Latest / Elas na Escrita / #38 Narrar o Clima: literatura, ruptura e futuros possíveis
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- 0:01É, oi gente, bem vindos a mais um episódio delas na escrita.
- 0:05Hoje eu estou aqui com 2 autoras que eu admiro muito e a gente
- 0:07vai falar de um tema muito atual.
- 0:08A gente estou me sentindo muito atualizada no episódio de hoje,
- 0:11porque a gente vai falar um pouquinho sobre literatura,
- 0:13crise, crise climática e narrativas de mudança.
- 0:16A gente vai pensar um pouquinho aí, então estou com 2 autoras
- 0:18bem engajadas no tema, estou com a Gisele mirabá e a Mariana
- 0:21Brecht, fala aí seu nome certinho, Mariana, sejam muito
- 0:24bem vindas, meninas, estou muito feliz de estar aqui com vocês.
- 0:28E aí, antes de começar, vocês sabem que a gente faz ali 11
- 0:31leve Mini bio pra vocês saberem quem está aqui com a gente hoje.
- 0:34Então eu vou apresentar pra vocês primeiro a Gisele Mirabai,
- 0:37que ela é escritora, roteirista, doutoranda em eco crítica na
- 0:40Universidade de São Paulo, autora de guerreira de Gaia e
- 0:43machamba, que foi vencedora do primeiro prêmio de literatura e
- 0:47finalista do Jabuti. Ela é ativista de eco narrativa.
- 0:50Seja bem-vinda, Gisele. Obrigada, IZA.
- 0:53Eu tô muito feliz. Oi, pessoal, muito obrigada.
- 0:55Vai ser um dia muito importante, até porque a gente tá.
- 0:58No contexto da cop, né? Então estou muito feliz de estar
- 1:00aqui com você e com a Mari também.
- 1:02Exato e muito legal que eu tenho aqui 2 autoras que sabem falar
- 1:04muito do assunto, né? E eu vou ficar aqui hoje quase
- 1:06como aquela ouvinte curiosa, a pessoa que está ali como
- 1:09ouvinte, que vai entender o que vocês têm para dizer.
- 1:11E a Mariana brecha, escritora, roteirista e designer de
- 1:14narrativas jogos digitais, ela é autora de foi acabar bem na
- 1:17nossa vez, que foi publicada agora em 2025, pela editora
- 1:20Rocco, e é uma obra que coloca a crise climática no cerne do seu
- 1:23enredo. Seja bem-vinda, Mariana.
- 1:25Obrigada Isa, muito feliz em estar aqui com você.
- 1:28Hoje é sempre uma honra conversar com você e oi,
- 1:31pessoal, muito obrigada por estarem ouvindo sobre esse tema
- 1:34aqui. É tão importante, como bem
- 1:37lembrou a Gi ainda é. Mas nessa semana, nesse momento
- 1:41de discussões em torno do tema, no contexto da cop.
- 1:45Exato, antes da gente seguir isso é uma curiosidade.
- 1:47Achei muito legal que você é é designer de jogos, que
- 1:49geralmente eu conheço escritoras.
- 1:51Elas vem sempre ali com muitas coisas relacionadas além da
- 1:54literatura, mas é muitas vezes artes zenicas, tem muitas
- 1:56atrizes, tem muitas roteiristas, jornalistas, designer de jogos
- 1:59digitais. É a primeira que eu conheço,
- 2:01além de escritora. Achei muito legal e gente, ó,
- 2:04antes da gente chegar ali, no cerne da questão mesmo a gente
- 2:07começar a falar do tema quente, que importa.
- 2:08Eu gosto ali de dar uma aquecida.
- 2:10Então eu queria perguntar para vocês, para vocês me falarem um
- 2:12pouquinho, como que vocês chegaram até a escrita?
- 2:15Como vocês chegaram até a literatura, como esse, esse
- 2:18espaço da escrita, seja em roteiros, seja em outras formas
- 2:21de narrativas, seja na literatura mesmo, nos livros
- 2:23físicos, chegou para vocês? E como Ela Foi se desenvolvendo
- 2:26até onde está hoje. Se vocês puderem me dar esse
- 2:28pequeno Panorama. Então, Isa.
- 2:32É interessante que eu tava contando hoje para um amigo, é,
- 2:35eu comecei a escrever por causa do meio ambiente, foi o
- 2:38contrário, porque é, eu tenho contato com esse tema desde a
- 2:43eco 92, assim que é. Acho que pegou a nossa infância
- 2:48um pouco, né? Eu lembro que eu fiz um trabalho
- 2:49sobre a Terra na escola, isso mexeu comigo e eu eu tinha
- 2:53aquele contato com esse tema e eu queria o primeiro livro que
- 2:56eu fiz, que nunca foi publicado, que é um livro de contos,
- 2:59chamava como se come uma árvore, que era uma menina.
- 3:02Buscando essa comunhão e ela IA para um parque e se alimentava
- 3:07de uma árvore. E teve uma greve na faculdade.
- 3:10Na época, eu eu fiz artes cênicas.
- 3:12Como eu falei, eu trabalhava no grupo de teatro da prefeitura de
- 3:15Belo Horizonte. Sua mineira é é era o grupo da
- 3:18slu superintendência de limpeza urbana.
- 3:21Então, em comunidade, praça, tudo para falar de reciclagem,
- 3:24de lixo, reaproveitamento. Eu já trabalhava na arte com
- 3:27esse tema e aí teve 11 greve na faculdade.
- 3:30Eu queria muito expressar mais. Eu tava com muitas ideias, era
- 3:34uma época ainda meio para internet, tá?
- 3:36E aí eu eu comecei a escrever o guerreiro de Gaia nessa época
- 3:40assim, porque eu queria organizar essas informações,
- 3:42esse pensamento. E isso foi Oo gancho, que depois
- 3:45foi me levando para outras escritas, mas eu entrei na
- 3:48escrita muito por causa da temática ambiental.
- 3:51AI, que legal. Então foi desde o início já, né?
- 3:53Não foi assim que você começou e depois fui direcionando, né?
- 3:55Você já foi a semente mesmo. É tanto que a gente estava aqui
- 3:59conversando com a Mari, né? Ela falando que, como essa
- 4:01semana as pessoas estão querendo é conversar e saber do tema, que
- 4:06é algo que a gente fala tem muito tempo, né?
- 4:08É, eu sempre tive vinculada e esse o livro guerreiro gigatto.
- 4:12Até aí, gente, tá tá atrás. E da Isa foi meu primeiro livro
- 4:15publicado. Tá vendo?
- 4:16Ela não tá só ouvindo. Tem um livro aqui atrás de mim,
- 4:18que é o da. Gisele, isso é esse livro.
- 4:21Ele é começou a ser muito adotado a escola, até hoje ele é
- 4:24adotado. Ele já tá na segunda editora,
- 4:26vai pra terceira. E foi ele que me levou ao
- 4:29público, na verdade, que eu podia conversar sobre isso.
- 4:32É trocar ideias. E isso também me levou ao estudo
- 4:35depois, porque eu tava falando já muita escola sobre isso.
- 4:38Eu falei, eu preciso de uma sistematização acadêmica mesmo
- 4:41pra eu e tempo de leitura, né? É escolher isso de estudar pra
- 4:46eu poder ter uma propriedade que eu tô falando com esses jovens
- 4:50nas escolas. Então eu eu acho até pra mim
- 4:53assim é obviamente eu, eu. Tem 11 afeição e uma paixão e
- 4:59uma necessidade da escrita. Mas para mim é vinculado.
- 5:03É engraçado, é vinculado a questão da natureza.
- 5:06É legal, faz total sentido. Então onde você tá hoje, né?
- 5:10E para você, Mari, como foi esse início?
- 5:12Ah, é muito lindo, Gi, não sabia dessa história, adorei, é nossa,
- 5:17meu início é difícil, né? Hoje uma amiga me perguntou se é
- 5:21a mesma coisa de quando eu comecei a me preocupar com o
- 5:23meio ambiente. Eu falei, cara, é difícil traçar
- 5:25uma régua assim e falar foi nesse dia.
- 5:28Eu acho que com relação à escrita, a mesma coisa é, mas
- 5:32assim, eu sou formada em audiovisual e com especialização
- 5:35em roteiro, né? Então a escrita sempre teve ali
- 5:37no meu. Ofício é, eu sou designer de de
- 5:41narrativas para jogos, mas o meu vai.
- 5:43O grosso do meu trabalho é escrever roteiro, escrever
- 5:46diálogo, escrever ficha de personagem.
- 5:49Então tá ainda muito ligado com a escrita, é?
- 5:53E aí, enfim, eu tinha estudado isso na faculdade e em 2018 eu
- 6:01comecei a escrever meu primeiro romance, que foi o braza.
- 6:05É, mas aí era aquela coisa, né? Não engatava, não engatava, não
- 6:08engatava, é. E aí eu ganhei um edital, o
- 6:11ProAC, pra escrever o brasa. E aí o.
- 6:13ProAC ajuda muita gente. Muito.
- 6:15É. E aí eu tinha que escrever sim
- 6:17ou sim, né? Senão eu tinha que, enfim, é
- 6:19prestar contas pro estado. E daí surgiu meu primeiro
- 6:23romance assim, né? Que realmente tive que tomar um
- 6:25fôlego e escrever. Depois eu juntei alguns poemas
- 6:29no labirinto, que é um livro, coletânea, livro jogo, na
- 6:32verdade, coletânea de poemas, mas que aí tem poemas que datam
- 6:35desde 2012, assim que resgatam, né, essa outra semente da minha
- 6:40escrita, que é a poesia, e depois escrever um infantil.
- 6:43Então acho que, como para mim também é difícil falar, eu
- 6:46comecei na poesia, comecei no roteiro, comecei no romance, eu
- 6:49também acabo navegando entre todas essas essas áreas, sabe?
- 6:53Esses tipos de escrita, de gêneros, né, é?
- 6:56E aí perguntando para vocês também, a gente tá falando de
- 6:58diferentes gêneros, diferentes linguagens.
- 7:00Por exemplo, a Gisele veio das artes cênicas, tem roteiro, é
- 7:04tem essa parte agora da ecocrítica que você tá na
- 7:06academia e tá escrevendo um lado mais acadêmico, a Mari também
- 7:08contando aqui para gente que passou pela poesia e outras
- 7:10narrativas como essas diferentes linguagens e essa parte do
- 7:14clima, justamente querer trazer o movimento atual, entrelaçando
- 7:17essas linguagens, é influencia. O modo de você de escrever.
- 7:21Isso influencia de alguma forma? Influencia ele de forma pensada
- 7:24mesmo, ou é um pouco inconsciente?
- 7:26Misturando tudo ali e chegando em como vocês criam as
- 7:29narrativas? Uau quer começar, Mari?
- 7:33Posso começar porque senão a gente cria uma dinâmica.
- 7:42É não, eu acho que eu posso começar.
- 7:44Até porque essa resposta tá bem fresca assim na minha cabeça,
- 7:47porque até já fazendo um jabá, eu acabei de lançar também um
- 7:50EP, né? Um álbum de canções e poemas.
- 7:54Que se chama extraterrestres. Haverá vida na Terra, que é um
- 7:56projeto musical que eu fiz com um amigo de São Roque, Mateus
- 7:59pesota, EE. Aí esse projeto justamente
- 8:03surgiu de uma vontade minha e depois também do do mate, da
- 8:07gente questionar a linguagem com relação à crise climática.
- 8:12Então é uma coisa que eu já enfim, faço bastante no meu
- 8:15livro, né? No meu romance foi acabar bem da
- 8:17nossa vez. E aí extrapolei nesse projeto de
- 8:20álbum, porque eu acho que é uma coisa que eu quero muito te
- 8:23ouvir depois também de sobre isso.
- 8:26Mas pra mim, pra gente escrever a crise climática é, vai até eu
- 8:32também estou na academia, né? Mas eu estou engatinhando muito
- 8:35mais que a Gi, que eu tranquei meu mestrado e tal.
- 8:37Enfim, depois a gente chega em gatilhos, mas depois a gente
- 8:40chega nesse tema, se a gente quiser.
- 8:43Mas assim, o tema do meu mestrado e 11 vai, uma tese na
- 8:47qual eu sigo acreditando é que a crise climática, ela é uma
- 8:50ruptura narrativa. Então ela não só nos provoca a
- 8:55mudar de modo de vida, a mudar de sistema, mas também a contar
- 8:59novas histórias e encontrar novas formas de contar
- 9:01histórias, né? Então a gente que vem do cinema
- 9:04EE nos jogos assim, talvez até mais é.
- 9:08A gente ouve muito falar, por exemplo, do vai da jornada do
- 9:12herói. Que Ah, para você contar uma
- 9:14história você tem que ter, né? Ali aquela pessoa, normalmente
- 9:17um homem que sai da sua casa e aí vai e enfrenta o mundo e aí
- 9:21volta com a solução, né? Com elishir.
- 9:23E aí recebido de volta em casa. E aí eu comecei a olhar para
- 9:27aquela estrutura que estava tão presente, né, nos meus meios.
- 9:29E falei, cara, mas veja bem, se a gente está falando de crise
- 9:33climática. Começo de conversa, não vai ter
- 9:38casa Pra Ele voltar, a casa está alagada, a casa está foi tomada
- 9:42por um terremoto, a casa está incendiada.
- 9:45Depois que é um problema coletivo, não tem um herói que
- 9:47vai resolver, tem um povo que vai resolver, né?
- 9:51E por aí vai. Enfim, não vou me estender muito
- 9:53nesse assunto, porque, como eu disse, eu tenho o meu mestrado
- 9:56assim, tem muito o que falar, mas foi essa, já foi uma busca
- 10:00de linguagem que eu tentei. Romper no meu romance, né?
- 10:03Então, em vários momentos eu trago um protagonismo coletivo,
- 10:06eu trago um protagonismo não humano ou mais que humano,
- 10:09dependendo da terminologia que a gente quiser usar.
- 10:12Já questionando um pouco essas estruturas, é, e aí eu também
- 10:16acabei indo pra pra música, né? Ou no caso dos intraterrestres,
- 10:21justamente essa coisa meio esquisita assim, essa mistura
- 10:24entre poesia e música. E quando a gente faz show também
- 10:27é performance também é jogo. Porque eu acho que também é uma
- 10:31provocação. Achei muito lindo quando a gente
- 10:32falou que AA, né? A ecologia levou ela a escrever,
- 10:37porque eu acho que a ecologia faz isso mesmo assim, né?
- 10:40A crise climática provoca a gente a ação e a ação no lugar
- 10:44de romper todas as todas as caixinhas, todas as Fronteiras
- 10:49que a gente conhece, né? Você fala não, o que a gente
- 10:50está fazendo até agora? Claramente.
- 10:52Tá errado porque me trouxe. Trazer essa ideia de quebra de
- 10:56narrativa, eu não tinha pensado nisso como a crise climática
- 10:58realmente é uma quebra de narrativa, porque tira a gente
- 11:01todo o eixo do que é esperado, né?
- 11:03Exato, é. E aí, assim como a gente tá
- 11:05falando de uma mudança no conteúdo, a gente também tem que
- 11:07falar de uma mudança de fórum, né?
- 11:09Então pra mim, essa é AA busca, é?
- 11:13Achei uma ótima, uma ótima pergunta.
- 11:15É muito legal e pra vocês? Já Ah, pra mim foi perfeita ela
- 11:17falar primeiro que aí. Organizou ela?
- 11:20Organizou os filamentos, né? De pensamento, porque é,
- 11:24primeiro é, queria dizer que a gente está aqui no podcast de
- 11:27literatura o melhor lugar, mais lindo, mais sexy, mais legal.
- 11:32Para falar de crise climática é a arte, porque é onde a gente
- 11:35pode projetar imaginários. É onde eu tenho licença, é
- 11:40poética, para abordar da forma como a minha criatividade
- 11:44acessar esse tema, né? EE, eu acho que a gente
- 11:47realmente está com uma carência de imaginários.
- 11:50É, a gente é. Eu sempre falo isso a gente vem
- 11:53do. É do da distopia que ela vem de
- 11:56um catastrofismo, que é como os dados da ciência de como isso
- 12:00tudo começou foram traduzidos pelo jornalismo e sempre numa
- 12:04linguagem catastrófica que causa paralisia.
- 12:07E eu acho que a Mari e eu também, a gente conseguiu,
- 12:09através da academia, ter acesso a pensadores, a pensadores dessa
- 12:16temática dentro da arte, que é como, né?
- 12:19Uma abertura assim de de percepção, digamos assim.
- 12:22E quando a Mari traz? A questão da jornada do herói
- 12:25atravessa muito o meu trabalho, porque assim eu eu adoro o meu
- 12:29objeto de pesquisa, que é o Drummond.
- 12:30Eu pesquiso lírica. É como que o Drummond desde a
- 12:34década de 60, né? Quando ele já estava no Rio pós
- 12:38mineração, vivia como cronista de jornal.
- 12:40Ele trabalhou sublime, o apocalipse e a utopia nos poemas
- 12:44dele, exatamente essas 3 coisas, porque não era só na distopia,
- 12:48ele trazia esse apocalipse, trazia também o sublime.
- 12:52E como ele conseguia trazer ironia e humor, que é o que
- 12:55falta também. Quando a gente tá falando disso,
- 12:58a gente é como se a gente tivesse uma.
- 13:00É um fechamento criativo assim, uma carência de linguagem e de
- 13:05talvez um letramento ou um é uma ponte pra acessar esse tema.
- 13:11E é legal porque é quase como se fosse um proibido dessa ironia e
- 13:14humor, né? Sobe a ponte do Ah, tema Sério?
- 13:16Então tem que ser falado de forma dura.
- 13:18É aí, e aí, voltando no início da fala, que bom que a gente
- 13:21trabalha com a arte. Porque a gente tem que trazer é
- 13:25isso, mas a nossa Liberdade, enquanto pensador e pensadores
- 13:28de futuros inclusive, né? De construtores de futuros,
- 13:32imaginários. Quem pode fazer isso é somos
- 13:34nós. EE, essa pesquisa, que é na
- 13:37literatura, o meu trabalho do dia a dia, assim como a Mari é
- 13:40em cinema, em roteiro de cinema. Então acaba que é.
- 13:44Eu dou muita vazão a essa pesquisa, dando é.
- 13:48Aulas, cursos, masterclass para roteiristas.
- 13:51E essa é uma questão que desde o início ela surge.
- 13:54Mas e a estrutura, né? Então é, a gente tem hoje.
- 13:58É como a Mari falou, a gente pensa ferramentas, porque assim,
- 14:01se você pensa, a jornada do herói é esse.
- 14:06É homem, né? Vou dizer assim, mas pode, não
- 14:09estamos falando de gênero aqui, ele sai e ele age nesse mundo e
- 14:13já é já parte de um mundo que é uma separação entre natureza e
- 14:17cultura. A forma como esse homem age, ele
- 14:20Conquista, já é uma narrativa de dominação, seja o que quer que
- 14:23ele conquiste. E a gente tem trazido no cinema
- 14:27outras narrativas, outras formas de estrutura pra pensar isso.
- 14:31Eu vou trazer uma agora que se chama kishoten ketsu, por
- 14:33exemplo, a kishoten ketsu é uma estrutura oriental.
- 14:37Né? De pensar as narrativas é e que
- 14:40ela já nasce é de um pensamento de é onde um só não se destaca.
- 14:47Eu eu vi até 11. Que legal uma aula maravilhosa
- 14:51sobre isso. Onde é?
- 14:53Fica fica meio até feio porque o kirchhot tem quet.
- 14:56Isso já é um pensamento que AA Conquista.
- 14:58Ela é comunitária, é o bem daquele lugar, é o bem daquela
- 15:02ilha japonesa, é o bem. Então é a partir daí já não tem
- 15:06um que se destaque que ele é especial.
- 15:09Você já corta uma narrativa de um indivíduo especial para uma
- 15:12narrativa de comunidade. Ou se algo é, vai ser feito, vai
- 15:16ser feito em prol desse bem comum.
- 15:19Então isso é muito legal, é uma porta de entrada.
- 15:22A gente fala muito também da Úrsula le guin, a teoria da
- 15:25bolsa de ficção, que é esse livro maravilhoso que eu sempre
- 15:27recomendo muito, que É Ela fala, é, ela até relaciona assim é é
- 15:33esse herói com butolismo, né? Ela traz um termo da Virginia
- 15:37Woolf que é para falar assim, ele é embotado, ele é pontudo.
- 15:40EE por que que a gente não conta narrativas é, em vez de ser da
- 15:43lama? Avança dessa coisa que aponta a
- 15:46gente conta narrativas de bolsa. O que que seriam narrativas de
- 15:49bolsa? Ela traz a imagem de da pré
- 15:52história é e dessas é dessa mulher colhendo aveias assim num
- 15:57pacotinho e ela tinha outro pacote para carregar seus filhos
- 16:00e elas sentavam ali à noite para contar histórias ao redor da
- 16:03fogueira e todo mundo estava interessado.
- 16:06Mas quando chegava O caçador de mamute para matar e saia sangue
- 16:10essa narrativa, ela capturava as outras, mas que neste momento.
- 16:14Enquanto a gente precisa recuperar essas narrativas da
- 16:16bolsa, né? Que elas são narrativas que
- 16:18cabem nossos, nossas crenças, nossos imaginários, nossas
- 16:21alegrias. E isso mexe com toda uma
- 16:24estrutura de se contar a história.
- 16:25Não é fácil, né, Mari? Legal conhecer esse conceito,
- 16:28não conhecia. É fantástico.
- 16:30E aí trazendo outro conceito, que é esse que a gente sei que
- 16:33Mari gosta muito também, que é o fincar com o problema da dona
- 16:36heroy, a gente tá tendo muita pressa para responder.
- 16:40É, o mundo é realmente precisa dessa pressa.
- 16:43A gente precisa trabalhar com mitigação e a gente precisa
- 16:46trabalhar com adaptação, porque a crise climática já tá
- 16:49acontecendo. Mas essa carência de imaginário
- 16:52eu acho que também se dá por a gente tá um pouco atrasado
- 16:56demais pra gente, tá falando disso aqui na cop 30, a gente já
- 16:59tá tentando e tá precisando falar disso há muito tempo, em
- 17:03todas as áreas, na música, no cinema, na literatura, é.
- 17:08No teatro eu vejo uma carência e esse acho que o nosso papel
- 17:12agora, enquanto artista, trazer essas histórias, e também é
- 17:16enquanto estudantes, né? Desse tema traz esse letramento
- 17:20de novas palavras para interpretar novos sentimentos.
- 17:24Eu sempre brinco que o Drummond vou falar só mais isso, tá que
- 17:27eu falo muito, eu brinco, por exemplo, o Drummond, eu trago
- 17:30essa, esse termo solastalgia, o Drummond, o solastalgia é você
- 17:36sentir. Pela perda de uma paisagem que
- 17:39você ama muito, que você é ligado na sua infância, na sua
- 17:42vida. E o Drummond perdeu o pico do
- 17:44Cauê, ele perdeu a Montanha dele, a Montanha que ele
- 17:47cresceu, abrir a janela lá em Itabira estava lá não está mais
- 17:50essa Montanha, foi roubada pela mineração e como que isso
- 17:53impulsionou a poesia dele? E nós temos esse sentimento, a
- 17:56gente ama uma planta, a gente ama um lugar, a gente ama
- 18:00pessoas, a gente ama a vida, a gente ama o nosso corpo, então
- 18:04eu sinto que que está faltando é.
- 18:07Essas narrativas a Mari trouxe é Inter humanas de seres viventes,
- 18:11não humanos. É pra gente não achar que é só
- 18:14no lugar do panfleto que tem muita coisa e muitos amores pra
- 18:17gente trazer à tona nesse momento.
- 18:19Nossa, muito legal sua fala, porque Ela Foi se conectando
- 18:22muito com outra pergunta que eu IA fazer, que eu IA perguntar
- 18:24justamente vocês enquanto escritoras, é, qual o papel da
- 18:27literatura, né, nesse espaço de falar sobre o clima e como vocês
- 18:30lidam com com esse tema sem cair, por exemplo, no panfleto,
- 18:34sem cair no panfletário e lidando com o público, que às
- 18:37vezes é um público mais leigo, ou que às vezes pode ter um
- 18:39afastamento com o tema? Sabe, quando a gente já pensa em
- 18:42narrativas sobre ecologia, sobre clima, sobre natureza, tem gente
- 18:45que coloca um pezinho atrás. Então, quando vocês vão
- 18:47escrever? Como vocês lidam com isso tudo?
- 18:49Eles pensam nesse público, pensam no leitor.
- 18:52Como vocês tentam encaixar esse escrito em narração de vocês
- 18:55nesse contexto que a gente tá hoje, onde, como a Gisele falou,
- 18:57não tem muita gente escrevendo sobre isso.
- 18:59Faltam às vezes livros, faltam obras.
- 19:02Então como vocês pensam essa essa criação de vocês?
- 19:06AI eu tava com uma ideia aqui que tá muito conectada com o que
- 19:09a gente falou, posso começar? Depois a gente muda de reverte a
- 19:13dinâmica de novo. Mas de só pra enfim, de celebrar
- 19:18o que que você falou? Foi muito lindo.
- 19:19E eu queria só trazer um exemplo, porque você sabe que eu
- 19:23sou muito fã da teoria da bolsa, da ficção, e eu acho muito
- 19:26difícil encontrar exemplos de histórias contadas nesse formato
- 19:30assim. Vocês podem dar um exemplo,
- 19:33explicar um pouquinho melhor pra gente o que que seria uma
- 19:35história assim, essa história da bolsa?
- 19:38Sim, eu. Eu posso até só trazer eu.
- 19:40Eu estava numa reunião agora falando disso.
- 19:42E fizeram a mesma pergunta. Eu trouxe, por exemplo, o dias
- 19:45perfeitos do vivendo. Exato.
- 19:48Eu estou trazendo filme porque, né?
- 19:50A gente pode pensar em livro, mas é porque eu saí dessa
- 19:53reunião sobre filmes. O dias perfeito seria uma
- 19:56história da bolsa. O que que o protagonista quer?
- 19:59O que que esse? O que que ele tem que
- 20:01conquistar? A gente tem um protagonista que
- 20:03é pautado por olhar o céu, por olhar o tempo é que escolhe o
- 20:07emprego menos é importante de todos e que ele é pautado pela
- 20:12bolsa da sua rotina. Que é, é, é o naco de céu que
- 20:16ele pega, é o almoço dele no parque, é o olhar para 11 outro
- 20:21humano. Ele ele vai e essa narrativa é
- 20:24construída. E você se identifica com esse
- 20:26personagem, porque esse espaço de apenas existir e celebrar a
- 20:30existência, ele existe na gente também.
- 20:32A gente não está dando espaço para contar esse tipo de
- 20:34história. E é um filme que.
- 20:36Até hoje tem muito público, é, as pessoas gostam, celebram
- 20:39esse. Filme não é do foi um dos que eu
- 20:40mais gostei de ver recentemente, legal esse.
- 20:42Filme é maravilhoso, ele contempla as canções, né?
- 20:45Que ele quer, que vai com essa a vida, pode ser outras coisas.
- 20:50Né? Era justamente, por exemplo, que
- 20:52eu IA trazer também. Eu amo isso aqui, eu amo, amo EE
- 20:55no também. No mundo dos jogos, tem 11 jogo
- 20:58que acho que assim foi o único caso que eu vi.
- 21:01Em que a autora falou, tipo, eu usei a teoria da bolsa como
- 21:05framework assim, né? Como modelo de roteiro é que
- 21:10chama mutacione. É tipo mutação em italiano e não
- 21:14sei se as pessoas que se as pessoas ouvintes jogam, mas é um
- 21:17jogo lindo assim. Eu acho que até um jogo que
- 21:19ajuda a gente a sair um pouco daquele clichê de, Ah, jogos
- 21:23estão no lugar de violência, né? Essa é uma arte menor tal.
- 21:26É um jogo maravilhoso que a autora usou.
- 21:29Da bolsa pra estruturar a narrativa e é um jogo sobre
- 21:32comunidade, sobre amor, sobre é conservação do espaço, enfim,
- 21:37maravilhoso. Então também fica essa essa
- 21:41dica. E é um jogo sobre fofoca.
- 21:42Tem muita fofoca, o que faz parte também de formar uma
- 21:47comunidade, né? Mas o que eu tava pensando pra é
- 21:52pra já voltar pra pergunta da Isa.
- 21:54É, né? Sobre como a gente faz pra esse
- 21:56assunto não ser panfletário e ele se conectar mais com as
- 21:59pessoas leitoras. É, eu penso em alguns caminhos
- 22:03assim, quando a gente tava falando, né, de que todas as
- 22:06formas de arte precisariam estar falando desse tema, mas a gente
- 22:09tá, porque pra mim assim é. É o tema, né?
- 22:12Se a gente não fala de crise climática, do que que a gente
- 22:13vai falar? Se a gente não tá falando da
- 22:16condição material da nossa existência, do que que a gente
- 22:19vai falar e sabendo que assim, né, a crise climática ela tá
- 22:22ligada. Diretamente relacionada à
- 22:26questão racial. A questão do feminismo, do
- 22:29patriarcado, é a questão dos direitos queer, enfim, né?
- 22:33Ela tá relacionada a tudo isso porque ela tá falando de novo
- 22:37das condições físicas da nossa existência e que, como a gente
- 22:41sabe, é os vetores de de aí me fugiu a palavra.
- 22:48Socorro de opressão. Eles só se acumulam, né?
- 22:53E eu acho que, enfim, a crise climática faz com que todos
- 22:56acaba acentuando todos os outros, né?
- 23:00É, mas enfim, não, não era disso que eu queria falar.
- 23:02O que eu queria falar é que justamente essa.
- 23:04Sim, essas diferenças sociais e tudo.
- 23:07Como isso afeta quem tem direitos, quem tem, né?
- 23:10Isso é exato. É porque não é, né?
- 23:12Aquela coisa fica Ah, a gente tá?
- 23:14Fica todo mundo no mesmo barco não, galera.
- 23:16Tem gente no iate e tem gente sem barco nenhum assim, né?
- 23:18E sem e com um corpo que não pode nadar.
- 23:22Então, né, vamos, vamos com calma nesse discurso, mas é, mas
- 23:28eu vejo, enfim, né? Vejo essa, esse atraso na nesse,
- 23:33na nossa, no nosso discurso, muito.
- 23:37No fato de que é difícil é receber esse discurso da crise
- 23:41climática, né? É um é uma pauta ansiogênica
- 23:45assim, é um assunto que deixa as pessoas ansiosas.
- 23:48Então é assim, várias pessoas com quem eu converso
- 23:52comunicadoras já me falaram, Mari, a partir de, sei lá,
- 23:54pessoas que falam de outros temas, né?
- 23:56É falaram, olha, quando a gente fala do tema da crise climática,
- 24:00né, você tem aquela coisa da do Ah, dos números ali do
- 24:03Instagram, né, que você vê. É, o número de visualizações cai
- 24:08drasticamente porque é um tema se o Instagram tem se você.
- 24:11Quiser se esconder, né? Exato.
- 24:13É claro que assim eu não sei se o algoritmo tá entregando da
- 24:15mesma forma ou não. Isso é uma outra conversa.
- 24:18Vamos descobrir, é? Exato, ó, até aí um tema de
- 24:22doutorado, mas. Mas uma coisa que eu sei assim
- 24:26da minha experiência empírica é isso que sempre que eu vou
- 24:28conversar com alguém sobre esse tema, ó meu livro, sabe?
- 24:30Fala de crise climática, AI sabe, já tem uma certa
- 24:33reticência assim porque. É um tema que gera ansiedade e é
- 24:37para gerar ansiedade. Eu diria que o termo nem é
- 24:39ansiedade, é é clareza mesmo, né?
- 24:42Porque, enfim, tá, se você não tá dissociado, você tá assustado
- 24:47assim porque as coisas estão realmente é complexas e o futuro
- 24:50não, não se mostra muito gentil, mas eu vejo muito essa como uma
- 24:55grande dificuldade. Assim que a gente tem como
- 24:59criadores é superar essa primeira Barreira.
- 25:03E aí eu acho que, né, isso pra mim vai junto com a coisa do do
- 25:07não ser um discurso panfletário, né?
- 25:09Porque se a gente chega logo com o pé na porta assim, claro que a
- 25:12gente vai enfrentar essa resistência.
- 25:14É e aí pra mim, as ferramentas que eu encontro, pelo menos No
- 25:19No romance, é disfarçar essa história de crise climática em
- 25:26uma história de amor. E é claro que eu digo disfarçar
- 25:28é uma, é uma brincadeira, porque eu acho que a história, como eu
- 25:31disse, né, a história da crise climática tem.
- 25:33Tudo a ver com uma história de amor, porque a forma como a
- 25:35gente se relaciona romanticamente e também, né, com
- 25:41com o universo que essa pessoa traz para gente, é também uma
- 25:44forma de comentário social, quando a gente, né?
- 25:46Narra essas histórias. Então, para mim, trazer isso
- 25:50para uma história de amor é é uma forma de levar essa história
- 25:54para um público mais main stream assim, né?
- 25:57Um público mais vasto e também. Eu já passo AA palavra para Gi,
- 26:03é, uma coisa que eu me preocupei muito no livro foi não ter um
- 26:09discurso catastrófico assim, né? Ter um discurso esperançoso.
- 26:14E eu digo, eu sempre, até quando eu escrevo dedicatória, eu
- 26:18coloco um beijo, um abraço esperançado, né?
- 26:21Porque eu acho que ele é um livro que tem Esperança, mas
- 26:23Esperança no sentido do esperançar do Paulo Freire
- 26:26assim, né? Da coisa do.
- 26:28Não é uma Esperança de água sentar aqui e ficar esperando o
- 26:31mundo ser salvo pela galera que está ali na cópia, tipo não,
- 26:35alguma coisa eu tenho que fazer, alguma coisa eu posso fazer.
- 26:37É quase um mostrando como essas pessoas estão.
- 26:39Você até falou da história de amor, mas é legal, porque as
- 26:41histórias de amor, elas estão acontecendo enquanto a vida está
- 26:43acontecendo. Isso não importa se a vida é
- 26:45utópica ou distópica. Exato, e aí é legal, porque a
- 26:48gente vai nessa história de amor.
- 26:49A gente vai acompanhando o casal, como você diz, mas vai
- 26:52acompanhando o que eles estão fazendo no dia a dia.
- 26:53Então acho que é aí que entra se esperançar que você falou que
- 26:56eles estão ali atuando, eles estão tentando fazer.
- 26:58Diferença e fazer alguma coisa no cotidiano deles, né?
- 27:01Que não é o sentar e esperar acontecer.
- 27:05Ah, muito bom. Eu tinha que escutando também a
- 27:08Mara. Eu fico AI, eu tenho que lembrar
- 27:09de falar isso. E eu falei, eu tinha que tá com
- 27:11o papel aqui para eu não esquecer, é, vou pegar o gancho
- 27:15aqui. Primeiro falar.
- 27:16A questão do panfleto é, eu coordenei essa pesquisa.
- 27:20Agora se chama clima em cena. AA emergência climática e filmes
- 27:26de ficção brasileiros. É essa pesquisa a gente está
- 27:28levando pra cop. A gente é é baseada numa é
- 27:32pesquisa que já existe nos Estados Unidos pela ONG good
- 27:36Energy, numa lente que se chama Climate reality check, que eles
- 27:39analisaram 250 filmes EE todo ano nos finalistas do Oscar.
- 27:45Eles aplicam também essa lente. E pela primeira vez ela tá.
- 27:48Ela tá sendo aplicada fora, é dos Estados Unidos no nosso
- 27:51cinema. E a gente tem um resultado
- 27:53parecido. Eu vou divulgar aqui.
- 27:55É 9% dos filmes que a gente viu, foram 33 filmes.
- 28:00Então é falando, é tocam no tema.
- 28:03Mas 57% dos nossos filmes tem temática ambiental.
- 28:08E esse é um dado muito diferente dos Estados Unidos que eles
- 28:11trouxeram. Parece bastante, né?
- 28:12É que a gente assim tá? Então se você tem 57% dos filmes
- 28:17que estão falando. É de questão ambiental, mas só 9
- 28:21é falam de crise climática. Vamos entender o que que tá
- 28:24acontecendo? É a as 2 perguntas dessa
- 28:27metodologia são, a crise climática existe no universo do
- 28:31filme? Tem um personagem que sabe sobre
- 28:33isso. É 11 metodologia baseada no
- 28:36teste de best the Wallace, que avalia se num filme 2 mulheres
- 28:41com nome conversam entre si sobre algo que não seja um
- 28:44homem, e isso vem melhorando. Essa presença é dessas mulheres
- 28:50no filme nos últimos anos. Então eu o que eu estou trazendo
- 28:54aqui em primeira mão é uma Mini defesa do panfleto que eu não
- 28:57tinha e agora eu tenho. Por que que que eu entendi?
- 29:00Outra forma de ver, né? É.
- 29:02E aquilo que eu falei é um tema que a gente tem que estar
- 29:04estudando. EE fica com o problema e muda a
- 29:06ideia e volta. O que que essa pesquisa me
- 29:08ensinou é no Brasil. Que é a Coisa Mais Linda.
- 29:13Se a gente tem 57% dos filmes falando disso, a gente tem
- 29:17personagens que estão lidando com essa consequência, que é
- 29:20plástico chegando nos Lençóis maranhenses.
- 29:23É devastação de território indígena.
- 29:27Tudo que você pode imaginar é é catadora de rua.
- 29:31Só que a gente não tem relação disso como consequência de uma
- 29:34crise. Global porque e aí a gente foi
- 29:38tão fundo que assim, porque esses personagens, talvez eles
- 29:41não tenham acesso a 11 letramento científico ao
- 29:44educação. E isso assim eu até chamei a
- 29:47Mariela, infelizmente não pôde, porque ela tava no lançamento do
- 29:50livro, mas eu pude chamar. É os pesquisadores que
- 29:54trabalharam nessa interface, assistindo filme, todos numa
- 29:56interface, literatura, cinema, ecologia.
- 30:00Então foi uma descoberta coletiva, digamos assim, que a
- 30:04gente entendeu que é. É, é importante sim relacionar o
- 30:08local ao global, que é importante nesse momento.
- 30:11Falta assim você ver o filme e tá havendo um problema, fala
- 30:14assim, esse plástico tá vindo de não sei aonde, porque a gente
- 30:18vive um problema global de de uma EE.
- 30:21Isso tá tá batendo aqui no meu quintal, isso eu achei muito
- 30:26legal assim, isso eu tô trazendo aqui, eu, eu.
- 30:28Escrevi isso no ensaio, mas eu estou trazendo aqui uma
- 30:31percepção pessoal minha assim, mas é.
- 30:32Legal mesmo, porque, como você disse, às vezes o problema está
- 30:35lá, mas a gente não relaciona. O problema é um problema maior.
- 30:37Exato, como se ele não ele estivesse solto.
- 30:40Exato. Então, se eu ver um filme, por
- 30:42exemplo, que os personagens estão lidando com uma onda de
- 30:45calor e já por ser muito dramático, tudo que eles têm que
- 30:47adaptar ali naquela existência é eu, eu, eu hoje, eu, eu falo
- 30:53esse a. Esse universo do filme, ele
- 30:56precisa trazer pra mim, espectador, que isso é causa de
- 30:59um aquecimento global e de uma é eu acho importante.
- 31:04Só que o que que acontece, a sua pergunta é maravilhosa, por isso
- 31:07a gente tá com uma carência de imaginário que eu falei, você
- 31:11até falou, nossa, parece que a gente não pode trazer a ironia,
- 31:13parece que a gente não pode trazer, é tesão, humor, né?
- 31:19E aí, pegando o gancho do que eu queria falar, vou fazer o jabá
- 31:22que a gente leia o livro da Maria.
- 31:25Ao menos abaixo do livro, porque?
- 31:28Mostra aí, Mari, ó, dá licença aí.
- 31:30Pra gente, vamos mostrar a gente aqui, ó, tem uma capa, é rosa
- 31:33alaranjada, é um rosa alaranjado.
- 31:35Rosa combina com o. Cenário bem linda.
- 31:37Combina com o cenário. Foi acabar bem na nossa vez.
- 31:39Eu confesso que a primeira vez que eu vi a capa, olha que
- 31:41maluca. Eu achei que a personagem estava
- 31:43com óculos de mergulho. É aí depois, quando eu fui ler o
- 31:47livro, entendi que é o óculos de realidade aumentada.
- 31:50Para jogos é e é legal. Seu mergulho, né?
- 31:53Também é simbólico. Né, é verdade?
- 31:55E é esse livro é da Mari. Foi acabar bem na nossa vez?
- 31:59Ele, eu acho que é um livro que teve sucesso nesse quesito de é
- 32:04um livro que ele. Trouxe é uma história de amor, é
- 32:07uma história de pessoas que estão vivendo como você trouxe,
- 32:10foi perfeito, você trouxe isso não, porque a vida está
- 32:12acontecendo, né? A vida está acontecendo.
- 32:14Então as pessoas se amam, se odeiam fazer fofoca, briga com
- 32:17vizinho, e isso é muito fundamental, porque eu vou até
- 32:21trazer um problema que a gente tem tido muito grande.
- 32:24E eu falo que esse problema não é só para nós escritores, é um
- 32:27problema de leitura, de crise climática mesmo, que é o
- 32:30futurismo. A gente já aqueceu, nós já
- 32:33estamos aquecidos. Aí a gente.
- 32:36Só que a gente ainda conseguiu o imaginário de quando a crise
- 32:38climática chegar, mas ela já está acontecendo.
- 32:41É o que parece. Às vezes a gente embarca nesse
- 32:43imaginário distante, né? De quando, sei lá, eu era
- 32:45criança e estava lá na escola e um dia ela IA chegar.
- 32:48Até hoje eu tô aqui. Ah, um dia ela vai chegar.
- 32:50Exato. E nós já estamos vivendo.
- 32:52As pessoas já estão tendo que se adaptar, né?
- 32:55Na crise climática, a gente fala isso porque tem um pensamento da
- 32:59mitigação que tem que mitigar. Né, é descarbonizar que é muito
- 33:04difícil, na minha opinião, mantendo esse pensamento do
- 33:08mundo, do herói, do lucro, do dominador.
- 33:10E essa narrativa de mundo que a gente tem para mim é muito
- 33:13difícil. E a gente tem a narrativa da
- 33:15adaptação que é é, já estamos aí, já está aqui, entendeu?
- 33:19E eu acho que a gente trazendo o futurismo para cá, já é um passo
- 33:24que vai ajudar muito a gente de exercício.
- 33:27Como assim é o que que isso significa para mim?
- 33:30É. Se eu fosse contar uma história
- 33:33da minha vida diante disso, é uma história.
- 33:35O que de de negação de humor, sabe?
- 33:39É começar a trazer para dentro. Porque eu, porque eu sempre digo
- 33:44assim, o mover, ele vem pelo comover.
- 33:47Ele vem pelo coração, então eu acho que assim parece meio naifa
- 33:51que eu tô falando, mas eu juro que faz sentido.
- 33:53Tá faltando conectar o coração, porque quando você traz o
- 33:57panfleto é muito No No tem que ou vai chegar o verber e é
- 34:02assim, é como isso me atravessa enquanto ser humano e não
- 34:06importa o sentimento, porque pode ser, eu posso ter com
- 34:08ansiedade, eu posso negar, eu posso.
- 34:11Está negando isso e deixa eu reconhecer isso?
- 34:14Eu posso achar que é exagero. Eu posso estar.
- 34:18Dissociando, né? Querer comprar um, falar não, eu
- 34:20vou ficar milionário e comprar um banker.
- 34:23E aí você vai se conhecer também perante o que está acontecendo.
- 34:26Então eu acho que a sua pergunta foi essa, né, Isa?
- 34:29Eu acho que foi. Às vezes eu também vou ouvindo
- 34:34ali, vai marcando na história, né?
- 34:35Não me lembro. Porque eu anotei 3 pontos para
- 34:37falar mentalmente. Minha atenção é distância.
- 34:40Gente, eu embarco na história que eu estou ouvindo.
- 34:43E eu sou movida a anotar, mas eu acho que era isso que eu queria.
- 34:47É trazer assim, é defendendo um pouco essa presença do panfleto,
- 34:51mas ela não determinando a história e não sendo a estrutura
- 34:56da história, mas esse momento. Eu eu acho importante ter nesse
- 35:01momento assim até como é país, até como ferramenta de educação.
- 35:05Assim, eu sei, faz sentido. Às vezes as pessoas vão estar
- 35:07ouvindo, vão falar não didatismo, mas alguns momentos
- 35:11isso também é uma ferramenta artística.
- 35:13Não faz sentido. Depois que você falou realmente
- 35:15fez fez sentido assim, sei. Agora eu vou direcionar uma
- 35:17pergunta para Mari, Mari, quando você escreveu seu livro, ele é
- 35:20uma história, uma narrativa que tem tem desigualdade, tem calor
- 35:23extremo, tem uma escassez. Quando você foi criar ali sua
- 35:27história, o ambiente onde eles vivem?
- 35:29Como que você fez para contextualizar esse ambiente
- 35:31ficcional? A gente tava até falando, né?
- 35:33De criação, imaginários com o ambiente que a gente tem hoje.
- 35:36E qual? Quais foram seus desafios na
- 35:38hora de criar esse espaço onde os personagens estão vivendo?
- 35:41É, eu acho que como como a Gi falou assim, né?
- 35:44O é isso. Meu livro fala de crise
- 35:46climática, mas ele se passa no mundo que é praticamente igual o
- 35:51de hoje, sabe? Eu.
- 35:53Então é um livro só para contextualizar, né?
- 35:55Quem ainda não leu ele se passa é.
- 35:59Na cidade da Pedreira, né? No bairro da Pedreira é.
- 36:03E aí já conta um pouco qual foi a inspiração para esse lugar em
- 36:07São Paulo e em Barcelona? EE, esses 3 lugares surgiram um
- 36:13pouco da minha história de vida também, né?
- 36:15Que eu misturei no meio da. Do livro é, eu só posso escrever
- 36:18sobre o que eu conheço, então foi o que eu trouxe pra
- 36:21história, é, mas também é porque eu tinha vontade de fazer um
- 36:25pouco esse Panorama, né? E pensar, põe aí, como é que o
- 36:28pessoal no interior tá vivendo e o pessoal na metrópole tem vida
- 36:31em São Paulo, é possível? Eu, eu adoro São Paulo.
- 36:34São Paulo foi uma cidade que me acolheu, é, descobri muita coisa
- 36:37aqui em São Paulo, né? Mas quando a gente chega no
- 36:40discurso de Ah, crise climática tal, faz calor, falta água.
- 36:44A minha vontade é sair de São Paulo.
- 36:46Todas as pessoas que que podem, que tem uma condição financeira,
- 36:50estão saindo de São Paulo, né? A gente está.
- 36:52Acompanhando a dentro da pandemia porque eu sou de
- 36:54Brasília. Tinha acabado de me mudar para
- 36:55São Paulo. Mudei em 2019.
- 36:57E aí estava eu e o Cris, meu companheiro, e que a gente
- 37:00pensando, meu Deus, a gente está no pior lugar que a gente
- 37:02poderia, no meio da pandemia. AI, meu Deus, AI, sinto muito,
- 37:09é, mas é isso assim, né? E ao mesmo tempo na Europa, será
- 37:14que né? A Europa vai estar blindada e
- 37:17vai estar usando o aquela coisa do colonialismo verde, né?
- 37:20Vai estar usando Oo sul global para produzir o que eles
- 37:24necessitam e sem mudar os modos de vida.
- 37:27Mas será que na Europa só tem detentores do capital, como diz
- 37:30a Ana Russia, fazendo uma homenagem aqui a nossa amiga, ou
- 37:33será que também tem pessoas pobres e precarizadas, né?
- 37:37Então eu me perguntei tudo isso, passei por esses 3 cenários, e
- 37:40aí, quanto ao ano, eu fiz muito esse exercício ético que a Gi
- 37:44propõe. A gente tava tá muito alinhados,
- 37:47é que eu falei, bom, beleza, eu vou pensar, crise climática é
- 37:51meu primeiro impulso foi, né? Por conta das histórias que
- 37:55estão aí no nosso imaginário, falei, Ah.
- 37:57Vou escrever o que? 2070 aí eu falei, não, pera
- 38:022030, porque é, eu preciso trazer esse senso de urgência
- 38:07com o meu livro, né? Acho que esse é o lado é.
- 38:11Então panfletário, vou assumir do meu livro orgulhosamente
- 38:14panfletário, que é de falar, gente, isso aqui já tá batendo
- 38:16na nossa porta, né? Então, talvez com em alguns
- 38:20momentos eu falei, cara, eu tô talvez exagerando.
- 38:24Né? Porque o livro se passa em 2032,
- 38:272033, e ele, apesar dele ser esperançoso, está numa situação.
- 38:33O mundo está numa situação crítica, né?
- 38:36E várias coisas que eu coloquei ali eu falei, nossa, acho que eu
- 38:38exagerei. E aí aconteceu ano passado,
- 38:41sabe? É, então, por exemplo, a uma
- 38:42coisa que eu fiz foi, por exemplo, isso é uma coisa que me
- 38:47marcou assim, mas é, é um detalhe.
- 38:50Tem uma fala entre 2 personagens que eles comentam o preço do
- 38:53café. Que eles falam, nossa, mas você
- 38:55está me servindo café, Sério, que iguaria, sabe?
- 38:58Isso foi antes de ter aquele aumento absurdo assim no preço
- 39:02do café por conta da crise climática, né?
- 39:04Da da redução das sacas e tal. É e já estava acontecendo, então
- 39:10EE está no livro, né? Então assim, eu acho que várias
- 39:13coisas que estão ali é. Final das contas?
- 39:16Aproximação também da realidade, né você que já estava muito
- 39:19envolvida com o tema? Querendo ou não?
- 39:20Não por uma adivinhação, mas até você já estava com essa bagagem
- 39:23ali, quase sabendo que IA acontecer, né, é?
- 39:26Exato, é assim. 11. Intuição mesmo, né?
- 39:29Com certeza baseada No No concreto assim, né?
- 39:33Mas aí enfim, pra pra voltar pra sua pergunta, eu acho que esse
- 39:36esse contexto então né? De cidade do interior, São Paulo
- 39:39e cidade europeia daqui a 10 anos, 8 anos, é?
- 39:44Foram muito inspiradas. É isso, né?
- 39:47Do dos lugares que eu conheço, AA Pedreira, ela é baseada em
- 39:51São Roque, que é a minha cidade Natal.
- 39:53E aí tem um aspecto do livro assim que pouco comentado, mas
- 39:57que eu acho que é como como a Gi falou de novo, assim,
- 40:01intrinsecamente ligado a questão da crise climática, que é a
- 40:04questão da disputa de terras, né?
- 40:06Porque assim o Brasil. Para mim, AA disputa o conflito
- 40:11de terras no Brasil é o conflito mais antigo que a gente tem, né?
- 40:17É verdade. EE quem fica com a Terra vai,
- 40:23quem ganha essa disputa é quem vai definir o projeto.
- 40:28Nosso projeto de mundo é quem vai definir o futuro.
- 40:31Então, por ora, quem tá ganhando esse cabo de guerra é o agro, é
- 40:35a monocultura e eles estão levando a gente para um futuro.
- 40:39Calamitoso, né? Para um futuro que não é
- 40:42possível nem não é viável, nem para a própria existência deles.
- 40:45Assim, né, por uma, por, enfim, mas é isso, essa disputa que
- 40:49data ali, né? Das capitanias hereditárias,
- 40:52desde que o Brasil foi invadido, a gente foi roubando terras dos
- 40:55povos indígenas. Na verdade, a gente tá colocando
- 40:58um projeto de mundo, é e aí por isso, nesse livro tem também uma
- 41:03questão de conflito de Terra. Que é inspirado em conflito de
- 41:06Terra que aconteceu na Pedreira, que é um lugar que eu conheço
- 41:10bem ali em São Roque e que, enfim, no qual rolou isso.
- 41:15Por isso que também essa comunidade da Pedreira tem um
- 41:17pouco. Essa vai é muito inspirada do
- 41:19MST, MTST, né? Tem essa característica de
- 41:22movimento social, de coletivo e tal.
- 41:25É, mas porque foi uma coisa que eu vi acontecer, é.
- 41:30E ninguém comentou assim, nenhuma mídia comentou.
- 41:33Foi uma questão completamente invisibilizada dentro do próprio
- 41:36território de São Roque. EE de novo, assim, uma questão
- 41:42que se a gente olha para ela, vai com 11 microscópio.
- 41:47Assim, ela pode parecer uma questão isolada, mas para mim
- 41:52ela é uma questão intrinsecamente ligada à crise
- 41:55climática. Enfim, por conta disso, que eu,
- 41:57né, desse histórico que eu acabei de comentar.
- 42:00Então, acho que essa foi uma grande inspiração.
- 42:02Vou tentar ser breve na nas outras 2.
- 42:05É, acho que a outra segunda grande inspiração de você me
- 42:08perguntou sobre os territórios, né?
- 42:09Eu não estou viajando 100% na minha resposta, viajando há 10
- 42:14minutos é, enfim, esses personagens são frutos, né?
- 42:18Também desse desse território. Você falou uma coisa, que falou
- 42:21do do agro e do eu sou do centro Oeste de Brasília, então me levo
- 42:24totalmente pro lugar. Meu livro é muito ambientado
- 42:27numa cidade inspirada na Chapada dos veadeiros.
- 42:29E era o lugar que eu mais Sir. Brasília sempre IA de Brasília
- 42:31pra Chapada todo fim de semana e assim é muito triste.
- 42:35A gente foi ver Nana após ano, sempre que a gente IA ali de
- 42:37Brasília pra Chapada, cada vez menos cerrado e mais
- 42:41monocultura, mais plantação de soja, assim você vai passando.
- 42:44É tudo rasteirinha, rasteirinha aquelas plantações enormes por
- 42:46quilômetros e quilômetros antes de entrar no parque nacional
- 42:49mesmo, né? Tudo que fica antes do parque.
- 42:52A vegetação foi mudando assim completamente.
- 42:53Você fica chocado no caminho. AI que triste.
- 42:57Aí você falou, veio a imagem da minha cabeça direto?
- 42:59Nossa. Triste eu nunca fui para lá, mas
- 43:02é. Assim é lindo.
- 43:03Obviamente, quando você entra no parque nacional, muda
- 43:05completamente que é a área protegida.
- 43:06Mas antes do parque, assim, já tá mudando tudo assim.
- 43:09AI, que triste. É uma região tão importante, né?
- 43:11Pra todas as suas águas, vem do cerrado, então é, é, enfim, mas
- 43:17é. E aí sobre os os outros
- 43:20territórios é, né? São Paulo vem muito dessa minha
- 43:26vai ansiedade eu vou chamar assim para.
- 43:29Resumir de imaginar o que vai ser essa cidade daqui 10 anos,
- 43:32né? Se a gente já não tem água, é
- 43:34isso. A gente já não tem água.
- 43:35Se a gente já está vivendo um microclima de deserto hoje, né?
- 43:38Em novembro, que era para estar chovendo bastante, né, que vai
- 43:42ser daqui a 10 anos. E eu acho que outra camada que
- 43:44eu tento trazer assim nessa vai nessa, nesse apanhado de São
- 43:50Paulo, é a noção de que muita gente aqui eu moro no centro,
- 43:54né? De que muita gente aqui.
- 43:58Já vive o fim do mundo, né? Então, às vezes a gente eu sei
- 44:00que agora virou quase um clichê falar isso, né?
- 44:03Tipo, Ah, não, porque olha, os indígenas já vivem o fim do
- 44:05mundo desde 1500 e tal, o que é é verdade, né?
- 44:08Mas foi 11 coisa que quando eu mudei pra né, pro centro, no
- 44:13caso, eu percebi, falei, não, não é só ele, eles também, mas
- 44:16veja o pessoal que é tá vivendo aqui embaixo do Minhocão, que
- 44:21tá, sei lá, catando papelão e vivendo muito abaixo da linha de
- 44:25pobreza. Eles já vivem o fim do mundo, o
- 44:27mundo já acabou pra eles. E é por isso que a crise
- 44:31climática também. Por isso que a crise climática
- 44:33precisa nos comover e nos mover a gerar outros projetos de
- 44:37mundo. Não é só porque o mundo tá
- 44:39ficando inviável pra classe média, não é só porque a gente
- 44:42tá matando os grandes mamíferos e as abelhas, é porque esse
- 44:46mundo, tal qual ele já não, ele já não é viável pra muita gente,
- 44:49pra maioria das pessoas, né? É, então, enfim, teve, teve
- 44:53isso. Por trás, né?
- 44:56Daí pra até a gente criar 11 espaço dentro da narrativa.
- 45:01É e esse terceiro lugar que que a Barcelona, que é que eu eu
- 45:07morei, né? Em Barcelona, morei um tempo na
- 45:09França, tal. Então é uma região, é morei no
- 45:12sul da França, uma região ali que eu conheço bem, transitava
- 45:15muito naqueles territórios. E aí quando eu tava escrevendo.
- 45:20A França, enfim, a Europa tá virando um território cada vez
- 45:23mais xenofóbico, né? E eu também associo a xenofobia
- 45:27com a crise climática e também vejo como uma situação que vai
- 45:31se vai piorar, com certeza, né, porque a crise climática a gente
- 45:34vai ter grandes deslocamentos. A Europa não é o lugar que vai
- 45:37ficar pior assim, né? Mais, mais inabitável.
- 45:41Então as pessoas vão chegar para lá e vão chegar até a Europa.
- 45:44E, óbvio, OA xenofobia vai aumentar, é.
- 45:49E vai ser aproveitada pelos discursos de ultra direita, como
- 45:52já já acontece. É, e aí eu enfim tava com isso
- 45:56na cabeça e aí quando eu tava escrevendo é, foi aprovada na
- 46:01França 11 lei, agora me fugiu o nome da lei, mas ela tá tá no
- 46:07livro assim, acho que é Barro delace, se eu não me engano, que
- 46:11dificultava muito, enfim, a vida, né?
- 46:13Do dos imigrantes ali no território francês.
- 46:17EE mesma coisa assim, foi uma coisa sobre a qual já tava
- 46:21pensando, tava começando a rascunhar e aí começou AA
- 46:23acontecer na França. Eu falei, olha, tá vendo como tá
- 46:26tudo relacionado, relacionado, conectado.
- 46:30EE, como agi bem, disse assim, achei essa essa articulação
- 46:34genial. A gente não pode separar o micro
- 46:36do macro, né? Exato.
- 46:38E trazendo um pouco aqui para o hoje em dia que você está
- 46:40falando dessa pesquisa que foi para o seu livro, que é tão
- 46:42intenso, a gente está também com AG.
- 46:43Eu vou direcionar uma pergunta para você agora que o episódio
- 46:46vai sair nos dias da nos dias da cop 30 e a gente está lá, né,
- 46:49participando aí da delegação brasileira, então vai participar
- 46:52com as eco narrativas. Eu queria que você contasse para
- 46:55gente um pouquinho, então. Como você define o que é uma eco
- 46:57narrativa e qual a importância que você acha que a literatura
- 47:00você tava falando tanto da literatura quanto de cinema e
- 47:03outras criações artísticas. Qual a importância disso?
- 47:05Quando a gente pensa em negociações climáticas ou em
- 47:08falar sobre o clima, você que tá indo lá, então falar nesse lugar
- 47:11tão importante. Bom, eu vou pegar o gancho aqui
- 47:15no que a Mari falou de sobre criar mundos, né?
- 47:19A gente tudo é narrativa. Quando ela traz, por exemplo,
- 47:22que. As plantations aqui, a
- 47:25monocultura é o processo até de um Jardim, um Jardim já é uma
- 47:31leitura de mundo da natureza, né?
- 47:33Então tudo isso é uma narrativa, eu sempre trago esse livro
- 47:36também maravilhoso, chama ferry e fogo é que é uma biografia da
- 47:40mata Atlântica, sensacional o livro.
- 47:43E ele começa com essa é um historiador, né?
- 47:46Ele começa com essa dificuldade de como é contar a história de
- 47:51um bioma. E ele traz que quando o é João
- 47:55Martins e o Darwin vieram conhecer a mata Atlântica, eles
- 47:59tem registrado que eles não tinham palavras para descrever.
- 48:02Era era assim, um Deus desconjurado é que Deus foi esse
- 48:06que fez algo que eu não consigo ler.
- 48:09Então tem uma leitura de mundo, porque assim a Europa, ela tem
- 48:12uma leitura do que a gente chama de pastoral.
- 48:15É assim, já é, é. É como se essa literatura, essa
- 48:19narrativa escrita, ela já crescesse com esse mundo que já
- 48:22é dominado nessa pastoral. E é a gente que, né?
- 48:28Os nossos povos originários tinham outras narrativas,
- 48:31narrativas orais, narrativas onde o peixe fala, onde o Rio é
- 48:35meu avô, onde a Montanha é meu parente, onde é.
- 48:40EE, isso a gente não tinha, não. Essa narrativa, ela ficou
- 48:43escondida porque ela ficou. É além dela ter ficado oral, por
- 48:47exemplo, hoje que a gente tem é acesso a informações como a
- 48:51Amazônia, Ela Foi plantada e criada junto com as pessoas que
- 48:54moravam ali, né? Que AA seleção do milho, o
- 48:58milho, tudo é foi uma seleção de árvores e florestas, pela
- 49:02questão do alimento, por pela questão do estar ali.
- 49:05Então são narrativas de mundo que não não cabem só AA
- 49:09literatura. A história que a gente conta
- 49:11cabe ao mundo, que a gente cria, que a gente come, que a gente
- 49:15bebe, que a gente anda na rua, né?
- 49:18Então eu acho que esse nosso papel é é trazer, como você
- 49:24falou, olha quanta pesquisa tem por trás do livro, é trazer a
- 49:27lente. Então quando você traz AO que
- 49:29pergunta o que que é eco narrativa, ela já vem dessa
- 49:33lente ecocrítica, que é o que a gente estuda, o que que é
- 49:35ecocrítica ecocrítica é a lente ecológica.
- 49:40Sobre a cultura humana, sobre o é sobre um evento, sobre um
- 49:45poema, sobre a gente tem uma lente ecológica crítica sobre o
- 49:50que a gente tá vendo, né? Então, essas eco narrativas,
- 49:54elas são histórias que elas vem conciliar a cultura com a
- 49:59natureza, porque as histórias que a gente conta, na maior
- 50:02parte das vezes, são histórias separadas, onde eu enquanto.
- 50:05Homem, vou usar essa palavra aqui propositalmente.
- 50:09Eu estou no sofá da minha casa, vendo o Animal Planet ali, a
- 50:13chita correndo atrás e aquilo tudo foi montado.
- 50:17O selvagem ele é montado pra agradar meus olhos culturais que
- 50:21não pertencem àquilo. Então a as eco narrativas, ela
- 50:27estou falando bem geral, são histórias que elas vem
- 50:30questionar essa separação. Da cultura com a natureza.
- 50:35Então a gente tem desde é, eu sempre falo, é até a epígrafe da
- 50:39minha tese, eu sempre trago. A Mari já deve ter ouvido 1000
- 50:42vezes, que é do Bruno latour que é, ele diz, é como se o cenário,
- 50:47o que que é essa era que a gente chama de intrusão de Gaia, da
- 50:50Isabelle stangers, que é essa Gaia que intrometeu em tudo o
- 50:53que que é isso? É.
- 50:55E ele diz, é como se o cenário subisse ao palco para
- 50:58compartilhar a cena com os atores.
- 51:01É, então é a eco narrativa, ela ela pergunta, tá essa praia
- 51:05aqui? Tá aí ela é só uma praia.
- 51:07Quem são? É só a praia para o seu beijo do
- 51:09seu protagonista com ou ou ou ou tem histórias ali que a gente
- 51:14precisa através dessa lente, trazer à tona, contar, entender.
- 51:18Então eu acho que ela é mais uma provocação AA eco narrativa do
- 51:23que uma definição. É quando a gente usa essa lente
- 51:25crítica. Para compreender as histórias
- 51:29que a gente tá contando? Parece também um ponto diferente
- 51:31de observar, né? Como você disse, de trazer.
- 51:34Tem esse cenário, as pessoas estão lá.
- 51:35Olhar para esse cenário, então é ajustar um pouco também o olhar,
- 51:38né? Para onde a gente olha, para
- 51:39onde a gente dá atenção. É, eu sempre brinco com essa
- 51:43imagem, realmente é mudar, tirar a câmera, né?
- 51:46Porque a nossa câmera ela é antropomórfica, assim é, não é a
- 51:50palavra antropomórfica, né? Não é essa a palavra é a câmera,
- 51:54por exemplo, eu olho a partir. O meu olhar, a minha lente, ela
- 51:59vê a natureza enquanto cenário, as árvores que estão ali na
- 52:02minha rua, elas são o cenário do da minha historinha humana.
- 52:06E o que que é essa? Se eu coloco a câmera na mão da
- 52:10árvore, por exemplo, só uma provocação, que história ela vai
- 52:15contar sobre mim? Se eu coloco a câmera, é no
- 52:19peixe. Então é você e provocando pontos
- 52:23de vistas diferentes que a gente, o Bruno latour, vou
- 52:25trazer ele de novo. Ele chama de a quarta ferida
- 52:27narcísica que a primeira foi é a Terra, não é o centro do
- 52:31universo. A segunda ferida foi o homem vem
- 52:34do animal do macaco, a terceira é a ferida freudiana, que tem
- 52:39todo o inconsciente que domina sua mente.
- 52:41A quarta é a é a ferida do clima, que é assim, você não é
- 52:44tão importante porque a crise climática, na verdade é uma ela
- 52:48é uma crise humana. Né?
- 52:49Ela é assim, as pessoas. A gente traz o jargão salve o
- 52:53planeta. Na verdade, o planeta sempre
- 52:55atravessou mudanças climáticas, eras glaciais, aquecimentos.
- 53:00E o planeta? Ele está enfrentando uma
- 53:02primeira crise causada por por uma escolha de vida humana.
- 53:07Né? Que nem a gente nem pode falar
- 53:08da humanidade, porque eu vou trazer Oo krenak, por exemplo,
- 53:12que fala, existem muitas Humanidades.
- 53:14Então é uma escolha de vida, uma narrativa de mundo que causou
- 53:17essa crise geobiológica que está aquecendo uma entidade se chama.
- 53:22Chama o planeta Terra, só que esse planeta ele vai atravessar
- 53:26isso. A maior ameaça ao planeta seria
- 53:29é bomba, uma bomba de urânio. Aí a gente vai pensar em cara
- 53:33que que vai acontecer com ela do Sistema Solar.
- 53:36Mas a crise, o que que a crise climática faz?
- 53:39Ela aquece um planeta numa é num grau que não é favorável a vida
- 53:45humana. Não é favorável a vida humana e
- 53:47de todos os companheiros que a gente tá levando junto pro
- 53:49buraco. E tem também uma faixa de
- 53:52oxigênio muito sutil que a gente vive e que permite a nossa
- 53:56existência. Por isso que eu sempre gosto do
- 53:58James lovelock. Quando ele traz isso que nós
- 54:00somos atmosfera, ele até traz essa imagem que eu gosto de
- 54:03trazer. Assim é fazendo xixi líquido,
- 54:06por exemplo, porque será será por uma evolução?
- 54:09Porque essas teorias, assim, elas são, elas são como se diz,
- 54:14é. Tem uma palavra que me fugiu
- 54:17agora, mas elas questionam também a teoria da evolução, né?
- 54:21Tem outras teorias, porque a teoria da evolução darwinista,
- 54:25que é maravilhosa e trouxe tanta coisa, mas ela é uma teoria
- 54:28imperialista, tem tantas outras histórias de é que não são de
- 54:32competição, que são de colaboração.
- 54:34A própria história das árvores, as árvores se ajudam pelas
- 54:37raízes, né? Ninguém solta a raiz de ninguém,
- 54:39elas se seguram, elas avisam, eu adoro essa história muito boa e
- 54:44solta a raiz. De ninguém?
- 54:45Elas. Avisam é se está vindo um
- 54:48predador. Elas têm toda uma rede de
- 54:50comunicação pelos e são histórias que estão ali e que a
- 54:53gente não estava olhando. Então só para voltar no xixi que
- 54:56eu não me perdi, que o James love logo que aí ele fala.
- 54:59É, talvez a gente faça xixi líquido para injetar nitrogênio
- 55:03na Terra, porque talvez nós nós estamos aqui servindo a
- 55:07atmosfera, assim como nós estamos servindo as bactérias
- 55:10que nos habitam, né? A gente acha assim, AI, eu sou
- 55:12uma não, você é um poço de bactérias que habitam no seu
- 55:16corpo inteiro, no seu intestino, que elas determinam muita coisa
- 55:18sobre você. Então, para fechar, eu Eu
- 55:21Acredito que eco narrativa seja essa mudança de perspectiva, de
- 55:26baixar a bola antropocêntrica e perceber que você está vindo.
- 55:29Vivendo com outros seres com o mesmo direito de sujeito à vida.
- 55:34E a gente passa pelo direito. E como são as histórias a partir
- 55:37daqui? Legal.
- 55:38E aí é em relação ao a justamente quando você está
- 55:42criando, talvez isso então chega para as pessoas como uma forma
- 55:44de justamente mostrar que existem outros olhares
- 55:46possíveis, outras formas de ver, outras formas de estar no mundo.
- 55:49Acho que um pouco por aí, né? E pensar em tudo que você falou,
- 55:53seu próximo livro, ele vai por esse caminho também.
- 55:55Eu estou curiosa. AI, que bom que você perguntou.
- 55:59Então é, eu decidi assim porque eu só fazendo um resumo, eu como
- 56:05eu falei, eu comecei com guerreiras de Gaia.
- 56:07Eu não era da literatura, eu nunca pensei em ser escritora.
- 56:11Eu escrevi um livro pra trazer esse universo com o pouco que eu
- 56:14sabia naquela época, com 1920 anos, eu publiquei muito nova,
- 56:18com 24 anos, o guerreiras de Gaia.
- 56:21E aí é mais de uma década, um pouco mais é que eu não tava.
- 56:26Trabalhando isso, né? Em escola.
- 56:29E nisso eu escrevi um livro, né? Que a gente se conheceu pelo
- 56:32machamba, né? Que é o livro que que aborda
- 56:34isso de certo sentido, que é uma perspectiva de mundo, de estar
- 56:38neste mundo e ir achando padrões.
- 56:41De de narrativas civilizatórias por esse mundo em que machucam
- 56:45essas narrativas. Machucam a Lima porque a
- 56:47personagem viaja e ela vai reeditando esse machucado
- 56:51civilizatório que ela viveu na fazenda lá em Minas Gerais, onde
- 56:54ela cresceu. Então é, eu tava ali falando na
- 56:59nas mesas, né? Eu tive uma Alegria de falar em
- 57:01muita mesa com esse livro. Acho que conheci vocês 2 até
- 57:04nesse contexto. E eu falei, eu tive um momento
- 57:07que eu falei, não é sobre isso. Eu falei, cara, não é sobre
- 57:10isso, porque eu sou mãe, né? Eu sou mãe, voltei a ser
- 57:14estudante, e aí você tem que viajar, você tem que viajar,
- 57:17você tem que deixar sua casa, você tem que a gente sabe que a
- 57:20literatura é a gente faz por amor e não por dinheiro, a gente
- 57:24sabe disso. E eu falei, cara, não é sobre
- 57:26isso. Para eu sair da minha casa, tem
- 57:29que ser por um propósito que eu realmente acredite assim.
- 57:33EE, eu tive esse momento interno e aí veio a pandemia.
- 57:37E foi 11 volta um mergulho que eu falei assim, pra eu voltar a
- 57:41literatura tem que ser por isso. E aí eu eu ganhei o famoso ProAC
- 57:47sampa ProAC e eu e eu escrevi Oo guerreiro de Gaia 2.
- 57:51Eu escrevi. Olha só, gente, o prazo.
- 57:53Nem o prazo apertado. Nem sempre ele é ruim, né não?
- 57:56Não é ruim? Ele coloca a gente pra fazer.
- 57:58Eu eu acabei conseguindo finalizar com atraso e terminei,
- 58:02mas assim agora eu é, vou lançar, acredito que no ano que
- 58:07vem. Isso aqui é Oo lançamento do
- 58:09Gaia 2, a gente já tá reeditando um é, e eu tenho conversado com
- 58:13leitores antigos meus que cresceram com o livro eles não,
- 58:16não muda isso, porque eu falei, é, é, eu tô mexendo em algo que
- 58:19já existe, né? Mas eu eu vou trazer algumas
- 58:21atualizações e é, vai vir o filme também.
- 58:25AI que era algo projeto que eu tinha no passado e que tava ali,
- 58:29IA, não IA. E como a Mari falou, agora
- 58:31parece que né, o mundo tá interessando.
- 58:34E eu falei, Ah, sim, eu tenho esse.
- 58:36E aí a gente vai fazer esse esse lançamento que eu não sei qual
- 58:39é, antes ou depois, mas a gente vai fazer.
- 58:42E eu e eu tô muito porque olha o OIS, eu quero trazer isso aqui.
- 58:46Já que você falou nisso, é eu. Quando eu entrei na literatura,
- 58:50eu lembro que existe um preconceito contra a literatura
- 58:54infantojuvenil. Na literatura, existem muitos
- 58:56preconceitos. E eu lembro que AA Mari, eu acho
- 59:00que já chegou, a gente já chegou a conversar sobre isso.
- 59:03E eu escutei coisas assim que eu nem quero reproduzir aqui.
- 59:07EE que eu meio escondi isso para eu ser aceita.
- 59:10Eu quero entrar aqui na terapia coletiva, entendeu?
- 59:14Venham com a gente para. Porque eu falei assim, eu não
- 59:18pra você aceita? Eu tenho que fazer a literatura
- 59:19séria aí. Volta o série, o que você fala
- 59:21muito isso? E aí eu tenho que fazer o que é
- 59:24literatura? O que não é, é a linguagem.
- 59:26Eu tenho que trabalhar e eu eu adoro trabalhar a linguagem.
- 59:29Eu adoro inventar, eu adoro inventar a palavra, eu adoro.
- 59:32Mas eu falei assim, cara, mas não, isso não é motivo AA
- 59:36literatura pra minha vida. AAA vida pra mim é o que eu vou
- 59:39expressar, do da minha experiência de estar vivo.
- 59:42E eu falei, isso não pode se resumir.
- 59:44Eu se aceito por um nicho, eu nem sei se nesse país as pessoas
- 59:48leem. A gente tá querendo ser assim,
- 59:52sabe? Hoje a gente eu eu vou pegar.
- 59:55Impressão eu já passei pra essa mesma travessia que você tá
- 59:58falando, essa do chegar AI que que eu faço pra ser aceito e
- 1:00:00depois entender nossa, não, gente, é?
- 1:00:02E eu e eu pude viver um pouco, né?
- 1:00:05Que o baixamba ele. Ganhou um prêmio, então pude
- 1:00:07estar nas mesas e eu e eu falei, esse cara a minha vida, que é
- 1:00:11muito rica de existência, não pode se resumir a ser aceita,
- 1:00:16não pode. Que legal você trazer.
- 1:00:18Isso é. E aí eu falei assim, então eu
- 1:00:20estou, eu estou, eu me sinto recomeçando, eu vou é depois de
- 1:00:24uma chamba assim, agora eu vou, eu vou relançar o livro é e é o
- 1:00:28que me é, o que brilha os meus olhos.
- 1:00:30AI, que demais. Estou doido para ler.
- 1:00:32E é muita gente também. Gente, a gente já está se
- 1:00:34encaminhando para o fim. Olha só, passa muito.
- 1:00:36Rápido. Eu queria pedir assim, antes da
- 1:00:38gente encerrar, uma dica para vocês, quem se interessa por por
- 1:00:41esse tema é, sejam leitores, pessoas que gostam de filmes, ou
- 1:00:45vocês querem trazer algo assim para assistir, para ler, para
- 1:00:48quem tá atrás de bons livros, que trazem algo sobre clima,
- 1:00:51sobre narrativas de mudanças, de transformação, querem deixar
- 1:00:54alguma dica? Várias, algumas 3, assim que aí
- 1:01:01a gente deixei de dica para quem tá ouvindo a gente buscar
- 1:01:03outros. Outros outras leituras?
- 1:01:07Posso indicar ou ficar com o problema?
- 1:01:09Ou você quer ficar com essa? Porque essa eu sei que a gente
- 1:01:14compartilha, né? Ficar com o problema, então
- 1:01:17ficar com o problema da dona haraway, fazer parentes no que
- 1:01:19tudo seno é, enfim. Não vou falar nada, só leiam.
- 1:01:23Não se assustem. É um calhamaço, mas é um
- 1:01:25calhamaço lindo que vai mudar a vida de vocês.
- 1:01:27Depois a gente conversa. E que ela ousa também na escrita
- 1:01:30acadêmica, né? O que a Mari estava trazendo da
- 1:01:32música, da dessas interfaces que você ela ousa isso na escrita
- 1:01:37acadêmica. Que legal.
- 1:01:38Ela faz teias de conexões na própria escrita acadêmica.
- 1:01:43Exato, é e cara, eu acho que. Ouvindo a Gi falar, eu fiquei
- 1:01:49com vontade de indicar também o over story, que é OA trama das
- 1:01:53árvores do Richard powers, que é um livro muito lindo assim e que
- 1:01:58conta. Eu acho que ele consegue fazer
- 1:02:00essa relação do micro com o macro e ele traz muito AA
- 1:02:04perspectiva das vivências humanas passando pelas árvores.
- 1:02:09Claro que tem um momento antropocêntrico ali, porque não
- 1:02:12tem como não ser, né? Enfim, acho que também não
- 1:02:14precisa necessariamente querer escapar a todo custo.
- 1:02:17Mas é um livro muito bonito e que agora eu não sei se é nesse
- 1:02:21livro ou se é no do mancuso, mas me veio uma frase quando você
- 1:02:26tava falando que eu acho genial que é, né?
- 1:02:30Que a gente sempre tem essa impressão que a gente jardina as
- 1:02:33árvores. Mas foram as árvores, né?
- 1:02:36Oo verde que criou a atmosfera, o que permite a nossa
- 1:02:41existência. E como a Gi falou, a gente
- 1:02:43presta muitos serviços para. Para o Reino vegetal, né?
- 1:02:47Então, será que a gente que jardina as árvores ou as árvores
- 1:02:50que jardinam a gente é, eu acho. Essa provocação assim é muito,
- 1:02:55muito interessante. E já que a gente tá falando de
- 1:02:58seres mais que humanos e narrativas esquisitas assim,
- 1:03:04outras formas de pensar a narrativa é, acho que eu posso
- 1:03:09terminar com avancean, depprê e autobiografia de um povo.
- 1:03:13É a você, ela é genial, é em tudo que ela faz, assim, ela é
- 1:03:16uma, é psicanalista, psicóloga, quer dizer, desculpa, ela não é
- 1:03:20psicanalista, ela é psicóloga, é, se eu não me engano, ela é do
- 1:03:23comportamento e aí ela estuda, ela fala de luto, mas ela também
- 1:03:29fala de pássaros, mas ela também fala de é outros animais e ela
- 1:03:34tá sempre, né? Na autobiografia de um povo, ela
- 1:03:37conta a história de um povo e de uma comunidade que acompanha o
- 1:03:41povo. É uma história que se passa no
- 1:03:43contexto de crise climática, mas eu acho que é uma das primeiras
- 1:03:47nas quais eu Na Na qual eu enxerguei uma Esperança e não
- 1:03:51uma Esperança na if assim, mas uma Esperança concreta, bonita
- 1:03:55assim, de ficar com o problema e.
- 1:03:57E fazer junto com Oo problema, né?
- 1:04:00E ver uma vida ali acontecendo. É e ela.
- 1:04:04Eu ouvi várias entrevistas com ela sobre esse livro, porque eu
- 1:04:07sou apaixonado por esse livro. E ela se propõe 11 desafio que é
- 1:04:11muito interessante, que é de pensar a polvalidade do povo.
- 1:04:15Então, quando ela está escrevendo, ela não está
- 1:04:17pensando, Ah, eu vou registrar o povo aqui da minha perspectiva
- 1:04:20humana, mas não vou registrar o povo da perspectiva.
- 1:04:23Do povo, né? O que que isso significa?
- 1:04:25Enfim, lembro. É maravilhoso g agora 3 dicas
- 1:04:29tão rapidinho pra gente fechar. Vamos lá?
- 1:04:32Bom, eu queria trazer um livro que eu gosto muito, porque eu
- 1:04:35uso muito ele na minha pesquisa, que é o global e o planetário do
- 1:04:38chácara Bart. Ele tá pela ubu, porque eu acho
- 1:04:41que esses livros ajudam a gente pensar em categorias.
- 1:04:44Eu pelo menos gosto assim, eu preciso.
- 1:04:46E ele traz essa diferença que Mari falou muito.
- 1:04:49Eu trouxe um pouco aqui, que é entender o que que é o planeta
- 1:04:52enquanto entidade. Cosmológica entender o que que é
- 1:04:56a Terra enquanto essa rede vivente e enquanto é o global,
- 1:04:59que é a narrativa civilizatória do que fizemos aqui e para gente
- 1:05:04começar a separar o joio do trigo.
- 1:05:07Acho muito rico é, Ah, eu poderia trazer 1000 livros aqui,
- 1:05:11eu vou trazer os que eu citei, eu citei muito o Bruno latour
- 1:05:14diante de Gaia, que é uma coleção, é das palestras dele, é
- 1:05:18AA Isabela stangers e o Bruno latour trabalha a ideia de Gaia
- 1:05:23enquanto. É uma entidade filosófica que
- 1:05:28invadiu tudo que é esse planeta Terra, que inclusive invadiu o.
- 1:05:32Podcast aqui. E eu poderia trazer 1000
- 1:05:35referências de filmes aqui. É, leiam a pesquisa.
- 1:05:39A gente tá lançando essa semana, clima em cena.
- 1:05:42A gente traz filmes nacionais, mas como é que é?
- 1:05:45É livro. Eu queria trazer Oo livro dessa
- 1:05:48nossa mestra amiga, que é o carga viva.
- 1:05:50A Ana rush que ela traz esse livro que de são 2
- 1:05:54temporalidades atravessadas por esse território que é o Ubatuba,
- 1:05:58a Ana tem também todo essa. Essa pesquisa é selecionar e se
- 1:06:02falar. Pra atravessar a história de um
- 1:06:05romance, então? É maravilhosa.
- 1:06:07Inclusive quero trazer ela aqui pessoalmente.
- 1:06:09A gente ainda não conseguiu coincidir Datas dali em São
- 1:06:12Paulo, mas quero muito a gente conversar também.
- 1:06:14Ah, maravilhoso. E jabá?
- 1:06:17É sigam meu Instagram arroba Gisele mirabá, e eu tenho feito
- 1:06:21vídeos. Eu tenho tentado, além de tudo,
- 1:06:22virar blogueira. Então eu tenho tentado fazer
- 1:06:24vídeos curtos com pequenas pílulas que.
- 1:06:28Tratem desses temas que são muito profundos.
- 1:06:30Maravilha. Então gente, procurem a Gisele
- 1:06:32mirabaia nas redes, procurem a Mariana Brecht.
- 1:06:34Leiam, foi acabar bem nossa vez machamba guerreira gigaia e logo
- 1:06:38meio guerreira gigaia 2 pra gente ficar de olho.
- 1:06:42Gente, muito obrigado pela presença, pela conversa, adorei
- 1:06:44bater esse papo com vocês e adorei a gente debater algo tão
- 1:06:47importante né? Que acaba sendo falado menos do
- 1:06:50que deveria. Então muito obrigado por
- 1:06:51trazerem um pouquinho do conhecimento de vocês para o
- 1:06:53podcast. Imagina?
- 1:06:55Parabéns pela iniciativa, espero que dure muitos e muitos anos.
- 1:06:59Sim, espero que sim também, amém.
- 1:07:01Obrigadão Isa, obrigada por acolher esse tema aqui, deixar a
- 1:07:04gente invadir, ocupar esse espaço e muito feliz em estar
- 1:07:07com você. Gi, obrigada.
- 1:07:08Mari é pensamento ecológico, é pensamento e rede, né?
- 1:07:12Então ele é todo mundo junto o mesmo.
- 1:07:15Maravilha, obrigada. Quem ouvir a gente até aqui,
- 1:07:17pessoal, até o próximo episódio. Tchau, tchau.
- 1:07:20Tchau.