei lá, uma vez por ano eu gosto
- 54:11de de rever, sabe? Tipo, revisitar esses lugares.
- 54:15E aí eu olho e falo, meu Deus do céu, tipo, como eu mudei, sabe?
- 54:20Então, por mais que eu acho que eu comecei a fazer terapia com a
- 54:23pessoa que eu faço. Se eu não me engano, em 2017,
- 54:26então faz 9 anos, cara, eu nem quero que acabe, sabe?
- 54:30Assim, me deixa aqui porque eu sei que ela vai me acompanhar
- 54:34nas nas mudanças. Eu não sou a pessoa que eu era
- 54:37em janeiro, aham, hoje eu sabe, amanhã não.
- 54:40Enfim, cara. E.
- 54:41Algumas coisas é e algumas coisas sobre isso.
- 54:43Primeiro que eu lembro quando eu comecei a faculdade e até quando
- 54:46eu me informei. Eu não sei como é que está muito
- 54:48esse discurso hoje em dia, mas volta e meia eu escuto isso, que
- 54:51é de criar uma dependência da terapia, né?
- 54:54Ah, sim, dá para criar uma dependência.
- 54:57Eu acho que dá. Eu acho que assim, dependendo do
- 55:01do contexto, é, eu já ouvi pessoas, casos de que tinha que
- 55:05perguntar para o terapeuta, que roupa você vai usar é?
- 55:10Você tem que ter asfalto. É a ideia é e uma autonomia.
- 55:15Eu acho que é uma boa palavra e criando um senso de autonomia.
- 55:19Mas autonomia, gente, não é Independência total.
- 55:22E. EE eu então assim, eu
- 55:26problematizo um pouco esse olhar das pessoas falarem, tipo assim,
- 55:29AI nossa, mas eu vou fazer terapia pra sempre?
- 55:31Vou ficar dependente da terapia? Gente, se não vai ficar da
- 55:34terapia, é. Todo mundo precisa de uma
- 55:38bengala, seja qual for, na sociedade, no contexto, no
- 55:44sistema e nos sistemas que a gente vive hoje.
- 55:47Essa esse é um olhar meu, tá minha opinião aqui, pessoal, em
- 55:51relação a isso. Então, se a terapia vai ser a
- 55:54sua bengala no sentido do espaço, você podendo pagar, né?
- 55:58Porque também tem isso que não é 11 espaço ainda de muito acesso,
- 56:03é, mas você podendo pagar, podendo ter esse suporte, claro,
- 56:07com uma profissional boa que não vai fazer um trabalho pra.
- 56:13Instigar uma dependência que vai fazer um trabalho para você
- 56:16poder trabalhar, ter outras redes de suporte, ter outras
- 56:19redes de apoio, ter outras coisas que te deem bem-estar.
- 56:23Mas algumas pessoas, em alguns contextos, vão precisar disso
- 56:26assim. E eu volto a dizer, se não for a
- 56:28terapia, você vai ter alguma bengala.
- 56:30Não tem como. Assim ou numa amizade, ou tem
- 56:35gente que ou com hobby, ou com álcool ou com exercício físico.
- 56:42Ou com alguma coisa que é muito importante para você conseguir
- 56:46sustentar. Aquela eu IA pesar um pouco
- 56:49clima, aquela amiga que pesa o clima, a angústia que é vida,
- 56:53viver cara que é viver. E dependendo do seu recorte,
- 56:56dependendo do seu contexto, é difícil, é lógico.
- 56:59Então eu IA trazer esse ponto e o outro ponto que conversa um
- 57:03pouco com isso. É que a minha abordagem não é
- 57:05uma abordagem que trabalha com alta, não é que você é obrigado
- 57:08você com uma terapia, você está assinando um contrato que você
- 57:11vai passar o resto da sua vida ali?
- 57:12Não, claro que não, mas não trabalha com alta no sentido de
- 57:15que a gente tem uma visão que a gente realmente nunca está
- 57:17pronto. Não existe um estado pronto, não
- 57:19existe um aqui, é um Nirvana, uma iluminação que você vai
- 57:24chegar. Claro que pode ter um período
- 57:26que você precise menos de terapia, que talvez você não
- 57:28precisa tanto daquele espaço e aí, ou você vai diminuir a
- 57:30frequência ou você vai parar. Assim, não ter alta não
- 57:33significa que você não pode sair ou parar a terapia, mas é porque
- 57:37não acredita se que tem um lugar onde a pessoa vai estar pronta e
- 57:42vai estar curada e vai e não vai ter mais nada que para ser um
- 57:49apoio, né? Ou para ser olhado assim.
- 57:51Sabe exatamente por isso que você trouxe que.
- 57:56Que assim a gente tem nossas histórias.
- 57:58E isso também é um mito que as pessoas têm na terapia dessa
- 58:01questão do tempo. E como se fosse simples, tipo,
- 58:03vim para trabalhar a tal ponto? Não.
- 58:05Mas quando você está em terapia, a vida está acontecendo.
- 58:08E tem mais pancada na? Cabeça.
- 58:10Mas quantas acontecem? E aí você descobre uma coisa.
- 58:13E aí? Aí aí começa uma nova questão,
- 58:15aí abre se uma. Olha que loucura eu faço, né?
- 58:18Há 9 anos eu já tive momentos em que eu é parei por muito tempo
- 58:23na época que eu morava fora, por exemplo.
- 58:26E algo que eu sempre considerei é, vou dar o nome aos bois, tá?
- 58:31Eu sempre achei que eu tinha muito problema com a rejeição,
- 58:34então sempre tratei isso tipo, Ah, tá, entendi AI, talvez, sei
- 58:38lá se eu te vejo, você não me dá oi, já me pega num lugar tipo
- 58:41AI, nossa, por que que ela não me deu oi?
- 58:43E aí, depois de muitos, tem de muito tempo, de muitas
- 58:47reviravoltas da vida, eu percebi que, cara, talvez a rejeição
- 58:51seja uma consequência da minha insegurança.
- 58:54Então é hoje com. Cara, vou fazer 35 em dezembro,
- 58:58percebendo uma coisa, sabe? Que de fato coisas novas, que a
- 59:05que a vida me trouxe hoje, que eu estou, que eu estou tendo
- 59:08experiências novas, que me tocam num lugar novo, ao mesmo tempo
- 59:14meio antigo, que eu falo nossa, e aí, caramba, não, não é a
- 59:18rejeição, é mais a insegurança. E você fala, Mano, olha isso,
- 59:21velho, eu estou aqui há 9 anos e estou descobrindo muita.
- 59:23Coisa exatamente, exatamente. Eu tive uma experiência parecida
- 59:27que eu sempre fui desde criança, uma pessoa muito sensível, mas
- 59:31com uma sensibilidade para além da conta, e que eu sempre via
- 59:37como uma tanto emocional quanto sensorial e dentre outras.
- 59:40EE também sempre dava outros nomes para isso.
- 59:45Né? Inclusive de achar que era uma
- 59:47maturidade ou achar que, sei lá, era alguma outra questão.
- 59:52E recentemente estou num processo de identificação de
- 59:55altas habilidades e superdotação.
- 59:58Olha que loucura. E assim, e aí agora, dando nome
- 1:00:01pra algo e entendendo coisas sobre mim.
- 1:00:04Que cara? Eu faço terapia desde que eu
- 1:00:06tenho 16 anos, eu estou com 29. Então, há 13 anos eu.
- 1:00:11Lido e vou buscando outros supostos e outras formas e me
- 1:00:14entendendo de outras formas. E agora eu tô dando um nome
- 1:00:18específico pra algo que como você, né?
- 1:00:23Por. Lá desde sempre, né?
- 1:00:24E tá lá desde sempre. Então isso acontece também.
- 1:00:28Por isso essa visão de que a gente nunca tá pronto, não tem
- 1:00:31um lugar. Ideal, ideal a se chegar.
- 1:00:35É um processo de tá ali o tempo todo assim, olhando essas
- 1:00:39camadas e se transformando e sendo transformado e até onde
- 1:00:45fizer sentido pra você continuar.
- 1:00:47E eu espero que isso dê pra gente fechar.
- 1:00:50Eu espero que isso dê 11 incentivo para as pessoas.
- 1:00:53Gente, essas histórias são horríveis e você pode ter uma
- 1:00:57experiência muito ruim, mas você também pode ter uma experiência
- 1:00:59muito boa na terapia, assim de verdade.
- 1:01:02É, eu sou muito para falar eu. Também eu também, porque toda
- 1:01:05Santa, toda Santa eu fico, gente, terapia, terapia ajuda
- 1:01:09muito e também acho só importante pontuar uma coisa
- 1:01:11muito específica, que é a terapia só não vai mudar sua
- 1:01:16vida. Ela tinha pelo menos experiência
- 1:01:19particular, ela me ajuda a entender, a buscar ferramentas,
- 1:01:24a né, entender mecanismos. Como eu lido com tal coisa, não,
- 1:01:27mas então e se eu parar para respirar 5 minutos?
- 1:01:29E se eu parar para não sei o quê?
- 1:01:31Então, gente, a terapia é maravilhoso pra mim.
- 1:01:33Sinceramente, sim. Mas existe um trabalho também
- 1:01:36que eu faço meio sozinha. É, não coloque essa expectativa
- 1:01:39de que a terapeuta é quem vai mudar.
- 1:01:43Eu falo isso muito para as pessoas que eu atendo, que que é
- 1:01:46um trabalho meio 50 e 50. Mas eu falo muito isso, que é,
- 1:01:51se eu colocar eu como terapeuta, eu botar os meus 50% e a pessoa
- 1:01:54colocar 0%, nada acontece. Se a pessoa coloca 50% e eu
- 1:02:01coloco zero, que eu não, não é assim.
- 1:02:04O ideal, né não, não é o que eu gostaria, mas mas eu falo nesse,
- 1:02:07se eu colocar zero e a pessoa colocar 50, algo acontece em que
- 1:02:11sentido? É muito mais sobre a pessoa é tá
- 1:02:16engajada com o processo? EE eu vejo a trabalhar como uma
- 1:02:19ponte mesmo, é uma ponte pra trabalhar, é assim esses outros
- 1:02:24pontos. Fora da terapia, afinal, se você
- 1:02:28faz uma vez na semana, são 50 minutos, 1 hora ali só da sua
- 1:02:32semana, tem a sua vida fora daquilo, então tem uma
- 1:02:35expectativa de que a sua vida se transforme dentro daqueles 50
- 1:02:39minutos. Só é colocar muita
- 1:02:42responsabilidade do terapeuta e é mais uma coisa para você olhar
- 1:02:47assim, se você faz isso, acaba se pegando, fazendo isso e tudo
- 1:02:50bem, não é para julgar, todos nós podemos passar por isso.
- 1:02:53Certamente já fiz isso também. De botar muita responsabilidade
- 1:02:56na terapeuta, mas isso muito mais fala de uma dificuldade
- 1:02:59nossa de se responsabilizar pela gente e pela nossa querer uma
- 1:03:02coisa fácil. Também, né?
- 1:03:03É muito gostoso. Querer coisa fácil é exatamente
- 1:03:06de querer uma resposta própria. E aí me fala aí que eu vou fazer
- 1:03:10o que eu tenho que fazer. Mas assim, construção de
- 1:03:13autonomia e de maturidade emocional não é com outro te
- 1:03:17falando. O que fazer é com você
- 1:03:19arriscando. E, às vezes, errando e
- 1:03:22aprendendo a lidar com frustração.
- 1:03:24Errar porque gente é errando que cara não tem?
- 1:03:26Como e construindo a sua vida assim, tem pessoas que podem
- 1:03:30passar por coisas parecidas, mas a sua vida é sua.
- 1:03:33Né, só você sente do jeito que você sente, passa que você passa
- 1:03:38exatamente. Amiga, eu amei tanto te receber.
- 1:03:40Cara, eu eu fiquei 3 horas aqui, eu falei.
- 1:03:43Que ela tem que vir para cá para dormir aqui em casa, porque aí a
- 1:03:46gente faz várias histórias, fala até não poder mais, né?
- 1:03:50Exatamente. Mas, amiga, muito obrigada.
- 1:03:52Obrigada por me receber. Gente, eu peço muito para vocês
- 1:03:54seguirem o podcast no sofá, é no sofá da minha casa.
- 1:04:00Cara, você sabe a música amiga? Mas é lógico que eu sei, porque
- 1:04:02eu ouço. Chocada, maravilhosa, gente, eu
- 1:04:04vou deixar os links. Gente, eu atendo.
- 1:04:07Eu estou com a mediando aberto, inclusive, se você quiser ter
- 1:04:10uma experiência assim, eu espero positiva.
- 1:04:13É com terapia e com terapeuta. As minhas informações vão estar
- 1:04:16aqui embaixo também. Eu estou com a mediando aberto,
- 1:04:18até no individual e grupo também.
- 1:04:20Eu estou inclusive com o grupo aberto.
- 1:04:22Que demais eu nunca fiz, é. Então aí isso vai ter que ser
- 1:04:26outro episódio. Mas eu sou também suspeita para
- 1:04:28falar, porque eu gosto muito de terapia de grupo, é, não é muito
- 1:04:31conhecido. Ainda assim, no meio leigo EE,
- 1:04:34no Brasil não é muito praticado, mas eu gosto muito.
- 1:04:38Eu pessoalmente tive transformações maiores até na
- 1:04:42minha, nas terapias de grupo que eu fiz do que nem individual, e
- 1:04:45assim eu fiz com essa intenção de ajudar as pessoas a se
- 1:04:48conectarem porque um dos objetivos do meu podcast.
- 1:04:52Não é só assim, é é me conectar com as pessoas que estão
- 1:04:54assistindo, mas é me assim, promover encontros e momentos de
- 1:04:58conexão entre os convidados e entre as pessoas que estão
- 1:05:02escutando. Então eu criei esse grupo com o
- 1:05:04objetivo da gente, pelo menos quinzeralmente ali, uma vez por
- 1:05:10semana, se encontrar e se propor a ter um momento de verdadeira
- 1:05:14conexão. Falar sobre temas da vida, sobre
- 1:05:17temas profundos, alguns rasos também, porque conexão.
- 1:05:21É isso, né? A gente pode falar de muitas
- 1:05:23coisas. Eu vou estar propondo atividades
- 1:05:25com esse objetivo das pessoas poderem trocar, criar conexões,
- 1:05:28participar. Claro que você pode participar,
- 1:05:29então eu vou. Participar se você quiser
- 1:05:31participar, tem participar. O link vai estar aqui embaixo,
- 1:05:33gente, muito obrigada. Amiga, eu amei.
- 1:05:35Demais, de verdade, eu ficaria aqui umas 3.
- 1:05:37Horas de ferrou, na próxima vez a gente faz 11.
- 1:05:40Mutirão de episódios, sabe? E você tem que ir pro Rio pra ir
- 1:05:43no sofá da minha casa, gente, é? Isso não se esqueçam, por favor,
- 1:05:50de seguir no sofá da minha casa. A Ana Luiza também é uma
- 1:05:53queridíssima, eu, assim de verdade, tenho no meu coração e
- 1:05:58indico do fundo do meu coração também.
- 1:06:00Ela é incrível, espero muito que vocês gostem.
- 1:06:03O único lembretezinho do dia. Por favor, siga o podcast no
- 1:06:07Spotify. 10 5 estrelinhas me ajuda muito, já vai deixando nos
- 1:06:11comentários. Inscreva se no YouTube também e
- 1:06:15sigam as redes sociais que estão na descrição.
- 1:06:18Gente, a gente espera que vocês tenham gostado muito do episódio
- 1:06:22de hoje. Muito obrigada por terem ficado
- 1:06:25com a gente até aqui. A gente se vê no próximo
- 1:06:27episódio. Tchau, tchau.