Latest / Chá de coragem, com Elisama Santos. / Ep.30 - "O PAI PERFEITO É UM MARIDO ABUSIVO." COMO LIDAR? Chá de Coragem com Elisama Santos
Transcript
- 0:00Será que dá para separar a pessoa que se relaciona super
- 0:04bem com a gente, mas trata muito mal alguém que a gente ama
- 0:09muito? E se essa pessoa for o nosso
- 0:12pai? Como assim aceita estar de
- 0:16coragem? Oi lizama, tudo bem?
- 0:30Te acompanho nas redes sociais há bastante tempo, já li todos
- 0:33os seus livros, maratonês seu podcast e não perco uma
- 0:36entrevista sua. Acho que isso já mostra o
- 0:38tamanho da minha admiração pelo seu trabalho, né?
- 0:41Muitas vezes, em situações difíceis, quando a raiva toma
- 0:44conta de meu peso, o que a lizama diria?
- 0:47Agora? Nem sempre consigo agir como
- 0:49gostaria, mas eu sigo tentando. Hoje eu decidi compartilhar com
- 0:53você a minha história, estou aqui torcendo para que você a
- 0:56leia e possa tomar, se está de coragem comigo.
- 0:59Sou filha única, meus pais foram casados por 33 anos e por muito
- 1:04tempo eu acreditei que era um casal feliz.
- 1:07Meu pai sempre foi visto como um bom marido, um bom pai, um ótimo
- 1:12avô. Até que um dia eu encontrei
- 1:14minha mãe chorando sozinha no quarto, perguntei o que havia
- 1:17acontecido e ela me respondeu, eu não aguento mais o seu pai.
- 1:21Só não me separo por você. Naquele momento eu já era
- 1:25casada. Já tinha um filho e não havia
- 1:27sentido algum em ela se manter em um casamento infeliz por
- 1:30minha causa. Então, claro que eu apoiei em
- 1:33todos os sentidos. A separação aconteceu e foi
- 1:38quando o véu do bom pai e bom marido caiu para mim.
- 1:42Aos 28 anos. Comecei a enxergar meu pai
- 1:44manipular, se vitimizar, perseguir a minha mãe, falar mal
- 1:49dela para familiares e amigos. Sempre a defendi, bati de
- 1:53frente. Com o tempo eu fui perdendo a
- 1:54admiração que eu sentia. Hoje, 8 anos depois, existe um
- 1:59muro enorme entre nós. Ele me manda mensagem todos os
- 2:03dias, mas quase sempre eu ignoro.
- 2:06Me falta paciência, apesar de ainda o amar.
- 2:09Me sinto culpada porque eu sei que ele sempre foi o meu pai
- 2:12para mim, mas eu não sei como deixar tudo isso para trás.
- 2:15Minha mãe já consegue conviver de forma agradável com ele, mas
- 2:18eu ainda travo. Das poucas vezes em que nos
- 2:21vemos em aniversários ou festas de família, eu sinto que a
- 2:24presença dele ainda gira em torno dela.
- 2:27Ele chegou a me agradecer pelo convite de aniversário, dizendo
- 2:30que assim poderia passar algumas horas perto da minha mãe.
- 2:34Já sugeri que ele buscasse ajuda, que tentasse refazer a
- 2:37vida, mas nada muda muitas vezes.
- 2:40Se eu penso muitas vezes que se eu tivesse no lugar da minha
- 2:43mãe, eu teria pedido medida protetiva há muito tempo.
- 2:47Ela, no entanto. Isso que eu não faria isso
- 2:49porque ele não é violento, que não quer escândalos, que ele é o
- 2:52meu pai e por essas e por outras, acabo me afastando ainda
- 2:56mais e me esquecendo das coisas boas que já vivemos.
- 2:59Elisama eu preciso de uma luz, toma esse chá de coragem comigo.
- 3:03Como eu lido com esse muro entre mim e meu pai?
- 3:07Como eu me sinto menos? Sigo sem me sentir tão culpada.
- 3:10Com carinho, gente, os rótulos de pai e mãe.
- 3:18Ocupam muito espaço na nossa vida.
- 3:20A gente tem muitas expectativas sobre essas pessoas e por muito
- 3:25tempo a gente realmente não enxerga quem eles são para além
- 3:30dos papéis que eles desempenham na nossa vida.
- 3:33Então, dificilmente como filha, ali na sua infância,
- 3:38adolescência, você vai conseguir analisar quem teu pai é como
- 3:41marido. Porque o lugar que ele ocupa na
- 3:44tua vida, que você ocupa na família, te coloca para analisá
- 3:47lo como filho. Com filha, né?
- 3:49A gente olha para os nossos pais.
- 3:53Desse lugar de meu pai e minha mãe é quando eu falo de educação
- 3:59infantil, eu digo que é a coisa mais libertadora que a gente
- 4:02pode fazer para gente, para os nossos filhos.
- 4:04É jogar fora a forminha que a gente tem para eles.
- 4:07É entender que eu posso querer muito que meu filho seja uma
- 4:10Estrela do mar, mas se ele não for uma estrelinha do mar, não
- 4:15adianta tentar encaixá la na forminha estrelinha do mar.
- 4:17Eu vou fazê lo sofrer e sofrer. E tem um desafio enorme de jogar
- 4:22fora a caixinha da expectativa sobre os nossos pais e olhá Los
- 4:26para para além do rótulo de pai, do papel que desempenha na nossa
- 4:31vida, pai e mãe, primeiro ponto que eu trago para você é esse.
- 4:37Assim você não teria percebido antes e talvez perceber após o
- 4:43divórcio. Ter rasgado, como você falou,
- 4:46viu? Bem interessante você utilizar
- 4:48essa palavra, né? Assim rasgou, eu consigo.
- 4:50Agora, enxergar o meu pai faz com que você tenha um choque da
- 4:57expectativa, sabe? Como você destronar alguém?
- 5:00Era a pessoa que você sempre acreditou que era incrível, que
- 5:03era maravilhoso, que é um homem muito bom, e aí você descobre
- 5:08que não, ele é um homem falho. E aí você se pergunta, onde é
- 5:13que você tava que você não viu nada disso?
- 5:16E a nossa memória, gente? A nossa memória, ela tem uma
- 5:18característica muito interessante.
- 5:20A gente tá o tempo inteiro recontando as histórias que
- 5:23aconteceram com a gente. Toda vez que algo acontece, esse
- 5:27algo mexe com o nosso presente. Em regra, mexe com a nossa
- 5:31perspectiva de de futuro, mas também mexe com o que a gente
- 5:34fala sobre o passado. Então, se eu te conto hoje uma
- 5:38informação sobre algo que aconteceu com você há 15 anos.
- 5:43Você vai olhar para trás com a informação que você recebeu
- 5:48hoje, e aí você vai olhar e não vai mais contar a história como
- 5:51você contaria antes de eu te contar.
- 5:53Você vai contar essa história de um outro jeito.
- 5:55A gente está o tempo inteiro recontando as nossas memórias,
- 5:59revivendo o que a gente viveu, do lugar que a gente está.
- 6:02Nesse instante, tem um luto que você viveu.
- 6:08E precisa viver. Talvez você não não esteja vivo
- 6:11nesse luto aí, não ter vivido esse luto por inteiro, que é o
- 6:15dessa imagem, desse pai que era incrível, que foi o super pai,
- 6:21que foi o pai amoroso que você diz que foi embora assim, que
- 6:26você olhou para trás no dia que você viu sua mãe chorando e você
- 6:30começou a perceber, nossa, meu pai manipula meu pai, fala
- 6:33absurdos com ela, meu pai faz coisas que eu nunca admitiria
- 6:36que o homem fizesse comigo. Meu Deus, meu pai é essa pessoa
- 6:39terrível e você olha para trás e começa a enxergar coisas que
- 6:42você não enxergava. IA recontar o passado.
- 6:45Eu acho que talvez seja uma das maiores dificuldades quando a
- 6:47gente, sei lá, descobre uma traição.
- 6:50Se eu olho para o passado e pensar, será que tudo que eu
- 6:52vivi foi mentira? Será que tudo que a gente contou
- 6:55um para o outro foi mentira? Será que tudo que existiu entre
- 6:58os 2 foi mentira? Porque o que eu estou vendo
- 7:00agora nessa relação não condiz com o que a gente viveu e com
- 7:03quem eu era ali. Então, alguma coisa não está,
- 7:06alguma coisa está errada. Você há 8 anos, você diz que tem
- 7:098 anos que você descobriu. Você há 8 anos reconta os 32
- 7:13anos antes disso, há 8 anos, você olha pra tua história e
- 7:17fala, que que foi essa história? Quem é esse cara que eu não
- 7:21enxergava? E talvez vale a pena você
- 7:25analisar o quanto o quanto existe em você algum tipo de
- 7:32responsabilidade inconsciente. Por tua mãe ter suportado esse
- 7:38homem por por tanto tempo, porque você já estava casada,
- 7:42você já tinha filhos. E aí você descobriu tua mãe
- 7:49falando, não, eu só estou com ele por você.
- 7:52Quantas vezes você conseguiu olhar para trás e pensar quanto
- 7:54tempo ela ficou com ele por minha causa?
- 7:57Quantas vezes você acreditou no estou com ele e por você e
- 8:02quantas vezes você? Sem perceber desde que você
- 8:08descobriu, se culpou por não ter percebido antes e se perguntou,
- 8:13se eu tivesse percebido hoje, será que ela estaria fora desse
- 8:14relacionamento há mais tempo? Será que ela teria terminado com
- 8:18ele há mais tempo? Quantos anos eu impus, entre
- 8:22aspas, um sofrimento para minha mãe?
- 8:24E por que que eu tô te trazendo essa pergunta?
- 8:27Por que a nossa tendência como filhos?
- 8:31Desde muito novinhos. É a gente acreditar que sim, nós
- 8:35temos responsabilidade pelas coisas dos nossos pais.
- 8:37A gente ouve isso, a gente ouve. Eu só suportei isso por sua
- 8:41culpa. Eu só fiz isso com você porque
- 8:43eu te amo e aquilo é o que a sua mãe achou que você precisava,
- 8:47mas nunca foi o que você desejou para ela, o que você pediu para
- 8:50ela, o que você solicitou para ela?
- 8:52Logo, não é uma responsabilidade sua.
- 8:56Talvez olhando esse luto todo em relação ao teu pai, essa mágoa,
- 9:01esse muro que se levantou. Tem aí dentro de você uma culpa,
- 9:08não uma culpa pelo afastamento. Você fala, como é que eu lido
- 9:10com a culpa? Eles ama, dá nome pra essa
- 9:12culpa. A culpa é só pelo afastamento do
- 9:14seu pai ou você se sente culpa pelo afastamento do seu pai,
- 9:19pelo sofrimento da sua mãe, por nunca ter notado como é que você
- 9:23por todos anos foi enganada por este homem?
- 9:26Onde tem essa culpa? Chama ela, vai começar.
- 9:29Talvez seja o momento de sentar com essa culpa.
- 9:33Entendeu o que que ela tá te contando, o que que ela te fala
- 9:37sobre os seus sentimentos, sobre a tua relação com o teu pai.
- 9:41Não tô aqui nem falando da relação do teu pai e tua mãe.
- 9:44Agora, da tua relação com o teu pai, o que que essa culpa te
- 9:47conta, o quanto você sente responsável?
- 9:50Você me falou, Ah, eu já conversei com ele, já falei com
- 9:52ele que ele tem que seguir a vida, que ele tem que tentar de
- 9:55novo, mas não adianta o quanto você conseguiu falar de você
- 9:59para ele em algum momento. Vocês já conversaram?
- 10:02Você já conseguiu sentar com ele e falar da sua decepção como
- 10:06filha, tirar a tua mãe do cálculo e falar, eu queria
- 10:09contar para você como eu, como mulher, hoje enxergo tudo que
- 10:13você e minha mãe viveram e eu enxergo.
- 10:15Como é que eu enxergo o teu comportamento hoje, pai?
- 10:18E o quanto isso me atrapalha de te aceitar de coração aberto?
- 10:21Eu preciso conversar com você. E antes de falar sobre essa
- 10:25conversa, eu preciso dizer que você fala em um momento que se
- 10:29você fosse sua mãe, pediria medida protetiva.
- 10:31Eu não sei qual o comportamento do teu pai.
- 10:34E eu posso te dizer que muitos comportamentos violentos de
- 10:38homens permanecem, porque eles não tem nenhuma sanção social
- 10:42com os comportamentos deles. Quantos caras a gente sabe que
- 10:46são muito ruins, com as esposas, com as namoradas, com as filhas.
- 10:53Ah, mas eu quero gente boa, pô, ele é gente boa, ele é muito
- 10:57legal, ele é muito bacana. Nossa, ele é uma pessoa
- 11:00maravilhosa. Ele erra, ele erra, mas ele é
- 11:03bacana. Quantas vezes a gente aprendeu
- 11:06como sociedade Ah, passa pano, sabe pro cara que trai
- 11:12descaradamente? Ah, eles ama, mas é ninguém é de
- 11:15ninguém, é uma não tem obrigação, amor.
- 11:18Os acordos precisam ser respeitados, os acordos precisam
- 11:21ser respeitados. Se você tem um acordo com essa
- 11:24pessoa e você está ferindo esse acordo, não vai fazer na minha
- 11:27frente, porque eu não quero saber.
- 11:28Não vou sentar na mesa com você e cada de uma namorada, mas
- 11:31quantas vezes a gente conheceu, Ah, tem um amigo que te
- 11:34apresentou 10 namoradas e cada um achou que era super, que era
- 11:37oficial e que era namorada dele, que se dava super bem?
- 11:40Quantas vezes você viu cenas de ciúme, de briga?
- 11:45Quanta gente a gente. Quantas vezes a gente vê
- 11:46violência que não é o tapa, mas que são outros comportamentos
- 11:50violentos e a gente releva. E a gente finge que não tá
- 11:55vendo. Eu brinco que é a torta de
- 11:57climão, a gente não serve da torta de climão, tem hora que
- 11:59tudo que a gente precisa servir a torta de climão fala, cara,
- 12:02essa brincadeira não se faz não, tô só brincando, pois é, mas
- 12:05essa brincadeira não se faz não, pô, que isso?
- 12:07Desrespeitoso como sociedade. A gente passa muito pano pra
- 12:12homens violentos, a gente aceita os comportamentos dos homens e
- 12:16violentos como naturais e a gente faz um negócio.
- 12:21Tudo doido, quer separar, como se fosse possível falar, Ah, o
- 12:24cara é violento com ela, mas ele é um amigão, não, pô, ele é, ele
- 12:29faz essas coisas erradas assim com ela, ele trata ela assim,
- 12:32mas cara, esse cara é leal, é papa, toda outra obra, ponta
- 12:36firme, fala assim, não, não dá para separar, não dá para
- 12:40separar. Então eu não sei o que é que o
- 12:42teu pai fez, qual é o tipo de comportamento, mas se você olha
- 12:47e vê assim, eles amam um tipo de comportamento violento,
- 12:50inadmissível. Está tudo bem e você olhar e
- 12:53falar, cara, não, independente de ser meu pai ou não, não dá
- 12:58para separar a pessoa que faz isso de do meu pai, não dá.
- 13:03Eu não consigo separar. Ele é esse conjunto de coisas
- 13:06terríveis que eu estou vendo. Ele é ele agir, ele se comportar
- 13:10dessa forma terrível. E eu não quero lidar com essa
- 13:13pessoa fingindo que está tudo bem, sabe?
- 13:16Então em momento nenhum o que eu estou te falando aqui.
- 13:20É te impulsionando a perdoar o teu pai, a retomar uma relação
- 13:26de muito amor e de filha e a responder as mensagens dele com
- 13:30muito carinho. Em momento nenhum.
- 13:32Se você olha para os comportamentos dele e vê que é
- 13:35inadmissível, acabou. Eu não quero me relacionar com a
- 13:38pessoa que tem a capacidade de fazer isso, uma pessoa que age
- 13:42assim, tá tudo bem? Aí você lida consigo mesma e com
- 13:48a. A obrigação social de aceitar
- 13:51qualquer coisa porque é seu pai, porque a relação abusiva mais
- 13:55difícil da gente se afastar da relação com a família, né?
- 13:58Se eu chego para você e falo, nossa, o Isaac falou uns negócio
- 14:00terrível comigo, falou que morre de vergonha de mim, que eu só só
- 14:03faço merda, você vai falar eles ama, termina essa relação, cara,
- 14:06não dá para você continuar com o Isaac assim, mas se eu falo, foi
- 14:10meu pai que me falou isso. AI, pai, às vezes é difícil, né,
- 14:13menino? Pai, às vezes pai é assim mesmo,
- 14:16família. É muito mais difícil a gente
- 14:19romper com o pai e mãe, muito mais difícil.
- 14:23Mas se chega num ponto que você olha e fala, meu Deus do céu, o
- 14:25nível de violência dessa relação eu não tenho condição de de de
- 14:28presenciar. Tudo bem, você lidar com a culpa
- 14:32cristã, olhar para isso e falar, não, eu tenho direito de colocar
- 14:37um limite, de não ser conivente, de não sentar na mesa.
- 14:40Aqueles ditados de tem um racista na mesa?
- 14:45Fez uma piada racista, ninguém disse nada, temos.
- 14:47Tem 10 racistas na mesa, né? Tem 10 pessoas, um racista fazer
- 14:50uma piada, todo mundo ficou calada, temos 10 racistas na
- 14:52mesa. Se os outros 9 ficaram
- 14:54silenciados, ficaram em silêncio, temos 10 racistas na
- 14:56mesa. Então assim, às vezes você olha
- 14:58e fala, não vou compactuar com isso, tá tudo bem.
- 15:02Mas se você olhar para essa relação e entender que que não,
- 15:10não é isso, você, ele não tem esses comportamentos tão
- 15:14violentos assim. Ele não tem comportamentos
- 15:17violentos que você está vendo, é, sei lá, um cara manipulador,
- 15:22um cara que age de uma forma que você não gostaria que ele
- 15:24agisse, mas que você queria conversar com ele.
- 15:29Talvez seja o momento de você ser honesta com seus
- 15:31sentimentos, sabe? Você consegue te separar a tua,
- 15:37a filha da tua mãe, da mulher que está vendo as ações do teu
- 15:42pai e conversar com ele como pai.
- 15:45Eu preciso falar com você agora como mulher, o que eu observo
- 15:50como filha, a mágoa que eu tenho, eu me sinto traída, eu me
- 15:54percebo traída pelo comportamento que você tinha
- 15:58comigo, sendo que você agia com ela de outra forma.
- 16:00Como você foi capaz de ser falso a esse ponto?
- 16:03Caramba, teu coração e aquele zama não tá falando com um
- 16:06diquinho de não violência não, tá?
- 16:07A gente não fala ser falso, essas coisas, na não violência,
- 16:10pelo amor de Deus, mas o que eu tô te dizendo é que assim.
- 16:13Você pode abrir o teu coração. E eu falei, eu preciso conversar
- 16:15com você, porque eu só vou conseguir decidir que relação eu
- 16:20vou ter com você. Eu só vou conseguir decidir de
- 16:23que forma eu vou lidar com você, decidir de que forma a gente vai
- 16:26seguir daqui para frente, decidir se eu vou conseguir ou
- 16:28não responder as tuas mensagens, se eu começar com você e aí por
- 16:33isso que você foralizamos. Mas eu não quero conversar com
- 16:35ele. Eu não tenho energia para
- 16:37conversar com ele, gata, você me disse que ele te manda mensagem
- 16:42todos os dias. Mesmo que você não responda na
- 16:46hora que o seu celular brilha e que você vê a mensagem dele,
- 16:51isso mexe com moça, isso mexe com teu humor, isso Reviva toda
- 16:59a dor, revive toda dor e ansiedade que está dentro de
- 17:02você. Isso te magoa, isso te faz
- 17:06lembrar que está doendo, não dá para fugir, sabe?
- 17:14Não dá para fugir da tua história.
- 17:16Você vai precisar em algum momento sentar para nomear toda
- 17:21essa dor e sentar com ele para dentro desse de limites.
- 17:25São 8 anos e você ainda tem uma mágoa enorme e um muro enorme
- 17:30entre vocês. E mais uma vez você pode decidir
- 17:35que não vai abrir nenhuma janela, nenhuma ponte, nenhuma
- 17:38porta desse muro que ele vai ficar do outro lado e acabou.
- 17:42Você pode, você tem esse direito, você tem.
- 17:47Mas você pode decidir conversar e falar.
- 17:50Eu quero pensar em como que eu convivo com você, porque eu
- 17:55ainda te amo. Eu quero pensar em como que eu
- 17:59me relaciono com você. Mas para você se relacionar,
- 18:03precisa abrir espaço para os sentimentos que são difíceis de
- 18:07sentir, para mágoa. Sabe, você precisa falar do
- 18:11elefante da sala, você não vai conseguir começar com ele, se
- 18:16relacionar com ele, se entender ou não com ele.
- 18:19Sem falar do elefante da sala, você vai precisar conversar e
- 18:24não é conversar com pai, você tem que seguir sua vida.
- 18:26Esquece a minha mãe não é sobre sua mãe, é sobre você e ele é
- 18:32sobre o magro que você tem, é sobre a sensação de traição que
- 18:36talvez você tenha e talvez. Você precise perceber que a tua
- 18:44mãe não passou tanto tempo com ele por sua causa.
- 18:48Por mais que ela conte essa história para ela mesma, por
- 18:52mais que ela tenha decidido que isso seja o era o melhor para
- 18:55você e para ela, essa foi uma decisão dela.
- 18:59Não na menina que você foi, não na mulher que você é.
- 19:04Essa não é uma decisão que você pode arcar com as consequências.
- 19:10A gente como filho, como filha, a gente escuta muitas vezes que
- 19:15a gente é responsável pelo comportamento dos nossos pais e,
- 19:17caramba, a gente acredita e tem peso de carregar a
- 19:24responsabilidade, pela Felicidade, pela decisão, pela
- 19:27postura de um adulto que que Nenhum de Nós deveria carregar,
- 19:33que ninguém deveria suportar, sabe?
- 19:37Olha para essa culpa. Chama essa culpa para conversar
- 19:42em relação a tua mãe, em relação a ele e ficar em paz com a sua
- 19:49decisão não quer dizer que ela não vai doer.
- 19:50Essa é uma história que deixa marcas doloridíssimas.
- 19:57Independente de como você quer lidar com ela, sabe?
- 20:01Não tem caminho fácil, gata. Não vai ter um caminho simples.
- 20:07Não vai ter um caminho que vai se resolver no face de mágicas,
- 20:13a tua história tem essa marca, essa dor, essa tristeza aí como
- 20:18você vai lidar com ela? Aí você pode escolher, mas
- 20:22escolher apagar a parte dessa história você não consegue não,
- 20:25tá? Te desejo boas conversas por aí.
- 20:29É isso, amor, se você quer o meu pitaco na tua história e a manda
- 20:33o teu e-mail, a descrição do e-mail tá aqui embaixo, tá?
- 20:37Mando e-mail, que eu dava pitaco até o próximo chá.