Latest / NABOA / EP 81 | CLÍNICA DO TRABALHO ESCRAVO E TRÁFICO DE PESSOAS
Transcript
- 0:02Bem-vindo e bem-vindo a mais um episódio do na boa.
- 0:06Hoje a nossa conversa é sobre um tema que a primeira vista pode
- 0:09parecer distante do nosso dia a dia, mas que, infelizmente,
- 0:13continua presente e urgente na nossa realidade.
- 0:17O trabalho escravo e o tráfico de pessoas nesse ano, a clínica
- 0:21do trabalho escravo e tráfico de pessoas da UFMG completa 10 anos
- 0:25de atuação. Uma década de enfrentamento, de
- 0:29pesquisa, de acolhimento e principalmente, de luta pelos
- 0:32direitos humanos. Mais do que celebrar esse mar
- 0:36pra esse episódio, é um convicto pra refletirmos porque isso
- 0:39ainda precisa ser falado, como essa realidade atravessa as
- 0:43nossas escolhas, o nosso consumo e até a forma como organizamos a
- 0:47sociedade. Então, respira fundo e vem
- 0:50comigo, porque hoje o na boa vai iluminar um tema duro, mas
- 0:54necessário e que exige de todos nós consciência e ação.
- 0:58Como é o que a Lívia miralha, professora de direito e
- 1:01coordenadora da clínica, vai nos contar, Lívia, que prazer ter
- 1:06você aqui de novo. Você que já esteve aqui no na
- 1:08boa, falou sobre o fashion Revolution, né?
- 1:11Um projeto que eu sou muito fã também.
- 1:13E agora para contar sobre a clínica do trabalho escravo.
- 1:16Obrigada, viu? Eu que agradeço.
- 1:18Silvinho. É sempre uma honra e uma Alegria
- 1:20poder dialogar com você nesse seu podcast, que é um sucesso
- 1:23absoluto e que permite alcançar tantas pessoas sobre um tema que
- 1:28é tão importante e que né? A gente precisa mesmo levar
- 1:32consciência, divulgar e falar sobre obrigada, obrigada mesmo.
- 1:38Pois é, você falando sobre esse tema, né, que a gente precisa
- 1:41falar cada vez mais. Eu Acredito que algumas pessoas
- 1:44ainda tenham aquele estereótipo, né, de pessoas acorrentadas,
- 1:47chicoteadas ou raptadas. Quando a gente fala de trabalho
- 1:51escravo e tráfico de pessoas, como que isso se dá nos dias de
- 1:55hoje, né? Todas essas condições podem
- 1:57acontecer. De diversas formas, né?
- 2:00Sim, se vier hoje em dia a gente nem nem pode mais, né?
- 2:04Esse estereótipo que principalmente as novelas, né, é
- 2:08trouxeram pra gente de pessoas acorrentadas com grilhões.
- 2:12Ele, na verdade, não, não subsiste mais.
- 2:16É, inclusive a gente já pacificou esse entendimento em
- 2:19todos os tribunais aqui no Brasil, inclusive no STF.
- 2:24É pra caracterizar o trabalho que a gente chamou hoje em dia
- 2:27de trabalho análogo à escravidão.
- 2:29A gente não precisa da restrição ao direito de Liberdade desse
- 2:33sujeito. É.
- 2:35São 4 as hipóteses, trabalho forçado, condições degradantes,
- 2:39jornada exaustiva e servidão por dívidas.
- 2:42Basta a ocorrência de uma delas para que o crime seja
- 2:46configurado. E em nenhuma delas eu preciso de
- 2:49efetivamente ter acorrentado ninguém ou algo do tipo.
- 2:53Inclusive, eu acho isso importante de dizer é, a gente
- 2:57não precisa, né? De Correntes, nem de bilhões,
- 3:01porque a principal causa do trabalho em condições análises à
- 3:04escravidão é a pobreza e a falta de oportunidade.
- 3:08Que a gente costuma dizer aqui que são grilhões e Correntes
- 3:10invisíveis. Então, essa falta de perspectiva
- 3:14para essas pessoas que estão em situação de vulnerabilidade é
- 3:17que fazem com que elas sejam levadas a aceitar qualquer tipo
- 3:21de trabalho, inclusive um trabalho degradante.
- 3:25É em jornadas exaustivas, forçado ou por meio de servidão
- 3:29por dívidas. Bom, de acordo com a organização
- 3:33Internacional do trabalho, a OIT, né?
- 3:35Existem no mínimo 20,9 milhões de pessoas escravizadas,
- 3:39enquanto um levantamento promovido por uma ONG Americana,
- 3:43free days lavis, fala de 27000000 de pessoas que
- 3:46trabalham em condições análogas à escravidão no mundo.
- 3:50Como é que é esse cenário, especificamente no Brasil?
- 3:53Eu Acredito que deva ter um recorte aí, por região ou por
- 3:56atividade, não sei. Eu fico pensando que a zona
- 3:59rural, né, em zonas assim, mais isoladas, deve ser mais comum.
- 4:03Mas também tive o prazer de acompanhar vocês em março, lá no
- 4:08Pará, com o trabalho nas aldeias mundurukus.
- 4:10E a gente também levou essas informações, né?
- 4:13Até essas pessoas. Ou seja, isso acontece mais em
- 4:16regiões que estão isoladas ou é muito mais comum do que a gente
- 4:20imagina e perto de nós? Então vamos lá, você tocou numa
- 4:24coisa que eu adoro, que são os dados, né?
- 4:26E a vida real, porque eu acho que é isso.
- 4:28Contra dados não há, é, é argumentos, né?
- 4:33O Brasil foi o último país do ocidente a abolir a escravidão,
- 4:38lá em 1888. Mas embora a gente tenha
- 4:40reconhecido, né, extinguido desculpa a escravidão
- 4:42tardiamente, o Brasil é o primeiro país a reconhecer
- 4:46internacionalmente a prática de escravidão Moderna em seu
- 4:50território nacional. 1995 sobre a égide do governo Fernando
- 4:56Henrique que o Brasil conhece a existência de trabalho em
- 5:00condições análises da escravidão em razão de um caso, que é o
- 5:03caso José Pereira, que foi levado até a corte
- 5:06Interamericana de direitos humanos.
- 5:08É o José Pereira era um trabalhador rural como você, né?
- 5:12Bem, bem, disse, né? Que ainda é a atividade na qual
- 5:15se encontra o maior número de trabalhadores resgatados.
- 5:19Que fugiu do interior do Pará, de uma fazenda que já tinha sido
- 5:23denunciada por trabalho escravo. Enfim, tem uma série de
- 5:26questões. O caso deles foi levado à corte
- 5:28e, em razão desse caso, o Brasil reconhece a existência de
- 5:33trabalho em condições análises da escravidão em 1995 e esse ano
- 5:35é o Marco da data do início do combate ao trabalho em condições
- 5:40análises da escravidão no Brasil.
- 5:42Então, esse ano a clínica comemora 10 anos.
- 5:44Mas a política pública de combate ao trabalho.
- 5:49É escravo no Brasil, completa 30 anos.
- 5:52Nesses 30 anos, foram resgatados mais de 65000 trabalhadores no
- 5:58Brasil todo, sendo que em Minas Gerais a gente tá falando de
- 6:027598 trabalhadores resgatados. Minas nos últimos 10 anos, na
- 6:09verdade, nos últimos 12 anos, desde 2013, é o estado que mais
- 6:14resgata trabalhadores em condições análogas à escravidão.
- 6:18As principais atividades aqui no nosso estado são café, né?
- 6:22Agricultura, café, cana de açúcar, carvão.
- 6:25É. E também a gente encontra em
- 6:27alguns casos na construção civil e trabalha na ala da escravidão
- 6:31no âmbito doméstico. Mas eu queria falar que, embora
- 6:35Minas seja o estado que mais resgata, não dá para dizer que
- 6:38Minas é o maior estado escravocrata do Brasil.
- 6:42Pelo contrário. Minas é o estado que tem a
- 6:45política pública mais eficaz e efetiva de combate a essa
- 6:49prática. Só pra você ter uma ideia,
- 6:51silvinha Minas é o estado que realiza o maior número de
- 6:54operações de resgate de trabalho em condições análises da
- 6:57escravidão. Então, enquanto o segundo
- 6:58colocado realizou em média 200 operações ano, Minas realiza de
- 7:03400 a 500 operações por ano de combate ao trabalho escravo.
- 7:07É óbvio que quando a gente investiga, a gente fiscaliza, a
- 7:12gente encontra e trabalha enquanto.
- 7:13As análises da escravidão, então, Minas lidera o ranking,
- 7:17mas Minas também lidera, né? A, digamos, a política pública e
- 7:21o exemplo a ser é copiado, né? Não é bom, não dá pra falar que
- 7:25copiado, né? Mas a ser seguido pelos outros
- 7:28estados da federação, que eu costumo dizer que o trabalho em
- 7:32condições análogas à escravidão, ele é uma camada invisível da
- 7:36sociedade, mas que basta a gente procurar, que a gente vai
- 7:40encontrar. Perfeito você falar isso, porque
- 7:44eu acho que vai muito de encontro com a próxima pergunta
- 7:47que eu IA fazer e que inclusive você já fez, né?
- 7:50Porque eu vou citar o seu livro no trabalho escravo
- 7:52contemporâneo, conceituação à luz do princípio da pessoa
- 7:57humana que você escreveu. Você afirma que a visibilidade
- 8:01que a mídia tem dado aos casos nos últimos anos contribui?
- 8:04Para que haja avanços nessas operações de resgate, né?
- 8:08Então isso que eu IA te perguntar, então, às vezes a
- 8:09gente fica achando que Minas lidera.
- 8:12É os números da questão desses trabalhos análogos à escravidão
- 8:16ou tráfico de pessoas, mas não é porque ele está tendo
- 8:18visibilidade, porque está sendo mostrado, fiscalizado, tem uma
- 8:22ação muito ativa perante esse tema, né?
- 8:26Conta um pouco sobre isso com relação ao trabalho, já entrando
- 8:29aí no trabalho da clínica, né? Como é que os casos chegam até
- 8:32vocês? E como que é o canal de
- 8:34denúncias ir pra campo fiscalizando, porque, acredito
- 8:37eu que seja das 2 formas, é isso?
- 8:40É bom. Com relação ao trabalho da
- 8:42mídia, eu queria ressaltar isso, que é muito importante.
- 8:44A gente depois pode pegar os dados no pós divulgação do
- 8:47podcast, na boa pra ver, né? O aumento de denúncias, mas a
- 8:51gente vê é de forma reiterada. Tá Silvinho isso acontecer, por
- 8:55exemplo, quando teve o caso da Madalena guardiano, que é um
- 8:59caso muito emblemático na fiscalização de trabalho escravo
- 9:02doméstico. Que é um caso que aconteceu em
- 9:05dezembro de 2020, né? Então, em plena pandemia, é daí.
- 9:09Ela Foi resgatada depois de 30 anos de submissão à condição
- 9:12análoga da escravidão por uma família aqui no interior de
- 9:15Minas Gerais, e o caso dela ganhou repercussão nacional e
- 9:19Internacional. Foi um caso muito divulgado,
- 9:22muito televisionado, e para você ter uma ideia, as denúncias
- 9:26aumentaram no mês seguinte a essa, né?
- 9:29A essa. Digamos, comoção, é midiática do
- 9:32caso, foi 54 vezes. A gente tem um aumento de 54
- 9:37vezes no número de denúncias pós caso da Madalena.
- 9:40Isso é muito significativo. E aí a gente vai olhar, por
- 9:43exemplo, o podcast da mulher da casa abandonada, a casa mulher,
- 9:46a mulher da casa abandonada, né? No mês seguinte ao podcast, a
- 9:50gente tem um aumento de 17 vezes no número de denúncia também de
- 9:54trabalho em condições, análises da escravidão.
- 9:57E a gente vai observando isso sempre que a mídia faz esse
- 10:00trabalho de divulgação de casos ou de igual.
- 10:04Você está fazendo aqui muito brilhantemente, né?
- 10:06De trazer à tona é essas conversas.
- 10:11E isso é muito importante porque é através das denúncias que são
- 10:14feitas, via de regra, para o disc 100 ou o sistema IP do
- 10:20Ministério do trabalho e do emprego.
- 10:21Então basta a pessoa ou ligar para o disc 100 ou entrar lá,
- 10:25né? No canal de denúncia do
- 10:26Ministério do trabalho e do emprego, o Ministério público do
- 10:29trabalho também tem canal de denúncia.
- 10:31Para que é, né? Então tem que haver essa
- 10:33denúncia. Havendo essa denúncia, o
- 10:35Ministério do trabalho e do emprego, o organismo, operação
- 10:38de fiscalização. É chama as outras instituições
- 10:41que participam junto, que é o Ministério público do trabalho,
- 10:44a polícia, o Ministério público federal e eles vão até o local
- 10:48para poder investigar aquele caso.
- 10:52Se é a é caso de trabalho em condições e análises da
- 10:55escravidão, essa pessoa vai ser resgatada.
- 10:58Ela tem acesso ao seguro desemprego especial, que é um
- 11:01seguro desemprego que a gente chama de seguro desemprego
- 11:03resgate que a pessoa recebe por 3 meses em razão dela ter sido
- 11:07encontrada naquela situação. E onde é que a clínica entra?
- 11:11Então? A gente tem parceria com todos
- 11:14os órgãos. A gente trabalha em rede, a
- 11:17gente acredita nessa necessidade de trabalho em rede, desse
- 11:20diálogo entre as instituições que trabalham com o tema.
- 11:24E a gente é normalmente silvinha, acionado pelo
- 11:27Ministério do trabalho e do emprego ou pelo Ministério
- 11:30público do trabalho. É dificilmente alguém que chega
- 11:33aqui na faculdade para denunciar o trabalho escravo, embora a
- 11:37gente tenha recebido sim, algumas pessoas que ou nos
- 11:40acessavam por e-mail ou pelo Instagram ou enfim, vieram aqui
- 11:44mesmo na faculdade ou ligaram para procurar ajuda, mas
- 11:48normalmente a gente trabalha junto com essas 2 instituições.
- 11:54Pra poder fazer o que a gente faz, que eu acho que é melhor,
- 11:57que é de melhor, né? Que a gente pode prestar que é
- 12:00uma assistência jurídica gratuita e uma assistência
- 12:03jurídica que é integral. Então a gente faz o que tiver
- 12:07que fazer por aquela pessoa, né? Se for o caso de entrar com ação
- 12:10judicial, a gente entra. Se for o caso, é até pra você
- 12:14ter uma ideia, até testamento a gente já fez pra uma assistida
- 12:17nossa que precisava do. Do de um testamento, né?
- 12:21É? Então a gente costuma dizer que
- 12:22tudo que tiver na nossa esfera do âmbito jurídico, a gente vai
- 12:26atuar. E o que não tiver dentro do
- 12:29âmbito jurídico, a gente vai de alguma forma auxiliar essa
- 12:32pessoa. Então, por exemplo, a gente tem
- 12:34uma parceria muito maravilhosa com a faculdade de medicina da
- 12:37UFMG e quando é caso de necessidade de encaminhamento, é
- 12:42médico ou de saúde? A faculdade de medicina faz esse
- 12:46atendimento. E a gente tem uma outra parceria
- 12:49incrível com a PUC, é com a PUC Betim.
- 12:53É na qual a PUC também nos auxilia com as ações, né?
- 12:57Jurídicas, mas eles também tem uma parte de assistência
- 13:00psicológica. Então isso também é muito
- 13:03importante nesses. Casos bom, eu quero saber da
- 13:07história um pouco, né? Da clínica foi inspirada no
- 13:10modelo americano. É isso mesmo?
- 13:12E aí eu acho que ter sido é é ter tido essa.
- 13:15Essa referência mostra o quanto é um problema mundial, né?
- 13:19Agora, como é que foi aí na clínica da UFMG?
- 13:23Bom, é, você gravou, né? Com meu colega querido, o outro
- 13:27coordenador da clínica, professor Carlos Haddad, que é
- 13:30professor de direito penal e juiz federal aqui na faculdade.
- 13:34E que é, na verdade, o dono da ideia, né?
- 13:37Ele foi fazer o pós doutorado dele em michiga, nos Estados
- 13:40Unidos. Lá eles têm, né, uma clínica de
- 13:43tráfico de pessoas, que é o nome guarda chuva lá nos Estados
- 13:46Unidos, que eles usam pra tudo, inclusive trabalho escravo.
- 13:49E eles convidaram o professor Carlos a compor uma rede de
- 13:53clínicas Internacional, já que é um problema Internacional, né?
- 13:56Eles tinham inclusive um caso de uma brasileira no qual eles
- 13:59precisavam de ajuda. É que foi traficada para os
- 14:03Estados Unidos, enfim. E aí o professor Carlos brinca,
- 14:06né? A gente não se conhecia aqui
- 14:08ainda pessoalmente, mas ele brinca, brinca, não é verdade,
- 14:12né? Ele tinha visto meu livro, os
- 14:14cartazes para convidar para o lançamento do livro de que você
- 14:17falou, né? Qual você mencionou agora?
- 14:20E ele falou, Ah, eu vou ligar para essa moça, né?
- 14:23E vou convidar ela para fazer esse projeto comigo.
- 14:26E ele me convidou. Isso foi em 2014.
- 14:29Ele falou assim, eu? Topo, eu falei, eu?
- 14:31Topo e aí, cá estamos, né? Desde 2015 juntos nessa
- 14:36empreitada. Muito bacana.
- 14:39Bom, eu não preciso nem. Aliás, se precisar, precisa, né?
- 14:42Pra gente é mostrar pra cada vez mais pessoas o trabalho de
- 14:46excelência incontestável. Que vocês realizam participando
- 14:50de muitos eventos dentro e fora de Minas e dentro e fora do país
- 14:55também, né? O que é um motivo de muito
- 14:56orgulho. E aí eu queria te perguntar
- 14:59isso, como é que como é que se dá essas parcerias com outras
- 15:02clínicas? Não é toda faculdade de direito
- 15:04que tem ou que precisa ter também.
- 15:07Mas aí, acredito eu, que vocês acabaram puxando o bonde também,
- 15:11ou fortalecendo outras clínicas. Como é que é essa integração com
- 15:15esses outros? Órgãos de outros estados ou
- 15:18outros países, então? Silvinha, você pode pensar, não
- 15:21é que a gente é do direito que a gente é quadrado, mas na verdade
- 15:24a gente é bem criativo. A gente não é publicitário, né?
- 15:29Nem jornalista. Você não de terninho, vocês
- 15:32vivem, né? Mas a gente bom.
- 15:35No caso de vocês, não só prova que também põe o pega na lama,
- 15:40pega barco, dorme em rede. Isso mesmo e a gente é bem
- 15:44criativo, né, EE. Eu acho que e bem dinâmico.
- 15:48Então, EE, bem pé no chão, né? Você falou isso de pôr pé na
- 15:51lama, é bem isso. A gente já bem pé no chão e a
- 15:54gente trabalha, né, com pessoas extremamente vulneráveis.
- 15:56A gente sabe que se o conhecimento não ultrapassar os
- 16:00muros da universidade, ele não vai servir de nada.
- 16:02A gente sabe que a gente tá numa universidade de excelência, que
- 16:06é AUFMGE, né, a faculdade de direito.
- 16:08Constantemente é a primeira ou a segunda melhor do país.
- 16:11A UFMG é reconhecida como uma das melhores América Latina e a
- 16:15gente fala isso muito pros nossos alunos, né?
- 16:16Eles estudam aqui de graça, né? E de alguma forma eles tem que
- 16:20devolver para a sociedade aquilo que é investido neles e eles
- 16:23devolvem assim, de forma maravilhosa, e aí, o que que a
- 16:27gente faz, né silvinha? A gente quando eu falei que a
- 16:30gente é criativo é, a gente recebe as demandas, né?
- 16:33Foram mais de 300 pessoas assistidas nos últimos 10 anos.
- 16:37E aí a gente começou a ver a necessidade de, olha, não dá
- 16:41para ficar só no quadrado do direito, né?
- 16:43Como eu te disse, a gente precisa expandir.
- 16:46Isso é para outras atuações. Então a gente foi em busca de
- 16:51parceria com a faculdade de direito da PUC Minas, na qual
- 16:54eles fizeram uma clínica de trabalho para atraso de pessoas
- 16:56também, né? Para poder fazer essa
- 16:59assistência, porque a gente não quer.
- 17:00Primeiro que a gente não é dono do tema.
- 17:02E a gente quer mais é que tem uma rede cada vez mais forte,
- 17:05cada vez mais pessoas trabalhando por ele.
- 17:07É e segundo, né? É como eu bem disse, não é um
- 17:10problema só local, só de Minas, ele é um problema nacional e ele
- 17:14é um problema global. Então a gente pensou o seguinte,
- 17:16né? Os traficantes, os gatos, eles
- 17:19trabalham em rede, eles são muito bem articulados entre
- 17:22eles. A gente que tá na ponta aqui
- 17:24tentando combater, a gente também tem que se articular.
- 17:27Então não adianta nada eu estar aqui em Minas sabendo que a
- 17:29maioria dos nossos trabalhadores que são escravizados aqui vem do
- 17:32interior da Bahia. E eu não tenho alguém na Bahia
- 17:34pra poder fazer essa ponte. Então a gente orgulhosamente
- 17:37ajudou a fundar a clínica de irec no interior da Bahia, na
- 17:41universidade estadual da Bahia, que é uma das nossas grandes
- 17:44parceiras. Junto com a clínica da unipac em
- 17:48Uberaba, que também é um local, a federal de Uberlândia também
- 17:52tem uma clínica muito parceira nossa.
- 17:54Pessoal da UFPA, também da UFMT, que é do Mato Grosso, também é
- 17:59nosso parceiro. Estamos em breve, né?
- 18:01Ajudando a fazer a primeira clínica do estado do Amazonas.
- 18:06Que é um estado que precisa muito também dessa clínica de
- 18:09trabalho escravo para de pessoas.
- 18:10Vamos ajudar a implementar lá, porque a ideia temos uma
- 18:14parceria com a universidade de erfurt, na Alemanha, com a
- 18:16universidade de Michigan, nos Estados Unidos, com o pessoal da
- 18:20rede europeia de pesquisa, com o pessoal da Austrália.
- 18:23Enfim, a gente vai aonde há a necessidade e a gente
- 18:29criativamente estabelece parcerias, seja com faculdades
- 18:33de direito, seja com outras. É seja com o sistema, por
- 18:38exemplo, de saúde, né? O suas ajuda muita gente.
- 18:41O próprio SUS é as secretarias de direitos humanos nos estados.
- 18:45A gente fez um trabalho incrível com a Secretaria de direitos
- 18:47humanos, agora lá no estado do Ceará, junto com o pessoal do da
- 18:51assembleia do centro, frei Tito. Então, enfim, silvinha, a gente,
- 18:55efetivamente a gente tenta cumprir.
- 18:57O nosso papel é de prestar um serviço jurídico de qualidade.
- 19:02Pra sociedade eu tenho que falar sem chorar, porque eu fico
- 19:05emocionada, porque de fato Eu Acredito muito no que a gente
- 19:07faz. E depois de 10 anos, é fazendo o
- 19:11que a gente faz é é a gente consegue ver na prática uma
- 19:15mudança social. E era isso que a gente tanto
- 19:18almejava, né? Lá no início, que a gente
- 19:21pudesse de alguma forma tocar essas vidas e mostrar um caminho
- 19:25melhor pra essas pessoas. E eu acho que a gente tem
- 19:27conseguido, enfim. Tem conseguido brilhantemente.
- 19:32Brilhantemente até eu me emocionei daqui, porque eu tenho
- 19:36o prazer né, de acompanhar de perto, aí eu que produzo
- 19:39conteúdos pra vocês, a gente esteve juntas, estamos cada vez
- 19:42mais juntas. E aí e realmente é de se
- 19:45emocionar mesmo, porque quando a gente impacta vidas, né, isso é
- 19:49é, não tem valor né, não é, é imaterial.
- 19:53Então a gente sabe Oo quanto é precioso a gente resgatar,
- 19:56devolver vidas, né? E o seu bate-papo, essa conversa
- 19:59nossa aqui. Ela deixa muito claro, né,
- 20:02Lívia? Que enfrentar essas violações
- 20:05não é um papel só do estado ou de especialistas, mas é um
- 20:08compromisso coletivo, né? Pode parecer um tema distante,
- 20:11mas ele está muito mais próximo do que a gente imagina, como eu
- 20:15já falei no início, no jeito que a gente consome nas marcas que a
- 20:19gente apoia, na forma como a gente lida com algumas
- 20:21desigualdades ao nosso redor. E aí eu te pergunto, o que que
- 20:25está ao alcance de cada um? Fazer como que a gente detecta?
- 20:29Quais sinais que a gente tem que estar atento?
- 20:31De que forma que a gente pode alertar?
- 20:34EE os canais você já citou aqui, né?
- 20:36Tem. Eu vou deixar aqui nas
- 20:38referências desse podcast, o site, as redes sociais da
- 20:41clínica também, mas que alerta que a gente pode deixar para
- 20:44quem está nos escutando. Vou te dar 3 exemplos concretos
- 20:49de como que a gente enquanto cidadão, né?
- 20:52E independente de você ter uma formação jurídica ou não, ou de
- 20:55qualquer coisa que você faça, né?
- 20:57Como que isso é importante? Como que esse nosso bate-papo é
- 20:59extremamente importante. A gente teve um caso agora que
- 21:03quem identificou foi uma técnica de enfermagem do SUS, porque 11
- 21:09moça, uma moça não era uma senhora, já chegou até ela.
- 21:13É, né? Com uma doença, enfim, foi junto
- 21:16com uma outra mulher mais velha, que se identificou como amiga,
- 21:20enfim, parceira de trabalho. Não era uma identificação muito
- 21:24clara, mas era a primeira vez que a mulher IA na vida no
- 21:28sistema único de saúde, ela nunca tinha acessado antes
- 21:30nenhum tipo de médico. E aí ela percebeu pela conversa,
- 21:33que a mulher, na verdade, era patroa dela e ela começou a ver,
- 21:37aí Ah, você trabalha lá? Ah, trabalho, a mulher acabou
- 21:39admitindo e ela começou a achar muito estranha aquela conversa
- 21:42de que a. A mulher nunca tinha tido 11,
- 21:45né? Uma atendimento médico antes e
- 21:47que ela morava naquela casa. Ela achou estranho aquele papo,
- 21:52fez a denúncia, era um caso de trabalho escravo, doméstico, com
- 21:55abuso de violência psicológica e física da pessoa.
- 21:59E foi uma técnica de enfermagem que tá ali fazendo a triagem do
- 22:03SUS, que identificou esse caso. E foi ela que denunciou.
- 22:07A importância disso, né? Identificou os sinais de alerta
- 22:11uma pessoa que nunca tinha acessado o sistema único de
- 22:13saúde, uma pessoa que tava ali junto com uma patroa que não
- 22:16deixava ela falar direito, tava sempre falando por cima dela e
- 22:19ela falou, eu vou denunciar, vou fazer uma parte, fez a parte
- 22:21dela, salvou uma vida, o outro caso que né?
- 22:24Para você ver a importância disso que a gente tá fazendo
- 22:27aqui, em que eu te contei, é uma dessas denúncias pós, né
- 22:31Madalena? No caso da Madalena mesmo, quem
- 22:34denunciou foram os vizinhos. Né?
- 22:36É porque os vizinhos começaram a achar meio estranha a situação.
- 22:40Ela começou a pedir, Ah, me empresta uma pasta de dente, me
- 22:43dá um dinheiro para comprar escova de nenhum.
- 22:44Ah, Madalena, você não está recebendo dos seus patrões, não,
- 22:47não estou, me dá, não sei o que para fazer.
- 22:49E aí eles falaram, olha, tem uma coisa muito estranha nisso
- 22:51acontecendo, a gente vai denunciar sim, porque a gente
- 22:54vai manter a colher sim, nesse caso, porque esse caso está
- 22:57muito estranho, essa mulher que mora aqui que trabalha para
- 22:59eles, está pedindo escova de dente, pasta de dente, e ele e
- 23:02tem papel higiênico e tem básicos de saúde para gente.
- 23:06E o terceiro caso, esse né recente nosso 11 moço que ele
- 23:12foi vítimo de trabalho com os seus alarmes da escravidão e ele
- 23:15viu uma entrevista é nossa aqui da clínica, entrou no Instagram
- 23:20da clínica, procurou a gente e a gente é fez a denúncia agora
- 23:25para as autoridades, para que as autoridades possam ir lá.
- 23:28Ele falou, eu já salvei, eu já escapei, mas eu quero que vocês
- 23:31salvem as pessoas que ficaram lá, então.
- 23:33Nossa, estou toda arrepiada. Olha, pra você ver o alcance é
- 23:38que poucas coisas tem na vida, né?
- 23:41Ele foi no Instagram, olhou, acho, falou, olha, eu acho que
- 23:43isso aqui aconteceu comigo, né? Vou lá denunciar.
- 23:46Então. Enfim, né?
- 23:47É muito, muito, muito importante que cada um cumpre o seu papel.
- 23:51A importância, né, de se falar. Sobre de se.
- 23:55Falar de mostrar, né? Pra para as pessoas realmente
- 23:58entenderem que pode e provavelmente está, né Lívia?
- 24:01Muito perto da gente. E a gente que tem que estar
- 24:04atento aos sinais, né? Bom, 10 anos se passaram, mas eu
- 24:11sei que muitos e muitos anos estão por vir, né?
- 24:15O que que a gente pode esperar dos próximos anos?
- 24:18Como é que eles vão ser, quais projetos vocês estão tocando aí?
- 24:21A equipe cresceu, né? Você citou, começou com você e
- 24:24com Haddad. Já tem mais gente na turma, cada
- 24:27vez mais estagiários chegando, o que eu achei muito legal, né?
- 24:31Recentemente eu tive que gravar um.
- 24:32Com conteúdo aí com vocês e uma estagiária me acompanhou, ela
- 24:36está no segundo período e ela falou para mim, eu não sei ainda
- 24:39para que área que eu vou ali do direito, mas eu estou tão
- 24:42encantada com essa clínica. Ela falou com tanta, sabe?
- 24:46Ela está tão apaixonada assim com trabalho que vocês fazem.
- 24:49Ou seja, sementinhas estão sendo plantadas também para quem está
- 24:52chegando, né? Sementinhas, nossa, você vê aí?
- 24:56Olha, eu tô vendo. Eu vou ficar chorando toda hora,
- 24:58mas a gente tem e você conhece, né?
- 25:00O André, que é nosso advogado. O André começou no segundo
- 25:03período como estagiário. É, formou, virou nosso advogado,
- 25:08fez o mestrado, virou mestre, hoje a doutorando aqui e
- 25:11continua trabalhando com a gente, né?
- 25:14Como advogado, como pesquisador, tem está à frente do projeto
- 25:18escolas, que vai até as escolas públicas e particulares para
- 25:21levar essa conscientização para os jovens, né?
- 25:24Que estão em situação de vulnerabilidade, mas também para
- 25:26qualquer outros jovens falar sobre o tema.
- 25:30É, e a gente tem, é. Ontem mesmo eu recebi um
- 25:32telefonema de uma ex estagiária nossa que hoje é a agente da
- 25:36polícia federal, e ela acabou de ser nomeada exatamente para área
- 25:41de trabalho escravo de tráfico de pessoas dentro da polícia
- 25:43federal. Então eu convidei ela para vim
- 25:45para o nosso Congresso como ex membro.
- 25:46Mas agora ela vai vim para o nosso Congresso representando a
- 25:49instituição. Quer coisa?
- 25:50AI, que maravilhosa, né? O que é isso então?
- 25:54E todo mundo que trabalha com ela fala, nossa, toda vez que a
- 25:57Marina vem aqui, a gente fala, que bom que a Marina vem, porque
- 26:00ela é uma pessoa que foi bem formada, então isso é o que faz
- 26:04diferença pra gente, né? Ah, é não muita coisa gente que
- 26:08que a gente tem em vista. Ah, recebi um Monte de coisa.
- 26:15Ah, eu? Sei, eu sei.
- 26:17Publicadas, mas a gente está com 4 em andamento, é pesquisas para
- 26:22serem divulgadas dentro em breve, tem 2 finalizadas para
- 26:25ser publicado, tem 4 em andamento.
- 26:28É porque todo nosso trabalho isso é importante dizer, ele é
- 26:31baseado em pesquisa, em diagnóstico, é, ele não é feito
- 26:35de forma, AI vamos ali, vamos não, a gente pesquisa antes, a
- 26:39gente realiza um diagnóstico, a gente está realizando um
- 26:41diagnóstico, por exemplo, para implementação na clínica no
- 26:43Amazonas. A gente vai analisar toda a
- 26:45série histórica, os últimos 30 anos de combate ao trabalho
- 26:48escravo no estado do Amazonas, para poder gerificar quais são
- 26:51os problemas, quais são as regiões, como é que a gente vai
- 26:54atuar de uma maneira mais efetiva para tentar contribuir
- 26:57de alguma forma também com a política pública para a gente
- 26:59avançar. Porque, na verdade, o meu sonho
- 27:01é de que a gente, daqui uma próxima década, a gente esteja
- 27:06falando de uma outra perspectiva desse tema, né?
- 27:08Quem sabe? Bom, com o.
- 27:16Trabalho que vocês estão realizando, eu não tenho a menor
- 27:18dúvida, viu? Muito orgulho de vocês de estar
- 27:21aqui apresentando essa pauta para mostrar todo esse trabalho
- 27:24incrível que vocês fazem, de também estar aí envolvida em
- 27:28outros projetos de vocês, né? Na produção de conteúdo.
- 27:31É um orgulho muito grande para mim.
- 27:33É caminhar lado a lado com vocês.
- 27:36E acho que a da UFMG também. Que bom que eles abriram esse
- 27:38espaço para vocês. Mas que sorte a da UFMG ter
- 27:42vocês também fazendo esse trabalho, levando o nome deles
- 27:45também aí para os 4 cantos do mundo.
- 27:48Já está aprovado aqui nesse papo que eu posso falar de mundo e
- 27:50que isso não é exagero. Viu?
- 27:52Parabéns para todos. Vida longa nas referências aqui
- 27:56do podcast. Na descrição tem o site, tem as
- 27:59redes sociais, né? Mas falo aqui também, arroba
- 28:03clínica, trabalho escravo. Nas redes sociais, o site é
- 28:07clínica, trabalho, escravo.com e por lá tem todos os caminhos
- 28:11para chegar até vocês, né Lívia? Isso mesmo, amiga.
- 28:14E eu queria só encerrar te agradecendo mais uma vez pelo
- 28:18espaço, mais uma vez pela parceria, pela amizade, pelo
- 28:22carinho, pelos conteúdos tão maravilhosos que você tem
- 28:25produzido pra gente. Todos que me fazem chorar, isso
- 28:27é uma coisa muito, muito, né? Conversa que eu choro muito, mas
- 28:30não é não, gente. Eu sou emocionada, mas eu choro
- 28:32só quando tem razão. De chorar é porque a gente fala
- 28:35de. Pessoas, né?
- 28:36A gente fala sobre histórias reais e isso não tem como
- 28:38emocionar, né? Mas eu queria eu te oferecer de
- 28:42agradecimento um poema, porque eu acho que ele tem tudo a ver
- 28:45comigo, com você, mas principalmente, né?
- 28:47Com seu podcast aqui do na boa é que é um poema que eu amo, que é
- 28:52do bertold Brecht que ele fala, né?
- 28:54Primeiro levaram os negros, mas não me importei com isso,
- 28:57afinal, eu não sou negro. Em seguida, levaram alguns
- 29:00operários, mas também não me importei com isso, pois eu não
- 29:04sou operário. Depois prenderam os miseráveis,
- 29:08mas não me importei com isso, porque eu não sou miserável.
- 29:12Depois agarraram os desempregados, mas como eu tenho
- 29:15meu emprego, também não me importei.
- 29:18Agora estão me levando, mas já é tarde.
- 29:21Como eu não me importei com ninguém, ninguém se importa
- 29:24comigo. Que a gente possa, né?
- 29:27Se importar com os outros, independentemente da gente estar
- 29:30na mesma situação deles. Que a gente possa exercer
- 29:33empatia todos os dias e que a gente não deixe ninguém ser
- 29:36levado, independente de quem seja.
- 29:39Obrigada, amiga, pelo seu trabalho.
- 29:40Obrigada pelo espaço. Vida longa.
- 29:43Ao na boa, ao seu trabalho, a tudo que você faz.
- 29:47Saiba que eu também morro de orgulho de caminhar nessa vida
- 29:50junto com você. AI meu Deus, como é que a gente
- 29:55vai encerrar esse episódio agora?
- 29:56Eu que estou aqui, ó, em lágrimas.
- 29:58Que poema potente. Eu que te agradeço por esse
- 30:01presente aqui no final, viu? E você, gostou desse episódio?
- 30:06Siga o nosso perfil e lembre se de classificar o nosso podcast
- 30:10com 5 estrelas e claro, compartilhe com os amigos e tem
- 30:13mais conteúdos como esse lá no meu Instagram, no arroba Silvia
- 30:17Castro DC até o próximo episódio.