Latest / SuinoCast · by PPGVET / Dra. Vera Letticie de Azevedo Ruiz: Como Controlar as Doenças na Suinocultura? | Ep. 295
Transcript
- 0:00Dá a chance deles lutarem, que aí o organismo deles se vira e a
- 0:05gente diminui casuística. Não é não ter infecção, vai ter
- 0:10infecção, mas vai ser assintomática.
- 0:12E é o sintoma que dá o prejuízo, é o sintoma que dá a queda de
- 0:15peso, que dá aderência de carcaça, que dá mortalidade.
- 0:19Se for assintomático, tá tudo bem.
- 0:23Está no ar o primeiro podcast da suinocultura brasileira, o
- 0:27Suinocast. O Suinocast só é possível
- 0:33através do apoio de empresas inovadoras e que apoiam a
- 0:37educação continuada na suinocultura brasileira.
- 0:41SEVA, sempre com você, além da saúde animal.
- 0:46DSM Firmenich, moldando o futuro dos cuidados com suínos.
- 0:52Topgen, onde você encontra as matrizes mais completas do
- 0:56mercado. A excelência está no nosso DNA.
- 1:00Polinutri Nutrição Animal. Juntos vamos mais longe.
- 1:06Alga Prime DHA da Corbin, o ômega-three de algas para a
- 1:10nutrição suína. Sejam todos bem-vindos a mais um
- 1:14episódio do SuínoCast. Eu sou o Geraldo Oberton e hoje
- 1:19eu vou entrevistar a doutora Vera Letícia Azevedo Ruiz.
- 1:27A doutora Vera Letícia é professora Na USP, em
- 1:33Pirassununga, ela é médica veterinária, formada pela Unip,
- 1:37tem mestrado em microbiologia, doutorado em epidemiologia.
- 1:43Também tem uma especialização em técnicas de diagnóstico na
- 1:47Universidade de Osaka. Professora, ela gosta de estudar
- 1:54bastante a área de biosseguridade e epidemiologia,
- 1:58né? São as disciplinas que ela
- 2:00ministra na USP e também é professora livre docente nessas
- 2:06áreas de conhecimento. Olá professora, tudo bem?
- 2:10Olá, tudo bom? Como é que vocês estão?
- 2:13Tudo ótimo, seja muito bem-vindo a esse episódio.
- 2:17Fico feliz com o seu aceite, é um tema bastante interessante e
- 2:22logo gostaria de saber... Que bichinho que te picou, que
- 2:26te levou para essa área da medicina veterinária preventiva,
- 2:28epidemiologia, a biosseguridade? Ixi, já começou com uma pergunta
- 2:33aí que vai me fazer me entregar, né?
- 2:35Um pouco constrangedora, mas eu vou fazer o meu meia-culpa aqui.
- 2:40Quando eu entrei na faculdade, acho que como a maior parte dos
- 2:44alunos de graduação, eu estava pensando em clínica, em
- 2:46cirurgia, e como eu sou menina de prédio, né?
- 2:51lá de São Paulo, capital, então eu tinha muito contato com
- 2:53cachorro e gato. Pensei em trabalhar com isso.
- 2:56No primeiro estágio que eu fiz, aí eu vi que eu não gostava
- 3:00muito de lidar com os donos dos cães e gatos.
- 3:03Eu falei, ai meu Deus, como é que eu vou fazer agora pra ser
- 3:05veterinária se eu não vou falar com esse pessoal, né?
- 3:08E aí, na época, eu pensei, ah, vou pro laboratório, porque daí
- 3:11eu recebo as amostras no laboratório e não preciso
- 3:14discutir com... O proprietário, quando ele não
- 3:18quiser fazer o tratamento certo, quando ele estiver fazendo
- 3:20alguma coisa errada com o animal.
- 3:22E já no segundo ano da faculdade, comecei a me enfiar
- 3:24em tudo que era coisa relacionada a laboratório.
- 3:27Microbiologia, parasitologia, laboratório clínico.
- 3:31E uma coisa foi levando pra outra, um estágio foi levando
- 3:34pro outro. E eu acabei indo pra fazer uma
- 3:37residência, antes do mestrado, na parte de veterinária
- 3:40preventiva, na USP de São Paulo. Passei lá por oito laboratórios
- 3:44na época e aí fiquei para o mestrado em microbiologia,
- 3:48laboratório também. E o meu professor, ele também
- 3:51orientava na epidêmio. Então, depois no doutorado, eu
- 3:54fui para o programa de epidemiologia e eu acabei
- 3:57juntando essas informações da parte da microbiologia, do
- 4:01diagnóstico, de entender o agente etiológico e a parte da
- 4:05epidêmio, que olha para as populações, no nosso caso da
- 4:09veterinária, das populações animais e a interação com o meio
- 4:12ambiente. E quando eu estava no começo do
- 4:15doutorado ainda, eu comecei a trabalhar na Secretaria da
- 4:17Agricultura do Estado de São Paulo, no Laboratório de Doenças
- 4:20de Suínos, fazendo diagnóstico das doenças de notificação
- 4:24obrigatória para o Ministério da Agricultura.
- 4:26Então, eu estava bem inserida nessa parte de preventiva, de
- 4:30Programa Nacional de Sanidade Suídia, e fui juntando esse
- 4:35quebra-cabeça. Depois, já no biológico, eu fui
- 4:38lá para o SACA, fiquei fazendo especialização, para aprender
- 4:42mais a parte de laboratório, e depois de seis anos que eu
- 4:47fiquei na Secretaria da Agricultura, eu vim aqui para a
- 4:49USP já como docente, e aí já comecei aqui dentro da USP, cem
- 4:54por cento focado na parte de bioseguridade de suínos, então
- 4:57agora vou entregar a minha idade, vai dar vinte e cinco
- 5:02anos que eu me formei no começo do ano, E aí eu fugi na
- 5:07graduação de atendimento de cães e gatos para fugir dos donos dos
- 5:12bichos, porque eu não queria falar com as pessoas.
- 5:14E olha o tiro no pé que eu dei, que agora eu dou aula e eu
- 5:18trabalho também. Quando eu trabalhava na
- 5:20Secretaria da Agricultura, eu trabalhava diretamente com suíno
- 5:22cultor. Então eu vejo muito mais gente
- 5:24do que bicho, no fim das contas. E é uma coisa que hoje eu amo,
- 5:30que eu gosto muito, que eu descobri que, na verdade... me
- 5:34comunicar com as pessoas e passar aquilo que eu sei para
- 5:37elas é algo que me dá muito prazer hoje.
- 5:40Então, o que me fez fugir lá atrás de clínica de cão e gato e
- 5:44acabou me levando para a preventiva, que me levou para
- 5:46suíno, hoje é uma coisa que eu amo fazer, que é falar com o
- 5:49pessoal. A DSM Firmeniche pode ajudá-lo a
- 5:54preparar, proteger e apoiar a resiliência dos seus leitões,
- 5:58fornecendo experiência local em suínos e soluções completas e
- 6:02personalizadas para ajudá-lo a concretizar a sua visão.
- 6:06A DSM Firmeniche está moldando o futuro dos cuidados com suínos.
- 6:13Que legal! Veja só, né?
- 6:16Trocou aí os grandões pelos pequenos.
- 6:19Pelos micros, né? As pessoas pelo mundo
- 6:24microbiológico, que é muito interessante, muito desafiante.
- 6:28Sabe que eu, quando comecei a minha carreira, eu tinha muito
- 6:32contato com o doutor Yuri Sobestiansky, falecido Yuri
- 6:35Sobestiansky, e ele falava para mim, Geraldo, não existe um
- 6:40futuro na suinocultura se nós não olharmos a parte de
- 6:44epidemiologia, né? ele gostava muito do tema, os
- 6:48livros dele, sempre explorava bastante.
- 6:51Sim. Ele esteve na minha banca,
- 6:54inclusive, quando eu ingressei aqui, ele foi um dos avaliadores
- 6:57para eu entrar aqui na USP. Que legal, uma figura
- 7:01fantástica. Você acha que a parte de
- 7:04epidemiologia na suinocultura, pensando suinocultura, ela é
- 7:10negligenciada, ou hoje o médico veterinário que está no campo,
- 7:15ele já pensa um pouco mais, tem uma visão mais suficiente sobre
- 7:22a parte da epidemiologia? Olha, eu acho que o pessoal
- 7:26ainda sai muito com uma visão terapêutica das faculdades, no
- 7:30geral, de todas as faculdades, e atende aquela ânsia do aluno de
- 7:36veterinária, eu quero ver o animal doente ser curado, então
- 7:40eu vou tratar esse animal. Só que eu penso diferente.
- 7:44Eu acho que a gente tem que prevenir para evitar que ele
- 7:46fique doente. Tem bem menos glamour, né?
- 7:49Assim, manter ele saudável a vida inteira.
- 7:50Que coisa sem graça, né? Mas eu acho que é mais
- 7:53trabalhoso, na verdade. Então, o pessoal, assim, acha
- 7:57que epidemiologia é aplicar ao programa nacional, é fazer um
- 8:01monitoramento de alguma enfermidade.
- 8:03E eu vou além, eu acho que a epidemiologia é a gente entender
- 8:07a cadeia de transmissão de um patógeno dentro da granja, aí
- 8:10pensando, claro, só nas doenças transmissíveis, que a gente olha
- 8:14muito para o animal doente, que seria a fonte de infecção e quer
- 8:17tratar esse animal, a gente eventualmente olha para o
- 8:21suscetível, querendo dar uma vacina para ele, que eu falo que
- 8:24nas duas situações são a injeção mágica, o remédio para o doente
- 8:29e a vacina, porque ainda não ficou doente, e a gente esquece
- 8:32o meio do caminho, que é a via de transmissão, que é tudo que
- 8:35está no ambiente que facilita a chegada do agente no suscetível.
- 8:40E aí, por negligenciar essa questão da via de transmissão, e
- 8:43a gente inclui solo, água, ar, os fômites, como as nossas
- 8:47botas, veículos, enfim, a gente acaba negligenciando isso, joga
- 8:52toda a responsabilidade em cima das duas injeções mágicas, do
- 8:56tratamento e da vacina, e aí não vê resultado, fala, ah, não está
- 9:01funcionando. Então, eu acho que ainda falta
- 9:04aí um pouco de epidemiologia nos atendimentos clínicos dos
- 9:08veterinários no geral, no Brasil inteiro.
- 9:13Legal. Você falando, foi me passando
- 9:17pela cabeça algumas doenças que a gente conseguiu eliminar, mas
- 9:21pensando, por exemplo, a sarna. Quando eu comecei na
- 9:24suinocultura, era uma doença extremamente problemática, e
- 9:28praticamente foi quase erradicada.
- 9:31Você não vê mais, foi tirada dos reprodutores, foi controlada na
- 9:35porca, a porca chega na maternidade livre, então
- 9:38quebrou-se a rota de transmissão, como você mesmo
- 9:42falou. Agora, quando a gente pensa em
- 9:44outras enfermidades, como, por exemplo, uma coccidiose, que
- 9:48embora a mãe não seja a fonte de infecção, mas ali tem vários
- 9:52vetores dentro da granja, e vamos pensar aí o rato, a
- 9:56mosca... e a própria bota, como foi citado, nós não estamos
- 10:03negligenciando demais essa questão, por exemplo, dos
- 10:07vetores biológicos em granja, porque você tem uma regra,
- 10:13construa um banheiro para as pessoas trocarem de roupa, faça
- 10:18uma cerca, tudo isso é factível. Agora, tenha um controle
- 10:24adequado de moscas e de ratos. O que é um controle adequado?
- 10:30Pode ser que em algum momento esteja, mas às vezes você chega
- 10:33na grange, está cheio de larva, está cheio de mosca.
- 10:35Eu vejo mosca demais, mais do que eu gostaria.
- 10:40Elas têm um impacto muito grande na transmissão de enfermidades?
- 10:45Tem. Tem, e assim, elas carreiam
- 10:47muito de micro-organismos bacterianos, virais, até alguns
- 10:53alcistos em algumas situações. Se a gente pensar também em
- 10:57ratos, eles são fonte de infecção de uma série de
- 11:00doenças, além de serem carreadores de outros, de
- 11:03passarem de um ambiente para outro.
- 11:05E assim, existe controle adequado.
- 11:08Mas o que acontece é que às vezes a pessoa quer fazer aquela
- 11:11receita de bolo que ela faz em casa.
- 11:14Ela fala, vou colocar essa isca aqui que me venderam, vou fazer
- 11:18isso aqui que me disseram que é legal.
- 11:20E assim, hoje tem empresa especializada em controle de
- 11:22pragas, vetores e animais sinantrópicos.
- 11:25E aí a pessoa fala, eu vou gastar dinheiro com isso, para
- 11:28essa empresa vir aqui vai me custar tanto.
- 11:32Mas a pessoa não fez a conta ao contrário, que é o quanto que
- 11:35aquilo vai economizar para ela em outros aspectos.
- 11:40Se ela considerar quais as doenças estão sendo transmitidas
- 11:43ali por aqueles carreadores, ela eliminando eles, o quanto
- 11:50diminuiria a prevalência de algumas enfermidades... talvez
- 11:54ela falasse, nossa, vai sair barato esse controle.
- 11:56Sim. Então, o que acho que falta um
- 11:59pouquinho é o suinocultor fazer essa conta.
- 12:02Falar, se eu investir mil reais aqui, de repente eu vou
- 12:06economizar dois mil reais ali. Se eu investir dez mil aqui,
- 12:09talvez eu vou economizar trinta mil ali.
- 12:11Então, falta essa conta. Isso é um negócio que eu faço
- 12:14com os meus alunos aqui. Na aula, que eu não chamo mais
- 12:16de aula de doença de suínos, é aula de biosseguridade.
- 12:19Então, eu ensino pra eles fazer uma consultoria em
- 12:22biosseguridade. Eu dou uma queixa, né?
- 12:24Eu divido eles em grupos, dou queixa.
- 12:25Então, ó, vocês têm que consertar essa granja aqui com
- 12:28esses dados que eu tô dando pra vocês.
- 12:30E vou dando algumas aulas. Então, metade do horário é aula,
- 12:33né? Que eu ensino as doenças.
- 12:35E a outra metade é discussão do trabalho.
- 12:37E eles têm que fazer todo o dimensionamento da granja.
- 12:39Eles têm que fazer todo o fluxo de produção da granja.
- 12:42Eu falo, ó, tem mil e trezentas fêmeas.
- 12:44E eles têm que calcular tudo pra mim.
- 12:45Então, finge que... vocês estão reorganizando o fluxo de
- 12:48produção dessa grande, me fala quanto os animais teriam que
- 12:50estar em cada setor. E aí, eles vão em cima da
- 12:54queixa, pensam nas suspeitas, aí eles vão me dar quais
- 12:58diagnósticos que eles vão tentar fazer, um vai ser positivo, e aí
- 13:02qual é o tratamento, qual que é a vacina, se tiver, e aí eu pego
- 13:06muito pesado, o que tem que fazer no meio ambiente, se tem
- 13:09controle de vetores, se tem desinfecção, um pouco
- 13:12diferenciada, se tem controle de trânsito interno, o que eles têm
- 13:16que propor em detalhes e com custos, porque eles têm que me
- 13:20calcular. Se eles têm, sei lá, uma doença
- 13:22que tem uma prevalência de trinta por cento com uma
- 13:25mortalidade de cinco por cento, se eles interferirem
- 13:28positivamente ali, essa prevalência cair para dez por
- 13:32cento e a mortalidade cair para um por cento, significa que
- 13:35esses animais estão chegando em qual peso o ano abate e qual o
- 13:38número de animais, porque deixou de morrer um tanto.
- 13:41Então, essa mudança no faturamento tem que ser melhor
- 13:47do que o custo de implantação do projeto de biosseguridade.
- 13:50E eles têm que me calcular quantos litros vai de
- 13:52desinfetante, de detergente, quantas doses de vacina, quantas
- 13:56doses de medicamento, se for o caso, quanto que eles vão cobrar
- 13:59a visita deles, o deslocamento. Então, eles têm que me fazer uma
- 14:03planilha de custo super detalhada, E, claro, o custo tem
- 14:07que ficar abaixo do que vai reverter para o produtor, né?
- 14:10Então, eles vêm, às vezes, com umas ideias muito mirabolantes,
- 14:13né? De construir um negócio
- 14:14caríssimo, de comprar um caminhão.
- 14:16E eu falo, gente, não tem perna para isso, não.
- 14:19Vocês têm que redimensionar nessa área aqui e não vai
- 14:21comprar caminhão. Vocês vão desinfetar o caminhão
- 14:23que tem. E eles replanejam tudo e tal.
- 14:26Então, eu acho que é a questão das pessoas fazerem a conta.
- 14:29Eu vou chamar uma empresa especializada, vai custar, mas
- 14:32vai me reverter quanto ali daqui dois ou três anos?
- 14:35Sim, falta profissionalismo no controle desses vetores.
- 14:42Eu acho que é a tomada de decisão, porque a decisão
- 14:45imediata ali, a pessoa vai tentar, obviamente, o que parece
- 14:49ser o mais fácil e o mais barato, mas não quer dizer que
- 14:52vai ser o mais eficaz. Então, é tudo para ontem, está
- 14:57tudo acontecendo muito rápido, então as pessoas têm que decidir
- 14:59tudo muito rápido, elas não têm o tempo para fazer o
- 15:01planejamento. estratégico mesmo, de que estratégias que ela vai
- 15:06usar para resolver os problemas. O suinocultor vai chamar alguém
- 15:11ali para ajudar quando a perda já está muito grande.
- 15:14Quando a coisa está subliminar, está dentro daqueles níveis
- 15:17aceitáveis, ele deixa. Só que aí está naquele um e meio
- 15:21por cento de mortalidade, está dentro do aceitável.
- 15:25Você tá com um foco ali dentro de alguma coisa que, a hora que
- 15:29estourar algum fator de risco, aquele um e meio vai virar
- 15:32cinco, de uma semana pra outra. E aí você tem uma mortalidade
- 15:36que você fala, meu Deus, aí sai correndo pra dar o remédio, que
- 15:39remédio, não sei, não dá tempo de fazer o exame, dá aquele
- 15:43antibiótico, não sabe nem se é bactéria, se é vírus.
- 15:46Então, as decisões, elas são tomadas, assim, de forma
- 15:52reativa, né? E não planejada.
- 15:57Você falou de abate, e aí é uma pergunta que eu gosto de fazer
- 16:04para colegas que têm experiência nesse tema com você.
- 16:09Hoje nós vivemos uma fase da suinocultura que temos excelente
- 16:14desempenho zootécnico, mas em alguns quesitos nós pioramos
- 16:20significativamente ano a ano. E o quesito que eu me refiro é
- 16:25desvio de carcaça em frigorífico, principalmente por
- 16:28problema respiratório, e condenação de carcaça no
- 16:32frigorífico, principalmente por problema respiratório.
- 16:36E a pergunta que sempre é feita para mim, e eu aproveito para
- 16:39compartilhar essa pergunta é, onde que nós estamos errando?
- 16:44É lá na maternidade, na formação de seleitão, é na creche com uso
- 16:49excessivo de antibiótico, são nas engordas com piso ripado e
- 16:53excesso de gases, Ou é uma soma de tudo isso?
- 16:57Ou é um circovírus fora de controle?
- 17:00Onde que está o fio da meada para a gente voltar lá naquela
- 17:03taxa de desvio abaixo de dez por cento que era aí uns quinze anos
- 17:07atrás? Olha, eu acho que assim, pode
- 17:11ser uma somatória de tudo isso que você falou e podem ser
- 17:15diferentes caminhos. Imagina assim, um que nem aquela
- 17:19imagem que aparece no metrô de Nova York, que parece uma teia
- 17:23de aranha com várias intersecções, você pode seguir
- 17:25diferentes caminhos e chegar no mesmo ponto.
- 17:28Eu acho que é isso. A gente tem que ver em cada
- 17:30granja o que está levando a esse problema lá no final, no
- 17:34abatedouro, porque para cada granja o caminho da somatória de
- 17:39fatores de risco pode ser diferente.
- 17:40A gente sabe qual é a chegada, o final, mas o caminho que foi
- 17:45traçado a gente não sabe. Então, pode ser alguma coisa que
- 17:48tá acontecendo lá na creche e que daí tá dando esse problema
- 17:51um pouco mais pra frente. Pode ser um problema que tá
- 17:53acontecendo no crescimento e tá acumulando pra terminação.
- 17:57Teve uma granja que eles me chamaram aqui no estado de São
- 18:00Paulo pra ver essa questão. Era micoplasma, no caso, já tava
- 18:03diagnosticado qual que era o agente e eles não estavam
- 18:05conseguindo controlar. E eles acreditavam que o
- 18:08problema era na terminação, porque eles viam os animais com
- 18:11tosse na terminação. Então, o problema é na
- 18:14terminação. Falei, beleza, quero visitar
- 18:16então a sua maternidade e a sua creche.
- 18:19Não, acho que você não entendeu, Letícia, é no crescimento de
- 18:22terminação o problema. Eu falei, mas a causa raiz está
- 18:25lá na frente. Eu falei, a gente precisa ver o
- 18:27que está acontecendo antes, porque a gente está falando de
- 18:29uma doença com um período de incubação muito longo, e se
- 18:32vocês estão vendo lesões já cicatrizadas nessa carcaça,
- 18:37então quer dizer que o desenvolvimento do período de
- 18:40incubação, do período de doença ocorreu enquanto esses animais
- 18:43estavam vivos, Antes deles serem abatidos, eles já estavam
- 18:46resolvendo aquela pneumonia e fazendo aquelas aderências em
- 18:49carcaça. Então, começou muito lá atrás.
- 18:52Começou na creche e se bobear, começou na maternidade.
- 18:56Aí tinha mais veterinário ali no grupo.
- 18:58Falei, não, mas micoplasma na maternidade não é uma realidade.
- 19:01Eu falei, micoplasma, clinicamente, não.
- 19:04Eu falei, mas esses bichos podem estar se infectando na
- 19:06maternidade. Bom, eles falaram, deixa ela
- 19:09fazer o que ela quiser. Aí eu cheguei lá e fui olhar a
- 19:11maternidade, fui olhar a creche, e quando eu cheguei pra ver a
- 19:15maternidade, eu falei, que galpão que é esse aqui do lado?
- 19:17Ah, esse aqui é a nossa reposição de fêmeas, nossas
- 19:20marrans. E elas respiravam e tossiam na
- 19:25frente da entrada de ar do climatizador da maternidade.
- 19:29Eu falei, Jesus, eu falei, tá aqui.
- 19:31Eu falei, são essas marrans de reposição que estão eliminando
- 19:34taxas de micoplasma super altas, tá entrando pela ventilação, e
- 19:38os filhotes estão pegando na maternidade.
- 19:41E depois eles já chegam na creche, com o começo do quadro
- 19:44clínico, desenvolvem até o crescimento e cicatrizam na
- 19:47terminação. Fiz o reto, minha cara falou,
- 19:50você acha? Eu falei, eu acho, vou fazer
- 19:52suave aqui. Fiz suave das marrãs, fiz suave
- 19:55das matrizes dentro da maternidade, fiz suave dos
- 19:58leitões e fiz suave das botas, porque eu falei, essas botas aí
- 20:01também estão carreando o micoplasma, e fiz o suave ali
- 20:04daquelas colmeias do climatizador.
- 20:07Deu tudo positivo. É claro que, assim, os
- 20:09leitõezinhos da maternidade deu uma prevalência, acho que de
- 20:12quinze, vinte por cento, mas não era nem pra dar quinze, vinte
- 20:15por cento. Não, já é alto, né?
- 20:17É, mas assim, assintomáticos, claro, mas eles já estavam
- 20:20colonizados. O trato nasal deles já tinha
- 20:22micoplasma. As matrizes mais velhas tinham
- 20:27uma eliminação menor de micoplasma, que é o que a gente
- 20:30espera mesmo, né? As marrans estavam, assim,
- 20:33jogando micoplasma de balde, E aquelas comélias estavam, cem
- 20:38por cento, com micopasma. Então, estava entrando por ali.
- 20:42E aí, na creche, a gente já tinha uma taxa bem mais alta de
- 20:46animais positivos. E quando a gente ia para
- 20:48crescimento e terminação, era quase cem por cento positivo.
- 20:52O que a gente colocou ali, pelo amor de Deus, tira esse galpão
- 20:55dessa recria daqui, coloca para outro lugar, usa esse galpão
- 20:58aqui para outra coisa. E fomos atrás do fabricante
- 21:02daquelas colmeias para ver como é que a gente desinfetava
- 21:05aquilo, porque é um papelão, né? Ele falou, vai que a gente joga
- 21:07alguma coisa que derrete tudo, né?
- 21:09E a gente descobriu ali, eles indicaram qual desinfetante
- 21:13podia ser utilizado na circulação ali e o trânsito
- 21:17interno de pessoas, porque a gente provou também que as botas
- 21:20estavam bem contaminadas, então a gente viu que não iam. ter uma
- 21:25desinfecção adequada de botas, então a gente falou assim, então
- 21:27simplesmente circula desse jeito, a gente fez um mapeamento
- 21:29ali dos galpões e traçou caminhos, que assim, o pessoal
- 21:32da maternidade pode fazer esse caminho, o pessoal da creche
- 21:35pode fazer esse outro caminho, em alguns gargalos onde não
- 21:38tinha como não cruzar, porque teria que mudar prédios de
- 21:41lugar, isso não é factível, então ali a gente colocou um
- 21:44ponto de desinfecção de botas para tentar minimizar, não ia
- 21:47resolver, mas para minimizar. e deu um efeito legal, deu um
- 21:51resultado legal, a gente deu uma revisada no protocolo de
- 21:54vacinação, treinamento de vacinação, porque às vezes o
- 21:57pessoal já está meio habituado a fazer de um jeito que não é o
- 22:00mais adequado, então assim, você vai somando todos os fatores de
- 22:05risco para chegar naquele cenário daquela granja, ou
- 22:09daquele agrupamento de granjas. Então eu acho que é sempre uma
- 22:13somatória, a gente não vai conseguir atacar todos os
- 22:16fatores de risco, porque tem os fatores de risco que são
- 22:18imutáveis, tipo localização de um prédio, você não consegue
- 22:22trocar o prédio de lugar, e aí você tem que aceitar que você
- 22:25vai conseguir reduzir a ocorrência da doença, mas não
- 22:29vai zerar, mas reduzir já é muito bom, de repente volta para
- 22:33aqueles índices aceitáveis, e aí fica bom para todo mundo.
- 22:37Muito interessante esse caso, para explorar com os alunos,
- 22:40muito legal, embora a micoplasma a gente sempre ensine, que é um
- 22:47Um agente que no ambiente ele sobrevive pouco, mas esse pouco
- 22:51é suficiente para migrar dentro da granja e entre granjas, né?
- 22:57Sim, sim. Ainda mais quando você está
- 22:59usando, por exemplo, um caminhão, que você vai levar
- 23:00coisa de uma granja para outra. Ou quando você pensa no teu
- 23:04fornecedor, que já atendeu uma granja e está indo com o mesmo
- 23:06caminhão fazer uma entrega para você também.
- 23:09Então, assim... O agente sobrevive pouco tempo
- 23:12no ambiente se não tiver um hospedeiro.
- 23:15Se tiver um hospedeiro disponível, ele sai do ambiente
- 23:18e vai para o hospedeiro. Por isso que...
- 23:19Ah, lá vamos nós, né? Para o vazio sanitário.
- 23:22Por isso que o vazio sanitário é tão importante.
- 23:23Então, vamos lá falar do vazio sanitário.
- 23:26Nós estamos com nota dez no vazio sanitário na suinocultura
- 23:28hoje, né? Aonde?
- 23:30Em qual país? Aqui no Brasil?
- 23:33Ah, não. Se eu tiver que dar uma nota
- 23:36para o nosso vazio sanitário, acho que eu dou três.
- 23:39Está sendo generosa, hein? Eu estou considerando as granjas
- 23:42de reprodutores. Eu escutava os alunos, viu,
- 23:46Letícia? Eu gostava quando os alunos iam
- 23:48fazer a defesa de estágio, né? Enquanto eu estava como
- 23:52professor aqui na UFR, agora me aposentei, mas eles falavam na
- 23:56defesa de estágio. Ah, lá eles praticavam o vazio
- 23:59sanitário negativo. O que é o negativo?
- 24:02Ah, desmama de manhã e aloja à tarde, né?
- 24:05Então... Nós não estamos, acho, com nota
- 24:08três na maioria do país. Não, é que eu estou considerando
- 24:10as granjas de pisavós e avós nessa conta, que lá é dez, né?
- 24:15Lá eles fazem direitinho. E aí quando a gente coloca as
- 24:18comerciais na conta... Tá.
- 24:21Então vamos falar, vamos explorar esse tema, né?
- 24:23Até para que o nosso ouvinte consolida essa informação com
- 24:30relação ao vazio sanitário. Por quê?
- 24:33Hoje nós temos lavadoras de pressão muito boas, um piso
- 24:36ripado, uso de detergentes, desinfetantes, até com ação
- 24:41vericida. Algumas granjas usam calor, água
- 24:47quente. A somatória de tudo isso, ainda
- 24:52assim, não elimina a necessidade da ausência do hospedeiro
- 25:01naquele ambiente por cinco dias, que é isso que iria acabar com a
- 25:07vida desses micro-organismos, não tem que se replicar.
- 25:10Seria essa a finalidade do vazio sanitário.
- 25:17É, o que acontece é que assim, aí tem gente que vai ficar brava
- 25:21comigo, mas por favor, não fiquem.
- 25:24O pessoal ainda não faz uma limpeza, uma lavagem, uma
- 25:28desinfecção direito. Faz tudo às pressas.
- 25:31Às vezes não usa a concentração certa dos produtos pelo tempo
- 25:35adequado. E aí o resultado não vai
- 25:37acontecer. E ainda tem a questão do vazio
- 25:39sanitário. Como que eu entendo que seria
- 25:42feito de uma forma correta? Essa higienização desse
- 25:45ambiente, esse vazio sanitário. E por que eu penso isso?
- 25:49Higienização. Primeiro você tem que remover o
- 25:51excesso da matéria orgânica. Tem trabalhos que mostram os
- 25:54números que eu vou falar agora. Eu vou falar de cabeça aqui, mas
- 25:56acho que eu lembro. Quando você tira a matéria
- 25:58orgânica, faz uma raspagem naquele ambiente, você está
- 26:01tirando noventa por cento da quantidade de micro-organismos.
- 26:05Então, você tirou, mas ainda está sujo.
- 26:07Você vê que tem sujeira ali. Depois que você removeu essa
- 26:12matéria orgânica, você vai fazer a lavagem, que dê preferência
- 26:15com água sob pressão, com água quente, se possível. com o
- 26:19detergente correto, porque a gente tem detergente alcalino,
- 26:23neutro e ácido, então você tem que entender quando você vai
- 26:25usar um ou outro, na concentração correta, que o
- 26:28pessoal às vezes quer diluir um pouco mais pra render, né,
- 26:31porque é umas mágicas que a gente quer fazer de economia, aí
- 26:34você vai gastar mais depois com o tratamento dos bichos, né, vai
- 26:37economizar no detergente, mas vai gastar em remédio depois.
- 26:40Aí você faz uma bela lavagem e seca.
- 26:44Tem que secar? Tem.
- 26:46Já vamos ver por quê. Mas isso aí, Ocorreu durante um
- 26:49dia, né? Você desalojou animais, por
- 26:51exemplo, de manhã cedinho, então você consegue até o fim da tarde
- 26:55fazer isso aí com calma e com qualidade.
- 26:57Ah, desalojei os animais à tarde, fiz a raspagem ali no fim
- 27:01da tarde, no dia seguinte eu vou fazer a lavagem e aí vou ter que
- 27:05esperar secar. Por que tem que secar?
- 27:08Eu não sei quanto de água ficou ali umedecendo o ambiente.
- 27:13Quando eu for entrar com o desinfetante, que tem a diluição
- 27:16certa, Se eu pegar ele diluído corretamente e jogar num
- 27:20ambiente molhado, eu estou diluindo mais esse desinfetante.
- 27:25Então ele já começa a diminuir a eficácia dele.
- 27:27Então se eu tinha retirado noventa por cento das bactérias
- 27:31ali, dos vírus, dos ovos, cistos e ocistos de parasitas ali,
- 27:36tirei noventa por cento com a remoção mecânica.
- 27:38E tirei mais uns nove por cento com uma boa lavagem, com
- 27:43detergente correto, ainda sobrou um por cento dos microorganismos
- 27:46ali. Ah, esse um por cento não dá
- 27:48nada, né? São os mais resistentes que
- 27:51estão ficando pra trás, né? Aí, você vai entrar com o
- 27:54desinfetante certo, depois do ambiente seco, pra tentar matar
- 27:59grande parte desse um por cento. Você não vai zerar, você não vai
- 28:03fazer uma esterilização ali. Você vai chegar, de repente, em
- 28:06noventa e nove por cento de redução de micro-organismo, você
- 28:09vai reduzir mais zero nove por cento.
- 28:11Então, você reduziu noventa e nove vírgula nove por cento dos
- 28:15micro-organismos fazendo a remoção da matéria orgânica, a
- 28:19lavagem com detergente certo, a desinfecção depois de seco, para
- 28:22não diluir o seu desinfetante, e deixa secar o ambiente também.
- 28:27Então, nessa brincadeira, para você limpar direito aquele
- 28:30ambiente, você levou de dois a três dias, porque ele está sem
- 28:33animais, você não pode colocar animal lá enquanto você está
- 28:35fazendo isso. Nisso, você reduziu o noventa e
- 28:38nove vírgula nove por cento dos microorganismos perigosos, ainda
- 28:42tem zero um por cento que ficou ali, né?
- 28:44E aí, quem que vem agora? Se você colocar um animal
- 28:47imediatamente ali, pronto, ele vai entrar no hospedeiro e
- 28:51começa a se multiplicar. Ele saiu ali do ambiente onde
- 28:55você tinha, de repente, baixa umidade, porque você secou,
- 28:58porque tem incidência de raio ultravioleta, porque você abriu
- 29:01as cortinas e está batendo sol, porque você tem o efeito
- 29:05residual daquele próprio desinfetante que você colocou.
- 29:08Você coloca um animal ali, a bactéria, o vírus, o ocisto, ele
- 29:14vai... para dentro e falar, ufa, saí daquele ambiente chato onde
- 29:18estavam tentando me matar. Vou aproveitar e me multiplicar
- 29:20aqui no hospedeiro. Se você deixar mais uns dois ou
- 29:23três dias vazio, chega uma hora que aquele microorganismo não
- 29:26consegue se manter ali. E aí você reduz mais um pouco a
- 29:30carga microbiana daquele ambiente.
- 29:33Quando o hospedeiro chega, e aí a gente está falando do nosso
- 29:36leitão, quando está chegando o leitão naquele ambiente, que já
- 29:39está com uma carga microbiana muito baixa, e você está
- 29:42pensando em bem-estar e você... está trazendo um animal que está
- 29:46com um nível de estresse baixo, que está com uma nutrição muito
- 29:49boa, que está com uma ração sem micotoxina, que está com uma
- 29:54densidade populacional adequada, que você não fez muita mistura
- 29:57de lote para não causar aquela quebra de hierarquia, você está
- 30:01cuidando de tudo que poderia estressar esse animal para ele
- 30:04chegar o mais pleno possível naquele ambiente que está com
- 30:07uma carga microbiana muito baixa.
- 30:10Ele está com uma resposta imunológica legal, o ambiente
- 30:12está com pouco micro-organismo pra atacar ele, ele consegue
- 30:17lidar com aquilo. É como se você chegasse numa
- 30:20zona de guerra e tivesse só alguém lá com uma espingardinha
- 30:23de chumbo te dando tiro. Você aguenta aquilo, você
- 30:26consegue lidar com aquilo. Agora, se esse animal já chega
- 30:29numa situação assim, que ele tá estressado, que ele tá mal
- 30:33nutrido, que a água não é de qualidade, ele tá bebendo pouca
- 30:37água porque essa água tá quente, ou porque essa água tá com
- 30:39cheiro estranho, ele não quer beber água, ele tá meio
- 30:41desidratado, Ele brigou muito, sei lá, ele está assim, não está
- 30:44num dia bom. Você joga num ambiente muito
- 30:47contaminado, é como se ele fosse recebido com uma rajada de
- 30:51metralhadora. Ele não consegue desviar, alguma
- 30:53coisa vai pegar nele. E aí que a gente vai ver os
- 30:56quadros. Então, acho que quanto menor o
- 30:59desafio ambiental que esse suíno tem e quanto mais estável ele
- 31:04estiver do ponto de vista de bem-estar, menor a chance dele
- 31:08ficar doente. Não é que não vai ficar. mas eu
- 31:11acho que é menor a chance, muito menor.
- 31:16Eu, quando dava aula de suinocultura, eu falava das
- 31:20cinco salas necessárias para... Para ter um desmame de vinte e
- 31:26um dias, os alunos iam para o estágio e falavam, professor, eu
- 31:29não encontrei a quinta sala. Praticamente abandonaram essa
- 31:34sala. Ou a sexta sala, para quem
- 31:36desmama com vinte e oito. O investimento é altíssimo.
- 31:41Olha, acho que você não vai conseguir ver aqui o meu quadro.
- 31:44Está vendo aqui? Sim, estamos vendo.
- 31:46Os alunos vieram hoje aqui para tirar dúvida do trabalho de
- 31:50biosseguridade sobre a distribuição dos animais.
- 31:53Eu falei, gente... Falei, mas professora, como é
- 31:55que você sabe quantas salas tem que ter?
- 31:57Eu falei, é lógica. Falei, vamos lá, você vai ter
- 31:59que ter uma sala vazia, vai desmamar com vinte e um.
- 32:01A fêmea tem que chegar uma semana antes do parto.
- 32:04Aí, mais três semanas. Quanto que isso dá?
- 32:06Cinco salas. Eu falei, exatamente.
- 32:08Então, a gente fez aqui um ciclo completo, né?
- 32:10Considerando o abate com cento e sessenta e um dias.
- 32:13Então, eu mostrei pra eles quantas salas ou galpões eles
- 32:16têm que ter pra eles poderem fazer o cálculo lá do projeto
- 32:19deles. Eu falei, isso aqui não
- 32:22acontece, né? E nenhum ergueu a mão e falou,
- 32:25professora, eu fui numa granja e só tem as quatro salas.
- 32:29Eu falei, isso aqui é o que deveria ser.
- 32:31Eu falei, qualquer granja que vocês chegarem, não vai ter.
- 32:33E um menino fez estágio e ele falou, professora, eu nunca vi a
- 32:36sala do vazio sanitário. Eu nunca vi uma sala vazia.
- 32:38Eu falei, pois é. Agora, diarreia você já viu, né?
- 32:42Pneumonia você já viu. Ele, ah, já.
- 32:43Eu falei, então. Talvez se tivesse aquela sala do
- 32:46vazio sanitário, tivesse menos diarreia, menos pneumonia.
- 32:49E você acha que... esse abandono praticamente dessa sala do
- 32:57vazio, que era uma sala de uma semana, né?
- 32:59Você tinha uma semana cheia para lavar, desinfetar, eram cinco
- 33:03dias de vazio mesmo. O abandono dessa prática pode
- 33:08justificar desafios, como eu falei antes, do problema
- 33:13respiratório, condenação e frigorífico?
- 33:16Com certeza. Na minha opinião, assim, é com
- 33:19certeza. E digo mais...
- 33:22Se as pessoas fizerem as contas do quanto estão perdendo de
- 33:25animais ou de carcaças por conta dos problemas decorrentes da
- 33:29falta do vazio. Se elas fizerem a conta de
- 33:33manter essa uma sala vazia em todas as fases.
- 33:37Você ter essa uma sala vazia, fazer a limpeza e desinfecção
- 33:40tudo muito direitinho. Quanto isso vai custar para ela?
- 33:44Ou quanto custa as perdas que ela tem?
- 33:46Vai ver que vale a pena. É que, não sei, em algum momento
- 33:50o pessoal falou, sala vazia é jogar dinheiro fora.
- 33:54E se apegaram nisso, e eu acho que ao contrário.
- 33:57Você ter uma sala vazia por um bom motivo vai aumentar a
- 34:01produtividade. A pessoa vai conseguir taxas
- 34:04melhores em todos os índices, pensando em peso dos animais,
- 34:08pensando em nível de sinais clínicos, em mortalidade, porque
- 34:11você diminui a ocorrência de doenças.
- 34:13Se você diminui a ocorrência de doença, você diminui a
- 34:16consequência dessa doença. Não tem como.
- 34:19Então, precisa voltar. Eu acho que a gente precisa
- 34:22voltar sim. Letícia, a gente sabe que o
- 34:28animal, para que ele possa responder adequadamente a
- 34:31desafios futuros, principalmente em fase de creche, engorda, ele
- 34:35teria que ter um treinamento desse sistema imunológico em uma
- 34:39fase anterior, principalmente em maternidade.
- 34:43Só que se eu tenho patógenos para um treinamento, eu não
- 34:48tenho como dosar isso, né? Eu posso ter patógeno demais e
- 34:54por questões de saúde, de manejo de colostro, de vazio sanitário,
- 35:01sei lá, instalação, eu perco a mão e estoure a doença.
- 35:06Então, me parece que sempre o discurso que mais prevalece é
- 35:12vamos enrijecer em termos de limpeza, desinfecção, mesmo que
- 35:17eu perca esse treinamento. Você concorda com isso?
- 35:22Ou nós deveríamos ter alguma forma de expor esses animais
- 35:26para que eles não ficassem tão piada e prédio lá nas outras
- 35:30fases? Olha, uma pergunta bem complexa
- 35:35essa. Eu não tenho uma resposta
- 35:37pronta, mas eu vou falar qual é a minha hipótese.
- 35:39E aí eu vou traçar um paralelo com bebês humanos, com crianças.
- 35:44Então, pensa só. Um bebê humano, ele pode nascer
- 35:49numa maternidade que tem alguma contaminação?
- 35:52Você não espera que numa maternidade de bebês humanos
- 35:55tenha bebê com diarreia, bebê pegando alguma infecção
- 35:58respiratória ou bebê vindo a óbito.
- 36:01Na maternidade de suínos, nós aceitamos que isso aconteça.
- 36:05Então, acho que já é primeiro paradigma.
- 36:08Por que a gente tem uma maternidade... de pequenos
- 36:12mamíferos, nesse caso o leitão, que é tão diferente da
- 36:15maternidade que a gente tem para humanos.
- 36:17Então assim, não estou falando que a gente tem que ter assim, a
- 36:20maternidade do hospital Albert Einstein é da grande, eu sei que
- 36:23isso não é verdade, mas a gente tem que primeiro diminuir a
- 36:26carga microbiana e os desafios que esse leitãozinho está tendo,
- 36:29por quê? Quando a gente fala de
- 36:31amadurecimento imunológico, não sou imunologista, mas é uma área
- 36:34que eu gosto muito, então eu estudo por conta.
- 36:37O que eu sei de imunologia de leitão?
- 36:40Esse leitãozinho, ele é intraútero, ele não recebe nada
- 36:44de anticorpos da mãe. O tipo de placentação das fêmeas
- 36:47suínas impede a passagem de anticorpos pro leitão durante a
- 36:51gestação. Então, eles nascem zerados de
- 36:53anticorpos, de anticorpos maternos, e eles ainda não
- 36:56começaram a produzir os deles. Ele já tem a imunocompetência
- 37:00parcial no momento que nascem, mas ela ainda tem que se
- 37:03desenvolver por um tempo. Então, no primeiro momento que
- 37:07ele nasce, ele já tem uma... Colonização microbiana de quando
- 37:11ele sai do canal vaginal e chega ali naquele ambiente que talvez
- 37:16esteja com uma contaminação bem grande de algum agente
- 37:19patogênico. É um desafio para ele ali que
- 37:21ele não tem como lidar com aquilo.
- 37:23E ele tem que ser imediatamente colostrado.
- 37:26E todos esses leitões têm que receber o colostro com
- 37:28qualidade, porque é aquilo que vai segurar as próximas semanas
- 37:32dele. A imunidade materna desse leitão
- 37:35começa a decair após algumas semanas.
- 37:37Uma porque vai tendo consumo desses anticorpos, porque eles
- 37:40estão sendo desafiados, né? Então, ele vai fazer algumas
- 37:43reações de neutralização e ele perde esses anticorpos, né?
- 37:46Nessa batalha. E ele não tá repondo, porque
- 37:49depois vem o leite da mãe, que tem um pouquinho de
- 37:51imunoglobulina, mas não vai mais ser absorvido, né?
- 37:54Vai ter só uma função em mucosa. E ele vai gastando esse... esses
- 37:59cartuchos que ele tem ali de imunoglobulina que ele pegou do
- 38:02colostro, se foi bem colostrado, porque se não foi bem
- 38:06colostrado, ele não tem nem essa munição para tentar brigar.
- 38:10E nesse meio tempo, o sistema imunológico dele está começando
- 38:12a amadurecer, ele está terminando de educar algumas
- 38:16células, alguns linfócitos, para eles reagirem adequadamente,
- 38:20para ele começar a reagir. Então, assim, num cenário
- 38:24perfeito, o que aconteceria? Esse leitão nasceu... num
- 38:27ambiente muito limpo, com uma carga microbiana muito baixa e
- 38:32com variabilidade dessa microbiota ambiental.
- 38:35Ele entrou em contato com um pouquinho de cada microorganismo
- 38:39que estava ali, foi bem colostrado, ele fez a
- 38:42colonização do trato gastrointestinal dele, do trato
- 38:45respiratório dele, ele absorveu muito anticorpo da mãe e ele vai
- 38:49amadurecendo ali até vinte e um ou vinte e oito dias do seu
- 38:52desmame, quando ele vai entrar num nível de estresse altíssimo.
- 38:56bem na hora que a imunidade materna está caindo e a dele
- 39:00está começando a subir, a gente está bem numa janela
- 39:02imunológica. E aí ele vai para a creche, onde
- 39:05ele vai ter o desafio da nova alimentação, de estar longe da
- 39:08mãe e de estar num grupo com outros animais que ele não
- 39:11conhece. Então se ele não estiver vindo
- 39:14muito bem equilibradinho ali nas três ou quatro primeiras semanas
- 39:18de vida, quando chegar na creche ele vai sofrer um baque muito
- 39:21forte. Aí a gente viu o cenário
- 39:24perfeito, né? Aí vamos ver o cenário, às
- 39:26vezes, de algumas realidades por aí.
- 39:29Aquela maternidade não está com uma higiene, uma desinfecção
- 39:34adequada, então a carga microbiana do ambiente está
- 39:36muito alta. Além de estar muito alta, tem
- 39:39patógeno ali dentro, está cheio de clostridium, está cheio de
- 39:42ecolito oxigênica, está cheio de cisto isóspora que já esporulou,
- 39:46porque está lá há dias, porque não foi bem limpo. esse animal
- 39:51não teve acompanhamento no parto, então a temperatura
- 39:54ambiental não estava legal, ele não foi colostrado direito, ele
- 39:58já está todo capenga, coitado. A hora que ele chega na creche,
- 40:01ele não vai em tubaque. Aí começa a aparecer diarreia
- 40:04pós-desmame, aparece meningite, aparecem uns quadros de
- 40:08circovírus, assim, sem perna e cabeça, que você fala, meu Deus,
- 40:11o que está acontecendo com esse bicho?
- 40:13Mas é porque ele já está vindo meio sofrido ali da maternidade.
- 40:17Então, você pega assim, aí vamos pensar em criança de novo.
- 40:20Você pega aquela criança que foi bem amamentada, foi bem
- 40:23alimentada nos primeiros anos de vida, a hora que você coloca ela
- 40:27na escolinha, na creche, ela vai bem.
- 40:30Aí você tem aquele outro amiguinho lá da creche, né?
- 40:33Que não foi amamentado direito, a criança não tem apetite pra
- 40:35nada, não come nada, é meio mirradinho, joga na creche.
- 40:39Toda semana a criança falta porque tá com febre, porque tá
- 40:42com nariz escorrendo, porque tá com dor de barriga.
- 40:44Então, eu acho que aquele primeiro momento da maternidade
- 40:47é crítico para você conseguir levar um animal com mais
- 40:50sustância para a creche. Não é peso, mas é que ele tenha
- 40:54uma capacidade orgânica de reagir aos desafios, porque o
- 40:57desmame vai ser um dos maiores desafios que ele vai ter na vida
- 40:59dele, para que ele consiga passar essa fase com um pouco
- 41:03menos de problema para resolver. Ou seja, as boas práticas de
- 41:08produção e uma exposição mínima aos micro-organismos que estão
- 41:13ali. De preferência, não tão
- 41:15patogênicos, né? Porque a gente não quer que
- 41:17sobreviva ali um ossisto, né? Não.
- 41:21Eu pego, por exemplo, eu brinco assim, que eu tenho meu leitão
- 41:23particular, né? Que é o meu filho.
- 41:25Então, o meu filho, coitado, eu brincava assim que ele era
- 41:29criado junto com os bichos. Como que é isso, né?
- 41:33Ele desde pequenininho, ele mexe com a minha cachorra, que é um
- 41:37animal que está vacinado, que está vermifugado, que não tem
- 41:40doença, que toma banho toda semana.
- 41:41Tem acesso às minhas gatas. Eu vivo entrando e saindo de um
- 41:45monte de lugar. Tem bicho, tem hospital
- 41:46veterinário aqui. Então a minha roupa com certeza
- 41:48não é a mais descontaminada do planeta.
- 41:51Ele sempre brincou no chão. Sempre deixei brincar na terra.
- 41:54Mas óbvio, nunca deixei ele brincar com esgoto.
- 41:57Então era uma criança que a primeira diarreia que ele foi
- 42:00ter foi com quatro anos de idade.
- 42:03Quatro anos de idade. Um menino que tem contato com
- 42:06terra. Então...
- 42:08É assim, é o grau de desafio que você dá.
- 42:10Você vai dar um desafio que aquele filhote ali, que aquele
- 42:14leitão, que aquele bebê, consiga lidar.
- 42:17Se o desafio for muito grande, não tem como.
- 42:19Ele não vai dar conta. Agora, meu filho, assim, o que
- 42:23tomou de lambida, de cachorro na cara, não tá escrito, né?
- 42:26Minha mãe ficava doida. Meu Deus, o que vai acontecer?
- 42:29Minha mãe é menina de prédio, né?
- 42:30Ela ficava apavorada. Eu falava, mãe, não dá nada.
- 42:34E realmente, é um menino superforte.
- 42:36Meus animais também, meus animais não são criados em bolha
- 42:39de plástico. É quintal, é grama, passeia, mas
- 42:45o ambiente de casa é sempre muito controlado, é todo mundo
- 42:48vacinado, é todo mundo vermifugado, toma remédio pra
- 42:51carrapato. A pessoa fala, ah, sua cachorra
- 42:53não fica doente, suas gatas não ficam doentes.
- 42:56Não fica, eu elimino os fatores de risco.
- 42:59Meu filho, o que eu não consigo controlar é a doença
- 43:01respiratória nele, porque vai pra escolinha.
- 43:03Aí um amiguinho tosse na cara do outro e isso eu não consigo
- 43:06controlar. Mas ele tem quadros muito leves.
- 43:10Graças a Deus, nunca foi internado no hospital.
- 43:12Os amiguinhos dele já passaram por internação por causa de
- 43:15pneumonia. Então, assim, eu vejo com o que
- 43:18eu faço lá em casa, com os meus bichos, com o meu filho, com o
- 43:21que eu falo pras granjas que eu acompanho.
- 43:23Assim, dá a chance deles lutarem.
- 43:27Que aí o organismo deles se vira.
- 43:28E a gente diminui casuística. Não é não ter infecção.
- 43:33Vai ter infecção, mas vai ser assintomática.
- 43:35E é o sintoma que dá o prejuízo. É o sintoma que dá a queda de
- 43:39peso, que dá a aderência de carcaça, que dá mortalidade.
- 43:43Se for assintomático, tá tudo bem.
- 43:45Você vai ter que só controlar permanentemente os fatores de
- 43:48risco, porque se você tem um foco endêmico onde os animais
- 43:52estão assintomáticos, se você deixar estourar os fatores de
- 43:55risco, aí vai acontecer a doença também.
- 43:58Porque aí você desbalanceia aquele equilíbrio.
- 44:00Mas se você conseguir segurar isso e manter sempre a
- 44:04quantidade de micro-organismo baixa, então o desafio fica
- 44:08baixo. Você sabe que olhando aí as
- 44:12atividades que você tem com o teu filho, a exposição que ele
- 44:16tem a oportunidade, é bem o que recomenda um artigo que estava
- 44:21lendo sobre a hipótese da higiene, que a higiene excessiva
- 44:25levaria a crianças alérgicas e imunossuprimidas. mas que isso
- 44:32não significaria que nós tivéssemos que abandonar todos
- 44:36os hábitos de higiene que foram conquistados com o homem
- 44:39moderno, que poderia simplesmente fazer exposições
- 44:44como você citou, uma criança que vai em um parque, que tem um
- 44:47pet, que mexe na terra, que tem essa oportunidade de exposição,
- 44:53ela vai compensar mesmo morando num apartamento ou numa casa
- 44:58extremamente higiênica, higienizada, ela vai ter essa
- 45:01exposição mínima necessária. E me parece que a terra, você
- 45:06falou do grama, a terra, ela parece ter um elo muito
- 45:10importante com relação a essa oportunidade de treinamento do
- 45:15sistema imunológico, porque o suíno, na natureza, ele Logo
- 45:20depois de um, dois, três dias, ele já começava a fuçar na
- 45:23terra, né? Que era até para suprir o ferro.
- 45:29E ele tinha contato com os bacilos do solo, né?
- 45:32É claro que tinha o risco de parasitas e tal.
- 45:36Mas isso certamente era muito rico em termos de formação de
- 45:41microbiota. Isso nós perdemos, né?
- 45:44Isso está num piso de plástico e...
- 45:47E não tem, né? Ele não tem mais acesso à
- 45:49natureza que colonizava o intestino desses leitões.
- 45:53Então, e quando você pensa nesse ambiente natural, com terra e
- 45:56com grama, e esses animais estão por ali e defecaram e urinaram
- 46:00ali, ok. Eles estão jogando a microbiota
- 46:03intestinal deles ali. Mas não é só aquilo que está
- 46:06ali. Você tem toda a microbiota do
- 46:08solo, a microbiota dos vegetais que estão ali.
- 46:11Você tem chuva, né? Você tem várias coisas que estão
- 46:13diluindo tudo aquilo. E você tem a questão que os
- 46:15animais... soltos, eles não ficam no mesmo local o tempo
- 46:19inteiro, eles vão migrando. Então, acho que a carga de
- 46:25desafio cai muito por essa diluição do espaço.
- 46:28Quando você coloca os animais numa baia pequena, numa gaiola,
- 46:31eles não têm para onde ir e a carga microbiana está altíssima
- 46:35e é só de uma origem, normalmente.
- 46:37Você até pode ter ali um pouco de microbiota que chegou via
- 46:41água, via alimento, mas a maior parte está vindo dos próprios
- 46:44animais que estão ali. E tá concentrado, porque ele não
- 46:47tem como sair daquele espaço. Então o desafio é muito, muito
- 46:51grande. E não tem ação do sol, né?
- 46:53Não tem ação do sol. Fazendo a desinfecção.
- 46:55É, não tem a chuva, não tem um monte de coisa.
- 46:58Não tem a microbiota do solo ali, da terra e dos vegetais pra
- 47:02competir com essa microbiota dos animais.
- 47:06E aí tem uma questão também que o pessoal da microbiologia fala,
- 47:09e que faz bastante sentido, que os micro-organismos
- 47:13ambientais... eles obviamente são resistentes no ambiente,
- 47:16porque eles precisam sobreviver fora de hospedeiros, e que os
- 47:21micro-organismos que são simbióticos com algum hospedeiro
- 47:24ou patogênicos, eles costumam ser mais sensíveis no ambiente,
- 47:28porque eles precisam dessa proteção do hospedeiro, que tudo
- 47:31bem que tem o sistema imunológico para tentar atacar
- 47:33eles, mas de certa forma eles têm uma umidade controlada
- 47:38dentro do hospedeiro, não tem dessecação dentro do hospedeiro,
- 47:41eles não têm ultravioleta dentro do hospedeiro, então eles estão
- 47:44mais protegidos, mesmo sendo combatidos pelo sistema
- 47:47imunológico, eles estão mais protegidos dentro do hospedeiro.
- 47:50Você pega uma leptospirose, que se ficar seco aquele ambiente,
- 47:53em questão de minutos ela morre. Agora você pega essa lepto
- 47:56dentro de um animal e pode ser portador por semanas, um
- 47:59portador assintomático daquela lepto.
- 48:01Então, quando a gente vai trazendo esses conhecimentos da
- 48:05microbiologia junto com a epidemia, junto com da vivência
- 48:10que a gente tem junto com o produtor, das vivências que eles
- 48:13têm, a gente junta tudo isso, eu acho que a gente cria a
- 48:16biosseguridade, que a gente vai achando as soluções pensando na
- 48:19lógica do que está por trás daquela infecção.
- 48:22Falou, para chegar na infecção, quais foram as quinze coisas que
- 48:27aconteceram antes? Aí se você conseguir eliminar
- 48:29cinco dessas coisas, você já diminui a chance de infecção ou
- 48:33diminui a carga que vai chegar naquele hospedeiro.
- 48:36Então você vai construindo os raciocínios.
- 48:40Não basta querer só eliminar totalmente o patógeno, que é uma
- 48:45tarefa impossível, mas sim como que eu preparo esse leitão para
- 48:51aquele pouco que sobrou ser suficiente só para treinar o
- 48:54sistema imunológico, mas não para desencadear a doença.
- 48:57Sim, e pegar assim, eu acho que a erradicação é importante
- 49:01quando a gente fala de doenças de altíssima mortalidade.
- 49:03Aí não dá para brincar com febres hemorrágicas, por
- 49:07exemplo, peste fina clássica, peste fina não tem brincadeira.
- 49:11Ou alguma zoonose que seja importante pra gente e que
- 49:15aquele animal ou aquele produto alimentício pode ser uma via de
- 49:19transmissão pra gente. Então, acho que daí, assim, é
- 49:22erradicação mesmo e vão ser trabalhos complexos e demorados
- 49:28pra conseguir fazer. Agora, essas doenças que causam
- 49:32incômodo quando a gente perde o controle, então, acho que o
- 49:36mecanismo é esse mesmo, é controlar aquela infecção,
- 49:40deixar da forma que assim, que não incomode, que você não tenha
- 49:45manifestações clínicas a ponto de você ter o incômodo dos
- 49:49animais doentes, que a gente tem como veterinário obrigação de
- 49:52trazer sanidade para esses animais, mas também não tem o
- 49:55incômodo do prejuízo, que é o objetivo daquela empresa, a
- 50:00suinocultura é uma empresa. Então, aquele empresário quer
- 50:04ter lucro, no fim das contas. E ele pode ter lucro se ele
- 50:08controlar as perdas por conta desses patógenos.
- 50:11E uma das formas é talvez não eliminar o patógeno, mas
- 50:14conviver de uma forma que os suínos aguentem o desafio.
- 50:20Legal. Olha só, o papo está tão bom que
- 50:23já foram quase cinquenta minutos.
- 50:25Meu Deus! É, conversa boa, informações
- 50:30importantes. E para a gente encerrar aí
- 50:35dentro dos próximos minutos, eu queria explorar um tema que é um
- 50:38tema polêmico. Me perdoe se é um tema que você
- 50:43não gosta de estudar ou é um tema que é áspero demais.
- 50:52Ai, que medo! O que está vindo aí?
- 50:54Não, não, não. É sobre remoção de carcaças.
- 50:58Remoção de carcaças... de animais mortos em granja.
- 51:03Tira da granja, deixa na granja. O que é menos pior na sua visão?
- 51:10Eita, vai fechar com uma perguntinha capciosa.
- 51:16Olha, se esse animal morreu, vamos falar assim, morreu de
- 51:19susto, ele teve um infarto, ele não tem nenhum motivo
- 51:24transmissível para ter morrido, Eu não vejo problema nenhum em
- 51:28você transportar essa carcaça pra algum lugar.
- 51:31Porque a partir do momento que ele morre, ele começa a eliminar
- 51:34fluidos e líquidos, ele começa a entrar em autólise, né?
- 51:37Se demorar muito, começa a entrar em infiltração.
- 51:40E ele vai eliminando, seja lá o que for que estiver dentro dele,
- 51:43pro ambiente. Se você coloca esse animal
- 51:46literalmente vazando num caminho pra levar pra outro lugar, e ele
- 51:50morreu, entre aspas, de mal-olhado, ok, não vai
- 51:53acontecer nada de contaminação naquele caminho.
- 51:55Agora, se ele morreu de uma doença transmissível, ele vai
- 51:59ser um veiculador disso aí pelo caminho inteiro até o local de
- 52:02descarte. Então, pensando em cadeia de
- 52:06transmissão, eu considero que seria muito mais adequado você
- 52:10ter um local próximo, mas muito próximo da granja, não
- 52:14obviamente do lado do galpão, mas uma proximidade segura, para
- 52:18que você não tivesse que transitar com esse animal para
- 52:20longe, para ele contaminar o ambiente até o local de destino.
- 52:26Para poder fazer o transporte adequado, teria que ser usado
- 52:28caminhão com nível de vedação altíssimo e depois uma
- 52:32descontaminação desse caminhão. Eu acho que seria muito mais
- 52:35complicado. Se você fizer um descarte de
- 52:37carcaças adequado na propriedade, respeitando lençol
- 52:41freático, área de proteção ambiental, habitações e os
- 52:45ambientes dos galpões dos animais, eu acho que é possível
- 52:49fazer uma manutenção adequada e até gerar algum produto
- 52:52interessante com essas carcaças, talvez... uma compostagem de
- 52:56carcaça e tem alguns trabalhos bem interessantes, até da
- 52:59Embrapa, gado de leite, pensando em bovino, que a gente pode usar
- 53:02para suíno também. Enfim, a gente conseguiria
- 53:04transformar aquele problema que é a carcaça, talvez num produto
- 53:09com baixo risco ambiental. Agora vamos além.
- 53:13Por que a gente está com tanta carcaça?
- 53:14Por que está tendo tanta mortalidade?
- 53:17Então, será que se a gente manejar alguns fatores de risco,
- 53:20a gente não diminui essa mortalidade?
- 53:23E aí quando eu chego numa granja e falo, olha, a gente vai ter
- 53:25que fazer assim, que é diferente de antes, e alguém fala, ah, mas
- 53:28isso vai me dar mais trabalho. Eu falo, olha, num primeiro
- 53:31momento pode parecer mais trabalho, mas a hora que a gente
- 53:34diminuir a disseminação da doença, vai ter menos carcaça
- 53:37pra carregar. E aí o que você prefere?
- 53:39Fazer isso ou carregar a carcaça?
- 53:42Aí o pessoal fala, opa, é verdade, né?
- 53:43Se vai morrer menos, eu vou trabalhar menos nas carcaças.
- 53:47Então, também assim, Acho que antes da gente pensar para onde
- 53:50vai mandar essas carcaças, é perguntar o porquê que está com
- 53:53tanta carcaça dentro da granja. Aquilo era para virar bisteca,
- 53:56para virar bacon, não era para virar carcaça na vala.
- 54:01E o pior é que muitas dessas carcaças são de matrizes, são
- 54:05encontradas mortas já, com algum certo grau de putrefação.
- 54:12É difícil tirar da gaiola, é pesado. gera um impacto
- 54:16emocional e um impacto de segurança do trabalhador muito
- 54:20grande. O impacto emocional, o impacto
- 54:23financeiro, o impacto no trabalho, é tudo.
- 54:26Não tem nada de bom em você retirar uma carcaça ali do
- 54:29ambiente de trabalho. Quando eu comecei a trabalhar
- 54:31com suínos lá em noventa e um, a taxa de mortalidade de matriz
- 54:36era dois, três por cento. Hoje nós temos muitas granjas no
- 54:40Brasil acima de quinze por cento.
- 54:44Então, para muitas granjas, a categoria animal que mais morre
- 54:48é de matriz. Então, você jogar um leitão numa
- 54:52composteira é uma coisa. Agora, uma porca de duzentos,
- 54:55cinquenta, trezentos quilos. O porquê são variados, mas o
- 55:01prolapso de útero, o prolapso de reto, deu um upgrade nessas
- 55:07taxas de mortalidade, além dos problemas locomotores.
- 55:12Mas... Pode morrer de qualquer coisa,
- 55:15até do famoso infarto, que nem você citou como um exemplo.
- 55:19E esse é o grande impacto para o funcionário, fazer esse
- 55:23esquartejamento, você ter que tirar a mão de obra de um
- 55:28serviço para ir lá fazer todo esse trabalho de
- 55:31esquartejamento. Aí não dá tempo de acompanhar o
- 55:34parto, não dá tempo de fazer uma colostragem direito, porque
- 55:36estavam mexendo com carcaça. E depois volta... para fazer as
- 55:41atividades com a mesma roupa. E aí as composteiras estão
- 55:45cheias, com churume, com mosca, com cães, com urubu, e aí
- 55:52pensando na parte epidemiológica, aqui no oeste do
- 55:58Paraná, que é onde estou, tem várias integradoras, várias
- 56:02cooperativas, e às vezes uma propriedade se avizinha com a
- 56:06outra, uma composteira de um é do lado da composteira do outro.
- 56:11Então, pensando uma desenteria suína, está ali do lado da
- 56:16composteira do outro, mosca, rato.
- 56:21Agora, por outro lado, o caminhão é um problema.
- 56:25Você botar um animal desse num caminhão que vai passar em
- 56:28várias outras propriedades. Então, você correr, o bicho
- 56:31pega. Se ficar, o bicho come.
- 56:33Por isso que eu acho que a gente tem que prevenir.
- 56:35Hoje estamos tendo quinze por cento de mortalidade.
- 56:38Hoje vamos levar esses animais para a vala.
- 56:41Mas o que a gente vai fazer hoje para que amanhã passe para dez
- 56:44por cento de mortalidade? Depois que a ação de melhoria
- 56:47que a gente vai fazer para passar para cinco por cento de
- 56:49mortalidade? Vamos diminuir a taxa de
- 56:52reposição. Mas assim, o pessoal quer o
- 56:54resultado imediato. E resultado imediato não tem.
- 56:58Porque você tem que, no mínimo, somar o período de intubação e
- 57:02de manifestação de sinal clínico.
- 57:04Porque você vai começar hoje alguma coisa, ontem alguém se
- 57:07infectou. E aí se você tem alguma coisa
- 57:10que tem, sei lá, quinze dias de período de incubação e mais dez
- 57:14de manifestação clínica, quer dizer que a partir de hoje que
- 57:18você começou a fazer a ação, daqui vinte e cinco dias você
- 57:20ainda vai ter o problema dentro da tua granja.
- 57:23Você fala, eu tô trabalhando e não tá funcionando.
- 57:25Tá, você tá protegendo os outros que tão vindo, mas aquele que se
- 57:29infectou ontem você perdeu, né? Então você tem que saber que
- 57:32você vai trabalhar por trinta dias e vai parecer que não tá
- 57:34dando efeito. Porque são os atrasados que tão
- 57:37vindo. Depois, aí começa a cair a
- 57:42ocorrência daquilo lá que você estava controlando.
- 57:45Então, é difícil às vezes para a equipe entender isso.
- 57:49Fala, mas me deram mais serviço e eu continuo com o mesmo quadro
- 57:52de antes. É, e vai continuar por algumas
- 57:55semanas ainda, até começar a dar o efeito.
- 57:58Demora. É igual dieta, né?
- 57:59A gente começa a fazer a dieta e emagrece.
- 58:03Aí desiste da dieta. No dia seguinte, sobe na
- 58:06balança, não mudou nada. Faz uma semana de academia e
- 58:09fala, não fiquei fortão. Não é uma semana, precisa de uns
- 58:12seis meses. Então é isso, a gente tem que
- 58:14ter essa constância, essa disciplina de mesmo achando que
- 58:19não tem resultado, se a ciência mostra que aquilo é factível de
- 58:25dar um resultado, insiste por algumas semanas, por alguns
- 58:28poucos meses, até falar, é, realmente não deu.
- 58:32Isso realmente não tem efeito nesta produção.
- 58:35Aí você pode desistir. Mas se você não fizer por um
- 58:38mínimo um mês aquilo, eu falo, não, não vale desistir agora.
- 58:41Fica mais um pouco. Legal.
- 58:45Letícia, um dos desafios como docente é estimular os alunos a
- 58:50vir para a área de suínos. Às vezes eu perguntava no
- 58:54primeiro dia de aula, quem quer trabalhar com suíno, levante a
- 58:57mão. Não era incomum não ter ninguém
- 58:58com a mão levantada e na prática.
- 59:00E indo que eu estou aqui na região.
- 59:04Eu dei aula há muito tempo em Curitiba, aqui em Palotina, e
- 59:08mesmo assim eram um ou outro. Eu vejo que você trabalha o
- 59:14conceito da andragogia para estimular os alunos a estudar
- 59:18disciplina, mas que estratégia que se usa para atrair os alunos
- 59:24para a suínocultura? Como é que você vende esse peixe
- 59:26aí? Eu falo que praga de mãe pega,
- 59:29né? Praga de professora também.
- 59:31Então, no primeiro ano eu coloco uma praga neles.
- 59:34Eu falo, a gente é uma turma de sessenta alunos, eu falo que no
- 59:36mínimo três vai trabalhar com suíno e que vai me agradecer.
- 59:41E eles vão me vendo ao longo dos anos, né?
- 59:43Porque eu dou epidemiologia pra eles no segundo ano, depois
- 59:47doenças infecciosas no terceiro, depois doença de suínos no
- 59:50quarto, então eu vou trabalhando com eles esse raciocínio da
- 59:54biosseguridade no geral, das doenças transmissíveis no geral,
- 59:57e depois a gente chega especificamente na de suínos.
- 1:00:00Depois eles têm aula com outra professora sobre aves, com outra
- 1:00:03professora sobre ruminantes, e aí eu vou trabalhando com eles e
- 1:00:07eu vou trazendo gente da indústria de suínos,
- 1:00:10eventualmente para fazer uma palestrinha, para fazer alguma
- 1:00:13coisa com eles, para mostrar a realidade de mercado, e eu
- 1:00:17mostro números do agronegócio. Então, nesse trabalho que a
- 1:00:21gente faz de biosseguridade, que eles são obrigados a fazer o
- 1:00:24dimensionamento da granja e o faturamento teórico dessa
- 1:00:27granja, usar os custos que a gente tem, o índice aqui do
- 1:00:32suíno no estado de São Paulo, de custo de suíno, eles usam isso
- 1:00:35para fazer o custo de produção, as intervenções que eles vão
- 1:00:38fazer, qual é o impacto financeiro, eles veem números
- 1:00:41que eles nunca viram na vida. A professora, está certo isso?
- 1:00:45Eu fiz a conta e deu um milhão? Sim, quantas fêmeas que você tem
- 1:00:49aqui? É óbvio, se você está vendendo x
- 1:00:52animais com tantos quilos no abate, isso dá tantas toneladas
- 1:00:56de carne, vezes esse valor, é isso mesmo.
- 1:00:59E eles falam, nossa, mas então uma consulta que eu faria para
- 1:01:04cão e gato, eu ia cobrar cem reais, essa consultoria não é
- 1:01:08cem reais, de jeito nenhum, você não pode cobrar cem reais numa
- 1:01:11consultoria dessa. Então eles veem que o
- 1:01:14agronegócio tem muito dinheiro, eles começam a entender o porquê
- 1:01:18que vinte e cinco por O centro do PIB brasileiro vem do
- 1:01:21agronegócio. E aí eles se estimulam mais a
- 1:01:25ficar na área de animais de produção.
- 1:01:27Não necessariamente suínos, mas esse ano eu estou com quatro
- 1:01:32alunos que estão em estágio obrigatório e estão em áreas de
- 1:01:36suíno. Tem uma que está com reprodução,
- 1:01:39tem um que está com nutrição e dois que estão como
- 1:01:42extensionistas. É um pessoal que, assim, eu pus
- 1:01:46praga lá atrás, porque no primeiro dia de aula não falaram
- 1:01:49que iam trabalhar com suíço. Eles foram mordidos por um
- 1:01:52bichinho aqui. Eu acho que é mostrar o que é o
- 1:01:54agronegócio para um pessoal que não é filho de fazendeiro, que
- 1:01:59não é filho de agricultor e que não tem ideia do tamanho que é o
- 1:02:02nosso Brasil e do potencial que a gente tem.
- 1:02:06Legal. Tomara que você continue
- 1:02:09estimulando essa moçada aí. O mercado está sempre aquecido,
- 1:02:12precisando de profissionais. A gente costuma falar que existe
- 1:02:16muita dança de cadeira. Um sai de uma empresa para ir
- 1:02:18para outra empresa. A renovação é baixa, apesar do
- 1:02:23número de escolas de veterinário que nós temos no Brasil.
- 1:02:26Então, precisa muito mais de trabalho como esse que você está
- 1:02:29fazendo, estimulando os alunos para que mais gente venha
- 1:02:33conhecer a sua agricultura. Quem vem não sai.
- 1:02:36Não sai, não sai. Não sai.
- 1:02:39Pessoal que vai para o estágio obrigatório não quer voltar para
- 1:02:42outras áreas não, quer ficar na área do suíno.
- 1:02:45Não vai montar consultório de jeito nenhum, de pequeno.
- 1:02:47Não, eu falo que precisa também, porque assim, eu tenho cachorro,
- 1:02:50eu tenho gato, eu preciso dos veterinários de cães e gatos
- 1:02:52para me ajudar, porque eu não sei mais tratar delas, eu tenho
- 1:02:55que levar no veterinário também. Mas assim, precisa de muita
- 1:02:59gente na área do suíno, tem vaga, tem espaço.
- 1:03:04Legal. Eu te agradeço muito pela tua
- 1:03:07generosidade em compartilhar informações tão importantes.
- 1:03:10Foi um bate-papo muito gostoso, muito à vontade.
- 1:03:13Certamente os nossos ouvintes gostarão muito.
- 1:03:17Então, deixo aí para você fazer suas considerações finais antes
- 1:03:22de a gente encerrar esse episódio.
- 1:03:24Espero que o pessoal goste. Ficou um episódio longo.
- 1:03:27Mas eu espero que o pessoal leve em consideração o que a gente
- 1:03:30conversou e assim, ó, não fica bravo comigo, hein?
- 1:03:33Você que não tá fazendo vazio sanitário, você que não tá
- 1:03:36fazendo as coisas do jeito que eu falei aqui, não é pra ficar
- 1:03:39bravo, tá? Dá pra fazer de vários jeitos
- 1:03:41diferentes, mas por favor, pega três coisas do que a gente falou
- 1:03:45aqui hoje, tenta aplicar aí na tua granja, depois você conta
- 1:03:48pra gente se deu certo ou não. Se não deu certo, a gente vai te
- 1:03:51ajudar depois pra tentar resolver.
- 1:03:53Mas tenta fazer diferente para ter um resultado diferente.
- 1:03:56Vamos carregar menos carcaça, quem sabe?
- 1:03:59Legal. Muito obrigado.
- 1:04:01Um abraço, Letícia. Um abraço aos nossos ouvintes.
- 1:04:05E assim a gente encerra mais um episódio do nosso Suinocast.