Latest / Galinha Viajante - Videogames / O Que Final Fantasy Tactics Ensina sobre Igreja e Estado?
Transcript
- 0:22SPEAKER_02: Cada dia falando aí de um videogame and the relaxing encontrou nesse videogame, da sua história, narrativa e temas com as eleições que vem aí Neste.
- 0:35SPEAKER_02: Essa é a parte 3.
- 0:36SPEAKER_02: Final Friends e Tactics.
- 0:41SPEAKER_00: Vamos falar agora de Final Fantasy Tactics, senhores.
- 0:44SPEAKER_00: Um dos meus jogos favoritos da vida.
- 0:46SPEAKER_00: Temos episódio também, inclusive.
- 0:47SPEAKER_00: Temos.
- 0:48SPEAKER_00: Final Fantasy Statics é uma história sobre como guerra manipulada através da religião acaba de transformar o mundo pra sempre.
- 1:00SPEAKER_00: Temos a Guerra dos 50 Anos e uma grande consequência para a população em geral.
- 1:05SPEAKER_00: Coisa mais tradicional de guerra: fome, peste, esse tipo de coisa bacana.
- 1:09SPEAKER_00: Bem tranquilo.
- 1:09SPEAKER_00: Super tranquilo.
- 1:10SPEAKER_00: Depois da Guerra dos 50 Anos, tivemos a Guerra dos Leões, uma disputa interna pela permanência no poder, no maior estilo Guerra das Duas Rosas.
- 1:20SPEAKER_00: Tivemos também a Igreja de Galabados como fonte de legitimidade moral e instrumento de mobilização popular, ou seja, através da religião, você de fato dominar e mobilizar as massas e a influência da própria igreja na política, mesmo sem estar governando formalmente o Estado.
- 1:42SPEAKER_00: É quase uma teocracia disfarçada.
- 1:46SPEAKER_00: O líder religioso político da igreja de Glabados não é nenhum líder da igreja.
- 1:54SPEAKER_00: É o líder de uma facção dentro da igreja, que são os Templários.
- 1:57SPEAKER_00: Eles aqui de fato saem dando às vezes literais tiros por Ivalice toda.
- 2:03SPEAKER_00: Falando isso tem que acontecer assim, isso tem que acontecer aquilo.
- 2:07SPEAKER_00: E vão desenvolvendo a história em cima disso.
- 2:12SPEAKER_00: Principalmente uma tentativa que dentro da história do jogo foi bem sucedida.
- 2:17SPEAKER_00: De apagar o que o Hansa, que é o protagonista, fez.
- 2:21SPEAKER_00: Eles tentam encobrir tudo porque, caso as pessoas descubram que dentro da igreja mor tinha a porcaria de uma deusa que era um satarazo, na verdade, isso podia pegar um pouquinho mal pra igreja.
- 2:38SPEAKER_00: Então tem essa tentativa de apagar o nome do Hansa e dos Beauvi como um todo da história.
- 2:47SPEAKER_02: Esse é um ponto que me é bem sensível quando a gente compara com a política brasileira hoje em dia aí, que é o papel da igreja de Glabados na história aqui da Heft Tatics, comparando com o que tá rolando hoje na neleção.
- 3:05SPEAKER_02: Porque tu tem nobres que estão tentando ficar no poder, né?
- 3:11SPEAKER_02: Adquirir o poder ali do reino.
- 3:13SPEAKER_02: E aí, um modo que um lado usa pra ficar no poder é a igreja.
- 3:18SPEAKER_02: A igreja é usada como uma ponte entre esse pessoal que não se importa com o povo, na verdade, que só quer ficar no poder e ponto final, e o povo que crê na igreja.
- 3:32SPEAKER_02: Então, tu acaba tendo ali muita gente que luta uma guerra que não tem interesse próprio nela, porque a igreja acabou influenciando e mandando.
- 3:43SPEAKER_02: E a gente fala muito, pô, isso, desde escola, sabe?
- 3:47SPEAKER_02: Ensino fundamental, aula de história do fundamental.
- 3:49SPEAKER_02: Ah, separação de igreja e estado.
- 3:52SPEAKER_02: Porra, não é por qualquer bosta que isso deveria acontecer, sabe?
- 3:57SPEAKER_02: A igreja tem a sua própria sociedade, não é uma coisa negativa por si só.
- 4:01SPEAKER_02: But ela é uma coisa que pode ser usada de modo muito poderoso por quem tá lá em cima no poder.
- 4:09SPEAKER_02: E aí eu falo isso de um lugar que eu cresci e sou até hoje cristão, evangélico.
- 4:17SPEAKER_02: E aí me dói muito pessoalmente falando ver a religião com a qual eu me identifico sendo usada por pessoas pra coisas políticas e sabe, indo pra lados que não deveriam ser da igreja.
- 4:37SPEAKER_02: Porque, bicho, vou ser bem claro aqui.
- 4:41SPEAKER_02: A igreja não é ruim.
- 4:44SPEAKER_02: A igreja, eu digo assim, a igreja cristã evangélica, que é o assunto do Brasil hoje em dia, né?
- 4:49SPEAKER_02: Não é ruim.
- 4:50SPEAKER_02: Tu tem gente muito boa em igreja evangélica.
- 4:54SPEAKER_02: Tu tem muita igreja séria, fazendo trabalho muito sério pra o Brasil inteiro.
- 4:59SPEAKER_02: Só que tu tem um grupo pequeno de gato pingado que estão conseguindo usar essa igreja como uma ferramenta política pra eleger um lado.
- 5:13SPEAKER_02: Sabe?
- 5:14SPEAKER_02: E isso é que é foda.
- 5:16SPEAKER_02: E daí tu começa a estudar isso aí, tu vê que isso vem de fora, e que não é por acaso, e que é um projeto.
- 5:22SPEAKER_02: E no Brasil isso tá muito forte, muito forte.
- 5:25SPEAKER_02: E cara, eu.
- 5:27SPEAKER_02: Eu como cristão, eu penso assim, eu fico mais brabo ainda eu acho que quem é ateu, sabe?
- 5:34SPEAKER_02: Porque eu penso, pô, os caras cooptaram a religião que eu sigo pra fazer merda.
- 5:42SPEAKER_01: Porra, eu fico muito puto com isso.
- 5:45SPEAKER_01: É, é importante, né?
- 5:47SPEAKER_01: E eu queria fazer.
- 5:49SPEAKER_01: Eu queria desvelar um mito aqui, né?
- 5:54SPEAKER_01: O mito.
- 5:55SPEAKER_01: É, eu queria trazer um argumento que ele é o seguinte, ele é muito importante, porque geralmente as pessoas pensam que assim.
- 6:02SPEAKER_01: Ah, mas o cara é comunista, ele é marxista, ele é isso, aquilo, ele vai ser ateu e tal.
- 6:08SPEAKER_01: Não.
- 6:09SPEAKER_01: Essa implicação não é necessária.
- 6:13SPEAKER_01: Uma coisa não traduz necessariamente um anseio de uma outra, e elas não caminham obrigatoriamente juntas.
- 6:22SPEAKER_01: Inclusive porque foi o cristianismo, mais especificamente a vertente católica, que era muito mais forte antigamente no Brasil do que a protestante, que ajudou a tirar a gente da ditadura que durou de 64 até 85.
- 6:38SPEAKER_01: Não teria sido possível romper com a ditadura se não houve um alinhamento muito claro, muito próximo dos setores religiosos.
- 6:50SPEAKER_01: Isso foi muito importante naquele momento, mas o mito que eu queria desvelar aqui é o seguinte: essa leitura de que esquerdista, marxista, e etc.
- 7:02SPEAKER_01: é tudo ateu.
- 7:03SPEAKER_01: E se você não for ateu, se você não combater a religiosidade, é porque tem aquela frase do Marx, né?
- 7:09SPEAKER_01: Ah, mas é porque a religião é o óbito do povo, ó.
- 7:12SPEAKER_01: O contexto em que o Marx escreveu isso, e ele escreveu isso respondendo a uma crítica do Hegel.
- 7:20SPEAKER_01: O Hegel escreveu um livro sobre filosofia do direito, e aí o Marx escreveu um livro que se chama Crítica da Filosofia do Direito de Hegel.
- 7:29SPEAKER_01: Pela Dis-Track, basicamente.
- 7:30SPEAKER_01: Dist-track, né?
- 7:32SPEAKER_01: É porque, na verdade, as Jeans da época eram justamente livros mesmo.
- 7:36SPEAKER_01: Isso.
- 7:37SPEAKER_01: E o Marx escreveu o seguinte: que a religião ela é o suspiro dessa criatura oprimida, porque a opressão à qual ele se referia era uma opressão material.
- 7:52SPEAKER_01: As pessoas procuravam um conforto no imenso sofrimento que elas experimentavam em vida.
- 7:59SPEAKER_01: E aquilo atuava aliviando a dor das pessoas e inebriando a existência tal qual o ópio.
- 8:09SPEAKER_01: Por isso que ele chamou.
- 8:10SPEAKER_01: O Marx era muito poético na forma como ele escrevia.
- 8:13SPEAKER_01: E aí ele chamou as religiões de ópio do povo num sentido de que a religião anestesiava o sofrimento enfrentado pela classe trabalhadora.
- 8:23SPEAKER_01: E essa frase está inserida num capítulo que é imenso nesse livro que eu citei aqui.
- 8:29SPEAKER_01: E ela serve pra poder trazer isso, na verdade, que é o cerne da filosofia marxista.
- 8:35SPEAKER_01: Por quê?
- 8:36SPEAKER_01: Porque ele conclui esse pensamento acrescentando algo que é fundamental.
- 8:42SPEAKER_01: Esse sofrimento religioso, ele é simultaneamente uma expressão desse sofrimento real que eu mencionei.
- 8:49SPEAKER_01: E ele é também um protesto.
- 8:52SPEAKER_01: Porque na verdade, você querer um outro mundo, um mundo metafísico, é você não aceitar que isso aqui é o melhor que a gente pode ter, e que vai ter um outro mundo.
- 9:01SPEAKER_01: E você precisa estar preparado para esse mundo.
- 9:04SPEAKER_01: Então ele via essa relação, que é uma relação dialética, né?
- 9:12SPEAKER_01: É muito viva dentro da expressão religiosa.
- 9:16SPEAKER_01: E ele não condenava a expressão religiosa.
- 9:18SPEAKER_01: Embora ele sim não tenha sido uma pessoa apegada a esse sentido na vida dele.
- 9:26SPEAKER_01: Ele veio de uma família judia, mas ele não expressava essas crenças, essa formação, ele não comungava da espiritualidade dentro desses termos, mas ele compreendia, observando as pessoas e fazendo análise material sobre esse tema.
- 9:47SPEAKER_00: E também é importante, eu acho que fazer aqui um adendo também de tomar muito cuidado pra não classificar tudo dentro da mesma coisa.
- 9:55SPEAKER_00: Sim.
- 9:56SPEAKER_00: Não é porque a pessoa é declarada evangélica que ela é uma pessoa fundamentalista, por exemplo.
- 10:04SPEAKER_00: A gente tem que tomar muito cuidado com essa situação.
- 10:08SPEAKER_00: Porque é uma toada que vem acontecendo, e é uma coisa que dentro do próprio governo, vou trazer os dados agora, dentro do governo Bolsonaro houve esse reforço, vou chamar dessa forma, esse reforço da forma de ver as coisas assim, de ver as coisas como preto no branco, se você não é cristão, você é anticristão e por aí vai.
- 10:33SPEAKER_00: Vou trazer aqui sobre liberdade religiosa e separação da igreja e do estado.
- 10:37SPEAKER_00: Histórico do governo Bolsonaro, o número de ataques às religiões não cristãs, sobretudo as de matriz africana, tiveram altas expressivas, anotando cerca de 300 casos só em 2022 em terreiro de Candomblé na Bahia e outros números, como 17% dos casos de queixo de intolerância religiosa, vieram dos praticantes das religiões afro-brasileiras.
- 11:00SPEAKER_00: Há dados também sobre uma crescente preocupante que o antissemitismo teve durante o governo Bolsonaro.
- 11:07SPEAKER_00: Além disso, a gente pode citar a relação com a bancada evangélica, que foi onde a força dessa bancada ficou realmente sobrepujante, que empurra essas pautas reacionárias e de controle moral sobre diversas questões-chave, que são coisas de saúde pública na maioria das vezes, por exemplo, legalização do aborto ou outras coisas nesse sentido.
- 11:34SPEAKER_00: Já no governo Lula, o governo Lula foi um governo, todos os três foi um governo muito marcado pela manutenção da laicidade do Estado, mas ele pauta também muito em cima da questão dos evangélicos.
- 11:46SPEAKER_00: Lula decretou e reconheceu a cultura gospel como uma expressão cultural no país.
- 11:52SPEAKER_00: E também houve a exclusão do vínculo empregatício de voluntários religiosos logo em 2023.
- 11:59SPEAKER_00: Porque havia problemas de alguns voluntários de trabalhos religiosos e voluntários, né?
- 12:03SPEAKER_00: Podia estar parecendo que tá favorecendo uma religião a outra.
- 12:06SPEAKER_00: O Lula falou assim: não, Tom, ninguém tem mais vínculo nisso aqui, chega, acabou.
- 12:10SPEAKER_00: Propostas para essa eleição.
- 12:12SPEAKER_00: Flávio Bolsonaro, que além de ter falado a já infame frase de que vai transformar o Brasil num país do nosso Senhor Jesus Cristo, ele já fala muito mais com essa ala fundamentalista da bancada evangélica com nomes tipo Silas Malafaia.
- 12:32SPEAKER_00: Isso também levantou algumas dúvidas sobre o não posicionamento de manter a Nossa Senhora Aparecida, que é a padroeira do Brasil, e houve toda essa questão de reviverem aquele caso de 1994 do pastor que chutou e quebrou a imagem de Nossa Senhora Aparecida.
- 12:52SPEAKER_00: Lula, no seu plano de governo, não diz nada exatamente também, mas a gente vem notando mais a senos ao público evangélico, mantendo a postura laica para praticamente todos os assuntos.
- 13:06SPEAKER_00: A laicidade do Estado é muito mais presente como os termos a ser utilizados, tanto no plano quanto em entrevistas e discursos e outras cositas, mas em relação aos dois candidatos.
- 13:21SPEAKER_02: E aí aqui acho que dá pra falar duas coisas que pra mim são principais.
- 13:25SPEAKER_02: Primeiro, eu não consigo conceber que alguém que nos ouve aqui apoie ataque em terreiro, por exemplo.
- 13:32SPEAKER_02: Eu duvido, não tem como, sabe?
- 13:35SPEAKER_02: Tem coisa que a gente vê de proposta, de repente, financeira ali, econômica, sei lá o quê, que a pessoa pode pensar que, ah, será que isso aí pode ser bom, pode não ser, mas aqui é uma linha que não dá pra passar.
- 13:44SPEAKER_02: Não dá.
- 13:45SPEAKER_02: Não dá de passar, e eu acho que quem nos ouve aí, eu conheço nossos ouvintes, nossa audiência, e, cara, isso independe de lado político.
- 13:52SPEAKER_02: Eu tenho total convicção disso.
- 13:55SPEAKER_02: Isso é um ponto.
- 13:56SPEAKER_02: Agora o ponto que eu queria falar aqui, e que também tem a ver com o ponto anterior, que a gente falou de fake news aí e de rolê de seita e tal, é que tem se criado uma.
- 14:09SPEAKER_02: uma imagem no Brasil, de novo, aí, de dois lados, né?
- 14:13SPEAKER_02: O cristão e o anticristão.
- 14:15SPEAKER_02: E de novo, é uma estratégia muito clara de colocar o povo contra o povo, sem que quem tá lá em cima mandando nisso, receba a atenção necessária.
- 14:27SPEAKER_02: Sabe?
- 14:28SPEAKER_02: É mais uma maneira de disfarçar e de desviar a atenção.
- 14:34SPEAKER_02: Muito além de ainda ser uma coisa que a gente falou agora que nem no jogo, né?
- 14:37SPEAKER_02: Que é pra legitimizar uma ação que tem outro objetivo, que é pra criar ali grupos e separar isso de família, de repente, juntar todo mundo ali que pensa igual.
- 14:48SPEAKER_02: Então, assim, é isso, né?
- 14:50SPEAKER_02: São pontos que estão muito claros, muito escrachados, não são escondidos.
- 14:55SPEAKER_02: E aí eu repito, eu nasci e cresci em igreja, me batizei com 11 anos, e, cara, eu tive amigos na adolescência na igreja que eram de direita, de esquerda, de centro.
- 15:09SPEAKER_02: Não existia essa relação de que a pessoa é cristã, então ela deve ser de direita, a pessoa é ateia logo ela é de esquerda, isso não existia no meu contexto social da época ali que eu tinha, pelo menos.
- 15:22SPEAKER_02: E hoje isso tá muito mais difundido.
- 15:25SPEAKER_02: E aí, de novo, repito, isso é projeto, isso não é por acaso.
- 15:29SPEAKER_02: Até porque, brother, como cristão aqui eu posso falar.
- 15:33SPEAKER_02: Não me representa o que o Silas fala, discursa, prega, sabe?
- 15:39SPEAKER_02: Esse papo que a gente vê aí, desses entre aspas pastores, eu boto aqui aspas porque é outra coisa aí, não me representa andar com a minha fé.
- 15:53SPEAKER_02: And I have certeza that, seja evangélica, seja católica, enfim, the que for aí, when you par and analyze and pensar um pouquinho no que esse pessoal fala and comparar com a própria Bíblia, não é isso.
- 16:19SPEAKER_02: Não é isso.
- 16:20SPEAKER_02: Não é isso mesmo, assim.
- 16:22SPEAKER_02: Então é por isso que me irrita tanto esse roubo que essas pessoas estão fazendo com a fé das pessoas, cara.
- 16:32SPEAKER_01: É tão projeto que a gente vê uma ideologia, né, que é o que estão chamando hoje em dia de teologia da prosperidade, muito relacionada com essas igrejas, e aí essas igrejas é como se elas fossem think tanks de extrema-direita, basicamente.
- 16:52SPEAKER_01: E aí elas se apoiam nessa questão que é culturalmente muito forte mesmo para o brasileiro a relação com o cristianismo.
- 17:02SPEAKER_01: E já foi uma relação que teve outras formas, outras expressividades, porque o Brasil nem sempre foi um estado laico.
- 17:11SPEAKER_01: A gente já foi um país declaradamente cristão.
- 17:16SPEAKER_01: A gente tem que lembrar que a gente já foi uma monarquia.
- 17:19SPEAKER_01: Todo esse rolê aí, lá pra trás.
- 17:21SPEAKER_01: E aí, no meio ali da década de 40, naquela loucura de Segunda Guerra e tal, não sei o quê, a gente conseguiu uma emenda de liberdade religiosa e de culto na Constituição de 1946.
- 17:35SPEAKER_01: Quem foi responsável?
- 17:36SPEAKER_01: Um comunista.
- 17:37SPEAKER_01: Como que era o nome dele?
- 17:38SPEAKER_01: Jorge Amado.
- 17:39SPEAKER_01: Toma essa.
- 17:41SPEAKER_01: Mas qual que é o lance?
- 17:42SPEAKER_01: Ele era um cara do Candomblé, o Jorge Amado, e ele lutou muito pra que a gente tivesse essa liberdade religiosa e de culto no Brasil.
- 17:51SPEAKER_01: E um outro amigo dele, que também era deputado na época, que era o Marighella, ele dizia que a consciência é um território sagrado e que a gente tinha que lutar enquanto país, enquanto nação, pra poder garantir que as pessoas pudessem expressar o seu culto, a sua espiritualidade, sua religiosidade da forma como elas quisessem.