Latest / Radar FGV / Ataque dos EUA à Venezuela captura Maduro e expõe crise geopolítica global
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- 0:00Olá, hoje. É 5 de janeiro.
- 0:06Começa agora o radar Drops, informação para o seu dia, sob
- 0:09curadoria do FGV notícias. Uma linha acaba de ser cruzada
- 0:14na América do sul. Aconteceu aquilo que muitos
- 0:17consideravam impensável. Hoje a gente vai desvendar as
- 0:20camadas por trás de uma intervenção militar que não só
- 0:24capturou um presidente, mas que pode ter redefinido as regras do
- 0:28jogo geopolítico global. Pois é, a notícia é essa mesma,
- 0:32os Estados Unidos intervieram militarmente num país sul
- 0:35americano e levaram preso o seu presidente em exercício, Nicolás
- 0:39Maduro. A grande pergunta que ecoa pelo
- 0:41mundo inteiro é, como foi que chegamos a esse ponto?
- 0:45Pra gente entender a dimensão do que acabou de acontecer, a gente
- 0:48precisa voltar um pouquinho no tempo e olhar a sequência dos
- 0:52fatos que levou a essa crise sem precedentes.
- 0:56Olha, isso não aconteceu de repente.
- 0:58Durante meses, navios de guerra americanos praticamente cercaram
- 1:01a Costa venezuelana, num tipo de bloqueiro não declarado.
- 1:04E então veio o ataque, forças especiais agindo em Caracas, uma
- 1:08operação relâmpago e o resultado chocante, o presidente Maduro e
- 1:12sua esposa capturados e o destino já anunciado, um
- 1:16tribunal em Nova Iorque. Mas como justificar uma ação tão
- 1:19drástica? Bom, o governo Trump construiu
- 1:22uma narrativa muito cuidadosa. A de que Maduro não era um
- 1:25presidente, eSIM o chefe de um narco estado.
- 1:28Essa acusação foi a base legal, o pretexto para invadir o país e
- 1:32levá lo a julgamento em solo americano.
- 1:35Mas será que a história se resume a isso?
- 1:37Especialistas da FGV apontam que, por trás dessa
- 1:40justificativa oficial, existem peças muito, mas muito maiores
- 1:44em jogo. Estamos falando de petróleo, da
- 1:47influência crescente da China e de uma antiga doutrina Americana
- 1:50de 200 anos. 303 bilhões? Dá uma pausa para pensar nesse
- 1:56número. Essa é a quantidade de barris de
- 1:58petróleo nas reservas comprovadas da Venezuela.
- 2:02Não é só muito, não. É simplesmente a maior reserva
- 2:05de petróleo do planeta, um fator econômico que é impossível de
- 2:09ignorar em qualquer equação geopolítica.
- 2:11E o mais interessante é, para onde esse petróleo todo tava
- 2:14indo? As sanções Americanas,
- 2:16ironicamente. Acabaram empurrando a Venezuela
- 2:18direto para os braços da China, que se tornou a principal
- 2:21compradora. E, como aponta a Caroline
- 2:23moelec, da FGV, isso significava que um dos maiores rivais de
- 2:27Washington estava ganhando um ponto de apoio estratégico no
- 2:31que os Estados Unidos consideram o seu próprio quintal.
- 2:34E essa ideia de quintal nos leva direto a um Pilar da política
- 2:37externa Americana, a doutrina Monroe.
- 2:40Desde 1823, ela basicamente diz que as Américas são uma esfera
- 2:43de influência exclusiva de Washington.
- 2:47A intervenção na Venezuela, então, não é só uma ação
- 2:49Moderna, é a reafirmação mais agressiva dessa doutrina em
- 2:53décadas. Portanto, esse ataque vai muito
- 2:55além da Venezuela. É uma jogada calculada num
- 2:58Tabuleiro de xadrez global que sinaliza uma nova e talvez mais
- 3:02perigosa ordem mundial. A mensagem geopolítica é
- 3:06Cristalina, como resume muito bem Vinícius Rodrigues Vieira,
- 3:10da escola de relações internacionais da FGVO.
- 3:13Trump, com essa ação, manda um recado pra China.
- 3:16Para a Rússia, para o Irã, de que eles não devem ter aliados
- 3:20fundamentais aqui na América do sul.
- 3:23O mundo de hoje é esse grande jogo de poder por zonas de
- 3:26influência. Enquanto os Estados Unidos lutam
- 3:29para manter sua hegemonia nas Américas, a Rússia faz o mesmo
- 3:32no seu entorno e a China expande seu poder econômico.
- 3:35A Venezuela, de repente, se viu bem no epicentro desse choque de
- 3:38gigantes. Só que aqui surge uma
- 3:40consequência perigosa e talvez não intencional.
- 3:44Como alerta Oliver stunkel, da FGV.
- 3:46É bem visto inclusive pela Rússia ou pela China, porque a
- 3:49Rússia utiliza a mesma narrativa na hora de justificar sua
- 3:53interferência e seu é sua invasão à Ucrânia.
- 3:57Com certeza, as forças armadas é de vários países.
- 4:01Sul americanos vão olhar essa ação com alguma apreensão.
- 4:07E alguma preocupação, porque claramente cria um precedente.
- 4:11E vamos pensar sobre formas de é de repente reduzir sua
- 4:15vulnerabilidade aos Estados Unidos.
- 4:16De uma forma é pra aumentar sua autonomia estratégica, porque
- 4:21claramente um precedente é bastante significativo.
- 4:25Ou, sem dúvida, cresce a probabilidade de tentativas
- 4:29Americanas de influenciar processos internos em países sul
- 4:32americanos, inclusive o Brasil. E, além da geopolítica, existe
- 4:35uma outra vítima em toda essa história, a própria lei
- 4:38Internacional. O que aconteceu representa uma
- 4:41ruptura tão fundamental que alguns analistas já estão
- 4:44chamando de a nova lei da selva. O que a gente está
- 4:48testemunhando, de forma bem direta É o Fim da ordem jurídica
- 4:54Internacional, que foi estabelecida depois da Segunda
- 4:57Guerra Mundial. A lógica da força parece ter
- 5:00substituído a da diplomacia. A fala de Oscar Vilhena, diretor
- 5:06da FGV direito SP, resume o momento de uma forma
- 5:09devastadora. Princípios que eram pilares como
- 5:12anão intervenção e a proibição do uso da força não foram apenas
- 5:16ignorados. Eles foram ativamente
- 5:19abandonados. A lista de leis internacionais
- 5:22violadas é tão longa que Leonardo Paes Neves, da FGV,
- 5:26descreveu a ação como completar o bingo das violações.
- 5:30Nesse caso, da da Venezuela. Os Estados Unidos, ele meio que
- 5:33completa o bingo, né? Tá quase completando o bingo da
- 5:36da violação do direito Internacional, que já alguém
- 5:38fazendo isso, desde que ele coloca, é todo aquele
- 5:40equipamento militar, tudo que ele aparato militar em águas
- 5:43internacionais e venezuelanas atacando embarcações
- 5:46venezuelanas que estão passando na região, matando pessoas sem
- 5:49nenhum tipo de julgamento. As pessoas que estão naqueles
- 5:52naqueles barcos, segundo Os Americanos, levando droga para
- 5:55os Estados Unidos, ninguém tem nenhum tipo de comprovação sobre
- 5:58esse fato, mas as pessoas estavam sendo mortas ali sem
- 6:01nenhum tipo de. Ou até verificação se de fato
- 6:04elas estavam de fato tráficando drogas.
- 6:07Os Estados Unidos já estava também aprendendo petroleiros,
- 6:11indo e vindo da Venezuela, e a gente já imaginava há semanas
- 6:16que o ataque aconteceu em algum momento, né?
- 6:18O que eu acho que ficou um pouco mais surpreendente foi
- 6:21efetivamente a ideia, ou melhor, o fato de terem sequestrado
- 6:25Maduro, e isso sem dúvida, né? Quer dizer, é uma outra camada é
- 6:28de violação do direito Internacional.
- 6:31Com a lei Internacional em frangalhos, surge a pergunta
- 6:34final, e talvez a mais complexa de todas, essa intervenção,
- 6:38justificada em nome da Liberdade, pode realmente trazer
- 6:42democracia pra Venezuela e pra região?
- 6:45É a pergunta de 1000000 de dólares, né?
- 6:47Como coloca o cientista político Carlos Pereira, da FGV bap,
- 6:52remover um ditador? A força pode, de fato, construir
- 6:55uma democracia. A história recente sugere que a
- 6:57resposta é bem mais complicada. O argumento do Pereira é crucial
- 7:02para o povo venezuelano. A escolha se torna entre um
- 7:05autocrata local como Maduro, e a tutela de uma potência
- 7:08estrangeira, no caso, os Estados Unidos.
- 7:10Nenhuma das 2 opções da democracia.
- 7:12Na verdade, ambas destroem o princípio da autodeterminação.
- 7:16E o paradoxo fica ainda maior quando a gente lembra que
- 7:19existia uma alternativa democrática na mesa, a eleição
- 7:23de Edmundo. Rute foi vista como legítima por
- 7:25muitos. Mas essa saída pacífica
- 7:28eleitoral foi completamente atropelada pela força militar.
- 7:31A ação na Venezuela, portanto, abre um precedente muito
- 7:35inquietante. A soberania de todos os países
- 7:38da região, inclusive a do Brasil, foi colocada em xeque.
- 7:41A questão que fica pairando sobre todo o continente não é
- 7:45apenas o que vai acontecer com a Venezuela, mas sim no mundo,
- 7:48onde a força substitui a lei. Quem será o próximo?
- 7:52Esse foi o radar Drops de hoje. Voltamos amanhã com mais
- 7:55notícias até lá.