Latest / Peças Raras - Você em sintonia com o rádio / #248 Lampião da Esquina, o podcast
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- 0:01Essas regras. Olá todas, todos e todes como
- 0:05vai? Para celebrar o dia do orgulho
- 0:08LGBT, que ia mais, vou compartilhar um trabalho
- 0:11primoroso realizado por uma turma de terceiro semestre do
- 0:16curso de rádio TV internet do centro universitário FAAP.
- 0:21Eu tive muita satisfação com essa turma e por ter orientado o
- 0:25podcast e realizado para celebrar os 45 anos do
- 0:30lançamento do primeiro jornal brasileiro feito de.
- 0:34Homossexuais para homossexuais. Você vai conhecer essa história?
- 0:39Nesse episódio especial apresentado por João lynce,
- 0:43talia garding, o primeiro episódio conta com a
- 0:47participação do professor de direito e coordenador adjunto do
- 0:51núcleo trans da unifesp, Renan quinalha, que traz um Panorama
- 0:55do cenário em que surge o Lampião da esquina e o contexto
- 0:59de outros veículos de imprensa alternativa na época da ditadura
- 1:03civil militar Brasileira. A Entrevista no estúdio é com o
- 1:07jornalista e artista Celso Curi, que estampou a capa da primeira
- 1:12edição do Lampião e foi responsável pela criação coluna
- 1:17do meio, uma importante marca do antigo jornal última hora, de
- 1:21São Paulo. Tem ainda dicas culturais e a
- 1:25participação de estudantes do centro universitário FAAP.
- 1:30Então acompanhe essa superprodução da turma de
- 1:35terceiro semestre agora de 2023. De rádio, TV internet.
- 1:41Acompanhe e emocione se você sabe qual foi o primeiro jornal
- 1:46LGBT do Brasil. O Lampião da esquina foi um
- 1:50jornal alternativo que driblou a censura durante os anos de
- 1:54ditadura e foi o porta-voz da causa LGBT.
- 1:59Qual é o crime de Celso Curi? As mais explosivas entrevistas
- 2:02já feitas no Brasil sobre políticas e cada um cuide da sua
- 2:06liberação. Democracia, quem governa
- 2:07minoria? Passeata gay reúne 240 ações,
- 2:10sequestrou Dois Irmãos, feminismo, machismo, aborto e a
- 2:13minoria entre mulheres. Crimes abalam qualidade.
- 2:16Game invade diagram mata a bicha nós estamos aqui, vem aí Lampião
- 2:22da esquina. O podcast realização fuçou
- 2:26produções. Olá a todos e sejam muito
- 2:30bem-vindos ao primeiro episódio do Lampião da esquina.
- 2:33O podcast eu sou thalia garding e eu sou João lynce.
- 2:36Nesse episódio nós vamos conhecer a história do jornal
- 2:39LGBT, pioneiro no Brasil e um dos primeiros no mundo.
- 2:42Ele fez parte da imprensa alternativa, bateu de frente com
- 2:46a censura da ditadura militar e levava o nome desse podcast.
- 2:51Uma reportagem especial testa o conhecimento dos alunos da FAAP
- 2:55acerca do jornal. Temos dicas de filmes que tratam
- 2:58de maneira direta e concisa. A temática LGBT o professor e
- 3:03ativista Renan quinalha explica como Lampião da esquina
- 3:05influenciou o movimento LGBT que há mais da época e também vamos
- 3:10receber. O jornalista Celso Curi, que
- 3:13estampou a capa da edição zero do Lampião da esquina para um
- 3:17bate-papo. Os tempos mudaram hoje em dia se
- 3:42tornou comum seguir alguma página, acompanha algum
- 3:45influenciador ou mesmo assistir a um filme ou série que traga as
- 3:49pautas LGBT que a mais. Mas será que o público que
- 3:52consome esses produtos têm noção de como eram as coisas há 4050
- 3:56anos atrás? Antes do pesquisador Renan
- 3:59quinalha, conta pra gente, apresentamos uma reportagem que
- 4:03questiona os alunos da FAAP sobre o que teria sido o
- 4:06primeiro jornal gay do país. Eu acho que deveria ser algo
- 4:12meio underground, talvez escondido, né?
- 4:15Do governo que era o governo militar da época, que era
- 4:18oprimia também isso nem era possível na época não tão
- 4:21figurativo, mais implícito por conta da censura.
- 4:26Tentar evitar o máximo ser censurado, usar um alguns
- 4:29códigos só vez. Eu fiquei muito interessado em
- 4:31conhecer e infelizmente, uma coisa que a gente.
- 4:34Acaba passando muito despercebida, né?
- 4:36A gente conhece e sabe que é uma pauta muito importante, mas a
- 4:38gente não vai muito atrás. Eu nossa, acredito que na
- 4:41ditadura foi muito importante também para as pessoas sentirem
- 4:44vistas, né? Pelo pelas outras pessoas que
- 4:48elas realmente existem, é válido existir.
- 4:52A ditadura de 64, instaurada nesse ano no Brasil, ela se
- 4:56iniciou com um apoio muito forte de setores conservadores.
- 5:00Do ponto de vista moral e sustentou uma série de políticas
- 5:03sexuais, de perseguição à pessoas que não se adaptavam ao
- 5:07ideal de cidadão que era patriarcal, masculino, hétero,
- 5:11normativo, um padrão de família tradicional também.
- 5:15E há muita perseguição da ditadura em relação a essas
- 5:18pessoas. Já nos anos 70, a gente vai se
- 5:21haver um processo de desgaste da ditadura e de liberalização que
- 5:25começa ali em 7370. Até 4 e o movimento homossexual
- 5:29brasileiro, que é, como se diz a época, também vai surgir nesse
- 5:32momento. As primeiras iniciativas ali de
- 5:35organização vem de 76. Só que é a repressão ainda era
- 5:39muito grande, só em 78 que começa com um grupo, somos em
- 5:43São Paulo e nesse mesmo ano de 78, é quando também o Lampião da
- 5:47esquina começa a circular. São é um movimento bastante
- 5:50semelhante aí, né? Tanta organização política, como
- 5:54a organização de um veículo de comunicação que é o Lampião da
- 5:56esquina, então, do ponto de vista do contexto, é, era um
- 5:59contexto ainda de repressão da ditadura.
- 6:01Mas também certa liberalização, uma tentativa de descompressão
- 6:06de alguns pontos, permitir certa oposição.
- 6:08Algumas publicações é portante lembrar que o Lampião faz parte
- 6:12de um movimento mais amplo que é o da imprensa alternativa na
- 6:15época da ditadura. Vários pequenos jornais com
- 6:17temáticas específicas que conseguiam passar do filtro da
- 6:22censura o que até sofria alguma censura, como Lampião sofreu,
- 6:25mas conseguiram circular de modo consistente durante um período
- 6:28de anos, a importante marcaram um papel é significativa na
- 6:32oposição da ditadura. Então, esse contexto do fim da
- 6:35década de 70, com a mobilização dessa comunidade LGBT ao mesmo
- 6:39tempo com a imprensa alternativa, né?
- 6:41Nesse caldo cultural que se dá começo da circulação do Lampião,
- 6:45que vai se consagrar como um jornal feito de homossexuais
- 6:49para homossexuais, não se tinha essa categoria ampla ainda e
- 6:52diversa de comunidade LGBT. E mais o Lampião.
- 6:56Ele veiculava nas suas páginas, em várias das suas edições, uma
- 7:00sessão. Conheça o seu ativismo e aí as
- 7:03pessoas vinham que tinha os grupos sendo organizados 7879,
- 7:0780. A gente chega na década de 80 já
- 7:10com 22 grupos organizados pelo Brasil do movimento LGBT mais e
- 7:14eles eram anunciados no Lampião para as pessoas mandarem cartas
- 7:17se aproximarem. O Lampião cobriu os principais
- 7:20encontros dessa primeira onda do movimento.
- 7:22O primeiro encontro, que aconteceu aqui em São Paulo, em
- 7:251980, dos grupos homossexuais organizados.
- 7:27Então a gente vê que o Lampião teve 11 contato muito direto.
- 7:30Os ativistas líderes dos grupos escreviam sempre no Lampião,
- 7:34também faziam os debates políticos sobre o que era ser
- 7:36homossexual, como os homossexuais se deviam se
- 7:39relacionar com outras agendas. Do movimento feminista com
- 7:42movimento negro, Lampião trouxe entrevistas com figuras muito
- 7:45importantes, com Leci Brandão, com Ney Mato Grosso, com o
- 7:50próprio Lula, com Cassandra, rios, enfim, uma série de
- 7:53figuras muito importantes. É trazendo várias questões
- 7:56nacionais e também internacionais sobre a situação
- 7:58dos homossexuais no México, na Argentina.
- 8:00Ao mesmo tempo, Lampião judô ajudou a abrir uma esfera
- 8:03pública sobre o debate de sexualidade é e que permitiu que
- 8:07esses temas de sexualidade fossem tratados como uma
- 8:10naturalidade e respeito dentro da imprensa.
- 8:13Até então circulava uma visão, sempre muito estigmatiza da
- 8:16imprensa tradicional sobre as pessoas LGBT mais.
- 8:19Então é o Lampião teve esses esse papel é bastante
- 8:23significativo e acho que tudo isso marcou não só essa geração,
- 8:26né? Mas segue ainda hoje
- 8:27reverberando, é a influência que o Lampião teve na organização do
- 8:31movimento LGBT no Brasil. Muito obrigada, Renan, por
- 8:36esclarecer pra gente esse tema tão importante para a nossa
- 8:40conversa de hoje. O jornal Lampião da esquina deu
- 8:42a mão para o movimento LGBT e para outras minorias, além de
- 8:46tentar desfazer os estigmas e a discriminação da época.
- 8:50Mas outra pessoa teve que andar para que o Lampião pudesse
- 8:53correr. Essa pessoa é Celso Curi,
- 8:56ativista, e nosso convidado de hoje, além de ser criador e
- 9:00editor do guia off de teatro, ele é membro da associação
- 9:03Paulista de críticos de arte. Celso foi a capa da edição zero
- 9:07do Lampião da esquina, a primeira manchete do jornal foi
- 9:11demissão, processo e persegue sono.
- 9:15Mas qual é o crime de Celso Curi?
- 9:17Afinal de contas, qual foi o seu crime?
- 9:19Celso? Só são vários, vários crimes.
- 9:24É. É inacreditável que naquele
- 9:27momento, 1976 nós estamos falando em 1976, é tivesse 11
- 9:34repercussão tão absurda. Toda é o trabalho que eu fiz no
- 9:38jornal última hora que estava se coluna do meio.
- 9:42É pra contar um pouco, porque por causa o porquê do meu crime,
- 9:46quer dizer, eu voltei, tive que sair do Brasil em 72.
- 9:51Comecei a ser perseguido, nunca foi encontrado, mas fui
- 9:55perseguido EE fui pra Alemanha e na Alemanha eu acabei
- 10:00encontrando um mundo completamente novo para
- 10:03homossexualidade, né? Que o primeiro-ministro, logo
- 10:07que eu cheguei na e Munique, eu morei em Munique um ano.
- 10:10É o primeiro-ministro. A veio a público para dizer se
- 10:14você é homossexual, está sendo perseguido por alguém, procura a
- 10:18polícia. E aquele exatamente o oposto.
- 10:21Quando eu voltei, voltei 73 para trabalhar no jornal última hora
- 10:25de Samuel Wainer, né? Que o Samuel tinha voltado
- 10:27também? Do exílio, é?
- 10:31Eu. Eu percebi que as coisas aqui
- 10:33tinham estavam exatamente estagnadas, né?
- 10:35Nesse sentido, e que AA polícia servia para perseguir realmente
- 10:39os homossexuais naquele momento e até hoje existe uma
- 10:42perseguição, não é muito grande, é aos homossexuais.
- 10:47E aí eu tive a ideia de fazer a coluna do meio, que me achavam
- 10:50completamente maluco, né? Já isso já valia um crime, se aí
- 10:54já era um crime, é, imagina, você ficou maluco?
- 10:56Ditadura militar você vai falar sobre um assunto polêmico, a
- 11:01homossexualidade. E ainda na chamada de
- 11:03homossexualismo, e era crime, não é?
- 11:06Era um crime, se você podia ser preso por causa disso.
- 11:10Mas de qualquer maneira, eu decidi, acabei fazendo.
- 11:13É e imediatamente começou o processo do Ministério público.
- 11:20E o? E o processo tinha um título
- 11:25muito. Pesado e curioso.
- 11:28E hoje em dia até quase cômico, não é que era AA processo.
- 11:33Eu fui processado por atentado à moral e aos costumes e por
- 11:37promover a união de seres anormais.
- 11:40Era esse o nome, porque eu tinha um dentro da coluna, tinha um
- 11:43espaço que eu colocava pessoas em contato com pessoas.
- 11:47Era muito mais um jogo, é do que 11.
- 11:53Braid de um outro momento, a gente tem até uma frase sua, não
- 11:57é que você fala que é normal, é comer macarrão com arroz, isso
- 12:01é. É assim normal comer macarrão
- 12:03com arroz e achar supimpa é isso.
- 12:06Exatamente isso me criou vários problemas.
- 12:08Meu pai que falava pô, eu como macarrão com arroz, isso legal
- 12:13falar, minha família foi muito. Presente nesse momento, não é?
- 12:17Eles me perguntaram primeiro se eu, porque eu consultei, eu
- 12:20falei, eu quero assinar essa coluna.
- 12:21Como é o nome? E meu nome de família, e vou
- 12:25pedir autorização, se não, teria que usar um pseudônimo.
- 12:29E meus pais ficaram preocupados. Falei, você pode ter problemas.
- 12:33Eu falei, bom, eu estou pronto para ter problemas, se tiver
- 12:36problemas. Terei aham, e.
- 12:39Mas eles foram muito parceiros em todo o processo e tanto das
- 12:44coisas que eu escrevi, como depois do quando começou o
- 12:48processo foi logo em seguida, né?
- 12:49O processo foi logo em seguida. Aham, e você, chegou a comentar
- 12:52agora bastante até sobre justamente a coluna do meio,
- 12:55qual era o tipo de conteúdo que você costumava publicar?
- 12:58E aproveitando também. Você também comentou que decidiu
- 13:01não usar um pseudónimo, a gente queria saber o porquê, porque eu
- 13:05achei que não ia dar a força necessária pra pra, pra coluna.
- 13:10Na coluna era divertida, era basicamente com a coluna que
- 13:13tinha muito humor e falava da. Do social de disco.
- 13:20Como era esse mundo que as pessoas viviam naquele momento?
- 13:24É, e eu achava que pra pra ter força para ter respeitabilidade,
- 13:31eu deveria assinar o meu nome, não criar um pseudônimo
- 13:33engraçado, fazer piada com isso. Claro que eu usava muitos outros
- 13:38pseudônimos dentro da coluna para dizer frases que eu achava
- 13:42engraçadas, divertidas. Mas a era assinada por mim,
- 13:46porque também continha um material politicamente
- 13:50importante. E o que você acha que incomodou
- 13:52tanto? Incomodou mais do governo.
- 13:55A sociedade em si e foi por quê? Fala homossexualidade?
- 13:59Pelo. Como você abordava esse tema
- 14:01com? É com essa facilidade no jornal,
- 14:04o que será que incomodou tanto naquela época?
- 14:06Eu acho que o incomodava por por conta da homossexualidade, é
- 14:10claro. A ela era as extremamente aceita
- 14:13naquele momento, mas entre 4 paredes quer dizer, você não
- 14:17podia. Ultrapassar os limites que te
- 14:21eram dada, então era muito. Absurdo você ter, todo mundo
- 14:25tinha nas no seu convívio vários homossexuais desde que eles
- 14:30fizessem as suas coisas. Trancados.
- 14:35Não é isso? EEA coluna era um pouco
- 14:38mostrasse mundos sociedade mesmo, não era uma coluna
- 14:42social, não era assim. Ela não tinha o eu não fiz.
- 14:46Com a pretensão de ser o libelo ou qualquer coisa desse tipo.
- 14:50Era uma coluna que abria as portas e falava, olha, a vida é
- 14:53normal, as pessoas saem, vão a boate, se encontram, viajam com
- 14:58essas pessoas. Então era tinha se cunho bem
- 15:01social mesmo, né? Que eu acho que você está com,
- 15:03chegou a comentar é na sua entrevista para o Lampião.
- 15:06Você recebia muitos relatos, muitas cartas de de homens gays,
- 15:10às vezes do Ceará ou de outras regiões do Brasil falando há
- 15:13então eu não estou sozinho nessa, não é uma doença, é uma
- 15:17coisa da minha cabeça, tem mais homens que se interessam por
- 15:20homens ou que estão procurando alguém, né?
- 15:22Se você vários relatos assim, eu acho que as cartas chegavam mais
- 15:26ou menos nesse sentido. Eu recebia muitas cartas e eu
- 15:29acho que a coluna do meio a sangue ficar.
- 15:34Me auto. É vangloriando, vangloriando,
- 15:38mas é deve ter ajudado muita gente.
- 15:40AA não se sentir um pária, então com toda certeza.
- 15:45Então, por exemplo, a gente que escrevia assim eu não me matei
- 15:48porque eu descobri que existia mais gente igual a mim.
- 15:51Então, na realidade tinha se tinha essa força social muito
- 15:56importante. E como era aceita pela sociedade
- 15:59em geral? Assim pela, né?
- 16:01Pelos jornalistas, EEE muitas revistas acabaram a repercutindo
- 16:07o trabalho da coluna do meio. É isso deu uma força grande EE
- 16:12aceitação. Realmente comece.
- 16:14Começou a aumentar e com muitas dificuldades, mas começou a
- 16:18aumentar. Até hoje temos problemas sim.
- 16:21Você comentou agora no começo que você chegou a ser
- 16:24processado. Toda essa questão que envolveu o
- 16:26Ministério público até comentou, é sobre o nome, né?
- 16:30Que eles deram para esse processo que realmente é
- 16:33terrível. E como foi a sua reação ao saber
- 16:36que você estava sendo processado e como essa informação chegou
- 16:39até você? Sabe, porque eu.
- 16:40Eu era muito moleque, não é? Eu tinha 26 anos quando eu fiz a
- 16:44coluna do meio. E, mas eu sempre fui muito
- 16:48corajoso, sempre coisas grandes não me assustam, me assustam
- 16:52coisas mesquinhas, né? As coisas muito grandes assim.
- 16:55Grandes doenças, grandes processos, grandes.
- 16:57Isso não é um não num grande, não me atrapalha a vida.
- 17:01Eu enfrento com muita tranquilidade e eu continuei
- 17:06escrevendo porque o processo chegou.
- 17:08A carta ao jornal, né? É, aliás, chegou uma consulta
- 17:13querendo saber quem era o pseudônimo Celso Curi.
- 17:16Quem assinava aí? O jornal comunicou que.
- 17:20Que era meu nome mesmo. E o jornal não me defendeu.
- 17:24Isso é uma coisa muito importante dizer, porque, AAA
- 17:28última hora pertencia à folha de São Paulo e a gente eu não fui
- 17:32defendido. Eu não tive advogado da folha
- 17:34para me ajudar. Eu tive que ir atrás de um
- 17:36advogado. É um amigo para conseguir me
- 17:39defender. Porque o jornal não quis saber,
- 17:43falou. Problema é seu, você assina,
- 17:44você faz. É esse estima também.
- 17:48Receio. É um momento complicado.
- 17:50Estamos falando em 1972 por mais liberado que já estava, né?
- 17:55A. Um pouco mais liberado ainda era
- 17:58difícil. E tinha toda uma política de
- 18:03destruir qualquer outro pensamento que não fosse o
- 18:05pensamento proposto pelo pela ditadura civil, militar e além
- 18:09do Lampião da esquina que se posicionou em sua defesa, teve
- 18:13algum outro veículo da mídia que trouxe esse assunto?
- 18:17Abordou ou foi algo que realmente tentou ser deixado
- 18:20para lá ser escondido? Eu acho que chamou mais atenção,
- 18:24foi a foi a grande novidade, né? Então, por exemplo, eu fui
- 18:29entrevistado pela IstoÉ, fui pela todas as revistas e todos
- 18:33os jornais da época. Todo mundo comentava como do
- 18:36meio, porque realmente era um acontecimento.
- 18:40É, mas o Lampião, não. Lampião entrou exatamente para
- 18:45falar do processo, né? E como era o número 0 do Lampião
- 18:49e 78? Foram 70 e 88 foram 2 anos
- 18:52depois da coluna do meio, então foi bastante.
- 18:58Importante a posição do jornal. Lampião, porque até aquele
- 19:01momento era muito engraçado. Eu tinha um jornalistas, meus
- 19:03amigos do meu lado, mas era uma mundo muito solitário.
- 19:07Roeu não pertence a nenhum a nenhuma.
- 19:11Grupo de apoio é nada disso e tanto nem o sal somos eu,
- 19:16pertencia que era um grupo de apoio.
- 19:18Eu fui ao somos algumas vezes, mas eu também não me sentia
- 19:21muito identificado com somos aham.
- 19:24E então é um trabalho muito solitário, 23 amigos que me
- 19:27acompanhavam. EE as pessoas que eu, que eu
- 19:31conhecia de outro de outro momento, porque eu já trabalhava
- 19:33como jornalista, mais tempo não é, mas o pessoal das artes,
- 19:37aham. E como você lidava com as
- 19:41ameaças de morte que você recebia?
- 19:43Você chegou a receber ameaças mesmo?
- 19:45É, você teve que mudar sua rotina.
- 19:47Você comentou que foi, né pra Alemanha e mudar essa rotina por
- 19:51conta de segurança, é um assunto bem delicado, né?
- 19:54Uma questão complicada, legal, saber que a Alemanha foi antes
- 19:58da coluna foi 72. Né?
- 20:00Eu trabalhei muito rapidamente com o grupo baiano, fui
- 20:06assistente do Guilherme Araújo, que era empresário do Caetano,
- 20:09da gal. É, e trabalhei isso em 68,
- 20:13depois trabalhei com outro cara que também que politicamente era
- 20:15bastante, é perseguido, né? Que era o Juca chaves também.
- 20:20Tanto foi secretário dele um período e depois fui trabalhar
- 20:23no teatro São Pedro. Kadu Maurício Segall, que também
- 20:25era era 11 pessoa que pertencia ao partido comunista.
- 20:28Então aí eu comecei a ser é perseguido no meio, perseguido,
- 20:33Caetano foi preso. É, as pessoas começaram a me
- 20:37procurar onde eu frequentava. Eu fui avisado disso.
- 20:41E aí resolvi os meus amigos começaram a ser presos e
- 20:45desaparecerem. Aí eu resolvi ir para Alemanha.
- 20:48É, fui por sorte, eu fui no dia seguinte.
- 20:51O Maurício Segall foi preso, quer dizer, eu trabalhava no
- 20:54teatro São Pedro com com a família do Maurício, né?
- 20:57Beatrice, Maurício? Mas essas ameaças de morte
- 21:01voltando a sua pergunta é, foi logo no início, recebeu uma
- 21:05carta escrita com sangue assim, mas vamos ser.
- 21:08Mandei averiguar se era sangue ou não eram nem lambia pra ver
- 21:11se era sangue. Mas era escrito em vermelho,
- 21:15você vai morrer não sei o quê, e eu até joguei fora essa carta.
- 21:18Você vê que eu nunca prestei muita atenção nisso.
- 21:21Eu não sou. No encano muito com essas
- 21:24coisas, eu deveria até ter essa carta, né?
- 21:27Mas não te não, não guardei realmente muito chocante essa
- 21:31história da carta com é uma carta escrita EE.
- 21:35Muitas ameaças, né? É assim por telefone ou então um
- 21:39pouco velado? Melhor separar com isso.
- 21:43Tem gente aí que não está muito feliz com o seu trabalho e
- 21:46falando um pouco sobre, é claro, os que a gente chama hoje em dia
- 21:50de haters, né? Esse ódio que a gente recebe
- 21:52também um pouco sobre o apoio que você estava comentando.
- 21:56É eu. Na sua entrevista para o
- 21:57Lampião, você chega a comentar que você acreditava que não
- 22:00existia um movimento homossexual aqui no Brasil por ainda se
- 22:03tratar de ser algo muito elitista.
- 22:06Poder se mostrar homossexual porque ou muitos pediam emprego
- 22:09e não tinha o que comer. Você acha que hoje em dia nós
- 22:12temos? Podemos dizer que nós temos um
- 22:14movimento homossexual? O movimento LGBT no país?
- 22:17Eu acho que tem. Tem várias ações que são
- 22:19importantes, mas ainda acho que falta alguma coisa, né?
- 22:22Eu sempre cobro um pouco da parada, uma atitude um pouco
- 22:25mais. É Clara, né?
- 22:29Na nessa, nessa manifestação, é uma manifestação LGBT que a
- 22:33gente tem. É, porém, eu acho que fica um
- 22:37pouco pouco ainda na festa. É claro que a farra é a melhor
- 22:41parte da vida. Eu não posso dizer que na época
- 22:44da coluna do meio, eu ficava sofrendo no canto e de maneira
- 22:47nenhuma estava na Zorra. Sim, sim, né?
- 22:50Eu tinha as moleque, tava na farra, tava certíssimo dar super
- 22:54certo usando a minha Juventude pra pra pra isso, mas eu acho
- 23:00que ainda falta bastante uma posição mais política da própria
- 23:04parada e de outras ações. Que poderiam ajudar mais,
- 23:08poderiam ter um cunho um pouco mais.
- 23:11Pesado, né? No sentido de de ajudar a abrir
- 23:17novas portas. Claro que 2000000 de pessoas na
- 23:20rua ajuda a abrir um Monte de porta.
- 23:22Mas poderia abrir mais e acho que aproveitando de essa
- 23:27informação sobre abrir portas, é uma coisa que eu lembro que você
- 23:29estava muito também. Saía sempre em defesa da dos
- 23:32travestis, das travestis, que acho que sempre naquela época
- 23:36sofria preconceito dentro da própria comunidade, né?
- 23:38Pelos homens gays e você até cita uma frase muito
- 23:41interessante, quer que os travestis fazem do da Rússia o
- 23:44palco, né? Eles vivem um grande espetáculo
- 23:48de acho que, principalmente para reafirmar a sua identidade, você
- 23:52acha que nos dias de hoje. Os travestis, eles continuam
- 23:55sendo ignorados dentro da comunidade.
- 23:58Eu acho que ainda assim, eu, eu naquela época era muito pesado.
- 24:02O próprio Lampião olhava com certa distanciamento a questão
- 24:06da das travestis, né, que na época se tinha doce travestis,
- 24:09né que é, é, mas que hoje em dia a gente sabe como usar
- 24:14exatamente a palavra. Mas AO preconceito existe e
- 24:18dentro da da de qualquer sociedade tem.
- 24:22Pequenos preconceitos que são horríveis, então quantos
- 24:26grandes. Mas tem esses preconceitos, né?
- 24:29Mas um homem gay de classe média alta não gosta de de um cara do
- 24:34cabeleireiro que não gosta do maquiador que não gosta de vai,
- 24:37vai indo, são castas. É exatamente isso, é é muito
- 24:41feio, né? Eu acho que a gente já não tem
- 24:43tanto isso, eu acho que também as travestis mudaram um pouco,
- 24:47ampliar um pouco os os, os escopo das suas vidas, né?
- 24:51Sim, por exemplo, você tem travestis hoje em dia que.
- 24:55Não se prostitui? E também não fazem show de
- 24:58boate. Né?
- 25:00E se considera um travesti? Se tem uma vida, é como travesti
- 25:04e não como transexual. Então existem várias.
- 25:07É eu, eu, sinceramente, eu não consigo entender tantas, sim.
- 25:12Diferenciações, não preciso me. De ex pesar estudar todo dia eu
- 25:17tenho que estudar pra todo dia aparece uma coisa nova, é muito
- 25:21rápido tudo. Mas hoje, por exemplo, eu
- 25:25converso com amigos que fazem teatro, por exemplo, que eu
- 25:28falo, ela deve ser trans é falando não, eu sou travesti,
- 25:31então você não sabe exatamente porque cada um sabe o que é EE
- 25:37se chama do jeito que acho que tem que ser chamado.
- 25:41Acho que a gente vai aprender muito ainda.
- 25:42Temos muito que aprender pra aprender e aproveitando agora
- 25:46voltando um pouquinho a falar sobre o Lampião.
- 25:49E a gente queria muito saber se foi uma decisão sua estampar a
- 25:53edição zero do Lampião ou foram os redatores que apenas fizeram
- 25:57e você acabou sabendo depois da publicação?
- 26:00Não é assim é. Comecei com não no na.
- 26:04Na realidade, não é nada. Pois é, é Oo Lampião resolveu me
- 26:10entrevistar o televisão. Acho que fez essa proposta de
- 26:12entrevista. Foi o Trevisan que me
- 26:14entrevistou. É, eu não sei se eles pensavam
- 26:18em ser capa da do jornal ou não No No momento que eles deram
- 26:22entrevista, mas como era uma coisa muito contundente naquele
- 26:25momento, eles decidiram fazer a capa.
- 26:27Eu não sabia de nada, eu dei uma entrevista para a televisão.
- 26:30É tanto que as fotos que da da da matéria são fotos que eu que
- 26:34eu já tinha quer dizer, não é uma porque também Lampião era
- 26:37pobrinho, não tinha dinheiro. Então essas fotos do Dimas
- 26:41kitnet que que tinha me fotografado e foram usadas essas
- 26:46fotos na matéria, né? É, mas eu não sabia, e a ideia é
- 26:50da do conselho do Lampião. Eu acho que também para eles era
- 26:53muito importante porque eu estava no meio desse processo e
- 26:57ele estava entrando nessa Cumbuca, né?
- 27:00Tanto que não deu outra. Está falando?
- 27:02Processados na sequência. Bem na sequência, né?
- 27:06Sim, e falando um pouco sobre agora que você trouxe esses
- 27:09redatores, o pessoal do editorial do Lampião é.
- 27:12A gente sabe que a ideia do jornal ele partiu, ela partiu,
- 27:15na verdade, do jornalista João Antônio Mascarenhas e a gente
- 27:18queria saber qual que é a sua relação com ele, com os outros
- 27:22redatores, né? Vocês se encontravam com
- 27:24frequência, frequentavam os mesmos lugares ou eram apenas
- 27:28pessoas que estavam ali lutando pela mesma causa?
- 27:31Acho que nós éramos pessoas lutando pela mesma causa.
- 27:34É, por exemplo, eu não conhecia o João Antônio, eu não.
- 27:38Eu nem não conhecia ainda Aguinaldo Silva.
- 27:41Eu não conhecia o pizza. É o televisão.
- 27:45Já conhecia desde o somos, mas era um pouco a.
- 27:50A gente se encontrava de vez em quando, porque tinha gente de
- 27:52fora de São Paulo, não é? Então?
- 27:54Os encontros não eram muitos. Mas AA relação com eles era
- 27:59extremamente dentro do Lampião. Quer dizer, eu não tinha.
- 28:02Eu não saía com nenhum deles pra pra noitada, para farra.
- 28:06Eu tinha as minhas farras, outras aham, aproveitando essa
- 28:09sua deixa sobre esses encontros sobre se encontrar com a
- 28:12comunidade. Em uma entrevista para o Adriano
- 28:15sódio no blog tudo sobre eles, você comenta um pouco como o era
- 28:19preciso ser delicado, né? Na Na época, para você conseguir
- 28:23identificar que o outro homem era também era gay, é e
- 28:26conseguir se encontrar tão que também se interessava por
- 28:29homens. Hoje em dia eu eu percebo que às
- 28:32vezes, em roda de conversas, é dentro da comunidade.
- 28:36Existe ainda um preconceito com homens que são Extrema,
- 28:39pejorativo, mas que ainda é utilizado mais afeminados.
- 28:43De falar e aí eu não gosto de homem afeminado ou não tem
- 28:46porque é gay. Ser afeminado é esse preconceito
- 28:49já existia na época. Você acha que tem alguma relação
- 28:53com a isso, esse, esse contra efeito de hoje em dia?
- 28:58Temos que investigar. Temos.
- 29:00Precisamos falar que somos homens.
- 29:03Brutamontes, e ainda assim, gays ou ou é mais um preconceito bobo
- 29:08que a gente tem hoje em dia. Acho que são novas novas castas
- 29:12aí, que que forma que tem grupos que, por exemplo, de ursos que
- 29:17só transam, curso e sansai cursos, né?
- 29:21Tem cara mais fortão, tipo que a gente chama de Barbie mais assim
- 29:26mais que vai pra academia não sei o quê, nem sei se é o mesmo
- 29:29termo que se usa faz tempo que eu não uso, mas se usou durante
- 29:32um tempo AE Barbie porque nossa não sabia é?
- 29:36É porque são pessoas mais muscula da gente fazer mais
- 29:40musculação, não sei o quê, mas tudo isso é uma grande besteira.
- 29:43Eu acho que a geração nova geração deu mais um implodida
- 29:47nessa história. É é uma coisa que eu não sou um
- 29:50pesquisador, mas continuo com um olhar muito afiado para isso.
- 29:55Eu fico muito feliz de ver pessoas iguais namorando, porque
- 29:58não era uma coisa muito normal, né?
- 30:01Eu até brinco que assim, às vezes parece estar namorando com
- 30:03o próprio irmão, porque eles são muito parecidos.
- 30:05A mesma barbinha, o mesmo cabelo.
- 30:08Né? É muito, muito legal de ver.
- 30:11Então isso se perdeu um pouco, né?
- 30:14O que se é fisicamente, o que se é?
- 30:16Aparentemente, nem sempre não. Não tem nada a ver com o que
- 30:20você realmente é. Então eu fico muito emocionado
- 30:23quando eu vejo 2 moleques aí de mão dada, né?
- 30:26Porque era uma coisa que na minha geração não teve.
- 30:30É, e que são iguais e que são moleques, são lindos e são são.
- 30:35É super legal de ver que são mais delicados ou menos
- 30:38delicados. Tem tem de todos os tipos, né?
- 30:42Acho que tem de todos os tipos. Você vê 2 caras você fazer esse
- 30:44cara por ali. Tem um.
- 30:47Não tem nada a ver fisicamente, não.
- 30:49Eu não diria nada e tem gente que você, fisicamente, diria,
- 30:53mas tem espaço para todos, para todo tipo de.
- 30:55De de relacionamento, né? EE de postura mesmo, de vida,
- 31:00né? Assumir sua postura.
- 31:03O que você quer ser? Eu quero ser mais delicado.
- 31:04Eu quero ser mais viadinho. Eu quero ser menos viadinho que
- 31:07que eu quero ser. Eu posso ser o que eu quiser,
- 31:09né? Tanto que hoje em dia eu acho
- 31:11que a gente discute muito de como deveria ser a idealização
- 31:14de relacionamento gay, se deveria ser monogâmico ou não,
- 31:17se devem ter filhos ou não, ter um casamento ou não, e se é
- 31:21possível acreditar no amor ou não, e se tem uma fala que eu
- 31:24também achei muito interessante que é.
- 31:27A trepada é fundamental e o amor, eu quero te perguntar se é
- 31:30possível encontrar e se você encontrou o amor eu encontrei,
- 31:34eu sou casado há 27 anos, né? Sou um casamento super correto
- 31:39assim, Na Na, na, na relação, a relação de respeito.
- 31:43E é saudável de boas trepadas sim, né?
- 31:47Que isso é fundamental, importante, né?
- 31:49De de desenvolver pensamento juntos, a conhecer coisas
- 31:54juntos. Eu acho que o casamento é
- 31:56possível, eu não acho que seja obrigatório, eu sou um cara
- 31:59casamento. Sim, casadoiro vamos sim, eu
- 32:02sempre tive sai de um casamento pro outro, só que agora são 27
- 32:05anos casado, EE é muito. Eu sou muito, tô muito feliz de
- 32:10estar casado. Não é?
- 32:12E claro que tudo e. Eu não acho que é necessário
- 32:17você fazer grandes ajustes dos 27 anos de casado.
- 32:21A gente mantém um casamento. Basicamente, é o mesmo que a
- 32:24gente tinha de de quando a gente começou.
- 32:27E os interesses, você começa a descobrir quais são os
- 32:30interesses. Estou falando da trepada, né?
- 32:32Porque o trepada é fundamental, continua.
- 32:34Continua achando que a trepada é fundamental.
- 32:37É, então a você vai descobrindo coisas novas se.
- 32:42Se abre para novas possibilidades, não é?
- 32:44E isso são descobertas e te leva para um novo relacionamento a
- 32:49partir de uma descoberta. E aproveitando esse gancho, já
- 32:52que a gente está falando sobre romance, amor, a gente tem aqui,
- 32:56antes de continuar a nossa entrevista com o Celso, que tal
- 32:59a gente deixar algumas dicas de filmes para quem está ouvindo a
- 33:02gente se aprofundar na discussão mais tarde, igual Lampião fazia
- 33:06exatamente então, Bora lá, vamos para a nossa primeira indicação,
- 33:10close, um longa-metragem belga, coproduzido com a França e os
- 33:14Países Baixos, é o gênero de drama.
- 33:16Que foi lançado em 2022, o longa conta a história de Leo e Remy,
- 33:212 jovens de 13 anos que estão no início da adolescência e são
- 33:24melhores amigos. Ao começar uma nova escola
- 33:27juntos, o Leo acaba se afastando de Remy para evitar que
- 33:31comentários depreciativos sobre a orientação deles e sobre a
- 33:34amizade fossem feitas. A história acompanha o processo
- 33:37de aprendizado de Léo sobre a vida, abordando temas como
- 33:40moralidade, Inocência, preconceito, pertencimento e
- 33:44cumplicidade. A história promete emocionar e
- 33:47nos causar uma reflexão. Qual o valor da amizade?
- 33:50Close está disponível no Apple TV e Prime Video e também no
- 33:54YouTube. Eu posso falar que eu assisti
- 33:56esse filme no cinema recentemente.
- 33:58É muito lindo. Você chegou a ver esse filme?
- 34:00Céus, não houve. Eu sou um desastre pra cinema.
- 34:03Eu sempre fui um cara de cinema, comecei muito ligado ao cinema e
- 34:08a todos os festivais, mas depois que eu comecei a mexer com o
- 34:11teatro é os meus. Minhas noites são do teatro,
- 34:14sim, entendo, mas é um eu vou ao teatro quase toda noite,
- 34:17caramba, que legal, é eu, eu voto no prêmio de teatro na PC a
- 34:22aham, então eu sempre aproveito as minhas noites para estar no
- 34:25teatro. Hoje eu não vou, mas amanhã vou
- 34:27teatro. Sábado eu vou ao teatro, um
- 34:30muito bom, mas fica a dica aí. Mas foram assistir, tem que se
- 34:33preparar porque chora é muito. São muitas lágrimas, Chorão,
- 34:38emocionante. É muito triste e já que esse
- 34:41podcast fala de uma luta que surgiu durante a ditadura
- 34:44militar, a minha dica é um filme de uma paixão gay que nasce num
- 34:49espaço de repressão. Tatuagem, um filme brasileiro
- 34:53que se passa na Recife dos anos 70 e conta a história de Clécio.
- 34:57E Arlindo. Um deles comanda um grupo
- 34:59teatral que se apresenta em um cabaré e o outro é um soldado
- 35:03militar do interior que ainda está se descobrindo e por essa
- 35:07seja imaginava, né? Eles se apaixonam.
- 35:11O filme tem diversos números musicais bem brasileiros, bem
- 35:15artísticos, humor e discussão política.
- 35:18O diretor Hilton Lacerda traz cenas delicadas, mas também como
- 35:23eu posso dizer, né? Bem, sem vergonhas.
- 35:26E se me permitem, citando o crítico Luiz Santiago.
- 35:29Abre aspas, fazer um filme sobre cu, política, amores e relações
- 35:34humanas. Olhando para a minoria da
- 35:36minoria da periferia, não é para qualquer um, fecha aspas.
- 35:41Tatuagem está disponível na Netflix e na Apple TV.
- 35:45Olha só, eu sei que também acho que vai ter uma sessão no belas
- 35:47artes, só cria eu, eu vou complementar tatuagem também
- 35:51está no teatro, olha, eu tenho uma pele até a peça tatuagem,
- 35:54inspirada no filme tatuagem e é genial, é genial, é acho que
- 36:00vale a pena. Acho que está nos últimos dias
- 36:02de apresentação, mas já fez algumas temporadas.
- 36:05É direção do Kleber montanheiro, é um belíssimo espetáculo, com
- 36:09atores brilhantes, com lindas vozes.
- 36:13Caramba, olha só, dia a gente já ia pedir uma dica para o Celso.
- 36:16Ele acabou já dando pra gente aí tá tatuagem Theatro.
- 36:20A gente não. Não tem como perder, não tem
- 36:22como perder. E para finalizar o nosso Lampião
- 36:25de hoje, a gente ainda queria bater um papo com você sobre a
- 36:29importância do Lampião e como. Você enxerga essa relação que o
- 36:35Lampião, principalmente da importância que o Lampião teve
- 36:38lá atrás para o público LGBT, principalmente para os
- 36:41homossexuais. EE como elas reflete hoje em
- 36:44dia? Você acha que hoje em dia é um
- 36:47Lampião da esquina? Funcionaria com com os tempos
- 36:50modernos que a gente vive com redes sociais, muitos
- 36:53comentários de ódio, né? Nas redes sociais a gente vê
- 36:55muito isso. Infelizmente, você acha que o
- 36:58Lampião ele teve um impacto naquela sociedade e como ele
- 37:02impactaria hoje em dia? Eu acho que.
- 37:09Claro que o Lampião seria importante hoje, se ele tivesse
- 37:11continuado, se teria sido mais importante.
- 37:13Na época, ele teve que parar. Mas a hoje em dia eu acho que as
- 37:18redes sociais e a grande imprensa.
- 37:21Algumas delas, né? Porque a gente tem muita
- 37:23porcaria por aí. É fazem esse papel.
- 37:27Eu acho que a própria homossexualidade mudou de de
- 37:31escaninho, sabe como é que é? Eu acho que a sexualidade mudou
- 37:33de escaninho, então a gente está em todos os lugares e as
- 37:37questões são outras. As questões agora são muito mais
- 37:39nossas do que da sociedade, porque a gente fica tentando se
- 37:44encaixar em outras possibilidades, né?
- 37:47Que eu acho lindo. É, ou novas descobertas Na Na,
- 37:51na própria sexualidade. Eu conheço pessoas que são
- 37:55trans, homens trans. Mas só transo com homens gays,
- 37:58por exemplo, como é que você encaixa essas pessoas?
- 38:01Na Na, numa gavetinha, não dá mais para encaixar sexualidade.
- 38:06Em gavetinha, eu acho que isso é é.
- 38:09É o grande, foi o grande serviço que é homossexualidade, prestou
- 38:13pra pra, pra sociedade ajudar a implodir essas gavetinha.
- 38:18E hoje em dia não tem mais como se enfiar todo mundo na mesma
- 38:21gaveta. Nós não somos da mesma gaveta,
- 38:24cada um tem a sua própria gaveta, então é claro que o
- 38:27Lampião seria importante para discutir coisas.
- 38:31Pontuais sobre sobre a arte, sobre a arte.
- 38:35É gay, por exemplo. Tanto que o gay foi implodido
- 38:39gay era para tudo, né? Hoje, hoje já não basta, né?
- 38:43Eu sempre tive que tem que ser GLBTUVXZ porque não vai acabar
- 38:47isso. Hoje a gente mais de 40
- 38:49definições e tá crescendo cada vez mais que hoje em dia já eu
- 38:52tenho lido que LGBT mais é que e agora não, agora não.
- 38:58As pessoas não estão usando OQ ia mais, eu só tenho visto LGBT.
- 39:03Mais mais a parada, por exemplo, LGBT, mais eu estou aprendendo,
- 39:08claro. Vou aprender até o final, sim,
- 39:09que faz total sentido que a gente inclui com certeza é.
- 39:13Então porque é muito esse bas. É muito mais coisas, né?
- 39:16Exatamente e aproveitando esses esses mais é a gente queria
- 39:20muito saber se todos os jovens que estão criando um Novo Mundo
- 39:24pudessem te ouvir agora, qual conselho?
- 39:27Além desses, vários que você já deu aulas aqui nesse podcast
- 39:31hoje você deixaria para as pessoas a viver?
- 39:35Tranquilo. Exercer sua sexualidade máximo
- 39:39possível, não ter vergonha, qualquer que seja ela, não ter
- 39:43vergonha de de ser o que você é. Experimentar tudo.
- 39:47Eu acho que 11 dos um dos problemas da.
- 39:50Da homossexualidade é que Ela Foi enfiada numa caixinha e ela
- 39:54não teve chance de experimentar outras coisas.
- 39:57Eu acho que tem que experimentar.
- 39:59Eu sou de uma época que a suruba era a melhor solução.
- 40:03Eu não vou sugerir que todo mundo faça sua era política, né?
- 40:06A solução movimento político, suruba era um era um ato de amor
- 40:09e político. Isso exatamente famosa,
- 40:11pornochanchada, né? E hoje em dia eu não vou dizer á
- 40:14vamos todos pra suruba, não é isso, mas exerça a sua
- 40:16sexualidade. Da melhor maneira possível, sem
- 40:20vergonha, sem Barreiras, sem. Sem se castrar, a gente queria
- 40:27só comentar uma coisa que eu acho que é muito importante,
- 40:29muito especial, o Lampião da esquina.
- 40:32O jornal está fazendo 45 anos nesse ano e inclusive nesse mês
- 40:36a gente daqui a pouco, muito provavelmente o nosso podcast
- 40:39vai ser lançado no mês de junho, que é o mês do orgulho LGBT e a
- 40:43gente queria muito saber para finalizar aquela com aquela
- 40:46pergunta, aquela chave de ouro é, se houvesse uma edição de 45
- 40:50anos hoje, comemorativa do Lampião, qual seria a manchete
- 40:54da capa? E quem estaria estampado?
- 40:57Nossa, isso é difícil, mas eu colocaria o Renan quinalha, que
- 41:00é um super gato e um ço, né? Lindo, lindo, lindo e muito bom.
- 41:08Aí escreve muito bem e tem um olhar muito legal para para
- 41:11homossexualidade. É um cara muito importante.
- 41:13Eu acho que fico feliz que tenham o que exista o Renan e
- 41:18ele ser quem ele é. Olha só que legal, a gente
- 41:20trouxe uma reportagem com ele nesse podcast e finaliza, deu
- 41:23certo, não fado na capa, se fosse Combinado não ia dar
- 41:26certo. Mas Celso, muito obrigado
- 41:30novamente pela sua presença, por ter topado participar desse
- 41:33podcast. É um prazer enorme para a gente
- 41:35estar conversando com você, conhecer um pouco mais sobre a
- 41:37história do Lampião, sobre a coluna do meio e sobre a sua
- 41:40história e um pouco do avanço dos direitos LGBT mais aqui no
- 41:44país que, com certeza, você fez a diferença para isso
- 41:47exatamente. Foi um prazer enorme.
- 41:49Tá te entrevistando, ter você nesse podcast e o episódio de
- 41:53hoje fica por aqui, mas a luta é para sempre.
- 41:57O Lampião da esquina é o resultado da resiliência e
- 41:59representatividade de muitos que vieram antes de nós.
- 42:02E não puderam estar aqui hoje para contar a nossa história.
- 42:05Não se esqueça de seguir a gente no Instagram para ficar por
- 42:08dentro de todos os nossos conteúdos, arroba puzzle, ponto
- 42:12produções. Bom, este foi o primeiro
- 42:25episódio do podcast Lampião da esquina, produzido neste
- 42:29primeiro semestre de 2023, pela turma do terceiro semestre de
- 42:34rádio, TV e internet do centro universitário FAAP.
- 42:38A apresentação ficou por conta de thalia garding e João Lins.
- 42:42Coordenação, Leonardo bozzi, assistente de coordenação,
- 42:46Letícia rei tres, roteiro e pesquisa.
- 42:49Leonardo bozzi Letícia, rei, deixei Bianca Neves.
- 42:53Produção de reportagem thalia gardini Gabriel Simons produção
- 42:57executiva, João Lins. Montagem, Leonardo bozzi.
- 43:01Transcrição, sofi trovato, divulgação e arte Clara salas
- 43:06vinheta, Vinícius Lima operadores de Câmera, Ari Amorim
- 43:11e Leandro Francisco. Iluminação, dema leite
- 43:14cenotécnica José Claudino operador de áudio, Francisco
- 43:19Cabral. A orientação foi minha.
- 43:21Marcelo aboot turma de terceiro semestre do centro universitário
- 43:27FAAP de rádio TV internet. Primeiro semestre de 2023 é
- 43:33isso, até a próxima oportunidade, quando voltamos a
- 43:37conversar aqui no podcast peças raras até lá.
- 43:44Peças, rádio.