Latest / Chá de coragem, com Elisama Santos. / Ep. 85 - ME DESCOBRI BISSEXUAL AOS 40. E AGORA?
Transcript
- 0:00O que é intimidade para você? Como que a gente faz o cálculo
- 0:07de quem pode chegar mais perto e de quem pode se afastar, e como
- 0:13é que a gente se sente durante esse cálculo?
- 0:17Aceita o chá de coragem? Oi, elizama, é um prazer te
- 0:31escrever aqui. Como é gostoso poder falar com
- 0:34você. Eu espero muito que você leia
- 0:36minha carta e me dê o seu chá de coragem, que ele chegue como o
- 0:40seu abraço, que eu já experimentei pessoalmente e que
- 0:42é tão aconchegante. Então, elizama, o que eu venho
- 0:46te contar hoje é sobreviver por muito tempo nas escuras.
- 0:50Eu passei dos 40 anos e às vezes sinto que atravessei metade da
- 0:54vida sem nunca ter sido completamente eu, não por falta
- 0:57de vontade. Mas por falta de coragem, ou
- 1:01talvez por falta de linguagem, de referência, de permissão.
- 1:05Desde sempre eu me percebia diferente, mas eu não sabia
- 1:09exatamente o que isso significava.
- 1:11Passei muitos anos da minha vida lutando contra a possibilidade
- 1:15de ser gay, lutando mesmo, como se fosse algo que eu pudesse
- 1:19vencer ou corrigir. E junto disso, tinha o peso do
- 1:23preconceito, do medo, do julgamento.
- 1:26Do lugar que a gente sabe que a sociedade ainda reserva para
- 1:29quem foge do padrão. E tinha mais uma confusão.
- 1:32Eu gosto de mulheres, sempre gostei.
- 1:35Então eu pensava, não pode ser isso.
- 1:37Até que alguns anos na terapia, alguém me apresentou uma
- 1:41possibilidade que nunca tinha sido nomeada para mim.
- 1:44Eu podia ser bissexual e aquilo fez um silêncio enorme virar
- 1:48sentido. Mas a entender, não resolveu
- 1:52nada. Porque mesmo depois de saber
- 1:54quem eu sou, eu continuei brigando com essa parte de mim,
- 1:58culpa, negação, medo, enquanto a vontade sempre estava ali,
- 2:02quieta, insistente. Hoje eu sou um homem casado,
- 2:07tenho uma família linda e uma esposa maravilhosa.
- 2:10E foi para ela que eu contei primeiro, porque eu precisava,
- 2:13pelo menos dentro de casa, existir inteiro.
- 2:17Não foi fácil. A gente atravessou momentos
- 2:20difíceis, silêncios. Inseguranças.
- 2:23Mas a gente ficou e mais do que isso, a gente se encontrou de
- 2:27novo. Hoje a gente vive com verdade,
- 2:30com parceria, com amor. Só que agora outra coisa começou
- 2:34a passar mais forte, a vontade de ser eu fora de casa também
- 2:38com amigos, em conversas, em qualquer lugar onde eu não
- 2:41preciso meditar o tempo todo, onde eu não preciso medir cada
- 2:45palavra para caber numa versão aceitável de mim.
- 2:49Eu já escrevi cartas com os amigos e eu não enviei.
- 2:52Elas ficaram guardadas com parte de mim que ainda não tiveram
- 2:55coragem de existir no mundo. E tem mais um ponto que
- 3:00atravessa tudo isso, recentemente, eu e minha esposa
- 3:03decidimos abrir o nosso relacionamento.
- 3:05Foi uma decisão construída com muito diálogo, respeito e
- 3:08cuidado. Ela é uma mulher linda,
- 3:11desejada, livre, e eu admiro isso.
- 3:15Mas eu sendo lido como homem hétero, carrego um invisível que
- 3:19me limita. Ninguém sabe o que eu soubi e eu
- 3:22também desaprendi a flertar, me mostrar, me permitir.
- 3:26Às vezes eu penso que se as pessoas soubessem, talvez fosse
- 3:30mais fácil viver essa nova fase com mais verdade.
- 3:32Mas junto com essa vontade vem um medo.
- 3:35Medo do julgamento, do preconceito, do que podem dizer
- 3:38medo do impacto na minha esposa, nos meus filhos.
- 3:41Porque hoje eu não sou só eu, eu sou parte de um todo que eu amo
- 3:44profundamente. E aí eu fico nesse lugar entre
- 3:48abrir a porta ou continuar deixando só uma fresta.
- 3:51Entre viver parcialmente seguro ou arriscar viver mais inteiro,
- 3:56eu não sei qual o tamanho da coragem necessária pra isso e
- 3:59nem se coragem é a ausência de medo ou se é caminhar com ele
- 4:01mesmo. Então eu te escrevo pra isso,
- 4:04pra te pedir esse chá de coragem.
- 4:06Não necessariamente pra sair contando pra todo mundo, mas pra
- 4:09entender qual o caminho possível.
- 4:11Como ser fiel a mim sem deixar de cuidar de quem caminha
- 4:14comigo? Como ampliar minha vida sem
- 4:17destruir aquilo que eu levei tanto tempo pra construir?
- 4:20Com carinho e Esperança. Eu gostei muito da analogia da
- 4:27casa, né? De pensar eu não sei se eu abro
- 4:30a porta ou se eu deixo só uma festinha.
- 4:35E eu quero que você pense na sua casa, na sua relação com a sua
- 4:38casa. A casa é um lugar que que
- 4:42circula na sua casa, tem intimidade, né?
- 4:46Então assim, tem um rapaz que me entrega o ovo de quintal.
- 4:50Normalmente ele não entra na minha casa.
- 4:51Se ele precisar entrar, vai ser pra beber uma água no banheiro,
- 4:53vai ficar ali pela porta, pela sala, não vai entrar.
- 4:56Assim como algumas visitas que vou deixar entrar somente na
- 4:58sala, mas que não vão subir pro meu quarto, não vão tomar banho
- 5:01no meu banheiro, não vão deitar na minha cama.
- 5:04E eu tenho amigas muito íntimas que chegam na minha casa e
- 5:07também vão deitar na minha cama, porque a gente tem uma super
- 5:10intimidade e assim ontem foi ontem, eu precisei de um.
- 5:15De um objeto que eu sabia que uma amiga tinha e eu liguei para
- 5:18ela, tá em casa, ela fez, tu tá, tô passando aí pra pegar tal
- 5:20coisa. Eu não falei assim, você pode me
- 5:21emprestar, porque eu sabia que ela IA me emprestar e eu
- 5:24passando pra pegar, você entende assim a intimidade, ela não é
- 5:29igual pra todo mundo. E por que que eu tô trazendo
- 5:32isso? Porque é hora de começar a
- 5:35perceber, quem que você vai deixar entrar nessa casa que
- 5:38sabe tudo de você? Porque às vezes você descobre
- 5:42algo sobre você e fala, meu Deus, se eu não contar para todo
- 5:45mundo, se as pessoas não souberem quem eu sou, é, eu vou
- 5:50estar sendo falso, eu vou estar escondendo, eu não vou estar
- 5:53sendo honesta, honestidade eu vou falar para todo mundo, mas
- 5:55vem cá, amor, você conhece alguém que é hétero e que chega
- 5:59todo mundo? Oi, tudo bem, prazer, eu sou
- 6:00hétero, oi, tudo bem, descobri que eu sou hétero, não tem
- 6:04necessidade de fazer isso, sabe? Então você não tem obrigação de
- 6:08contar das tuas intimidades para ninguém.
- 6:11Você não tem obrigação de abrir todas as portas da tua casa e
- 6:13deixar que dentro da tua cama. Mas também não dá para você
- 6:17ficar isolado na sua casa. Não tem ninguém que entra na sua
- 6:19casa e que fique à vontade. Então eu quero que você pensa em
- 6:23intimidade como essa casa tá? Vamos trazer aí para uma, para
- 6:27uma visão mais física da coisa. Pensa em intimidade com essa
- 6:32casa que você tem, que você pode permitir que as pessoas entrem
- 6:37ou não. Você fala, Ah.
- 6:39Eu escrevi cartas para amigos e eu não tive coragem de mandar
- 6:45nenhuma delas. Vamos chamar o medo para
- 6:48conversar? Qual que é o medo que você tem
- 6:52com esses amigos? E por que você tem medo de falar
- 6:56com esses amigos? Veja, eu sei que que as pessoas
- 7:01têm preconceitos, que as pessoas têm as certezas delas sobre quem
- 7:06a gente deveria ser ou como a gente deveria agir.
- 7:10Mas caramba, a gente tá falando dos seus amigos, não tem nenhum
- 7:15amigo, que é desse que entra na sua casa e pode abrir tua
- 7:18geladeira, que deita na tua cama, que fala caramba, não tem
- 7:22uma Coca-Cola não, não fez propaganda, tá?
- 7:25Porque eu não tô recebendo, então não tem um refrigerante
- 7:27nessa geladeira, você não tem nenhum amigo assim, nenhum,
- 7:30então esse amigo não pode saber essa intimidade sua, você tá
- 7:34conseguindo entender o que eu tô te falando aqui, você não
- 7:37precisa. Abrir a porta da sua casa, abrir
- 7:42a porta do seu quarto, falar, gente, todo mundo entra aí,
- 7:43descobre tudo que vocês querem, mas também não dá para você
- 7:46olhar para os seus amigos e falar, ninguém tem essa
- 7:49intimidade. E se ninguém tem essa
- 7:51intimidade, se você escreveu, se você achou necessário escrever
- 7:54cartas para os seus amigos para contar isso e você não enviou
- 7:59nenhuma, é hora de chamar esse medo para conversar.
- 8:03Sabe o medo? Ele faz tudo parecer muito
- 8:08grande. Esse medo é de quem?
- 8:09E aí eu eu trocaria o nome desse medo aqui por uma ansiedade,
- 8:14porque o medo é essa sensação do de algo que está acontecendo e a
- 8:19ansiedade ela é esse medo projetado para o futuro, né?
- 8:23E ela faz 11 confusão enorme na nossa cabeça.
- 8:26Eu não sei, já falei aqui, mas tem 11 explicaçãozinha que eu
- 8:31faço Na Na minha palestra nova sobre as emoções e que eu faço
- 8:34no livro novo que eu vou trazer aqui para você.
- 8:36A ansiedade ela faz com que 3 cenários se tornem uma coisa só.
- 8:43Que cenários são esses? O primeiro cenário é o que é
- 8:48possível e provável de acontecer.
- 8:51Então é aquela coisa que, nossa, se eu contar para os meus
- 8:53amigos, eles vão tomar um choque.
- 8:56Eles vão falar, caramba, velho ou não, né?
- 8:59Ou não, eles sempre imaginaram e vão falar, AI, que legal, tá
- 9:02bom, EE sábado a gente vai fazer o que mesmo provável.
- 9:06Impossível, provável ou é possível, mas improvável?
- 9:11O que é possível e improvável é possível que um amigo seu fale a
- 9:14cara, preciso de um tempo para pensar, pensar um pouco sobre
- 9:16isso é possível, mas depende da intimidade.
- 9:21Você tem os seus amigos, é bem provável que isso aconteça, né?
- 9:23Pensa nos seus amigos, você acha que realmente que algum vai
- 9:26fazer isso? E tem O Impossível, improvável,
- 9:30quase alucinatório, que é aquela coisa que a nossa sociedade faz
- 9:33parecer que é possível, mas que nem é.
- 9:36Quer a pessoa te xingar, rompe mesmo com essa pessoa, não é
- 9:39verdade? Mas quer a pessoa falar coisas
- 9:41absurdas para você. Enfim, provável e possível,
- 9:47possível, mas improvável, impossível, improvável.
- 9:51Alucinatório. A ansiedade faz com que
- 9:54provável, possível é possível e improvável e impossível.
- 9:58Se misture e a gente olha todos os cenários como se eles
- 10:02tivessem igual potencial de acontecer.
- 10:06Como se eles tivessem igual possibilidade de vir para o
- 10:09mundo. Eu quero que você chame a tua
- 10:11ansiedade para conversar, que você dê nome para esses leidos,
- 10:16bota aí num papel se vai te ajudar.
- 10:19O que que você acha que vai acontecer com escolhe um amigo,
- 10:22que é o amigo que tem a intimidade de deitar na tua cama
- 10:25ou a amiga que tem intimidade deletar na tua cama, poxa, é
- 10:28esse amigo aqui é importante para mim, que ela saiba.
- 10:30Pronto. Então tá.
- 10:32Quais são os cenários? Separe os cenários, porque senão
- 10:36tudo parece tão grande que você não vai conversar com as
- 10:39pessoas. E aí eu preciso te dizer que
- 10:44talvez você esteja com tanto medo de contar, porque você
- 10:50precisa ver os seus próprios preconceitos.
- 10:52Interiorizados sabe? Porque eu te conheço e quando eu
- 10:58li a carta, não foi nenhuma novidade para mim.
- 11:00Desculpa. Mas eu olhei, eu pensei, OK,
- 11:05uhum e não muda nada, sabe o jeito que eu te olho?
- 11:10O jeito era a mesma coisa que você falar ele zama descobri que
- 11:15eu nasci no nordeste mentira, eu IA fazer AI meu Deus do céu,
- 11:17juri onde? Me conte, não é um negócio
- 11:22gigante, juro, juro para você que não é está gigante No No
- 11:27contexto das pessoas que você vive.
- 11:30Talvez seja a hora de você perceber os lugares em que isso
- 11:33não é gigante, que isso só é e eu te garanto que existe é
- 11:37muito, muitos lugares que isso só é.
- 11:40E eu te garanto que existem amigos seus e amigas suas e
- 11:43pessoas com quem você convive, que inclusive são como você e
- 11:47você sabe disso. E aí talvez seja o momento de
- 11:51você perguntar, quem você quer que aceite, com quem você quer
- 11:55conversar? Porque existem descobertas sobre
- 11:58nós. Que a gente não precisa
- 12:01conversar com, sei lá, com o seu pai e sua mãe, porque você sabe
- 12:04que vai ser um atrito desnecessário.
- 12:07Nós vamos, eu acho importante conversar com meu pai, com a
- 12:09minha mãe. Então tá, então você sabe que
- 12:10com seu pai e sua mãe, essa é uma conversa mais intensa, que
- 12:13você vai precisar se preparar emocionalmente, porque eles
- 12:15tinham uma cabeça mais quadrada, enfim.
- 12:18Mas não dá para você achar que a conversa com seu pai e com sua
- 12:20mãe, então a conversa com os amigos que você faz churrasco,
- 12:23ela é igual porque ela não é, entendeu?
- 12:27É só mais uma informação sobre você.
- 12:32E uma informação que que de verdade só muda a tua vida de
- 12:35mais ninguém, cara. Ninguém pode ficar putasso com
- 12:41você por conta disso. Se ficar.
- 12:42E você está falando muito mais sobre a pessoa do que sobre
- 12:44você, do que sobre seus desejos. E aí eu não pude deixar de
- 12:51notar. Na hora que você fala, a gente
- 12:52abriu a relação e eu estou inseguro porque a mulher, minha
- 12:55mulher, é linda e ela é. Eu estou insegura, minha mulher
- 12:58linda é desinibida e eu não sei nem como é que eu namoro.
- 13:02Eu não sei nem como é que eu paquero.
- 13:04Você descobriu uma bissexualidade dentro de um
- 13:07relacionamento heterossexual, dessa relação hetero afetiva,
- 13:14você não sabe paquerar mesmo. E aí você aprende porque ninguém
- 13:20nasceu sabendo, entendeu? E aí você.
- 13:25Permite que a vulnerabilidade de não saber e de não ter garantias
- 13:29que ela te acompanhe nessa jornada.
- 13:32Que descobrir esse novo pedaço de você é uma pena que você
- 13:38tenha levado 40 anos para descobrir esse pedaço de você.
- 13:43Mas que massa. Que aos 40 anos você descobriu
- 13:46algo novo sobre a tua vida que você vai poder experimentar.
- 13:53Muitas coisas. Agora, aos 40 anos.
- 13:58E aí aos 40 anos, você vai sentir a insegurança do menino
- 14:03de 15 quando chamou a primeira vez alguém passar.
- 14:06Aí aos 40 anos, você vai ficar na dúvida assim, poxa, o que é
- 14:13que tá rolando aqui de sentimento com essa pessoa?
- 14:16Pois é, cara, isso chama a vida, sabe?
- 14:22Isso só vai acontecer e só está acontecendo porque você está
- 14:24vivo. A gente tem tanto medo da
- 14:27vulnerabilidade, né? Você fala comigo assim, Ah,
- 14:32Lizandra, eu tenho medo dos reflexos dos meus filhos para
- 14:35não botar as pessoas que eu amo. EE, eu só consigo pensar que
- 14:43algo muito errado você tinha feito, sabe?
- 14:45Até você parado, mas você não faz nada de errado.
- 14:48Eu vou te contar uma história minha, da minha adolescência.
- 14:51De uma época que eu não tenho a cabeça que eu tenho hoje, de uma
- 14:55época que bissexualidade não é o que a gente falava, de uma época
- 14:58em que todas as pessoas faziam as coisas escondidas.
- 15:00A gente está falando aqui dos anos 90.
- 15:03E aí uma grande amiga minha, 2 grandes amigas minhas, estava
- 15:08chorando muito. Um dia, a mãe de uma delas tinha
- 15:11brigado, tinha feito um escândalo e elas estavam
- 15:13chorando muito. Elas me chamaram para conversar
- 15:17e aí elas de mão dadas. A gente fez uma coisa horrível e
- 15:21a gente vai entender se você não quiser mais andar com a gente.
- 15:26E assim, eu tenho uma mente criativa, não sei se você
- 15:28assistiu o fantástico do mundo de bobe quando você era criança,
- 15:30porque era um desenho que eu amava.
- 15:31Ah, amor, eu pensei tanta tragédia, eu pensei até que ela
- 15:35tinha matado alguém, juro por Deus, pensei de tudo e elas, a
- 15:40gente tá namorando, eu te juro que a minha vontade vai agredir
- 15:44as 2, mas não foi porque eu fiquei decepcionada.
- 15:46Eu falei assim, desgraçadas, eu pensei.
- 15:48Tem muita coisa ruim, eu estou com o coração acelerado, estou,
- 15:50eu estava enjoada, eu estou com vontade de vomitar de tanta
- 15:53ansiedade que eu estava achando que elas tinha feito, tinham
- 15:55feito algo terrível, elas estavam se sentindo tão culpadas
- 15:58por algo tão normal, que para mim nem era normal, mas eu tinha
- 16:01pensado tanta coisa que na hora que elas me contaram, eu fiz.
- 16:05Eu não acredito nisso não, que vocês fizeram esse drama tudo
- 16:08para mim. Eu estou aqui achando que vocês
- 16:09mataram alguém hoje em dia. Aí eu saí lixando um Monte de
- 16:11coisa que eu tinha pensado, e aí elas começaram a rir e falaram,
- 16:13estou tão maluca ali. Eu falei, gente, olha o olha o
- 16:15que você está contando para mim? A gente tinha ali 1516 anos e
- 16:25para mim foi tão chocante. Eu guardo, você trouxe agora.
- 16:27Eu tinha esquecido isso. Eu guardo a sensação assim, que
- 16:31elas estavam se sentindo tão mal e que elas falaram no pesar.
- 16:35E aí eu li a tua carta e me veio se pesar, sabe?
- 16:43E não tem motivo para pesar. De verdade, não tem.
- 16:48Tem motivo nenhum para você achar que AI meu Deus, vai
- 16:51acabar com a vida dos meus filhos.
- 16:53Porque, como? Porque seu cara bacana, gentil,
- 17:01engraçado, doce para caramba, cuidadoso para caramba, o pai
- 17:07hiper, mega ultra presente. A tua intimidade não precisa ser
- 17:13aberta para todo mundo, não. Sabe qual que que eu pesquei
- 17:17aqui? A minha sensação com o teu
- 17:20e-mail foi que assim elisama. Eu acho que se eu não conto para
- 17:25as pessoas, elas não tem a oportunidade de decidir se elas
- 17:29querem continuar andando comigo. Então eu prefiro que eu então me
- 17:33sinto mentiroso, que eu estou omitindo essa coisa importante
- 17:36delas. Não, ninguém tem que saber da
- 17:41tua intimidade. E se uma pessoa vai se afastar
- 17:45de você por causa disso? Beijo, né?
- 17:47Bem, beijo, né? Vai se embora, porque não é uma
- 17:51companhia que a gente tá querendo aqui do nosso lado ou
- 17:54não. Se vai se afastar de você por
- 17:55causa disso, ela pode seguir um dela, você não tá fazendo nada
- 18:00de errado não, você não tá fazendo nada de grave, não, e aí
- 18:04você fala, Ah, eu tenho a sensação que se mais gente
- 18:07souber, vai ser mais fácil eu paquerar alguém.
- 18:11Não, não vai. Não vai ser mais fácil, porque
- 18:15aqui dentro se expor alguém para quebrar alguém é.
- 18:22É um chance de muita vulnerabilidade, sabe?
- 18:26Chamar alguém para sair, falar que você está afim de alguém é
- 18:31muita vulnerabilidade. eSIM, quando a gente está falando de
- 18:36relações, é homoafetivas. A gente está falando de, então
- 18:39não sei se essa pessoa também é. Eu vou ter que esperar um
- 18:42pouquinho mais, pescar mais sinais, entender direito o que
- 18:45tá acontecendo aqui. Mas ó, se abre pra essa
- 18:49vulnerabilidade. Vulnerabilidade, segundo a
- 18:52brennen Brown, é, não é aquilo que a gente sente quando a gente
- 18:56não tem garantia e não existe. Não existe nenhuma emoção
- 19:05maravilhosa, nenhuma situação poderosíssima na tua vida,
- 19:08gostosíssima na tua vida. Que não vem acompanhar ela,
- 19:11dessa sensação de que eu não tenho garantia nenhuma, mas eu
- 19:13quero muito, não tem, não existe.
- 19:19A gente faz sentir esse AI, meu Deus, e agora tantas vezes na
- 19:24vida? E você falou, não sei se coragem
- 19:28é não ter medo, não. Coragem não é não ter medo.
- 19:32A gente vai com medo, a gente vai com coração acelerado, a
- 19:37gente vai com o estômago doendo um pouquinho.
- 19:39Aí a gente vai com a mão no peito, a gente vai com a
- 19:41sensação de AI, meu Deus, AI meu Deus, AI meu Deus, e a gente vai
- 19:47e a coragem é isso, sabe? Mas a vulnerabilidade ela é
- 19:52caminho pra coragem, ela é antessala da coragem.
- 19:55Você não chega na coragem, sim, atravessar esse mar de
- 20:00vulnerabilidade que você está atravessando, você não chega na
- 20:05coragem. Sem assumir que você não faz a
- 20:10mais remota ideia do que vai acontecer amanhã.
- 20:14Por mais que você tenha muitos planos para amanhã, você não
- 20:17sabe o que vai acontecer amanhã. Então vamos combinar que a gente
- 20:25vai aceitar a vulnerabilidade como parte do processo.
- 20:28Vamos combinar que você não contar para as pessoas que não
- 20:34são íntimas. Quais são os teus desejos?
- 20:37Com quem você quer namorar, transar ou beijar na boca?
- 20:41Não é você estar escondendo, sendo falso para as pessoas.
- 20:45Vamos combinar que que tem cômodos da nossa casa que a
- 20:52gente sabe para quem a gente quer, para quem é próximo.
- 20:57Eu não me sinto culpada de não chamar o rapaz que entrega o ovo
- 21:00aqui em casa para vim no meu quarto.
- 21:04Não, a gente não. Não preciso chama essa culpa
- 21:09para conversar também, sabe? Chama ela para conversar, vê o
- 21:14que ela está te contando e respira, cara, o apoio mais
- 21:21importante você tem você. Você falou assim, eu quero ser
- 21:25eu fora de casa também, cara. Você consegue ser você em sua
- 21:30casa com as pessoas que se mais amam no mundo.
- 21:34Que negócio massa. Quem te dá o sustento de passar
- 21:40pelas situações difíceis com você, tá daí de mandada.
- 21:45Se os amigos se forem, vai doer. Mas caramba, se eles forem por
- 21:50esse motivo eles precisam ir mesmo.
- 21:52E tem um mundo enorme lá fora e gente igualzinha a você de gente
- 21:59que essa informação vai ser assim.
- 22:01E como foi para mim? Que não muda absolutamente nada.
- 22:11Tem gente aí que não enxerga a relevância, sabe?
- 22:19Talvez você esteja falando com as minhas amigas lá quando a
- 22:22gente tinha 15 anos, como se você tivesse matado alguém e
- 22:28você não. Não matou ninguém.
- 22:30E você está com medo? De como vai ser descobrir esse
- 22:35lado seu, de chamar esse pedaço seu que nunca saiu para dançar
- 22:40com vocês e dançava com você se abre para começar esse pedaço
- 22:46seu. Talvez a sensação de um seu
- 22:49inteiro ela também esteja por conta desse medo, sabe?
- 22:54Você também não conhece esse seu eu solto, feliz saindo por aí.
- 22:57E você não precisa escrever na testa nada para ninguém, você
- 23:02não deve nada para ninguém. Tá bom, é isso, meu amor?
- 23:08Você gostou da conversa? Gostou?
- 23:10Manda o episódio para aquele amigo, para aquela amiga, para
- 23:13aquela pessoa que você acha que vai se beneficiar dele de algum
- 23:15jeito, tá bom, não esquece de deixar um coraçãozinho, um
- 23:20foguinho, um apoio a tua história para o nosso amigo
- 23:24aqui, tá? Esquece de deixar um comentário
- 23:27massa aí, tá bom, meu amor? Eu te espero no próximo
- 23:30episódio, um beijo e até.