Latest / BonusCast / DuplaDe2 #3: RoboCop - O Policial do Futuro
Transcript
- 0:00De acordo com o conceito de segurança, uma força policial
- 0:03eficiente é somente parte da solução.
- 0:06Nós precisamos de algo mais. Precisamos de oficiais de
- 0:09polícia que trabalham em 24 horas por dia, um policial que
- 0:12não precisa comer ou dormir, um policial com nível superior e
- 0:17com reflexos perfeitos. Meus senhores, tenho o grande
- 0:21prazer em apresentar a vocês o futuro reforço da defesa da lei.
- 0:30Em outras notícias, escapista de ação, o policial da manhã ou uma
- 0:33sátira sobre neoliberalismo, luta de classes
- 0:36hipermasculinidade a serviço dos donos do capital?
- 0:39Quer saber mais? Então você está no lugar certo.
- 0:42Boas vindas ao duplo de 2 podcast sobre o filme de ação e
- 0:45masculinidade do bônus stage. Eu sou Alana e eu estou aqui com
- 0:48o meu parceiro de polícia sucateado, André.
- 0:51Eu pago 1 USD por esse podcast. No episódio de hoje vamos falar
- 0:55do filme robocop, o policial do futuro, filme de 87 dirigido por
- 0:59polverhoven, escrito por Edward newmeer e Michael meiner.
- 1:03Junte se a nós em uma viagem para o futuro do pretérito de
- 1:061997, após os comerciais. Muito bom.
- 1:15Então, meu caro, como estamos? Como estava você, ouvinte?
- 1:18Como é que estamos aqui? Preparadíssimos para mais um
- 1:22episódio dupla de 2, no qual a gente vai falar sobre robocop.
- 1:26Você passa a ficha técnica no nobre.
- 1:28Ô, claro, com prazer. Muito bem robocop, né?
- 1:31Ele é um filme de 87 Estados Unidos entes dirigido por cover
- 1:35home na sua estreia em Hollywood.
- 1:38Né que é um diretor holandês que estava chamando atenção e foi
- 1:41contratado para esse projeto um tanto quanto inusitado.
- 1:44Robocop foi escrito por Edwards neumer que ele repetiu a
- 1:48parceria com o vervolver em tropas estelares, outra sátira
- 1:51imperdível no futuro fascista. Muito boa.
- 1:54Muito boa, inclusive promessa aí de ser um episódio, porque é um
- 1:58filme que merece muito ser ser discutido, ainda mais os tempos
- 2:01de hoje. Concordo.
- 2:02Foi escrito pelo Michael mine, foi produzido pela Orion
- 2:05Pictures e distribuído pela metrogods.
- 2:08Em maio, lançado no dia 17/07/87 nos Estados Unidos e 7/10/87
- 2:14aqui no Brasil, ele teve um orçamento de 13000000 de dólares
- 2:18e uma bilheteria de 53000000. Que foi um puta de um sucesso,
- 2:22né? Como não seu sucesso um filme de
- 2:24robô policial, né? Ainda mais nos anos 80.
- 2:28Pois é, né? E a quantidade de boneco que
- 2:31isso deve ter vendido não está no gibi.
- 2:33Eu tive um robocop falso. Que era um boneco, que era
- 2:37simplesmente um robô com sirene, o nome dele era robocop.
- 2:42Ou muito bom, muito bom. Eu, eu, eu não sei se alguns
- 2:47meus irmãos tiveram um boneco do robocop.
- 2:49Eu não consigo lembrar, mas eu tenho uma lembrança.
- 2:51Inclusive minha primeira lembrança do do robocop.
- 2:55Não é nem com filme, é. Com o desenho animado uhum e
- 2:59teve inclusive 2 desenhos animados.
- 3:01Um foi pouco depois do filme, eu acho que em 8889, no finalzinho
- 3:07dos anos 80, e teve um em 2002, eu acho, se eu não me engano,
- 3:13que se chamava robocop, alfa command.
- 3:15Sim, sim e. E ele tinha uma skin preta assim
- 3:19ele era. Ele era mais modernoso, ele
- 3:22tinha gadgets, ele tinha asas assim.
- 3:25Ele tinha patins, Oo robocop. Ele andava de patins.
- 3:28Era engraçado. O modo vender boneco aí você?
- 3:31Vai ter o modo total, foi o modo vender boneco geral.
- 3:35Isso que você comentou sobre essa, esses desenhos que saíram
- 3:39e também o meu, o meu boneco fake.
- 3:41Mostra o sucesso que a franquia teve, né?
- 3:43Porque robocop não parou no primeiro quando faz faz
- 3:46dinheiro, Hollywood em placa, uma continuação.
- 3:48E a gente teve aqui o robocop 2 e o robocop 3, né?
- 3:52O 2. Ele até é lembrado com certo
- 3:53carinho pelos fãs. O 3 é um desastre total.
- 3:56É o que tem os robôs japoneses. E o robocop voa, OK?
- 4:00Ele voa com jetpack, eu não vi. Ele voa com jetpack.
- 4:03OK, eu não sei o que pensar, mas tudo bem.
- 4:05E em 2014 a gente teve um remake com o nosso querido José Padilha
- 4:09dirigindo, né? Queridíssimo Padilha.
- 4:11Queridíssimo. Quase Deus querido.
- 4:14Por onde anda José Padilha? Não sei e não quero saber.
- 4:18E também os derivados, né? A gente tem acho que uma
- 4:20tentativa de seriado canadense nos anos 90.
- 4:23Imagina só você, você ter 11, trabalho artesanal de fazer as
- 4:28roupinhas do robocop, né? Todo aquele universo futurista
- 4:31com um orçamento de TV aberta do Canadá, né?
- 4:34Então, obviamente não deu muito certo.
- 4:36Sinto muito canadenses. E também no mundo dos games, né?
- 4:40O robocop, ele ganhou vários joguinhos, mas a gente vai dar
- 4:42um destaque aqui porque ele foi convidado para o Mortal Kombat,
- 4:46né? O último penúltimo Mortal Kombat
- 4:49teve o PEC lá de personagens de DLC, como o Rambo e o robocop, O
- 4:54Exterminador do Futuro. E agora em 2023, saiu um jogo
- 4:57robocop, road City, que ele é uma espécie de continuação do
- 5:00segundo filme. Muito bom, ele é divertidíssimo,
- 5:03ele sabe dosar bem aquele fan service.
- 5:06E também explorar novos temas. E assim eu joguei.
- 5:09Eu zerei ele esses dias. Eu acho maravilhoso que você não
- 5:11tem só tiroteio com robocop, tem hora que você tem que multar
- 5:14carro, você tem que atender o público na delegacia.
- 5:17É, é hilário. Porque ele tem para que
- 5:19plataforma? Para Xbox para play, 4 EPC, eu
- 5:22joguei no PC, no caso, entendi muito bom, viu?
- 5:24Estou genuinamente curiosa, esse jogo não caiu no meu radar,
- 5:28então eu nem sabia da existência dele.
- 5:31Alana, nosso dupla de 2, nosso projeto muito querido.
- 5:35Ele funciona como um clube do livro, que é um clube do filme,
- 5:38onde todo episódio a gente conversa sobre um filme e diz
- 5:42qual vai ser o próximo filme a ser explorado no nosso podcast.
- 5:45Então a gente sempre tem um aviso de spoilers, certo?
- 5:49Esperamos que o. Ouvinte querido, já assistiu o
- 5:52robocop para acompanhar esse papo?
- 5:54E se não assistiu e quer acompanhar o papo, seja muito
- 5:58bem-vindo, mas saiba que a gente vai ter spoiler.
- 6:00Exatamente, eu recomendo muito de que o robocop seja assistido
- 6:05por você, querido ouvinte, porque é um filme imperdível que
- 6:08acredito que faz muito sentido com OA realidade que a gente
- 6:13está agora. Então, Alana, qual é a sinopse
- 6:21de robocop? A gente vai falar sinopse de uma
- 6:23forma bem simples, porque o resto dos eventos do filme,
- 6:26enquanto a gente for destrinchando os temas, a gente
- 6:28vai trazendo para tentar deixar a conversa mais fluida, né?
- 6:31Alex Murphy, que é o protagonista.
- 6:33Ele é um policial de Detroit que acabou de ser transferido, na
- 6:36verdade, para o distrito de Detroit.
- 6:38Ele era de um lugar mais afastado, uhum, e no seu
- 6:41primeiro dia de trabalho, ele é morto em serviço após a sua
- 6:44morte. Seu corpo?
- 6:45Ele é utilizado para dar vida a robocop, o ciborgue da OCP que é
- 6:50a empresa responsável pela segurança da cidade e só pela
- 6:53sinopse a gente já consegue pensar aqui em algumas coisas,
- 6:57como a segurança privada tomando o lugar da segurança estatal,
- 7:03né? Do papel do estado, a Posse do
- 7:06corpo do trabalhador. Pela empresa que o contrata e
- 7:10algumas coisas que a gente vai destrinchando a seguir, mas
- 7:13agora a gente vai falar do elenco.
- 7:15Nosso elenco a gente pode dividir em 3 núcleos.
- 7:17O primeiro núcleo são dos tiras, né?
- 7:19O pessoal que está lá combatendo o crime.
- 7:21O Peter weller interpreta Alex Murphy, robocop.
- 7:24Ele foi um ator que era uma figurinha carimbada assim em
- 7:27produções de TVE, filmes de dramas dos anos 80, né?
- 7:31Mas ele ficou mais conhecido como robocop de papel pop.
- 7:36Que ele fez recentemente, em 2012, ele dublou Batman na
- 7:40animação do cavaleiro das trevas, do Frank Miller.
- 7:42Ele ainda é um cara que está na ativa, né?
- 7:44Eu acho que ele trabalha bastante com dublagem, mas é ele
- 7:48é um ator que eu acho muito bom, ele consegue fazer 2 personagens
- 7:52nesse filme. Todo o trabalho que ele teve de
- 7:54aprendizado, de mímica, né, pra poder interpretar um robô, é
- 7:58incrível. Realmente a gente tem também a
- 8:00Nancy Ellen como a Lewis, parceira do robocop, né?
- 8:04Nancy Ellen é um nome. Bem famoso também, ela fez dress
- 8:08to kill do Brian De Palma, que é a estreia também do Brian De
- 8:12Palma. E também temos Robert do quá,
- 8:15que ele é Realeza do blax plytation.
- 8:18Ele está em coffee de 1972, né? O filme de estreia da da panguer
- 8:20no blax plytation, né? A primeira action here,
- 8:23inclusive mais uma nota aí pra gente que um dia a gente tem que
- 8:27falar sobre. Coffee e black PlayStation?
- 8:30Com certeza. Nosso sargento rich, que é o
- 8:32sargento do distrito que o Murphy foi transferido e está lá
- 8:35lutando para combater o crime e para não deixar seus
- 8:38funcionários, entra. Em creche, ele é o povo,
- 8:39funcionário público que tenta fazer as coisas funcionarem.
- 8:42EE vou te dizer que o impacto do do sargent ridge na minha
- 8:46memória é tão grande que sempre que eu leio algum livro.
- 8:49De detetive. E tem que imaginar um núcleo de
- 8:52policiais numa delegacia. É sempre ele que faz o chefe?
- 8:55Sim. Bem, na minha cabeça, não
- 8:56importa o que o autor fale da descrição dele, é o sargent Reed
- 9:00para mim, sempre. E curioso, interessante saber
- 9:03também realmente desse impacto que que que a visão do
- 9:06personagem ali por trás do balcão, né uhum trouxe para
- 9:08você? Alana, quem a gente tem aqui no
- 9:10núcleo da OCP? O núcleo da OCP, que eu acho que
- 9:13é é omnin, não sei o que lá progress, né?
- 9:17Em português, eles traduzem para produtos de consumo homem.
- 9:20Ah, OK, então é PCOPCOA vida causa operária, Hein?
- 9:24Venão na cadeia. Então na OCPA gente tem o Miguel
- 9:27famer, que é o Bob Morton. Ele é OOO executivo.
- 9:31O que toca o projeto, né, do do robocop uhum, que também está em
- 9:35Twin Peaks, ele é o agente Albert e é amigo do Cooper, né?
- 9:41Uhum, temos o Rony Cox, que ele é o Dick Jones, certo?
- 9:45Ele é um dos outros nomes brancos velhos, é o rival do do
- 9:50bod Morton, que é diferença, só que ele é mais jovem sim, e
- 9:53temos o personagem do Oldman que ele é na verdade o presidente,
- 9:58né? Ele é OCEO da da OC.
- 9:59P isso é curioso porque? É o personagem Oldman.
- 10:03Ele não tem nome em nenhum dos filmes, em nenhum dos produtos
- 10:07dele. Vai de robocop.
- 10:08Inclusive no jogo ele não tem nome.
- 10:10É. É engraçado isso.
- 10:11Porque ele é uma entidade uhum. Ele não tem para que ter uma
- 10:14individualidade. Ele tem um nome que o batismo.
- 10:17Ele é aquele cara velho sentado na cadeira da presidência.
- 10:21Sim, sim, e branco. E branco é o homem velho,
- 10:24branco, de gravata, que tem um tom paternalista, né?
- 10:27Uhum? A gente vai entrar mais para
- 10:29frente nessa questão. Só que é até curioso que com.
- 10:31Quando dá uma merda gigante lá na apresentação da OCPO que ele
- 10:34fala para o Vick Jones é, eu estou desapontado.
- 10:38Como faria um pai, né? Como faria um pai a pior coisa
- 10:41que um pai pode fazer para você é falar que está desapontado,
- 10:44né? É exato.
- 10:45É bater, é reclamar. Não é dizer que que está
- 10:48desapontado com você, mas é interessante esse viés
- 10:51paternalista que você traz pro personagem, que eu realmente eu
- 10:53quero puxar isso ali na frente. Uhum.
- 10:56E deixa eu puxar aqui, então, o último núcleo do de atores, que
- 11:00é a gangue do boductor, são os bandidos por si só.
- 11:04Assim do filme, né? Ela, encabeçada pelo curt Woods
- 11:06Smith, que ele faz o clorence bodurick.
- 11:09Esse ator, ele fez um personagem horroroso no robocop, é um cara
- 11:13assustador e fez um cara muito boa.
- 11:16Praça no deadseve in show. Então a sua relação com a
- 11:20atuação do Kurt Wood Smith vai mudar?
- 11:22Se você viu robocop ou deck service show primeiro.
- 11:25É verdade. Inclusive quando a gente estava
- 11:28fazendo montando a pauta, né? Eu não tinha reconhecido o cara
- 11:31assim. Você que disse, Ah, porque ele
- 11:32está lá ainda, esse servity show.
- 11:33E aí eu tive assim, né? O peso da grande ficha é caindo
- 11:36na minha cabeça. Você era ele mesmo.
- 11:41Sim, também temos Ray Wise como Lion Nash.
- 11:45Gregásia é um ator também que vira e mexe ele aparece em
- 11:48seriados de TV, mas o papel mais famoso dele é como o lylan de
- 11:52Palmer, pai da Laura Palmer. Entre em Pix, né?
- 11:55Você vê que robocop mandou todo mundo para trabalhar em trimpix
- 11:58pelo pelo visto, né? Ah.
- 12:00Foi a foi o cartão de visitas, né?
- 12:03Temos também o Paul mccrein como Emy want tolonski, Jesse Goes
- 12:07como Joe e Calvin Young como Steven mean.
- 12:10Maravilha, esse é o elenco do robocop e Alana, qual foi o seu
- 12:14primeiro contato com o robocop? Então, né, como eu falei antes,
- 12:19foi com o desenho EOO, primeiro desenho que saiu no final dos
- 12:23anos 80, que foi reprisado no Brasil, na verdade, ali no
- 12:26começo dos anos 90. A exaustão, né?
- 12:29Exato. E o pior, que assim eu lembrava
- 12:31de muita coisa, né? Do tipo Ah, poxa, tinha esse
- 12:33desenho que passava não sei onde, não sei o quê.
- 12:36E aí eu fui parar para pesquisar.
- 12:37Ele só teve uma temporada de 12 episódios.
- 12:40O orçamento do último episódio, ele foi para o episódio piloto
- 12:45do x Men, aquele desenho dos anos 90, né?
- 12:48Pois é, porque era. Ambos os desenhos foram
- 12:51produzidos pela Marvel Studios, né?
- 12:53Pela Marvel, quando ela só fazia desenho.
- 12:56Eu tinha justamente uma lembrança muito vivida dali, da
- 12:59infância tal. E eu acho importante trazer isso
- 13:02porque se o ouvinte for um pouco mais novo, ele pode não ter
- 13:05pegado esse esse site gasto desse momento.
- 13:08Porque robocop foi um personagem muito popular no Brasil.
- 13:13Eu acho um pouco curioso, se você para para pensar que o
- 13:17filme ele deve ter tido uma censura quando foi exibido aqui
- 13:19inicialmente, porque eu não acho que ele era para considerado
- 13:23para todos os públicos. Por outro lado, não é tão
- 13:26curioso assim quando você coloca que o personagem principal é um
- 13:31robô a serviço da polícia. E o discurso do desenho não é
- 13:36necessariamente o do filme, tá? Mas o discurso do desenho, ele é
- 13:40muito próprio propaganda de polícia.
- 13:43Sabe o robocop tem antagonistas. Ele tem um cara na polícia que
- 13:47detesta ele, que acha que ele é uma aberração, que aquilo ali
- 13:50não devia estar lá porque ele é uma máquina, ele é um monstro,
- 13:53ele não é humano. Tem um outro antagonista na OCP
- 13:56também, que é também um executivo que não gosta da
- 13:59ideia, que quer emplacar o projeto.
- 14:01Ed, né Oo. Um robô totalmente robô, né?
- 14:04Mas o eu cheguei a ver 2 episódios antes da gente gravar
- 14:08e assim, qualidade de desenho dos anos 80, talvez anos 90.
- 14:12Então você dá todo o desconto. Mas o discurso, ele é muito
- 14:15semelhante ao que hoje são os filmes de super herói, o que não
- 14:19é de se estranhar também porque ele foi produzido pela Marvel.
- 14:23Então assim, eles estavam basicamente pegando a fórmula de
- 14:26desenhos que eles usavam para os seus produtos.
- 14:29Aplicando para o robocop. Sim.
- 14:31Claro, né? Com AAA movimentação específica
- 14:33do personagem, que ela é muito coreografada.
- 14:35Ela é muito engessada, mas todo OOO ritmo narrativo dos desenhos
- 14:40era muito como desenho do super herói.
- 14:43Foi uma experiência interessante, boa.
- 14:46Não sei, mas foi interessante assistir esses 2.
- 14:49Episódios, então, maravilhoso. Eu não tenho muita referência
- 14:53com esses desenhos, eu tenho só flashes desse robocop e.
- 14:58E também do desenho do Rambo que passava na TV Record.
- 15:01O Rambo ele era festa de criança, meu irmão teve festa
- 15:05temática do Rambo. E isso é maravilhoso, né?
- 15:07Porque os meninos tinham festa do Rambo e as meninas da
- 15:09tiazinha, né? O Brasil foi foi um negócio
- 15:13verdade. É maravilhoso essa mistura, né?
- 15:17E é isso. Inclusive, isso é um dos
- 15:19devaninhos que eu tenho às vezes de eu gostaria muito de explicar
- 15:22para um gringo o que que é isso, sabe?
- 15:24O que que é tiazinha numa festa infantil?
- 15:26Queria muito explicar. Não tive essa experiência, não
- 15:29precisei e acho que não gostaria de.
- 15:32Mas falando aqui do contato com o robocop, eu tive contato com o
- 15:36primeiro filme. Ele passou na Record também, lá
- 15:39para 2003, 2002. Eu tinha 98 anos.
- 15:44E como é que você não vai assistir um filme em que o
- 15:46policial é um robô? É o bonequinho do filme.
- 15:50Então, e o criança estava vidrado e esperando tudo que um
- 15:53bonequinho faria. E eu recebi um homem derretendo
- 15:56de lixo tóxico, né? Aquilo ali ficou por muito tempo
- 15:59na minha cabeça e depois eu fui reconhecendo a franquia.
- 16:02Vi o 2 e o 3 e. Em 2014, eu assisti o remake.
- 16:06Eu gostei na época. A gente pode até fazer 11
- 16:08vírgula sobre isso. Na época eu achei interessante
- 16:10porque ele falava sobre drone, né?
- 16:12E estava tudo naquela questão do Obama, mas não revisitei desde
- 16:15então. A gente pode fazer uma vírgula
- 16:16mais na frente, mas bem pontual mesmo.
- 16:20Eu, na época, eu já não gostei tanto.
- 16:22Eu gostei de algumas ideias, especialmente em relação aos
- 16:25avanços tecnológicos, que que o Padilha resolveu.
- 16:28Trabalhar ali. E eu entendo que seria uma coisa
- 16:31realmente necessária para ele atualizar para não ficar uma
- 16:34coisa tosca, né? Você só importar um negócio ali
- 16:37do final dos anos 80. Mas eu acho que o filme ele vai
- 16:40assim para uma direção. Muito clichê, muito
- 16:44melodramática. Às vezes até que mais prejudica
- 16:47do que acrescenta. Sim, mas aí a gente a gente fala
- 16:51disso depois. Maravilha.
- 16:53E o robocop foi um filme muito interessante trazer aqui para o
- 16:56dupla de 2, né? Que a gente está sempre tentando
- 16:58analisar através de um prisma de representações de masculinidade.
- 17:02E o robocop? Ele é produto dos anos 80.
- 17:07E mesmo que você não seja 11 maluco por filmes de ação, se
- 17:10você pensa nos anos 80, você vai lembrar de de personagens como o
- 17:13Rambo, o externador do futuro. Conan era uma época em que um
- 17:17cara que fosse instrutor de academia e tivesse os movimentos
- 17:21certos, ele conseguia se tornar uma Estrela, que foi o que
- 17:23aconteceu com estive em single, por exemplo, e.
- 17:25Então é uma década marcada por uma ênfase muito grande no
- 17:29corpo, e não só no corpo masculino.
- 17:31É se você pensar na Jane Fonda, que foi uma das atrizes mais
- 17:35ativistas dos anos 70. Ela deixa um pouco de lado o
- 17:39ativismo para fazer os vídeos de ginástica ficaram muito famosos.
- 17:43E nesse contexto que vem o robocop, eu acho muito
- 17:46interessante, porque o Peter weller, ele tem um físico muito
- 17:49mirrado, ele tem um físico comum, mas ele é ele é magrelo
- 17:51para esse padrão. De super, o que acontece com o
- 17:54Murphy é que praticamente ele é aprisionado num corpo
- 17:57hipermasculino, né? O robocop.
- 17:59Ele tem todo um design que que apesar dele ser um robô, ele não
- 18:02precisaria. Ele tem um design que dá uma
- 18:05ênfase na musculatura. A única coisa que fica no rosto
- 18:07dele é uma boca pra ser sexy. Tudo nele é mecanizado, é
- 18:11automatizado, mas mesmo assim ele puxa o ideal de
- 18:14hipermasculinidade. A gente pode até fazer um
- 18:17paralelo, por exemplo, não à toa o robocop, ele perde todas as
- 18:21suas partes humanas e ganha uma arma no lugar do palco, né?
- 18:25A arma do robocop sai da perna dele.
- 18:27Então é interessante ver por esse prisma de aprisionamento,
- 18:32num ideal de hipermasculinidade. Um aprisionamento que é literal
- 18:36uhum, porque essa pessoa? Morre em serviço, literalmente.
- 18:41O cara sai para fazer a primeira ronda.
- 18:43É logo depois, ainda um assalto, assalto a banco.
- 18:46Né, isso mesmo. E aí eles saem em perseguição,
- 18:48estão pedindo reforço o tempo inteiro.
- 18:51Olha, estamos aqui, tá? Não sei o quê, não sei o quê.
- 18:53Ah, o reforço vai chegar em 5 minutos, em 10 minutos, aquela
- 18:56mensagem padrão de áudio, de telemarketing.
- 18:59E enfim, eles chegam lá, dão voz de prisão para as pessoas, tal
- 19:04EOOO Alex Murphy, ele morre e eu acho importante antes da gente.
- 19:08Talvez aprofundar tanto início é o quão gráfica é essa morte,
- 19:14porque ele é literalmente fuzilado.
- 19:16E antes de ele ser fuzilado, né, ele é torturado.
- 19:21OOO bodyker. Ele não só é uma pessoa
- 19:24horrível, mas tipo, ele tá lá, ele atira na mão do cara com uma
- 19:2712, ou seja, ele já amputa o personagem de vez.
- 19:31Deixa os seus lacaios, né, os seus bandidos lá se divertirem
- 19:36com cara e eles começam a atirar.
- 19:38No fim, tá beleza, cansou, tal vai e meta um balaço Na Na
- 19:42cabeça dele, né? Eu não tô lembrando errado.
- 19:45Né, isso mesmo. E assim, aquele corpo mirrado
- 19:49ele é. Torturado, ele é reduzido a nada
- 19:54para, num processo cirúrgico, ele ser transformado nesse ideal
- 19:59hiper masculino. Exato.
- 20:01Né? Você destacou aí que é muito
- 20:03importante, ele não precisava, ele é um robô.
- 20:06Eu entendo você querer manter um formato humanoide, porque assim
- 20:11que a gente percebe o mundo é através do nosso corpo, né?
- 20:14Então esse é o padrão de corpo que a gente pensa.
- 20:16É o corpo com cabeça, 2 braços, um tronco e pernas.
- 20:20Mas ele não precisava ter aqueles músculos desenhados de
- 20:26tânio, entendeu? Mesmo as as engrenagens?
- 20:31Não. Mas enfim, todos os tubos que
- 20:33descem, eles lembram tendões humanos e sei lá, essa gaiola de
- 20:38tânio que se dá para a gente chamar.
- 20:40Assim ela só é possível como de acontecer porque cada policial.
- 20:46Ele cede, AOCP os direitos sobre o seu corpo.
- 20:51Ele tem a sua agência extirpada no momento em que se assina um
- 20:55contrato de trabalho? Sim.
- 20:57E isso é meio que acontece hoje em dia, quando você vende a sua
- 21:01força de trabalho no sentido de que você literalmente vende o.
- 21:06O poder de ação, o poder do seu corpo, a sua, a maneira que você
- 21:11tem de interagir com o mundo. É isso que você está vendendo
- 21:13quando você trabalha, é a sua força de trabalho.
- 21:16O que eu acho também muito interessante no design do
- 21:18robocop. As pernas dele, né?
- 21:20Você tem esses tendões, né? Bem atrás assim, na panturrilha.
- 21:23E eles, ele lembra, esporas também, né?
- 21:25Porque ele é o new Guy in the Sound, como falam, né?
- 21:30Ele é o novo, o novo xerife da cidade, por assim dizer.
- 21:33Então no design dele ele vende esse ideal hiper masculino e
- 21:38também pega noções do imaginário, como o western, né?
- 21:42Ele não só retira a arma da perna dele, lá ele ele gira, né?
- 21:46Isso vem do Murphy, óbvio, mas. Vou dar 11 revólver.
- 21:49É algo que se vê muito em filmes de pistoleiros que fazem
- 21:52marabalizo, né? Sim, e isso é muito
- 21:55interessante. E o que é legal também é que se
- 21:58você pensar que toda essa parte hipermasculina, ela vem da
- 22:02máquina, vem da OCP, é o produto da OCP.
- 22:05E o conflito que vai ter entre máquina e homem?
- 22:07Afinal? A gente está falando de um filme
- 22:08de ciborgue e todo ciborgue. Ele vive nessa questão de saber
- 22:12se ele é homem, se ele é máquina, se ele é os 2.
- 22:15A parte homem dele vai ser alcançada através das
- 22:19lembranças, né? Mas são lembranças muitas vezes
- 22:22de dor e de perda, né? São 2 sentimentos que não são
- 22:27vendidos como o masculino, o sentimento da perda ou mesmo o
- 22:31sentimento familiar. O Murphy, ele é casado e tem um
- 22:35filho e ele não se lembra dele. Depois que ele se torna o
- 22:38robocop, ele só tem um sentimento de ter tido isso
- 22:40alguma vez. EE, eu acho que é um bom jeito
- 22:43de de não fazer. AA esposa, a esposa no parque
- 22:47sabe que que você perdeu porque funciona do mesmo jeito, né?
- 22:52Isso é uma motivação Pra Ele, mas não precisou matar ninguém
- 22:56pra eles. Eu acho que tudo isso faz o
- 22:59personagem ser muito. Muito interessante.
- 23:02A gente brincou que o robocop, ele é um personagem feito para
- 23:06vender bonequinho, praticamente é o policial robô.
- 23:08Que criança que cresceu nessa época não IA querer ter?
- 23:11Mas ele tem tantas camadas de conflito que não tem.
- 23:14Como você não ficar pensando sobre ele e ficar triste.
- 23:17Eu gostei muito do do que você falou sobre o os sentimentos que
- 23:21o trazem de volta, que o fazem recuperar esses resquícios de
- 23:25humanidade serem baseados em perda e dor, né?
- 23:28Que não é uma coisa. Tão associada AA esse ideal
- 23:34hiper masculino. Eu vou só fazer uma observação,
- 23:37eu não discordo, eu acho interessante, verdade, mas eu
- 23:39vou só fazer uma observação e que a ideia, na verdade de perda
- 23:43de perda da família, de perda de alguém importante é um troco.
- 23:47É um clichê muito comum em filmes de ação.
- 23:50Você mesmo falou aí da mulher do parque.
- 23:53Né? E eu acho que, na verdade, a
- 23:55maneira de canalizar e de expressar.
- 23:59Esses sentimentos, dentro da da lógica de vários filmes de ação,
- 24:03é, na verdade, a violência, sim, né?
- 24:07Então vira uma desculpa, vira literalmente um gatilho, com o
- 24:12perdão do trocadilho, para expressar a violência.
- 24:16Então esses sentimentos talvez só sejam válidos.
- 24:20E aqui eu estou elucubrando, tá isso uma.
- 24:22Não estava na nossa pauta, mas esses sentimentos talvez só
- 24:25sejam válidos se eles servem como catalisador de ações
- 24:30violentas. Perfeito, eles só se tornam
- 24:32masculinos se eles dão vazão à violência.
- 24:34Exato. Perfeito.
- 24:36Concordamos juntos aqui, tranquilo.
- 24:38É algo que que que agora me me botou para pensar.
- 24:40Estou pensando pensamentos? Mas em relação ainda sobre esse
- 24:44ideal hiper masculino que você citou aí os personagens dos anos
- 24:4780, e é é super válido. Eu super concordo e eu acho que
- 24:52na verdade está tendo um retorno um pouco impulsionado.
- 24:58Por essa cultura de bem-estar, né?
- 25:01De welmas e et cetera. E também pelos discursos e pela
- 25:08movimentação, porque eu não quero chamar de cultura in Cell,
- 25:11sim. A gente está tendo todos essas
- 25:14movimentações assim, de um novo culto ao corpo, de, no caso de
- 25:18mulheres, um novo culto à magreza.
- 25:20Todo um retorno aí de ideais. Visuais e de práticas ideais e
- 25:26et cetera, que é um pouco abordado naquele podcast que a
- 25:30gente ouviu, the Dark truth, behind Ashton Halls, Morning
- 25:34ruthing. Eu não sabia quem era esse tal
- 25:37de Ashton hall até ver o ouvir o podcast, né?
- 25:41A gente vai colocar No No nas informações do episódio Oo link
- 25:46de acesso eu vi no YouTube, mas claramente era um podcast, né?
- 25:49Tem todo um retorno desse culto ao corpo, desses corpos
- 25:52anabolizados. Né?
- 25:54Isso aqui não é uma defesa ao sedentarismo, muito pelo
- 25:56contrário. Devemos fazer exercício, devemos
- 25:59cuidar dos nossos, do dos nossos corpos.
- 26:01Esse acesso, essa coisa de que Ah, o homem de verdade, ele está
- 26:05aqui, ele é bombado. O homem de valor não é nenhum
- 26:09homem de verdade, mais é o homem de valor.
- 26:12Ele acorda às 4 da manhã, ele mete a cara no gelo, ele come
- 26:16banana e esfrega a casca da banana na cara.
- 26:19E ele come a banana de um. Jeito que você de lado, porque
- 26:23isso não é pra não parecer um movimento fálico.
- 26:28Entendeu porque essa masculinidade tão poderosa, tão
- 26:31viril, tão ativa é frágil ao ponto de você não conseguir
- 26:35comer uma banana? Então é, eu também escuto.
- 26:39E, na verdade, parte da motivação de todo esse projeto é
- 26:42a ideia de que, Ah, a masculinidade está em crise e o
- 26:45homem está em crise. E aí eu solto a bomba antes da
- 26:47gente passar para o próximo ponto que é.
- 26:50Mas a masculinidade, ela sempre esteve em crise, não uhum,
- 26:54sempre teve essa necessidade. De criar ideais masculinos.
- 27:00E eu acho que, na verdade, isso é social.
- 27:02Eu acho que isso vale para para os 2 espectros da binalidade, da
- 27:05binariedade de gênero. Mas esse ideal masculino ele
- 27:09está servindo? A quem ele está servindo a quê?
- 27:14Em robocop é o capital, a própria estrutura do
- 27:16capitalismo, este corpo ideal, ele é literalmente uma máquina a
- 27:20trabalho de proteger o cidadão. Mas o mais importante, proteger
- 27:26o patrimônio. Isso que você falou foi muito
- 27:27interessante, porque na pesquisa para pauta desse podcast a gente
- 27:31encontrou muitos materiais falando sobre os ideais hiper
- 27:35masculinos dos anos 80, que foram encabeçados por uma
- 27:38cultura política muito mais conservadora com a eleição do
- 27:42Reagan. Mas esses artigos, eles são
- 27:45todos escritos por pessoas dos Estados Unidos.
- 27:47Pelo menos eu não vi nenhuma dando uma ênfase sobre, tá?
- 27:50Você faz um personagem hiper masculino.
- 27:54A linguagem dele é a violência, que a linguagem masculina é a
- 27:56violência é a agressão. Mas ele mata para quem sabe.
- 27:59E isso é o cerne do robocop, né? Não é à toa que ele está com
- 28:03todo esse. Esse designer hiper masculino EE
- 28:06contra quem que ele vai matar? Mas pode, pode continuar.
- 28:09Lana, eu só queria fazer uma ácido.
- 28:11Não acho. Acho ótimo, até porque a gente
- 28:12tem um ponto sobre isso, mas quem atira em quem?
- 28:15Mas um outro aspeto que eu acho muito importante, tudo dentro do
- 28:20filme, assim que eu acho que pra mim ele é muito basilar para
- 28:22como os conflitos dentro do filme eles são engendrados.
- 28:25É a questão da representação da luta de classe.
- 28:28Esse filme ele sai em 87, então vamos contar aí que ele foi
- 28:32começou a ser produzido ali entre talvez entre 8586 uhum,
- 28:37né? Pelo menos.
- 28:38E ele vem num momento em que, né, você você já tocou aí no
- 28:43assunto que é a questão implementa o governo do Reagan,
- 28:46que é, não é lembrado com carinho, embora eu acho que a
- 28:50Margaret Thatcher, né, que tem políticas muito semelhantes e.
- 28:54Foi primeira-ministra do do Reino Unido.
- 28:56Eu acho que ela é mais é, é. Ela recebe mais ódio merecido.
- 29:01No caso dela, eu não vou nem citar aqui possíveis coisas de
- 29:04machismo, porque ela eu acho que ela teve mais tempo no poder.
- 29:08Eu acho que ela era uma figura muito menos querida entre a
- 29:12população lá da Inglaterra, do Reino Unido e tal.
- 29:14Tal, talvez os ingleses tenham um pouco mais de consciência de
- 29:18classe do que o americano médio. Também é uma grande
- 29:20possibilidade. Não muita mais, um pouco mais.
- 29:23É, mas a questão é que o governo de Reagan, ele aqui nos Estados
- 29:30Unidos, ele começou a aplicar muito mais abertamente as
- 29:34políticas que seriam chamadas, ou já eram chamadas, de
- 29:37neoliberais uhum. E mais exatamente, ele
- 29:40desmantelou. Ele bagunçou toda a movimentação
- 29:43sindical dentro dos Estados Unidos.
- 29:46Então houve uma campanha ativa de demonizar.
- 29:50Dos movimentos sindicais, certo de dizer que essas pessoas não
- 29:53estão trabalhando para você e et cetera e et cetera.
- 29:56E isso acabou assim. Isso se mantelou, tirou muito
- 30:00poder de qualquer mobilização trabalhista.
- 30:02Aqui no robocop você tem o quadro da polícia que é
- 30:07repetidamente sucateado, que sofre, né?
- 30:10Com com falta de pessoal, com falta de equipamento, a
- 30:13violência rampante nas ruas uhum e eles, tipo, eles estão
- 30:17morrendo aos Montes assim, tipo. O filme começa com um pessoal
- 30:22falando de 3 policiais que se feriram, 2 morreram na hora, um
- 30:27estava em estado grave. O Murphy vem para substituir um
- 30:32deles e morre no primeiro dia e com bastidor, enquanto Murphy
- 30:37está se movimentando. Como 11 outsider, né?
- 30:40Dentro da delegacia de polícia, quando ele entra nos vestiários,
- 30:44há uma clara tensão nesse sentido de que olha, a situação
- 30:48não é boa, as nossas condições são péssimas, né?
- 30:51E eles já estão começando a suscitar é conversas de greve,
- 30:57já estão pensando em entrar em greve e por que que que é
- 31:00importante falar disso aqui? Eu não acho que o filme ele siga
- 31:03muito num num numa ideia de que polícia herói.
- 31:08E eles são heróis incontestáveis e tal, tal, tal.
- 31:10Mas ele claramente coloca aqui uma posição de classe entre
- 31:14trabalhador sucateado, ferrado e os executivos corporativistas,
- 31:20entendeu? AOCP no caso, né?
- 31:23Que é uma empresa que isso não fica tão desenvolvido no filme
- 31:26porque também não importa, mas é uma empresa que oferece serviços
- 31:30de segurança para Detroit, para a cidade.
- 31:34Talvez eles tenham comprado aí, tenham feito algum tipo de
- 31:37negociação, algum tipo de concessão, mas fica muito claro
- 31:41também a ideia de privatização do serviço público, o estado,
- 31:45enquanto A Entidade, ele não tem uma representação dentro desse
- 31:49filme. Você tem um prefeito, agora tem,
- 31:52tem acima do prefeito, né? Você tem um prefeito, mas assim
- 31:55o não tem. Aquela aquela conversa do
- 31:58comissário de polícia com o prefeito e tudo mais.
- 32:01Quem manda na polícia? É uma instituição privada.
- 32:05Qual é esse Oo interesse desse capital?
- 32:07Esta empresa? Eles estão a fim de construir
- 32:09uma nova cidade. Chama dalta City uhum.
- 32:12Né, cidade do amanhã? Na cidade do amanhã.
- 32:15E eles estão querendo extirpar o crime como um câncer, né?
- 32:23Isso aqui é uma situação direta do filme.
- 32:25Então eles querem fazer uma limpeza na cidade para
- 32:29construir. Um novo espaço e com isso ganhar
- 32:32muito dinheiro. Sim, não é uma preocupação
- 32:35aparente com a qualidade daquele serviço que está sendo prestado,
- 32:39muito pelo contrário. Como esses corpos estão a
- 32:42serviço da empresa? Como os corpos dos policiais
- 32:45estão a serviço da empresa? Se mover mais gente melhor,
- 32:48porque eles têm mais matéria prima e eles têm mais desculpa,
- 32:52na verdade, para introduzir as ferramentas automatizadas.
- 32:57Seja o robocop, sejam robôs como o Eddie, que é um robô.
- 33:01Bem, é quase fofinho, né? É assustador também porque ele é
- 33:06um mecatrônico assim, bem esquisito, mas é, é.
- 33:09Ele tem um design quase fofinho. Ele claramente não não funciona
- 33:14bem assim. Ele está totalmente
- 33:15descompensado Na Na programação, mas são ferramentas que não
- 33:21precisariam comer, não precisariam dormir, não
- 33:24precisariam de horas de Descanso nem.
- 33:27Folgas? Muito menos.
- 33:29Pensão e aposentadoria. Então, precarizar essa lógica,
- 33:33na verdade, do de todo o grande capital, precarizar as condições
- 33:38de trabalho é essencial para que você justifique a investida do
- 33:43capital privado naquele setor. Sobre a promessa de um serviço
- 33:47melhor e que não necessariamente vai ser melhor.
- 33:50E eu acho muito interessante que esse conflito da polícia está
- 33:55entrando em greve. EAOCP.
- 33:56Eu acho que ele fica muito exemplificado no sargento
- 33:59Warren, porque ele é o cara mais velho naquela naquele distrito.
- 34:03E ele fala uma coisa que que pega, né?
- 34:05Que fala nós somos policiais. Policiais não entram em greve.
- 34:07Então você vê o peso da situação do cara que provavelmente serviu
- 34:11a corporação a vida inteira para ter sido sargento.
- 34:14Que deve ter lá com seus 40 anos por aí, né?
- 34:17Acho que os 4045. E ele está tendo de lidar com
- 34:20essa nova realidade. EAOCP, tem 1 hora que o Vick
- 34:23Jones, no discurso, ele fala que.
- 34:26O bom negócio é good Business, it's where are you Fight, né?
- 34:30Então o bom negócio está em qualquer lugar.
- 34:33Para eles, construir data City é mais um bom negócio e para isso
- 34:37não importa, cara. Não importa se eles vão ter que
- 34:38matar pobre, não importa se eles vão ter que demitir um Monte de
- 34:42gente ou jogar policiais por meio do de carne, né?
- 34:45Existe toda uma discussão a respeito do papel da polícia na
- 34:48sociedade e normalmente a gente vê mais problemas do que
- 34:52soluções, né? O Brasil, ele é um país que tem
- 34:55uma. Polícia, por exemplo, que tem
- 34:56uma letalidade muito alta, mas a gente nunca para de pensar,
- 34:59também não pode parar de pensar como é uma instituição de mo e
- 35:03pessoas, né? Tanto dos 2 lados.
- 35:05E é isso é um bom negócio, né? Eles, a gente está numa época do
- 35:08neoliberalismo, os anos 80 também foi marcado pela aquela
- 35:11cultura iupe, que é o executivo engravatado, lá modernoso e tal,
- 35:16que foi exemplificado com perfeição no psicopata
- 35:19americano. E isso casa muito com a era do
- 35:21Reagan, né? Que foi?
- 35:23Uma presidência que durou os anos 80 inteiro.
- 35:25Todos os filmes de ação, eles vão dialogar com o presidente
- 35:28Reagan de uma forma ou de outra, porque ele foi, ele era ator,
- 35:31né? Inclusive dizem que ele era
- 35:33pelego de sindicato dos atores. Então você já vê como é que esse
- 35:36cara era, né? E o Reagan, ele foi presidente
- 35:38em 81 a 89, veio muito com uma narrativa de se de ser o herói,
- 35:43de ser o one armem, por assim dizer, que vai resolver os
- 35:46problemas dos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, anos 60 e
- 35:4970, ele foi passando por muitos revés, como por exemplo, a
- 35:53guerra do Vietnã. Crise também com o governo do do
- 35:56Jimmy Carter, né? Ele teve muitas crises
- 35:58internacionais e isso deu uma mexida na moral do país.
- 36:01Então, quando chega o Reagan, com todos esses papos de
- 36:04soluções simples que é só você, entre aspas, ser homem, encarar
- 36:07as coisas, ele vem de uma fantasia que mexe muito com a
- 36:11cultura pop, inclusive com Hollywood.
- 36:14A gente só vai ter esse tipo de herói que é o onarman, machão
- 36:18bombado, que só consegue dialogar com violência a partir
- 36:21do governo do Reagan. Ele foi foi um governo que ele
- 36:24privatizou um Monte de coisa. Ele queria reduzir os custos,
- 36:26aquela Ladainha de riscos e custos do governo, né?
- 36:29A gente gasta muito com isso, né?
- 36:31Só vê porcentagem, não vê os ganhos sociais que aquilo tudo
- 36:35tá trazendo. Então não é de se imaginar que
- 36:38um filme de futuro, de stop, vá pensar na privatização da
- 36:42polícia, né? Algo que é impensável.
- 36:45E bem, o que eu acho muito interessante também é que não
- 36:49importa se você é um executivo da OCP ou se você é um bandido.
- 36:54O livre mercado de 3 regras, né? Tanto AOCP tá usando o livre
- 36:58mercado pra poder fazer Delta City e conseguir emplacar é de
- 37:02200 e novos pro pros militares quanto mesmo a gangue do
- 37:07Clarence, né? Eles são muito empreendedores,
- 37:09né? Eles usam a mesma frase good
- 37:11Business where finity sim, e tem até 1 hora em que o Emil ele dá
- 37:15uma aula para outro capanga que eles estão assaltando o banco.
- 37:18Não é para ficar rico, é para ter o capital de giro da empresa
- 37:22que é para comprar cocaína e fazer um empreendimento.
- 37:25Então é absurdo assim, sabe como como tudo todo mundo tá
- 37:29brincando pelas mesmas regras e de fato não é um não são regras
- 37:32que a polícia vai poder parar porque não importa se o se o
- 37:36bandido tá fazendo isso, AOCP também tá fazendo.
- 37:38Eles são subordinados a óssea. Não literalmente, né?
- 37:41O vodka, o líder da gangue, ele trabalha com o Dick Jones, uhum
- 37:45quando Oo eles estão debatendo, discutindo, enfim, o que o
- 37:51convence. O Dick Jones o convence a tipo
- 37:55não ir embora e ir atrás do robocop.
- 37:58É dizendo, olha, a gente vai construir essa cidade, a gente
- 38:02vai ter aí um mercado de jogo, prostituição, drogas, porque a
- 38:07gente vai ter um influxo. De trabalhadores e essas pessoas
- 38:10têm necessidades. Então esse é o ramo que eu estou
- 38:13aqui abrindo para você. Este é o mercado que eu que eu
- 38:17estou abrindo para você, sim, e assim é foda, né parceiro?
- 38:21Praticamente ele chamou o coornice para ser sócio, sabe?
- 38:24Exato, e isso isso daí é muito, muito engraçado, né?
- 38:28Como essa, essas regras estão permeadas tanto para OCP quanto
- 38:31para gangue. E como todo mundo já deu OKA
- 38:34gente, tem que jogar esse jogo, é isso que.
- 38:36O que a gente precisa fazer para ganhar na vida?
- 38:39Eu não posso mais ser um assaltante só eu não posso
- 38:41roubar uma loja de bebidas. Eu tenho que agora empreender
- 38:45porque está tão o neoliberalismo está comendo tão solto aqui
- 38:48nesse mundo que é o que é um. Eu não posso?
- 38:52O criminoso não pode ganhar a vida de forma honesta, né?
- 38:56Cometendo só crimes? Sim.
- 38:58Ele tem que fazer parte do crime organizado.
- 39:01E uma coisa que é legal também. Assim, a gente está falando de
- 39:03como uma iniciativa privada pode influenciar no governo, né?
- 39:09Né? No robocop, né não, que não
- 39:11influencia no nosso mundo, né? Afinal, o lobby está aí para
- 39:14isso. Mas o robocop, quando ele é
- 39:16criado, ele tem as diretrizes, né?
- 39:18Ele é um robô. Ele tem que ter as suas
- 39:20diretrizes. E as diretrizes são é manter a
- 39:22lei, servir o público, o interesse do bem-estar social e
- 39:26combater o crime. Só que ele tem uma diretriz
- 39:28secreta que ele não pode prender nenhum executivo sênior da ocp.
- 39:34Então isso é muito interessante, porque o ocp tá botando de
- 39:39boazinha lá. A gente tem que colocar um
- 39:41policial robô aqui porque tá tá muito violento.
- 39:44Mas no momento que esse policial robô, ele vai precisar fazer a
- 39:48lei valer dentro do quintal da OCP, ele é barrado.
- 39:51Você pode pensar isso em qualquer iniciativa privada.
- 39:54Provavelmente você vai ter alguma cláusula que vai proteger
- 39:57o. O dono do capital?
- 39:59E às vezes nem precisa ser uma cláusula tão expressa, entendeu?
- 40:05A gente tem uma noção muito boa de que a lei ela não pesa da
- 40:09mesma forma. Sim, para as mesmas pessoas que
- 40:12vão ter viéses de cor, vão ter viéses de classe e
- 40:16principalmente, viés de dinheiro.
- 40:20Então, assim, eu gosto que o filme materializa isso.
- 40:25De maneira muito econômica até. Ele coloca a diretriz no robocop
- 40:30e ele, e é claro que isso vem ali para morder o traseiro dele.
- 40:33A gente vê a consequência disso, né?
- 40:36Mas eu gosto como ele coloca isso de maneira muito econômica
- 40:39e muito clara. Ele não dá espaço para você
- 40:42interpretar de outra forma, né? Que não seja.
- 40:45Essa galera é filha da puta. Sim, exatamente uma coisa que é
- 40:49que é muito engraçado. Até o matur faz jick Jones, que
- 40:52é o Rony Cox. Em entrevistas, ele fala que
- 40:55antes do robocop ele sempre fazia o cara boa praça no
- 40:58seriado, sabe? Tipo o pai de família, o amigo
- 41:01da família, que que é legal, o cara é legal.
- 41:03E aí no robocop ele veio a oportunidade de de interpretar
- 41:07um. Um merda assim, sabe?
- 41:08Um cara horroroso. E eu acho que isso meio que
- 41:10virou OA cara dele. Né?
- 41:14Depois, porque nos anos 90, o overholf fez o total recall, né?
- 41:19Que que é um outro filme média interessante, porque você tem
- 41:21uma colônia em Marte. Estão privatizando até o
- 41:23oxigênio. Sim, sim, eu gosto, lá você paga
- 41:26pra respirar. E quem está privatizando o
- 41:28oxigênio não deixando Os Mutantes respirar, né?
- 41:30É o Dick Jones é o mesmo ator. Então eu acho que depois ele
- 41:35ficou muito com essa cara do engravatado, filha da puta.
- 41:37Né? E que se manteve, né?
- 41:40Mas vamos falar um pouquinho assim em questão do filme, né?
- 41:44Porque, porra, ele é um filme muito, muito criativo e
- 41:47econômico, né? Sim, quando a gente fala de
- 41:48filme de ficção científica, a gente tem que entender as regras
- 41:50daquele mundo. E o robocop?
- 41:52Ele tem muita cena de diálogos expositivos, só que não são
- 41:57cenas ruins, porque sempre que a gente tem que ter alguma
- 42:01exposição de. De fatos como, por exemplo, como
- 42:04funciona AOCP, como que AOCP está lidando com a segurança
- 42:08pública. É feito, por exemplo, num plano
- 42:11sequência dos executivos conversando, porque eles vão ter
- 42:13uma reunião, então eles estão repassando alguns fatos e você
- 42:16nunca fica entediado, né? E nunca saiu também porque você
- 42:20está recebendo a informação e não está falando, puta, que que
- 42:22saco. Aqui só estão falando, falando,
- 42:24falando. Isso é feito aqui tanto na
- 42:26reunião da OCP, toda a construção do robocop, porque
- 42:29quando o Martin move, você praticamente só tem.
- 42:32Planos de ponto de vista, né os? Isso e isso é muito bom.
- 42:37Quando Oo Alex Murphy morre, ele morre sob o ponto de vista do
- 42:42personagem uhum, né? A gente vê uma câmera subjetiva
- 42:45e quando ele vai, tentam ressuscitá lo, você também está
- 42:49vendo aquilo ali, né? Em em 90% do tempo você está
- 42:52vendo aquilo ali, ou no superclose do rosto dele, ou.
- 42:56Ou na câmera subjetiva dele e quando ele volta a vida como
- 43:00robocop, e aí você tipo, você sabe que é outro personagem,
- 43:04porque a câmera subjetiva muda, o tratamento da imagem muda, ele
- 43:08tem aquele grid de visualização, você sabe que é um, não é?
- 43:13O é o mesmo personagem, mas ao mesmo tempo ele é diferente.
- 43:17Então, Oo filme, ele tem uma maneira na própria linguagem de.
- 43:22Trazer isso para você. E que a gente, agora em 2025,
- 43:27pode olhar e dizer, Ah, poxa, mas isso é pueril, isso é óbvio
- 43:31e não sei o que. Eu não sei se isso era tão óbvio
- 43:34nos anos 87, sabe? Eu arriscaria dizer que não.
- 43:38Eu acho que até até 2025 ele dá soluções muito boas.
- 43:41Assim, Ah, com certeza. A maneira como ele apresenta os
- 43:44outros detalhes do mundo também entrecotando o meio do filme com
- 43:48comerciais. E não é alguém assistindo a um
- 43:52comercial uhum. É o comercial que vem ali na sua
- 43:55cara, entendeu? É a inserção de um programa de
- 43:59notícias, não é alguém que está assistindo ATVE.
- 44:04Aí você vê aquela coisa, não, ele não tem essa, essa mediação.
- 44:09Nos momentos que o filme trata uma mediação, de certa forma, é
- 44:13na morte do Murphy, em que você vê meio que não é pelos, não é
- 44:17pela câmera subjetiva da luz, mas ela está assistindo aquilo
- 44:22protegida por uma cerca, né? Então é meio que com a relação
- 44:26de expectação mesmo, com exceção dessas Breves passagens, o resto
- 44:31do do das informações de mundo. Elas são apresentadas de
- 44:33maneiras muito diretas, mas muito rápidas e muito
- 44:37econômicas. Você tem a notícia, né?
- 44:40Com os âncores você tem os o comercial daquele jogo é nuken,
- 44:43né, que é um jogo Tabuleiro com um temático de de guerra
- 44:47nuclear, né? Batalha normal, que é isso,
- 44:50entendeu? Aqui é guerra nuclear e aquela
- 44:54inserção do coração, né, que é logo no começo do filme.
- 44:56Isso que é um anúncio de transplante de órgãos.
- 45:00Só que você substitui seu coração por um coração mecânico.
- 45:04É o primeiro comercial que a gente vê no.
- 45:05Filme é o primeiro e aí antes da morte, da morte do Murphy, né?
- 45:08Sim, sim, já mostrando que eles né?
- 45:09Existe um certo avanço, né? Transplante de coração existe,
- 45:13né, mas não por um coração robótico.
- 45:16EE também. O que é muito legal é que as
- 45:19notícias que você recebe do jornal, elas são todas
- 45:23horrorosas é guerra civil no México, em Acapulco.
- 45:26É presidente dos Estados Unidos que morreu porque tem um
- 45:29satélite com laser que disparou sem.
- 45:32Querer, Ah, é o é o programa do Reagan, Star Wars.
- 45:35Sim, sim, exatamente, né, e matou 2 presidentes dos Estados
- 45:40Unidos e assim é tudo entregue pelos jornalistas com sorrisos
- 45:44sim, tipo falando. E agora vamos ter um minuto de
- 45:47silêncio e sorrindo, né? EE, você é meio que atordoado
- 45:51porque é interrompido por propaganda toda hora, querendo
- 45:54ou não. Nos faz lembrar do jeito que a
- 45:56gente tá recebendo as notícias. Hoje em dia, ninguém assiste
- 45:59mais jornal entre aspas, ninguém mais assistir jornal.
- 46:02Aí você entra No No Instagram, você vê os stories, pode ser de
- 46:06um veículo oficial, por que não? E aí você vê uma notícia que te
- 46:09deixa horrorizado e no próximo é um patrocinado, sei lá, de uma
- 46:13roupa com seu gato. Então eu sinto uma conexão um
- 46:17pouco maior com esse filme. Agora eu concordo, eu entendo do
- 46:20que você tá falando e eu concordo.
- 46:22Esse só extrapola algo que já é presente no noticiário uhum.
- 46:26As pessoas não falam não, não. Notícias tristes, sorrindo
- 46:29ainda, mas assim isso de você dar uma notícia ruim e em
- 46:33seguida cortar para o outro âncora e ele lhe dá uma notícia
- 46:36mais leve ou alguma outra coisa. Isso é básico, tá?
- 46:40Isso é praticado já há muito tempo.
- 46:41É é que eu não lembro de ter notícia boa no filme.
- 46:44Não, o filme é é realmente o filme não tem.
- 46:46O filme só tem desgraça. Só tem desgraça, né?
- 46:49E isso é muito interessante, porque apesar da gente ver Oo.
- 46:52O jornal, a gente não vê ninguém assistindo, tem 1 hora que uma
- 46:55cientista fala, ih, está tendo guerra em Acapulco, aí o outro
- 46:58fala, que droga, a gente IA pedir férias para lá, mas a
- 47:00gente não vê ninguém consumindo essas notícias, ela é feita pra
- 47:02gente, pra gente entender o Word building sim, o que que o
- 47:05pessoal está recebendo de informações.
- 47:07Eu não consigo pensar em outro filme que faz isso assim de uma
- 47:10forma tão legal. É fora a utilização também dos
- 47:13cenários, né? A gente sabe o que que a
- 47:15delegacia está indo pro saco mais uma vez falando, é a
- 47:17delegacia que eu vejo, sempre que eu vou vou ler um livro.
- 47:20Se passa na delegacia, que é aquela aquele caos, pilhas de
- 47:23arquivos, uma prostituta brigando com alguém, um cara, um
- 47:26advogado seboso com um criminoso que claramente está tentando
- 47:31tirar a pena dele. Assim, a siderúrgica também, né?
- 47:34Que? A siderúrgica abandonada assim,
- 47:36eu acho na verdade Ham del lakem, na verdade assim, eu acho
- 47:38a cereja do Sunday. Eu não sei se é exatamente uma
- 47:41siderúrgica. Eu acho que no filme ele se
- 47:42refere a de mel, né? Tipo um moinho.
- 47:45Mas é uma fábrica, é uma construção fabril uhum,
- 47:47claramente abandonada, que na primeira.
- 47:51É o lugar onde o Murphy é assassinado, é para onde os
- 47:54bancos fogem e é é onde ele é assassinado.
- 47:58Quando ele começa a recuperar a sua identidade, ele sonha,
- 48:03enquanto ele tá ali, recarregando a bateria dormindo,
- 48:06né? Ele sonha.
- 48:08E aí ele ele revive o momento da sua morte e aí ele vai
- 48:12trabalhar, vai voltar a patrulhar.
- 48:14Nessa saída, ele é interpelado pela luz, que vira Murphy, é
- 48:19você? O nome não ressoa com ele, ele
- 48:21não reconhece, mas ele vai trabalhar.
- 48:23E o primeiro bandido que ele encontra naquela ronda é, eu não
- 48:26sei se é o primeiro, mas enfim, é o Emil, é, é muito bonito que
- 48:29ele encontra naquela ronda. É o Emil que é um dos caras que
- 48:32que o matou e ele o reconhece, não porque reconhece Oo rosto ou
- 48:38qualquer coisa do tipo, mas porque uma das coisas que ele
- 48:40fala, tipo vivo ou morto, você vai comigo.
- 48:44E aí, o cara, espera aí, eu já ouvi isso, eu matei você e isso
- 48:49deixa OOO, Murphy, né? O robocopy.
- 48:51Dá o pane, né? Dá uma pane, literalmente buga o
- 48:54sistema. Lá ele consegue.
- 48:56Enfim, né? Consegue reagir.
- 48:58Depois explode um posto de um posto de gasolina no processo e
- 49:04prende o cara. E, enfim, ele vai.
- 49:07Depois segue por todo um processo de investigação.
- 49:11Vai atrás do do do vodka e consegue capturar apenas para
- 49:16depois ele ser impedido na OCP. Enfim, tem toda a história.
- 49:21Ele chega AAA raiz do problema, e o problema se volta contra ele
- 49:27quando ele não pode agir contra o Dick Jones justamente pela
- 49:31diretriz secreta. E o Dick Jones solta o é de 209.
- 49:35No robocop, Jones solta OE do 209.
- 49:37No robocop ele consegue fugir porque o.
- 49:41É 19, não consegue descer escadas?
- 49:44Olha, é, é um é um negócio assim que você que faz pensar, né?
- 49:48Porque é ridículo. Mas é proposital o design do
- 49:52robô? Ele é.
- 49:53Ele é muito inútil. Sabe, ele nunca IA conseguir
- 49:56patrulhar procurar bandido em em construções tal, porque ele não
- 50:00consegue subir nem descer uma escada.
- 50:01Pois é, AI gente, tudo bem, né? Enfim, depois disso ele foge com
- 50:08a luz, né? A luz consegue resgatá lo assim
- 50:11e ele retorna para o lugar da sua morte.
- 50:14Sim, ele retorna para aquela mesma fábrica abandonada.
- 50:17É ele bem debilitado, ele sabe assim, ele está com um sistema
- 50:21de mira, está meio descompensado.
- 50:24Né? A luz o ajuda com isso e tal.
- 50:27Mas assim você tem toda essa trajetória do personagem, esse
- 50:31ciclo morte e vida morte que se repete em 2 locações muito
- 50:38importantes, a fábrica e o prédio corporativo bonitão da
- 50:44ocp. E porque que eu acho isso legal?
- 50:46Assim, além de ser uma rima poética, talvez assim, mas uma
- 50:51rima visual. Dentro do filme, o filme tem
- 50:54limitações de locais, a gente sabe.
- 50:56Então OKA galera alugou aquilo ali para gravar as cenas e tudo
- 51:00mais, OK? Sem problemas.
- 51:02Essa fábrica abandonada para mim remete muito ao local diegético
- 51:07da World Detroit. É Detroit.
- 51:09Foi uma cidade que teve assim um boom econômico gigante com a
- 51:12indústria automobilística. E com a queda dessa indústria, a
- 51:17cidade sofreu muito. Hoje em dia a cidade tem
- 51:20estruturas inteiras e tão abandonadas.
- 51:23Enfim, ainda é uma cidade com um parque industrial expressivo que
- 51:28eu não sei se vai sobreviver AA esse momento da política atual,
- 51:33né? Internacional.
- 51:35No momento da gravação do podcast, por exemplo, a China
- 51:38parou com as suspendeu as as exportações de metais raros, o
- 51:42que é essencial para a produção de diversos carros.
- 51:46Então, o parque automobilístico de Detroit está em polvorosa
- 51:50porque não sabe como vai agir. E Detroit já foi uma.
- 51:53Já é uma cidade que, com altos níveis de desemprego, tem muitas
- 51:58tensões sociais e raciais também.
- 52:01Porque nessa época do boom das indústrias teve 11 grande
- 52:04influxo de trabalhadores que ficaram desempregados depois.
- 52:08É uma cidade também que com a bolha imobiliária que estourou
- 52:13nos Estados Unidos em 2008, ficou muito ferrada também.
- 52:17Então, assim, é um lugar que tem passado por diversos momentos de
- 52:22crise financeira. E isso obviamente afeta a
- 52:26distribuição social. Isso afeta o os arranjos e
- 52:29tensões sociais que existe em qualquer lugar.
- 52:31Mas eu acho que Detroit é muito simbólica do sonho americano que
- 52:35deu errado. Eles sentem primeiro, né?
- 52:36Qualquer crise que vinha nos Estados Unidos, eles vão sentir
- 52:39primeiro. Eles vão sentir primeiro, e eu
- 52:41acho que é muito isso. Assim, eu acho que é realmente a
- 52:43epítome do sonho americano que deu errado.
- 52:45Eu acho que é muito por aí. Essas estruturas da World
- 52:49Detroit que eu eu sei que não foi gravado em Detroit, foi
- 52:52gravado em outro lugar, mas em pitbull, né?
- 52:55Mas é, me remetem muito a essa, a esses ciclos da cidade.
- 53:00Para mim não é gratuito. Uhum que seja Detroit que.
- 53:04Não sei como é que está hoje em dia as estatísticas, mas assim
- 53:06teve 111 alto índice de criminalidade em decorrência do
- 53:11desemprego e que acarretou, não abandona o mesmo da cidade por
- 53:14muitas pessoas, então várias zonas inteiras da cidade estão
- 53:17abandonadas. EEA siderúrgica.
- 53:20Ela também serve tanto para falar da falência da o detroid,
- 53:24mas também para simbolizar Oo futuro, né?
- 53:27Porque o Murphy, ele renasce lá, o poverhoven, ele é um diretor
- 53:31que ele não é. É católico, acho que ele não é
- 53:34nem tão religioso, mas ele tem uma fixação muito grande por
- 53:37Jesus Cristo. Ele fala isso em entrevista e o
- 53:39que chamou atenção para ele no roteiro é essa crucificação que
- 53:43o merf Pas. Ele é morto e volta à vida.
- 53:45E isso é exemplificado no na cena final do confronto do
- 53:49criance com o robocop, em que eles estão numa parte com água,
- 53:53né? E o robocop tá andando sobre as
- 53:55águas. Então é é muito interessante
- 53:58como eles podem utilizar esses cenários até para essas
- 54:00metáforas, né? Eu gosto muito também da ocp,
- 54:03porque ele é um prédio muito futurista, né?
- 54:06Ele? Ele é.
- 54:07Ele usa muito de brutalismo, né? Arquitetônico e tal.
- 54:10Mas ele parece ser o único avanço, entre aspas, do filme.
- 54:14O único avanço tecnológico, né? Arquitetonicamente falando, você
- 54:18tem aquele, aquele elevador de vidro que sobe andares em
- 54:22andares, as escadas, os corredores, são todos aqueles
- 54:26clean, né? Aquele limpo, que a gente espera
- 54:28de uma ficção científica. Em contrapartida, você tem a
- 54:32delegacia toda cagada, a cidade também, quando ela é mostrada
- 54:35que está tendo a greve também, ela está toda acabada.
- 54:38E a delegacia? Então, por mais que o filme ele
- 54:41seja muito econômico, ele sabe utilizar ele sabe brincar muito
- 54:45bem com as peças que ele tem e isso é louvável.
- 54:48Hoje em dia é até até raro isso, porque tem tanto filme que que
- 54:52utiliza da pós produção pra tentar criar alguma coisa que
- 54:55nunca tem o mesmo efeito. É muito louvável isso na
- 54:58produção. Eu queria falar um pouquinho
- 55:00sobre quem atira e quem toma atiro nesse filme.
- 55:03Por que Alana esse filme ele não é uma cop ganda, né?
- 55:08Não é uma propaganda pró policial, mas a gente tem que
- 55:11admitir que os confrontos policiais aqui, eles são todos
- 55:14justificáveis, porque a polícia só tá matando, entre aspas,
- 55:18bandido, né? Só tá gente muito que que tá lá
- 55:22pra, né? É, mas isso que a gente tem que
- 55:25falar, porque. Houve um esforço da produção de
- 55:28não fazer um filme racista. Isso eles falam, porque era
- 55:32normal você colocar só língua de gangue sendo pessoas pretas.
- 55:36A gangue do Clarence é 11 gangue multiétnica, você tem branco,
- 55:40você tem europeu, você tem japonês e você tem 111
- 55:46americano, preto também. Eles caem um pouquinho no
- 55:48estereótipo, né? No caso do Joe que ele é, ele é
- 55:50preto ele. É o cara risonho e que se gaba
- 55:53por ter mostrado o pinto para policial, então ele ainda cai
- 55:56numas armadilhas, mas houve esse esforço.
- 55:59Porém, você ter esses vilões para tomar os tiros e a polícia
- 56:02para dar, né? O robocop fica claro que é um
- 56:05filme que ele não quer criticar a polícia, né?
- 56:07Ele não está querendo criticar a polícia em si.
- 56:09Quando o robocop faz a primeira ronda dele, ele tem 3 situações
- 56:14que ele vai ter que atender, né? Que é.
- 56:16Um assalto numa loja de conveniências?
- 56:19Que ele destrói a loja, né? Assim, mas ele prende o.
- 56:21Bandido, ele, ele destrói a loja, isso dá até para pensar um
- 56:25pouquinho se ACP não sabe disso, porque se você destrói um
- 56:28negócio desse jeito, o cara não tem seguro, ele vai ter que
- 56:30vazar se ele tiver que vazar. A Delta City está sendo
- 56:33construída, né? É mais uma lojinha que eu posso
- 56:35derrubar para pôr meu prédio de Delta City aqui.
- 56:37E também o segundo caso que ele vai vai atender é uma tentativa
- 56:42de estupro que 22 clipe, né 2? 2 malucos tentam atacar uma
- 56:47mulher. Inclusive os atores deram uma
- 56:49entrevista do documentário do robocop.
- 56:51Eles falam que eles não conseguiram entender aquela
- 56:53cena, sabe? Porque eles estavam vindo feito
- 56:55os malucos e eles não entendiam aquela interpretação.
- 56:58E o robocop, inclusive ele até reforço aí para masculinidade,
- 57:02né? Porque ele atira no.
- 57:05Do pênis de um dos dos assaltantes, né, com a sua
- 57:07pistola, que é muito maior. E era um caso de tentativa de
- 57:10estupro, né? Então assim ele vai exatamente
- 57:13no símbolo mor de masculinidade, né?
- 57:16Exato, que é um discurso muito presente.
- 57:19Quando a gente fala de violência sexual, muitos conservadores
- 57:22falam que Oo jeito é você castrar os estupradores.
- 57:25Né, exato. E é exatamente isso que ele faz
- 57:28se o robocop estiver chegando um pouco mais tarde, ele teria dado
- 57:30um tiro no saco do cara, mas não teria impedido a.
- 57:33A violência em si, né? Então é muito interessante
- 57:35também. E o terceiro caso, que eu que eu
- 57:38acho que é o é o mais bizarro, mas é o que mais faz sentido
- 57:41hoje em dia para gente. É quando um conseller que que é
- 57:45um conseller, ele é um deputado. Mais difícil do que é um
- 57:48vereador, né? O vereador, ele sequestrou o
- 57:50gabinete do prefeito porque ele quer uma recontagem de votos,
- 57:55ele quer o emprego dele de volta, que ele deve ter perdido
- 57:57o mandato. E um carro novo, né?
- 57:59Então? O que demonstra nessa cena, além
- 58:02dele ter uma justificativa da narrativa, é exemplificado
- 58:05também que AOCP está tomando tudo porque o governo já foi pro
- 58:09saco. Se isso está acontecendo no
- 58:10gabinete do prefeito, imagina Oo que que não está acontecendo?
- 58:14Super concordo com você, mas eu acho interessante na aparição
- 58:17desse personagem, né? Que está pedindo recortagem de
- 58:20votos e tal. Stop the calt.
- 58:22Né? Stop the calt é meio que vítima
- 58:26do sistema. Eu não estou justificando o que
- 58:28ele fez, não é nada disso. Dizendo assim.
- 58:30É que ele acho que essa é a chave.
- 58:32Ele se sente otimizado porque ele teve aqueles direitos
- 58:36extirpados dele. Ao perder o mandato, ele perdeu
- 58:40o trabalho e fora do trabalho ele não é.
- 58:43Nada. Sim, por isso ele voltou lá na
- 58:46prefeitura, ele fez o prefeito de refim, ele matou uma pessoa e
- 58:50como condição ele quer. Um carro.
- 58:54E tem que ser um carro com uma quilometragem, né?
- 58:57Que um baixo rendimento, que gaste muita gasolina e ele quer
- 59:01o emprego de volta. Eu eu fiquei muito bolada com
- 59:04isso, assim, do tipo cara, esse cara aqui, ele está se vendo
- 59:07como vítima. Sim.
- 59:08Tipo, meus direitos foram extirpados por essas pessoas,
- 59:13por essas mulheres, por essas. Não sei não.
- 59:15Ele, ele não fala isso. Mas assim, pra mim fica muito
- 59:18óbvio que é essa ideia de que é. Esta masculinidade, este homem
- 59:22branco, trabalhador, provedor, ele está em perigo.
- 59:26E esse ideal masculino, hiper masculino, esse hardbari, né?
- 59:31Esse corpo endurecido? Ele também é de um homem branco
- 59:35e um trabalhador de um homem branco.
- 59:37Então só só essa observação. Não, não.
- 59:39Maravilhoso assim, inclusive. É muito divertido, né?
- 59:42Porque o robocop, ele entra no gabinete, pega o cara pela
- 59:45parede e joga da. A janela.
- 59:47E aí você tem um plano, que é os câmeras do jornal.
- 59:50Eles seguem o corpo caindo e vai até a direção da calçada.
- 59:55E você já corta para o noticiário exaltando o robocop,
- 59:58né? E tem a cena, cena maravilhosa
- 1:00:00do robocop com as crianças, né, que levaram ele pra pra conhecer
- 1:00:03as crianças numa escolinha. E aí o repórter pergunta,
- 1:00:07robocop, você tem uma palavra para as crianças de Detroit?
- 1:00:10Ele só fala, é stayola throuble que ele?
- 1:00:12Fala, né, que eu não lembro da encrenca?
- 1:00:15Isso isso daí me me traz também um assunto, qual é a relação de
- 1:00:19parceiro do Murphy e da leys? Porque AA Nancy Allen, ela está
- 1:00:25com o cabelo curtinho assim a entre aspas.
- 1:00:28É muito curto para ser considerado feminino no cinema,
- 1:00:31né? A gente sabe que tem essas
- 1:00:32questões, não que eu não acho que que não seja, mas ela tem um
- 1:00:35cabelo curtinho loiro, que se assemelha até com o merf, né?
- 1:00:39O filme ele faz questão de mostrar que os 2 eles são
- 1:00:42iguais. A Louis dirige o carro, o merf
- 1:00:44também, ela consegue dar porrada nos vagabundos, o merf também,
- 1:00:48eles são equilibradíssimos e também tem 11 diversidade étnica
- 1:00:53dos policiais e dos bandidos. Porém, quando você fala da OCP,
- 1:00:58só tenho uma pessoa preta, né? Que é o Johnson sim.
- 1:01:01E o resto é tudo velho, branco, de gravata e algumas mulheres
- 1:01:03assim no fundo de. É aqui que estão lá só pra
- 1:01:06realmente aparecer. Mas também são mulheres brancas
- 1:01:09também. São mulheres dentro de um padrão
- 1:01:11específico. Exatamente, talvez AOCP seja Oo
- 1:01:15ápice que você possa chegar em Detroit numa carreira.
- 1:01:19E essa carreira ela é destinada a.
- 1:01:21Aos velho branco. Né, há um tipo muito específico
- 1:01:23de corpo, né? Sim, sim, os outros corpos, eles
- 1:01:27são moedores, eles são carne para o moedor.
- 1:01:29Sim, sim, é interessante esse lance da igualdade que também
- 1:01:33aparece no tropas estelares, mas aqui o vestuário, ele não é
- 1:01:38separado por gênero ou por sexo, todo mundo toma banho junto,
- 1:01:43entendeu? Então você vê homens palados,
- 1:01:46você vê mulheres paladas, é numa cena muito breve, não tem nenhum
- 1:01:49tipo aqui de, de, de. Um service e tal, mas eu acho
- 1:01:53que essa também é uma. Não sei se é uma característica,
- 1:01:56mas um certo gosto do verhoven. Assim, ele gosta de explorar o
- 1:02:00corpo dos seus atores, às vezes colocando tudo isso de uma
- 1:02:04maneira um pouco desconfortável. Mas ali eu acho que isso também
- 1:02:08serve de é um desconforto proposital, mas ali,
- 1:02:12especificamente, eu acho que é muito mais para mostrar que tem
- 1:02:16uma igualdade ali. Sim, de certa forma.
- 1:02:20Seja uma igualdade construída pela camaradagem do trabalho da
- 1:02:25polícia. Porque está todo mundo ferrado,
- 1:02:28né? Está todo mundo sob um sistema
- 1:02:29de sucateamento. Então assim, todo mundo aqui é
- 1:02:32Brother. Você não tem nenhuma piada
- 1:02:34machista de um policial para uma mulher, para uma mulher
- 1:02:36policial, porque? Isso e.
- 1:02:38Isso é muito frequente em filmes policiais, né?
- 1:02:41Sim, quer que seja AA policial tem que se provar nesse meio ou
- 1:02:45simplesmente algo que é feito para humor.
- 1:02:47E aqui você não tem, inclusive a única cena que você tem de nudez
- 1:02:51no filme, uma das policiais trocando, ela tá com os os os
- 1:02:55peitos para fora assim, né? Tá se trocando rápido e
- 1:02:58engraçado. A única cena de nudez não é
- 1:03:00sexualizada, né? É simplesmente passando,
- 1:03:02mostrando como que é o vestiário.
- 1:03:04Inclusive esse esse corpo ideal ele é como é.
- 1:03:10O corpo ideal do Murphy, né? Esse corpo hiper masculinizado
- 1:03:13ele é estéreo. Sim.
- 1:03:15Não só porque ele é um robô e não pode ter filhos assim, indo
- 1:03:17um pouco além da literariedade aqui da coisa, porque na cena
- 1:03:23que digamos assim que seria AA mais a cena mais próxima de
- 1:03:26sexo, né? Que o filme tem, que é quando OA
- 1:03:29Lewis está ajudando o Murphy a calibrar a tira, né?
- 1:03:33A ela mira, tipo, Ah, que ele está com sistemas de mira meio
- 1:03:37zoados, tal. Então ela ajuda a compensá lo
- 1:03:39tipo, olha mais um pouquinho para cá, e aí ele já faz o
- 1:03:43cálculo mental, né? Para compensar a as próximas
- 1:03:46tiros, eles fazem isso atirando em é potinhos de comida de bebê.
- 1:03:51Sim, o contato físico mais íntimo que o filme representa
- 1:03:55não é para fazer um bebê, é para destruí las, é para destroçá
- 1:03:59las. Exato.
- 1:04:01Isso reforça, né, que Oo ideal hiper masculino é a
- 1:04:05possibilidade do corpo do homem de causar a violência, né?
- 1:04:11E prezar pela agressividade porque, pô, você pode pensar,
- 1:04:14Ah, vocês estão viajando muito nessa interpretação, não é?
- 1:04:17Eles escolheram um pote de um rosto de um bebê, não é à toa,
- 1:04:20eles pagaram uma família para pegar a foto do filho delas.
- 1:04:24Colocar num pote de beber pra dar um tiro, isso não é à toa, é
- 1:04:28maravilhoso o robocop, ele tem muita nuance pra você ficar
- 1:04:31pirando assim e pensar, o que? O que pode significar, né?
- 1:04:36Antes da gente ter feito a pauta aqui pra gravação, eu fiquei
- 1:04:39muito encucado com o fato dos dashback do Murphy ser ele
- 1:04:43tirando uma foto no Halloween. Porque normalmente quando você
- 1:04:46tem esses filmes que querem mostrar uma lembrança boa da
- 1:04:48família, eles utilizam o Natal, né?
- 1:04:52Natal é muito mais. Tem um símbolo muito mais forte
- 1:04:55para a gente fazer esse tipo de flashback.
- 1:04:57E, bem, a gente não chegou a um consenso do que que é, né?
- 1:05:00Mas mesmo assim, não pode ser. Não pode ser proposital ser.
- 1:05:04O Halloween é muito específico. A gente não não chegou a um
- 1:05:06consenso, eu não tenho nenhuma. Interpretação.
- 1:05:09Interpretação assim que eu fique satisfeita com a ideia.
- 1:05:12Uhum, eu sei que Halloween é muito importante nos Estados
- 1:05:16Unidos. É culturalmente um evento muito
- 1:05:18importante. Eu diria que até talvez mais do
- 1:05:21que o Natal. Em algumas cidades, essa ideia
- 1:05:24do filme de Natal é coisa de filme mesmo, tá?
- 1:05:27É, eu tô falando assim especificamente do território de
- 1:05:29cidade, tá? Talvez lugares mais afastados ou
- 1:05:35nas zonas mais periféricas, né? Tipo que o pessoal chama aqui de
- 1:05:38subúrbio, né, que é a parte mais distante dos centros da cidade.
- 1:05:42Pra gente, subúrbio tem uma ideia um pouco diferente.
- 1:05:44Talvez nesses lugares a ideia de Natal, a econografia de Natal,
- 1:05:48ela seja mais importante, mas assim.
- 1:05:51Em cidade mesmo, pelo menos aqui em Chicago, a da coração do
- 1:05:55Natal, que eu encontrei andando na rua, Ela Foi mínima assim,
- 1:05:57Hum, tinha um parque, tinha locais específicos, entendeu?
- 1:06:01Mas mesmo loja e não sei o quê. Não é uma coisa tão generalizada
- 1:06:06quanto a no Brasil. Eu brinco, inclusive, que eu vou
- 1:06:08voltar para o Brasil mais católica do que eu vou, do que
- 1:06:11eu vim. Eu estou sentindo falta desse
- 1:06:15dessa conografia católica nas coisas.
- 1:06:17Então, mas eu acho interessante muito por essa visão de filme,
- 1:06:20porque memórias de famílias são dadas por feriados como Natal ou
- 1:06:25mesmo Dia de Ação de Graças, né? Que é até mais importante do que
- 1:06:28o Natal. Aí sim, eu fiquei curioso, mas
- 1:06:31já que a gente está falando da memória do Murphy.
- 1:06:33Alana, quem é o Murphy? Porque o robocop, ele começa a
- 1:06:38lembrar que talvez ele seja alguém antes dele se tornar um
- 1:06:41robô. Ele está confuso, ele está em
- 1:06:44transição, né? O Cyborg está em transição
- 1:06:46sempre, mas quem é o Murphy? Que ponto o robocop gostaria de
- 1:06:51voltar? Com quem a gente define o
- 1:06:53Murphy? Uma feira policial?
- 1:06:56Eu acho que é a única definição certa, certa assim, de certeira
- 1:07:00que que o filme nos dá. Tá OOO ciborgue, como você
- 1:07:03falou, ele é de ser sempre em transição.
- 1:07:06Ele é uma figura de transição. Ele vai estar entre o humano e a
- 1:07:12máquina, ele vai estar entre esse lugar meio híbrido de
- 1:07:17Fronteira nublada. Que é, onde é que começa a
- 1:07:21pessoa? Onde é que termina a tecnologia,
- 1:07:24né? Ele é.
- 1:07:25Ele incorpora isso materialmente ali no filme ou em outras
- 1:07:29narrativas. Mas a ideia de tipo melhora.
- 1:07:33É física, de ser humano, através da tecnologia a gente tem.
- 1:07:37Por exemplo, quando você está usando óculos, como você está
- 1:07:41usando um smartphone, um smartphone, ó, um smartwatch,
- 1:07:44pra é medir quantas calorias você está queimando no seu
- 1:07:48treino, quantos passos você dá no dia.
- 1:07:50A gente já tem muita tecnologia influenciando na nossa
- 1:07:53subjetividade. Em relação ao Murphy
- 1:07:55especificamente, eu não acho que o filme responde isso pra gente.
- 1:07:59E como você? Eu acho que é proposital porque.
- 1:08:03A lembrança que o filme nos traz, ela é muito efêmera, é do
- 1:08:08menino na assistindo, TVE. Aí Oo personagem gira a pistola,
- 1:08:12né? E pergunta pro pro pai, Ah, você
- 1:08:14sabe fazer isso, pai? Essa lembrança do Halloween, da
- 1:08:17foto dos 3 e a lembrança da esposa vindo abraçar ele dizendo
- 1:08:22que o ama sim. E ele admite, eu.
- 1:08:25Sinto essas pessoas, mas eu não me lembro deles.
- 1:08:29Ele reconhece que ele não é só máquina que ele tem ali coisas,
- 1:08:35mas eu não acho que ele tem um ponto humano pra onde ele deve
- 1:08:39voltar e assim, isso pra mim, na verdade é maravilhoso, porque
- 1:08:44ele ficou tão alienado de si que ele só é policial, sim.
- 1:08:49E eu acho que isso é até reforçado pelo marketing do
- 1:08:52filme. A gente via um pôster que era
- 1:08:54tipo. Né?
- 1:08:56Meio metade homem, metade robô, todo policial é half man Ralph,
- 1:09:01cor é half man House. EE sabe o que é interessante
- 1:09:06também é, se você pensar, acho que nenhum personagem nesse
- 1:09:10filme ele é de fato definido por ser um personagem.
- 1:09:13Por exemplo, o Murphy não é o Murphy, ele é o policial Murphy,
- 1:09:17né? O Bob Norton, ele é um executivo
- 1:09:21Bob Norton, né? Todo mundo tá atrelado com a sua
- 1:09:24funcionalidade. Desde os policiais aos
- 1:09:27executivos da OCPE, passando até pelos membros de gangue.
- 1:09:30Tem uma cena maravilhosa que é condomil, tá no posto de
- 1:09:33gasolina que ele bota o terror No No frentista, como que ele é
- 1:09:37identificado? Ele não é só o frentista, ele é
- 1:09:39um estudante, né? Ele quer aprender engenharia
- 1:09:42para sair daquele lugar, então eu acho que é que é interessante
- 1:09:45como isso também casa com assunto de para que que esses
- 1:09:48corpos estão sendo utilizados, qual é a função desses corpos,
- 1:09:51né? E não é só permeado no muf, no
- 1:09:53robocop. Mas em todos os personagens, e
- 1:09:56isso me lembra do Oldman, né? O líder da ocp, ele se chama
- 1:10:01Oldman, não tem, não tem nome, cara, cara, ele é o velho, só
- 1:10:04que o velho é que nem a gente chama ele de popozão, sabe que
- 1:10:08nem no na grande família é o popozão, porque é um jeito meio
- 1:10:13carinhoso de você se referir ao seu, a sua figura paterna.
- 1:10:16Então é muito curioso como o robocop, ele está falando de
- 1:10:20corpo e função de corpo em todos os momentos do filme.
- 1:10:23Sim, pessoas, é um parêntese. Todo personagem numa história
- 1:10:28uhum, ele é primeiro personagem, ele é primeiro, ele está ali
- 1:10:32primeiro para exercer uma função, OK, alguns são só aquela
- 1:10:36função do tipo, Ah, eu sou o Alívio cômico, eu sou a namorada
- 1:10:42de filme ou qualquer coisa assim.
- 1:10:44Quando a gente fala em tipo, Ah, isso aqui é um personagem
- 1:10:46bidimensional, isso aqui é um é um personagem bidimensional, é
- 1:10:50muito nesse sentido, mas assim. Estritamente falando, todo
- 1:10:54personagem ele é função, mas o ponto que você levanta é
- 1:10:57extremamente relevante, porque todos os personagens nesse
- 1:11:01filme, eles não estão ali só para fazer a história andar, mas
- 1:11:05todos eles são a sua profissão. Nenhum deles é fulano, só
- 1:11:11fulano. Todos eles são.
- 1:11:13Todos eles estão submetidos a lógica da mercantilização, a
- 1:11:17lógica reificação de ser tornado objeto.
- 1:11:22Sim, olha, eu acho que não tem jeito melhor da gente finalizar
- 1:11:28esse episódio com é mindbloin que a gente teve aqui sobre a
- 1:11:33mercantilização no robocop. É, é meio triste também, né?
- 1:11:37É triste, mas é muito relevante. E assim, só um parênteses nosso
- 1:11:43podcast, a gente sempre quer discutir os temas do filme.
- 1:11:46Não dá pra dizer que o bocop é divertido pra caralho.
- 1:11:48A violência nesse filme é incrível.
- 1:11:50É incrível assim, porque eu nunca vi gente explodindo tanto
- 1:11:54sangue numa forma cômica. É, pô, a gente tem o Emil.
- 1:11:57O Emil, ele é derretido em ácido e explodido com o carro, né?
- 1:12:01É muito bom, o cara é muito ruim, é muito bom.
- 1:12:04Sim, ele praticamente vira um risoto humano, sabe?
- 1:12:07Então, se você viu a gente até aqui, se interessou muito pelo
- 1:12:12filme e quer assistir? Você for para o Brasil, você
- 1:12:15pode assistir ele na Prime Video através do canal da MGM plus.
- 1:12:19Felizmente, você vai ter que pagar 2 serviços para ver o
- 1:12:21filme ou mesmo alugar ele no YouTube.
- 1:12:24Ou se você escrever robocop, filme inteiro dublado no
- 1:12:27YouTube, pode ser que você ache alguma coisa aí, tá?
- 1:12:29Ah, você acha assim? É aqui nos Estados Unidos.
- 1:12:32Ele está passando na HBO, no Max.
- 1:12:34Quer dizer, no Brasil ele não está no Max, então.
- 1:12:37Não, não está. É uma bagunça.
- 1:12:39Ele está na ele está pela MGM plus da para m vídeo, porque eu
- 1:12:42assisti. Assisti por aí a primeira vez.
- 1:12:44Realmente eu assisti ele pela Mattos aqui, mas então se você
- 1:12:46estiver no Brasil, tem na MGM. Né?
- 1:12:49A gente vai continuar ainda na questão de filmes policiais e
- 1:12:54agora a gente vai conversar a respeito de um filme que
- 1:12:58praticamente estreou. Aquela dinâmica de birdcop Inter
- 1:13:02racial, né? A gente tem o detaleco, que é o
- 1:13:05mais famoso, né? Que a gente tem o mortoga e o e
- 1:13:07o regs. Essa dinâmica muito famosa nesse
- 1:13:09filme a gente tem. A mesma dinâmica com o Jackie
- 1:13:12Chan e o Chris Tucker no hora do rush, mas o filme que meio que
- 1:13:16inventou essa moda é o 48 horas, que é o filme de estreia de
- 1:13:20Hollywood do Eddie Murphy. O Eddie Murphy foi o primeiro
- 1:13:22filme que ele apareceu em tela, então ele era um comediante
- 1:13:25famoso, só que ele não era O Astro que ele é hoje em dia.
- 1:13:29Então você tem o Eddie Murphy meio que sem freio em um filme
- 1:13:31em que ele faz um prisioneiro. Ele não é nem um policial, ele é
- 1:13:34um prisioneiro que está sendo levado para um detetive para
- 1:13:36ajudar a encontrar 11 gangue e tem uma dinâmica muito.
- 1:13:40Tensa assim, muito racial entre eles.
- 1:13:43É a nossa praia aqui pro doutor de 2.
- 1:13:45Então tá dada a dica, 48 horas. Ele está disponível na Prime
- 1:13:50Video nesse momento, mas provavelmente ele vai sumir até
- 1:13:53o episódio sair. Então, mas filmar isso aí para
- 1:13:56vocês assistirem e acompanhar o próximo episódio com a gente.
- 1:14:01Então é isso, meus caros, vamos falar agora aqui da rede bônus
- 1:14:05de televisão. Não é?
- 1:14:07A gente está no blue Sky com arroba bónus stage BRA gente
- 1:14:12está também no Instagram como arroba bónus stage e estamos
- 1:14:16também no TikTok que é o arroba bónus stage BR também.
- 1:14:19Eu sou Alana de lene, você me acha?
- 1:14:21No blue Sky com Alana de lene, OK pegadinho assim juntinho e o
- 1:14:27André também está no blue Sky. Estou no blue Sky como Moon
- 1:14:30Runner. Com de lua com 2 OE Runner de
- 1:14:33corredor com 2 n. Porque eu eu achava que tinha
- 1:14:36que ter um Nick para estar na internet.
- 1:14:38É justo, é? Justo.
- 1:14:40E nós ficamos por aqui, muito obrigado pelo seu tempo, muito
- 1:14:43obrigado pela atenção. E deixa aqui um comentário, o
- 1:14:46que é que você achou do robocop? Você acha que as nossas viagens
- 1:14:48de cola aqui estão valendo a pena?
- 1:14:50A vocês acham que a gente tem aqui fundamento para falar
- 1:14:53dessas coisas ou a gente está só falando da lisia está tudo
- 1:14:56certo, pode discordar da gente também, muito obrigado e até a
- 1:15:00próxima. Tchau, tchau.
- 1:15:01Boa noite.