Latest / Peças Raras - Você em sintonia com o rádio / #330 Salomão Ésper no Sofá Bandeirantes
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- 0:01Essas raras. Você tem sintonia com rádio?
- 0:14Olá, tudo bem? Eu sou o Marcelo abud, seu
- 0:17podcaster radiofônico, e estou de volta com nossas peças raras
- 0:23hoje. Um dia muito triste para quem é
- 0:26apaixonado por rádio, como eu. Eu acordei, estava tomando café.
- 0:31E ao abrir o WhatsApp, recebi a notícia vinda do Marcelo Duarte,
- 0:37de que Salomão esper partiu e eu vou até reproduzir o texto
- 0:42escrito pelo Marcelo Duarte, que resume muito bem a importância
- 0:47do Salomão esper, depois de uma vida intensa, plantando
- 0:51amizades, defendendo ideias, evitando Atalhos.
- 0:56Construindo pontes, alegrando e preenchendo os espaços por onde
- 1:01passou. Salomão esper despede se hoje
- 1:04para eternizar se em nossa memória e as cerimônias vão ser
- 1:09no funeral home, na rua São Carlos do Pinhal, 376, Bela
- 1:15Vista, hoje dia 16/03/2025, das 13 às 17:00.
- 1:24Então a nossa despedida ao mestre Salomão esper, que marcou
- 1:29a vida de acredito, muita gente que nos ouve aqui no peças
- 1:33raras. E pra fazer, né?
- 1:36A nossa homenagem é trazendo um documento raro que é a nossa
- 1:40marca aqui no podcast peças raras desde 2006 eu vou
- 1:46compartilhar com você. Uma entrevista do sofá
- 1:50Bandeirantes, o sofá Bandeirantes que era apresentado
- 1:54pelo Paulo Galvão, o Paulo Galvão, atualmente na madrugada
- 1:58ACBN, né? E na época ele apresentava o
- 2:02Bandeirantes acontece e domingo à noite fazia as entrevistas com
- 2:09os nomes da emissora no dia 30/05/2011.
- 2:16Quem sentou no sofá Bandeirantes para contar a sua história,
- 2:19compartilhar isso com quem ouve rádio foi O Mestre Salomão
- 2:26esper, e é esse áudio que eu compartilho aqui para a gente
- 2:31deixar a nossa lembrança, a nossa memória e homenagem a
- 2:37Salomão esper. Rádio Bandeirantes.
- 2:42Muito bem, aqui no Bandeirantes acontece, a gente tá?
- 2:46Dando início a mais um sofá Bandeirantes e com muita honra
- 2:51recebendo aqui o Salomão é espero, apresentador do jornal
- 2:54gente Salomão. Um grande prazer estar contigo
- 2:57aqui no sofá Bandeirantes. Está está bem confortável aí no
- 3:00sofá. Confortável lá você chama de
- 3:02sofá. Para mim, vai ser o divã.
- 3:04Ah, é, viu? É o máximo de colaboração.
- 3:09Tudo bem? Salomão, o Zé Paulo, que foi o
- 3:12nosso primeiro convidado aqui no sofá Bandeirantes.
- 3:14Ele falou de você com grande carinho, disse que você é 11,
- 3:18posto de cultura, mas lembrou do tempo que ele começou na rádio
- 3:22América, com 19 anos, e você lá já era o diretor.
- 3:26Ele disse que você se irritava muito.
- 3:29Porque ele? Falou em 19?
- 3:30Eu acho que ele ele é ele é mais novo ainda.
- 3:33Ele era mais novo ainda, é, ele falou 19 é, e você já tinha 30 e
- 3:37poucos, né? É, ele disse que você sempre
- 3:39anotava as coisas, ele estava no ar lá com o pessoal fazendo um
- 3:42programa de esportes, você estava sempre anotando alguma
- 3:44coisa, e aí quando ele saía do estúdio, você chamava atenção
- 3:47dele, né? Queria que você falasse um pouco
- 3:48desse tempo, né? Como é que é pra você ter sido o
- 3:51chefe do Zé Paulo de Andrade agora dividir o microfone com
- 3:54ele por tantos anos? Ele disse que você é a pessoa
- 3:56que conviva mais tempo com ele Na Na.
- 3:59É. Verdade, mas olha a fadiga do
- 4:01material, faz essas coisas. Quer dizer, ele é mais novo do
- 4:05que eu. O Zé Paulo tem 13 anos menos,
- 4:09né? E o Zé Paulo, evidentemente, com
- 4:14o talento que tem, com o valor que ele tem, ele foi acendendo e
- 4:18hoje ele tem essa ascendência até sobre o seu antigo chefe, de
- 4:22modo que o Zé Paulo é uma pessoa que a gente respeita muito,
- 4:25respeita com suas esquisitices. Com seus maneirismos, com os
- 4:30seus cacoetes mais respeita, sobretudo pelo seu valor, pelo
- 4:34seu conhecimento, pela sua dedicação ao trabalho e a
- 4:38profissão de jornalista, de modo que os tempos se passaram, um
- 4:45menino como ele era. Às, às vezes na companhia do
- 4:48Atílio ricov, virou um grande produtor aí de novelas e tal,
- 4:52né, EEA? Gente brincava muito porque
- 4:57procurava, senão a perfeição era a emissora de porte médio, a
- 5:00rádio América. Mas a gente procurava evitar
- 5:04alguns excessos ou algumas coisas que eu pudesse julgar,
- 5:08criticava. Então brincava muito com eles.
- 5:11E o Zé Paulo gosta de se referir ao fato de que eu batizei o
- 5:15programa esportivo sobre a responsabilidade dele do
- 5:18primeiro programa esportivo humorístico do rádio.
- 5:21É um é um exagero. Salomão, eu queria que você
- 5:25falasse um pouco do seu trabalho aqui No No grupo Bandeirantes,
- 5:28né? Quanto tempo que você está por
- 5:29aqui? Você já fez de tudo, não é?
- 5:30Salomão, na televisão também fala um pouco disso aí.
- 5:34Bom, em 1952 eu saía, depois de 4 anos, de Rádio Cruzeiro do
- 5:38sul, que passou a se chamar Rádio Piratininga, onde entrei
- 5:40por um concurso. Nunca pensei que tivesse tanta
- 5:45gente querendo ser locutor de rádio e eu precisava.
- 5:49Eu gostava muito, como todos os moços da minha época no
- 5:52interior, em Santa riba do Passa Quatro, em Pirassununga, onde se
- 5:56imitavam os locutores do cinema, né?
- 5:58E os locutores mais famosos do rádio.
- 6:03Em São Paulo e no Rio de Janeiro.
- 6:06E eu gostava e na procura que fiz aqui, vindo para São Paulo
- 6:11com um pouco de dinheiro, com a intimação familiar de garromasse
- 6:15emprego antes que o dinheiro se esgotasse.
- 6:19Eu estive na rádio Record, estive na Tupi, pedindo lá uma
- 6:23oportunidade. Já tinha formação de um concurso
- 6:26na Rádio Cruzeiro do sul, na praça do patriarca.
- 6:30Quem me atendeu na Record falou disso também.
- 6:33Foi na Tupi, onde eu não sei, eu tenho o cisma que esperando
- 6:36acabar, OOA apresentação noturna dos artistas do elenco da Tupi.
- 6:41É Na Na cidade do rádio que eu fiz um teste com o microfone
- 6:47desligado, que eu olhava, não via fio.
- 6:49Naquele tempo não tinha microfone sem fio.
- 6:51Eu olhei e falei, acho que estamos me fazendo de coiote.
- 6:55Estava lá o Augusto Machado de Campos, incumprido da missão de
- 6:59me ouvir, né? Acho que ele ouviu direto.
- 7:01E ficou por isso mesmo, né? EE, aí então fiquei 4 anos na
- 7:06Rádio Cruzeiro do sul, onde o lugar que me foi assegurado,
- 7:09trabalhei depois na Record, quase que simultaneamente,
- 7:13porque acabaram me me me dando uma chance.
- 7:16O bloco a Júnior pediu que eu gravasse um uns textos do
- 7:19cigarro, mistura fina que ele me deu, estava ao alcance da mão.
- 7:22Ele me deu aquilo, vai aí na praça, tem um estúdio aí de
- 7:25gravação e era um estúdio fotográfico que fazia gravação.
- 7:29Num disquinho flexível e a gente chamava de disco de papelão.
- 7:33Olha só, quando acabei de gravar, fui ouvir, eu tinha
- 7:36caprichado naqueles textos do cigarro, mistura fina e o
- 7:40negócio tava fanhoso fininho, né, Carlos?
- 7:43Besteira fina. Eu falei, Ah, meu Deus do céu,
- 7:45como é que eu vou levar isso? Cheguei pro blota, entreguei,
- 7:50fiz esse reparo, né? Já desalentado e ele me
- 7:53consolou, dizendo, ora, se voz valesse.
- 7:56Eu não estava no rádio. Ele era, de fato, uma das
- 7:59exceções daquele Império da califasia, da voz bonita.
- 8:03O blog não era um brilho extraordinário, mas não era Oo
- 8:07requisito, o recurso maior. O que eu recomendava não era a
- 8:11voz. E ele me consolou, dizendo, se
- 8:13rádio valesse, eu não estaria. E aí?
- 8:16E ele, ele entregou lá para um programa informativo que tinha 4
- 8:20Apresentações de 6 em 6 horas, 6 da manhã, meio-dia, meia-noite,
- 8:24né? É esse programa?
- 8:27É, era de jornalismo, estava sendo lançado, falava dos
- 8:31distritos policiais da Câmara municipal, da assembleia
- 8:36legislativa e eu chamava essas pessoas que iam participar do
- 8:41programa. Cavei um biquinho lá para ganhar
- 8:44mais um pouco de dinheiro. E como não eram profissionais de
- 8:48microfone, era gente jornalista que.
- 8:51Setorista desses, desses locais, evidentemente que a sobre levava
- 8:57a minha voz e eu já gostava daquilo.
- 8:59Eu já me julgava do ramo e eu era citado como exemplo.
- 9:03Ah, preste atenção, olha como o Salomão está lendo não sei o que
- 9:05para que os outros aperfeiçoassem, né?
- 9:08Foi muito bom. E aí o depois de 4 anos na Rádio
- 9:13Cruzeiro do sul, que era o meu emprego mesmo, né?
- 9:17Eu vim para a rádio América convidado por César Freitas, que
- 9:22era um diretor que tinha vindo do Rio de Janeiro.
- 9:25Ele também mudou, né? O nome dele era José billcher em
- 9:30arte, César Freitas, o moço de muito valor.
- 9:34Ele achou que eu tinha, me levou lá para apresentar aqueles
- 9:36programas de auditório, programa de calouros lá na rádio América.
- 9:39E lá eu fiquei muitos anos, quer dizer, contando da rádio
- 9:43América, já fazia parte das emissoras do grupo João Saad.
- 9:46De 1952 até agora eu estou aqui, portanto, são 56 anos, né?
- 9:50Um pouco mais só de da família sahade EE do grupo.
- 9:57Você e o muybo estão ali, então? É, estamos ali, então eu.
- 10:01Eu estou completando 60 anos, já completei agora No No mês de
- 10:05agosto que se encerrou 60 anos de rádio em São Paulo, fora um
- 10:09ano e meio em Pirassununga. Quando eu fui estudar lá, saindo
- 10:12de Santa Rita, de passar 41 cidade, ficava a 30 e poucos
- 10:15quilómetros, né? Hoje a distância é menor porque
- 10:18tem asfalto e tudo que eliminaram as curvas e fui
- 10:22estudar e quando inaugurava quando se inaugurava lá uma
- 10:25emissora ZYE 3 Rádio Difusora de pirassunga.
- 10:28Também cavei lá, um bico apresentava um programa de
- 10:31música brasileira. Fiquei lá um ano e pouco, mas só
- 10:34em São Paulo são 60 anos cravados de rádio.
- 10:38Que beleza. E salomon pra mim é um grande
- 10:41prazer quando eu substituo o riceen No No primeira hora já há
- 10:44alguns anos, né, que eu venho fazendo as férias dele.
- 10:47É um grande prazer ver Oo salomon entrar lá no estúdio por
- 10:50volta das das 10 para as 8 sempre, né?
- 10:53Carregando uns biscoitos de polvilho, umas bananas, uma
- 10:56pilha enorme de jornais, revistas e mails, cartas, mas
- 11:01sempre com um grande sorriso. Depois de 60 anos de rádio, você
- 11:05mostra que você você gosta do que você faz, não é, Salomão?
- 11:09Claro, claro que eu gosto é tanto tendo acendido a diversos
- 11:15cargos de chefia, direção artística.
- 11:18Superintendência na América e aqui também na Bandeirantes.
- 11:21Quando eu resolvi dar um breck, IA dizer, agora vou fazer só
- 11:24aquilo que eu gosto, que é falar um pouco, desabafar.
- 11:28EE continuei, com a anuência da direção da casa, fazendo o
- 11:35programa opinativo, que é o jornal da Bandeirantes, gente.
- 11:38Programa que é, eu já tinha assumido anteriormente, né?
- 11:43Com outro nome, quando fazia as substituições do Vicente
- 11:46leporasse no Trabuco. Por impedimento, por doença nas
- 11:49férias, né? E até o seu passamento quando
- 11:54formamos a equipe que você já conhece, né?
- 11:57Com algumas modificações de alterações de percurso, mas ela
- 12:02está com o formato até inicial, com Zé Paulo, joelmir e eu.
- 12:06Palomo, já que a gente está falando desses tantos anos aí de
- 12:08trabalho, queria que você contasse aqui para o nosso
- 12:10ouvinte do Bandeirantes. Acontece aqui No No sofá
- 12:13Bandeirantes, aquela história que você contou um dia que
- 12:16acabou virando uma crônica do rayssing, né?
- 12:19Eu estava aí o substituindo naquele dia, né?
- 12:23É da forma como Oo guardinha da sua rua se referiu a você num
- 12:28dos dias que você estava saindo, né?
- 12:29Conta essa história, Salomão. Bom, são são 2 fatos de
- 12:32interligado, Oo guarda substituto lá da rua, o chamado
- 12:36segurança. A minha empregada vai até a
- 12:39calçada, sempre olha e nem explica para eles o beabá,
- 12:43porque a rua é em curva e pode ser que venha vindo alguém.
- 12:45Já tivemos 23 assaltos, né? Então ela tem essa cautela
- 12:51quando vem vindo alguém desconhecido e tal para tomar
- 12:55cuidado, EOOO guardinha substituto.
- 12:58Olhou 15 dias, aquela aquele ritual todo, a saída do cara e
- 13:01falou, puxa vida, Hein? Até acho que ele falou para eu
- 13:04ouvir, sabe? Com a guisa de elogio, com essa
- 13:09idade ainda trabalhando, Hein? E todo dia.
- 13:13Aí eu contei aqui, o pessoal se lembrava muito bem do do do
- 13:18ouvinte, que se comunicou por e-mail com a gente a ocasião em
- 13:23que OOO Amorim, que hoje está lá na Record, ele recebeu um
- 13:27prémio, né? E a Bandeirantes estava
- 13:30anunciando esse prêmio com seguidamente.
- 13:33E aí OE mail dizia assim, mas como é que é uma casa que tem?
- 13:38Aí começou a citar os nomes, o Zé Paulo, o elmiro.
- 13:42Todo mundo, né? Zennelo aqueles que têm opinião,
- 13:46né? No a missão de opinativa no
- 13:48microfone e tal que tem esse esse monstro.
- 13:55A expressão comum é esse monstro sagrado.
- 13:57Eu elogio que já virou até sidiço, né?
- 14:02Ele me descreveu como um monstro anti de luviano, né?
- 14:09Este monstro pré histórico, ele usou a expressão aí eu li, eu li
- 14:14aqui e o pessoal pegou aquilo e toda vez que eu entrava falava
- 14:18todo. Dia, todo dia tinha 11, negócio
- 14:20um. Monstro pré histórico e ainda
- 14:22trabalhando serviu a Santa Ceia. Ainda trabalhando né?
- 14:26Ajudou a escrever a carta de pero Vaz de caminho e ainda
- 14:30trabalhando cada dia o talento do raio.
- 14:33Sei dos companheiros do Dedé, do Dimas, do Walter Braz.
- 14:39Todos eles me esperavam com uma frase, né?
- 14:43Na Na madrugada iam preparando as coisas mais engraçadas e aí
- 14:47virou uma crônica do raio sem abaque, né, é?
- 14:51Não. E pra gente.
- 14:51Salomão, eu estou com 39, né? 40 anos, AA menos que você, né?
- 14:56Mas pra gente é eu com 39. Às vezes já estou passando por
- 15:00aquela fase assim que já acho que já estou ficando velho, né?
- 15:02Mas a gente olha para para você, para o moíbo, trabalhando com
- 15:05toda essa energia. É muito estimulante, viu
- 15:08Salomão? É graças a Deus, é, está dando.
- 15:11Às vezes a gente tem, sem nenhuma demagogia, alguns ímpar,
- 15:15fala, será que eu estou sobrando?
- 15:17Não estaria na hora de parar. Imagina como é que pode uma no
- 15:23rádio jovem moço, né? No rádio, rádio vibrante, que a
- 15:28cada dia acrescenta, tem novas conquistas.
- 15:31Você se imagina octogenário falando no rádio.
- 15:34Eu estou No No del bar, né? Desse desse Horizonte aí, porque
- 15:39o ano que vem eu cravo essa marca histórica, estarei
- 15:44trabalhando até lá. Pelo jeito, parece que sim, não
- 15:48é? Com certeza, então.
- 15:49Estará. Essa essas coisas acontecem e
- 15:52você sente, sente oOoOO prazer de ter resposta do público não
- 15:59tem. Até quando a gente.
- 16:02Dá uma opinião que é discordante de alguém.
- 16:05Você imagina agora, na eleição, se nós, a exemplo dos jornais,
- 16:11da imprensa escrita, pudéssemos dizer, o candidato tal é fraco,
- 16:14o candidato tal é anódino, não cheira nem fede.
- 16:19Ele não vai comover ninguém, ele tá ruim, a estratégia tá errada.
- 16:23Onde é que se viu o cidadão aparecer e dizer, eu quero por
- 16:27vocês falar qualquer coisa, né? Uma palavra que a gente.
- 16:30Você imaginou se eu pudesse emitir, na minha opinião, se o
- 16:33seu Paulo pudesse dar a dele o joelmir?
- 16:35Assim, francamente é, né? Ou por ser radioconcessão é
- 16:41governamental? Não sei.
- 16:42A lei eleitoral proíbe essa manifestação nos veículos como o
- 16:47rádio e a televisão, e os jornais têm toda a Liberdade
- 16:50para analisar todo o Panorama avançar.
- 16:54É gozar as pesquisas ou apoiar as pesquisas, coisas que nós
- 16:57somos impedidos de fazer. Mas vamos supor que a gente
- 17:01pudesse fazer isso. Você imagina o quanta gente IA
- 17:04xingar, mandar e mails ofensivos, se você fica com um
- 17:08ou com outro. Não adianta não.
- 17:10Como não há unanimidade, né? Você então precisa ser
- 17:14ponderado. Se você tomasse a decisão de
- 17:16apontar o erro de uma campanha dizendo fulano vai perder porque
- 17:20o povo não vai se sensibilizar com esse tipo de campanha que
- 17:23fala isso. Bom, IA ser 11 palavório um
- 17:26xingatório aí que não teria fim, não é?
- 17:29E você precisa então é saber se comportar frita, imaginar.
- 17:34Que que o cidadão pode pensar que você é estipendiado por esse
- 17:39ou aquele que espera alguma vantagem desse ou aquele?
- 17:42Não é isso? Isso acontece sempre, mas
- 17:46felizmente nós não fomos contaminados por isso, nem pelas
- 17:50seduções do cargo, pelas perspectivas que a carreira
- 17:53radiofónica de jornalista oferece, né?
- 17:56Tudo que acenam para a gente e que nós não é nenhuma virtude,
- 18:02mas. Nesta hora de tantas e tantas,
- 18:06de tantos e tantos descaminhos, a gente encontra algumas,
- 18:11algumas pessoas que não acreditam que exista gente que
- 18:14que já tenha escolhido o seu epitáfio.
- 18:17Como eu escolhi, né? Brinco muito, Ah É, mas é uma
- 18:20coisa séria, eu decidi, eu tirei tudo que oferecem para a gente.
- 18:25Graças a Deus, mantivemos a alternia e eu posso escolher o
- 18:31meu epitáfio. Aqui já.
- 18:33Se o jornalista Salomão esper finalmente na gaveta, não é
- 18:38porque, enquanto vivo, deu para resistir a todas as seduções.
- 18:42E olha o jornalista Newton Carlos num e-mail que ele mandou
- 18:47para o Zé Paulo, não é? E eu faço questão desse
- 18:51registro, porque isso chegou às nossas mãos aí essa semana.
- 18:55Ele se refere ao seu trabalho de uma vida inteira, né?
- 18:59Dedicada ao jornalismo. E ele disse, como trabalhei a
- 19:02vida inteira, faltou tempo e sobrou vergonha para entrar por
- 19:07descaminho, sob o manto de uma profissão na qual não faltam
- 19:11cantos de sereia. Olha, olha aqui que definição e
- 19:15os cantos de sereia, quantos e quantos, não é políticos,
- 19:19insinuaram, favorecimento, alguma ajuda?
- 19:22Imagine um jornalista da importância do Newton Carlos.
- 19:25É por quantas seduções teria ele passado, né?
- 19:29Resistindo, airosamente, enfrentando até dificuldades.
- 19:32A pessoa vai ficando com idade, não é?
- 19:34E as necessidades são maiores, não é?
- 19:37Ele fez isso na num desabafo, não foi para nem para ser
- 19:41publicado numa conversa conosco, né, porque ele tá com problemas
- 19:45de saúde, então ele ele fez isso.
- 19:48Ele não podia se internar na clínica maio nem fazer.
- 19:52Era esse motivo dele dizer como teve esse comportamento.
- 19:56Ele não amialiou Riqueza para poder esnobar agora que que se
- 20:01precisa. Então é isso que a gente fala.
- 20:04Se você tem um comportamento como modestamente, eu tenho
- 20:08isso. Eu falo até com orgulho, como o
- 20:09Zé Paulo tem, como o joelmir tem como leporá se teve, não é?
- 20:14Nosso antecessor no programa é motivo de vanglória?
- 20:17Sim, é uma obrigação ser, mas como muita gente não é, você
- 20:22encontra histórias. Hoje, os políticos são
- 20:26criticados aí por colocar parentes nos empregos cada vez
- 20:30que tem que formar assessorias, né?
- 20:32E, no entanto, quanta gente não conseguiu esse tipo de emprego
- 20:36para quando não para si próprios, para para parentes,
- 20:40amigos, namoradas, amantes e mulheres, né?
- 20:44Isso acontece mesmo em todas as profissões.
- 20:47Aqueles que trilham essa senda e passam garbosamente,
- 20:51indiferentes a essas seduções. Merecem citação sim.
- 20:55E eu lembrei essas essas palavras lapidares do Newton
- 21:00Carlos na hora que você me perguntou, você fez essa
- 21:03pergunta? Salomão, qual que é a lembrança
- 21:05mais feliz que você tem desses anos todos?
- 21:08Aqui No No grupo Bandeirantes, dá para destacar algum momento
- 21:12assim ou não? É a resposta, é a resposta que
- 21:15muita gente que tem uma carreira longa dá, né?
- 21:19E que o Roberto Carlos sintetizou, são tantas as
- 21:22emoções, né? As emoções são tantas.
- 21:27E a gente, eu mesmo sou capaz. Não é o pecado da omissão,
- 21:31porque não vou falar de ninguém. Mas eu eu tenho medo de me
- 21:35omitirem coisas importantes, porque elas vão ficando.
- 21:38Mas olha, eu tive tanto primeiro Alegria.
- 21:41De trabalhar no rádio, de conseguir um lugar 2 vagas.
- 21:45Eu e um moço de Itapetininga, Cícero Motta Pellegrini, que
- 21:48depois foi comentarista de rádio, ele já já desapareceu, já
- 21:53morreu. Ver tanta gente com cara de
- 21:55executivo, com pastinha na mão, disputando um lugar de locutor
- 21:58na Rádio Cruzeiro do sul que nem pegava em Santa arlinda Passa
- 22:02Quatro. Ela tinha ondas curtas, mas a
- 22:04onda média eu não pegava, né? E a gente vinha com ideia de
- 22:07trabalhar na marinha, que veio na nacional do Rio de Janeiro,
- 22:10na Bandeirantes, de São Paulo, Tupi, as emissoras que você
- 22:12pegava no interior, onde eu consegui um lugar numa emissora,
- 22:16e eu falei, AI, meu Deus do céu, eu não vou nem me ouvir em Santa
- 22:19Rita, né? E para minha surpresa, as
- 22:24alegrias começaram nessa rádio pequena pela resposta que o
- 22:28público tava a qualquer manifestação, porque eram poucas
- 22:32as emissoras e todas tinham ouvintes, umas mais e outras
- 22:35mesmas todas tinham. Hoje você vai fazer uma mídia de
- 22:38publicidade 70, prefixo só na grande São Paulo, ou mais?
- 22:43Não sei se tem mais agora, como é que você pode, né?
- 22:46Então? Oo rádio é um veículo poderoso,
- 22:50mas você não tem a rádio? Poderosa pela pelo
- 22:53fraccionamento da audiência, pelas coisas que foram
- 22:56acontecendo, por concessões do governo, pela né, pela Caridade
- 23:01do governo e tratava bem os seus aliados e os políticos.
- 23:04Nós tivemos aí muitos deles detentores desses prefixos e
- 23:08aumentando excessivamente o número de emissoras.
- 23:13Salomão um dos e mails que a gente recebeu aqui, por conta da
- 23:16entrevista anterior que a gente fez com o Zé Paulo, ouvinte
- 23:18falou, Ah, vocês poderiam ter falado mais do seu João, porque
- 23:22ele chegou a citar lá, mas a gente não falou muito do do seu
- 23:25João. Você conviveu muito com com o
- 23:26seu João, não é? São muito eu.
- 23:28Eu cheguei aqui na em na Bandeirantes em 88, então acabei
- 23:33é em 98, né, 98. Acabei convivendo pouco com ele,
- 23:37mas lembro de algumas vezes que ele vinha na redação, dava uma
- 23:39passada, conversava com as pessoas, né?
- 23:42Você teve 11. Grande convívio com ele, né,
- 23:44Salomão? Olha eu, essas coisas são
- 23:46interessantes. A gente precisa contar porque eu
- 23:48falei para você que eu IA ficar não no sofá, no divã.
- 23:51Parece uma psicanálise. Quando eu estava Na Na Cruzeiro
- 23:57do Sul, depois lá de piratinin, houve um concurso para o
- 24:00repórter SO repórter s, em São Paulo.
- 24:04Era de segunda categoria. Categoria porque.
- 24:09Não havia figura, nem se sonhava com Eron Domingues.
- 24:12Ele já pontificava no Rio, já tinha terminado praticamente a
- 24:16guerra, né? E o repórter s teve aquela
- 24:19importância e São Paulo era o locutor do horário que lia o
- 24:22repórter s, eu então fiz. Aí passei por um teste e fui
- 24:30para a rádio Record para tal. Para a emissora que me deu
- 24:34também algumas coisas para subsistência no começo da
- 24:37carreira, né? É pelas razões que eu já expus
- 24:39aqui e eu fui para para o repórter esta e eu lembro que o
- 24:44emissário da. Da da United preza.
- 24:47Chegavam correndo com aquilo, prontinho, já sentado no
- 24:50microfone para ler. Não tinha tempo de uma revisão.
- 24:52Todos aqueles conselhos que dão, leia o texto antes, recolha.
- 24:55Todos os vídeos. Você imagine, naquele tempo você
- 25:01tinha que falar da represa de diria popetrowski na Rússia,
- 25:05quando os exércitos alemães estavam entrando, né?
- 25:07Palavras que apareciam assim como aparece hoje.
- 25:10Eu recebi um disco do do Eron Domingues, que era uma instrução
- 25:14para todos os repórter s Na Na federação brasileira.
- 25:18Aí onde tinha isso, instrução de como eles deviam se comportar.
- 25:22É um professor, era uma coisa respeitável, então ele tinha
- 25:26coisas, um disco daquele de 16 in, um acetato que dizia, o
- 25:30repórter s deve dar a impressão que passou uma noite maravilhosa
- 25:34e acordou bem cedo e saiu pelo mundo, a carta de notícias desse
- 25:39jeito, a instrução. Aí se permitia como deviam ser
- 25:43as pronúncias, né? AA consonantal a labial anão sei
- 25:49o quê, EOCH, nunca prolongue a palavra com o Ceará, não diga na
- 25:55China, diga China, Chile, secamente para não chiar no
- 26:00microfone está vendo como é? Está percebendo tipo de
- 26:02instrução? Eram coisas maravilhosas que que
- 26:06que chegavam para a gente. Bom, eu fiz essa digressão para
- 26:09dizer. Quando OOO repórter Esso, que
- 26:12ficou 2 meses na Record, onde eu já comecei, mas a intenção era a
- 26:17sua renovação na Tupi, lá no Sumaré, o Geraldo de Barros, que
- 26:21era diretor lá da Piratininga, entendeu?
- 26:24Olha AA ligação, né? Eu soube pelo Murilo Alberto
- 26:28Guimarães, que era meu chefe, locutor chefe, que ele passou e
- 26:31falou, o menino é bom, não deixa de sair.
- 26:35Foi esse o comentário dele. Ele me procurou, falou, olha, eu
- 26:38devia isto, tal você pode. É o repórter.
- 26:41Essa eu me lembro. Aí IA ganhar 4000, BRL.
- 26:44Eu ganhava o salário profissional, 1000 e pouco.
- 26:46Uma coisa assim, eu nem sei se a moeda era Cruzeiro real.
- 26:50Me lembro mais. Eu sei que era.
- 26:51Isso era 4 vezes o 4. Vezes, exatamente.
- 26:54Tá boa demais. Eu disse, meu caro Murilo, você
- 26:58já me contou que ganha 1800 2 é se você que é meu chefe, ganha
- 27:03isso. Que Esperança, Paulo, eu cuido
- 27:05de mim. Você vai pensar em você agora é
- 27:09a sua oportunidade, olha o desprendimento.
- 27:11Você sabe que a hierarquia tem raros exemplos de alguém, seu
- 27:15chefe, que diga você pode ganhar mais do que eu, que não tem
- 27:18importância. Eu me viro depois.
- 27:20Eu não conheço nenhum. Muito bem.
- 27:23Aconteceu comigo e eles me deram 3000 BRL mas.
- 27:27Mas não era menos que IA ganhar. Sim, mas o repórter impedia que
- 27:32você desse o nome. Impedia que você gravasse
- 27:35qualquer propaganda. Você não podia fazer.
- 27:38Era absolutamente exclusivo. E eu estava animando auditório
- 27:42com as menininhas. Já lá vou ver o programa do
- 27:45Salomão calouros aparecendo. Programa de auditório como o do
- 27:49Manuel, do Manuel de Nóbrega, que voltava de uma incursão
- 27:53fracassada na política. Você na rádio ou na TV, na.
- 27:56Na rádio na rádio EE eu estava animando, era um animador, já
- 28:01saia nas revistinhas e tal nos suplementos de rádio.
- 28:05Eu falei, eu vou largar isso para ser repórter, é essa, eu
- 28:08acho muito bem. Fui ao Mark américson e disse ao
- 28:11David Monteiro que era presidente, um homem
- 28:13extraordinário, a figura ilustre e ele, quando depois de todo
- 28:17aquele trabalho da escolha e eu chegar, falar que não IA para
- 28:21Tupi, né? Ele disse, o senhor está dando
- 28:24um pontapé na sorte. Puxa, aquilo foi uma facada.
- 28:28Falei, meu Deus, que que será que eu tô perdendo aqui, né?
- 28:31Mas resolvi ficar, não me arrependo, fiquei.
- 28:35É meses depois, meses depois, AO repórter s, foi lançado na TV
- 28:42aqui e o Calil filho? Falei, meu irmão de de, de, de,
- 28:46de futebol, de Corinthians, né? De, de, de, de ideias afins,
- 28:50tal. O Calil filho me procurou,
- 28:53queria que eu o apresentasse, porque ele queria ser o repórter
- 28:56s da TVE. Tinha foi um bom, um
- 28:59extraordinário. Até apresentador do repórter SO
- 29:02nemercio Nogueira também foi, mas eu tive a.
- 29:05Essa participação com o Kalil, que ele ele me pediu, falei,
- 29:09Kalil, eu não sei se eu sou a pessoa indicada, que eu acabei
- 29:12de dar um pontapé na sorte. O filme tá meio queimado lá.
- 29:15Não sei, mas assim mesmo com uma pessoa, né?
- 29:20É que morreu prematuramente. Ítalo Weber, grande advogado que
- 29:25foi um proeminente segura da Macan.
- 29:28Eu falei da pretensão do Kalil e não é que o Kalil acabou sendo o
- 29:32repórter Aécio da TV? Então essas essas coisas
- 29:37aconteceram e eu faço o registro, há coisas que eu já
- 29:41contei diversas vezes, sucessivas entrevistas e há
- 29:44alguma coisa nova que você está ouvindo agora aqui, Paulo
- 29:48Galvão? E o seu João Salomão?
- 29:50Então chegamos ao episódio do João Sá, assim como o Geraldo
- 29:55Geraldo de Barros, da família do doutor Ademar, fez esse
- 30:00comentário de encommios tal a minha atuação.
- 30:04João sahad e a distância que ele cuidava da Bandeirantes, mas ele
- 30:07ouvia a rádio América e eu lá ni Wander, não sei o que e tal.
- 30:12E ele também acenou lá, né? Essas minhas virtudes pro
- 30:19superintendente da época. Eu eu fui acendendo lá nos
- 30:24cargos também diretor artístico, diretor superintendente, e a
- 30:29Bandeirantes começou a. Aí eu vinha trazer um pouco de
- 30:34publicidade aqui, Ah, você, o Salomão tal.
- 30:37E foi aparecendo a oportunidade de trabalhar aqui também.
- 30:40Quando lançar o primeira hora, meses depois, é o Júlio Atlas.
- 30:48Queria mostrar pro Edson leite, pro Murilo leite e tal faz o
- 30:52registro da sua voz. Aí a primeira hora tinha as
- 30:55maiores vozes do rádio de São Paulo, jornal lançado aqui pelo
- 30:59Alexandre kadunk. Mas era uma coisa, um grave, que
- 31:02fazia inveja. Você?
- 31:03Eu não falo isso, mas é, é A Pura Verdade, é reinava
- 31:08imperialmente, sem nenhuma concorrência, o grande jornal
- 31:13falado Tupi, o corifeu, o orifeu dos Simões, que teve colaboração
- 31:19decisiva na implantação desse jornal lá.
- 31:22EOO kadun que conseguiu no lançamento, era a primeira hora
- 31:26tirar aquela audiência que era maciça.
- 31:28Foi dividindo, foi fercando e suplantou e ficou o matutino
- 31:33radiofônico de maior audiência, né?
- 31:36Você tinha. Eu não vou nem citar nomes,
- 31:39porque aí posso esquecer um e ofender, mas aqueles graves que
- 31:43consagravam o locutor você tinha sem afetação.
- 31:46Eles eram aquele grave, bonito, que enchia o bafo, como a gente
- 31:49fala o alto-falante, né? 4 vozes, uma coisa
- 31:53extraordinária. E em seguida travou le porás
- 31:58tempos depois. E então foi aquela aquele
- 32:02domínio praticamente da audiência aqui.
- 32:05E o tive o contato então mais Estreito com o João, porque na
- 32:10rádio América era de passagem de uma vez.
- 32:13Até quando ele começou a construir aqui, a coisa foi
- 32:16ficando pronta. Havia necessidade?
- 32:19De desbravar aí de entrar por esses envios caminhos que
- 32:23ninguém queria vir no Morumbi, não tinha condução, era um
- 32:25negócio difícil. Ele me botou num karmenguia e
- 32:30você quer ver? Vem aqui mostrar como é que a
- 32:32gente vai rápido. Eu, eu até fiquei honrado com
- 32:35esse destaque, porque eu era um funcionário moço e ainda, né,
- 32:42praticamente engatinhando aqui. E o seu João dirigindo,
- 32:44dirigindo, karmanguia, você é do lado.
- 32:47Em 11 minutos, 12 minutos, ele marcou no refez questão.
- 32:51E ele não foi de piloto, não no hã, não é de querendo ser
- 32:55Fórmula 1 nem nada, ele foi, disse.
- 32:59Aí o problema é a condução aqui, da altura da faria Lima, até a
- 33:03condução terminava aí. Você então punha uma piolinha
- 33:06para trazer, depois inaugurar algumas linhas.
- 33:09Havia essa, essa dificuldade, e a rádio América veio primeiro
- 33:13para cá. Pra mostrar que era.
- 33:16A resistência era menor, porque os cobras da Bandeirantes
- 33:20resistiam mais. E João Sara também não era um
- 33:23ditador. Ele ouvia, mas não se conformava
- 33:26com o Havana, com esse vaticínio ir lá pro Morumbi.
- 33:29Parecia que. Era outra cidade, outra.
- 33:32Cidade, né? Hoje é difícil, muito mais
- 33:35difícil. Vir aqui.
- 33:36Tem muito carro agora, né? Tem muito carro.
- 33:38Só tava rua agora. Sobra carro, é isso?
- 33:42Bom, e tive então esse contato com com o Juan saade.
- 33:46E aí que entra que eu acho que a parte que você quer saber a
- 33:49Liberdade que ele dava pra gente, ele é uma Liberdade com
- 33:53responsabilidade. Nós passamos o período da
- 33:56ditadura. O pedido da chamada revolução,
- 33:58ou do golpe de 64, foi ruim para todo mundo.
- 34:02Eles queriam um Brasil melhor. Os motivos eram até razoáveis.
- 34:06Nós estávamos numa bagunça aqui que não, não, a gente tem que
- 34:09ressaltar. Mas por mais bagunça que a gente
- 34:12tivesse. E a ditadura se revela, quer
- 34:14dizer, improdutiva. E o pior é inclemente, porque se
- 34:17ela tivesse tudo isso, erros e acertos, mas não partisse para
- 34:21prisões e para as torturas que ficaram provadas, né?
- 34:24Então nada justifica, foi uma e com censura.
- 34:27Aqui nós tivemos a presença de sensores e aí coisas que
- 34:32demoraria muito para contar e João saade sempre contando com o
- 34:38nosso descortinho. E nós?
- 34:41Íamos procurar manter a nossa Liberdade, né?
- 34:45Nós nos permitíamos alguns furos da censura, até seja porque o
- 34:51censor não era muito qualificado, às vezes não
- 34:53percebia a ironia. E eu me lembro claramente que
- 34:56nós entrevistamos No No jornal é, estavam entrevistando dona de
- 35:01casa na feira. Depois ouvimos 11 militar e o
- 35:05militar dizia que sabia das agruras do povo.
- 35:08Nós estávamos vivendo. Nós estávamos vivendo um estado
- 35:12de sítio EOOOE. Ele dizia que a mulher dele
- 35:16também IA a feira, que sabia do do do custo de vida.
- 35:19Sentia que eu não era um regime opressor, a mesma dificuldade
- 35:24que o povo tinha também ele. A família tinha e tal, né?
- 35:28Pintou que de 4 dias e eu fazendo por minha ordem, agora
- 35:33nós entendemos. Porque as forças armadas estão
- 35:38em rigorosa prontidão, com referência à falta de dinheiro.
- 35:42Estavam de prontidão pelo estado de sítio, falou tanto na falta
- 35:46de recurso para as para as despesas mínimas.
- 35:49Falamos isso não há ninguém foi chamado.
- 35:51Eu não fui de o sensor nem percebeu o que era isso.
- 35:54Agora, Salomão, muito se fala assim.
- 35:55Na época da censura nos jornais, se colocava lá um soneto de
- 35:58Camões, receita de bolo no rádio.
- 36:00Como é que fazia? Eu tinha que colocar o quê?
- 36:02Eu tenho até inveja de alguns jornais que esqueceram a poesia,
- 36:07viu? A poesia era melhor do que era?
- 36:10Exatamente, às vezes muito melhor que a matéria editorial.
- 36:16Então é é é essa brincadeira que a gente faz, EOOOO João saade, o
- 36:23Zé Paulo gosta de citar isso sempre, né?
- 36:26Quando a gente estava muito pessimista, eu muito crítico do
- 36:30governo, aquelas coisas, ele dizia, eu vi o jornal hoje, olha
- 36:34aqui, ó. Ele tinha um gravadorzinho, até
- 36:36ele falava, na madrugada ele acordava e ele.
- 36:39Registravam para não esquecer, 1020 30 itens, né?
- 36:43Interessante, ele acionavam. O Paulo fazer isso?
- 36:45O seu João, o seu João, hã? E ele disse, olha só, olha a
- 36:49minha emissora aqui, será que não nasce uma flor?
- 36:53Ele não tem uma notícia boa. E ele procurava, quer dizer,
- 36:57aliciar com argumento. Nunca ele dizia, ele disse
- 36:59assim, não quero isso, ponho na rua.
- 37:02Isso eu nunca ouvia, né? Não só em situações dramáticas,
- 37:06de absoluta rebeldia aqui. Ele mostrava que esse essa
- 37:11energia excessiva assim no comando, né?
- 37:14Que deixava de ser excessiva pelas razões que recomendavam a
- 37:17sua posição. E ele costumava sempre
- 37:22argumentar, conversar. Se você defendia a sua posição,
- 37:26ele ele também se rendia, não é? Não é o Zé Paulo.
- 37:29O Zé Paulo escreve de jornalismo na brincadeira.
- 37:33O que ele passou por aqui também, porque todo dia tinha
- 37:35uma encrenca, um excesso, um exagero.
- 37:38Uma postura criticado dos pais, da pátria, dos políticos, que
- 37:42tinha o que criticar, né? Porque ficou assim.
- 37:45Você não fazia crítica ao poder central, mas você podia criticar
- 37:49a assembleia legislativa, a Câmara federal, né?
- 37:51Com esse arremedo de Liberdade que o regime deu, né?
- 37:55Para manter AAA capa de estendendo o manto diáfaro da
- 38:00fantasia sobre AA rudeza e do governo e como se fosse um
- 38:06regime democrático. A gente está com o Salomão,
- 38:08espera aqui no sofá Bandeirantes.
- 38:10Salomão, eu queria que você fizesse aqui para o nosso
- 38:13ouvinte do Bandeirantes. Acontece.
- 38:14Você lembra de alguma situação embaraçosa que você passou no
- 38:19ar? Mas daqui a pouquinho, depois do
- 38:21nosso intervalo, muito bem, a gente está de volta.
- 38:23Aqui é o Bandeirantes, acontece, é o sofá Bandeirantes e o nosso
- 38:27convidado de hoje é o Salomão esper Salomão.
- 38:30Você lembra de alguma situação embaraçosa assim que você já
- 38:33viveu no ar? Ah, foram, foram diversas.
- 38:37A gente posso lembrar até assim como quando você tinha alguma
- 38:42cerimônia. EE, cerimônia implica em existir
- 38:46o cerimonial. E quantas vezes foi infringido?
- 38:50Oo cerimonial, né? É muito difícil.
- 38:53A gente veio do interior, OA própria informalidade do rádio e
- 38:58tal que você ficasse. Então tem umas coisas absurdas
- 39:02que o cerimonial impunha que a gente.
- 39:04Então você chamava, você tinha que respeitar as autoridades,
- 39:08então e você fazia o registro. Às vezes você fazia o registro
- 39:11que deveria ser secundário em primeiro lugar, porque um
- 39:14chegava antes do outro, por isso acontecia sempre.
- 39:17E você sabe que isso deixava ofendido.
- 39:19Eu nunca pensei que alguém ficasse ferido na sua vaidade
- 39:23por ter sido preferido preterido num pequena margem de de tempo.
- 39:28Não é no registro da pessoa que ali está de chamar para fazer um
- 39:32pronunciamento. Isso acontecia sempre.
- 39:35EE eu me lembro até recentemente tivemos uma cerimônia aqui e era
- 39:40conduzido cerimonial pelo Palácio do governo e a prefeita
- 39:44de São Paulo deveria comparecer a encarregada do cerimonial.
- 39:48Eu vou lhe dando as fichas, senão se preocupe, na ordem que
- 39:51eu lhe der, você chama, registra, faz o que você quiser,
- 39:54improvisa, mas não. E a prefeita achou que tinha
- 39:58sido preferida também cronologicamente, que é
- 40:00importante. Mas ela me procurou enquanto
- 40:03falava no reposteiro, furiosa, eu falei, Ah, não me não me
- 40:07atribuo a essa indignidade, eu jamais faria isso em prejuízo
- 40:11intencionalmente. O cerimonial é da incumbência do
- 40:14Palácio. Estão seguindo o que me deram é,
- 40:17não, não, não veja nisso, uma atitude de proteger esse ou
- 40:21aqui. Até isso eu precisei fazer, né?
- 40:23Mas isso é isso aí fora. Fora o que a gente chama de qual
- 40:27é O Fora maior que você deu aí? São em números, são incontáveis.
- 40:31Conta um então pra gente. Um crítico.
- 40:33Eu brincava muito que eu corrigia os outros, mas a gente
- 40:37também. A gente também cometia, viu?
- 40:40Eu não guardei assim alguma coisa.
- 40:44A gente. Eu tenho geralmente as
- 40:46desgraças, as coisas desairosas. A gente não esquece nunca, né?
- 40:51EEE, mas eu. Só para lhe dar um exemplo
- 40:55coisas assim, como uma vez eu estava apresentando um show com
- 40:59grandes artistas da música brasileira em Guaxupé, ele
- 41:03estava lá. Eu já estava acostumado em tanta
- 41:05cidade, mas não sei porquê. Eu entrei depois de abrir e
- 41:10falei, povo de guaxupá, mordi a língua e não saiu guaxupá não.
- 41:14Olha. Essa gravação foi repetida 10
- 41:18vezes pela importância dos artistas, Nelson Gonçalves,
- 41:21Orlando Silva, emilinha Borba, um Monte de gente.
- 41:24Então tocou 30 vezes a gargalhada da multidão, porque
- 41:28era uma praça pública. Quando eu falei, ora, essas
- 41:32coisas acontecem, aconteciam muito no rádio também.
- 41:35É, mas Oo pior é quando você falava e você tinha companheiros
- 41:41que não resistiam. A risada entendeu o Lourival
- 41:45Pacheco, por exemplo, ele desabava se você falasse uma
- 41:48coisa dessa ou corrigisse até um erro, qualquer coisa, ele
- 41:53pronto, ele, ele saía do estúdio porque ele o programa IA parar.
- 41:57Ele saía para rir lá fora e deixava a gente sozinho.
- 42:01Então isso acontecia muito a todo momento.
- 42:04E as brincadeiras que decorriam, por exemplo, com como eu falei,
- 42:08que o primeira hora tinha aqueles locutores de voz grave,
- 42:10bonita. Hoje, onde estão?
- 42:13Lá as instalações das FMS. Nós tínhamos a lanchonete, você saia
- 42:17do estúdio e já no corredor tinha aquele cheiro de binguiça
- 42:22na chapa, churrasco, queijo, o queijo.
- 42:26Então vê aquele cheiro tão forte, fica fala, o que que
- 42:28estão fazendo aí? Chulé na brasa, então, uma
- 42:34grande piada geral. Até hoje o Bolsonaro antigo
- 42:39brinca comigo sobre o chulena brasa, não tinha quase a eração
- 42:43não é ventilação, sistema de sucção que ficava aquele cheiro
- 42:47aí e nós descíamos de primeira hora.
- 42:50E o Celso lizar faria, que passou a integrar também.
- 42:53Foram diversas as equipes também com uma voz privilegiada, o
- 42:57Celso chegou no balcão ali da por favor, me veja aí, 11 misto
- 43:03quente e um. Uma média.
- 43:05Falei, ô, Celso, o jornal já acabou, usa a sua voz, agora
- 43:09você não precisa, já acabou, fala, me dá um sanduíche aí, pão
- 43:13com manteiga, não precisa. O bobo aquilo pegou também,
- 43:16porque o centro. Incorporou.
- 43:18Embalado, incorporada naquele espírito da voz grave, IA lá pra
- 43:23pra coisa, pedir o sanduíche com a voz do primeira hora.
- 43:26Já imaginou, é? Salomon, como é que você está se
- 43:29virando aí com essas novas tecnologias, Hein?
- 43:31Eu lembro que há alguns anos já faz um bom tempo, né?
- 43:34Mas. O pessoal da redação até OOO
- 43:36Sérgio aí te ajudou aí AA começar a lidar com e mails aí
- 43:40eu. Fui o último dos moicanos.
- 43:44O Zé Paulo falava, não adianta, dá um jeito, aí pega o
- 43:47computador aí. Bom, comecei a sentir mesmo.
- 43:51A necessidade é impossível, ou continua com atividade, ou você
- 43:54fica um homem ao mar, né? Aí o Sérgio quintera teve em
- 43:58casa alguns dias lá. E hoje eu faço eu que passei sem
- 44:03passar pela máquina de escrever, que eu já catava milho,
- 44:07entendeu? Então fui para o computador sem,
- 44:10sem escrever a máquina sem é. Mas é assim mesmo, eu faço só o
- 44:18arroz com o feijão mesmo. É o mínimo, só o que que dá para
- 44:21fazer, todos os recursos que tem, até como o telefone
- 44:24celular. Mais da metade dos recursos do
- 44:28celular eu não sei nem ativar nem eu faço só o que eu preciso.
- 44:31Não é para não encher a cabeça com muita coisa, né?
- 44:34Mas. Isso é normal, né?
- 44:35Acho que toca DVD em casa. Ou antigamente não tinha lá
- 44:38OOOVHS tal. A gente usa 10% lá do que o
- 44:42negócio pode fazer e ligou e pronto, né?
- 44:44Agora. Paulo, como eu sei que você tem
- 44:46tempo, né? É, não tem muito tempo.
- 44:49Você, por favor, quando me estender muito, pode
- 44:51interromper, se não não chegou, é?
- 44:52Isso Salomão, o seu. Roteiro que você possa ter
- 44:55preparado. Não vai dar para esgotar a
- 44:57pauta, então assim a gente. Tem a gente tem bastante tempo,
- 45:00Salomão, agora, Salomão, acho que não dá para ter saudade da
- 45:03da máquina de escrever, mas do que que você tem saudade?
- 45:06Não, eu, eu, eu. Eu tenho saudade, sim.
- 45:10Veja bem, não, não vai aí uma crítica.
- 45:13Mas quando eu eu entrei na Rádio Cruzeiro do sul e passei pela
- 45:18Record. Depois fui para a rádio América.
- 45:21Olha só. Eu estou falando em Rádio
- 45:23Cruzeiro do sul, piratinga, rádio amédia 2 emissoras de
- 45:26porte médio de alcance. É nem regional.
- 45:32Não era mais a cidade, não é como não havia tantos prédios
- 45:37altos assim, elas tinham um pouco de penetração e por força
- 45:44disso, quer dizer, nós procurávamos Alegria com com o
- 45:50que tínhamos, a satisfação. Do dever cumprido de fazer com
- 45:54esses recursos colocados à nossa disposição.
- 45:58Hoje você ouve falar aí No No rádio digital, na televisão
- 46:03digital, as coisas que vem vindo e vão ficar claro para as
- 46:06futuras gerações, para aqueles estudantes que nos procuram para
- 46:10saber da nossa experiência, não é?
- 46:13Mas nós estamos. Quer dizer, é longe de poder
- 46:18assimilar tudo isso. Você vai fazendo por exclusão.
- 46:21O que dá para minha vida quase inercial?
- 46:25Isto é, eu estou vivendo bem nessa.
- 46:26Foi jogada uma bola aí ribanceira abaixo, ela vai indo
- 46:30até que ela vai perder o link e parar.
- 46:32Então não adianta eu querer acrescentar a força eólica, a
- 46:35força não sei o quê, o vento tocando a Pedra, eu sabe, é, eu
- 46:39acho que é inútil. Se eu tivesse mais tempo, eu
- 46:42gostaria de ler coisas que eu sempre fui adiando que eu
- 46:44preciso ler. Fundamentais até para
- 46:47argumentação, para conversa no microfone.
- 46:50Você tem coisas fundamentais que acabam ficando ou que eu ligam
- 46:5415 anos e me lembro de coisas esparsas e falo, puxa, preciso
- 46:59reler de novo essa obra tal você a feito a leitura de jornais,
- 47:04jornais de 100 páginas. De 200 e 300 aos domingos, como
- 47:08chegou até o Estadão. É, você precisa olhar tudo,
- 47:10porque a fonte era essa, as emissoras não tinham o aparato
- 47:15que tem hoje de informação própria, né?
- 47:18Uma rede de repórteres, toda essa, essas coisas linkar com
- 47:22outras capitais, comunicação instantânea com o Brasil
- 47:25inteiro, não é? Então você vivia de de leituras
- 47:29mesmo, não é? Ora, a leitura obrigatória da
- 47:31profissão impedia você a vez de acompanhar o os êxitos
- 47:35literários, as coisas fundamentais que deviam ser
- 47:38lidas, os clássicos, não é? Então eu tenho saudade das
- 47:43pessoas que integravam o rádio e deviam estar nas estantes das
- 47:48livrarias, gente que escrevia bem, escritores que serviam
- 47:52rádio. Era mais uma, umas edições
- 47:55também eram pequenas. Eu acho que era mais um achego
- 47:58cidadão. Concordava em trabalhar no
- 48:00rádio, escrevia crônicas, comentários políticos e havia
- 48:04comentários disputado. Você queria ler porque dava
- 48:07cartaz, ler um editorial, né? Nós tínhamos o irmão do
- 48:12Aristides, Ricardo é que escrevia editoriais políticos na
- 48:16Rádio Cruzeiro disputado, os locutores queriam ler.
- 48:20E olha que nós tínhamos lá, já estava parando, entrando na
- 48:22política, o Emílio Carlos, seu irmão Fauzi Carlos, o Murilo
- 48:26Alberto de Guimarães. É que eu me referi o ITA Ferraz
- 48:28de Campos, que foi diretor da Gazeta gente de cabeça, né?
- 48:32Que tinha valores se eles quisessem ler um texto.
- 48:35Não era um menino de 18 anos, de 20 anos que IA, mas você tinha
- 48:39um imenso prazer. Em ter acesso a esses textos e a
- 48:43oportunidade de falar para grandes plateias, eu senti esse
- 48:48desalento quando ouvi os grandes mestres na faculdade de direito,
- 48:51no largo de São Francisco, dando aulas extraordinárias.
- 48:54IA falar, puxa vida, eu saio daqui, vou lá num programa
- 48:58sertanejo, ou no programa música e poesia, ou no auditório que eu
- 49:03sei que eu estou falando para milhares de pessoas.
- 49:06E essa aula brilhante fica aqui para 100 alunos.
- 49:11Como é que esse homem não tem isso divulgado pelo eu?
- 49:14Eu queria ver aqueles grandes oradores, a cultura humanística,
- 49:18a cultura da da área não é no direito, porque valia a pena
- 49:23mesmo que você não quisesse. Eu estava já absorvido pelo
- 49:26rádio. Eu estava fazendo o curso de
- 49:27direito, mas já já sabia que IA continuar no rádio mesmo.
- 49:31Então você queria que aqueles oradores tivessem um auditório
- 49:35maior como eu? Por sorte, pela graça de Deus,
- 49:39já tinha, né? Falo mal de de tudo que você
- 49:42está vendo e vivendo neste início de de século 21.
- 49:46O que mais te surpreende? Aquilo assim que você, quando
- 49:49jovem assim, nunca imaginaria que realmente estivesse
- 49:52acontecendo? Qual essas mudanças todas?
- 49:55O que que mais te surpreende, Hein?
- 49:57Olha, você já tinha a surpresa do cinema.
- 50:00Depois o cinema falado já era um Salto, não é?
- 50:05Ah, Oo rádio atravessando o oceano.
- 50:08Se eu vi uma BBC. Ouvir a voz da América, não é?
- 50:12E são coisas que deixavam a gente e você ficava absurdo.
- 50:16Eu que ouvia o rádio ainda não tínhamos condições de ter um
- 50:20rádio. Eu IA ouvir o rádio na padaria
- 50:23lá em Santa Rita, do da família Padovani ou do José Vila real,
- 50:28que sintonizava ABBCE. Eu queria ouvir as notícias do
- 50:31conflito, o que que os aliados estavam fazendo ou não estavam
- 50:35fazendo, e a única fonte era essa, porque os jornais iam sair
- 50:38depois, não é? Então tivemos esta fase EEE,
- 50:43tivemos a fase do rádio transistor do computador.
- 50:48Meu Deus do céu, a massa de informações que um computador
- 50:51coloca na frente da gente é inimaginável.
- 50:54Mas como é que qual foi o cérebro que criou este cérebro
- 50:59eletrónico? Como é que pode ter isso aqui?
- 51:02De que cabeça saiu e como AA consecução dessa dessa obra, não
- 51:06é? É uma coisa extraordinária.
- 51:08Eu fico absurdo. Meu Deus do céu, eu estou no
- 51:11fim, né? Eu estou dobrando a Extrema
- 51:14curva do caminho extremo e o mundo está começando agora.
- 51:17Acho que vai fazer. E com relação ao comportamento
- 51:20das pessoas? Salomão, você que é avô, tem
- 51:22netos, netos, jovens, né? Como é que você está
- 51:25acompanhando aí todas essas mudanças tão rápidas aí no nos
- 51:28comportamentos? Bom, pra começar, eu me lembro
- 51:33que durante OA segunda grande guerra.
- 51:37Um cidadão de Santa Rita que serviu a webe contava depois que
- 51:41ele, não sei por que razão ele foi levado à Suécia, não sei, e
- 51:47estava lá com a família quando entrou.
- 51:50A menina passou por eles. Bom dia, boa tarde.
- 51:53Você cumprimentou a família e subiu para o quarto com o
- 51:56namorado, que ela tinha conseguido naquele dia, né?
- 52:00Não é possível não, isso não, não é possível.
- 52:03Numa época de confissão, você tinha que contar pro padre que
- 52:06pegou na mão da menina. O cidadão vem contar que subia
- 52:09para o quarto passando uma menina de 18 anos, passando pela
- 52:12família e subia. Então o mundo é outro hoje, né?
- 52:17Hoje os casais experimentam para ver se vai dar certo, né?
- 52:21Então é, é tudo feito com com antecipação.
- 52:24Não tem mais aquele, aquele organograma.
- 52:28Você olha, faz isso, namora, fica noivo, casa e vai para lua
- 52:34de mel. Não conversa com a Lua de mel.
- 52:35Não tem o script mais é tudo improvisado, né?
- 52:41Então você você tem que respeitar, senão fica um
- 52:44atrasadão, né? Agora, se você se permite dar um
- 52:48conselho, precisa pensar, bem, eu tinha 111 amigo professor de
- 52:54português em Santo André. Olha, faz isso.
- 52:56Nessa década do começo do rádio, eu cresci e ele disse que chamou
- 53:01uma menina lá e começou a dar uns conselhos para ela.
- 53:04Ela falou, professor, para com isso isso que o senhor pensa que
- 53:07eu tenho? Já perdi o ano passado para ela,
- 53:09respondeu para ele. Hoje nem pedi.
- 53:13Ninguém pergunta mais nada e nem dá conselho, né?
- 53:16Vai na sorte. Se der certo, deu, né?
- 53:19Alemão, já que você está falando em conselho, que conselho que
- 53:22você daria para um sujeito assim, de uns 39 anos?
- 53:24Assim, né, né? Nada na ver comigo assim.
- 53:27Mas é um sujeito de 39 anos que vez em quando acha que está
- 53:30ficando velho. Olha, eu daria esse conselho
- 53:34antes do advento dos remédios para disfunção erétil agora,
- 53:39então isso era fácil, dar esse conselho.
- 53:43A sua vida nem começou ainda, viu a sua vida e daqueles que
- 53:47estão com 40. Então eu gostaria de ter
- 53:52encontrado o fastígio desse aperfeiçoamento técnico e
- 53:56científico. Que ele tivesse me alcançado com
- 54:00as coisas que eu vim a saber depois, né?
- 54:03Tivesse me alcançado, para não repetir alguns erros e não
- 54:07manter algumas cautelas que eu mantive.
- 54:13Acho que já tem crônica nesse sentido e eu ousaria um pouco
- 54:17mais. Então, o que que você descobriu
- 54:20depois dos 60, ou talvez até pouco mais para frente, mas que
- 54:25seria de grande valia se você soubesse quando tinha 30?
- 54:29Aí eu eu me sinto na condição do cidadão que me procurou.
- 54:33Ainda estava na primeira emissora que tinha onda curta
- 54:36com ele, fala. Onda curta era boa, onda média
- 54:38eram fracas como todas, né? Ele me procurou e disse assim,
- 54:45você quer ficar rico comigo? Ele era de Ribeirão Preto.
- 54:49Naquele tempo, você, para conseguir uma ligação de
- 54:52Pirassununga, de Santa Rita, de Ribeirão Preto para São Paulo,
- 54:55você ficava no centro telefônico 10 horas sentado esperando para
- 55:00fazer o interurbano. E ele queria o seguinte, como a
- 55:04rádio não era a maior nem a mais poderosa emissora Paulista, não
- 55:08era Record, não era Tupi, era. Eles sintonizavam onda curta que
- 55:14eu desse o resultado da milhar do que era aqui, se se sabia a
- 55:1912 horas da tarde e o jogo fechava só 34 horas no interior,
- 55:24porque não havia nenhuma possibilidade de comunicar o
- 55:27resultado, que eu, logo que saísse na praça do patriarca,
- 55:32com chalés de bicho logo ali, nas proximidade que eu desse o
- 55:36resultado. Um qualquer desculpa, recebemos
- 55:40uma carta da ouvinte da rua, tal 1452 já estava dando a milhar e
- 55:45ele apostaria lá uma vez por semana para não despertar.
- 55:49E ele comi formar e queria rachar o dinheiro comigo.
- 55:52Então também é uma é uma antecipação.
- 55:56A cabeça funcionou de tal forma para o mal que você.
- 56:04Ele queimou etapas no campo da comunicação e seria o
- 56:09enriquecimento. Eu acho que é mais um, não sei,
- 56:13uma situação absurda que eu não saberia agora.
- 56:17Deveria não ser como um convite como esse, né?
- 56:20Uma antecipação do êxito que veio gradualmente, né?
- 56:24É negócio de queimar etapas. Não funcionou comigo, né?
- 56:29E nos momentos de lazer? Salomão, o que que você gosta de
- 56:31de fazer? Olha, eu eu gostei muito de
- 56:34cinema. Eu IA ao cinema quase que
- 56:36diariamente No No interior. Eu distribuía o programa de
- 56:40cinema para ter direito de entrar de graça, não é isso eu
- 56:44fiz durante muito tempo. É quando, enquanto eu não
- 56:50conseguia esse lugar de distribuir o programa para poder
- 56:53entrar de graça no cinema. Pela janela, pela veneziana, do
- 56:58prédio, ficava grudado lá assistindo pelas frinchas, né?
- 57:02Daquela madeira, os filmes aqui, a primeira vez que eu entrei no
- 57:07cinimetro em 41. E aquele ar-condicionado
- 57:09perfeito, não, não dava para acreditar.
- 57:12Aquele som extraordinário, diferente do interior, né?
- 57:15Aqueles grandes musicais da metro, da Fox e tal.
- 57:20Foi uma coisa extraordinária e a gente pouco tempo.
- 57:26Vão aparecendo outras. Eu fazia o rádio à noite, fazia
- 57:30de manhã, fazia à tarde. Aí você foi perdendo o hábito.
- 57:34E com o advento da televisão da década de 50 em diante, aí
- 57:37então, raras vezes que eu fui ao cinema, que eu gostava tanto.
- 57:41Maravilha, salomon, antes da gente encerrar essa nossa
- 57:44conversa gostosa aqui como sempre no sofá Bandeirantes, a
- 57:47gente vai manter isso em todos os programas.
- 57:51Eu vou pedir para você falar de uma música que.
- 57:54Por algum motivo tenha marcado AA tua trajetória, a tua vida e
- 57:58a gente vai tocar aqui para o nosso ouvinte do sofá
- 58:00Bandeirantes. Eu são 2 coisas que marcam minha
- 58:03vida. Eu gosto muito de poesia, gosto
- 58:06muito dos dos versos alexandrinos, aqueles versos de
- 58:1012 sílabas que você encontra nas poesias de amor românticas ou
- 58:15encontra naquelas naquela poesia exaltação, poema epopeia do
- 58:20guerra Junqueiro. Aquele que diz que ó Almas que
- 58:24vivem expulras imaculadas na torre de Eduarda graça e da
- 58:28ilusão voz que ainda conserva as intactas perfumadas as rosas
- 58:34para nós tanto desfoliadas na área de sepulcral do nosso
- 58:38coração. Almas filhas da luz das manhãs
- 58:41harmoniosas da luz que acorda o berço e que entre abre as rosas
- 58:46da luz, olhar de Deus, benção e amor.
- 58:49Que faz rir um nectário ao pé de cada abelha e faz cantar o ninho
- 58:54ao pé de cada flor. Isso num guerra Junqueiro.
- 58:57E agora você pega um poeta romântico num dos sonetos que eu
- 59:02acho um dos mais lindos sonetos de amor da da língua portuguesa.
- 59:06Acho que é do Emílio de Menezes. Quem vê a figura física do
- 59:09Emílio, depois vê como ele era capaz de amar desse jeito.
- 59:14Tem um soneto dele que diz. Este leito que é o meu, que é o
- 59:18teu, que é o nosso leito, onde este grande amor floriu sincero
- 59:23e justo e unimos ambos nós, o peito contra o peito, ambos
- 59:27cheios danelo, ambos cheios de susto.
- 59:31Este leito que aí está revolto, assim desfeito, onde humilde,
- 59:35beijeite as mãos, os pés, o busto na ausência do teu corpo,
- 59:40a que ele estava feito mudou se para mim um leito de proposto.
- 59:46Louco e só desmairado, a noite vai sem termo, estendendo lá
- 59:52fora sombras algorais, envolve a natureza e penetra o meu Ermo, e
- 59:58mal julga se talvez, quando acaso de vais, quanto me punge,
- 1:00:03corta o coração enfermo este horrível temor de que não voltes
- 1:00:08mais. E beleza, Hein?
- 1:00:10Olha. E esse gosto?
- 1:00:12Ó, o Salomão não está lendo nada aqui, não é tudo a cabeça dele.
- 1:00:15Dia pela rima também me contaminou no tocante a escolha
- 1:00:19de música. Eu gostava de Orlando Silva,
- 1:00:22gostava do Gilberto Alves, gostava do Ciro Monteiro, eu
- 1:00:25gostava do Nelson Gonçalves, eu tenho eu, eu gosto muito, depois
- 1:00:30AA Elis, o Roberto Carlos. Quem não gosta desses versos e
- 1:00:35tantos e tantos cantores? A Elizete não é uma Dalva de
- 1:00:39Oliveira? Da Ângela Maria.
- 1:00:41Mas eu, atendendo ao seu pedido, eu quero destacar uma música,
- 1:00:46porque ela, ela ela encerra, é um divisor de águas na carreira
- 1:00:50de um grande cantor brasileiro, que é o Cauby Peixoto.
- 1:00:53O cauby tem daquela coisa de marketing, de preparar as
- 1:00:56meninas desmaiando na frente dele.
- 1:00:58Tudo aquilo muito artificial, muito arrumado, como ele mesmo
- 1:01:03conta. E essa fase que de resistência
- 1:01:07dele, com a voz mais trêmula que ele cantou, com ou sem são.
- 1:01:11Mas quem ouve o Cauby Peixoto cantar uma música chamada
- 1:01:16tamanco no samba? Porque tem um outro título?
- 1:01:20São 2 títulos samba blim de porque que ele adquiriu essa
- 1:01:24notoriedade que persiste até hoje.
- 1:01:27Os recursos vocálicos a condição.
- 1:01:29O que ele faz com a voz da interpretação dessa música, eu
- 1:01:32tenho absoluta certeza. Que os que pacientemente me
- 1:01:37ouviram até agora vão também gostar.
- 1:01:39Razão porque eu destaco o cauby, não todos os outros que povoaram
- 1:01:44a minha adolescência, né? E a minha Juventude.
- 1:01:48Maravilha. Salomon esper, muito obrigado
- 1:01:51pela tua presença aqui no sofá Bandeirantes.
- 1:01:54Para mim foi 11 grande prazer e da mesma forma com o com o José
- 1:01:59Paulo de Andrade. Vocês 2 são exemplos máximos
- 1:02:02aqui pra gente na Rádio Bandeirantes.
- 1:02:04Para mim é uma grande honra ter essa conversa contigo e a gente
- 1:02:07vai ouvir. Então o tamanco no.
- 1:02:09Samba e para mim foi uma grande Alegria.
- 1:02:11Eu não sei se este será o último registro que eu faço aí da minha
- 1:02:17atividade, de modo que, né? Eu agradeço essa essa gentileza.
- 1:02:23A gente nunca sabe que A Entrevista que a gente dá sempre
- 1:02:25para estudantes, mas não com esse grau de de de audiência que
- 1:02:31você está me oferecendo aqui. No programa do sofá que eu disse
- 1:02:35para mim, mais um divã do que um sofá.
- 1:02:37Eu abri o coração e absolutamente não discente da
- 1:02:41verdade, né? Algumas alguns lapsos de
- 1:02:44memória? Nada mais do que isso.
- 1:02:46Eu tenho certeza que haverá muitos outros registros ainda.
- 1:02:49Salomon, um grande abraço, Hein? Samba, blim, blim, blim,
- 1:03:27blim. A manco levanta a poeira do
- 1:03:34chão. A manco levanta a poeira do
- 1:03:46chão. Levanta a poeira do chão, a
- 1:04:29manco levanta a poeira, a poeira do chão, samba de coração.
- 1:05:19Washington olivetto no processo de interação.
- 1:05:23O rádio entra com o áudio e o ouvinte com a imagem.
- 1:05:27É impressionante como a voz é reveladora.
- 1:05:31Por isso que eu digo, rádio é o grande companheiro, é a melhor
- 1:05:34companhia que alguém pode ter. A única coisa que eu posso dizer
- 1:05:37é que eu sou muito, mas eu tenho muito orgulho de ser radialista.
- 1:05:42Radialista é a simbiose de rádio com idealista.
- 1:05:47Meu Nome é Rádio. Eu, eu não envelheço, me
- 1:05:51atualizo. Essas rádios você tem sintonia
- 1:05:57com rádio?