Latest / Peças Raras - Você em sintonia com o rádio / #376 Especial COP30 - Cidadania nas ondas do rádio e na podosfera
Transcript
- 0:02Você tem sintonia com rádio? Olá, tudo bem?
- 0:09Eu sou o Marcelo abud, seu podcaster radiofônico, e estou
- 0:14de volta com nossas peças raras. Começou no dia 10 e segue pelo
- 0:20menos até o dia 21 de novembro deste ano de 2025, a cop 30.
- 0:26A conferência sobre mudança climática é o maior evento
- 0:29global das Nações Unidas para discutir e promover negociações
- 0:33intergovernamentais a respeito do assunto.
- 0:36E eu aproveito esse momento em que Belém do Pará é a capital do
- 0:40mundo, com suas belezas e contradições, que têm sido
- 0:43acompanhadas pelos mais diversos veículos de comunicação, para
- 0:47trazer alguns temas que estão ligados às discussões que
- 0:51acontecem na cop 30. Você vai acompanhar nesta edição
- 0:55especial 2 episódios realizados por mim para o podcast do
- 1:00instituto claro, em que produzi áudios por mais de 12 anos.
- 1:05Um deles é a matéria que fiz em 2023 com a importante
- 1:10representante da música popular originária mpo, nascida em
- 1:14Mirinzal, no estado do Maranhão, e moradora do complexo da maré,
- 1:19cai guajajara. Ela usa a música como arte
- 1:23anticolonial para lutar pelos direitos dos povos originários.
- 1:29Outro assunto em pauta que colocamos no podcast de
- 1:33cidadania do instituto claro e que você vai ouvir aqui é o
- 1:36racismo oceânico, que mostra que as tragédias causadas pelo
- 1:41aquecimento dos oceanos atingem mais a quem está à margem da
- 1:46sociedade. Quem nos explica como isso
- 1:48acontece é o professor do instituto oceanográfico da
- 1:52Universidade de São Paulo USP, Alexander turra.
- 1:56E entre um ao de outro, entre a luta dos povos originários e os
- 2:00eventos climáticos extremos, vamos relembrar a campanha pela
- 2:05despoluição do Rio Tietê, que fez com que a Rádio Eldorado,
- 2:09quando comandada por João Lara Mesquita, ficasse conhecida como
- 2:13uma emissora cidadã. Para CAE guajajara, além de uma
- 2:21expressão artística, a música é também uma forma de resistir e
- 2:25se manifestar em favor das pautas dos povos originários.
- 2:29Acompanhe este episódio que gravei com ela em 2023, quando a
- 2:33artista estava lançando o seu segundo álbum.
- 2:37Meu nome é CAE guajajara, eu sou cantora, arte educadora,
- 2:42escritora e estou aí. Fazendo, né?
- 2:45Um Monte de expressões dentro da arte para que seja passado a
- 2:50mensagem de que os povos originários estão vivos e
- 2:53resistindo a cada avanço da colonização nesses últimos
- 2:59tempos e continuamos resistindo com a nossa cultura, com a nossa
- 3:03língua e juntando tudo isso para poder reafirmar a nossa
- 3:08existência. Claro cidadania, representante
- 3:30da música popular originária. Kaegua jajara nasceu em
- 3:34mirinsal, no Maranhão. Ainda a criança muda se para o
- 3:38complexo de favelas da maré, no Rio de Janeiro.
- 3:41Na luta por sobrevivência, a artista faz de sua música uma
- 3:46forma de luta contra o racismo indígena.
- 3:49É aquela violência que nós, indígenas, sofremos.
- 3:53Por conta da nossa cultura e quando na cidade, muito pelo que
- 3:58a gente está carregando, né? Na nossa identidade.
- 4:01E temos muitos corpos aí também racializados que vão sofrer por
- 4:05estarem dentro do estereótipo que Oo brasileiro acredita de
- 4:09ser um indígena. Tudo isso se resume, né?
- 4:12Como um racismo indígena, que é toda essa violência que atinge
- 4:15nós, indígenas, independentes, se a gente está na aldeia, na
- 4:18cidade ou em qualquer outro lugar?
- 4:28Utilizar a arte para resistir é usar dos elementos e
- 4:33sonoridades. Para estar pautando uma
- 4:36existência que a colonização dá como morta.
- 4:39Como que não existe, né? Então, quando eu canto vivências
- 4:44de uma pessoa indígena, reexistindo na cidade, na
- 4:48favela, eu torno isso existente para os ouvidos que estão
- 4:52escutando. CAE guajajara explica por que
- 4:55chamar indígenas de índios tem uma origem racista.
- 4:58Nós temos a nossa diversidade, meu povo é guajajara e aí vai
- 5:02ter o povo pataxó, então essas pessoas indígenas.
- 5:05Vieram de um povo, elas são guajajaras, são pataxópio, elas
- 5:10não são índio, sabe? E esse nome ele foi dado pelo
- 5:13colonizador quando chegaram aqui no Brasil, né?
- 5:16Na pindoreta que era, né? E quando olharam, achavam que
- 5:21estavam na Índia, né? Então eles falaram assim, Ah,
- 5:24índio, para generalizar, para dissolver toda a nossa
- 5:27diversidade, chamamos de pardos para embranquecer, enfraquecer e
- 5:32desestruturar. Você pra não saber de onde veio.
- 5:40E aí outra palavra é tribo, porque tribo remete a uma coisa
- 5:46do passado, uma coisa arcaica, né?
- 5:48Assim, tecnologias e os povos indígenas têm muitas tecnologias
- 5:53principalmente pra ensinar pros não indígenas.
- 5:55Então o ideal é que fale comunidades, aldeias, pra se
- 5:59referir aos territórios desses povos.
- 6:02O certo é falar indígena pra falar.
- 6:04Assim, o mais próximo, né? Do respeito, mas o ideal mesmo é
- 6:08remeter a cada pessoa pelo seu povo, pelo seu nome, e não sair
- 6:14reproduzindo muitas coisas que não nos representam, né?
- 6:31Outra forma racista de agir, né? Assim com os povos originais, é
- 6:35também a deslegitimação, dependendo do território que a
- 6:39gente está. Por exemplo, se uma pessoa
- 6:41indígena, ela está na cidade, ela vai sofrer a deslegitimação
- 6:46das pessoas ao redor dela, porque vão dizer que a gente
- 6:48está fantasiado, questionar, né, o que que a gente está fazendo
- 6:51ali? E não questiona o que que a
- 6:53cidade está fazendo ali, mas as pessoas esqueceram completamente
- 6:57que esse território é indígena, ele.
- 6:58Ele está roubado, então a gente fica ali, é olha e já pergunta,
- 7:03nossa, mas você é índio de verdade, por quê?
- 7:05Porque já automaticamente pensa Oo indígena, ele tem que vir da
- 7:10aldeia e tem que viver de tal forma, e se ele não estiver
- 7:14aparecendo dentro da forma que Eu Acredito que seja uma pessoa
- 7:17indígena, então ele não é essa rua, essa rua, ela é minha, ela
- 7:22refloresta e vou um dia retomar. É todo povo, todo povo dessa
- 7:27Terra. É outra vez.
- 7:32Eu tava numa rua assim, bebendo tipo um Guaraná natural, né?
- 7:36E aí uma criança parou pra mim, não sei, ele devia ter uns 89
- 7:40anos. E aí falou assim, nossa tia, mas
- 7:43você é Índia e tá bebendo Guaraná natural.
- 7:49Enquanto criança ainda, ele já pensa de por conta da minha
- 7:53identidade, não posso estar bebendo ou comendo alguma coisa
- 7:56específica, sabe? Enquanto todos os outros seres
- 8:00humanos. Normal, né?
- 8:01É, é importante a gente quebrar um pouco desse estereótipo, né,
- 8:06dessa imagem congelada de 1500, que a gente acredita que é o
- 8:11indígena. Hoje em dia é bom a gente sempre
- 8:13relembrar que nós estamos e continuamos, né?
- 8:16Sendo atingidos por muita. As violências da colonização e
- 8:21hoje em dia a gente vive as consequências dessa violência.
- 8:24Para a artista, a melhor forma de eliminar os preconceitos é
- 8:28perguntando para a própria pessoa indígena quando surgir
- 8:31uma dúvida. Ela lamenta que essa educação
- 8:34normalmente não é ensinada nas escolas.
- 8:36Muitas delas reproduzem justamente o que a colonização
- 8:40quer comunicar, que eles são vitoriosos, que o Brasil não foi
- 8:44invadido, que ele foi conquistado.
- 8:47São narrativas feitas para. Pagar as existências indígenas e
- 8:52a resistência, né? Até aqui agora.
- 8:54CAE guajajara está lançando o seu segundo disco, zari Tatá.
- 8:59E significa Estrela em Zé gueté, idioma falado pelo povo
- 9:03guajajara. No novo álbum, a cantora traz
- 9:06músicas que vão além da mera sobrevivência.
- 9:08As composições falam sobre o futuro a partir das mudanças no
- 9:12presente. Chegou e está mais na hora do
- 9:15que a gente pautar a autoestima e saúde mental dos povos
- 9:19originários e como que a gente está, depois de muitos anos de
- 9:23colonização, sendo atingidos dessa forma por muitas
- 9:26violências? Esse álbum ele vem trazendo
- 9:28essa. Uma perspetiva olhar para os
- 9:31povos originários com autoestima, falando de?
- 9:41Um. Bem viver realmente.
- 9:51CAE guajajara acredita na música como ferramenta educativa e de
- 9:55resistência e luta contra o silenciamento dos povos
- 9:59originários. Marcelo abud, para o podcast de
- 10:07cidadania do instituto claro. Depois de um dos episódios do
- 10:19podcast do instituto claro, produzido por mim entre dezembro
- 10:23de 2011 a julho de 2024, vamos entender um dos motivos que
- 10:29levaram a Eldorado de São Paulo a ser reconhecida como a Rádio
- 10:34Cidadã. Dirigida por João Lara Mesquita
- 10:37entre os anos de 1982 e 2003, no início dos anos 90, a emissora é
- 10:42pioneira na campanha pela despoluição do Rio Tietê.
- 10:44Você vai entender como isso acontece nesta entrevista de
- 10:48João Lara em 2008, quando Eldorado estava celebrando 50
- 10:52anos de existência. Acompanhe.
- 11:09Você ouve ZYK 686 Rádio Eldorado AM 700 quiloreais FM 92,9
- 11:19emissoras do grupo estado transmitindo dos estúdios no
- 11:23bairro do limão. Panorama Eldorado informação,
- 11:31lazer e comportamento bom, você que é nosso ouvinte
- 11:52aqui, principalmente do Panorama Eldorado, sabe que nós
- 11:54compartilhamos todos os momentos.
- 11:57Especiais da emissora que está completando 50 anos agora em
- 12:022008. E que bom motivo para
- 12:04conversarmos com João Lara Mesquita, diretor da rádio entre
- 12:0882 e 2003 e que está lançando o livro Eldorado, a Rádio Cidadã,
- 12:14pela editora terceiro nome. Inclusive, o livro é finalista
- 12:18do prêmio Jabuti. Tudo bom, João Lara?
- 12:21Como você é músico de formação, né?
- 12:23Além de jornalista, eu estou te oferecendo nessa manhã o Lago
- 12:27dos cisnes. Gosta de choikovsky?
- 12:30Gosto. Agora conta pra gente, o livro
- 12:32tem muito humor, né? É porque você escreveu este
- 12:35livro. Não, porque a história é muito
- 12:37peculiar, né? A história que que a gente teve
- 12:40com a rádio, no momento que a gente chegou, especialmente a
- 12:44reação das pessoas, da equipe, foi extremamente peculiar.
- 12:49Interessante e diferente. Eu achei que valia a pena
- 12:53registrar isso, especialmente em nome das pessoas que trabalharam
- 12:57comigo durante tanto tempo. É que são a maioria delas
- 13:00anônimas, afinal, só aparece uma rádio as pessoas que falam
- 13:05através do microfone ou diretor. Figuras assim emblemáticas, a
- 13:10grande maioria aqueles que nos dão sustentação, os operadores
- 13:14de áudio, os motoristas, os auxiliares, os relatores.
- 13:17Esses coisas nunca aparecem. Então eu achei que eu eu tinha
- 13:21uma obrigação com eles. É de contar a história deles.
- 13:24EE mostrar um pouco o que eles fizeram, foi foi isso que que
- 13:28gerou o livro. É, afinal de contas, uma
- 13:30emissora de rádio não se faça de microfones e transmissores, né?
- 13:33É claro. Agora.
- 13:35Esse livro também sai é em função dos 50 anos da rádio
- 13:39Dourado. Não, não é não.
- 13:41Não tem muito a ver, apenas uma coincidência, mas que é mais um
- 13:45motivo. É que que justifica o livro.
- 13:48Mas não foi por isso. O motivo principal foi o que eu
- 13:51te contei? É casualmente.
- 13:54Esse ano a rádio ainda completa 50 anos, o que tornou a coisa
- 13:58ainda mais tem mais a ver com, né?
- 14:02Mas não foi o motivo principal. E fazia tempo que você já é
- 14:05esperava escrever este livro, lançar este livro, Giovana?
- 14:09Olha, eu eu comecei a escrever esse livro quando eu ainda
- 14:12estava na área dos novo. No último ano meu, que eu
- 14:16comecei a escrever, depois eu esqueci dele.
- 14:19Eu simplesmente fui fazer outras coisas.
- 14:22Fui fazer os trabalhos que eu fiz pela televisão.
- 14:26Depois lancei o livro o Mars infin do Brasil, visto o Mars
- 14:30infin. Esse sim, na verdade, foi
- 14:32indicado ao prêmio Jabuti. E depois disso é que eu lembrei
- 14:39que eu que eu tava com é a história do Eldorado quase toda
- 14:43pronta. No meu computador.
- 14:46E aí eu conversei com a marilu e falei, olha, você gostou do
- 14:49texto do Brasil visto do mar sem fim?
- 14:52Eu acho muito melhor o livro do Eldorado, que eu acabei relendo
- 14:57e nem lembrava mais dele. Tava no meu computador e eu reli
- 15:00e gostaria que você desse mais piada e mandei OCD com com o
- 15:03texto Pra Ela e ela leu e adorou.
- 15:06E foi aí 70% do livro tava pronto, faltava 30% só.
- 15:10Foi o que eu fiz nesse nesses últimos 23 meses eu completei
- 15:14EE, aí resolvemos lançar. É às vezes lendo o livro João, a
- 15:19gente percebe um tom confessional.
- 15:21Essa é sua característica. Não.
- 15:23Ali eu tinha que fazer isso, né? É?
- 15:26Afinal, eu tava contando a história de algo que eu fiz,
- 15:31então não tinha muito como fugir disso.
- 15:33Não sei. Não sei se é.
- 15:34Sem minha característica ou não, mas acabou sendo o tom do livro,
- 15:37sem dúvida. E como é que você recebe?
- 15:40Então essa notícia recebeu, né? Da de um dos finalistas aí do
- 15:43prêmio Jabuti. Deste ano com esse.
- 15:46Livro muito, muito satisfeito, afinal, o primeiro livro que eu
- 15:49lanço já recebe uma indicação do prêmio Jabuti, que é um dos mais
- 15:53importantes aí da indústria editorial do Brasil.
- 15:57Eu fiquei super contente, uma surpresa.
- 16:01Boa, né? Vamos torcer, claro, com
- 16:03certeza. Antes da gente falar sobre as
- 16:05contribuições, né? A rádio dourada é uma Rádio
- 16:07Cidadã, da gente falar das contribuições.
- 16:10Tá Eldorado para o não só para São Paulo, mas para o Brasil.
- 16:14E também digo até para o mundo, né?
- 16:16Eu te apresentei como músico. Jornalista, né?
- 16:20Músico de formação, jornalista. Como é que foi essa transição só
- 16:23para os nossos ouvintes entenderem da música, para o
- 16:25jornalismo? Claro que a música você nunca
- 16:27deixou, mas como é que foi essa passagem?
- 16:30É também acho que que nunca deixei o jornalismo, afinal.
- 16:34Eu, eu nasci num no meio deles, né?
- 16:38A vida inteira é mesmo sem sem estar execendo.
- 16:43Eu, eu vivia um pouco daquilo, então, não sei.
- 16:47Eu acho que que de alguma forma estava estava mais ou menos no
- 16:51sangue e foi fácil ele brotar, ele sair para fora.
- 16:57É, acho. Que fica até difícil a gente
- 16:59numerar todas as campanhas as quais Eldorado participou, né?
- 17:03E se engajada assim, vamos lembrar alguma.
- 17:07João Lara, você esteve à frente, não é mesmo?
- 17:09Por exemplo, a despoluição do Rio Tietê.
- 17:11Conta um pouquinho para gente. Então, essa foi a campanha acho
- 17:15que talvez mais importante para a população de São Paulo,
- 17:19afinal. Foi a maior obra ou está sendo a
- 17:23maior obra de saneamento básico já feita no país, né?
- 17:27E tudo começou depois de um programa, né?
- 17:30Eldorado, que nós fizemos um programa para mostrar que era
- 17:33possível despoluir o Rio, que já havia um precedente.
- 17:37O precedente era o trâmisa e foi um programa bem bolado na época
- 17:42pelo Marco Antônio Gomes, que dirigia a relação da rádio.
- 17:45A ideia era. Simultaneamente, uma equipe
- 17:48navegava pelos treinos e contando como era o Rio.
- 17:51É antes do trabalho de poluição. Como ficou depois, ao mesmo
- 17:55tempo que uma equipe do Eldorado fazia o mesmo no malcheiroso
- 17:59Tietê. Fazemos uma pausa na entrevista
- 18:07de João Lara Mesquita para ouvir um trecho do programa espaço
- 18:12informal, de 1990, apresentado por Roseli Tardelli.
- 18:15É interessante notar como Eldorado valorizava a reportagem
- 18:19como uma linguagem essencial de sua programação.
- 18:23O áudio que você vai ouvir foi resgatado pelo jornalista Thiago
- 18:28uberreich e está na íntegra nos episódios. 74 e 75 do podcast
- 18:36memória Eldorado. Agora, 11 horas e 11 minutos.
- 18:41Em São Paulo. E o Marco Antônio?
- 18:42Sabino traz mais informações. Sobre o nosso Rio Tietê.
- 18:46Os moradores das cidades do trecho poluído do Tietê tem
- 18:49saudades dos Dourados e pintados que pulavam no Rio, mas quem foi
- 18:53que disse que os peixes abandonaram o Tietê para sempre?
- 18:56Depois das cidades de Salto, Porto Feliz, de onde saíam os
- 18:59Bandeirantes, e Tietê, a cidade que leva o nome do Rio, nós
- 19:02chegamos à cidade de Anhembi, de 5000 habitantes, onde eu comecei
- 19:06a encontrar gente que tira a sua sobrevivência do Tietê e ama o
- 19:10Rio. Dona Ju.
- 19:15Boa tarde, dona Júlia. Tudo bem, meu nome é?
- 19:17Marcos. Eu sou de?
- 19:18São Paulo, sou. Jornalista de São Paulo da radio
- 19:21Eldorado, de São Paulo, nós vamos fazer uma reportagem aqui.
- 19:24Sobre o Rio e me contaram que a senhora.
- 19:27Vive aqui do Rio, né? Seu marido é Pescador, não é
- 19:29isso? Dá pra chegar a ele, dá pra
- 19:32chegar aí. Eu tô tô sentindo o cheiro da
- 19:34comida que deve. Tá na hora do almoço, ele volta
- 19:36com a comida, tá cozendo feijão Pra Ele, tá certo?
- 19:43E a senhora viver do Rio? Pode ser dona?
- 19:45Pode. Então está certo.
- 19:47Pesca muito aqui. Eu sou marido da Pescador daqui
- 19:49a pouco. Tempo, você mora aqui a.
- 19:53Senhora, pode chegar um pouco mais perto, por favor, pra gente
- 19:55poder gravar? Mais 15 anos que ele mora aqui.
- 19:57Há 15 anos que mora aqui. A senhora veio de onde?
- 19:59Não, eu morava em Conchas. Morava em Conchas e veio pra cá,
- 20:03pra casa do Rio. É porque ele é Pescador, né?
- 20:05Ele faz mais de 15 anos, mais de 20 anos, mais de 15 anos.
- 20:09Todo dia ele sai pra pescar. Todo dia, todo dia, de manhã
- 20:13cedo, que horas que ele? Sai.
- 20:17Ele sai ali pra 67 horas. 67 horas e que.
- 20:21Peixe pega e pega corimba, quiabo, a trailhas.
- 20:27O Rio? É melhor pra pesca, pro lado de
- 20:32Conchas, então? É o Rio, é tudo.
- 20:35É bom? É lá pro lado da represa.
- 20:36É bom também ou não os 2 lados? É bom pra pescar, pra pescar.
- 20:49Bom, nós já estamos navegando pelo Rio Tietê há quase 1 hora
- 20:52desde que saímos da cidade Anhembi.
- 20:53O Rio por aqui é calmo e Água Limpa.
- 20:55Segundo alguns, esse trecho aqui, onde nós estamos navegando
- 20:58até a Barra Bonita, é um dos mais bonitos do Tietê.
- 21:01Realmente por aqui, as margens ainda têm longos trechos, a
- 21:04vegetação preservada também não faltam pássaros, não quero,
- 21:07quero Martim, Pescador e até as Garças.
- 21:10Eu tive até impressão de ter visto há pouco uma arara-azul.
- 21:14Desde a cidade Anhembi, o Rio é totalmente sinalizado por pós.
- 21:18Nós estamos numa hidrovia. O Tietê é conhecido por ser a
- 21:21hidrovia do álcool, já que algum tempo está sendo utilizado para
- 21:25o transporte deste combustível, além da cana de açúcar in Natura
- 21:28e também de Areia. Transporte fluvial, como o que
- 21:31acontece nesse trecho aqui do Rio possível, até porque não há
- 21:35lixo na água, significa economia.
- 21:38O frete hidroviário custa pelo menos a metade do frete
- 21:41ferroviário e a terça parte do frete rodoviário.
- 21:44Quando totalmente terminada, segundo as previsões mais
- 21:46otimistas, no ano de 2005, a hidrovia no Tietê significará
- 21:50uma economia de 220000000 de litros de combustível por ano,
- 21:55ou seja, 100000000 de dólares de barris de petróleo. 9.
- 22:07Eldorado AMO serviço. Brasileiro da BBC de Londres.
- 22:09Eu passo o Remo pra você aí no thamis a Márcia.
- 22:12Acabamos de passar pela ponte de Londres a Londres.
- 22:16Antes disso, nós passamos por um barco veterano da Segunda Guerra
- 22:19Mundial e da Guerra da Coreia em 1009, que terminou em 1953.
- 22:22Trata se do é um barco museu que fica ancorado aqui no tamita.
- 22:26Antes nós estamos falando de da idade de ouvir aí no Tietê.
- 22:30Roseli, então agora eu queria falar um pouquinho sobre a
- 22:33navegação aqui no tamita, o tamita tornou se navegável.
- 22:35Espera aí que o barco tá se movendo aqui?
- 22:41Tá com medo de cair, Márcia? Jornalista, é assim mesmo, pelo
- 22:48menos não são balas de revólveres, são só os copos
- 22:51voando por aqui. Enfim, Roseli, o thames se
- 22:54tornou navegável em 1624 com um pouquinho de dificuldade.
- 22:58Atualmente, os dados que nós temos aqui são do ano passado,
- 23:011989. No ano passado, 32626
- 23:02embarcações usaram o Porto de Londres.
- 23:09Transportando um total de 50200000 t de mercadorias, essas
- 23:15mercadorias, Roseli, incluem tudo, inclusive petróleo, óleo,
- 23:19gases liquefeito, produtos químicos e carvão.
- 23:22Pensando nisso, eu estou aqui mais um dos convidados da BBC
- 23:25aqui a bordo do Sidney hall é Richard outley.
- 23:28Da National River odor, o órgão que eu já mencionei antes do
- 23:31departamento nacional de rios, que controla a poluição.
- 23:35O Richard não fala português, mas o lado dele está sul branfo
- 23:37do serviço Latino americano da BBC, que vai ser a nossa
- 23:40tradutora intérprete simultânea. Eu vou perguntar para o Richard
- 23:44Richard would is good on the them is Boat haw Ken you keep at
- 23:48clean. O que eu estou perguntando para
- 23:52ele é, com todas essas mercadorias, produtos químicos,
- 23:55inclusive com esse volume de trânsito fluvial, como é que
- 23:58eles fazem para conservar o Rio limpo?
- 24:06Isso aí não ameaça o? Ele está dizendo que apesar do
- 24:16volume, de fato esses esses navios não criam grandes
- 24:20problemas, que quando o barco chega 1 o volume grande tem que
- 24:24tem que ser selado, não pode sair qualquer líquido do barco.
- 24:28Então desse jeito eles controlam a situação.
- 24:32Mas é possível realmente fiscalizar?
- 24:34Ou será que há algum barco que escapa da da fiscalização?
- 24:38Quem o really infors, descontrole ou Amin?
- 24:45Ele está dizendo que? De facto, é difícil fiscalizar e
- 24:57que os barcos pequenos podem acontecer de que de vez em
- 25:00quando ele joga em descritos no Rio, mas ele está achando que é
- 25:03um problema bastante menor, que não cria grandes problemas.
- 25:07Obrigado. Vamos.
- 25:30Cantar, então? João de baixo.
- 26:479. Eldorado, AMEO.
- 26:48Serviço. Brasileiro da BBC.
- 26:50De Londres juntos. Fazendo este programa especial.
- 26:52Em São Paulo, 11 horas, 41 minutos.
- 26:54E eu passo o Remo de novo. Para você aí no tamis, a Márcia.
- 26:58Hoje é 15 para as 4 da tarde aqui em Londres, nós acabamos de
- 27:00passar pela ponte de Roseli, eu estou vendo aqui, eu acho que é
- 27:03um anúncio para o circo do Sol, um balão enorme, parece assim 11
- 27:07árabe, vermelho e azul. Deve ter um, não sei, talvez a
- 27:10altura de uns 3 andares fazendo propaganda aqui para esse circo.
- 27:14O Marco Antônio Sabino estava falando das eclusas do Tietê e
- 27:16eu tenho umas informações aqui sobre a famosa barragem do rio
- 27:20Tâmisa, que é a maior barragem móvel do mundo, foi o projeto de
- 27:23engenharia mais caro já realizado aqui na Grã Bretanha.
- 27:26Ela começou a ser construída em 1975, foi completada em 82 e
- 27:29inaugurada em 84. Ela fica em shawton e custou
- 27:31mais ou −530 milhões de libras, ou seja, um mais ou −800 milhões
- 27:35de dólares. O Antônio guerra, geógrafo
- 27:37brasileiro que nós já ouvimos antes, está fazendo doutorado
- 27:40aqui na universidade de Londres. Antônio guerra como é que
- 27:42funciona a barragem do tamtam? Bom, ela funciona da seguinte.
- 27:48Maneira ela é. Comporta de 9 comportas que se
- 27:50fecha, se abrem. Uma vez.
- 27:52Por mês, a título de colocar a barragem em funcionamento.
- 27:55Além. Disso, a barragem é fechada
- 27:56quando há uma variação de maré muito.
- 27:57Abrupta, pra impedir que as. Águas do mar, caos, inundações.
- 28:01Em Londres e outras cidades menores ao longo do Rio, como
- 28:04aliás já aconteceu no? Passado.
- 28:06É, Londres sofre um problema de enchente.
- 28:08A primeira que foi registrada oficialmente foi em 1000, em 99.
- 28:12Isso aqui em 1237, isso é um fato interessante.
- 28:13Não sei se você sabe. Antônio, Ah.
- 28:14O Palácio de um SMS ficou submerso e advogados tiveram de
- 28:17remar nos corredores de UFMS. Não não sabia disso por causa,
- 28:20por causa de incêndio. E finalmente, nós chegamos a Foz
- 28:27do Tietê, a 1100 km da cidade de Salesópolis, onde o Rio nasce
- 28:30por aqui, neste ponto em que o Tietê deságua no Rio Paraná, a
- 28:34apenas 5 minutos de barco da cidade de Itapura, as águas são
- 28:38tão claras, mas tão claras que é possível se enxergar as.
- 28:42As algas do fundo na margem esquerda, uma mata densa.
- 28:45Na margem direita há um bonito pasto enfeitado como solitário,
- 28:49florido e PE roxo. Aqui termina a nossa viagem pelo
- 28:54Rio Tietê, mas a campanha da nova dorava m está apenas
- 28:57começando. Nós não queremos ser como aquele
- 29:00hiper roxo solitário da margem direita.
- 29:03O caminho para a recuperação do Tietê é tão difícil quanto andar
- 29:07nesta mata fechada da margem esquerda, mas é possível.
- 29:10Junte se a nós vamos salvar o Rio Tietê.
- 29:17E a ideia era mostrar que era possível reverter a situação do
- 29:21Tietê desde que houvesse vontade política.
- 29:24E para isso era preciso que a população de São Paulo agisse,
- 29:28né? Os governos só agem é empurrados
- 29:31pela força da opinião pública. Isso não.
- 29:34Não tem outro jeito. E a ideia então era essa,
- 29:37plantar essa semente. E aconteceu que foi um furacão.
- 29:41Nem bem o programa terminou, saiu do ar e a população
- 29:45Paulista já estava exigindo a despoluição.
- 29:50Daí para frente foi um passo. Nós fundamos o núcleo união pela
- 29:54tp, vinculado ASOS mata Atlântica, para cuidar desse
- 29:59assunto. Durante todos os anos que eu
- 30:01estive na Rádio Eldorado, funcionava como uma.
- 30:05A voz da campanha é e citando a opinião pública e provocando o
- 30:11governo, cobrando ações do governo.
- 30:14E quando a gente teve a sorte de ter um governador Sério no
- 30:17período que era o Mário Covas, isso o resultado foi que de lá
- 30:21para cá. O projeto Tietê começou 2
- 30:24bilhões de dólares já foram investidos.
- 30:26Como existe a maior obra de saneamento básico já feita nesse
- 30:29país, muitos bilhões de dólares ainda terão que chegar, mas se a
- 30:33população continuar vigilante e exigindo.
- 30:36Eu não tenho dúvida que o projeto vai continuar.
- 30:41João Lara Mesquita reforça o papel da Eldorado na campanha
- 30:45pela despoluição do Rio Tietê em palestra na USP em 2013.
- 30:51Este depoimento é mais um que está no podcast memória
- 30:55Eldorado, organizado pelo Thiago uberreich.
- 30:58Nele, João Lara também fala sobre o projeto ao qual passa a
- 31:02se dedicar a partir da saída da Eldorado, em 2000, e.
- 31:06E 3. E foi lá que eu me engajei na
- 31:11causa ambiental. Ainda nos anos 80.
- 31:15Esse assunto era muito incipiente e só de vez em quando
- 31:18ocupava as linhas dos jornais. Quase nunca nas rádios, né?
- 31:21E eu fazia questão de trazer esses assuntos para dentro da
- 31:25emissora, porque eu sabia da importância deles.
- 31:27Então eu trazia discussão, chamava as ONGs que estavam
- 31:30pleiteando isso ou aquilo e acabei aprendendo com esse
- 31:33pessoal a ponto de. Por uma série de questões,
- 31:38acabar lançando a campanha, pelo pela despoluição do Rio Tietê.
- 31:42Quem lançou fomos nós mesmos, Eldorado, depois de um programa
- 31:45que a gente fez, que deu tamanha repercussão.
- 31:47O programa era apenas para mostrar para as pessoas que a
- 31:51opinião pública, quando é quando quer, se faz ouvida.
- 31:54E o exemplo era o rio Tâmisa de Londres.
- 31:56Nós fizemos um programa junto com ABBC enquanto um barco
- 32:00descia o tamisa. É em Londres, 11 barco nosso,
- 32:05percorrio Tietê e ambos iam se falando e descrevendo a situação
- 32:09do Rio EE. Ficou bem claro é que o poder
- 32:13público inglês só passou a agir no Thanos e depois que os
- 32:15cidadãos não estavam aguentando mais o cheiro fértil do Rio,
- 32:18começaram a reclamar. O governo inglês foi lá, fez o
- 32:21que tinha que fazer e hoje, como se sabe, você pesca salmão No No
- 32:26no Rio. A nossa intenção era só mostrar
- 32:29a força da opinião pública, mas esse programa gerou uma reação
- 32:31de tal forma grande que eu fui obrigado AA parar o meu
- 32:35trabalho, procurar uma ONG na época SOS mata Atlântica e pedir
- 32:38ajuda para eles, porque eu não não sei nada de despoluição do
- 32:42Rio EE. Sabia apenas que eu devia tentar
- 32:45canalizar aquela força para o bem.
- 32:47Resumindo a história, ASOS fundou um núcleo Neon pró Tietê
- 32:51debaixo do guarda chuva da da própria ONG.
- 32:53Contratou especialistas e eu na rádio apenas.
- 32:57Ajudava fazendo com que a opinião pública se manifestasse
- 33:01na rádio, pudesse trabalhar e acompanhar o que o que era feito
- 33:04na pra despoluir o Rio. Essa foi uma das obras, uma das
- 33:07obras de de saneamento básico mais caras já feitas no Brasil e
- 33:13ainda continua até hoje já foram investidos mais de 2 bilhões de
- 33:15dólares. É óbvio que a gente nunca vai
- 33:17pescassar um Monte Tietê, até porque o Rio tem outra dinâmica,
- 33:22né? OOO thames é o Rio que deságua
- 33:24no mar. É mais fácil se despoluir um Rio
- 33:26assim. Que é lavado todo dia pelas
- 33:28marés. O Tietê, o contrário, nasce na
- 33:30Serra e vai pro interior. Mesmo assim, De Lá Pra Cá já
- 33:32melhorou muito. Muitas cidades ao longo do Rio,
- 33:35onde em 1990 não tinha pesca ou a pesca tava morta, voltaram a
- 33:39pescar um sinal de que o Rio tá revivendo.
- 33:41Bom, quando eu saí do eldorada em 2013, eu tenho paixão pelo
- 33:44mar e por navegação. E percebia também o
- 33:46desconhecimento brutal dos brasileiros pra importância do
- 33:48mar como ecossistema marítimo. A importância de você ocupar bem
- 33:55a Costa brasileira. Eu ficava horrorizada.
- 33:56Eu tive o privilégio de navegar pela Costa brasileira desde os
- 34:00anos 60. Eu peguei o litoral de Rio e São
- 34:03Paulo ainda totalmente desocupado antes da BR 101 e
- 34:07fiquei horrorizado com a rapidez com que ele foi ocupado e mal
- 34:12ocupado. Depois da abertura dessa dessa
- 34:14estrada, isso começou a chamar minha atenção, eu percebi.
- 34:17Que as pessoas ignoram solenemente o mar, a maioria dos
- 34:20brasileiros. E não é só um fenômeno
- 34:22brasileiro, no mundo inteiro é assim, a maioria deles se
- 34:25relaciona mar a espaço de lazer. Mar pra pra 90% das pessoas é
- 34:30praia, fim de semana, cerveja, biquíni, et cetera, quando na
- 34:34verdade é muito mais do que isso.
- 34:35Então, quando eu saí da Eldorado em 2003, eu resolvi aliar meu
- 34:40meu prazer com com o trabalho e propus então fazer uma série de
- 34:44documentários para TV Cultura. Mostrando como como como anda a
- 34:48ocupação da Costa brasileira? No depoimento de João Lara
- 34:58Mesquita, ele fala sobre a expedição mar sem fim, que rende
- 35:02livros e um programa exibido pela TV Cultura a partir da
- 35:05viagem pela Costa brasileira, realizada pelo jornalista entre
- 35:092005 e 2007. E quem também tem o olhar
- 35:13voltado para o mar sem fim é o professor.
- 35:16Sensor do instituto oceanográfico da Universidade de
- 35:19São Paulo Alexander turra. Em junho de 2023, eu gravei com
- 35:24ele um episódio sobre os efeitos do aumento da temperatura dos
- 35:28oceanos, que tem origem na emissão de gases do efeito
- 35:31estufa e impactam na maior parte das vezes, pessoas que moram nas
- 35:36periferias e de forma precária. Neste áudio, ele explica porque
- 35:41isso caracteriza o que é chamado de racismo oceânico.
- 35:51Instituto claro cidadania tempestades, inundações,
- 35:59enchentes. Esses são alguns dos efeitos do
- 36:02aquecimento dos oceanos. Essas tragédias associadas às
- 36:07mudanças climáticas atingem, na maior parte das vezes, a
- 36:11população que mora nas periferias e em condições
- 36:13precárias. O professor do instituto
- 36:16oceanográfico da Universidade de São Paulo USP, Alexander turra,
- 36:21explica como se dá o racismo oceânico.
- 36:25Racismo oceânico é um tema muito importante porque ele revela o
- 36:31efeito das crises ambientais sobre parcelas da população mais
- 36:36vulneráveis, que normalmente são as mais pobres e normalmente são
- 36:40compostas por pessoas pardas e pretas.
- 36:43Né? E é por isso que a gente usa o
- 36:44termo racismo. E isso vem também da ideia de um
- 36:48racismo estruturado, que cria essas bolsões de pobreza, de
- 36:53marginalização social. Historicamente, ele é um
- 36:57fenômeno que só tende a se intensificar.
- 37:01E ele só vai mudar a sua tendência quando a gente
- 37:03conseguir efetivamente mitigar o problema das emissões de gases
- 37:08do efeito estufa, na medida em que a gente atenuar o efeito
- 37:11estufa. E aí sim.
- 37:13A gente vai ter a diminuição da temperatura da atmosfera e aí
- 37:16sim a diminuição da temperatura do oceano, ou seja, um processo
- 37:19que vai demorar muito tempo, diria há décadas para acontecer,
- 37:23se a gente parar agora ou reduzir imensamente as emissões
- 37:27de gases do efeito. Estufa o biólogo traz um exemplo
- 37:31de como esse racismo oceânico acontece na prática.
- 37:35Quando a gente vê um fenômeno como esse registrado em São
- 37:38Sebastião, litoral norte de São Paulo, e você contabiliza as
- 37:42pessoas que morrem? Eram, você vai ver que estavam
- 37:44em áreas de risco, eram pessoas vulneráveis e predominantemente
- 37:48pardas e pretas. Então, a gente tem aí um
- 37:51fenômeno de pobreza e má distribuição de renda que coloca
- 37:55um contingente muito grande de pessoas sob um risco maior de
- 38:00sofrer os efeitos das crises ambientais.
- 38:03E a gente inclui nessas crises a crise da mudança do clima, das
- 38:06mudanças globais. Então nós temos aí Oo que a
- 38:10gente também tem chamado de racismo oceânico.
- 38:13Quando a gente tem esses fenômenos associados a aspectos
- 38:17derivados de fenômenos oceanográficos, é um pouco isso
- 38:22que a gente tem trazido para revelar e enfatizar que há uma
- 38:27injustiça ambiental e uma injustiça social que estão
- 38:30acopladas e que são historicamente construídas e que
- 38:34a gente precisa combater veementemente e imediatamente
- 38:38para que isso deixe de acontecer.
- 38:41O racismo oceânico também acontece quando algumas pessoas
- 38:44têm mais dificuldade do que outras para ter acesso ao mar.
- 38:48Conversando com jovens lideranças que moram nas
- 38:51periferias de São Paulo e do Rio de Janeiro, esse fenômeno também
- 38:55fica bastante evidente. Capacidade que na zona leste de
- 38:59São Paulo a Juventude tem, por exemplo, de ir visitar o oceano,
- 39:04de estar próximo ao oceano, de ter momentos de lazer ou mesmo,
- 39:08né, de de esportes relacionados ao oceano.
- 39:11Né? E essa é uma realidade pouco
- 39:13comum, assim como com Juventude, né?
- 39:16Lideranças comunitárias na favela da maré, no Rio de
- 39:19Janeiro a gente tem ali na favela da maré, inserida na baía
- 39:23de Guanabara, porém muito distante da orla marítima, que
- 39:28acaba sendo o local possível de se acessar o oceano.
- 39:32Então as pessoas também estão distantes do mar e essa
- 39:34distância ela é proporcional a né?
- 39:38Ao poder aquisitivo e isso está associado.
- 39:40A cor, né? A raça.
- 39:42E isso configura uma outra forma de ver esse racismo oceânico.
- 39:47Turre. Explica que esse distanciamento
- 39:49entre grupos sociais mais vulneráveis e o mar afasta a
- 39:53possibilidade de se ampliar a cultura oceânica.
- 39:56Que é o entendimento pelas pessoas, a importância do oceano
- 40:01na vida delas, mesmo morando longe do mar, e também da
- 40:04importância das atividades dessas pessoas, das atitudes,
- 40:07das escolhas dessas pessoas em relação a.
- 40:10Ao que elas acabam causando direta e indiretamente no
- 40:14ambiente Marinho. Um exemplo é o lixo que é gerado
- 40:17muitas vezes longe do mar e que vai chegar no mar a partir dos
- 40:21fios, porque tudo está conectado.
- 40:23Então é fundamental que a gente entenda.
- 40:26Também, especialmente no caso do lixo, permite a gente usar como
- 40:29um exemplo bastante ilustrativo, que é que o lixo quando chega no
- 40:33mar, ele acaba sendo um problema assim, mas ele também é um
- 40:37sintoma de que tem algo errado acontecendo.
- 40:39O Rio Acima. Nas cidades, nos bairros, nas
- 40:42periferias e esse tipo de situação que é, a gente tem que
- 40:46mudar, porque não faz o menor sentido.
- 40:47O mar tá sem lixo, sendo que a raiz da questão, especialmente
- 40:51no Brasil e outros países parecidos com o Brasil, ela não
- 40:54é contornada, né? Então, outras pessoas me
- 40:56perguntam assim, Ah, como é que você faz para combater o lixo no
- 40:59mar, né? E eu falo, bom, é fácil, é
- 41:01combatendo a pobreza, né, se você combate a raiz.
- 41:04Então você resolve o problema do lixo no mar e uma série de
- 41:07outras coisas que, na verdade, dizem respeito a própria
- 41:11definição de humanidade, se a gente deseja se entender
- 41:13enquanto ser. Humano o especialista alerta que
- 41:16é preciso que toda a sociedade some forças para aumentar o grau
- 41:21de proteção sobre esses ambientes.
- 41:24E quanto antes a gente fizer, e quanto melhor a gente fizer,
- 41:27menos vidas a gente vai perder, menos propriedades a gente vai
- 41:31perder. E é por isso que a gente tem
- 41:33que, inclusive, se valer daquilo que a natureza nos dá, que são
- 41:38proteções naturais contra eventos climáticos e que a gente
- 41:43não construí em cima, por exemplo, da Restinga, não
- 41:46comprometa as dunas. E que a gente, especialmente,
- 41:49garanta que esses ambientes tenham condição de migrar em
- 41:53direção ao continente. Na medida em que o nível do mar
- 41:55vai subir, porque se a gente construir atrás desses
- 41:58ambientes, na medida em que o nível do mar sobe, a gente
- 42:01promove um fenômeno chamado estreitamento costeiro, que leva
- 42:05a perda desses ambientes e a perda de todos os benefícios que
- 42:08eles trazem para gente. Além do lazer, da recreação, da
- 42:11produção de alimentos, a gente vai perder a capacidade de
- 42:14proteção da linha de Costa. Se não houvesse a troca de calor
- 42:19com a superfície dos oceanos, a temperatura do planeta seria
- 42:24ainda maior. Por isso, é cada vez mais
- 42:28urgente a preservação desses ambientes como uma das formas de
- 42:32se diminuir os efeitos das mudanças climáticas.
- 42:36Marcelo abud, para o podcast de cidadania do instituto claro.
- 42:45E fica o convite para outras reflexões como essas que você
- 42:49acompanhou aqui neste episódio. O podcast do instituto claro
- 42:54está disponível nas principais plataformas de áudio.
- 42:58No Spotify, por exemplo, você consegue ouvir boa parte dos
- 43:01episódios que eu produzi ao longo de 12 anos.
- 43:04Aí para o instituto claro, tem muita coisa ali que vale a sua
- 43:08reflexão, tá bom? E durante esse período da
- 43:11produção para o instituto claro. As trilhas basicamente foram
- 43:15compostas pelo Reinaldo Bessa. E é com ele que eu vou terminar
- 43:19este nosso episódio aqui sobre a cop 30, com uma música gravada
- 43:24ao vivo no antigo villagio café. No CD com os dentes, o Bessa
- 43:30gravou é poesias, né? Musicadas por ele.
- 43:34E aqui nós temos a canção do exílio, a versão poética do
- 43:38Marcelo Alvarez. Para canção do exílio, musicada
- 43:42por Reinaldo Bessa, é o que eu convido você a ouvir antes de
- 43:48terminar este episódio. Minha Terra tinha.
- 43:52Palmeiras, onde vivia o Sabiá, as aves que longe gorjeiam não
- 43:57foram mortas como as de cá. Nosso céu tem mais fumaça.
- 44:03Nossas várzeas, caçadores, nossos bosques.
- 44:07Têm madeira? Para os móveis dos senhores.
- 44:18Minha Terra tinha Palmeiras, onde vivia o Sabiá.
- 44:27As aves que longe gorjeiam não foram mortas com AGK.
- 44:35Nosso céu tem mais fumaça, nossos bosques têm madeira.
- 44:46Para os móveis dos senhores em cismar sozinho à noite, não me
- 44:55ponho a cismar se minha Terra tem Palmeiras ou se ainda temos
- 45:03o sabia, minha Terra tem primores.
- 45:10Estão em algum cartão postal em cismar sozinho à noite?
- 45:17Não me ponho a cismar se a Palmeira virou cinzas junto com
- 45:25o sabia se a Palmeira virou cinzas?
- 45:38Não permita Deus que eu morra sem que veja isso mudar não
- 45:46permita Deus que eu cisme que a Palmeira virou troco e sabia que
- 45:54doce roco por não ter para quem cantar que a Palmeira virou
- 46:01troco e sabia que doce roco por não.
- 46:07Pra quem cantar que a Palmeira virou todo minha Terra tinha
- 46:21Palmeiras no onde vivia o Sabiá, as aves que longe gol cheiam não
- 46:30foram mortas como a de cá. Nosso céu tem mais sumaça nossas
- 46:39vases, caçadores. Nossos bosques têm madeira para
- 46:45os móveis dos senhores em cismar sozinho à noite.
- 46:53Não me ponho a cismar se minha Terra tem Palmeiras ou se ainda
- 47:00temos o Sabiá. Minha Terra tem primores estão
- 47:08em algum cartão postal em cismar sozinho à noite não me ponho a
- 47:16cismar se a Palmeira virou cinzas junto com o Sabiá se a
- 47:25Palmeira virou cinzas. Não permita Deus que eu morra
- 47:38sem que veja isso mudar não permita Deus que eu cisme que a
- 47:45Palmeira virou troco e sabia que doce rogo por não ter pra quem
- 47:54cantar que a Palmeira virou troco e sabia que doce Rolo.
- 48:02Louco por não ter pra quem cantar que a Palmeira e sabia
- 48:13por não ter pra quem cantar que a Palmeira virou troco e sabia
- 48:22que docinho louco por não ter pra quem cantar por não ter pra
- 48:29quem cantar por não. Eco 92, a cop 30, a lição,
- 48:43sabemos de cor. Só nos resta aprender, como já
- 48:47anunciavam Ronaldo Bastos e Beto Guedes na música sol de
- 48:51primavera. Por hoje é isso.
- 48:53Até a próxima, quando eu volto com mais.
- 48:56Dessas raras para você, essas raras você em sintonia com
- 49:00raras.