Latest / Ultravioleta Podcast / Ep.9 - Coisas sem preço
Transcript
- 0:05Ultravioleta o teu podcast além do visível muito bem vindos.
- 0:11Uma vez mais a mais um episódio do ultravioleta podcast, é
- 0:15sempre um prazer falar com todos.
- 0:18A começar pelo convidado de hoje, naturalmente, Carlos Belo.
- 0:22Já, já, já farei as Apresentações deste meu querido
- 0:25amigo, mas também de todos os ouvintes que nos seguem.
- 0:29E que me têm feito chegar palavras muito simpáticas e que
- 0:34eu tenho que naturalmente agradecer.
- 0:37Vou fazer os apelos do costume para nos seguirem nas
- 0:40plataformas que nos ouvem tipicamente Spotify e Apple
- 0:44podcast e desta forma vão ajudar nos a crescer.
- 0:48Depois aquilo tem uns sininhos que vocês podem ativar, clicar
- 0:51lá para para terem a notificação que consegue um episódio novo.
- 0:55Desta forma, também não perdem os nossos episódios.
- 0:58E naturalmente, se nos quiserem classificar com 5 estrelinhas já
- 1:02agora não querendo pedir muito, também o podem fazer.
- 1:06O Instagram está cada vez mais evoluído, por assim dizer.
- 1:11Estamos a ter interações cada vez mais.
- 1:14Queremos que queremos que seja mais mais úteis e mais
- 1:16divertidas e portanto, podem encontrar nos em arroba,
- 1:20ultravioleta, ponto pode se nos quiserem mandar um e-mail é
- 1:25ultravioleta, ponto pode, arroba.
- 1:27Gmail.com já sabem. Veem nos comentários críticas,
- 1:32sugestões, ideias por episódios, et cetera, e, portanto, agora
- 1:35está na hora de irmos falar com o Carlos Belo.
- 1:37Como disse um querido amigo de longa data, quando eu ainda
- 1:41publicava livros, eu vou, eu estou a escrever um já.
- 1:44Agora, para todos aqueles que me têm vindo a perguntar que vamos
- 1:47ver se eu consigo publicar este ano?
- 1:49E desde então nós mantemos 11 longo contacto.
- 1:53O Carlos é conhecido. Por ser cantor e produtor
- 1:57musical, muito bem-vindo. Olá, Miguel, muito obrigado pelo
- 2:01convite, é um gosto estar aqui contigo.
- 2:03Eu, eu é que agradeço, teres aceitado Oo nosso convite.
- 2:07EE vamos falar enfim de coisas que nos interessam a todos.
- 2:11Diria eu que passa acima de tudo por uma associação.
- 2:16Se calhar era por aí que começaríamos esta nossa
- 2:17conversa. Uma associação.
- 2:19Colorida, uma associação. Eu digo colorida porque o nome
- 2:22está está no nome da associação. Chama se a associação Minho,
- 2:26Arco-Íris, da qual tu és presidente, é isso.
- 2:31Exatamente. Sou o presidente recentemente
- 2:34eleito da da minha Arco-Íris na e fundador no fundo.
- 2:39Olha, ela começou bom, fazendo assim 11 apanhado geral da do
- 2:45início da da minha Arco-Íris é uma é uma associação pelos
- 2:50direitos humanos, diversidade e inclusão LGBT.
- 2:53Pronto, este é mesmo o subtítulo, digamos assim, que
- 2:56complementa o nome minha Arco-Íris.
- 2:59Da associação nós começámos, portanto, a associação está
- 3:03sediada cá na minha Terra de Natal, portanto, estou a falar
- 3:08de esposende, litoral do Minho, aqui bem bem no norte do país.
- 3:15E é uma Terra muito bonita também.
- 3:17E ventosa, portanto, com com muito vento para para Desportos
- 3:21aquáticos, EE praia e por aí fora, temos a famosa nortada.
- 3:27Não é que é uma que é uma imagem de marca também.
- 3:31Mas então, amino Arco-Íris. Nós, portanto, os fundadores,
- 3:36digamos assim, o grupinho inicial que deu origem a amino
- 3:39Arco-Íris. Começou a trabalhar ali em
- 3:44setembro de 2024, quando apoiamos uma outra associação,
- 3:48uma redex eco, que é uma associação também muito querida
- 3:53por parte de de várias pessoas da população LGBT, porque é uma
- 3:56associação focada no apoio aos jovens LGBT mais de Portugal.
- 4:03Essa associação costuma ter grupos locais de jovens em
- 4:06várias cidades do país. Eu fiquei super contente em 2022
- 4:11quando descobri que esposend já tinha um grupo de jovens da
- 4:15redex eco, porque normalmente apenas capitais de distrito EEE,
- 4:21mesmo assim nem todas as capitais de distrito.
- 4:24Acabam por ter 111. Grupo da da rede de eco.
- 4:27Eu eu tive a sorte e o privilégio de eu próprio ter
- 4:31passado pela rede de eco há 20 anos atrás, é verdade.
- 4:34Primeiro no Porto, depois em Lisboa, e foi uma experiência
- 4:37muito transformadora para mim. Acho que me ajudou a resolver.
- 4:42Me não é? A gente usa, usa este verbo e
- 4:46esta expressão de nos, de nos resolvermos a nós próprios,
- 4:49naquilo que é a homofobia internalizada, enfim, todos
- 4:52aqueles fantasmas que nos assaltam de uma sociedade que
- 4:56ainda é muito machista, conservadora, retrógrada,
- 4:59sexista, misógina, pronto, por aí fora.
- 5:01E então AA rede é que faz um trabalho com a Juventude que é
- 5:04muito, muito importante. EAA mimo, Arco-Íris surge e
- 5:08inspirada em algumas das atividades da rede eco, mas a
- 5:13que há em esposende surge ali em setembro de 2024 para apoiar AA
- 5:18rede eco, ou seja, nessa altura em em 24, a rede eco já estava a
- 5:23organizar a terceira marcha do orgulho que há em esposende.
- 5:25Portanto, também é um é um orgulho termos uma marcha aqui
- 5:29na nossa, na nossa cidade e concelho que atenção, é um
- 5:31pequeno concelho, 35000 habitantes.
- 5:34Aqui no litoral, mas por exemplo, é uma cidade que nem
- 5:36sequer tem 11 estação de comboios.
- 5:38Portanto, isso também pode já ser um indicador.
- 5:42Não é do grau de urbanidade e de desenvolvimento que que cada que
- 5:45cada região consegue ter, nós de facto aqui um grupo de 5 amigos
- 5:50juntámo nos à organização à organização da terceira marcha
- 5:54do orgulho para apoiar a redex eco.
- 5:57E depois, em 2024, a redeczec foi ficando mais enfraquecida,
- 6:01ou seja, sem ter tantas pessoas disponíveis para para continuar
- 6:06a organizar a marcha. Portanto, já a quarta marcha no
- 6:09ano seguinte. EE, nós aí já demos 11 força
- 6:13maior, portanto, fomo nos organizando.
- 6:16EE, fomos crescendo. De certa forma, a verdade é que
- 6:19durante todo o ano passado de 2025, nós já estávamos com a
- 6:23responsabilidade de organizar a marcha sozinhos, praticamente.
- 6:27EE percebemos entre nós que também seria difícil nós
- 6:34criarmos 11 marcha. Que atenção.
- 6:36Sendo numa pequena cidade, é sempre difícil fazer com que as
- 6:39pessoas venham para a rua. Deem a cara mesmo esta noção de
- 6:44de este sentido cívico, de de de manifestação popular nas ruas.
- 6:50Sabes que nos meios mais rurais não não existe tanto esta
- 6:54consciência ou mesmo que exista. Existe nas pessoas, talvez um
- 6:59pouco mais momento de represálias, o que é que os
- 7:01vizinhos vão dizer e esse tipo de coisas.
- 7:03Sim, as pessoas sentem se mais retraídas, não é?
- 7:06Exatamente. Portanto, aquilo que nós
- 7:08sentimos é que só fazia sentido organizarmos uma marcha.
- 7:12Portanto, a do ano passado, em 2025, já foi totalmente
- 7:15organizada por nós. Só só faria sentido nós
- 7:19organizarmos a marcha se nós conseguíssemos previamente.
- 7:22Ou, paralelamente, tentar verdadeiramente criar uma
- 7:25comunidade LGBT em esposende. E foi assim, e foi assim que
- 7:28começámos a ter tertúlias, principalmente as tertúlias, que
- 7:32são os encontros informais deste.
- 7:34Nosso eu IA aí também, sim. Claro, Oo nosso, portanto, Oo.
- 7:41Este grupo que nós criámos chama se núcleo LGBT, esposende,
- 7:44basicamente é o primeiro projeto da associação EEO.
- 7:47Ano passado nós tivemos 11 tertúlias, tivemos outras
- 7:50atividades. De facto para para criar 11
- 7:54comunidade e criar este este sentido de sentido cívico também
- 7:59nas pessoas da importância de virem também marchar.
- 8:03Portanto, vamos se calhar indo um pouquinho atrás.
- 8:07Quando dizes, Minho, Arco-Íris, mais ou menos que região
- 8:11geográfica é que abrange esse essa tua associação já agora,
- 8:16para eu deixar claro, eu quando vi que estavas, enfim, como
- 8:20responsável por esta associação, eu não imediatamente mandei
- 8:24mensagem a dizer, Carlos, temos que falar, porque tu tens que me
- 8:27explicar o que é isso? Porque eu acho importante nós
- 8:30termos. Uma AAA multiplicação deste tipo
- 8:33de de, de de iniciativas não é de de espaços, sejam espaços
- 8:40físicos, sejam mesmo espaços psicológicos ao longo do país
- 8:44onde as pessoas se sintam bem e se sintam acolhidas.
- 8:47Portanto, eu disse, temos que falar para tu me explicares.
- 8:51O que é essa associação? E, portanto, ela remete se ou
- 8:56ela limita se, entre aspas, apenas asposende.
- 9:00Ou ao chamar se Minho, é toda a região do Minho.
- 9:05Pronto, é exatamente isso. Ou seja, nós, nós, nós quisemos
- 9:08criar um nome que fosse mais abrangente para toda a região
- 9:11para podermos efetivamente crescer, elevar as nossas
- 9:14principais atividades, além do nosso, do nosso município.
- 9:19Sem dúvida, ainda estamos numa fase muito inicial, portanto.
- 9:23Aquilo que conseguimos fazer fora de esposende neste momento,
- 9:26e já o fizemos o ano passado, é deslocarmo nos a outras marchas
- 9:29do orgulho. O ano, o ano passado estivemos
- 9:32em 5 marchas não só aqui da região, fomos fomos a Viseu
- 9:37também, por exemplo. Mas além disso, nós queremos
- 9:41levar esta principalmente os encontros formais, que nós
- 9:46chamamos tertuleza Arco-Íris. Queremos muito levá las a
- 9:50municípios, a vizinhos, pronto. Esse ainda é um sonho neste
- 9:54momento, mas estamos a organizarmos EE também à procura
- 9:59de de apoios financeiros, candidaturas AAA, esse tipo de
- 10:03de de financiamentos, claro, para para conseguirmos
- 10:06efetivamente crescer. O que o que aconteceu o ano
- 10:10passado foi que em em reunião com a SIG, a comissão para a
- 10:14cidadania e a igualdade de género, que já é uma instituição
- 10:17estatal, com com um trabalho muito importante cá em Portugal
- 10:21nas últimas décadas. Eles olham também para a questão
- 10:25LGBT mais, como não poderia deixar de ser.
- 10:27E eles próprios disseram, nos aquilo que vocês estão a fazer
- 10:30em esposende é louvável ainda. É uma coisa que é muito rara
- 10:34pelo país real afora, ou seja, no Porto, é no Porto.
- 10:38Em Lisboa sabemos que existem várias iniciativas, Braga,
- 10:42Coimbra, Aveiro, Viseu. Também tem algumas outras
- 10:46iniciativas, a decorrerem. A minha querida na Ferreira.
- 10:51LGBTI. Sim, mas no país real há muito,
- 10:55ou seja, em sítios mais pequenos há há muito pouca coisa a
- 10:58acontecer. E se vocês conseguirem
- 11:00efetivamente levar AA as as vossas estratúlias a outros a
- 11:04outros municípios podem contar com o nosso apoio?
- 11:06EE podem se efetivamente institucionalizar entre aspas,
- 11:11ou seja, criem mesmo uma associação, porque nós, quando
- 11:14falamos com a siga, nós ainda não éramos associação.
- 11:16Portanto, a associação foi só formalizada em género deste ano.
- 11:21Mas, apesar de já estarmos há mais de 1 ano a trabalhar.
- 11:24Porque é isso mesmo, é é ir pintando o mapa com as nossas
- 11:28cores todas para que uma pessoa se possa sentir em casa, em
- 11:33casa, ou seja, não tenha, não tenha que ir para para o Porto
- 11:38ou para Lisboa, para poder frequentar espaços onde se
- 11:41sintam em casa, onde se sinta acolhida.
- 11:44Porque muitas vezes é isso que acontece em muitos meios.
- 11:48Sem dúvida, a ideia é mesmo criar espaços seguros, onde toda
- 11:52a gente é bem, toda a gente é bem, é bem-vinda.
- 11:54E nós temos muitas pessoas heterossexuais, casais de
- 11:57senhores e senhoras, até mais velhos, que vêm às tartulas
- 12:01simplesmente têm curiosidade EE querem aprender mais sobre a
- 12:03nossa comunidade, por exemplo, e isso é é muito gratificante e é
- 12:07louvável. Sabes que aqui No No no
- 12:09ultravioleta nós temos? Pessoas que participam, enfim,
- 12:13convidados meus que são heterossexuais, portanto, eu,
- 12:16eu, eu não, não concebo o mundo em que tenhamos um gueto, onde
- 12:21estejamos todos nós, LGBTs, mais e depois de tudo o resto.
- 12:27Porque na verdade, as coisas só evoluem se forem feitas em
- 12:30conjunto. Nós temos que ter aliados em
- 12:32todo o lado, como é óbvio. Há, há.
- 12:35Bocado estavas, estavas a dizer e referiste e várias vezes.
- 12:40As marchas, portanto, já percebi que a associação ela não está
- 12:43focada apenas na organização de marchas.
- 12:48Levaste a questão das para as para as tertúlias, que foi uma
- 12:52coisa que eu ouvi nas redes sociais, que efetivamente vocês
- 12:55realizam essas tertúlias e tertúlias.
- 12:58Avançar no número 11 tertúlias isso dá me dá no ano passado,
- 13:03isso dá me por 1 mês praticamente.
- 13:04É quase, é quase uma por 1 mês e este ano estamos a tentar 2 por
- 13:08mês. Cá em esposende, não conseguimos
- 13:10sempre? Não conseguimos sempre, mas
- 13:12temos tido muitas iniciativas e além das tertúlias, que são os
- 13:15encontros formais, depois temos os chamados encontros informais,
- 13:19onde temos várias outras coisas a decorrer.
- 13:21Fazemos oficinas de trabalhos manuais, exibimos,
- 13:25documentários, fazemos jantares, piqueniques.
- 13:28Caminhadas, portanto. Jogos também não era.
- 13:31Já, já exatamente. Já tivemos uma tarde de jogos de
- 13:34Tabuleiro, portanto, estás. A ver, eu estou atento.
- 13:36Muito bem, muito bem. Miguel, é, é, é, é mesmo aquela
- 13:39ideia de criar comunidade EEE. Isto pronto, a mim pessoalmente,
- 13:43faz me imenso lembrar os tempos da rede eco, onde de facto,
- 13:47quando se fala da rede eco, existe aqui um desabafo de muita
- 13:51gente que é, Ah, pois, mas a rede eco, por ser uma associação
- 13:53juvenil, é apenas até aos 30 anos, muita gente que tem
- 13:57conhecimento da rede eco. De já depois de ter os 30 anos
- 14:00ou ou eventualmente entrou uma Rex vac, mas ao fazer 30 anos já
- 14:04não pode continuar. Portanto, aquilo que se sente EE
- 14:08que eu sinto no nos desabafos das pessoas, é que toda a gente,
- 14:11independentemente da sua idade, tem este, esta necessidade de
- 14:15sentir que faz parte de uma comunidade, um grupo de
- 14:17pertença. E então, nesse sentido, eu penso
- 14:20que é fundamental Oo trabalho que que estamos a começar a
- 14:23fazer cães posende na região do Minho e fantástico seria se
- 14:27outras associações, outras ONG também também o pudessem fazer
- 14:31por todos os cantos do país, como tu estavas a dizer colorir
- 14:34o nosso, o nosso mapa? Continental e insular,
- 14:38exatamente. Podemos esquecer das ilhas
- 14:41porque porque eles já são geograficamente isolados e o
- 14:45isolamento. Neste tipo de de iniciativas,
- 14:50sendo se ainda com com mais força estavas a falar também da
- 14:53questão da da da rede ex eco, eu tive um convidado, Pedro Paes, o
- 14:57meu querido Pedro Paes, que que participou no episódio 6
- 15:01educação em desconstrução, onde ele também participou como
- 15:05membro da rede ex eco, enfim, em várias escolas e pelo país.
- 15:09E ele também se queixava do mesmo porque ele atingiu Oo
- 15:12limite de idade e era o que ele dizia, e agora que eu?
- 15:15Tinha a experiência ou naquele momento em que eu tinha a
- 15:18experiência acumulada de de de centenas de aulas, fiquei sem
- 15:24poder aplicá la ajudar outras pessoas, não é?
- 15:28Há realmente um potencial aí. Há 11 todo um know how de várias
- 15:33pessoas que poderão ser e deverá ser utilizado precisamente em
- 15:38associações deste tipo. Olha Carlos, uma dúvida.
- 15:45Como é que o ambiente vamos chamar lhe assim?
- 15:48O ambiente de do Minho é para pessoas LGBT ou pondo a pergunta
- 15:56de outra forma, há muita homofobia?
- 16:00Sente se muita homofobia, mesmo que seja velada?
- 16:04Olha, essa é uma pergunta complexa, não é?
- 16:06Porque eu só posso falar na minha experiência e.
- 16:10Naquilo e. Naquilo e naquilo que que que
- 16:14que vou sentindo das das pessoas que vão chegando até até nós?
- 16:18É assim, atualmente, por exemplo, posso dizer que uma
- 16:23rapariga trans que frequente, por exemplo, uma escola
- 16:26secundária em esposende ou eventualmente no Minho, e isto
- 16:31provavelmente pode se aplicar a outras regiões do país.
- 16:34Por exemplo, evita durante as aulas, durante o tempo que está
- 16:38na escola, evita ir ao WC, por exemplo, para para não sofrer
- 16:43discriminação, represálias, bullying, ameaças, pronto o que
- 16:46seja. Portanto, isto é só 11 pequeno
- 16:50grande exemplo não é de que há muita coisa por fazer.
- 16:54Claro que nós sabemos que a educação para a sexualidade, por
- 16:57exemplo, as famosas aulas de cidadania, deveriam ter um peso
- 17:01muito mais preponderante na educação dos nossos jovens,
- 17:06entre entre várias outras coisas, mas se eu te falar
- 17:10daquilo que eu sinto das pessoas nas ruas, eu não sinto que
- 17:14exista propriamente. Uma discriminação, mas mais uma
- 17:17vez eu não. Eu não posso falar por por toda
- 17:20a gente. Sei que existem olhares de lado
- 17:24e sei que existem, com certeza, comentários em todo o lado.
- 17:28Existem as fofocas, os mexericos, os boatos, essa essas
- 17:31coisas todas, não é? Mas.
- 17:32Isso também dentro da nossa própria comunidade.
- 17:34Existem, vamos. Lá?
- 17:35Claro que sim, claro que sim, mas mas nós sabemos que.
- 17:40Pelo facto daquilo que nos distingue com muitas aspas aqui
- 17:44são questões de sexualidade. As questões de sexualidade são
- 17:5011 campo muito apetecível para para esse tipo de olhares de
- 17:55lado e de e de maldicência, digamos assim.
- 17:59As questões de sexualidade são sempre foram um tópico 11 tópico
- 18:04muito, muito apetecível para determinados olhares mais.
- 18:09Maliciosos, digamos assim. Seja como for, eu sinto que as
- 18:14pessoas e se falarmos, por exemplo, numa faixa etária de
- 18:17pessoas mais velhas, as pessoas até têm alguma curiosidade em em
- 18:21conhecer a população LGBT, em em aprender um pouco mais.
- 18:25O que acontece é que com a ausência destas ações de
- 18:30sensibilização, por exemplo, que deveriam estar a decorrer para,
- 18:34sei lá, funcionários públicos em todas as câmaras municipais.
- 18:37Em todas as escolas, em hospitais, em, enfim,
- 18:42basicamente EE, eu acho que existe efetivamente uma grande
- 18:45lacuna em termos da educação da população em geral.
- 18:48Sobre as questões da população LGBTE, nós não somos assim tão
- 18:52poucos como como parece. Porque, por exemplo, dentro
- 18:55desta nossa grande sigla, que tem quase todo todo todo
- 18:58alfabeto, só a letra b dos bissexuais comporta um número de
- 19:03pessoas que é incalculável. Porque, no sentido de que
- 19:08possivelmente a bisexualidade é a mais invisível, não é de todas
- 19:12as letras. EEE.
- 19:14Já para não dizer que cientificamente, muitos estudos
- 19:17dizem que existe 11 probabilidade até relativamente
- 19:21considerável de 11 pessoa os seres humanos serem bissexuais.
- 19:26Não é, portanto. Diz é que todos nós somos
- 19:29bissexuais. É maior ou menor grau?
- 19:31Não é exatamente lá está, mas isto para te dizer que.
- 19:36Eu sinto que há muito caminho a ser aberto, portanto, por fazer
- 19:40EEE, eu acho que muita da da responsabilidade.
- 19:43Quer dizer, eu não queria dizer que as pessoas mais resolvidas
- 19:47têm responsabilidade, mas, de certa forma, se tivermos um
- 19:49sentido cívico e de cidadania, nós que tivemos a sorte de nos
- 19:54irmos resolvendo, de irmos saindo do armário, lá está mais
- 19:58uma vez. Estas expressões são muito
- 20:00nossas. Nós que temos essa sorte, o
- 20:03facto de não nos invisibilizarmos.
- 20:06É, é muito importante. Ou seja, sermos visíveis com
- 20:10tranquilidade num ambiente social é.
- 20:13É fundamental para que, primeiro, outras pessoas LGBT
- 20:18estão ainda numa fase mais inicial de se, de se aceitarem
- 20:21ou de se assumirem, se sintam um pouco mais confortáveis.
- 20:24Não é porque veem exemplos no dia a dia, já não é.
- 20:27Já não são só pessoas nas televisões ou nos livros, ou nas
- 20:31séries ou nos filmes. E, por outro lado, também
- 20:33estamos a reeducar o resto da da sociedade, porque estamos a
- 20:38ensiná Los como queremos ser tratados.
- 20:41Não é com respeito, com e com dignidade.
- 20:44É, muitas vezes não somos aquelas personagens trambólicas
- 20:47que aparecem como muitas vezes e durante muito tempo fomos
- 20:52retratados em muitos filmes. EEE em muitos livros, não é?
- 20:57Com caricaturas. Caricaturas?
- 20:59Exatamente. Portanto, o gay era sempre
- 21:01aquela pessoa. Pronto, com traços quase que
- 21:05nalguns, casos hediondos, noutros casos demasiado
- 21:10femininos, com com o mau sentido associado.
- 21:16Exato. Exatamente, EE, realmente essa
- 21:20visibilidade e esta, como eu costumo dizer, esta esta, esta
- 21:22normalização, esta esta demonstração de que tu podes ser
- 21:28gay, lésbica, bi, o que for. E com isso, poder ser aquilo que
- 21:35quiseres é fundamental. E é para isso que é é
- 21:38fundamental existirem associações como a tua, que que
- 21:43que agora aqui falamos. Portanto, fica desde já o
- 21:46convite de quem nos estiver a ouvir na região do Minho, pois
- 21:52já sabem, já há uma nova associação a qual poderão
- 21:55contactar EEE frequentar, porque muita coisa virá.
- 22:01A ser feita. E é aí que eu vou iniciar agora
- 22:04a próxima parte, que é que projetos é que tu tens para o
- 22:07futuro, para a tua associação? Então, nós, além daquilo que já
- 22:11está a decorrer, que é o nuclear GBT, esposende, com as
- 22:13tertúlias, EOE os outros encontros informais, dizia te há
- 22:17um bocadinho que um dos projetos é efetivamente levar estas
- 22:21tertúlias aos aos vários municípios aqui à nossa volta,
- 22:25porque não há praticamente nada a acontecer.
- 22:28EEE. Aliás, olha, nós recebemos
- 22:30pessoas do Porto de Braga, de Viana, já tivemos pessoas de
- 22:33Santarém, de Coimbra e tivemos até uma pessoa que veio da
- 22:35galiza. Portanto muita gente, muita
- 22:39gente vem vem ter connosco sim, mas além das tertúlias, nós
- 22:43também já estamos AA dar algum apoio no acesso a serviços como
- 22:46por exemplo a gabinete de psicologia.
- 22:49Queremos criar o nosso próprio gabinete de psicologia
- 22:52especializada em em psicoterapia afirmativa para para a população
- 22:56LGBT mais. Queremos iniciar então estas,
- 23:00por exemplo, a capacitação de públicos feita por nós mesmos.
- 23:04Temos aqui. A santíssimos sabes EE muito
- 23:07importante. Nós temos aqui esta ideia.
- 23:10Até temos aqui um título muito engraçado, coffee break,
- 23:12Arco-Íris. Gostaríamos muito de levar estas
- 23:15ações de informação e sensibilização a empresas em
- 23:17entidades públicas, onde onde pudéssemos fazer de uma forma
- 23:21não formal, digamos assim. Portanto, a passagem de de.
- 23:26E conhecimentos básicos em relação à à nossa população.
- 23:30Vamos ter 11 fórum, uma espécie de pequena conferência géneros,
- 23:34em diálogo mais para o final deste ano, em parceria com com
- 23:37uma outra associação, cá cá de esposende, e depois lá está tudo
- 23:42o que tem a ver com a organização da marcha.
- 23:44Vamos continuar este ano. Não sei quando é que nos vão
- 23:47escutar, mas no dia 23 de maio de de 2026, sai à rua a nossa
- 23:52quinta marcha do orgulho, cá de esposende e mas.
- 23:56E principalmente são são, são estas as atividades e também
- 24:00estará disponível todos os anos no nosso site oficial.
- 24:03Minhoarcoiris.pt um estudo estatístico de diagnóstico
- 24:07regional em em relação, portanto, à discriminação
- 24:11perante AA população da LGBT mais sentida na região do Minho
- 24:14e do alto do Minho, portanto, abrangendo os 24 concelhos dos
- 24:17distritos de Braga e de Viana do castelo.
- 24:19Este estudo, portanto, isto é um inquérito anual que que que vai
- 24:22estar a decorrer. EE isto também é bastante
- 24:25importante para nós. No fundo vai servir como
- 24:29diagnóstico para nós conhecermos um bocadinho mais a realidade.
- 24:32E olha para te poder responder com mais precisão a perguntas
- 24:36como é que me fizeste? Há bocadinho não é?
- 24:38De como é que é a realidade no Minho, não.
- 24:40É exatamente sabes que Viseu já faz isso há algum tempo e eu
- 24:44acho um exemplo excelente. É porque nós temos um, mas isso
- 24:50é, é, eu diria que é quase uma falha cultural a nível nacional.
- 24:53Nós, Portugal, tem um falta informação.
- 24:57Enfim, há. Há.
- 24:58Há muitos bons exemplos, mas falta informação, quase
- 25:01sobretudo informação estatística, ao contrário do que
- 25:04se passa, por exemplo, nos Estados Unidos, que eles têm,
- 25:07fazem uma radiografia muito boa de.
- 25:10Sob vários pontos de vista do país, nomeadamente sociológico e
- 25:15a nós falta nos essa informação e agora entrando na nossa área
- 25:18sobre a população LGBT, ataques homofóbicos, por exemplo, enfim,
- 25:25o tipo de exemplos que nós devemos ter, alguns indicadores
- 25:28para depois, como tu bem dizes, orientarmos as políticas,
- 25:31poderem poderem se orientar as políticas em função.
- 25:34Da dos resultados que tens e das medições que tens, porque na
- 25:38verdade são essas, são esses indicadores que te servem de
- 25:43evidências para justificares determinado tipo de ações que
- 25:47podes propor, não é? Há aquela série de fase que tu
- 25:50dizes, tu não podes gerir uma coisa que não consegue, que não
- 25:54consigas. Medir não é gerir algo.
- 25:57Tens que medir e tens que ter essa tens que ter uma base.
- 26:01De informação decente para para decente, no sentido de
- 26:05qualidade, com dados de qualidade para poderes, tomar
- 26:08essas mesmas decisões. Há pouco também estavas a
- 26:12referir que, passaste pelo Porto, depois foste para Lisboa,
- 26:16isso foi fundamental para tu saíres do armário.
- 26:20Eu diria que isto é quase o último tema que vamos abordar
- 26:22neste episódio. Como foi essa tua a tua
- 26:25experiência de de de saída de armário?
- 26:29Como como como te ajudou essa a frequência desses espaços
- 26:33seguros que tu agora replicas aí na tua região para o teu
- 26:37bem-estar? Olha, foi fundamental.
- 26:40Eu acho que é é indissociável pensar no meu percurso sem, sem,
- 26:44sem, todos esses anos que que onde fui fui à procura também
- 26:48não é muito levado, principalmente pela parte dos
- 26:52estudos académicos e também da parte profissional.
- 26:55Mas foi fundamental, portanto, a minha passagem pelas pelas
- 26:58várias associações coletivos, exatamente para para ver mundo,
- 27:02não é? E para e para perceber que, por
- 27:05um lado, em relação ao nosso próprio país, eu lembro me que.
- 27:08Quando? Quando cheguei ao Porto e depois
- 27:11quando cheguei a Lisboa, eu lembro me de sentir diferenças,
- 27:15mas de surpreendentemente, também sentir semelhanças e
- 27:18parsenças. E uma das parcenças era espera
- 27:21lá. Eu achava que as pessoas tinham
- 27:22baixa autoestima apenas no norte ou apenas no Minho, mas não.
- 27:27Não é, no fundo, perceber que há características que são comuns a
- 27:30todo o país. Não é que que fazem parte desta
- 27:34portugalidade, entre com muitas aspas, seja lá isso o que for,
- 27:38mas ao mesmo tempo conseguir conseguir conhecer pessoas,
- 27:42pessoas diferentes. EE perceber principalmente a
- 27:46Riqueza da diversidade. E eu acho que.
- 27:49Se se existe uma palavra de ordem que nós devemos ter é
- 27:52mesmo celebrar AAA diversidade, porque acho que foi foi muito
- 27:58isso que eu que eu que eu aprendi e que eu conheci e que
- 28:01fui à procura. EEE é isso que tento que tento
- 28:05trazer também para para este nosso ambiente cá em esposende e
- 28:09no Minho. No fundo, tentar proporcionar um
- 28:11bocado às pessoas essa lufada de ar fresco.
- 28:14Sabes poder se respirar com com mais Liberdade.
- 28:17EE no fundo. Empoderar as pessoas?
- 28:20Não é que isso eu penso que é fundamental mesmo, e
- 28:24principalmente nos dias que correm que nós temos,
- 28:27principalmente depois da pandemia, eu acho que as pessoas
- 28:29ficaram mais ligadas à parte digital.
- 28:32Esta solidão digital não é de que todos somos um bocadinho
- 28:36reféns e devemos lutar contra isto.
- 28:39Mas ficamos mais fechados sobre nós próprios.
- 28:43Por outro lado, as bolhas digitais e os algoritmos e a
- 28:46Extrema direita também ganharam muita força e ganharam muito
- 28:49terreno. EE no fundo, precisamos muito de
- 28:53combater tudo isso, criando comunidade EEE, este sentido
- 28:57social e comunitário. Eu acho que é mesmo fundamental
- 29:00e acho que é isso que nos que nos pode salvar, digamos assim.
- 29:06Sim, a diversidade salva, não é porque tu só tu consegues ter
- 29:11complementaridade, só tu só consegues ser um ser completo se
- 29:15tiveres vários elementos diferentes, complementares entre
- 29:20si, por assim dizer, isto é uma coisa monolítica não chega a
- 29:24lado nenhum, porque aquilo é uma massa uniforme.
- 29:28Que só sabe fazer mais do mesmo, não é?
- 29:30Nós, ao sermos diversos, nós, cada um, cada um, acaba por ter
- 29:36a sua, vamos lhe chamar especialização, por assim dizer,
- 29:40o seu gosto. E é o somatório de todos esses
- 29:43gostos, ou é do somatório de todos esses gostos que nós
- 29:46conseguimos fazer uma coisa grande?
- 29:49É uma coisa abrangente, não é? E daí a essa diversidade que tu
- 29:54estavas a falar. E além disso, deixa me só
- 29:57acrescentar isto, nós enquanto população LGBT mais ou ou
- 30:01comunidade LGBT mais, nós temos 11 dádiva enorme para a
- 30:06sociedade em geral. E eu acho que muitas vezes nós
- 30:08próprios não, não vemos isso. EE, esta minha experiência agora
- 30:12mais recente com com a associação minha Arco-Íris está
- 30:15me a demonstrar isso mesmo, que é se se a sociedade geral tiver
- 30:19mais curiosidade e mais interesse em conhecer, nos.
- 30:22Vai passar a conhecer a nossa forma de de ser, de amar e de de
- 30:28respeitar, por exemplo, os diferentes géneros.
- 30:31Não é fala se tanto em igualdade de género hoje em dia, mas nós
- 30:35já estamos a trilhar esse caminho há mais tempo.
- 30:39Eu, eu também acho, por exemplo, que existe uma outra expressão
- 30:42que tem obrigatoriamente que entrar na ordem do dia e que tem
- 30:45que ser alvo de de ações de sensibilização por parte de de
- 30:49várias entidades que trabalham nesta área.
- 30:51Além de de combater a violência de género, a violência contra as
- 30:54mulheres é necessário também 11 aposta na questão das
- 30:59masculinidades saudáveis, porque sem isso vai ser muito difícil
- 31:04acabar com AA misoginia. A homofobia não é EE todo esse
- 31:09rol de coisas que são muito, muito negativas.
- 31:12Horríveis, meu querido. Vês como o tempo passa muito
- 31:15rápido. É assim.
- 31:19Vou te lançar o último desafio, que é o desafio que eu lanço
- 31:21sempre a toda a gente que aqui vem que já sabes qual será que é
- 31:25arranjarmos um nome tu batizares este episódio?
- 31:30Muito bem. Olha, eu por acaso já estava a
- 31:35pensar um bocadinho nisso. EE, não é fácil, porque não
- 31:37queria fazer uma coisa que fosse assim, muito taxativa, mas ao
- 31:41mesmo tempo desse curiosidade. Eu acho que olha uma das coisas
- 31:45que tenho regido mais a minha vida, seja enquanto enquanto
- 31:48autor, seja agora como ativista ou coordenador LGBTO que seja,
- 31:53tem a ver com a autenticidade e perseguir a minha verdade EE os
- 31:58meus sonhos. E nesse sentido, eu acho que o
- 32:02título para este episódio pode ser coisas sem preço.
- 32:07Coisas sem preço. Olha 11.
- 32:08Excelente título. Porque realmente nada disto tem
- 32:12preço e nós não nos devemos esquecer que na verdade, as
- 32:15melhores coisas da vida são gratuitas.
- 32:21Carlos 11 beijinho muito grande, muito obrigado a outro, parabéns
- 32:25este convite, muito obrigado. Eu gostou do meu muito obrigado
- 32:29também a todos os ouvintes que uma vez mais estiveram aqui
- 32:32connosco e já sabem. Vamos seguindo e vão nos
- 32:36divulgando, por favor e até ao próximo episódio.
- 32:39Um abraço.