Latest / Radar FGV / Brasil e EUA voltam a dialogar, Censo revela tempo de deslocamento ao trabalho, alerta sobre energia desigual
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- 0:01Olá, hoje é 11 de outubro. Começa agora o radar FGV,
- 0:06podcast de notícias do Brasil e do mundo sob curadoria do FGV
- 0:10notícias e comentários de especialistas da fundação
- 0:13Getúlio Vargas. Podcast radar f.
- 0:17GV. Vamos começar olhando para fora,
- 0:24para o cenário global. Porque recentemente aconteceu um
- 0:27movimento bem importante nas relações Exteriores do Brasil,
- 0:30um que pode ter repercussões bem grandes para o futuro.
- 0:33E olha, essa não foi uma conversa qualquer, viu?
- 0:36Segundo o próprio governo brasileiro, o diálogo entre os 2
- 0:38superou, e muito, as expectativas.
- 0:41O clima agora é de otimismo. A ideia é que isso abra portas
- 0:45para negociar temas bem práticos, bem urgentes, como
- 0:48tarifas de comércio e até sanções que tinham sido
- 0:50aplicadas contra autoridades do Brasil.
- 0:53E o peso dessa análise é o que realmente chama atenção o
- 0:56Leonardo Paes, que é especialista da FGV.
- 0:59Ele destaca que a gente não está falando só de um gesto de boa
- 1:02vontade. Não é uma ação estratégica,
- 1:04sabe, para reerguer as pontes entre 2 das maiores economias do
- 1:08nosso continente. Eu acho que, do ponto de vista
- 1:10da logística diplomática, já esperar que automaticamente, de
- 1:141 hora para outra, sair de uma carta tão dura quanto a gente
- 1:17recebeu. É num passado recente, já
- 1:20automaticamente Bueno Trump abrisse mão de todas as punições
- 1:23que ele fez ao governo brasileiro.
- 1:24E não foram só tarifas, foram tarifas.
- 1:26Foi visto de uma série de autoridades, foi a lei magnits
- 1:29contra Oo Ministério, Alexandre de Moraes, a sua esposa.
- 1:33Então eu acho que do ponto de vista é, é, é de ganho.
- 1:35Eu acho que é grande o ganho a você dificilmente conseguiria
- 1:39111 volta a 180° automaticamente, então.
- 1:42Você já teve o primeiro grande esforço para que eles se
- 1:44encontrassem. Tanto o presidente próprio
- 1:46quanto Oo presidente Lula se encontrasse nas Nações Unidas,
- 1:48porque estão ali de atraso de um, de outro.
- 1:50Só conseguiram se esbarrar lá os 39 segundos ali.
- 1:54Eu tenho uma boa sinalização. A gente sempre muito preocupado.
- 1:57Isso podia ser um pouco uma armadilha que o Trump vai tentar
- 2:00é humilhar um pouco o presidente brasileiro, como fez com o
- 2:03zelense, como fez com o Ciro Rama, força também da da África
- 2:06do Sul, então do ponte de logística diplomática, saiu de
- 2:10um esbarrão, que é que o da best foi, era Combinado, mas era com
- 2:13o esbarrão, pelo pelo atraso, por uma ligação e agora,
- 2:16eventualmente, o encontro no terreno neutro.
- 2:18O caminho é razoável, protege o presidente Lula e eu acho que
- 2:22abre caminho sim, pra que a gente tenha 11 estruturação de
- 2:25uma negociação onde o Brasil possa efetivamente é diminuir os
- 2:28impactos das últimas ações Americanas.
- 2:32E é aqui que a gente faz a nossa primeira grande virada.
- 2:36Porque, né? A política externa de um país
- 2:38não acontece numa bolha. Ela precisa de alguma forma,
- 2:41refletir a vida de quem tá aqui dentro.
- 2:43Então vamos sair um pouco dos palácios e mergulhar direto nas
- 2:46ruas, no dia a dia. Agora o nosso olhar se volta pra
- 2:50dentro, pra dados que acabaram de sair do censo e que dão uma
- 2:53imagem muito clara de uma das experiências mais universais do
- 2:56brasileiro, o caminho de casa até o trabalho.
- 3:00Esse número aqui é a grande manchete.
- 3:02De acordo com o censo 2022 do IBGE, 2 em cada 3 brasileiros
- 3:07levam até 30 minutos pra chegar ao trabalho.
- 3:10Olhando assim de primeira, parece um dado bom, né?
- 3:13Mas a história não acaba aí, não.
- 3:15E é exatamente aqui que a análise fica mais interessante.
- 3:18Essa estabilidade na média acaba mascarando as diferenças enormes
- 3:22que existem dentro da nossa população.
- 3:24Uma média às vezes pode ser perigosa porque ela paga os
- 3:27extremos. E é justamente nos extremos que
- 3:30a desigualdade aparece com mais força.
- 3:33E a diferença é gritante. Olha só, enquanto 71% dos
- 3:37trabalhadores brancos chegam ao serviço em menos de meia hora.
- 3:41Esse número cai para 60% entre os trabalhadores pretos.
- 3:45São 11 pontos percentuais que, na prática, representam milhões
- 3:49de horas perdidas, mais distância e, o mais importante,
- 3:53menos acesso a oportunidades. O ponto crucial, como a ponto
- 3:57Marcos Quintela, é que esses dados não são só estatística,
- 4:01eles são um chamado para ação. Essa pesquisa do IBGE só
- 4:06corrobora aquilo que todos os outros estudos de especialistas
- 4:11em mobilidade urbana é veem nas grandes cidades brasileiras, né?
- 4:15O tempo de deslocamento é o precioso tempo das pessoas que
- 4:19que em São Paulo, por exemplo, é é monetizado.
- 4:23E, por exemplo, o metrô de São Paulo tem um Balanço social que
- 4:25mostra quanto tempo que deixa de ser gasto, porque você usa o
- 4:30metrô. Então é uma economia de tempo
- 4:31muito grande. Mas por que que demora se tanto
- 4:34para chegar, né? Nesse trajeto é casa, trabalho,
- 4:38casa. Especificamente falando isso,
- 4:40né? Porque não temos.
- 4:41É uma rede integrada de transporte público, uma rede que
- 4:46seja física e tarifariamente, integrada de forma que você
- 4:50possa pegar tantos. É modos de transportes quanto
- 4:54necessários, com uma única tarifa e fazer toda essa
- 4:57transferência entre modos é ônibus, metrô ou trem ou outro
- 5:03ônibus. É VLTO que seja para fazer
- 5:06deslocamento. E não existe essa capilaridade,
- 5:09né? Porque as pessoas mais atingidas
- 5:10são as pessoas das periferias das regiões metropolitanas,
- 5:14porque o transporte não chega satisfatoriamente nessas
- 5:18regiões. Então compromete muito essa
- 5:21transferência entre modos ou. Atingimento do primeiro modo de
- 5:24transporte. Por isso que as pessoas andam
- 5:26muito a pé para chegar no primeiro modo de transporte, né?
- 5:29Então, quer dizer, é uma visão sistêmica de planejamento de
- 5:32transporte e nós não temos essa integração e essa capilaridade,
- 5:37essa abrangência, né? Inclusive, em termos também de
- 5:41custo, é muito caro se transportar.
- 5:44É nas cidades brasileiras. E isso vai estar avançando agora
- 5:48com as políticas públicas de subsídios que tem que entrar.
- 5:52E é um outro assunto. É muito importante para se
- 5:54discutir. Vamos agora para nossa terceira
- 5:59e última peça desse quebra cabeça, uma peça que conecta o
- 6:02sistema financeiro global com a desigualdade aqui dentro.
- 6:06De um jeito bem surpreendente, parece até um paradoxo, né?
- 6:10A gente sempre ouve que a transição para energias limpas é
- 6:13algo positivo, e é. Mas o relatório da Oxfam acende
- 6:17um alerta importante, o jeito como essa transição está sendo
- 6:21financiada pode acabar criando novas desigualdades ou até
- 6:24piorando as que já existem. O centro do problema está bem
- 6:28aqui. Países em desenvolvimento, que
- 6:30muitas vezes são os que mais sofrem com a crise climática,
- 6:33acabam pagando juros até 2 vezes maiores para financiar os mesmos
- 6:36projetos de energia limpa que os países ricos.
- 6:39Isso cria um ciclo terrível. A energia fica mais cara, os
- 6:41investimentos diminuem e a transição se torna mais lenta e
- 6:44menos acessível, justamente para quem mais precisa dela.
- 6:47A conclusão da juíza Dutra é poderosa.
- 6:50Ela coloca a questão em outra perspectiva.
- 6:53A gente precisa revisitar, por exemplo, o sistema de informação
- 6:57de preços ou a definição de tarifas.
- 6:59Tá, como é que o consumidor pode arcar?
- 7:03Não é com aqueles custos que ele causa para o sistema.
- 7:07E isso é algo que nós precisamos revisitar no Brasil.
- 7:10Nós temos é tido avanços legislativos importantes, mas
- 7:14esses avanços legislativos não estão conseguindo dar conta de
- 7:18fazer essa revisão dessa política, que foi muito
- 7:21importante para as fases iniciais dessas tecnologias, mas
- 7:24que hoje acaba penalizando pessoas de menor renda.
- 7:28Não estamos falando só de infraestrutura ou de economia,
- 7:31estamos falando de um direito humano básico.
- 7:34Para que a transição energética seja de fato sustentável, ela
- 7:37precisa ser, antes de mais nada, justa.
- 7:40E agora? Então, vamos juntar todas essas
- 7:43peças, a diplomacia, o trajeto para o trabalho, o financiamento
- 7:47de energia. Como é que tudo isso se amarra
- 7:50na grande história do Brasil de hoje?
- 7:53A conexão tá justamente nessa tensão, a tensão entre projetar
- 7:57uma imagem de líder global, de um país que negocia de igual
- 8:00para igual com as grandes potências e ao mesmo tempo.
- 8:03A necessidade urgente de resolver desigualdades muito
- 8:06profundas aqui dentro, seja no tempo que as pessoas perdem no
- 8:09trânsito ou no acesso a uma energia que seja limpa e barata.
- 8:13E essa é a grande questão que fica no ar.
- 8:15O sucesso diplomático, a liderança em pautas globais como
- 8:19a climática, tudo isso só tem um significado real se for
- 8:22traduzido em melhorias concretas na vida das pessoas.
- 8:26O verdadeiro desafio para o Brasil, então, é construir uma
- 8:28ponte bem sólida, entre suas ambições lá fora e as
- 8:32necessidades diárias de sua gente aqui dentro.
- 8:34Esse foi o radar FGV de hoje. Voltamos semana que vem com mais
- 8:38notícias e não perca de segunda a sexta, o radar Drops na sua
- 8:41plataforma de áudio favorita até lá.