Latest / Peças Raras - Você em sintonia com o rádio / #334 Estadão 150 anos: relembre entrevista com Milton Nascimento no Estadão Noite, em 2013
Transcript
- 0:01Peças raras você tem sintonia com raras?
- 0:08Olá, tudo bem? Eu sou o Marcelo abud, seu
- 0:11podcaster radiofônico, e estou de volta com nossas peças raras.
- 0:17E neste ano de 2025, o Estadão está completando 150 anos.
- 0:24E um dos braços do grupo estado é justamente o rádio, né
- 0:29tradicional, a Rádio Eldorado, que já teve ali a Rádio Eldorado
- 0:33AM, depois a nova Eldorado AM é virou o rádio Estadão, havia a
- 0:39rádio Estadão e a Rádio Eldorado, as 2 frequências.
- 0:43E é um pouco dessa memória, é. No momento em que o Estadão
- 0:48estava é com uma rádio com o seu nome, né?
- 0:52A rádio Estadão, que também teve o período rádio Estadão ESPN,
- 0:56que nós vamos lembrar aqui, ainda impactado, eu impactado
- 1:01pelo filme. Milton bituca nascimento, então
- 1:04eu vou trazer aqui um momento muito especial na programação da
- 1:09rádio Estadão, que atualmente é a Rádio Eldorado, né?
- 1:12Está tudo junto ali é no 107 ponto. 3 aqui em São Paulo e que
- 1:18dá para ouvir no aplicativo na internet, enfim.
- 1:22Mas é em 2013, a rádio Estadão estava lá em 92,9.
- 1:30E um dos programas brilhantes que a gente acompanhava na rádio
- 1:35Estadão era justamente o Estadão noite.
- 1:38E o Estadão noite tinha como apresentador o Emanuel Bonfim.
- 1:43Que atualmente é o diretor artístico da Rádio Eldorado.
- 1:47Bom, para celebrar então, um dos áudios aqui do Estadão.
- 1:52Nesses 150 anos do grupo, eu vou trazer uma entrevista raríssima
- 1:57com o Milton Nascimento, que foi ao ar em dezembro de 2013.
- 2:03Final de ano, entrevistas especiais no Estadão noite e na
- 2:07passagem de ano ali 31/12/2013, foi ao ar uma entrevista.
- 2:13Lista exclusivíssima muito boa com o Milton Nascimento e a
- 2:18gente vai ouvir trechos desta entrevista, que foi
- 2:22brilhantemente conduzida pelo Emanuel Bonfim.
- 2:26Aliás, só um parênteses aqui. Eu sou muito fã do Emanuel
- 2:28Bonfim. É o conheço desde a época da
- 2:31faculdade, quando ele fez rádio e TV na Cásper líbero.
- 2:35Eu fui entrevistado por ele. Vou deixar depois da entrevista
- 2:38do Milton, que é o que nos interessa aqui.
- 2:40É essa peça rara também. Vou trazer aqui um achado do
- 2:44espaço, A Entrevista que o Emanuel Bonfim fez em 2003, lá
- 2:49na Rádio Gazeta universitária, da Cásper líbero, né?
- 2:53Comigo é isso, vou dividir com vocês.
- 2:56Atualmente, você ouve o Emanuel Bonfim também diariamente na
- 3:02Rádio Eldorado, 107.3 junto com o Leandro cacossi, no fim de
- 3:08tarde Eldorado, um programa que dá muito.
- 3:10Espaço também para cultura, para arte, inclusive a Flávia Moraes,
- 3:15diretora de Milton. Bituca nascimento foi
- 3:18entrevistada recentemente, né? Antes do filme ser lançado, no
- 3:23fim de tarde. Eldorado.
- 3:25Mas vamos lá. Já falei bastante, vamos
- 3:27acompanhar esse momento mágico. Trechos da entrevista de Milton
- 3:33Nascimento em dezembro de 2013, na rádio Estadão, com
- 3:38apresentação de. Emanuel Bonfim.
- 3:42Se o Brasil pudesse ser definido por uma Voz 1 timbre, a de
- 3:46Milton surge como unanimidade, sofisticação, rebuscamento,
- 3:51lirismo, poesia e beleza. Não há como não se emocionar
- 3:55diante da obra e das canções do artista carioca mais mineiro de
- 3:59que se tem notícia. E hoje aqui na rádio Estadão, eu
- 4:03tenho a honra de receber aqui em nossos estúdios, ele, Milton
- 4:07Nascimento. Tudo bem?
- 4:08Milton? Seja bem-vindo.
- 4:10Tudo bom? É um prazer estar aqui com
- 4:11vocês, do Estadão. Estamos aí.
- 4:13Sempre que precisa, precisa da gente.
- 4:16A gente está. Tendo empadinha de queijo, tá
- 4:18tudo certo, né aí? Melhorou muito, né?
- 4:21Mas o negócio com o Estadão é é de antes de eu ser conhecido.
- 4:26O pessoal do do caderno 2 já tinha um pessoal que falava de
- 4:31mim e tal. Sempre me deram o maior apoio.
- 4:35Aí depois que eu fui para o para o Rio, que me tornei conhecido.
- 4:39É, todo mundo continua do mesmo jeito.
- 4:41Eu faço. Eu venho aqui com o maior
- 4:43prazer. Que legal, Milton.
- 4:45O Milton. É verdade que foi o Truffaut o
- 4:47culpado de transformar você em compositor?
- 4:50Foi a novela e vague que ajudou a despertar esse lado compositor
- 4:53na sua vida. Bom, o cinema sempre foi uma
- 4:56coisa extraordinária na minha vida, quando eu mudei para Belo
- 5:02Horizonte que eu comecei AA. Aí mais aqueles negócios que
- 5:07eram uma cidade que tinha muita cultura em Belo Horizonte.
- 5:10Eu era amigo do Marcinho Borges, EEA, gente IA em todos os os
- 5:16filmes que que a gente sabia que que eram bons e um negócio
- 5:21assim. E o Marcinho tinha uma mania de
- 5:24querer que eu compusesse, né? Mas eu não queria compor.
- 5:28Eu naquela época, tocava violão, contrabaixo, cantava.
- 5:32A gente tinha um tri chamado. Berimbau, trio, que era o ó meu
- 5:37Deus, o Wagner tiso, o Paulinho Braga e eu.
- 5:41Aí o Marcinho chegou para mim um dia que eu tava lá fora do do
- 5:46bar que a gente tocava, e falou, o que que tá acontecendo com
- 5:49você hoje? Eu falei nada.
- 5:52Aliás, foi o dia que eu conheci o Marcinho, falei, não tá
- 5:55acontecendo nada. Ele falou, tá acontecendo sim,
- 5:58porque eu tava sentado, ouvindo, ouvindo você tocar.
- 6:02Ou contrabaixo. E vi que tinha uma coisa
- 6:04diferente. Aí eu tava Na Na assim, no
- 6:07segundo andar do edifício, olhando para baixo, e falei para
- 6:12ele, olha, o negócio é o seguinte, eu tô aqui em Belo
- 6:17Horizonte fazendo o que eu gosto e não tem nada de errado, tal.
- 6:24Agora, de vez em quando, a gente para um pouquinho para avaliar
- 6:28essas coisas todas. Ele falou, não, nada disso.
- 6:32Você já prestou atenção nos arranjos que você faz para as
- 6:38músicas que você canta? Falei, claro, sou eu que fiz.
- 6:43Ele falou, não, você não prestou atenção, porque senão você IA
- 6:47saber que são outras músicas, porque eu queria só cantar
- 6:51música dos outros, não queria compor.
- 6:54Aí acabou que a gente ficou amigos e começamos era.
- 6:59É bibliotecas EE, bom livros, música, EE, cinema e tudo
- 7:06teatro. Tudo que acontecia lá a gente
- 7:08tava junto e um dia ele assistiu um filme e eu tava não sei aonde
- 7:16ele tava me procurando. Aí me falaram, olha, o Márcio
- 7:19Borges tá te procurando aí, que quer te mostrar uma coisa?
- 7:22Aí eu encontrei com ele lá Na Na rua Tamoios lá.
- 7:27E ele falou, bitoca, eu tava passando um filme aqui que você
- 7:29tem que ver. Aí nós fomos, entramos na sessão
- 7:33das 2 e saímos na sessão das 10. E era justamente Gil e Jim, né,
- 7:40que aqui botaram um nome bobo, né?
- 7:43Uma mulher para 2, não é nada disso, quer dizer.
- 7:46Ah, um nome nacional, né? É horrível, horrível, e o Gil e
- 7:51Jim são 2 caras, um francês e um alemão.
- 7:55Que se apaixonam pela mesma mulher que qualquer um tinha que
- 7:59apaixonar por aquela mulher, porque Jaime morrou só existe
- 8:03uma. E então a gente não conseguiu
- 8:07sair do do do cinema. Aí foi quando eu realmente
- 8:12conheci o François trifaut. Quando a gente saiu o marciando
- 8:17um pouco é de pressa. Eu fui atrás dele.
- 8:21Pera aí, pera aí, vamos lá para sua casa.
- 8:25Eu vou pegar um violão e você vai pegar um caderno e a gente
- 8:28vai começar a fazer música hoje. Olha que legal.
- 8:32E foi nessa noite, a gente fez 3 músicas.
- 8:35Você lembra quais eram? Uma chama novena, que foi a
- 8:38primeira, a outra crença e a outra gira, girou.
- 8:47E aí começamos a fazer, fazer, fazer, fazer.
- 8:49Eu fazia as músicas, eu fazia a letra, mas aí teve 1 hora que eu
- 8:52lembrei. Que quando eu era pequeno, a
- 8:55gente vinha para o Rio e a minha madrinha levava nossa família
- 9:01todinha para Cabo Frio. E nesse caminho eu conhecia as
- 9:07Salinas, não é? E fiquei doido com as Salinas.
- 9:12Então aquela água No No no chão assim virando sal, né?
- 9:16Aqueles é cataventos. E aquilo tudo, aquilo sempre.
- 9:23Me acompanhou muito, né? Então eu falei, olha, aí tá o
- 9:30assunto aqui, né? Então foi engraçado porque eu
- 9:34comecei AA escrever a primeira parte, que era Oo lance do do do
- 9:42trabalhador de lá. É dizendo que que trabalhava
- 9:49muito, que sofria o Sol. Essas coisas todas, mas com
- 9:53amor, porque aí ele poderia transar, a família dele direito,
- 9:59o filho dele estudar e aqueles negócio todo e tal.
- 10:04E depois veio um negócio na minha cabeça que que era 11 tipo
- 10:09de perguntas, é, a água vira çal lá na salina.
- 10:14Quem diminuiu a água do mar? Pergunta.
- 10:18E foi assim, foi assim e acabei a música.
- 10:22E eu gostei muito do do do que eu tinha escrito, mas não
- 10:26gostava da música que é. Geralmente eu fazia a música
- 10:31assim, pra não esquecer do Balanço que eu queria da letra.
- 10:35E aí encontrei de noite com com o Marcinho Borges.
- 10:38Eu falei aqui, escrevi isso aqui.
- 10:41Ele falou, pô, demais, é agora. E a música?
- 10:45Eu falei, não, a música, eu não gostei.
- 10:48Não vou mostrar para ninguém. Ele falou para mim, você vai
- 10:49mostrar aí, tal. Acabei que eu comecei AA cantar
- 10:54e mostrei para ele. Ele falou, você é louco.
- 10:58Isso é uma coisa lindíssima. E esse foi o primeiro encontro
- 11:02seu. Como é que é essa canção do Sol?
- 11:04Chegou com quem? Quem apresentou vocês falou
- 11:06Milton. Essa Elise Elise sem o Milton
- 11:07Nascimento. Não, o lance da da de eu
- 11:11conhecer a Elise. Tinha uma cantora lá no Rio de
- 11:14Janeiro chamada Luiza e. Estava gravando OOA, última
- 11:20faixa do disco dela, e tinha Moacir Santos, que era o maestro
- 11:25do disco dela, e ela cantava muito.
- 11:28E a gente. Eu passei pro Mascarenhas e
- 11:30wagnertismo, fomos pro pro Rio. Aí ele perguntou se a gente não
- 11:35queria fazer um corinho lá no com a gente, claro, aí fizemos o
- 11:38couro de noite, teve uma festa na casa da Luiza.
- 11:42A gente foi que foi uma loucura, que de repente eu tava no meio
- 11:46daqueles. Caras todos que eu idolatrava,
- 11:51né? E então o pacífico fez que eu
- 11:55cantasse uma música tal, e eu cantei a música do, do minha e
- 12:00do Wagner, que chama Aconteceu Naquela Noite, naquela noite eu
- 12:04não queria, mas o pacífico era tipo Marcinho, né?
- 12:09Aí é aconteceu que cantei lá o tal, sentei num num lugar.
- 12:16Aí quando eu sentei, eu falei, aquela pessoa sentada ali no
- 12:20chão, eu já vi essa mulher, né? E fiquei pensando, pensando.
- 12:28Aí eu lembrei que eu tinha trabalhado numa numa rádio,
- 12:34apresentando isso sim, assim. Aí chegou lá no chegaram lá em
- 12:40Três Pontas na minha, na minha emissora.
- 12:44Um disco do Sérgio Murilo, que era um cantor de rock, e um
- 12:49disco da Elis Regina, que tava cantando rock também.
- 12:55Aí é, a gente ficou tal. Quando a gente saiu na rua, eu
- 13:01peguei e fui, corri atrás dela assim e comecei a cantar uma das
- 13:05músicas do disco dela. E ela falou, cala essa boca,
- 13:09fecha, esquece essa coisa não há não.
- 13:12Paulo, ela não gostava da que ele disse não, não, porque
- 13:17segundo ela, Eu Acredito é o pessoal queria fazer 111 coisa
- 13:25com a Selic. Campela exatamente queria
- 13:28aproximar da Selic campela. Não brigar com a Selic?
- 13:31Campela. E ela não queria nada disso.
- 13:35Aí. Aconteceu um festival.
- 13:42Aqui em São Paulo, o berimbau de ouro, que ela inclusive ganhou o
- 13:46primeiro, né? E eu tava no segundo que alguém
- 13:50me descobriu. Dizem que foi o Baden Power.
- 13:54E aí aconteceu Oo seguinte, a gente tava na numa sala com uns
- 13:59músicos ótimos tocando pra ensinar as melodias pra para as
- 14:06pessoas, mas enquanto estava acontecendo isso lá.
- 14:10Tinha 11 fileira de de de partituras e eu peguei e comecei
- 14:19disfarçadamente a olhar assim, assim, assim, até que eu peguei
- 14:25uma e falei, isso aqui é do Baden.
- 14:29E aí chamaram, eu fui e entreguei.
- 14:32Foi a única música que não, não, não sabe que ela tinha.
- 14:37Ela IA ser dada para alguém. Mas eu cheguei antes e foi um
- 14:42negócio que depois com uma confusão, porque eu não achava
- 14:45uma música e eu já tava lá em Belo Horizonte cantando a música
- 14:49para todo mundo. A música do Baden.
- 14:50Do Baden e depois eu conheci o Baden e tudo e tal, e no último
- 14:56dia eu a Elisa IA cantar. No.
- 15:03Encerramento, né? E eu ensaiei minha parte, tava
- 15:07andando No No corredor. Aí eu ouvi aquele barulho de
- 15:11tamanco assim e tal. Quando eu olhei, Era Ela, né?
- 15:16Eu sabe aquele negócio que você fica meio com vergonha, né?
- 15:20E tal? Eu abaixei minha cabeça, passei
- 15:23Por Ela, ela passou. Aí de repente teve aquele
- 15:28barulho de tamanco, mas bem grapa.
- 15:31Mineiro não tem educação, não, eu falei.
- 15:36Como é que passa por mim e não, não dá nem bom dia?
- 15:40Eu falei, não, Luiza, o negócio é o seguinte, porque todo mundo
- 15:43fala de em você, essa coisa toda.
- 15:46Eu não queria ser mais um chato. Ela falou, não, senhor, de manhã
- 15:51você diz bom dia, de tarde você diz boa tarde, de noite você diz
- 15:55boa noite. E eu quero que você vá lá na
- 15:58minha casa para cantar aquela música do eu e do Wagner tiso
- 16:02que você cantou lá na casa da Luiza.
- 16:06E de repente, ela começou a cantar a música.
- 16:08Devia fazer uns 3 anos. Eu olhei assim para ela.
- 16:13Ela falou, memória, meu caro. A lindy brava era snobe.
- 16:19Com razão. Esse é Milton Nascimento hoje
- 16:22aqui nos estúdios da rádio Estadão, conversando com a
- 16:26gente. Na sequência, a gente continua o
- 16:28papo, ô Milton, tem uma pessoa que gostaria muito de estar
- 16:31presente hoje nesse estúdio aqui e participar dessa entrevista,
- 16:34inclusive. Ele foi um dos fomentadores, né?
- 16:37Desse papo nosso que está acontecendo aqui agora.
- 16:40Mas como ele não pode estar aqui, está indo para Cuba.
- 16:42Inclusive, ele deixou uma pergunta, queria que você
- 16:44ouvisse ele vai se apresentar aí?
- 16:47Olá, Milton. Eu sou Júlio Maria, repórter do
- 16:50caderno 2, colunista aí da rádio Estadão.
- 16:52Um prazer poder falar com você. Infelizmente não estou aí para
- 16:56fazer isso pessoalmente, mas é um grande prazer poder falar com
- 17:00você mesmo a distância, Milton. O pessoal lá fora é louco por
- 17:06aquilo que você faz, né? Historicamente, tudo que você
- 17:09fez, na verdade na sua carreira foi foi sempre muito bem
- 17:11recebido aqui, mas lá fora também, e principalmente pelo
- 17:14pessoal do jazz, né? Eu queria saber Milton assim,
- 17:18você demora muito para criar para fazer uma música.
- 17:20Acho que deve ter casos e casos você vai responder, então você é
- 17:25um pouquinho mais objetivo. Qual foi, Milton, a música mais
- 17:28difícil que você fez? Em toda a sua história, qual foi
- 17:33a composição mais difícil? Levou mais tempo, enfim, para
- 17:38você terminar, para você acabar na sua carreira.
- 17:43Obrigado, Nilton, um beijo grande, a gente se vê, um abraço
- 17:48bom, um abração para você, eu te conheço, gosto de você para
- 17:51caramba. Agora o lance é o seguinte,
- 17:54entre várias, várias músicas que eu fiz assim, que que a gente
- 17:59fica pensando, pensando. Creio que não.
- 18:02Não que foi difícil, mas me deu muito trabalho.
- 18:06Foi saudade dos aviões da panair que a Elis Regina, quando
- 18:11gravou, botou conversando no barco com medo da da censura.
- 18:30E. Foi assim, eu?
- 18:32Acordei. Às. 9 horas da manhã eu morava
- 18:37em Copacabana e aí fui direto para a sala, num apartamento que
- 18:42não tinha nada, só fogão, geladeira, um negócio para eu
- 18:48dormir no quarto. E um.
- 18:51Piano numa outra. Sala aí?
- 18:57Eu. De 9 horas.
- 18:59Fiquei. Ali.
- 19:01Tal. Tal com um negócio interessante,
- 19:03porque como não tinha nada, tinha o eco e eu sou fã ardoroso
- 19:07do eco. E.
- 19:10Fiquei fiquei o dia inteiro, o dia inteiro nem almocei, nem
- 19:13nada, nem nada. E quando teve 1 hora que.
- 19:18Que eu queria? Parar.
- 19:19Eu falei, não, mas eu não acredito que eu fiz essa música.
- 19:22E continuei. Continuei até mais ou menos umas
- 19:256 horas da tarde ainda com com a música, aquela mesma música e
- 19:31tudo. E aí 1 hora eu falei, bom, eu
- 19:35tô, tô cansado, vou, a música é essa mesmo e eu vou é.
- 19:43Vou pro quarto dar uma. Né, passar o tempo um pouco, né,
- 19:47olhando para o teto? E acontece.
- 19:50Que eu saí da da da sala onde eu estava.
- 19:53E fui. Para o caminho do meu quarto?
- 19:57E aí? Na hora que eu IA entrar no meu
- 19:59quarto, eu olhei para trás, vi o piano no outro quarto.
- 20:04Aí fui, sentei no piano e fiz outra música, que é ponta de
- 20:08Areia. Então foram as 2.
- 20:11Foram feitas uma atrás da outra assim.
- 20:15Eu não tava pensando em fazer ponta de Areia, né?
- 20:18Mas. Acho que eu tava com tanta tanta
- 20:21coisa na cabeça por causa daquela primeira música que eu.
- 20:25Tive. Que eu não não IA conseguir
- 20:27chegar no meu quarto. Aí entrei pro outro lado e saiu
- 20:30ponta de Areia. Milton tem outra.
- 20:32Pessoa que é muito amiga sua que vai fazer uma pergunta aqui para
- 20:36você, participa aqui hoje do nosso programa tudo.
- 20:41Bem querido. Eu tenho uma questão aqui para
- 20:45conversar com você, para dividir com os ouvintes, é o seguinte,
- 20:50cara, é, tem uma coisa maravilhosa que acontece com
- 20:54você? E é uma coisa.
- 20:57Que eu lembro do Villa-Lobos, de entrevistas que eu vi do
- 21:00Villa-Lobos dizendo que ele gostava de compor quando ele
- 21:03morava em Santa Teresa, no Rio. Tinha Rose, passava o bonde,
- 21:07fazia barulho. Eh uma ocasião até.
- 21:11Ele disse assim, perguntaram para ele se, se o bonde passava
- 21:15na hora que ele estava escrevendo a sinfonia, o que que
- 21:18ele fazia? Aí ele falava, eu coloco o bonde
- 21:21na sinfonia. Então é.
- 21:24E ele gostava de tocar no meio de aniversários, de festas.
- 21:28E você é um cara assim. Você é um cara que gosta de
- 21:31compor com pessoas, conversando, com com festas.
- 21:36Pessoas passando do seu lado, você não tem aquela coisa do do
- 21:40recolhimento para compor. Isso eu acho fascinante.
- 21:44E aí eu queria saber de você, se você concorda com a fase do
- 21:48Villa lobo, que diz que o ouvido de fora não tem nada a ver com o
- 21:53ouvido de dentro. Um beijo, amigo.
- 21:56O beijão? Lo o lo é.
- 21:59É parte da minha vida, é. É meu irmão mesmo.
- 22:03Que a gente tá? Junto.
- 22:05Sempre. Graças a Deus.
- 22:08E é realmente. Eu vi esse filme do Villa-Lobos.
- 22:12Eu fiquei é muito tocado. EE é, é uma coisa muito
- 22:20interessante porque tem realmente a ver, porque se eu
- 22:25tiver sozinho em casa pra compor, eu não componho, tenho
- 22:29que ter os meus afilhados, crianças ou coisa e tal.
- 22:33E esse negócio do barulho do bonde e trem, essas coisas todas
- 22:38fazem parte da da minha vida e da minha música.
- 22:43E eu já fiz. Várias músicas na época que
- 22:44tinha o Vera Cruz de que era o trem de Belo Horizonte para o
- 22:48Rio, conforme o Balanço do trem, eu eu fazia aquele negócio,
- 22:54então, mas você tá certo, é? É assim mesmo, tem que ter.
- 22:58Bagunça para eu poder compor, né?
- 23:01Qual que é a? Sua primeira memória musical do
- 23:05que que você? Primeira coisa que você ouviu
- 23:08musicalmente e isso foi importante para sua formação.
- 23:12Olha, a minha mãe é que a lília é é não, não é adotiva.
- 23:20Ela é minha mãe. Porque a minha mãe, de de
- 23:23sangue, ela faleceu. 11 casa da lília, da mãe da lília, né?
- 23:29E depois eu fui para Juiz de Fora para ficar com a família da
- 23:34minha mãe, aí eu não conseguia me adaptar não.
- 23:39Conseguia. Comer nem nada e tudo.
- 23:42E sentava Na Na, na, na varanda da da minha avó tentando ver um
- 23:48carro verde e passava carro para tudo quanto é de tudo quanto é
- 23:52lado, mas menos o carro verde. Agora tem 11, coisa que é minha
- 23:58com a com a Lilia, minha mãe. Que é?
- 24:02A gente sempre teve uma sintonia muito grande, então ela tinha
- 24:09fazia 2 meses que ela tinha se casado com meu pai.
- 24:12Aí ela chegou para ele e falou assim, é zino, que era o apelido
- 24:16dele. Nós temos que ir a Juiz de Fora,
- 24:19porque o bituca não tá bem agora.
- 24:21Três Pontas a Juiz de Fora naquela época, né?
- 24:25É quase uma viagem de de navio daqui até Marte, EEE.
- 24:32Então ele ele aceitou o negócio e foi.
- 24:37Foram os 2 para o Rio. Chegaram lá, pediram para o meu
- 24:41avô, que era meu padrinho também, para ir para Juiz de
- 24:47Fora, e o carro dele era verde. Então foi 11 coisa.
- 24:53Que eu tava? Lá assim, de repente, eu vi o
- 24:55carro verde. E tava?
- 24:58Tava tava num passeio quando eu vi o carro verde, eu comecei a
- 25:03levantar minha mão de Felicidade, mas eu não tinha nem
- 25:08força pra pra nada. E aí?
- 25:11As pessoas que que que viram o que aconteceu é que quando eles
- 25:17estavam chegando, minha mãe me viu no passeio.
- 25:22E viu que eu IA cair e meter minha cabeça numa Pedra.
- 25:26Ela. Abriu a porta do carro com
- 25:29aquele trânsito todo, não quis nem saber.
- 25:32Atravessou aquela rua toda e tal, foi me pegar.
- 25:35Me pegou na hora que eu tava começando a cair.
- 25:38Então essa daí eu fui para Minas Gerais.
- 25:43E. Me considero mineiro, carioca,
- 25:46mineiroca, mineiroca, mas é foi com a Lilian.
- 25:53Que era? Lá na casa da minha madrinha
- 25:55tinham 2 filhas, EE. Elas tocavam piano, então eu nem
- 26:00sabia andar direito. Eu IA para o piano e ficava
- 26:03balançando assim e tal. Ela conta isso.
- 26:07Que eu acho que meu. Primeiro negócio, eu não sei que
- 26:11música foi em especial, mas foi ali No No, no piano.
- 26:18Milton. Agora, eu queria te perguntar
- 26:19sobre o clube da esquina. Eu queria saber de você, o que
- 26:23que viabilizou o clube da esquina?
- 26:26É, foi, tinha aquela reunião de amigos, mas é como é que se deu
- 26:30esse passo entre uma reunião de amigos instrumentistas?
- 26:33Eu acho que você era um pouco mais velho da turma, mas para
- 26:35isso se transformar num disco, tem um projeto em torno daquela
- 26:39turma ali. O que que viabilizou o clube da
- 26:41esquina? Olha.
- 26:42Foi uma coisa porque eu? Quase fui adotado também pela
- 26:48família Borges, né? Então era muito amigo do mais
- 26:51velho, o marilton. E eu tava.
- 26:53Sempre lá Na Na. Na casa deles, a mãe dele
- 27:00brincava comigo, que que não queria saber de de eu entrando
- 27:05na casa dela, que eu só atrapalhava, que os meninos
- 27:08estudavam e não sei o que, não sei o que pegava uma vassoura,
- 27:11saia correndo atrás de mim, mas nunca me acertou, né?
- 27:15Aí. É.
- 27:18Tinha o Lô, o irmão dele chamado ier, que é 1 ano mais LE mais a
- 27:24Beto Guedes e mais um outro menino que eu esqueci o nome.
- 27:28E eles? Cantavam as coisas dos Beatles,
- 27:31que eu ficava fascinado, né, porque inclusive tinha hora que
- 27:35eles faziam umas coisas que nem os Beatles faziam.
- 27:38E aí foi? Passando o tempo, passando,
- 27:40passando, passando, eu vim para o Rio depois de tudo.
- 27:44E um dia eu fui a. A Belo Horizonte.
- 27:48E tava lá. Na casa dos Borges, procurando o
- 27:50pessoal, não tinha ninguém em casa e a casa toda aberta.
- 27:54Andei assim, assim, assim, quando eu tava saindo, o lo
- 27:57apareceu Na Na porta, falei o lo que coisa legal e tal coisa.
- 28:03Aí ele falou, eu falei Pra Ele, você quer ir num botequinha ali
- 28:08que eu vou tomar 11 batida de limão e você toca, toma um
- 28:11Guaraná e falou, vamos. Descemos.
- 28:15E aí eu? Pedi OA batida de limão e ele
- 28:18falou para o cara, outra para mim.
- 28:20Aí recebeu aquele olhar, né? Número sei lá o quê, né?
- 28:25Reprovação, né? Aí tomamos e coisa ele falou,
- 28:32bituca, o negócio é o seguinte, eu adoro as tuas músicas, gosto
- 28:37demais de você como pessoa e cantor e tudo.
- 28:42E. Tal.
- 28:43Mas eu tenho uma tristeza muito grande.
- 28:46Falei, por quê? Porque vocês não gostam de mim.
- 28:50Eu falei que? Isso, muito pelo contrário.
- 28:54Ele falou, não, vocês saem de noite, vão pra vários lugares,
- 28:57vão tocar algumas vezes. Ninguém nunca me chamou.
- 29:01Aí eu. Falei, Lu, sabe quando que eu
- 29:05fiquei sabendo que você não era mais uma criancinha?
- 29:10Foi aqui nesse batida agora na batida de limão.
- 29:14E aí ficou. Aquele negócio, né?
- 29:17E tal aí? Ele falou assim, eu tenho 11
- 29:21umas coisas que eu faço, mas só acompanhamentos, não tem
- 29:25melodia. E tal?
- 29:27Eu falei, você quer me mostrar? Ele falou, quero e fomos então
- 29:30pra pra casa. E ele começou.
- 29:33A tocar e cada coisa que ele tocava eu achava mais linda e
- 29:37tal, até que teve uma. Que eu falei, não, essa aí.
- 29:41Peguei o violão e comecei a tocar junto com ele pra fazer a
- 29:46melodia. E quando eu começo AA fazer a
- 29:50melodia, eu fecho o olho, olho pra baixo.
- 29:52Quer dizer, fecho o olho e fico tocando, tocando, tocando.
- 29:57E assim? Foi e quando a gente tava
- 30:02acabando a coisa, eu olhei e tava uma assim igual, sentado,
- 30:05escrevendo uma letra no chão. E a mãe deles chorando na porta?
- 30:10Olha a primeira música minha do Lô, que se chamou clube da
- 30:14esquina. E o lance era o seguinte.
- 30:17Não. Adianta, por exemplo, lá fora eu
- 30:20tentar explicar que não tinha um clube, que era o lugar onde a
- 30:24rapaziadinha se reunia, fazia farra de noite, não sei o que os
- 30:30vizinhos tacavam, sal, Pedra, tudo, água e coisa.
- 30:33E. Que não, mas não adianta.
- 30:36Eles vêm ao Rio, a Minas, até hoje procurando o.
- 30:41Tal do clube, o tal do. Clube.
- 30:44E. E foi assim, e depois, a partir
- 30:49dessa, dessa época, eu comecei a ouvir as coisas do Lô.
- 30:55Que ele começou? A fazer melodia e música.
- 30:58EE tinha muito a ver comigo, né? Eu me deixava fascinado.
- 31:04Então, eu? Chamei?
- 31:05É o primeiro. Eu cantei o clube da esquina num
- 31:07disco meu, consumo imaginário e. Para.
- 31:10Lena e McCartney, como foi uma outra música dele, do Fernando e
- 31:13do Marcinho. E depois?
- 31:16Eu falei, Lô, você tem que ir para o Rio.
- 31:19Aí ele. Foi depois de brigar com a com a
- 31:22mãe. Até não sei o que que ela não
- 31:24queria. Queria que ele estudasse.
- 31:26Aí ele foi para o Rio. E a gente?
- 31:31Continuou, né? Compondo e coisa principalmente
- 31:35ele aparecendo com as coisas lindas assim, aí um dia eu falei
- 31:40para ele, Oo loco, por que que você não traz o Beto Guedes?
- 31:44Aí. Fomos a Belo Horizonte e falamos
- 31:48com os pais do Beto. Foi um negócio assim, porque a
- 31:51mãe dele chegou e falou assim, se fosse outras pessoas, eu não
- 31:55deixava não. Mas você, Milton, ele pode ir
- 31:58para o. Rio responsa pois é.
- 32:02E aí? O Beto foi morar com a gente e a
- 32:05gente foi fazendo as coisas e tal até sair o disco do clube da
- 32:10esquina. Olha, a única coisa que eu tinha
- 32:12de certeza é que eu adorava aquilo que a gente tava fazendo.
- 32:17E. EE que para alguma coisa aquilo
- 32:21IA servir? Né?
- 32:24E tem. Um negócio até interessante.
- 32:27O. Rapaz, o senhor chegou aqui
- 32:30falou do Lessa, né? O Lessa é?
- 32:34Conhecido foi conhecido como pai dos músicos.
- 32:38Porque na época? Do, do, da bossa nova?
- 32:43A Odeon. Não quis gravar com Tom Jobim e
- 32:46João Gilberto. Esse pessoal todo.
- 32:49Ele alugou um, chamou uma pessoa de orquestra de madrugada.
- 32:55E. Chamou o pessoal e gravou chega
- 32:59de saudade e a outra música do outro lado, que eu não lembro
- 33:02qual é. Aí.
- 33:04No No, quando abriu de de manhã AO deon, ele entregou o disco
- 33:09para eles e falou aí que que vocês não queriam?
- 33:13E o mundo, né? Quando a gente foi?
- 33:16Gravar o clube da esquina, o pessoal também não queria
- 33:19porque. Eu queria fazer.
- 33:20Um disco duplo eu falei, como é que foi fazer um disco duplo com
- 33:23um cara que ninguém conhece? Tá, não, não vai ter.
- 33:26Não, não vai ter. Chegou a tal ponto que eu falei
- 33:29assim, bom, se vocês não querem que eu grave esse disco.
- 33:33É. Tudo bem, porque tem outras
- 33:34gravadoras, eu vou. E vou gravar.
- 33:38Eles tinham também, né, o negócio do look que não era
- 33:40conhecido, né? E aí o Lessa chegou?
- 33:44Lá pra eles numa reunião e falou assim, olha.
- 33:47Deixa esses. Meninos, fazer o que eles estão
- 33:49querendo, porque eles não são bobos não.
- 33:53Então 2 vezes assim o Lessa. Entrou na música popular
- 33:57brasileira e eu na parte da bossa nova.
- 34:02Eu nunca vi ninguém falar, mas eu falo.
- 34:07Oi aqui. Quem tá falando é o Hamilton
- 34:09Godoi. Eu gostaria de lembrar com o
- 34:14Milton, quando eu a conheci, o festival, que ele veio cantar
- 34:20aqui em São Paulo com a música chamada cidade vazia.
- 34:24Começo da carreira dele, ele se apresentou pela primeira vez
- 34:28aqui como cantor, música do Baden pau, eu e o Lula Freire.
- 34:35Eu fiquei Encantado com o Milton.
- 34:38Aí eu fui atrás dele lá no hotel São Paulo, onde ele tava
- 34:41hospedado, porque eu soube que ele era compositor, que tinha
- 34:45umas músicas e que fazia umas coisas completamente diferentes
- 34:49de tudo que se fazia até então. Aí eu cheguei lá no hotel.
- 34:54Toquei a campainha do quarto dele, ele já tinha ouvido falar
- 34:59de mim, né? E eu, olha, eu vim aqui te
- 35:03conhecer. Milton, e sua música, você pode
- 35:06mostrar aí pra mim algumas coisas e eu me lembro.
- 35:09Milton, você começou a tocar e eu falei, nossa, que cada coisa
- 35:15diferente, né? Cada música completamente fora
- 35:19do do do que se fazia, né? Muito mais avançado.
- 35:23Além do seu tempo. E daí nasceu uma grande amizade
- 35:28entre nós e tive oportunidade de ter dessas músicas uma fita que
- 35:35ele gravou pra mim e depois todas as músicas que o Milton
- 35:40gravou naquela fita. Não sei se o Milton sabe disso.
- 35:43Eu tive oportunidade de gravar com o zimbo trio e é uma Alegria
- 35:49muito grande toda vez que eu vejo o Milton.
- 35:52Tenho essas lembranças felizes e gostaria que ele falasse um
- 35:56pouquinho do da da daquele momento em que a gente brincava
- 36:00assim, Milton, povo nas ruas cantando as suas músicas.
- 36:05Era algo impensável pelo grau de evoluído que era as suas
- 36:10composições, né? E que isso, graças a Deus, foi
- 36:13acontecer alguns anos depois, né?
- 36:16Então é só para dar 111 abraço para você e dizer que.
- 36:22Eu falei com a minha mãe, ela tá te mandando um beijo também, tá
- 36:25bom? Siga em frente, Milton.
- 36:28Um abraço. Ah.
- 36:30Milton, você é parte, é dominante da minha vida.
- 36:37Você e sua família. Um beijão pra sua mãe?
- 36:39EE, eu quando conheci o Hamilton, conheci também o
- 36:42Adilson e o hamilson, né? Cada qual tinha seu seus
- 36:47negócios assim e sempre me trataram bem demais.
- 36:52Diferente de outras pessoas que passavam por mim, nem queriam
- 36:55saber quem eu era. Eu sempre fui muito bem tratado
- 36:58lá na família EE, as minhas músicas muito bem, sabe?
- 37:04Respeitadas por por todo mundo. E é um prazer aço você ter
- 37:12falado aqui isso tudo aí e claro.
- 37:17Que eu? Tenho disso do do zimbotrio.
- 37:23E tem uma coisa. Interessante que ele fala, que
- 37:25que surpreendeu ele o fato das suas músicas irem para as ruas,
- 37:29mesmo com a sofisticação que tinha as suas composições.
- 37:32Isso te surpreendeu também? Milton, olha.
- 37:35Pode ser que sim, pode ser que não.
- 37:36Porque todo mundo falava que ninguém nunca IA cantar essas
- 37:41músicas em lugar nenhum. E quando?
- 37:45Quando eu via escolas e não sei o que começou pelas escolas, né?
- 37:51E depois o? O povo na rua, muita gente
- 37:53cantando e. Tal e eu?
- 37:55Acho que mexeu um pouquinho comigo também, só.
- 37:59Muito legal. E esses jazistas, vocês?
- 38:04Vocês trocam ideias sempre. Por exemplo, o enishort, né?
- 38:06Vocês gravam aí o herb henk, que vocês gravaram discos de várias
- 38:09faixas juntos. Como é que é?
- 38:10Vocês trocam ideias sempre? Milton, olha.
- 38:13Inclusive, acho que 2 meses atrás eu, o Wayne, o herb e a
- 38:19Esperança. Nos reunimos em Istambul no dia
- 38:25do Internacional do jas. Então o Wayne me chamou, eu fui
- 38:30e eles queriam que eu cantasse a travessia.
- 38:34Eu, tudo bem. Se alguém pensa que eu é enjoei
- 38:39de travessia, não enjoei não. Adoro e mas eu não sabia porque
- 38:44que eles queriam a travessia também.
- 38:46Não perguntei não, mas cheguei lá.
- 38:48É numa reunião de músicos do mundo inteiro que tem travessia
- 38:53e tem Bridges, que é pontes, né? Então Istambul é um, é um.
- 39:00É uma cidade cheia de pontes. AA travessia é a.
- 39:06Coisa. Mais importante, né?
- 39:08Guimarães Rosa já falava isso, né?
- 39:11Então eles queriam que eu cantasse que ela fosse a música
- 39:15principal desse acontecimento. Então é uma coisa.
- 39:19Eu acho assim, mágico, sabe? Tudo mágico.
- 39:23Barato, né? E tem uma.
- 39:25Outra coisa, porque eu gravei com depois que eu gravei, o
- 39:32native dança com o Wayne swarter, abriu 11 porta assim
- 39:39pra mim, porque o pessoal de rock lá de fora, o pessoal do
- 39:44pop, todo mundo vinha. Me chamar para fazer uma coisa
- 39:48com eles, para mim é uma maravilha.
- 39:51Agora teve um lance para mim fantástico.
- 39:57Fui a Los Angeles com 2 amigos meus Paulistas, inclusive e.
- 40:02Tava. Passando Na Na Na piscina de um
- 40:05hotel. Aí um desses.
- 40:07Meus amigos falou assim, olha, tem um cara ali querendo falar
- 40:10com você. Aí eu.
- 40:12Olhei e conheci. Só que eu.
- 40:16Sempre esqueço o nome dele. Que loucura.
- 40:18Aí eu fui andando para o lado dele assim ele falou, o Milton
- 40:25deve fazer mais de 20 anos que eu tô.
- 40:29Afim. De te encontrar para te
- 40:31agradecer. Aí eu falei, para me agradecer?
- 40:35Ele falou, é porque quando você gravou com o Wayne, eu ficava
- 40:42escondido No No, no estúdio. Ouvindo aquelas coisas que você
- 40:47fazia com a voz? E ficava.
- 40:50Pensando no estúdio, tudo bem, mas para fazer ao vivo uma
- 40:54pessoa só, não dá. Então eu é.
- 40:58Escrevi No No nos jornais. É.
- 41:02Procurando é músicos que cantassem e apareceu e eu fiz.
- 41:09Oo. Meu grupo, então, é de repente
- 41:17fui responsável por pelo surgimento.
- 41:19Do earthan and fire. Coisa que ninguém sabia porque
- 41:22ninguém fala aqui. Milton, eu queria.
- 41:26Agradecer demais você ter vindo aqui à rádio Estadão, participar
- 41:29aqui do programa Estadão noite. Ficamos todos muito honrados e
- 41:32emocionados, né? Basta ver com o número de
- 41:34pessoas aqui, todo mundo tentando.
- 41:36Está perto de você que você é um cara iluminado, né?
- 41:39E obrigado, viu? A gente ficou muito emocionado
- 41:42com a sua vinda aqui. Emocionado, fiquei eu e é.
- 41:47Muito. Bom, eu adoro fazer, sabe?
- 41:50Trabalhar assim, tipo rádio, né? E que a gente vai botando coisas
- 41:55na cabeça, soltando coisas que talvez em outra ocasião não
- 41:59falasse e tal. É um prazer.
- 42:02O como eu já falei, o Estadão é é 10 para mim.
- 42:06E quando quiserem. Eu tô aqui.
- 42:09E obrigado a todos que falaram. Né, né, os amigos?
- 42:13Que falaram com? Achados do espaço.
- 42:24Muito bem. Eu prometi então, agora, nesse
- 42:27achados do espaço, uma entrevista feita pelo Emanuel
- 42:32Bonfim comigo lá em 2003, quando o Emanuel estava dando os seus
- 42:39primeiros passos no rádio, na Rádio Gazeta AM universitária,
- 42:45que era justamente o braço da faculdade Cásper líbero, o
- 42:50Emanuel Bonfim, assim como Leandro cacossi, que hoje está
- 42:53apresentando o fim de. Tarde, junto com ele fez
- 42:56faculdade de rádio ETV na Casper líbero.
- 43:01Acompanhe essa entrevista. Um momento que foi muito gostoso
- 43:05para mim também, de estar lá na faculdade que eu fiz na década
- 43:10de 9010, anos antes. Então, foi muito emocionante ser
- 43:16entrevistado na Rádio Gazeta m universitária, sendo que eu
- 43:21havia me formado lá na Cásper líbero.
- 43:24Tá bom? Vamos ouvir em 2003, o Emanuel
- 43:29Bonfim, na Rádio Gazeta m universitária. 8. 9.
- 43:37Zero. Muito bem, vamos?
- 43:43Dando sequência a essa terceira edição do jornal da Gazeta m
- 43:45universitária desta sexta-feira e hoje em dia, saber falar em
- 43:49público e saber se comunicar muito bem é fundamental para
- 43:52quem está no mercado de trabalho.
- 43:54Então, o que afirma o? Professor Marcelo abud, que é
- 43:56também publicitário e ministro, um curso que ensina as pessoas a
- 44:00falar melhor. Então confira A Entrevista que
- 44:02eu fiz com o Marcelo abud, que vai nos falar um pouquinho mais
- 44:05sobre isso. Confira, Marcelo abud conta para
- 44:08gente, para o ouvinte da Gazeta m universitária, o que que o
- 44:11colégio William Shakespeare desenvolve nessa parte de
- 44:14apresentação. Como falar em público explica um
- 44:17pouquinho primeiro o colégio. Então, o?
- 44:19Colégio William Shakespeare, que fica ao lado da estação Vila
- 44:23Mariana. Ele tem ministrado vários cursos
- 44:26voltados pra postura, pra como você deve se colocar em público
- 44:30numa reunião ou quando você vai fazer uma apresentação de um
- 44:33produto, diversas finalidades pro mundo da comunicação
- 44:38empresarial. Esse é o foco dos cursos que vem
- 44:41sendo desenvolvidos e que as pessoas podem fazer lá no
- 44:45colégio. William Shakespeare e você?
- 44:48Especificamente, vai trabalhar em que área desses cursos e
- 44:51dentro do do colégio William Shakespeare.
- 44:54É a minha participação, vai ser em como falar em público.
- 44:59A importância de se falar em público hoje em dia, que cresceu
- 45:02muito, né? Porque antigamente falar em
- 45:04público era importante para quem trabalhava na televisão, para um
- 45:07advogado, é para quem fazia um programa de rádio que nem você
- 45:11aqui, né? Emanuel, mas hoje em dia, falar
- 45:13em público é fundamental para todo profissional que quer ter
- 45:19uma boa posição no seu emprego. Você precisa saber.
- 45:22Como se posicionar diante da sua função?
- 45:25E hoje em dia também muita gente é o próprio patrão, né?
- 45:28Então, cresceu muito a importância de como falar em
- 45:30público e às vezes é até. Uma palavra meio pesada, mas eu
- 45:34queria que você até falasse um pouco da definição dela.
- 45:36O pessoal fala em oratória. Significa necessariamente é
- 45:40falar em público, né? A oratória também tá dentro
- 45:43disso. A oratória quer dizer, fala
- 45:45sobre tudo, não fala. É a oratória é um pouco mais
- 45:48abrangente, né? Não só como falar em público,
- 45:51mas também o conteúdo, a importância do que você vai
- 45:54falar, como você se prepara para falar em público, o conteúdo,
- 45:58né? Tudo isso está abrangido na
- 46:00oratória. Tem palavras, né?
- 46:01Oratória retórica, que até é muito usada em política, às
- 46:05vezes de forma pejorativa, mas que são fundamentais para que
- 46:09você saiba se preparar para falar com o seu público, que é
- 46:14importante. Conhecê lo, né também.
- 46:16É, eu fico com uma dúvida, né, porque vocês dão o curso, então
- 46:18de como falar em público, mas necessariamente eu imagino que
- 46:22vocês não conheçam com quem vocês estão tratando e qual é o
- 46:26grau de instrução dessas pessoas, né?
- 46:28Enfim, com quem elas vão falar, como o trabalho.
- 46:31Então, como falar em público? Às vezes, pra uma pessoa que
- 46:33talvez tenha lido poucos livros na vida, isso influi demais, ou
- 46:37que só fez até a oitava série, até o terceiro colegial.
- 46:40Há essa diferença No No momento de fazer o curso.
- 46:43Com certeza há. Mas a gente tem que saber
- 46:46trabalhar diversos públicos. Isso é uma das coisas que se
- 46:50aprende num curso como esse, de como falar, né?
- 46:53Com os diversos públicos que você pode encontrar.
- 46:56É muito importante quando você pode conhecer de antemão a
- 47:00pessoa que vai estar diante do do curso e se prepara uma coisa
- 47:05especial para esse público, quando não, como é o caso desse
- 47:08curso, porque ele é aberto a interessados de diversas áreas.
- 47:12Pode ser. Alguém que passa teatro pode ser
- 47:14alguém que seja um executivo de uma empresa, então nós não temos
- 47:17esse limite, né? Pra conhecer exatamente um
- 47:22público determinado. Então a gente tem que saber é
- 47:25atrair esse público. Tem que usar recursos e usar
- 47:29maneiras que que sejam atraentes pra todos os públicos, né?
- 47:32Tentar atingir de forma é mais abrangente.
- 47:36E a importância da leitura? Nesse caso é fundamental.
- 47:40A gente sabe que para falar bem, a pessoa tem que ler é esse é o
- 47:44é um ponto chave. E muitas vezes a gente encontra
- 47:49pessoas que que de repente tem até o dom de de falar em
- 47:52público, mas precisam aperfeiçoar.
- 47:56Esse lado da leitura. Com certeza é um ponto que a
- 47:57gente trata no curso da da importância da leitura para
- 48:01desenvolver até o vocabulário, né, que é fundamental.
- 48:04Na hora de falar em público e que público?
- 48:06Tem uma procura mais um curso como esse de de como falar em
- 48:10público? Então, Emanuel é é variado, mas
- 48:14a gente pode detectar que hoje em dia o os empresários estão
- 48:19muito preocupados, porque até pouco tempo o empresário é.
- 48:24Não tinha necessidade de estar toda hora demonstrando o seu
- 48:28potencial, ele tinha sua função determinada dentro da empresa.
- 48:32E cumprir aquele papel dele. Hoje em dia, todo, todo, a todo
- 48:36momento, você tem que demonstrar o seu potencial.
- 48:39Isso não é feito. Você não vai chegar na sala do
- 48:41seu chefe e falar, olha, eu sou bom, eu quero dizer que eu
- 48:44preciso de um aumento, porque as minhas qualidades são essas.
- 48:47Não é assim. É no dia a dia, na maneira como
- 48:50você se coloca, na maneira como você é, se veste e, enfim, na
- 48:55postura, né? No No tratamento que você dá a
- 49:00ao seu próprio discurso. Você vai conseguir conquistar um
- 49:03cargo melhor, uma função melhor dentro da empresa.
- 49:06Então a procura é muito grande por parte de empresários.
- 49:10Um dia eu. Conversei aqui no jornal da
- 49:12Gazeta m universitária com Marcelo abud, que é um dos
- 49:15professores aí do curso de como falar em público lá no colégio
- 49:19William Shakespeare. Agora você tem um momento então
- 49:21de falar em público e dizer que quem se interessou aí pelo.
- 49:24Curso, gosta ou está? Está é querendo fazer o curso,
- 49:28né? Participar desse curso, como é
- 49:29que faz? Acesse o site telefone.
- 49:31Você pode passar então esses esses contatos aí com o colégio,
- 49:36então. Emanuel, o colégio William
- 49:37shakes tem interesse em fazer a inscrição em algum curso.
- 49:40Pode acessar o endereço na internet, que é
- 49:43www.mlimaeventos.hpg.com.br. Tá certo, eu?
- 49:51Conversei então com Marcela, buddy Marcelo, muito obrigado
- 49:53aqui pela entrevista aqui na gazetaine.
- 49:56E bom trabalho, então aí nos no curso e você ministrando aí
- 49:59algumas palestras, sou eu que. Agradeço a esse espaço e desejo
- 50:03muito sucesso aqui para vocês com essa proposta da Rádio
- 50:06Universitária, que eu apoio de coração, porque eu fiz parte
- 50:09dessa faculdade, fui aluno aqui há uns 10 anos e é muito bom
- 50:13estar de volta vendo isso funcionar.
- 50:15Um grande abraço para você e para os seus ouvintes.
- 50:19Na Gazeta. M 11 horas e 44 minutos.
- 50:23Rádio. Gazeta AM 890 universitária.
- 50:32Pensou que tivesse acabado? Tem mais, tem mais achados do
- 50:36espaço? Bom, estamos aqui homenageando,
- 50:39além do Milton Nascimento, que foi o início desse episódio, o
- 50:43Emanuel Bonfim. E nós temos aqui do acervo do
- 50:47Bruno Bittencourt, produtor da energia 97, um acervo que ele me
- 50:52presenteou, né? Por ser ouvinte aqui do peças
- 50:56raras, nós temos o Emanuel Bonfim fazendo FM jovem.
- 51:00Na mais FM, em 2004, aqui em São Paulo, vamos conferir como é o
- 51:06Emanuel Bonfim fazendo rádio jovem.
- 51:10É isso aqui você só ouve no peças raras.
- 51:14Vamos lá, DJe lá vamos. Nós 10 horas e 2 minutos aqui em
- 51:17São Paulo, começando mais uma edição do programa DJ mais todos
- 51:21os dias, das 10 às 11:00 da noite, arrebentando as mixagens
- 51:24mais insanas à noite. Luz 92,5 dá mais FME.
- 51:28Hoje é balada oficial. Climão total.
- 51:31Sexta-feira dia 3/12/2004 estamos aqui o DJ Glauco e
- 51:35também DJ Costa. A gente abre com o set do DJ
- 51:37Costa, você manda o seu e-mail participaporaquitabomdjmais@maisfm.com
- 51:43pode ligar também, acessar o chat da mais, mandar seu
- 51:46recadão, pedir um som 9776-2211 é o telefone da mais falado
- 51:50vamos? Bora então.
- 51:51Já para a música tem uma pá de balada da mais hoje rola no Kiss
- 51:55Me até a galera da mais percorrendo a noite de São Paulo
- 51:58com um furgão da mais trazendo as.
- 52:00Notícias e danos. Vi passos pra você, tá bom?
- 52:02Fique ligado. Aí vamos embora, tem.
- 52:04Muito mais música, tem muito mais DJD.
- 52:11J mais DJ. Mais as mensagens, mais isso
- 52:15será da noite aqui. Tem.
- 52:18Muito mais música, tem muito mais DJDJ ma.
- 52:28Com peças raras envolvendo aí, inicialmente a celebração dos
- 52:33150 anos do Estadão, em uma entrevista incrível com Milton
- 52:37Nascimento e na sequência alguns áudios bem especiais com essa
- 52:43evolução do Emanuel Bonfim no rádio, que passou por muitas
- 52:47emissoras até se tornar o diretor artístico da Rádio
- 52:52Eldorado, essas edições do nosso peças raras.
- 52:57Termina aqui eu conto com você a qualquer momento, em edição
- 53:02extraordinária e as quintas feiras, quando eu tenho aqui
- 53:05reproduzido áudios da trajetória desse podcast, das produções
- 53:10radiofônicas, enfim, muita memória, muita história por
- 53:14aqui, um grande abraço e até mais.
- 53:25Essas. Rádios você tem sintonia com
- 53:28rádio?